FAP:
Psicoterapia Analítica
Funcional
FAP e ACT
Duas modelos psicoterápicos de atuação em Análise do Comportamento na
Clínica.
Terapias que desenvolvem a análise funcional na relação terapêutica e no
comportamento verbal.
Há críticas, entretanto, dessas terapias estarem se distanciando muito da prática
tradicional da Análise do Comportamento Clínica.
FAP e ACT
Ambas mantém as características da Análise do Comportamento Clínica:
contextualismo, funcionalismo, monismo, não ao mentalismo, não ao
reducionismo, análise idiográfica, aplicação de princípios da aprendizagem.
Terapia de Aceitação e Compromisso
É um enfoque psicoterapêutico embasado na Análise do Comportamento que
tem por objetivo enfraquecer a esquiva experiencial (ou esquiva emocional).
Análises funcionais das emoções, sentimentos, lembranças e pensamentos dos
clientes com problemas tipicamente cognitivos.
Diz-se que a ACT é modelo interpessoal.
Terapia de Aceitação e Compromisso
Esquiva experiencial – o indivíduo tem uma tendência a evitar o contato com
sentimentos ou sofrimentos.
O contexto sócio-verbal leva o indivíduo a tentar controlar seus sentimentos:
Significado literal da linguagem
Dar razões
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Suportes teóricos da FAP
Ênfase na relação terapêutica (processo interpessoal não apenas conteúdo
das verbalizações do cliente)
Reforçamento (natural X arbitrário)
Comportamento clinicamente relevante (ambiente terapêutico é
funcionalmente equivalente ao ambiente natural.
Generalização
E a consciência, a coragem e o amor?? (Modelo ACL)
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Generalização
• A terapia será ineficaz caso o cliente melhore no
ambiente terapêutico, mas esses ganhos não se
transfiram para a vida cotidiana.
• Os ganhos poderão ser generalizados se houver
similaridade funcional (paralelos funcionais) entre
o ambientes extra e intra-sessão.
Comportamento clinicamente 8
relevante (CRB ou CCR)
• Inclui comportamentos-alvo e comportamentos
finais desejados.
• Qualquer comportamento que possa ser
diretamente observado é adequado para uma
análise funcional – o CRB deve ocorrer durante o
atendimento.
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CRB1(ou CCR1)
São ‘’problemas’’ que espera-se que sejam reduzidos de frequência ao longo
do processo.
Em geral são comportamentos de esquiva sob controle de estimulação
aversiva.
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Marta, cujo problema é não ter amigos e que afirma “não saber conquistá-los”, exibe
comportamentos como: evitar contato visual, responder a perguntas falando
excessivamente, fica enfurecida se o terapeuta não lhe dá todas as respostas e
queixa-se que o mundo não se importa com ela.
Joana, que foi abandonada por pessoas que “se cansam” dela, inicia temas novos ao
final da sessão, frequentemente ameaça se matar e apareceu bêbada na casa do
terapeuta no meio da noite.
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CRB2 (ou CCR2)
São comportamentos que demonstram algum progresso do cliente, ou seja,
ele se comporta de acordo com o comportamento-alvo.
No início do tratamento estes comportamentos ocorrem em baixa frequência.
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Marta, que acredita que ninguém a respeita, consegue discriminar que o terapeuta
demonstra respeito quando a atende pontualmente, ou a ouve falar sobre seus
problemas.
Joana, que apresentava comportamentos inconvenientes, acreditando que tinha toda
razão, desculpa-se por ter ido à casa do terapeuta incomodá-lo.
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CRB3 (ou CCR3)
São interpretações, ou análises funcionais, feitas pelo próprio cliente.
Inclui as descrições de equivalência funcional que indica semelhanças entre o
que ocorre na sessão e na vida diária.
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É importante saber que a ocorrência de CRB3 não é suficiente para a ocorrência
de CRB2 e a diminuição de CRB1.
Isto quer dizer que ter consciência do problema não é suficiente para mudar. Ou
ainda, que o comportamento verbal não é suficiente para modificar o
comportamento não-verbal.
