PLANEJANDO
INTERVENÇÕES
INDIVIDUALIZADAS
Análise do comportamento Aplicada
09/05/2023
Dr. Rafael Moore
Anteriormente
Vimos como a avaliação de comportamento é uma etapa
importante de uma intervenção em ABA
A avaliação do comportamento visa identificar os
comportamentos disfuncionais por meio de
• Avaliações indiretas
• Avaliações diretas
Na aula de hoje
VEREMOS ASPECTOS SELEÇÃO DE CUSPS OBJETIVOS DE CURTO,
IMPORTANTES PARA COMPORTAMENTO ALVO MÉDIO E LONGO PRAZO
PLANEJAR
INTERVENÇÕES
INDIVIDUALIZADAS
Planejando intervenções
individualizadas
■ A intervenção começa com uma avaliação detalhada
■ A etapa seguinte é seleção de comportamentos
específicos que merecem intervenção
■ Comportamentos-alvo
■ Traça-se objetivos precisos e mensuráveis para
compor o relatório
Planejamento de intervenção
individualizada
Planejamento de intervenção individualizada
Avaliação
Desenvolvimento de
Seleção de comportamento alvo
relatório
Desenvolvimento de
objetivos
Lições
INDIVIDUALIZADAS
■ Intervenções devem ser individualizadas para cada cliente
■ Cada cliente é diferente
– As funções de seus comportamentos variam
– Cada cliente possui um repertório comportamental
único e possui necessidades específicas
– Um comportamento-alvo identificado para um cliente
não é o mesmo identificado para outro cliente,
mesmo que existam semelhanças
Uso de padrões
curriculares
■ Informações obtidas a partir de padrões curriculares e
normas de desenvolvimento ajudam a tomar decisões
■ Informam sobre habilidades que já deveriam ser
demonstradas ou prioridades para a intervenção
■ Identificam também ambientes e atividades novas a
serem desenvolvidos (ingresso na escola, aulas
específicas, atividades extracurriculares)
■ Uso de múltiplas medidas permite cruzar as informações
e ter mais confiabilidade e validade
Termos técnicos
■ Déficit – comportamentos que ocorrem em níveis abaixo do considerado normal para
um indivíduo de desenvolvimento típico
■ Excesso – comportamentos que atualmente ocorrem acima do nível considerado normal
para um indivíduo típico (em termos de frequência ou intensidade)
■ Nos dois casos, a ausência ou excesso do comportamento interferem na aprendizagem e
apresentação de comportamentos importantes, ou estigmatiza o cliente, representa risco
ou exclui oportunidades para contato com contingências de reforço
Diretrizes para prioridade de intervenção
■ Para traçar um plano de intervenção é necessário selecionar comportamentos-alvo
prioritários
■ Pois:
– Podem existir mais comportamentos-alvo do que seria possível adereçar em um
tempo limitado
– Alguns comportamentos-alvo geram mais prejuízo ao desenvolvimento e
funcionalidade da criança (impedindo outros aprendizados ou pelo potencial de
dano)
■ Torna-se necessário selecionar comportamentos-alvo de modo a conseguir maior número
de ganhos possíveis e obter resultado clinica e socialmente significativo
CUSPS
■ Consistem em mudanças de comportamento que tem
consequências para o organismo além da própria mudança
■ Permitem o contato com novas contingências – exposição a
contextos e ambientes diferentes, estímulos e a aquisição de
novos comportamentos
■ Podem levar a mudanças futuras no repertório
comportamental
– Ao ampliar o repertório criam-se novas
oportunidades de aprendizagem
CUSPS
Área de Comportamentos-alvo potenciais
habilidade
Atentar e Contato visual, ficar sentando por durações progressivamente mais longas, olhar cada estímulo em uma matriz
prontidão (scanning), seguir um estímulo com os olhos (tracking) etc.
Habilidades Contar com correspondência um-para-um, contar memorizado, fazer correspondência entre estímulos idênticos e
cognitivas não idênticos, correspondência e identificação de quantidades etc.
Imitação Copiar movimentos de outras pessoas, com ou sem objetos, copiar os outros em situações novas (aprendizagem
por observação) etc.
Habilidades de Orientar na direção dos estímulos, seguir instruções simples e complexas, seguir instruções dentro de um grupo
ouvinte etc.
Habilidades de Copiar vocalizações de outros, mandos 38, tatos, iniciar e responder durante conversas as palavras, frases e
falante perguntas dos outros etc.
Habilidades de Engajamento independente e apropriado com brinquedos, brincar com brinquedos de forma funcional, brincar com
brincar uma variedade de brinquedos, brincar ao lado dos outros etc.
Habilidades Responder ao nome, se orientando para o falante, orientar-se na direção dos estímulos auditivos, seguir o apontar
sociais ou os olhos dos outros (atenção conjunta) etc.
Fonte: LAFRANCE, Danielle em Análise do comportamento aplicada ao transtorno do espectro
autista, 2018.
