Revista Ibero- Americana de Humanidades, Ciências e Educação- REASE
doi.org/10.51891/rease.v9i2.8683
ATIVIDADES OPERACIONAIS NA EDUCAÇÃO INFANTIL
Adriana da Silva Nonato1
Helena Aparecida de Faria2
Jeane Laura de Almeida Flores3
Lucilene Cruz de Souza Oliveira4
Raianne Bruna da Silva Rocha5
Rosinéia Pereira Barcelos Avelar6
RESUMO: Este artigo parte da resposta ao seguinte questionamento: Qual a importância
das atividades funcionais na educação infantil? O objetivo, desenvolvido a partir da
experiência da prática do currículo obrigatório orientado da educação infantil, é evidenciar
a união entre teoria e prática. Orientados pela perspectiva histórico-cultural da abordagem
de pesquisa qualitativa, nossa pesquisa se concentra em explicar o desenvolvimento da
criança segundo Vygotsky, destacando os pontos-chave do desenvolvimento, e
apresentamos o papel do professor perante esta corrente teórica e, por fim apresentamos a
resposta a questão proposta.
Palavras-chave: Desenvolvimento Infantil. Atividades Operacionais. Educação Infantil.
1413
ABSTRACT: This article starts from the answer to the following question: What is the
importance of functional activities in early childhood education? The objective, developed
from the experience of practicing the compulsory curriculum oriented to early childhood
education, is to highlight the union between theory and practice. Guided by the historical-
cultural perspective of the qualitative research approach, our research focuses on explaining
child development according to Vygotsky, highlighting the key points of development, and
we present the role of the teacher in this theoretical current and, finally, we present the
answer the proposed question.
Keywords: Child Development. Operational Activities. Child Education.
1
Graduada em Pedagogia para a Educação Infantil pela Universidade Federal de Mato Grosso – UFMT.
Graduada em Direito pela Universidade de Cuiabá –UNIC. Especialista em Educação Infantil e Alfabetização
pelas Faculdades Integradas de Várzea Grande – FIAVEC.
2
Graduada em Pedagogia pela Universidade de Cuiabá - UNIC. Especialista em Alfabetização e Letramento
pela Faculdade Afirmativo.
3
Graduada em Pedagogia pelas Faculdades Integradas de Várzea Grande – FIAVEC. Especialista em Educação
Infantil pelo Instituto de Ensino Superior de Minas Gerais – IESMIG.
4
Graduada em Pedagogia para Educação Infantil pela Universidade Federal de Mato Grosso – UFMT.
Especialista em Educação Infantil pela Faculdade INVEST de Ciências e Tecnologia.
5
Graduada em Pedagogia pelo Centro Universitário – UNICESUMAR. Especialista em Educação Infantil
pela Universidade Norte do Paraná - Unopar.
6
Graduada em Pedagogia para Educação Infantil pela Universidade Federal de Mato Grosso – UFMT.
Especialista em Educação Infantil e Especial pelas Faculdades das Águas Emendadas – FAE.
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1. INTRODUÇÃO
A Educação Infantil é a etapa inicial da educação básica sendo de extrema
importância para o desenvolvimento das habilidades que possibilitarão a compreensão e
interiorização do mundo humano pela criança, neste sentido é essencial trabalhar atividades
operacionais, pois é a partir da interação com o meio, determinado por um ato intencional e
dirigido do professor que a criança aprende (VYGOTSKY, 1998). O presente artigo tem por
objetivo evidenciar esta importância, o a partir de um estudo como estas atividades mediam
o conhecimento à criança.
O mesmo pretende refletir sobre a importância das atividades operacionais na
Educação Infantil. O trabalho tem, como objetivo responder a seguinte questão: Qual a
importância das atividades operacionais na Educação Infantil? Destacamos já que
entendemos estas atividades como cruciais para o desenvolvimento da criança pequena,
apoiados em uma perspectiva histórico cultural do desenvolvimento.
2. DESENVOLVIMENTO
1414
O desenvolvimento infantil esta pautado na interação com o meio, segundo
Vygotsky a criança aprende e depois se desenvolve, deste modo, o desenvolvimento de um
ser humano se dá pela aquisição/aprendizagem de tudo aquilo que o ser humano construiu
socialmente ao longo da história da humanidade.
