Fisioterapia em Cuidados Diferenciados
CoughAssist
Ana Carla Amaral
Ana Vanessa Oliveira
João Soares
Nuno Barreto
Sancho Barroso
Introdução
O objectivo do trabalho:
descrição do equipamento,
forma de aplicação,
conhecer as vantagens e desvantagens da sua aplicação,
indicações e contra-indicações,
tipos de equipamentos,
riscos e complicações,
expor a experiência com o aparelho CoughAssist em amostras de pacientes
que apresentam uma variedade de patologias através da análise de estudos publicados.
Escolha do tema:
uma abordagem dos pontos anteriormente focados é importante para um
conhecimento, e consequente compreensão, deste equipamento;
as situações em que o recurso à sua utilização está indicado (patologias nas quais a
Fisioterapia assume um papel de relevo);
este é um equipamento que ainda não se encontra difundido em Portugal existindo
ainda grande desconhecimento nesta área.
A exigência de conhecimentos deste nível, por parte dos fisioterapeutas é cada vez maior, para
que um maior conhecimento seja alcançado e posteriormente se traduza numa intervenção mais
consciente por parte dos fisioterapeutas e mais vantajosa para o doente.
Tosse
Sentido geral: respiração processo de trocas gasosas
Pulmão diversas funções: respiratórias, metabólicas
circulatórias, defesa (Costa, M., 1992)
hematológicas.
Definição: reflexo de defesa pelo qual o organismo tende a expulsar as substâncias da
árvore traqueo-brônquica, através de movimentos expiratórios bruscos e violentos,
efectuados com a glote semi-cerrada e acompanhados de ruídos característicos. (Costa, M., 1992)
Ela consiste numa expiração forçada contra a glote parcialmente fechada, geralmente precedida
de uma inspiração profunda (Costa, M., 1992) sendo uma parte importante da defesa das vias aéreas pelo
auxílio à remoção das secreções (Sivasothy, P. et al, 2001).
Factores desencadeantes da tosse:
Processos inflamatórios (edema, hipéremia e úlceras)
Causas mecânicas (corpos estranhos, líquidos ou sólidos, secreções, compressões,
torções brônquicas, estase, atelectasias e derrames pleurais)
Agentes poluentes (fumos e gases tóxicos ou irritantes)
Factores térmicos (inalação de ar frio ou quente)
Causas neuropsíquicas (patológicas ou neuróticas) (Costa, M., 1992).
Tosse
O processo da tosse é constituído por três fases:
Fase inspiratória: Inspiração profunda até à capacidade pulmonar total;
Fase compressiva: compreende o encerramento da glote acompanhado por um aumento da pressão
intra-abdominal como resultado da contracção dos músculos abdominais e respiratórios;
Fase expulsiva: Abertura súbita da glote, permitindo uma saída do ar a grande velocidade, removendo as
secreções da parede da via aérea e levando-as para a parte central das mesmas (Jonathan, D., & Finder, J., 2005;
Hardy, K., 1994)
Patologias neuromusculares (esclerose lateral amiotrófica, poliomielite, miastenia gravis, e distrofias
musculares) podem prejudicar qualquer uma destas três fases; em patologias pulmonares
(bronquite crónica e enfisema), a redução do fluxo expiratório resultante da compressão dinâmica
das vias aéreas e viscosidade aumentada das secreções brônquicas é provavelmente a
causa principal de inefectividade da tosse (Bach, J., 1992; Sivasothy, P., et al, 2001).
A tosse efectiva é um mecanismo protectivo contra infecções do tracto respiratório causa mais
comum de admissão hospitalar em pacientes com fraqueza dos músculos respiratórios devido a
patologia neuromuscular (Bach, J., Ishikawa, Y., & Kim, H., 1997).
Adultos e crianças com patologia neuromuscular apresentam tosse fraca e, como tal, são
susceptíveis de infecções torácicas recorrentes, uma causa major de morbilidade e mortalidade
(Chatwin, M., et al, 2003).
