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TCC Lucidalva

TCC EM EDUCAÇÃO
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FACULDADES XV DE AGOSTO - FAQ

PÓS EM ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO

LUCIDALVA LACERDA BRASCIOLI

LER E ESCREVER: A IMPORTÂNCIA DESSAS HABILIDADES


NA ETAPA INICIAL DE ALFABETIZAÇÃO.

TABOÃO DA SERRA, 2014


LUCIDALVA LACERDA BRASCIOLI

LER E ESCREVER: A IMPORTÂNCIA DESSAS HABILIDADES NA ETAPA


INICIAL DE ALFABETIZAÇÃO.

TRABALHO DE CURSO SUBMETIDO À


FACULDADE XV DE AGOSTO - FAQ
COMO PARTE DOS REQUISITOS
NECESSÁRIOS PARA A OBTENÇÃO DO
GRAU DE PÓS GRADUADA EM
ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO. SOB
A ORIENTAÇÃO DA PROFESSORA
EDNA MARIA DE LIMA SANTIAGO
SOUZA

Taboão da Serra/SP, 2014


LUCIDALVA LACERDA BRASCIOLI

Título: Ler e escrever: a importância dessas habilidades na etapa


inicial da alfabetização

Trabalho de Curso
submetido à Faculdade
Brasil, como parte dos
requisitos necessários
para a obtenção do Grau
de Pós Graduação em
Alfabetização e
Letramento.

______________________________

Examinador: Professora Orientadora:

Edna Maria de Lima Santiago Souza

Taboão da Serra, julho de 2014.


“Dedico este trabalho a
todos os que
compartilharam dos
meus desafios e
angústias, me apoiando
e incentivando em todos
os momentos desta
trajetória”.
AGRADECIMENTOS

Agradeço a Deus, em primeiro lugar,


pela vida e oportunidade para
realizar este sonho e, acima de tudo
aos familiares e amigos que
compreenderam minhas ausências
e esforços para terminar mais uma
etapa dos meus estudos. Aos
professores e colegas de sala que
dividiram seus conhecimentos e
experiências, fazendo-me crescer ao
promover discussões em que
construí e reconstruí meus valores e
postura. Enfim, a todos que direta e
indiretamente contribuíram com este
trabalho, o meu muito obrigado!
"Se fosse ensinar a uma criança a beleza
da música não começaria com partituras,
notas e pautas.
Ouviríamos juntos as melodias mais
gostosas e lhe contaria sobre os
instrumentos que fazem a música.
Aí, encantada com a beleza da música, ela
mesma me pediria que lhe ensinasse o
mistério daquelas bolinhas pretas escritas
sobre cinco linhas.
Porque as bolinhas pretas e as cinco linhas
são apenas ferramentas para a produção
da beleza musical. A experiência da beleza
tem de vir antes".

Rubem Alves
RESUMO

Parece ser redundante falar em leitura e escrita no ciclo de


alfabetização, pois muitos autores tratam do tema, mas diante de tantos
fracassos neste processo de se alfabetizar nas séries iniciais é que se
questiona a importância dessas habilidades. Há décadas que lemos e vimos a
crescente preocupação com este tema, sendo demonstrado nas mais
diferentes estratégias do poder público para que este problema da não
alfabetização nas séries iniciais não seja uma fatídica repetição ano após ano.
Ter o domínio da leitura e escrita é pré requisito para a inserção social,
para a compreensão do mundo em que vivemos, pois pertencemos a um
mundo letrado em que todas as ações humanas giram em torno do letramento,
da leitura e da escrita com significado e função social.
Saber ler e escrever perpassa a simples representação gráfica de
símbolos ou a codificação e decodificação de letras e sons, tem a função de
preparar a criança para atuar no mundo letrado, dando-lhe condições para
resolver situações cotidianas e interagir de maneira eficaz nesta sociedade de
informações rápidas e que exigem estratégias mais rápidas ainda de seus
sujeitos.
A importância do ler e escrever nas séries iniciais recai no papel da
escola em formar cidadãos letrados que deem conta da demanda social em
qualquer área do saber, mostrando-se atores da construção do conhecimento,
na elaboração de concepções e hipóteses. Sujeitos esses, críticos, que
entendem o processo da construção deste saber e que não sejam meros
reprodutores, ou seja, realizam a leitura e a escrita de forma mecânica, não
garantindo uma interação plena com os diferentes tipos de textos que circulam
na sociedade, pois é necessário não apenas decodificar sons e letras, mas
entender os significados do uso da leitura e da escrita em diferentes contextos.
Diante desse quadro, nos propomos a analisar, compreender e com um
olhar atento averiguar a importância do ler e do escrever assegurado nas
séries iniciais e que caminhos os professores percorrem para que esse
processo aconteça. Com esse propósito verificaremos um breve percorrer do
processo de leitura e escrita na história da alfabetização brasileira, os conceitos
de Alfabetização/Letramento e leitura/escrita, bem como os passos construídos
pelos educadores para que a criança se alfabetize.
Para desenvolver tal pesquisa nos valeremos de bibliografias que
fundamentarão tal estudo, fortalecendo a ideia de que a construção da leitura e
escrita nas séries iniciais é de suma importância para o êxito na vida escolar
dos alunos e na sua progressão individual e social, enquanto cidadãos dotados
de direitos que incorpora práticas sociais de leitura e escrita, fazendo o uso
funcional da leitura e da escrita no contexto social.
Acreditamos que a aprendizagem é uma construção significativa e que
depende não apenas do aluno, mas da relação entre professor-aluno,
elementos alfabetizadores, ambiente acolhedor e propício ao processo de
aprendizagem, a troca entre os pares e a motivação e incentivo para o
aprender, onde não existe ensinante e aprendente, mas a recíproca relação da
aprendizagem no ambiente escolar e extra-escolar.

Palavras chave: leitura, escrita, aprendizagem, alfabetização, letramento.


