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"Tortura Nunca Mais!":: A Ditadura Civil-Militar No Brasil

O documento aborda a violação de direitos humanos durante a ditadura civil-militar no Brasil (1964-1985), destacando a tortura como uma prática sistemática utilizada pelos órgãos de repressão, como o DOI-Codi e a Operação Bandeirante. Ele também menciona iniciativas como o Projeto Brasil: Nunca Mais e a Comissão Nacional da Verdade, que visam documentar e educar sobre essas violações. A Doutrina de Segurança Nacional é apresentada como a justificativa ideológica para a repressão e a violação de direitos.
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"Tortura Nunca Mais!":: A Ditadura Civil-Militar No Brasil

O documento aborda a violação de direitos humanos durante a ditadura civil-militar no Brasil (1964-1985), destacando a tortura como uma prática sistemática utilizada pelos órgãos de repressão, como o DOI-Codi e a Operação Bandeirante. Ele também menciona iniciativas como o Projeto Brasil: Nunca Mais e a Comissão Nacional da Verdade, que visam documentar e educar sobre essas violações. A Doutrina de Segurança Nacional é apresentada como a justificativa ideológica para a repressão e a violação de direitos.
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História

“Tortura nunca mais!”: a


ditadura civil-militar no Brasil

4o bimestre Ensino
Aula 4 Médio
● Violação de direitos humanos no ● Identificar as diferentes formas de
contexto da ditadura civil-militar no violência e seus usos no contexto
Brasil (1964-1985); da ditadura civil-militar no Brasi;
● Doutrina de Segurança Nacional; ● Discutir a importância dos Direitos
Humanos, nos casos de sua
● Os órgãos repressivos: torturas,
violação, tendo em vista princípios
mortes e desaparecimentos.
éticos, democráticos, inclusivos e
solidários.
Para começar
Link para vídeo
VIREM E CONVERSEM
Ainda estou aqui:
repressão e luta por justiça

O filme Ainda estou aqui (2025)


retrata a repercussão do
desaparecimento de Rubens Paiva,
ex-deputado cassado pela ditadura
civil-militar brasileira, e a luta de sua
esposa, Eunice Paiva, em busca de
verdade e justiça. Assista ao trailer
do filme e discuta com seus colegas:
● Ao entrarem na casa, como os
militares impõem medo?
● Para onde Rubens Paiva teria
sido levado? Quais são suas
hipóteses? Trailer do filme Ainda estou aqui, vencedor do Oscar 2025 de Melhor Filme
Internacional.

SONY PICTURES BRASIL. Ainda Estou Aqui | Trailer Oficial | 7 de novembro nos cinemas.
Disponível em: [Link] Acesso em 2 abr. 2025.
5 minutos
Foco no conteúdo
Os aparatos da repressão
● Entre 1964 e 1970, a ditadura criou uma rede
de repressão com o objetivo de monitorar e
perseguir opositores. O Serviço Nacional de
Informações (SNI) foi o centro dessa rede,
responsável tanto pelo planejamento
estratégico quanto pela coleta de
informações. Inicialmente, o Departamento
de Ordem Política e Social (Dops),
conhecido pelo uso da violência e pela
corrupção, era responsável pelo
silenciamento.
● A partir de 1967, a repressão e a vigilância
ganharam força no país com a criação de
centros de inteligência como o Centro de
Inteligência do Exército (CIE). Esses
Emílio Garrastazu Médici após a posse na Presidência, acompanhado órgãos de repressão foram fundamentais
pelo vice, o almirante Augusto Rademaker, e pelo general João Baptista para a manutenção do controle político e
Figueiredo, chefe do SNI (da direita para a esquerda), em outubro de 1969.
social durante a ditadura.
Reprodução – ANTONIO TEIXEIRA/MEMORIAL DA DEMOCRACIA, [s.d.]. Fonte: STARLING, [s.d.].
Disponível em: [Link]
da-repressao#card-98. Acesso em: 2 abr. 2025.
Foco no conteúdo

