ICBAS
MIM 4ºano
Medicina I - Pneumologia
Prof. Dr. José Chaves Caminha
DPOC
DOENÇA PULMONAR OBSTRUTIVA
CRÓNICA
O que é?
Co-morbilidades Epidemiologia
DPOC
Opções terapêuticas Causas
Avaliação Diagnóstico
O que é?
Limitação constante, progressiva e irreversível
do fluxo de ar
FEV1/FVC<0,70
Pós-broncodilatadores
Resposta inflamatória crónica nas vias aéreas e pulmões a partículas
e gases nocivos
Exacerbações
Co-morbilidades
O que é?
Bronquite
crónica
Doença das
pequenas vias
Enfisema DPOC aéreas
Só consideramos DPOC se ocorrer uma obstrução
crónica das vias aéreas
Bronquite crónica SEM limitação do fluxo aéreo NÃO
se inclui na definição de DPOC
Epidemiologia
6ª causa de morte mundial!!
(4ª nos EUA)
Estima-se que seja a 3ª em
2020!
Causas
TABACO – fator de risco major
Poluição ambiental
Exposição ocupacional
Deficiência alfa-1 antitripsina
Distúrbios do desenvolvimento pulmonar
Hiper-reactividade das vias aéreas
Infeções respiratórias
Nível socioeconómico
Causas
TABACO – fator de risco major
Declínio acelerado da função pulmonar (diminuição do
FEV1) numa relação dose-resposta com a intensidade
do tabagismo (UMA)
Maior prevalência da DPOC com a idade !!
Maior prevalência no sexo masculino
Prevalência a aumentar no sexo feminino
Causas
TABACO – fator de risco major
Poluição ambiental
Fumo da combustão biomassa como fator de risco
para DPOC em ♀ de países desenvolvidos – “indoor”
Poluição “outdoor” parece contribuir muito pouco para
desenvolvimento de DPOC
Causas
TABACO – fator de risco major
Poluição ambiental
Exposição ocupacional
Quando a exposição é suficientemente
intensa e prolongada!
Um estudo recente identificou a poeira do
carvão como fator de risco significativo para
enfisema tanto em fumadores como em não
fumadores
Causas
TABACO – fator de risco major
Poluição ambiental
Exposição ocupacional
Deficiência alfa-1 antitripsina a
an
asi
Fator de risco GENÉTICO provado!
uc
ca
a
raç
Genótipo ZZ ou ZØ (PiZ) = DPOC precoce
da
1%
de
PINA 1
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Alelo Z
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Causas
TABACO – fator de risco major
Poluição ambiental
Exposição ocupacional
Deficiência alfa-1 antitripsina
Distúrbios do desenvolvimento pulmonar
Baixo peso à nascença
Infeções pulmonares
Tabagismo passivo in útero
Diagnóstico - Clínico
• Progressiva • Intermitente
• Agrava com • Seca ou produtiva
exercício (expetoração é
• Persistente comum)
crónica
Dispneia Tosse
>40 anos
(de idade)
Exposição
DPOC
a fatores
familiar de
de risco
História
• Suspeita de • Tabaco
alteração genética • Poluição
(déf. de alfa1
antitripsina)
Diagnóstico – Clínico
EXAME FÍSICO
Estado inicial
• Normal
Doença grave
• Prolongamento da fase de
expiração, sibilos
• Hiperinsuflação
Obstrução severa
• Uso de músculos acessórios
• Cianose
• Sinais de IC direita (cor
pulmonale)
Diagnóstico – Clínico
EXAME FÍSICO
Bronquite crónica
Enfisema
Diagnóstico - Laboratorial
1. Espirometria
Resultado que confirma DPOC:
FEV1/FVC < 0,70 após broncodilatadores inalatórios
Outros resultados compatíveis:
↓ FEV1
Volumes pulmonares: ↑ CPT + ↑ VR (fase avançada)
Diagnóstico - Laboratorial
FEV1 – Volume de gás expirado no primeiro segundo
FVC – Volume total expirado
Diagnóstico - Laboratorial
2. Gasometria
PaO2, PaCO2 e SatO2%
3. TAC ou Raios X do torax
Sinais de Enfisema
4. Testes de défice de alfa-1 antitripsina
TODOS os doentes!
Diagnósticos diferenciais
• Inicio na infância
• História de atopia
Asma • Ausência de sintomas entre as crises
• Rx torax: Cardiomegalia e edema pulmonar
• Padrão restritivo na espirometria
ICC
• Expetoração abundante
• Rx torax/TC: Dilatação e espessamento da parede
Bronquiectasias brônquica
• Rx torax: Infiltração pulmonar
• Confirmação microbiológica
Tuberculose
Neoplasia Pulmonar
Avaliação
Determinar a gravidade da doença, o seu impacto no estado de saúde
do paciente e o risco de eventos futuros, a fim de orientar a terapêutica
Sintomas;
Grau de limitação do fluxo de ar;
Risco de exacerbações;
Co-morbilidades.
