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Guia Dip

A norma de conflitos possui uma estrutura tripartida que abrange previsão, estatuição e elemento de conexão, regulando situações de vida através da atribuição de competência a leis específicas. As normas de conflitos podem ser unilaterais ou bilaterais, e são caracterizadas por sua regulação indireta e conexão com o direito aplicável. A reserva de ordem pública internacional atua como um limite à aplicação de direitos estrangeiros quando incompatíveis com os princípios fundamentais do ordenamento jurídico nacional.

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Érica Santos
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Guia Dip

A norma de conflitos possui uma estrutura tripartida que abrange previsão, estatuição e elemento de conexão, regulando situações de vida através da atribuição de competência a leis específicas. As normas de conflitos podem ser unilaterais ou bilaterais, e são caracterizadas por sua regulação indireta e conexão com o direito aplicável. A reserva de ordem pública internacional atua como um limite à aplicação de direitos estrangeiros quando incompatíveis com os princípios fundamentais do ordenamento jurídico nacional.

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NORMA DE CONFLITOS

A norma de conflitos tem uma estrutura tripartida:

● previsão → situação da vida que pretende regular


○ função de delimitar o objeto, mas também delimitar o alcance da remissão na
medida em que a norma de conflitos só chama a normas e princípios materiais
que sejam reconduziveis a esses conceitos → art. 15.º (qualificação)

● estatuição → conexão, isto é, atribuição de competência a certa lei para regular a


situação (a consequência é o chamamento de uma lei para regulação daquela situação)
○ a conexão pode ser:
■ singular → só chama um Direito para resolver a questão
● simples → designa de forma direta e imediata um único direito
● subsidiária → série de elementos de conexão que operam
sucessivamente
● alternativa
● optativa → é dada a escolha ao particular

■ plural / cumulativa → chama mais que um Direito para resolver a


questão
● simples → exige, para que se produza certo efeito, a
concorrência de 2 ou mais Direitos
● condicionante → chama um direito como primariamente
competente mas atribui a outro sistema uma função de o limitar

● elemento de conexão → individualiza o Direito a ser aplicado


○ podem ser: i) pessoais (nacionalidade, residência habitual, sede), ou ii) reais
(lugar da situação da coisa)
○ cláusula de exceção → proposição que permite afastar o direito primariamente
aplicável quando a situação apresenta uma ligação manifestamente mais
estreita com outro Estado. No nosso sistema não vigora nenhuma cláusula de
exceção1

As normas de conflitos de fonte interna têm de ser interpretadas como parte do sistema a que
pertencem. Contudo, embora essa interpretação seja ancorada nesse sistema, não lhe está
absolutamente subordinado já que há que tomar em conta a interação com ordens jurídicas
estrangeiras → interpretação autónoma podendo ser atribuído um sentido e alcance diferente
daquele que resulta do direito interno.

1
Há doutrina que considera o art.4.º/5 Convenção de Roma como cláusula de exceção, mas LP não
concorda porque da conjugação do n.º 1 e 5 que é a própria Convenção que abre portas à aplicação
da lei da conexão mais estreita
O elemento de conexão pode ser fático ou técnico-jurídico → é este último tipo de elemento
que dá mais problemas.
Para chegarmos ao sentido do elemento de conexão, temos de passar por dois momentos:

interpretação → definir o elemento de concretização →


conexão

Nacionalidade vínculo jurídico-político que liga uma concretização lege


pessoa a um Estado Soberano. Para causae, isto é, a
efeitos de aplicação do art. 31.º/1, a concretização é feita
mediante a aplicação
nacionalidade infra (nacionalidade dos
do Direito do Estado
estados federados) ou supra estatal cuja nacionalidade está
(nacionalidade europeia) não são em causa. Basicamente
relevantes. A nacionalidade relevante é vamos pegar nos
a nacionalidade do Estado soberano Estados em causa e
perguntar se eles
consideram X como
nacional

Residência Habitual centro da sua vida pessoal, com um


elevado grau de estabilidade e
permanência2

Domicílio vínculo jurídico entre uma pessoa e um concretização lege


lugar situado num determinado espaço causae
territorial

Sede da pessoa coletiva se for uma pessoa coletiva corresponde


ao local onde se situa a administração
central (residência habitual)

Lugar da situação da
coisa (lex rei sitae)

A norma de conflitos tem como objeto, segundo LP e DMV, o mesmo objeto que DIP → a
situação internacional. Diferentemente, FERRER CORREIA, partindo da consideração da
norma de conflitos como uma norma sobre normas, diz que o objeto é a lei material.