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Marta entende que ela é respeitada por algumas pessoas em diferentes situações e que,
aquelas que não a respeitam, o fazem por motivos específicos, que poderiam ser
evitados por ela.
Joana admite que seus comportamentos inconvenientes são maneiras de chamar a
atenção das pessoas, entretanto sabe que ela poderia conquistar esta atenção de outras
formas.
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Processo Terapêutico
Ocorre de forma semelhante ao processo terapêutico padrão da Terapia
analítico-comportamental e somente após a formulação comportamental é
que o terapeuta colocará em prática as regras da FAP.
As regras da FAP não excluem o uso de outras técnicas comportamentais.
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Regra 1(Consciência)
Prestar atenção aos CRBs (observação e discriminação por parte do
terapeuta).
Um terapeuta habilidoso em observar a ocorrência, na sessão, de instâncias do
CRB, tenderá a reagir naturalmente, no sentido de reforçar, extinguir e punir o
comportamento em questão, propiciando o desenvolvimento de alternativas
úteis para a vida diária.
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Regra 1
- Betty, que apresentava dificuldades em lidar
com figuras de autoridade (CRB1), solicita ao
terapeuta que ligue para o médico e peça uma
nova receita (CRB2). Apesar do terapeuta
discordar que essa fosse uma tarefa sua,
resolveu reforçar o comportamento assertivo da
cliente.
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Regra 2 (Coragem)
Evocar CRBs
Um relacionamento terapeuta-cliente ideal, evoca CRB1 e cria condições para
o desenvolvimento do CRB2.
Ao seguir esta regra o terapeuta deve ser cauteloso para que suas ações não
sejam consideradas como maniqueístas pelo cliente, podendo atrapalhar a
confiança e o tratamento.
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Regra 2
- Criar uma situação na qual uma criança
tenha que dividir um brinquedo, sendo
que ela tem dificuldade de fazer isso ou
“roubar” no jogo para ensinar a criança a
perder.
- Solicitar pontualidade de um cliente que
costuma desrespeitar regras.
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Regra 3 (Amor)
Reforçar CRB2
Os principais reforçadores disponíveis na sessão, para o cliente adulto, são as
ações e reações do terapeuta.
Enfatizar o reforçamento natural.
Trabalhar com modelagem.
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Regra 3
Evitar a punição, pois pode gerar esquiva da terapia e comportamentos
emocionais como a agressividade.
Quando o CRB1 é esquiva, o terapeuta deve reapresentar o estímulo
aversivo, de forma a não reforçar a esquiva – bloqueio da esquiva.
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Regra 3
T: Como você sentiu depois que conversamos sobre aquele assunto na sessão
passada?
C: Preciso te contar algo importantíssimo que aconteceu hoje.
T: Certo, estou curioso para ouvir, mas antes de me contar, gostaria de conversar
sobre o que ocorreu na sessão passada.
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Regra 4 (Consciência)
Observe os efeitos potencialmente reforçadores do comportamento do
terapeuta em relação aos CRBs do cliente.
Quando a modificação do comportamento do terapeuta beneficia o cliente,
ótimo! Quando há prejuízo para alguma das partes, o encaminhamento é mais
indicado.
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Regra 5
Forneça interpretações de variáveis que afetam o comportamento do
cliente.
Estas interpretações podem servir como regras para o cliente. Estas regras, por
sua vez, exercerão controle sobre o comportamento na medida em que ele as
compreende como explicação para o que ele faz e na medida em que elas têm
correspondência com o comportamento que ocorre no ambiente natural.
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Regra 5
A regra pode permitir o contato com as contingências e aumentar a
densidade de reforços para comportamentos mais adequados.
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Habilidades do terapeuta
Reforce uma classe ampla de respostas.
Compatibilize suas expectativas com os repertórios atuais dos clientes.
Amplifique seus sentimentos para torná-los mais salientes.
Esteja ciente de que seu relacionamento com o cliente existe para o benefício
deste.
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Habilidades do terapeuta
Evite a punição.
Seja você mesmo, na medida do possível, considerando as restrições impostas
pelo relacionamento terapêutico.
Ampliar a percepção sobre o progresso do cliente.
Avaliar seu próprio desempenho.