OS FILÓSOFOS
PRÉ-SOCRÁTICOS
DA MITOLOGIA (POESIA) Á FILOSOFIA
O PROGRESSO EM DIREÇÃO À FILOSOFIA FAZ A FILOSOFIA REPRESENTA O
COM UMA VISÃO DO MUNDO MENOS ABANDONO DA PERSONIFICAÇÃO:
SIMBÓLICA (POÉTICA) E MENOS EXPLICAÇÃO DOS FENÓMENOS
ANTROPOMÓRFICA (FUNDADA NA CORPO). BASEADO NO ANTROPOMORFISMO (EX:
O UNIVERSO RESULTA DA RELAÇÃO
SEXUAL ENTRE ÚRANO E GAIA).
OS PRÉ-SOCRÁTICOS COMEÇAM A REJEITAR O OS COMPONENTES CÓSMICOS TERÃO
SIMBÓLICO Á FAVOR DA LÓGICA. MAS NÃO NA QUE SER EXPLICADOS COMO PRINCÍPIOS
IDEIA DE QUE A MITOLOGIA TERIA SIDO DE ORGANIZAÇÃO (AGREGAÇÃO E
COMPLETAMENTE IRRACIONAL. OS PRÉ- SEGREGAÇÃO) SEM RECORRER AOS MITOS
SOCRÁTICOS SERÃO POETAS-FILÓSOFOS DE MODO DE ARES (GUERRA) E AFRODITE
QUE A SIMBOLIZAÇÃO E O ANTROPOMORFISMO (HARMONIA)
A SUPERAÇÃO DO MITO POR HERACLITO
“Em particular, o modelo genético da natureza, que se diferencia a
partir de «progenitores» primordiais, foi difícil de abandonar; mas
Heráclito, ao contrário dos demais, consegui libertar-se dele, pelo
menos em parte, ao confrontar este particular modelo mítico-religioso
(claramente exemplificado na Teogonia de Hesíodo) com outro
modelo inclusivamente mais poderoso, exemplificado nos Trabalhos e
Dias, segundo o qual Zeus governava eternamente o mundo
desenvolvido com a assistência da Justiça” (KIRK et al, 2013:68-69)
DO MYTHOS AO LOGOS
MITOLOGIA FILOSOFIA
• O HERÓI (Ulisses) na ODISSEIA NÃO É
• A MITOLOGIA COM TRADIÇÃO PRÉ-SOCRÁTICA
NÃO TEM UMA VISÃO MERAMENTE IRRACIONAL porque rege pela reflexão.
IRRACIONALISTA. • HESÍODO é um intérprete dos mitos, por isso faz
• TEM FORTES ELEMENTOS IRRACIONALISTAS E ISTO uso da razão. Alguns teóricos tende a considerá-lo
QUE A CONTAMINA. como o primeiro filósofo pré-socrático.
• A PROVA DISTO É QUE A PARTIR DA TRADIÇÃO • O que não é filosófico é a linguagem simbólica e
HOMÉRICA CRIOU-SE UMA CIVILIZAÇÃO DE antropomórfica dos mitos. Por isso há uma
MODO ALGUM PRIMITIVA. diferença entre Hesíodo e Anaximandro.
• ESSA TRADIÇÃO ALIMENTOU A ADMINISTRAÇÃO
• A transição do mythos ao logos é radical não
PÚBLICA, A LITERATURA E FORMOU
PERSONALIDADE (A ÉTICA E PSICOLOGIA). medida que cortar e apurar o irracional da
mitologia. Filosofia é des-mitologização é
CONCEITOS BÁSICOS: ARETÉ (ASTÚCIA, despersonificação.
HONRA, CORAGEM)
OS PRÉ-SOCRÁTICOS FUNDA-SE A SOCIEDADE
DO PENSAR ( A SOCIEDADE ABERTA)
• A FILOSOFIA REJEITA A ALEGORIA DA POESIA OBSTÁCULOS PARA FUNDAÇÃO PRÉ-SOCRÁTICA DE
PARA SE APOIAR NO PURO CONCEITO. UMA SOCIEDADE DO PENSAR: a) o iletracismo; b) o
• A FILOSOFIA RADICALMENTE VAI conservadorismo aristocrático; c) o domínio religioso e
CENTRALIZAR-SE NO PODER DE PENSAR POR SI político.
PRÓPRIO E NÃO DO POETAR COM RECURSO Á
METÁFORAS .
• OS PRÉ-SOCRÁTICOS QUEREM FUNDAR APOIOS PARA FUNDAÇÃO DA SOCIEDADE DO PENSAR:
SOCIEDADE A PARTIR DA RACIONALIDADE 1) O crescimento da polis; 2) troca comerciais e de
COM CONSEQUÊNCIAS POLÍTICAS, SOCIAIS E conhecimentos com o exterior que abre a sociedade;
RELIGIOSOS. 3) a invenção da escrita e da circulação da moeda
• É MUITO MAIS QUE UMA MUDANÇA
INTELETUAL (EPISTEMOLÓGICA) DE UMA
JÓNIA : É o locus do primeiro esforço para estabelece
VISÃO MUNDO POÉTICO E DE ORALIDADE.
as bases do pensamento racional: condições: a) Portos
• É FUNDAÇÃO DE UMA SOCIEDADE ABERTA
que liga com Sardes, Ponto e Egipto; b) forte tradição
(CENTRADO NO PODER DO PENSAR) CONTRA
cultural e literária.
UMA SOCIEDADE FECHADA E SEM SAÍDA).
Em um século nasceram figuras como Tales,
Anaximandro e Anaxímenes.
Pré-Socráticos e metafísica: Princípio de
todas as coisas - Arkhé
Pensador Cidade Período Princípio
Tales Mileto 624-546 Água
Anaximandro Mileto 610-547 Apeiron
Anaxímenes Mileto 588-524 Ar
Heráclito Éfeso 544-504 Fogo
Pitágoras Samos 588-500 Limite,
número
Parmênidess Eléia 540-470 Racionalidade
Empédocles Eléia 483-430 Elementos
Demócrito Abdera 460-370 Materialista
Anaxágoras Atenas 500-420 Nous
Mileto
Os três primeiros filósofos que surgiram foram de Mileto.
São eles: Tales, Anaximandro e Anaxímenes.
Tales
O primeiro filósofo pré-socrático:
Tales de Mileto (cerca de 625/4-
558/6 a.C.) Queria descobrir um
elemento físico que fosse
constante em todas as coisas.
