MALÁRIA
16 DE Dezembro 2022
Eugênia Mateus
PEDIATRA
OBJECTIVOS
• Reconhecer os sinais e sintomas da malária e as principais patologias
que fazem diagnóstico diferencial.
• Ser capaz de abordar um doente com maláia de acordo com o
protocolo nacional.
SUMÁRIO
• Introdução
• Epidemiologia
• Ciclo do parasita
• Alterações patológicas
• Quadro clínico
• Diagnóstico
• Tratamento
• Prevenção
INTRODUÇÃO
• A Malária é uma doença potencialmente fatal, causada por parasitas
do gênero plasmodium que são transmitidos às pessoas pela picada
da fêmea infectada do gênero Anopheles, chamados de “vetores da
Malária”.
• A doença pode ser prevenida e curada.
• A Malária está entre as principais causas de morbilidade e de
mortalidade em Angola, afectando todo o país e todas as faixas
etárias.
• Existem cinco espécies de parasitas que causam malária em humanos
e duas delas apresentam maior ameaça – P. falciparum e P. vivax
Introdução
• A demanda nas unidades periféricas por S. febris suspeitos de malária
continua a ser elevada (55%).
• Em 2017, estima-se que houve 219 milhões de casos de malária em
90 países e territórios, com 435 mil óbitos.
• Uma criança morre por malária a cada dois minutos (OMS).
• A região Africana da OMS carrega uma parte desproporcionalmente
alta da carga global da malária.
• Em 2017, a região notificou 92% dos casos e 93% das mortes pela
doença.
EPIDEMIOLOGIA
• Responsável por aproximadamente 1 milhão de mortes, a maioria
crianças, e 5 milhões de hospitalizações.
• Trata-se de uma doença de transmissão perene com picos sazonais e
geograficamente com níveis de endemicidade. As províncias do sul
devido as suas características geomorfológicas e climáticas são
consideradas de risco epidémico, assim como a província de Luanda.
PATOGENIA
• Após a rotura do hepatócito são liberados merozoítos.
-Malarie- 2000
-Vivax – 10.000
-Falciparum- 40.000
• Idade das hemácias parasitadas
• Acção do parasita nas hemácias (hemólise)
• Hiperfagocitose de hemácias
MALÁRIA SIMPLES
• Definição de caso: Doença sintomática, sem sinais de gravidade ou
evidência clínica ou laboratorial de disfunção orgânica (OMS).
Em Angola, todo o síndrome febril suspeito de malária deve ser
confirmado por teste rápido ou microscopia óptica. (Orientação da
OMS 2010).
Na ausência de microscopia ou teste rápido de diagnóstico todo o caso
de febre aguda confirmada (termómetro) ou referida deve ser tratado
como malária depois de excluídas outras causas de febre.
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS (malária
simples)
• Febre
• Cefaleia
• Artralgias
• Sudorese
• Anemia
• Mialgias
• Calafrios
• Anorexia/Naúseas
• Vómitos/Diarreia
DIAGNÓSTICO
• Diagnóstico inespecífico – Na malária simples poucas alterações, nos
casos graves, as alterações laboratoriais estão na dependência do
órgão acometido.
• Diagnóstico especifico – Gota espessa, esfregaço de sangue periférico.
TRATAMENTO (malária simples)
• Arteméter+Lumefantrina (coartem)
• Artesunato+Amodiaquina (AS+AQ)
• Dihidroartemisinina+Piperaquina (Duo-cotecxin)
MALÁRIA GRAVE/COMPLICADA
• Definição: Forma de apresentação de alto risco, geralmente
provocada por falciparum, embora vivax e knowlesi também podem
provocar.
• Constitui uma emergência médica.
• Requer avaliação em unidade de cuidados diferenciados.
FORMAS DE APRESENTAÇÃO
CLÍNICA
• Alteração do estado de consciência
• Convulsões
• Anemia severa
• Hiperparsitémia ( > 100.000 parasitas/mm3)
• Hipertermia
• Hipoglicémia
• Malária álgida (hipotensão arterial, shock séptico)
• Edema agudo do pulmão
• IRA
• CIVD
TRATAMENTO DA MALÁRIA GRAVE
• Preferencialmente em UCI
• A via parentérica é a preferencial, com o medicamento apropriado em
doses calculadas com base no peso.
• Prevenir detectar e tratar rapidamente as complicações
(convulsões,hipertermia e hipoglicémia).
• Restabelecer o equilíbrio hidroeletrolitico e ácido-básico.
• Garantir cuidados especiais de enfermagem.
• Monitorização da resposta terapêutica e parasitológica.
• Identificação e tratamento precoce das infecções.
• Monitorização da Hb, ureia, creatinina, glicémia e eletrólitos.
TRATAMENTO ESPECÍFICO
• Derivados da Artemisinina
• ARTESUNATO ORAL/EV/IM/RECTAL
Apresentação ( ampolas de 30, 60 e 120mg) – disponível sobre a forma
de pó, diluído em iml de bicarbonato de Na+, depois diluído em soro
glicosado a 5% ou ou S. fisiológico.
Crianças com peso > a 20 Kg 2,4/Kg
< 20 Kg 3,2 mg/Kg (0,12 e 24h)
TRATAMENTO ESPECÍFICO
• ARTEMÉTER (IM)
Apresentação (ampolas de 40 e 80mg).
Crianças – Iniciar no 1º dia com dose de carga de 3,2 mg/Kg de peso e
continuar com dose de manutenção de 1,6 mg/Kg durante mais seis
dias ou passar para a via oral.
QUININA
Apresentação (comp. 300 e 500, amp 600mg), 10mg/Kg/dose
INDICADORES DE MAU
PROGNÓSTICO
• Coma profundo
• Ausência de reflexos corneanos
• Rigidez de descerebração
• Leucocitose
• Hiperparasitemia (>250.000/mm3)
• Ureia >60 mg/dl
• Creatinina >3,0 mg/dl
• Sinais de disfunção orgânica (IRA,EPA)
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
• Leptospirose
• Hepatite viral
• Meningoencefalite
• Dengue
• Chicungunya
• Febre amarela
• Tripanosomíase
• Septicémia
• Sindromes virais
SEQUELAS
• Coma prolongado (hemiparesias, hemiplegias, convulsões )
PROFILAXIA
• Profilaxia individual
-Quimioprofilaxia
-Profilaxia de contacto
-Imunização
• Profilaxia colectiva
-Combate ao vector adulto
-Combate as larvas
- saneamento básico
CASOS CLÍNICOS