Mitos Africanos
Criação:
Olodumaré enviou Oxalá para que criasse o mundo. A ele
foi confiado um saco de areia( o saco da criação), uma
galinha com 5 (cinco) dedos e um camaleão. A areia deveria
ser jogada no oceano e a galinha posta em cima para que
ciscasse e fizesse aparecer a terra. Por último, colocaria o
camaleão para saber se a terra estava firme. Oxalá foi avisado
para fazer uma oferenda à Exu antes de sair para cumprir sua
missão.
Por ser um orixá funfun, Oxalá se achava acima de todos e,
sendo assim, negligenciou a oferenda à Exu. Descontente,
Exu resolveu vingar-se de Oxalá, fazendo-o sentir muita
sede. Com o vinho, ele saciou sua sede, embriagou-se e
acabou dormindo.
Olodumaré, vendo que Oxalá não havia cumprido a sua
tarefa, enviou Oduduwa para verificar o ocorrido. Ao
retornar e avisar que Oxalá estava embriagado, Oduduwa
cumpriu sua tarefa e os outros orixás vieram se reunir a
ele, descendo dos céus, graças a uma corrente que ainda se
podia ver no Bosque de Olose.
Apesar do erro cometido, uma nova chance foi dada à Oxalá:
a honra de criar os homens. Entretanto, incorrigível,
embriagou-se novamente e começou a fabricar anões,
corcundas, albinos e toda espécie de monstros.
Oduduwa interveio novamente. Acabou com os monstros
gerados por Oxalá e criou homens sadios e vigorosos, que
foram insuflados com a vida por Olodumaré. Esta situação
provocou uma guerra entre Oduduwa e Oxalá. O último,
Oxalá, foi então derrotado e Oduduwa tornou-se o primeiro
Oba Oni Ifé ou "O primeiro Rei de Ifé".
O passado da Humanidade
Para os africanos, houve um período primordial em que os
Homens não conheciam a MORTE e compreendiam a
linguagem dos animais.
Viviam em PAZ, não trabalhavam e tinham TUDO o que
precisavam.
Sem especificar como e quando, essa fase chegou a um fim e
o mundo se tornou o que é HOJE.
Orixás
Na tradição Iorubá (e serve como referências para as outras
vertentes também), o orixá não é bem um deus, no sentido
de origem divina.
Estariam mais para SEMI DEUSES, mas ligados à morte
como fator divinizante.
Seriam os ancestrais da Humanidade, que depois de mortos,
foram divinizados. Representando as forças da Natureza.
Como a Natureza não tem caráter específico, os orixás não
são nem MAUS nem BONS. Tem ambos em si.
Outrastradições colocam que os ORIXÁS são na verdade
manifestações espirituais de atributos de um “deus” central.
Cada um deles atuariam como “raios do Sol”, dele vem,
para ele voltam.
Os fiéis podem evoluir através das características de cada
orixá e acabar por se tornar um manifestação dele ou de sua
vontade. Ou seja, virar um orixá.
Os Orixás:
Olorum/Olódùmaré:
O Deus-Criador seria o ser central de onde emana os outros
Orixás.
Porser perfeito, ele não precisa oferendas, pois já tem tudo e
não precisa de nada.
Vive em uma dimensão chamada Òrun. Criou tudo,
inclusive Àiyé (Universo ou Terra).
Òrun e Àiye são um a cópia do outro. Num tipo de
coexistência separada pelo plano espiritual.
Olorun
Exú
Atributos:
Orixá guardião dos templos; encruzilhadas;
mensageiros dos Orixás.
Símbolo: Bastão com cabaças (Ogó).
Serve de comunicação entre o Além (Òrun) e os Homens.
Também servia como aplicador da JUSTIÇA E DA
PUNIÇÃO.
Por ser sensual e lascivo (sacana), foi sincretizado com o
Diabo cristão.
Sincretismo: Diabo / Santo Antônio (BA)
Exu
Ogum
Atributos: Orixá da guerra, agricultura, metais e tecnologia.
Símbolo: espada
Um dos primeiros a chegar a Terra. Produz seus próprios
equipamentos de metal como um ferreiro.
Pode perder o controle desse poder e se tornar destrutivo.
Sincretismo: São Jorge.
Ogum
Oxóssi
Atributos: Orixá da caça.
Símbolo: Arco e Flecha (OFÁ).
Estápresente em todas as refeições.
Apreciador das artes.
Hoje, como a caça não é mais a base de um sustento, ele
protege aqueles que saem para trabalhar.
Negativamente, pode incorporar a FOME, DOENÇAS E
PERDA DE PLANTAÇÕES.
Sincretismo: São Sebastião
Oxóssi
Xangô
Atributos: Orixá da Justiça; raios; trovões e fogo.
Símbolo: Machado de duas lâminas (OXÊ).
Fortee valente, as vezes é TIRANO devido sua fome por
poder.
Como dispensa a justiça com raios, morrer por um quer dizer
que você tinha alguma culpa.
Sincretismo: São Jerônimo, Santa Bárbara ou Arcanjo
Miguel.
Xangô
Oxumaré
Atributos: Orixá do Arco-Íris.
Símbolos: Serpente de duas cabeças.
Ligado ao céu e a terra (Arco-Íris), também controla as
chuvas.
Esse “arco-íris” é representado como a “cobra arco-íris”, um
das formas de Oxumaré.
Simboliza também a continuidade e a permanência.
Sincretismo: São Bartolomeu.
Oxumare
Ossaim
Atributos: Orixá das folhas medicinais e ritos sagrados.
Símbolos: Haste de ferro de 7 pontas, encimada por um
pássaro.
Nenhuma cerimônia pode acontecer sem sua presença.