TALES DE MILETO: Político e Engenheiro
Tales aconselhava aos Jónios que tivesse uma única assembleia
deliberativa com assento em Teos, visto esta localidade se encontrar
no centro da Jónia; e as outras cidades continuariam a ser demos
(Heródoto, I, 170).
O primeiro a pensar os projetos de Pontes sobre rio. (Heródoto, I,
75).
Tales de Mileto não é apenas físico teórico, é símbolo da invenção do
tipo matemático e geométrico.
«o fulano é mesmo um Tales» diz uma personagem em Aristófanes
(Aves 1009.
TALES NO EGIPTO: AS ÁGUAS DO RIO NILO E A
FILOSOFIA
Ecio (I,3; 1) e Proclo (in Euclidem (DK 11 A11) afirmam que Tales
dedicou a Filosofia no Egipto e depois veio para a Cidade de
Mileto de onde transferiu os estudo de geometria para a Grécia.
FILOSOFIA
Écio (IV, 1, 1) fala que Tales defendia uma teoria acerca das
cheias do Nilo que é confirmado por Heródoto (II,20):
“Dessasteoria, uma diz que os ventos etésios são
A ÁGUA
a causa das cheias do rio por impedirem o Nilo COMO PRINCÍPIO
de desaguar no mar”. DO UNIVERSO
“Talespensa que os ventos etésios, ao soprarem
(ARCHÉ)
de frente contra o Egipto, fazem crescer a massa
de águas do Nilo, impedindo assim o seu
escoamento, devido ao aumento do volume do
mar que se lhe opõe.”
O PROBLEMA DE TALES: O PROBLEMA DO
FILOSÓFO
“… precisamente como, Teodoro, se diz que uma ladina e graciosa escrava trácia
troçou de Tales por este ter caído a um poço, enquanto observava os astros e
olhava para o céu. Dizia ele que Tales, ansioso por conhecer as coisas do céu,
não se dava conta do que estava atrás dele e mesmo a seus pés” (Platão,
Teeteto 174 A)
ESCRAVA LADINA E GRACIOSA DA TRÁCIA: Uma mulher bela e inteligente aos
pés de Tales pode significar uma crítica vindo de quem defendem o argumento
que é inteligente interessar-se mais com a VIDA PRÁTICA (o mundo corporal).
DOXOGRAFIA OBSERVAR ASTRO E OLHAR PARA O CÉU: É filosofar a partir dos modelos
matemáticos que está além do que o mundo corporal sensível.
POÇO: o perigo da contemplação
ANSIOSO POR CONHECER AS COISAS DO CÉU, NÃO SE DAVA CONTA DO QUE
ESTAVA ATRÁS DELE E MESMO ATRÁS DELE é o paradoxo do filosofo decidir-se
entre a vida prática e a vida contemplativa.
Água
Observando a vida animal e
vegetal concluiu que a água, ou o
úmido, é o princípio de todas as
coisas.
somente a água permanece
basicamente a mesma, em todas
as transformações dos corpos,
apesar de assumir diferentes
estados.
TALES: DEMONSTRAÇÃO DO VALOR TEÓRICO
E PRÁTICO DA FILOSOFIA
“Pois quando o censuravam por causa da sua pobreza, com o
argumento de que a filosofia para nada servia, diz-que, tendo
previsto pelo estudos dos corpos celeste que ia haver uma
abundante colheita de azeitona, juntou um pequeno capital, ainda
durante o inverno, e pagou por todos os lagares de Mileto e de Quios,
arrendando-os por baixo preço, porque ninguém licitou contra ele.
Quando chegou a ocasião própria, houve uma súbita afluência de
pedidos de lagares, então ele sublocou-se pelo preço que quis, e
deste modo obteve um lucro avultado, demonstrando assim que é
fácil aos filósofos enriquecer, se o desejarem, mas não é isso o que
lhes interessa”
(Diógenes Laércio I, 26 (DK 11 A1)
TALES: O VALOR DA FILOSOFIA
VALOR TEÓRICO: A contemplação (o estudos/a reflexão teórica
sistemática) e a capacidade de previsão (estabelecer causas-efeitos).
O VALOR DA FILOSOFIA “tendo previsto pelo estudos dos corpos celeste que ia haver uma
abundante colheita de azeitona”
VALOR TEÓRICO-PRÁTICO: A investigação teórico-prática
O VALOR INTRINSÍCO : É A possibilita ter a certeza em um mundo de incerto”
“ juntou um pequeno capital, ainda durante o inverno, e pagou
CONTEMPLAÇÃO E NÃO por todos os lagares de Mileto e de Quios, arrendando-os por
INTERESSES ECONÓMICOS: baixo preço, porque ninguém licitou contra ele”.“
“demonstrando assim que
VALOR PRÁTICO: A filosofia por diminuir as incertezas possibilita
é fácil aos filósofos pelas relações que estabelece entre causa-efeito o acerto no
enriquecer, se o mundo até em termos económicos.
desejarem, mas não é isso “Quando chegou a ocasião própria, houve uma súbita afluência de
pedidos de lagares, então ele sublocou-se pelo preço que quis, e
o que lhes interessa.” deste modo obteve um lucro avultado
VALOR TEÓRICO- A PREDIÇÃO NO O
PRINCÍPIO RACIONAL DE CAUSALIDADE
“No sexto ano da guerra, que eles (Medos e Lídios) vinham travando
entre si com igual fortuna, deu-se um recontro durante o qual
sucedeu que, estando a luta em curso, o dia se fez subitamente noite.
Esta alteração do dia tinha sido predita aos Jónios por Tales de Mileto,
que havia fixado como seu limite o ano em que o fenómeno
efetivamente se verificou” (HERÓDOTO I, 74).
Trata-se de uma explicação que não A EXPLICAÇÃO RACIONAL PRESCINDE DO
SIMBOLISMO POÉTICO E SUBSTITUA POR UM
interferem Deuses, antropomorfismo PRINCIPIO DE CAUSALIDADE: OS ECLIPSES
ou simbolismo poético. Recorre a NÃO SÃO FENÓMENOS QUE INTERPRETA POR
observação empírica, registos RECURSOS AO SIMBÓLICO MÍTICO OU POR
ADVINHOS, MAS PELA RAZÃO (LOGOS).
babilónicos e a razão
TALES: APLICAÇÃO DA MATEMÁTICA AO
RACIOCÍNEO (A RAZÃO-CÁLCULO) – RATIO)
“ Jerónimo afirma que ele (Tales) mediu efetivamente
as pirâmides por intermédio da sua sombra, após ter
observado o momento em que a nossa própria
sombra é igual a nossa altura” (Diógenes Laércio, I,
27).
