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Educação Popular

O documento aborda a Educação Popular, seu conceito, histórico e práticas, destacando a importância da mobilização e organização das classes populares na busca por direitos. Os autores, Patricia Marreiro dos Santos e Suzy Cristina Rodrigues, trazem experiências e formações que enriquecem o entendimento sobre a educação voltada para cidadãos em situação de vulnerabilidade social. O texto também menciona a evolução histórica da Educação Popular no Brasil e sua relação com movimentos sociais.

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Educação Popular

O documento aborda a Educação Popular, seu conceito, histórico e práticas, destacando a importância da mobilização e organização das classes populares na busca por direitos. Os autores, Patricia Marreiro dos Santos e Suzy Cristina Rodrigues, trazem experiências e formações que enriquecem o entendimento sobre a educação voltada para cidadãos em situação de vulnerabilidade social. O texto também menciona a evolução histórica da Educação Popular no Brasil e sua relação com movimentos sociais.

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EDUCAÇÃO POPULAR EDUCAÇÃO POPULAR

Educação Popular
Organizadoras Patricia Marreiro dos Santos Organizadoras Patricia Marreiro dos Santos
Suzy Cristina Rodrigues Suzy Cristina Rodrigues

CM

MY

CY

CMY

GRUPO SER EDUCACIONAL

gente criando o futuro


Educação Popular
Educação Popular

Créditos Institucionais
Presidente do Conselho de Administração:
Janguiê Diniz
Diretor-presidente:
Jânio Diniz
Diretoria Executiva de Ensino:
Adriano Azevedo
Diretoria Executiva de Serviços Corporativos:
Joaldo Diniz
Diretoria de Ensino a Distância:
Enzo Moreira

© 2019 by Telesapiens
Todos os direitos reservados
A AUTORA
PATRICIA MARREIRO DOS SANTOS
Olá! O meu nome é Patricia Marreiro. Sou graduada em
Pedagogia pela Faculdade Joaquim Nabuco - Recife; Pós-graduada
em Metodologia do Ensino a Distância pelo Centro Universitário
Maurício de Nassau - UNINASSAU - Recife. Possuo uma vasta
experiência no Ensino a Distância, atuando desde 2012 na área, atuei
como professora conteudista e executora. Atualmente sou Professora -
tutora no curso de Pós-graduação a distância da UNINASSAU; cursos
de Pós-graduação na área de Educação; atuando principalmente nas
disciplinas de Metodologia Científica e TCC da IES. Sou apaixonada
pelo conhecimento e a educação. Adoro transmitir minha experiência
de vida àqueles que estão iniciando em suas profissões. Por isso fui
convidada pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores
independentes. Estou agradecida e feliz em poder ajudar você nesta
fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo, sempre! Bons estudos!

SUZY CRISTINA RODRIGUES


Olá! O meu nome é Suzy Cristina Rodrigues e sou graduada em
Administração pela Universidade do Vale do Itajaí, pós-graduada em
Gestão Pública pelo Instituto Federal de Santa Catarina e em Gestão
Estratégica de Negócios pela Universidade Regional de Blumenau.
Atuo como Administradora Pública de carreira no Estado de Santa
Catarina, além de ser professora no Grupo Ser Educacional, no Centro
Universitário de Brasília e na IDTALEM Educacional do Brasil.

Atuei como Professora nos cursos Técnicos de Transação Imobiliária e


Hospedagem, professora - tutora no curso de Graduação EaD da UFSC.

Possuo experiência profissional na área de Administração com ênfase


em áreas diversas, além de ser palestrante cadastrada na Marketplace
Base SA.
ICONOGRÁFICOS
Esses ícones que irão aparecer em sua trilha de aprendizagem
significam:
OBSERVAÇÃO
OBJETIVO
Uma nota explicativa
Breve descrição do objetivo
sobre o que acaba de
de aprendizagem; +
ser dito;

RESUMINDO
CITAÇÃO
Uma síntese das
Parte retirada de um texto;
últimas abordagens;

TESTANDO
DEFINIÇÃO
Sugestão de práticas ou
Definição de um
exercícios para fixação do
conceito;
conteúdo;

IMPORTANTE ACESSE
O conteúdo em destaque Links úteis para
precisa ser priorizado; fixação do conteúdo;

DICA SAIBA MAIS


Um atalho para resolver Informações adicionais
algo que foi introduzido no sobre o conteúdo e
conteúdo; temas afins;

++
EXPLICANDO
SOLUÇÃO
+ DIFERENTE Resolução passo a
Um jeito diferente e mais passo de um problema
simples de explicar o que ou exercício;
acaba de ser explicado;

EXEMPLO CURIOSIDADE
Explicação do conteúdo ou Indicação de curiosidades e
conceito partindo de um fatos para reflexão sobre o
caso prático; tema em estudo;

PALAVRA DO AUTOR REFLITA


Uma opinião pessoal e O texto destacado deve
particular do autor da obra; ser alvo de reflexão.
SUMÁRIO
UNIDADE 01
A Educação Popular, seu conceito e histórico.......................10
Educação Popular......................................................................10
Conceito............................................................................12
Histórico da Educação Popular.................................................14
Paulo Freire e a Educação Popular na América Latina.....25
O saber surge e circula: Educação Popular..........................27
Movimentos da Educação Popular............................................29
Movimento de Cultura Popular ........................................30
Centros Populares de Cultura ...........................................31
O Movimento de Educação de Base .................................32
Movimento Brasileiro de Alfabetização ...........................33
Fundação EDUCAR .........................................................34
Plano Nacional de Alfabetização e Cidadania...................34
Programa de Alfabetização Solidária................................35
Programa Brasil Alfabetizado...........................................35
Movimento de Alfabetização de jovens e Adultos............35
Educação Popular em Saúde.............................................35
Educação Popular do Campo............................................37
Educação Popular em Assistência Social..........................39
Educação Popular 7

Terminologia Popular: construindo conceitos......................41


A Educação Popular hoje.......................................................45
UNIDADE 02
Senso comum e construção científica da Educação Popular... 54
Tipos de Conhecimento............................................................55
Relação entre Saber Popular e Científicos................................59
O perfil do educador na atuação mediante o desafio da Educação
Popular......................................................................................60
Competências e Virtudes dos Educadores............................61
Papéis dos Educadores (as) Populares......................................66
Desafio da Educação Popular....................................................73
Metodologias na educação popular.......................................76
Educação Popular como Metodologia......................................77
Educando (a), cidadão: o (a) protagonista da sua aprendizagem..77
Metodologia Aplicadas na Educação Popular...........................79
Conceituando Comunidade....................................................90
O que é uma Comunidade.........................................................91
Nova forma de Organização das Comunidades em Rede.........95
UNIDADE 03
Projetos multidisciplinares envolvendo as concepções da
Educação Popular.................................................................104
Conceitos essenciais dos projetos multidisciplinares ............104
Etapas, Objetivos dos Projetos Multidisciplinares..................110
8 Educação Popular

Fontes de recursos financeiros públicos para os projetos


multidisciplinares na educação popular..................................117
Fontes de recursos financeiros privados para os projetos
multidisciplinares na educação popular..................................122
Iniciativas de projetos multidisciplinares na educação popular..127
Ampliando a percepção dos educadores acerca de: liberdade,
justiça, igualdade e felicidade..............................................142
A avaliação na perspectiva da Educação Popular.............148
Aspectos gerais da avaliação na educação popular.................148
Princípios para buscar uma forma para avaliar melhor..........153
Estudo de caso sobre Educação Popular.............................159
UNIDADE 04
Reflexão crítica sobre o papel da Educação junto aos setores
populares................................................................................168
Considerações sobre a Educação no Brasil.............................168
Aspectos da Constituição da República Federativa do Brasil e Lei
de Diretrizes e Bases da Educação a respeito da educação.........175
Redes Interorganizacionais na Educação Popular (RIEP) ....178
Em busca da superação de barreiras escolares utilizando a
educação popular..................................................................181
Redes Públicas de Cooperação Federativa do campo: movimentos
sociais......................................................................................183
Educação para a Cidadania Global (ECG)..............................186
Comunidade de Aprendizagem (CA)......................................188
Rede Internacional de Educação Popular (RIEP)...................190
Educação Popular 9

Conselho de Educação Popular da América Latina y El Caribe


(CEALL).................................................................................192
Desafios da Educação popular nos tempos atuais..............194
Tendências da Educação Popular no Cenário Político-social
Brasileiro................................................................................205
A Implantação e Implementação da Política Pública para a
educação Popular....................................................................206
Redes Públicas de Cooperação Federativa do Campo: Estado e
Políticas Públicas....................................................................216
Pedagogia por projetos............................................................218
10 Educação Popular
Educação Popular 11

01
UNIDADE

CONCEITOS E HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO POPULAR


12 Educação Popular

INTRODUÇÃO
Na primeira unidade de nossa disciplina, conheceremos
os conceitos e a história da educação popular. Iniciaremos
nossos estudos conversando sobre a educação popular, seu
conceito e histórico o seu público que são os cidadãos em
situação de vulnerabilidade social, em especial a econômica; a
sua vinculação com os movimentos sociais; os fatos relevantes;
a diferença entre a educação popular da educação de jovens e
adultos e demais aspectos. Em seguida abordaremos a respeito
do saber que surge e circula nas representações e importâncias
dos Movimentos Sociais como o Movimento de Educação de
Base (MEB); Movimento das Mulheres Trabalhadoras Rurais
(hoje MMC); Movimento Nacional dos Meninos e Meninas de
Rua; Centro Popular de Cultura de iniciativa da União Nacional
dos Estudantes (UNE). Após, estudaremos a Terminologia
Popular com a criação da Rede de Educação Cidadã (RECID),
uma vivência inovadora na área da Educação Popular e a
promoção da Educação Popular pelos Direitos Humanos. Então,
chegaremos à educação popular de hoje é entendida como o
conjunto de normas fundamentado na soberania popular, na
justiça social e no respeito integral aos direitos humanos, e sua
valorização é imediato para a expansão e a materialização dos
direitos. Ao longo desta unidade letiva você vai mergulhar neste
universo, preparado(a)?
Educação Popular 13

OBJETIVOS
Olá. Seja muito bem-vindo a nossa Unidade 1. O nosso
objetivo é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes

1
competências profissionais até o término desta etapa de estudos:

Compreender o conceito; o histórico e o contexto


da educação popular;

2 Identificar o surgimento do saber e as organizações


da educação popular;

3 Conhecer a terminologia popular;

4 Entender o processo de educação popular nos dias


de hoje.

Vamos iniciar uma viagem sem volta, rumo ao conhecimento!


14 Educação Popular

A Educação Popular, seu conceito e


histórico

SAIBA MAIS

Você sabia que a origem da Educação Popular perpassa pelos


Movimentos Sociais Populares de luta e resistência do povo
na América Latina? Surgindo e se firmando como uma opção
das teorias e práticas educativas, opondo-se às pedagogias e
práticas tradicionais e liberais à disposição da exploração da
força de trabalho, conservação da organização do poder político
e domínio cultural. Nasceu e se institui a educação popular
ligada a organização e mobilização dos trabalhadores da cidade
e do campo, ao empoderamento em busca da transformação da
sociedade.

Também, os importantes fatos da concepção de educação


popular brasileira podem dar significativas contribuições,
entendimentos das ressignificações da educação popular de
hoje e os pontos de vistas orientadores da prática educativa dos
Movimentos Sociais do Campo, especificamente, o Movimento
dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, e outros movimentos que
desenvolvem ações com base nas ideias de educação popular
formadas no decorrer do processo histórico.

Educação Popular
O que vem a sua mente ao ouvir falar em educação
popular? Conhece o seu significado? Se já ouviu falar e sabe o
que significa vai poder rever e até mesmo reestruturar o que já
sabe, agora se ainda não conhece vai ter a oportunidade de se
apropriar...
Educação Popular 15

Essa modalidade de educação originou-se do saber


(conhecimento) construído pelos cidadãos na busca dos seus
direitos - nas Comunidades, Associações de Bairros, Conselhos
Comunitários, Conselhos de Direitos, Movimentos Sociais, e,
atualmente nas entidades coletivas: Organizações Sociais -
Organizações não Governamentais, Organizações da Sociedade
Civil de Interesse Público, Redes de Filantropia, Escolas de
Conselhos de Direitos e demais formas de organização com o
objetivo de fomentar a educação popular a toda a sociedade.
A Educação Popular, muitas vezes, é confundida com
a educação de jovens e adultos, não formal e de educação
comunitária, mas, esses vocábulos não são sinônimos, ainda
que sejam muitas vezes nuances da educação popular. Agora
acompanhe e perceba as diferenças entre elas!
Educação comunitária – voltada a educação de pessoas
e grupos sociais de comunidades em situação de vulnerabilidade
social.
Educação popular – é um dos ramos da educação
comunitária. Busca assegurar e efetivar, por meio da educação,
os direitos do povo.
Educação de jovens e adultos – é uma área especializada
da educação popular para os cidadãos jovens e adultos.

ACESSE

Processo de Educação Popular.


[Link]
16 Educação Popular

SAIBA MAIS

A educação de adultos era entendida a partir de uma visão das


causas do analfabetismo, como educação de base, articulada
com as “reformas de base”, defendidas pelo governo popular/
populista de João Goulart. Os CPCs (Centros Populares de
Cultura), extintos logo depois do golpe militar de 1964 e o MEB
(Movimento de Educação de Base), apoiado pela Igreja e que
durou até 1969, foram profundamente influenciados por essas
ideias: [Link]

Dando continuidade ao nosso aprendizado conceituando


a educação popular, no entendimento de três autores da área.
Lembrando que existem outras definições e conceitos de
educação popular.

Conceito
Iniciaremos com o conceito de Paulo Freire – precursor da
educação popular no Brasil e na América-latina.

DEFINIÇÃO

Entendo a educação popular como o esforço de mobilização,


organização e capacitação das classes populares; capacitação
científica e técnica. Entendo que esse esforço não se esquece, que
é preciso poder, ou seja, é preciso transformar essa organização
do poder burguês que está aí, para que se possa fazer escola
de outro jeito. Há estreita relação entre escola e vida política
(FREIRE, 1993, P.19).
Educação Popular 17

Figura 1: Educação popular

Fonte: pixabay

Veremos o conceito da educação popular na visão de


Ebenezer Takuno de Menezes de e Thais Helena dos Santos.

DEFINIÇÃO

Na concepção de Menezes, Santos (2001) compreende o termo


que tem origem relacionada aos movimentos sociais e define
uma intervenção nos processos sociais e políticos pela educação,
visando uma transformação social para uma vida mais justa.

Avançamos com o conceito de Carlos Rodrigues Brandão.


Um saber da comunidade torna-se o saber das frações
(classes, grupos, povos, tribos) subalternas da sociedade desigual.
Em um primeiro longínquo sentido, as formas – imersas ou não
em outras práticas sociais, através das quais o saber das classes
populares ou das comunidades sem classes é transferido entre
grupos ou pessoas, são a sua educação popular. (BRANDÃO,
1986, p. 26)
18 Educação Popular

Compreendido o conceito da educação popular passaremos


ao estudo da evolução histórica da educação popular.

Histórico da Educação Popular


Vamos agora compreender os fatos históricos da Educação
Popular no Brasil.
Vimos que há uma confusão literária em relação aos
significados da Educação Popular. Para que você entenda melhor
trataremos da sua evolução histórica no Brasil, esclarecendo
como aconteceu o processo de educação das classes populares.
Momento 1 – Aparecimento da Educação Popular
anteriormente à Proclamação da República pretendendo ajudar
no processo da libertação dos escravos, em 1888, para dar
conhecimento dos direitos, da necessidade de libertação aos os
escravos e embasar o movimento operário socialista no fim do
século XIX.
Figura 2: Escravos e os seus direitos e a necessidade de sua libertação.

Fonte: pixabay

Momento 2: Na Primeira República, a classe elitizada


economicamente e politicamente pouco importaram-se pouco
com a educação popular - priorizavam outros fatos considerados
mais relevantes como a política de suspensão de seus privilégios.
Educação Popular 19

Momento 3: O Movimento Operário, nos anos de


1889 a 1909, tinha a Educação Popular como uma maneira de
compreender os grupos de trabalhadores, que reivindicavam o
ensino profissional e técnico, gratuito e a extensão do ensino
básico. Com essa atitude os trabalhadores tornaram-se os
guardiões dos ideais de igualdade, justiça e distribuição de renda
- desejando adicionar o saber científico, ao saber elaborado por
meio dos conhecimentos inseridos na prática do trabalhador e
com esse movimento a educação passou a ter uma natureza de
formação política em função aos ideais de igualdade, justiça
social e distribuição de riqueza.
Figura 3: Ideais de justiça social

Fonte: pixabay

Observem a iniciativa criativa dos operários!


Momento 4: Foi um período em que os operários
criaram as bibliotecas populares e escolas operárias destinadas
às crianças e aos adultos - mantidas por eles e com recursos
públicos, por causa da disputa ocorrida com as entidades
religiosas. Com o passar do tempo, foi surgindo dificuldade
de profissionais qualificados para o trabalho nas atividades de
Educação Popular, dificultando o seu funcionamento.
20 Educação Popular

Figura 4: Bibliotecas populares

Fonte: pixabay

Seguimos com o quinto momento!


Momento 5: Mesmo sendo a educação popular um
esforço de mobilização, organização e capacitação das classes
populares - era desfavorável o pleito pelo ensino gratuito e público
dos operários anarco-sindicalistas e anarquistas. Desconfiados
argumentavam que essa modalidade de ensino beneficiava os
interesses do clero e da burguesia, então se isolavam dos demais
trabalhadores que solicitavam as escolas para os seus filhos. Tais
operários libertários lideravam o grupo dos “contra a ordem” nos
anos de de 1910 a 1922 – entendiam a educação popular como
a luta contra o Estado, a luta contra a igreja, contra o capital,
e favorável a liberdade. Em consequência os fundamentos das
práticas educativas baseavam-se na razão e não na fé, com a
finalidade de formar seres humanos livres.
Figura 5: Escolas operárias.

Fonte: pixabay
Educação Popular 21

Momento 6: A Educação Popular, partir de 1922, passou


a ter outro significado, além de lutar a favor da escola pública,
universal, laica e gratuita, também, passou a lutar pela escola
“unitária‟, isto é, por uma mesma forma de ensino para todos.
Assim, a educação, nesse período, é implementada pela junção
do ensino ao trabalho produtivo, administração colaborativa
das escolas com os trabalhadores e formação politécnica. Nesse
período, a contribuição do Partido Comunista foi expressiva na
Educação Popular, pois influenciam na politização das massas.
Figura 6: lutar por educação é defender a justiça

Fonte: pixabay

Momento 7: Os operários, os libertários e os


comunistas (as três forças políticas) determinantes no tempo da
Primeira República e demais momentos históricos do Brasil,
demonstraram a seu cuidado com a formação do poder popular,
sendo que cada uma possui o seu propósito de luta. Sendo que
a necessidade da concepção de Educação Popular materializou-
se a partir do aparecimento das classes populares no cenário
político.
22 Educação Popular

Figura 7: As três forças políticas - os operários, os libertários e os comunistas

Fonte: pixabay

Vejamos o cenário político do aparecimento das classes


populares!
Percebe-se no decorrer da Primeira República, que a
educação estava ligada à possibilidade de estruturação da
sociedade de com maior justiça social, colaboração entre os
cidadãos (pessoas), mais igualitária, estimulando a melhoria
do bem-estar social dos vulneráveis, nessa situação dos
trabalhadores.
Momento 8: Já no processo histórico do Brasil - nos
períodos de reconstrução da democracia, percebemos, um
intenso alvoroço das classes menos favorecidas, com uma imensa
quantidade de atividades orientadas as suas reivindicações. De
outra forma, entre de 1937 até o início da década de 1940, o
Brasil tive um governo autoritário, que coibiu severamente
as lutas e os pedidos dos movimentos populares - a Educação
Popular também sofreu limitações de finalidade por parte desses
governos.
Iniciando da Nova República, na década de 1930, percorre-
se por um tempo de sustentação do nacional desenvolvimentismo
(substituição de importações ou sociedade urbano-industrial),
encerrado em 1964 com a Ditadura Militar.
Educação Popular 23

Figura 8: Ditadura militar, repressão política

Fonte: pixabay

Momento 9: Aconteceu concomitantemente nesse


período de 1937 a 1945, a ditadura do Estado Novo – com grande
repressão política, e consequente enfraquecimento da Educação
Popular.
Figura 9: Estado Novo

Fonte: pixabay
24 Educação Popular

Entraram em confronto dois projetos de desenvolvimento


para o Brasil, o liberalismo e o nacionalismo. Tais projetos
de desenvolvimento constituíram uma imensa radicalização
no cenário político brasileiro dos movimentos políticos -
representados pelos integralistas de caráter fascista de extrema
direita e pelos comunistas de esquerda.
Momento 10: A Educação popular, na década de 1950,
fica mais forte. Passada a Segunda Guerra Mundial e com a
retomada da democracia, firma a junção da esquerda e do setor
industrial em favor do desenvolvimento - o país atravessava
nesse período um forte processo de industrialização. E, os
trabalhadores desfrutaram de maior liberdade e contribuição nas
modificações acontecidas. Passando a educação a ser debatida,
por ser um perído de novas teorias e práticas pedagógicas,
visando a implantação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional - aprovada pelo Congresso Nacional em 1961.
O Ministério da Educação (MEC) deu o seu apoio as
convicções da educação popular, com o apoio do MEC as
diversas instituições e movimentos populares, os impactos do
ensino-aprendizagem da educação popular foram implantados ou
ampliaram no Nordeste, nas Ligas Camponesas e do Movimento
Agrário. Esses movimentos rurais e organizações, nos anos de
1960, constituíram-se contrários ao emergente cenário, nesse
tempo o desenvolvimentismo industrial e as forças políticas
tinham privilégios. Concomitante a esse fato, nos bastidores do
cenário político e econômico construía-se a Teoria do Capital
Humano - subsidiando a elaboração de um conceito tecnicista,
onde os custos da educação são vistos como os investimentos no
“capital humano”.
Vejam que só a partir de 1960, com o entendimento de
Paulo Freire – colaborador do pensamento pedagógico, com
visão emancipatória da educação popular e o aparecimento dos
movimentos populares, que se pesquisa uma pedagogia das
classes populares.
Educação Popular 25

Momento 11: Tempo marcado pelo Golpe da Ditadura


Militar de 1964. Começou o processo de consolidação do projeto
de modernização brasileira. Foi divulgado, nesse período, um
projeto de desenvolvimento subordinado e ligado ao capital
internacional – acontecendo na sociedade um embate entre
democracia e direitos sociais contra a ditadura.
Figura 10: Golpe de 1964 da Ditadura Militar.

Fonte: [Link]

Momento 12: Teve início à organização dos chamados


“Novos Movimentos Sociais”, em 1978, assim, aconteceu o
ressurgimento das lutas populares com o intuito de pleitear a
flexibilidade política e o regresso ao estado de legalidade.
Figura 11: Novos movimentos sociais

Fonte: pixabay
26 Educação Popular

Momento 13: Chegando na década de 1980 deu-se


a importância para a retomada da convicção dos direitos, na
formação de um novo desenho de sociedade, da ligação da
educação e do protagonismo das classes populares, no anseio
da concreta participação das classes populares na cena política.
Observa a sociedade sobre o que está sendo concebido pela
sociedade civil, no ambiente das práticas educativas e escolas
públicas, proporcionando o empenho intelectual de elaboração
de uma concepção pedagógica brasileira e peculiar - a educação
popular é vista como conceito de prática social.
Com a volta do debate sobre a educação e a pedagogia
são melhorados os indicadores qualitativos e quantitativos,
sendo atingida a dimensão dos direitos do ser humano,
enquanto indivíduo social e cultural, e não somente como
ferramenta do mercado de trabalho. Por outro lado, as pessoas
são marginalizadas por fatores macrossociais (abrange parte da
sociedade) e a pela própria escola. A escola é vista como um
espaço de luta e possíveis contribuições para a desmistificação
das contrariedades sociais e para a liberdade dos grupos
populares.
Figura 12: Educação pública na esfera dos direitos do ser humano

Fonte: pixabay

E chegamos ao último momento histórico do nosso estudo!


Educação Popular 27

Momento 14: A Educação Popular que se alicerça neste


momento e concentra teoricamente uma concepção de educação.
Tal projeto educativo é simbolizado pela educação dos e por meio
dos movimentos sociais populares. Os termos “povo sujeito de
sua história” e “protagonismo popular” traduzem a direção das
práticas educativas deste conceito de Educação Popular.
O embate fundamental desse tempo de construção histórica
– definido como de crise civilizatória, refere-se ao de supressão
e recolonização contra a resistência.
Figura 13: Crise civilizatória

Fonte: pixabay

É determinado o elo entre educação e política, educação e


projeto de sociedade e entre educação e classe social.
Aconteceu o surgimento e o ressurgimento da Comissão
Pastoral da Terra (CPT); a Articulação dos Movimentos
Populares ou Sindicais (ANAMPOS); as Comunidades Eclesiais
de Base (CEBs); diversas Pastorais Populares; os Movimentos
de Bairros; o Conselho Indigenista Missionário (CIMI).
Também, ocorreu a rearticulação dos Movimento de
Justiça e Direitos Humanos; Movimento Negro Unificado
(MNU); Movimento Sindical (CUT, CGT, USI); Movimento dos
Trabalhadores Sem Terra; Movimento Nacional dos Meninos
e Meninas de Rua; Movimento das Mulheres Trabalhadoras
Rurais (hoje MMC); Movimento dos Atingidos por Barragens
(MAB); o Movimento de Luta pela Moradia (MLM).
28 Educação Popular

REFLITA

Observem que a Educação Popular atingiu mais intensidade


com o processo de modernização brasileira. Desse jeito, foi
dada à educação popular a missão de oposição a esse projeto de
modernidade – com início nos anos sessenta, setenta e oitenta.
Porém, na década de oitenta, a Educação Popular passou por
várias interpretações sobre a sua concepção educacional.
Também, nesse período, contamos com a participação de
militantes e intelectuais, - como Frei Beto, Victor Valla, Celso de
Rui Beisiegel, Marcos Arruda e outros – os quais colaboraram
imensamente para o pensamento e prática da Educação Popular
no Brasil, com muitos movimentos e organizações populares.

Além, desse acontecimento a década de 1990 foi marcada


como um período de crise expressado na ausência de soberania
nacional; na destituição de direitos; no bloqueamento do
desenvolvimento societal; no processo de globalização; no
alargamento da distância entre ricos e empobrecidos; na crise de
valores; na crise dos referenciais socialistas; na violência e numa
sociabilidade pautada pela razão instrumental e competitividade.
Estudamos os acontecimentos históricos educação popular
no Brasil, agora iremos aprender sobre a educação na América
Latina e o pioneiro na educação popular Paulo Freire. Fique
atento (a)!
Educação Popular 29

Paulo Freire e a Educação Popular na América Latina

++
+
EXPLICANDO MELHOR

O movimento pela educação popular, na América Latina, teve


início na década de 1950 com uma acentuada história de ideias,
práticas e acontecimentos na área da educação popular. Do ponto
de vista do pensamento crítico sobre a educação, a educação
popular compreende uma das heranças mais bonitas da América
Latina ao pensamento pedagógico plural e universal.

Em grande parte, esse fato está ligado à vivência e


experiência internacional de um dos seus mais notáveis
representantes: Paulo Freire por onde esteve semeou os
fundamentos de uma concepção emancipadora da educação
popular. Nas últimas décadas, as sementes brotaram em diversas
organizações e grupos agregando organização popular e
conscientização. Diferentemente das idealizações educacionais
originadas da burocracia ou da pedagogia com boas intenções, a
educação popular tem origem, na América Latina, na chama dos
conflitos populares, dentro e fora do Estado. Mas, quando Paulo
Freire iniciou o ensino-aprendizagem na educação popular?
Paulo Freire começou a lecionar na Educação Popular nos
anos de 1960, momento em que o índice de analfabetismo estavam
acima dos parâmetros do país que atravessava um processo de
desenvolvimento. Sendo que os conflitos no campo da cultura
popular foi resolutiva para a definição de pressupostos teóricos
metodológicos que conseguissem interferir na realidade social.
Tal modelo de crescimento ocasiona a desigualdade,
miséria e violência e impede o desenvolvimento. Essa situação
espelha uma das nuances da questão social - entendida como a
maneira em que se concebe a forma de produção capitalista e a
sua vinculação com o trabalho.
30 Educação Popular

Figura 14: Paulo Freire e a educação popular

Fonte: [Link]

Concebida a educação popular como uma visão geral da


educação, contrariou à educação de adultos, estimulada pela
educação estatal, e vem ocupando os espaços que a educação de
adultos oficial não considerou relevantes.
Um dos fundamentos provenientes da educação popular tem
sido a criação de uma nova teoria embasada alicerçada na profunda
consideração pelo pensamento linear que apresentam os ramos
populares em sua prática cotidiana, questionando-o, apontando a
teoria incluída na prática popular, teoria ainda não percebida pelo
povo, problematizando-a, adicionando-lhe um raciocínio mais
severo, científico e completo. No fim da década de 50, tinha-se
duas possibilidades mais consideráveis na educação de adultos - a
compreendida como educação libertadora, como “conscientização”
(Paulo Freire) e concebida como educação funcional (profissional),
ou seja, o condicionamento de mão-de-obra mais produtiva,
vantajosa ao projeto de desenvolvimento nacional dependente.
Nos anos de 70, essas duas teorias permaneceram, a primeira
percebida essencialmente como educação não formal – opção à
escola – e, a segunda, como substituta da educação formal. Aqui
no Brasil, amplia-se o sistema MOBRAL (Movimento Brasileiro
de Alfabetização), com premissas opostas aos de Paulo Freire.
Já em 1958 aconteceu o 2º Congresso Nacional de Educação
de Adultos, no qual Paulo Freire participou. Apareceu a ideia
de um programa permanente de enfrentamento do problema da
Educação Popular 31

alfabetização que desencadeou no Plano Nacional de Alfabetização


de Adultos, liderado por Paulo Freire e eliminado pelo Golpe de
Estado de 1964, após de um ano de funcionamento. Seguimos
com o próximo tópico o saber surge e circula.

O saber surge e circula: Educação Popular


A educação popular começa nas trocas das interações e da
conversa permeado entre os sujeitos e se afirmando como educação
transformadora? O conhecimento é flexibilizado – construído
e reconstruído, baseando-se no diálogo, no crescimento do ser
humano, pela conscientização e qualidade de seres incompletos.
Como atividade educacional e fundamento pedagógico,
a educação popular, está inserida em todos os continentes em
forma de ideias e práticas diferenciadas.

