Universidade Federal de Rondônia
Departamento de Medicina
Internato II
CASO CLÍNICO DE
GINECOLOGIA
INTERNA: CAROLINE MOREIRA NICOCHELLI
ORIENTADORA:
CASO CLÍNICO
B.N.S.A., 17 anos, solteira, natural e procedente de Porto Velho, comparece à consulta no ambulatório
de ginecologia
Queixa principal: “Corrimento com cheiro ruim”
História da doença atual: Paciente relata que há 1 mês iniciou quadro de corrimento vaginal grumoso
e esbranquiçado de pequeno volume associado a odor fétido. Nega prurido, dispareunia e sinusorragia.
Nega tratamento e episódios prévios semelhantes. Não apresenta outras queixas.
História ginecológica e obstétrica:
- Menarca: 12 anos
- Coitarca: 17 anos (2 parceiros desde então). Uso de perlutam como método contraceptivo, sem uso
de preservativo.
- GOPOAO
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CASO CLÍNICO
História patológica pregressa: nega comorbidades, nega cirurgias prévias.
História familiar: mãe hipertensa.
História social: nega tabagismo, etilismo e outras drogas.
Exame físico ginecológico:
- Mamas: exame não realizado.
- Ectoscopia: ausência de lesões e cicatrizes. Sem sinais de hiperemia. Pilificação normal.
- Exame especular: conteúdo grumoso branco-amarelado aderido às paredes vaginais, sem
odor ou hiperemia. Colo do útero posterior, orifício externo puntiforme e presença de ectopia.
Teste de Whiff negativo.
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CASO CLÍNICO
Hipótese diagnóstica: candidíase vulvovaginal
Conduta:
1. Prescrito miconazol 2% via vaginal por 7 noites
2. Prescrito fluconazol 150 mg via oral em dose única para paciente e para o parceiro
3. Solicitado sorologias
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VULVOVAGINITE
FÚNGICA
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CANDIDÍASE VULVOVAGINAL
“A candidíase vulvovaginal não deve ser considerada uma DST, apesar de frequentemente ser
diagnosticada em pacientes imunossuprimidas e portadoras de DSTs e também estar presente
em até 40% dos casos de vaginose bacteriana.”
Pico de incidência próximo aos 20 anos de vida, que se mantém por toda a menacme.
Entre as espécies de cândida, 85 a 90% da flora fúngica vaginal é constituída por Candida
albicans o restante é atribuído a outras espécies, sendo mais comuns a C. glabrata (9-15%) e a C.
tropicalis (até 15% dos casos).
FREITAS, F. et al., 2011.
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FATORES DE RISCO
Gestação Espermicidas e diafragma ou DIU
Diabetes Imunossupressão
Contato oral-genital Obesidade
Uso de estrogênios em altas doses Climas quentes e úmidos
Vestimentas apertadas, sintéticas,
Anticoncepcionais orais
molhadas permanentemente
Antibióticos
HOFFMAN, B. L. et al., 2014.
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QUADRO CLÍNICO
Secreção espessa em grumos,
esbranquiçada, inodora e aderente às paredes
vaginais e colo do útero.
Prurido, queimação vulvovaginal, disúria e
dispareunia.
Vulva hiperemiada, edemaciada, associada
ou não a escoriações por coçadura.
Fonte: Google imagens
SOGIMIG, 2012.
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DIAGNÓSTICO
Exame microscópico do conteúdo vaginal,
após aplicação de solução salina ou KOH
a 10%, permite a identificação do fungo.
Cultura em meio de ágar Sabouraud deve ser
utilizada em caso de candidíase recorrente.
HOFFMAN, B. L. et al., 2014.
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TRATAMENTO
Via vaginal (primeira escolha):
- Miconazol creme a 2% – um aplicador à noite, ao deitar-se, por 7 dias
OU
- Nistatina 100.000 UI – um aplicador à noite, ao deitar-se, por 14 dias
MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2016.
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TRATAMENTO
Viaoral (deve ser reservada para os casos de Via oral (primeira escolha para candidíase
candidíase resistente ao tratamento tópico): não complicada):
- Fluconazol, 150 mg, dose única - Fluconazol, 150 mg, dose única
OU OU
- Itraconazol, 200 mg, a cada 12 horas, por 1 dia
- Itraconazol, 200 mg, a cada 12 horas, por 1
O tratamento do parceiro não deve ser realizado dia
rotineiramente.
OU
- Cetoconazol 200mg, 12/12h, 5 dias
Candidíase recorrente (>4episódios/ano):
- Fluconazol 150 mg 1cp/semana por 6 meses
MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2016. FEBRASGO, 2010.
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VAGINOSE
BACTERIANA
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FLORA VAGINAL
A ação dos lactobacilos evita a invasão de patógenos exógenos e o crescimento excessivo de
organismos potencialmente patogênicos da flora vaginal normal.
Tipo I: > 80% de lactobacilos.
Tipo II: 50% de lactobacilos e 50% de outras bactérias.
Tipo III: predomínio de outras bactérias e redução acentuada dos lactobacilos a < 25%.
SOGIMIG, 2012.
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VAGINOSE BACTERIANA
“A vaginose bacteriana é uma síndrome clínica polimicrobiana caracterizada pela ausência de
lactobacilos e por crescimento excessivo de organismos anaeróbios facultativos, com
proliferação de uma flora mista composta por Peptostreptococcus, Prevotella sp., Bacteriodes
sp., Mobiluncus sp., bactérias anaeróbias e, predominantemente, Gardnerella vaginallis,
podendo, em alguns casos, estar presente também o Mycoplasma hominis.”
