3.
Espetrofotómetros de UV/Vis
3.1. Instrumentos para a espetroscopia ótica molecular
3.1.1. Componentes básicos
3.1.2. Seleção de materiais óticos
3.1.3. Recipientes (células) para padrões/amostras – composição e configuração
3.1.4. Fontes de radiação eletromagnética– fontes de radiação contínua
3.1.5. Seletores de comprimento de onda
3.1.6. Sistema de deteção e medição da energia radiante
3.2. Espetrofotómetros de UV/Vis – modo de operação
3.2.1. Espetrofotómetros de feixe simples
3.2.2. Instrumentos de feixe duplo – no tempo ou no espaço
3.2.3. Espetrofotómetros multicanal (ou de arranjo de fotodiodos)
instrumentos para a espetroscopia ótica molecular
historicamente . . .
• o uso de instrumentos analíticos nem sempre esteve disponível
• os primeiros métodos de absorção tinham como sistema de deteção o “olho humano”
• em algumas situações, esta aproximação é ainda utilizada e razoável (por exemplo, é isso que acontece
quando se usa uma fita de pH)
vantagens
- não é necessário equipamento
- reduzido custo
- fácil manipulação
desvantagens
- muitos padrões para uma precisão razoável
- as amostras têm de ter cor
- ...
1
atualmente . . . o instrumento usado para medir absorvâncias e transmitâncias é um espetrofotómetro
• existem diferentes tipos de instrumentos disponíveis comercialmente que permitem efetuar medições de
absorvância/transmitância
• estes aparelhos podem diferir quanto a:
- características operacionais (i.é. modo de selecionar os comprimentos de onda)
- intervalo de comprimentos de onda a que pode trabalhar (espetrofotómetros de UV/Vis, UV ou só Vis)
- forma como apresentam os resultados e possibilidade de tratamento dos mesmos
no entanto, todos os aparelhos apresentam um conjunto de componentes/funções comuns
todos os espetrofotómetros têm os mesmos componentes básicos:
② ③ ④ ⑤
①
(1) fonte estável de energia radiante
(2) seletor do comprimento de onda (sistema de monocromação) dispositivo que faz a restrição do
espetro para a análise
(3) compartimento para a amostra
(4) detetor da radiação que converte a energia radiante num sinal utilizável (geralmente elétrico)
(5) sistema de processamento e leitura do sinal que permite a visualização do sinal detetado numa
escala de medida
a disposição destes componentes depende do aparelho/instrumento em concreto
2
detetor
célula
fonte
monocromador sinal
seleção de materiais óticos - células, janelas, espelhos e elementos de seleção do comprimento de onda
- o principal uso da espetroscopia UV-Vis é a medição de amostras que estão em forma
líquida
- o recipiente que contém o líquido ou solução é designado de célula ou cuvete, sendo
normalmente “tubos” quadrados com 2 faces óticas lisas polidas, em lados paralelos
opostos um ao outro; a distância entre o interior das faces corresponde ao percurso
ótico, de comprimento variável mas cujo tamanho mais comum é de 1.00 cm
- é possível encontrar no mercado células fabricadas com diferentes materiais, cuja escolha depende
da zona de comprimento de onda onde se pretende efetuar as determinações; o material de que a
cuvete é feita tem de permite que o feixe de luz passe por ela com um nível de absorção baixo e
constante; ou seja, a célula deve ser transparente para o comprimento de onda escolhido da luz
monocromática;
há ainda a considerar o binómio qualidade/preço
3
- alguns dos materiais mais usados são: vidro (zona do visível), acrílico/ plástico (zona de visível e
eventualmente UV), silica fundida (região do UV) e quartzo (região do visível e do UV)
características de transmissão
ótica de alguns materiais
• a escolha do material de construção das células, janelas, espelhos e elementos de seleção do λ,
depende do intervalo de comprimentos de onda em que se vai utilizar o equipamento
• a escolha do material de construção das células depende também da natureza da amostra