Os DOI-Codi e a sofisticação da repressão e da tortura

● Durante esse período, a tortura foi utilizada como principal ferramenta para reprimir opositores
políticos. A Associação Médica Mundial definiu a tortura como a imposição deliberada de
sofrimento físico ou mental para forçar alguém a confessar ou fornecer informações. Nos
tribunais militares, no entanto, a tortura era muitas vezes ignorada, e as denúncias eram
sistematicamente suprimidas. Esse contexto se estabeleceu como parte do regime autoritário,
em que a repressão era justificada para combater um suposto "inimigo interno".
● Em 1969, a repressão no Brasil se tornou ainda mais organizada com a criação da Operação
Bandeirante (Oban), uma força-tarefa que unia militares e policiais. Em 1970, a criação do
Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna
(DOI-Codi), ampliou o uso dessa violência, com unidades especializadas no combate à
oposição política. Esses órgãos eram responsáveis por planejar e executar operações de
tortura e intimidação contra os opositores ao regime. A atuação do DOI-Codi não se limitou ao
Brasil, mas influenciou ditaduras em países vizinhos, como Chile, Argentina e Uruguai, que
adotaram métodos semelhantes de repressão.
Fonte: ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO, 1985.
Foco no conteúdo

O DOI-Codi e a sofisticação da repressão e da tortura


Somente pelo DOI-Codi do 2o exército em São Paulo passaram mais de 6.700 presos, de modo
que, no período entre 1969 e 1975, organizações como a Ação Libertadora Nacional (ALN) e o
Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR) foram desarticuladas por assassinatos e
prisões. A fonte abaixo é a transcrição de uma declaração feita por um preso político detido no
DOI-Codi-SP, evidenciando a truculência dos militares contra opositores políticos e a nítida
violação de direitos humanos.
Fonte: ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO, 1985.

Eu, Amilcar Baiardi, professor, brasileiro, professor universitário (...) quando me encontrava detido
em um quarto do primeiro piso da delegacia da Rua Tutoia na cidade de São Paulo – utilizada na
época como centro de investigações e triagem da "Operação Bandeirantes" ou DOI-CODI –,
testemunhei por uma pequena janela que dava acesso ao pátio interno, a chegada de dois
prisioneiros com ferimentos toráxicos e/ou abdominais que pareciam ter sido alvejados por projéteis
pouco antes. (...) Em meio a regozijos e comemorações ruidosas, por haverem vencido um provável
confronto a bala, os agentes da repressão colocaram os dois feridos, ainda com sinais vitais mas já
sem capacidade de reagir sobre a quadra de cimento destinada à prática de esportes e tentaram
por cerca de meia hora extrair confissões através de ameaças e maltratos generalizados. (...)"
(COMISSÃO DA VERDADE DO ESTADO DE SÃO PAULO – RUBENS PAIVA, [s.d.])
1 minuto

Pause e responda Durante a ditadura civil-militar no Brasil, qual era o


principal objetivo do DOI-Codi?

Coordenar a repressão política e


Garantir direitos humanos e
realizar interrogatórios com uso de
proteção aos presos políticos.
tortura.

Promover debates democráticos Criar leis que proibissem a


entre militares e opositores. perseguição política.
Pause e responda Durante a ditadura civil-militar no Brasil, qual era o
principal objetivo do DOI-Codi?

Coordenar a repressão política


Garantir direitos humanos e
e realizar interrogatórios com
proteção aos presos políticos.
uso de tortura.

Promover debates democráticos Criar leis que proibissem a


entre militares e opositores. perseguição política.
Foco no conteúdo

A tortura como regra, não exceção


A tortura, portanto, foi empregada como método de
interrogatório e punição, sustentada ideologicamente
pela Doutrina de Segurança Nacional, que legitimava a
violência de Estado contra aqueles considerados uma
ameaça ao regime.
A Doutrina de Segurança Nacional defendia que a
segurança do Estado era mais importante do que o bem-
estar social. Isso significava que, em nome da
"segurança nacional", poderiam ser restringidas
liberdades, direitos constitucionais e garantias
individuais. Com essa justificativa, o regime militar
perseguiu opositores, tratando-os como "inimigos
internos". Para sustentar essa política, o sistema de
segurança do Estado foi reformulado, criando órgãos de Charge de Ziraldo, publicada no jornal O Pasquim,
repressão, como os já citados DOI-Codi e Oban, em 14 de janeiro de 1971.

