Exames Laboratoriais em Terapia Intensiva
Exames Laboratoriais em Terapia Intensiva
INTRODUÇÃO
A cada ano, o fisioterapeuta tem a necessidade de buscar mais conhecimento para saber lidar com novas
tecnologias e novos exames que são disponibilizados no mercado. Nesse contexto, a saúde baseada em
evidências vem contribuindo sobremaneira nas tomadas de decisões sobre quais técnicas e/ou recursos
devem ser utilizados para cada doença. A leitura e a procura da atualização são, nesse caso, fundamentais
para que o profissional se capacite e saiba enfrentar novos desafios.
Embora não seja responsável pelo diagnóstico da doença, a interpretação dos resultados contidos nos
exames ajuda na avaliação, além de ser uma importante ferramenta na conduta do fisioterapeuta. É por meio
do processo de avaliação que todo o conhecimento adquirido ao longo da carreira profissional é colocado em
prática, e os exames complementares são mais um recurso para ajudar na terapêutica.
Fisioterapeutas especializados na área de terapia intensiva, mesmo com todo o avanço científico e os
recursos disponíveis das últimas décadas, podem se deparar com dúvidas sobre qual deve ser o melhor
tratamento para o paciente. Aditivamente a essa questão, é possível que os locais de trabalho não
disponibilizem todos os exames complementares, importantes para o bom direcionamento da terapia a ser
realizada. Por esse motivo, alguns desses exames, apresentados no Quadro 1, a seguir, podem ser úteis para
auxiliar na avaliação do paciente e serão explanados ao longo do artigo.
Quadro 1
EXAMES COMPLEMENTARES
Coagulograma Sangramento e
distúrbios da
coagulação
Ionograma Sódio, potássio,
fósforo, cálcio,
magnésio
Biomarcadores de Creatinoquinase
necrose miocárdica (CK), troponinas,
mioglobina, outros
biomarcadores
cardíacos
Perfil lipídico Colesterol total (CT),
triglicérides (TG),
lipoproteína de alta
densidade (HDL),
lipoproteína de muito
baixa densidade
(VLDL) e lipoproteína
de baixa densidade
(LDL)
Os exames complementares isoladamente não podem ser responsáveis pela determinação do plano
terapêutico; devem ser utilizados, portanto, para auxiliar na avaliação.
OBJETIVOS
Ao final da leitura deste artigo, o leitor deverá ser capaz de:
ESQUEMA CONCEITUAL
HEMOGRAMA
Os eritrócitos são as células mais numerosas no conteúdo sanguíneo. De modo geral, o eritrograma avalia a
existência de distúrbios no sistema eritropoético por meio da quantificação das hemácias
(eritrócitos), Ht e da dosagem da Hb.1,2,5
Quantificação do Ht:
Representa a proporção do volume da amostra sanguínea que é ocupada pela série vermelha. A
porcentagem do Ht depende do número de eritrócitos e também do volume das células.
Valores de normalidade em adultos: 39 a 49% para homens e 35 a 45% para mulheres.
Dosagem da Hb:
É uma proteína responsável pela coloração vermelha da hemácia e tem a função de transportar oxigênio
(O2) e gás carbônico (CO2) pelo corpo. A quantidade de Hb depende diretamente do conteúdo das
hemácias.
Valores de normalidade em adultos: 13 a 16g/dL para homens e 11,5 a 14g/dL para mulheres.
Interpretação
A anemia é a redução do número de eritrócitos no sangue circulante e pode estar associada à limitação
da síntese celular (deficiência de substratos, como a vitamina B12 e o ferro), destruição celular
aumentada (insuficiência renal, insuficiência hepática), hemorragias agudas, hemodiluição e danos na
medula óssea, como no caso das leucemias.1-5
A policitemia é o aumento da quantidade da série vermelha e pode estar associada a doenças que são
acompanhadas de hipoxemia crônica (enfisema pulmonar, cardiopatias), altitude elevada, desidratação
grave ou queimaduras.1-5
O leucograma envolve a contagem global dos leucócitos, que são células incolores presentes no sangue
(série branca), relacionadas com a defesa do organismo. Essas células são divididas em dois grupos –
dependendo da ausência ou presença de granulação no citoplasma – e são denominadas agranulócitos e
granulócitos, respectivamente. O recrutamento celular depende de estímulos específicos que controlam a
proliferação.1,3,5
Agranulócitos
monócitos;
linfócitos.
Os monócitos são células mononucleares, capazes de penetrar em diversos tecidos do organismo,
transformando-se em macrófagos teciduais; sobrevivem por meses nos sítios de ligação (por exemplo:
macrófagos alveolares – pulmão; micróglia – sistema nervoso central – SNC). Na presença de infecção, a
invasão de microrganismos desencadeia respostas dos macrófagos teciduais, que estimulam a produção de
células mesenquimais, linfócitos e neutrófilos pela medula óssea.
Os linfócitos são leucócitos ligados à defesa do organismo por meio da produção de anticorpos (linfócitos B)
ou por citotoxidade (linfócitos T).
Granulócitos
neutrófilos;
eosinófilos;
basófilos.
Os neutrófilos representam a primeira linha de defesa contra a invasão de microrganismos,
predominantemente dotada de atividade fagocitária. A produção dessas células é aumentada na presença de
mediadores químicos inflamatórios e são proliferadas em quatro tipos de células granulocíticas, que são:
mielócitos – são células provenientes da mitose dos promielócitos. É nesse estágio da linhagem
granulocítica que se inicia a produção de grânulos específicos, que diferenciam os neutrófilos das demais
células (eosinófilos e basófilos);
metamielócitos – são células produtos da mitose de mielócitos e que não têm capacidade de replicação;
bastonetes – são células provenientes do aumento do número de grânulos secundários e do alongamento
do núcleo dos metamielócitos em formato de “bastão”;
segmentados – são células maduras que, morfologicamente, apresentam núcleo segmentado.
Os eosinófilos são células que apresentam atividade fagocitária menos acentuada do que os neutrófilos. Os
basófilos possuem granulações maiores do que as existentes nos demais granulócitos.
5.000 a 10.000 células/mm3 para homens e mulheres. Desse valor, 57 a 71% são neutrófilos (mielócitos:
0%; metamielócitos: 0 a 1%; bastões: 2 a 5%; segmentados: 55 a 65%), 2 a 4% são eosinófilos, 0 a 1%
são basófilos, 4 a 8% são monócitos e 21 a 35% são linfócitos.
