SEMIÓTICA
Prof.ª Dr.ª Marisa Sormani Bastos-Marques
1 Conceito
Raiz grega semeion – signo
Semiótica é a ciência dos
signos.
2 Histórico
Rússia Europa EUA
Século Século Século
XIX XX XX
2.1 Semiótica Russa:
• pesquisas do psicólogo Lev
Vygotski e do cineasta
Eisenstein, com estudos sobre
relações entre linguagem e
ritos, linguagem e gestos etc.
● os estudos da poética,
conhecidos como Formalismo
russo, desenvolveram-se e se
problematizaram sobre uma
poética histórica e
sociológica, com Mikhail
Bakhtin.
2.2 Semiótica Europeia
• Paralelamente, surgia em
Genebra, no final do século
XIX, o Curso de Linguística
Geral, de Ferdinand de
Saussure,obra publicada
postumamente.
2.3 A Semiótica de Peirce:
• é uma área de estudos antiga
• tem suas origens nos gregos, em
grandes pensadores como Platão
e Aristóteles
● desponta na Idade Média,
com Santo Agostinho, Roger
Bacon, São Tomás
● chega ao século XIX e
floresce com dois grandes
expoentes dessa disciplina:
Ferdinand de Saussure e
Charles Sanders Peirce
● Peirce foi um cientista
generalista (matemático, físico,
químico, filósofo, psicólogo) que
tentava fornecer, com sua vasta
filosofia, uma linguagem comum
a todas as ciências
● o ponto de união de todas as
áreas em Peirce era a Lógica
● Segundo Santaella (2007), A
Semiótica é uma das disciplinas que
fazem parte da ampla arquitetura
filosófica de Peirce, alicerçada na
Fenomenologia, que investiga os
modos como aprendemos qualquer
coisa que aparece à nossa mente: um
cheiro, uma formação de nuvens, um
ruído de chuva, ou mesmo algo
complexo como um conceito abstrato
provocado por uma lembrança.
● A Fenomenologia (Edmund
Husserl) vai permitir a decifração do
mundo enquanto linguagem e
forneceu as fundações para as três
ciências normativas: Estética, Ética
e Lógica ou Semiótica
●Fenômeno é tudo o que nos
aparece: real, ilusório, virtual,
imagético etc.
3 Signo
O signo é uma coisa que representa
uma outra coisa: seu objeto. Ele só
pode funcionar como signo se
carregar esse poder de representar,
substituir uma outra coisa diferente
dele. Ora, o signo não é o objeto.
Ele apenas está no lugar do objeto.
Portanto, ele só pode representar
esse objeto de um certo modo e
numa certa capacidade.
Ora, o signo só pode representar
seu objeto para um intérprete e,
porque representa seu objeto,
produz na mente desse intérprete
alguma outra coisa que também
está relacionada ao objeto não
diretamente, mas pela mediação
do signo.
3.1 Propriedades
De acordo com Peirce, há três
propriedades formais (1ª
Tricotomia) que dão capacidade a
algo para que funcione como um
signo:
● sua qualidade,
● sua existência e
● seu caráter de lei.
Ex.:
1) vulto vermelho - temos uma
qualidade daquilo que pode ser um
signo;
2) quando constatamos que se trata
de um pano, temos a existência
desse signo; e
3) quando verificamos ser uma
bandeira por lei, temos a convicção
de que se trata de um signo
convencionado na cultura.
Agora podemos entender o que
Peirce quis dizer por Quali-signo,
Sin-signo e Legi-signo.
- Na relação do signo com o próprio
signo, quando uma qualidade
funciona como signo, como a cor
vermelha, por exemplo, que por si
só pode remeter a perigo, temos
um Quali-signo;
O Sin-signo está relacionado
com a existência do signo no
espaço e no tempo e com sua
singularidade. É um signo de
uma coisa real, algo existente:
aquele vermelho é feito de
pano.
O Legi-signo, quando os
signos agem de acordo com
uma convenção. As palavras
são convencionadas e a
bandeira do exemplo
também: designou-se que
uma bandeira vermelha
tremulando na estrada é um
aviso de alerta.
3.2 Relação do signo com
seu objeto (2ª Tricotomia):
- o ícone,
- o índice e
- o símbolo.
O ícone aparece como simples
qualidade na sua relação com o
objeto; por representar formas
e sentimentos (visuais, sonoros,
tatéis, viscerais), tem alto
poder de sugestão. É capaz de
produzir, em nossa mente, as
mais imponderáveis relações de
comparação. Ex.: nuvens.
O índice é um signo que,
como tal, funciona porque
indica uma outra coisa com a
qual está factualmente ligado.
Ex.: girassol, a posição do sol
no céu, florzinha chamada
“onze horas”.
O símbolo tem o seu poder de
representação, porque é
portador de uma lei que, por
convenção ou pacto coletivo,
determina que aquele signo
represente seu objeto. Ex.: a
palavra “mulher”.
3.3 Relação do signo com o
interpretante (3ª
Tricotomia):
• rema
• dicente
• argumento
Rema vem do grego rhéma,
que significa simplesmente
palavra. Como ainda não
participa de afirmações, é
entendido como
representando esta, ou
aquela espécie de objeto
possível. Ex.: copo.
O dicente é um signo
entendido como
representando seu objeto com
respeito à existência real.
Ex.: O copo está sobre a
mesa.
Logo que o signo supera o
quadro proposicional e
passa a participar de um
discurso racional mais
estendido, tem-se um
argumento.
Ex.: um silogismo.