O TEOREMA DE TALES: É um exemplo da
aplicação da razão (ratio) para explicação
do mundo físico TEORIA
TALES: OS HEXÂMETROS
H 1:“A terra flutua na água, que é, de
certo modo, a origem de todas as coisas”
Aristóteles (Caelo B13, Para Aristóteles (Met. A 3, 983) os primeiros
294): Sobre Tales diz-se filósofos pensaram nos princípios sob a forma
para ele a Terra repousa de matéria. A matéria que origina todas as
sobre a água, porque todos coisas que depois são destruídas voltam a ser
elementos (terra, ar e o primeiro elemento. Para eles não há
todos corpos) são geração ou morte absoluta por há uma
suportados pela água. substância que é preservada
A ÁGUA – O HÚMIDO É O PRINCÍPIO DE
TUDO
“Tales, o fundador deste tipo de filosofia, diz que é a água (e por
conseguinte declarou que a terra está sobre a água), tendo talvez
formulado esta suposição por ver que o alimento de todas as coisas
é húmido, e que o próprio calor dele provém e vive graças a ele
(aquilo de que provêm é o princípio de todas as coisas) – formulou a
hipótese não só a partir, como ainda do facto de os embriões de todas
as coisas terem a sua natureza húmida, sendo o princípio natural das
coisas húmidas”
(ARISTÓTELES, Met. A3, 983 b6)
NÃO SÓ AS COISAS FÍSICAS, MAS TAMBÉM AS BIOLÓGICAS TEM UM PRINCÍPIO ORGANIZADOR : O HÚMIDO: A
TERRA APOIA SOBRE, AS PLANTAS NASCEM PELO HÚMIDO, AS SEMENTES E ANIMAIS COMO EMBRIÕES
ORIGINAIS SÃO HÚMIDAS
H2 . “Mesmo os seres aparentemente inanimados
podem estar vivos; o mundo está cheio de deuses”
Tales considerava a ALMA SEPARADA
ALMA como algo de
cinético (Aristoteles, de O CONCEITO DE ALMA
anima A2, 405 a 19)
Considerava que a alma O CONCEITO DE ALMA MISTURA NOS
é partilhado até pelo os CORPOS FÍSICOS
objetos inanimados e
que está misturado no ALMA
universo INCORPORADA
O filósofo Anaximandro de
Mileto, filho de Praxíades, foi
parente, discípulo e sucessor de
ANAXIMANDRO Tales. Foi o primeiro a descobrir o
Anaximandro de Mileto, filho de equinócio e os solstícios e os
Praxíades: afirmava que o princípio e o indicadores das horas, e que a
elemento é o Indefinido, sem distinguir o terra se encontra no centro.
ar ou a água ou qualquer outra coisa…
Foi o primeiro a inventar um gnómon, e Introduziu o gnómon e, em geral,
colocou um nos Relógios de Sol em deu a conhecer um esboço de
Esparta, segundo Favorino na sua geometria. Escreveu Da Natureza,
História Universal, para assinalar os
solstícios e equinócios; e construiu Circuito da Terra e Sobre as
também indicadores de horas. Foi o Estrelas Fixas e um Globo Celeste
primeiro a traçar um contorno da terra e e algumas outras obras. Suda s
do mar, mas construi também uma
esfera (celeste). Fez uma exposição
sumária das suas opiniões, que, supondo
eu, Apolodoro, o Ateniense, também
encontrou” DIÓGENES LAÉRCIO, II, 1-2)
Anaximandro
(610-547 a.C.)
Introduziu o conceito de arché para designar o
primum, a realidade primeira e última das coisas.
A arché para ele é algo que transcende os limites do
observável.
Denominou-o apeíron, termo grego que significa
“indeterminado”, “o infinito
O ápeiron seria a “massa geradora” dos seres,
contendo em si todos os elementos contrários.
DESCOBERTAS CIENTÍFICAS DE
ANAXIMANDRO:
Anaximandro não Anaximandro de Mileto,
descobriu o gnómon, (…) Anaximandro
discípulo de Tales, foi o
foi o primeiro a
como se afirma em 94 (o primeiro que ousou desenhar publicar um mapa
gnómon é um esquadro o mundo habitado numa geográfico
ou uma qualquer haste tábua; depois dele, Hecateu (Estrabão)
vertical cuja sombra de Mileto,
indica a direção e a homem muito viajado,
altura do Sol)
aperfeiçoou o mapa, por
forma que a obra se
tornou uma fonte de
A DESCOBERTA DO admiração (Estrabão i, p, 7
ESQUADRO Casaubon)
DESCOBERTA DO MAPA
O MAPA DE ANAXÍMANDRO SEGUNDO
HERÓDOTO
“Sorrio ao ver que, até agora, muitos foram os que desenharam
circuitos da terra, sem que nenhum deles tenha dado do assunto uma
explicação razoável: representam eles Okeanos a correr em redor da
terra, que é desenhada como que a compasso, e fazem a Ásia igual à
Europa.” (Heródoto IV, 36)
Anaximandro traçou uma planta circular, em que as regiões conhecidas do
mundo formavam secções grosseiramente iguais.
A N A X IM A N D R O , O apeirón (O INDEFINIDO )
FRAGMENTO A Simplício in Phys. 24
“Entre os que admitem um só princípio móvel e infinito, Anaximandro de
Mileto, filho de Praxíades, sucessor e pupilo de Tales, disse que o princípio
o elemento das coisas que existem era o apeiron, [indefinido ou infinito],
tendo sido ele o primeiro a introduzir este nome do princípio material.
Diz ele que tai princípio não é nem água nem qualquer outro dos
chamados elementos, mas uma outra natureza apeiron, de que provêm
todos os céus e os mundos neles contidos.
E a fonte da geração das coisas que existem é aquela em que se verifica
também a destruição «segundo a necessidade; pois pagam castigo e
retribuição umas às outras, pela sua injustiça, de acordo com o decreto do
Tempo», sendo assim que ele se exprime, em termos assaz poéticos
FRAGMENTO B (Hipólito Re f . I, 6, 1-2)
Ora, Anaximandro era discípulo de Tales, Anaximandro de Mileto,
filho de Praxíades: ... disse que o princípio e elemento das coisas que
existem era o apeiron, tendo sido ele o primeiro a empregar este
nome do principio material. (Além disto, disse que o movimento era
eterno, do que resulta que se originem os céus).