● normas unilaterais → apenas remetem para o direito do foro


○ gerais → referem-se a estados ou categorias de relações - não existem na
nossa ordem jurídica
○ especiais → art. 28.º/1 + art. 3.º/1, 2.ª parte CSC
■ referem a estados ou categorias de relações numa relação de
especialidade

2
ATENÇÃO: quando se diz a residência habitual comum é a residência no mesmo estado soberano,
e não a residência em conjunto
■ as que se reportam a questões parciais
■ normas ad hoc

Perante a verificação de uma lacuna, as normas unilaterais são, em regra,


bilateralizáveis → questão da bilateralização3 - aplicação analógica do art. 348.º/3

● normas bilaterais → remetem para o direito do foro e para o direito estrangeiro


○ dupla função: i) determina o direito aplicável, e ii) ao remeter para direito
estrangeiro, confere-lhe um título de aplicação na ordem interna

A norma de conflitos tem como características:


a) são normas de regulação indireta → porque a consequência da sua aplicação não é
encontrar logo a lei que vai regular a situação mas o chamamento do direito aplicável,
esse sim que vai fornecer a disciplina material da situação regulando-a diretamente
b) são normas de conexão → porque fazem a conexão entre uma situação de vida com o
direito aplicável por via do elemento de conexão
c) são normas fundamentalmente formais → porque no chamamento do direito aplicável
não estão preocupadas com o resultado material que vai resultar da aplicação que
determinaram. A norma de conflitos apenas atende aos laços estabelecidos com os
Estados, e não às soluções dos direitos desses estados. As normas de conflitos não nos
dão a solução do caso, apenas são o veículo para saber o direito material aplicável.
Contudo, nunca é absolutamente formal - ___. Um exemplo desta preocupação
material é o art. 22.º.

Ao falar da aplicação da lei pessoal (art. 25.º) posso referir que a existência desta lei tem em
conta a tutela da dignidade da pessoa humana porque nos diz que independentemente de onde
o indivíduo estiver, está submetido à mesma lei.

RELAÇÕES DO DIP E OUTRAS DISCIPLINAS

● CRP → é consensual que as regras de DIP dever estar compatibilizadas com a


Constituição
○ questão da caracterização das normas de conflito como fundamentalmente
formais. Este caráter formal não quer dizer que não tenham em conta os
valores do sistema.
○ LP → o serem formais não significa uma neutralidade valorativa, porque o
DIP tal como defende um conjunto de valores, não é imune a valorações
○ DMV → os elementos de conexão não são axiologicamente neutros, e na
escolha desses elementos intervêm valores acolhidos pela CRP

3
“as normas relativas ao estado e capacidade das pessoas aplicam-se aos portugueses, mesmo que
residentes em país estrangeiro”
● Direito Comunitário (sobretudo, a questão das liberdades europeias)
○ Caso Micheletti → o TCE entendeu que para efeitos de direito de
estabelecimento a nacionalidade relevante é sempre a do EM.
O princípio da nacionalidade efetiva não é assegurado pela doutrina Micheletti
porque se dá a prevalência à nacionalidade do EM, que pode não ser o Estado
com o qual se estabelece a relação mais estreita. Permite que o particular use
da nacionalidade de um EM, embora não tenha verdadeiramente qualquer
ligação com esse Estado.
A doutrina Micheletti vale para outros tipos de direitos, que não as liberdades
europeias?
■ LP + MARQUES DOS SANTOS → vale quando estiver outro tipo de
direitos além das liberdades europeias porque é incoerente que o
particular seja tratada como nacional de um estado para umas coisas, e
nacional de outro estado para outras
■ DMV → só vale para as liberdades europeias

○ Caso Grunkin-Paul (questão dos apelidos)

QUALIFICAÇÃO → ART. 15.º CC

METODOLOGIA PROFESSORA JULIETA RIBEIRO:

Com a qualificação pretendemos determinar qual é a norma de conflitos competente (faz


sentido que seja o primeiro passo porque para chegar ao direito material aplicável, temos de
lá chegar por via de uma norma de conflitos, que é o que vamos identificar aqui):

● pegar nas normas materiais potencialmente aplicáveis (os artigos que o enunciado nos
der) → na frequência do ano passado tínhamos que identificar a lei brasileira, a
italiana e a venezuelana

● caracterização destas normas materiais → com a caracterização vamos procurar saber


a finalidade / teleologia das normas previamente identificadas
○ caracterização lege causae → a caracterização vai ser feita à luz do
ordenamento de onde parte (assim, a lei material brasileira vai ser
caracterizada à luz do direito brasileira, e assim sucessivamente)
○ referência seletiva = a referência apenas compreende a aplicação das normas
que correspondem à categoria / situações jurídicas do conceito quadro

● vamos buscar a nossa norma de conflitos potencialmente aplicável em virtude do


conceito-quadro previamente identificado. Isto é, as normas materiais potencialmente
aplicáveis dizem todas respeito à mesma situação / categoria de vida, pelo que vamos
procurar a norma de conflitos que tenha esse conceito-quadro → interpretação do
conceito-quadro
○ se a regra de conflitos for de fonte interna então a interpretação é autónoma,
isto é, a base é o direito do foro mas que se autonomiza a partir de certo ponto.
Quando falamos da interpretação autónoma não podemos deixar de fazer a
valoração subjacente, em que partimos da lei do foro mas não ficamos por aí e
vamos considerar o conteúdo análogo das outras ordens jurídicas → temos de
ver até que ponto é que esse conteúdo descaracteriza o núcleo essencial do
conceito-quadro
○ se a regra de conflitos for de fonte internacional → princípio da interpretação
autónoma uniforme. Não podemos partir do direito material do foro, já que
p.e. os Regulamentos têm de ser interpretados da mesma forma por todos os
EM. Terá, então, de ter em conta o conteúdo da disposição e o objetivo da
regulamentação

