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Aula 3.1. Procedimentos

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Texto de apoio 4

Tema: Procedimentos: Testes hematológicos, Bioquímica sanguínea básica; Bioquímica


sanguínea especifica e Grupos sanguíneos.
Todos os procedimentos laboratoriais obedecem etapas, técnicas e processos específicos que
devem ser previamente padronizados pelo laboratório. O laboratório, isto é, o pessoal de
laboratório deve ser encarregado de elaborar os padrões operacionais de procedimento (POPs)
para cada exame específico.

Nestes POPs, de forma muito sucinta, devem estar definidos(as):

a. As razões da realização do exame;


b. Os detalhes da amostra que incluem, o volume requerido, tubo ou conteúdo a ser utilizado
para cada tipo de exame;
c. A técnica de colheita, armazenamento e transporte;
d. O tipo de técnica a ser utilizada no processamento da amostra (incluindo o método
de procedimento, cálculos, estabelecimento dos valores normais, condições de segurança);
e. O equipamento usado;
f. Os reagentes usados;
g. As fontes de erro;
h. O lançamento de resultados que incluem unidades usadas, verificação e interpretação
de resultados, etc.
1. Testes Hematológicos

Os testes hematológicos que, entre outros, incluem hemograma, velocidade de hemosedimentação


(VS), ajudam a dar importante informação. São exames usados ao se tomar decisões em muitas
especialidades médicas, tais como Infectologia, Reumatologia, Pneumologia, etc. Alterações de
glóbulos brancos (leucograma), plaquetas, e de hemoglobina podem ser úteis em muitas situações
clínicas, por exemplo, no diagnóstico e tratamento das seguintes situações clínicas:

a. No diagnóstico da anemia;
b. Na investigação de infecções e febre de origem desconhecida;
c. No diagnóstico de doenças malignas do sangue (leucemia, linfoma);
d. Na monitoria dos pacientes que estão em tratamento anti-retroviral.

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Elabordo por: Nélio Ubisse
O hemograma, leucograma, velocidade de sedimentação utilizam o sangue venoso com
anticoagulante (uma substância química que impede a coagulação do sangue). Pode também ser
usado o sangue capilar, se forem poucos os testes a serem processados.

O armazenamento do sangue venoso com anticoagulante pode ser feito a uma temperatura
ambiente entre 1-2 horas. Se após este tempo não for possível realizar o processamento da amostra,
esta deve ser conservada na geleira a uma temperatura de 4 a 8ºC e, nesta temperatura, pode ser
armazenado por 2 a 3 dias. Em seguida, procede-se ao processamento da amostra para o valor da
hemoglobina e contagem dos glóbulos brancos, sem afectar a qualidade dos resultados. Isto já não
se aplica ao teste de velocidade de hemossedimentação, no qual o processamento do exame deve
ser feito até 4 horas após a colheita da amostra e o teste do hematócrito, que deve ser processado
dentro de 6 horas após a colheita.

1.1.Hemograma

Entre outros elementos no hemograma, podemos obter a seguinte informação:

a. Contagem de eritrócitos/glóbulos vermelhos

b. Valor da hemoglobina;

c. Valor do hematócrito;

d. Valor do índices hematimetricos, que compreende:

i. MCHC/CHCM (concentração da hemoglobina corpuscular média);

ii. MCV/VCM (volume corpuscular médio);

iii. MCH/HCM (hemoglobina corpuscular média);

e. Contagem das plaquetas;

f. Contagem e tipo das células dos glóbulos brancos (leucograma).

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Elabordo por: Nélio Ubisse
1.1.1. Hemoglobina

A amostra pode ser de sangue capilar ou de sangue venoso. Actualmente existem aparelhos
automatizados, tal como o coultex system que, após a colheita da amostra num tubo com
anticoagulante, transcreve num computador a identificação do paciente com o correspondente
número da amostra, agita lentamente o tubo e coloca-o numa cassete própria incluída no
equipamento e, em seguida, o aparelho encarrega-se de fazer o processamento da amostra
incluindo a libertação dos resultados.

Nos laboratórios em que ainda não estão criadas estas condições, a hemoglobina é medida
fotometricamente ou estimada usando o método visual comparativo, e os valores da hemoglobina
são expressos em gramas por litro (g/l) ou gramas por decilitro (g/dl).

Nas técnicas fotométricas, a absorvência da hemoglobina na amostra de sangue é medida


electronicamente usando o filtro colorímetro ou feita a leitura direita por meio de um
hemoglobinómetro.