ABSTRAT

Seems redundant to speak of reading and writing in the literacy


cycle, as many authors deal with the subject, but with so many failures in
this series become literate in the initial process is that questions the
importance of these skills. For decades we have read and seen the
growing concern about this issue, been demonstrated in different
strategies of government to this problem of not literacy in the early
grades is not a fateful repeat year after year.
Have mastery of reading and writing is a prerequisite for social
inclusion, for understanding the world we live in, we belong to a literate
world in which all human actions revolve around literacy, reading and
writing with meaning and social function.
Reading and writing permeates simple graphical representation of
symbols or the encoding and decoding of letters and sounds, has the
function of preparing the child to act in the literate world, giving conditions
for solving everyday situations and interact effectively in this society
information faster and faster strategies that require further their subjects.
The importance of reading and writing in the early grades in the
school paper lies in forming literate citizens that give account of the
social demand in any area of knowledge, being actors in the construction
of knowledge, development of concepts and hypotheses. These subjects,
critics, who understand the process of building this knowledge and are
not mere breeding, ie, perform the reading and writing mechanically, not
ensuring full interaction with the different types of texts that circulate in
society, because is necessary not only to decode letters and sounds, but
understanding the meanings of the use of reading and writing in different
contexts.
Given this situation, we propose to analyze, understand, and with
a careful eye to determine the importance of reading and writing in the
early grades and ensured that teachers traverse paths for this process to
happen. To this end we can see a brief walk through the process of
reading and writing in the history of Brazilian literacy concepts Literacy /
Literacy and reading / writing as well as the steps built by educators for
the child to alphabetize.
To develop such research in valeremos bibliographies that will
explain such a study, strengthening the idea that the construction of
reading and writing in the early grades is critical to the success of
students in school life and in their individual and social progress, while
endowed citizens of rights that incorporates social practices of reading
and writing, making functional use of reading and writing in the social
context.
We believe that learning is a significant building and it depends not
only the student but the teacher-student ratio, literacy elements,
welcoming and conducive to the learning environment, the exchange
among peers and the motivation and incentive to learn, where there is no
teacher and learner, but the reciprocal relationship of learning at school
and outside school.

Keywords: reading, writing, learning, literacy, literacy.


SUMÁRIO

Introdução ....................................................................................................... 12

Justificativa ...................................................................................................... 13

Objetivos .......................................................................................................... 14

Metodologia ......................................................................................................14

Capítulo I

Os caminhos da alfabetização ..........................................................................15

Capítulo II

Entendendo Alfabetização e Letramento: conceitos e características...............20

2.1- Alfabetização ............................................................................................22

2.2 – Letramento ...............................................................................................24

Capítulo III

A importância da leitura e escrita na etapa inicial da alfabetização...................28

Considerações finais .........................................................................................32

Referências bibliográficas .................................................................................34


12

INTRODUÇÃO

Ao se falar em questões que abordam o processo de alfabetização e


letramento, deve-se ter claro que são processos indissociáveis e que, portanto,
caminham juntos. No entanto, estar alfabetizado é considerado aquele que
conhece o código escrito, sabe ler e escrever de maneira mecânica, enquanto
que o aluno que construiu sua aprendizagem pelo letramento tem sua ação
educativa no uso de práticas sociais da leitura e da escrita, ou seja, faz o uso
em contextos reais e significativos dessa aprendizagem, tendo uma
funcionalidade e intencionalidade, sendo capaz de utilizar essas competências
em diversas situações sociais.
As competências de leitura e escrita fazem parte de um processo de
aquisição e domínio dos saberes que se dá em um trabalho continuo de
elaboração cognitiva por meio da inserção no mundo letrado pelas interações
sociais e orais, considerando a significação que essas habilidades têm na
sociedade. Percebemos tal importância e relevância no sentido da participação
crítica nas práticas sociais que envolvem o ler e o escrever, mas principalmente
no sentido de considerar esses conhecimentos na vida cotidiana, constitutivos
de nossa identidade e aliada das formas mais elaboradas de explicar aspectos
da realidade. (GOULART, 2002, p. 52).
Atualmente, vivemos em uma sociedade, em que as crianças chegam à
escola com conhecimentos prévios em relação à cultura letrada. Neste sentido
é importante que o educador faça o uso destes conhecimentos para construir a
leitura e a escrita, utilizando diversos portadores de textos, que contenham
diferentes gêneros textuais, como leitura de anúncios, revistas, jornais,
realizações de bilhetes, cartas, para que assim a criança possa interagir e
integrar-se ao mundo letrado, desde o início de sua trajetória escolar.
Oportunizar a experiência com textos variados e de diferentes gêneros é
fundamental para a constituição do ambiente de letramento, pois permitirá as
crianças construírem e reconstruírem suas hipóteses, tornando-se sujeitos
dessa construção. Partindo deste principio, os textos de literatura geral e
infantil, jornais, revistas, textos publicitários, entre outros, são os modelos que
13

se podem oferecer as crianças para que aprendam sobre a linguagem que se


usa para escrever. (BRASIL, 1998, p. 151-152).
Trabalhar a alfabetização requer parcerias e se possível for, a família
desempenhará um papel fundamental neste processo ao contribuir com as
práticas de leitura e de escrita, incentivando as crianças em casa, com acesso
a diferentes portadores textuais, realizando leituras de histórias infantis,
oportunizando a escrita ou a representação simbólica do registro, entre outros,
para que ao chegarem à escola, possam desenvolver o trabalho com mais
facilidade, percebendo logo no início da aprendizagem o valor da leitura e da
escrita no meio social.
Visto que a leitura e a escrita é um ato importante para a vida em
sociedade cada vez mais o professor deve estar preparado para não apenas
alfabetizar os seus educandos, mas letrá-los para que consigam interagir nesta
sociedade, pois como veremos com Soares, Kleiman, Ferreiro, Teberosky,
entre outros, a leitura e a escrita não se limitam, apenas, à decifração, a
codificação e a decodificação de sinais gráficos. É muito mais do que isso,
exige do indivíduo uma participação efetiva levando-o a construção do
conhecimento. Assim, as crianças estarão sendo preparadas para conhecerem
o mundo que as rodeiam, assimilando a maneira correta de compreender o
código e refletir sobre ele.

Justificativa: o presente trabalho tem objetivo refletir sobre a importância da


leitura e escrita pelas crianças nas séries iniciais, compreendendo como
acontece esta aprendizagem e qual o papel dos elementos alfabetizadores e
do professor neste processo, pois temos observado ao longo do tempo, que
apesar de muitos métodos e concepções de aprendizagem serem
apresentados durante a história da alfabetização, muitos alunos continuam sem
essas competências. Diante deste fato, entender porque ler e escrever nas
séries iniciais é um pré requisito básico para o sucesso no processo escolar é
fundamental compreender como essa aquisição acontece e de que maneira
deve acontecer para que as crianças tenham êxito no seu desenvolvimento
enquanto sujeito.
14

Objetivo Geral: Promover uma reflexão crítica sobre a importância da leitura e


da escrita nas séries iniciais do Ensino Fundamental I, à luz das ideias e
concepções desenvolvidas e discutidas por diferentes autores e que estarão
expostas ao longo do estudo desenvolvido, enfatizando e reafirmando a
importância dessas competências nas relações sociais.