Interpretação
O Quadro 2, a seguir, apresenta as anormalidades que podem ser observadas pela interpretação dos dados
do leucograma.1-5
Quadro 2
ANORMALIDADES OBSERVADAS NO
LEUCOGRAMA
Hemácias
Hemoglobina
Homem 13 a 16g/dL
Mulher 11,5 a 14g/dL
Hematócrito
Homem 39 a 49%
Mulher 35 a 45%
Leucócitos
Basófilos 0 a 1%
Monócitos 4 a 8%
Linfócitos 21 a 35%
Plaquetas
Caso clínico
Paciente do sexo masculino, 60 anos, portador de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) com
história de febre há quatro dias, cefaleia, mialgia, artralgia e diarreia. Chega à emergência hipotenso
(80 x 45mmHg), taquicárdico (128 bpm), taquipneico (32 ipm), com saturação periférica de oxigênio
(SpO2) = 92% e com hematúria. O hemograma apresenta leucopenia (2.500 células/mm3), queda na
contagem plaquetária (89.000 células/mm3) e elevação do hematócrito (60%). O familiar relata
aumento progressivo do esforço respiratório nas últimas 12 horas.
Comentário 1: A história da doença do paciente (últimos três dias) indica manifestações clínicas encontradas
nos casos de dengue (viremia).
Comentário 2: O quadro clínico e laboratorial apresentado na emergência é definido como “dengue grave”,
que é caracterizado pelo consumo excessivo de leucócitos e plaquetas, presença de sangramento ativo
(nesse caso, de hematúria) e pelas disfunções endoteliais promovidas pela infecção viral, como aumento da
permeabilidade capilar e importante extravasamento de plasma para o espaço extravascular, levando a
choque hipovolêmico. A elevação do Ht é um espelho da magnitude da perda de volume para o espaço
extravascular.
Comentário 3: As manifestações hemorrágicas são produzidas pela fragilidade vascular, trombocitopenia e
consumo de fibrinogênio.
Comentário 4: A alteração da permeabilidade vascular pode ter desencadeado acúmulo de fluidos no tecido
pulmonar e, consequentemente, aumento do trabalho respiratório e/ou insuficiência respiratória.
Observação: O diagnóstico etiológico da dengue é necessário para afastar a suspeita de outras doenças e
dependerá do tempo de instalação dos sintomas. Normalmente, a partir do sexto dia, a imunoglobulina M
no Enzyme-Linked Immunosorbent Assay (IgM ELISA) é o método de escolha.
dengue;
dengue com sinais de alarme;
dengue grave.
A dengue grave é todo o caso de dengue que apresenta um ou mais dos seguintes resultados:
No entanto, até o presente, não foram encontradas pesquisas que testaram essa hipótese. O debate em torno
da mobilização precoce já existe há muitos anos, e as orientações clínicas ou pesquisas avaliando
especificamente a segurança de mobilizar pacientes com TVP ou TEP parecem não ser claras até o
momento.11
Os fisioterapeutas devem avaliar o custo-benefício entre o imobilismo, com todos seus efeitos adversos
(perda da capacidade aeróbica, diminuição da força muscular e da função geral), e a mobilização.13,14 Em
metanálise sobre o assunto,11 foram analisados quatro trabalhos e avaliados os riscos da deambulação em
pacientes com TVP.
Dois dos estudos compararam a deambulação com compressão ao repouso, enquanto os outros dois
compararam a deambulação com compressão ao repouso com compressão, concluindo que os
fisioterapeutas devem utilizar a melhor evidência disponível na elaboração de programas de tratamento para
seus pacientes, e que as informações fornecidas sugerem que não houve nenhum dano associado à
deambulação precoce em pacientes diagnosticados com TVP.
Acredita-se que a discussão clínica do caso junto à equipe multidisciplinar é sempre necessária e devem ser
pesados os prós e os contras da deambulação para esses casos. Além disso, os pacientes devem ser
monitorados quanto às mudanças no estado clínico, quando essa abordagem for realizada. As orientações da
American College of Chest Physicians (ACCP) e de outros guidelines15,16 sobre terapia trombolítica
recomendam, de preferência, a deambulação precoce em substituição ao repouso no leito, quando
viável.
Um marcador laboratorial seguro, que tem sido utilizado para monitorar a coagulação sanguínea, o risco
de TVP e os sangramentos, é a International Normalized Ratio (INR). Seus valores de normalidade
são compreendidos entre 2,0 e 3,0 e, para pacientes em pós-operatório de cirurgia de troca de válvula
cardíaca, entre 2,5 e 3,5. O risco de hemorragia e/ou hematoma aumenta com INR > 3,5.17
A seguir, é descrito um caso clínico para ilustrar o que foi visto nesta seção no intuito de promover melhor
compreensão e fixação do conteúdo abordado.
CASO CLÍNICO
Paciente do sexo masculino, 67 anos, foi admitido na UTI com história de prostração e rebaixamento do
nível de consciência nas últimas 24 horas, sangramento nas fezes e quadro de dispneia.
Comentário 1: Paciente com quadro de sangramento pode estar evoluindo com redução da quantidade
de Hb e quadro de anemia aguda.
Encontra-se sonolento, dispneico (índice de percepção de esforço na escala de Borg = 6), SpO2 =
88%, frequência cardíaca (FC) = 120bpm, pressão arterial (PA) = 90 x 50mmHg.
Comentário 3: Nos casos de sangramento, o paciente pode evoluir com redução da Hb e dispneia,
visto que as hemácias são os grandes responsáveis pelo transporte do oxigênio no corpo. Essa
alteração encontrada na INR é indicativa de redução da capacidade de coagulação sanguínea.
Paciente J.M.C., 72 anos de idade, admitido na UTI, com história de insuficiência renal crônica e quadro
de insuficiência respiratória aguda durante sessão de hemodiálise. Na admissão, apresentava
pontuação na escala de coma de Glasgow = 8, sendo intubado e iniciada assistência ventilatória
mecânica invasiva.
Comentário 1: A escala de coma de Glasgow avalia o nível de consciência do paciente. Índices abaixo
de 8, há indicação para intubação orotraqueal.
Ao exame, verificou-se distúrbio hidreletrolítico, com hipernatremia e hipofosfatemia.
Comentário 2: A redução da concentração do fósforo e o aumento do sódio na corrente sanguínea
podem repercutir em dificuldade na contração do diafragma e em aumento dos sinais de fadiga
muscular. A correção do distúrbio é primordial para a restauração da força muscular.
Paciente evolui com desmame ventilatório prolongado, sendo adotadas estratégias pela fisioterapia
para otimizar a retirada da VM.
1. Quais são as duas condições que podem ser conhecidas pela análise de um eritrograma?
2. Cite as anormalidades que podem ser observadas pela interpretação dos dados do leucograma.
3. O que avalia a plaquetometria e quais são as alterações que podem ocorrer com relação às
plaquetas?
4. Em pacientes anêmicos, principalmente com Hb < 7g/dL, quais sintomas devem ser considerados
para interrupção da mobilização?