1.1.2. Hematócrito

A amostra pode ser de sangue venoso com anticoagulante bem misturado e de sangue capilar
colhido num capilar heparinizado (heparina serve como anti-coagulante). O seu processamento é
feito através da centrifugação.

Basicamente, o processamento consiste em disponibilizar a amostra em pequenos capilares


ou microtubos, dependendo do equipamento que o laboratório dispõe.

Centrifugar por 5 minutos.

Depois da centrifugação, proceder à leitura. Esta pode ser feita automaticamente pelo aparelho ou
manualmente, que consiste em utilizar uma régua e medir o comprimento total da coluna de sangue
(no topo do plasma até o fundo da coluna onde se encontram as células vermelhas) em mm,
dividindo pelo comprimento da coluna em células vermelhas.

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Elabordo por: Nélio Ubisse
1.1.3. Leucograma

O leucograma refere-se à contagem das células brancas (glóbulos brancos) no sangue. O


processamento deste teste também depende do equipamento disponível no laboratório. Pode ser
processado electronicamente ou por meio de um microscópio.

Utiliza-se sangue venoso com anticoagulante EDTA ou sangue capilar. Não deve ser utilizada
amostra com heparina ou citrato de sódio. O ideal é fazer a contagem 6 horas após a colheita.

Se o processamento for realizado por meio de um microscópio, deve-se, primeiro, diluir o sangue
total com um reagente ácido para hemolizar as células vermelhas, ficando as células brancas para
a contagem. Utiliza-se uma placa especial pautada chamada placa de “neubauer” para contagem
(hemocitómetro).

Depois da diluição com uma pipeta ou capilar calibrado, extraem-se 20µl da amostra (0,02ml) que
colocam-se na placa para observação microscópica e faz-se a contagem. A contagem dos glóbulos
brancos é feita nos quatro quadrantes laterais.

1.1.4. Contagem das Plaquetas

Utiliza-se o mesmo processo (descrito acima para o hemocitómetro de Neubauer) e a contagem é


feita no quadrante central.

Figura 1: Camara/Placa de Neubauer

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Elabordo por: Nélio Ubisse
1.2.Velocidade de Hemosedimentação ou Velocidade de Sedimentação (VS)

A amostra é de sangue venoso com anticoagulante. São necessárias pipetas especializadas (pipetas
de velocidade de sedimentação Westergren). Estas podem ser de vidro ou de plástico descartável,
e devem ter padrões de comprimento e diâmetro.

O procedimento consiste em abrir o tubo com a amostra de sangue venoso com anticoagulante,
colocar verticalmente a pipeta no tubo, aspirar o sangue até o topo e deixar em repouso durante 1
hora. Depois deste tempo, fazer a leitura do comprimento até onde o plasma se encontra com as
células vermelhas.

2. Bioquímica sanguínea básica

A amostra de sangue para a bioquímica sanguínea é o sangue venoso ou sangue capilar. Os testes
bioquímicos são avaliados no soro. Antes da realização dos mesmos, deve-se centrifugar o sangue
para se obter o plasma/soro.

2.1.Glicemia

A glicemia pode ser medida no sangue ou no plasma. Dependendo do equipamento laboratorial, o


processamento pode ser feito no sangue capilar por meio de fitas reagentes e glucosímetro
(Glucometro) ou no plasma através do teste colorímetro.

Existem no mercado vários aparelhos de diferentes marcas. Todos eles são pequenos aparelhos
portáteis, que operam a pilhas, requerem pequena quantidade de sangue capilar e dão o resultado

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Elabordo por: Nélio Ubisse
em 30 segundos. O valor da glicemia é dado electronicamente usando electródos biosensores,
ou fotometricamente, por meio de reflexão.

Figura 2: Glucómetro

2.2.Ureia

A amostra para o teste de ureia é sangue venoso colhido num tubo seco ou tubo com gel.
Dependendo das condições de equipamento do laboratório, o processamento pode ser feito por
meio de aparelho automatizado ou através da técnica manual do colorímetro.

2.3.Creatinina

Como nos testes anteriores de bioquímica, a amostra é o sangue venoso colhido num tubo seco.
Existem laboratórios equipados com aparelhos automatizados em que o processamento e a leitura
são feitos automaticamente. Se o laboratório não dispõe deste equipamento, o processamento e a
leitura deverão ser feitos manualmente. A técnica recomendada é o método de Jaffe-Slot
modificado alcalino colorímetro.

Antes do processamento da amostra, deve-se preparar a solução padronizada e calibrada.

2.4.Colesterol e Triglicéridos

Esta amostra requer sangue venoso colhido num tubo seco. O seu processamento pode ser feito
automática ou manualmente.