em suma . . . células, janelas, espelhos e elementos devem transmitir a radiação na
de seleção do λ região de λ que se vai usar
“transparentes para todos os λ de interesse”
quanto à forma das células destacam-se:
• células com diferentes percursos óticos (0.1 cm < b < 10 cm)
• células de pequeno volume
independentemente da extensão do percurso ótico, existem células em que o
volume total da solução é muito pequeno com o objetivo de economizar reagentes
e/ou amostras
b
• células de fluxo
permitem efetuar leituras de absorvância de forma contínua; são usadas em
sistemas de análise automática, deteção em cromatografia e em controlo industrial
• células termostatáveis
dispõem de um compartimento exterior por onde pode circular um fluído
(geralmente água) termostatado o que viabiliza regular a temperatura a que se
realizam as medidas
4
- a célula é colocado dentro do compartimento de células do espetrofotómetro, de modo a que as faces polidas
fiquem voltadas para o feixe ótico, após o que a tampa do instrumento é fechada e a luz monocromática é
direcionada através da célula
- célula e respetivo compartimento constituem a parte do espetrofotómetro com que o operador mais interatua
e que possui o menor número de problemas de natureza técnica e operacional, sendo apenas necessário
garantir que apresentam um elevado grau de estanquicidade à luz ambiente
- depois de preencher a célula deve sempre verificar-se se não há bolhas de ar ocluídas na solução, que são outra
fonte de erro, e assegurar que sejam posicionada corretamente (com o uso e a idade o suporte de células pode
ficar solto e isso pode levar a que a célula seja posicionada ligeiramente inclinada o que introduz um erro nas
leituras)
- quando se usam células diferentes na mesma análise (por exemplo, para o branco e as amostras) deve garantir-
se que são espetralmente semelhantes (ou seja, deve comprovar-se que a diferença de absorvância, de uma
célula para a outra é insignificante)
- a manipulação das células deve ser cuidadosa porque o estado de conservação das suas faces condiciona a
qualidade das medições;
- assim os seguintes cuidados são essenciais:
• manusear sempre as células pelas suas superfícies estriadas/rugosas que são as faces não-óticas;
• evitar frição nas mesas do laboratório e com outros objetos;
• evitar contacto com material de vidro (ex. pipetar)
• adicionalmente há ainda a considerar que são muitas vezes colocadas em estufas para secarem o
que as deteriora, alterando o seu percurso ótico
5
• conforme foi dito anteriormente a sensibilidade de uma metodologia (que é a capacidade para discriminar entre
pequenas diferenças de concentração do analito) corresponde ao declive (inclinação ou coeficiente angular) da
curva analítica na zona que inclui a concentração de interesse
• assim, fixando o comprimento de onda de modo a que o valor de absortividade seja o maoir possível e
considerando a lei de Beer, verifica-se que a sensibilidade da análise depende também do percurso ótico da célula
dado que o declive do gráfico Abs versus concentração corresponde ao produto do valor da absortividade pelo
percurso ótico:
A = aλ b c
fontes de radiação eletromagnética
fonte de luz
fornece a luz que passa
através da amostra
2 tipos de fontes
fontes contínuas
emitem radiação cuja intensidade varia apenas
de forma gradual em função do λ
fontes de linhas ou de pulsos
emitem um nº restrito de bandas de
radiação (cada uma com uma margem muito
reduzida de λ)
lâmpadas de cátodo oco (EAA)
lasers
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• a fonte de radiação eletromagnética (vulgarmente chamada de lâmpada) ideal para um espetrofotómetro
é aquela que fornece uma radiação contínua (isto é, que contenha todos os λ de uma larga região do
espetro) suficientemente intensa em toda faixa de comprimento de onda de operação, com pouco ruído e