SAIBA MAIS

De acordo com Brandão (2006), a primeira experiência de educação


com as classes populares, a que se deu, sucessivamente, o nome de
educação de base - no Movimento de Educação de Base (MEB),
por exemplo, de educação libertadora e mais tarde de Educação
Popular, surge no Brasil no começo da década de 1960. Nasce,
no interior de grupos e movimentos da sociedade civil, alguns
deles associados a setores de governos municipais, estaduais, ou
da federação. Começa como um movimento de educadores, que
trazem, para o seu âmbito de trabalho profissional e militante,
teorias e práticas do que então se chamou de “cultura popular”, e
se considerou como uma base simbólico-ideológica de processos
políticos de organização e mobilização de setores das classes
populares, para uma luta de classes dirigida à transformação da
ordem social, política, econômica e cultural vigente.
32 Educação Popular

Figura 15: Movimento pela educação popular

Fonte: pixabay

IMPORTANTE

Paulo Freire é considerado um dos intelectuais brasileiros


que teve a sensibilidade e conseguiu entender os ideais dos
oprimidos e transformando isso uma bandeira de luta, essa
característica de Paulo Freire é devida a sua aptidão intelectual
de estruturar o grupo dos trabalhadores na década de 1960 a fim
de refletir o momento em que atravessavam e transformar isso
em mecanismo de luta política - a exemplo os movimentos de
cultura popular (estudaremos no próximo tópico).

Liderada por Paulo Freire a alfabetização de adultos, foi fator


agregador das massas, estratégia de extinção do analfabetismo,
que ajudou no fortalecimento das classes populares no
enfrentamento à violência. Essa a experiência de alfabetização
ocorrida em Angicos (RN), em 1963, liderada por Paulo Freire
e sua equipe foi reconhecida nacional e internacionalmente. O
método dessa vivência aconteceu pelo período de 40 horas, onde
se conseguiu alfabetizar 300 trabalhadores(as) rurais.
Educação Popular 33

Figura 16: Experiência de alfabetização de Paulo Freire e sua equipe.

Fonte: pixabay

ACESSE

Angicos 50 anos – vídeo do MEC


[Link]

Em seguida, abordaremos alguns movimentos ligados


à educação popular, os quais obtiveram destaque nacional ao
longo da história.

Movimentos da Educação Popular


Abordaremos sete acontecimentos (movimentos) da
educação popular brasileira:
1. Movimento de Cultura Popular (MCP);
2. Centros Populares de Cultura (CPCs);
3. Movimento de Educação de Base (MEB);
4. Movimento Brasileira de Alfabetização (MOBRAL);
5. Fundação EDUCAR;
34 Educação Popular

6. Plano Nacional de Alfabetização e Cidadania (PNAC);


7. Programa de Alfabetização Solidária (EJA);
8. Programa Brasil Alfabetizado (PBA);
9. Movimento de Alfabetização de jovens e Adultos
(MOVA);
10. Educação Popular em Saúde (EPS).
11. Educação Popular no Campo (EPC).
12. Educação Popular em Assistência Social (EPAS).
Esses movimentos não aconteceram, obrigatoriamente,
nesta ordem e isolados, pois uns se entrelaçam com outros em
linha paralela. Começaremos a com o movimento de Cultura
Popular.
Figura 17: Movimentos da educação popular

Fonte: [Link]

Movimento de Cultura Popular


Criado em Recife o MCP, em 1960, referenciando
o francês peuple et culture (povo e cultura), nasceu da
ação empreendedora de intelectuais, estudantes, e artistas
pernambucanos conjuntamente com à prefeitura de Recife,
quando Miguel Arraes era o gestor. O seu objetivo era incentivar
a alfabetização de adultos e proporcionar acesso da cultura a
Educação Popular 35

todas as pessoas. Desta forma, a ideia era descobrir uma maneira


própria, isto é, formular uma estratégia educativa baseada na
cultura e nos hábitos locais. As suas atividades pretendia a
conscientização dos cidadãos por meio da educação de base e
alfabetização, objetivando à formação da convicção política que
preparasse a população para a participação social.
Desta forma, os estudantes adaptavam-se a viver como
cidadãos, conscientes de seus direitos e deveres podendo agir
na sociedade transformando-se e sendo alfabetizados. Em
função do golpe militar tal movimento foi eliminado, em 1964,
e diversos dos participantes foram presos e exilados em outros
países e entre eles Paulo Freire.
Seguimos para o próximo movimento de cultura e
educação popular.

Centros Populares de Cultura


A formação dos CPCs é produto da organização de jovens
intelectuais da União Nacional dos Estudantes (UNE) e artistas
ligados ao Teatro de Arena de São Paulo, em 1961, pelo governo
estadual da Paraíba. Acabando o movimento em 1963 por motivo
da perseguição militar iniciou.
O acesso à cultura pela classe baixa renda, era a meta
dos CPCs, assim os participantes deste movimento utilizavam
música, peças teatrais e demais maneiras para difundir a cultura
aos cidadãos e em seguida por meio de livros onde começou
a alfabetização. O intuito era instituir um movimento dirigido
às diferentes parcelas de trabalhadores afim de disseminar,
promover, difundir o teatro político. Por meio do circo “Tomatão”
os participantes do movimento percorriam os bairros ofertando
palestras; filmes; espetáculos; exposição de artes; assistência
jurídica e médica classe popular e periférica. Também, obtiveram
destaque pelas atuações com teatros de rua elaborados em
simbologia popular e por novas formas de conceber cultura, arte
e novas posturas.
36 Educação Popular

Também estavam entre os movimentos realizados os


programas e as campanhas desenvolvidos para combater
o analfabetismo como exemplo a campanha de educação
popular (CEPLAR) – as técnicas de Paulo Freire prevaleciam
para informar as pessoas da situação vivida sendo o propósito
fundamental: a conscientização.
Por ser considerado uma ação de metodologia comunista
foi extinto com a ditadura militar. Será apresentado o terceiro
movimento de cultura e educação popular.

O Movimento de Educação de Base


Originado, também, nos primeiros anos da década de
1960, era uma ação da Igreja Católica, com apoio do governo
federal, buscava auxiliar a alfabetização da população, com
ênfase na rural, preparando-a para intervir em diálogos da época,
especialmente sobre a reforma agrária. As dinâmicas de animação
e as escolas radiofônicas eram aplicadas como instrumento,
metodologia, para o desenvolvimento do trabalho, a fim de
promoverem a interação e relaxamento do grupo. O movimento
atravessou por diferentes momentos de suas atividades, fluxos
e refluxos, mas jamais deixou de existir. Atualmente, deseja
condições para retomar sua proposta original.

IMPORTANTE

A educação era concentrada na conscientização do ser, como


sujeito crítico de uma sociedade. Assim, a igreja importava-se
com a formação crítica do cidadão, para que, se desprendesse
do pensamento ideológico ocasionado pelos dominantes e
conduzisse na transformação da sociedade, dessa forma,
precisaria partir dos anseios e dos meios populares de libertação.

Passamos ao quarto movimento de cultura e educação popular.


Educação Popular 37

Movimento Brasileiro de Alfabetização


Passados os anos 60 os movimentos dispuseram de um
olhar mais considerável pelas autoridades e em 1967 apareceu
o movimento com o período maior da época o MOBRAL, o
qual foi implantado pela Lei n° 5.379 de 15 de dezembro de
1967, o país atravessava o tempo da ditadura, de imposição -
esse movimento era influenciado imensamente pelo método
Freiriano, pois o aprendizado era por meio das palavras
geradoras, porém tais palavras não eram originadas através de
diálogos com os alunos sobre o contexto do dia-a-dia, em um
processo construtivo de aprendizagem, esses termos (palavras)
passaram a ser apresentadas pelos tecnocratas, objetivando a
aprendizagem básica, apenas o que era essencial aprender.

SAIBA MAIS

Lei n° 5.379 de 15 de dezembro de 1967 - Provê sobre a alfa-


betização funcional e a educação continuada de adolescentes e
adultos. [Link]

IMPORTANTE

Esse movimento ofertava programas que visavam a profissio-


nalização, o desenvolvimento do vocabulário e cultura, a
aprendizagem da escrita e leitura, entre outras funções, mas
as atividades muito automáticas, com isso os estudantes não
assimilaram o aprendizado realmente, mais sim uma repetição do
conhecimento, não alcançavam uma formação crítica necessária
para a vida em sociedade.
38 Educação Popular

Conheceremos agora o Programa da Fundação EDUCAR.

Fundação EDUCAR
Esse movimento foi substituto do MOBRAL em 1985 e
entendeu até 1990, sendo transferido os recursos financeiros do
MOBRAL para o EDUCAR, assim as intenções de ambos não
divergem. Assegurava a educação de pessoas excluídas ou não
ingressaram na escola em idade adequada.
Avançamos para o sexto programa de educação.

Plano Nacional de Alfabetização e Cidadania


Implantado oficialmente, em 11 de setembro de 1990, pela
Presidência da República, cuja finalidade era a redução de 70%
do analfabetismo brasileiro, no período de cinco anos.
Foi instiuída em novembro do mesmo ano, por Decreto,
uma Comissão do PNAC – para tratar das atividades do programa.
O Governo Federal pretendia complementar as atividades
de alfabetização suspensas pela inatividade da Fundação Educar,
objetivando, no ano internacional da alfabetização, estabelecido
pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas
(ONU), a participação do Brasil. Previa a proposta governamental
o Art. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias - o
esforço prioritário do estado a fim de sensibilizar todas as áreas
da sociedade e executar os recursos financeiros na erradicação
do analfabetismo e da universalização do ensino fundamental,
no primeira década da promulgação da Constituição.
O Governo Brasileiro com os seus ideais de modernização
deparou-se com um dos fatores mais críticos do atraso e subdesen-
volvimento do país – o analfabetismo. A questão era como se
proceder diante dessa situação e que parâmetros se basear para
sanar parte da dívida social do Brasil?
Educação Popular 39

Programa de Alfabetização Solidária


Surgiu, em 1997, na gestão de Fernando Henrique
Cardoso, tinha com o propósito de inserir os cidadãos não
alfabetizados na Educação de Jovens e Adultos (EJA), os
educadores capacitavam-se sendo uma educação reconhecida
pelo Ministério da Educação (MEC) e passado o tempo esse
programa passou a ser chamado de AlfaSol, transformando-se
em uma organização não-governamental e até hoje o programa
faz-se existe em algumas regiões do país.

Programa Brasil Alfabetizado


O seu principal objetivo era de erradicar do analfabetismo e
também pretendia a inclusão social dos cidadãos analfabetos, foi
criando em 2003, no Governo Lula. A metodologia utilizada da
alfabetização a curto prazo, por meio de cartilhas por exemplo.

Movimento de Alfabetização de jovens e Adultos


Sendo que em paralelo ao PBA institui-se o MOVA,
em 1990, baseado em Paulo Freire - pretendendo também
a extinção do analfabetismo e a inclusão social. Contudo, o
ensino inspirava-se na visão de mundo dos estudantes, incluída
a criticidade nas discussões dos temas geradores, esse programa
permanece até 2013 em alguns locais e foi relevante à história
do analfabetismo nacional, devido a alfabetizar mais de 200.000
(duzentas mil pessoas).
Vamos nos apropriar de como ocorre a educação popular
em saúde.

Educação Popular em Saúde


Pode-se afirmar que o marco da educação popular em
saúde é a educação sanitária uma maneira de estruturar as
práticas educativas popular em saúde. E, qual o início dessas
práticas?
40 Educação Popular

Iniciada, no fim do século XIX e fortalecida ao longo


do século XX, em um contexto social de mudanças - extinção
da escravidão, emergência de novas formas de organização
econômica e do trabalho, desenvolvimento do comércio,
aparecimento das primeiras indústrias, expansão desordenada
das cidades, doenças como a varíola, febre amarela, peste
bubônica, e as doenças transmissíveis - ocasionaram muitas
mortes e danos econômicos e, o aumento da desigualdade social,
da pobreza.
A área da saúde compõe um sistema de práticas educativas,
em vários espaços desenvolve-se ações de educação em saúde
– nos domicílios, consultórios, grupos, nas praças, entrada dos
serviços, domicílios, praças e, também na rua. Visualmente, as
operações de educação em saúde são promovidas nos panfletos,
cartazes, nas campanhas e outros materiais encontrados nos
serviços de saúde, nos demais espaços sociais fortalecedores das
atividades educativas como a internet, televisão e redes sociais.
Em novembro de 2017, o Ministério da Saúde (MS)
instituiu a Política Nacional de Educação Popular em Saúde
(PNEP-SUS) – sugere metodologias e tecnologias para o
fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS). A PNEP-SUS
consiste em uma prática orientada para a promoção, a proteção
e a recuperação da saúde a partir do diálogo entre a diversidade
de saberes, valorizando os saberes populares, a ancestralidade, a
produção de conhecimentos e a inserção destes no SUS.
São quatro eixos estratégicos da educação popular em saúde:
Participação, controle social e gestão participativa;
Formação, comunicação e produção de conhecimento;
Cuidado em saúde e a;
Intersetorialidade e diálogos multiculturais.
Educação Popular 41

Essas metodologias e práticas da EPS permitem a interação


e integração entre os trabalhadores e usuários, as equipes de saúde
e os espaços das práticas populares de cuidado, o cotidiano dos
conselhos e dos movimentos populares, dando novo significado
aos saberes e práticas.

SAIBA MAIS

A Resolução n. 15, de 30 de março de 2017 que homologa o


Plano Operativo para a implantação da Política de Educação
Popular em Saúde no âmbito do Sistema Único de Assistência
Social (SUAS). [Link]

ACESSE

Vídeo de Educação Popular em Saúde, Formação em Debate.


[Link]
Universidade Aberta do SUS. [Link]

Agora vamos conhecer um pouco sobre a educação popular


do campo.

Educação Popular do Campo


Os processos de educação para o campo seguiram da
necessidade de modernizar a educação, diante de um ensino
conservador. A educação do campo trouxe o papel transformador
de atitudes, as interações entre mulheres e homens do campo, o
grau de suas pretensões, e contribuir com a sua participação no
processo de mudança tecnológica.
42 Educação Popular

Esse processo foi viável por meio de uma educação


envolvida com a organização socioeconômica educação e
agrária. Mas, essa modalidade de educação deixou de lado
fatores relevantes e essenciais ao completo desenvolvimento
do campo - desconsideram aspectos estruturais, impossíveis de
serem separados do processo de ensino-aprendizagem.
As questões estruturantes que não podem estar separadas
da educação no campo - a imensa variedade e diferenças das
condições sociais de vida na agricultura e produção; a relação
submissão da população rural trabalhadora a uma organização
e a um fluxo de crescimento da agricultura que favorece os
interesses da propriedade fundiária e do capital; e a situação
agrária que tem a problemática da terra como o ponto de ligação
das diversas lutas e anseios dos trabalhadores rurais.
Esses conflitos para o total desenvolvimento do território do
campo brasileiro foram encobertos por programas educacionais,
com a finalidade, de certa forma, recompensar falhas. Quanto,
as políticas voltadas à educação rural - foram orientadas à
disseminação de métodos e produtos agrícolas e alcançou um
número pequeno de produtores.
O problema agrário pulsante não entrou nos debates
educacionais organizados pelos programas de governo – a
explicação é o conservadorismo, o qual também esclarece as
atitudes sobre a educação na área rural brasileira.

SAIBA MAIS

Marco de Referência da Educação Popular para as Políticas


Públicas. [Link]
Educação Popular 43

ACESSE

Educação do campo por Paulo Rodrigues Brandão.


[Link]

Finalizaremos a nossa abordagem apresentando a educação


popular de Assistência Social.

Educação Popular em Assistência Social.


Essa modalidade de educação popular ligada a Assistência
Social tem origem nos serviços sociais iniciados em ações
de filantropia, em especial, os serviços sociais de entidades
religiosas – como exemplo as Igrejas que ofereciam auxílio as
pessoas e famílias carentes. Hoje essa ajuda ainda acontece, pois
infelizmente ainda temos na sociedade cidadãos e famílias em
situação de pobreza e vulnerabilidade social. Com o avançar dos
tempos, os cidadãos organizaram-se em Associações de Bairros,
Conselhos Comunitários, Conselhos de Direitos, Movimentos
Sociais,Organizações Sociais - Organizações não Governamentais,
Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público, Rede de
Educação Permanente do Sistema Único de Assistência Social
(SUAS), Redes de Filantropia, Escolas de Conselhos de Direitos
e demais formas de organização com o objetivo de fomentar a
EPAS aos cidadãos e trabalhadores da Assistência Social.
Com a promulgação da Constituição da República
Federativa do Brasil (CF/1988) no seu Art. 6 - Direitos Sociais
a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o
transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção
à maternidade e à infância, a assistência aos desamparado a
Educação Popular de Assistência Social vem desenvolvendo-se
com maior participação e conscientização da sociedade.
44 Educação Popular

Em 2013 foi instituída a Política Nacional de Educação


Permanente do SUAS – PNEP/SUAS estabelece os princípios e
diretrizes para a instituição da perspectiva político-pedagógica
fundada na educação permanente na Assistência Social, para
qualificar os (as) gestores, trabalhadores, conselheiros e usuários
dos serviços socioassistenciais.

ACESSE

Vamos agora para sugestões para você alimentar seu banco de


dados: Política Nacional de Educação Permanente do SUAS.
[Link]
Escola Aberta do Terceiro Setor. [Link]
Educação Popular de Assistência Social em Florianópolis, Santa
Catarina. [Link]

RESUMINDO

As modalidades de Educação Popular são retratadas pelas


intervenções nos e dos movimentos populares. O que se deseja
que você aluno observe são as descrições de suas ações a maneira
pela qual criam a prática educativa associada à conscientização
sobre os direitos. Ora pela forte influência da cultura, ora pela
ideologia da busca pela alfabetização, elas não estariam fora
do processo formativo, da proposta de formação do indivíduo
frente a luta maior por seus direitos.
Educação Popular 45

Terminologia Popular: construindo


conceitos
Existem termos e conceitos que fazem parte da educação
popular, e precisamos ficar atentos (as) a eles! Vamos conhecer
esses termos e conceitos, iniciando com o conceito de Direitos
Humanos – o qual dá significado aos demais conceitos, que
vamos estudar.

DEFINIÇÃO

Direitos Humanos são direitos inerentes a todos os seres humanos,


independentemente de raça, sexo, nacionalidade, etnia, idioma,
religião ou qualquer outra condição. Incluem o direito à vida e
à liberdade, à liberdade de opinião e de expressão, o direito ao
trabalho e à educação, entre e muitos outros. Todos merecem
estes direitos, sem discriminação. Estabelece as obrigações dos
governos de agirem de determinadas maneiras ou de se absterem
de certos atos, a fim de promover e proteger os direitos humanos
e as liberdades de grupos ou indivíduos (ORGANIZAÇÃO DAS
NAÇÕES UNIDAS -ONU, 2019).
E o que vem a ser sociedade? Sociedade conjunto de indivíduos
politicamente organizados que partilhando de objetivos comuns dão
sentido à vida e justificam a concepção do homem como um ser de
relações, capaz de fazer história própria. Contrato através do qual
duas ou mais pessoas associam recursos e esforços para alcançar
um objetivo comum (Glossário de Direitos Humanos da Secretaria
de Justiça, Trabalho e Direitos Humanos do Paraná, 2019).

Seguimos para o próximo conceito essencial, para a


educação!
46 Educação Popular

Comunitário – comum a vários indivíduos, relativo a


sociedade. O conceito de comunidade será estudado na unidade 2.
Agora, vamos ao conceito de popular!
Popular – No dicionário Aurélio online o vocábulo
popular é entendido como o homem do povo, relativo ou pertencente
ao povo, que é usado ou comum entre o povo, que é do agrado
do povo, vulgar, notório, democrático, o povo, com interpretações
distintas dependendo de quem a faça e com quais finalidades.
Figura 18: Origem da palavra popular.

Fonte: pixabay

Compreendido os conceitos de Direitos Humanos, Socie-


dade, Comunitário, podemos entender o conceito de Classe!

DEFINIÇÃO

Classe - termo usado para dar a ideia de que existem distâncias


sociais significativas na sociedade. Isso quer dizer que indivíduos
e grupos são diferentes entre si e ocupam lugares diferentes na
sociedade (INFOESCOLA, 2019).
Educação Popular 47

Vejamos o conceito de cidadão!


Cidadão - indivíduo que pertence a uma sociedade
organizada, sendo titular de direitos e obrigações; quem
participa da vida social e política através do voto e de outras
formas; cidadão do mundo: pessoa que exerce sua participação
social e política independentemente de fronteiras (ABC DOS
DIREITOS HUMANOS, 2003).
Conceito de cidadania – relacionado ao conceito de
cidadão! Cidadania - definida como o pleno pertencimento dos
indivíduos a uma comunidade política por meio de um status,
isto é, situação social que garante aos indivíduos direitos e
deveres, liberdades e restrições, poderes e responsabilidades
(DICIONÁRIO DE TERMOS TÉCNICOS DA ASSISTÊNCIA
SOCIAL, 2007).
Outros conceitos que perpassam pela educação popular
são os justiça social e desenvolvimento integral do ser humano.
Confira!
Justiça Social - no Brasil, a justiça social tornou-se um
dos pilares da constituição brasileira de 1988. Hoje, as políticas
sociais estão incluídas em iniciativas dos governos federal,
estadual e municipal, em colaboração com a sociedade civil.
As políticas econômicas e sociais buscam garantir o direito à
saúde e educação e acesso aos bens de consumo, lazer e novas
tecnologias, através do aumento da renda e capacidade de
consumo (SITE [Link], 2019).
Seguimos para o conceito de Desenvolvimento Integral do
Ser Humano!
Este conceito de desenvolvimento integral no contexto da
educação integral diz respeito a compreensão de que a educação,
enquanto processo formativo, deve atuar pelo desenvolvimento
dos indivíduos nas suas múltiplas dimensões: física, intelectual,
social, emocional e simbólica (CENTRO DE REFERÊNCIA
DE EDUCAÇÃO INTEGRAL, 2019).
48 Educação Popular

Vamos saber mais sobre a construção desses termos e


conceitos!
Atravessou a Educação Popular por diversos momentos
de educação e estruturação, desde a procura da compreensão
até a defesa dos direitos humanos prejudicados pelas ditaduras
militares, sangrentas e violentas, as quais ceifaram a vida de
diversos (as) militantes populares. A educação popular atestou o
otimismo guerreiro da operação de alfabetização da Nicarágua,
o sistema de Educação Popular de adultos manipulado com
ataques, até a convivência com a Educação Popular que elaborava
peças pequenas de artesanato, reunia roupas usadas e sussurrava
com ódio, remoendo raiva junto com a falta de oportunidades de
trabalho na periferia urbana.
Entendida a educação uma maneira preferida na promoção
dos direitos humanos - priorizar a formação de agentes públicos
e sociais para influenciarem no segmento escolar e não escolar,
inserindo os sistemas de educação, justiça e segurança, saúde,
comunicação e informação, mídia e outros. Assim, precisa-se
integrar e aperfeiçoar os ambientes de participação existentes,
como também criar espaços novos e condições corporativas de
formação e monitoramento das políticas públicas de direitos
humanos no País.
Faz-se necessário, em tempos de crise, a compreensão
do motivo de algumas experiências educacionais no segmento
popular conseguiram resultados e outras não. E, quais as lições
podemos obter dos trajetos já percorridos, como impulsionar
e reavivar o sonho sobre as análises teórico-práticas para a
elaboração de um projeto de Educação Popular.
Ao longo desses 50 (cinquenta) anos, podemos considerar
que, aconteceu a expansão da Educação Popular embasada nos
fundamentos teórico metodológicos freirianos como método de
atividade com as áreas populares - sistemas públicos de educação,
movimentos sociais, movimentos de alfabetização, sindicatos,
afinal, existe, no agrupamento da sociedade, movimentos e
Educação Popular 49

grupos que resistem dia-a-dia à predominância capitalista, por


meio de um costume (práxis) da Educação Popular. O sonho da
possibilidade de transformação da sociedade - é o sonho que
alimenta as classes populares.

ACESSE

Cativeiro Social – Desfile da Escola de Samba Paraíso do Tuiuti


em 2018. [Link]

SAIBA MAIS

Procure conhecer mais sobre as redes de educação popular -


[Link]

Vamos agora entender como está a educação popular


atualmente!

A Educação Popular hoje


Estudante você aprendeu sobre o histórico; o conceito e
o processo de educação popular; as diferenças entre educação
comunitária, popular e jovens e adultos; a terminologia popular
e agora entenderemos como está a educação popular nos dias de
hoje. Vamos lá!
A Educação Popular, na contemporaneidade, é entendida
como o conjunto de normas fundamentado na soberania popular,
na justiça social e no respeito integral aos direitos humanos, e sua
valorização é imediato para a expansão e a materialização dos
50 Educação Popular

direitos. Recebe notoriedade, pois ela recupera a sua direção ao


desenvolvimento humano integral, dignificando, identificando
os grupos socialmente excluídos e, com eles, voltando a luta
histórica por um projeto emancipador anticapitalista; novas
bandeiras são incorporadas, nesse cenário, como a defesa
socioambiental.
Já como idealização geral da educação, ela atravessou
por inúmeros momentos epistemológicos educacionais e
organizativos, a contar da procura do entendimento, nos anos 50
e 60, e a defesa por uma escola pública popular e comunitária,
nos anos 70 e 80, até chegar a escola cidadã, nos últimos tempos,
numa junção de entendimentos, consensos e divergências.
Estudamos que a educação popular não se traduz somente
na EJA, mas esta faz parte da educação popular! Dizemos de
“jovens e adultos” lembrando-nos à “educação de adultos”,
pois aqueles que cursam os programas de educação de adultos,
compreendem na sua maioria, os jovens trabalhadores.
Atualmente, uma das simbologias mais presentes da
educação popular está na EJA. Esses batalham para conquistar
melhores condições de vida (moradia, alimentação, emprego,
saúde, transporte, etc) que estão na origem do problema do
analfabetismo. Implicam no seu processo de alfabetização
fatores como os baixos salários, o desemprego e as precárias
condições de vida.
A educação popular vem tornando-se em um modelo
teórico que trata de reunir e desagrupar as temáticas originadas
das lutas populares, busca apoiar com as manifestações sociais
e os partidos políticos que retratam essas lutas. Preocupa-se em
reduzir a influência da crise social na pobreza, e ouvir o desespero
e à indignação moral do oprimido, do pobre, do analfabeto, da
mulher, do indígena, do camponês, do negro, e do trabalhador
industrial.
Educação Popular 51

+
OBSERVAÇÃO

Assim as perspectivas de futuro dessa modalidade de educação são


grandes e seus fundamentos iniciais estão presentes, como a obra
de Paulo Freire, em diversas práticas educativas: a educação como
produção e não simplesmente como transmissão do conhecimento;
o foco nos aspectos gnosiológicas da prática educativa; a defesa de
uma educação para a liberdade - base da vida democrática; a busca
da educação emancipadora; a defesa da educação como um ato de
diálogo; da razão de ser das coisas; a recusa do autoritarismo, da
manipulação, da ideologização que surge também ao estabelecer
hierarquias rígidas entre o professor que sabe (e por isso ensina)
e o aluno que tem que aprender (e por isso estuda); a noção de
uma ciência aberta às necessidades populares e um planejamento
comunitário e participativo. A grande quantidade de noções que
baseiam a educação popular, fragmentada hoje pelo mundo, como
paradigma teórico, elevando-a um plano diverso da educação
tradicional, bancária, e a educação como razão instrumental, nos
aponta que nosso otimismo não é infundado.

Figura 19: Educação popular hoje

Fonte: [Link]
52 Educação Popular

++
+
EXPLICANDO MELHOR

É real que, a educação popular atualmente se forma numa mistura


de teorias e de práticas. Nas diversas partes do mundo, elas têm em
comum, a missão com os mais pobres, isto é, com a emancipação
humana. São possibilidades plausíveis, íntegras, fundamentadas,
continuadamente comparadas com a severidade dos fatos.

Todas as teorias e práticas da educação popular são


contrárias à educação do colonizador - não uma recusa bajuladora
ou oportunista, mas uma recusa carinhosa e ilusória; uma recusa
que admite questionar das próprias condições de literatura
científica e das conclusões atingidas, para impedir a ilusão da
razão prática.
Um conjunto de perspectivas que convergiram em diversas
opiniões, entre elas, a procura de uma ciência social e educativa
integradora, radical, cognitiva e afetiva, e, ao mesmo tempo,
heurística, consciente de que é impossível dividir a ciência dos
interesses humanos.
Os princípios de Educação Popular entendido por Delors
(1999) e Frigotto (1995), na visão de Paludo (2005) se enraizaram
na década de 1990, sofrendo um impacto expressivo. De outro
jeito aos acontecimentos na década anterior, este entendimento
sobre a educação e o referencial teórico que a subsidia, declinam,
em parte, na exclusão. Segundo o estudo realizado pelo Conselho
de Educação de Adultos da América Latina (CEAAL), a Educação
Popular está atravessando um momento de resgate das raízes e de
continuidade do processo de redefinições.
Uma das mais importantes iniciativas foi a criação da Rede
de Educação Cidadã (RECID), em 2003, uma vivência inovadora
na área da Educação Popular, a qual conversa com os distintos
Educação Popular 53

atores: indígenas, quilombolas, ciganos, ribeirinhos, pescadores,


Movimentos dos Direitos Humanos, Movimentos de Mulheres,
Movimento Urbano dos sem Tetos, Movimento dos Atingidos
por Barragens, Movimento dos Sem Terra e Movimento Hip
Hop. Ligada, pela ótica pedagógica, administrativa e política ao
governo federal realiza um papel fundamental para a valorização
dos direitos humanos no Brasil, uma vez que possui dimensão
em todo território nacional.
Articula a RECID diversas parcelas da população,
movimentos sociais populares e instituições, acolhendo
fraternalmente a missão de realizar um processo sistemático para
mobilizar e sensibilizar a Educação Popular de grupos sociais
e vulneráveis economicamente, possibilitando a conversa e a
participação dinâmica no combate à miséria, concretizando um
plano popular, democrático e soberano de federação.
Chegamos ao final da unidade I, espero que tenham
gostado do assunto e assimilado o aprendizado. Bons estudos!

SAIBA MAIS

Quer se aprofundar neste tema? Recomendo o acesso à seguinte


fonte de consulta e aprofundamento: Instituto Paulo Freire.
[Link].

ACESSE

Escola Cidadã: [Link]


54 Educação Popular
Educação Popular 55

02
UNIDADE

EDUCAÇÃO POPULAR ENQUANTO CIÊNCIA E O EDUCADOR


56 Educação Popular

INTRODUÇÃO
Caros alunos (a) nesta unidade estudaremos a educação
popular enquanto ciência e o educador. Iniciaremos o nosso
estudo conversando sobre o senso comum e a construção coletiva
da educação popular, classificação do conhecimento, os tipos de
conhecimentos, relação entre o saber popular e científico. Na
sequência trataremos a respeito do perfil do educador na atuação
mediante o desafio da educação popular, as competências e
virtudes dos educadores, papéis dos educadores (as) populares,
desafio da educação popular. Após, compreendermos as
metodologias na educação popular, a educação popular como
metodologia, educando (a), cidadão: o (a) protagonista da sua
aprendizagem e as metodologias aplicadas na educação popular.
Por fim, entenderemos o conceito de comunidade, comunidade
escolar, comunidade virtual, comunidade global, as novas
formas de organização das comunidades em redes.
Ao longo desta unidade letiva você vamos mergulhar neste
universo!
Educação Popular 57

OBJETIVOS
Seja muito bem-vindo a nossa Unidade 2. O nosso objetivo
é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências
profissionais até o término desta etapa de estudos:

1 Entender as diferenças e o ponto em comum dos


saberes popular e o científico;

2 Identificar os aspectos do perfil do (a) educador (a):


as competências, habilidades, atitudes e virtudes;

3 Demonstrar as metodologias na educação popular


e;

4 Compreender o conceito de comunidade e a


abordagem de comunidade em redes.