Confira aqui a resposta
A) F, F, V, V, F, F, F
B) V, V, F, F, V, F, F
C) F, V, V, F, V, F, V
D) V, V, V, F, V, F, V
Confira aqui a resposta
UREIA E CREATININA
Os rins são responsáveis pela filtração, reabsorção e secreção de substâncias e pelas funções
endocrinológicas e metabólicas do indivíduo. Contudo, a reabsorção e a excreção de substâncias
pelos néfrons é, possivelmente, o seu papel mais importante.
A taxa de filtração glomerular (FG) é o exame normalmente feito para avaliar a função renal e é
definida como o volume plasmático de uma substância filtrada pelos rins em uma determinada unidade de
tempo.
A FG é uma das mais importantes ferramentas na avaliação da função renal, além de ser um
indicador do número de néfrons funcionais.25-34
A taxa de FG pode ser obtida diretamente por meio de uma amostra de sangue e outra de urina em 24 horas
consecutivas, aplicando-se a fórmula:
A fim de se evitar a coleta de urina por 24 horas e a interferência da secreção ativa de creatinina pelos rins,
algumas fórmulas que estimam a FG a partir do valor encontrado no exame de sangue foram desenvolvidas
e expressam boa correlação.25-34
A função renal é medida de forma indireta, porque, considerando-se uma substância que tem concentração
estável no plasma e não é secretada, reabsorvida, metabolizada ou sintetizada pelo rim, a sua concentração
filtrada será a mesma excretada na urina. Por isso, a FG reduzida pode indicar o aparecimento de sintomas
de falência renal, e essas mudanças podem sugerir sinais de insuficiência.25-34
A ureia e a creatinina são geralmente utilizadas para avaliar o funcionamento renal, sendo a creatinina
a mais confiável. Elevações nos níveis sanguíneos de ureia são um sinal de mau funcionamento renal,
mas sua principal utilidade está na sua avaliação em conjunto com a creatinina.
Na maioria dos laboratórios de análise clínicas, o valor normal de ureia varia de 20 a 40mg/dL.25-34
A razão ureia sérica/creatinina, quando abaixo da esperada, pode indicar os seguintes eventos:
A creatinina é formada no músculo, por um processo no qual a creatina livre se converte espontânea e
irreversivelmente em creatinina. Logo, a quantidade de creatinina produzida é dependente da massa muscular
e não apresenta grandes variações diárias. Ela é filtrada livremente no glomérulo e, ao contrário da ureia, é
ativamente secretada em uma pequena parcela, mas o suficiente para superestimar a FG. A quantidade
secretada não é constante e depende do indivíduo e da concentração plasmática. Em termos gerais, 7 a 10%
da creatinina presente na urina é secretada e, normalmente, encontra-se elevada quando 50% ou mais dos
néfrons estão comprometidos.25-34
Os níveis normais de creatinina variam entre 0,6 e 1,3mg/dL; no entanto, como a creatinina é produzida
pelos músculos, pessoas com maior massa muscular apresentam taxas basais maiores, sem
necessariamente ter doença renal. Dessa forma, devem ser considerados o sexo, a idade e o peso do
paciente. Em geral, valores de creatinina acima de 1,5 ou 1,6mg/dL são sinal de doença renal na
imensa maioria dos casos.
Com o resultado da creatinina, pode-se calcular a taxa de filtração renal, que é basicamente o volume de
sangue filtrado pelo rim a cada minuto. Rins normais filtram até 180 litros de sangue por dia
(aproximadamente 120mL/min). Valores inferiores a 60mL/min são indicativos de insuficiência renal
crônica.25-34
A dosagem da creatinina avaliada apenas uma vez deve ser interpretada com cautela, não devendo ser
utilizada como único parâmetro para avaliação da função renal.
Com relativa frequência, a fisioterapia provê assistência a pacientes críticos com disfunções hepáticas. Essas
disfunções podem preexistir no momento da internação hospitalar (doença hepática crônica – DHC) ou se
apresentarem como exacerbações durante o período de permanência na UTI. Além delas, fatores intrínsecos
associados ao internamento na UTI podem promover doença hepática aguda (DHA).
hepatite autoimune;
obstrução biliar;
cirrose biliar primária;
colangite esclerosante primária;
fibrose cística;
doenças metabólicas;
doença de Wilson;
hemocromatose hereditária;
deficiência de α1-antitripsina;
hepatites virais;
doença hepática alcoólica.
A assistência adequada ao pacientes com DHC exige o conhecimento e o acompanhamento de diversos
exames laboratoriais. Esses exames demonstram a presença de alteração da função hepática ou a ocorrência
de lesão hepática estrutural e exibem marcadores virais e de inflamação ou resistência insulínica, além de
funcionarem como índices prognósticos.35
Uma das grandes dificuldades experimentadas pelos profissionais de saúde é o reconhecimento da
doença hepática em indivíduos que apresentam testes de função hepática normais, em função da
grande faixa de variação dos limites de normalidade das provas hepáticas.36
As provas de lesão hepática são erroneamente interpretadas como provas de função hepática. Além
disso, as medidas da funcionalidade hepática são pouco sensíveis, e as alterações nessas variáveis somente
são identificadas após uma lesão hepática avançada ou instalação da doença hepática.36
Diversas proteínas são sintetizadas no fígado, sendo denominadas proteínas totais e frações, e são
fundamentais para manutenção da pressão oncótica, incluindo fatores de coagulação, enzimas, hormônios,
proteínas de transporte e anticorpos.
As proteínas de maior interesse para avaliação da função hepática incluem albumina, globulina e
relação albumina/globulina.37
Os valores de referência para as dosagens de albumina, globulina e da relação albumina/globulina são:37
A INR é frequentemente utilizada para exprimir o grau de anticoagulação. Sua determinação é útil,
pois padroniza a medição do TP com base nas características do reagente tromboplastina, eliminando as
eventuais diferenças secundárias à sensibilidade dos vários reagentes disponíveis no mercado, padronizando
os resultados fornecidos entre laboratórios diferentes.39
A INR corresponde ao valor obtido por meio da relação entre o TP do paciente e o TP padrão, referido pelo
índice de sensibilidade internacional (ISI), conforme apresenta a fórmula a seguir, estando aumentada em
pacientes com doença hepática avançada. Esse índice pode substituir o TP na determinação do prognóstico
clínico de hepatopatas.39
A Tabela 2, a seguir, apresenta os principais exames laboratoriais utilizados como marcadores de lesão e da
função hepática.35
Tabela 2
MARCADORES DE LESÃO E FUNÇÃO HEPÁTICA, SUAS
SIGLAS, VALORES NORMAIS E IDEAIS NA DOENÇA
HEPÁTICA CRÔNICA
A adequada avaliação clínica de pacientes com DHC é fundamental para a instituição do prognóstico clínico e
do adequado manejo clínico. A classificação da gravidade da DHC é realizada pelo índice de Child-Pugh e
pelo modelo para doença hepática terminal (Model for End-Stage Liver Disease – MELD).41
O índice de Child-Pugh, publicado inicialmente em 1964 por Child e Turcott e modificado em 1973 por Child e
Pugh, avalia o risco de pacientes cirróticos serem submetidos à cirurgia para implantação
de shunt portossistêmico. A classificação de Child-Pugh é apresentada na Tabela 3, a seguir.41
Tabela 3
CLASSIFICAÇÃO DA DOENÇA HEPÁTICA
CRÔNICA DE ACORDO COM O ÍNDICE DE
CHILD-PUGH
Pontuação 1 2 3
Resultado da Child A Child B Child C
classificação 5a6 7a9 10 a 15
pontos pontos pontos
O valor mínimo aceitável para qualquer uma das três variáveis é 1. Quando realizada hemodiálise duas vezes
por semana, nos últimos sete dias, considerar valor máximo de 4 para a creatinina plasmática.43
As duas principais DHAs apresentadas por pacientes críticos são a falência hepática aguda (FHA) e
a hepatite hipóxica.