Ao se tratar de escola, estamos em um âmbito mais aprofundado, pois para além de
transmitir o conhecimento acumulado, este processo deve ocorrer de modo organizado,
assim sendo, todas as ações realizadas pela escola e seus profissionais devem ser pensadas,
refletidas, discutidas e planejadas, pois todas as ações devem ter intencionalidade e
finalidade.
Na Educação Infantil este processo não pode ser diferente, pois o período dos 0 ao 5
anos que fará mais diferença no futuro, sendo a base para o desenvolvimento posterior.
Deste modo, destacamos a importância da escola como local para além dos cuidados na
Educação Infantil, porque é nele que a criança deve se envolver, interagir e agir com o meio,
com o outro e com si mesma para apreender o mundo que a cerca e ir além apreendendo para
além da imagem, mas também os significados por trás delas.
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Advogamos o princípio segundo o qual a escola, independentemente da faixa estaria
que atenda, cumpra a função de transmitir 294 conhecimentos, isto é, de ensinar
como lócus privilegiado de socialização para além das esferas cotidianas e dos limites
inerentes à cultura do senso comum (MARTINS, 2009, p. 94).
A escola de Educação Infantil não pode se isentar do ato intencional de educar,
presando apenas pelo cuidar, devendo assim haver um equilíbrio entre o cuidar e o educar
para que as crianças possam aprender e desenvolver todas as suas possibilidades e
habilidades da forma mais integral possível.
De acordo com a periodização feita por Abrantes (2012) a teoria histórico cultural
pode ser dividida em épocas, Primeira Infância (0 a 3 anos), Infância (3 a 10 anos) e
Adolescência (10 a 17 anos) e períodos, Primeiro Ano (0 a 1 ano), Primeira Infância (1 a 3
anos), Idade Pré-Escolar (3 a 6 anos), Idade Escolar (6 a 10 anos), Adolescência Inicial (10 a
14 anos) e Adolescência (14 a 17 anos).
A transição entre os períodos se dá por meio de crises e a atividade dominante em
cada período é respectivamente: Comunicação Emocional Direta, Atividade Objetal
Manipulatória, Jogo de Papéis, Atividade de Estudo, Comunicação Íntima Pessoal e
Atividade Profissional Estudo. Como já dito neste trabalho trataremos das crianças de um 1415
a três anos de vida, ou seja, a Primeira Infância e/ou Atividade Objetal Manipulatória.
O período da Primeira infância e/ou Atividade Objetal Manipulatória é entendido
como essencial para a criança. É neste momento que a criança desenvolverá características,
habilidades e aptidões. Essas transformações quantitativas e qualitativas são consideradas
fundamentais para o desenvolvimento da criança persistindo ao longo de toda sua vida
adulta.
2.1. Os aspectos Psicológicos do Desenvolvimento
Ao adquirir controle de seus movimentos no que se diz respeito ao andar sozinha a
criança começa, então, a aperfeiçoar o grau de dificuldade desses caminhar, seja pisando em
algum objeto, seja andando para trás ou mesmo um degrau, sente como a um desafio a
alcançar diante desses estímulos dificultosos.
A capacidade de caminhar independente da ajuda de um adulto proporciona à criança
um novo panorama do mundo exterior, ampliando a compreensão dos objetos a sua volta,
bem como sua manipulação, uma vez que estes eram “limitados” pelos pais. A criança se dá
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conta de que há a existência de obstáculos em seu trajeto e que precisa captar maneiras de
evitá-los. O caminhar dá autonomia à criança.
2.2. Desenvolvimento Afetivo, Visual, Tátil, Auditivo e Motor
A criança no início da primeira infância é dependente da mãe, as proibições e limites
impostos pela mesma geram na criança uma reação de oposição, pois esta não entende e não
aceita, gerando uma dualidade de amor e ódio.
Quando existe uma aprovação por parte do adulto em relação ao que a criança faz,
ela se sente satisfeita e motivada a fazer as coisas novas. Santos (1999) argumenta que
embora a criança não entenda as atitudes, deve passar por situações de satisfação e
sofrimento, para que descubra que tipo de ações podem satisfazer a ela e ao adulto.