Objetivos Específicos:

 Conhecer e compreender os conceitos de alfabetização e letramento,


como processos fundamentais para a aquisição da leitura e da escrita;
 Refletir nas diferentes estratégias de aprendizagem e nos diversos
elementos alfabetizadores que objetivam as competências de leitura e
escrita nas séries iniciais;
 Conhecer os caminhos trilhados pelas crianças para a construção da
hipótese da escrita e da leitura;
 Promover a reflexão sobre o papel do professor na construção no
processo de alfabetização;
 Enfatizar a importância da leitura e da escrita nas séries iniciais, pautado
em autores que respaldam tal aquisição para a autonomia e construção
da identidade social das crianças, promovendo a reflexão crítica desta
aprendizagem como importante veículo de letramento e relações sociais.

Metodologia:

Este trabalho estará pautado em um estudo bibliográfico sobre o tema


proposto organizando-o na seguinte descrição, no Capítulo I,; no Capítulo II, a
conceituação e características de Alfabetização/Letramento; no Capítulo III, A
importância da leitura e da escrita nas relações sociais e constituição da
identidade.
15

CAPÍTULO I – Os caminhos da alfabetização

Durante muito tempo verificamos que a alfabetização escolar tem sido


alvo de várias controvérsias teóricas e metodológicas, exigindo das escolas e
dos profissionais constantes mudanças em suas práticas com novas
estratégias e constantes formações com o intuito de lidar com o desafio de
alfabetizar.
A atuação dos professores, antes de ser disseminada a Psicogênese da
Língua Escrita ensinavam para as crianças a leitura e a escrita a partir das
vogais e posteriormente as sílabas, respeitando a ordem alfabética, com
exercícios de coordenação motora, atividades de cópia e fixação para que as
crianças repetissem, ou seja, um ensino fragmentado e descontextualizado.
Tratava-se de uma visão mecanicista da aprendizagem, com conteúdos
cumulativos, baseados na cópia, na repetição, no reforço e na memorização
das correspondências fonográficas.
A aprendizagem ocorria nos moldes das cartilhas, onde o professor era o
único detentor do saber e as crianças como seres sem nenhum tipo de
conhecimento, ou seja, uma educação bancária, onde o professor depositavam
os conhecimentos nos alunos, que os recebiam sem nenhum tipo de
questionamento ou reflexão. Neste período desconhecia-se a importância da
criança desenvolver a sua compreensão do funcionamento do sistema de
escrita alfabética e de saber usá-la desde o início de sua escolarização em
situações reais de comunicação.
Somente na década de oitenta é que surgiu o termo “analfabetismo
funcional” que designava as pessoas que, sabiam escrever o próprio nome e
identificavam as letras, mas não sabiam fazer uso da leitura e da escrita no seu
cotidiano, fazendo conexões com as situações reais do seu dia a dia. Mesmo
os que permaneciam por um maior tempo na escola, não conseguiam interagir
e se apropriar das competências leitoras e escritoras no mundo social. De
acordo com Soares (2004) a alfabetização é “[...] a ação de ensinar e aprender
a ler e a escrever”, ao tempo que letramento “[...] é estado ou condição de
quem não apenas sabe ler e escrever, mas cultiva e exerce as práticas sociais
que usam a escrita”. Neste sentido alfabetização é entendida como sendo um
16

caminho para o letramento, onde se considera alfabetizado o indivíduo que


conhece o código escrito, que sabe ler e escrever, mas que não garante o
letramento, assim, se faz necessário ampliar esses conhecimentos, os
indivíduos precisavam compreender o sentido dos textos e dos usos e funções
da leitura e escrita no contexto social.
Verificamos que a alfabetização refere-se à aquisição da escrita
enquanto aprendizagem de habilidades pela leitura, escrita e as chamadas
práticas de linguagem. Isso é construído, em geral por meio do processo de
escolarização e, portanto da instrução formal. A alfabetização pertence assim,
ao âmbito individual. (TFOUNI, 1998, p.9, e 1995, p. 9-10).
O letramento supera o paradigma de mera tarefa de codificação e
decodificação, ao tempo que situa a aprendizagem do código a partir dos usos
sociais da escrita atribuindo-lhes sentido e significado com base nas diferentes
situações de utilização. Nesse sentido, há uma ampliação da questão
metodológica, em que esta constitui um conjunto amplo de decisões
relacionadas ao como fazer com decisões relativas a métodos, à organização
da sala de aula, um ambiente de letramento, capacidades a serem atingida,
escolha de materiais, procedimentos de ensino, formas de avaliar, sempre num
contexto da política mais ampla de organização do ensino.
De acordo com Soares (2004), o termo letramento surge a partir das
novas relações estabelecidas com as práticas de leitura e escrita na sociedade,
em que não basta apenas saber ler e escrever, mas que funções a leitura e a
escrita assumem em decorrência das novas exigências impostas pela cultura
letrada. Assim, revelou-se a evolução conceitual das crianças compreenderem
como funciona o nosso sistema de escrita, incorporando a ideia defendida por
Goodman (1967) e Smith (1971) (apud SOARES, 2004) de que ler e escrever
são atividades comunicativas e que devem ocorrer através de textos reais onde
o leitor ou escritor lança de seus conhecimentos da língua.
Historicamente a tradição de alfabetização estava vinculada a uma
concepção, em que a aprendizagem inicial da leitura e da escrita tinha como
foco fazer o aluno chegar ao reconhecimento das letras, fonemas e sons da
palavras significativas no seu meio cultural, a partir de 1980 a alfabetização
escolar no Brasil passou por novos questionamentos, novas concepções de
resultados, em que simplesmente decodificar e codificar as letras não eram
17

