O Behaviorismo
Profª Silvia Letícia Araújo Disciplina de Introdução à
Psicologia
ESTUDO DO COMPORTAMENTO
O termo Behaviorismo foi inaugurado pelo americano John B. Watson, em
artigo publicado em 1913. O termo inglês behavior significa “comportamento”;
por isso, para denominar essa tendência teórica, usamos Behaviorismo — e,
também, Comportamentalismo, Teoria Comportamental, Análise Experimental
do Comportamento, Análise do Comportamento.
Watson, postulando o comportamento como objeto da Psicologia, dava a
esta ciência a consistência que os psicólogos da época vinham buscando — um
objeto observável, mensurável, cujos experimentos poderiam ser reproduzidos
em diferentes condições e sujeitos. Essas características foram importantes para
que a Psicologia alcançasse o status de ciência.
Behaviorismo dedica-se ao estudo das interações entre o
indivíduo e o ambiente, entre as ações do indivíduo (suas
respostas) e o ambiente (as estimulações).
Psicólogos desta abordagem chegaram aos termos “resposta” e
“estímulo” para se referirem aquilo que o organismo faz e às
variáveis ambientais que interagem com o sujeito.
Para explicar a adoção desses termos, duas razões podem ser apontadas: uma
metodológica e outra histórica.
A razão metodológica deve-se ao fato de que os analistas experimentais do
comportamento tomaram, como modo preferencial de investigação, um
método experimental e analítico.
A razão histórica refere-se aos termos escolhidos e popularizados, que foram
mantidos posteriormente por outros estudiosos do comportamento, devido ao
seu uso generalizado.
ANÁLISE EXPERIMENTAL DO COMPORTAMENTO
O mais importante dos behavioristas que sucedem Watson é B. F. Skinner
(1904-1990). O Behaviorismo de Skinner ficou conhecido por Behaviorismo
radical, termo cunhado pelo próprio Skinner, em 1945, para designar uma
filosofia da Ciência do Comportamento por meio da análise experimental do
comportamento. A base da corrente skinneriana está na formulação do
comportamento operante.
O COMPORTAMENTO RESPONDENTE
O comportamento reflexo ou respondente é o que usualmente chamamos
de “não-voluntário” e inclui as respostas que são eliciadas (“produzidas”)
por estímulos antecedentes do ambiente. Como exemplo, podemos citar a
contração das pupilas quando uma luz forte incide sobre os olhos, a
salivação provocada por uma gota de limão colocada na ponta da
língua, o arrepio da pele quando um ar frio nos atinge, as famosas
“lágrimas de cebola” etc.
Comportamentos reflexos ou
respondentes são interações
estímulo-resposta (ambiente-
sujeito) incondicionadas, nas
quais certos eventos
ambientais confiavelmente
eliciam certas respostas do
organismo que independem
de “aprendizagem”.
COMPORTAMENTO OPERANTE
O comportamento operante abrange um leque amplo da atividade humana —
dos comportamentos do bebê de balbuciar, de agarrar objetos e de olhar os
enfeites do berço aos mais sofisticados, apresentados pelo adulto. Como nos
diz Keller, o comportamento operante “inclui todos os movimentos de um
organismo dos quais se possa dizer que, em algum momento, têm efeito sobre
ou fazem algo ao mundo em redor. O comportamento operante opera sobre o
mundo, por assim dizer, quer direta, quer indiretamente
Leitura que você está fazendo deste livro é um exemplo de comportamento
operante, assim como escrever uma carta, chamar o táxi com um gesto de
mão, tocar um instrumento etc.
Leis comportamentais
Pesquisadores da época decidiram simular situações em laboratório sob condições
especiais de controle, o que os levou à formulação de uma lei comportamental
Um ratinho foi colocado na “caixa de Skinner” — um recipiente fechado no qual
encontrava apenas uma barra. Esta barra, ao ser pressionada por ele, acionava um
mecanismo (camuflado) que lhe permitia obter uma gotinha de água.
Que resposta esperava-se do ratinho? — Que pressionasse a barra.
Como isso ocorreu pela primeira vez? — Por acaso. Durante a exploração da
caixa, o ratinho pressionou a barra acidentalmente, o que lhe trouxe, pela primeira
vez, uma gotinha de água, que, devido à sede, fora rapidamente consumida. Por ter
obtido água ao encostar na barra quando sentia sede, constatou-se a alta
probabilidade de que, estando em situação semelhante, o ratinho a pressionasse
novamente. Neste caso de comportamento operante, o que propicia a
aprendizagem dos comportamentos é a ação do organismo sobre o meio e o
efeito dela resultante — a satisfação de alguma necessidade, ou seja, a
aprendizagem está relacionada entre uma ação e seu efeito.
Este comportamento operante pode ser representado da seguinte maneira:
R —► S, em que R é a resposta (pressionar a barra) e S ( do inglês stimuli) o
estímulo reforçador (a água), que tanto interessa ao organismo; a flecha
significa “levar a”.