● vamos ver se as normas materiais cabem na previsão da norma de conflitos →


qualificação stricto sensu

● concretizar e ver para onde é que a norma de conflitos remete


○ atenção neste ponto porque vamos ter de referir o art. 15.º, e vamos ter de ver
se a norma de conflitos remete para o sistema de onde se partiu. Se a norma de
conflitos brasileira remeter para Portugal, não vai ser aplicável porque viola o
art. 15.º ao remeter para uma ordem diferente da do ordenamento de onde
partiu

No caso de ser aplicável o Regulamento IV, vamos pegar nas normas potencialmente
aplicáveis que o caso nos dá, e vamos caracterizá-las. Quando passamos à busca da nossa
norma de conflitos vamos dizer que face ao conceito-quadro subjacente a todas aquelas
normas materiais, é potencialmente aplicável o art. X CC e o Regulamento Roma IV. Face à
data do caso, e tendo em conta a primazia das fontes externas nos termos do art. 8.º CRP
vamos aplicar o regulamento. Vamos fazer a interpretação do conceito-quadro “sucessão por
morte” face ao contexto do próprio regulamento (interpretação autónoma uniforme).

SISTEMAS COMPLEXOS → ART. 20.º

Ordenamentos juridicos de Estados Soberanos em que coexistem diferentes sistemas


jurídicos. O mais provável de sair é os sistemas plurilegislativos de base territorial, isto é,
quando a multiplicidade de sistemas assenta numa divisão territorial.

Para que esteja em causa um problema de sistemas plurilegislativos têm que estar
verificados:
● remissão para o Estado Soberano na sua totalidade
● que os vários sistemas em vigor nesse ordenamento apliquem um direito material
diferente
● que a norma de conflitos não remeta diretamente para uma ordem local, porque se
remeter então há logo uma solução e o problema dos sistemas complexos nem se
coloca

No art. 20.º, temos um conjunto de critérios subsidiários:


a) direito interlocal
b) DIP unificado
c) residência habitual
i) divergência em relação a este último critério quando a residência habitual não
for no Estado Soberano (no estado da nacionalidade)
1) FERRER CORREIA / BATISTA MACHADO / ACÓRDÃO STJ (16
de maio de 2018) → aplica-se na mesma porque: i) argumento
histórico, o que ficou na lei foi o 2.º anteprojeto e não o 1.º que excluia
precisamente esta aplicação, e ii) argumento literal, é o que está
explicitamente na lei
2) LP / DMV / ISABEL COLLAÇO → não se aplica porque: i) a questão
de que partimos no problema dos sistemas complexos é qual é a lei
competente dentro do Estado Soberano, pelo que não faz sentido
considerar competente uma lei que esteja fora do âmbito do art. 20.º;
ii) passar a aplicar a residência é como se estivesse a abdicar do
elemento “nacionalidade”. A nacionalidade é o elemento de conexão
mais preponderante, surgindo a residência habitual como subsidiário,
que se aplica quando não há a nacionalidade - mas aqui há!
É então necessário fazer uma redução teleológica e chegamos à lei
pelo elemento da conexão mais estreita (por aplicação do art. 10.º/3).
Mesmo que a conexão mais estreita for com outro país, vamos à
procura dentro do Estado Soberano porque é precisamente essa a
questão

Em quando o elemento de conexão não for a nacionalidade:


● FERRER CORREIA / BATISTA MACHADO / DMV → designação direta, pelo que
consideramos logo que a remissão é feita para o sistema local (“o art. 20.º não oferece
qualquer solução pelo que designa logo direta e imediatamente a ordem jurídica
local”)
● ISABEL COLLAÇO / LP → a remissão é feita para o Estado Soberano (porque
tratamos de DIP), pelo que só podemos aplicar o art. 20.º por analogia, até onde for
possível (na residência habitual ter cuidado), e vamos ver aqueles critérios todos. Não
sendo possível a analogia, então passamos logo para o sistema local.

RESERVA DE ORDEM PÚBLICA INTERNACIONAL → ART. 22.º CC + ART. 35.º


ROMA IV

A reserva de ordem pública internacional é um limite à aplicação do Direito Estrangeirou em


princípio competente segundo o Direito de Conflitos ou ao reconhecimento de uma decisão
estrangeira, quando o resultado que resulta da aplicação desse direito for absolutamente
incompatível com os princípios e normas fundamentais da ordem jurídica portuguesa.

Cada Estado tem os seus valores juridicos fundamentais dos quais não deve abdicar porque
são interesses essenciais pelo que a preservação desses valores implica a desaplicação da lei
estrangeira competente se essa aplicação tiver o resultado de lesar algum princípio ou valor
básico do ordenamento nacional.

A ordem pública internacional estrangeira pode ser relevante quando o Direito de Conflitos
de outra ordem seja aplicado por força do DIP do foro → situações de reenvio.

Tem de se contrapôr a ordem pública internacional da ordem pública (nacional):

- esta última inclui todas as regras e princípios imperativos do direito do foro enquanto
que a OPI apenas inclui os princípios gerais imperativo
- a ordem pública é um limite à autonomia privada em termos de aplicação do direito
material (limita a liberdade de estipulação)
- a ordem pública internacional constitui um núcleo mais restrito porque nem todas as
violações sancionadas pela ordem pública são suficientemente graves para
justificarem a atuação da ordem pública internacional

Esta distinção vai implicar dizer que só vamos buscar a reserva de ordem pública
internacional quando o direito de conflitos de português remete a regulação da situação para
o direito estrangeiro. Se o direito de conflitos portugues se limitar a aplicar a própria lei então
aí falamos da ordem pública (nacional).