Então? Está preparado para uma viagem sem volta rumo ao


conhecimento? Ao trabalho!
58 Educação Popular

Senso comum e construção científica da


Educação Popular
Estamos iniciando o estudo da unidade 2: Educação
popular enquanto ciência e o educador.
Bom, qual saber apareceu primeiro, a sabedoria popular
ou a científica? Estudos comprovaram que o saber popular é
anterior a techne grega e, assim, ao saber científico.

SAIBA MAIS

O conhecimento vulgar ou popular, às vezes denominado senso


comum, não se distingue do conhecimento científico nem pela
veracidade nem pela natureza do objeto conhecido: o que os
diferencia é a forma, o modo ou o método e os instrumentos do
“conhecer”.

Saber que determinada planta necessita de uma quantidade


“X” de água e que, se não a receber de forma “natural”, deve ser
irrigada pode ser um conhecimento verdadeiro e comprovável,
mas, nem por isso, científico. Para que isso ocorra, é necessário
ir mais além: conhecer a natureza dos vegetais, sua composição,
seu ciclo de desenvolvimento e as particularidades que
distinguem uma espécie de outra. Dessa forma, patenteiam-se
dóis aspectos: a) A ciência não é o único caminho de acesso ao
conhecimento e à verdade. b) Um mesmo objeto ou fenômeno -
uma planta, um mineral, uma comunidade ou as relações entre
chefes e subordinados - pode ser matéria de observação tanto
para o cientista quanto para o homem comum; o que leva um ao
conhecimento científico e outro ao vulgar ou popular é a forma
de observação ( LAKATOS, MARCONI, 2003, p.76).
Educação Popular 59

ACESSE

Os tipos de conhecimentos. [Link]


Seguimos com os tipos de conhecimento. fiquem ligados!

Tipos de Conhecimento
Os estudiosos classificam o conhecimento em popular,
filosófico, religioso (teológico) e científico. Estudaremos cada
um deles.
Saber Popular
Dizemos que o conhecimento popular nasce com o ser
humano. Por exemplo, quando uma pessoa olha para o céu e o
observa, e então afirma que vai chover – esse é o saber popular,
que é empírico, espontâneo e intuitivo.

DEFINIÇÃO

Conhecimento popular é o conhecimento do povo, que nasce da


experiência do dia-a-dia por isso é chamado também de empírico
[…] o conhecimento que, em geral, o lavrador tem das coisas do
campo. Ele interpreta a fecundidade do solo, os ventos anunciadores
de chuva, o comportamento dos animais […]. Embora de nível
inferior ao científico, o conhecimento popular ou empírico não
60 Educação Popular

DEFINIÇÃO (CONTINUAÇÃO)

deve ser menosprezado, pois constitui a base do saber e já existia


muito antes de o homem imaginar a possibilidade da ciência
(RAMPAZZO, 2002, p. 18).

Os saberes populares são um conjunto de conhecimentos


desenvolvidos por grupos pequenos - famílias, comunidades),
baseados em experiências ou em superstições e crenças, e
passados de um indivíduo para outro, especialmente por meio da
linguagem falada e gesticulada (Suzi Cristina Rodrigues, 2019).

Figura 1: Saber popular

Fonte: Pixabay (2019)

Você sabe as formas de expressão dos saberes populares?


São manifestados nos chás medicinais, culinária, mandingas,
artesanatos e outros, são parte da cultura de uma localidade e de
comunidades. Obtém-se os conhecimentos empiricamente, isto
é, pelo fazer, passados e reconhecidos de geração em geração –
geralmente pela linguagem falada e gesticulada e atitudes.
Educação Popular 61

ACESSE

Vivência na aldeia [Link]


A educação popular como um saber de experiência
[Link]

Saber Científico
E, como surgiu o saber científico? O início do conhecimento
científico tem base na experiência de dados. Praticamente,
a totalidade dessa experiência, porém, essa experiência é
laboratorial e quase distante do ambiente experiencial da vida
humana.

DEFINIÇÃO

O conhecimento científico é uma conquista recente da


humanidade: tem pouco mais de trezentos anos e surgiu no
século XVIII com Galileu (1564 – 1642). Isso não significa
que antes não houvesse nenhum saber rigoroso, pois, desde a
Grécia antiga (século VII a.C), os homens aspiram por a um
conhecimento racional que se distingua do mito e do saber
comum (conhecimento empírico) (RAMPAZZO, 2002, p. 19).

Conhecimento científico significa a informação e o saber


resultantes da busca constante de saber das coisas e de estudos
(Suzi Cristina Rodrigues, 2019).
62 Educação Popular

Figura 2: Saber científico

Fonte: Frepik

As ciências são subsidiadas na experimentação e


em análises matemáticas e estatísticas caracterizam-se por
mensurar as coisas. Sua linguagem é a da quantificação, sendo
que os aspectos metafísicos não são parte de seu processo de
explicação, apenas os dados comprováveis. O foco está nos
resultados obtidos da experiência no laboratório. O produto dessa
experiência tornou a ser chamado de conhecimento científico ou
saber científico.

ACESSE

Ciência na Educação Popular [Link]


Etapas do Método Científico [Link]
Educação Popular 63

Saber Filosófico

DEFINIÇÃO

A Filosofia se interessa não por um particular aspecto da realidade,


por este ou por aquele problema, mas por tudo, por todas as
inúmeras questões que interessam a reflexão humana, iluminada
pela razão, e em busca das causas mais profundas, indo além dos
dados próximos e experimentais (RAMPAZZO, 2002, p. 22).

Saber Teológico

DEFINIÇÃO

A verdade pode ser encontrada tanto pelo caminho da investigação


quanto pelo da revelação. O conhecimento teológico baseia-
se exatamente nesta fé: Deus falou aos homens por meio de
intermediários que transmitiram Sua mensagem. Podemos
afirmar que a teologia é uma reflexão racional e sistemática
que, porém, parte dos dados da fé; e, por isso, pressupõe a fé
(RAMPAZZO, 2002, p. 22).

Relação entre Saber Popular e Científicos


Nos dias atuais, o diálogo a respeito da relação entre o
saber popular e o saber científico materializa-se nas atividades
educativas, que abrangem os princípios da educação popular
64 Educação Popular

em programas ou projetos de governos e, especialmente, nos


voltados a grupos sociais, que expressam as políticas de inclusão
social.

IMPORTANTE

Hoje, o saber científico apresenta o mesmo fundamento do saber


popular – a experiência, estabelecida pela relação causa-efeito.
Avançando pela procura do novo - a intervenção do pensamento
por meio das elaborações de possibilidades a serem demonstradas,
unindo, desde o começo, a experiência à mesma relação

O perfil do educador na atuação mediante


o desafio da Educação Popular
O (A) Educador (a) que atua ou tem a pretensão de trabalhar
na área da educação popular, como os demais profissionais de
outras áreas, possui um perfil idealizado para o trabalho.
Vamos conhecer o conceito de perfil.

DEFINIÇÃO

Perfil - reunião das qualidades pessoais ou profissionais que


torna alguém apto para um trabalho, cargo, atividade [...](http://
[Link]/2pnuhPE).
Educação Popular 65

Competências e Virtudes dos Educadores


No exercício do seu trabalho o educador (a) popular precisa
apresentar as competências para a profissão. Você sabe o que é
competência? Confira!

DEFINIÇÃO

“Competência significa a qualidade que uma pessoa possui e


que é percebida pelos outros. Não adianta possuir competências,
é necessário que as outras pessoas reconheçam a sua existência.
Elas são dinâmicas, mudam, evoluem, são adquiridas ou perdidas
“ (CHIAVENATO, p. 184, 2008).

As competências individuais estão relacionadas à


maneira de interagir do indivíduo, como: os conhecimentos,
as habilidades individuais e os atributos pessoais como
fundamento para o exercício da função de educador(a) em uma
organização educacional. E, como percebemos a competência
individual nas pessoas? Pelas suas divisões: o conhecimento
do indivíduo; a sua capacidade intelectual, física e emocional;
as suas habilidades e as tarefas que é capaz de realizar; os
resultados que se espera dele (a) e sua capacidade motivacional
para demonstrar essas características.
Também as competências técnicas são pré-requisitos
para ocupar e desempenhar a função de educador (a) popular.
As competências técnicas são adquiridas em processos de
formação profissional, como: curso de graduação e pós-
graduação; qualificação e aperfeiçoamento profissional;
educação permanente e continuada e outros.
66 Educação Popular

SAIBA MAIS

Conhecimento (saber) – aprender a aprender, aprender


continuamente, aumentar o conhecimento, aumentar o capital
intelectual. Habilidade (saber fazer) – aplicar o conhecimento,
saber pensar e agregar valor, transformar o conhecimento em
algo concreto e produtivo. Competência (saber fazer acontecer
– aplicar a habilidade, alcançar metas e objetivos, transformar a
habilidade em resultado (CHIAVENATO, p. 185, 2008).

O conhecimento pode visto como uma oportunidade para


as organizações educacionais valorizarem os (as) educadores,
apreciando e aplicando as suas ideias. Também pode ser
considerado uma ameaça, que os (as) educadores levam consigo
o seu conhecimento, se as organizações educacionais não os (as)
valorizarem. Assim, as organizações devem ficar atentas em
aprender e manter esse conhecimento, caso contrário correm o
sério risco de serem prejudicadas.
Veremos a seguir a classificação das habilidades (saber
fazer):
Habilidade Técnica: capacidade de usar as ferramentas
instrumentos de trabalho, escolher os processos ou aplicar os
métodos de uma área de especialização.
Habilidade Humana: capacidade de trabalhar em grupo
e equipe. com outras pessoas.
Habilidade Conceitual: capacidade intelectual de
coordenar e integrar todos os interesses e atividades da
organização educacional com a visão sistêmica, isto é, ver a
organização como um todo e de compreender a dependência das
suas partes.
Educação Popular 67

Um educador (a) popular também deve possuir virtudes


para o desempenho do seu trabalho.
A definição de virtudes na visão do dicionário Aurélio:

DEFINIÇÃO

Disposição constante do espírito que nos induz a exercer


o bem e evitar o mal. O conjunto de todas ou qualquer das
boas qualidades morais. Ação virtuosa. Austeridade no viver.
Castidade, pudicícia. Qualidade própria para produzir certos e
determinados resultados […] ([Link]

Figura 3: Virtudes do (a) educador (a)

Fonte: Pixabay

Vejamos as virtudes do educador no entendimento de


Freire (1982 p, 1-8):
Discurso e Prática 1. Ser coerente entre o que se diz e
o que se faz A primeira virtude ou qualidade que gostaria de
destacar é a virtude da coerência. Coerência entre o discurso
que se fala e que anuncia a opção e a prática que deveria estar
confirmando este discurso.
68 Educação Popular

Palavra e Silêncio 2. Saber trabalhar a tensão entre


a palavra e o silêncio outra virtude que emerge a experiência
é a virtude de aprender a lidar com a tensão entre a palavra
e o silêncio. Esta é uma grande virtude que nós, educadores,
devemos criar.
O que eu estou querendo dizer, com isto? Trata-se de
trabalhar a tensão permanente que se cria entre a palavra do
educador e o silêncio do educando, entre a palavra dos educandos
e o silêncio do educador. (...)
Subjetividade / Objetividade 3. Trabalhar criticamente
a tensão entre a subjetividade e a objetividade Outra virtude
é a de trabalhar de forma crítica a tensão entre subjetividade
e objetividade, entre consciência e mundo, entre ser social e
consciência. (...)
Aqui e Ali 4. Diferenciar o aqui e agora do educador
do aqui e agora do educando Outra virtude do educador e da
educadora é como não só aprender mas viver a tensão entre o
aqui e agora do educador e o aqui e agora dos educandos. Porque
na medida em que não compreendo a relação entre o “meu aqui”
e “o aqui” dos educandos é que começo a descobrir que o meu
“aqui” é o “lá” dos educandos. Não existe “lá” sem “aqui”, o que
é óbvio. (...)
Espontaneísmo / Manipulação 5. Evitar o Espontaneísmo
sem cair na manipulação Existe outra virtude que é evitar cair
em práticas espontaneístas sem cair em posturas manipuladoras.
O contrário destas duas posições é o que chamo de uma posição
radicalmente democrática. (...)
Teoria e Prática 6. Vincular teoria e prática Outra virtude
é a de viver intensamente a relação profunda entre a prática e a
teoria, não como superposição, mas como unidade contraditória.
Viver esta relação de tal maneira que a prática não possa
prescindir da teoria. (...)
Paciência / Impaciência 7. Praticar uma paciência
impaciente outra virtude é a de aprender a experimentar a relação
Educação Popular 69

tensa entre paciência e impaciência, de tal maneira que jamais se


rompa a relação entre as duas posturas. (...)
Texto e Contexto 8. Ler o texto a partir da leitura do
contexto finalmente, eu diria que tudo isto, que estou dizendo,
tem a ver com a relação entre a leitura do texto e a leitura do
contexto. (...)

++
+
EXPLICANDO DIFERENTE

Percebam que há semelhanças na definição de virtudes conforme


o dicionário Aurélio e das virtudes do educador no entendimento
de Paulo Freire. Também observe que para Paulo Freire essas
virtudes são de todos (as) os (as) educadores (as), sejam
profissionais da educação infantil, do ensino médio, do ensino
técnico e profissionalizante, do ensino superior e outros.

ACESSE

[Link]

OBSERVAÇÃO
+

Freire acreditava que as virtudes do educador(a) são inatas da sua


essência, pertencem ao ser, nascem com eles (as), e quando tornam-
70 Educação Popular

OBSERVAÇÃO (CONTINUAÇÃO)
+

se educadores tais virtudes fazem parte da sua atuação profissional


na busca pela mudança de uma sociedade mais justa.

SAIBA MAIS

“Estas virtudes não podem ser vistas como algo, com o qual
algumas pessoas nascem ou um presente que uns recebem,
mas como uma forma de ser, de encarar, de comportar-se, de
compreender, tudo o que se cria através da prática, na busca
da transformação da sociedade. Não são qualidades abstratas,
que existem independentes de nós, ao contrário, que se criam
conosco (e não individualmente). As virtudes das quais vou falar
não são virtudes de qualquer educador, mas daqueles que estão
comprometidos com a transformação da sociedade injusta e na
criação de uma sociedade mais justa” (FREIRE, 1985, p. 01).

Papéis dos Educadores (as) Populares


São várias as associações dos papeis do (a) educador
(a) popular – mediador (a), facilitador, ponte e outros. Mas,
a grande parte relaciona o educador (a) ao papel de mediador
(a) do processo dialógico desde o qual conhecimentos novos
são produzidos pelos grupos - o educador e os educandos,
concomitante.
Educação Popular 71

Figura 4: Papel do (a) Educador (a)

Fonte: Pixabay

Compreendidos o perfil, as competências e as virtudes


dos educadores, falaremos sobre os papéis dos educadores (as).
Esse profissional possui uma função, atribuição um dever
no processo de ensino-aprendizagem.

SAIBA MAIS

Na visão de Freire, “o papel do professor e da professora é ajudar


o aluno e a aluna a descobrirem que dentro das dificuldades há
um momento de prazer, de alegria” (2003, p. 52).

Essa afirmação de Paulo Freire nos faz entender que o


papel do professor (a) é de auxiliadores no processo de ensino-
aprendizagem. Dessa maneira é necessário praticar o diálogo
onde educador e educando – por meio da concretização de
suas finalidades alcançam o acesso do saber historicamente
construído pelo exercício cultural da humanidade.
72 Educação Popular

ACESSE

O valor de ser educador [Link]

O órgão gestor da educação no Brasil, Ministério da


Educação (MEC), entende que há profissionais de educação,
classificados – maneira mais conhecida, em: educador (a);
professor(a); docente; mediador(a); instrutor(a); tutor(a) e
monitor (a).

ACESSE

Profissionais da educação. [Link]

Seguimos descrevendo os tipos de profissionais da


educação. Vamos iniciar com o conceito de educador (a),
importante ao nosso estudo.

DEFINIÇÃO

Educador - que ou o que se ocupa de educação: um bom


educador; pedagogo; professor [Link]
Educação Popular 73

Perceba que a definição do dicionário é semelhante a


classificação do profissional de educação do MEC!
Seguimos com mais um conceito de educador (a).

DEFINIÇÃO

é o sujeito responsável por coordenar, na relação com o outro, os


processos de. Isso significa que o educador é um profissional que
investe no processo de desenvolvimento do, sempre ciente do que
ele, efetivamente, necessita aprender. ([Link]

Acontece de confundirem o (a) educador (a) popular


com educador (a) social, mas as duas denominações não são
sinônimas. O (a) educador (a) popular realiza a mediação no
processo de ensino-aprendizagem para os cidadãos voltado
à busca e conscientização dos seus direitos no sentido amplo
(direitos humanos, direitos civis, direitos constitucionais de
educação, saúde, assistência social, alimentação, segurança,
habitação e outros). Já o (a) educador (a) social faz a mediação
no processo de ensino-aprendizagem para os cidadãos voltado à
busca e conscientização dos seus direitos de assistência social.
Percebeu que a assistência social está incluída no trabalho do (a)
educador(a) popular!

ACESSE

Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS) - Dispõe sobre a


organização da Assistência Social e dá outras providências.
74 Educação Popular

ACESSE (CONTINUAÇÃO)

Lei n 9.384, de 20 de dezembro de 1996 - Estabelece as diretrizes


e bases da educação nacional. [Link]

Ou fator a ser esclarecido no perfil do educador é a


hierarquia - relação de poder entre professor (a) e aluno (a).
Sendo o (a) educador (a) é um profissional com formação
específica, diferentes dos conhecimentos dos alunos - sem
que essa situação se traduza em maior ou menor valorização
aos saberes dos (as) educadores (as) e, sim, aceitar que são
conhecimentos próprios das experiências, vivências e formação
dos educadores.
Há uma relação de hierarquia no processo de ensino-
aprendizagem da educação popular, mas essa hierarquia deve
ser vista como uma maneira de organizar o trabalho pedagógico
visando sempre a socialização dos saberes e a integração
harmônica e respeitosa das relações entre os educadores e os
estudantes.
Conheça os renomados (a) educadores (as) brasileiros (as)!

Nísia Floresta
Viveu no Brasil entre 1810 e 1885, em um período em
que as mulheres não tinham acesso à educação formação.
Estudou em um convento de carmelitas em Pernambuco, onde
futuramente teve contato com ideais liberais. Foi educadora,
escritora, feminista e abolicionista. Escreveu 15 livros,
publicou artigos sobre direitos das mulheres e fundou no Rio
Educação Popular 75

de Janeiro uma escola para meninas. Inspirada nos ideais


liberais e iluministas, reivindicou que as mulheres tivessem
acesso às mesmas oportunidades que os homens e destacou que
a exclusão das mulheres dos espaços de educação sufocavam
suas potencialidades, tanto na ciência como em cargos públicos.
([Link]

Macaé Evaristo
Mulher e negra, ocupou com resistência e persistência
cenários de política quase sempre dominados por homens
brancos. Ocupou importantes espaços de gestão da educação em
Minas Gerais e em todo o país. Sua trajetória se destaca pelo
engajamento em um projeto de educação e de país que integre
a diversidade brasileira, traduzido na educação integral. Para
ela, a educação só consegue avançar em termos de inclusão e
qualidade quando é capaz de entender e atender sujeitos na sua
integralidade, acolhendo comunidades e territórios ([Link]
ly/2ppfBzo)

Maria Victoria Benevides


Educadora, socióloga, cientista política e militante,
tornou-se referência em educação para os direitos humanos e
democracia. No período em que vigorava o Ato Institucional
nº 5 , estudou em uma universidade pública onde discutiu
abertamente sobre política e democracia. Tornou-se professora
titular da Faculdade de Educação da USP (Universidade de São
Paulo) em 1985, aos 43 anos. A educadora se destaca pela atenção
a temas como cidadania ativa, participação popular, orçamento
participativo, reforma política, violência policial e educação em
direitos ([Link]
76 Educação Popular

Anísio Teixeira.
O educador Anísio Espínola Teixeira introduziu no país o
conceito de escola gratuita e para todos. O educador baiano, que
viveu de 1900 a 1971, entendia a escola como uma instituição
democrática, que oferecesse as mesmas oportunidades a filhos
da classe alta e do proletariado. Defendia os princípios de um
sistema educacional público, gratuito e obrigatório - que, mais
tarde, fariam parte da Constituição. Fundou a Universidade de
Brasília (UnB) e a Comissão de Aperfeiçoamento de Pessoal de
Nível Superior (antigo nome da Capes). A participação de Anísio
foi também fundamental na elaboração e aprovação da Lei de
Diretrizes e Bases de 1961, que definiu os rumos da educação no
Brasil ([Link]

Darcy Ribeiro
Darcy Ribeiro era professor, etnólogo, antropólogo,
ensaísta e romancista, nascido em Montes Claros (MG), em
1922. Formou-se em Ciências Sociais pela Escola de Sociologia
e Política de São Paulo (1946), com especialização em
Antropologia. Ribeiro foi Diretor de Estudos Sociais do Centro
Brasileiro de Pesquisas Educacionais do MEC (1957-61) e
participou, com Anísio Teixeira, da defesa da escola pública e da
criação da Universidade de Brasília, da qual foi o primeiro reitor.
Foi Ministro da Educação e Secretário de Educação do Rio de
Janeiro, quando ficou encarregado de implementar os Centros
Integrados de Educação Pública (Cieps), escolas de tempo
integral com projeto político-pedagógico inovador. Faleceu em
Brasília, em 1997 ([Link]

Seguiremos os estudos com os desafios da educação


popular.
Educação Popular 77

Desafio da Educação Popular


Para se entender a educação como transformação social,
é necessário perceber o ser humano não simples recipiente de
conteúdos, e sim como o indivíduo que tece a sua história de
vida, e como resultado, apto a problematizar suas relações com
o mundo. Sendo que o relacionamento do professor e aluno
para Paulo Freire, inicia-se do reconhecimento das condições
sociais, econômicas e culturais dos alunos, suas famílias e a sua
localidade.
Alguns fatores devem ser observados pelo (a) educador (a)
popular no desempenho dos seus trabalhos. Vamos saber quais
são eles.
Não foram as classes marginalizadas da sociedade que
impuseram a si mesmas a submissão;
Essa classe ficou limitada no acesso a seus direitos,
isto é, tiveram os seus direitos violados a exemplo o direito a
educação;
Os projetos políticos pedagógicos, muitas vezes, não
possibilitam o entendimento da vivência na prática do dia-a-dia
da relação entre gestores (as), educadores (as) e colaboradores
(as) pela coletividade escolar;
É necessário à concepção de um coletivo pela educação
popular.

++
+
EXPLICANDO DIFERENTE

O relacionamento de ensino- aprendizagem entre educando(a)


e educador(a) deve transcender os limites da sala de aula e
integrar todas as áreas que fazem o ambiente escolar viável. No
78 Educação Popular

++
+
EXPLICANDO DIFERENTE

Que diz respeito a educação popular assimilar que ela é focada


na conscientização e no conhecimento dos direitos dos cidadãos,
a fim de exercerem a sua cidadania e assim se viverem como
seres integrais.

O analfabetismo também é um desafio a ser erradicado,


pois no Brasil existe ainda muitos cidadãos analfabetos, essa
situação social é um obstáculo considerável no acesso ao direito
à educação e informação – essenciais ao gozo pleno dos direitos
dos cidadãos, assim como do exercício da plena cidadania!

ACESSE

A Lei nº 12.527/2011 regulamenta o direito constitucional de


acesso às informações públicas.
[Link]

Na ótica do educador (a) popular - o seu grande desafio é


pela formação permanente e continuada, buscar bases teórico-
práticas, ao exercício do ensino-aprendizagem. Estar atualizado
sobre as matérias e assuntos do universo da educação popular,
compreender o contexto e as características do sujeito, da
comunidade e da sociedade – a fim de atingir o grandioso
objetivo da efetivação dos direitos aos cidadãos por meio da
educação popular.
Educação Popular 79

ACESSE

Formação Docente numa Perspectiva da Educação Popular.


[Link]

Programas do MEC voltados à formação de professores.


[Link]

CURIOSIDADE

Você sabia que as informações e os conhecimentos em educação


popular têm de ser registrados e transmitidos? Esse, também é
um dos desafios dessa área da educação?

Na atual sociedade da informação e do conhecimento o


(a) educador (a) popular precisa pensar em meios de registrar
e disseminar as informações e os conhecimentos dessa área
específica do saber – para que a busca das informações seja
rápida e eficaz e os conhecimentos compartilhados.
Passamos a mais um desafio da educação popular.
A implantação e implementação das Políticas Públicas de
Educação Popular nas suas diversas áreas educação indígena,
quilombola, habitação, trabalho, alimentação, saúde, direitos
humanos e outros. Uma vez que a educação popular busca
assegurar e consolidar os direitos dos cidadãos.
80 Educação Popular

SAIBA MAIS

O grande problema do educador não é discutir se a educação


pode ou não pode, mas é discutir onde pode, como pode, com
quem pode; é reconhecer os limites que sua prática impõe. É
perceber que o seu trabalho não é individual, é social e se dá na
prática de que ele faz parte (FREIRE, 2001, p. 98).

Avançamos com o próximo tópico - às metodologias na


educação popular.

Metodologias na educação popular


Iremos estudar neste tópico as metodologias, também
chamadas de técnicas e métodos utilizados na prática da
educação popular.

RESUMINDO

A educação popular é pautada nos princípios da ética, a


solidariedade e a transformação social. O programa Nacional
de Educação Popular – foi um modelo baseado na metodologia
da educação popular, sugerido pelo ministro da educação Paulo
de Tarso, implantado no governo do presidente João Goulart e
coordenado pelo educador Paulo Freire.
Educação Popular 81

ACESSE

Decreto nº 53.465, de 21 de Janeiro de 1964 - Institui o Programa


Nacional de Alfabetização do Ministério da Educação e Cultura
e dá outras providências. [Link]

Educação Popular como Metodologia


A Educação Popular é uma metodologia de educação que
considera os saberes antecedentes das populações, de maneira
geral, em especial daquelas cujo acesso à educação foi negado
em razão da situação de exclusão social, em particular. Apesar
disso, a técnica não se limita à simples escolarização podendo
acontecer em outros ambientes não-escolares como associações
de bairro, fábricas, cooperativas, sindicatos, Conselhos de
Direitos Humanos – a exemplo o Conselho da Criança e do
Adolescente, Conselho dos Direitos da Pessoa com Deficiência,
Conselho Estadual de Trabalho e Emprego e ou mesmo na escola
formal e na universidade. Essa modalidade de educação observa
atentamente o povo em suas realidades culturais, condição
econômica, território e de produção da vida objetivando a
construção de novos saberes. Construção que o método prioriza
como tecido em conjunto.

Educando (a), cidadão: o (a) protagonista


da sua aprendizagem.
Você já ouviu falar no protagonismo na educação? Vamos
saber o que isso significa. O (A) educando (a) como protagonista
de seu aprendizado significa em tese ofertar a ele (a) autonomia,
82 Educação Popular

incentivando-o (a) na busca da informação e a construção


do seu conhecimento, sendo o (a) agente desse processo.

Figura 5: Educando (a) como protagonista do seu aprendizado

Fonte: Pixabay

Mas, o (a) educadora vai deixá-lo (a) sozinho (a) no


processo de ensino-aprendizagem? Isso não quer dizer que
o (a) aluno (a) vai ficar a própria sorte, o (a) professor (a) irá
mediar o processo de ensino-aprendizagem com o devido
acompanhamento dos seus projetos do início ao fim.
Nesse novo modelo, o (a) educador (a) faz com que,
nessa caminhada, os (as) estudantes pesquisem os conteúdos e
descubra o melhor modo de entendê-los.

ACESSE

Debate Virtual: Competências para formar o cidadão do século


XXI. [Link]

Vamos conhecer as metodologias aplicadas na educação


popular.
Educação Popular 83

Metodologia Aplicadas na Educação


Popular
 Metodologia Dialética-dialógica-libertadora
Caracteriza-se a sua metodologia como processo
participativo de construção coletiva e popular. A metodologia
participativa com as diferentes partes envolvidas sustenta que
a maneira de fazer, de certa forma, é o que se quer fazer e o
para que se faz. Pretende despertar o senso crítico e estimular o
diálogo entre as partes para uní-las em um processo de construção
coletiva, numa perspectiva solidária.
Figura 6: Processo participativo de construção coletiva e popular.

Fonte: Pixabay (2019)

Tendo como premissa de quem faz é quem sabe, mas


quem pensa sobre o que realizar faz melhor e quem faz também
realiza o sentido do que faz, dessa forma significa a metodologia
popular, ao concomitantemente:
Percurso em que educadores assumem uma postura
respeitosa e propõe meios de participação e de colaboração.
Percurso do qual o ponto de partida é a afirmação de
que todo ser humano é capaz, que os indivíduos desenvolvem
84 Educação Popular

capacidades diversas. Os seres oprimidos possuem o interesse


em superar a atrofia mental, cultural e física a que foram
submetidas e o processo de a emancipação inicia por pessoas
que estão dispostas a um processo de transformação individual
e social.
Percurso que pretende resgatar a autoestima das pessoas,
união de esforços, de organização para a busca e a conquista
de seus direitos e para se empoderar como responsável do seu
destino coletivo.
De modo prático, percurso, afirmação e propósito – são
espaços distintos, cada um é um processo (sistema) com início,
meio e fim, pois precisam um do outro e tem uma relação de
interdependência.

SAIBA MAIS

Quantas vezes você já ouviu falar na necessidade de valorizar a


capacidade de pensar dos alunos? De prepará-los para questionar
a realidade? De unir teoria e prática? De problematizar? Se
você se preocupa com essas questões, já esbarrou, mesmo sem
saber, em algumas das concepções de John Dewey (1859-1952),
filósofo norte-americano que influenciou educadores de várias
partes do mundo.