Santos (1999) ainda diz que a criança deve desenvolver o autoconceito, pois já se vê
separada das pessoas e, já entende que o adulto “vai e vota”, que os objetos vão continuar no
mesmo lugar, ainda que ela não os veja, é necessário ver a si mesmo como algo contínuo no
tempo e espaço. 1416
A partir dos dois anos a acriança torna-se mais independente e autoconfiante, porém
é egocêntrica, cabe nesse momento o adulto ensinar a acriança a “perceber” a outra, por
exemplo, em atividades cooperativas.
A visão, o tato e a audição são os meios pelos quais a criança descobre o mundo, sendo
que nesta fase ela não tem medo de ver, ouvir e sentir. Esses sentidos possibilitam a criança
a perceber as coisas (tamanho, forma e cor) que fazem parte do meio, o tato permite que a
criança sinta diferentes texturas, agradáveis ou não. A criança nesta fase escuta tudo e se
distrais de modo fácil, quanto a sons em alto volume, a criança pode se assustar.
Aos dois anos de idade a criança possui os músculos do corpo e o controle motor mais
aprimorado, tendo mais facilidade para modelar massinha e rabiscar com giz. Estas situações
são de demasiada importância para o desenvolvimento visual e tátil.
Nesta idade a criança está no mundo dos sons, o papel do adulto neste momento é de
estimular o desenvolvimento dos sentidos para que a criança possa ter uma expressão
própria.
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Em suma, desenvolvimento se produz por meio de aprendizagens e esse é o
pressuposto vigotskiano, segundo o qual o bom ensino, presente em processos
interpessoais, deve se antecipar ao desenvolvimento para poder conduzí-lo.
Portanto não há que se esperar desenvolvimento para que se ensine; há que se
ensinar para que haja desenvolvimento (MARTINS, 2009, p. 100).
Contudo, faz-se necessário compreender como se dá o desenvolvimento infantil no
período da Primeira Infância compreendido do 1 ano aos 3 anos de vida da criança, no qual
se desenvolve a Atividade Objetal Manipulatória.
2.3. Atividade Objetal Manipulatória
No primeiro ano de vida, a criança realiza manipulações dos objetos de maneira
externa a eles, com a primeira infância, ela passa a ressignificar a utilização desses objetos,
deixando de serem simples “coisas” a detentores de uma função específica, segundo a própria
função social deste objeto.
É na primeira infância que se constrói a passagem para a atividade objetal, atividade
principal do período, na qual o adulto assume o papel de colaborar nesse processo, pois a
exemplo de uma colher, ela poderá batê-la, jogá-la ao chão e, mesmo assim, não descobrir
1417
sua função, a menos que o adulto intervenha e lhe demonstre sua finalidade.
A assimilação da criança pelos objetos em relação ao seu destino difere dos animais,
como por exemplo, do macaco que ao sentir sede, irá beber água na xícara, no balde, no chão,
não se depreendendo ao fato de que a xícara é utilizada para beber algo, se ela estiver vazia
vai utiliza-la para várias coisas também. A criança, portanto assimila o significado
permanente do objeto. Mukhina (1995) discorre que o destino que a sociedade conferiu ao
objeto e não varia por necessidade de momento.
Porém, isso não garante que a criança deixará de dar outras funções a este objeto se
não o que lhe é fixado pelo social, mas a importância está na questão de ela saber e conhecer
a verdadeira função deste objeto, independentemente de seu uso “indevido”.
A relação entre ação e objeto apresenta três fases de desenvolvimento: na primeira fase
a criança realiza qualquer função que ela domina com o objeto; na segunda fase, a criança
manuseia o objeto a partir da real função a que se atribui ao objeto e, na terceira fase, tem
reminiscência na primeira fase, porém a criança dominando a real função do objeto, o utiliza
para “outros fins”, fora o “original”.
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Através da assimilação da atividade objetal realizada pela criança de modo a condizer
às regras de comportamento social é o que faz mudar a conduta da criança quando realiza
uma atividade de manipulação objetal.
É importante para o desenvolvimento psíquico da criança que o uso dos objetos
aconteça para manter o mesmo sentido em empregos diferentes, ou seja, unívoco, uma vez
que nem todas as ações que a criança assimila têm o mesmo valor no seu progresso psíquico,
as ações contêm particularidades, a exemplo dos brinquedos, roupas, móveis e louças.
Existem de fato diferentes formas de utilizar os objetos, as formas que mais exigem
exercitação da psique são as que mais contribuem para que o psiquismo se desenvolva.