O art. 22.º CC acolhe a conceção aposteriorística, já que a consideração da existência de


reserva de ordem pública só ocorre a posteriori, face às circunstâncias do caso por via da
comparação dos efeitos que resultam da aplicação da lei estrangeira com os efeitos se a lei
aplicável fosse a lei do foro.
A esta conceção contrapõe-se a conceção apriorística que afirma que certas leis do foro
teriam como qualidade inerente serem de de ordem pública → não pode ser assim porque
tem de se verificar no caso em concreto um conjunto de pressupostos.

O que está em causa não é um juízo de desvalor da lei estrangeira mas dizer que no caso
concreto, a aplicação da lei estrangeira irá levar a um resultado insuportável.

Características:
● é um conceito indeterminado a concretizar pelo julgador caso a caso → casuística -
não pode ser definido a priori porque vai depender de se perante as circunstâncias do
caso aquela violação é intolerável
● excecionalidade → funciona como exceção ou limite à aplicação da lei estrangeira
competente. Não intervém simplesmente porque a solução é diferente da solução do
direito do foro, mas porque esse resultado é manifestamente intolerável. DMV diz
que é um mal necessário, de utilização mínima, uma vez que põe em causa a abertura
da ordem jurídica do foro aos sistemas estrangeiros
● relatividade temporal / atualidade → caráter evolutivo, sendo que o tribunal tem de
atender ao conteúdo atual da ordem pública internacional, no momento em que
aprecia a questão
● relatividade espacial (caráter nacional) → tem de estar em causa princípios
fundamentais do ordenamento do foro → intensidade dos laços que a situação
apresenta com o Estado do Foro
○ não existem estes laços quando a competência internacional resultar de pacto
de jurisdição
○ DMV diz que basta a competência dos tribunais portugueses para que esta
conexão se verifique (é uma conexão pequena mas é suficiente)
○ é possível, nas situações em que não há uma conexão suficiente com o Estado
do Foro, considerar a verificação destes laços se se verificar uma intensidade
na ligação com outro Estado em que vigore uma norma ou princípio de OPI
convergente
○ se a situação não tiver nada a ver com a nossa ordem jurídica então não há
razão para desaplicar a lei estrangeira com base nela

Questão do efeito atenuado da ordem pública internacional quanto ao reconhecimento de


situações constituídas no estrangiero → ISABEL MAGALHÃES COLLAÇO → a ordem
pública internacional pode opor-se ao reconhecimento de um casamento celebrado no
estrangiero mas isso não implica que não lhe seja reconhecido um conjunto de efeitos
(obrigação de alimentos e direitos sucessórios) → p.e. “eu não reconheço o casamento
poligâmico, mas vou reconhecer alguns dos seus efeitos”.
FERRER CORREIA diz que a ROPI intervirá quando estiver em causa a criação, no estado
do foro, de uma relação jurídica, pelo que não intervém quando a relação tiver sido já
constituída no estrangeiro.
LIMA PINHEIRO diz que esta teoria do efeito atenuado não é mais nada do que a
concretização da ideia de relatividade (espacial - conexão) porque o que vamos ver é a
intensidade da ligação que a situação apresenta com o estado do foro em cada momento.

Pressupostos (de utilização):


a) existência de uma conexão suficiente entre o caso e o estado do foro
b) incompatibilidade entre o resultado da aplicação da lei estrangeira e os princípios
fundamentais do direito do foro → não é desvalorizar o resultado, é somente um juízo
de incompatibilidade do resultado

Exemplos
Como saber quando estamos perante uma matéria de reserva de ordem pública internacional?
Na nossa ordem jurídica, a nossa Constituição é a sede dos valores básicos da comunidade
pelo que em princípio serão de ordem internacional os princípios constitucionais.
Contudo, podem existir outros princípios fundamentais estruturantes do ordenamento sem
dignidade constitucional, se resultar “de uma sedimentação e consolidação em setores
importantes da ordem juridica”, por via de consagração legal ou costume.

i) o instituto da legítima, a favor dos filhos de portugueses, é de ordem pública - aqui


exige-se requisitos adicionais além da conexão e do caráter nacional: a relação entre os
familiares seja de proximidade e que esteja em causa uma situação de sobrevivência
condigna
ii) a regra da imutabilidade das convenções antenupciais não é
iii) a regra do despedimento sem causa não é
iv) o repúdio da mulher contraria os princípios da igualdade e da dignidade sendo
contrário à ordem pública
v) responsabilidade in contrahendo pode ser
vi) natureza gratuita da maternidade de substituição pode ser

Consequências:
I. afastamento do resultado que resulta da aplicação do direito estrangeiro (ou não
reconhecimento de uma decisão estrangeira)
II. se desse afastamento não resultar uma lacuna, continua a aplicar-se o direito
estrangeiro → princípio do mínimo dano à lei estrangeira
III. se surgir uma lacuna, a solução terá de ser encontrada nos quadros do direito
estrangeiro competente
IV. no caso de não se conseguir encontrar essa solução ou essa mesmo for também
incompatível com a OPI → art. 22.º/2 - recorremos ao direito material do foro
A. LIMA PINHEIRO não concorda com esta solução dizendo que devemos ir
primeiro à lei do Estado com o qual há uma conexão mais estreita (ligação
mais significativa) e só depois ao direito material do foro