No Brasil inspirou o movimento da Escola Nova, liderado


por Anísio Teixeira, ao colocar a atividade prática e a democracia
como importantes ingredientes da educação (Disponível em: .
Acesso em: 07 mai 2019).
Educação Popular 85

ACESSE

Educação popular. [Link]

Metodologia de Paulo Freire


Paulo Freire – Patrono da Educação Brasileira elaborou uma
metodologia de alfabetização fundamentada nas experiências
vividas pelas pessoas. Ele exercitava as ditas “palavras geradoras”
a partir da realidade (ambiente) do cidadão, em vez de efetivar
a alfabetização utilizando as cartilhas e ensinar, por exemplo,
“ a menina brinca” e o “garoto joga bola”. Esclarecendo um
indígena poderia aprender as palavras “caboclo”, “tatu” “oca”
e outras, um trabalhador do campo aprenderia “plantação”,
“adubo”, “tomate” e etc , um trabalhador (a) da indústria iria
aprender “ matéria-prima”, “produção”, “máquina”, outras –
com base na decodificação fonética dessas palavras, construía-se
novos termos, aumentava-se o vocabulário e se compreendia e
ampliava a visão de mundo.

Figura 7: Alfabetização fundamentada nas experiências vividas pela pessoas

Fonte: Pixabay (2019)


86 Educação Popular

Vejamos as etapas do método de alfabetização de Paulo


Freire!
1. Investigação – o (a) educando (a) e o (a) educador
(a) procuram as palavras e temáticas centrais, no ambiente
vocabular do (a) estudante e do meio onde ele (a) vive.
2. Tematização – professor (a) e aluno (a) codificam
e decodificam essas temáticas, objetivando o seu significado
social, conscientizando-se do mundo onde vivem.
3. Problematização – estudante e professor procuram
a superação de uma primeira visão encantada por uma visão
crítica do mundo, iniciando a transformação do ambiente vivido.
A perspectiva freiriana explicitava que não há conhecimento
pronto e acabado – está continuamente em construção, isto é a
educação de uma pessoa é um processo construtivo ao longo da
vida. Qual a diferença do método freiriano dos outros métodos?
O diferencial está na abordagem política, crítica e libertadora.
Deixando de lado as questões os pontos de vistas políticas
e partidárias, o método desenvolvido por Paulo Freire é bastante
interessante e de acessível aplicação. A metodologia utiliza muitos
conceitos andragógicos, defendidos por diversos educadores que
mantinham contato com Freire, a exemplo, Pierre Furter, colega
na Universidade de Genebra, nos anos 70, vindo após ao Brasil
para estudar e conhecer a metodologia freiriana.

RESUMINDO

A experiência de alfabetização ocorrida em Angicos (RN), em


1963, liderada por Paulo Freire e sua equipe foi reconhecida
nacional e internacionalmente. O método dessa vivência
Educação Popular 87

RESUMINDO (CONTINUAÇÃO)

aconteceu pelo período de 40 horas, onde se conseguiu


alfabetizar 300 trabalhadores(as) rurais.

ACESSE

O PENSAR EDUCAÇÃO EM PAULO FREIRE: Para uma


Pedagogia de mudanças [Link]

Método Analítico (MA) é um método intuitivo de


alfabetização, voltado para as crianças, com significativas
contribuições da pedagogia norte-americana, que surgiu entre o
final do século XIX e início do século XX.
O MA analisa o todo (palavra), iniciando com palavras
frases ou contos, fazendo que as crianças compreendam o
sentido de um texto. estimulando a leitura e deixando o aluno a
vontade. Deve-se considerar as habilidades dos alunos, priorizar
as habilidades de ouvir, falar e escrever.
Compreende três etapas: Palavração; Sentenciação e
Contos e Historietas.
1. Palavração – apresenta-se a palavra acompanhada da
imagem ao aluno, sendo os detalhes da palavra as sílabas, a
palavra é composta e decomposta.
2. Sentenciação - visualização e memorização das
palavras na formação de novas palavras.
88 Educação Popular

3. Contos e historietas - é um método de sentenciação,


como ideia fundamental. Dando entendimento a criança que a
leitura é a descoberta do que está escrito, decompondo pequenas
histórias em partes menores.

ACESSE

Percurso Histórico e Métodos de Alfabetização. [Link]

Método da experiência criadora uma contribuição


interessante do MA foi o desenvolvimento pela educadora Ieda
Dias da Silva - que se fundamentou na perspectiva da abordagem
analítica em alfabetização na Rede Pública de Ensino, nos anos
60 e 70. Ieda publicou a cartilha O Barquinho Amarelo, a partir
da experimentação de sua obra por outras educadoras, com a
sua observação direta. A autora em entrevista disse sentir-
se responsável pela concretização de um trabalho social, pelo
contato que teve com as crianças de todo o Brasil, quando das
suas viagens como formadora de professores.
Figura 8: Método da experiência criadora

Fonte: [Link]
Educação Popular 89

ACESSE

O fazer pedagógico e as propostas oficiais para a alfabetização em


Mato Grosso do Sul: da pretensão à prática. [Link]
O Barquinho Amarelo. [Link]

Educação Popular em Direitos Humanos (EPDH) -


supõe uma metodologia fundamentada nas relações entre as
pessoas, respeitando e valorizando a diversidade - não como
um aspecto de separação e de isolamento (distanciamento),
e sim como uma premissa de fraternidade, comunhão e de
solidariedade. Essa modalidade acontece na escola, no cotidiano.

ACESSE

EDUCAÇÃO POPULAR E DIREITOS HUMANOS Pautas


Pedagógicas para a Atuação. [Link]

SAIBA MAIS

Educação popular para os direitos humanos na escola […] assume


um posicionamento de que, ao tratar das questões da comunidade,
90 Educação Popular

SAIBA MAIS (CONTINUAÇÃO)

vai além dessas questões, desenvolvendo atividades pedagógicas


que se pautam pelas discussões, pelo diálogo entre profissionais
da escola e a comunidade, promovendo, enfim, atitudes de
esclarecimento de questões mais gerais da sociedade.

Esse caminho é o que parece possibilitar uma educação,


agora popular, em condições de garantir valores como a
pluralidade de idéias e a alteridade, garantindo maiores espaços à
promoção da igualdade de oportunidades, participação e exercício
da autonomia Educação popular para os direitos humanos no
cotidiano […] a sua implementação direciona-se pelo exercício
da crítica, como a capacidade humana de discernir as dimensões
positivas e negativas de cada fenômeno, decidindo-se a partir
desse processo mental. Ora, no cotidiano, as reivindicações
populares vão se constituir como elementos educativos dessa
educação e se concretizar como componentes dos direitos
humanos. São as reivindicações gerais pela qualificação para
o trabalho, educação básica para todos, a participação política
nos grupos sociais e mesmo reivindicações pela educação
política nos movimentos sociais e partidos políticos ([Link]
ly/2pk5vA7_cap_3_artigo_03.pdf)

A Economia Solidária (ES) é uma maneira de


produção, pensamento e relacionamento iniciada da geração
de trabalho e renda que tem como probabilidade metodológica
a Educação Popular. Agrega empreendimentos econômicos
solidários: startups sociais, cooperativas e associações.
Existem outros meios de estruturação relacionadas à ES como:
organizações quilombolas e indígenas, agricultura camponesa,
fábricas recuperadas e outras.
Educação Popular 91

Figura 9: Produção, pensamento e relacionamento iniciados


da geração de trabalho e renda

Fonte: Pixabay (2019)

SAIBA MAIS

Estratégias de educação popular – voltada para a economia


solidária. [Link]

Metodologia de Intervivência Universitária também


é possível ousar, criar e inovar nas metodologias de educação
popular. Prestem atenção, nessa interessante iniciativa!
Aconteceu em 2012, a iniciativa pioneira de interveniência
universitária e educação popular, no município de Mato Grande,
territórios potiguares, no Rio Grande do Norte. O seu marco
foi o desenvolvimento de uma ação de extensão, com foco na
promoção do protagonismo de jovens, aplicando a metodologia
de interveniência universitária, a fim de pesquisar sobre o
perfil sociodemográfico e das variáveis comportamentais dos
jovens participantes na ação. Realizou-se atividades como de
disseminação do conhecimento e domínio de tecnologia, voltada
para a inclusão social, por meio de intercâmbios, alternâncias
e diálogos de experiências do dia-a-dia, de educandos (as)
92 Educação Popular

do sistema público de Educação Básica, e o universo do


conhecimento técnico-científico dispostos nas Instituições de
Ensino Superior (IES).

ACESSE

Grupo de Pesquisa Incubadora OASIS. [Link]

SAIBA MAIS

O referido projeto, ao contemplar a aplicação de recursos de


Educação Popular no desenvolvimento de competências e
habilidades empreendedoras de estudantes da Educação Básica,
do sistema público de ensino, vinculados à agricultura familiar,
caracteriza-se como esforço de desenho e consolidação de
tecnologia social na perspectiva do empreendedorismo social.

O projeto foi desenvolvido pela Incubadora Organização


de Aprendizagens e Saberes em Iniciativas Solidárias – OASIS
vinculada ao Programa de Pós - graduação em Administração
– PPGA/UFRN e, mais especificamente, à linha de pesquisa
Políticas Públicas e Governança que, em sentido amplo, centra-
se em estudos de “políticas de emprego, educação, saúde,
assistência social, previdência, transporte, moradia, saneamento
básico, tributárias, entre outras - em âmbito nacional, regional,
estadual e municipal” e de “novas formas tecnológicas e
gerenciais no setor público, particularmente os processos de
Educação Popular 93

terceirização, privatização, agências reguladoras, organizações


sociais, agências executivas, parcerias e consórcios” ([Link]
ly/31iV90k)
Método Educação da Vida desenvolvida por Masaharu
Taniguchi fundador da Organização Social Seicho-no-ie, de
cunho filosófico, trata da educação, focada na “reeducação do
adulto” e no “sorriso, elogio e palavras de incentivo”. Tem como
objetivo, acreditando na essência boa da criança, fazê-la crescer
através do amor com sabedoria. Esta metodologia é conhecida
como A prática do Diário de Elogios, aplicada pela elaboração
de uma lista das qualidades manifestadas do (a) educando (a)
no momento com a finalidade de se enxergar uma concepção
positiva de si mesmo e do outro (educação do ser integral) e dessa
maneira fazer surgir as demais qualidades que estão no universo
da potencialidade temporariamente. Esta tese fundamenta-se na
ideia de que apenas “ o que for reconhecido pela mente humana
que passa a se manifestar objetivamente”. Como resultado
desta prática temos o direcionamento da atenção da mente para
a perspectiva positiva e iluminada dos (as) educandos (as) e a
abstração do foco mental dos aspectos que necessitam ainda
serem melhorados; a elevação da autoestima, da autoconfiança
e a revelação das potencialidades já existentes – que estavam
ocultas, e tornam-se evidentes para os (as) educadores (as),
familiares e sociedade.

SAIBA MAIS

A professora Liliana Catais Martins de Souza, membro atuante da


Associação Regional dos Educadores da Seicho-No-Ie da cidade
de São José do Rio Preto (SP), foi convidada pela Secretaria da
94 Educação Popular

SAIBA MAIS (CONTINUAÇÃO)

Educação de Rondônia para uma apresentação realizada no mês de


agosto de 2015, demonstrando a eficácia da prática conhecida como
Diário de Elogios. Na ocasião, foram convidados os professores,
profissionais da área e autoridades locais, dando ênfase na
participação dos educadores da zona rural ([Link]

ACESSE

O Despertar da Capacidade Infinita na Educação Fundamental.


[Link]
[Link]
Educação da Vida da Seicho - [Link]

Conceituando Comunidade
Na unidade 1, tópico 3 do nosso e-book você estudou as
terminologias e conceitos da educação popular. Vamos relembrar
dois deles, que são complementares ao conceito de comunidade.
Atenção!
Educação Popular 95

DEFINIÇÃO

Comunitário é comum a vários indivíduos, relativo a sociedade.


Sociedade conjunto de indivíduos politicamente organizados que
partilhando de objetivos comuns dão sentido à vida e justificam
a concepção do homem como um ser de relações, capaz de fazer
história própria […].

O que é uma Comunidade


Nessa linha de pensamento podemos inferir que
comunidade é um grupo de pessoas que possuem e buscam
objetivos em comum, estão interligadas, interagem e inter-
relacionam-se entre si, no ambiente em que se encontram. Esses
compartilhamentos de experiências e vivências em comum
acontecem no território, local e/ou global, aonde residem,
convivem, trabalham, estudam, por meio presencial e/ou virtual.

SAIBA MAIS

Projeto Popular para o Brasil. [Link]


Projeto Comunidade e Escola. [Link]
96 Educação Popular

Conceitualmente vamos conhecer o que vem a ser


comunidade.

DEFINIÇÃO

Comunidade qualquer conjunto de indivíduos ligados por


interesses comuns (culturais, econômicos, políticos, religiosos
etc.) que se associam com frequência ou vivem em conjunto.
Grupo de pessoas com características comuns, inseridas numa
sociedade maior que não compartilha de suas características
básicas; sociedade (Dicionário Michaelles online, 2019).

ACESSE

O que é comunidade? [Link]

CURIOSIDADE

Sabia que um bloco de carnaval ou uma escola de samba é uma


das representações de uma comunidade? Sim, esses grupos
sociais expressam a cultura de uma região.
Educação Popular 97

ACESSE

Bloco Galo da Madrugada, em Recife. [Link]

Figura 10: Comunidade

Fonte: Pixabay (2019)

DEFINIÇÃO

Comunidade escolar constitui o grupo formado por educadores,


educandos, pais e/ou responsáveis dos educandos (as)
colaboradores da escola, onde a vivência e participação na
escola é estimulada, com a finalidade do ótimo desempenho do
processo de educação (Suzi Cristina Rodrigues, 2019).
98 Educação Popular

ACESSE

A participação da comunidade escolar [Link]

DEFINIÇÃO

Segundo Rheingold (1993) a comunidade virtual é uma


agregação cultural formada pelo encontro sistemático de um
grupo de pessoas no ciberespaço.

ACESSE

Comunidades Virtuais – um novo espaço de aprendizagem.


[Link]

DEFINIÇÃO

Comunidade Global composta por grupos de cidadãos de


diversas localidades do mundo, com culturas diversas, em torno
de objetivos comuns.
Educação Popular 99

ACESSE

Comunidade global para a educação. [Link]

As comunidades na contemporaneidade operam no formato


redes de cooperação, isto é, um modo de organização para
compartilhar o saber (conhecimento). No nosso caso disseminar
as informações e conhecimentos na área da educação popular.
Estudamos a Rede de Educação Cidadã (RECID) tópico 4 da
unidade 1 do nosso e-book. Lembra?
Conheceremos outros exemplos de redes de cooperação
aplicadas na educação popular.

Nova forma de Organização das


Comunidades em Rede
Rede do Instituto Paulo Freire formada por instâncias
nacionais e mundiais, as quais tratam de assuntos sobre a
educação. As instâncias que compõe a rede são Fórum Mundial
de Educação, Fórum Social Mundial, Associação Brasileira de
Organizações não Governamentais, Campanha Nacional pelo
Direito à Educação, Rede Planetária foi lançada durante a Rio+20,
Carta da Terra, Fórum Estadual da Diversidade Etnicorracial e
Fórum Nacional dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes.
100 Educação Popular

SAIBA MAIS

O Fórum Mundial de Educação é um movimento pela cidadania


planetária e pelo direito universal à educação. Constitui-se em
um espaço de constante diálogo entre todas e todos os que, no
mundo globalizado, levam adiante projetos de educação popular
e de enfrentamento ao neoliberalismo, seja em esferas públicas,
governamentais ou não, coletivas ou de pesquisa ([Link]
ly/35BsF5B).

ACESSE

Fórum Mundial de Educação [Link]

SAIBA MAIS

A Campanha Nacional pelo Direito à Educação constitui-se em


uma rede que articula mais de 200 grupos e entidades distribuídas
por todo o país, incluindo movimentos sociais, sindicatos,
organizações não-governamentais nacionais e internacionais,
fundações, grupos universitários, estudantis, juvenis e
comunitários, além de centenas de cidadãos que acreditam na
construção de um país justo e sustentável por meio da oferta de
uma educação pública de qualidade ([Link]
Educação Popular 101

ACESSE

Campanha Nacional pelo Direito à Educação [Link]

SAIBA MAIS

A Rede Planetária foi lançada durante a Rio+20, no contexto da


2ª Jornada Internacional do Tratado de Educação Ambiental. É
constituída por redes, fóruns, organizações, movimentos sociais
e coletivos, afinados com os princípios e valores explicitados no
Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis com
Responsabilidade Global ([Link]

ACESSE

Rede Planetária [Link]


102 Educação Popular

SAIBA MAIS

O Fórum Estadual da Diversidade Etnicorracial (FEDER) é


composto por diversas instituições da sociedade civil e do poder
público. A partir do diálogo constante dos participantes, busca a
efetiva implementação das Leis 10.639/03 e 11.645/08 (http://
[Link]/35BsF5B).

ACESSE

Fórum Estadual da Diversidade Etnicorracial [Link]

Rede Nacional de Mobilização Social (COEP) criada


com a finalidade de combater a fome, erradicar a miséria,
reuniram-se 33 (trinta e três) dirigentes - entre eles o sociólogo
Herbert José de Sousa (Betinho) de empresas, federais e
estaduais, fundações e autarquias, para formalizar a criação da
RNBS em agosto de 1993.
A COEP é organizada por três redes a Rede de Organizações, a
Rede Comunidades e a Rede de Pessoas ou Rede Mobilizadores.
A Rede de Organizações conta com organizações de âmbito
nacional (universidades, empresas, órgãos governamentais,
entidades de classe e organizações não governamentais, entre
outros), atuando de forma articulada ([Link]
A Rede Comunidades envolve hoje diretamente cerca de 90
comunidades em todos os estados brasileiros. É no trabalho com
Educação Popular 103

as comunidades que a proposta de atuação do COEP se torna


mais efetiva, não somente pela transformação que possibilita na
vida das pessoas de baixa renda, mas também pelo trabalho em
parceria e cooperação resultado da articulação em rede. A Rede
COEP viabiliza o encontro de comunidades e organizações,
ampliando o impacto da ação individual, criando sinergia e
facilitando processos de capacitação e troca de experiência
([Link]
A Rede de Pessoas ou Rede Mobilizadores possui mais de 44
mil pessoas cadastradas, espalhadas por 1,8 mil municípios
brasileiros nas 27 unidades da federação. Criada em 2003, a
Rede Mobilizadores reúne pessoas com experiências e saberes
diversos, movidas por ideais de justiça e equidade social, tendo
sua página na Internet como espaço de encontro para que tenham
acesso à capacitação e a informações qualificadas. Promove a
troca de experiências para aprimorar práticas, replicar iniciativas
bem sucedidas e mobilizar as pessoas para que atuem de forma
organizada em prol dos eixos de atuação do COEP ([Link]
ly/2MiRQ5d).
O Laboratório Herbert de Souza - Tecnologia e Cidadania – Laboratório
Betinho, criado em parceria com a Coppe/UFRJ tem como objetivo
aprimorar estratégias metodológicas articulando desenvolvimento
tecnológico e inovação social, a partir da experiência acumulada
pelo COEP ao longo de sua trajetória voltada ao desenvolvimento de
comunidades vulneráveis ([Link]

ACESSE

Criação da Rede Nacional de Mobilização Social. [Link]


104 Educação Popular

Rede de Filantropia criada em 2002, com o objetivo de


compartilhar conhecimentos técnicos sobre a gestão do terceiro
setor.

++
+
EXPLICANDO DIFERENTE

O terceiro setor é formado pelas organizações da sociedade civil


organizada – Associações; Fundações; Conselhos; Institutos;
Entidades filantrópicas; Movimentos Sociais e Organizações
Não Governamentais (ONGs); Organizações da Sociedade
Civil de Interesse Público (OCIPs) estas organizações efetuam
trabalho nas área de educação, saúde, meio ambiente, habitação,
cultura, assistência social e outras, para auxiliar o estado.

ACESSE

Rede de Filantropia [Link]

Chegamos ao final da unidade 2, espero que tenham gostado do


assunto e assimilado o aprendizado. Bons estudos!
Educação Popular 105

03
UNIDADE

VISÃO PRÁTICA DA EDUCAÇÃO POPULAR


106 Educação Popular

INTRODUÇÃO
Nesta unidade abordaremos a visão prática da educação
popular. O nosso estudo começará com a introdução dos conceitos
sobre os projetos multidisciplinares envolvendo as concepções da
educação popular; como também as definições de planejamento,
plano, equipe, multidisciplinaridade, projeto multidisciplinar e
indicadores; compreenderemos as etapas, objetivos dos projetos
multidisciplinares; o que vem a ser a Interdisciplinaridade,
transdisciplinariedade e pluridisciplinariedade. Logo a seguir
apresentaremos algumas fontes de recursos financeiros públicos
e privados para os projetos multidisciplinares na educação
popular e seus exemplos. Conversaremos na sequência sobre
a ampliação a percepção dos educadores acerca de: liberdade,
justiça, igualdade e felicidade. Explicaremos após a avaliação de
projetos multidisciplinares nos segmentos da educação popular
- conceito de avaliação e princípios. Por fim, reconheceremos
o estudo de caso na educação popular como estratégia de
pesquisa, compreendendo a definição e classificação do método
de pesquisa de estudo de caso.
Educação Popular 107

OBJETIVOS
Olá. Bem-vindo a nossa Unidade 3. O nosso objetivo é
auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências
profissionais até o término desta etapa de estudos:

1 Conhecer o conceito de projetos populares


multidisciplinares;

2 Entender os princípios da liberdade, justiça,


igualdade e felicidade no trabalho do (a) educador
(a) popular;

3 Explicar a avaliação de projetos multidisciplinares


nos segmentos da educação popular e;

4 Reconhecer o método de pesquisa do estudo de


caso na educação popular.

Vamos aprimorar nossos conhecimentos juntos?


108 Educação Popular

Projetos multidisciplinares envolvendo


as concepções da Educação Popular
Caro (a) aluno (a), iremos estudar neste tópico sobre a
prática pedagógica por meio do desenvolvimento de projetos
multidisciplinares na educação popular. Mergulhem nesse
estudo interessante!

Conceitos essenciais dos projetos


multidisciplinares
Iniciaremos o nosso estudo conceituando planejamento
educacional, projetos, plano, equipe, multidisciplinariedade,
indicadores educacionais, os quais são fatores fundamentais
para o entendimento do conceito de projetos multidisciplinares
na educação popular.
O primeiro conceito a ser entendido é o planejamento
educacional. Atenção!

DEFINIÇÃO

Segundo Coaracy ( 1972 apud SANT’ANNA et al., 1988,


p.14) o planejamento educacional consiste em um processo
contínuo que se preocupa com o para onde ir e quais as maneiras
adequadas para chegar lá, tendo em vista a situação presente
e possibilidades futuras, para o desenvolvimento da educação
atenda tanto as necessidades do desenvolvimento da sociedade,
quanto as do indivíduo.
Educação Popular 109

A Pedagogia Libertadora e o Planejamento Educacional


relacionam-se. Vamos conhecer o pensamento de Danilo Gandin
a respeito dessa relação:

SAIBA MAIS

No planejamento, é fundamental a ideia de transformação da


realidade. Isto quer dizer que uma instituição (um grupo) se
transforma a si mesma tendo em vista influir na transformação
da realidade global. Quer dizer, também, que fez sentido falar em
planejamento acima e além da administração - como uma tarefa
política, no sentido de participar na organização na mudança das
estruturas sociais existentes. Quer dizer, finalmente, que planejar
não é preencher quadrinhos para dar status de organização séria a
um setor qualquer da atividade humana (GANDIN, 2000, p. 55).

Seguimos com o próximo conceito projeto:

DEFINIÇÃO

Projeto é um design, um esboço de algo que desejo atingir. Está


sempre comprometido com ações, mas é algo aberto e flexível ao
novo. A todo o momento você pode rever a descrição inicialmente
prevista para poder levar a avante sua execução e reformulá-la de
acordo com as necessidades e interesses dos sujeitos envolvidos, bem
como da realidade enfrentada (PRADO; ALMEIDA, 2009, p.61).
110 Educação Popular

Prestem atenção a mais uma definição de projeto:

DEFINIÇÃO

Projeto é uma ação desencadeada dentro de um período de tempo


determinado, geralmente para criar algo que não existia antes.
Rotina é um conjunto de ações que se repetem continuamente, cuja
duração é indefinida dentro da instituição (GANDIN, 2000, p. 28).

ACESSE

Projeto de Intervenção voltado à Educação em Direitos


Humanos e Educação Para a Paz, com ênfase na questão de
gênero e violência, em colégios da rede pública de ensino de
ponta grossa. [Link]

Seguimos com o conceito de plano.

DEFINIÇÃO

Plano compreende o documento que descreve e formaliza o


planejamento e o projeto de uma ou mais temáticas da educação
popular (RODRIGUES, 2019).
Educação Popular 111

Vamos em frente compreendendo o conceito de equipe.


Equipe consiste em um time formado por multiprofissionais
com a finalidade de planejar, executar, monitorar e avaliar projeto (s)
em determinada área da educação popular (RODRIGUES, 2019).
Agora vamos compreender o conceito de multidiscipli-
naridade:
A multidisciplinaridade se caracteriza por uma ação
simultânea envolvendo diferentes disciplinas em torno de um
tema comum. Nesse caso, os conhecimentos disciplinares estão
no mesmo nível hierárquico e se apresentam de forma estanques,
não existe nenhuma relação e cooperação entre elas (PRADO;
ALMEIDA, 2009, p.59).

ACESSE

Para que você tenha mais informações, acesse Projeto Educarte.


[Link]

Espero que goste, pois o intuito é esse, alimentar sua


bagagem de conhecimentos.
Analisando os conceitos de projetos e multidisciplinaridade
e, relembrando o que estudamos nas unidades 1 e 2 – em especial
o conceito e as área da educação popular elaboro o meu conceito
de projeto multidisciplinar na educação popular:
112 Educação Popular

Delineia ideias, estruturadas por projetos, a respeito das


temáticas da educação popular (Direitos Humanos, idosos, crianças,
adolescentes, mulheres, pessoas com deficiência, população
indígena, quilombola e do campo, população LGBT - lésbicas,
gays, bissexuais, travestis, transexuais ou transgêneros, trabalho
e renda, saúde, educação, assistência social e outras) aplicando
a cultura da diversidade, junto a equipes multiprofissionais
(profissionais de diferentes formações), com a troca de saberes,
experiências e vivências (RODRIGUES, 2019).

ACESSE

Vamos a mais informação preciosa, acesse:


Projeto de iniciação científica em Direitos de Cidadania no
Brasil - Direitos Fundamentais Constitucionais e Humanos:
[Link]
Projeto Popular para o Brasil: [Link]

Os indicadores são fontes de informações quantitativas


(numérica) com significado qualitativo com a finalidade de
fundamentar os planejamentos, os projetos, os programas e as
políticas públicas. Prosseguimos com o conceito de indicadores
educacionais do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas
Educacionais Anísio Teixeira (INEP) – faz parte da estrutura do
Ministério da Educação (MEC). Vamos lá!
Educação Popular 113

RESUMINDO

Eles atribuem valor estatístico à qualidade do ensino, atendo-


se não somente ao desempenho dos alunos, mas também ao
contexto econômico e social em que as escolas estão inseridas.
Eles são úteis principalmente para o monitoramento dos
sistemas educacionais, considerando o acesso, a permanência e
a aprendizagem de todos os alunos. Dessa forma, contribuem
para a criação de políticas públicas voltadas para a melhoria da
qualidade da educação e dos serviços oferecidos à sociedade
pela escola ([Link]

ACESSE

Conheça as estatísticas sobre a educação escolar indígena no


Brasil: [Link]
Conheça breve perfil da educação escolar quilombola (EEQ) no
Brasil. : [Link]
Conheça o panorama da educação do campo no Brasil.:[Link]
ly/2Ne9mHa
114 Educação Popular

Etapas, Objetivos dos Projetos


Multidisciplinares
Organiza-se os projetos em etapas para proporcionar o
seu planejamento, execução e monitoramento, isto é, a fim de
facilitar o processo de gestão de projetos.
Conforme Gadin (2003) as partes de um projeto são
essencialmente:
a. Objetivo, com os “o quê” e “para quê” (tomados do
plano) muitas vezes aparecendo sob os títulos de objetivo e de
finalidade;
b. Justificativa (breve), se parecer necessário;
c. Localização, dizendo onde serão desdobradas as
atividades do projeto;
d. Cronograma, dizendo quando acontecerá cada atividade;
e. Metodologia, descrição circunstanciada das atividades,
incluindo todas as orientações necessárias para que o projeto
aconteça no espírito que o gerou;
f. Recursos humanos, indicação de pessoas com a
respectiva habilitação que serão necessárias para a execução do
projeto;
g. Recursos físicos e financeiros, dizendo o que será gasto
e de onde sairão os recursos;
h. Critérios de eficiência, em que se descreva o resultado
que seria aceitável como consequência da execução do projeto.
Educação Popular 115

OBSERVAÇÃO
+

Podem ser adicionadas mais etapas e/ou essas serem adaptadas,


conforme a necessidade e o interesse da equipe de projetos. Os
projetos multidisciplinares tomam forma de um documento
organizado de acordo com as partes do projeto.
Os projetos multidisciplinares possuem como objetivo
proporcionar a interdisciplinaridade, viabilizando a identificação
de pontos em comum existentes entre os conteúdos ministrados
levando – os assim a serem utilizados e entendidos no dia a dia.

VOCÊ SABIA?

Interdisciplinaridade. Representa um nível mais elevado de


interação entre as disciplinas, um nível hierárquico superior onde
procede a coordenação das ações disciplinares. Há, portanto,
uma organização e articulação voluntária coordenada das ações
disciplinares orientadas por um interesse comum. Isso significa
que na interdisciplinaridade há cooperação e diálogo entre os
conhecimentos disciplinares (PRADO; ALMEIDA, 2009, p.59).
116 Educação Popular

Figura 1: Interdisciplinaridade dos projetos multidisciplinares na educação popular

Fonte: Pixabay

Confira a iniciativa do Núcleo de Interdisciplinar de


Pesquisa e Extensão em Economia Solidária e Educação Popular
(NUPLAR) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

ACESSE

Quero que você acesse estes links, é de suma importância para o


seu aprendizado. [Link]
Na obra Planejamento: Como Prática Educativa do professor
Danilo Gandin aborda as metodologias do planejamento e planos
na educação. [Link]
Educação Popular 117

Concebendo que os conteúdos ministrados tenham uma


aplicabilidade na vida cotidiana do discente, ou seja, que não
sejam apenas disciplinas isoladas, sem sentido ou decoradas
simplesmente para fazer um teste. Estas ligações podem
simplificar o processo de ensino – aprendizagem, uma vez que
ajudam a construir o conhecimento de forma mais agradável e
participativa. A multidisciplinaridade tem como base o princípio
de que nenhuma fonte de conhecimento é por si completa,
ou seja, interagindo com outras fontes farão surgir novas
compreensões da realidade. Isto nos remete a mais um conceito.
Prestem atenção!