REFORÇAMENTO
Chamamos de reforço a toda consequência que, seguindo uma resposta, altera
a probabilidade futura de ocorrência dessa resposta. O reforço pode ser
positivo ou negativo.
Reforço positivo é todo evento que aumenta a probabilidade futura da
resposta que o produz.
Reforço negativo é todo evento que aumenta a probabilidade futura da
resposta que o remove ou atenua.
O reforçamento positivo oferece alguma coisa ao organismo (gotas de
água com a pressão da barra, por exemplo); o negativo permite a
retirada de algo indesejável (os choques do último exemplo).
Esquiva
É um processo no qual os estímulos aversivos condicionados e
incondicionados estão separados por um intervalo de tempo apreciável,
permitindo que o indivíduo execute um comportamento que previna a
ocorrência ou reduza a magnitude do segundo estímulo. Você, com
certeza, sabe que o raio (primeiro estímulo) precede à trovoada (segundo
estímulo), que o chiado precede ao estouro dos rojões, que o som do
“motorzinho” usado pelo dentista precede à dor no dente.
PUNIÇÃO
A punição é outro procedimento importante que envolve uma consequência a
uma resposta quando há apresentação de um estímulo aversivo ou remoção de
um reforçador positivo presente.
Por causa de resultados como estes, os behavioristas têm debatido a validade
do procedimento da punição. As práticas punitivas correntes na Educação
foram questionadas pelo Behaviorismo — obrigava-se o aluno a ajoelhar-se no
milho, a fazer inúmeras cópias de um mesmo texto, a receber “reguadas”, a
ficar isolado etc.
Extinção
É um procedimento no qual uma resposta deixa abruptamente de ser
reforçada.
Como consequência, a resposta diminuirá de frequência e até mesmo
poderá deixar de ser emitida.
O tempo necessário para que a resposta deixe de ser emitida dependerá
da história e do valor do reforço envolvido.
Os behavioristas, respaldados por crítica feita por Skinner e outros autores,
propuseram a substituição definitiva das práticas punitivas por procedimentos de
instalação de comportamentos desejáveis. Esse princípio pode ser aplicado no
cotidiano e em todos os espaços em que se trabalhe para instalar comportamentos
desejados. O trânsito é um excelente exemplo. Apesar das punições aplicadas a
motoristas e pedestres na maior parte das infrações cometidas no trânsito, tais
punições não os têm motivado a adotar um comportamento considerado adequado
para o trânsito. Em vez de adotarem novos comportamentos, tornaram-se
especialistas na esquiva e na fuga.
CONTROLE DE ESTÍMULOS
Tem sido polêmica a discussão sobre a natureza ou a extensão do controle
que o ambiente exerce sobre nós, mas não há como negar que há algum
controle. Assumir a existência desse controle e estudá-la permite maior
entendimento dos meios pelos quais os estímulos agem. Se o motorista parar
ou acelerar o ônibus no cruzamento de ruas onde há semáforo que ora está
verde, ora vermelho, sabemos que o comportamento de dirigir está sob o
controle de estímulos.
DISCRIMINAÇÃO
Diz-se que se desenvolveu uma discriminação de estímulos quando uma resposta
se mantém na presença de um estímulo, mas sofre certo grau de extinção na
presença de outro. Assim, nosso motorista de ônibus vai parar o veículo quando o
semáforo estiver vermelho, ou melhor, esperamos que, para ele, o semáforo
vermelho tenha se tornado um estímulo discriminativo para a emissão do
comportamento de parar.
GENERALIZAÇÃO
Na generalização de estímulos, um estímulo adquire controle sobre uma
resposta devido ao reforço na presença de um estímulo similar, mas diferente.
Frequentemente, a generalização depende de elementos comuns a dois ou
mais estímulos. Poderíamos aqui brincar com as cores do semáforo: se fossem
rosa e vermelho, correríamos o risco dos motoristas acelerarem seus veículos
no semáforo vermelho, pois poderiam generalizar os estímulos. Mas isso não
acontece com o verde e com o vermelho, que são cores muito distintas e, além
disso, estão situadas em extremidades opostas do semáforo — o vermelho, na
superior, e o verde, na inferior, permitindo a discriminação dos estímulos.
Atividade para próxima aula: 07/04/2021
Filme: Laranja mecânica. (Inglaterra, 1971) – O líder
de um bando de jovens delinquentes é preso e sofre um
processo que visa a eliminação de sua conduta
violenta. O filme permite uma discussão sobre o
caráter ético dos limites do Estado no controle da
conduta dos cidadãos.
Tempo: 2h e 17min.
MUITO OBRIGADA!
BOCK, a. m. et al. Psicologias: uma introdução ao estudo da psicologia. São
Paulo: saraiva, 2001