Distinção entre a ROPI e a Fraude à Lei → ambas implicam o afastamento da lei que seria
competente:
- contudo, na ROPI a lei só é desaplicada por causa da inadmissibilidade do resultado,
da incompatibilidade do resultado com a justiça material; na fraude é desaplicada a
norma competente em virtude da intenção fraudatória. Na primeira, houve uma
determinação correta da lei aplicável, mas essa lei bem determinada vai ter de ser
afastada; na fraude é mesmo a determinação da lei foi fraudulada.
- vamos ver da ROPI no final do caso, quando já temos uma norma competente mas
vamos afastá-la em razão da incompatibilidade do resultado; na fraude, é um
momento prévio da própria procura da norma competente
- a ROPI conduz ao afastamento da lei estrangeira, enquanto que a fraude pode levar ao
afastamento de lei estrangeira ou lei do foro
FRAUDE À LEI → ART. 21.º CC

Consiste na constituição de uma situação de facto ou de Direito com o objetivo de evitar a


aplicação da lei normalmente competente, de forma a obter um resultado não permitido por
aquela
● a defraudação é de normas proibitivas mas pode ser de normas imperativas não
proibitivas (p.e. requisitos de forma para os negócios)

Objeto:
● FERRER CORREIA → norma de conflitos
● LIMA PINHEIRO → norma imperativa que é afastada - tendo a concordar com esta
posição porque embora a fraude seja realizada por via da norma de conflitos (de lhe
dar um novo conteúdo), o que é defraudado é a norma que seria normalmente
aplicável e que já não é [a norma de conflitos não é o objeto no sentido de ser
afastada pela manobra, mas já será objeto no sentido em que há uma atuação sobre
esta norma - instrumentalização]

Pressupostos:

I. Objetivo = atividade fraudatória → criação de situações de facto (mudança da


residência habitual) ou de Direito (mudança de nacionalidade) → tipologia:
A. manipulação com êxito do elemento de conexão → o elemento de conexão é o
mesmo (ou seja, não passamos de aplicação de uma norma cujo elemento é a
nacionalidade para uma norma em que o elemento é a residência habitual) mas
eu vou manipular esse elemento - p.e. a minha nacionalidade era portuguesa e
agora passa a ser francesa
B. internacionalização fictícia de uma situação interna → a situação é
inteiramente interna mas vai estabelecer-se uma conexão com um estado
estrangeiro de forma a estar em causa a aplicação do direito estrangeiro

A manipulação tem de ter êxito, isto é, tem de desencadear o chamamento de uma lei
diferente, pelo que não existe sanção no caso de tentativa de fraude.

LP + FERRER CORREIA → deixa de haver fraude (é sanada) quando o particular mudou de


nacionalidade com intuito fraudulento mas acabou por se integrar na sua nova comunidade.

II. Subjetivo = intenção fraudatória, isto é, a vontade de querer a aplicação de uma lei
diferente daquela que é verdadeiramente competente.

Sanção:
● FERNANDO OLAVO e DOUTRINA FRANCESA → todos os atos integrados no
processo fraudulento, incluindo, p.e., a mudança de nacionalidade, são nulos ou
inoperantes
● RESTO DA DOUTRINA → desconsideração / inaplicabilidade da lei que se obteve
pela manipulação, aplicando-se a lei normalmente competente. O Estado do foro não
pode declarar inválida a aquisição de outra nacionalidade já que isso é matéria de
soberania dos Estados.

Acórdão Centros → relação entre a fraude a DIP e as liberdades comunitárias: o Tribunal


frisou que as disposições do Tratado relativas à liberdade de estabelecimento visam permitir
às sociedades constituídas em conformidade com a legislação de um EM, e que têm a sua
sede, administração ou estabelecimento principal na Comunidade, exercer por agência,
sucursal ou filial, atividades noutros EM. Só há fraude quando a atuação levar a um resultado
não querido pelo legislador, e no caso da liberdade de estabelecimento, o legislador queria
fomentar a concorrência → DMV: infere-se que uma situação de facto ou de Direito criada
com o intuito de evitar a aplicação da lei que seria competente, mas que funcione no
exercício de uma liberdade comunitária, não constitui fraude à lei em DIP. Tem de ser assim
porque se não fosse pelo mecanismo da fraude podíamos instituir restrições às liberdades da
UE.

Medidas preventivas da fraude, em que o legislador qualifica o elemento de conexão → i)


art. 33.º/1 (evitando-se a relevância de uma sede fictícia, i.e., de uma sede em que não
funcionam quais órgãos); ii) art. 55.º/2.

É aceite que a fraude à lei estrangeira está incluída no art. 21.º, e que também deve ser
sancionada.
Mas devo sancionar a fraude à lei quando ela é feita em relação a um Estado que não
sanciona essa fraude?