DEFINIÇÃO

A transdisciplinaridade não significa apenas que as disciplinas


colaboram entre si, mas significa também que existe um
pensamento organizador que ultrapassa as próprias disciplinas
e a interdisciplinaridade ( (PRADO; ALMEIDA, 2009, p.60).

Trabalhar com projetos pode representar uma excelente


estratégia para propiciar a criação do conhecimento coletivo,
pois permite que o estudante possa romper com sua inércia e
passe a interagir de várias formas diferentes durante toda a etapa
de execução do projeto.
O ensino por meio de projetos, além de consolidar a
aprendizagem, contribui para a formação de hábitos e atitudes
e para aquisição de princípios que podem ser utilizados em
118 Educação Popular

situações alheias a vida escola. Trabalhar em grupo faz com


que o aluno tenha flexibilidade no pensamento, auxiliará no
desenvolvimento da autoconfiança para que este possa entrar
numa outra atividade proporcionando também a aceitação do
próximo, facilitando a divisão de trabalho e a responsabilidade
na comunicação entre os colegas.

Figura 2: O trabalho em grupo como estratégia nos projetos multidisciplinares

Fonte: Pixabay

O conhecimento construído através dos Projetos


Multidisciplinares deve possibilitar a análise crítica de valores
sociais, desenvolver o respeito mútuo – uma vez que requer uma
maior interação entre os alunos – e fortalecer a aquisição de
hábitos saudáveis, pois faz com que o aluno se reconheça como
elemento integrante do processo e permite maior conscientização
sobre os diversos aspectos relacionados às situações cognitivas,
afetivas e sociais ao permitir o uso de estratégias individuais e
grupais nas práticas e resoluções de problemas.
Educação Popular 119

Figura 3: O conhecimento construído por meio dos projetos multidisciplinares

Fonte: Pixabay

ACESSE

Realize a leitura sobre as Relações Pedagógicas na Educação


Infantil: um enfoque na afetividade. Assim, poderão
entender às às situações cognitivas, afetivas e sociais.
[Link]

O que vem a ser a interação entre os alunos nos projetos


multidisciplinares? A seguir verifique:
Na pluridisciplinaridade existe algum tipo de interação
entre os conhecimentos disciplinares, embora, eles estejam no
mesmo nível hierárquico. Há uma relação entre os domínios
disciplinares indicando a existência de alguma cooperação entre
eles (PRADO; ALMEIDA, 2009, p.59).
120 Educação Popular

ACESSE

Leia o artigo (O planejamento participativo no contexto da


Comunicação Popular e Comunitária publicado pela Sociedade
Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação -
Intercom).
[Link]

Para o desenvolvimento de um projeto multidisciplinar


voltado para a educação popular temos que ter em mente alguns
aspectos entre eles estão:
Respeitar a materialidade das origens;
Construir e consolidar uma matriz pedagógica articulada
com trabalho e cultura;
Realizar uma educação laica e politicamente
responsável, no tocante às questões de gênero, etnia e classe,
com vistas às emancipações humanas;
Reconhecer e readaptar a dinâmica e os espaços de
ensino e aprendizagem.
Educação Popular 121

OBSERVAÇÃO
+

Resumindo é respeitar: o conhecimento; as vivências; o meio


sócio cultural; as histórias e as práticas e as suas realidades.

Fontes de recursos financeiros públicos


para os projetos multidisciplinares na
educação popular
Para viabilizar os projetos multidisciplinares na educação
popular necessitamos de recursos financeiros. Nas esferas
da administração pública (federal, estadual, municipal)
temos disponíveis Fundos Públicos e Fundos Sociais para o
financiamento das Políticas Sociais no Brasil.

ACESSE

Fundo Público e o financiamento das Políticas Sociais no Brasil.


[Link]
122 Educação Popular

VOCÊ SABIA?

Lei nº 13.019, de 31 de julho de 2014. Estabelece o regime


jurídico das parcerias entre a administração pública e as
organizações da sociedade civil, em regime de mútua cooperação,
para a consecução de finalidades de interesse público e
recíproco, mediante a execução de atividades ou de projetos
previamente estabelecidos em planos de trabalho inseridos em
termos de colaboração, em termos de fomento ou em acordos
de cooperação; define diretrizes para a política de fomento, de
colaboração e de cooperação com organizações da sociedade
civil; e altera as Leis nºs 8.429, de 2 de junho de 1992, e 9.790,
de 23 de março de 1999.

Figura 4: O trabalho em grupo como estratégia nos projetos multidisciplinares

Fonte: Pixabay
Educação Popular 123

VOCÊ SABIA?

Fundo Social - Criado pela Lei 12.351, de 2010, o fundo é formado


por recursos recebidos pelo governo a partir da exploração
do petróleo da camada pré-sal. Atualmente, os recursos são
destinados exclusivamente à educação pública, com prioridade
para a educação básica, e à saúde ([Link]

Mas, como conseguir recursos para os projetos?


Então, na área social temos o Fundo Nacional de Assistência
Social (FNAS); Fundo Nacional do Idoso (FNI); Fundo de
Apoio à Pessoa com Deficiência (FAPD); Fundo Nacional para
a Criança e ao Adolescente (FNCA). Também nessas esferas
públicas está disponível o Fundo Nacional de Saúde (FNS),
o qual pode ser utilizado para o financiamento de projetos na
área de saúde e o Fundo Nacional de Desenvolvimento da
Educação (FNDE) destinado a projetos e programas e políticas
educacionais do Ministérios da Educação (MEC).

ACESSE

Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.


[Link]
124 Educação Popular

A Política Nacional de Assistência Social (PNAS) é


mantida pelo Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS):
O FNAS, instituído pela Lei nº. 8.742, de 7 de dezembro
de 1993, tem por objetivo proporcionar recursos e meios para
financiar o benefício de prestação continuada e apoiar os
serviços, programas e projetos de assistência social.
Cabe ao Ministério da Cidadania, como órgão responsável
pela coordenação da Política Nacional de Assistência Social,
gerir o Fundo Nacional de Assistência Social, sob orientação e
controle do CNAS - Conselho Nacional de Assistência Social
([Link]
assistencia-social/fnas-fundo-nacional-assistencia-social/fnas-
institucional).
Você pode acompanhar a execução do FNAS no Portal
Transparência do Governo Federal: [Link]

VOCÊ SABIA?

Meu caro(a), você sabia que o Banco Nacional de


Desenvolvimento Social (BNDS) dispõe de um Fundo Social
voltado a projetos em áreas sociais? Confira!

Fundo Social do Banco Nacional de Desenvolvimento


Social. Constituído com uma parcela dos lucros anuais do
BNDES, o Fundo Social apoia investimentos de caráter social, nas
áreas de inclusão produtiva, serviços urbanos, saúde, educação,
desportos, justiça, meio ambiente e outras vinculadas ao
desenvolvimento regional e social. Nos últimos anos, o BNDES
Fundo Social tem direcionado grande parte dos investimentos
Educação Popular 125

em projetos de inclusão produtiva, tendo como público-alvo


agricultores familiares e seus empreendimentos, observados
os termos da Lei nº 11.326 de 2006, com ênfase em mulheres,
jovens, produtores que adotem sistemas agroecológicos e povos
e comunidades tradicionais ([Link]
E com relação o Apoio aos Projetos Sociais? A
Fundação Banco do Brasil apoia projetos sociais voltados ao
desenvolvimento sustentável, à inclusão sócioprodutiva e à
reaplicação de tecnologia social. São realizados investimentos não
reembolsáveis em parceria com instituições sem fins lucrativos
com mais de dois anos de existência por meio da celebração de
convênios ou contratos. O processo se inicia com a apresentação
de proposta em função de editais de chamadas públicas ou ações
específicas da Fundação BB em parceria com as agências do
Banco do Brasil. As ações específicas da Fundação BB em
parceria com as agências do Banco do Brasil, especialmente
as chamadas para Projetos de Inclusão Socioprodutiva (PIS) e
Voluntariado BB FBB, devem ser acessadas junto às agências
BB locais ([Link]

ACESSE

Os editais públicos podem ser acessados na página. [Link]


126 Educação Popular

Fontes de recursos financeiros privados


para os projetos multidisciplinares na
educação popular
Já na esfera privada os fundos, para a promoção dos
projetos, são implantados por ações da Sociedade Civil
Organizada, na maioria das vezes, através das Organizações
Sociais (OS) e em parceria com empresas adeptas a Projetos e
Programas de Responsabilidade Social, bem como por doações
de pessoas (mantenedores/pessoa física) e organizações (pessoa
jurídica).
A maior parte dos financiamentos de projetos sociais,
inclusive os da educação popular, são subsidiados pelos fundos
mantidos por OS.
Figura 5: Responsabilidade social

Fonte: Pixabay
Educação Popular 127

OBSERVAÇÃO
+

Responsabilidade Social acontece quando as organizações, de


forma voluntária, adotam posturas, comportamentos e ações
que promovam o bem-estar social dos seus funcionários e da
comunidade aonde está localizada.

Com o intuito de auxiliar a captação de recursos para as


OS nasceu a Associação Brasileira de Captadores de Recursos
(ABCR)
Figura 6: Captação de recursos

Fonte: Pixabay
128 Educação Popular

SAIBA MAIS

A ABCR – Associação Brasileira de Captadores de Recursos é


uma organização sem fins lucrativos composta por captadores
e mobilizadores de recursos e que tem como principal objetivo
estabelecer uma ampla rede nacional, fortalecendo os laços entre
os profissionais que atuam na área e propiciando condições para o
intercâmbio técnico, a troca de experiências e o desenvolvimento
comum da profissão. Criada em 1999, a ABCR tem como missão
promover, desenvolver e qualificar a atividade de captação de
recursos, vista hoje como um dos grandes desafios do Terceiro
Setor. Entre suas principais metas, destacam-se a de trabalhar para
assegurar a credibilidade e representatividade da profissão e a de
apoiar, indiretamente, organizações sociais na importante tarefa
de construir uma sociedade mais justa ([Link]

ACESSE

Iniciativas da ABCR. [Link]

Avançamos apresentando alguns fundos geridos por OS.


Internacionalmente o Fundo de Democracia das Nações
Unidas (UNDEF) disponibiliza recursos financeiros para o
aporte de projetos de promoção à democracia e aos Direitos
Humanos.
Educação Popular 129

IMPORTANTE

Fundo de Democracia das Nações Unidas (UNDEF) convida


organizações da sociedade civil brasileira a solicitar financiamento
para projetos de promoção e apoio à democracia […] Os projetos
têm duração de dois anos e recaem sob uma ou mais das oito áreas
do edital: igualdade de gênero; ativismo comunitário; Estado de
Direito e direitos humanos; ferramentas para o conhecimento;
empoderamento da juventude; mídia e liberdade de informação;
e fortalecimento da interação da sociedade civil com o governo; e
processos eleitorais ([Link]

ACESSE

Fundo de Democracia das Nações Unidas (UNDEF). [Link]


ly/347m4ON
130 Educação Popular

Outro fundo de cunho mundial é o Fundo das Nações


Unidas para a Infância (UNICEF), com a missão de assegurar
que cada criança e cada adolescente tenha seus direitos humanos
integralmente cumpridos, respeitados e protegidos.
Criado em 1946 para ajudar a reconstruir os países mais
afetados pela Segunda Guerra Mundial, o UNICEF passou a
atuar em outras nações quatro anos depois. Hoje, está presente
em 191 países. [...] Portanto, o UNICEF cumpre seu papel com
responsabilidade, garantindo a transparência de suas ações e
desenvolvendo seu programa baseado em pesquisas e dados
atualizados, que permitem conhecer a realidade das crianças e
dos adolescentes no País. O UNICEF tem ainda como prioridade
promover a participação cidadã de adolescentes em suas
famílias, comunidades e nos espaços e políticas que lhes dizem
respeito, bem como ajudar no enfrentamento da discriminação
racial e étnica. O UNICEF mobiliza recursos e experiências de
diferentes atores sociais para ajudar a garantir os direitos das
crianças e adolescentes. A organização realiza, por exemplo,
parcerias estratégicas com o setor corporativo, contribuindo
para colocar a causa da infância e da adolescência no “DNA”
das empresas. ([Link]
Visando a promoção dos Direitos Humanos no Brasil
foi instituído o Fundo Brasil de Direitos Humanos voltado às
Organizações da Sociedade Civil (OS) e a Justiça Social. Sendo
o seu público-alvo e protagonistas: mulheres, pequenos(as)
agricultores(as), comunidades tradicionais, povos indígenas,
quilombolas, população carcerária, vítimas de violência e grupos
impactados por empreendimentos urbanos e grandes obras de
infraestrutura.
A Missão do Fundo Brasil é promover o respeito
aos direitos humanos no Brasil, construindo mecanismos
inovadores e sustentáveis que canalizem recursos para fortalecer
organizações da sociedade civil e para desenvolver a filantropia
de justiça social ([Link]
Educação Popular 131

ACESSE

Vídeo Institucional do Fundo Brasil de Direitos Humanos.


[Link]
Instituidores. [Link]

No eixo da Justiça Social foi criado o Fundo de Impacto


para Justiça Social por meio de uma iniciativa do Instituto
Comunitário Grande Florianópolis (ICOM) e outras entidades.
O Fundo de Impacto para Justiça Social, um fundo
coletivo criado em 2018 em parceria com o Impact Hub Floripa
e a Semente Negócios, é uma rede de pessoas e empresas que
se mobilizam para garantir os direitos humanos e reduzir as
iniquidades sociais ([Link]

Iniciativas de projetos multidisciplinares


na educação popular
Seguimos com alguns exemplos de iniciativas de projetos
multidisciplinares na educação popular pelas Organizações
Sociais (OS). Fiquem atentos!
132 Educação Popular

RESUMINDO

Conhecemos na unidade 2 o conceito e a classificação das


Organizações Sociais (OS) – na forma de Institutos, Associações,
Fundações, Organizações não Governamentais, Organizações
da Sociedade Civil de Interesse Público. Lembraram que as OS
realizam trabalhos e ações nas áreas de atuação do Estado como
Direitos Humanos, saúde, educação, assistência social, meio
ambiente, tecnologia, inovação, habitação, trabalho e renda e
outras. Essas OS auxiliam na implantação e implementação de
projetos, programas, planos e políticas públicas nessas áreas.
Também estudamos, nas unidades 1 e 2, os Direitos Humanos -
direitos universais aos seres humanos e ao exercício da cidadania.
As Organizações das Nações Unidas (ONU) - órgão internacional
composta por países reunidos voluntariamente para atuarem
pela Paz Mundial e desenvolvimento mundial. A ONU efetua
campanhas (projetos) em temáticas e causas em Direitos
Humanos.

ACESSE

Para saber mais acesse: [Link]


Educação Popular 133

SAIBA MAIS

Já imaginou viver em um mundo livre de estigma e discriminação,


onde todos possam usufruir dos mesmos direitos e oportunidades?
Por isso, o UNAIDS e seus 11 copatrocinadores da família
da ONU trabalham o ano todo para promover a iniciativa
#ZeroDiscriminação. O objetivo é combater qualquer tipo de
estigma e discriminação tendo como resposta a promoção da
tolerância, da compaixão e paz. O processo de transformação
rumo a sociedades e comunidades livres de preconceitos pode
ser conquistado pelo respeito à diversidade e pela defesa dos
direitos humanos ([Link]

Em maio de 2013, o Ministério da Justiça e o Escritório


de Ligação e Parceria do UNODC no Brasil lançaram a versão
brasileira da Campanha Coração Azul contra o tráfico de
pessoas. Com o slogan “Liberdade não se compra. Dignidade
não se vende. Denuncie o tráfico de pessoas”, a campanha busca
mobilizar a sociedade brasileira contra esse crime. Implementada
pelo UNODC em outros 10 países, ela tem como símbolo o
Coração Azul, que representa a tristeza das vítimas deste tipo
de crime e lembra a insensibilidade daqueles que compram e
vendem seres humanos. O uso da cor azul também demonstra o
compromisso da ONU com o combate ao tráfico de pessoas. A
cantora Ivete Sangalo é a Embaixadora Nacional da Boa Vontade
para Prevenção e Combate ao Tráfico de Pessoas da Campanha
Coração Azul ([Link]
134 Educação Popular

ACESSE

Para saber mais acesse: [Link]

IMPORTANTE

Pessoal vejamos as iniciativas na área da Educação da Organização


das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura no
mundo e no Brasil (UNESCO), também realiza projetos e ações
nas áreas de Ciências Naturais, Ciências Humanas e Sociais,
Cultura, Comunicação e Informação. Instituída com o objetivo
de garantir a paz por meio da cooperação intelectual entre as
nações, acompanhando o desenvolvimento mundial e auxiliando
os Estados-Membros – hoje são 193 (cento e noventa e três)
Países – na busca de soluções para os problemas que desafiam
nossas sociedades.

EDUCAÇÃO. No setor de Educação, a principal diretriz


da UNESCO é auxiliar os países membros a atingir as metas de
Educação para Todos, promovendo o acesso e a qualidade da
educação em todos os níveis e modalidades, incluindo a educação
de jovens e adultos. Para isso, a Organização desenvolve ações
direcionadas ao fortalecimento das capacidades nacionais, além
de prover acompanhamento técnico e apoio à implementação
de políticas nacionais de educação, tendo sempre como
foco a relevância da educação como valor estratégico para o
desenvolvimento social e econômico dos países. ([Link]
ly/2NezEsB)
Educação Popular 135

Presente em todos os continentes do mundo a Seicho-no-ie


do Brasil – uma Organização Social fundada no Japão, com forte
atuação no Brasil por meio do seu departamento de Educadores
desenvolve diversos projetos promovendo a “Educação da Vida”
- Projetos na Escola – pesquisas, palestras, reuniões de estudos,
seminários e oficinas nas escolas das redes pública e privada;
Projeto Maracajaú Sustentável – alternativas para a comunidade
enfrentar os seus problemas: desemprego, violência, fome,
drogas e outros e o Projeto Movimento de Alfabetização de
Jovens e Adultos (MOVA).
Educando a vida com autonomia. Fevereiro de 2013
começou bem no CEIMAR – Centro de Educação Integrada
de Maracajaú. Foi iniciado o projeto “Educando a vida com
autonomia”, com a participação de trinta educadores. O objetivo
foi possibilitar a melhoria da qualidade do ensino, conciliando
a necessidade de se dar mais atenção aos educandos que
permanecem em tempo integral na escola, com observações
sobre como acontece a construção da própria imagem pelo
educando e o reconhecimento da autonomia por esses educandos.
Desenvolvido pela equipe do CEIMAR, o projeto tem duração
prevista para dois anos. “Ou enquanto necessitarmos —
educadores e educandos — de aprofundamento para executar
um roteiro com autonomia”, explica a coordenadora pedagógica,
Sandra Cristina. O tema do projeto, “Liberdade e autoridade
(autonomia)”, surgiu de pesquisa de campo na própria escola e
de estudos de Howard Gardner, Paulo Freire, Lauro de Oliveira
Lima, Maria Montessori e Elvira de Souza, em especial. Ele é
direcionado para o Fundamental I e II (do 4º ao 9º ano).
Segundo a coordenadora Sandra Cristina da Silva, a equipe
estudou as inteligências de Howard Gardner, o livro Liberdade e
Autoridade, de Paulo Freire, e temas correlatos baseados nos autores
Lauro de Oliveira Lima e Maria Montessori, principalmente.
136 Educação Popular

Estes estudos foram muito úteis para trabalhar a questão da


autonomia. Posteriormente, um estágio da equipe no Projeto
ncora favoreceu o andamento com os roteiros de estudo e
tutorias em sala de aula. “Estamos desenvolvendo um projeto
semelhante desde 2011, com todas as salas de aula, fazendo
mudanças de professores com a intenção de melhorar os alunos
com déficit de leitura e escrita”, lembra a coordenadora. “O
projeto de autonomia, contudo, prossegue demonstrando para os
alunos que eles têm capacidade infinita e várias inteligências para
serem trabalhadas e valorizadas”, conclui ([Link]

ACESSE

Exposição do Projeto MOVA. [Link]

SAIBA MAIS

Outra iniciativa relevante e interessante nos projetos


interdisciplinares na educação popular chama-se Social Good
Brasil que une tecnologias e competências humanas para o bem
comum.
O SGB existe para potencializar as competências humanas e as
tecnologias exponenciais para que mais pessoas e organizações
ajam para resolver problemas da sociedade, contribuindo para
os Objetivos de Desenvolvimento Social (ODS). Utilizamos as
tecnologias e a ciência de dados para inspirar, conectar e colocar
Educação Popular 137

SAIBA MAIS (CONTINUAÇÃO)

as pessoas para inovar e agir com esse propósito. Fazemos isso


por meio de eventos e capacitações para protagonistas sociais,
empreendedores e organizações impulsionarem o impacto social
de suas ações, negócios e projetos para uma escala exponencial
[Link]

ACESSE

Para auxiliar e seus estudos, acesse este endereço, [Link]

O Instituto Latino-Americano de Empreendedorismo,


Inovação e Desenvolvimento Sustentável (Instituto Êxito)
tem a finalidade de construir e disseminar a cultura e o
conhecimento no empreendedorismo, sendo o seu público-
alvo estudantes de instituições públicas de ensino e
jovens em situação de vulnerabilidade social – onde a
ação de empreender servirá como alternativa de fonte
de renda a esse público e suas famílias em especial.
138 Educação Popular

Também o Instituto aceita ideias de negócios sobre as temáticas


da educação popular dos cidadãos interessados em empreender. Á
proposta do seu método de trabalho é interdisciplinar, integrado,
construtivo e participativo, dentro de um enfoque qualitativo e
quantitativo em formato de rede.
Este Instituto oferece programas de desenvolvimento
pessoal e profissional para um público que deseja empreender.
O objetivo primacial do Êxito é despertar o empreendedor que
existe dentro de cada jovem, com atenção, sobretudo, para os
jovens carentes e estudantes de instituições de ensino públicas,
de nível médio (escolas públicas) e universitário ([Link]
ly/2Wb3SRA).
A Fundação Itaú estabeleceu programas na área da
educação em duas frentes de atuação.

SAIBA MAIS

Desde 1993, desenvolvemos diversos programas comprometidos


com a melhoria da educação pública brasileira.
[Link]

As famílias necessitam satisfazer a sua necessidade de


moradia, ter um lar onde possam estar seguras e conviver com os
familiares traz conforte a todos os integrantes da família e auxilia
na organização familiar para o trabalho, estudos, convivência
na comunidade e sociedade, etc. Para compreendermos essa
situação apresento o trabalho das Organizações Sociais Habitat
para a Humanidade e Teto Brasil protagonistas em projetos na
área de habitação.
Educação Popular 139

Habitat Brasil. Missão: incentivar as pessoas a


construírem juntas casas, comunidades e esperança, procurando
assim transformar o amor de Deus em ação.
Visão: Um mundo onde toda pessoa tenha um lugar digno
para viver.
Princípios: Demonstrar o amor de Jesus Cristo. Foco
na moradia. Advogar por moradias adequadas. Promover a
dignidade e a esperança. Apoiar o desenvolvimento sustentável
e transformador.

ACESSE

Habitat para a Humanidade - Um Lar.t [Link]

TETO é uma organização que atua em 19 países da América


Latina, que busca superar a pobreza em que vivem milhões de
pessoas nas comunidades precárias, por meio do engajamento
comunitário e da mobilização de jovens voluntários e voluntárias
[Link]
140 Educação Popular

IMPORTANTE

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) operacionaliza


o Projeto OAB Cidadã com a função de aproximar os (as)
Advogados (as) da população com o objetivo de orientá-la
quanto aos seus direitos garantidos pela Constituição Federal.

A OAB Cidadã traz para perto da comunidade Advogados


plenamente capacitados a informar, orientar, auxiliar e esclarecer
dúvidas sobre os mais variados temas que afetam diretamente a vida
das pessoas. Garante também através de parceria, uma série de serviços
que fortalecem o exercício pleno de cidadania [Link]
O Instituto Paulo Freire (IPF) é mantenedor da Casa da
Cidadania Planetária (CCP) cujo propósito é o desenvolvimento
de projetos, programas e a colaboração aos fóruns de discussão
e mobilização social no âmbito local, regional, nacional e
internacional. Visando essencialmente a cooperação no exercício
da cidadania planetária, ativa e crítica, nos diversos ambientes
educacionais, na contexto da cultura de sustentabilidade.

++
+
EXPLICANDO DIFERENTE

Meu caro(a), o conceito de cidadania planetária tem a ver com a


consciência, cada vez mais necessária de que, assim como nós,
este planeta, como organismo vivo, tem uma história. Nossa
história faz parte dele. Não estamos no mundo; viemos do
mundo. A Terra somos nós e tudo o que nela vive em harmonia
dinâmica, compartilhando o mesmo espaço e o mesmo destino.
Educação Popular 141

Educar para a cidadania planetária implica uma


reorientação de nossa visão de mundo da educação como espaço
de inserção do indivíduo não numa comunidade local, mas numa
comunidade que é local e global ao mesmo tempo.
O Programa Município que Educa (MqE) é uma iniciativa
do Instituto Paulo Freire (IPF) que busca contribuir para o
desenvolvimento das municipalidades por meio da gestão
municipal compartilhada, colaborativa, com ênfase na dimensão
educativa de todas as ações locais. [Link]
O Programa de Educação para a Cidadania Planetária
(PECP) reconhece a Terra como um organismo vivo do qual os
seres humanos são parte, portanto reconhece que a sobrevivência
do Planeta depende um processo educacional permanente
voltado à formação de uma comunidade global com consciência
de pertencimento e interdependência, capaz de reconhecer o que
é melhor em termos individuais (pessoais) e coletivos (públicos)
e de zelar pela sustentabilidade do ambiente em que vive (http://
[Link]/32LAnrS).
O Programa de Mobilização Social é responsável
pela integração das diversas ações do Instituto Paulo Freire
(IPF) no tocante à participação e articulação nos fóruns
de discussão e movimentos sociais locais, regionais e
planetários. Para tanto, busca contribuir para o fortalecimento
dos movimentos de mobilização social que o IPF faz parte,
com ênfase na área de educação para a cidadania planetária,
ampliando o diálogo entre a pedagogia freiriana e as temáticas
de cada um desses espaços democráticos de discussão.
142 Educação Popular

Agora, vamos saber sobre atuação do Instituto Ser


Educacional, o qual faz parte da estrutura do Grupo Ser
Educacional.
Instituto Ser Educacional. Instituto sem fins lucrativos.
Desenvolve projetos sociais de demanda espontânea e induzida
nas mais variadas áreas de atuação das instituições. Promove,
apoia e estimula ações de Responsabilidade Social voltadas à
comunidade e aos stakeholders do Grupo Ser Educacional.

ACESSE

Para saber mais acesse os links:


[Link]
[Link]

O Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do


Adolescente - CONANDA institui as Escolas de Conselhos
visando a efetivação dos direitos desses cidadãos. Conheça!
As Escolas de Conselhos apresentam-se com relevantes
estratégias para consolidação de núcleos de referência para
formação continuada de conselheiros dos direitos e conselheiros
tutelares e proporcionam a tais atores as condições necessárias
para superarem, progressivamente a carência de preparo para
o exercício de suas funções de forma a assegurar uma atuação
qualificada dos atores na promoção e defesa dos direitos de
crianças e adolescentes ([Link]
Educação Popular 143

ACESSE

Para você aprender mais, acesse - Escola de Conselho de


Pernambuco (PE). [Link]

VOCÊ SABIA?

Você sabia que para promover os direitos das mulheres o


Centro Feminista de Estudos e Assessoria (CFEMEA) criou a
Universidade Livre Feminista:
É um projeto feminista, construído de forma coletiva e
colaborativa, cujo objetivo é congregar, catalisar e fomentar ações
educativas, culturais, artísticas; de produção de conhecimento e
compartilhamento de saberes acadêmicos, populares e ancestrais,
numa perspectiva contracultural feminista, antirracista e
anticapitalista. Através da Universidade Livre pretendemos
promover a reflexão e a troca de ideias, vivências e experiências
entre mulheres de diferentes identidades e campos de atuação
(político, artístico, cultural, acadêmico, comunitário), assim
como com outros grupos e indivíduos ([Link]
144 Educação Popular

Apoiando os direitos dos idosos a Fundação Britânica,


desde 1947, uma iniciativa da British Society (Sociedade
Britânica) e o Consulado-Geral Britânico de São Paulo trabalha
com os projetos Cuidar e Multiplicar em benefício da população
idosa do Brasil:
Ciente de que o envelhecimento é um processo inerente à
vida e de que se trata de uma realidade que envolve mudanças
biológicas, psicológicas, econômicas, sociais e culturais, a
Fundação Britânica de Beneficência atua na promoção da
dignidade e do bem-estar da parcela da população com 60 anos de
idade ou mais que, por algum motivo, teve sua autonomia e seus
vínculos de proteção e de cuidado comprometidos pelo tempo.
O trabalho da Fundação, que se divide em alguns Programas
cuidadosamente desenvolvidos por nossa equipe, tem gerado
alto impacto e feito a diferença na vida de inúmeros idosos que
precisaram, precisam e ainda precisarão de assistência ao longo
de suas vidas ([Link]

ACESSE

Cartilha Direito das Pessoas Idosas do Ministério da Mulher, da


Família e dos Direitos Humanos. [Link]

Cartilha para orientar sobre Direitos da Pessoa Idosa


e prevenir violência do Tribunal de Justiça do Estado do Rio
Grande do Sul. [Link]
Educação Popular 145

Agora conheceremos o trabalho da Organização Social


Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes
(EDUCAFRO) voltada à população afrodescendente.
O objetivo geral da EDUCAFRO é reunir pessoas
voluntárias, solidárias e beneficiárias desta causa, que lutam
pela inclusão de negros, em especial, e pobres em geral,
nas universidades públicas, prioritariamente, ou em uma
universidade particular com bolsa de estudos, com a finalidade de
possibilitar empoderamento e mobilidade social para população
pobre e afro-brasileira. A Educafro tem a missão de promover a
inclusão da população negra (em especial) e pobre (em geral),
nas universidades públicas e particulares com bolsa de estudos,
através do serviço de seus voluntários/as nos núcleos de pré-
vestibular comunitários e setores da sua Sede Nacional, em
forma de mutirão. No conjunto de suas atividades, a Educafro
luta para que o Estado cumpra suas obrigações, através de
políticas públicas e ações afirmativas na educação, voltadas para
negros e pobres, promoção da diversidade étnica no mercado de
trabalho, defesa dos direitos humanos, combate ao racismo e a
todas as formas de discriminação.
[Link]

ACESSE

Para saber mais acesse o link: [Link]


146 Educação Popular

VOCÊ SABIA?