mais suficientes, mas deveria estar de acordo com as relações sociais, com a
resolução cotidiana de problemas.
Dessa forma, o termo letramento foi criado, com Mary Kato em 1985,
para designar aqueles que exercem práticas sociais de leitura e escrita, que
transcende apenas o ensinar a ler e a escrever, percebendo que estas práticas
acontecem com crianças que participam de eventos em que a escrita é
integrante no processo de condições iniciais, sob os aspectos social, cultural,
cognitivo e de inserção em uma sociedade letrada.
Com a divulgação de estudos e pesquisas sobre a psicogênese da
língua escrita (FERREIRO; TEBEROSKY, 1985) o enfoque construtivista
tornou-se, um dos mais influentes na elaboração de novas propostas de
alfabetização. Esta proposta defende uma alfabetização contextualizada e
significativa através da transposição didática das práticas sociais da leitura e da
escrita para a sala de aula e considera a descoberta do princípio alfabético
como uma consequência da exposição e experiências aos usos da leitura e da
escrita.
De acordo com Teberosky (1994) a formação de um vocabulário estável
de palavras a partir dessas práticas seria o principal referencial da criança para
a descoberta do sistema alfabético, uma vez que a partir dos conflitos
vivenciados pela criança entre a sua concepção original de escrita e a escrita
convencional dos nomes.
De acordo com a metodologia da alfabetização tradicional a ênfase está
no código, um indivíduo alfabetizado não é necessariamente um indivíduo
letrado, alfabetizado, neste sentido, é aquele que sabe ler e escrever, codificar
e decodificar a língua escrita. Enquanto a alfabetização ocupa-se da aquisição
da escrita por um individuo, ou grupos de indivíduos, o letramento focaliza os
aspectos sócio-históricos da aquisição de um sistema escrito por uma
sociedade. (TFOUNI, 1995, p.20).
O processo de construção da linguagem escrita na criança faz parte de
seu processo geral, se dá como um trabalho contínuo de elaboração cognitiva
por meio de inserção no mundo da escrita pelas interações sociais e orais,
considerando a significação que a escrita tem na sociedade. No caso do
letramento no processo de aprendizagem da criança as duas modalidades de
linguagem verbal dialogam-se na perspectiva do letramento, o qual vem sendo
18

visto como um fator central, afeta a cognição por intermédio do


desenvolvimento tanto na transformação conceitual do sujeito quanto na
cultural, deve ser interpretado como algo geral que vai além da competência
para a escrita.
Verificou-se que as crianças cujas famílias participam de atos de leitura
desde muito cedo, vindo de familiares escrevendo e lendo, chegam à escola
conhecendo muito do uso e funções sociais da língua escrita, diferente das
crianças oriundas das famílias pouco alfabetizadas, pois entenderão que o
texto escrito é aquele que a escola lhes apresenta.
Com a perspectiva psicogenética se alterou a concepção do processo de
construção da representação da língua escrita pela criança, pois deixa de ser
considerada como dependente de estímulos externos para aprender o sistema
de escrita, ou seja, um ser passivo e receptor de conhecimentos. Essa
concepção por muito tempo foi utilizada, pois estava presente nos métodos de
alfabetização designados "tradicionais" e, com a nova concepção de
aprendizagem, o aluno passa a ser sujeito ativo capaz de construir esse
sistema de representação interagindo com a língua escrita e em uso de
práticas sociais e a aprendizagem se dá por uma progressiva construção do
conhecimento, na relação da criança com o objeto "língua escrita".
A escrita é uma construção histórica e vemos que o seu ensino dentro
da proposta de letramento é uma obrigatoriedade não apenas do Brasil, mas
também de outros países, nas últimas décadas, uma concepção holística da
aprendizagem da língua escrita, que parte do princípio de que aprender a ler e
a escrever é aprender a construir sentido para e por meio de textos escritos,
usando experiências e conhecimentos prévios.
Durante muitas décadas o modelo tradicional de alfabetização, traduzida
nos métodos analíticos ou sintéticos, tornava os dois processos independentes,
ou seja, desvinculava alfabetização de letramento, porém, na concepção atual,
os dois processos são simultâneos, deve-se conservar os dois termos, embora
sejam processos interdependentes, são processos diferentes, envolvendo
conhecimentos, habilidades e competências específicas, que implicam formas
de aprendizagem diferenciadas e, procedimentos diferenciados de ensino.
Neste sentido se faz necessário às práticas de alfabetização e de
letramento nas salas de aula, em que as crianças tenham interação com a
19

cultura escrita, participando de experiências variadas com a leitura e a escrita,


conhecendo os diferentes tipos e gêneros de material escrito para assim
compreenderem a função social que a leitura e a escrita trazem. No entanto, é
importante verificar as possibilidades e necessidades de promover a
conciliação entre essas duas dimensões da aprendizagem da língua escrita, a
reciprocidade entre alfabetização e letramento, sem perder, a especificidade de
cada um desses processos.
20

CAPÍTULO II – Entendendo Alfabetização e Letramento:


conceitos e características

No capítulo anterior constatamos que para existir um processo de


aquisição de conhecimento de leitura e escrita de maneira eficaz em que as
crianças demonstrem tais competências nas suas relações sociais e com o
mundo é preciso que ocorra a alfabetização reciproca com o letramento. Assim,
se faz necessário conhecer tais termos e quais as suas características e
importância no papel da escolarização de nossas crianças. A partir de tais
necessidades será descrito o significado global dos mesmos pautados em
autores que corroborarão para o entendimento de concepções que são
complexas e abrangentes.
Até o presente momento verificamos que alfabetização e letramento
estão intrinsecamente ligados, sendo uma taxativa dos PCNs (Parâmetros
Curriculares Nacionais) ao documentar que o ensino da linguagem deve ser
direcionado a três fundamentos básicos: a leitura, a compreensão e a produção
numa relação de contexto social. Portanto, ler e escrever estão intimamente
relacionados e tem importância no inicio da escolarização, pois permite aos
educandos a compreensão e interação com o mundo, devendo ser uma
prerrogativa do trabalho do professor, como afirma Paulo Freire (1990, p.54),

"Trata-se de aprender a ler a realidade (conhecê-la) para em seguida


poder reescrever essa realidade (transformá-la)".

