Nomear, Subverter, Organizar
Nomear, Subverter, Organizar
sinalizar minha presença, por meio de algu- psicanalítica. Desde os primeiros artigos
mas palavras às quais, quem sabe, ela pudesse sobre o tratamento da histeria pela hip-
se agarrar para sair de seu imobilismo e nose, passando pela associação livre e pela
comigo retomar a elaboração de sua dor. análise da transferência, até os últimos tex-
Sem interpretar ou me referir aos afetos tos sobre as construções em análise, esse fio
que me sugeriam, apenas relatei em voz alta alinhava a clínica psicanalítica em torno do
os movimentos de suas mãos, de sua respi- trabalho sobre o recalcamento, mecanis-
ração, de seus olhos, de sua boca. Como se mos de defesa e dinâmicas psíquicas.
tocasse e percorresse com minhas palavras Em diferentes momentos, Freud sus-
cada um deles, convidando-a a me acompa- tenta que o objetivo de todas essas técnicas
nhar. Ainda em silêncio, brotaram nela as sempre permaneceu o mesmo: “preencher
primeiras lágrimas, interrompeu-se a agita- lacunas na memória” e “superar resistên-
ção de suas mãos. Depois de alguns instantes, cias devidas ao recalcamento” (Freud,
chorando, murmurou: “Eu não consigo…” 1914/1975k, p. 193). Até seus últimos traba-
Esperei um pouco antes de lhe lhos, Freud permaneceu fiel a esse princí-
dizer: “Há muitas maneiras de ser mãe, pio, insistindo que a análise “visa a induzir
Marlene…” o paciente a abandonar o recalcamento
Ainda balbuciando, com a voz ainda frá- ([…] no sentido mais amplo) próprio a seu
gil, ela revelou que passara a sonhar com primitivo desenvolvimento e a substituí-lo
a gravidez “mais do que pudera reconhe- por reações de um tipo que corresponda
cer nas sessões”; que poucas vezes na vida a uma condição psiquicamente madura”
não conseguira superar os obstáculos que (Freud, 1937/1975d, p. 291).
encontrara a seus projetos; que acostumada A análise de lembranças, sonhos, lap-
a brigar pelo que desejava e a alcançar seus sos, devaneios, fantasias, representações,
objetivos, nunca imaginou “que pudesse ser fragmentos de memória, revelados na ses-
traída por seu próprio corpo”, muito menos são por meio da associação livre, acompa-
naquele sonho descoberto e tão investido nhados por diferentes expressões afetivas,
recentemente. permite a superação do recalcamento e
Retomamos, juntos novamente, esse das resistências, a emergência dos con-
caminho… teúdos inconscientes, o restabelecimento
de “conexões emocionais”, a transforma-
ção e a superação dos conflitos e sintomas
A clínica do recalcamento neuróticos.
Naturalmente, Freud também reconhe-
Um fio consistente perpassa a obra freu- cia os silêncios, as expressões e atitudes
diana determinando as bases da técnica corporais, os sintomas e doenças orgâni-
cas, as atuações dos pacientes, porém, na
análise, esses elementos só podiam ser con-
siderados na medida em fossem objeto de
pelas associações do ego consciente (Freud, órgão pode, inclusive, modificar a fun-
1893/1975b; Freud & Breuer, 1895/1975). ção anatômica ou fisiológica desse órgão
O corpo se revela na teoria freudiana ora (Freud, 1910/1975c) e igualmente a própria
como fonte de experiências que podem ou organização e funcionamento das instân-
não ser percebidas, representadas e elabo- cias psíquicas, do narcisismo e das relações
radas por instâncias e funções psíquicas, objetais (Freud, 1914/1975l).
ora como destino possível para a expressão As relações íntimas e originárias são
e descarga de excitações, afetos e libido, particularmente evidenciadas na metapsi-
palco de vivências de prazer e desprazer, de cologia, na segunda tópica e nos modelos
gozo, de angústia e de sofrimento, articu- pulsionais.
