Dor pélvica crônica
Interna: Leticia Caetano dos Santos
Preceptora: Katerine Bertolini Serafim de Carvalho
Dor pélvica crônica
Dor cíclica ou acíclica, localizada na pelve, parede
abdominal infraumbilical anterior, coluna lombossacra ou
nádegas, que persiste por período igual ou superior a 6
meses, causando graus variados de incapacidade
funcional.
(American College of obstetricians and gynecologists,2004)
5% -15% das mulheres em idade reprodutiva
Dor
“experiência sensorial emocional associada a lesão tecidual já existente ou em potencial, ou
relatada como se existisse uma lesão.” Alarme
Nociceptiva Neuropática Psicogênica
Mista
(Porto,2014)
Manifestações clínicas
Dor pélvica cíclica
Dismenorreia primária - PGI Contrações uterinas alternadas base fisiológica
Dismenorreia secudária base patológica
Dor pélvica acíclica
Disúria
Dispareunia
Dispareunia de Penetração superficial
Dispareunia de penetração profunda
Características semiológicas da dor
Localização
Ciclo menstrual
Irradiação
Atividade sexual
Qualidade ou característica
Funcionamento
ci do trato
Intensidade
gastrointestinal
Duração
Funcionamento do trato
Evolução
urinário
Relação com funções orgânicas
Fatores desencadeantes ou agravantes
Fatores atenuantes
Manifestações concomitântes Exame físico do abdôme
Exame especular
Toque bimanual
ATENÇÃO: Investigar transtornos psiquiátricos e histórico de abuso Toque retal
sexual ansiedade,depressão,TEPT
Diagnóstico diferencial
Afecções Afecções Afecções urológicas
Ginecológicas gastrointestinais
-Endometriose -Síndrome do intestino irritável -Nefrolitíase
-Adenomiose -Doença de Crohn -ITU
-Miomatose uterina -Diverticulite -Instabilidade do musculo
detrusor
-Tumores -Obstipação crônica
-Cistite intersticial- Síndrome da
-Doença inflamatória pélvica -Tumores bexiga dolorosa
-Estenose cervical -Síndrome uretral
Outras causas
-Congestão Pélvica
-Alterações musculoesqueléticas
-Mittelschmerz
-Fibromialgia
-Causas psicosomáticas
Diagnóstico diferencial
endometriose
Síndrome do intestino
Cistite intersticial irritável
Cistite intersticial
Queixa comum: dor de forte intensidade associada aos períodos de distensão da bexiga
Fisiopatogênia: Glicosaminoglicanas disfuncionais fissuras no epitélio de transição dor intensa
Exame padrão ouro: Cistoscopia úlceras de Hunner Cistite intersticial Amitriptilina
Cistoscopia normal Síndrome da bexiga dolorosa Imipramina
Síndrome do intestino irritável
Queixa comum: dor pélvica associada a alterações na frequência de evacuações e textura das fezes
Diagnóstico:
Critério de Roma III
Tratamento: AINES; antiespasmódicos ; laxativos; antidepressivos tricíclicos
ENDOMETRIOSE
Tecido endometrial( glândulas e estroma) fora da cavidade uterina.
50 % das mulheres com queixa de dor pelvica crônica
Proliferação
Estrogênio-dependente
Etiologia
Teoria do
fluxo
retrógrado
Teoria da
Teoria
disseminação
imunológica
linfática
Endometriose
Teoria da
Teoria
Metaplasia
Iatrogênica
celômica
Teoria da
Indução
Epidemiologia
Acomete 10% das mulheres Fatores de Risco
Mãe com endometriose Malformações
Mulheres brancas 7% mullerianas
Primiparidade tardia Estenose cervical-
Nível socioeconômico elevado iatrogênico
Nuliparidade
Consumo de
Idade de diagnóstico: 25 -30 anos cafeína e álcool
Baixo IMC
Menarca duração /Fluxo
Maioria assintomática
precoce/menopausa tardia menstrual
Atenção: Tabagismo NÃO é fator de risco
Fisiopatogênia
Fatores ambientais Fatores Genéticos
Dioxina
v FSH e LH
Modulam receptores uterinos Herança poligênica
estado pró inflamatório
Endometriose
Fatores imunológicos Fatores hormonais
aromatase endometrial
deficiência na imunidade celular Estrogênio endometrial
atividade das natural killer PGI 2
macrófagos e leucócitos
citocinas e fatores de crescimento 17 BHSD- 2 E2 E1
Lesões endometriais
Aspecto macroscópico
Lesão em “queimadura por Lesão “café com leite”
pólvora “
+ branca
+Ativa
cicatricial
+vermelha
Aspecto microscópico
glândulas e estroma endometriais, com ou sem macrófagos, repletos de hemossiderina.