Neste sentido, cabe ao educador, desenvolver o ensino da leitura e


escrita de maneiras funcionais, sem deixar de lado as especificidades dos
educandos, seu contexto e seus conhecimentos prévios, pois estão em
constante estimulação visual, tátil e oral de portadores textuais. É fundamental
que os professores propiciem elementos alfabetizadores aos seus alunos como
(revistas, jornais, gibis, rótulos, literatura, textos informativos, instrucionais,
listas, folders entre muitos outros), além das rodas de conversa, leituras diárias
de diferentes portadores e gêneros textuais.
Deve-se ter claro que a sala de aula é o ambiente em que as crianças
poderão confrontar suas ideias e concepções sobre as hipóteses da escrita e a
21

aquisição da leitura, é neste local que elas poderão trocar informações,


experiências, compartilhar saberes, construir e reconstruir seus conhecimentos,
por esse motivo, o professor tem um papel fundamental, pois será o mediador
det odo esse processo.
De acordo com as concepções de leitura e de produção textual
defendidas por Cagliari (1989), Ceccon (1992) e Soares (1998) e vista as
grandes mudanças ocorridas na sociedade e em todas as relações sociais é
fundamental que a escola mude a sua postura de autoritarismo, de
conteudismo e de repressora, possibilitando que o trabalho desenvolvido em
sala de aula facilitem o aprendizado, constituindo em um lugar privilegiado de
construção do conhecimento de maneira a construir cidadãos autônomos,
críticos e engajados no mundo social, cultural e político.
Conforme Vasconcelos (2002) o domínio da leitura e da escrita deve
estar sempre dimensionado para desenvolver múltiplas e diversas formas de
refletir e de perceber a vida, capaz de aprimorar cada vez mais a sua
capacidade de atenção, seu senso crítico, ser capaz de efetuar análise e
reflexão sobre realidade, podendo nela interferir de forma mais coerente.
Ainda como afirma José e Coelho (1993, p.76).
[...] “a fala, a leitura e escrita não podem ser consideradas como
funções autônomas e isoladas, mas sim como manifestações de
um mesmo sistema, que é o sistema funcional de linguagem”
José e Coelho (1993, p. 76).

Cabe esclarecer, que o professor deve ser um grande observador em


sala de aula, conhecendo seus alunos, o contexto social em que estão
inseridos, para que o planejamento das aulas ocorra de maneira a atender as
necessidades dos mesmos, em que todos possam desenvolver o seu
aprendizado. Ferreiro (1993) destaca que mesmo os educandos que
apresentam dificuldades intelectuais, psicomotoras e ou emocionais, ou as que
vêm de ambientes pobres, pouco estimuladores, nos quais são poucos
esclarecidos, carentes no plano sócio-cultural-econômico, conseguem
aprender, nas suas próprias palavras “ninguém é totalmente incapaz para
aprender, basta que lhes sejam oferecidas ou criadas oportunidades para tal
efeito”.
22

Para Soares, (2002, p.5), um educando se torna alfabetizado quando se


apropria da escrita, isto é, faz uso de práticas sociais de leitura e escrita. Para
a autora não basta estar alfabetizado, ter a aquisição do sistema convencional
de escrita, é preciso atingir o letramento, ou seja, o desenvolvimento de
habilidades de uso desse sistema em atividades de leitura e escrita nas
práticas sociais que envolvem a língua escrita.

2.1 – ALFABETIZAÇÃO

O termo alfabetização de acordo com o MEC pode considerada como o


ensino das habilidades de “codificação” e “decodificação” das letras e sons
fonéticos. Neste sentido, alfabetizado designa, então, o estado daquele que
sabe ler e produzir textos, com finalidades funcionais, desconectado das
funções sociais da escrita.
Neste sentido MORTATTI (2004) critica explicitamente a concepção de
alfabetização restrita à codificação e decodificação de sinais gráficos, pois
alfabetizar pressupõe conhecimento reflexivo da escrita, para além da fala;
exige como já aponta etimologicamente a palavra alfabetizar- a aglutinação de
alfa e beta, as duas primeiras letras gregas para o domínio do sistema de
escrita. Considera-se alfabetizado o individuo que não conhece apenas as
letras e os seus sons fonéticos, mas vai além disso, significa compreender
como essas letras se combinam e que relações estabelecem entre a fala e a
escrita, ou seja, a compreensão do sistema alfabético da escrita, tendo a
ciência de sua importância nas relações sociais e na interação com o mundo
letrado.
Diante disso, há de se ter claro no processo de aquisição da leitura e
escrita que alfabetizar significa: compreender que falar (que é uma
representação de primeira ordem) é diferente de escrever, pois escrever é
operar com um sistema de segunda ordem em que se faz necessário
compreender as diferentes relações possíveis dentro do sistema desde o
princípio da alfabetização, tendo ciência que tentar ler e tentar escrever é testar
hipóteses dentro desse sistema, é uma construção contínua do conhecimento,
onde teoria e prática são intrínsecas.
23

O conceito de alfabetização foi sendo construída e disseminada pelos


discursos, pelas práticas pedagógicas e pelas cartilhas de alfabetização. De
acordo com Paulo (FREIRE, 1983, apud SOARES, 2000, p. 74):
[...] os sentidos das palavras “alfabetização”, “alfabetizado”,
“analfabetismo” se abrange, passando a abranger questões
relacionadas não apenas à aquisição do código escrito em situação
escolar, mas também, à “leitura do mundo” e, em decorrência, a
uma participação mais consciente de cada cidadão na
transformação da realidade política, social e cultural brasileira. [...].
(Soares, 2000, p. 74)

Assim, estar alfabetizado é ir além de compreender o funcionamento do


sistema alfabético, é ser capaz de ler e atribuir sentidos ao que se lê, e
escrever são os registros significativos desta compreensão, ou seja,
registrando sua visão de mundo.
Neste vertente o educador como mediador desta aprendizagem precisa
criar situações significativas em práticas alfabetizadoras de oralidade, leitura,
escrita e compreensão do sistema alfabético para que os alunos se expressem
oralmente, procurem ler e escrever tenha curiosidade em entender como
funciona nossa escrita e qual a função e uso da mesma dentro do contexto
social. E para que este processo ocorra com êxito, a base desse processo
deve ser o trabalho com diversos gêneros e portadores textuais, pois apenas
vivenciando e manuseando estes portadores, se poderá garantir a leitura da
palavra no mundo e a inserção na sociedade.
Com o intuito de se realizar um trabalho com objetivos claros e com
metas que atenda o processo de alfabetização nas séries iniciais como um
recurso importante para a atuação em sociedade é necessário que o educador
trace um plano de trabalho e siga um currículo pautado nas seguintes
observações:
 Compreender a concepção de alfabetização e letramento;
 Ter claro a concepção de sujeito aprendente neste processo,
como sujeito construtor do seu próprio conhecimento;
 Entender os conflitos envolvidos no processo de alfabetização no
âmbito linguístico, cultural e social;
 A relação intrínseca entre ensinar e aprender;
 O papel do educador como mediador do conhecimento;
 Conhecer as concepções de leitura e escrita;
24