● DMV: o art. 21.º parece que se aplica quer a lei defraudada seja a portuguesa, quer
seja a lei estrangeira. Esta solução já suscita dúvidas se a lei estrangeira defraudada
não sancionar a fraude: i) pode não se justificar que a ordem jurídica portuguesa
sancione uma fraude irrelevante para a lei estrangeira defraudada (“não faz sentido,
pelo que só devemos sancionar se a outra lei também o fizer); ii) deverá ser tida em
conta se a fraude à lei estrangeira der lugar à ofensa da ordem pública internacional
portuguesa, mas nesse caso já falamos da ROIP.

● LIMA PINHEIRO: não há geralmente essa obrigação mas deve ser sancionada,
excepcionalmente, quando seja eticamente intolerável à face do direito de conflitos
portugues (inaceitável à luz de valores éticos que integram a justiça da conexão)

● ISABEL MAGALHÃES COLLAÇO: a fraude à lei do foro é sempre sancionada, a


fraude à lei estrangeira só o será em dois casos:
○ se a lei estrangeira defraudada também sanciona
○ se não sancionar, esteja, ainda assim, em causa, na perspetiva do DIP do foro,
um princípio do mínimo ético nas relações internacionais que não se conforma
com o desrespeito da proibição
ESTATUTO DO DIREITO ESTRANGEIRO → ART. 23.º + 348.º
O direito estrangeiro podia ser considerado como mero facto (com a consequência de só ser
aplicável se fosse alegado pelas partes) pelo facto de a sua aplicação ser lenta e poder levar,
com maior probabilidade, a erro judiciária.
Contudo, deve ser considerado como Direito, pois é assim que se permite a concreta
realização efetiva do direito e da justiça. Desta forma, o aplicador além de ter de o conhecer
tem de o aplicar de forma oficiosa → art. 5.º/3 CPC + art 348.º/2

Para o conhecimento do conteúdo do direito estrangeiro, o aplicador não está limitado pelo
art. 348.º a nenhum tipo de meios, podendo utilizar meios oficiais ou não oficiais.

Se o concreto conteúdo do direito estrangeiro não conseguir ser apurado → conjugação do


art. 23.º/2 + 348.º/3: presunções, aplicação do direito subsidiariamente competente e
aplicação da lei do foro.

Um princípio subjacente à aplicação do direito estrangeiro é o de que os aplicadores


portugueses devem aplicar o direito que efetivamente vigora no território estrangeiro que se
chegou lá pela norma de conflitos, a não ser que isso conduza a uma violação manifesta dos
valores de ordem pública.

LEI PESSOAL DAS PESSOAS SINGULARES


● art. 25.º CC + art. 26.º, 27.º e 30.º → conjunto de matérias do estatuto pessoal
● estas matérias estão todas sujeitas a uma lei que as acompanha (lei pessoal) porque
são matérias de extrema importância para o indivíduo, e que caracterizam a sua
identidade → princípio da unidade do estatuto pessoal = onde quer que esteja, está
submetido a uma única lei, a lei pessoal do indivíduo. Se assim não fosse, estaria a ser
posto em causa o princípio da dignidade da pessoa humana porque estaria sujeita a
uma mudança no estatuto pessoal consoante o local onde estivesse → é necessária
unidade e estabilidade face às matérias em causa
● no nosso sistema corresponde à lei da nacionalidade → é a que permite uma maior
estabilidade, certeza e segurança (e aquela que melhor assegura a preservação da
identidade cultural) → maior continuidade das situações
● em relação ao art. 26.º → obstáculo lógico no início da personalidade porque a
nacionalidade pressupõe uma personalidade, que ainda não existe → consideração da
lei pessoal hipotética, isto é, da lei da nacionalidade que teria se já tivesse
personalidade
● art. 26.º/2 + art. 68.º/2 → leis materiais (sobre a comoriência)
● capacidade da pessoa singular → art. 25.º (regra geral) + leis específicas consoante a
matéria que estiver em causa
● limites à competência da lei pessoal → art. 31.º/2
○ desvio à aplicação da nacionalidade de forma a reconhecer a validade de
negócios que tenham sido celebrados no país de residência habitual, em
conformidade com essa lei, embora sejam inválidos na lei da nacionalidade
○ apesar de ser inválido cá, tem de haver uma tutela da legítima expectativa do
interessado
○ pressupostos de aplicação (DMV)
■ o negócio seja inválido segundo a lei pessoal
■ tenha sido celebrado no país da residência habitual - ler
extensivamente e considerar qualquer país terceiro desde que seja
válido no país da residência habitual
■ seja válido segundo a lei da residência habitual - de novo, ler
extensivamente, bastando que seja eficaz nesse país
■ lei da residência habitual de considere competente