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Elabordo por: Nélio Ubisse
Como nos outros testes, se o processo for manual, este é feito através do colorímetro que determina
a densidade do colesterol no sangue. Deve-se também ser preparada uma solução calibrada
e padronizada.

2.5.Iões: Potássio; sódio

A amostra é o sangue venoso colhido num tubo seco. O método do processamento destes testes
depende do equipamento disponível no laboratório.

2.6.Albumina

Este teste utiliza a amostra de sangue venoso colhido num tubo seco. Se o laboratório não dispõe
de equipamento automatizado para o processamento e leitura, a técnica manual utiliza o bromo-
cresol green reagente (BCG).

Tal como nos testes de glicemia, ureia e creatinina, neste teste também deve-se preparar uma
solução padronizada calibrada.

3. Bioquímica sanguínea específica


3.1.Ácido Úrico

Para este teste, a amostra requerida é o soro (tem que utilizar a centrífuga). Para tal, deve-se colher
sangue venoso. Dependendo do equipamento disponível, o seu processamento pode ser feito
automática ou manualmente. Se for feito manualmente, a leitura do resultado é feita através
do colorímetro.

3.2.Aspartato aminotransferase (AST) e Alanina aminotransferase (ALT)

A amostra para estes dois testes é o sangue venoso colhido num tubo seco. Dependendo
do equipamento laboratorial, o processamento pode ser feito automática ou manualmente. Neste
último caso, a técnica recomendada é o método de Reitman-Frankel ALT (um kit com quatro
reagentes). Para o teste de (AST) também está disponível um kit específico. O procedimento é
idêntico.

O AST também é referenciado como GOT (Transaminase Oxalacética Glutámica), e o ALT


também é referenciado como GPT (Transaminase Pirúvica Glutámica)

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Elabordo por: Nélio Ubisse
Como nos outros testes de bioquímica básica, uma solução padronizada e calibrada antes
do procedimento do teste.

3.3.Bilirrubina total

A amostra requerida é o sangue venoso colhido num tubo seco. O teste deve ser feito o mais
depressa possível e não deve ultrapassar 24 horas após a colheita.

4. Outros procedimentos no laboratório clínico


4.1.Proteína C – Reactiva

Para este teste, a amostra requerida é o plasma e, para tal, colhe-se sangue venoso num tubo seco.
Basicamente é um teste serológico e a técnicas de procedimento variam de acordo com o kit de
reagente disponível no laboratório.

Actualmente utiliza-se a medição qualitativa e quantitativa através do kit que emprega


reagentes baseados no princípio de látex aglutinação.

Recomenda-se que se realize este teste no mesmo dia em que for colhida a amostra e, se não for
possível, pode-se armazenar o plasma numa temperatura entre 2 - 8ºC não mais do que 72 horas.

4.2.Contagem de CD4

Para este teste, a amostra é o sangue venoso colhido num tubo com anticoagulante EDTA. É um
teste especializado, pois faz-se a contagem diferenciada de um tipo específico de células brancas.
Exige que o laboratório disponha de equipamento especializado, com pessoal treinado para o
correcto uso e a respectiva manutenção do aparelho, e por isso, é realizada principalmente nas
capitais provinciais e nos centros com serviços grandes de TARV.

Apenas a etapa inicial do processamento é feita pelo técnico que inclui a identificação correcta dos
microtubos que correspondem à amostra do paciente e a preparação da amostra para o aparelho
processar. As restantes etapas, incluindo a leitura dos resultados, é feita pelo aparelho. De referir
que actualmente existem várias marcas de aparelho comercializadas, mas basicamente
empregam o método citométrico para a contagem de CD4.

Recomenda-se que o processamento se realize no mesmo dia da colheita; se não for possível, pode-
se armazenar a uma temperatura de entre 2 - 8ºC não mais do que 72 horas.

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Elabordo por: Nélio Ubisse
4.3.Urina II

Para a realização deste teste, a amostra requerida é urina que pode ser colhida a qualquer hora do
dia, num recipiente limpo.

Testes bioquímicos na urina: Proteína; Glucose; Corpos cetónicos; Bilirubina; Urobilinogénio;


Hemoglobina; Nitritos e leucócitos; Gravidade ou densidade específica; No exame da urina II
também se examina o pH.

Para os testes bioquímicos acima descritos, existem disponíveis fitas impregnadas com os
reagentes acima descritos.