 Elaborar atividades que envolvam a compreensão da função


social da escrita e da leitura e seus diferentes usos, a aquisição
da leitura e da escrita como um recurso de inserção no meio
social e o domínio do sistema gráfico, de maneira reflexiva.
 Atuar com procedimentos metodológicos que garantam a
sistematização de um trabalho para o domínio da leitura e da
escrita, compreendendo a importância do registro escrito como
forma de documentação do conhecimento aprendido e como
portador para a expressão do pensamento.
 Conhecer o seu grupo de alunos, para que possa atuar diante das
diversidades e singularidades de cada um, nas especificidades
que cada criança apresentar no seu processo de alfabetização.
 Construir parcerias produtivas com a família, a comunidade, os
alunos em sala de aula, com a escola como um todo (desde a
equipe escolar até os funcionários), como agentes ativos neste
processo de aprendizagem.
Assim, alfabetizar, se propõe em primeiro lugar, a necessidade de se
conhecer esta concepção, para que em decorrência deste e a compreensão de
sua importância no processo de aquisição da leitura e escrita desde as séries
iniciais, se desenvolva a alfabetização no contexto do letramento, tendo a
clareza de que o processo de aprendizagem tem diferentes dimensões e
facetas, demandando o conhecimento de sua clientela, pois a metodologia a
ser estabelecida com o seu grupo pode ser única ou múltipla e para finalizar
tais conceitos e não menos importante demanda a formação continuada dos
educadores para que estejam a par das concepções e ideias desenvolvidas na
área educacional.

2.2 - LETRAMENTO

Até este momento reconhecemos e verificamos a concepção de


alfabetização, porém como já visto, a concepção de letramento está
intrinsecamente relacionada ao processo de aprendizagem, não sendo
possível, na atualidade, a formação de meros codificadores e decodificadores
25

da língua escrita, mas indivíduos capazes de usar tais conhecimentos nas suas
relações sociais, culturais e políticas.
Com relação ao Letramento pode-se dizer que é o resultado da ação de
ensinar a ler e escrever. É a forma ou a condição que adquire um indivíduo
como consequência de ter-se apropriado da leitura e da escrita, é o estado ou
a condição do sujeito que incorpora práticas sociais de leitura e escrita, ou seja,
fazendo o uso funcional da leitura e da escrita no contexto social.
Letramento é uma palavra que tem origem na tradução da versão em
inglês literacy, para o português, onde letra vem do latim littera, e o cy, denota
qualidade, condição ou estado. Portanto literacy é a condição de ser letrado
(SOARES,1998). Percebemos que implícita a esta definição está à ideia de que
a escrita traz consequências sociais, culturais, políticas, econômicas,
cognitivas, linguísticas, quer para o grupo social em que seja introduzida, quer
para o indivíduo que aprenda a usá-la.
Para Soares (2004), este termo surge a partir das novas relações
estabelecidas com as práticas de leitura e escrita na sociedade, onde não
basta apenas saber ler e escrever, mas que funções a leitura e a escrita
assumem em decorrência das novas exigências impostas pela cultura letrada.
A partir de tais enfoques revelou-se a evolução conceitual das crianças
compreenderem como funciona o nosso sistema de escrita, incorporando a
ideia defendida por Goodmann (1967) e Smith (1971) (apud SOARES, 2004),
onde ler e escrever são atividades comunicativas e que devem ocorrer através
de textos reais onde o leitor ou escritor lança de seus conhecimentos da língua.
Por muito tempo a alfabetização estava vinculada a uma concepção em
que a aprendizagem da leitura e da escrita tinha como foco fazer o aluno
chegar ao reconhecimento das letras e a decodificação das mesmas para
interagir no seu meio cultural, a partir de 1980 a alfabetização escolar no Brasil
passou por novos questionamentos e novas concepções criando-se, o termo
letramento, com Kato em 1985, em que o processo de alfabetização passou a
designar aqueles que exercem práticas sociais de leitura e escrita, para além
do apenas ler e escrever (codificação e decodificação de símbolos), sendo
estas práticas com crianças que participam de eventos em que a escrita é
integrante no processo de condições iniciais, sob os aspectos social, cultural,
cognitivo e de inserção em uma sociedade letrada.
26

Assim, a construção da linguagem escrita na criança faz parte de seu


processo geral, de seu desenvolvimento enquanto pessoa e se dá como um
trabalho contínuo de elaboração cognitiva por meio de inserção no mundo da
escrita pelas interações sociais e orais, considerando a significação que a
escrita tem na sociedade. Através do Letramento, passou-se a entender que,
nas sociedades contemporâneas, era insuficiente o mero aprendizado das
“primeiras letras”, e que integrar-se socialmente, envolve também “saber utilizar
a língua escrita nas situações em que esta é necessária, lendo e produzindo
textos”.
Com esta nova concepção, o Letramento veio para inserir essa nova
dimensão da entrada da criança no mundo da escrita, mundo esse que ela já
faz parte e está em constante estimulação pelos diversificados portadores e
gêneros textuais. O letramento então, se constitui de um “conjunto de
conhecimentos atitudes e capacidades necessárias para usar a língua em
práticas sociais” (VAL, 2006, p. 13).
O termo letramento abrange o processo de desenvolvimento e o uso dos
sistemas de leitura e escrita na sociedade, desse modo, se refere a um
conjunto de práticas, que vem modificando a sociedade e o conceito de
ensinagem nas unidades escolares, pois letrar é mais que alfabetizar, é ensinar
a ler e escrever dentro de um contexto onde a escrita e a leitura tenham
sentido e façam parte da vida do aluno, designa práticas de leitura e escrita.
Verificamos que a entrada da criança no mundo da escrita se dá pela
aprendizagem de toda a complexa tecnologia envolvida no aprendizado do ato
de ler e escrever, onde esta precisa saber fazer uso e envolver-se nas
atividades de leitura e escrita para apropriar-se do hábito do sistema de escrita
e de leitura. Nas séries iniciais, a criança, sem ser alfabetizada, é apropriada
em funções e no uso da língua escrita, essas são crianças letradas sem serem
alfabetizadas, ou seja, elas já possuem um conhecimento prévio do que seja
ler e escrever pela convivência social em que tais competências são utilizadas.
Neste sentido, pode-se letrar antes de alfabetizar ou o contrário, essa
compreensão é o grande problema das salas de aula e explica o fracasso do
sistema de alfabetização na progressão continuada, daí entender porque é
fundamental a aquisição da leitura e da escrita nas séries iniciais.