responsáveis por prender, interrogar e torturar suspeitos. Reprodução – ZIRALDO/MEMORIAL DA DEMOCRACIA,


[s.d.]. Disponível em:
[Link]
Fonte: ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO, 1985.
pasquim-para-fazer-rir-e-pensar#card-92. Acesso em: 2
abr. 2025.
Foco no conteúdo

A violação de direitos humanos durante a ditadura militar


A Declaração Universal dos Direitos Humanos, adotada pela ONU em 1948, estabelece em
seu artigo 5o que:

Art. 5o: ninguém será submetido à tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou
degradante.
(UNICEF BRASIL, [s.d.])

Apesar disso, em muitos países, incluindo o Brasil durante a ditadura, a tortura era usada
sistematicamente para obter informações e punir opositores.

Direitos humanos são direitos que pertencem a


Contexto da criação da
todas as pessoas, independentemente de sua
Declaração dos Direitos
origem, etnia ou religião, incluindo o direito à vida,
Humanos:
à liberdade de expressão, à educação e à
proteção contra abusos como a tortura. Link para vídeo
Foco no conteúdo

A violação de direitos humanos durante a ditadura militar


Após 1968, houve um processo de institucionalização da tortura, impondo à sociedade a
sensação de medo e silenciamento, de maneira que é possível afirmar que a implantação do
terror de Estado se transformou em uma técnica de produção de silêncio, desde a censura,
passando pelas diferentes estratégias de tortura e também o impedimento da constatação
das mortes e o trabalho de luto dos familiares das vítimas. Diante desse cenário, diversos
grupos e instituições foram criados para denunciar os atos de exceção praticados pelos
militares, bem como a grave violação dos direitos humanos, como o Projeto Brasil: Nunca
Mais (1985), o Comitê Brasileiro pela Anistia (1978) e o Grupo Tortura Nunca Mais
(1985). Em 2012, foi instituída a Comissão Nacional da Verdade, que tinha como principal
finalidade apurar as violações de direitos humanos ocorridas entre 1946 e 1988.
Fontes: ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO, 1985; COMISSÃO NACIONAL DA VERDADE, 2014.​

Ações como o Projeto Brasil: Nunca Mais e a Comissão


Nesta aula, o foco será o Projeto Brasil: Nacional da Verdade são também relevantes na medida em
Nunca Mais e a Comissão Nacional da que exercem um papel educativo no respeito à vida, à diferença
Verdade, como veremos a seguir. e a formação de valores como solidariedade e justiça, tão caros
para o respeito aos direitos humanos.
Foco no conteúdo

A violação dos direitos humanos em debate


Criado pelo Conselho Mundial de Igrejas e pela
Arquidiocese de São Paulo nos anos 1980, o Projeto
Brasil: Nunca Mais (BNM) tinha três objetivos principais:
1. Evitar que os processos judiciais por crimes políticos
fossem destruídos com o fim da ditadura militar;
2. Obter e divulgar informações sobre torturas praticadas
pela repressão política;
3. Estimular a educação em direitos humanos.

​Em 15 de julho 1985, apenas quatro meses após a retomada do regime


civil, foi lançado o livro Brasil: Nunca Mais, que reunia a análise de
cerca de 850 mil páginas de processos judiciais movidos contra presos
políticos, retratando as torturas e outras violações a direitos humanos
cometidas durante a ditadura militar.
Reprodução – BNM DIGITAL, [s.d.]. Disponível em: Fonte: ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO, 1985.
[Link] Acesso em: 2 abr. 2025.
Foco no conteúdo

A violação dos direitos humanos em debate


A Comissão Nacional da Verdade no Brasil foi criada pela Lei no 12528/2011 e instituída em 16 de
maio de 2012. A CNV tinha por finalidade apurar graves violações de direitos humanos ocorridas entre
18 de setembro de 1946 e 5 de outubro de 1988. A primeira comissão surgiu em Uganda, a fim de
apurar as violações dos direitos humanos ocorridas durante o governo autoritário do general Idi Amin
Dada. As comissões da verdade tiveram importante papel também na apuração dos crimes
perpetrados pelas ditaduras latino-americanas, como a uruguaia, a chilena, a paraguaia e a argentina.
Fonte: COMISSÃO NACIONAL DA VERDADE, 2014.