A identificação da FHA baseia-se essencialmente na ocorrência de INR > 1,5, associada a quadro de
encefalopatia, na ausência de doença hepática prévia. A FHA normalmente ocorre entre a primeira e a
segunda semana de internamento, podendo ocorrer até seis meses após a ocorrência do insulto primário. A
elevação da TGO possui grande valor diagnóstico, porém baixo valor prognóstico na presença de DHA.44-
46
troponina I e T cardíacas;
creatinoquinase (CK);
mioglobina;
desidrogenase láctica;
proteína C-reativa (PCR);
peptídeo natriurético tipo B (BNP).
CREATINOQUINASE
A CK é uma enzima que desempenha importante papel na geração de energia para o metabolismo muscular
e está presente em abundância no músculo esquelético, no cérebro e no miocárdio. Consiste em três
isoenzimas, compostas por duas subunidades (M e B), formando as frações BB, MM e MB. É liberada em
situações de dano tecidual e está aumentada em condições, como infarto agudo do miocárdio (IAM) e a
miocardite, além de distrofia muscular, esforço muscular extenuante e traumatismo muscular.50
Durante o IAM, os níveis séricos de CK aumentam rapidamente entre 3 e 5 horas após o evento,
persistindo por até 2 a 3 dias. Entretanto, a CK total não é específica o suficiente para ser utilizada no
diagnóstico do IAM, possuindo, porém, alto valor preditivo negativo para essa condição. Um teste mais
específico é necessário para estabelecer o diagnóstico de IAM ou de SCA, como a fração MB da CK (CK-
MB) ou troponina cardíaca I (cTnI).51,52
Creatinoquinase MB
No miocárdio, são encontradas aproximadamente 40% das isoenzimas MB, que elevam-se no IAM, no
traumatismo cardíaco, em certas distrofias musculares e na polimiosite. O teste de CK-MB massa é
relativamente específico para o diagnóstico do IAM.50
A CK-MB aparece no soro em até 4 horas após o evento isquêmico, atingindo o pico em 12 a 24 horas,
declinando entre 48 e 72 horas. Sua concentração atua como marcador sensível de IAM no período de 4 a
12 horas após o infarto, porém uma medida isolada apresenta baixa sensibilidade, devendo ser coletada, de
forma seriada, entre 3 e 4 horas e 6 e 9 horas após o evento.53
O teste de CK-MB vem sendo substituído, em grande parte, pelas troponinas cardíacas, sendo útil para
avaliação de pacientes que já são positivos para troponina I e apresentam dor torácica recorrente e no
seguimento de pacientes submetidos a procedimentos intervencionistas.53,54
A relação entre a CK-MB e a CK total [(CK-MB/CK total) x 100)] é útil para diferenciar a elevação falso-
positiva da CK-MB, decorrente de lesão muscular esquelética. Uma razão menor do que 3 indica origem
no músculo esquelético, enquanto valores acima de 5 indicam origem cardíaca. Valores entre 3 e
5 representam uma “zona cinzenta”, na qual não se pode concluir a origem.55
TROPONINAS
A cTnT está presente em pequena quantidade no músculo esquelético e é expressa em doenças que
envolvem degeneração muscular esquelética, como a distrofia muscular de Duchenne.57
A cTnI e a cTnT aparecem no soro cerca de 4 horas após a manifestação da dor torácica, atingindo o pico
entre 8 e 12 horas, persistindo por mais 5 a 7 dias, o que confere uma sensibilidade significativamente maior
do que a da CK-MB para o diagnóstico de IAM.48
As amostras de sangue devem ser coletadas no momento da chegada do paciente ao hospital e após 6
a 9 horas.
Diante de história sugestiva de SCA, a detecção de níveis acima de 0,05ng/mL em, pelo menos, uma
ocasião, durante as primeiras 24 horas após o evento, é indicativa de necrose miocárdica consistente
com IAM.58 Além disso, as cTn têm se apresentado como poderosos preditores de mortalidade e eventos
isquêmicos recorrentes.59
MIOGLOBINA
A mioglobina é uma proteína globular de baixo peso molecular, encontrada em todas as fibras musculares
estriadas, sendo responsável por aproximadamente 2% da massa dos músculos esquelético e cardíaco.
Em virtude do pequeno peso molecular, a mioglobina é liberada rapidamente na corrente sanguínea, tanto
após lesão muscular esquelética quanto na necrose cardíaca.60 Tipicamente, eleva-se de 1 a 3 horas após a
morte da célula miocárdica, atingindo pico entre 6 e 12 horas e normalizando-se entre 12 e 24 horas.61
A mioglobina pode ser mais útil quando associada a outros marcadores cardíacos para a rápida determinação
do IAM, principalmente em pacientes com alterações eletrocardiográficas inespecíficas ou dor torácica
atípica, que chegam ao hospital em até 4 horas após o início dos sintomas.60,61 Amostras seriadas a cada
1 ou 2 horas podem elevar a sensibilidade e a especificidade.62
Além disso, altas concentrações de BNP/NT-proBNP estão associadas a alto risco de morte ou
insuficiência cardíaca, independentemente de outras variáveis prognósticas. Entretanto, seus níveis também
podem estar elevados na presença de arritmia atrial, embolia pulmonar, insuficiência renal, doenças hepáticas
e hipertensão pulmonar.66
Proteína C-reativa
A PCR é um marcador inflamatório, sintetizado principalmente nos hepatócitos, com meia-vida plasmática
em torno de 19 horas, sendo esta regulada pela interleucina 6 (IL-6), pela IL-1 e por outras citocinas.68
Por meio de técnicas com sensibilidade aumentada, surgiu o ensaio de PCR ultrassensível, o qual detecta
níveis de PCR muito baixos, servindo como forte preditor de eventos cardíacos futuros, mesmo em
pacientes com resultados negativos de cTnT.68,69 A PCR está associada ao aumento da mortalidade em
curto e longo prazos, não só em pacientes com doença isquêmica cardíaca aguda e crônica, mas também
naqueles com risco de aterosclerose.69
A seguir, na Tabela 5, são apresentados os valores de referência da PCR para avaliação do risco
cardiovascular.70,71
Tabela 5
VALORES DE REFERÊNCIA DA
PROTEÍNA C-REATIVA PARA
AVALIAÇÃO DO RISCO
CARDIOVASCULAR
A seguir, é descrito um caso clínico para ilustrar o que foi visto nesta seção no intuito de promover melhor
compreensão e fixação do conteúdo abordado.