As ações mais importantes que a criança assimila na primeira infância são as
correlativas e as instrumentais. As ações correlativas aquelas nas quais se estabelece uma
relação comum entre determinados objetos, fazendo-as recíprocas espacialmente falando, o
que faz a criança levar em consideração as propriedades dos objetos, conferindo-lhe respeito
a estas propriedades, dando sentido à atividade desenvolvida através do objeto. Estas ações
são presentes na primeira infância, o que não ocorre com a devida “consciência” no primeiro
ano de vida, antes de completar um ano. Tais ações são reguladas pelo resultado obtido, que 1418
somente é atingido pela contribuição e intervenção do adulto que aponta os erros, norteia
como agir, a fim de corrigir com a finalidade do resultado correto.
As ações instrumentais são aquelas nas quais se utilizam de instrumentos e /ou
ferramentas para agir sobre outro objeto. Ainda enfatizando a colaboração do adulto na
apropriação destes objetos, a ideia é de que o adulto ofereça meios – instrumentos – que
colaborem para que a criança se aproprie e assimile o uso do objeto, como por exemplo, a
colher, nela está presente o traço que a caracteriza como ferramenta, torna-se um
instrumento para que ocorra a alimentação da criança e, que se faz, portanto, uma
“intermediadora” entre a mão da criança e o alimento. Deste modo, acontece a sujeição, a
reconversão dos movimentos da mão da criança à forma do instrumento.
A assimilação das ações instrumentais não acontece imediatamente, existem etapas,
sendo que a primeira, tendo o instrumento como continuação da própria mão, suas ações,
portanto são manuais ainda; a segunda etapa a criança se prende para a relação instrumento
e objeto sob o qual incide a ação, quanto ao êxito, só será alcançado eventualmente; a terceira
fase é obtida quando a mão se adapta às propriedades do instrumento, originando as ações
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instrumentais de fato. Estas que são dominadas na primeira infância, estão em contínuo
desenvolvimento no decorrer do tempo, não é acabado. Sua importância está na assimilação
do uso dos instrumentos de maneira correta, exata. Os quais se configuram como princípios
básicos da atividade humana, possibilitando à criança a autonomia no uso dos objetos.
2.4. Aparecimento de Novos Tipos de Atividades na Primeira Infância
No final da primeira infância surgem novas formas de atividade, são o jogo e as
formas produtivas de ação. No jogo é importante ressaltar que não há relação com o jogo dos
filhotes de animais, que são instintivos, ao contrário, as crianças reproduzem o conteúdo de
seus jogos a partir da sua percepção do contato com o adulto.
Primitivamente não havia separação entre jogo e trabalho, a criança assimila na
prática a forma de obter sustento. Como necessidade social ao passar do tempo, as formas
de produção e instrumentos de trabalho deixaram de estar ao alcance da criança, passando a
ser construídas para a mesmas ferramentas reduzidas, tendo como característica uma
sociedade preocupada com uma infância preparada para inserir-se no trabalho. Através dos
jogos-exercícios, sob a supervisão do adulto, surge o brinquedo figurativo, momento em que 1419
há a separação da criança com as relações sociais, que por sua vez surge o jogo dramático, no
qual a criança passa a reproduzir traços da sociedade adulta e suas relações sociais, formando
comunidades infantis de representação lúdica, por meio do jogo dramático a criança satisfaz
a necessidade de estar inserida no “mundo adulto”, que ocorre por meio dos brinquedos.
Os jogos iniciais a princípio representam atitudes das crianças sob suas visões do
adulto de maneira que elas não reproduzem suas vivencias reais, mas sim, imitando o adulto,
tal como eles fazem com uma criança, somente mais tarde ocorrerá pela primeira vez jogos
com recriações do real. E assim, sucessivamente a criança vai progredindo na assimilação
das ações praticadas, utilizando-se de vários tipos de objetos substituindo outros que não
possui, ainda não dando nome lúdico, após isto, nomeia os objetos de acordo com o papel
que desempenha no jogo, compreende a significância do objeto dentro do jogo e
gradativamente vai se criando as premissas para o jogo com papeis.