As graves violações de direitos humanos cometidas durante o período da ditadura militar foram expressão, portanto, de
decisões políticas adotadas por suas instâncias dirigentes, que se refletiram nas estruturas administrativas organizadas
com base nos princípios da hierarquia e da disciplina, sob a forma de rotinas de trabalho e de padrões de conduta.
Houve, nesse sentido, permanente ascendência hierárquica sobre a atividade funcional e administrativa realizada pelos
agentes públicos diretamente associados ao cometimento de graves violações de direitos humanos. No âmbito de
cadeias de comando solidamente estruturadas, esses agentes estiveram ordenados em escalões sucessivos, por
vínculo de autoridade, até o comando máximo da Presidência da República e dos ministérios militares. É possível
afirmar, desse modo, que as ações que resultaram em graves violações de direitos humanos estiveram sempre sob
monitoramento e controle por parte dos dirigentes máximos do regime militar, que previram, e estabeleceram,
mecanismos formais para o acompanhamento das ações repressivas levadas a efeito."
Relatório da Comissão da Verdade, volume 1, capítulo 16, página 846.
(COMISSÃO NACIONAL DA VERDADE, 2014)
Na prática Atividade 1 Veja no livro!

Analise as fontes para responder ao que se pede.

Fonte I. Declaração Universal dos Direitos Humanos

Artigo 1o: Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos.
Artigo 5o: Ninguém será submetido a tortura nem a tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes.
Artigo 9o: Ninguém pode ser arbitrariamente preso ou exilado.
Artigo 18o: Todo ser humano tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião.
Artigo 19o: Todo indivíduo tem direito à liberdade de opinião e expressão.
Artigo 21o: Todo ser humano tem direito de tomar parte no governo de seu país.
Artigo 25o: Todo ser humano tem direito a um padrão de vida que garanta saúde e bem-estar [...].”

(UNICEF BRASIL, [s.d.])


Na prática Atividade 1 Veja no livro!

Fonte II. Repressão mata Rubens Paiva e monta farsa

Em janeiro de 1971, agentes do Centro de Informações de


Segurança da Aeronáutica (CISA) invadiram a casa do ex-
deputado cassado Rubens Paiva (PTB-SP), no Rio de Janeiro, e
o conduziram para interrogatório. Ele dirigiu seu próprio carro até
o comando da 3a Zona Aérea, onde foi brutalmente espancado
antes de ser transferido ao DOI-Codi, na rua Barão de Mesquita.
Na noite de 20 para 21 de janeiro, após sessões intensas de
tortura, o médico Amilcar Lobo constatou que Paiva sofria uma
grave hemorragia interna. Ele morreu naquela noite. Seu corpo
foi retirado do quartel e, segundo agentes da repressão,
enterrado em uma praia do Recreio dos Bandeirantes. Anos
depois, teria sido exumado e levado a um local desconhecido,
permanecendo desaparecido [...].
(MEMORIAL DA DEMOCRACIA, [s.d.]b)

A primeira imagem mostra o deputado Rubens Paiva entre sua mulher, Eunice (à esq.), sua mãe e os cinco filhos. Abaixo, o carro
usado pela repressão para forjar a tentativa de resgate da vítima.
Imagens: Reprodução – MEMORIAL DA DEMOCRACIA, [s.d.]. Disponível em: [Link]
Acesso em: 2 abr. 2025.
Na prática Atividade 1 Veja no livro!

Fonte II. Repressão mata Rubens Paiva e monta farsa

[...] Para encobrir o crime, o regime militar criou uma versão oficial alegando que Paiva havia sido
resgatado por terroristas durante uma suposta transferência para reconhecimento de um aparelho
subversivo. Como parte da farsa, os agentes incendiaram um fusca para simular um ataque, tentando
dissipar suspeitas sobre sua morte sob custódia do Estado.
Rubens Paiva era considerado inimigo do regime desde o golpe de 1964. Ele havia sido um dos
membros da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou o Instituto Brasileiro de Ação
Democrática (IBAD), uma organização financiada pelo governo dos Estados Unidos para apoiar
políticos e jornalistas alinhados à campanha contra João Goulart. Por sua atuação, foi um dos
primeiros parlamentares a ter o mandato cassado pela ditadura.
Em dezembro de 2012, a Câmara dos Deputados reconheceu simbolicamente a injustiça cometida e
devolveu o mandato a Paiva e a outros 172 parlamentares perseguidos pelo regime. No entanto, seu
assassinato continua impune, e seu corpo jamais foi encontrado.”