Caso clínico
Comentário 3: Em casos de IAM, o ECG pode ser normal ou exibir alterações inespecíficas no
segmento ST e da onda T ou, ainda, supradesnivelamento do segmento ST.
O paciente foi submetido a cateterismo cardíaco (CATE), que evidenciou lesão grave em tronco de
artéria coronária esquerda, confirmando o diagnóstico de IAM.
PERFIL LIPÍDICO
As dislipidemias são distúrbios que aumentam os níveis séricos de lipídios, principalmente o CT e os TG.
Esses distúrbios podem ser classificados como:72
Para o diagnóstico das dislipidemias, o exame recomendado é a análise do perfil lipídico, que deve ser
realizado nos pacientes submetidos a jejum por 12 a 14 horas. Nesse exame, realizam-se as dosagens
do CT, TG e lipoproteína de alta densidade (HDL), além do cálculo da lipoproteína de muito baixa
densidade (VLDL) e lipoproteína de baixa densidade (LDL).72,73
Os níveis de colesterol são determinados pelo metabolismo lipídico, que é influenciado por fatores
hereditários, dieta e função hepática, renal e tireoidiana, entre outros.
Para o rastreamento do CT, não há necessidade de obtenção das amostras durante o jejum.
O CT encontra-se aumentado em distúrbios primários, como hipercolesterolemia poligênica e familiar,
e em distúrbios secundários, como hipotireoidismo, diabetes melito não controlado, síndrome
nefrótica, obstrução biliar, anorexia nervosa, entre outros.49 O CT pode apresentar-se diminuído em
distúrbios hepáticos graves, hipertireoidismo, doença crônica ou aguda grave, desnutrição, queimaduras
extensas, entre outros.49
O risco de doença arterial coronariana (DAC) depende da proporção de CT/HDL. A proporção
de LDL/HDL possui habilidade preditiva similar.74 De acordo com as diretrizes da National Cholesterol
Education Program (NCEP), HDL < 40mg/dL implica em risco de DAC, enquanto HDL ≥ 60mg/dL indica
fator de risco negativo.75
Além disso, existe relação direta entre LDL e incidência de DAC. As metas recomendadas para a LDL são
valores < 100mg/dL para pacientes de alto risco (por exemplo, com DAC), < 130mg/dL para pacientes com
risco moderado e < 160 mg/dL para pacientes de baixo risco.75
Os valores referenciais do perfil lipídico para adultos maiores de 20 anos estão apresentados na Tabela 6, a
seguir.72
Tabela 6
VALORES REFERENCIAIS DO
PERFIL LIPÍDICO PARA ADULTOS
MAIORES DE 20 ANOS
8. Por que a taxa de FG reduzida pode indicar o aparecimento de sintomas de falência renal ou sinais
de insuficiência renal?
10. Qual das alternativas a seguir NÃO representa alteração da função hepática?
A) TGP < 41U/L.
B) Albumina > 5g/dL.
C) TP > 12s.
D) γGT> 85U/L.
Confira aqui a resposta
11. No que diz respeito aos biomarcadores de necrose miocárdica, assinale a alternativa INCORRETA.
A) Não podem ser utilizados para diagnóstico e prognóstico da SCA.
B) São biomarcadores de necrose miocárdica as troponinas I e T cardíacas, CK,
mioglobina, desidrogenase láctica, PCR e BNP.
C) A troponina é o biomarcador de preferência para detecção da injúria miocárdica.
D) A utilização de múltiplos biomarcadores teoricamente aumenta tanto a
sensibilidade, quanto a especificidade no diagnóstico de diferentes desordens
cardíacas.
Confira aqui a resposta
( ) Tanto a cTnI quanto a cTnT são biomarcadores de necrose miocárdica sensíveis e específicos.
( ) A cTnI é expressa apenas no miocárdio, sendo liberada na circulação após necrose celular
( ) As Tn constituem um complexo de quatro proteínas formadas por filamentos grossos localizados nas
fibras musculares estriadas, sendo fundamentais para a regulação dos processos de contração dos
músculos estriado e cardíaco
( ) As cTn são os biomarcadores padrão-ouro para o diagnóstico de necrose miocárdica, pois
apresentam elevada especificidade tecidual miocárdica e alta sensibilidade clínica, refletindo,
portanto, zonas microscópicas de necrose miocárdica.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta dos parênteses.
A) V–V–F–F
B) F–V–F–V
C) V–V–F–V
D) F–F–V–F
Confira aqui a resposta
CASOS CLÍNICOS
CASO CLÍNICO 1
Paciente de 60 anos, sedentário, dislipidêmico, ex-tabagista, internado em uma UTI cardiológica com
história de precordialgia há mais de 6 horas, irradiada para o membro superior esquerdo e mandíbula.
Encontra-se lúcido e orientado no tempo e espaço, eupneico, com suporte de oxigênio por cateter nasal
(2L/min), SpO2 = 98%, FC = 90bpm, PA = 160 x 100mmHg.
CASO CLÍNICO 2
Paciente do sexo masculino, 58 anos de idade, é admitido na UTI com história de insuficiência
respiratória, dispneia progressiva e importante hipoxemia. É etilista crônico e possui hipótese
diagnóstica de pancreatite aguda e hepatopatia crônica.
14. Quais são os principais achados nos exames laboratoriais que podem confirmar a hipótese de
hepatopatia crônica?
16. Que índices podem ser utilizados para predizer o prognóstico clínico?
CONCLUSÃO
Os exames complementares servem como coadjuvantes durante o processo de avaliação e permitem auxiliar
na compreensão do processo patológico e na definição do plano terapêutico apropriado. Além disso, são uma
importante ferramenta para acompanhar as evoluções apresentadas durante o tratamento.
Conhecer e entender os diversos exames complementares existentes deve fazer parte da formação dos
fisioterapeutas e a busca pela capacitação deve ser um processo continuado para que o paciente receba
sempre a melhor assistência.
Atividade 2
Resposta: As anormalidades que podem ser observadas pela interpretação dos dados do leucograma incluem
leucocitose, leucopenia, monocitose, monocitopenia, linfocitose, linfopenia, neutrocitose, neutropenia, desvio
à esquerda, eosinofilia, eosinopenia, basofilia. A explicação dessas anormalidades pode ser vista no Quadro
2.