Este desenvolvimento é necesário para a atividade representativa, por meio do
desenho, sendo a representação de determinado objeto. Caracterizada desde a garatuja com
marcas, traços desordenados, linhas retas, curvas sem representação alguma que adentram
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na prévia representação para a imagem, dividida em duas fases: na qual a criança reconhece
o objeto numa combinação casual de traços e a outra intencionalmente a criança reconhece
o que desenhou. A atividade representativa só aparecerá quando a criança verbaliza o que
deseja desenhar. É de demasiada importância, a saber, que a criança aprende a desenhar, não
apenas aperfeiçoando-se, praticando, mas também e valiosamente, pela influência do adulto
que lhe propiciará subsídios para que se formem imagens gráficas nas linhas por ela traçada.
2.5. Desenvolvimento da Percepção e das Noções acerca das Propriedades dos Objetos
A criança adquire ações visuais através da manipulação dos objetos estabelecendo
assim, propriedades dos objetos. Para que a criança perceba os objetos de forma mais
completa deverão ser oferecidas novas ações de percepção, que surgem ao assimilar a
atividade objetal, contudo com as ações correlativas e instrumentais. Existem as ações
orientadoras externas que permitem a criança alcançar um resultado prática por meio do
contato, da tentativa diante de uma situação, tais ações conduzem-nas ao conhecimento das
propriedades do objeto.
Comparando-se as propriedades dos objetos é possível que a criança correlacione 1420
visualmente as propriedades dos objetos, convertendo-a em modelo para determinar as
propriedades de outros objetos, formando um novo tipo de concepção.
CONCLUSÃO
A teoria de Vygotsky (1998), tenta compreender a relação entre linguagem,
desenvolvimento e aprendizagem no contexto de um processo histórico-cultural e interação
social, vemos a aprendizagem como um processo profundamente social, onde também é um
processo dialético complexo, onde o desenvolvimento não é linear.
Aprendizagem e desenvolvimento estão interligados desde o nascimento de uma
criança até as ações intelectuais resultantes de práticas sociais nas quais o indivíduo se torna
humano, abarcando a humanidade historicamente criada.
Vygotsky (1998) também recomenda estudar o conhecimento da criança e estudar
suas outras habilidades, que não estão diretamente relacionadas ao seu conhecimento, mas
que têm um papel importante em seu desenvolvimento.
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Assim, chamamos a atenção para os problemas do aprendizado e o valorizamos
seriamente. A tarefa do ensino é produzir algo fundamentalmente novo para o
desenvolvimento da criança no quadro de conteúdos funcionais que permitem a
aprendizagem indireta, mas são essenciais para o desenvolvimento da criança.
Na primeira infância a atividade de manipulação de objetos é um período crucial em
que a mediação é muito importante para garantir o aprendizado e o desenvolvimento da
criança. Nesse momento da vida, a criança começa a desenvolver uma psicologia organizada,
pois com o auxílio da fala, além de construir o pensamento, pode começar a compreender o
mundo e se relacionar melhor com ele.
Durante esse período, os sentidos, as habilidades motoras e a psique da criança
também são desenvolvidas por meio do cuidado. A atividade Objetal Manipulatória refere-
se ao início do processo em que a criança primeiro simplesmente explora o objeto, depois
aprende a usá-lo de acordo com a função para a qual a sociedade o criou e, finalmente, usa o
objeto simulando-o, através da imaginação, nessa fase a criança além de já ter aprendido a
função do objeto, ainda o utiliza de forma criativa.
Por isso entendemos o professor como determinante do desenvolvimento da criança, 1421
pois é justamente por meio do cuidado, sistematização e orientação que a criança adquire
conhecimentos socialmente construídos ao longo de toda a história.
REFERÊNCIAS
MUKHINA, Valéria. Psicologia da idade pré-escolar. Trad. Claudia Berliner. São Paulo:
Martins Fontes, 1995.
MARTINS, Lígia Márcia. O Ensino e o Desenvolvimento da Criança de Zero a Três Anos.
In: ARCE, Alessandra; MARTINS, Lígia Márcia (orgs). Ensinando aos pequenos de zero a
três anos. Campinas, SP: Editora Alínea, 2009.
SANTOS, Santa Marli Pires dos. Brinquedo e Infância: um guia para pais e educadores em
creche. Petrópolis, RJ: Vozes, 1999.
VYGOTSKY, Lev Semenovich. A Formação Social da Mente: O Desenvolvimento dos
Processos Psicológicos Superiores. Trad. José Cipolla Neto, Luís Silveira Menna Barreto,
Solange Castro Afeche. 6ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
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