Tosse
A recomendação actual para desobstrução das vias aéreas durante infecções
pulmonares é fisioterapia intensiva. Isto consiste num conjunto de procedimentos físicos,
tais como ciclo activo de técnicas respiratórias (ACBT), percussão, shaking e tosse
assistida manualmente. (Chatwin, M. et al, 2003)
Contudo, fisioterapia intensiva é cansativa para os pacientes e pode desencadear
episódios de dessaturação de oxigénio. (Chatwin, M. et al, 2003)
Para melhorar a tolerância, a fisioterapia pode ser combinada com ventilação não-
invasiva com pressão positiva mas isto pode ser insuficiente para eliminar as secreções
adequadamente resultando na necessidade de ventilação invasiva em alguns pacientes
(Fauroux, B., et al, 1999; Chatwin, M., et al, 2003).
Todos estes pacientes que apresentam problemas na eliminação de secreções por
deficiência ou ausência do mecanismo da tosse podem beneficiar com a utilização de
equipamentos que os auxiliem nesta tarefa, sendo um procedimento alternativo a insuflação-
exsuflação mecânica – CoughAssist.
CoughAssist
Definição: é um equipamento eléctrico portátil que alternadamente aplica uma pressão
positiva gradual nas vias aéreas que depois se altera rapidamente para uma pressão
negativa de forma a auxiliar o paciente na remoção de secreções broncopulmonares que
se encontrem retidas, e reduzindo o risco de complicações respiratórias. (Chatwin, M., et al, 2003).
Objectivo: melhorar uma função da tosse prejudicada pela replicação mecânica da
manobra da tosse (Wahl, M., 2003).
“Simula, mais do que estimula, o mecanismo de remoção de secreções da tosse” segundo
Oppenheimer (2004).
Esta técnica, referida como “insuflação-exsuflação mecânica”, evita lesões nas vias aéreas
enquanto oferece aos pacientes um maior conforto e qualidade de vida sem o uso de
procedimentos invasivos. (Tomko, T., 2003).
Está provado a efectividade para os pacientes com incapacidade para realizarem uma tosse
eficaz devido a diversas patologias (tanto distúrbios neurólogicos que impliquem alguma paralisia dos músculos
respiratórios – poliomielite, distrofia muscular, esclerose lateral amiotrófica, miastenia gravis, lesão medular – como patologias do
foro respiratório – enfisema, bronquiectasia, fibrose quística) (Tomko, T., 2003).
É efectivo tanto para pacientes com traqueostomia e pacientes com ventilação não-invasiva e
pode ser utilizado em pacientes adultos ou pediátricos em casa ou num hospital ou instituição (Tomko,
T., 2003).
CoughAssist
Constituição do equipamento
Circuito do paciente do CoughAssist I-EM: consiste num tubo longo e
flexível, um filtro bacteriano/ viral, uma máscara facial e um adaptador
Tubo de respiração – tem aproximadamente 22 mm de diâmetro interior.
Filtro bacteriano/ viral
Máscara facial e adaptador – O CoughAssist pode ser usado com uma
máscara facial, peça bucal ou com um adaptador para o tubo endotraqueal
ou traqueostomia
(CoughAssist – User’s Guide, 2004)
CoughAssist
Especificações do equipamento:
Pressão Positiva Máxima: 60 cm H2O (44 mm Hg)
Pressão Negativa máxima: 60 cm H2O (44 mm Hg)
Máximo Fluxo de Inalação: 3,3 litros/segundo com o fluxo inalatório ajustado ao
mínimo; se estiver ajustado à máxima inalação, o fluxo é igual ao fluxo exalatório.
Máxima Capacidade de Fluxo Exalatório: 10 litros/segundo; o fluxo actual depende
da pressão máxima e da resistência das vias aéreas.
Pressão padrão: -70 a 0 a +70 cm H2O; exactidão de +/- 2% da escala total.