... ele disse que o princípio material das coisas que existem era uma
natureza do apeiron, de que provêm os céus e o mundo neles
contidos. Esta natureza é eterna e não envelhece, além de envolver
todos os mundos.
Ele fala do Tempo como se geração e existência e destruição fossem
limitadas. (Ele fala do T empo ...)
FRAGMENTO C
(Pseudoplutarco Strom,13; D K 12) a 9
...Anaximandro, que foi companheiro de Tales, disse que o apeiron
continha a causa total da origem e destruição do mundo, de que,
segundo ele, os céus estão separados e, em geral, todos os mundos,
que são apeirous [inumeráveis]
Ele declarou que a destruição e muito antes o nascimento acontecem
desde idades infinitas, visto todos eles ocorrerem ciclicamente.
o que é apeirón (substância originadora)
1. Teofrasto designou Anaximandro como o primeiro a usar apeirón
(à letra «começo» ou «origem») como termo especial para a
substância originadora.
2. Simplício: o seu significado mais evidente é «sendo o primeiro a
dar o nome de apeirón ao substrato dos contrários».
- É O QUE É ESPACIALMENTE INFINITO
3. “Todos os físicos fazem do infinito uma propriedade de Anaximandro supôs certamente que a
uma outra natureza inerente aos chamados elementos, tais substância original linha uma extensão
como a água ou o ar ou o seu intermédio”. (Aristóteles Fís. F espacial enorme e indefinida; mas talvez
4, 203 a 16 tenha dado expressão formal a esta ideia
ao dizer que esta substância «envolvia
todas as coisas»
OPINIÃO DE ARISTÓTELES SOBRE O APEIRÓN
Não há um só destes elementos [fogo, ar, água, terra] de que
derivem todas as coisas; e não há certamente nenhuma outra coisa
além destes, algo de intermediário entre o ar e a água, ou entre o ar
e o fogo, que seja mais densa do que o ar e o fogo, e mais subtil que
os demais: pois isso será, simplesmente, ar e fogo com oposição dos
contrários; mas um dos dois contrários é uma privação — de modo
que é impossível ao elemento intermédio existir alguma vez isolado,
como pretendem alguns a respeito do infinito [apeiron] e do
circundante.
Aristóteles de gen. et corr. B 5, 332 a 19
Dois tipos de explicação são dados pelos físicos. Os que fizeram uno
o corpo subsistente, quer seja um dos três elementos ou uma outra
coisa que é mais densa do que o fogo e mais subtil do que o ar,
geram tudo o mais por condensação e rarefação, fazendo assim a
pluralidade dos seres ... Mas os outros dizem que os contrários se
separaram do Uno, estando nele presentes, como afirmam
Anaximandro e todos os que admitem a unidade e a multiplicidade,
como Empédocles e Anaxágoras; pois também estes separam tudo o
mais da mistura.
Aristóteles Fís. a 4, 187 a 12
... o infinito não tem princípio ... mas é este que parece ser o
princípio das outras coisas, e abarcá-las e dirigi-las a todas elas,
como afirmam todos os que não admitem outras causas, como o
espírito ou a amizade, acima e para além do infinito. E é isto o
divino, por ser imortal e indestrutível, como dizem Anaximandro e a
maioria dos fisiólogos.
Aristóteles Fís. r 4, 203 b 7 ...
FRAGMENTO DE ANAXIMANDRO
“... «uma outra natureza apeiron, de que provêm todos os céus e
mundos neles contidos. E a fonte da geração das coisas que existem é
aquela em que a destruição também se verifica «segundo a
necessidade; pois pagam castigo e retribuição umas às outras, pela
sua injustiça, de acordo com o decreto do Tempo», sendo assim que
ele se exprime, em termos assaz poéticos”.
COSMOLOGIA
(A) Ele diz que a Terra tem forma cilíndrica, e que a sua profundidade é um
terço da largura. (Pseudoplutarco Strom. 2)
(B ) A sua forma é curva, redonda, semelhante ao fuste de uma coluna; das
duas superfícies planas, nós caminhamos sobre uma, e a outra está do lado
oposto (Hipólito Ref. i, 6, 3).
“Alguns há, como Anaximandro entre os antigos, que afirmam que ela [a Terra] se
mantém imóvel devido ao seu equilíbrio. Pois força é que aquilo que está
colocado ao centro, e está a igual distância dos extremos, de modo algum se
desloque mais para cima ou para baixo ou para os lados; e é-lhe impossível
mover-se simultaneamente em direções opostas, pelo que se mantém fixa, por
necessidade. (Aristóteles de caelo B 13, 295 b 10
124 A Terra está suspensa no ar, sem que nada a segure, mas mantém-se firme
pelo facto de estar a igual distância de todas as coisas. Hipólito Re f . i, 6, 3
Os corpos celestes nascem como círculos de fogo separados do fogo
do mundo, e cercados de ar. Há respiradouros, determinadas
aberturas como as da flauta, aos quais aparecem os corpos celestes;
consequentemente, os eclipses dão-se, quando os respiradouros são
obstruídos. A Lua é vista ora a aumentar, ora a diminuir consoante a
obstrução ou abertura dos canais. (Hipólito Ref. I, 6, 4-5).
Anaximandro [diz que o Sol] é um círculo 28 vezes maior do que a
Terra, como a roda de um carro com o aro oco e cheio de fogo, e que
deixa ver o fogo num dado ponto, através de uma abertura, como se
fosse através da tubuladura de um fole. (Écio II, 20, 1)
Anaximandro [diz] que o Sol é igual à Terra, mas que o seu
círculo, no qual tem o seu respiradouro e pelo qual é levado
em redor, é 27 vezes maior do que a Terra. (Écio II, 21, 1)
Anaximandro [diz que os corpos celestes] são
transportados pelos círculos e esferas em que cada um
deles se desloca. (Écio II, 16, 5)
FENÓMENOS METEOROLÓGICOS
Os ventos produzem-se, quando os vapores mais subtis do ar se
separam e quando são postos em movimento por congregação; a
chuva resulta da exalação que se eleva das coisas que estão ao sol, e
o relâmpago origina-se sempre que o vento se desencadeia e fende
as nuvens. (Hipólito Ref. I, 6, 7)
(Acerca dos trovões, relâmpagos, raios, redemoinhos e tufões).
