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Esboço de Curvas com Maple: Guia Prático

Este documento apresenta três maneiras de descrever curvas matematicamente: definições explícitas, implícitas e paramétricas. Ele também mostra como utilizar o software Maple para visualizar curvas descritas de diferentes formas, incluindo gráficos de funções, conjuntos de nível e imagens de funções paramétricas.
Direitos autorais
© Attribution Non-Commercial (BY-NC)
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Esboço de Curvas com Maple: Guia Prático

Este documento apresenta três maneiras de descrever curvas matematicamente: definições explícitas, implícitas e paramétricas. Ele também mostra como utilizar o software Maple para visualizar curvas descritas de diferentes formas, incluindo gráficos de funções, conjuntos de nível e imagens de funções paramétricas.
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Uma Introducao ao Esboco de Curvas Usando o Maple

Heloisa Bauzer Medeiros


1
UFF Inst. de Matematica GMA
Maria Lucia da Silva Menezes
2
UFF Inst. de Matematica GMA
1
[email protected]
2
[email protected]
1
Sumario
1 Apresentacao 3
2 CURVAS 3
2.1 Curvas no Plano: denic oes explcitas, implcitas e parametricas. 3
2.2 Curvas no Plano: variando parametros. . . . . . . . . . . . . . 11
2.3 Um pouco mais sobre curvas de nvel . . . . . . . . . . . . . . 12
2.4 Curvas no Plano: interpolando pontos . . . . . . . . . . . . . 16
2.5 Curvas no Espaco: denicao parametrica e explcita . . . . . . 25
2.6 Curvas Parametrizadas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
2
1 Apresentacao
Este trabalho e dirigido principalmente aos estudantes de calculo de varias
variaveis. Seu objetivo e servir como guia de utilizacao do software Maple
para visualizac ao de curvas no plano e no espaco.
Softwares gracos sao ferramentas de utilidade inquestionavel no estudo
do calculo de varias vari aveis. Entretanto, nao se pode esperar (nem mesmo
desejar) que para utilizalos os estudantes devam se tornar especialistas no
uso da interface de tal ou qual pacote computacional. Por esta razao este
texto esta sendo escrito. Esperase que sirva como guia para que qualquer
estudante possa utilizar o Maple, sem diculdades, para visualizar curvas.
Oportunamente, este trabalho tera prosseguimento para a visualizac ao de
superfcies.
Embora alguns resultados e denicoes teoricos sejam mencionados aqui,
ressaltamos que este trabalho nao e e nao pretende ser material bibliograco
para o aprendizado de calculo. De fato, e nossa conviccao de que os estu-
dantes devem ser estimulados a estudar em livros de qualidade reconhecida,
editados por boas editoras (alguns dos quais estao citados aqui) e de modo
algum este texto se propoe a substituir ou desestimular o uso destas fontes.
As referencias citadas sao, em sua maioria, compostas por textos classicos
de calculo. Muito materia mais recente (embora nao necessariamente me-
lhor) pode ser encontrado na internet e em bibliotecas. Todavia, preferimos,
por ora, apostar no que ja foi consagrado (e corrigido) pelo tempo como in-
dicac ao inicial. Ademais, procuramos indicacoes bibliogracas que possam
ser facilmente encontradas em bibliotecas.
2 CURVAS
2.1 Curvas no Plano: denicoes explcitas, implcitas
e parametricas.
No presente contexto vamos chamar de curva a qualquer tracado no plano ou
no espaco (R
2
ou R
3
) que lembre a gura de um barbante deformado. Isto
e, a palavra curva esta usada no seu sentido mais intuitivo. Para estudar
curvas devemos ter em mente as seguintes perguntas essenciais:
Como descrever matematicamente uma curva? Isto e: suponha que
voce conheca um tracado. Que ferramentas a matematica dispoe para
3
a descric ao precisa desta gura?
Conhecida a descricao matematica de uma curva, como podemos ter
uma ideia de seu aspecto? Em particular, estamos interessados em
saber como utilizar o software Maple para isso.
Nosso estudo tem a primeira pergunta como ponto de partida e sera
desenvolvido atraves de exemplos.
Considere o desenho da gura 1.
Figura 1: Os pontos desenhados satisfazem a propriedade de que a segunda
coordenada e igual ao quadrado da primeira
Vamos discutir maneiras distintas de descrever esta curva, que chamare-
mos .
A forma mais conhecida de pensar nesta curva e descreve-la como graco
da func ao f(x) = x
2
, x R. Mas esta nao e a unica maneira e, dependendo
da aplicac ao, talvez nao seja a mais conveniente. Considere, por exemplo, a
func ao:
F : R R R
(x , y) y x
2
Observe agora que a curva e o conjunto de nvel 0 da func ao F, o que
signica, em especial, que e um subconjunto do domnio de F (e
fundamental que se observe aqui que nao e o graco de F.) Assim, temos
uma outra forma de denir esta curva, atraves de uma funcao: armando
que e o conjunto de nvel 0 da func ao F.
4
Uma terceira maneira de descrever a mesma curva seria pensar em uma
func ao g(t) como denida a seguir:
g : R R R
t (t , t
2
)
Desta vez, a curva e imagem da func ao g. Mais uma vez, ressaltamos que
nao e o graco de g.
Usando o Maple
Exemplo 1. Podemos utilizar o Maple para exibir a curva e, dependendo da
forma como estiver denida, o software deve ser usado de modo diferente.
Quando a curva e denida como graco de uma funcao, e.g., f(x) = x
2
,
fazemos assim:
[ > plot( x 2, x = 2..2, y = 0.5..4.5);
Observacao: existem duas maneiras de escrever uma potencia no Maple: di-
gite base, acento circunexo (como acima) seguido do expoente; ou digite
base, asterisco,asterisco e expoente (como a seguir). Assim, x
2
dever ser di-
gitado como x 2 ou x 2.
No exemplo 1, utilizamos a maneira mais simples, deixando a cargo do
Maple as escolhas de cor, espessura, marcas nos eixos e escalas. Entretanto,
especicamos o domnio e o contra-domnio. Na gura 1, para obter um
desenho mais bonitinho, exigimos que a espessura fosse o triplo do normal
(thickness=3 ) e escolhemos os pontos a serem ressaltados nos eixos x e y:
[ > plot(x 2, x = 2..2, y = 0.5..4.5, xtickmarks=[-2,
-1, 1, 2], ytickmarks=[1, 4], thickness=3, color=red);
Quando a curva e denida como um conjunto de nvel, por exemplo,
F(x, y) = 0, lancamos mao do comando implicitplot:
[ > with(plots):
[ > implicitplot(y x 2 = 0, x = 2..2, y = 0.5..4.5, xtickmarks=[-2, -1, 1, 2],
ytickmarks=[1, 4], thickness=3, color=blue);
5
Note que primeiro usamos o comando with(plots) , que chama um dos
pacotes gracos do Maple. Observe, tambem, que terminamos o comando
com dois pontos. No Maple, qualquer comando deve ser encerrado com ponto
e vrgula ou dois pontos. No primeiro caso, o Maple executa o comando e
exibe a resposta; no segundo, o Maple executa o comando mas nao informa
a resposta. Se terminassemos o comando with(plots) com ponto e vrgula,
veramos:
Warning, the name changecoords has been redened
[ animate, animate3d, animatecurve, arrow, changecoords, complexplot, complex-
plot3d, conformal, conformal3d, contourplot, contourplot3d, coordplot, coordplot3d,
cylinderplot, densityplot, display, display3d, eldplot, eldplot3d, gradplot, grad-
plot3d, graphplot3d, implicitplot, implicitplot3d, inequal, interactive, interactivepa-
