Catequese Missionária
CONHECENDO ALGUNS ELEMENTOS
ESSENCIAIS DA MISSIOLOGIA PARA PENSAR
UMA CATEQUESE MISSIONÁRIA
1. Para começarmos a pensar
“fora da comodismo” ...
Sinceramente, como
brasileiros e
brasileiras,
perguntemo-nos: a
quem acendemos
nossas velas? E
tocamos nossos sinos?
A quem erguemos
nossas mãos? E
fazemos nossas preces?
... “a catequese deve
ter, cada vez mais,
um perfil Ministério do Catequista 95, pag. 29
missionário”.
Aprender a conhecer os “meus”...
Diagnóstico de público: Diagnóstico de lugar:
Quem são as pessoas que Onde moramos?
encontrarei? Quais seus
problemas e dificuldades?
Quais as possibilidades
deste nosso lugar?
O que elas já sabem do
meu conteúdo?
Quais os desafios que
enfrentamos?
E o que não sabem deste
conteúdo?
Onde nos
‘encontraremos’?
Qual faixa etária?
E porque
isso é
importante?
A Pessoa
O de JC
Para ensinar a
“conteúdo” O ensino
matemática ao Conhecer
‘fulano’ eu sobre JC
O “outro”
tenho que
conhecer...
2. Missiologia, o que é?
Introdução
Definição eclesial:
Mandato
“A Igreja peregrina é por
Missionário: sua natureza missionária.
“Ide por todo o mundo!” Pois ela se origina da
Mt 28, 19 missão do Filho e da
missão do Espírito Santo,
segundo o desígnio de
Deus Pai.” AG 2
“A Igreja nasce da ação evangelizadora de Jesus e dos doze. Ela
é o fruto normal, querido, o mais imediato e o mais visível dessa
evangelização: "Ide, pois, ensinai todas as gentes". Ora "aqueles que
acolheram a sua Palavra, fizeram-se batizar. E acrescentaram-se a eles,
naquele dia, cerca de três mil pessoas... E o Senhor acrescentava cada dia
ao seu número os que seriam salvos". Nascida da missão, pois, a
Igreja é por sua vez enviada por Jesus, a Igreja fica no mundo
quando o Senhor da glória volta para o Pai. Ela fica aí como um sinal, a
um tempo opaco e luminoso, de uma nova presença de Jesus,
sacramento da sua partida e da sua permanência, Ela prolonga-o e
continua-o. Ora, é exatamente toda a sua missão e a sua condição de
evangelizador, antes de mais nada, que ela é chamada a continuar. A
comunidade dos cristãos, realmente, nunca é algo fechado
sobre si mesmo. Nela, a vida íntima, vida de oração, ouvir a Palavra
e o ensino dos apóstolos, caridade fraterna vivida e fração do pão, não
adquire todo o seu sentido senão quando ela se torna testemunho, a
provocar a admiração e a conversão e se desenvolve na pregação e no
anúncio da Boa Nova. Assim, é a Igreja toda que recebe a missão de
evangelizar, e a atividade de cada um é importante para o todo.” EN 15
“A Missiologia é o conjunto de conhecimento
empírico e doutrinas teológicas – criticamente
pesquisadas, cientificamente elaboradas,
sistematicamente organizadas e
metodologicamente apresentadas – que se
referem à missionariedade eclesial (seu ideal e
sua realização; seus agentes e destinatários; seus
fundamentos permanentes e suas formas
variáveis; seus objetivos específicos e seu
condicionamento contextual; seu
desenvolvimento histórico e sua situação atual)”.
Dizionario di Missiologia (PUU)
3. Reconhecendo-se
essencialmente missionários
Jo 3, 16
3. 1 As duas forças missionárias
neotestamentárias
Mt 28, 18 – 20 Jo 3, 14 – 17
Mc 16, 15 – 18 Jo 10, 16
At 1, 8 Jo 11, 51 – 52
Jo 12, 32
o x im o u e J
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do mim”.
até o fim
t 2 8 , 18 -20) (Jo 12,
(M 30-32)
Ao lado do envio apostólico, caro aos Sinóticos, aos
Atos e a Paulo, existe um segundo movimento –
não de envio, mas de atração – que as Escrituras
testemunham nascer, provir da universal graça de
Deus.
Assim, existem duas dinâmicas de ação divina –
enviar e atrair – que estão na base de dois
diversos modelos de missão. O grande
mandato missionário é completado com um
segundo, centrato na ação divina testemunhada
pelos fiéis.
Jesus Cristo, com a sua Morte, atraiu todos a si > Jo 12,32.