Anaximandro diz que todos estes fenómenos acontecem como
resultado do vento: pois, sempre que este é encerrado numa nuvem
densa e depois irrompe para fora dela à força, graças à sua subtileza e
leveza, então o rebentamento produz o estrondo, ao passo que a
fenda em contraste com o negrume da nuvem produz o clarão.( Ecio
III, 3, 1-2)
Previsão: A terra secará como marte está
seco
É que, em primeiro lugar, toda a área em redor da Terra é húmida,
mas ao ser enxuta pelo Sol, a parte que é exalada produz os ventos
e as revoluções do Sol e da Lua, segundo dizem, ao passo que a que
fica é mar; por isso, pensam eles que o mar está efetivamente a
diminuir devido ao facto de estar a secar, e que um dia acabará por
ficar completamente seco.,. desta opinião foram Anaximandro e
Diógenes
TEORIA BIOLÓGICA DE ANAXIMANDRO: A
EVOLUÇÃO
Anaximandro disse que os primeiros seres vivos nasceram na
humidade, envoltos em cascas espinhosas; e que, com o avanço da
idade, se mudaram para a parte mais seca e que, depois de a casca
ter estalado, levaram, por um curto espaço de tempo, um género de
vida diferente. (Ecio v, 19, 4).
Demais, ele diz que no começo o homem nasceu de seres de uma
espécie diferente; porquanto os outros seres em breve se sustentam
a si próprios, ao passo que só o homem carece de amamentação
prolongada. Por esta razão, ele não teria sobrevivido, se tivesse sido
esta a sua forma original. ( Pseudoplutarco Strom. 2)
Os seres vivos geraram-se da humidade evaporada pelo Sol.
Inicialmente, o homem era semelhante a um outro animal — isto é,
ao peixe. (Hipolito Ref I, 6, 6).
Anaximandro a primeira tentativa, de que
temos conhecimento, para explicar
racionalmente a origem do homem, e bem
assim a do mundo.
ANAXÍMENES DE MILETO
Anaxímenes (588-524 a.C)
Admitia que a origem é
indeterminada, mas não acreditava
em seu caráter oculto.
Tentou uma possível conciliação entre
as concepções de Tales e as de
Anaximandro.
concluiu ser o ar o princípio de todas
as coisas.
Anaxímenes de Mileto, filho de
Anaxímenes (588-524 Eurístrato, foi discípulo de Anaximandro;
a.C) alguns há que afirmam que foi também
discípulo de Parménides. Disse ele que o
princípio material era o ar e o infinito; e
que os astros se movem, não por baixo
da Terra, mas em redor dela. Empregou a
língua iónica, por forma simples e
concisa. Segundo afirma Apolodoro,
encontrava- se em atividade por ocasião
da tomada de Sardes, e morreu na 63.a
Olimpíada. (Diógenes Laércio II, 3)
O ARCHÉ EM ANAXÍMENES: O AR
«O ar é a substância originadora e a forma básica da matéria;
muda por condensação e rarefação» (Anaxímenes).
Anaxímenes de Mileto, filho de Eurístrato, que foi companheiro de
Anaximandro, diz ainda, tal como este, que a natureza subjacente é una e
infinita, mas não indefinida, como afirmou Anaximandro, mas definida,
porquanto a identifica com o ar; e que ela difere na sua natureza substancial
pelo grau de rarefação e de densidade. Ao tornar-se mais subtil transforma-
se em fogo, ao tornar-se mais densa transforma-se em vento, depois em
nuvem, depois (quando ainda mais densa) em água, depois em terra, depois
em pedras; e tudo o mais provém destas substâncias. Ele admite também o
movimento perpétuo, e que é também através dele que se verifica a
mudança. (Teofrasto ap. Simpiicium in Phys. 24, 26)
Anaxímenes ... disse que o ar infinito era o princípio, do qual provêm todas
as coisas que estão a gerar-se, e que existem, e que hão-de existir, e os
deuses e as coisas divinas, e o resto proveniente dos seres por ele
produzidos. A forma do ar é a seguinte: quando ele é muito igual, é
invisível à vista, mas é revelado pelo frio e pelo calor e pela humidade e
pelo movimento. O ar está sempre em movimento: é que as coisas que
mudam, não mudam a menos que haja movimento. Com o aumento da
densidade ou da rarefação, o ar toma diferentes aspetos; pois, quando se
dissolve no que é mais subtil, toma-se fogo, ao passo que os ventos são,
por sua vez, ar condensado, e a nuvem é produzida a partir do ar por
compressão. Quando se condensa ainda mais, produz-se a água; com um
maior grau de condensação produz-se a terra, e quando condensado ao
mais alto grau, as pedras. Donde resulta que os componentes com maior
influência na geração são contrários, a saber, o calor e o frio (Hipólito Ref.
I, 7, 1)
CRÍTICA DE ANAXÍMENES A ANAXIMANDRO
O AR É INFINITO NÃO HÁ CONTRÁRIOS
Para Anaxímenes, o ar era, Anaxímenes parece, à primeira
também, indefinidamente vasto vista, ter abandonado o
em extensão — rodeava todas princípio da oposição geral no
as coisas e foi, assim, descrito mundo.
como apeiron, infinito, por É deste modo ter-se-á mesmo
Teofrasto. libertado dos motivos
metafóricos, da injustiça e da
retribuição, no tocante à
transformação natural em
Anaximandro
OS ACIDENTES DA SUBSTÂNCIA O AR É DIVINO
... ou como o velho Anaxímenes Anaxímenes [diz que] o ar [é
pensava, não deixemos nem o um deus]: importa entender, no
frio nem o quente como caso de tais descrições, as
pertencentes à substância, mas forças que penetram
como disposições comuns da inteiramente os elementos ou
matéria que sobrevêm às corpos (Écio I, 7, 13) .
mudanças
COSMOLOGIA DE ANAXÍMENES: OS CORPOS
CELESTES SÃO FÍSICOS
….e todas as coisas são produzidas por uma espécie de condensação,
e depois por rarefacção, dele [sc. do ar]. O movimento existe, de
facto, desde todo o sempre; ele diz que, quando o ar se comprime,
logo se gera a Terra, a primeira de todas as coisas, completamente
plana — por isso, e consequentemente, ela é levada pelo ar; e o Sol e
a Lua e os demais corpos celestes têm na terra a origem do seu
nascimento. Pelo menos, ele declara que o Sol é terra, mas que,
devido à rapidez do seu movimento, obtém calor bastante.
(Pseudoplutarco Strom. 3)
Eudemo (?), na sequência de 76 (D K 13 a 16), atribui a Anaxímenes a
descoberta de que a Lua brilha por meio de luz refletida.