● atenção ao art. 28.º, que acaba por ser consumido pelo art. 13.º do Roma I

LEI PESSOAL DAS PESSOAS COLETIVAS

● art. 33.º/2 + art. 38.º → enumeração não taxativa das matérias que integram o estatuto
pessoal das pessoas coletivas
● art. 33.º também se aplica a associações e fundações, e para sociedades sem
personalidade jurídica ou sociedades irregularmente constituídas (por analogia)
● para determinação da lei pessoal das pessoas coletivas → teoria da sede (da
administração)
○ lei do país tem a sua sede principal e efetiva-se a sua administração → lugar
onde as decisões fundamentais da direção da empresa se traduzem em atos de
gestão corrente
○ para efeitos práticos, vamos presumir que a sociedade tem a sede da
administração no Estado da sede estatutária, a não ser que se demonstre em
contrário
○ se os órgãos funcionarem em países diferentes a lei competente é a do país
onde está o centro de decisão superior e final
● matéria de constituição da pessoa coletiva → é aplicável o direito do lugar da
constituição, no sentido de Direito do Estado onde são realizados os atos de
constituição em que intervêm órgãos públicos
○ não é matéria que esteja incluída no elenco do art. 33.º/2 → não está sujeita à
teoria da sede
○ pode aplicar-se analogicamente o art. 3.º/3 CSC
● art. 3.º/1 CSC
○ 1.ª parte → equivale ao que está no art. 33.º/1
○ 2.ª parte → norma de conflitos unilateral, isto é, uma norma que apenas
remete para o direito do foro. Diferentemente da teoria em geral adotada em
que a lei pessoa é a da sede da administração, permitisse, neste caso que se a
pessoal coletiva tiver sede estatutária em PT, se desconsidera a sede da
administração (em país estrangeiro)
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■ interpretação = na relação com terceiros é aplicável o direito portugues


enquanto lei da sede estatutária porque o que está subjacente a esta
norma é a tutela da confiança depositada por terceiros na competência
desta lei (porque é aquele que por elas é conhecida por via dos
Estatutos). Na premissa da tutela da confiança, só não será aplicável a
lei da sede estatutária, mas antes a lei da sede da administração se se
verificar que os terceiros conseguiam com isso contar

■ divergência sobre se é bilateralizável, isto é, se pode passar a remete


tanto para o direito do foro como para o direito estrangeiro → saber se
tendo a sociedade sede estatutária no estrangeiro, se o direito aplicável
é o da sede da administração mesmo que os terceiros não possam
contar com ela
● MARQUES SANTOS + MOURA RAMOS → não é
bilateralizável, porque o que está em causa é a proteção de
interesses nacionais perante interesses estrangeiros. Há um
favorecimento do direito portugues, e de alargamento do
âmbito de aplicação do nosso direito
● LM + DMV + FERRER CORREIA → sim, porque o que está
em causa é a tutela da confiança depositada por terceiros na
competência da lei local. A teleologia da norma não justifica
um unilateralismo, pelo que por via desta bilateralização, o
Direito da sede da administração só será aplicável quando
estando essa sede fora do Estado da sede estatutário, os
terceiros possam contar com a competência da lei da sede da
administração
○ DMV admite a bilateralização mas com restrições:
■ o que está em causa é a tutela da expectativa
jurídica pelo que não vamos proteger se o
terceiro conhecia que a sede de administração
noutro país era a sede efetiva
■ tem de haver a mesma vontade de aplicação do
direito estrangeiro, isto é, só se vai aplicar se no
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Diferente desta posição, MARQUES DOS SANTOS, considera que o que está em causa é uma
conexão optativa, dando aos terceiros a opção de escolher o direito estrangeiro da sede da
administração ou o direito portugues da sede estatutária
direito estrangeiro houver uma norma
semelhante (o direito estrangeiro da sede
estatutária tem de se considerar competente)
■ limitado à capacidade (analogia com o art. 28.º
+ art. 13.º Roma I)

Acórdão Centros → não será qualificado como fraude à lei a situação em que uma sociedade
comercial se constitui num EM, de acordo com a lei desse Estado, mas apenas o fez para
evitar a aplicação da lei de outro EM onde pretende exercer a sua atividade → liberdade de
estabelecimento de profissão prevalece.

Limites à capacidade da lei pessoal


● capacidade jurídica → questão da aplicação analógica do art. 28.º
○ FERRER CORREIA + BATISTA MACHADO + MARQUES DOS SANTOS
→ o princípio do art. 28.º deve valer para as pessoas coletivas sem
personalidade jurídica
○ LP → pode admitir-se a analogia ao art. 13.º Roma I
○ ISABEL MAGALHÃES COLLAÇO → não deve ser aplicável porque o art.
28.º apenas diz respeito a atos anuláveis por incapacidade de exercício,
enquanto que a incapacidade das pessoas coletivas é de gozo
● exercício da atividade por sociedades de estatuto pessoal estrangeiro

Transferência da sede
● art. 33.º/3 + art. 3.º/2 e 4 CSC → princípio da manutenção de personalidade jurídica,
embora limitado pela consagração de uma conexão cumulativa simples, isto é, só
haverá aquela manutenção de personalidade se ambas as leis o admitirem
● art. 3.º/2 CSC → manutenção da personalidade jurídica da sociedade comercial que
transfira sede de administração do estrangeiro para PT ou vice versa, desde que
cumpridos os requisitos do n.º 2 a 6

REGULAMENTO ROMA IV (Helena Mota)