o mais estável possível
• frequentemente uma só fonte não fornece radiação eletromagnética capaz de abranger todos os λ para
que um espetrofotómetro foi concebido ⇒ inclusão de mais do que uma fonte emissora
• nos espetrofotómetros que operam/trabalham na região espetral do UV-Vis as fontes comuns são:
- lâmpadas de deutério (D2) para excitação na
região do ultravioleta (< 350 nm) (tempo de vida
de 400 a 1000 h)
- lâmpada tungsténio (W) para excitação na
região do visível e infravermelho próximo (>350
nm) (tempo de vida 4000 a 10000 h)
seletores de comprimentos de onda - sistema de monocromação ou monocromadores
sistema de monocromação detetor
os métodos espetrofotométricos exigem o
isolamento de bandas mais ou menos estreitas de λ
pelo que é necessário “transformar” a radiação
proveniente das lâmpadas que é policromática (isto célula
fonte
é, de com vários comprimentos de onda) em
radiação monocromática
necessidade de existir ”um dispositivo” capaz de resolver (dispersar ou decompor) a radiação
policromática fornecida pelas lâmpadas nos seus vários λ e selecionar a gama desejada
o sistema de monocromação é composto por um conjunto de fendas e lentes bem como por um elemento
dispersa a radiação (redes de difração)
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as fendas são geralmente metálicas com extremidades aguçadas tão
paralelas quanto possível e situadas no mesmo plano; conforme o tipo de
aparelho, a abertura das fendas pode ser constante ou variável
há geralmente 2 fendas – “de entrada” e “de saída”
a fenda de entrada funciona como fonte de radiação do espetrofotómetro na medida em que seleciona o
“retângulo” de luz que vai incidir no elemento de dispersão (i.e. reduz a seção reta do feixe incidente de radiação a
uma área apropriada)
a fenda de saída é posicionada de tal forma que por ela só passa uma gama apertada de λ; contudo, por mais
apertada que seja, o feixe emergente terá sempre uma “espessura” definida, ou seja é sempre constituído por
radiação de mais do que um λ
unidade de dispersão a unidade de dispersão é a parte mais importante do monocromador; as
unidades mais comuns são redes de difração
rede de difração
• peça transparente polida e dentada, que difrata a luz incidente segundo uma série de ângulos
• este componente ótico que contém uma série de ranhuras, que são justamente os elementos responsáveis pela
difração
• dependendo do número de ranhuras por milímetro, haverá uma maior ou menor resolução dos espetros
A qualidade de uma rede de difração é controlada pelo número de ranhuras por unidade de área e
pela precisão com que estas foram feitas; linhas mais próximas dão uma melhor dispersão e por
consequência uma melhor resolução.
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- a radiação incidente sofre difração numa série linhas muito
próximas marcadas na superfície
- quando a radiação policromática incide sobre a rede de difração a
equação: nλ = d (sen i + sen r) só pode ser satisfeita para um único λ
- a rotação da rede muda o ângulo de incidência ⇒ condições para
satisfazer vários λ
• instrumentos com melhor resolução espetral
terão redes de difração com maior número de
ranhuras por milímetro
• consequentemente, este é um (mas não o
único) parâmetro a ser avaliado na seleção de
um instrumento
• construção é complexa pelo que este
dispositivo é bastante dispendioso
UV/Vis 300 –3000 linhas/mm
IR – 4 –200 linhas/mm
as redes de difração estão acopladas a um dispositivo que permite
variar a sua posição relativamente à radiação incidente de modo a
que incida sobre a fenda de saída uma determinada gama de
comprimentos de onda o mais estreita possível
monocromador • conjunto dos componentes que permitem resolver/decompor uma
ou
radiação policromática (isto é, com vários λ) nos seus diversos λ e
