LEI FEDERAL Nº 11.
343, DE 2006
Profa. Ms.
Carol Ramos
Sistema Nacional de Políticas Públicas
sobre Drogas - SISNAD
prescreve medidas para:
-prevenção do uso indevido
-atenção e reinserção social de usuários e
dependentes
-- estabelece normas para repressão à produção
não autorizada e ao tráfico ilícito de drogas;
CENÁRIO NACIONAL
•Estima-se que de 4% a 6% da população brasileira seja usuária regular de
drogas em geral.
•I Levantamento Nacional sobre o Uso do Álcool, Tabaco e outras Drogas,
entre universitário das 27 capitais brasileiras, divulgado pelo governo
brasileiro em junho de 2010, indica que, além do aumento do consumo de
drogas, há uma opinião favorável a esse respeito.
•Esse levantamento também apontou que quase a metade dos estudantes
consultados havia consumido uma substância psicoativa pelo menos uma vez
na vida e que aumentou o uso indevido de drogas sintéticas.
Cont...
•Relatório Anual 2010 da Junta Internacional de Fiscalização
de Entorpecentes (JITE), aponta que apesar dos esforços das
forças de segurança pública, o Brasil continua sendo utilizado
como um importante país para o trânsito de remessas de drogas
destinadas a países da África e Europa.
•Estudo realizado em 2010 pela Confederação Nacional dos
Municípios informa que 71% dos municípios brasileiros
enfrentam problemas com drogas;
.
•O crack está presente no Brasil desde pelo
menos 1990, ano em que ocorreu a primeira
apreensão da droga, no estado de São Paulo.
•O crack atinge níveis alarmantes entre a
população de rua e está associado a uma alta
taxa de mortalidade: 24,92%.
INDEPENDENTEMENTE DA VIA de administração escolhida
A DROGA É SEMPRE PERNICIOSA E DESTRUTIVA
Diversas campanhas para desestimular
o uso de drogas
.
.
.
LEI FEDERAL Nº 11.343, DE 2006.
• Entrou em vigência a partir de o8 de
dezembro de 2006.
• Revogou as leis:
• 6368/76
• 10.409/2002
LEI FEDERAL Nº 11.343, DE 2006
Art. 1o Para fins desta Lei, consideram-se como drogas
as substâncias ou os produtos capazes de causar
dependência, assim especificados em lei ou relacionados
em listas atualizadas periodicamente pelo Poder
Executivo da União.
Neste sentido temos o artigo 66 da Lei:
“Art. 66. Para fins do disposto no parágrafo único do art.
1º desta Lei, até que seja atualizada a terminologia da
lista mencionada no preceito, denominam-se drogas
substâncias entorpecentes, psicotrópicas, precursoras e
outras sob controle especial, da Portaria SVS/MS nº 344,
de 12 de maio de 1998.”
* Portanto esta é uma norma penal em branco
heterogênea, pois o complemento da norma está em uma
portaria.
Regulamentada pela:
• Portaria do Ministério da saúde(ANS) n. 344 de 12
de maio de 1998 e de n. 722 de 10 de setembro de
1998.
• Atualizada periodicamente pelo Ministério da
saúde: RESOLUÇÃO DA DIRETORIA COLEGIADA -
RDC Nº 143 de 20/03/17. Dispõe sobre a
atualização do Anexo I, Listas de Substâncias
Entorpecentes, Psicotrópicas, Precursoras e Outras
sob Controle Especial, da Portaria SVS/MS nº 344,
de 12 de maio de 1998 e dá outras providências
.
• Art. 2o - Ficam proibidas, em todo o território
nacional, as drogas, bem como o plantio, a
cultura, a colheita e a exploração de vegetais e
substratos dos quais possam ser extraídas ou
produzidas drogas, ressalvada a hipótese de
autorização legal ou regulamentar, bem como
o que estabelece a Convenção de Viena, das
Nações Unidas, sobre Substâncias
Psicotrópicas, de 1971, a respeito de plantas de
uso estritamente ritualístico-religioso (caso do
chá Ayahuasca, santo Daime)
CRIMES E DAS PENAS:
• Art. 28. Quem adquirir, guardar, tiver em
depósito, transportar ou trouxer consigo, para
consumo pessoal, drogas sem autorização ou em
desacordo com determinação legal ou
regulamentar será submetido às seguintes penas:
I - advertência sobre os efeitos das drogas;
II - prestação de serviços à comunidade;
III - medida educativa de comparecimento a
programa ou curso educativo.