O letramento, é o uso que se faz da língua escrita com toda sua


complexidade, em práticas sociais de leitura e escrita, é aquele
indivíduo que sabe ler e escrever, e que usa socialmente a leitura e
a escrita, que pratica e responde adequadamente às demandas
sociais. (SOARES, 2001, p 39-40).
27

A importância de ensinar as crianças nas séries iniciais com o


letramento é dar condições para que as crianças exerçam práticas sociais de
leitura e escrita, participando de eventos em que a escrita é integrante no
processo de interpretações, interações, atitudes e competências discursivas e
cognitivas que trás um diferenciado estado de inserção em uma sociedade
letrada.

Capítulo III – A importância da leitura e escrita na etapa


inicial da alfabetização.
28

Durante toda a construção do primeiro e segundo capítulos deste


estudo reconhecemos e percebemos que alfabetizar letrando é desenvolver
ações de aprendizagem significativas sobre a língua, proporcionando situações
em que a criança possa interagir com a escrita a partir de usos reais expressos
nas diferentes situações comunicativas, sendo esta uma estratégia viável
desde a educação infantil. Sendo assim, é fundamental levar para a sala de
aula uma diversidade textual que possibilite às crianças refletirem sobre a
língua que se escreve seja a norma culta ou a padrão.
Ao se perceber como a leitura e escrita são competências necessárias
para integrar-se ao mundo social, o professor passa a assumir uma
responsabilidade em relação a alfabetização de seus alunos, ou seja, tem a
função de mediador em ensinar de fato a língua escrita, e para isto é
necessário que os educadores alfabetizem letrando desde as séries iniciais,
começando o ensino da língua escrita em contextos de letramento, mostrando
aos educandos que esta aprendizagem está relacionada com as informações
que vivencia no meio social. Implica também, dar autonomia e independência
a estes alunos para que sejam atores de seu processo de aprendizagem, não
apenas meros receptores de informações, mas indivíduos críticos que reflitam
sobre a função e usos da leitura e escrita, sabendo utilizá-los de maneira
efetiva dentro e fora do ambiente escolar.
Assim sendo, o processo de alfabetização ocorrerá na perspectiva do
letramento, em que este será usado para atender as demandas sociais em que
não basta aprender ler e escrever, mas faz-se necessário utilizar, de maneira
competente, compreendendo a função de ambas em contextos sociais.
Para Soares (2004), esta compreensão realça as especificidades
inerentes aos processos educativos de alfabetizar e letrar, evidenciando que
ambos são processos distintos, porém indissociáveis, considerando que o
acesso ao mundo da escrita ocorre de maneira simultânea pelos caminhos da
alfabetização e do letramento.
Antes mesmo do ingresso na escola as crianças já interagem com a
leitura e a escrita, nos mais diferentes contextos, neste sentido é de suma
importância estimular as crianças a ler e a escrever mesmo antes de estarem
alfabetizados convencionalmente.
29

Cabe ao educador criar um ambiente letrado, considerando o


conhecimento prévio das crianças, pois embora sejam pequenas, as crianças
levam para a escola o conhecimento que advém da vida.

[...] essa introdução ao mundo da escrita, na escola, não se caracteriza


como um momento inaugural de entrada em um mundo desconhecido:
embora ainda “analfabeta”, a criança já tem representações sobre o que é
ler e escrever, já interage com textos escritos de diferentes gêneros e em
diferentes portadores, convive com pessoas que leem e escrevem, participa
de situações sociais de leitura e de escrita [...] (SOARES, 1999, p. 69).

Na escola o trabalho com textos na alfabetização é necessário para


enfocar os dois aspectos da aprendizagem da língua escrita, assim o aluno
alfabetizado e letrado tem possibilidade de utilizar a escrita nas diferentes
situações do cotidiano. Promover a participação de práticas sociais de leitura e
escrita é importante não só para o processo de alfabetização, mas também
para a apropriação da língua escrita em situações reais de uso. Desse modo, a
alfabetização na perspectiva do letramento deve evidenciar a importância do
trabalho com os diversos gêneros textuais, com base nos diferentes suportes
de leitura.
Há de se observar também uma proposta pedagógica que dê suporte ao
pleno desenvolvimento desses aspectos envolvidos na aprendizagem da leitura
e da escrita desde o início da escolaridade, tendo em vista proporcionar ao
aluno as diversas formas de utilização da escrita para diferentes finalidades. A
sala de aula deve ser o momento em que os alunos poderão vivenciar
situações de letramento presentes em seu cotidiano, uma vez que os textos
apresentam situações comunicativas diferenciadas, possibilitando a seus
educandos a compreensão da estrutura e da organização dos textos e que
estes estão relacionadas a diferentes funções que exercem nas práticas
cotidianas da realidade, ou seja, uma carta, uma receita culinária, uma bula,
um anúncio de jornal, um bilhete, um folheto informativo, dentre outros suportes
textuais, que estão presentes na vida corriqueira destes alunos.
[...] além de aperfeiçoar as habilidades já adquiridas de produção de
diferentes gêneros de textos orais, levar à aquisição e ao
desenvolvimento das habilidades de produção de textos escritos, de
diferentes gêneros e veiculados por meio de diferentes portadores [...]
(SOARES, 1999, p. 69).
30