A Companhia de Bebidas das Américas - Ambev seleciona


organizações da sociedade civil para receberem apoio na gestão.
Não há recurso financeiro previsto neste edital, mas uma série de
aulas e mentorias em temas como gestão de pessoas, orçamento,
projetos, desdobramento de metas e também captação de recursos. O
foco são ONGs que trabalham com desenvolvimento, capacitação,
educação e geração de oportunidades para crianças e jovens de
comunidades de vulnerabilidade social. Dentre as selecionadas,
somente a que tiver melhor avaliação final receberá da Ambev um
aporte financeiro ao final do programa [Link]

Ampliando a percepção dos educadores


acerca de: liberdade, justiça, igualdade e
felicidade
Aluno(a), o nosso estudo deste tópico, necessariamente,
precisamos iniciar pelos Princípios Fundamentais e os Objetivos
Fundamentais dispostos na Constituição da República Federativa
do Brasil (CF) de 1988:
PRE MBULO
Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em
Assembleia Nacional Constituinte para instituir um Estado
Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos
sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar,
o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores
supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem
preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida,
Educação Popular 147

na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das


controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO
BRASIL.
TÍTULO I
DOS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS
Art. 3 º Constituem objetivos fundamentais da República
Federativa do Brasil:
I - construir uma sociedade livre, justa e solidária;
II - garantir o desenvolvimento nacional;
III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as
desigualdades sociais e regionais;
IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de
origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de
discriminação.
Observaram que os princípios de Liberdade, Justiça,
Igualdade e Felicidade perpassam pelos Princípios Fundamentais
e os Objetivos Fundamentais da CF/88?
Assim, para refletir sobre esse tema devemos levar em
consideração que o educador (a) é alguém que tem condições
de realizar um movimento de ação pedagógica que defenda que
o trabalho educativo pode e deve ser pautado nos princípios da
liberdade, justiça, igualdade e felicidade. Nesse sentido podemos
afirmar que os professores são privilegiados por poderem
contribuir tão diretamente na construção dessa educação
libertadora que tanto buscamos ao longo dos anos.
148 Educação Popular

Figura 7: O (a) educador(a), a liberdade, justiça, igualdade e felicidade.

Fonte: Pixabay

O (a) educador (a) tem o poder sobre o processo educativo


por ele ter em sua formação docente e, principalmente, em sua
vida, as experiências necessárias para articular conhecimentos
científicos com a realidade. Tem na reflexão de sua própria
história e na identificação de que é sujeito dela, ferramentas
fundamentais para tomar parte deste papel transformador da
educação brasileira.

ACESSE

Leandro Karnal, Liberdade e Felicidade [Link]


Não há Liberdade sem Disciplina. [Link]
Educação Popular 149

Através das várias disciplinas e dos níveis educativos


o (a) educador (a) constrói-se a educação brasileira, pelo fato
desses também terem sido alunos (as), vivenciaram as relações
educativas desta realidade. Deste modo, estas vivências o
possibilitaram perceber sua posição real, além da formação
técnica indispensável para o trabalho docente. Fiquem atentos!
Para falarmos sobre esse tema não podemos esquecer
os princípios da Revolução Francesa que nos mostra como a
liberdade, fraternidade e igualdade são tão importantes para a
formação de uma sociedade livre e pensante capaz de modificar
toda a estrutura educacional com projetos que levem os alunos a
um senso crítico e democrático.

ACESSE

Revolução Francesa (1789 - 1799) [Link]


O Bem do Aluno e a Justiça como Dimensões Éticas da Docência:
Concepções de Professores. [Link]

REFLITA

Paremos para refletir, o educador precisa se lembrar que a


liberdade consagra os pilares de um Estado Democrático de
Direito assim não há justiça sem a liberdade em suas diferentes
formas, Liberdade de expressão, de opinião de ir e vir. A liberdade
em sua forma mais completa é que vai permitir aos cidadãos e
aos educadores exercerem sua função com responsabilidade e
com excelência.
150 Educação Popular

Figura 8: Pilares de um Estado Democrático de Direito

Fonte: Pixabay

No ambiente escolar, o qual é formado por diversas pessoas


como: alunos, professores, supervisores, diretores, cozinheiros,
zeladores, pais, agentes de segurança, entre outros, cada um tem
um papel importante, principalmente, como gente, em permitir
que todos os envolvidos possam exercer a liberdade de ser, esta
que insistimos ser o princípio para a educação.

ACESSE

Fundamentos para uma Educação na Diversidade. [Link]


Educação Popular 151

O conceito de aprendizagem está relacionado ao processo


de aquisição de conhecimentos, habilidades, valores e atitudes,
também enfoca uma mudança de comportamento, que se obtém
por meio das experiências construídas por fatores emocionais,
relacionais, neurológicos e ambientais. Sendo assim, o aprender
seria o resultado dessa interação entre as estruturas mentais e
ambientais.
Assim chegamos ao ponto alto do nosso pensamento.
Sabemos que são muitos os desafios impostos à nossa profissão.
Eles são de natureza política e pedagógica e passam pela
precarização da carreira e das condições de trabalho que,
muitas vezes, não são favoráveis nem ideais. Diante de todos
os obstáculos e dificuldades, questiono: é possível combinar o
ensino e felicidade?
Eu acredito que sim e você? É claro que, muitas vezes,
os profissionais são responsabilizados pelo fracasso da escola
ou vistos como vítimas das condições em que desenvolvem seu
trabalho. E em meio ao mar revolto da iniciação profissional,
ambiguidades e contradições do emprego, ainda é possível
perceber os tons de ânimo, alegria daqueles que iniciam no
magistério atualmente.
152 Educação Popular

Por fim podemos afirmar que ser educador(a) é ensinar e


educar, mas também aprender com seus alunos e constantemente
renovar suas aprendizagens. É passar horas planejando, revendo,
estudando, para preparar apenas alguns minutos de aula. Ser
professor é sentir-se realizado e feliz com as conquistas dos seus
alunos. É sentir orgulho na construção do caráter de todos eles.
É dar tudo todos os dias, pedindo apenas em retorno o sucesso
daqueles que arduamente prepara para o futuro. É indicar
caminhos e deixar que seus alunos optem pelos que mais lhes
convêm.
Por isso que devemos ampliar nossos pensamentos em
temas como a liberdade, igualdade, justiça e a felicidade por são
esses os pilares para se formar um bom profissional da educação
pois é essa consciência que o fará com que o professor busque
conhecer melhor a realidade do aluno, se colocando no lugar
dele, repensando sobre a sua realidade que muitas vezes é tão
diferente do educador. Esse sentimento de igualdade pode fazer
com que os nossos olhos se abram para enxergarmos a melhor
forma de trabalhar o conteúdo que temos que transferir com
mais eficiência e sabedoria.

A avaliação na perspectiva da Educação


Popular
Aspectos gerais da avaliação na educação
popular
Na atualidade um tema que está sendo muito discutido é
a avaliação educacional que consiste em maneiras para auxiliar
o (a) educador (a) no processo de ensino-aprendizagem. Nesse
processo, o desenvolvimento do educando é tido como fator
mais importante.
No passado a avaliação era vista como uma vilã, que
servia em muitos casos apenas para dar nota ao aluno, que
Educação Popular 153

eram utilizadas para definir quem seria aprovado ou reprovado.


Porém, sabemos hoje que a prática avaliativa não tem mais essa
finalidade, hoje visa o benefício do aluno, do professor e todos
os envolvidos no processo de ensino aprendizagem.
O que vem a ser a avaliação na perspectiva da educação
popular?

DEFINIÇÃO

Avaliação é um processo abrangente da existência humana, que


implica uma reflexão crítica sobre a prática, no sentido de captar
avanços, suas resistências, suas dificuldades e possibilitar uma
tomada de decisão sobre o que fazer para superar os obstáculos.
É a forma de acompanhar o desenvolvimento dos educandos e
ajudá-los com suas eventuais dificuldades (VASCONCELLOS,
1995, P.43).

Como a educação popular busca a efetivação dos direitos


dos cidadãos e acontece nas comunidades; nas formas de
organização da sociedade civil - Movimentos Sociais, Conselhos
de Direitos, Conselhos Comunitários, Redes de Mobilização
Social; Organizações Sociais, e outras maneiras estudadas nas
unidades 1 e 2; o seu método de avalição é diferenciada, ou
seja, não utiliza as modalidades de avaliação tradicional das
instituições de ensino tradicionais.
154 Educação Popular

++
+
EXPLICANDO DIFERENTE

Na educação popular a avaliação adota uma natureza formativa,


dessa maneira intenta uma postura dialética - engloba a
avaliação como um dos aspectos do processo de aprendizagem.
O seu propósito principal é levantar as deficiências dos (as)
educandos (as) e cuidar das suas dificuldades até o seu completo
aprendizado.

A avaliação na educação popular compõe-se de aspectos


qualitativos e quantitativos. Os fatores qualitativos – expressados
pela conscientização do gozo dos seus direitos como cidadão,
o exercício da cidadania e a participação e contribuição na
sociedade. Por sua vez, os fatores quantitativos são representados
por números (índices; taxas; percentuais; indicadores – cujo
conceito foi apresentado na unidade 1 deste e-book).

Figura 9: Pilares de um Estado Democrático de Direito

Fonte: Pixabay
Educação Popular 155

No processo de ensino – aprendizagem, o bom


desenvolvimento do aluno é tido como fato prioritário. E para
que isso aconteça o (a) educador (a) precisa ter uma prática
pedagógica reflexiva pois somente assim ele conseguirá
diagnosticar deficiências na aprendizagem. Para que isso de fato
aconteça o (a) educador (a) precisa conhecer e compreender
o estágio que cada um dos seus/suas educandos (as) está para
que ele possa trabalhar fazendo – os avançar no que se refere os
conhecimentos necessários.
Com base em tais conhecimentos podemos pensar em
mudanças de paradigmas para uma nova cultura escolar. O mesmo
acontece com o processo avaliativo em seu desenvolvimento e
aperfeiçoamento ao longo do processo de aprendizagem. Dessa
maneira o (a) educador (a) passa a ter responsabilidade direta
na qualidade desse processo pois o resultado dele comprova o
sucesso dos (as) educandos (as).
Apesar de parecer óbvio, se quisermos avaliar nossos
alunos de forma processual é preciso faze-lo todos os dias,
em todos os momentos em que for possível exemplo: quando
o aluno solicita a nossa ajuda para resolver alguma questão;
durante a correção de exercícios; através das dificuldades em
realizar as tarefas de casa. Para realizarmos uma avaliação de
fato todas as situações precisam ser avaliadas tendo a mesma
importância. O que vai fazer a grande diferença no que se refere
aos instrumentos utilizados no processo avaliativo é o tratamento
dado aos resultados obtidos.
Na educação popular esse processo de avaliar o aluno no
decorrer do dia-a-dia é muito importante pois será através dessa
verificação de aprendizagem que o educador irá tomar decisões
sobre o processo de ensino-aprendizagem e encaminhamentos
dos resultados obtidos durante a verificação. Dessa forma o
156 Educação Popular

professor poderá ajudar o aluno que não aprendeu até que


ele aprenda avaliando seus avanços. O erro passa a ter menos
importância para o acompanhamento do processo pois será
um indicador significativo das condições concretas do aluno
avaliado.
Primeiro ponto para mudarmos a forma de avaliação não
só na educação popular como na educação de forma geral é
entendermos que existe uma diferença entre avaliação e nota,
a avaliação é um processo que precisa de uma reflexão crítica
sobre a prática, podendo desta forma verificar os avanços e
dificuldades e o que se fazer para superar esses obstáculos. A
nota seja na forma de número ou conceitos é uma exigência do
sistema educacional. Assim avaliar é algo bem mais complexo
que apenas atribuir notas sobre um teste ou prova que se faz,
ela deve ser inserida ao processo de aprendizagem do aluno.
Partindo dessa análise podemos afirmar que a avaliação é um
momento reflexivo sobre teoria e prática no processo ensino-
aprendizagem. Ao avaliar o aluno o professor estará constatando
as condições de aprendizagem dos alunos, para depois definir os
meios que ajudaram os alunos a aprenderem melhor.

ACESSE

Avaliação da Aprendizagem Escolar e o Pensamento de Paulo


Freire: algumas aproximações [Link]
Educação Popular 157

Princípios para buscar uma forma para


avaliar melhor
Na avaliação da educação popular o (a) educador (a) devem
estar atentos a todos os acontecimentos diários do processo de
ensino-aprendizagem, realizando atividades inovadoras.
Mas, como o educador (a) posiciona-se diante dessas
situações? Apresentando algumas opções que para Vasconcellos
(1995) são chamadas de princípios:
1. Primeiro princípio: é preciso abrir mão do uso
autoritário da avaliação
Quando a avaliação é considerada como mera verificação
da aprendizagem de nossos alunos, o que importa é utiliza-la
como poder de controle, especialmente daqueles alunos que
são considerados difíceis, ou seja, sem nota não conseguiremos
mantê-los sob controle. Assim não podemos desviar o objetivo
principal da avaliação que é saber o que ele aprende é não o
castiga-lo. Tendo clara essa função da avaliação passaremos a
nos empenhar para que aconteça a transformação real, através
de novas práticas e atitudes. Lembrando a vocês que não
conseguiremos mudar totalmente e muito menos de uma vez,
mas plantaremos a semente da inovação que garantirá que essa
mudança irá ocorrer com o tempo.
Por fim, temos que lembrar que a avaliação não é apenas
do aluno, mas também do currículo, do material didático, das
condições de trabalho, da escola, do professor no geral da
sociedade e na educação popular isso é muito mais importante
porque ela se dá em outra perspectiva e realidade.
2. Segundo princípio: é preciso alterar a metodologia de
trabalho em sala de aula
A avaliação não é o único problema que enfrentamos. Uma
nova prática avaliativa requer, necessariamente, novas práticas
158 Educação Popular

metodológicas. Isso significa que não basta mudar a forma de


avaliar se não mudarmos as formas de organização de nossas
aulas.
Na educação popular o educador precisa colocar esse
princípio em prática de uma forma mais direta pois a essência
dessa educação é explorar o universo do aluno, ou seja, a avaliação
precisa partir do ponto de onde os alunos estão e não de onde
deveriam estar. Assim a avalição não tem que se importar com o
que foi dado, mas sim com o que foi assimilado. Esse princípio
representa uma significativa mudança metodológica. O conteúdo
deve ser mais significativo e a metodologia mais participativa,
para diminuir a necessidade de recorrer a nota como instrumento
de opressão. Se nós como educadores conseguirmos dar aulas mais
criativas e mais interessantes, os nossos alunos se interessarão
mais pelas aulas. VASCONCELLOS diz “Não se pode conceber
uma avaliação reflexiva, crítica, emancipatória, num processo
de ensino passivo, repetitivo, alienante” (VASCONCELLOS,
1995, p. 55).
Podemos concluir desse princípio que uma prática
metodológica mais colaborativa nos ajudará a criar uma sólida
aprendizagem que privilegia a problematização, o debate,
a pesquisa, a experimentação e tantas outras práticas mais
participativas que ajudarão o professor a avaliar o aluno. Essa
avaliação poderá ser através de exercícios, de aulas dadas pelos
alunos, de seminários e etc.. Essas avaliações revelaram ao
professor o percurso que o aluno estará fazendo até chegar na
construção do conhecimento.
[Link] princípio: redimensionar o uso da avaliação
Na educação popular o processo de redimensionar o uso
da avaliação é essencial já que está educação tem uma forma
diferente de ensinar o conteúdo aos alunos, aí eu pergunto
“De que adiantaria modificar a forma de dar aulas se a forma
de avaliar fosse tradicional?”. Essa é uma pergunta que deve
Educação Popular 159

ser feita todos os dias pelos docentes da educação popular e


da educação tradicional para podermos repensar como vamos
modificar a realidade.
Nesse sentido, não há como deixar de criticar a prova como
instrumento meramente verificativo. Apesar de ser muitíssimo
utilizada nas práticas atuais, em se tratando de avaliação
processual, esse instrumento não cumpre um papel significativo.
Aplicar a prova, nos moldes tradicionais, provoca uma ruptura
com o processo de ensino-aprendizagem da educação popular,
porque ela favorece a ênfase à nota, que acaba servindo apenas
para classificar o aluno e não para diagnosticar a realidade
avaliada.
Não é fácil implementar mudanças, mas precisamos mudar
a forma de avaliar nossos alunos. Devemos ser mais criativos
para diversificarmos a forma como avaliamos o conhecimento.
Por exemplo podemos fazer avaliações em dupla ou em grupos,
elaborando questões interdisciplinares ou deixando que os
alunos elaborem questões ou propostas de trabalho.
Por fim, podemos introduzir novas práticas de reflexão sobre
a experiência de avaliação e precisamos discutir com os alunos
o que eles acham do método avaliativo adotado. Se quisermos
avaliar e não apenas verificar conhecimentos mecanicamente
memorizados, temos que avaliar tudo o que acontece em sala de
aula durante todo o processo de aprendizagem, ou seja, sempre
que for preciso devemos avaliar para ajudar o aluno, não apenas
para atribuir-lhe uma nota.
4. Quarto princípio: temos que redimensionar o conteúdo
da avaliação.
Como escolher o que devemos cobrar em uma avaliação?
Será que o que perguntamos em uma prova é realmente o que
o aluno precisa saber? As respostas para essas questões devem
ser encontradas nos objetivos do ensino. Freitas (1995) defende
que a avaliação não pode estar desvinculada dos objetivos. O
que pretendemos com o conteúdo que passamos aos nossos
160 Educação Popular

alunos? Tendo essa resposta, teremos a resposta para as duas


primeiras perguntas. Para uma prática avaliativa transformadora
temos, necessariamente, que deixar de fazer avaliação de cunho
meramente decorativo.
O enunciado de uma questão não pode ser mais importante
do que a própria capacidade de resolução de um problema.
Para mudar, precisamos fugir do uso de questionários que só
enfatizam a memorização, podemos fazer a avaliação observando
as atitudes, os valores, os interesses, os esforços dos alunos, a
participação, o comportamento, o relacionamento, a criatividade,
a iniciativa, etc. A educação popular pede essa avaliação mais
sócio – afetiva para saber como esse aspecto influência positiva
ou negativamente no desenvolvimento cognitivo dos mesmos.
5. Quinto princípio: é extremamente necessário alterar a
nossa postura diante dos resultados
Esse princípio deve ser considerado como um dos mais
importantes para que realmente ocorra uma mudança em nossa
prática meramente verificativa. Se não pararmos de agir com
a intenção de apenas quantificar o que nossos alunos sabem e
depois publicarmos os resultados, de nada vai adiantar tentarmos
implementar qualquer um dos princípios anteriormente
apresentados.
Como educadores precisamos entender que o erro nos
revela que o aluno precisa de ajuda. Através do erro é que vamos
saber como ajudar o discente ou em que ele precisa de nossa
ajuda. Se não pudermos fazer nada pelo os que não aprenderam,
então qual será o nosso papel? Será que somos capazes de
ensinar somente alunos que não tem dificuldade?
Na educação popular a dificuldade de aprendizagem
também se torna um desafio para o professor que precisa se
reinventar a todo momento observando com cuidado cada
indivíduo. Isso faz com que a avaliação seja individual de acordo
com os problemas de cada aluno. Nesse sentido o professo
precisa ter uma atitude urgente para implementar ferramentas
que o auxiliem no diagnóstico da aprendizagem uma delas é a
Educação Popular 161

avaliação sócio – afetiva citada anteriormente, outro exemplo


é o uso do conselho que funciona como uma forma coletiva
de conhecer o aluno e obter maiores informações sobre o
mesmo, além disso o conselho propicia a tomada de decisões
descentralizadas. O educador poderá dividir a reponsabilidade
em aprovar ou reprovar o aluno de acordo com outras visões e
de acordo com a realidade apresentada no dia a dia.
6. Sexto princípio: criar uma nova mentalidade junto aos
alunos, aos professores e à comunidade acadêmica
Dificilmente conseguiremos grandes mudanças se não
trabalharmos na conscientização dos educadores. Essa é a forma
de ampliar o grupo de adesão às novas concepções de avaliação
e consequentemente de educação. Só muda quem adquire
consciência e desejo de mudança.

OBSERVAÇÃO
+

Para finalizar vemos que as sugestões apresentadas podem


não representar nada se não conseguirmos mexer com nossas
concepções e se não mudarmos a situação avaliada. De qualquer
modo, novas práticas avaliativas fazem-se necessárias, mesmo
que sejam pequenas e que aconteçam, inicialmente, apenas no
interior de uma sala de aula. Temos que começar de alguma
forma, mas precisamos agir para mudar as concepções e as
práticas avaliativas, mas isso não quer dizer que deixaremos de
avaliar. Ao contrário, é ser mais exigente e avaliar muito mais.
Além disso, não podemos mais avaliar apenas o aluno, pois todo
o sistema faz parte do processo, inclusive o nosso trabalho como
professores também precisa ser avaliado constantemente para
obtermos o sucesso que almejamos.
162 Educação Popular

ACESSE

Educação popular em saúde: avaliação de uma prática com


usuários diabéticos insulinodependentes sugestões em conjunto
para solucioná-las. [Link]
Avaliação da Educação Indígena no Plano Nacional de Educação
– 2006. [Link]

A partir dos princípios apresentados, temos alguns


instrumentos que podem nos auxiliar ao longo do processo de
avaliação formativa da aprendizagem de nossos alunos. São eles:
Painel Integrado: Essa atividade permite ao aluno, por
meio da pesquisa, ter um conhecimento mais aprofundado sobre
um assunto e uma visão geral sobre temas correlatos. Permite
ao professor acompanhar o desenvolvimento do aluno e sua
capacidade de compreensão por meio do estudo individual, num
primeiro momento, e coletivo no segundo momento.
Prova escrita dissertativa: O objetivo dessa atividade
é verificar o desenvolvimento das habilidades intelectuais
(raciocínio lógico, organização das ideias, clareza de expressão,
originalidade, capacidade de fazer relações entre fatos, ideias e
coisas, capacidade de aplicação de conhecimentos, etc.) A prova
escrita dissertativa corresponde a um conjunto de questões
ou temas, que exigem respostas com as palavras dos próprios
alunos.
Observação como instrumento de investigação: A
observação visa a investigar, informalmente, as características
individuais e grupais dos alunos, tendo em vista identificar
fatores que influenciam a aprendizagem e o estudo das matérias
Educação Popular 163

e, na medida do possível, modificá-los. Através da observação


é possível desenvolver a capacidade de percepção dos
comportamentos manifestos ou não dos alunos.
Diário reflexivo: Esse instrumento tem como objetivo
registrar diariamente o conteúdo estudado, através de conceitos
básicos trabalhados em sala de aula, na percepção do aluno. Ao
final de um conteúdo trabalhado, o aluno é convidado a escrever
sobre o conceito básico da aula dada. O professor recolhe e faz
observações na aula seguinte a partir do que o aluno conseguiu
registrar da aula.
Auto-avaliação: Visa à autocrítica e à co-responsabilidade
em relação ao desenvolvimento intelectual do aluno. A
auto-avaliação colabora para promover a socialização e o
amadurecimento do mesmo.
Portfólio: Seu objetivo é encorajar a reflexão e o
estabelecimento de objetivos. O aluno tem a oportunidade de
relatar suas experiências durante o processo de aprendizagem
e refletir sobre elas. O portfólio é uma coleção de itens que
revela, conforme o tempo passa, os diferentes aspectos do
desenvolvimento do aluno. Através do portfólio o aluno
consegue perceber sua evolução acadêmica.
Conselho de turma: Por fim, ousamos propor que a
avaliação aconteça de forma coletiva. Que haja momentos
para que professores e alunos possam discutir os problemas de
aprendizagem e propor as soluções.

Estudo de caso sobre Educação Popular


Pessoal vamos estudar a estratégia de pesquisa do estudo
de caso. Fiquem ligados!
164 Educação Popular

RESUMINDO

Na unidade 2 do e-book. Conhecimento científico significa a


informação e o saber resultantes da busca constante de saber das
coisas e de estudos (RODRIGUES, 2019).

Este procedimento metodológico está inserido no


conhecimento científico e, é amplamente utilizado no ensino
superior. Prosseguimos com duas definições de estudo de caso.

DEFINIÇÃO

[…] uma estratégia de pesquisa orientada para a compreensão


das dinâmicas que emergem de contextos singulares”
(EISENHARDT, 1989, p. 534).
[…] se concentra no conhecimento experimental do caso –
inserção e vivência pelo pesquisador no contexto pesquisado e
coloca atenção nos seus diversos contextos, como o social e o
político” (STAKE, 2006, p. 444).
Educação Popular 165

ACESSE

Vamos assistir o vídeo do Instituto de Ensino e Pesquisa


(INSPER) sobre O Estudo de Caso como Prática Pedagógica
para compreendermos melhor o seu conceito. Prestem atenção!
[Link]

A metodologia de estudo de caso apresenta características


elencadas por Yin (2005), que podemos sintetizar:
possui significado e é completo, ou seja, um estudo de
relevância com o alcance do resultado final e sem prejuízo do
tempo ou ausência de recursos;
considera as perspectivas alternativas: as evidências a
partir das perspectivas diferentes;
conter evidências satisfatórias, quer dizer as evidências
consistentes contribuem para uma ótima conclusão;
elaboração instigante, isto é, com clareza, atrativa aos
leitores do início ao fim.
Stake (2006) classifica o estudo de caso em três categorias:
Intrínseco: provoca um interesse verdadeiro no referido
caso, levando em conta a sua particularidade e especificidade. A
sua escolha não se deve pelo fato de que ele possa representar
outros casos, nem para o fim de uma generalização ou para a
construção de uma teoria.
166 Educação Popular

Instrumental: serve essencialmente para a generalização


ou para o aprofundamento de um problema particular. Ele
possibilita a geração de insights e ajuda a refinar uma teoria.
Múltiplo ou coletivo: consiste na aglomeração de
diversos estudos de caso de tipo instrumental, que são similares
em natureza e descrição.
Vejamos na prática a aplicação da técnica de estudo de
caso. Fiquem atentos

ACESSE

Para saber mais acesse o link: [Link]

Quando sabemos que essa estratégia de pesquisa está sendo


aplicada? Ao estudar um (a) educador (a) estuda com os seus (as)
alunos (as) certa obra, independente da área do conhecimento e/
ou profissional, está realizando um estudo de caso. Em grande
parte das vezes estuda-se casos reais: em direitos humanos, da
população de rua, prisional e campo, saúde, assistência social,
educação, crianças e adolescentes, mulheres, idosos, povos
indígenas e quilombolas e outros. Porém há situações em que
o estudo de caso é construído por meio da imaginação pelos
alunos (as) e educadores (as). Tanto no estudo de caso reais ou
de situações construídas são pesquisados os recursos humanos e
materiais a serem utilizados e as suas possíveis soluções.
Educação Popular 167

Conforme a complexidade do caso estudado aplica-se as


técnicas relacionadas as metodologias de estudo por pesquisa e/
ou de experimentação. Essas técnicas são usadas afim de analisar
e formular estratégias e táticas.
É imprescindível a definição dos casos que serão estudados,
possibilitando de maneira cíclica aos educandos (as) disporem
de suas aptidões e novas competências.

SAIBA MAIS

Casos típicos: aqueles que podem servir de modelo para


variações dentro de uma determinada linha de ação. Na
hotelaria, por exemplo, escolher uma pousada ou um hotel que
exemplifique a categoria em que está incluído;
Casos extremos: aqueles que representam as pontas da
linha que atravessa o setor profissional – da simplicidade à
complexidade; do recato ao exibicionismo; da modéstia ao luxo.
Pode-se, assim, formar uma visão do espectro de manifestações
coberto por cada área; casos anômalos: aqueles que se desviam
da “normalidade”, ou seja, os que não se comportam dentro das
normas estabelecidas para cada área segundo o senso comum.
Não significa que sejam ruins, talvez apenas inconvenientes.
O que não quer dizer que não possam, em determinadas
circunstâncias, ser convenientes e renovadores. É para isso que
os estudamos. Para saber as razões e maneiras do seu desvio e
o que pode nos ensinar (SANZ 2003, p. 128).
168 Educação Popular

Aluno (a) para enriquecer o seu conhecimento façam a


leitura do artigo Educação popular: metodologia de pesquisa
como processo educativo.

ACESSE

Para saber mais acesse o link: [Link]

Chegamos ao final da unidade 3, espero que tenham


gostado do assunto. Bons estudos!
Educação Popular 169

04
UNIDADE

ANÁLISE DE CENÁRIOS DA EDUCAÇÃO POPULAR


170 Educação Popular

INTRODUÇÃO
Nesta unidade estudaremos a análise de cenários da educação
popular. O nosso estudo inicia com a Reflexão Crítica sobre o
Papel da Educação junto aos Setores Populares; as considerações
sobre a Educação no Brasil; Aspectos da Constituição da
República Federativa do Brasil e Lei de Diretrizes e Bases da
Educação a respeito da Educação e as Redes Inter organizacionais
na Educação Popular (RIEP). Na sequência avançamos com o
tópico Superando os Muros Escolares e Quebrando Barreiras:
uma Busca a partir da Educação Popular; as Redes Públicas
de Cooperação Federativa do campo: movimentos sociais; a
Educação para a Cidadania Global (ECG); a Comunidade de
Aprendizagem (CA); a Rede Internacional de Educação Popular
(RIEP); o Conselho de Educação Popular da América Latina y El
Caribe (CEALL) e a Articulação Feminina do Mercosul. Após,
apresentaremos Abordagem da Educação Popular em Direitos
Humanos: O desenvolvimento integral do ser humano Rede de
Desenvolvimento Humano (RDH) Conversão do saber popular
em conhecimento científico voltado para a transformação social
Inclusão social por meio da educação popular Instituição e
desenvolvimento de Escolas Cidadãs Organização curricular que
privilegie a integração teórico-prática Formação de educadores
(as) com sólido domínio da dimensão concreta da realidade
econômico-político-social Implantação da Política Nacional em
Educação Popular. Dando continuidade para o próximo tópico
conversaremos a respeito dos Desafios da Educação Popular nos
Tempos Atuais. Finalizamos esta unidade com as Tendências
da Educação Popular no Cenário Político-Social Brasileiro;
a Implantação e Implementação de Políticas Públicas para a
Educação Popular; as Redes Públicas de Cooperação Federativa
do Campo: Estado e Políticas Públicas e a Pedagogia por
Projetos.
Educação Popular 171

OBJETIVOS
Olá. Seja muito bem-vindo a nossa Unidade 4 – análise de
cenários da educação popular . Nesta unidade, o nosso objetivo
é auxiliá-lo no desenvolvimento das seguintes competências

1
profissionais:

Reconhecer a importância da educação como


estratégia para a construção do futuro justo e
igualitário aos cidadãos brasileiros;

2 Entender o uso da estrutura de redes nas relações da


educação popular;

3 Apresentar os principais desafios da educação


popular na contemporaneidade;

4 Compreender as tendências possíveis da educação


popular no cenário político-social brasileiro.