Atividade 3
Resposta: A plaquetometria avalia a existência de alterações dos mecanismos da hemostasia. A trombocitose
e a trombocitopenia são as duas alterações que podem ocorrer com relação às plaquetas.
Atividade 4
Resposta: Em pacientes anêmicos, com Hb < 7g/dL, os sintomas que devem ser considerados para
interrupção da mobilização são vertigens prolongadas, náuseas, visão turva, taquicardia, falta de ar,
parestesia e angina.
Atividade 5
Resposta: “Desvio à esquerda”, no leucograma, significa uma alteração no sentido da maturação dos
granulócitos, havendo maior número de células jovens (metamielócitos, mielócitos, promielócitos, mieloblastos
e bastonetes). Normalmente, esse evento está associado a processos infecciosos.
Atividade 6
Resposta: C
Comentário: Os valores de normalidade da INR são compreendidos entre 2,0 e 3,0, e o risco de hemorragia
e/ou hematoma aumenta com INR > 3,0. Fisioterapeutas devem utilizar a melhor evidência disponível na
elaboração de programas de tratamento para seus pacientes, e as informações fornecidas sugerem que não
foi observado nenhum dano associado à deambulação precoce em pacientes diagnosticados com TVP. O
trombo provocado pelo distúrbio de coagulação pode se deslocar para a circulação pulmonar, causando
embolia pulmonar.
Atividade 7
Resposta: D
Comentário: Todas as alternativas estão corretas. As complicações causadas pelos distúrbios hidreletrolíticos
estão descritas no Quadro 3.
Atividade 8
Resposta: A taxa de FG é definida como o volume plasmático de uma substância filtrada pelos rins em
determinada unidade de tempo. Para uma substância que tem concentração estável no plasma e não é
secretada, reabsorvida, metabolizada ou sintetizada pelo rim, sua concentração filtrada será a mesma
excretada na urina. Além disso, elevações nos níveis sanguíneos de ureia e creatinina no sangue são um
sinal de mau funcionamento dos rins. A partir dessas concentrações, pode-se estimar a taxa de FG.
Atividade 9
Resposta: C
Comentário: A presença de encefalopatia associada à história de doença hepática prévia é indicativa de DHC.
Atividade 10
Resposta: A
Comentário: Valores de TGP superiores a 41U/L indicam a presença de doença hepática.
Atividade 11
Resposta: A
Comentário: Os biomarcadores de necrose miocárdica constituem elementos fundamentais, tanto para o
diagnóstico quanto para o prognóstico da SCA.
Atividade 12
Resposta: C
Comentário: As Tn constituem um complexo de três proteínas formadas por finos filamentos localizados nas
fibras musculares estriadas, sendo fundamentais para a regulação dos processos de contração dos músculos
estriado e cardíaco.
Atividade 13
Resposta: C
Comentário: A maioria dos pacientes com IAM apresenta alterações eletrocardiográficas, além de aumento
nos biomarcadores de necrose miocárdica. Ademais, no CATE, observou-se obstrução coronariana grave,
que, associado ao quadro clínico, confirma o diagnóstico de IAM.
Atividade 14
Resposta: Os principais achados nos exames laboratoriais que podem confirmar a hipótese de hepatopatia
crônica são elevação de TGO, TGP, INR, γGT, bilirrubinas, TP e redução de albumina.
Atividade 15
Resposta: O aumento da INR aponta para a presença de distúrbio de coagulação.
Atividade 16
Resposta: Para predizer o prognóstico clínico podem ser utilizados o índice Child-Pugh e o MELD.
REFERÊNCIAS
1. Harrison TR, Fauci AS, editors. Harrison’s Principles of Internal Medicine. 14th ed. New York: McGraw-Hill;
1998.
2. Harrison P, Mackie I, Mumford A, Briggs C, Liesner R, Winter M, et al. Guidelines for the laboratory
investigation of heritable disorders of platelet function. British Journal of Haematology. 2011 Oct;155(1):30-
44.
3. Hokama, NK, Machado, PEA. Interpretação clínica do hemograma nas infecções. Jornal Brasileiro de
Medicina. 1997;72(3):38-49.
4. Grotto, HZW. Blood cell analysis: the importance for biopsy interpretation. Rev Bras Hematol Hemoter. 2009
Jun;31(3):178-82.
5. Justiniano NA. Interpretação de exames laboratoriais para o fisioterapeuta. Rio de Janeiro: Rubio; 2012.
6. Connes P, Machado R, Hue O, Reid H. Exercise limitations, exercise testing and exercise recommendation
in sickle cell anemia. Clinical Hemorheol Microcirc. 2011;49(1-4):151-63.
7. van Beers EJ, van der Plas MN, Nur E, Bogaard HJ, Steenwijk RP, Biemond BJ, et al. Exercise tolerance,
lung function abnormalities, anemia, and cardiothoracic ratio in sickle cell patients. Am J Hematol. 2014
Aug;89(8):819-24.
8. Boles JM, Bion J, Connors A, Herridge M, Marsh B, Melot C, et al. Weaning from mechanical ventilation. Eur
Respir J. 2007 May;29(5):1033-56.
9. Atlas de hematologia. Células [internet]. In: Biomedicinapadrã[Link]; 2011 [acesso em 2015 jul 22].
Disponível em: [Link]
10. Lima CA, Siqueira TB, Travassos EF, Macedo CMG, Bezerra AL, Paiva Júnior MDS, et al. Influência da
força da musculatura periférica no sucesso da decanulação. Rev Bras Ter Intensiva. 2011 Mar;23(1):56-61.
11. Anderson CM, Overend TJ, Godwin J, Sealy C, Sunderji A. Ambulation after deep vein thrombosis: a
systematic review. Physiother Can. 2009;61:133-40.
12. Dunning J, Versteegh M, Fabbri A, Pavie A, Kolh P, Lockowandt U, et al. Guideline antiiplatelet and
Anticoagulation Management in Cardiac Surgery. Euro J . Cardiothorac Surg 2008 Jul;34(1):73-92.
13. Aldrich D, Hunt DP. When can the patient with deep venous thrombosis begin to ambulate? PhysTher.
2004 Mar;84(3):268-73.
14. Junger M, Diehm C, Storiko H, Hach-Wunderle V, Heidrich H, Karasch T, et al. Mobilization versus
immobilization in the treatment of acute proximal deep venous thrombosis: a prospective, randomized, open,
multi-centre trial. Curr Med Res Opin. 2006 Mar;22:593-602.
15. Buller HR, Agnelli G, Hull RD, Hyers TM, Prins MH, Raskob GE. Antithrombotic therapy for venous
thromboembolic disease: the Seventh ACCP Conference on Antithrombotic and Thrombolytic Therapy.