ladas ou não com as dinâmicas psíquicas. Freud (1915/1975g) concebe a pulsão
No sonho, o corpo pode surgir como como “um conceito-limite entre o psíquico
fonte, conteúdo e protagonista de imagens e o somático”, uma manifestação que surge
e experiências, porém, o próprio sonho do corpo, que se constitui também como
se coloca a serviço de necessidades de um “representante psíquico das excitações
repouso do organismo, preservando o sono, e estímulos oriundos do interior [desse]
integrando percepções, sensações e exci- corpo” (p. 127). Dessa forma, ele aponta
tações oriundas do organismo e também para as raízes somáticas do psiquismo,
do mundo externo (Freud, 1900/1975h). mas também para a condição essencial do
Mais do que isso, o sonho pode também psiquismo como recurso de acesso, repre-
se prestar a uma função de representação sentação, organização e transformação da
“diagnóstica” e “hipocondríaca”, por meio experiência corporal.
da qual são apreendidas funções e sensa- São igualmente enraizadas nas vivên-
ções corporais geralmente imperceptíveis cias corporais as forças que promovem a
à consciência (Freud, 1917/1975n). vida e o desenvolvimento, como as pulsões
Freud revela o corpo como a cena da de autoconservação, as pulsões sexuais e
qual surgem e se articulam a sexualidade, a pulsão de vida, bem como as que a elas
a libido, a formação do psiquismo, o desen- se opõem, como a destrutividade e a pul-
volvimento do sujeito, seu encontro com o são de morte, “marcadas pelo biológico”
outro humano e com o mundo. Ao mesmo e “tendendo ao anorgânico” (Freud,
tempo fonte e objeto da pulsão, tanto os 1920/1975a, p. 55). Ele compreende o ego
órgãos como todo o corpo e sua superfície “antes de mais nada [como] um ego corpo-
se constituem como zonas erógenas, pas- ral” (Freud, 1923/1975f, p. 39), “um ser de
síveis de excitação, de prazer e desprazer superfície”, formado a partir de percepções
(Freud, 1905/1975o, 1915/1975g). A inten- e sensações vividas na superfície do corpo,
sidade do investimento erógeno em um voltadas tanto para seu exterior como para
o interior, mas também como “projeção
de uma superfície”, uma representação
mental desse corpo. A partir de processos
Permeadas por palavras e por experiên- psicossomática, por meio de dinâmicas que
cias de prazer e desprazer, próprias e do a preservam das desorganizações comporta-
outro, todas essas primeiras formas de per- mentais e orgânicas, mais frágeis e primiti-
cepção, sensação e relação são nomeadas, vas. Por ocasião de vivências perturbadoras
significadas e marcadas por diferentes mati- e traumáticas, as manifestações psicopato-
zes de afeto, constituindo gradualmente o lógicas, tentativas de reorganização em
universo representativo do sujeito. Nesse torno dos recursos psíquicos, procuram
processo, desde o desamparo vivido pelo conter, ligar e organizar tais excessos atra-
recém-nascido, o olhar da mãe, do outro vés da sintomatologia psíquica, buscando
que cuida, tem também uma função estru- impedir ou interromper movimentos desor-
turante. O encontro da criança com sua ganizadores da economia psicossomática
imagem especular, reconhecida naquele que, persistindo, podem se expressar pelas
olhar, é atravessado pelo desejo materno, vias da sintomatologia e doenças compor-
que unifica a experiência fragmentada que tamentais e orgânicas, com maior risco à
a criança tem de seu corpo e de todas essas integridade física e, por vezes, à própria
vivências (Lacan, 1949/1992), organizando vida do sujeito.
os primórdios de seu narcisismo, marcado
pelo desejo do outro.
