Técnicas de Posicionamento,
mobilização, transferências e
transporte
A CONSEQUÊNCIA DA IMOBILIDADE NOS SISTEMAS ORGÂNICOS
Importância da mobilidade
O compromisso da mobilidade física, relacionada com a doença/traumatismo ou como
consequência do processo de envelhecimento, tem consequências na fisiologia humana ao nível
dos diferentes sistemas. Mesmo em adultos saudáveis, os efeitos da imobilização prolongada e
atrofia por desuso são, por si só, muitas vezes persistentes e precisam de recondicionamento físico
intensivo para permitir o regresso ao seu nível basal de funcionamento.
Importância da mobilidade
Um planeamento adequado dos cuidados de saúde que inclua intervenções ao nível da
manutenção da mobilidade, na lógica do autocuidado, é um contributo fundamental na
prevenção de várias alterações.
Consequências da imobilidade
Consequências da imobilidade
Alterações respiratórias
Alterações Cardiovasculares
Alterações Gastrointestinais
Alterações Urinárias
Alterações Metabólicas
Alterações no Sistema Nervoso
Alterações na pele e tegumento
Alterações Musculo-esqueléticas
Consequências da imobilidade
Alterações respiratórias
As complicações respiratórias decorrentes da alteração da mobilidade são conhecidas como
ameaças à vida. As alterações pulmonares iniciais resultam do movimento restrito do tórax em
decúbito dorsal e de alterações induzidas pela gravidade na perfusão do sangue nas
diferentes partes do pulmão.
Os mecanismos responsáveis por esse desequilíbrio podem incluir redução progressiva na
amplitude do movimento torácico e respiração mais superficial com subsequente aumento na
frequência respiratória.
Consequências da imobilidade
Os movimentos respiratórios tornam-se mais superficiais e rápidos, o que associado à
ineficácia do revestimento ciliar e à fraqueza dos músculos abdominais, que
reduzem a efetividade da tosse, facilita a acumulação de secreções, predispondo à
infeção.
A capacidade vital e a capacidade de reserva funcional podem ser reduzidas de
25 a 50% após repouso prolongado no leito. A redução da capacidade residual
funcional, qualquer que seja a sua causa, pode culminar em atelectasia. No caso
de imobilidade prolongada concorrem dois fatores, que se potenciam entre si, e
que podem dar origem a atelectasias:
Consequências da imobilidade
A incapacidade, pela debilidade muscular e pelos decúbitos, de expandir completamente
a caixa torácica e insuflar e expandir todo o pulmão, mantendo, por períodos mais ou
menos prologados, respiração de pequenos volumes atelectasia passiva);
A acumulação excessiva de secreções, pela ineficácia ciliar e da tosse, que pode produzir
obstrução (atelectasia de absorção). Assim, as complicações respiratórias mais comuns são
a atelectasia e a pneumonia.
Consequências da imobilidade
Assim, as complicações respiratórias mais comuns são a atelectasia e a pneumonia de
estase
Consequências da imobilidade
Alterações cardiovasculares
Ocorre um decréscimo de volume líquido circulante, concentração de sangue nas
extremidades inferiores. Esses fatores resultam no défice do retorno venoso, seguido
de decréscimo do débito cardíaco, que se reflete numa diminuição da pressão
arterial. À medida que a sobrecarga cardíaca aumenta, o consumo de oxigénio
também aumenta. O coração trabalha mais intensamente e com menos eficiência
durante períodos de repouso prolongado.
Consequências da imobilidade
A frequência cardíaca de uma pessoa saudável ativa aumenta 13% ao
levantar-se do decúbito dorsal. Mas após três dias, uma semana e seis
semanas de repouso no leito, a resposta da frequência cardíaca aumenta em
32%, 62% e 89%, respetivamente.
Consequências da imobilidade
Primeiro levante
Levantar ligeiramente (45º) a cabeceira e avaliar a TA
Levantar novamente a cabeceira após 10/15 min (cerca de 90º) e
avaliar novamente a TA
Cerca de 10/15 depois sentar a pessoa na cama e avaliar
novamente a TA
Consequências da imobilidade
Consequências da imobilidade
Alterações gastrointestinais
O sistema gastrointestinal sofre também alterações pela falta de mobilidade, em três
principais funções: ingestão, digestão e eliminação. O stress provocado pelo tempo
prolongado no leito pode originar uma estimulação contínua parassimpática,
levando a estase gástrica, distensão gástrica, dispepsia, anorexia, diarreia ou
obstipação. Uma nutrição deficiente, associada à falta de exercício e à atrofia dos
músculos abdominais e do diafragma, pode conduzir à obstipação.
Consequências da imobilidade
A alteração na rotina da eliminação intestinal, a alteração da posição em que
defeca e a perda de privacidade, também predispõem a pessoa à obstipação e às
suas consequências, tais como: cefaleias, distensão abdominal, fecalomas,
flatulência, desidratação, alterações da respiração, entre outras.
Consequências da imobilidade
Consequências da imobilidade
Alterações urinárias
O facto da pessoa permanecer deitada dificulta a drenagem da urina, dado que não
existe o auxílio da força da gravidade. Nesta posição é também mais difícil aumentar a
pressão abdominal, o que provoca a estase urinária, fator que associado ao aumento da
excreção de iões, contribui para a formação de litíase. A imobilidade leva também a um
enfraquecimento dos músculos abdominais com restrição dos movimentos diafragmáticos
e ao relaxamento incompleto dos músculos do soalho pélvico, podendo conduzir à
retenção urinária ou a um esvaziamento incompleto da bexiga.
Consequências da imobilidade
A estase urinária e a formação de litíase são um meio ótimo para a proliferação
bacteriana, sendo por este motivo comum a ocorrência de infeções urinárias em
doentes que estão sujeitos à imobilidade.
Consequências da imobilidade
Alterações na pele e tegumentos
A inatividade provoca um aumento do tempo de contacto direto da pessoa com as
superfícies de apoio (cama, almofada, cadeiras, entre outras), provocando um
aumento da pressão direta não aliviada sobre os tecidos moles, forças de fricção e
deslizamento, o que pode condicionar o aparecimento de úlceras de pressão.
Consequências da imobilidade
Consequências da imobilidade
Alterações músculo-esqueléticas
O sistema músculo-esquelético é, habitualmente, o mais afetado com as alterações da
mobilidade, ocorrendo uma diminuição da contração muscular, perda de força e da massa
muscular, atrofia, contraturas e osteoporose.
O repouso prolongado leva à diminuição da síntese de proteína muscular, do catabolismo
muscular e diminuição da massa muscular, especialmente nas extremidades inferiores
Consequências da imobilidade
Consequências da imobilidade
Alterações músculo-esqueléticas
O sistema músculo-esquelético é, habitualmente, o mais afetado com as alterações da
mobilidade, ocorrendo uma diminuição da contração muscular, perda de força e da massa
muscular, atrofia, contraturas e osteoporose.
O repouso prolongado leva à diminuição da síntese de proteína muscular, do catabolismo
muscular e diminuição da massa muscular, especialmente nas extremidades inferiores