rams, listcontplot, listcontplot3d, listdensityplot, listplot, listplot3d, loglogplot, log-
plot, matrixplot, multiple, odeplot, pareto, plotcompare, pointplot, pointplot3d, po-
larplot, polygonplot, polygonplot3d, polyhedra supported, polyhedraplot, replot, roo-
tlocus, semilogplot, setoptions, setoptions3d, spacecurve, sparsematrixplot, sphere-
plot, surfdata, textplot, textplot3d, tubeplot ]
Finalmente, quando a curva e denida como a imagem de uma funcao,
por exemplo, g(t) = (t, t
2
), fazemos
[ > plot([t, t 2, t = 2..2], xtickmarks=[-2, -1, 1, 2],
ytickmarks=[1, 4], thickness=3, color=magenta);
Figura 2: x
2
, y x
2
= 0, (t, t
2
)
6
Vale notar que, via de regra, as rotinas disponveis nos pacotes compu-
tacionais para esboco de conjuntos denidos implicitamente costumam a ser
menos precisas que aquelas indicadas para plotar gracos. Por esta razao,
em geral se tenta, sempre que possvel, denir as curvas como gracos. Aqui,
esbocamos y = x
2
como conjunto de nvel apenas para exemplicar.
Para rmar um pouco mais os conceitos, vamos usar o Maple em mais
dois exemplos, ate certo ponto, analogos ao primeiro.
Exemplo 2. Observe a gura 3
Figura 3: A segunda coordenada e o seno da primeira
Mais uma vez, podemos descrever a curva como graco da funcao f(x) =
sen(x), x [, ] ou como conjunto de nvel de:
F : R R R
(x , y) y sen(x)
Ou como imagem de
g : R R R
t (t , sen(t))
Usamos o Maple como exemplicado a seguir.
Dessa vez, comecamos denindo a func ao seno, via:
[ > f := x > sin(x);
Agora fazemos:
7
[ > plot(f(x), x = Pi..Pi, y = 1.2..1.2, xtickmarks =
[-3, 3], ytickmarks = [-1, 1], thickness=3, color=red);
(infelizmente, nao e possvel usar como marca no eixo x)
ou
[ > with(plots):
[ > implicitplot( y f(x) = 0, x = Pi..Pi, y =
1.2..1.2, xtickmarks=[-3, 3], ytickmarks=[-1, 1], thick-
ness=3, color=blue);
Note que a gura obtida usando o comando implicitplot ( 5 ) parece muito
mais grosseira que a Figura 4 (observe o ponto (/2, 1). Isso acontece porque
o Maple tem mais diculdade para trabalhar com esse tipo de descric ao de
curvas. Para melhorar a situacao, pedimos ao Maple que use mais pontos ao
tracar esse graco (numpoints=4000), obtendo a gura 6.
[ > with(plots):
[ > implicitplot(y f(x) = 0, x = Pi..Pi, y =
1.2..1.2, xtickmarks=[-3, 3], ytickmarks=[-1, 1], thick-
ness=3, color=blue,numpoints=4000);
Finalmente, fazemos
[ > plot([t, f(t), t = Pi..Pi], xtickmarks=[-3, 3],
ytickmarks=[-1, 1], thickness=3, color=magenta);
para obter a gura 7.
Quando um conjunto e descrito como graco de uma func ao f, dizemos
que ele esta descrito explicitamente . Se um conjunto e conjunto de nvel de
uma func ao, dizemos que ele esta descrito implicitamente.No caso do con-
junto ser imagem de uma funcao a descricao e dita parametrica. Compre-
ender bem estas diferencas e fundamental para um entendimento (ainda que
introdutorio) do calculo de varias vari aveis. O assunto esta bem desenvolvido
em [?]ou [?].
Observe que, dependendo da forma como o conjunto e descrito, o Maple
deve ser usado de uma maneira diferente.
8
Figura 4: graco de f(x) Figura 5: {y f(x) = 0}
Figura 6: {y f(x) = 0} Figura 7: {(t, f(t))}
Exemplo 3. Considere agora a gura 8.
Esta curva nao pode ser descrita como graco (tente entender por que e, se
nao entender, pergunte) mas tem descric oes implcita e parametrica. Varias
func oes tem este crculo como conjunto de nvel. Por exemplo:
F
1
: R R R
(x , y) x
2
+ y
2
ou
F
2
: R R R
(x , y) e
x
2
+y
2
serviriam, pois o crculo e conjunto de nvel 1 de F
1
ou conjunto de nvel e
de F
2
. Neste caso, os comandos do Maple seriam:
[ > with(plots):
[ > implicitplot(x 2 + y 2 = 1, x = Pi..Pi, y =
1.2..1.2, xtickmarks=[-1, 1], ytickmarks=[-1, 1], thick-
ness=3, color=blue,numpoints=4000);
9
Figura 8: Um crculo com centro na origem e raio 1
Tambem existem descric oes parametricas como, por exemplo,
g : R R R
t (cos(t) , sen(t))
ou:
g : R R R
t (cos(3t) , sen(3t))
e neste caso, os comandos do Maple seriam:
[ > plot([cos(t), sin(t), t=0..2*Pi], xtickmarks=[-1, 1],
ytickmarks=[-1, 1], thickness=3, color=magenta);
ou
[ > plot([cos(3*t), sin(3*t), t=0..2*Pi/3], xtickmarks=[-
1, 1], ytickmarks=[-1, 1], thickness=3, color=magenta);
Ate o momento, tratamos das tres formas basicas de descrever curvas no
plano. Para rmar um pouco mais os conceitos, tente resolver os exerccios
a seguir:
Exerccio 1. Para cada uma das curvas descritas a seguir, faca:
a) Tente fazer um esboco da curva, sem usar qualquer software.
b) Procure descreve-las de maneiras distintas usando func oes .
10
c) Utilize o Maple para fazer um esboco.
i) C
1
e o graco de y = x
3
2x; x [2, 2];
ii) C
2
:= {(x, y) tais que 3xy = 2}
iii) C
3
e uma elipse interceptando os eixos x e y em 3 e 5, respectivamente
iv) C
4
:= {(x, y) tais que e
xy
= 1}
2.2 Curvas no Plano: variando parametros.
Uma questao bastante interessante aparece quando queremos vericar as al-
terac oes no aspecto de uma curva quando alguma das grandezas envolvidas
na sua denicao e alterada. Por exemplo, podemos imaginar que uma deter-
minada quantidade de lquido esta uindo no interior de um duto. Vamos
supor que a quantidade de lquido existente em um ponto x do duto, no
tempo t, e dada por uma funcao f(x, t). Seria interessante se pudessemos
representar gracamente a distribuic ao de lquido no interior do duto para
diversos valores de tempo t. Ou seja, gostaramos de xar alguns valores
de tempo t
1
, t
2
, , t
3
... e olhar para o graco da func ao f(x, t
i
). Um software
graco e uma poderosa ferramenta neste caso pois nos permite tracar facil-
mente estas curvas em um mesmo sistema de eixos e analisar o aspecto geral
da curva `a medida que t varia.
Exemplo 4. Considere f(x) = e
x
t
. Vamos usar o Maple para exibir o graco
de f para varios valores xos de t.
Figura 9: e
x
, e
x/2
, e
x/4
Para obter a gura 9 usamos o comando do Maple
11
[ > plot([exp(x), exp(x/2), exp(x/4)], x=-2..2, y=-
0.5..4.5, xtickmarks=[-2, -1, 1, 2], ytickmarks=[1, 2, 4],
thickness=3, color=[red, black, blue]);
Uma outra possibilidade e usar o comando animate do Maple que faz
uma animacao. Voce pode escolher o n umero de valores de t para fazer a
animac ao (frames=50)
[ > with(plots):
[ > animate([exp(x/t), x, x = 4..4], t = 1..4, num-
points=100, frames=50);
Exemplo 5. Como um segundo exemplo de curvas que dependem de um
parametro vamos considerar a funcao f(x, t) = x
3
tx, x R. Suponha que
queremos estudar o conjunto de pontos f(x, t) = 0.
Uma pergunta bastante importante e: que modicac oes sofre o aspecto
geral desta curva se a func ao que a descreve (f) sofrer pequenas alteracoes?
Isto e: se no lugar de estudarmos x
3
tx = 0, analisarmos x
3
tx+g(x, t) = 0
onde a funcao g(x, t) tem uma magnitude pequena em algum sentido. (Isto
e, g nao altera muito o valor de f). Este tipo de questao aparece frequencia
em areas diversas da matematica e um tratamento cuidadoso deste exemplo
pode ser achado, por exemplo, em [?]. O problema para uma func ao g(x, t)
qualquer e complicado para o nvel de profundidade que queremos neste texto,
mas vamos analisar o caso g(x, t) constante. Consideramos entao a curva,
que chamaremos de