XENÓFANES DE CÓLOFON
XENÓFANES DE CÓLOFON: UMA BIOGRAFIA
“Xenófanes de Cólofon, filho de Déxio ou, no dizer de Apolodoro, de
Ortómenes ... após ter sido expulso da pátria, passou a viver em Zancle,
na Sicília, e em Catânia ... Escreveu em verso épico, bem como elegias e
iambos. contra Hesíodo e Homero, criticando-os pelo que haviam dito a
respeito dos deuses. Mas ele próprio recitava também os seus poemas. É
fama que sustentou opiniões contrárias às de Tales e de Pitágoras, e que
também atacou Epiménides. Teve uma vida extremamente longa,
conforme ele próprio afirma algures: «Decorridos são já sessenta e sete
anos a espalhar o meu pensamento através da terra da Grécia; e desde
que nasci houve mais vinte e cinco a acrescentar a estes, se é que eu
seifalar com verdade destas coisas.» ... E atingiu a sua plenitude na 60ª
Olimpíada.” (Diogenes Laércio ix, 18 (D K 21 a 1)
Xenófanes, ao contrário dos Milésios, escreveu em verso; e da sua
obra subsiste um certo número de fragmentos.
Os pormenores da vida de Xenófanes são ainda mais incertos.
Nascido e criado na Jónia, e obviamente familiarizado com as
tendências do pensamento jónio, foi forçado a abandonar a pátria na
juventude, e desde então levou uma vida errante, principalmente,
talvez, na Sicília; a sua ligação com Eleia pode ter sido uma invenção
tardia . Foi poeta e sábio, cantor das suas próprias composições.
FUNDADOR DA ESCOLA ELEÁTICA
XENÓFANES VERSUS PARMÉNIDES
A TEORIA DO UNO
“Com efeito, Parménides parece A relação entre Xenófanes e
aderir ao que é uno segundo a Parménides depende
razão, Melisso, por sua vez, ao que
é uno segundo a matéria; por isso, o manifestamente da semelhança
primeiro diz que ele é limitado, o superficial entre a divindade
segundo, que é ilimitado. Mas una e imóvel do primeiro, e a
Xenófanes, o primeiro dentre estes esfera imóvel do Ser do
a postular a unidade (pois é fama segundo
que Parménides foi seu discípulo),
nada esclareceu ...” Aristóteles M
et. A 5, 986 b 18 PARMÉNIDES XENÓFANES
ESPECIFICIDADE DA INVESTIGAÇÃO DE
XENÓFANES
“era um só ou que a totalidade do Xenófanes era um poeta com interesses
especulativos, especialmente sobre a religião
que existe era una (nem limitada, e os deuses, que o levaram a reagir contra
nem ilimitada, nem em movimento, Homero, arquétipo dos poetas
nem em repouso); e Teofrasto está
de acordo em que o registo da Os ataques que dirigiu contra a teologia homérica
opinião de Xenófanes diz antes devem ter tido uma influência profunda, tanto
respeito a um domínio de sobre o homem comum, que ouvia os seus poemas,
como sobre outros pensadores
investigação diferente do da
filosofia da natureza. (Cf. 165
Simplício in Phys.)
XENÓFANES E OS SEUS P OEM A S
«OLHARES DE ESGUELHA»
Alguns dos fragmentos de Xenófanes chegados até nós são em metro
elegíaco, outros em hexâmetros.
Xenófanes, ao contrário de Anaxímenes ou Heraclito, não estava
particularmente empenhado em dar uma explicação compreensiva
do mundo natural.
Os fragmentos de teologia e de física subsistentes de Xenófanes são
em hexâmetros.
É possível que tenha havido uma coleção separada de canções em
elegíacos, para serem cantadas em banquetes de Xenófanes.
T E O L O G IA DE XENÓFANES
CONTRA O ANTROPOMORFISMO RELIGIOSO
(i) Ataques contra (a ) a imoralidade, e contra (b ) a natureza
antropomórfica dos deuses da religião convencional “Mas se os bois e os
cavalos ou os leões
“Homero e Hesíodo atribuíram tivessem mãos ou fossem
aos deuses tudo quanto entre capazes de, com elas,
Mas os mortais desenhar e produzir
os homens é vergonhoso e imaginam que os obras, como os homens,
censurável, roubos, adultérios e deuses foram gerados e os cavalos desenhariam
mentiras recíprocas.” Fr, 11, Sexto as formas dos deuses
que têm vestuário e semelhantes à dos
adv. math. ix, 193
fala e corpos iguais aos cavalos, e os bois à dos
Os Etíopes dizem que os seus deuses seus. bois, e fariam os seus
são de nariz achatado e negros, os corpos tal como cada um
Fr. 14, Clemente Strom, v,
deles o tem”.
Trácios, que os seus têm os olhos 109, 2
claros e o cabelo ruivo. Fr. 16, Clemente
Strom, vii, 22, 1
CRÍTICAS DE XENÓFANES Á RELIGIÃO
As críticas de Xenófanes são bastante claras:
(1) em primeiro lugar, os deuses de Homero e
Hesíodo são com frequência imorais — o que é
manifestamente verdade;
(2) em segundo lugar, e ainda mais importante,
não há nenhuma boa razão para pensar que os
deuses sejam de modo algum antropomórficos
(ii) Teologia construtiva: O DEUS DE XENÓFANES
Um só deus, o maior entre os
deuses e os homens, em nada Permanece sempre no
semelhante aos mortais, quer no mesmo lugar, sem se
corpo quer no pensamento. mover; nem é próprio
dele ir a diferentes lugares
Fr. 23, Clemente Strom. v, 109, 1 em diferentes ocasiões,
mas antes, sem esforço,
Todo ele vê, todo ele pensa, e todo ele tudo abala com o
ouve. Fr. 24, Sexto adv. math. IX, 144 pensamento do seu
espírito. Fr. 26 + 25, Simplício in
Phys. 23, 11 + 23, 20
CONCEPÇÃO DO DEUS DE XENÓFANES E
CONSEQUÊNCIAS FILOSÓFICAS
Não só é impróprio do deus mover-se, como o movimento é
efetivamente desnecessário, pois o deus «tudo abala com o ativo arbítrio
proveniente do seu discernimento».
Foi provavelmente devido à sua unidade imóvel que o deus de Xenófanes
foi identificado com o Ser de Parménides, e absorveu mais tarde algumas
das suas propriedades.