sistema de monocromação
depois selecionar uma pequena gama próxima de um dado λ onda
para a análise que é geralmente o λmáximo da espécie em análise
• nunca permitem obter uma radiação verdadeiramente
monocromática (explicação mais à frente)
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• idealmente um monocromador produziria luz
verdadeiramente monocromática, mas na prática ele emite 100%
uma banda ótica simétrica de uma gama estreita de
determinados λ
• a largura da banda à meia altura é uma medida 50%
quantitativa do intervalo de λ da luz e é chamada de
largura de banda instrumental (ou largura de banda do
espetro) e pode ser tão reduzida quanto 0.1 nm
Δλ
intensidade da radiação versus λ
λnominal está no centro do espetro com a intensidade da
decrescer para os 2 lados
“output” do que seria visível à saída do
monocromador projetado no écran
o conceito de largura de banda, já falado anteriormente (nas condições instrumentais para a validade da lei
de Beer), é então devido à radiação nunca ser verdadeiramente monocromática
qualquer que seja o método usado para produzir um λ específico, o melhor que se consegue é isolar um
intervalo de λ
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é esta a razão de ter de haver uma criteriosa escolha de λ
detetor de luz
• geralmente considera-se que o sistema de deteção é constituído pelo conjunto do detetor, do amplificador e
do medidor do sinal elétrico amplificado
• são responsáveis pelo fornecimento ao operador do resultado da interação da energia radiante com a
amostra, ou seja, fornecem o valor de absorvância
• os detetores são a parte mais importante de todo o sistema de deteção, sendo a sua função básica converter
a energia radiante num sinal elétrico
princípio de funcionamento
o efeito fotoelétrico (descoberto por Einstein)
indica que quando uma superfície metálica é
irradiada por uma radiação eletromagnética com
• assim, um detetor de luz, mede a quantidade de luz
uma energia acima de um certo valor crítico,
passava a conduzir eletricidade; ou seja, acima que passa através da amostra
desse limite crítico, a energia é suficiente para
• trabalha convertendo o sinal de luz num sinal elétrico
ejetar um eletrão da superfície metálica criando
uma corrente elétrica
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• de uma forma geral os detetores devem apresentar como características:
- serem sensíveis na maior gama de comprimentos de onda possível;
- apresentarem uma elevada velocidade de resposta;
- serem o mais sensíveis possível (de modo a serem capazes de detetar intensidades de radiação reduzidas);
- originarem um sinal elétrico com elevada relação sinal/ruído e que seja uma função linear da intensidade da
radiação incidente
∴ o objetivo do detetor é fornecer ao operador o resultado da interação da energia radiante com a
amostra/padrão convertendo a resposta num sinal mensurável
os detetores mais comuns são os fotomultiplicadores e os arranjos de (foto)diodos
detetor de luz
um fototubo é tubo de vidro dentro do qual existe um ânodo e um cátodo
recoberto por material sensível à luz - fotoemissivo (isto é, um material que emite
eletrões quando iluminado; ex. óxido de césio, potássio ou prata) -
suficientemente grande e capaz de captar todo o feixe incidente
fototubo
• quando a luz penetra no interior do tubo e atinge a camada sensível,
ocorre emissão de eletrões (e-) que atingem o ânodo e provocam uma
corrente elétrica no circuito externo
• a corrente pode ser amplificada eletronicamente e é proporcional à
intensidade de fotões atinge a superfície fotosensível
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detetor de luz tubo fotomultiplicador
• tal como o fototubo, possui um cátodo (superfície fotosensível) onde 1 fotão incidente origina a emissão de 1 e-;