Chest. 2004 Sep;126:401S-28S.
16. Kearon C, Kahn SR, Agnelli G, Goldhaber S, Raskob GE, Comerota AJ. Antithrombotic therapy for venous
thromboembolic disease: American College of Chest Physicians evidence-based clinical practice guidelines
(8th edition). Chest. 2008 Jun;133(6 Suppl):454S–545S.
17. Ahrens T, Burns S, Phillips J, Vollman K, Whitman J. Progressive mobility guidelines for critically ill patients.
Adv Nurses. 2005.
18. Carvalho M, Nascimento MM, Riella MC. Metabolismo do cálcio, fósforo e magnésio. In: Riella CR.
Princípios de nefrologia e distúrbios hidroeletrolíticos. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2010. p.
219-250.
19. Levenson SM, Adams MA, Rosen H, Taylor FHL. Studies in phosphorus metabolism in man. III. The
distribution, exchange and excretion of phosphorus in man using radioactive phosphorus (P32) as a tracer. J
Clin Invest. 1953;32(3):497-509.
20. Smogorzewski MJ, Rude RK, Yu ASL. Disorders of Calcium, Magnesium, and Phosphate Balance. In: Taal
MW, Brenner BM, Rector FC. Brenner & Rector’s the kidney. 9th ed. Philadelphia: Elsevier Saunders; 2012.
v. 1.
21. Pollak MR, Yu AS. Clinical disturbances of calcium, magnesium, and phosphate metabolism. In: Brenner
M, editor. Brenner & Rector’s the kidney. 7th ed. v. 1. Philadelphia: Elsevier; 2005. p. 1041-76.
22. Gerber L, Hicks H, Klaiman M. Rehabilitation of the cancer patient. In: DeVita Junior VT, Hellman S,
Rosenberg SA, editors. Cancer principles & practice of oncology. 5th ed. Philadelphia: Lippincott-Raven;
1997.
23. Aubier M, Murciano D, Lecocguic Y, Viires N, Jacquens Y, Squara P, et al. Effect of hypophosphatemia on
diaphragmatic contractifity in patients with acute respiratory failure. N Engl J Med. 1985 Aug;313(7):420-4.
24. Knochel JP. Neuromuscular manifestations of electrolyte disorders. Am J Med. 1982 Mar;72(3):521-35.
25. Dennen P, Douglas IS, Anderson R. Acute kidney injury in the intensive care unit: an update and primer for
the intensivist. Crit Care Med. 2010 Jan;38(1):261-75.
26. Sirota JC, Klawitter J, Edelstein CL. Biomarkers of acute kidney injury. J Toxicol. 2011;2011:328120.
27. Sodré FL, Costa JCB, Lima JCC. Avaliação da função e da lesão renal: um desafio laboratorial. J Bras
Patol Med Lab. 2007 Set-Out;43(5):329-37.
28. Barrera-Chimal J, Bobadilla NA. Are recently reported biomarkers helpful for early and accurate diagnosis
of acute kidney injury? Biomarkers. 2012 Aug;17(5):385-93.
29. Bellomo R, Kellum JA, Ronco C. Acute kidney injury. Lancet. 2012 Aug;380(9843):756-66.
30. Slocum JL, Heung M, Pennathur S. Marking renal injury: can we move beyond serum creatinine? Transl
Res. 2012 Apr;159:277-89.
31. Urbschat A, Obermüller N, Haferkamp A. Biomarkers of kidney injury. Biomarkers 2011 Jul;16 Supp1:S22-
30.
32. Tesch GH. Review: serum and urine biomarkers of kidney disease: a pathophysiological perspective.
Nephrology (Carlton). 2010 Sep;15(6):609-16.
33. Bastos MG. Biomarcadores de função renal na DRC. In: Abensur H, editor; Sociedade brasileira de
nefrologia. Biomarcadores na nefrologia. São Paulo: Roche; 2011. p. 7-18.
34. Peres LAB, Cunha Júnior AD, Schäfer AJ, Silva AL, Gaspar AD, Scarpari DF, et al. Biomarcadores da
injúria renal aguda. J Bras Nefrol. 2013 Jul;35(3):229-36.
35. Mazza R, Santana M, Oliveira L. Doenças hepáticas crônicas. In: Cuppari L, organizadora. Nutrição nas
doenças crônicas não-transmissíveis. São Paulo: Manole; 2009.331-433.
36. Hassanein T, Van Thiel DH. Biochemical abnormalities in liver disease. Baillieres Clin Gastroenterol. 1995
Dec;9(4):679-88.
37. Kasper DL, Fauci AS, Longo DL, Braunwald, Hauser SL, Jameson JL, editors. Harrison’s Principles of
Internal Medicine.16th ed. New York: McGraw-Hill; 2005.
38. James M. Crawford. O Fígado e o Trato Biliar. In: Cotran RS, Kumar V, Collins T, editors. Robbins
patologia estrutural e funcional. 6 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2000.
39. Friedman LS. Liver biochemical tests that detect injury to hepatocytes [internet]. In: UpToDate; 2015
[acesso em 2015 ago 21]. Disponível em: [Link]
detect-injury-to-hepatocytes.
40. Lin RH. An intelligent model for liver disease diagnosis. Artif Intell Med. 2009 Sep;47(1):53-62.
41. Heidelbaugh JJ, Sherbondy M. Cirrhosis and chronic liver failure: part II. Complications and treatment. Am
Fam Physician. 2006 Sep;74(5):767-76.
42. Damiani D, Laudanna N, Barril C, Sanches R, Borelli NS, Damiani D. Encefalopatias: etiologia,
fisiopatologia e manuseio clínico de algumas das principais formas de apresentação da doença. Rev Bras
Clin Med. 2013 Jan-Mar;11(1):67-74.
43. Kamath PS, Wiesner RH, Malinchoc M, Kremers W, Therneau TM, Kosberg CL, et al. A model to predict
survival in patients with end-stage liver disease. Hepatology. 2001 Feb;33(2):464-70.
44. Lee WM, Squires Junior RH, Nyberg SL, Doo E, Hoofnagle JH. Acute liver failure: summary of a workshop.
Hepatology. 2008 Apr;47(4):1401-15.
45. Bernuau J, Benhamou JP. Classifying acute liver failure. The Lancet. 1993 Jul; 342(8866):252-3.
46. O’Grady JG, Schalm SW, Williams R. Acute liver failure: redefining the syndromes. The Lancet. 1993
Jul;342(8866):273-75.
47. Silva SH, Moresco RN. Biomarcadores cardíacos na avaliação da síndrome coronariana aguda. Scientia
Medica. 2011;21(3):132-42.