Classificação
Localização dos implantes endometrióticos
Tamanho
Gravidade das aderências
Profundidade
American Society for Reproductive Medicine
Incapacitante
progressiva
Quadro Clínico
Dismenorreia
Secundária
Dispareunia
- Ovariana
Endometriose de
- Obstrutiva Infertilidade Dispareunia
penetração
- Inflamatória
profunda
Dor pelvica crônica
Cíclica/acíclica
1- RESIDÊNCIA MEDICA 2017 – INSTITUTO DE ASSISTÊNCIA MEDICA AO SERVIDOR
PUBLICO ESTADUAL -SP
Paciente de 29 anos, sem filhos, procurou ginecologista com queixa de dismenorreia severa há um
ano, com piora gradativa, dispareunia de profundidade e infertilidade. Há 1 ano não faz anticoncepção.
Marido tem 33 anos, é saudável, sem queixa clínica, e trouxe à consulta espermograma normal. Na
consulta, a paciente estava no 10º dia do ciclo menstrual, e o exame ginecológico foi normal.A
hipótese diagnóstica para esse caso é:
a) Adenomiose superficial.
b) Leiomioma do útero.
c) Dismenorreia primária.
d) Endometriose pélvica.
e) Síndrome dos ovários policísticos
Quadro Clínico
QUESTÃO- Quanto maior a extensão da lesão, maior será a intensidade da dor ?
A -Verdadeiro
B - Falso
NÃO existe correlação entre extensão da lesão e intensidade da dor
Sítios de implantação
1- Ovários (65%);
Principal sítio Ovários
extrapélvico: Endometriomas
2- Ligamentos uterossacros (28 a 60%);
INTESTINO Cisto com conteúdo
3- Fundo de saco posterior (30 a 34%);
líquido, espesso,
RETOSSIGMOIDE achocolatado, cercado
4-Folheto posterior do ligamento largo (16 a 35%);
85% por fibrose
5- Fundo de saco anterior (15 a 35%). ovário esquerdo
-Superficial
-Alteração nos
- Endometriose torácica
Trato urinário - 24-48 horas após a menstruação
hábitos intestinais - Endometriose superficial
- Constipação e
- Dor Torácica 90%
- Bexiga 90%
diarreia
- Erradicação dos focos +
- Disúria e hematúria cíclica terapia hormonal
QUESTÃO
2- RESIDÊNCIA MEDICA 2016 - HOSPITAL UNIVERSITARIO PEDRO ERNESTO -RJ
Paciente de 34 anos, nuligesta, refere dor pélvica. Durante a anamnese, relata queixa de dismenorreia, dispareunia e
disquezia menstrual. Ao toque vaginal e retal,nota-se um nódulo vaginal de aproximadamente 3 cm, doloroso e fixo.
Ressonância magnética sugere a presença de endometriose intestinal no local mais comumente encontrado, que é o:
a) Íleo.
b) Apêndice.
c) Retossigmoide.
d) Cólon ascendente.
Diagnóstico
- Foco infiltrativo
- Ligamento
Anamnese detalhada + Exame físico uterossacro
- Septo
Maior sensiblidade no período menstrual retovaginal
- Intestino
- bexiga
Inalterado endometriose superficial alterado endometriose profunda - Ureteres
ou
Exame especular : implantes endometrióticos azulados em fundo posterior - > 5mm da
superficie
Toque bimanual : sensibilidade do fórnice posterior, nodulações em fórnice, massa peritoneal
abdominal que aumenta durante a descamação endometrial.
Toque Retal : infiltrações profundas em compartimento posterior
Uma paciente chega ao seu consultório apresentando dor pélvica crônica e
dosagem de CA-125 [Link]ê fecharia o diagnóstico de endometriose?
