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Saúde do Trabalhador: Conceitos e Desafios

O documento discute a evolução da Medicina do Trabalho para a Saúde do Trabalhador, definindo este último como um conjunto de atividades que promove e protege a saúde dos trabalhadores. Aborda também as LER/DORT, lesões causadas por esforços repetitivos que afetam estruturas musculoesqueléticas.

Enviado por

Marcelo Lassala
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Saúde do Trabalhador: Conceitos e Desafios

O documento discute a evolução da Medicina do Trabalho para a Saúde do Trabalhador, definindo este último como um conjunto de atividades que promove e protege a saúde dos trabalhadores. Aborda também as LER/DORT, lesões causadas por esforços repetitivos que afetam estruturas musculoesqueléticas.

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Saúde do

Trabalhador
Prof. Marcelo Lassala
1ª parte Ampliando
conceitos...

Da Medicina do Trabalho à Saúde


do Trabalhador

(MENDES & DIAS, 1991)


• Em que contexto surgiu a Medicina
do Trabalho?
• Como se evoluiu para a ideia de
Saúde Ocupacional?
• E a Saúde do Trabalhador?
“[...] um conjunto de atividades que se destina,
através das ações de vigilância epidemiológica e
vigilância sanitária, à promoção e proteção da
saúde dos trabalhadores, assim como visa à
recuperação e reabilitação da saúde dos
trabalhadores submetidos aos riscos e agravos
advindos das condições de
Saúde do Trabalhador
Definição

trabalho [...]” (BRASIL, 1990).


Saúde do Trabalhador
Definição
“A Saúde do Trabalhador constitui uma área da Saúde
Pública que tem como objeto de estudo e intervenção as
relações entre o trabalho e a saúde. Tem como objetivos a
promoção e a proteção da saúde do trabalhador, por meio
do desenvolvimento de ações de vigilância dos riscos
presentes nos ambientes e condições de trabalho, dos
agravos à saúde do trabalhador e a organização e prestação
da assistência aos trabalhadores, compreendendo
procedimentos de diagnóstico, tratamento e reabilitação de
forma integrada, no SUS”. (BRASIL, 2001).
“Todos os homens e mulheres que exercem
atividades para sustento próprio e/ou de seus
dependentes, qualquer que seja sua inserção no
mercado de trabalho, nos setores formais ou
informais da economia. Estão incluídos neste
grupo os indivíduos que trabalharam ou trabalham
como empregados assalariados, trabalhadores
domésticos, trabalhadores avulsos, trabalhadores
agrícolas, autônomos, servidores públicos, Quem são os
trabalhadores cooperativados e empregadores –
particularmente, os proprietários de micro e
pequenas unidades de produção. São também
considerados trabalhadores aqueles que exercem
atividades não remuneradas – habitualmente, em
trabalhadores?
ajuda a membro da unidade domiciliar que tem
uma atividade econômica, os aprendizes e
estagiários e aqueles temporária ou
definitivamente afastados do mercado de trabalho
por doença, aposentadoria ou desemprego”
(BRASIL, 2001).
Do trabalho pesado --> à
mecanização -->
à automatização --> à
rapidez “online”.

 Mudanças no trabalho
Da escravidão --> às relações
Doenças dos que informais --> às relações formais
trabalham = direitos --> à flexibilização das
relações.

Mudançasno perfil de
adoecimento
e mortalidade relacionada ao
trabalho
Organização do trabalho
Ritmo de trabalho intenso

Aumento da quantidade de
trabalho

Pressão para produtividade

Ausência de pausas

Atividades operacionais
repetitivas

Padronização dos
procedimentos
Organização do trabalho
Jornadas prolongadas

Pressão de chefias

Desvalorização do trabalhador

Mobiliário e instrumentos
inadequados

Falta de flexibilidade e
autonomia
Organização do trabalho

Fadiga física e mental


Mercado e economia

• Poucos postos de trabalho de alta tecnologia.


Predominam os de trabalho repetitivo, pesado, penoso...
cada vez mais trabalho para menos gente (intensificação
do trabalho).

• Indústria, comércio e serviços...

• Trabalho de rua: motoboys, vendedores, feirantes,


ambulantes, camelôs, pesquisadores, guardas, ...

• Trabalho domiciliar e fatores de risco para as famílias,


inclusive crianças.

• Trabalho rural em condições precárias.


Classificação das doenças segundo sua
relação com o trabalho (Schilling,
1984)

I.– Trabalho como causa necessária


Intoxicação por chumbo, pneumoconioses (silicose, asbestose)

II.– Trabalho como fator contributivo, mas não necessário


Doenças cardiovasculares, doenças do aparelho locomotor,
varizes

III.– Trabalho como provocador de distúrbio latente ou


agravador
Bronquite crônica, transtornos mentais, dermatite de contato
alérgica
O campo da Saúde do Trabalhador

Contra-hegemonia das ideias: trabalhar sim adoecer não.

Adoecer e morrer no trabalho não é natural.

Enfoque no processo de trabalho e em toda a sua


complexidade. Não sobre o adoecimento estabelecido.
Saúde do trabalhador não é assunto só do
setor Saúde. Deve ser objeto de política
de Estado
Proteção ao Planejamento Recursos energéticos
Transporte econômico
trabalhador
Previdência Educação Segurança
Controle
Trânsit Social
agrotóxicos
o Lazer
Proteção à mulher
Reforma agrária Saúde do
trabalhador Proteção à infância e à
Trabalh terceira idade
Agricultura
o Assistência
Comunicação social Controle de
Cultura produtos químicos
Meio Ambiente
 As L.E.R. são Lesões por Esforços
Repetitivos (definição mais
 antiga).