, x
3
tx + = 0, onde e uma constante pequena.
As guras 10, 11, e 12 trazem um esboco desta curva para pequenas
variacoes de em torno de 0.
Observe que o aspecto da curva muda dramaticamente para pequenas
variacoes de em torno de 0. Em especial, notamos que em = 0 a curva
possui uma autointersecao que nao aparece para nenhum valor de = 0
nao importa quao pequeno seja. A analise completa deste tipo de questao
depende de um estudo teorico, mas o esboco computacional destas curvas,
desde que bem orientado, pode dar uma boa intuicao do problema.
2.3 Um pouco mais sobre curvas de nvel
Suponha, agora, que determinada grandeza fsica, w, dependa de uma variavel
de posicao x e uma vari avel temporal t de acordo com a formula w(x, t) =
12
Figura 10: = 0.1
Figura 11: = 0
(x3t)
2
+sen(xt)
1+(x2t)
3
. Podemos ter interesse em descobrir todos os valores de x e t
que fazem com que essa grandeza assuma um valor especco, por exemplo 0
ou 1 ou 2, etc. Em outras palavras, estaramos interessados em determinar
os conjuntos de nvel de w. O Maple e uma ferramenta poderosa para se ter
uma ideia do aspecto geral deste conjunto. Fazemos:
[ > w := (x, t) > ((x 3 t) 2 +sin(x t))/(1 +(x
2 t) 3):
[ > with(plots):
[ > contourplot(w(x, t), x = 3..3, t = 3..3, num-
points=5000, xtickmarks=[-2, -1, 1, 2], ytickmarks=[-
0.5, 1, 2], thickness=2, lled=true);
Essa desenho parece muito ruim. Compare por exemplo com a gura 14,
de curvas de nvel de v(x, t) = (x
2
+ 3y
2
)e
x
2
y
2
.
13
Figura 12: = 0.1
Figura 13: os nveis de w(x, t)
[ > v := (x, t) > (x 2 +3 y 2)exp(x 2 y 2):
[ > with(plots):
[ > contourplot(v(x, t), x = 3..3, t = 3..3, num-
points=5000, xtickmarks=[-2, -1, 1, 2], ytickmarks=[-
0.5, 1, 2], thickness=2, lled=true);
A opc ao lled=true no caso de um desenho de curvas de nvel pinta a
gura toda de modo que quanto maior o nvel mais amarelo que e quanto
menor mais vermelho.
O problema no caso da func ao w(x, t) ocorre devido a presenca de singu-
laridades em = {(x, t); x 2t = 1}. O Maple nao consegue lidar com esta
diculdade. Seria necessario que o usuario do Maple zesse uma analise do
problema, restringindo os valores de x e t ao conjunto que seria o domnio
natural de w, isto e: (x, t) R
2
. Na verdade, esboco computacional
de curvas de nvel na vizinhanca de singularidades e um problema bastante
14
Figura 14: Nveis de v
complicado e depende de uma analise de cada caso. De uma maneira geral,
os pacotes computacionais disponveis nao dao conta desta situac ao.
Este exemplo evidencia um ponto que fazemos questao de ressaltar, qual
seja: resultados produzidos por softwares matematicos devem ser analisados
cuidadosamente e sua interpretac ao correta depende fortemente do conheci-
mento matematico de quem os usa.