(MEMORIAL DA DEMOCRACIA, [s.d.]b)


Na prática Atividade 1 Veja no livro!

Fonte III. Publicação da missa pelo estudante


Alexandre Vannucchi Leme sem mencionar
seu assassinato, cometido pelos militares

Missa para um estudante morto


(...) Em toda a pregação de dom Paulo Evaristo
Arns esteve presente o sentido de grandeza da
vida (...) 'Se a vida é um dom de Deus, a dignidade
é a lembrança mais visível do homem na terra. Os
homens podem estar nus, mas têm dignidade. (...)
Entre milhares de fiéis, um casal participava
comovido da missa. A mulher, vestida de preto,
chorava em companhia de suas duas filhas. Era a
mãe do estudante da Universidade de São Paulo,
em memória de quem estava sendo celebrada a
missa de sétimo dia na Catedral da Sé.
(BIBLIOTECA NACIONAL DIGITAL, [s.d.])​

Jornal Opinião, n. 2, abr. 1973. Transcrição de parte da notícia


contendo as informações a respeito da missa por Alexandre
Vannucchi e a nota oficial do governo sobre o ocorrido.

Reprodução – BIBLIOTECA NACIONAL DIGITAL, [s.d.]. Disponível em:


[Link] Acesso
em: 2 abr. 2025.
Na prática Atividade 1 Veja no livro!

Fonte III. Publicação da missa pelo estudante Alexandre Vannucchi Leme


sem mencionar seu assassinato, cometido pelos militares

Nota oficial sobre a morte do estudante Vannucchi

De acordo com a nota oficial, Alexandre foi preso por pertencer a uma organização subversiva
autodenominada Ação Libertadora Nacional. No dia 17, diz a nota, Alexandre foi levado para o
cruzamento das ruas Bresser com Celso Garcia, no Brás, 'onde teria um encontro com um
companheiro', às 11 horas. (...) 'Repentinamente — diz a nota – saiu em desabalada carreira,
aproveitando-se que o semáforo, recém-aberto, permitia uma passagem arriscada (...) a tentativa não
foi coroada de êxito para Alexandre, pois quando ultrapassou a primeira fila de veículos, foi atingido
pelo caminhão Mercedez-Benz, dirigido por João Cascov. (...) Diz o comunicado que após o prazo de
24 horas decorridas a contar da morte do estudante, 'não tendo o corpo sido reclamado, foi enterrado'.

Jornal Opinião, n., abr. 1973. Transcrição de parte da notícia contendo as informações a respeito da missa por Alexandre Vannucchi e
a nota oficial do governo sobre o ocorrido.
(BIBLIOTECA NACIONAL DIGITAL, [s.d.])
Na prática Atividade 1 Veja no livro! TODO MUNDO ESCREVE

1. Considerando o exposto na Fonte I, por que é possível afirmar que estados de exceção,
como a ditadura militar no Brasil, contrariam o previsto na Declaração Universal dos
Direitos Humanos?
2. Ao analisar a Fonte III, é possível observar um bloco preto entre os textos que demarcava
trechos censurados da reportagem. O que poderia ter ocasionado tal censura? De que
modo a morte do estudante Alexandre Vannucchi é retratada na nota oficial do governo?
3. A partir das Fontes II e III, por que Rubens Paiva e Alexandre Vannucchi foram detidos?
De que maneira esses casos podem ser relacionados com o proposto pela Doutrina de
Segurança Nacional?

A atividade deve ser realizada em grupo de quatro pessoas.

Registre sua resposta por escrito.