Avaliação
Avaliar os sintomas: questionários (CAT, CCQ) e
escalas (MRC modificada);
Avaliar o grau de limitação do fluxo aéreo pela
espirometria
Em pacientes com FEV1/FVC<0,70 pós-broncodilatadores:
GOLD 1 Suave FEV1≥80% do previsto
GOLD 2 Moderado 50%≤FEV1<80% do previsto
GOLD 3 Grave 30%≤FEV1<50% do previsto
GOLD 4 Muito grave FEV1<30% do previsto
Avaliação
Avaliar o risco de exacerbações:
• Aumenta à medida que a limitação ao fluxo piora.
Avaliar as Co-morbilidades:
• Doenças cardiovasculares;
• Osteoporose;
• Depressão e ansiedade;
• Síndrome metabólico;
• Neoplasia do pulmão.
Avaliação
Risco de Exacerbações
Classificação GOLD 4
C D ≥2
3
2
A B 1
1 0
mMRC 0-1 mMRC ≥2
CAT<10 CAT≥10
Sintomas
Opções terapêuticas
Não farmacológicas
Cessação tabágica: aconselhamento e terapia
de reposição de nicotina ou farmacoterapia;
Prevenção do tabagismo;
Eliminar ou reduzir exposição ocupacional;
Reduzir ou evitar poluição do ar;
Atividade física
Opções terapêuticas
Farmacológicas
Broncodilatadores
Corticosteroides inalados
Broncodilatadores+ Corticosteroides inalados
Corticosteroides orais
Inibidores da Fosfodiesterase 4
Metilxantinas
Opções terapêuticas
Farmacológicas
Broncodilatadores
usados para benefício sintomático
via inalatória preferida menos efeitos adversos (vs.parentérica)
Anticolinérgicos Agonistas β
Brometo de Ipratrópio: melhoria LABAs (Salmeterol): benefícios
sintomática + melhoria aguda comparáveis ao Brometo de
FEV1 Ipratrópio. O seu uso é +
Tiotrópio: melhoria sintomática conveniente que SABAs
+ ↓ frequência das exacerbações Principais efeitos adversos:
Efeitos adversos mínimos tremor e taquicardia
LABA + Ipra/Tiotrópio = ↑ BENEFÍCIO
Opções terapêuticas
Farmacológicas
Corticosteroides inalados
Quando FEV1<60%
↓ frequência das exacerbações em 25%
Principais efeitos adversos:
- candidíase orofaríngea;
- ↑taxa de perda de densidade óssea;
- risco ↑ pneumonia.
Monoterapia não recomendada!
Broncodilatadores + Corticosteroides inalados
A combinação dos 2 é mais eficaz!
Opções terapêuticas
Farmacológicas
Corticosteroides orais
Uso crónico NÃO RECOMENDADO!
Risco > benefício
Múltiplos efeitos secundários:
• osteoporose;
• ganho ponderal;
• cataratas;
• intolerância à glucose;
• ↑ Risco infeções.
Opções terapêuticas
Farmacológicas
Inibidores da Fosfodiesterase 4
Em GOLD 3-4, pacientes com história de
exacerbações e bronquite crônica;
Roflumilaste em associação com broncodilatadores.
Opções terapêuticas
Farmacológicas
Metilxantinas
Menos eficazes e menos bem toleradas que os
broncodilatadores de longa ação;
Salbutamol + Teofilina: ↑ FEV1 e alivia a dispneia;
Teofilina em baixa dose: ↓ Exacerbações;
Principais efeitos adversos: náuseas (comum), taquicardia e
tremor .
Opções terapêuticas
Outros tratamentos farmacológicos
Vacina anti-influenza é recomendada
Vacinas 1/ano;
Vacina anti-pneumocócica polivalente
é recomendada em DPOC ≥ 65anos.
Terapia de reposição crônica de indivíduos
que possuem a deficiência, com enfisema Alfa-1
clinicamente demonstrável; antitripsina
Apesar da eficácia bioquímica, não há prova
de que o tratamento diminua o declínio na
função pulmonar.
Não recomendado, exceto
Antibióticos para o tratamento de
exacerbações infeciosas
e outras infeções bacterianas.
Opções terapêuticas
Outros tratamentos farmacológicos
N-acetilcisteína tem sido usada
Mucolíticos
tanto pelos efeitos mucolíticos
como antioxidantes mas não há
evidência de beneficio
Antitússicos
Utilização não recomendada
Óxido-nítrico está contraindicado em
DPOC estável;
Vasodilatadores Não é recomendado o uso de
moduladores do endotélio para o
tratamento de HTP associada a DPOC.
Opções terapêuticas
Não-farmacológicas
Reabilitação pulmonar
Melhoria da dispneia e tolerância ao
exercício;
Duração mínima de
6 semanas, quanto
mais tempo, melhores
resultados obtidos.
Opções terapêuticas
Não-farmacológicas
Oxigenoterapia
ÚNICA terapêutica que demonstrou
inequivocamente ↓mortalidade em doentes
com DPOC;
Em doentes com hipoxemia em repouso (Sat.
