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O Agregado e o Operário

oioioi

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Luciano Almeida
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LITERATURA DE CORDEL

O agregado e o operário
Sou matuto do Nordeste Operário da cidade
criado dentro da mata se você sofre bastante
caboclo cabra da peste a mesma necessidade
poeta cabeça chata sofre o seu irmão distante
por ser poeta roceiro levando vida grosseira
eu sempre fui companheiro sem direito de carteira
da dor, da mágoa e do pranto seu fracasso continua
por isto, por minha vez é grande martírio aquele
vou falar para vocês a sua sorte é a dele
o que é que eu sou e o que canto. e a sorte dele é a sua.

Sou poeta agricultor Disto eu já vivo ciente


do interior do Ceará se na cidade o operário
a desdita, o pranto e a dor trabalha constantemente
canto aqui e canto acolá por um pequeno salário
sou amigo do operário lá nos campos o agregado
que ganha um pobre salário se encontra subordinado
e do mendigo indigente sob o jugo do patrão
e canto com emoção padecendo vida amarga
o meu querido sertão tal qual burro de carga
e a vida de sua gente. debaixo da sujeição.

Procurando resolver Camponeses meus irmãos


um espinhoso problema e operários da cidade
eu procuro defender é preciso dar as mãos
no meu modesto poema cheios de fraternidade
que a santa verdade encerra em favor de cada um
os camponeses sem terra formar um corpo comum
que o céu deste Brasil cobre praciano e camponês
e as famílias da cidade pois só com esta aliança
que sofrem necessidade a estrela da bonança
morando no bairro pobre. brilhará para vocês.

Vão no mesmo itinerário Uns com os outros se entendendo


sofrendo a mesma opressão esclarecendo as razões
nas cidades, o operário e todos juntos fazendo
e o camponês no sertão suas reivindicações
embora um do outro ausente por uma democracia
o que um sente o outro sente de direito e garantia
se queimam na mesma brasa lutando de mais a mais
e vivem na mesma Guerra são estes os belos planos
os agregados sem terra pois nos direitos humanos
e os operários sem casa. nós todos somos iguais.
LITERATURA DE CORDEL

O Poeta da Roça
O Peixe
Sou fio das mata, cantô da mão grosa
Trabaio na roça, de inverno e de estio Tendo por berço o lago cristalino,
A minha chupana é tapada de barro Folga o peixe, a nadar todo inocente,
Só fumo cigarro de paia de mio Medo ou receio do porvir não sente,
Pois vive incauto do fatal destino.
Sou poeta das brenha, não faço o papé
De argum menestrê, ou errante cantô Se na ponta de um fio longo e fino
Que veve vagando, com sua viola A isca avista, ferra-a inconsciente,
Cantando, pachola, à percura de amô Ficando o pobre peixe de repente,
Preso ao anzol do pescador ladino.
Não tenho sabença, pois nunca estudei
Apenas eu seio o meu nome assiná
O camponês, também, do nosso Estado,
Meu pai, coitadinho! vivia sem cobre
Ante a campanha eleitoral, coitado!
E o fio do pobre não pode estudá
Daquele peixe tem a mesma sorte.
Meu verso rastero, singelo e sem graça
Não entra na praça, no rico salão Antes do pleito, festa, riso e gosto,
Meu verso só entra no campo da roça e dos eito Depois do pleito, imposto e mais imposto.
E às vezes, recordando feliz mocidade Pobre matuto do sertão do Norte!
Canto uma sodade que mora em meu peito Patativa do Assaré

Patativa do Assaré
LITERATURA DE CORDEL

Análise estrutural do cordel “O Agregado e o Operário” – Patativa do Assaré

1. O cordel é estruturado com estrofes chamadas de:


a) quartetos
b) tercetos
c) sextilhas
d) oitavas
2. O que é uma estrofe?
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3. Leia a estrofe abaixo e responda:
Sou poeta agricultor
do interior do Ceará
a desdita, o pranto e a dor
canto aqui e canto acolá
sou amigo do operário
que ganha um pobre salário
a) Quantos versos possui essa estrofe?
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b) Qual é o esquema de rimas? (Aponte quais versos rimam entre si.)
____________________________________________________________________________________________
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4. No verso “Sou poeta agricultor”, temos:
a) um verso de 5 sílabas poéticas
b) um verso de 7 sílabas poéticas
c) uma estrofe de 6 versos
d) um exemplo de rima toante
5. Explique o que é verso e cite dois exemplos de versos retirados do cordel.
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6. a alternativa que apresenta uma rima correta do cordel:
a) “cidade” / “alegria”
b) “patrão” / “camponês”
c) “acolá” / “Ceará”
d) “mundo” / “segundo”
7. Por que o uso da rima é tão importante na literatura de cordel? Qual o seu papel na leitura e memorização dos
poemas.
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LITERATURA DE CORDEL
7. O verso “Sou matuto do Nordeste / criado dentro da mata”, o termo “matuto” é usado pelo eu lírico
com qual intenção?
a) Diminuir a própria identidade rural em contraste com o urbano.
b) Valorizar suas raízes humildes e sua vivência no campo.
c) Mostrar sua origem europeia misturada com o indígena.
d) Criticar a ignorância do povo do sertão.
e) Indicar que se trata de um trabalhador urbano temporário.

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