25 minutos
Na prática

Correção
1. Considerando o exposto na Fonte II, por que é possível afirmar que estados de exceção como a
ditadura militar no Brasil contrariam o previsto na Declaração Universal dos Direitos Humanos?
A principal característica da ditadura militar no Brasil foi a criação de um sistema repressivo
contra os opositores ou “inimigos internos”, como eram chamados. Foram instituídos diversos
órgãos que ajudaram a ampliar essa vigilância, instaurando a violência e impondo à sociedade
uma rotina de medo e silenciamento. Todos esses aspectos contrariam diretamente a Declaração
Universal dos Direitos Humanos, especialmente quando afirma, em seu artigo 5º, que “ninguém
será submetido a tortura nem a tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes” ou ainda, como
indica o artigo 19º, que “todo indivíduo tem direito à liberdade de opinião e expressão”, por
exemplo.
2. Ao analisar a Fonte III, é possível observar um bloco preto entre os textos que demarcava trechos
censurados da reportagem. O que poderia ter ocasionado tal censura? De que modo a morte do
estudante Alexandre Vannucchi é retratada na nota oficial do governo?
Analisando a Fonte III, é possível inferir que o trecho censurado possivelmente contrariava a nota
oficial fornecida pelo Estado a respeito do “desaparecimento” de Alexandre Vannuchi, que, de
acordo com o relato, teria sido preso e, no dia seguinte, foi morto em um acidente de trânsito.
Na prática

Correção

3. A partir das Fontes II e III, por que Rubens Paiva e Alexandre Vannucchi foram detidos? De que
maneira esses casos podem ser relacionados com o proposto pela Doutrina de Segurança Nacional?
De acordo com as Fontes II e III, tanto Rubens Paiva quanto Alexandre Vannucchi foram
detidos pois eram considerados inimigos do regime. O primeiro por ter participado de
uma CPI que investigou o Instituto Brasileiro de Ação Democrática, já o segundo por
pertencer à Ação Libertadora Nacional. Esses dois casos revelam que a Doutrina de
Segurança Nacional restringia as liberdades e as garantias individuais de todos que
fossem considerados uma ameaça ao regime em vigor.
Encerramento 5 minutos COM SUAS PALAVRAS

As violações dos direitos humanos durante


a ditadura civil-militar brasileira

● Quais foram as principais formas de violência


utilizadas pelo regime militar durante a ditadura civil-
militar?
● Como a discussão sobre os direitos humanos pode
contribuir para a construção de uma sociedade mais
inclusiva e respeitosa, especialmente considerando
os abusos cometidos no período da ditadura?

O show Banquete dos Mendigos, realizado no Museu de Arte


Moderna do Rio, marcou o primeiro grande desafio coletivo de
artistas à ditadura após o AI-5. Em parceria com a ONU, o evento
reuniu grandes nomes da MPB e um público jovem para celebrar os
Reprodução – MEMORIAL DA DEMOCRACIA, [s.d.]a.
25 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Disponível em:
[Link] Fonte: MEMORIAL DA DEMOCRACIA, [s.d.]a.
show-por-direitos-humanos#card-142. Acesso em: 2 abr. 2025.
Referências

ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO. Brasil: Nunca Mais. Tomo 1 – O regime militar. São Paulo: Comissão de Justiça e Paz de São
Paulo, 1985. Disponível em: [Link] Acesso em: 2 abr. 2025.

BIBLIOTECA NACIONAL DIGITAL. Jornal Opinião, n. 2, abr. 1973, [s.d.]. Disponível em: [Link]
[Link]/123307/per123307_1973_00022.pdf. Acesso em: 2 abr. 2025.

COIMBRA, C. M. B. Doutrinas de segurança nacional: banalizando a violência. Psicologia em Estudo, v. 5, n. 2, p. 3-10, 2000.
Disponível em: [Link] Acesso em: 2 abr. 2025.

COMISSÃO DA VERDADE DO ESTADO DE SÃO PAULO – RUBENS PAIVA. 009 – Declaração Amilcar Baiardi – Caso Arnaldo
Cardoso Rocha, [s.d.]. Disponível em: [Link]
caso-arnaldo-cardoso-rocha. Acesso em: 2 abr. 2025.

COMISSÃO NACIONAL DA VERDADE. Relatório da Comissão Nacional da Verdade, 10 dez. 2014. Disponível em:
[Link] Acesso em: 2 abr. 2025.