O conjunto dessas funções constitui os Turbulências e desorganizações
recursos da economia psicossomática de
cada um para, ao longo da vida, lidar com Muitos fatores podem comprometer o
experiências, conquistas, desafios, confli- desenvolvimento dos recursos integrado-
tos e vivências traumáticas. Em situações res da economia psicossomática. A dificul-
traumáticas, de excesso e de conflito, com dade do adulto em tolerar a experimentação
vistas à preservação ou ao restabelecimento corporal da criança, devido a sua própria
de um equilíbrio, a qualidade desses recur- história e às dimensões eróticas e fantas-
sos e a consistência dos processos de inte- máticas mobilizadas por essas vivências,
gração que os constituíram determinam perturba a subversão libidinal, produzindo
os modos mais ou menos organizados de falhas na constituição do corpo erógeno da
funcionamento e sua capacidade para pre- criança. Algumas partes do corpo podem
servar a integridade dessas funções e do permanecer cristalizadas em “zonas frias”,
sujeito como um todo. automatismos e funcionamentos restri-
Marty (1990/1994) sustenta que, quando tos, da ordem das necessidades biológicas,
consistentes, os recursos psíquicos e repre- excluídas da relação com o outro e despro-
sentativos (mentalização) são os mais ela- vidas de potencialidade erógena (Dejours,
borados e capazes de proteger a economia 1989/1991). Ficam também comprometidos
os recursos paraexcitantes do próprio sujeito
para lidar com as excitações e intensidades
pulsionais, conflitos internos e externos. As
Quando descrevi em voz alta suas mãos, conversas, refratária até mesmo às folias do
sua respiração, seus lábios e seu silêncio, Carnaval. Seu rosto tornava-se sombrio, seu
ela me ouviu. Hesitante, respondeu reto- olhar, esquivo. Marlene temia aquele olhar
mando um frágil fio associativo que reve- desconhecido, que transformava sua mãe
lou uma dor antiga, intensa e negada em em uma estranha, que a privava de sua com-
sua história… panhia, que a abandonava. Família e amigos
Quando chegou à análise, Marlene era pareciam respeitar aquele recolhimento que
uma mulher satisfeita, realizada profissio- ela não compreendia, mas sentia-se proibida
nalmente, com uma vida social preenchida de questionar. Sua irmã e seu irmão, um
por boas relações familiares e de amizade. pouco mais velhos, aparentemente menos
Feliz com seu marido, há 15 anos seu com- assustados, também se sujeitavam silencio-
panheiro, não tinha filhos. “Não os dese- sos àquelas mudanças. Com o tempo, desa-
java”, dizia, “não encontrava lugar para pareceu aquele olhar do rosto de sua mãe e
eles”, em sua vida tão preenchida pelo apagaram-se as lembranças de Marlene de
trabalho, por amigos, viagens e pela sen- seus temores solitários dos meses de feve-
sação de liberdade de não ter quem dela reiro. Até aquela sessão…
dependesse. Naquele dia, transtornada com o diagnós-
Porém, após dois anos de uma análise tico do tumor uterino, sentindo-se “traída
rica em lembranças e associações, turva- por seu corpo”, forçada por ele a renunciar
ram-se suas “claras certezas” de que não violentamente a uma gravidez por anos
desejava ser mãe. Surgiram aos poucos impossível de ser desejada, reencontrou
cenas esquecidas de sua infância, com aqueles terrores incompreensíveis. Perdida
irmãos, primos e amigos, marcadas pelo e imóvel por um longo tempo, sentiu-se
prazer de brincadeiras, passeios e travessu- tocada pelas palavras que percorreram seu
ras. Passou cada vez mais a evocar a pre- corpo e, ao percebê-lo, reencontrou-me.
sença de sua mãe, dedicada a ela e a seus Ainda titubeante, encontrou também o
irmãos, seus olhares firmes e determina- olhar distante, perdido e silencioso de sua
dos, impossíveis de não serem obedecidos, mãe e os temores que ele lhe provocava.
impossíveis de não serem perdoados. Lembrou-se dos meses de fevereiro de
Com dificuldade, começou também a sua infância, do véu silencioso que recobria
evocar outros olhares, imprecisos e distan- sua família, da profunda tristeza de sua mãe.
tes – aqueles que, durante alguns anos de “Lembrou-se” de José, irmão mais novo que
sua infância, “nos meses de fevereiro”, acom- nunca chegou a conhecer, pois a gravidez
panhavam o desaparecimento do sorriso nos fora interrompida por um aborto espontâ-
lábios de sua mãe, que ficava reservada, neo no quinto mês de gestação. Marlene
taciturna, pouco disposta ao convívio, às tinha 1 ano e meio naquele momento.