Dessa forma, o papel da escola é de grande importância, pois aprender


a ler e escrever envolve a apropriação do sistema alfabético e ortográfico e o
desenvolvimento das habilidades textuais, ou seja, a produção de textos
observando os elementos discursivos, conforme a tipologia textual, de modo a
perceber que cada gênero tem uma forma diferente quanto à estrutura e
organização. Cabe a escola a sistematização e organização de seu trabalho
pedagógico a partir da reflexão em torno desses termos, enquanto processos
distintos, específicos, porém indissociáveis, que envolvem procedimentos
diferenciados de ensino, considerando a necessidade e a importância de
desenvolver a alfabetização num contexto de letramento.
Ao educador está a missão de desenvolver neste conceito práticas
significativas de desenvolvimento para o aluno acerca do funcionamento e
utilização desse ensino e seu papel, enquanto mediador do conhecimento é
intervir de forma a tornar mais efetiva esta reflexão, através de uma profunda
imersão das crianças nas práticas sociais de leitura e escrita, pois só a partir da
descoberta do princípio alfabético e das convenções ortográficas formamos um
leitor e escritor autônomo.
Segundo Telma Weisz, (2000, p.62) “o ensinar a língua escrita em
contextos letrados, a função do professor é observar a ação das crianças,
acolher ou problematizar suas produções, intervindo sempre que achar que
pode fazer a reflexão dos alunos sobre a escrita avançar”.
Assim sendo, as práticas de letramento devem ocorrer de forma reflexiva
a partir da apresentação de situações problemas, em que, as crianças revelem
espontaneamente as suas hipóteses e sejam levados a participar e a pensar
sobre a escrita, ler e escrever com função social, utilizar textos significativos,
interagir com a escrita, utilizar textos reais, que circulam na sociedade, utilizar a
leitura e a escrita como forma de interação. Propor atividades de produção
coletiva de textos, em que o educador atuará como escriba e propor a reescrita
da história pelas crianças permitirão a reflexão sobre o que as crianças
escrevem e como se escreve, bem como auxiliará as crianças no ajuste de
suas leituras e escritas, observando a estrutura e sonoridade das palavras
Nas situações em que as crianças ouvem e produzem histórias, como
diz Brito (2007, p. 36), “a criança vai construindo o seu conhecimento da
linguagem escrita, que não se limita ao conhecimento das marcas gráficas a
31

produzir ou a interpretar, mas envolve gênero, estrutura textual, funções,


formas e recursos linguísticos”.
A importância da leitura e da escrita nas séries iniciais nos revela que se
as crianças dominarem essas competências desde o inicio de sua
escolarização, serão capazes de associar a aprendizagem as práticas sociais,
tendo autonomia para construir sua aprendizagem de maneira significativa
praticando socialmente a leitura e a escrita, compreendendo as finalidades
entre os diversos contextos de letramento.

Podemos entender tal relevância no sentido da


participação crítica nas práticas sociais que envolvem a
escrita, mas também no sentido de considerar o diálogo
entre os conhecimentos da vida cotidiana, constitutivos de
nossa identidade cultural primeira, com os conhecimentos
de formas mais elaboradas de explicar aspectos da
realidade. (GOULART, 2002, p. 52).

Neste sentido ensinar as crianças a ler com autonomia é fundamental


para formar bons leitores, bem como o desenvolvimento da criança como
falante é decisiva para ser um bom leitor. No entanto, é necessário entender
que as crianças precisam de tempo para decifrar a escrita, pois é um processo
construtivo, pelas hipóteses. Cada criança tem um ritmo próprio que precisa ser
respeitado, mas não quer dizer, que não deva ser estimulado. O trabalho com a
leitura e a escrita tem importância nas séries iniciais para a formação de
leitores e escritores competentes, pois a possibilidade de produzir textos tem
sua origem na prática da leitura e da escrita, além de propiciar a continuidade
no processo escolar, sem o fantasma do fracasso e evasão que por muitas
décadas circundam nossas escolas. A leitura e a escrita como prática social é
sempre um meio para múltiplas finalidades, e nunca um fim, pois é um veículo
de inserção na sociedade tanto no âmbito social, quanto cultural e político.

Considerações finais
32

Ao longo deste estudo refletimos sobre o papel da leitura e escrita e da


aquisição destas competências na escola, percebemos a partir deste, que estar
alfabetizado vai muito além de decifrar e decodificar letras, sílabas, fonemas e
palavras ou de escritas desarticuladas do contexto social. Nos deparamos com
o Letramento, que traz um novo sentido a aprendizagem da leitura e da escrita,
pois insere o individuo no mundo letrado e nas suas práticas sociais,
respeitando e valorizando seus conhecimentos prévios construídos ao longo de
sua vida. Cabe lembrar que alfabetização e letramento são concepções
indissociáveis no processo de aprendizagem de caráter funcional e
instrumental, relacionado com o ideal político liberal de democratização da
cultura e da participação social em que os alunos são atores deste processo.
Outro aspecto relevante observado durante os estudos, é que mesmo as
crianças tendo uma bagagem ou um repertório experiênciado no seu meio
social de leitura e escrita é na escola que estes conhecimentos são
sistematizados por meio das hipóteses da escrita e da troca com os seus
pares, onde há o confronto com ideias, noções e concepções sobre questões
concernentes a construção da leitura e da escrita.
Certificamo-nos com a ajuda de diferentes autores, pois já tínhamos a
mesma postura, que o papel da escola não está em preparar indivíduos que
utilizam a leitura e a escrita de forma mecânica, mas que se preocupa em
formar cidadãos críticos que saibam interagir em todas as esferas da
sociedade (social, cultural e político), tendo uma postura critica e reflexiva das
situações cotidianas. Para isso é necessário que as instituições escolares
revejam e reavaliem sua função, seu currículo e a formação de seus
educadores, para que possam fornecer um ensino de qualidade e que
promovam o desenvolvimento de habilidades necessárias à inserção dos
educandos as práticas sociais.
Cabe ao professor proporcionar um ambiente com elementos
alfabetizadores que incentivem os alunos ao prazer da leitura e da importância
do registro escrito no mundo letrado, mostrando a função e uso social dos
mesmos, bem como conhecer a sua clientela para que possa planejar e intervir
de maneira a atingir todos os alunos nas suas especificidades educacionais.
Outro ponto essencial na prática educativa é a possibilidade de vivenciar esses
conhecimentos no ambiente escolar, na troca com os pares, na construção
33

coletiva dos textos, na análise dos diversos portadores e gêneros textuais, bem
como proporcionar a reflexão sobre a escrita e a leitura.
Afirmamos com base em diferentes autores já mencionados no corpo do
trabalho que quanto antes às crianças se apropriarem da leitura e da escrita,
mais poderão desenvolvê-las com êxito em seus anos de escolaridade, sendo
capazes de utilizá-la como prática discursiva com muita facilidade durante sua
trajetória escolar. Assim, podemos dizer que a aquisição da leitura e escrita na
etapa inicial de alfabetização é condição necessária para o sucesso da vida
escolar e extra-escolar, onde os educandos utilizem as habilidades
desenvolvidas na esfera social, na resolução de conflitos e nas práticas sociais
nas quais estará envolvido.

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