.
§ 1o Às mesmas medidas submete-se quem, para
seu consumo pessoal, semeia, cultiva ou colhe
plantas destinadas à preparação de pequena
quantidade de substância ou produto capaz de
causar dependência física ou psíquica.
§ 2o Para determinar se a droga destinava-se a
consumo pessoal, o juiz atenderá à natureza e à
quantidade da substância apreendida, ao local e
às condições em que se desenvolveu a ação, às
circunstâncias sociais e pessoais, bem como à
conduta e aos antecedentes do agente.
•
.
Atenção: Não houve portanto a
descriminalização do crime de porte para
consumo!
• O que a nova lei fez, foi somente especificar que
as penas não serão mais privativa de liberdade;
• Portanto, como conseqüência, não será
permitido a prisão em flagrante delito, mas
somente a condução até a delegacia para lavrar
um TCO( termo circunstanciado de ocorrência)
onde o usuário se compromete a comparecer ao
Jecrim para as penas a ele aplicáveis;
.
• Elemento subjetivo do tipo: Dolo para
consumo.
• Elemento normativo do tipo: sem autorização
ou em desacordo com determinação legal ou
regulamentar.
• Ação Pública Incondicionada
• Portanto o porte para uso é Crime de menor
potencial ofensivo: competência do
JECRIM(lei 9099/95)
.
• Caso o autor se recusar a cumprir as penas
impostas, poderá ser preso?
• Não! De acordo com o artigo 28, §6: poderá o
juiz submetê-lo, sucessivamente a:
• I - admoestação verbal;
• II - multa.
Este valor da multa, nunca será inferior a 40
(quarenta) nem superior a 100 (cem) dias multa,
atribuindo depois a cada um, segundo a
capacidade econômica do agente, o valor de um
trinta avos(1/30) até 3 (três) vezes o valor do
maior salário mínimo vigente.
.
• O juiz determinará ao Poder Público que coloque
à disposição do infrator, gratuitamente,
estabelecimento de saúde, preferencialmente
ambulatorial, para tratamento especializado para
sua dependência. (§7)
• A prescrição deste crime ocorre em 02 anos. (art.
30 da lei)
“Art. 30. Prescrevem em 2 (dois) anos a imposição
e a execução das penas, observado, no tocante à
interrupção do prazo, o disposto nos arts. 107 do
Código Penal.”
.
• É possível que alguém seja incriminado em
concurso de agentes porque adquiriu droga
para consumo próprio com outro, mesmo que
somente um deles tenha sido surpreendido
por trazê-la consigo ?
.
• Sim, é perfeitamente possível a incriminação
de mais de um agente que juntos adquiriram a
droga para consumo próprio, mesmo que
somente um deles tenha sido surpreendido
por trazê-la consigo, desde que haja um
acordo de vontades, unindo os agentes, de
forma a responder pelo delito em tela.
• Vejamos o teor da jurisprudência:
.
• “Havendo acordo de vontades, um vínculo
psicológico e um propósito comum a unir os
infratores, o porte de droga para uso próprio
incrimina todos os participantes presentes,
pouco importando se cada um deles traz
consigo uma parte da droga ou se toda ela se
encontra nas mãos de apenas um deles".
(TJMG – JM, 134.329)
.
• não se pode punir o agente por uso pretérito
da droga, pois, se já consumida, ausente a
materialidade do delito em questão. Nesse
palco, considera-se a jurisprudência produzida:
• “Se fumar é fato atípico, ter a sua posse é pela
lei reprimido. Quem está a fumar um cigarro
de maconha, por consequência lógica, está a
trazer consigo a droga, uma das condutas
incriminadas pelo art. 28 da Lei nº 11.343/06”.
(TJMG – JM, 145/293)
Tráfico de entorpecentes
• Previsto no artigo 33 da lei:
“Art. 33. Importar, exportar, remeter, preparar,
produzir, fabricar, adquirir, vender, expor à venda,
oferecer, ter em depósito, transportar, trazer
consigo, guardar, prescrever, ministrar, entregar a
consumo ou fornecer drogas, ainda que
gratuitamente, sem autorização ou em desacordo
com determinação legal ou regulamentar:
• Pena - reclusão de 5 (cinco) a 15 (quinze) anos e
pagamento de 500 (quinhentos) a 1.500 (mil e
quinhentos) dias-multa.”