É responsável por aproximadamente 40% das vulvovaginites em mulheres em idade
reprodutiva.
FREITAS, F. et al., 2011.
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FATORES DE RISCO
Sexo oral Dispositivo intrauterino
Duchas Relação sexual em idade precoce
Raça negra Múltiplos ou novos parceiros sexuais
Tabagismo Atividade sexual com outras
mulheres
Sexo durante a menstruação
HOFFMAN, B. L. et al., 2014.
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QUADRO CLÍNICO
Corrimento homogêneo, fino, branco-
acinzentado, com microbolhas e não aderente
às paredes vaginais.
Odor fétido semelhante a peixe pobre,
exacerbado após o coito.
Sintomas inflamatórios como disúria,
dispareunia e irritação vulvar são menos
intensos.
Fonte: Google imagens
SOGIMIG, 2012.
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CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS
Critérios de Amsel
pH vaginal > 4,5
Leucorreia: cremosa, homogênea, cinzenta e aderida às paredes vaginais e ao colo.
Whiff-test: adicionar de 1 a 2 gotas de hidróxido de potássio (KOH) a 10% na secreção
vaginal e depositar em uma lâmina. O surgimento imediato de um odor desagradável (peixe
em putrificação), é característico das vaginoses.
Exame a fresco (microscopia): presença de clue cells
FREITAS, F. et al., 2011.
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CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS
HOFFMAN, B. L. et al., 2014.
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TRATAMENTO
Via oral: Metronidazol, 500 mg, VO, a cada 12 horas, por 7 dias
OU
Via intravaginal: Metronidazol gel vaginal, 100mg/g, 1 aplicador (5 g), 1x/dia, por 5 dias
OU
Via intravaginal: Clindamicina creme 2%, 1 aplicador (5 g), 1x/dia, por 7 dias
O tratamento do parceiro não deve ser realizado rotineiramente.
MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2016.
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TRICOMONÍASE
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TRICOMONÍASE
“A tricomoníase é uma DST causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis e está presente em
aproximadamente 4 a 35% de todos os casos de vulvovaginites. (FREITAS, F. et al., 2011.)”.
Pode ser identificada em 30 a 40% dos parceiros masculinos de pacientes infectadas, embora a
infecção nos homens seja autolimitada e transitória. (HOFFMAN, B. L. et al., 2014.).
É a DST não viral com maior prevalência nos Estados Unidos. (HOFFMAN, B. L. et al., 2014.).
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QUADRO CLÍNICO
Corrimento verde amarelado, bolhoso e com
odor fétido.
Colpite focal caracterizada por “colo em
framboesa”.
Irritação vulvar, prurido, dispareunia
superficial e disúria completam o quadro.
Fonte: Google imagens
SOGIMIG, 2012.
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DIAGNÓSTICO
HOFFMAN, B. L. et al., 2014.
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TRATAMENTO
Via oral: Metronidazol, 2 g, dose única
OU
Via oral: Metronidazol, de 400 a 500 mg, a cada 12 horas, por sete dias
OU
Via oral: Metronidazol, 250 mg, a cada 8 horas, por sete dias
OU
Via oral: Secnidazol, 2 g, dose única
Os parceiros devem ser tratados.
MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2016.
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ARTIGO
CIENTÍFICO
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ARTIGO CIENTÍFICO
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MÉTODOS
Estudo transversal de natureza exploratória e descritiva, de abordagem quantitativa
desenvolvido em Santa Cruz do Sul-RS.
As variáveis analisadas foram: idade, estado civil, motivo da consulta, queixas clínicas, achados
no exame a fresco, diagnóstico e tratamento.
Participaram do estudo todas as mulheres submetidas a exame especular entre 18 e 70 anos
entre outubro de 2014 e outubro de 2015. Excluídas gestantes e mulheres com
imunodeficiência grave.
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RESULTADOS
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RESULTADOS
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CONCLUSÃO
Observou-se que a faixa etária das mulheres acometidas por vulvovaginites foi compatível com
a literatura, predominando em idade reprodutiva.
A vulvovaginite mais diagnosticada foi a vaginose bacteriana.
A leucorreia com odor fétido foi o sintoma mais significativo para o diagnóstico de vaginose
bacteriana.
A maioria das mulheres com vaginose bacteriana é assintomática.
Leucorreia grumosa branca, prurido, ardência, vulva eritematosa e dispareunia foram
estatisticamente significativos para o diagnóstico de candidíase.
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REFERÊNCIAS
BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolos da Atenção Básica: Saúde das Mulheres. Instituto Sírio-Libanês de
Ensino e Pesquisa - Brasília: Ministério da Saúde, 2016.
FEBRASGO. Manual de Orientação em Trato Genital Inferior e Colposcopia. São Paulo: Federação Brasileira
das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, 2010.
FREITAS, F. et al. Rotinas em ginecologia. 6 ed. Porto Alegre: Artmed, 2011.
HOFFMAN, B. L. et al. Ginecologia de Williams. Tradução: Ademar Valadares Fonseca. et al. 2 ed. Porto Alegre:
AMGH, 2014.
SOGIMIG. Manual de Ginecologia e Obstetrícia - SOGIMIG. 5 ed. Belo Horizonte: Coopmed, 2012.
TABILE P.M. et al. Características clínicas, prevalência e diagnóstico de vulvovaginites em ambulatório do
interior do Rio Grande do Sul. Journal of Health and Biological Science, 2016.
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