Modo de operação: Temporização automática e manual (Modelos CA-3000, CA-3200)
Temporização manual (Modelos CM-3000, CM-3200)
Tempos de inalação, exalação e pausa:
Modo Automático (CA-3000, CA-3200): 0 a 5 segundos
Variável de acordo com o utilizador (CM-3000, CM-3200)
Dimensões: 292mm x 279mm x 419mm
Peso: Modelos CA-3000, CA-3200: 11 kg
Modelos CM-3000, CM-3200: 9.3kg (CoughAssist – User’s Guide, 2004)
CoughAssist
Indicações de utilização: qualquer paciente incapaz de tossir ou eliminar secreções
com eficácia aliadas a um peak flow expiratório durante a tosse (inferior a 2 a 3 Litros por
segundo), resultante de múltiplas situações é um candidato.
É também efectivo em patologias como:
Poliomielite
Distrofia muscular
Esclerose lateral amiotrófica
Síndrome de Guillian-Barré
Esclerose múltipla
Lesões medulares
Défices neuro-musculares
Fadiga severa associada com doença pulmonar intrínseca
Doenças broncopulmonares tais como enfisema, fibrose quística e
bronquiectasia (CoughAssist – User’s Guide, 2004).
Contra-indicações: história de enfisema bulhoso, susceptibilidade conhecida para
pneumotórax ou pneumo-mediastino, ou barotrauma recente.
Pacientes com instabilidade cardíaca conhecida devem ser monitorizados de forma próxima
quanto ao pulso e saturação de oxigénio enquanto usam o CoughAssist (Tomko, T., 2003).
CoughAssist
Precauções:
Pacientes com instabilidade cardíaca devem ser monitorizados quanto ao pulso e
saturação de oxigénio.
Dor no peito pode ocorrer em pacientes que utilizem o CoughAssist I-EM pela primeira
vez se a pressão positiva usada exceder as pressões que o paciente normalmente recebe
durante a terapia com pressão positiva. Tais pacientes devem começar com uma pressão
positiva inferior durante o tratamento, e gradualmente aumentar a pressão positiva
utilizada.
Não utilizar na presença de anestésicos inflamáveis.
Verificar sempre os parâmetros de tempo e pressão antes de cada tratamento.
Complicações referidas quanto ao uso do CoughAssist em adultos são raras mas
podem incluir náuseas, bradicardia, taquicardia, e distensão abdominal (Bach, J., 1994; Miske, L., et al,
2004; CoughAssist – User’s Guide, 2004).
CoughAssist
Adequação da Pressão:
Cada paciente pode requerer adequações especiais para a pressão máxima positiva
(inalação) e negativa (exalação).
Para um paciente que utilize este equipamento pela primeira vez, é aconselhável
começar com pressões inferiores, tais como 10-15 cm H2O positivo e negativo, para que
o paciente se familiarize com a sensação de insuflação-exsuflação mecânica. Durante os
tratamentos subsequentes, as pressões podem ser aumentadas como necessário para
obter a eliminação de secreções adequada.
Deve realçar-se que nestas pressões baixas o CoughAssist pode ter efectividade
limitada na remoção de secreções o aumento das pressões deve melhorar esta
efectividade (CoughAssist – User’s Guide, 2004).
Ajuste de Tempo:
No modo automático podem ser ajustados os tempos da seguinte forma:
Cada ciclo de tosse consiste numa fase inalatória, uma fase exalatória e uma fase de pausa, após
a qual a fase inalatória recomeça.
Normalmente o tempo de inalação e exalação são ajustados de 1 a 3 segundos e o tempo de
pausa pode ser ajustado até 5 segundos, ou eliminado ajustando a pausa a 0 segundos,
dependendo da preferência do paciente. (CoughAssist – User’s Guide, 2004; Jonathan, D., & Finder, J., 2005).
CoughAssist
Tratamento: geralmente consiste em 4 ou 5 ciclos de tosse em sucessão.