- Condutas equiparadas:
.
• § 1o Nas mesmas penas incorre quem:
•I - importa, exporta, remete, produz, fabrica, adquire, vende,
expõe à venda, oferece, fornece, tem em depósito,
transporta, traz consigo ou guarda, ainda que gratuitamente,
sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou
regulamentar, matéria-prima, insumo ou produto químico
destinado à preparação de drogas;
•II - semeia, cultiva ou faz a colheita, sem autorização ou em
desacordo com determinação legal ou regulamentar, de
plantas que se constituam em matéria-prima para a
preparação de drogas;
•III - utiliza local ou bem de qualquer natureza de que tem a
propriedade, posse, administração, guarda ou vigilância, ou
consente que outrem dele se utilize, ainda que gratuitamente,
sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou
regulamentar, para o tráfico ilícito de drogas
.
• Elemento subjetivo do tipo: Dolo
• São 18 condutas possíveis para a
caracterização do crime de tráfico, sendo que
as condutas equiparadas sofrem a mesma
pena.
• Bem tutelado: a saúde pública
• Sujeito passivo: a população em geral
• Sujeito ativo: qualquer pessoa, trata-se de
crime comum.
• Núcleo do tipo penal: São 18 verbos , portanto trata-
.
se de tipo penal alternativo misto. Se 2 ou mais
condutas forem praticadas no mesmo contexto
fático, será crime único e não concurso.
• Consumação: ocorre com a simples prática da
conduta, não sendo necessário haver resultado (ou
seja, haver dano efetivo à saúde pública, crime de
perigo abstrato) para que se consume, trata-se
portanto de Crime formal.
• Tentativa: quando plurissubsistente(=quando vários
atos podem configurar a conduta) a tentativa é
admitida.( porém muito difícil de se demonstrar na
prática, pois a tentativa de um muitas vezes
configura a consumação de outra conduta prevista
no tipo.)
.
• Elementos subjetivo do tipo: Dolo
• Elemento normativo: é a expressão: “sem a
autorização ou em desacordo com
determinação legal ou regulamentar.”
• Se a pessoa tiver autorização legal , fato se
torna atípico.
• O crime previsto no artigo 33 é crime
equiparado a hediondo, previsão pelo artigo
5, inciso XLIII da CF e pelo artigo 2 da lei dos
crimes hediondos.
.
• Qual a competência para processar e julgar
crimes de tráfico de drogas?
• R: Em regra da Justiça estadual. Porém
quando se tratar de tráfico internacional de
drogas será de competência da Justiça
Federal.
• CPM: O Código Penal Militar em seus artigos
290 e 291, incrimina o porte de substâncias e
deve prevalecer sobre a lei de drogas pelo
princípio da especialidade;
CPM
• Art. 290. Receber, preparar, produzir, vender,
fornecer, ainda que gratuitamente, ter em depósito,
transportar, trazer consigo, ainda que para uso
próprio, guardar, ministrar ou entregar de qualquer
forma a consumo substância entorpecente, ou que
determine dependência física ou psíquica, em lugar
sujeito à administração militar, sem autorização ou
em desacordo com determinação legal ou
regulamentar:
• Pena - reclusão, até cinco anos.
• .
art. 33, §2: Induzir, instigar ou auxiliar alguém
ao uso indevido de droga:
• Pena - detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos, e
multa de 100 (cem) a 300 (trezentos) dias-
multa
• Trata-se de modalidade privilegiada em
relação ao tráfico, previsto no artigo 33.
• O delito se consuma com mero auxilio moral
ou material ao uso pela vítima.
• É punível pois visa viciar o vítima para fins
mercantis.
.
• Veja que não se trata de fornecer, pois aí seria
tráfico, mas somente de instigar, auxiliar ao
uso.
• Trata-se de crime de menor potencial ofensivo
ao qual se aplica a Lei 9099/95, de
competência do Jecrim.