Ele controla o “AXÉ” (poder vital) que tanto humanos
quanto Orixás precisam e que está em certas folhas e ervas
especiais.
Sincretismo: São Benedito
Ossaim
Oxum
Atributos: Orixá das águas doces, amor, beleza, riqueza e do
ouro.
Símbolos: coroa (ADÊ) e o leque (ABEBÉ).
Ajuda os fiéis a resolverem problemas de relacionamento,
união, vida financeira. Seu local de culto é próximo as águas
correntes.
Por ser sensível, quando Oxum incorpora, a pessoa, as vezes,
chora.
Sincretismo: Com as versões de “Nossa Senhora” pelo
Brasil.
Oxum
Iemanjá
Atributos: Orixá do Mar (água salgada).
Símbolos: leque prateado.
Orixá das mais populares no Brasil, muito reverenciada por
pescadores e navegantes.
No Réveillon carioca, são feitas promessas e ofertas para ela
nas praias e costas.
Existem passeatas com embarcações no Nordeste brasileiro
em sua homenagem.
Sincretismo: Nossa Senhora dos Navegantes.
Iemanjá
Nanã
Atributos: Orixá da chuva e do pântano
Símbolos: “Ibiris”, espécie de bastão para afastar energias
negativas e “EGUNS” (espíritos desencarnados.
Além do controle sobre a “água que cai do Céu”, também
controla a “reencarnação” (retorno) e a “desencarnação”
(morte).
O Baobá é sua árvore sagrada.
Sincretismo: Santa Ana.
Nanã
Obaluayê
Atributos: Orixá da Varíola e doenças contagiosas.
Símbolos:”Xaxará” (Sàsàrà), espécie de cetro de mão feito de
nevruras de dendezeiro. Com ele, varre doenças das casas dos fiéis.
Nasceu com o corpo coberto de feridas, marca do adultério de
Nanã e Oxalá.
Expulso, vagou pela África se escondendo. Seus ferimentos foram
tratados por Iemanjá. Por causa das cicatrizes, esconde seu corpo
em uma vestimenta de palha.
Em troca de carinho e atenção, dava fertilidade.
Sincretismo: São Lázaro ou São Roque
Obaluaye
Obá
Atributos: Orixá guerreira.
Símbolos: Espada e escudo
Ligada ao Rio Níger e suas “águas revoltosas” (pororoca –
encontro de correntes marítimas).
Sempre agitada e competitiva, ganhou o respeito dos outros
Orixás vencendo cada um deles em combate.
Sincretismo: Santa Rita de Cássia.
Obá
Oxalá e Oduduwa
Atributos: Oxalá: Primeiro Orixá. O mais elevado de todos.
Oduduwa: Segundo Orixá. Criador do Mundo
(Àiye) e da raça humana.
Símbolos: Oxalá: Opaxoró, cajado que simboliza a ligação
entre o Òrun e Àiye.
Oxalá era para ter sido o criador de tudo e todos. Mas se
embriagou e perdeu a honra para seu rival, Oduduwa.
Sincretismo: Oxalá: Senhor do Bonfim.
Oxalá
Odudua
Eguns / Egúgúns
Eguns: São espíritos desencarnados que podem voltar a vida
na Terra (Àiye). O equivalente ao nosso conceito de alma.
Egúgúns: Espíritos ancestrais que se diferem dos Orixás.
Sua aparição é imediata e não esperada. Simplesmente surge
no terreiro. O impacto e a surpresa desse surgimento são os
seus ritos.
Aparecem cobertos por uma roupa multicolorida e que oculta
sua figura.
NÃO OUSE TENTAR TOCÁ-LOS.
Eguns
Jogo de Búzios
Basicamente, em uma mesa preparada e configurada para o
jogo, lança-se ao AR, 16 búzios (tipo de concha) e “lê-se” as
posições em que eles caíram.
Antes, questiona-se os ORIXÁS e acredita-se que eles
influenciem a posição dos búzios no tabuleiro.
Búzios
Oferendas e despachos
Para os seguidores das religiões de matriz africana, a ideia
principal por trás de uma oferenda e/ou despacho esta na
“energia” e/ou “vibrações mentais”
Ou seja, o que está sendo pedido e para que finalidade.
A matéria usada nesse momento, apenas demonstra essa
energia, não tem outro efeito, já que sabem que os Orixás não
vem a Terra cheirar, provar ou usar nenhum dos produtos
deixados em locais específicos (encruzilhadas, matas, rios...)
Poucos
ainda usam (ou confiam) em SACRFÍCIOS DE
ANIMAIS para tal.
O pensamento dos Orixás evolui com o tempo. Antes, tal
prática era aceita pelo nível do Ser Humano.
Hoje, podemos superar essa fase evolutiva.
Uma oferenda é algo dado de vontade própria e onde o
objetivo é pessoal para agradecer ou para suprir uma
carência de outro. É neutra, não gera dívida com o Orixá.
O despacho é mais ativo e de ampla dimensão.
Podeser um pedido de proteção ou de afastamento do Mal.
Porém, gera um “carma” com o Orixá, “uma mão lava a
outra”.
Despachos buscando o Mal ou maldição de outrem não
devem ser feitos, em hipótese alguma. Orixás podem praticar
o Mal, tanto quanto o Bem, e terá um custo. Não existe um
deles dedicado exclusivamente a um lado.
Babalorixá / Ialorixá
É o termo religioso mais preciso para as expressões “Pai de
Santo” e “Mãe de Santo”.
Sãoos responsáveis por conduzir rituais e formar novos
“Babalôs” e “Ialôs” para a sua sucessão.
Algumas variações dessa fé ditam que um “babalorixá”, e
seu equivalente feminino, são um nível acima dos “pais e
mães de Santo”. Teriam cumprido obrigações específicas.
Babalorixá
Ialorixá