4.3.1. Procedimento
a. Recolhe-se 10 a 20 ml de urina num frasco limpo.
b. Mergulha-se a fita neste frasco onde contém a amostra por 10 - 20 segundos.
c. Retira-se e aguarda-se por um minuto; observam-se mudanças de cor nos diferentes
compartimentos da fita que correspondem aos diferentes elementos bioquímicos. Faz-se a
leitura.
d. A leitura é feita comparando a cor dos diferentes compartimentos da fita testada com a
tabela colorida padrão já disponível na embalagem da fita.
e. De referir que, se o laboratório não dispõe destas fitas comerciais, existem
disponíveis reagentes químicos que poderão ser usados para testar cada um dos
elementos acima descritos.

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Elabordo por: Nélio Ubisse
5. Grupo Sanguíneo: Sistema ABO e Factor Rh
O sistema ABO e o factor rhesus (Rh) são clinicamente muito importantes. Os doadores e os
pacientes devem ser correctamente agrupados, porque a incompatibilidade sanguínea durante a
transfusão do sangue pode resultar na morte do paciente.

Sistema ABO. Baseado na presença ou não de dois antigénos, A e B. Existem 4 grupos sanguíneos
(cada pessoa pertence a somente um deles):

a. Grupo “A”, com antígeno A na superfície eritrocitária. O indivíduo com este antígeno
pode desenvolver anticorpos B (anti-B).
b. Grupo “B”, com antígeno B na superfície dos eritrócitos. O indivíduo com este
antígeno pode desenvolver anticorpos A (anti-A).
c. Grupo “AB”, com ambos antígeno A e B na superfície dos eritrócitos. O indivíduo com
estes antígenos não desenvolve nenhum anticorpo, pois se isso acontecesse iria destruir os
seus próprios eritrócitos. Por isso, este indivíduo é chamado de receptor universal (pode
receber sangue de todos os grupos).
d. Grupo “O”, com nenhum antígeno na superfície dos eritrócitos. O indivíduo com este
grupo pode desenvolver tanto anticorpos A assim como anticorpos B (anti A e anti B). Por
isso, este indivíduo é chamado de doador universal e só pode receber o sangue do indivíduo
do mesmo grupo.

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Elabordo por: Nélio Ubisse
O sistema rhesus pertence a uma proteína na superfície das células vermelhas do sangue, que é
determinada geneticamente por um par de alelos. Existem seis genes (notados com letras C, c, D,
d, E, d) que producem seis antigénios que estão localizados nas células vermelhas. Na prática
clínica, o mais importante destes antigénios é o D, porque é o mais imunogénico. O antigénio D
tem a capacidade de produzir imunuglobulinas (IgG), anticorpos anti-D e causar reacções
hemolíticas muito severas. Os indivíduos são agrupados em:

a. Rh+ (positivo). O indivíduo tem o gene D e as suas células vermelhas (eritrócitos)


expressam o antigénio D
b. Rh- (negativo). O indivíduo não apresenta o gene D e as suas células vermelhas não
expressam o antigénio D.

Para reduzir os erros no agrupamento sanguíneo ABO, recomenda-se fazer o teste nas células

sanguíneas e no soro (a parte clara do sangue após a centrifugação) do paciente. Assim:

a. As células vermelhas são testadas para os antigénios A e B usando soro anti-A e anti-B.
b. O soro é testado para os anticorpos anti-A e anti-B, usando células vermelhas A e B já
conhecidas.

Várias técnicas de procedimento são conhecidas e usadas na prática clínica. Basicamente, para o
procedimento deve-se ter a amostra a ser testada que pode ser sangue venoso ou capilar, o anti-A
e anti-B, e controlos para cada grupo sanguíneo.

Estes procedimentos podem ser feitos em tubos de ensaio, láminas de microscópio ou fitas/cartões
preparados para o efeito, dependendo se o objectivo é de conhecer o grupo sanguíneo de um
indivíduo, de um grupo de doadores ou grupo de pacientes ou, ainda, se o teste requer urgência ou
não.

Se, por exemplo, o procedimento a ser usado for o método do tubo de ensaio, procede-se da
seguinte forma:

a. Preparam-se 5 tubos e rotulam-se de 1 a 5;


b. Em cada tubo pipeta-se:

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Elabordo por: Nélio Ubisse
c. Mexe-se o conteúdo dos tubos batendo com a ponta do dedo na base do tubo;
d. Deixa-se à temperatura ambiente por 5 min. Centrifuga-se a baixa rotação por 1min;
e. Colocam-se os tubos na posição inicial antes da centrifugação e faz-se a leitura,
observando a aglutinação (é similar à coagulação ou coalescência dos glóbulos
vermelhos) ou hemólíse das células (significa ruptura dos glóbulos).

A interpretação será a seguinte:

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Elabordo por: Nélio Ubisse

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