a qualidade do material do cátodo determina a sensibilidade espetral do tubo multiplicador
• os e- emitidos atingem uma segunda superfície com carga positiva –
dinodo ou fotodinodo – que, por sua vez, emite mais e- que são janela
encaminhados para outro elétrodo de potencial mais alto onde o ânodo
processo se repete
• realizado este processo sucessivamente pode-se obter valores de
intensidade de corrente que são cerca de 108 vezes maiores que num
fototubo
dinodo
em comparação com um fototubo, as células fotomultiplicadoras são cerca de 200 x mais sensíveis
• o tubo fotomultiplicador é formado por um tubo de vidro (ou de quartzo) sob
vácuo, no qual existem um conjunto de placas metálicas interligadas
• devido ao facto destas placas estarem interligadas e existir uma diferença de
potencial elétrica entre elas, esta fotocorrente é amplificada por um circuito
eletrónico adequado, de modo que um sinal muito baixo de corrente elétrica
pode ser detetado e registrado
• os tubos ou células fotomultiplicadoras, como são comumente chamadas,
apresentam sensibilidades que dependem da faixa espetral da radiação incidente
os e-originais atingem um dinodo que é 90 V mais positivo; isto faz com que
mais e- sejam emitidos a partir deste elétrodo em direção a outro dinodo
assim, os e- são atraídos e acelerados em direção a um outro dinodo com
uma Ecinética maior que o anterior (o dínodo 2, é 90 V mais positivo que o
dinodo 1); cada e- origina a libertação de mais do que 1 e- a partir do
dinodo
cada fotodinodo está recoberto com um material que emite entre 2 e 5 e- por cada e- que atinge a sua superfície (i.e.
quando os e- atingem a 1ª placa, produz-se um número de e-secundários bem maior do que o dos e-originais)
o processo continua até e- serem recolhidos no ânodo depois duma amplificação a 9 dínodos; a voltagem total entre o
ânodo e o cátodo é 900 V
o processo repete-se de modo que mais do que 106- 107 e- são recolhidos a partir de cada fotão
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detetor de luz arranjos de diodos
• o segundo tipo de detetor comum usado em espetrofotómetros é o
denominado arranjo de diodos (ou detetores do tipo fotodiodo)
• de modo simplificado, um arranjo de diodos consiste em uma série de
detetores (fotodiodos) posicionados lado a lado num cristal de silício, de modo
que cada comprimento de onda difratado pela rede atinge um ponto deste
arranjo, e consequentemente um detetor
• ao ser irradiado, o diodo produz uma corrente elétrica (isto é, cuja cria e-livres )
cuja magnitude depende da intensidade da emissão (novamente aqui se aplica
o efeito fotoelétrico)
através de um circuito adequado, esta corrente é transformada em
absorvância aos diferentes λ, resultando num espetro de absorção
(a radiação que atravessa a amostra é integral e instantaneamente
analisada determinando-se, portanto, a absorvância em todos os
comprimentos de onda de modo simultâneo)
∴ o espetro completo pode ser obtido num tempo muito reduzido (virtualmente
instantâneo e pode ser completado em 1 a 5 segundos)
• a qualidade do instrumento, em termos de sua resolução espetral, depende do tipo e do número de diodos que
compõe o arranjo
• atualmente é possível colocar um grande nº de fotodiodos na superfície de uma única pastilha ⇒ cada fotodiodo
é programado para responder a uma faixa estreita de λ
• estão disponíveis detetores de arranjos de fotodiodos (PDAs) com 512, 424, ou 2048 elementos com dimensões
típicas de ~ 25 µm de largura e 1-2 mm de altura
• um fotodiodo é mais sensível que um fototubo mas menos do que os tubos fotomultiplicadores
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processamento de sinal e leituras
todos os instrumentos têm uma amplificação apropriada para fornecer um sinal mensurável
processamento do sinal para fornecer a leitura conversão A/D
leitor – registador, gráfico, . . .