E possvel escolher os nveis a serem esbocados, usando a opc ao con-


tours=[lista de valores].
[ > with(plots):
[ > contourplot(v(x, t), x = 3..3, t = 3..3,
numpoints=5000, xtickmarks=[-2, -1, 1, 2],
ytickmarks=[-0.5, 1, 2], thickness=2, lled=true,
contours=[0,0.5,1,1.5,2,2.5,3,3.5]);
O Maple tambem tem o comando contourplot3d que desenha os conjuntos
de nvel levantados. Isto e, exibe a interse cao do graco da func ao com
planos f(x, y) = constante.
[ > with(plots):
[ > contourplot3d(w(x, t), x = 3..3, t = 3..3, num-
points=5000, lled=true);
[ > contourplot3d(v(x, t), x = 3..3, t = 3..3, num-
points=5000, lled=true);
15
Figura 15: Nveis de v( pre-escolhidos)
Figura 16: nveis levantados de w Figura 17: nveis levantados de v
2.4 Curvas no Plano: interpolando pontos
.
Medicoes experimentais sucessivas freq uentemente fornecem uma serie de
pontos cuja interpretac ao pode ser muito facilitada atraves da visualizac ao
graca. Suponha, por exemplo, que se mediu a temperatura de um determi-
nado objeto em diversos intervalos de tempo e se obteve a tabela a seguir:
16
tempo temper. tempo temper.
0 37 0, 5 37, 21
1 37, 25 1, 5 37, 33
2 37, 38 2, 5 37, 58
3, 0 37, 77 3, 5 37, 95
4, 0 38, 2 4, 5 38, 71
5, 0 38, 23 5, 5 38, 18
6, 0 38, 05 6, 5 37, 97
7, 0 37, 15 7, 5 36, 58
Existem duas questoes relevantes aqui. A primeira, diz respeito a como
armazenar estes dados e informa-los ao Maple.
Caso voce tenha gerado esses dados fora do Maple, voce pode montar uma
tabela no Excel, salva-la como arquivo texto (tab-delimited) (.txt), usar o
menu insert do Maple para inserir uma spreadsheet , selecionar o comando
spreadsheet , clicar em import data, escolher Tab Delimited e procurar o
arquivo .txt que voce criou e pressionar enter no seu teclado. Agora se voce
selecionar a tabela que foi criada no Maple e colar numa linha de comando
(qualquer linha que comeca com o sinal de >) aparecera uma matriz de dados.
Caso voce esteja gerando os dados no Maple, uma maneira simples de
armazenar e fazer uma tabela de tempo e temperatura, por exemplo:
[ > linalg[matrix](17, 2, [tempo, temperatura, 0, 37, 0.5,
37.21, 1, 37.25, 1.5, 37.33, 2, 37.38, 2.5, 37.58, 3, 37.77,
3.5, 3.95, 4, 38.2, 4.5, 38.71, 5, 38.23, 5.5, 38.186, 6,
38.05, 6.5, 37.97, 7, 37.15, 7.5, 36.58]);
com o resultado:
17
_

_
tempo temperatura
0 37
0.5 37.21
1 37.25
1.5 37.33
2 37.38
2.5 37.58
3 37.77
3.5 37.95
4 38.2
4.5 38.71
5 38.23
5.5 38.186
6 38.05
6.5 37.97
7 37.15
7.5 36.58
_

_
Uma outra maneira e armazena-los como uma lista:
[ > TempoTemperatura:=[[0, 37], [0.5, 37.21], [1, 37.25],
[1.5, 37.33], [2, 37.38], [2.5, 37.58], [3, 37.77], [3.5, 3.95],
[4, 38.2], [4.5, 38.71 ], [5, 38.23], [5.5, 38.186], [6, 38.05
], [6.5, 37.97 ], [7, 37.15 ], [7.5, 36.58 ]];
com o resultado:
TempoTemperatura := [[0, 37], [.5, 37.21], [1, 37.25],
[1.5, 37.33], [2, 37.38], [2.5, 37.58], [3, 37.77], [3.5, 37.95],
[4, 38.2], [4.5, 38.71], [5, 38.23], [5.5, 38.186], [6, 38.05],
[6.5, 37.97], [7, 37.15], [7.5, 36.58]]
18
A segunda questao relevante e como plotar esses dados.
Uma primeira ideia, bem ingenua, e pedir simplesmente que o Maple
esboce o graco:
[ > plot(TempoTemperatura);
Figura 18: TempoTemperatura
Quando fazemos isso, o Maple desenha segmentos de retas entre os pontos
da nossa lista. Se quisessemos apenas os pontos da lista, deveramos fazer:
[ > plot (TempoTemperatura, style=point):
Figura 19: TempoTemperatura
O Maple pode interpolar nossa lista de diversas maneiras atraves do pa-
cote curvetting. A escolha da interpolacao adequada depende decisivamente
19
da aplicac ao envolvida. Uma apresentac ao classica e bem feita de inter-
polac oes polinomiais ou pelo metodo de least squares pode ser vista em [?].
Uma discussao mais introdutoria pode ser encontrada em [?], ou [?].
Uma primeira ideia seria tentar obter um polinomio cujo graco conti-
vesse todos os pontos da lista. Isto e: procuramos um polinomio p tal que
p(tempo) = Temperatura, para todo par (tempo, Temperatura) na tabela.
Note que se tivessemos 2 pares (tempo, Temperatura) distintos, isto e,
dois pontos distintos no plano, seria facil obter uma reta que contivesse esses
dois pontos (graco de um polinomio de grau 1).