A Comunidade de Jerusalém atraía as pessoas > At 2, 42 – 48.
ESTE SEGUNDO MODELO TEM O SEU
CENTRO DE ATRAÇÃO NA CRUZ E NAS
PEQUENAS COMUNIDADES QUE,
ANIMADAS PELO EVANGELHO, ATRAEM
AQUELES QUE SE SENTEM ‘DESAFIADOS’
PELO ESTILO PRÓPRIO, CRISTÃO, DE
VIVER.
3. 2 A Missio Dei
Ao longo da história da Igreja, poderíamos
identificar diversos modos de conceber a missão:
em termos soteriológicos – ‘salvar almas’;
em termos eclesiológicos – ‘plantatio ecclesiae’;
em termos histórico-salvíficos – o cristianismo
seria a última etapa de um processo evolutivo
até a instauração do Reino de Deus.
em termos culturais e de conquista – introduzir
elementos culturais do Ocidente em áreas do sul
e do leste do globo;
A Missio Dei
Karl Barth, em 1932, foi um dos primeiros
teólogos a apresentar a missão como atividade
de Deus e a cunhar a expressão Missio Dei:
para ele, a missão é derivada da natureza mesmo
da Trindade, (nota-se a compreensão bíblico-
patrística do teólogo), e não algo em vista de
uma ação de salvação (soteriologia) ou de
pertença à Igreja (eclesiologia).
Para ele, a missão nasce da Trindade e não da
ânsia de salvar almas através do inserir-se à
Igreja!
E se é assim, a missão não é uma atividade da Igreja,
mas um atributo mesmo de Deus: ‘Deus é um Deus
missionário!’
Moltmann dirá que não é a Igreja que tem uma missão
de salvação a realizar no mundo, mas que é o Pai que,
através da missão do Filho e do Espírito, incluem a
Igreja em Sua missão.
Assim, a missão é vista como um movimento de Deus
ao mundo para a realização de Seu Reino; e a Igreja é
um instrumento para tal. Participar da missão é
participar do movimento do Amor de Deus pelas
pessoas, pois Deus é uma fonte de amor que envia.
Portanto, a missio Dei traz importantes
consequências para as ‘missões eclesiais’: a
‘Missão’, no singular, é a fonte, o princípio –
em Deus; já as ‘missões’, no plural, é um
derivado daquela outra, é algo consequente, são
as obras missionárias da Igreja.
Por isso, as nossas atividades missionárias só
serão legítimas, em sua origem, se estão à
serviço da Missão de Deus, que sempre ama –
criando, redimindo, santificando, sustentando,
provendo... o ser humano e o mundo por
inteiro; inclusive para além da Igreja em si!
Cardeal Tagle aos Diretores Nacionais das
POM – 2021
“Como falamos de Deus, como trazemos a Boa
Nova?” Não se trata apenas de técnica, atuação ou
estratégia para cativar o público, (...), porque se a
evangelização se reduzir a isso se torna propaganda,
distorção, comunicação falha ou apenas retórica. A
comunicação missionária parte da dimensão da
“missio Dei”, “de Deus comunicando-se com o seu
povo, numa relação de amor”. “Deus comunicou-se
enviando-nos o Filho, o Verbo, o Verbo que se fez
carne”, e assim Ele “falou a língua da humanidade”.
“A missio Dei é a
atividade de Deus que
abraça tanto a Igreja
quanto o mundo, e é a
atividade que, em si, a
própria Igreja tem o
privilégio de
participar!”
David Bosch
Perguntas para reflexão pessoal
Tenho consciência de minha vocação missionária? Ou
melhor, tenho consciência dos aspectos de anuncio, de
missão, que a minha vocação implicam?
Em toda a minha formação/trajetória como catequista,
recordo sempre do compromisso missionário, quer dizer,
que anunciar Jesus Cristo é motivação para o meu esforço
formativo?
Reconheço que fui ‘alcançado’ e que agora, naturalmente,
sirvo a Deus para que outros o sejam assim como eu fui?
4 A Igreja, Comunidade
Testemunhal
A experiência pessoal de salvação, o encontro
vivificador que temos com Nosso Senhor acaba
por nos ligar uns aos outros e este é o principio da
vida comunitária!
Assim, a Igreja não é uma fraternidade, não é um
circulo de amigos, não é um clube: a Igreja é uma
comunidade testemunhal! E por isso,
testemunha a vida em Cristo, anuncia esta
mensagem de salvação e abraça a sua proposta de
Reino.