Outra forma privilegiada do crime
de tráfico:
• §3º: Oferecer droga, eventualmente e sem
objetivo de lucro, a pessoa de seu
relacionamento, para juntos a consumirem:
• Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 1 (um)
ano, e pagamento de 700 (setecentos) a 1.500
(mil e quinhentos) dias-multa, sem prejuízo
das penas previstas no art. 28.
.
• Aqui o núcleo do tipo se trata da conduta de
oferecer, ou seja, ofertar gratuitamente, sem
o objetivo de obter lucro.
• Trata-se de crime de menor potencial ofensivo
ao qual se aplica a Lei 9099/95, de
competência do Jecrim.
• Crítica: a pena de multa deste tipo penal é
maior do que a do próprio tráfico de drogas, o
que seria algo desproporcional, pois o crime
de tráfico é mais grave que este do §3.
São necessário alguns requisitos para a
tipificação desta conduta prevista no §3:
• São estes:
• a) oferecimento eventual de droga;
• b) sem o objetivo de lucro;
• c) a pessoa tem que ser de relacionamento do
agente;
• d) para consumo conjunto;
Porém o legislador não esclareceu alguns
pontos importantes:
Pontos importantes a serem esclarecidos
• 1) O que é eventualmente? Semanalmente,
mensalmente?
• 2)pessoa de seu relacionamento? Amigos,
colegas, conhecidos?
• Se o autor além de oferecer a droga e
consumir, também trouxer consigo a droga,
haverá possibilidade de reconhecimento de
concurso de crimes, sendo que o agente
responderá pelos tipos do artigo 28+ artigo33,
§3 da lei.
Causas de diminuição de pena:
• Art.33 §4o :Nos delitos definidos no caput e no
§ 1o deste artigo, as penas poderão ser
reduzidas de um sexto a dois terços, vedada a
conversão em penas restritivas de direitos,
desde que o agente seja primário, de bons
antecedentes, não se dedique às atividades
criminosas nem integre organização
criminosa.
.
• Trata-se de diminuição de pena ao traficante
que está iniciando na atividade criminosa.
• Caso presentes os requisitos descritos no artigo
supra, determina a lei que o juiz deve reduzir a
pena de 1/6 a 2/3. Não se trata de faculdade e
sim de um dever proveniente do próprio texto
legal, que faz nascer para o acusado um direito
público subjetivo com relação à concessão do
benefício
.
• Informativo n. 698 STF:
• A 2ª Turma concedeu habeas corpus para determinar a magistrado que
reduzisse a pena imposta ao paciente, considerada a incidência da causa
de diminuição do art. 33, § 4º, da Lei 11.343/2006 no patamar máximo de
2/3. Ademais, ordenou que fixasse o regime inicial de cumprimento da
reprimenda de maneira fundamentada, com o afastamento da regra do §
1º do art. 2º da Lei 8.072/90 (na redação conferida pela Lei 11.464/2007),
obrigatoriedade declarada inconstitucional pelo STF. Na espécie, o
tribunal de justiça local, ao dar parcial provimento a recurso da acusação,
condenara o paciente pela prática do delito de tráfico de drogas (Lei
11.343/2006, art. 33). Explicitou-se que a Corte estadual definira a pena-
base no mínimo legal. Obtemperou-se que aquele tribunal não agira bem
ao estabelecer, em seguida, a minorante em 1/6 sem oferecer a devida
justificação. Por fim, salientou-se que o réu apresentaria bons
antecedentes, não faria parte de grupo criminoso, enfim, ostentaria todos
os requisitos para que a benesse fosse conferida em grau máximo.
Precedente citado: HC 111840/ES (acórdão pendente de publicação, v.
Informativos 670 e 672).
HC 114830/RS, rel. Min. Ricardo Lewandowski, 12.3.2013. (HC-114830)
Proibição de substituição da pena privativa de
liberdade por restritivas de direito no §4.
• HC N. 102.351-SP
RELATORA: MIN. CÁRMEN LÚCIA
EMENTA: HABEAS CORPUS. CONSTITUCIONAL. PENAL. TRÁFICO DE
ENTORPECENTE. POSSIBILIDADE DE SUBSTITUIÇÃO DA PENA
PRIVATIVA DE LIBERDADE POR RESTRITIVA DE DIREITOS.
