CITOPATOLOGIA DO LÍQUOR
Viviane C. Trevisol
Formação do LCR
• O líquido cefalorraquidiano (LCR), líquido
cérebro espinhal ou líquor é produzido nos
plexos coróides, e pequena parte provem dos
vasos meníngeos.
• A velocidade de produção é muito varíavel
formam-se em média 18 ml de LCR por hora
• O volume de LCR varia de 80 a 150 ml em
adultos e 10 a 60 ml em neo-natos.
Função
• Proteção
• Nutrição
• Lubrificação
• Veículo das secreções da hipófise
Coleta de amostra
• A coleta de LCR geralmente é feita por punção
lombar entre a terceira e quarta vértebra ou
entre a quarta e a quinta.
• Coletado em três tubos estéreis marcados na
ordem de obtenção (1 bioq. e sorologia, 2
microbiologia e 3 hematologia).
Citologia do LCR
• Aparência: cristalino, turvo, xantocrômico ou
eritrocrômico.
• Acidente de punção: distribuição desigual de
sangue, formação de coágulo e sobrenadante
xantocrômico.
Citologia
• Contagem celular – VR:
- Adulto: 0 a 5 leucócitos/ml
- Crianças até 2 anos: 0 a 10
- RN até 30 leucócitos mononucleares/ml
• Metodologia de contagem:
- Contagem em câmara de Fuchs-Rosenthal, 16*0,2=
3,2mm3
Câmara de Fuchs-Rosenthal
Citologia Específica
• Concentração da amostra – filtração,
sedimentação, citocentrifugação e
centrifugação comum.
• Coloração
• Contagem de 100 células
Células normais predominantes no LCR
Tipo de célula Principal significado clínico
• Linfócitos • Normal, meningite viral, tuberculosa ou
fúngica e esclerose múltipla
• Neutrófilos • Meningite bacteriana, casos insípidos de
meningite viral, tuberculosa ou fúngica,
• hemorragia cerebral
Monócitos
• Meningite bacteriana crônica, meningite
viral, tuberculosa ou fúngica, esclerose
múltipla.
• Macrófagos
• Meningite viral e tuberculosa, hemácias no
LCR.
• Normal, assemelham-se monócitos jovens
• Células mesoteliais
da Pia-mater
com núcleos redondos sem denteações
aracnóide
Significado das células anormais no LCR
Tipo de célula Significado clínico
• Blastócitos • Leucemia aguda
• Plasmócitos • Esclerose multipla e reações
a linfócitos
• Células neoplásicas • Carcinomas metastásicos,
células agrupadas com
fusão de paredes e núcleos
Fonte: Strasinger. Uroanálises e Fluidos biológicos
Alterações Citopatológicas
• Meningites
• Vasculites
• Doenças inflamatórias do SN
• Processos infecciosos sistêmicos
• Processos neoplásicos.
Meningites
Principais agentes etiológicos
• Bactérias:
– RN: Streptcocos e BGN
– 30 dias a 5 anos: Streptococus pneumoneae.
Haemophilus influenzae e Neisseria meningitidis
– > 5 anos: Streptococus pneumoneae e Neisseria
meningitidis
– Meningites tuberculosa
• Vírus: enterovírus 85%, vírus da caxumba, herpes,
sarampo.
• Fungos: criptococos
Diagnóstico
• Diagnóstico clínico: febre, vômitos (em jato),
cefaléia, nauseas, rigidez de nuca. Nas
crianças menores observa-se: febre, irritação
ou agitação, choro constante, recusa
alimentar, convulsões e abaulamento de
fontanela (moleira alta).
• Exames laboratoriais: LCR: bioquímica,
celularidade, bacterioscopia, cultura, latex
Quadro comparativo de Meningite bacteriana e viral
Normal M. Bacteriana M. Viral [Link]
Aspecto Límpido Turvo Límpido a Levemente
levemente turvo
turvo
Celularidade 0 a 5/mm3 Número de Número de Número de
leucócitos leucócitos leucócitos
maior que menor que maior que
1000 mm3 1000/mm3, 1000/mm3,
Predomínio predomínio predomínio
de PMN de MN de MN
Glicose 70% da Diminuída Normal Diminuída
sérica <20 mg/dl
Proteínas 15 a 45 Elevada Normal ou Aumentada
mg/dl levemente
elevada
Tratamento
• Meningite bacteriana: suporte, combate à
inflamação e terapia antimicrbiana (penicilina,
ampicilina, cloranfenicol e ceftriaxona)
• Meningite viral: alívio dos sintomas,
prevenção de complicações e medidas de
suporte.
O Laboratório na Citopatologia do LCR
• Exame de urgência
• Biossegurança
• Aspecto físico
• Contagem de células
• Contagem diferencial
• Pesquisa de Blastos
RESUMO
Lcr: formação , função e coleta
Citologia global e específica
Significado das células normais e anormais
Citopatologia do LCR
Principais alterações citopatológicas
Meningites
Rotina laboratorial