2ª parte  As D.O.R.T. (conhecidas como


L.E.R./D.O.R.T. doenças osteomusculares
relacionados ao trabalho) são
responsáveis pela alteração das
estruturas osteomusculares –
tendões, articulações, ossos,
músculos e nervos.
L.E.R./D.O.R.T.

• Resultado dos desequilíbrios entre as exigências das


tarefas por parte da organização e as capacidades
motoras do trabalhador, dentro das suas
possibilidades.
Exemplos...

torção
dorsal

abdução
extensão
Exemplos...

extensão do
pescoço

T
e
n

o
n
o
s
o
m
monitor muito punho br
flexão
baixo e próximo extendido o
acentuada
s
tendinite, tenossinovite, sinovite,
peritendinite, epicondilite, dedo
em gatilho, cistos, síndrome do túnel
do carpo, síndrome
L.E.R./D.O.R.T. do túnel ulnar, outras
síndromes, cervicalgia,
síndrome miofascial, síndrome
simpático reflexa, lombalgia e
outros
Diagnóstico de
L.E.R./D.O.R.T.

• Quem faz o diagnóstico?


• O médico assistente;
• O médico perito da
Previdência Social
(INSS);
• O médico perito da
justiça;
• O médico de
empresa.
 O diagnóstico de LER/DORT é
importante pois, por definição,
evidencia-se sua etiologia.
Diagnóstico de
L.E.R./D.O.R.T.  O diagnóstico bem firmado é
condição para condutas corretas:
terapêuticas, preventivas e demais
encaminhamentos.
Diagnóstico de
L.E.R./D.O.R.T.
 História clínica – da moléstia atual, detalhada
 Pesquisa sobre os demais aparelhos
 Comportamentos a hábitos relevantes
 Antecedentes pessoais e familiares
 História ocupacional
 Exame físico detalhado
 Exames complementares, se necessários
Diagnóstico de
L.E.R./D.O.R.T.

 Não resultam de lesões súbitas;


 Resultam de traumatismos de
fraca intensidade e repetidos
durante longos períodos sobre as
estruturas musculoesqueléticas
normais ou alteradas;
 Os sinais clínicos são variáveis.
Em geral: dor associada de
maneira mais ou menos
pronunciada a um desconforto
no curso da atividade
profissional;
 Os gestos e movimentos
causadores de lesão podem ser
de
 atividades extra-profissionais.
DETERMINANTES
Concepção dos Organização
equipamentos da produção

Ambiente
físico FATORES DE RISCO
Fatores biomecânicos Fatores
esforço psicossociais
posturas insatisfação
gestos Sensibilidade percepção negativa
repetitividade do trabalho
individual

Concepção das Organização


ferramentas do trabalho
Trabalho
esforços
trabalho
posturas musculares
contrações repetitivo
intensos
estáticas

isquemia acúmulo de fadiga atrito do tendão compressão


tissular recuperação insuficiente dilacerações na do nervo
das contrações musculares inserção músculo-
tendão

Tecido músculo-esquelético

aumento da pressão intramuscular


aumento produção de métabolitos tóxicos
diminuição dos nutirentes

degeneração das fibras musculares diminuição da


inflamação dos tecidos condução
músculo-esqueléticos nervosa

dor
fadiga muscular L.E.R. parestesias
ede
ma

• limitação da amplitude do movimento


(Assunção, 1998)
• perda da força muscular
• perturbações da percepção sensorial
Causas da L.E.R./D.O.R.T.

 Diminuição do aporte sanguíneo à região


 Repetitividade e/ou força dos movimentos quanto
na atividade estática das estruturas envolvidas

 Trauma ou microtrauma - formação


de processos inflamatórios locais

 A LER/DORT se manifesta clinicamente por


um sintoma
 subjetivo e peculiar a cada indivíduo que é a
DOR
Sintomas de
L.E.R./D.O.R.T.

• Desconforto, tensão, rigidez ou dor nas mãos, dedos,


antebraços e cotovelos

• Mãos frias, dormência ou formigamento

• Redução da habilidade (destreza manual)

• Perda de força ou coordenação nas mãos

• Dor capaz de interromper o movimento


Fatores agravantes

• Falta de apoio de níveis superiores para uma atuação


adequada

• Diagnóstico impreciso e acompanhamento inadequado


durante o tratamento médico

• Readaptação ao trabalho deficiente

• Posto de trabalho inadequado


Prevenção das
L.E.R/D.O.R.T.
 Organização do trabalho (ritmos, pausas, rodízios, divisão
de tarefas, trabalho em grupo, etc.)
 Ergonomia
 Suporte social no trabalho
 Programas internos de saúde
 Monitoramento adequado dos indicadores de saúde e
 adoecimento
 Equipe de saúde atuante no contexto do trabalho
Prevenção das
L.E.R/D.O.R.T.

 Incentivar o
trabalhador a prestar
atenção em sintomas e
limitações e, mesmo
que pequenas, orientá-
lo a procurar
assistência de um
profissional de saúde

 Criar espaços de diálogo


com a empresa nos casos
onde houver necessidade
de mudar as
características do posto de
trabalho
Prevenção das
L.E.R/D.O.R.T.
• Reconhecimento do perfil produtivo do território (Onde se
trabalha? Em que se trabalha?)

• Formação continuada da equipe de saúde – atendimento


adequado ao trabalhador

• Atenção à saúde do trabalhador – tratamento e


reabilitação

• Políticas de prevenção no território - evitar o


adoecimento dos
trabalhadores

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