● ATENÇÃO: se calhar caso que implique o regulamento, não esquecer que se estou
dentro do regulamento não sai!
● a solução geral do regulamento de consagrar a competência da residência habitual
foge ao paradigma conflitual sucessório de muitos EM incluindo PT de dar a
competência à lei da nacionalidade → art. 21.º
● verificar os âmbitos
○ material → art. 1.º/1 + n.º 2 (delimitação negativa) + art. 3.º, alínea a)
○ temporal → art. 83.º e 84.º - 17 de agosto de 2015
○ territorial → está em causa um EM vinculado pelo regulamento [Dinamarca,
Irlanda e Reino Unido não estão vinculados]
○ espacial → art. 1.º - está em causa uma situação transnacional
● na aplicação do regulamento vamos primeiro ao art. 22.º; se não tiver havido escolha
de lei, passamos para o art. 21.º
○ apesar de a norma parecer padecer de um erro de tradução, no caso de ser
plurinacional, pode escolher qualquer um dos Estados de que é nacional
○ a escolha da lei não está limitada pelos países vinculados pelo Regulamento,
porque ele é de aplicação universal (art. 20.º). Assim, sendo nacional do Brasil
pode validamente escolher essa lei como competente
○ mas esta escolha está definitivamente limitada à nacionalidade do morto →
não pode escolher qualquer lei, se dela não for nacional
○ art. 21.º/2 → cláusula de exceção (em conjunto com os considerandos 24 e 25)

● o regulamento não é neutro em relação à proteção da legítima já que vem acolher


soluções que visam garantir soluções mais protetoras dos herdeiros legais (p.e. a
própria limitação da escolha da lei a uma qualquer nacionalidade que surge como
forma de antecipação da vontade, logo, de uma maior previsibilidade) →
considerandos 6, 7, 38 e 50

● reenvio permitido no art. 34.º


○ atenção ao pressuposto de L2 ser um Estado Terceiro
○ em relação à alínea a) existe uma divergência doutrinária
■ doutrina estrangeira → basta que a norma do Estado Terceiro remeta
para o direito portugues (favorecimento da aplicação do direito de um
EM)
■ doutrina portuguesa diz que não se aplica porque isso levaria a um
ciclo vicioso → a alínea a) pressupõe que L2 remeta para o direito
material do EM, o que quer dizer que tecnicamente só vamos aplicar a
alínea a) quando há referência material
RESOLUÇÃO DO CASO:

I. dizer que está em causa uma situação privada internacional, isto é, uma situação que
tem contactos juridicamente relevante com mais do que um Estado Soberano, e
depois passar à análise desses contactos
A. classificação como absolutamente internacional (ligando duas ou mais ordens)
ou relativamente internacional (ligando duas ou mais ordens estrangeiras)

II. referir que face à competência dos aplicadores portugueses, a resolução destes tipos
de conflitos, é feita em PT por via do método conflitual, isto é, o conflito é resolvido
por aplicação de normas de conflitos (em contraposição ao método de regulação
direta ou jurisdicionalista em que a situação internacional seria regulada como se se
tratasse de uma situação puramente interna)
A. normas de conflitos como normas de regulação indireta porque não nos dizem
diretamente qual é a lei material aplicável, mas, sim, por via da conexão nos
fornecem o direito aplicável, esse sim que nos vai dar a disciplina material.
Normas, ainda, de conexão porque ligam a situação ao direito aplicável por
via do elemento de conexão. E, ainda, fundamentalmente formais porque não
estão preocupadas, em princípio, com o resultado material, mas apenas em
fornecer o direito aplicável por consideração dos laços em causa

III. Falando-se do método conflitual é, então, necessário encontrar a norma de conflitos


aplicável ao caso pelo que cabe proceder à qualificação:
A. levantamento das normas materiais potencialmente aplicáveis
B. caracterização dessas normas de forma a chegar ao seu conteúdo e finalidade,
concluindo que face à teleologia de cada uma dessas normas o
conceito-quadro é “_”
C. face ao conceito-quadro identificar as normas de conflito potencialmente
aplicáveis: art. “_” CC ou Regulamento
D. passar à interpretação da norma de conflitos
1. se for CC então interpretação autónoma
2. se for Regulamento então interpretação autónoma uniforme (ter em
conta o contexto e razão de ser da regulamentação)

IV. aplicar a norma de conflitos (se for regulamento, dizer que é pela primazia das fontes
externas, e não esquecer de analisar os âmbitos - material, temporal, territorial e
espacial)

V. fazer o esquema e levantar a questão do reenvio → trata-se de uma potencial situação


de reenvio porque o estado designado pela norma de conflitos remete a competência
para outra ordem (conflito de sistemas negativo)
VI. na análise do reenvio não esquecer de fazer o esquema como a professora gosta, com
as técnicas → durante o reenvio descrever o que cada teoria que surgir quer dizer, e
interpretar e caracterizar os elementos de conexão

VII. estando o reenvio feito vamos chegar a um direito material aplicável → concluir
dizendo que o direito material é subsumível ao conceito quadro previamente
considerado

VIII. concretizar o elemento, dizendo, concretamente, qual é a solução do direito material

IX. estando em causa uma lei estrangeira referir brevemente a questão do estatuto do
direito estrangeiro → tem de ser considerado como Direito para fins de realização
efetiva do direito e da justiça, e por isso, está-lhe subjacente o princípio segundo o
qual o aplicador tem de conhecer esse direito, e tem de o aplicar oficiosamente, a não
ser que conduza a uma situação de violação da ordem pública internacional
portuguesa

X. tratando-se de uma situação de reserva de ordem pública falar da caracterização das


normas de conflito como formais, o que não quer dizer que sejam axiologicamente
neutras ou haja uma neutralidade valorativa. Falar dos elementos de caracterização da
ordem pública.

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