NÃO
Dosagem de CA-125 apresenta elevada sensibilidade e baixa especificidade
Avaliação da resposta ao tratamento em endometriose moderada e grave
Quando dosar ?
entre 1◦ e 3◦ dia do ciclo menstrual
Diagnóstico
Exames de imagem
USG TV visualização de anexos endometrioma
USG TV com preparo intestinal lesões intestinais
Imagem em vidro moído
Ressonância magnética de abdome e pélve lesões
profundas
Diagnóstico
Padrão ouro : Videolaparoscopia + Biópsia e análise histopatológica do fragmento endometrial.
Lesões : avermelhadas(ativas),
acastanhadas (- ativas)
fenestras
Conduta : Cauterização dos focos+ lise de aderências
+ tratamento farmacológico contínuo
( 40 % tem recidiva dos sintomas após 10 anos)
Quais são os medicamentos recomendados?
Tratamento da dor pélvica crônica,
dismenorréia e dispareunia associadas a
endometriose
Indicações : Após intervenção laparoscopica
tratamento empirico
Contraceptivo oral combinado
Progestagênio isolado Dienogest Preferências da paciente
Danazol Custo
Gestrinona Eficácia
Análogo de Gnrh Efeitos colaterias
DIU de levonogestrel
Inibidor da aromatase
Tratamento farmacológico
Contraceptivo oral combinado Contraindicações
- Enxaqueca com aura
- Enxaqueca sem
Supressão da produção de estrogênio e progesterona ovariana. aura >ou = 35 anos
- Tabagista > ou = 35
anos
Atrofia do foco endometrial
- Histórico de evento
troboembólico
- HAS
Reduz a dor associada
- DM com lesão em
orgão alvo
Indicação : Level ( levonorgestrel + etinilestradiol)
Tratamento farmacológico
Progestagênios
Anti progestogênio
Acetato de medroxiprogesterona
Dienogest Gestrinona
Acetato de ciproterona
Acetato de noretisterona
Danazol
Management of women with endometriosis,2013
Tratamento farmacológico
Danazol e gestrinona Efeitos colaterais
acne,pele oleosa, hirsutismo, fogachos,vaginite atrófica,
inibe a secreção de GnRH e a esteroidogênese redução do tamanho mamário, redução da libido, cãibras,
alteração da voz, náuseas, instabilidade emocional e
alteração da função hepática e do perfil lipídico (elevação
propriedades androgênicas e progestogênicas do LDL e diminuição do HDL).
Redução da dor em 80% das pacientes com endometriose
moderada
Hipoestrogênismo
Hiperandrogênismo
Tratamento farmacológico
Análogos de GnRH
Down regulation produção de FSH e LH
Menopausa medicamentosa
Se usado por + de 6 meses ou fator de risco para osteoporose “Add-Back Therapy” por até 12 meses
estrogênio isolado
ou
estrogênio + progesterona
( diminuir o risco de osteoporose)
Endometrioma
Pacientes assintomáticas com cisto < 4cm Acompanhamento semestral com USG
por dois anos
Pacientes sintomáticas refratárias ao tratamento medicamentoso OU
Cisto > 4 cm C
ooforoplastia com cistectomia Tratamento cirúrgico conservador
Risco ou comprovação de malignidade ooforectomia
Tratamento cirúrgico definitivo
QUESTÃO
3- RESIDÊNCIA MEDICA 2017 – SECRETARIA ESTADUAL DE SAUDE DO RIO DE JANEIRO-RJ
Paciente de 33 anos tem quadro sugestivo de endometriose ao exame físico. Refere dismenorreia progressiva
e dispareunia profunda que vêm atrapalhando sua vida conjugal. Foram solicitados exames complementares de
ultrassonografia transvaginal e ressonância nuclear magnética da pelve. Com base nesse provável diagnóstico,
são opções terapêuticas que podem ajudar no alívio dos sintomas, EXCETO:
a) Pílula anticoncepcional combinada.
b) Acetato de medroxiprogesterona.
c) Ácido tranexâmico.
d) Dienogeste.
Referências
FREITAS, F et al. Rotinas em Ginecologia. [Link]. Porto Alegre: Artmed Editora, 2017.
Management of women with endometriosis. Guideline of the European Society of Human Reproduction
and Embryology,2013;21-31
PORTO, Celmo Celeno. Semiologia Médica. [Link]. Guanabara Koogan, 2009.