O2 ≤ 88% ou <90% se ICC ou HTP) tem
impacto significativo na mortalidade;
Em doentes com hipoxemia de esforço ou
hipoxemia noturna também é usada, mas os
benefícios não são bem substanciados.
Opções terapêuticas
Não-farmacológicas
Suporte ventilatório
Combinação da ventilação não-invasiva com
a oxigenoterapia para doentes com
hipercapnia diurna pronunciada;
Melhora a sobrevida, mas não melhora a
qualidade de vida;
Benefícios claros da Pressão continua
positiva das vias aéreas na sobrevivência e
risco de admissão hospitalar.
Opções terapêuticas
Não-farmacológicas
Cirurgia de redução do volume pulmonar
Oferece tanto um benefício sintomático como um benefício na
mortalidade em alguns doentes com enfisema;
Maior benefício se:
1) baixa capacidade de exercício pós-reabilitação;
2) enfisema predominantemente no lobo superior.
Transplante pulmonar
Melhora a qualidade de vida e capacidade funcional, em doentes
com DPOC muito grave: <65anos, incapacidade grave apesar de
tratamento médico máximo e ausência de co-morbilidades.
Abordagem terapêutica – fase estável
Objetivos:
- Alívio dos sintomas
- Melhorar a tolerância ao exercício
- Melhorar o estado de saúde geral
- Prevenir progressão e exacerbações
- Diminuir a mortalidade
Abordagem terapêutica – fase estável
NÃO-farmacológico vs Farmacológico
Grupo de pacientes Essencial Recomendado
Cessação
A Atividade física
tabágica
Cessação
B, C, D tabágica Atividade física
Reabilitação
pulmonar
Vacinação – depende de guidelines locais
NÃO-farmacológico vs Farmacológico
/e
NÃO-farmacológico vs Farmacológico
E ainda considerar oxigenoterapia em GOLD 4 porque
a administração de O2 de longo termo (mais de
15h/dia) em doentes com insuficiência respiratória
crónica hipoxémica aumenta o tempo de sobrevida!!
Abordagem terapêutica exacerbações
Evento agudo caracterizado por
agravamento da sintomatologia
respiratória de base (aumento de
tosse/dispneia/expetoração) com
necessidade de alteração da
terapêutica
Streptococcus pneumoniae
Haemophilus influenza
Infeções do trato respiratório Moraxella catarrhalis
(viral/bacteriana) Mycoplasma pneumoniae
Chlamydia pneumoniae
Abordagem terapêutica – exacerbações
Avaliação do doente:
História clínica (gravidade dos sintomas)
Exame físico (taquicardia, taquipneia, etc)
Gasometria
Rx tórax (alterado em 25% dos casos)
Espirometria
Abordagem terapêutica – exacerbações
Indicações para admissão hospitalar:
Acentuação marcada da intensidade dos sintomas
DPOC avançada
Sinais físicos de novo
Falência do tratamento inicial para a exacerbação
Exacerbações frequentes
Idade avançada
Abordagem terapêutica – exacerbações
Medidas terapêuticas
Oxigenoterapia
Costicoesteróides
Broncodilatadores
Sistémicos
Outros
Antibióticos (cirurgia e
SVM)
Abordagem terapêutica – exacerbações
Oxigenoterapia
Quando SatO2 (FiO2=21) = 88-92%,
segundo GOLD
Broncodilatadores
B-2 agonista adrenérgico inalado de
curta duração
e/ou
Anticolinérgico de curta duração
(a freq. da administração depende da
gravidade da exacerbação)
Abordagem terapêutica – exacerbações
Corticosteroides sistémicos
30-40 mg Prednisolona oral por dia (10-14 dias)
- ↓ período de hospitalização
- Aceleram a recuperação
- ↓ exacerbações/recidivas
subsequentes
Antibioterapia
Aumento da dispneia + aumento da
expetoração + purulência na expetoração
Necessidade de ventilação mecânica
Abordagem terapêutica – exacerbações
Suporte Ventilatório Mecânico
Em insuficiência respiratória (PaCO2 > 45
mmHg), diminui:
• Mortalidade
• Necessidade de entubação
• Complicações do tratamento
• Período de hospitalização
Abordagem terapêutica – exacerbações
Cirurgia
Redução de volume vs transplante
Candidatos:
<65 anos
Sem comorbilidades
Incapacidade grave apesar do
tratamento médico máximo
Co-morbilidades
Alteram o prognóstico da
DPOC
Não alteram o tratamento
da DPOC
Doença Depressão e Neoplasia Infeções Síndrome
Osteoporose
cardiovascular Ansiedade pulmonar respiratórias metabólico
• Co- • Mau estado • Mau estado • Principal • Frequentes na • Diabetes tem
morbilidade geral de geral de causa de DPOC impacto
mais saúde saúde mortalidade significativo no
frequente e em doentes prognóstico
mais com DPOC
importante
• Bloqueadores
B-agonistas
não são CI na
DPOC
Bibliografia