instrumentos completos • espetrofotómetro de feixe simples
• espetrofotómetro de feixe duplo
– no tempo ou no espaço
• espetrofotómetro multicanal
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espetrofotómetros de feixe simples
• é o tipo de espetrofotómetro mais comum
• normalmente é usado para análises de rotina, em que se efetua uma curva analítica e se determina a
concentração de várias amostras
• hoje em dia é possível encontrar no mercado espetrofotómetros de feixe simples preparados para
operar numa zona alargada de comprimentos de onda (toda a gama do ultravioleta e visível)
• estes aparelhos são fáceis de manusear e permitem leituras de absorvância ou transmitância
1 2 3 4 5
1 – fonte de luz (lâmpada)
2 – seletor de comprimento de onda
3 - célula
4 - detetor
5- registador de sinal
é necessário efetuar o zero de absorvância a cada λ, situação que até há pouco anos os tornava pouco
adequados para traçar espetros de absorção, já que era necessário ajustar a cada λ o zero de absorvância (a
cada λ era essencial ajustar o zero de absorvância usando uma célula com o branco e só depois medir a
absorvância da solução a ensaiar a esse λ; sempre que se trocava de λ era necessário repetir este
procedimento)
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a amostra e o branco são medidos alternadamente na mesma câmara
hoje em dia, os fabricantes dispõem de espetrofotómetros de feixe simples com capacidade de varrimento de espetro
(“single beam scanning instruments”) que permiotem o armazenamento do valor do branco aos vários λ
assim, o espetro do ensaio em branco é efetuado primeiro e armazenado
em ensaios subsequentes os valores de Abs aos vários λ são corrigidos com base nesse branco
estes intrumentos não corrigem possíveis oscilações de corrente da fonte de radiação nem variações na resposta do
detetor mas estas limitações não têm atualmente grande significado, pelo que como já foi referido estes
espetrofotómetros são os mais comuns em laboratório
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espetrofotómetros de feixe duplo (no tempo)
instrumento de duplo feixe
• compara continuamente a amostra e o branco
• corrige “automaticamente” as variações no sinal
elétrico ou na intensidade da fonte de luz
• conceção de um instrumento de duplo feixe exige a
presença de um componente que se denomina
obturador que tem a finalidade de alternar a passagem
da radiação pelos caminhos óticos
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ao deixar o monocromador, a feixe de radiação é encaminhado para o
obturador, formado por um disco giratório dividido em 3 partes: uma
espelhada, uma sólida pintada de preto e a outra aberta
quando o feixe atinge a parte aberta atravessa e segue um certo caminho ótico; se atinge a parte espelhada é
refletido e segue um outro caminho, e finalmente, quando atinge a região negra, o feixe é absorvido
ambos os feixes são posteriormente dirigidos, por espelhos até o detetor (tubo fotomultiplicador), que este mede
a intensidade do feixe que, alternadamente, passa pela amostra (A) e pela referência (B); a hélice roda a uma
velocidade tal que as medidas alternativas ocorrem várias vezes por segundo
um circuito eletrónico compara estes dois sinais e converte-os numa escala apropriada de absorvância a cada λ
de notar que um instrumento de duplo feixe
não tem dois feixes emissores, no seu
sentido estrito; tem uma única fonte (um
único feixe) que segue caminhos óticos
alternados
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estes instrumentos são mais caros que os modelos de feixe único, devido à complexidade adicional e componentes
a maioria dos espetrofotómetros de feixe duplo apresenta a configuração acima apresentada
são muito úteis quando se pretender varrer um intervalo de λs (a cada novo λ a absorvância da amostra é
automaticamente corrigida da absorvância do branco) e são mais estáveis do que instrumentos de feixe
único no que diz respeito à variação da intensidade da lâmpada
apesar de um espetrofotómetro deste tipo reduzir muito o ruído e possibilitar a obtenção do espetro inteiro
muito rapidamente é-lhe, ainda, apontada a limitação de não se poder analisar variações a uma velocidade
próxima ou maior que a velocidade do obturador