E claro que existem varios
polinomios de grau 2 (ou maior) que contem esses dois pontos do plano (isto
e, varias parabolas, c ubicas, etc, que contem esses dois pontos do plano)
Quando temos n +1 pares (t
k
, T
k
), k = 0 . . . n, procuramos um polinomio de
grau n, p(x) = a
n
x
n
+ +a
1
x+a
0
. Veja que neste caso, queremos resolver
o sistema linear com n + 1 incognitas, a
n
, . . . , a
1
, a
0
e n + 1 equac oes
_

_
a
n
t
n
0
+ + a
1
t
0
+ a
0
= T
0
a
n
t
n
1
+ + a
1
t
1
+ a
0
= T
1
.
.
.
.
.
.
a
n
t
n
n
+ + a
1
t
n
+ a
0
= T
n
Esse sistema tem soluc ao unica se e somente se o determinate de Vander-
monde

t
n
0
t
0
1
t
n
1
t
1
1
.
.
.
.
.
.
.
.
.
t
n
n
t
n
1

= 0
e para isso, basta que os pontos {t
k
, k = 0, . . . , n} sejam distintos [?].
Como a tabela tempo temperatura contem 16 pares, vamos obter o
polinomio de grau 15, p(z) que satisfaz p(tempo) = Temperatura para os
pontos da nossa tabela.
Os comando sao:
[ > with(CurveFitting):
[ > PolynomialInterpolation(TempoTemperatura, z):
produzindo o seguinte resultado:
20
394167.2744 z
2
.5432556911e2 z
1
562069.23735 z +
9002.093134 z
1
0 1057898.058 z
3
1241.741145 z
1
1 +
.3069949823 z
1
4 520305.3614 z
7
+ 120.8575555 z
1
2 +
183023.4242 z
8
47354.17556 z
9
+ 1617613.124 z
4

1592874.558 z
5
+ 1077824.173 z
6
7.865141085 z
1
3 + 37
Agora pedimos ao Maple para esbocar esse graco, usando o comando
[ > plot(%, z = 0..7.5);
(o smbolo % e usado no Maple para indicar o ultimo valor obtido; cui-
dado! nao e o ultimo resultado escrito!)
Figura 20: interpolacao polinomial
Uma outra forma muito utilizada em interpolac oes e o uso de least-
squares. A ideia geral deste tipo de interpolac ao e pressupor que o fenomeno
a ser analisado deveria ter um comportamento linear, embora alguns dados
experimentais possam se afastar desta descricao por incorrec oes de medida.
A aproximac ao pelo metodo dos quadrados mnimos (least-squares), na sua
essencia, procura a melhor aproxima cao linear para as medic oes experimen-
tais obtidas ainda que isso signique que alguns dados devam ser desprezados.
O nome least squaresdecorre do modo como o erro e medido. Com efeito,
obtido um conjunto de pontos {(x
1
, y
i
), i = 1, 2, ...} o metodo busca uma
reta que os contenha. Muito provavelmente, nenhuma reta contera todos
os pontos, de modo que sera necessario escolher alguma. Dado um ponto
(a, b) e a reta y = x + admitimos a distancia entre o ponto e a reta e
proporcional ao quadrado da norma de (x
0
, y
0
) (x
0
, x
0
+ ) (tente fazer
um desenho). Teremos auma medida de erro ou seja, do quanto este ponto
21
esta afastado da reta. Somando todas as medidas teramos uma avalia cao do
erro total. O metodo tenta escolher a reta que apresenta o menor erro total,
onde o erro e calculado desta forma. Uma explicacao detalhada mas simples
deste metodo, envolvendo aplicac oes reais, pode ser vista em [?] ( ou na sua
ultima traduc ao [?]) ou [?].
[ > with(CurveFitting):
[ > LeastSquares(TempoTemperatura, v);
com o resultado
37.44645588 + 0.0567117647058809488v
[ > plot(%, v = 0..7.5, thickness = 3);
Figura 21: interpolac ao por least squares
Poderamos ter feito leastsquares com pesos (weight). Os comandos sao:
[ > with(CurveFitting):
[ > LeastSquares(TempoTemperatura, v, weight=[ 2, 1,
2, 1, 2, 1, 3, 1, 3, 1, 4, 1, 4, 1, 1, 1]);
com o resultado
37.36065612 + .104517932489456330 v
Agora fazemos o graco:
22
Figura 22: interpolac ao por least squares com pesos
[ > plot(%, v = 0..7.5, thickness = 3);
Uma outra possibilidade e fazer interpolacao por func ao racional em
frac oes contnuas (interpolac ao de Thiele)[?].
Uma frac ao contnua simples e uma expressao da forma: a
0
+
1
a
1
+
1
a
2
+
1
a
4
+...
...
.
e comum denotarmos essa expressao por [a
0
, a
1
, a
2
, . . . ]. Uma fracao contnua
pode ter n umero nito ou innito de termos. Por exemplo, a expressao
x = [1, 1, 1, . . . ] satisfaz x = 1 + 1/x e portanto, x =
1+