LEMOV, D. Aula nota 10 3.0: 63 técnicas para melhorar a gestão da sala de aula. Porto Alegre: Penso, 2023.

MEMORIAL DA DEMOCRACIA. “Mendigos” dão show por Direitos Humanos, [s.d.]a. Disponível em:
[Link] Acesso em: 2 abr. 2025.

MEMORIAL DA DEMOCRACIA. Repressão mata Rubens Paiva e monta farsa, [s.d.]b. Disponível em:
[Link] Acesso em: 2 abr. 2025.

ONU BRASIL. Há 70 anos: adotada a Declaração Universal dos Direitos Humanos. YouTube, 29 nov. 2018. Disponível em:
[Link] Acesso em: 2 abr. 2025.

ROSENSHINE, B. Principles of instruction: research-based strategies that all teachers should know. American Educator, v. 36, n. 1,
Washington, 2012, pp. 12-19. Disponível em: [Link] Acesso em: 2 abr. 2025.
Referências

SÃO PAULO (Estado). Secretaria da Educação. Currículo Paulista: etapa Ensino Médio, 2020. Disponível em:
[Link]
Médio_ISBN.pdf. Acesso em: 2 abr. 2025.

STARLING, H. Órgãos de Informação e repressão da ditadura. Brasil Doc., [s.d.]. Disponível em:
[Link] Acesso em: 2 abr. 2025.

UNICEF BRASIL. Declaração Universal dos Direitos Humanos, [s.d.]. Disponível em: [Link]
universal-dos-direitos-humanos. Acesso em: 2 abr. 2025.

UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO (UERJ). Vestibular Estadual, 2024. 2o Exame de qualificação. Disponível em:
[Link] Acesso em: 2 abr. 2025.

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS (UNICAMP). Vestibular, 2024. Conhecimentos gerais. Disponível em:
[Link] Acesso em: 2 abr. 2025.

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Aprofundando
A seguir, você encontra uma seleção de exercícios extras,
que ampliam as possibilidades de prática, de retomada e
aprofundamento do conteúdo estudado.
Aprofundando Veja no livro!

(UNICAMP 2024) A partir da leitura do texto e de seus conhecimentos a respeito desse


período da História do Brasil, é correto afirmar, sobre os eventos narrados, que:

Prisões e torturas igualmente triplicaram, principalmente as de jornalistas. Dentre elas, a mais


emblemática foi a de Vladimir Herzog, diretor da TV Cultura, que, embora fosse militante do
PCB, não desenvolvia atividade clandestina nem pertencia aos quadros do partido. Herzog foi
assassinado dentro do DOI-CODI, sendo a versão oficial de sua morte falsamente atribuída a
um enforcamento. Em sua Autobiografia, Rita Lee publicou o bilhete de Elis Regina que fazia
menção a uma música feita para ‘Vlado’ e que, obviamente, fora censurada.”

(Adaptado de: LIMA, N. Ditadura no Brasil e Censura nas Canções de Rita Lee. Curitiba:
Appris, 2019, p.17.)
Aprofundando Veja no livro!

(UNICAMP 2024) A partir da leitura do texto e de seus conhecimentos a respeito desse


período da História do Brasil, é correto afirmar, sobre os eventos narrados, que:

A Rita Lee, Elis Regina, Caetano Veloso, Chico Buarque, entre outros artistas nacionais,
tiveram suas músicas censuradas pela Ditadura Militar, apesar da manutenção da garantia
constitucional da liberdade de expressão.

B A Ditadura Militar permitiu a continuidade do Partido Comunista Brasileiro e perseguia sua


atuação revolucionária vinculada a Stalin e à União Soviética; por conta disso, prendia e
torturava seus filiados.

C Centros de detenção da Ditadura Militar, como o DOI-CODI, operaram dentro da


legalidade constitucional, sendo que os presos, políticos ou não, eram fichados e tinham
direito à defesa garantido por lei.