Nas atuais
Diretrizes, a CNBB
reafirma a Igreja
como comunidade
que, nas suas
próprias relações
internas, já se
torna missionária,
no sentido de
anunciar um outro
modo de viver
neste mundo
conturbado: é a
imagem da casa,
do lar!
ChV, n. 217: Criar «lar» é, em última análise, «criar
família; é aprender a sentir-se unido aos outros, sem
olhar a vínculos utilitaristas ou funcionais, unidos de
modo a sentir a vida um pouco mais humana. Criar lares,
“casas de comunhão”, é permitir que a profecia
encarne e torne as nossas horas e dias menos rudes,
menos indiferentes e anônimos. É criar laços que se
constroem com gestos simples, diários e que todos
podemos realizar. Como todos sabemos muito bem, um
lar precisa da colaboração de todos. Ninguém pode ficar
indiferente ou alheio, porque cada qual é uma pedra
necessária na sua construção. (continua)
Isto implica pedir ao Senhor que nos conceda a graça
de aprender a ter paciência, aprender a perdoar-nos;
aprender cada dia a recomeçar. E quantas vezes temos
de perdoar e recomeçar? Setenta vezes sete, todas as
vezes que for necessário. Criar laços fortes requer a
confiança, que se alimenta diariamente de paciência e
perdão. Deste modo se concretiza o milagre de
experimentar que, aqui, se nasce de novo; aqui todos
nascemos de novo, porque sentimos a eficácia da
carícia de Deus que nos permite sonhar o mundo mais
humano e, consequentemente, mais divino».
DGAE 2019-2023, 6: Casa é aqui a imagem de maior
proximidade às pessoas, o lugar onde vivem, mesmo
aquelas que só têm a rua como casa. Ela indica a
proximidade relacional entre as pessoas que
ali convivem. Indica igualmente a necessidade da
Igreja se fazer cada vez mais presente nos
locais onde as pessoas estão, seja onde for.
DGAE 2019-2023, 7: Essa casa é a comunidade
eclesial missionária. Suas portas estão
continuamente abertas para o duplo movimento
permanente: entrar e sair. São portas que acolhem os
que chegam para partilhar suas alegrias e sanar suas
dores. Estão igualmente abertas para sair em missão,
anunciando Jesus Cristo e seu Reino, indo ao encontro
do outro, especialmente dos pobres e sofredores. Em
tudo isso, o rosto de misericórdia do Cristo Senhor é
manifestado. Assim, missão e comunidade são como
dois lados da mesma moeda. A comunidade eclesial
autêntica é, necessariamente, missionária e toda
missão se alicerça na vida de comunidade e tende a
gerar novas comunidades.
Comunidade Eclesial Missionária
DGAE 2019-2023, 8: A comunidade eclesial
missionária é sustentada por quatro pilares:
Palavra, Pão, Caridade e Ação Missionária. Em
cada um deles, as urgências anteriores são
reagrupadas e permanecem mostrando sua
atualidade:
Palavra: Iniciação à Vida Cristã e Animação Bíblica
Pão: Liturgia e Espiritualidade
Caridade: Serviço à Vida Plena
Ação Missionária: Estado Permanente de Missão
5. Dimensões da Missão Eclesial
V Conferência – Aparecida 2007
548. Esta V Conferência, recordando o mandato de ir
e fazer discípulos (cf. Mt 28,20), deseja despertar a
Igreja na América Latina e no Caribe para um grande
impulso missionário. Não podemos deixar de
aproveitar esta hora de graça. Necessitamos de um
novo Pentecostes! Necessitamos sair ao encontro
das pessoas, das famílias, das comunidades e dos
povos para lhes comunicar e compartilhar o dom do
encontro com Cristo, que tem preenchido nossas vidas
de “sentido”, de verdade e de amor, de alegria e de
esperança! (continua)
V Conferência – Aparecida 2007
Não podemos ficar tranqüilos em espera passiva em
nossos templos, mas é urgente ir em todas as direções
para proclamar que o mal e a morte não têm a última
palavra, que o amor é mais forte, que fomos libertos e
salvos pela vitória pascal do Senhor da história, que Ele nos
convoca em Igreja, e quer multiplicar o número de seus
discípulos na construção do seu Reino em nosso Continente!
Somos testemunhas e missionários: nas grandes cidades e
nos campos, nas montanhas e florestas de nossa América, em
todos os ambientes da convivência social, nos mais diversos
“areópagos” da vida pública das nações, nas situações extremas
da existência, assumindo ad gentes nossa solicitude pela missão
universal da Igreja.
5. As dimensões da Missão Eclesial
Programática
Paradigmática
Existencial
5. 1 Dimensão Programática
A CNBB, o COMINA, as DGAE, o Programa Missionário Nacional, o Plano Diocesano e aquele
paroquial...