5
2
(razao aurea) . A
representa cao em frac oes contnuas de

2 e obtida via:
_
2 1
_ _
2 + 1
_
=
1 logo

2 1 =
1

2+1
, i.e.,

2 = 1 +
1

2+1
e portanto,

2 = 1 +
1
1+
1

2+1
.
Continuando esse processo, obtemos que

2 = 1 +
1
2+
1
2+
1
2+
1
2+...
= [1, 2, 2, 2, . . . ]
Mais geralmente, uma frac ao contnua e uma expressao da forma a
0
+
b
1
a
1
+
b
2
a
2
+
b
3
a
4
+...
...
Os comandos sao:
[ > with(CurveFitting):
[ > ThieleInterpolation(TempoTemperatura, v);
com resultado
23
37 + v/(2.380952381 + (v .5)/(.30882353 + (v 1)/(3.264208928 + (v
1.5)/(.34212886 + (v 2)/(.426149182 + (v 2.5)/(1.20340673 + (v
3)/(2.134677033 + (v 3.5)/(.36832477 + (v 4)/(2.295997645 + (v
4.5)/(.29881599 + (v 5)/(1.016510142 + (v 5.5)/(1.16782159 + (v
6)/(3.298801565 + (v 6.5)/(.8785561900 .1375565500 v))))))))))))))
O graco ca:
[ > plot(%, v = 0..7.5, y = 0..55, thickness = 3);
Figura 23: interpolac ao por Thiele
(foi necessario limitar a coordenada y porque a func ao obtida possui um
polo no intervalo [0, 7.5] e conseq uentemente o graco possui uma assntota
vertical)
24
2.5 Curvas no Espaco: denicao parametrica e explcita
Evidentemente podemos olhar para curvas no espaco e, mais uma vez, o
modo de desenha-las vai depender da forma como estao denidas. Esta
sec ao trata de parte deste assunto pois uma maneira bastante importante de
descrever curvas no espaco (como intersecao de superfcies) so sera analisada
posteriormente, ja que depende de um estudo previo de superfcies. Nesta
parte vamos cuidar apenas (e brevemente) das formas parametrica e explcita.
2.6 Curvas Parametrizadas
A m de parametrizar uma curva no espaco precisamo de uma funcao com
domnio em um subconjunto de R e contradomnio em R
3
. Considere, por
exemplo, f(t) =
_
t
2
,
t
3
+1
t
2
+3
, sen(t)
_
, t [, ].
Esta curva pode ser desenhada pelo Maple com o comando
[ > plot3d([x 2, x 3 +1, sin(x)], x = 4..4, y = 4..4,
axes=boxed, tickmarks=[1,1,2], thickness=3, labels=[x,
y, z], labelfont=[TIMES,ROMAN,14]);
Figura 24: uma curva parametrizada em R
3
Evidentemente, se f(t) = (x(t), y(t)), o graco de f e uma curva em R
3
e,
neste caso, podemos parametriza-lo como t (t, x(t), y(t)) exibindo-o como
uma curva parametrizada.
25

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