Xenófanes pode tê-lo descrito como «semelhante em tudo» em Tímon
(fr. 59, D K 21 a 35), visto esta ideia estar implícita na sua totalidade.
Xenófanes chegou ao conceito do deus uno por reação contra o
politeísmo antropomórfico de Homero; Parménides chegou à esfera do
Ser por uma inferência lógica a partir de um axioma puramente
existencial.
FÍSICA: O universo infinito de Xenófanes
“Xenófanes disse que há muitos sóis e luas segundo
as regiões, as secções e as zonas da Terra, e que em
certos momentos o disco é banido para uma secção
da Terra não habitada por nós, e deste modo,
deslocando-se, por assim dizer, no nada, produz um
eclipse. É ainda ele quem afirma que o Sol se desloca
ad infinitum, mas parece mover-se num círculo
devido à distância.”
Écio H, 24, 9
TEORIA DO CONHECIMENTO
O CONHECIMENTO HUMANO É LIMITADO:
“Ninguém conhece, ou jamais conhecerá., a verdade sobre os
deuses e sobre tudo aquilo de que falo: pois, ainda que, por
acaso, alguém dissesse toda a verdade, mesmo assim não se
daria conta disso; mas a aparência está forjada sobre todas
as coisas [ou a fantasia está forjada no caso de toda a
humanidade].”
Fr. 34, Sexto adv, math. vit, 49 e 110, cf. Plutarco Aud. poet. 2, 17 E
A VERDADE É UM CAMINHO: LABIRINTO
“Considere-se isto parecido “Contudo, não foi desde o
com a verdade ...” ( Fr. 35, início que os deuses tudo
Plutarco Symp. IX, 7, 746 b) revelaram aos mortais: mas é
a investigar que estes com o
tempo descobrem o que é
melhor” (Fr. 18, Estobeu Anth.
Se deus não tivesse criado o i, 8, 2).
louro mel, os homens achariam
os figos bem mais doces. (Fr. 38,
Herodiano n. pov. XéÇ. 41, 5)
HERACLITO DE ÉFESO
BIOGRAFIA DE HERÁCLITO
“Heraclito de Éfeso, filho de Blóson (ou, no dizer de alguns, de Héracon).
Atingiu a sua plenitude na 69.a Olímpíada. Foi excepcionalmente altivo e
arrogante, como claramente se vê também pelo seu livro, onde diz: «O
muito aprender não ensina a ter inteligência; se assim fosse, teria
ensinado Hesíodo e Pitágoras, e ainda Xenófanes e Hecateu» ... Acabou
por se converter num misantropo, retirou-se do mundo e foi viver para as
montanhas, e aí se alimentava de ervas e plantas. Contudo, tendo por
este modo adoecido de hidropisia, desceu à cidade e perguntou aos
médicos, por forma enigmática, se eram capazes de converter em
estiagem o tempo chuvoso. Como eles não entendessem, enterrou-se
num estábulo de bois, na esperança de que a hidropisia se evaporasse
com o calor do estrume; mas nem assim ele conseguiu alguma coisa, e
findou os seus dias com a idade de sessenta anos. (Diógenes Laércio ix , 1
(D K 22 a 1))
ACERCA DAS DOXOGRAFIAS SOBRE
HERACLITO. (P.189)
Diógenes informa-nos também de que Heraclito se recusou a fazer
leis para os Efésios, preferindo brincar com as crianças no templo de
Ártemis.
Por exemplo, a sua extrema misantropia A maioria destas histórias baseia-
é deduzida das criticas que dirigiu contra se em bem conhecidos ditos de
a maioria dos homens (e.g. 194), o seu Heraclito; muitas delas tinham por
vegeterianismo, de uma referência à fim ridicularizá-lo, e foram
poluição do sangue em 241, e a inventadas com intuitos maliciosos
hidropisia que o vitimou, da sua asserção por pendantes autores
«para as almas, a morte é helenísticos, ressentidos com o seu
transformarem-se em água». tom de superioridade.
HERACLITO – «O OBSCURO»
Heraclito foi conhecido como um
obscuro proponente de enigmas, Os únicos pormenores sobre a vida de
o que lhe teria custado a vida, já Heraclito, que talvez possamos aceitar com
que os médicos, que parece segurança, são: que ele viveu em Éfeso, que
criticar no fr. 58 (p. 195, nada descendia de uma antiga família
fizeram para o salvar. aristocrática, e que não manteve boas
relações com os seus concidadãos.
Tímon de Fliunte, autor satírico do século No período romano, foi a de «filósofo chorão».
terceiro a.C., apelidou Heraclito de «aquele que Este último juízo é absolutamente trivial e
se exprime por enigmas» (Diógenes L.ix, 6). baseia-se, em parte, nas referências
Esta crítica, legítima, ao seu estilo deu origem, humorísticas à ideia de que todas as coisas
mais tarde, ao epíteto quase invariável de correm como rios (cf. e.g. Platão Crát. 440 C, os
obscurus em latim (Cícero de fin ibus que acreditam no devir são como pessoas com
H, 5, 15, etc.). catarro),
«Sobre a Natureza» - a obra de Heraclito
O livro a ele atribuído chama-se «Sobre a Natureza», com base
no seu conteúdo principal, e divide-se em três discursos: D o
Universo, Da Política e Da Teologia. Dedicou-o e colocou-o no
templo de Ártemis, segundo a opinião de alguns, tendo
propositadamente escrito de maneira bastante obscura, a fim
de que só as pessoas de prestígio e influência tivessem acesso a
ele, e não fosse facilmente menosprezado pela populaça ... A
obra teve uma tal reputação, que dela surgiram discípulos
chamados Heraclíticos.
Diógenes Laércio IX, 5
Diels sustentou que Heraclito não escreveu um livro propriamente dito, mas apenas deu expressão
reiterada a uma série de opiniões cuidadosamente formuladas, ou aforismos
Heráclito de Éfeso
544-484 a.C
Concebia a realidade do mundo
como algo dinâmico, em
permanente transformação.
A vida era impulsionada pela luta
das forças contrárias.
É pela luta dessas forças que o
mundo se modifica e evolui.
Luta dos contrários
Belo e feio Alegria e a tristeza
Bem e mal
A guerra é harmonia
Nada existira sem o seu oposto.