D Vladimir Herzog e outros jornalistas foram vítimas de perseguição política, prisões, torturas
e execuções realizadas por militares, com apoio de parte da sociedade civil, em nome da
ideologia da segurança nacional.
Aprofundando

(UNICAMP 2024) A partir da leitura do texto e de seus conhecimentos a respeito desse


período da História do Brasil, é correto afirmar, sobre os eventos narrados, que:

A Rita Lee, Elis Regina, Caetano Veloso, Chico Buarque, entre outros artistas
nacionais, tiveram suas músicas censuradas pela Ditadura Militar, apesar da
manutenção da garantia constitucional da liberdade de expressão.

B A Ditadura Militar permitiu a continuidade do Partido Comunista Brasileiro e


perseguia sua atuação revolucionária vinculada a Stalin e à União Soviética; por
conta disso, prendia e torturava seus filiados.

C Centros de detenção da Ditadura Militar, como o DOI-CODI, operaram dentro da


legalidade constitucional, sendo que os presos, políticos ou não, eram fichados e
tinham direito à defesa garantido por lei.

D Vladimir Herzog e outros jornalistas foram vítimas de perseguição política, prisões,


torturas e execuções realizadas por militares, com apoio de parte da sociedade civil,
em nome da ideologia da segurança nacional.
Aprofundando

(UNICAMP 2024) Resolução

D) Vladimir Herzog e outros jornalistas foram vítimas de perseguição política, prisões, torturas
e execuções realizadas por militares, com apoio de parte da sociedade civil, em nome da
ideologia da segurança nacional.
Vladimir Herzog, assim como muitos outros jornalistas e opositores do regime, foi alvo
de perseguição política, prisões sem justificativa legal, tortura e até mesmo execução.
Os militares e seus apoiadores justificavam essas ações com base na Doutrina de
Segurança Nacional, alegando que era necessário combater supostos “inimigos
internos” para proteger o Estado. O caso de Herzog tornou-se um dos mais simbólicos
dessa repressão, pois ele foi torturado e morto enquanto estava sob custódia militar, no
entanto a versão oficial divulgada à época falsamente atribuía sua morte a um suicídio.
Aprofundando Veja no livro!

(UERJ 2024 – Adaptada) Leia o excerto do


conto “Anos de Chumbo”, de Chico Buarque. O major citava o prestígio que meu pai
gozava entre os subordinados. A todo o
Considerando o contexto da década de 1970,
oficialato ele se impunha pelo exemplo,
o trabalho do pai do narrador, mencionado no como ao sacrificar suas horas de
trecho, consiste em: repouso e lazer no recesso do lar para se
ocupar dos seus prisioneiros noite
adentro. O major explicava à minha mãe
que esses delinquentes, tanto homens
A supervisionar a tortura de quanto mulheres, ficavam horas
presos políticos. pendurados numa barra de ferro, mais ou
menos como frangos no espeto.”
B planejar a captura de grupos
de extermínio. (p. 162)

C organizar a operação de
inteligência militar.

D garantir a consideração de
oficiais superiores.
Aprofundando

(UERJ 2024 – Adaptada) Leia o excerto do


conto “Anos de Chumbo”, de Chico Buarque. O major citava o prestígio que meu pai
gozava entre os subordinados. A todo o
Considerando o contexto da década de 1970,
oficialato ele se impunha pelo exemplo,
o trabalho do pai do narrador, mencionado no como ao sacrificar suas horas de
trecho, consiste em: repouso e lazer no recesso do lar para se
ocupar dos seus prisioneiros noite
adentro. O major explicava à minha mãe
que esses delinquentes, tanto homens
A supervisionar a tortura de quanto mulheres, ficavam horas
presos políticos. pendurados numa barra de ferro, mais ou
menos como frangos no espeto.”
B planejar a captura de
grupos de extermínio. (p. 162)

C organizar a operação de
inteligência militar.

D garantir a consideração de
oficiais superiores.
Aprofundando

(UERJ 2024 – Adaptada) Resolução

A) supervisionar a tortura de presos políticos.


O conto “Anos de chumbo”, que dá nome ao livro de Chico Buarque, tem como cenário
o período mais repressivo da ditadura civil-militar no Brasil. Nesse contexto, o Estado
promovia prisões sem justificativa legal, torturas e execuções sumárias. No trecho
analisado, o eu-lírico retrata seu pai como um agente do regime responsável por realizar
sessões de tortura contra presos políticos.

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