Só bem mais tarde, por acaso e entre
meias-palavras, soube de José. Nomeado
desde a concepção para homenagear o
avô materno, caso fosse menino, seu nome oscilações nos investimentos transferen-
não podia ser evocado, mas fazia-se aflitiva ciais, no ritmo, no conteúdo e na coloração
e silenciosamente presente por sua ausên- afetiva da associação livre, de sonhos e de
cia nos meses de fevereiro, mês em que a fantasias, que refletem as vivências libidi-
mãe abortou. Marlene tinha cerca de 8 anos nais, representativas, afetivas e objetais do
quando ouviu uma conversa entre a avó e sujeito. Algumas vezes, como vimos com
a mãe, referindo-se a uma “criança que não Marlene, nos deparamos com mudanças
nasceu” e à homenagem que a mãe “não bruscas em padrões associativos, emocio-
conseguira fazer” a seu próprio pai. Tentou nais e transferenciais característicos do
compreender, perguntar, mas as evasivas da paciente, bem como com rupturas profun-
mãe e da avó falaram mais forte. Apenas per- das do vínculo com o analista e da possi-
cebeu no rosto da mãe as feições transfigu- bilidade de elaboração do material e das
radas por uma tristeza longínqua e familiar. vivências da sessão. Outras vezes, podemos
Só na adolescência compreendeu por si constatar momentos mais ou menos pro-
mesma que a mãe sofrera um aborto e, tam- longados de desorganizações da economia
bém, a tristeza fugidia de seu olhar. Apenas psicossomática, acompanhadas ou não de
uma vez perguntou diretamente à mãe o sintomas ou doenças orgânicas e atuações.3
que acontecera, buscando confirmar seu O diagnóstico de tumor uterino
entendimento. Acabrunhada e esquiva, a maligno, a perspectiva da histerectomia e
mãe aquiesceu, admitindo sua dor e sua a provável impossibilidade da gravidez que
impossibilidade de falar a respeito da perda passara a acalentar, o sentimento de “trai-
daquele bebê. ção” deslocado para o seu próprio corpo,
Naquele momento, apesar de aliviada da mobilizaram em Marlene marcas primiti-
dúvida que vivera por tantos anos, Marlene vas não apenas dos efeitos do aborto sofrido
não conseguiu se desvencilhar da tristeza da e por tantos anos silenciado pela mãe e
mãe, que nela se infiltrara, e voltou a silen- pela família, mas também de suas aflições
ciá-la. Nunca mais falou disso, nem com ela infantis diante da periódica tristeza e dis-
nem com ninguém. Com o tempo, também tanciamento da mãe, provavelmente não
aquela dor insuportável, fugidiamente com- somente “nos meses de fevereiro”.
partilhada, desapareceu sob o vistoso manto A desorganização provocada pela mobi-
de suas conquistas e experiências de mulher lização dessas marcas manifestou-se na pro-
adulta, “feliz e realizada”. funda alteração de sua postura na sessão,
em seu silêncio, na paralisação de suas
ideias, na impossibilidade de preservar o
A escuta do corpo contato e, mesmo, de recuperá-lo quando
a convidei explicitamente a se conectar
Mesmo nas análises de pacientes neuró-
ticos e, segundo Marty (1990/1994), bem
mentalizados, frequentemente observamos
comigo e com as ideias que lhe ocorriam. em pacientes mal mentalizados (Marty,
Senti, em mim, o peso daquelas vivên- 1990/1994), também os momentos de desor-
cias, da solidão e do medo que, naquele ganização momentânea convocam mudan-
momento, era ela (e não a mãe) que não ças significativas no manejo do enquadre,
conseguia nomear. Intuí que, naquelas da escuta, da contratransferência e da inter-
condições, as interpretações que me ocor- pretação, para sintonizar com as dimensões
riam seriam inócuas, pois Marlene não mais primitivas, não representativas, e com
tinha como me ouvir. as oscilações evolutivas e contraevolutivas
Esperei muito tempo por palavras e asso- da economia psicossomática.