Saúde e doença
só a mudança e o movimento são reais
identidade das coisas iguais a si mesmas é ilusória
Nessa dualidade, que é uma guerra, no fundo é harmonia entre os
contrários
O que mantém o fluxo do movimento é a luta dos contrários, pois “a
guerra é pai de todos, rei de todos”
Doutrina dos contrários
O ser é múltiplo, por estar constituído de oposições internas.
a forma do ser é devir pelo qual todas as coisas são sujeitas ao tempo
e à sua relativa transformação
Heráclito chamou seu princípio de logos, que significa regra segunda
a qual todas as coisas se realizam e lei comum que a todos governa–
incluiu racionalidade e inteligência.
Devir- vir a ser
“Nunca nos banhamos duas vezes no mesmo rio”, pois na segunda
vez não somos os mesmo, e também o rio mudou.
Escola itálica
Pitágoras
Filolau
Arquitas.
Pitágoras de Samos
(570-490 a.C.)
Fundador de poderosa sociedade de
caráter religioso e filosófico -
Sociedade pitagórica
As contribuições da escola pitagórica
são encontradas matemática, música
e astronomia.
Número
a essência de todas as coisas
reside nos números, os quais
representam a ordem e a
harmonia.
Filolau
Discípulo de Pitágoras, segue a
doutrina pitagórica.
Arquitas de Tarento
Representante da escola pitagórica
de grande destaque
um dos responsáveis por mudanças
fundamentais na matemática do
quinto século antes de Cristo.
Escola Eleata
Parmênides
Zenão.
Parmênides de Eléia: o ser é imóvel
(540-470 a.C.)
o principal expoente da
chamada escola eleática.
critica a filosofia heraclitiana.
ao “tudo flui”, contrapõe a
imobilidade do ser.
Arché- “o ser é”
Defendia a existência de dois caminhos para a compreensão da
realidade – expressou esse pensamento no poema Sobre a Natureza.
caminho da razão, que permite encontrar a Verdade, imutável e
perfeita (épistêmê)
o dos sentidos, ou da Opinião (doxa) que só nos permite conhecer as
aparências das coisas, confusas e contraditórias
O ser e o não ser
O caminho da verdade nos leva a compreender que:
“o ser é” - e o “não ser não é” - o não ser não pode ser conhecido.
O ser, portanto, é e deve ser afirmado, o não-ser não é e deve ser
negado, e esta é a verdade
o ser é a única coisa pensável e exprimível
o ser é único, imutável, incriado e eterno.
Mundo sensível e mundo inteligível
o movimento existe apenas no mundo sensível, e a percepção pelos
sentidos é ilusória.
Só o mundo inteligível é verdadeiro, pois está submetido ao princípio
que hoje chamamos de identidade e de não-contradição.
Uma das conseqüências dessa teoria é a identidade entre o ser e o
pensar:
o que não conseguir pensar não pode ser na realidade.
Penso, logo sou!
Descartes
Zenão
o que se move sempre está no mesmo
agora
Tenta demonstrar que a própria noção
de movimento era inviável e
contraditória
paradoxo de Zenão, que se refere à
corrida de Aquiles com uma tartaruga
Aquiles e a tartaruga
Zenão sabia que Aquiles
pode alcançar a tartaruga.
ele pretendia demonstrar
as conseqüências
paradoxais de encarar o
tempo e o espaço como
constituídos por uma
sucessão infinita de pontos
e instantes individuais
consecutivos
Isso demonstram as dificuldades por que passou o pensamento
racional para compreender conceitos como :
movimento, espaço, tempo e infinito
Escola pluralista
Empédoclis de Agrigento: água, fogo, ar e terra.
Anaxágoras de Clazómena
Leucipo de Abdera
Demócrito de Abdera
Empédoclis de Agrigento
arché: água, fogo, ar e terra.
elementos são movidos e misturados
de diferentes maneiras em função
de dois princípios universais opostos
Amor (philia, em grego) – responsável pela força de atração e união e
pelo movimento de crescente harmonização das coisas;
>ódio (neikos, em grego) – responsável pela força de repulsão e
desagregação e pelo movimento de decadência, dissolução e
separação das coisas.
Aceitava de Parmênides a racionalidade que afirma a existência e
permanência do ser
procurava encontrar uma maneira de tornar racional os dados
captados por nossos sentidos.
Anaxágoras de Clazómena
propôs, um princípio que atendesse
tanto às exigências teóricas do "ser"
imutável, quanto à contestação da
existência das múltiplas
manifestações da realidade.
faz da multiplicidade o principal
objeto do seu pensamento,
manifestando-se acerca da natureza
do múltiplo:
Arché: nous
Nous:a força motriz que formou o mundo a partir do caos original,
iniciando o desenvolvimento do cosmo.
é ilimitado, autônomo e não misturado com nada mais,
age sobre as homeomerias (sementes) ordenando-as e constituindo o
mundo sensível
Homeomerias: sementes que dão origem a realidade na pluralidade de
manifestações
Leucipo de Abdera
Primeiro professor da escola
atomista.
Não se tem muito informação
sobre ele.
Demócrito de Abdera
(430-370)
Responsável pelo desenvolvimento do
atomismo
todas as coisas que formam a realidade
são constituídas por partículas invisíveis
e indivisíveis
Para ele, o átomo seria o equivalente ao conceito de ser em
Parmênides.
Tudo tem uma causa. E os átomos são a causa última do mundo.
Questões
01) (UFSJ-2010)Na busca do conhecimento, os filósofos da segunda
metade do século VI a.C. identificaram um “princípio unificador da
natureza”. Marque a alternativa que CORRETAMENTE explicita tal
afirmação.
a) Para Aristóteles “o primeiro motor” ; para Heráclito “o logos”; para
Anaxágoras “o nous”.
b) Para Parmênides “o ser”; para Heráclito “o logos”; para Anaxágoras
“o nous”.
c) Para Parmênides “o ser”; para Anaxágoras “o logos”; para Platão “o
mundo das ideias”; para Aristóteles “o primeiro motor”.
d) Para Parmênides “o ser”; para Anaxágoras “o logos”; para Platão “o
demiurgo”; para Aristóteles “a phisis”.
2(UfU-1ª fase janeiro de 1999) Parmênides de Eléia,
filósofo pré socrático, sustentava que:
I- o ser é
II- o não-ser não é
III- o ser e o não-ser existem ao mesmo tempo
IV o ser é pensável e o não-ser é impensável
Assinale:
A) se apenas I, III e IV estiverem corretas
B) se apenas I, II e III estiverem corretas
C) se apenas II, III IV estiverem corretas
D) se apenas I, II e IV estiverem corretas
E) se todas as afirmativas estiverem corretas