■ O desenvolvimento de habilidades CUSPS
também se mostra relevante para responder as
CUSPS
exigências do ambiente
■ A mudança é percebida não só pelo
indivíduos, mas para os outros significativos
■ Ao desenvolver uma CUSP também abre a
possibilidade de aprender outros
comportamentos sem a necessidade de
instrução
– Comportamento generativo
■ São então alterações importantes do comportamento que CUSPS
levam a mudanças mais generalizadas ou a outras
alterações importantes no repertório
■ Para seleção de comportamentos-alvo baseado em CUSPS:
1. O acesso a novos reforçadores, contingências e
ambientes;
2. Validade social;
3. Comportamento generativo;
4. Concorrência com respostas inapropriadas;
5. Número e importância relativa de pessoas afetadas;
Validade social
■ Dentre os critérios apresentados para a seleção de comportamentos-alvo
■ A validade social tem relevância especial
■ Refere-se a adequação e aceitabilidade global dos alvos da intervenção e dos
procedimentos utilizados
– Percepção da importância dessas alterações
■ Se um comportamento-alvo selecionado não é considerado importante para a
comunidade do indivíduo
– É provável que ele não seja reforçado socialmente, não se manterá quando os
procedimentos de ensino forem retirados
Estabelecer objetivos para intervenção
■ Mesmo com o uso de CUSPS para orientar a seleção de comportamentos-alvo
■ Surge o problema de quais devem ser foco mais imediato
■ E quais devem ser trabalhados em sequência
■ É provável que existam mais comportamentos-alvo do que seria possível trabalhar em
um determinado período de tempo
– Importante decidir a ordem e prioridade dos comportamentos-alvo
Áreas ou domínios nos quais há vários déficits ou
excessos identificados terão uma quantidade maior
de alvos
Planejamento Deve-se contrabalancear a intervenção
de intervenção
Déficits ou excessos
mais graves devem ser
alvos em primeiro lugar
Número de alvos em relação à
Deverão ter diversos
quantidade ou severidade do objetivos voltados para
déficit ou do excesso do eles
comportamento dentro de uma Comportamentos que
geram riscos (autolesão,
área ou domínio agressão, destruição de
objetos) devem ser
tratados imediatamente
Déficit de linguagem
■ Déficit de linguagem e em habilidades de comunicação podem estar no cerne dos
déficits e excessos de outras áreas
■ Desenvolvimento de repertório de comunicação eficaz são bons preditores dos
resultados da intervenção
■ Programas tendem a colocar alta prioridade sobre o desenvolvimento de comunicação
apropriada e efetiva
– Foco tende a ser mantido durante toda a intervenção
Dentro da teoria do Skinner de comportamento verbal:
Mandos: são operantes verbais que ocorrem sobre controle
Repertório funcional de condições de privação ou estimulação aversiva e
que tem consequências específicas
verbal • Ex. criança dizer “quero um copo d’água” sob condições de privação e como
consequência, obter água
Tatos: operante verbal em que uma resposta a uma determinada
forma é evocada ou fortalecida por um objeto particular ou
evento ou propriedade de um objeto (não verbal) e que tem
consequências generalizadas providas pela comunidade verbal
• ex. apontar para uma boneca e obter consequências generalizadas de uma
audiência (elogios ou confirmação social)
Fonte: DELEFRATI, 2012.
Mandos e importância da linguagem
■ A aquisição de mandos fornece ao cliente de maneira eficaz e apropriada de se
comunicar
■ Compete com outras formas de comportamentos inapropriados
■ Leva à demonstração de outras formas de comunicação importantes (como tatos)
■ Planejamentos de intervenção incluem frequentemente ensino de linguagem, em
especial, de mandos
Habilidades ■ Os comportamentos ensinados devem então ser
CUSP, válidos socialmente, cumulativamente
funcionais hierárquicos e adequadamente priorizados e
sequenciados
■ Eles devem também servir ao cliente em sua vida
cotidiana - habilidades funcionais
– Outra pessoa vai precisar realizar a tarefa se ela
não for aprendida?
– O cliente vai funcionar de modo adequado como
um adulto sem aprender a determina
habilidade?
Objetivos de curto prazo: foco em
habilidades que permitem ‘aprender a
aprender’, oferecem risco para o cliente e
outros
Objetivos ao Objetivos de médio prazo: habilidades
importantes, que devem ser foco de
longo do intervenção, mas tiveram que ser adiadas
pelas prioridades de curto prazo, expansão
tempo de habilidades aprendidas
Objetivos de longo prazo: mais amplos,
estruturam a intervenção, resultados
desejados ao final da intervenção para
determinar sua retirada
No desenvolvimento de intervenções o clínico deve garantir que todas as
sete dimensões da ABA devem estar evidentes no programa
Aplicada: programa adereça problemas com relevância social
Comportamental: foco no comportamento do cliente
Procedimentos de Analítica: análise e mensuração constante
individualização Tecnológicos: especificação de todos os procedimentos de forma
detalhada
Conceitualmente sistemático: refletir conexão clara com conceitos da
área
Efetivos: extensão da mudança do comportamento
Generalidade: efeitos da intervenção se espalham para novos
comportamentos, ambientes e indivíduos
A aula tratou da progressão de um
desenvolvimento de intervenção
individualizado
Fornece uma estrutura para ajudar a completar
cada passo
Concluindo As informações não são exaustivas, mas apenas
uma guia geral para pensar o processo de
construção de uma intervenção
Reforço ao foco da característica
individualizada de planejamento de
intervenções em ABA
Concluindo
■ A intervenção em ABA é um processo em diversas
etapas
■ Parte de uma avaliação comportamental
■ Que possibilita a seleção de comportamentos-alvo
■ A intervenção planeja objetivos com base em
comportamentos-alvo
■ A partir de critérios de funcionalidade, CUSPS,
relevância, cumulativo hierarquicamente e prejuízo
■ Traça objetivos de curto, médio e longo prazo
Referências
■ DELEFRATI, Victor Rodrigo Tardem. A emergência de mandos e tatos em crianças
com autismo: uma replicação de Finn, Miguel e Ahearn (2012). 2019. Tese de
Doutorado. Universidade de São Paulo.
■ LAFRANCE, Danielle. Planejamento de intervenções individualizadas. in Análise do
comportamento aplicada ao transtorno do espectro autista / Ana Carolina Sella,
Daniela Mendonça Ribeiro (Organizadoras). - 1. ed. - Curitiba: Appris, 2018.