É então permitido ao paciente descansar por 20 a 30 segundos, o que previne a
hiperventilação. Os ciclos podem ser repetidos 4 a 6 vezes para um tratamento completo
(CoughAssist – User’s Guide, 2004).
Necessidade Médica:
Outros métodos de controlar as secreções têm sido tentados mas falharam quanto ao
providenciar uma resposta significativa – incluindo aspiração, espirometria incitativa, PEP
e flutter.
O uso do CoughAssist pode assumir especial importância para pacientes com
qualquer tipo de ventilação não-invasiva, uma vez que a aspiração é difícil sem a
existência de um tubo traqueal ou endotraqueal.
A exsuflação com pressão negativa auxilia ou substitui a tosse natural do paciente,
fornecendo a remoção de secreções necessária (Tomko, T., 2003).
USO DO CoughAssist EM CUIDADOS INTENSIVOS
Pacientes em cuidados intensivos frequentemente apresentam diminuição da remoção
de secreções.
Estar entubado impede que o paciente feche a glote, o que é necessário para a tosse
eficaz.
O cuidado com estes pacientes incluiu aspiração directa aplicada no tubo
endotraqueal. Esta técnica, que promove a desobstrução de uma pequena porção da via
aérea, é ineficaz para remover secreções das vias aéreas periféricas, e o paciente fica
mais dependente da remoção mucociliar mais do que do mecanismo de remoção da
tosse.
Uma insuflação profunda com um saco de ventilação auto-insuflável pode ajudar, especialmente
se acompanhado por fisioterapia respiratória, mas não reproduz a tosse (Jonathan, D., & Finder, J., 2005).
Novas tecnologias tem sido recentemente empregues na UCI para melhorar a desobstrução
brônquica. A insuflação-exsuflação mecânica (I-EM) está a ganhar aceitação nas UCIs para
pacientes ventilados (Jonathan, D., & Finder, J., 2005).
USO DO CoughAssist EM CUIDADOS INTENSIVOS
I-EM tem sido para auxiliar no desmame da ventilação mecânica em pacientes com
patologia neuromuscular (Bach, J., & Gonçalves, M., 2004).
Nos casos em que são necessárias traqueostomias, Bach recomenda o uso do
CoughAssist, com o qual se obtêm os mesmos resultados da aspiração mas sem lesão
das vias aéreas e com menor desconforto para o paciente. (Jonathan, D., & Finder, J., 2005).
O uso do CoughAssist pode reduzir, ou mesmo eliminar, a necessidade de aspiração (Jonathan, D., &
Finder, J., 2005).
A vantagem da I-EM é que aplica pressão negativa ao longo das vias aéreas (tanto centrais
como periféricas), em contraste com a aspiração traqueal directa que aplica pressão negativa a
uma área pequena e localizada.
I-EM é preferível à aspiração traqueal directa pelos pacientes traqueostomizados (Garstang, S., Kirsblum, S., &
Wood, K., 2000).
Parece ser mais eficaz do que a aspiração traqueal directa para a remoção de secreções em
pacientes ventilados mecanicamente com esclerose lateral amiotrófica (Sancho, J., et al, 2003).
EVIDÊNCIA CLÍNICA DO USO DO CoughAssist
Sivasothy e colaboradores (2001)
Objectivo: examinar a eficácia da tosse assistida manualmente e da insuflação
mecânica na tosse dinâmica em indivíduos sem patologia, pacientes com doença
pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), e pacientes com fraqueza dos músculos
respiratórios (FMR) devido a perturbações neuromusculares (PNM) com e sem
escoliose.
Amostra: 9 indivíduos sem patologia
8 com DPOC
12 com fraqueza dos músculos respiratórios por PNM:
7 – esclerose lateral amiotrófica
1 – distrofia muscular de Becker
2 – poliomielite prévia
1 – distrofia muscular de Duchenne
1 – atrofia muscular espinhal com escoliose
EVIDÊNCIA CLÍNICA DO USO DO CoughAssist
Resultados:
Os indivíduos com DPOC não beneficiaram com fluxos de tosse dinâmicos ou
subjectivamente com técnicas de tosse assistida.