Elaboração escrita do plano de atividades de um evento;
programação: “preciso ver o programa do espetáculo
(concerto ou cerimônia)”.
Aquilo que compõe um espetáculo, um concerto ou
cerimônia.
A lista das matérias e/ou disciplinas que fazem parte de
um curso e/ou que compõem o conteúdo de um concurso.
Demonstração que, feita por escrito, explica os propósitos
e objetivos de um partido político, de um candidato etc.
5. 2 Dimensão Paradigmática
Bento XVI e o paradigma da missão
“(...) O referido mandato deve envolver toda a atividade da Igreja
particular, todos os seus sectores, em suma, todo o seu ser e operar
(...) Isto exige que estilos de vida, planos pastorais e organização
diocesana se adequem, constantemente, a esta dimensão fundamental
de ser Igreja, sobretudo num mundo como o nosso em contínua
transformação. E o mesmo vale para os Institutos de Vida Consagrada
e as Sociedades de Vida Apostólica e também para os Movimentos
eclesiais: todos os elementos que compõem o grande mosaico da
Igreja devem sentir-se fortemente interpelados pelo mandato de
pregar o Evangelho para que Cristo seja anunciado em toda a parte.
Também hoje a missão ad gentes deve ser o horizonte constante e o
paradigma de toda a atividade eclesial” (Papa Bento XVI, Dia Mundial
das Missões 2012)
5. 2 Dimensão Paradigmática
Francisco e o paradigma da missão
“A ação missionária é o paradigma de toda obra da
Igreja” (EG 15).
Trata-se de “por a missão de Jesus no coração da
Igreja, transformando-a em critério para medir a
eficácia de suas estruturas, os resultados de seu
trabalho, a fecundidade de seus ministros e a alegria
que eles são capazes de suscitar. Porque sem alegria
não se atrai ninguém” (Reunião do Comitê diretivo do CELAM, Bogotá, 7
de setembro de 2017).
5. 3 Dimensão existencial
A Dimensão Existencial que Papa Francisco nos trouxe!
O Papa Francisco traz uma novidade na
compressão da missão na Evangelii Gaudium,
acentuando sua dimensão existencial. “Eu sou
uma missão de Deus nesta terra, e para isso estou
neste mundo” (EG, 273). “A missão no coração do
povo não é uma parte da minha vida, ou ornamento
que posso pôr de lado; não é um apêndice ou um
momento entre tantos outros da minha vida. É algo
que não posso arrancar do meu coração” (EG, 27).
Recordando por hoje...
Catequese Missionária
1. Pensar “fora da caixa”...
2. A Missiologia, o que é?
3. Reconhecendo-se missionários
3. 1 As duas forças missionárias neotestamentárias
3. 2 A Missio Dei
4 A Igreja, Comunidade Testemunhal
5. Dimensões da Missão Eclesial
5. 1 Dimensão Programática
5. 2 Dimensão Paradigmática
5. 3 Dimensão existencial
Conclusão
“Pecamos por omissão, ou seja, contra a missão, quando, em
vez de espalhar a alegria, nos fechamos numa triste
vitimização, pensando que ninguém nos ama nem
compreende.
Pecamos contra a missão, quando cedemos à resignação: «Não
consigo fazer isto, não sou capaz».
Pecamos contra a missão, quando, num lamento sem fim,
continuamos a dizer que está tudo mal, no mundo e na
Igreja.
Pecamos contra a missão, quando caímos escravos dos medos
que imobilizam, e nos deixamos paralisar pelo «sempre se fez
assim».
E pecamos contra a missão, quando vivemos a vida como um
peso e não como um dom; quando, no centro, estamos nós
com as nossas fadigas, não os irmãos e irmãs que esperam
ser amados.” Papa Francisco no Mês Missionário Extraordinário 2019
Bibliografia
João XXIII, Encíclica Mater et Magistra, 1961.
CELAM, Documento de Aparecida, 2007.
David Bosch, Missão Transformadora, 2011.
Bento XVI, Mens. para o Dia Mundial das Missões, 2012.
Francisco, Exort. Apostólica Evangelii Gaudium, 2013.
---, Discurso ao Comitê Diretivo do Celam, 2017.
---, Exortação Apostólica Christus Vivit, 2019.
Conferência Episcopal dos Bispos do Brasil, Diretrizes Gerais
para Ação Evangelizadora 2019-2023, 2019.
Conferência Episcopal dos Bispos do Brasil, Programa
Missionário Nacional 2019-2023, 2019.