48. Morrow DA, Cannon CP, Jesse RL, Newby LK, Ravkilde J, Storrow AB, et al. National Academy of Clinical
Biochemistry Laboratory Medicine practice guidelines: clinical characteristics and utilization of biochemical
markers in acute coronary syndromes. Circulation. 2007 Apr;115(13):e356-75.
49. Nicoll D, Lu CM, Pignone M, McPhee SJ. Exames laboratoriais comuns: seleção e interpretação. In:
Manual de exames diagnósticos. 6. ed. Porto Alegre: AMGH; 2014.
50. McLean AS, Huang SJ. Cardiac biomarkers in the intensive care unit. Ann Intensive Care. 2012 Mar;2:8.
51. Brancaccio P, Lippi G, Maffulli N. Biochemical markers of muscular damage. Clin Chem Lab Med. 2010
Jun;48(6):757-67.
52. Ristagno G, Santonocito C, Li Y, Li Volti G, Gullo A. Biomarkers of myocardial injury after cardiac arrest or
myocardial ischemia. Front Biosci (Schol Ed). 2010 Jan;1(2):373-91.
53. McLean AS, Huang SJ, Salter M. Bench-to-bedside review: the value of cardiac biomarkers in the intensive
care patient. Critical Care. 2008;12(3):215.
54. Saenger AK. A tale of two biomarkers: the use of troponin and CK-MB in contemporary practice. Clin Lab
Sci. 2010 Summer;23(3):134-40.
55. Apple FS, Murakami MM. The diagnostic utility of cardiac biomarkers in detecting myocardial infarction.
Clin Cornerstone. 2005;7 suppl1:525-30.
56. Nicolau JC, Timerman A, Piegas LS, Marin-Neto JA, Rassi Junior A. Guidelines for unstable angina and
non-ST-segment elevation myocardial infarction of the Brazilian Society of Cardiology (II Edition, 2007). Arq
Bras Cardiol. 2007 Oct;89(4):e89-131.
57. Moe KT, Wong P. Current trends in diagnostic biomarkers of acute coronary syndrome. Ann Acad Med
Singapore. 2010;39(3):210-5.
58. Mills NL, Churchhouse AM, Lee KK, Anand A, Gamble D, Shah AS, et al. Implementation of a sensitive
troponin I assay and risk of recurrent myocardial infarction and death in patients with suspected acute
coronary syndrome. JAMA. 2011 Mar;305(12):1210-6.
59. O’Donoghue M, Morrow DA. The future of biomarkers in the management of patients with acute coronary
syndromes. Curr Opin Cardiol. 2008 Jul;23(4):309-14.
60. Singh V, Martinezclark P, Pascual M, Shaw ES, O’Neill WW. Cardiac biomarkers - the old and the new: a
review. Coron Artery Dis. 2010 Jul;21:244-56.
61. Piegas LS, Timerman A, Feitosa G, Rossi Neto JM, Nicolau JC; Sociedade Brasileira de Cardiologia. IV
Diretriz da Sociedade Brasileira de Cardiologia sobre Tratamento do Infarto agudo do Miocárdio com
Supradesnível do Segmento ST. Arq Bras Cardiol. 2009;93(6 supl.2):e179-264.
62. Singh TP, Nigam AK, Gupta AK, Singh B. Cardiac Biomarkers: When to Test? – Physician Perspective.
JIACM 2011;12(2):117-21.
63. Lemos JA, Morrow DA, Bentley JH, Omland T, Sabatine MS, McCabe CH, et al. The prognostic value of B-
type natriuretic peptide in patients with acute coronary syndromes. N Engl J Med. 2001 Oct;345(14):1014-
21.
64. Lemos JA, McGuire DK, Drazner MH. B-type natriuretic peptide in cardiovascular disease. Lancet. 2003
Jul;362(9380):316-22.
65. Ogawa A, Seino Y, Yamashita T, Ogata K, Takano T. Difference in elevation of N-terminal pro-BNP and
conventional cardiac markers between patients with ST elevation vs non-ST elevation acute coronary
syndrome. Circ J. 2006;70:1372-8.
66. Wang TJ, Larson MG, Levy D, Benjamin EJ, Leip EP, Omland T, et al. Plasma natriuretic peptide levels and
risk of cardiovascular events and death. N Engl J Med. 2004 Feb;350(7):655-63.
67. Fernandes F, Mady C. Qual o valor do BNP na prática clínica em pacientes com insuficiência cardíaca?.
Re Assoc Med Bras. 2003;49(2):124.
68. Ferranti S, Rifai N. C-reactive protein and cardiovascular disease: a review of risk prediction and
interventions. Clin Chim Acta. 2002 Mar;317(1-2):1-15.
69. Clearfield MB. C-reactive protein: a new risk assessment tool for cardiovascular disease. J Am Osteopath
Assoc. 2005 Sep;105(9):409-16.
70. Scirica BM, Morrow DA, Cannon CP, Lemos JA, Murphy S, Sabatine MS, et al. Clinical application of C-
reactive protein across the spectrum of acute coronary syndromes. Clin Chem. 2007 Oct;53(10):1800-7.
71. Pearson TA, Mensah GA, Alexander RW, Anderson JL, Cannon RO, Criqui M, et al. Markers of
inflammation and cardiovascular disease: application to clinical and public health practice: A statement for
healthcare professionals from the Centers for Disease Control and Prevention and the American Heart
Association. Circulation. 2003 Jan;107(3):499-511.
72. Xavier HT, Izar MC, Faria Neto JR, Assad MH, Rocha VZ, Sposito AC, et al. V Diretriz sobre Dislipidemia e
Prevenção da Aterosclerose. Arq Bras Cardiol. 2013 Oct;101(4 Supl1):1-20.
73. Nelson DL, Cox MM. Lehninger: princípios de bioquímica. 3. ed. São Paulo: Sarvier; 2002.
74. Alwaili K, Awan Z, Alshahrani A, Genest J. High-density lipoproteins and cardiovascular disease: 2010
update. Expert Ver CardiovascTher. 2010 Mar;8(3):413-23.
75. National Cholesterol Education Program. Third Report of the National Cholesterol Education Program
(NCEP) expert panel on detection, evaluation, and treatment of high blood cholesterol in adults (adult
treatment panel III) final report. Circulation. 2002 Dec;106(25):3143-421.
Morais CCA, Borges DL, Andrade FMD, Daniel LAPC, Correia Júnior MAV. Exames laboratoriais em
terapia intensiva: o que o fisioterapeuta deve saber. In: Associação Brasileira de Fisioterapia
Cardiorrespiratória e Fisioterapia em Terapia Intensiva; Martins JA, Andrade FMD, Dias CM,
organizadores. PROFISIO Programa de Atualização em Fisioterapia em Terapia Intensiva Adulto: Ciclo 6.
Porto Alegre: Artmed Panamericana; 2015. p. 100-52. (Sistema de Educação Continuada a Distância, v. 1).