O uso de técnicas de tosse assistida pelos cuidadores reduziu a frequência de
complicações pulmonares causadas pela retenção de secreções nas vias aéreas.
Melhorias na tosse dinâmica em pacientes com fraqueza dos músculos respiratórios
foram referidas com o uso de técnicas de tosse assistida utilizando a insuflação-
exsuflação mecânica (Bach, J., 1994), tosse assistida manualmente (Bach, J., 1994), compressão
torácica com utilização de cinta abdominal, insuflação mecânica e pressão expiratória
positiva.
Estas auxiliaram tanto a fase inspiratória da tosse (insuflação mecânica, respiração
glossofaríngea), ou a fase expiratória (tosse assistida manualmente, compressão torácica
com cinta abdominal) ou ambas (insuflação-exsuflação mecânica).
EVIDÊNCIA CLÍNICA DO USO DO CoughAssist
Conclusões:
Este estudo confirmou que a tosse manualmente assistida e a insuflação
mecânica em separado ou em combinação melhoraram o fluxo dinâmico da
tosse em pacientes com FMR sem escoliose mas não naqueles com
escoliose.
Em indivíduos com DPOC as três manobras de tosse assistida foram
prejudiciais para o fluxo dinâmico de tosse e como tal os autores não as
recomendam para assistência da tosse.
EVIDÊNCIA CLÍNICA DO USO DO CoughAssist
Chatwin e colaboradores (2003)
Objectivo: quantificar o efeito no aumento de pico de fluxo da tosse (PCF) com I-EM
em comparação com outras técnicas de aumento da eficácia da tosse comummente
recomendadas e comparar a tolerância dos pacientes (adultos e crianças) à I-EM com a
das outras técnicas.
Amostra: 22 pacientes, idades entre os 10-56 anos (média de 21 anos) com PNM.
Métodos: espirometria e a medição da força muscular dos músculos respiratórios ; o PCF foi
registado durante a tosse máxima não assistida, seguido da tosse assistida pelo fisioterapeuta,
ventilação não-invasiva, insuflação e exsuflação, e só exsuflação.
Os participantes avaliaram a força da tosse, ansiedade e conforto numa escala visual análoga.
Conclusões:
Nos pacientes (adultos e crianças) com fraqueza severa dos músculos respiratórios
devido a PNM, a combinação de insuflação e exsuflação produz um maior PCF do que a tosse
voluntária não assistida ou tosse assistida por ventilação não-invasiva.
I-EM foi melhor tolerada que as outras técnicas de melhoria da tosse.
EVIDÊNCIA CLÍNICA DO USO DO CoughAssist
Sancho e colaboradores (2003)
Objectivo: comparar os efeitos de I-EM versus aspiração via tubo de traqueostomia
nas variáveis respiratórias em 6 pacientes com esclerose lateral amiotrófica (ELA).
Amostra/Métodos: 6 pacientes com ELA que necessitavam de VM contínua via
tubos de traqueostomia e desenvolveram infecções pulmonares foram avaliados
quanto à saturação de oxihemoglobina (SpO2), pico de pressão inspiratória (PIP),
média da pressão das vias aéreas (Pawm), e trabalho de respiração desempenhado
pelo ventilador (WOBv) de base, 5 e 30 minutos após aspiração traqueal e 5 minutos
após I-EM.
Resultados: apenas o WOBv foi alterado significativamente, diminuindo após a aspiração
traqueal contudo todas as variáveis melhoraram significativamente após a I-EM.
Conclusão: para os pacientes dependentes do ventilador com ELA, a I-EM via tubo de
traqueostomia pode ser mais efectivo do que a eliminação de secreções com a aspiração traqueal
convencional.