Então? Está preparado para uma viagem sem volta rumo ao


conhecimento? Ao trabalho!
172 Educação Popular

Reflexão crítica sobre o papel da Educação


junto aos setores populares
Considerações sobre a Educação no Brasil
Embora a Educação brasileira nos últimos anos tenha
atingido significativos avanços, este campo do saber e da política
depara-se com desafios grandes a serem enfrentados pelo Estado
brasileiro. Ainda, que atingidas quase a totalidade da cobertura
da população do nível fundamental em idade escolar de 7 a 14
anos, a qualidade do ensino e da gestão escolar; continuam a
ser problemas graves as desigualdades referentes às condições
de acesso e permanência das crianças e jovens na escola e nas
universidades.
Desta forma, um dos caminhos para a melhoria da educação
nacional passam pela formulação de estratégias e execução de
ações para a educação a fim de proporcionar um futuro mais
justo e igualitário, em consequência a elevação qualitativa e
quantitativa dos indicadores educacionais. Neste momento
poderíamos destacar o papel fundamental de um profissional
moldado para desenvolver o indivíduo de forma integral, o
Pedagogo, vamos conhecê-lo melhor?
O pedagogo: qual seu papel?
O pedagogo é o agente social que identifica e valoriza
o educador e o educando dentro do processo de ensino
aprendizagem. Sendo assim, usaremos diferentes formas de
entender a própria pedagogia, a partir das quais se projeta o
papel a ser desempenhado pelo profissional de pedagogia.
Educação Popular 173

Pedagogia do Domínio

CURIOSIDADE

Você sabia que a pedagogia se constrói como análise e


operacionalização das condições do domínio dos objetivos
visados (no que se refere a conhecimentos, competências e/ou
habilidades) pela atividade educacional?

Passa pela dimensão da sala de aula para o sistema


multidimensional, integrando outras variáveis: equipe educativa
e pedagógica, recursos humanos e materiais do ambiente
educativo. Essas diferentes variáveis tornam-se as alavancas de
uma gestão, seja ela pedagógica educacional ou empresarial.
As pedagogias do domínio, sistemáticas, são portadoras de
uma redefinição do trabalho pedagógico e de sua atividade: é
a própria organização que se torna ação. Desta forma, podemos
dizer que a pedagogia do domínio se baseia em uma dupla
dimensão: a primeira é a da educabilidade do aluno, a segunda
é a da funcionalidade, dimensão organizacional e pedagógica
que supõe que existe uma solução de ensino que garante esse
domínio. O domínio é a característica compartilhada entre as
capacidades do aluno e as do sistema de oferecer possibilidades
de aprender. O termo “domínio”, associado a “mestre”, evidencia
a deslocação das preocupações em discussão, o domínio é um dos
objetivos projetados da atividade pedagógica, onde já sabemos
que o sujeito do domínio não é mais o professor, e sim o aluno.
174 Educação Popular

Pedagogia Diferenciada
Podemos definir pedagogia diferenciada como um aspecto
mais aprimorado da pedagogia do domínio. É representada
como articulação racional entre as necessidades específicas dos
indivíduos, os contextos de ensino e os objetivos nacionais de
escolaridade obrigatória que devem possibilitar a definição dos
conteúdos e dos processos pedagógicos adaptados. A pedagogia
diferenciada não é uma pedagogia no sentido de uma solução
global assim como ocorre na pedagogia do domínio, mas, uma
solução adaptada de diferentes maneiras, ela é uma ferramenta
de concepção da organização da atividade pedagógica entre
seus públicos, os métodos e as aprendizagens. A pedagogia
diferenciada relativiza, portanto, o lugar do método e o debate
sobre os métodos, as pedagogias são concebidas como caminhos
possíveis de serem dirigidos, ultrapassando a metodologia
diversificada para se desenvolver no âmbito dos dispositivos
pedagógicos e educativos, em suma a pedagogia diferenciada é
uma pedagogia de meios. Estes são os princípios da diferenciação
pedagógica que pode ser definida como pedagogia diferenciada
e da discriminação positiva, o empreendimento pedagógico
participa da sociedade e de seus modos de circulação dos
saberes, a pedagogia se inscreve tanto no desenvolvimento
individual como no da comunidade, eis a importância do papel
do pedagogo.
Educação Popular 175

RESUMINDO

É o sistema que ensina, afirma a pedagogia do domínio; é o


sistema que é aprendiz, destaca a pedagogia diferenciada e da
autonomia. As duas funções, aprender e ensinar, pertencem ao
mesmo sistema pedagógico e se planejam uma pela outra. No
sistema o professor não é apenas a pedagogia do mestre, mas, o
lugar de uma prática, de uma experiência. A situação pedagógica
tem um universo próprio, uma lógica própria: a colocação em
prática dos saberes e o dispertar da autonomia.

Voltando aos indicadores educacionais, essa decisão


é condição essencial à promoção do desenvolvimento e à
diminuição das desigualdades sociais no Brasil. Nos últimos
20 (vinte) anos o País vem trabalhando neste sentido e obtendo
alguns bons resultados.
Avançamos com a organização do Sistema Educacional
Brasileiro, definido pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação
(LDB - Lei 9.394 de 20/12/1996), conforme a quadro 1.
176 Educação Popular

Quadro 1: Sistema educacional brasileiro

Educação infantil Destinada a crianças de 0 a 6 anos de


idade. Compreende creche e pré-escola.

Ensino fundamental Abrange a faixa etária de 7 a 14 anos


e com duração de 8 anos. É obrigação
do Estado garantir a universalidade da
educação neste nível de ensino.
Ensino médio e médio Duração variável entre 3 e 4 anos.
profissionalizante

Ensino superior Compreende a graduação e a pós-


graduação. Os cursos da graduação têm
duração de 4 a 6 anos. Na pós-graduação,
a Ensino superior duração varia de 2 a 4
anos, para os cursos de mestrado, e entre
4 a 6 anos, para o doutorado.
Além desses níveis, o sistema educacional atende aos alunos
portadores de necessidades específicas, preferencialmente, na
rede regular de ensino. Esse atendimento ocorre desde a educação
infantil l até os níveis mais elevados de ensino. Atende, também,
ao jovem e ao adulto que não tenham seguido ou concluído a
escolarização regular, na idade própria, através dos cursos e
exames supletivos
Fonte: IBGE, 2008
Educação Popular 177

SAIBA MAIS

Educação é mais um dos temas investigados pela Pesquisa


Nacional por Amostra de Domicílios - PNAD. A investigação
deste tema capta anualmente um conjunto de características
sobre a escolarização alcançada pela população e, em especial,
sobre os estudantes, o que permite acompanhar ao longo do
tempo a situação do analfabetismo e da escolarização no País,
assim como do nível de educação da população.

No período de 2007 a 2014 foi mantida a tendência de


declínio das taxas de analfabetismo e de crescimento da taxa
de escolarização do grupo etário de 6 a 14 anos e do nível de
educação da população. O diferencial por sexo persistiu em favor
da população feminina. O nível de instrução cresceu de 2007 para
2014, sendo que o grupo de pessoas com pelo menos 11 anos de
estudo, na população de 25 anos ou mais de idade, passou de
33,6% para 42,5%. O nível de instrução feminino manteve-se
mais elevado que o masculino. Em 2014, no contingente de 25
anos ou mais de idade, a parcela com pelo menos 11 anos de
estudo representava 40,3%, para os homens e 44,5%, para as
mulheres. [Link]
Desde a Constituição de 1934 do Governo de Getúlio
Vargas a Educação já era considerada “direito de todos”.
Daquele período, também, surgiram os primeiros esforços para
a implantação de um sistema educacional de âmbito nacional.
Porém, a Constituição Federal de 1988 a educação tornou-se um
“dever do Estado” e a sua oferta deve ser universal. Também se
estabeleceu as responsabilidades e competências das esferas do
178 Educação Popular

governo para a sua oferta, assim como as fontes de recursos para


o seu financiamento.
Vejamos as competências governamentais na área da
Educação dispostas na CF-88 e LDB, conforme a figura 2.
Desde que normatizada e supervisionada pelos Conselhos de
Educação, em nível federal, estadual e municipal a oferta privada
ou filantrópica de serviços educacionais também é assegurada
por estes instrumentos legais.
Quadro 2: Política educacional – atribuições das esferas do governo

Esfera Atribuições

Organizar o sistema federal de ensino,


financiar as instituições federais; apoiar
União técnica e financeiramente (de forma supletiva
e redistributiva) as instituições estaduais,
municipais e do Distrito Federal.
Estado Trabalhar prioritariamente no ensino
fundamental e médio.
Municípios Operar prioritariamente no ensino fundamental
e na educação infantil.

Fonte: Adaptado IPEA, 2007

ACESSE

Estrutura organizacional da educação brasileira.[Link]


ly/2WGfHzw
Educação Popular 179

ACESSE

Estrutura organizacional da educação brasileira. [Link]


ly/2WB0gsh

Aspectos da Constituição da República


Federativa do Brasil e Lei de Diretrizes e
Bases da Educação a respeito da educação
No decorrer da disciplina de educação popular estudamos
a sua origem junto às classes sociais excluídas, discriminadas
e vulneráveis; nos Movimentos Sociais; com o passar do
tempo ela passou a ser disseminada entre às Comunidades; à
Sociedade Civil Organizada – ainda em Movimentos Sociais
e às Organizações não Governamentais (ONGs). Então, essas
Comunidades, passaram a ser organizadas em Redes e a
Educação Popular tomou corpo perpassando pela Educação em
Direitos Humanos; Educação para a Cidadania Global; Educação
Inclusiva; Educação Cidadã e outras.

ACESSE

Tendências da educação brasileira.[Link]


180 Educação Popular

Em 1988, foi promulgada a Constituição da República


Federativa do Brasil (CF/88) – considerada símbolo da história
democrática no Brasil, garantindo a direitos de cidadania e a
busca por igualdade e justiça social - fundamentos, princípios
e direitos que a Educação Popular já buscava - antes da
promulgação da CF/88. Esses fundamentos, princípios e direitos
estão claramente expressos nos Princípios Fundamentais (Arts.
1 – 5).
Vamos destacar, especialmente, entre fundamentos,
princípios e direitos: a cidadania; a dignidade da pessoa humana;
construir uma sociedade livre, justa e solidária; erradicar a
pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais
e regionais; promover o bem de todos, sem preconceitos de
origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de
discriminação; prevalência dos direitos humanos; defesa da paz;
cooperação; direito à vida, à liberdade, à igualdade, educação,
a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, a assistência aos
desamparados.
Você sabe o que é educação, a luz da LDB?
Art. 1º A educação abrange os processos formativos que
se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no
trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos
sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações
culturais (LDB - 96).
Vejamos o que diz a nossa Carta Magna de 1988, Título
VIII, sobre os pilares da educação, um dos nossos Direitos
Sociais – regulamentado por Lei específica!
Os três princípios nucleares da educação. Confira!
“Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado
e da família, será promovida e incentivada com a colaboração
da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu
preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o
trabalho”.
Educação Popular 181

Colaboração expressa o trabalho conjunto, atuação


espontânea, pelo interesse em ajudar. Distingue-se da atuação
sistêmica. Existem momentos nessa relação, circunstâncias,
fatos em que acontece a reciprocidade.
Esses princípios nucleares estão também presentes no
Título II, da Lei 9.394/96 - Estabelece as diretrizes e bases da
educação nacional (LDB). Atenção!
“Art. 2º. A educação, dever da família e do Estado, inspirada
nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana,
tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu
preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o
trabalho”.

ACESSE

LDB – Art. 1 - 3, Educação, Princípios e Fins da Educação


Nacional. [Link]

Tanto a CF como a LDB conceituam a educação dentro


de uma visão do desenvolvimento integral do ser humano,
estudados na unidade 1.
Institui-se na LDB os princípios e fins da educação
nacional, referente à ministração do ensino:
Art. 3º I - igualdade de condições para o acesso e
permanência na escola; II - liberdade de aprender, ensinar,
pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber;
III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas; IV -
respeito à liberdade e apreço à tolerância; V - coexistência de
instituições públicas e privadas de ensino; VI - gratuidade do
ensino público em estabelecimentos oficiais; VII - valorização
do profissional da educação escolar; VIII - gestão democrática do
182 Educação Popular

ensino público, na forma desta Lei e da legislação dos sistemas


de ensino; IX - garantia de padrão de qualidade; X - valorização
da experiência extraescolar; XI - vinculação entre a educação
escolar, o trabalho e as práticas sociais (LDB/96).

Redes Interorganizacionais na Educação


Popular (RIEP)
As redes são novas forma de organização das comunidades
no mundo globalizado. Recordam que iniciamos o estudo das
Redes na unidade 2? Nesse momento, vamos estudá-las como
uma estratégia de articulação junto aos setores da educação
popular. Passamos ao seu conceito. Confira!
Redes são estruturas abertas capazes de expandir
de forma ilimitada, integrando novos nós desde
que consigam comunicar-se dentro da rede,
ou seja, compartilham os mesmos códigos de
comunicação. Uma estrutura social com base em
redes é uma estrutura social com base em redes
é um sistema altamente dinâmico suscetível de
inovação sem ameaças ao seu equilíbrio [..]. Mas,
a morfologia de rede é uma fonte de drástica
reorganização das relações de poder (CASTELLS,
1999, p. 498).
Agora, veja outra definição de Redes.
Forma de organização social flexível combinada
às estruturas sistêmica e matricial onde as relações
acontecem por meio da interação, integração
e compartilhamento de saberes, informações,
experiências e vivências dos temas da educação
popular (Suzy Cristina Rodrigues, 2019).
Educação Popular 183

Vamos em frente apresentando as variáveis estabelecidas


por Mandell (1990), que nos ajudam a analisar os diversos tipos
de redes:
níveis de congruência de valores e de concordância
sobre os objetivos, quer dizer, a compatibilidade dos membros;
o ambiente em que acontece a captação de recursos,
levando em conta a potencialidade de captação de cada membro,
a disponibilidade de fundos e o seu monitoramento e;
o ambiente social e político em que atua, delimita o
modelo de distribuição de poder e de conflitos.
Nas redes interorganizacionais como o nome sugere as
estruturas em rede há a participação de diversas organizações
sociais, assim definimos redes interorganizacionais:
Essa nova gestão organizacional em redes se
caracteriza por sistemas sociais que interagem
de forma contributiva para com seus membros, o
que possibilita a transferência de conhecimento,
a elevação do nível de confiança e assim permite
que os atores sociais trabalhem de forma eficaz na
obtenção dos seus objetivos (CRUZ, QUANDT e
MARTINS, 2008).
184 Educação Popular

Figura 1: Redes Interorganizacionais

Fonte: Pixabay

O Ministério da Educação (MEC) trabalha a Educação


por meio de Redes a exemplo da nossa disciplina de Educação
Popular: a Rede de Educação Especial, Rede de Educação para
a Diversidade e a Rede de Educação Inclusiva. Nas demais
áreas da Educação: a Rede de Educação Básica, Rede do Ensino
Médio, Rede de Educação Profissional, Científica e Tecnológica,
Rede do Ensino Superior.
Educação Popular 185

SAIBA MAIS

A Rede de Educação para a Diversidade (REDE) é um grupo


permanente de instituições públicas de ensino superior dedicado
à formação continuada de profissionais de educação. O objetivo
é disseminar e desenvolver metodologias educacionais para a
inserção dos temas da diversidade no cotidiano das salas de aula.
São ofertados cursos de formação continuada para professores
da rede pública da educação básica em oito áreas da diversidade:
relações étnico-raciais, gênero e diversidade, formação de
tutores, jovens e adultos, educação do campo, educação integral
e integrada, ambiental e diversidade e cidadania ([Link]
ly/2N9ZRK7).

Vamos estudar no tópico 2 as Redes Públicas de


Cooperação Federativa da área: Movimentos Sociais e no
tópico 4 as Redes públicas de Cooperação Federativa da área:
Estado e Políticas Públicas.

Em busca da superação de barreiras escolares


utilizando a educação popular
Para um instante e reflita… o que o tema deste tópico quer
nos dizer! O que isso significa ultrapassar os muros escolares e
as barreiras em busca da educação popular? Quer dizer que esta
área do saber e os atores envolvidos devem romper as barreiras, os
obstáculos e murros ultrapassando o tempo, espaço e a distância,
interagindo com o mundo globalizado. Vamos saber mais?
186 Educação Popular

Retomamos os Princípios Fundamentais da CF-88:


Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas
relações internacionais pelos seguintes princípios:
IX - Cooperação entre os povos para o progresso da
humanidade;
Parágrafo único. A República Federativa do Brasil buscará
a integração econômica, política, social e cultural dos povos da
América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-
americana de nações.
Note que são mencionados a cooperação, progresso e
integração dos povos e da humanidade, em especial da América
Latina – pelo fato do Brasil estar localizado nesta área geográfica.
Aqui, está evidente a quebra de barreiras, incluindo a educação
popular.
Na unidade 1, tópico 1 do nosso e-book a educação popular
no Brasil surgiu com o Movimento Social de conscientização
dos escravos da necessidade de suas libertações, antes da
Proclamação da República. E, daí por diante outros movimentos
surgiram até os dias de hoje. Na América Latina, teve início na
década de 1950 com uma acentuada história de ideias, práticas e
acontecimentos na área da educação popular, liderada por Paulo
Freire.
O conceito de educação Popular na percepção de Freire
(1993) como o esforço de mobilização, organização e capacitação
das classes populares; capacitação científica e técnica. Entendo
que esse esforço não se esquece, que é preciso poder, ou seja,
é preciso transformar essa organização do poder burguês que
está aí, para que se possa fazer escola de outro jeito. Há estreita
relação entre escola e vida política.
Também estudamos na unidade 2, tópico 4 a Nova Forma
de Organização das Comunidades em Rede. Lembra?
Educação Popular 187

Agora, que você já refletiu sobre o tema deste tópico do


nosso estudo … chegamos à conclusão que superar os muros
escolares e quebrar as barreiras, a partir da educação popular
significa a organização da comunidade em forma de rede e pelos
movimentos sociais de amplitude não apenas local, mas sim
global – ultrapassando o espaço e o tempo.

Redes Públicas de Cooperação Federativa


do campo: movimentos sociais
A mobilização dos entes participantes, mesmo com a
adesão voluntária, requer uma ideia mobilizadora ou ideia-força,
que os conduza a definir, conjuntamente, um objetivo comum
a ser atingido por meio de articulação, com manutenção da
personalidade dos entes. Por esse fato, são chamadas de redes
comunitárias, ou redes de compromisso social.

ACESSE

Movimento Brasileiro de Educadores Cristãos - MOBREC:


[Link]

Já vimos o conceito de redes no tópico anterior.


Introduziremos o conceito de Redes Públicas de Cooperação
Federativa voltadas aos Movimentos Sociais, no âmbito local,
como subsistema do ambiente federativo. Prestem atenção!
188 Educação Popular

DEFINIÇÃO

Rede social local ou rede pública de cooperação: campo


Movimentos Sociais é aquela que se tece com a mobilização
de pessoas físicas e/ou jurídicas a partir da percepção de um
problema que rompe ou coloca em risco o equilíbrio da sociedade
ou as perspectivas de desenvolvimento sustentável local com
destaque para questões sociais, ambientais e institucionais
(INOJOSA, 1999, p. 121).

Figura 2: Redes de Cooperação de Movimentos Sociais

Fonte:Pixabay

Percebeu que na definição desta modalidade de Redes está


inserida a cooperação? Mas, o que vem a ser cooperação nessas redes?
Educação Popular 189

Cooperação é a forma de relacionamento entre


as organizações, atuando essas em um problema
comum ou co-problematização. Acontece o
compartilhamento na maneira de atuação e a
estabilidade necessária e sistematização (Suzi
Cristina Rodrigues, 2019).

Quadro 3: Características das Redes Públicas de Cooperação Federativa da Área: Movimentos Sociais

Variáveis Características

Organizações Não Governamentais e


Atores envolvidos populares de várias áreas, sindicatos,
associações de profissionais, políticos e
outros.
Caráter das Informalidade e baixa formalidade.
relações
Foco de atuação Interesses e projetos, culturais coletivos e
políticos.
Processo Captação de recursos e intercâmbio.

Princípios e Cooperação, solidariedade e conflitos


valores equacionados.
Interações Horizontais.
Ambiente Flutuações e mudanças.
Engajamento Voluntário.
Racionalidade Comunicativa e Instrumental.

Fonte: Adaptado Loiola e Moura, 1996

Mostra-se como uma organização muito complexa,


principalmente, devido às variáveis: atores envolvidos, caráter
das relações estabelecidas e foco de atuação.
190 Educação Popular

Os resultados dos trabalhos executados nesse tipo de redes


são considerados exitosos quando contribuem para solução e
problemas sociais e ambientais, que se propõem a resolver ou a
administrar.

SAIBA MAIS

O Observatório da Sociedade Civil é o canal de notícias da


Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais
(Abong). Sua proposta editorial passa por construir um ambiente
cada vez mais favorável à atuação das Organizações da
Sociedade Civil (OSCs), ampliando os espaços de mobilização e
participação social e fortalecendo a democracia brasileira. Neste
sentido, o Observatório trabalha para dar visibilidade à atuação
das entidades, ampliando a transparência e qualificando o debate
social a respeito do tema. [Link]

Educação para a Cidadania Global (ECG)


Dentro de uma proposta de educação sem fronteiras,
inclusiva, integradora, interativa de conhecimentos, vivências e
experiências a ECG agrega o conceito de cidadania global. Ela
está alinhada aos objetivos da educação para o desenvolvimento
sustentável (EDS) e se fundamenta na educação para os direitos
humanos, a educação para a paz e a educação para a compreensão
internacional. A saber o conceito da ECG, atenção!
A ECG visa a equipar alunos de todas as idades com
valores, conhecimentos e habilidades que sejam baseados e
promovam o respeito aos direitos humanos, à justiça social, à
diversidade, à igualdade de gênero e à sustentabilidade ambiental.
Educação Popular 191

Além de empoderar os alunos para que sejam cidadãos globais


responsáveis, a ECG oferece as competências e as oportunidades
de concretizar seus direitos e suas obrigações, com vistas a
promover um mundo e um futuro melhores para todos. Para a
UNESCO, cidadãos globais são indivíduos que pensam e agem
para um mundo mais justo, pacífico e sustentável. (Educação
para a Cidadania Global: abordagem da UNESCO, 2015, p. 2).

ACESSE

UNESCO. Educação para a Paz, Desenvolvimento Sustentável e


Cidadania Global. [Link]

Fundamenta-se a Educação Cidadania Global em três


áreas de aprendizagem ou dimensões conceituais: cognitiva,
socioemocional e comportamental, estão inter-relacionadas
e integradas no processo de aprendizagem. Essas dimensões
constituem os quatro pilares da educação descritos no relatório
“Learning: the treasure within” (“Educação: um tesouro a
descobrir”), que são: aprender a conhecer, aprender a fazer,
aprender a viver juntos e aprender a ser.
1. Cognitiva: conhecimento e habilidades de reflexão
necessárias para entender melhor o mundo e suas complexidades;
2. Socioemocional: valores, atitudes e habilidades sociais
que contribuam para o desenvolvimento emocional, físico e
psicossocial dos alunos e lhes permitam viver com os outros de
forma respeitosa e pacífica;
3. Comportamental: comportamento, desempenho, aplicação
prática e engajamento.
192 Educação Popular

Vamos introduzir um conceito atual de comunidade de


aprendizagem.

Comunidade de Aprendizagem (CA)


Conversamos sobre o conceito de comunidade na unidade
2, tópico 4 do e-book e vimos:
Comunidade qualquer conjunto de indivíduos ligados por
interesses comuns (culturais, econômicos, políticos, religiosos
etc.) que se associam com frequência ou vivem em conjunto.
Grupo de pessoas com características comuns, inseridas numa
sociedade maior que não compartilha de suas características
básicas; sociedade (Dicionário Michaelles online, 2019).
Neste tópico introduziremos uma definição importante e
contemporânea no nosso estudo a Comunidade Global chamada
de Comunidade de Aprendizagem.

SAIBA MAIS

É uma proposta de transformação educacional que busca


melhorar a aprendizagem e a convivência de todos os estudantes.
Baseado nos Princípios da Aprendizagem Dialógica e em
um conjunto de Atuações Educativas de Êxito, o projeto leva
práticas comprovadamente eficazes para a sala de aula e para a
gestão escolar. [Link]

Comunidade de Aprendizagem.
Trata-se de uma inovação na educação incluindo a
educação popular, uma vez que insere nas práticas educativas
a transformação social, a aprendizagem dialógica, a equidade
Educação Popular 193

social e a convivência com atitudes solidárias entre outros


aspectos. Vamos conhecer as ações desenvolvidas por essa
comunidade.
Projeto:
É um projeto baseado em um conjunto de Atuações
Educativas de Êxito voltadas para a transformação educacional
e social, que começa na escola, mas integra tudo o que está ao
seu redor. Queremos atingir uma educação de êxito para todas
as crianças e jovens que consiga ao mesmo tempo eficiência,
equidade e coesão social. [Link]
Fases de Transformação:
Os resultados, claro, não surgem da noite para o dia
é preciso que a escola e a comunidade passem por uma série
de etapas para que a Comunidade de Aprendizagem atinja seu
objetivo maior: o da transformação educacional e social. Essas
fases são as seguintes: 1. Sensibilização; 2. Tomada de decisão;
3. Sonho; 4. Seleção de prioridades e 5. Planejamento [Link]
ly/2Na0frZ
Atuações Educativas de Êxito:
O projeto de pesquisa europeu Includ-ed identificou
e analisou Atuações Educativas de Êxito – práticas que
efetivamente aumentam o desempenho acadêmico e melhoram a
conivência e atitudes solidárias em todas as escolas observadas.
Atua nos eixos: Grupos Interativos; Tertúlias Dialógicas;
Biblioteca Tutorada; Formação de familiares; Participação
educativa da comunidade; Modelo dialógico de prevenção e
resolução de conflitos e Formação pedagógica dialógica https://
[Link]/2WAFqsQ
194 Educação Popular

ACESSE

Trechos da pesquisa INCLUD-ED. [Link]

Aprendizagem dialógica na Comunidade:


Compreende o Diálogo igualitário; a Inteligência cultural;
a Criação de sentido; a Solidariedade; a Dimensão instrumental
e a Igualdade de diferenças. É a concepção de aprendizagem que
fundamenta as Comunidades de Aprendizagem e que se baseia
em sete princípios corroborados por contribuições de alguns dos
autores mais relevantes na área da educação, como por exemplo,
Vygotsky, Bruner, Wells, Paulo Freire, Habermas, Chomsky,
Scribner e Mead. [Link]

Rede Internacional de Educação Popular


(RIEP)
Esta rede internacional integra docentes e pesquisadores
universitários que estudam e compartilham a educação popular,
defende a participação da comunidade universitária na educação
de adultos, pelo despertar da solidariedade e objetivo comum entre
os (as) acadêmicos (as) envolvidos (as). Os (as) universitários
(as) trabalham com grupos vulneráveis e marginalizados das
comunidades e movimentos sociais da sociedade civil.
A Rede Internacional de Educação Popular (REP)
foi criada em 1997, resultado de discussões entre
um grupo pequeno de educadores de adultos
universitários do Reino Unido e colegas da
Universidade de Barcelona, em Espanha (Martin
et al., 1999).
Educação Popular 195

São os objetivos da Rede de Educação Popular:


Objetivos de curto-prazo:
possibilitar a interação dos (as) educadores (as) e
pesquisadores (as) universitários interessados e comprometidos
com a educação popular e;
estabelecer relações atuantes e solidárias a nível
nacional e internacional.
Objetivos a longo-prazo:
dinamizar a ação das relações entre ativistas locais,
trabalhadores e acadêmicos comprometidos diplomaticamente;
elaborar e disseminar recursos educativos para as
atividades social e política;
reassegurar e revigorar a educação de adultos, como
segmento integral dos movimentos sociais progressistas.

CURIOSIDADE

Aconteceu no dia 04 de junho de 2019 o XIX Congresso


Internacional de Educação Popular - MOBREC/SM XXVIII
Seminário Internacional De Educação Popular - MOBREC/SM
VI Seminário Internacional de Educação Profissional do Instituto
Federal Farroupilha I Seminário Internacional de Educação
Profissional da UFSM tem como objetivo proporcionar encontro
e reflexão entre os educadores de Santa Maria e região, buscando
resgatar o sentido de ser professor, ser aluno, da ciência e do
conhecimento, da Escola e da comunidade, na construção
de sujeitos felizes e comprometidos com a transformação da
realidade.
196 Educação Popular

Conselho de Educação Popular da


América Latina y El Caribe (CEALL)
Trata-se de um movimento de Educação Popular,
que funciona como Rede, opera e monitora processos de
transformação educacional, cultural, social, política, e econômica
das sociedades latino-americanas e caribenhas, em cenários
locais, regionais e nacionais, interagindo com a sociedade
global, em benefício da soberania, democracia, justiça social
e integração dos povos, na concepção dos direitos humanos,
da interculturalidade crítica, da igualdade de gênero, e de uma
opção política ética, pedagógica e emancipatória.

SAIBA MAIS

Desafiado pelos debates e práticas desenvolvidos nos últimos


anos no CEAAL e pela urgência de um compromisso renovado
nos processos políticos, educacionais, sociais, culturais,
ambientais e de gênero em nossa América Latina, e tomando
como marco os mandatos da Assembleia de Cochabamba
definimos nossa identidade como um movimento de educação
popular. [Link]

Trabalha com as linhas de ação:


Educação popular e novos paradigmas: realiza
atividades por meio de projetos a respeito da educação popular
na América Latina e diálogos sobre os novos paradigmas de
emancipação social e política.
Incidência política da Sociedade Civil: prospectar
o CEAAL como rede fortalecedora dos processos local e
Educação Popular 197

global de defesa dos cidadãos e ações das Organizações não


Governamentais Sociais (ONGs).
Foram definidos os eixos estratégicos prioritários do
Plano de Ação Global (2016-2020), na IX Assembleia Geral do
CEAAL, realizada na cidade de Guadalajara.
Eixo 1: A formação política;
Eixo 2: Educação feminista popular e;
Eixo 3: Economia solidária.

CURIOSIDADE

ABONG - Organização em Defesa dos Direitos e Bens Comuns


passa a integrar o Comitê de Coordenação de Articulação
latino-americana de organizações da sociedade civil. [Link]
ly/2PIrRpU

Articulação Feminina do Mercosul (AFM)


AFM é uma corrente de pensamento e ação política que
tem como eixo central de sua estratégia o desenvolvimento de
um campo político feminista em nível regional e global. Por
isso, muitas das iniciativas implementadas desde a sua criação,
na primavera de 2000, têm como objetivo gerar e incentivar o
debate, por meio de diálogos e encontros com a diversidade de
sujeitos feministas políticos e suas organizações, bem como
desenvolver campanhas de comunicação. Social Seu principal
objetivo é ajudar a gerar as mudanças necessárias para que os
direitos das mulheres na América Latina e no Caribe possam
ser expandidos e exercidos em sua totalidade. [Link]
ly/2WyZ2Oe
198 Educação Popular

Desafios da Educação popular nos tempos


atuais
O que vem a nossa mente quando pensamos em desafios?
Ah! Possivelmente pensamos em superar obstáculos e barreiras.
Realmente os desafios são compostos desses fatores e também
dos propósitos, visão estabelecidos que se chocam nos obstáculos
e barreiras.