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espetrofotómetros de feixe duplo (no espaço)
espetrofotómetro de divisão de feixe
• a diferença é que um divisor de feixe envia, simultaneamente, luz da fonte em direção ao branco e à
amostra, pelo que são necessários 2 detetores
• estes espetrofotómetros reduzem os problemas de estabilidade originados por alterações da intensidade da
fonte de radiação eletromagnética e por flutuações da resposta do detetor
• a divisão do feixe leva a uma atenuação da intensidade de radiação que incide em cada célula
• contudo a vantagem mais significativa é a possibilidade de efetuarem o registo automático do traçado de
espetros de absorção, incorporando no instrumento um mecanismo que varia continuamente o
comprimento de onda da radiação incidente de forma sincronizada com o registador
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instrumentos completos • espetrofotómetro de feixe simples
• espetrofotómetro de feixe duplo
– no tempo ou no espaço
• espetrofotómetro multicanal
espetrofotómetros multicanal – sistema com detetor de arranjo de diodos
uma das desvantagens do espetrofotómetros espetro tradicionais (com redes de difração móveis) , é que é
necessário esperar alguns minutos para a completa aquisição do espetro
em determinadas situações (ex. decomposição da amostra com o tempo, evaporação do solvente, etc) isto pode
ser crítico
nas últimas decadas, os espetrofotómetros com arranjos
lineares de fotodiodos introduziram uma nova dimensão
na espetrofotometria (principalmente a UV-visível)
neste instrumentos a rede de difração é colocada entre a amostra e o detetor (e não entre a fonte de
radiação e a amostra)
assim sendo, a radiação policromática incide sobre a amostra e só depois é encaminhada para para uma
rede de difração que a irá difratar, separando os seus diferentes comprimentos de onda que são
monitorizados em simultâneo pelos diodos do arranjo (cada λ irá incidir sobre um diodo do arranjo)
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• ou seja, a radiação que atravessou a amostra (transmitida ou emergente) é separada nos sues diferentes λs
na rede de difração e cada λ irá incidir sobre um diodo do arranjo
• conforme explicado anteriormente, cada diodo ao ser irradiado, produz uma corrente elétrica cuja
magnitude depende da intensidade da radiação; através de um circuito de calibração adequado, esta
corrente será transformada em absorvância nos diferentes comprimentos de onda, resultando num espetro
de absorção
• o procedimento experimental envolve inicialmente o
Grading
registro de um espetro do ruído de fundo
(background) da solução a ser usada como branco
• arquiva-se o mesmo e, em seguida, obtém-se o
espetro da amostra
• efetua-se a subtração dos dois e o resultado deverá
ser o espetro da amostra
• esta configuração traz por isso a vantagem de permitir a determinação de um espetro em poucos
milisegundos, pois o tempo de varredura não é determinado pelo movimento da rede de difração
• entretanto, um espetrofotómetro deste tipo pode estar mais sujeito a problemas de estabilidades da fonte
e/ou detetor (que não podem ser facilmente compensadas com um sistema de duplo feixe, como feito nos
espetrofotómetros convencionais) e a problemas associados à incidência de radiação policromátrica sobre a
amostra, tais como aquecimento e fotodegradação
canais múltiplos – DAD
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• portanto, por estes aspectos, a aplicação de um espetrofotómetro multicanal com um arranjo de fotodiodos
é particularmente recomendada no estudo de sistemas com sinais transientes (como análise em fluxo e
HPLC), na diferenciação de compostos que absorvem em comprimentos de onda bastante próximos, na
análise de amostras que se decompoem com o tempo, etc
• é importante salientar que nos outros casos e quando o tempo de obtenção do espetro não é parâmetro
crítico, o desempenho de um espetrofotómetro convencional com rede de difração móvel é, ainda, melhor
algumas vantagens
- determinação simultânea de um intervalo de λ pode obter-
se um espetro em menos de 1 segundo
- melhoria da relação sinal/ruído – sensibilidade
- análises rápidas minimizam foto-decomposição
algumas desvantagens
- preço
- resolução limitada (é possível uma resolução de 1 nm)
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