EVIDÊNCIA CLÍNICA DO USO DO CoughAssist
Bach (2003): demonstrou que a I-EM é fundamental para evitar hospitalizações,
pneumonias, episódios de falência respiratória e traqueostomias em pacientes com
distrofia muscular de Duchenne (Gomez-Merino, E., & Bach, J., 2002), atrofia muscular espinhal (Bach, J., et al,
2002) e esclerose lateral amiotrófica não-bulbar (Bach, J., 2002).
Sancho e colaboradores (2004)
Objectivo: avaliar a utilidade de procedimentos terapêuticos não-invasivos em pacientes
com ELA e determinar em que circunstâncias I-EM é capaz de gerar um fluxo expiratório
efectivo para pacientes estáveis com ELA bulbar e não bulbar.
Conclusões: I-EM é útil em pacientes com ELA, tanto bulbar como não bulbar; e assim
quando técnicas de tosse assistida são incapazes de gerar um pico de fluxo da tosse
(PCF) efectivo ou quando o paciente é incapaz de cooperar, a I-EM é a alternativa mais
efectiva para gerar um PCF óptimo e eliminar as secreções das vias aéreas.
EVIDÊNCIA CLÍNICA DO USO DO CoughAssist
Winck e colaboradores, 2004
Objectivo: analisar os efeitos psicológicos e tolerância da I-EM para pacientes com
falência ventilatória crónica de várias etiologias.
Amostra: 30 pacientes com ELA, 9 pacientes com DPOC severa, e 7 pacientes com
outras patologias neuromusculares com alterações crónicas nas secreções das vias
aéreas e diminuições na saturação da oxihemoglobina (SpO2).
Métodos: Pressões do I-EM de 15 cmH2O, 30 cmH2O e 40 cm H2O foram
programadas para cada paciente, com 3 segundos para insuflação e 4 para exsuflação.
Uma aplicação tinha seis ciclos em cada pressão num total de três aplicações.
Resultados: confirmaram uma boa tolerância e melhorias psicológicas nos pacientes
com patologia restritiva e nos pacientes com patologia obstrutiva, sugerindo que a I-EM
pode ser um potencial complemento para a ventilação não-invasiva numa grande
variedade de grupos de pacientes.
EVIDÊNCIA CLÍNICA DO USO DO CoughAssist
Miske e colaboradores (2004)
Objectivo: determinar a segurança, tolerância e efectividade do I-EM numa população
pediátrica descrevendo a experiência com o aparelho CoughAssist numa população de
pacientes pediátricos com PNM.
Amostra:
62 pacientes (34 do sexo masculino) observados num programa pulmonar
pediátrico com PNM e prejuízo da tosse nos quais terapia com I-EM foi iniciada.
Os diagnósticos incluíam distrofia muscular de Duchenne (17 pacientes);
atrofia muscular espinhal tipo I e II (21 pacientes); miopatia (12 pacientes); outras PNMs
não-específicas (12 pacientes).
Ventilação mecânica via traqueostomia era utilizada por 29 pacientes, 25
dependiam de ventilação não-invasiva com pressão positiva, e 8 não utilizavam qualquer
suporte ventilatório.
Para todos os pacientes as funções pulmonares foram consistentes com
doença pulmonar restritiva moderada a severa.
A força dos músculos respiratórios estava diminuída.
EVIDÊNCIA CLÍNICA DO USO DO CoughAssist
Resultados:
4 pacientes (6%) verificaram melhorias na atelectasia crónica após a
institucionalização do I-EM
5 crianças (8%) as famílias notaram uma redução na frequência de pneumonias
após o início do uso do I-EM.
A intolerância ao I-EM (que se verificou em apenas 1 paciente) deveu-se à
aplicação inadequada da técnica pelo cuidador.
Não se verificaram complicações ou eventos que necessitassem de hospitalização
relacionados com este equipamento
A rápida resolução de atelectasias e diminuição na frequência da pneumonia foram
documentadas em 9 pacientes.