1. O Plenário do Supremo Tribunal Federal assentou serem
inconstitucionais os arts. 33, § 4º, e 44, caput, da Lei 11.343/2006,
na parte em que vedavam a substituição da pena privativa de
liberdade por restritiva de direitos em condenação pelo crime de
tráfico de entorpecentes (HC 97.256, Rel. Min. Ayres Britto, sessão
de julgamento de 1º.9.2010, Informativo/STF 598).
• “A reincidência genérica não impede, por si só, a substituição da
pena privativa de liberdade por restritiva de direitos” (HC
115047/SP).
Associação ao tráfico de drogas:
• Art. 35: Associarem-se duas ou mais pessoas
para o fim de praticar, reiteradamente ou não,
qualquer dos crimes previstos nos arts. 33,
caput e § 1o, e 34 desta Lei:
• Pena - reclusão, de 3 (três) a 10 (dez) anos, e
pagamento de 700 (setecentos) a 1.200 (mil e
duzentos) dias-multa.
• Parágrafo único. Nas mesmas penas do caput deste
artigo incorre quem se associa para a prática
reiterada do crime definido no art. 36 desta Lei.
• Aqui o autor participa do tráfico!
Financiamento do tráfico:
• Art. 36. Financiar ou custear a prática de
qualquer dos crimes previstos nos arts. 33,
caput e § 1o, e 34 desta Lei:
• Pena - reclusão, de 8 (oito) a 20 (vinte) anos, e
pagamento de 1.500 (mil e quinhentos) a 4.000
(quatro mil) dias-multa.
• Obs: só não se aplica ao traficante que financia o
próprio tráfico, pois ele se encaixa na figura do tipo
penal do artigo 33, o que seria bis in idem. Prover as
despesas par alguma atividade que envolva o tráfico.
• Aqui o agente não participa do trafico, apenas custeia.
Causas de aumento de pena:
pena
• Art. 40. As penas previstas nos arts. 33 a 37
desta Lei são aumentadas de um sexto a dois
terços, se:
• I - a natureza, a procedência da substância ou
do produto apreendido e as circunstâncias do
fato evidenciarem a transnacionalidade do
delito;
• II - o agente praticar o crime prevalecendo-se
de função pública ou no desempenho de
missão de educação, poder familiar, guarda ou
vigilância;
.
• III - a infração tiver sido cometida nas dependências
ou imediações de estabelecimentos prisionais, de
ensino ou hospitalares, de sedes de entidades
estudantis, sociais, culturais, recreativas, esportivas,
ou beneficentes, de locais de trabalho coletivo, de
recintos onde se realizem espetáculos ou diversões
de qualquer natureza, de serviços de tratamento de
dependentes de drogas ou de reinserção social, de
unidades militares ou policiais ou em transportes
públicos;
• IV - o crime tiver sido praticado com violência, grave
ameaça, emprego de arma de fogo, ou qualquer
processo de intimidação difusa ou coletiva;
• V - caracterizado o tráfico entre Estados da
Federação ou entre estes e o Distrito Federal;
.
• VI - sua prática envolver ou visar a atingir
criança ou adolescente ou a quem tenha, por
qualquer motivo, diminuída ou suprimida a
capacidade de entendimento e determinação;
Tratamento ao dependente químico
• Art. 45. É isento de pena o agente que, em razão da
dependência, ou sob o efeito, proveniente de caso
fortuito ou força maior, de droga, era, ao tempo da ação
ou da omissão, qualquer que tenha sido a infração penal
praticada, inteiramente incapaz de entender o caráter
ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse
entendimento.
• Parágrafo único. Quando absolver o agente,
reconhecendo, por força pericial, que este apresentava,
à época do fato previsto neste artigo, as condições
referidas no caput deste artigo, poderá determinar o juiz,
na sentença, o seu encaminhamento para tratamento
médico adequado.
Semi- imputável
• Art. 46. As penas podem ser reduzidas de um terço a
dois terços se, por força das circunstâncias previstas no
art. 45 desta Lei, o agente não possuía, ao tempo da
ação ou da omissão, a plena capacidade de entender o
caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com
esse entendimento.
• Art. 47. Na sentença condenatória, o juiz, com base em
avaliação que ateste a necessidade de encaminhamento
do agente para tratamento, realizada por profissional de
saúde com competência específica na forma da lei,
determinará que a tal se proceda, observado o disposto
no art. 26 desta Lei.