ACESSE

Educação popular, ontem e hoje: perspectivas e desafios. https://


[Link]/2NcWcLQ
As Conquistas e Desafios da Educação Popular e suas Interfaces
com os Movimentos Sociais.[Link]

No nosso estudo vamos conversar sobre alguns desses


desafios frente a educação popular na atualidade, sabendo da
possibilidade de encontrarmos outros desafios. Vamos lá!
Abordagem da Educação Popular em Direitos
Humanos: Fundamentada nos princípios teórico-metodológicos
freirianos, vem delineando uma pedagogia baseada na educação
como prática humanizada, processo de dialógico, percurso
para o compartilhamento nas decisões da esfera pública, com
a finalidade de construir realidades justas com sustentabilidade.
Educação Popular 199

DEFINIÇÃO

A definição considerada para a Educação em Direitos Humanos


é de um processo sistemático e multidimensional que orienta a
formação do sujeito de direitos. [Link]

A Educação em Direitos Humanos, segundo o Ministério


da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MDH) articula
as dimensões:
a. Apreensão de conhecimentos historicamente construídos
sobre direitos humanos e a sua relação com os contextos
internacional, nacional e local;
b. Afirmação de valores, atitudes e práticas sociais que
expressem a cultura dos direitos humanos em todos os espaços
da sociedade;
c. Formação de uma consciência cidadã capaz de se fazer
presente em níveis cognitivo, social, ético e político;
d. Desenvolvimento de processos metodológicos
participativos e de construção coletiva, utilizando linguagens e
materiais didáticos contextualizados;
e. Fortalecimento de práticas individuais e sociais que
gerem ações e instrumentos em favor da promoção, da proteção
e da defesa dos direitos humanos, bem como da reparação das
violações.
O que nos indica esta abordagem? Aponta que a educação
libertadora somente se apoia com o reconhecimento dos direitos
humanos e sua efetividade no cotidiano da vida social.
200 Educação Popular

Uma vez que, os Direitos Humanos (DH) caracterizam-


se pela universalidade e indivisibilidade. São universais pois
abrangerem a todos os seres humanos, sem os distinguir e
indivisíveis porque não há hierarquia entre os direitos: todas as
pessoas são essenciais, visto que contribuem para uma vida digna
em que o acesso deve estar disponível a todos. A concepção de
direitos humanos possui como pilar a cultura de paz. Determina
normas e princípios entre as nações, pretendendo o bem comum
alinhado com a visão de mundo da sociedade contemporânea.
Os Direitos Humanos protege as pessoas e grupos contra
ações que violam as liberdades fundamentais e na dignidade
humana. No Brasil há o entendimento que os DH compõe-se dos
direitos civis ligados à liberdade democrática: às diversidades
sociais (religiosa, raça, gênero e orientação sexual), direito ao
voto, à informação, à moradia e dos direitos sociais relacionados
aos direitos fundamentais: o direito à vida, à dignidade, ao
respeito, à liberdade, à alimentação, à saúde, à educação, à
profissionalização, ao esporte, ao lazer, à cultura, e à convivência
familiar e comunitária. Acrescenta-se a esses os direitos à terra,
ambientais, entre outros.
A ASSEMBLEIA GERAL proclama A PRESENTE
DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS
como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e
todas as nações, com o objetivo de que cada indivíduo e cada
órgão da sociedade, tendo sempre em mente esta Declaração,
se esforce, através do ensino e da educação, por promover o
respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adoção de medidas
progressivas de caráter nacional e internacional, por assegurar o
seu reconhecimento e a sua observância universal e efetiva, tanto
entre os povos dos próprios Estados-Membros, quanto entre os
povos dos territórios sob sua jurisdição. [Link]
O desenvolvimento integral do ser humano: Este
desafio está estreitamente relacionado ao direito a Vida dos
cidadãos na sua amplitude universal, onde as pessoas possam
Educação Popular 201

ser dotadas de potencialidades e oportunidades para trilharem os


seus caminhos nesta vida.
Convergindo para este desafio o Programa das Nações
Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) formulou o conceito
de desenvolvimento humano elaborado. Vamos conhecê-lo!
O conceito de desenvolvimento humano nasceu definido
como um processo de ampliação das escolhas das pessoas para
que elas tenham capacidades e oportunidades para serem aquilo
que desejam ser. [Link]
No e-book da unidade 1 estudamos a definição do
desenvolvimento integral do ser humano.
O conceito de desenvolvimento integral no contexto
da educação integral diz respeito a compreensão
de que a educação, enquanto processo formativo,
deve atuar pelo desenvolvimento dos indivíduos
nas suas múltiplas dimensões: física, intelectual,
social, emocional e simbólica (CENTRO DE
REFERÊNCIA DE EDUCAÇÃO INTEGRAL,
2019).
Dentro dessa perspectiva vamos conhecer três as iniciativas
contemporâneas.
Iniciamos com a concepção de Educação Integral do
Ministério da Educação (MEC), o Centro de Referência de
Educação Integral e a Rede de Desenvolvimento Humano
(REDEH).
Educação integral representa a opção por um projeto
educativo integrado, em sintonia com a vida, as necessidades,
possibilidades e interesses dos estudantes. Um projeto em que
crianças, adolescentes e jovens são vistos como cidadãos de
direitos em todas as suas dimensões. Não se trata apenas de seu
desenvolvimento intelectual, mas também do físico, do cuidado
202 Educação Popular

com sua saúde, além do oferecimento de oportunidades para


que desfrute e produza arte, conheça e valorize sua história e
seu patrimônio cultural, tenha uma atitude responsável diante
da natureza, aprenda a respeitar os direitos humanos e os das
crianças e adolescentes, seja um cidadão criativo, empreendedor
e participante, consciente de suas responsabilidades e direitos,
capaz de ajudar o país e a humanidade a se tornarem cada vez
mais justos e solidários, a respeitar as diferenças e a promover
a convivência pacífica e fraterna entre todos. [Link]
ly/2NcCjUQ
O MEC possui programas voltados à Educação Integral:
o programa de educação infantil integral que atende crianças
de zero a cinco anos; no ensino fundamental o programa Mais
Educação e o programa Ensino Médio Inovador.
A Educação Integral é uma concepção que compreende
que a educação deve garantir o desenvolvimento dos sujeitos em
todas as suas dimensões – intelectual, física, emocional, social e
cultural e se constituir como projeto coletivo, compartilhado por
crianças, jovens, famílias, educadores, gestores e comunidades
locais. [Link]

ACESSE

Programa Mais Educação: [Link]


Educação Integral: [Link]
Conceito de Educação Integra: [Link]
Educação Popular 203

Vejamos as características da Educação Integral no


entendimento do Centro de Referência em Educação Integral:
a. proposta contemporânea alinhada as demandas do
século XXI, sendo o seu foco a formação de sujeitos autônomos,
críticos, e responsáveis consigo e com o mundo;
b. inclusiva pois identifica a singularidade dos sujeitos,
suas múltiplas personalidades e se apoia na composição da
pertinência do projeto educativo para todos (as);
c. proposta de acordo com a visão de sustentabilidade,
pois envolve os processos educativos contextualizados e com a
interação contínua entre o aprendizado e a prática;
d. Oportuniza a equidade ao admitir o direito de acesso
e aprendizado de todos (as) referente à educação diferenciada
e diversificada pela interação com diversos saberes e agentes,
espaços, linguagens, recursos, em síntese são as condições
fundamentais ao enfrentamento das desigualdades educacionais.
Rede de Desenvolvimento Humano (RDH) instituída em
1990, surgiu no processo de redemocratização no Brasil, frente
as questões relevantes para a sociedade brasileira – feminismo e
ambientalismo, sendo exemplo para o trabalho em parceria com
outras organizações nesses temas percorrendo Brasil.
Atualmente, atua estrategicamente incentivando as
parcerias para os objetivos significativos como: a efetividade
de direitos para as mulheres, defesa da justiça ambiental e o
enfrentamento ao racismo.
O fato de o Brasil sediar a ECO-92 criou um campo muito
propício para a mobilização de diferentes setores do movimento
de mulheres nacional e internacional que confluíram através
do Planeta FEMEA, estratégia da qual a REDEH foi uma das
principais arquitetas. O desdobramento dessa mobilização
se propagou por diversos anos e ganhou muitos matizes. O
trabalho da REDEH focalizou-se em traduzir para a prática
recomendações de políticas públicas de gênero endossadas
204 Educação Popular

pela comunidade global nos Planos de Ação que resultaram


das grandes conferências globais da ONU dos anos 90,
especialmente a ECO 92 e Beijing 95. Isso fez com que desde seu
início a REDEH se destacasse como uma organização pioneira,
inovadora nos conceitos e na prática. O elenco dos produtos
contidos neste site é um indicador dessa trajetória. Foram
muitos os cursos de formação destinados a públicos variados,
gestoras locais, professores/as, lideranças comunitárias, jovens.
Significativas foram também as campanhas e publicações que
abriram caminhos para que novos atores, novas organizações
ocupassem espaço e iniciassem novas interlocuções no cenário
nacional. [Link]
Conversão do saber popular em conhecimento científico
voltado para a transformação social: Esta conversão é necessária
para a implantação e implementação da Política Pública em
Educação Popular.

++
+
EXPLICANDO DIFERENTE

A Educação Popular compreende um processo coletivo de


construção do conhecimento desenvolvido em conjunto com
as (os) educadores (as) e a habilidade de entender a realidade
de forma crítica a fim de modificá-la e o domínio crítico dos
acontecimentos e suas origens possibilite a compreensão dos
fatos e do processo da luta entre as classe, auxiliando a ruptura
dos meios de alienação, a procura e a conquista do real e sua
transposição.
Educação Popular 205

Estudamos na unidade 2 os Saberes Popular e Científico


Conhecimento popular é o conhecimento do
povo, que nasce da experiência do dia-a-dia
por isso é chamado também de empírico […] e
o Conhecimento científico é o conhecimento
racional que se distingue do mito e do saber
comum (conhecimento empírico) (RAMPAZZO,
2002, p. 18 - 19).
Inclusão social por meio da educação popular:
Inclusão Social é o processo que possibilita à
população excluída socialmente, partilhar bens
e serviços sociais produzidos pela sociedade,
garantindo a efetivação dos direitos, acesso à
segurança, justiça, cidadania e representação
política. (PEQUENO DICIONÁRIO:
ASSISTÊNCIA SOCIAL DE A a Z, 2001, p. 22)
Quando a educação popular surgiu era voltada
exclusivamente para a parcela da população excluída e
vulnerável. Nos tempos atuais, a educação popular deve
ser universal, quer dizer, o acesso ao seu estudo deve ser
oportunizado a todas as pessoas sem distinção. E, assim
elaborar alternativas para a contribuição da reflexão nos espaços
de aprendizagem a respeito das expectativas e vivências dos
cidadãos de maiores possibilidades de inserção social. Porém,
sabemos que ainda existem as desigualdades sociais e não
podemos desconsiderá-las. Então, como promover a oferta e o
acesso da educação popular aos cidadãos em situação de exclusão
social e vulnerabilidade social? Por meio de ações dos Entes
Governamentais e da Sociedade Civil, temo a possibilidade de
incluir os povos indígenas, quilombolas e do campo; pessoas
com deficiência etc.
Exclusão Social Processo heterogêneo,
multidimensional, espacial e temporal que
206 Educação Popular

impossibilita parte da população a partilhar bens


e recursos produzidos pela sociedade. Conduz à
privação, ao abandono e à expulsão dos espaços
sociais (DICIONÁRIO DE TERMOS TÉCNICOS
DA ASSISTÊNCIA SOCIAL, 2007, p. 41).
Instituição e desenvolvimento de Escolas Cidadãs:
esse modelo de escola foi elaborado pelo Patrono da Educação
no Brasil Paulo Freire. Propõe especialmente tal modelo uma
nova escola; gestora do conhecimento; compartilhamento do
saber entre educandos (as) e educadores (as) e a comunidade;
com projeto político-pedagógico ético; construtora de sentido e
plugada no mundo; formação para a cidadania, direitos e deveres;
autoridade e liberdade, experiências profundas da democracia e
vivências nas comunidades.
Escola Cidadã defende a educação permanente e
tem uma formatação própria para cada realidade
local, de modo a respeitar as características
histórico-culturais, os ritmos e as conjunturas
específicas de cada comunidade, sem perder
de vista a dimensão global do mundo em que
vivemos. Para tanto, o seu projeto político-
pedagógico é elaborado com base na realização
de um diagnóstico da realidade escolar chamado
Etnografia da Escola, que possibilita a construção
de um currículo escolar fundamentado na criação
de espaços interculturais, por sua vez trabalhado na
perspectiva inter e transdisciplinar, que levam em
conta a dimensão da razão e da emoção, portanto,
a técnica, a sensibilidade e a criatividade. Nesse
sentido, a Escola Cidadã é democraticamente
organizada e pedagogicamente alegre, criativa e
ousada (INSTITUTO PAULO FREIRE, 2019).
Educação Popular 207

Figura 3: Escola Cidadã

Fonte:Pixabay

Direitos e Deveres dos Cidadãos

ACESSE

Escola Cidadã - algumas reflexões sobre a democratização da


escola pública. [Link]

A democracia é um regime político, ou seja, uma certa


maneira de organizar as relações de poder no seio de um grupo
social soberano, ou política. O princípio fundador da democracia
é a afirmação de que toda a relação de poder entre societários e
entre cidadãos se enraíza naqueles que obedecem e não naqueles
que mandam, quer o façam em seu nome próprio ou em nome de
um princípio transcendente, Deus, a Nação, a História, a Classe
ou a Raça. [Link]
208 Educação Popular

Organização curricular que privilegie a integração


teórico-prática: um currículo elaborado e aplicado com práticas
pedagógicas e metodologias integradoras das teorias e práticas
- considerando o conhecimento (saber); habilidade (saber fazer)
e a competência (saber fazer acontecer, proporciona resultados
de qualidade no processo de ensino-aprendizagem da educação
popular.
Formação de educadores (as) com sólido domínio da
dimensão concreta da realidade econômico-político-social:
a qualificação e a capacitação das (os) educadores (a) que já
atuam e virão a atuar nessa área do saber, por meio da educação
continuada e permanente é imprescindível para a efetivação do
processo de ensino-aprendizagem da educação popular.
Implantação e implementação da Política Nacional
em Educação Popular: Existem iniciativas de políticas públicas
para alguns dos campus da educação popular, a exemplo temos
a Política Nacional de Educação Popular em Saúde no âmbito do
Sistema Único de Saúde (PNEPS-SUS) implantada em 2013. No
ano de 2014 foi instituído o Marco de Referência da Educação
Popular para as Políticas Públicas, mostrando o avanço das
políticas sociais neste segmento. Mas, ainda temos de continuar
avançando e ampliando a implantação e implementação das
políticas públicas em educação popular. No próximo tópico
falaremos mais sobre esse tema. Fiquem ligados!
Hoje a educação popular busca, em todos os contextos,
ligar o local e o global. Em todos os cenários, processa-se
por meios de educação e de ação pontuais em determinada
localidade, buscando intencionalmente a promoção dos laços de
solidariedade internacional, possibilitando que os pleitos locais
se tornem parte do pleito internacional pela justiça e paz.
Educação Popular 209

Tendências da Educação Popular no Cenário


Político-social Brasileiro
Olhamos para o passado para compreendê-lo, melhorar o
momento presente e avançarmos com as visões de futuro. Você
deve estar se perguntando … o que isso tem a ver com a educação
popular? Na nossa disciplina estudaremos três tendências da
educação popular no Brasil: Implantação e Implementação de
Políticas Públicas para a Educação Popular; Redes Públicas de
Cooperação Federativa do Campo: Estado e Políticas Públicas e
Pedagogia por Projetos.
Antes temos de saber o que são as tendências e cenários na
educação popular.
Compreendem as situações referentes a educação
popular e as suas áreas com probabilidades de
acontecer nacionalmente e internacionalmente
(Suzy Rodrigues, 2019).

ACESSE

Políticas de Educação Não-Formal nas Américas, África e Ásia:


Contribuições para a Construção do Capital Social e Humano.
[Link]
210 Educação Popular

Figura 4: Tendências e cenários na educação popular no Brasil

Fonte: Pixabay

Percebeu que foi mencionado o âmbito nacional e


internacional? Porém, o tópico do nosso estudo abordará apenas
no âmbito nacional.

A Implantação e Implementação da
Política Pública para a educação Popular
Você já deve ter ouvido falar em política pública, no seu
trabalho; estudo; nas mídias de comunicação; conversas na
comunidade, família e amigos. Ou, ainda pode não ter ouvido
falar desse termo! Esse instrumento de gestão do Estado é
muito importante para a sociedade. Então, bora conhecer o seu
conceito.
A primeira definição é do professor Leonardo Secchi.
Para Secchi (2014) política pública é uma diretriz para a
resolução de um problema público.
Educação Popular 211

ACESSE

O que são Políticas Públicas? [Link]

Seguimos com a segunda definição de política pública.


[…] são diretrizes, princípios norteadores de ação
do Poder Público; regras e procedimentos para
as relações entre o Poder Público e sociedade,
mediações entre atores da sociedade e do
Estado. São, nesse caso, políticas explicitadas,
sistematizadas ou formuladas em documentos
(leis, programas, linhas de financiamento) que
orientam ações que normalmente envolvem
aplicações de recursos públicos. Nem sempre,
porém há compatibilidade entre as intervenções e
declarações de vontade e as ações desenvolvidas.
Devem ser consideradas também as “não ações”,
as omissões, como forma de manifestação de
políticas, pois representam opções e orientações
dos que ocupam cargos (TEIXEIRA, 2002, p. 3).
Nesse sentido entendo a política pública como:
Políticas Públicas são na integralidade planos,
projetos, programas, metas e ações estabelecidos
pela administração pública nas esferas federal,
estadual e municipal, para alcançar o bem-estar da
sociedade e o interesse público (Suzy Rodrigues,
2019).
212 Educação Popular

Você deve estar se questionado … o que quer dizer


implantar e implementar políticas públicas? De modo geral:
Figura 5: Políticas Públicas

Fonte:Pixabay

Implementar políticas públicas: estabelecer planos,


projetos, programas, metas e ações sobre as áreas da educação
popular.
Implementar políticas públicas: efetivar planos, projetos,
programas, metas e ações nos segmentos da educação popular.
Tanto para a implantação como para a implementação
deve observar fatores como: a diversidade étnica-racial, cultural
e de gênero; a inclusão social, econômica e financeira, a
acessibilidade; a faixa etária e outros aspectos penitentes. Esses
fatores visam o pleno exercício da cidadania.
Educação Popular 213

ACESSE

Algumas Assinalações sobre a Educação Popular. [Link]


ly/2PIpByU

O Brasil vem apresentando iniciativas de políticas públicas


em educação popular. Lembram que na unidade 1 conhecemos
algumas delas. Observem o quadro 4, que apresenta algumas
iniciativas de políticas públicas para a educação popular.

Quadro 4: Políticas públicas para a educação popular no século XXI

Política Pública Órgão Ano


Plano Nacional Comitê Nacional de Educação
de Educação em em Direitos Humanos. 2003
Direitos Humanos
(PNEDH).
Programa Brasil
Alfabetizado - Ministério da Educação. 2003
jovens, adultos e
idosos.
Educação Escolar
Quilombola –
Plano Nacional de Ministério da Educação. 2003
Implementação das
Diretrizes
Programa Conexões
e Saberes – diálogos
entre a universidade Ministério da Educação. 2006
e as comunidades
populares (PET).
214 Educação Popular

Política Nacional de
Educação Especial
na Perspectiva da Ministério da Educação. 2008
Educação Inclusiva
(PNEE).
Política Nacional de
Educação Indígena 2009
– Territórios Ministério da Educação.
Etnoeducacionais
(TEEs).
Programa Nacional
do Livro Didático
para Educação de
Jovens e Adultos Ministério da Educação. 2009
(PNLD/EJA) –
jovens, adultos e
idosos.
Programa Nacional
de Educação Ministério da Educação. 2012
do Campo
(PRONACAMPO).
Educação para os Ministério da Educação.
Povos Ciganos. Resolução Resolução CNE/CEB 2012
nº 3, de 16 de maio de 2012
Política Nacional do Ministério do Desenvolvimento 2010
Idoso (PNI). Social e Combate a Fome.
Política Nacional
de Educação Ministério do Desenvolvimento 2013
Permanente do Socia e Combate a Fome.
Sistema Único de
Assitência Social
(PNEP/SUAS)
Plano Nacional de
Políticas Públicas Secretaria de Políticas para as 2013
para as Mulheres Mulheres.
(PNPM).
Política Nacional de
Educação Popular Ministério da Saúde. 2013
em Saúde (PNEP/
SUS).
Educação Popular 215

I Plano Nacional de
Educação Escolar Ministério da Mulher, da Família 2019
Indígena (PNEEI) – e dos Direitos Humanos.
em elaboração.

Fonte: Elaborada pela Autora, 2019

Atualmente, o Governo Federal promove a equidade,


valorização da diversidade e inclusão por meio da Secretaria de
Educação Continuada, Diversidade e Inclusão, a qual faz parte
da estrutura do MEC. Aborda as temáticas e modalidades de
educação estabelecidas em Lei: Educação Especial; Educação
de Jovens e Adultos; Educação do Campo; Educação Escolar
Indígena; Educação Escolar Quilombola; Educação para as
Relações Étnico-raciais e Educação em direitos humanos.
[Link]

ACESSE

Educação para as Relações Étnicos-Raciais. [Link]

Outra iniciativa recente do Estado são as cívico-militares,


em localidades carentes a exemplo do ensino médio integral.
A Subsecretaria de Fomento às Escolas Cívico-Militares é
responsável por essa política pública.
O Ministério da Educação pretende construir 108 escolas
de educação básica cívico-militares no Brasil até 2023. A
expectativa, segunda a pasta, é levantar 27 escolas por ano, uma
em cada estado do país. Até o final da operação, a meta é atender
108 mil alunos. As escolas cívico-militares são instituições não
militarizadas, mas com uma equipe de militares da reserva no
papel de tutores. [Link]
216 Educação Popular

Uma das mais importantes contribuições em políticas


públicas para a educação popular é o Plano Nacional de Educação
em Direitos Humanos (PNEDH). Vamos conhecê-lo!
PNEDH é uma política pública que consolida um projeto
de sociedade baseado nos princípios da democracia, da cidadania
e da justiça social, por meio de um instrumento de construção
de uma cultura de direitos humanos que visa o exercício da
solidariedade e do respeito às diversidades.
A estrutura do documento estabelece concepções,
princípios, objetivos, diretrizes e linhas de ação, contemplando
cinco grandes eixos de atuação: Educação Básica; Educação
Superior; Educação Não-Formal; Educação dos Profissionais
dos Sistemas de Justiça e Segurança Pública e Educação e Mídia.

ACESSE

Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos. [Link]


ly/2Ny9iCh

Em 2018 completou 70 anos, que a Assembleia Geral das


Nações Unidas adotou a Declaração Universal dos DH como
um referencial comum de direitos humanos para todas (os) no
mundo.
Educação Popular 217

ACESSE

Há 70 anos: adotada a Declaração Universal dos Direitos


Humanos. [Link]

Quais os principais instrumentos legais fundamentam as


políticas públicas em educação popular? A Constituição Federal
de 1988 e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação de 1996 e
o Marco de Referência da Educação Popular para as Políticas
Públicas de 2014. Esses instrumentos dão base para a implantação
e implementação dos planos; programas; projetos e as políticas
públicas voltadas para a educação popular – realizado o devido
diagnóstico e tramites legais e administrativos dessas políticas
públicas.
O que é o Marco de Referência da Educação Popular para
as Políticas Públicas?
Este Marco insere-se no âmbito do processo de
construção da Política Nacional de Educação
Popular, da Política Nacional de Participação
Social, das políticas e programas para a juventude.
(MARCO DE REFERÊNCIA DA EDUCAÇÃO
POPULAR PARA AS POLÍTICAS PÚBLICAS,
2014, p. 7).
218 Educação Popular

Figura 6: Marco de Referência da Educação Popular para as políticas públicas

Fonte:Pixabay

Quais os objetivos do Marco de Referência?


[…] promover um campo comum de reflexão e
orientação de práticas coerentes com a perspectiva
metodológica proposta pela educação popular
do conjunto de programas, projetos e políticas
com origem, principalmente, na ação pública, e
contemplando os diversos setores vinculados a
processos educativos e formativos das políticas
públicas do Governo Federal (MARCO DE
REFERÊNCIA DA EDUCAÇÃO POPULAR
PARA AS POLÍTICAS PÚBLICAS, 2014, p. 16).
O Marco de Referência da Educação Popular para as
Políticas Públicas apresenta Princípios e Diretrizes para as
Ações de Educação Popular nas Políticas Públicas, a saber:
Educação Popular 219

I - Emancipação e poder popular.


II – Participação popular nos espaços públicos.
III- Equidade nas políticas públicas fundamentada na
solidariedade, na amorosidade.
IV- Conhecimento crítico e transformação da realidade.
V– Avaliação e sistematização de saberes e práticas.
VI – Justiça política, econômica e socioambiental.
E, quem participa da implantação e implementação das
políticas públicas de educação popular? As (os) cidadãs (os);
a comunidade; a Sociedade Civil Organizada – Movimentos
Sociais, Organizações Não Governamentais e o Estado
(instituições públicas federais; estaduais e municipais).
Com o propósito de contribuir com as políticas públicas
de educação popular o Centro de Referência em Educação
Integral (ONG), entende que a Política de Educação Integral
para assegurar a qualidade e equidade deve ser fundamentada:
Políticas Públicas de Educação Integral. Planejamento
da Gestão Educacional – definição clara de desafios, metas e
estratégias; Alinhamento entre todos os atores envolvidos no
sistema: convergência de
esforços em todos os níveis; Modelo de gestão estruturado
e sustentável que articule, de maneira dialógica, a secretaria e
as escolas; Marcos legais que garantam sustentação a política;
Articulação intersetorial que garanta complementaridade as
estratégias escolares. [Link]
220 Educação Popular

Redes Públicas de Cooperação Federativa


do Campo: Estado e Políticas Públicas
As redes de cooperação do campo: Estado e Políticas
Públicas ou redes estatais, são consideradas de natureza complexa
devido as suas variáveis e especificações. O que significa essa
modalidade de Rede?
Rede de cooperação campo Estado e Políticas
Públicas - Redes de Estado ou Redes de Políticas
Públicas são produtos da parceria entre os órgãos
da estrutura do Estado, nas esferas federal,
estadual e municipal, ou destas com organizações
não estatais, autorizadas na forma da lei para
prestação de serviços públicos descentralizados
ou terceirizados (A AUTORA, 2019).

ACESSE

Políticas Públicas: um enfoque na participação cidadã e no


controle social. [Link]

Elas podem ser classificadas em dois grupos:


Redes estatais puras: formadas somente por
organizações da estrutura do Estado.
Redes associadas aos setores e sistemas da administração
pública: apresentam estruturas hierárquicas para a prestação de
serviços públicos.
Educação Popular 221

Quadro 5: Variáveis e especificações das Redes de Políticas Públicas

Variáveis Características

Agentes governamentais, governos locais


Atores envolvidos e outros.

Caráter das relações Formalidade e informalidade.


Foco de atuação Problemas, projetos concretos e gestão
de processos complexos e ações.
Processo Associação de recursos e intercâmbio.
Cooperação, respeito mútuo,
Princípios e valores reconhecimento de competências e
conflitos equacionados.
Centro animador, operador catalisador,
Interações hierarquia e não hierarquia.

Ambiente Efêmero e grupo definido.

Engajamento Adesão por interesse e competência.

Racionalidade Comunicativa e Instrumental.


Fonte: Adaptado de Loiola e Moura (1996)

O que são serviços públicos?


Serviços públicos prestados sãos os bens ou
serviços prestados em nome do governo pelos
ministérios a indivíduos ou organizações externas
(TROSA, 2010, p. 176.)
A prestação de serviços públicos pelo Estado efetiva-se
não apenas para: demandas sociais (saúde, educação, segurança
e outras), atendimentos direitos aos cidadãos, também estão
incluídas as infraestruturas de uso comum e a intervenção nos
agentes da sociedade e do mercado.
Embora sejam poucas as redes estatais admitem a formação
de redes puras horizontais, quer dizer, a atuação independente e
222 Educação Popular

isolada. São representadas pelas redes intermunicipais, a exemplo


dos consórcios municipais dispostos como “cooperativismo
horizontal” em contraposição ao “municipalismo autárquico”.
Como vimos essa modalidade de Rede pode realizar
parcerias com organizações não estatais, quanto estabelecem
essas parcerias são chamadas de redes híbridas.
O que são as Redes Híbridas?
Constituídas de entes estatais e não estatais
aceitando vários formatos devido a potencialidade
de colaboração público-privado (comunidades,
terceiro setor e iniciativa privada) e das
propriedades de gestão das redes, o que dá origem
a modelos de atuação com inúmeras composições
(Suzy Rodrigues, 2019).

Pedagogia por projetos


Essa metodologia de ensino-aprendizagem constitui-se
em uma tendência para a educação brasileira e internacional em
todos os seus setores, inclusive a educação popular, devido a
sua proposta inovadora de trabalhar temas por meio de projetos,
onde o (a) educando (a) realiza intervenções na sua realidade,
isto é, o ensino se dá pelas experiências.
O que significa a Pedagogia por Projetos?
De acordo com Buck Institute for Education (2008), a
Pedagogia de projetos pode favorecer o trabalho do professor
para conseguir um alto desempenho junto com seus alunos,
com foco na aprendizagem de qualidade e possibilitando uma
possível interferência junto à comunidade.
[…] os principais componentes do mosaico
Pedagogia de Projetos: 1. Desenvolvimento
de um espírito comunitário de equipe e
consequentemente, da autodisciplina. 2. Respeito
Educação Popular 223

e convívio com a multiplicidade de pensamentos


e experiências. 3. Reconhecimento e prática da
interdisciplinaridade. 4. Construção e exercício
do diálogo, levando à transdisciplinaridade e à
multiculturalidade. 5. Exercício de novas formas
de organização e autoridade, limitando no tempo
a hierarquia e marginalizando o autoritarismo.
6. Vivência da realidade. 7. Desenvolvimento de
visão prospectiva. 8. Desenvolvimento de visão
perspectiva. 9. Desenvolvimento de visão crítica.
10. Desenvolvimento das práxis como interação da
teoria com a prática. 11. Apropriação pelo grupo
dos conhecimentos e saberes Lidamos, assim,
com uma pedagogia do raciocínio e da ação, na
qual aprendemos a pensar e a fazer num processo
único e indissolúvel, mas cujo resultado final
não pertence a qualquer indivíduo, pois é fruto
do empenho e da competência de todos (SANZ,
2003, p.78- 79).
Chegamos ao final da unidade IV, espero que tenham
gostado do assunto e assimilado o aprendizado. Bons estudos!
224 Educação Popular

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