ciações que, naquelas circunstâncias, não As dinâmicas mais primitivas, aquém do
tinham como emergir. Foi então que per- recalcamento e da resistência neurótica,
cebi a tênue mas aflita expressão do que confrontam o analista com descargas pul-
ela vivia em seu corpo. Ao tocá-la de outro sionais diretas sem mediação representa-
modo foi possível, a ela, reconectar-se a tiva, impossíveis de serem trabalhadas por
mim e dar forma e palavras a suas vivên- meio de associações, geralmente inexisten-
cias congeladas. Com meu comentário tes, rarefeitas ou vazias. As palavras, esvazia-
(“Há muitas maneiras de ser mãe”), conse- das de suas dimensões pulsional, afetiva e
guiu se desprender do núcleo de sua sidera- simbólica, perdem a capacidade de evocar
ção, libertando-se, aos poucos, de uma das lembranças, por meio das quais poderiam se
ideias que a transtornaram e a emudeceram: revelar conteúdos inconscientes, no caso de
a indiscriminação entre sua histerectomia defesas neuróticas. Rompe-se, assim, uma
e o aborto vivido pela mãe, questão que foi importante via de acesso ao infantil e às pri-
trabalhada ao longo de muitas sessões. meiras experiências de vida do paciente.
Marlene descobriu, então, como suas Desaparecem também sonhos, fanta-
vivências, antigas, repetitivas e impossíveis sias, devaneios e lembranças encobridoras
de serem nomeadas, a impediram durante (Freud, 1899/1975i), bem como formações
muito tempo de entrar em contato com seu de compromisso e mecanismos de defesa,
desejo de ser mãe, negado e racionalizado que podem dar lugar a atuações compor-
pelas “claras certezas” de que não encon- tamentais, expressões e sintomas corporais,
trava lugar para filhos em sua vida “tão tentativas mais rudimentares do paciente
bem-sucedida social e profissionalmente”. para ainda manifestar sua dor e seu afeto
anestesiados. Pela intensidade dos movi-
* * * mentos de desorganização e da desintrica-
ção pulsional, a repetição passa a operar
Assim como as desorganizações psicosso- praticamente em circuito fechado, como
máticas crônicas, muitas vezes observadas pura expressão da compulsão à repetição
e da pulsão de morte (Freud, 1914/1975k;
1920/1975a), com poucas possibilidades de
ligação e de transformação em lembranças.
Notas
1 Vertigem, dispneia, taquicardia, cefaleia, sudorese, 3 Cf. o caso de Sofia em “A clínica das desorganiza-
transtornos digestivos, parestesias etc. ções” (Volich, 2000/2010) e o de Jean em “Desafios”
2 F. Alexander, Ballint, W. Reich, M. Klein, D. W. Win- (Volich, 2002/2015).
nicott, R. Spitz, P. Marty, L. Kreisler, C. Dejours, J. 4 E também de outros profissionais de saúde – cf. “A
McDougall, P. Fédida, A. Green, M. Aisenstein. função terapêutica” em Volich (2000/2010).
Nombrar, subvertir, organizar. El cuerpo en la Naming, subverting, organizing. The body in the
clínica psicoanalítica psychoanalytic practice
A pesar de la importancia de las hipótesis freudianas Despite the importance of Freudian ideas about the
sobre el cuerpo y las relaciones entre lo psíquico body and the relationship between psyche and soma,
y lo somático, durante mucho tiempo el trabajo for a long time the psychoanalytic work on bodily
psicoanalítico con las manifestaciones corporales manifestations used to require the representative
tuvo como condición la mediación representativa y mediation and the psychic inscription of these
la inscripción psíquica de esas experiencias. Muchos experiences. Many psychoanalysts have striven to
se esforzaron por ampliar los recursos clínicos enhance the clinical resources of psychoanalysis in
del psicoanálisis para lidiar con manifestaciones order to deal with more primitive manifestations,
más primitivas, más acá de la representación y which are before representation and repression.
la represión. Este artículo analiza los aspectos This paper studies clinic and metapsychological
clínicos y metapsicológicos que respaldan esta aspects that sustain this enhancement. The author
ampliación, revelando la necesidad y la función herein demonstrates the need and function of frame
del manejo del encuadre, de la transferencia, de la management, transference, countertransference,
contratransferencia, de los modos de observación, de ways of observing, listening and interpreting in order
la escucha y la interpretación para viabilizar el trabajo to enable the psychoanalyst to work with patients
con pacientes que viven desorganizaciones de su who live chronic or temporary disorganizations of
economía psicosomática, crónicas o momentáneas. their psychosomatic economy.
Palabras clave: técnica psicoanalítica; encuadre; Keywords: psychoanalytic technique; frame;
contratransferencia; no representado; countertransference; unrepresented; psychosomatic
desorganizaciones psicosomáticas. disorganizations.
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