Tratamento do usuário
• Art. 26-A. O acolhimento do usuário ou dependente de
drogas na comunidade terapêutica acolhedora caracteriza-se
por: (Incluído pela Lei nº 13.840, de 2019)
I - oferta de projetos terapêuticos ao usuário ou dependente
de drogas que visam à abstinência;
II - adesão e permanência voluntária, formalizadas por
escrito, entendida como uma etapa transitória para a
reinserção social e econômica do usuário ou dependente de
drogas;
III - ambiente residencial, propício à formação de vínculos,
com a convivência entre os pares, atividades práticas de
valor educativo e a promoção do desenvolvimento pessoal,
vocacionada para acolhimento ao usuário ou dependente de
drogas em vulnerabilidade social;
.
• IV - avaliação médica prévia;
• V - elaboração de plano individual de atendimento na
forma do art. 23-B desta Lei; e
• VI - vedação de isolamento físico do usuário ou
dependente de drogas.
• § 1º Não são elegíveis para o acolhimento as pessoas
com comprometimentos biológicos e psicológicos de
natureza grave que mereçam atenção médico-hospitalar
contínua ou de emergência, caso em que deverão ser
encaminhadas à rede de saúde.
Internação involuntária
• No artigo 23 A incluído pela Lei nº 13.840, de 2019
prevê as hipóteses de internação involuntária:
• II - internação involuntária: aquela que se dá, sem o
consentimento do dependente, a pedido de familiar ou
do responsável legal ou, na absoluta falta deste, de
servidor público da área de saúde, da assistência social
ou dos órgãos públicos integrantes do Sisnad, com
exceção de servidores da área de segurança pública,
que constate a existência de motivos que justifiquem a
medida.
• .
§ 4º A internação voluntária: (Incluído pela Lei nº 13.840, de
2019)
• I - deverá ser precedida de declaração escrita da pessoa solicitante de que
optou por este regime de tratamento; (Incluído pela Lei nº 13.840, de
2019)
• II - seu término dar-se-á por determinação do médico responsável ou por
solicitação escrita da pessoa que deseja interromper o
tratamento. (Incluído pela Lei nº 13.840, de 2019)
• § 5º A internação involuntária: (Incluído pela Lei nº 13.840, de 2019)
• I - deve ser realizada após a formalização da decisão por médico
responsável; (Incluído pela Lei nº 13.840, de 2019)
• II - será indicada depois da avaliação sobre o tipo de droga utilizada, o
padrão de uso e na hipótese comprovada da impossibilidade de utilização
de outras alternativas terapêuticas previstas na rede de atenção à
saúde; (Incluído pela Lei nº 13.840, de 2019)
• III - perdurará apenas pelo tempo necessário à desintoxicação, no prazo
máximo de 90 (noventa) dias, tendo seu término determinado pelo médico
responsável; (Incluído pela Lei nº 13.840, de 2019)
• IV - a família ou o representante legal poderá, a qualquer tempo, requerer
ao médico a interrupção do tratamento.
Portanto
Questão controvertida sobre porte
• O STF analisa se o porte de drogas deve ou não
sofrer aplicação de penas. No RE n.635.659.
• O caso que chegou à Corte e motivou a
discussão no STF é resultado de um recurso,
protocolado pela Defensoria Pública de São
Paulo, sobre um ex-preso condenado a dois
meses de prestação de serviços por ter sido
flagrado portando três gramas de maconha.
. Mendes, votou
• O relator, ministro Gilmar
favorável à descriminalização. Ele sugeriu
medidas alternativas para usuários com a
ficha penal suja, e que eles sejam
apresentados ao juiz para que ele decida se a
quantidade de droga é tráfico ou consumo
próprio.
O ministro Luiz Edson Fachin e Luis Roberto
Barroso votaram favoráveis à
descriminalização apenas da maconha no ano
passado.
.
• O processo encontrava-se nas mãos do Ministro
Teori Zavaski morto em um acidente aéreo.
• Atualmente o processo encontra-se nas mãos
do seu sucessor o ministro Alexandre de
Morais que decide quando e se retoma o
julgamento à pauta do STF.
• O STF disse que irá retomar a discussão este
ano ainda.