Conclusões:
o uso do I-EM é seguro, efectivo e bem tolerado numa população pediátrica;
o uso do I-EM em pacientes pediátricos com deficientes mecanismos da tosse
pode ter diversos benefícios que incluem diminuição do uso de antibióticos e oxigénio
suplementar e diminuição do número de hospitalizações por patologia respiratória (Bach, J.,
2002).
EVIDÊNCIA CLÍNICA DO USO DO CoughAssist
Vianello e colaboradores, 2005
Objectivo: averiguar a eficácia da I-EM em conjunto com tratamentos de fisioterapia
respiratória habituais, foi investigado como uma forma de primeira intervenção para
pacientes com patologias neuromusculares com infecções do tracto respiratório e
alterações no muco das vias aéreas.
Desenho do estudo: foram administradas I-EM e tratamentos de fisioterapia
respiratória habituais em 11 pacientes com patologias neuromusculares numa unidade de
cuidados intensivos; e foram comparados com 16 casos que receberam fisioterapia
respiratória apenas. A falha do tratamento foi definida como necessidade de
“minitraqueostomia” cricotiróide ou entubação endotraqueal.
EVIDÊNCIA CLÍNICA DO USO DO CoughAssist
Resultados:
A falha do tratamento foi significativamente mais baixa (p<0,05) no grupo
que recebeu I-EM do que no grupo que recebeu tratamentos de fisioterapia
respiratória convencionais (2/11 versus 10/16 casos);
A IE-M não produziu efeitos colaterais significativos e foi bem tolerada por
todos os indivíduos.
Conclusão:
A aplicação de I-EM em combinação com tratamentos de fisioterapia
respiratória convencionais podem melhorar o tratamento das alterações na
remoção de secreções das vias aéreas em pacientes neuromiopáticos;
Esta técnica deveria ser incluída nas intervenções não-invasivas para o
tratamento das infecções do tracto respiratório com remoção de secreções
prejudicada.
Conclusão
A utilização de I-EM tem sido considerada segura, efectiva e bem tolerada por
diversos estudos, podendo ser aplicado tanto em populações adultas quanto pediátricas.
estudo que não encontrou efeitos adversos em mais de 2000 aplicações de
I-EM sendo a maioria destas em pacientes com patologias pulmonares intrínsecas (Marchant,
W., & Fox, R., 2002).
Nos pacientes que apresentam uma tosse ineficaz é recomendável a utilização do
CoughAssist, de forma a auxiliar a remoção de secreções.
Os resultados confirmam uma boa tolerância e uma melhoria fisiológica nos
pacientes com desordens restritivas ou obstrutivas e demonstram também a sua
utilidade como meio complementar da ventilação não-invasiva (Winck, J., & Gonçalves, M., 2002).
Quanto à aplicabilidade deste equipamento enquanto elemento profilático existem também
variados estudos que enaltecem as suas vantagens.
Estes equipamentos têm sido utilizados com sucesso em pacientes adultos com
fraqueza neuromuscular (Bach, J., 1994) para auxiliar a desobstrução brônquica como medida
interventiva e profilática. (Miske, L., et al, 2004); existem também diversos casos (Bach, J.; Ishikawa, Y., & Kim, H., 1997)
que sugerem um importante papel na prevenção de morbilidade respiratória em pacientes com
patologia neuromuscular (Chtwin. M., et al, 2003).
Conclusão
Na aplicação do CoughAssist em pacientes pediátricos com deficientes mecanismos
da tosse revelaram-se também diversos benefícios, muitos deles relacionados com a
prevenção se for tido em consideração que a retenção de secreções acarreta diversas
complicações:
diminuição do uso de antibióticos,
diminuição do uso de oxigénio suplementar, e
diminuição do número de hospitalizações por patologia respiratória (Bach, J., 2002).
De uma forma global deve ainda destacar-se que a utilização deste equipamento
permite evitar entubação, broncoscopia e traqueostomia para remoção de secreções
(Sancho, J., et al, 2004).
Assim
O CoughAssist é uma opção a considerar na abordagem terapêutica e profilática junto
dos pacientes.
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