Projeto Final CRAS-1
Projeto Final CRAS-1
Pirapemas - MA
2025
DISCENTES:
Alessandra do Nascimento Oliveira
Elielton Augusto Pinto Martins
Flory Cunha de Souza
Leny Martins do Nascimento
Maria de Jesus dos Santos
Maria do Carmo Araújo Barbosa
SUMÁRIO
Sumário
Sumário
INTRODUÇÃO 3
OBJETIVOS 3
METODOLOGIA 4
CRONOGRAMA DE EXECUÇÃO 16
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 17
APÊNDICE A - ENTREVISTA SEMIESTRUTURADA APLICADA COORDENADORA
GERAL DO CRAS CANTANHEDE 19
APÊNDICE B- ENTREVISTA SEMIESTRUTURADA APLICADA AOS RESPONSÁVEIS DE
CRIANÇAS ATENDIDAS PELO CRAS CANTANHEDE 21
RESUMO
OBJETIVOS
O objetivo geral dessa pesquisa consiste em investigar como é realizado o
fortalecimento de vínculos afetivos entre família e lugar, a partir do estudo de caso com
crianças atendidas pelo CRAS (Centro de Referência de Assistência Social), em
Cantanhede/MA.
Para alcançar esse objetivo geral, tem-se os seguintes objetivos específicos:
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1. Identificar junto aos profissionais e a comunidade atendida o papel
socioeducativo do CRAS;
2. Compreender as experiências espaciais das crianças atendidas no CRAS,
destacando lugares de topofilia e como a socialização no CRAS impacta
positivamente seus vínculos sociais (familiar e espacial).
3. Produzir mapeamentos coletivos que possam servir de exemplos de como se
trabalhar com as experiências espaciais por diferentes sujeitos.
METODOLOGIA
A metodologia deve ser entendida como elemento facilitador da produção de
conhecimento, Segundo Marconi e Lakatos (2009, p.176), a técnica de pesquisa é
compreendida como “um conjunto de preceitos ou processos de que se serve uma
ciência ou arte; é a habilidade para usar esses preceitos ou normas, a parte prática”.
Segundo as autoras, para a coleta de dados são utilizadas técnicas de pesquisa “de
documentação indireta que consiste da pesquisa documental e pesquisa bibliográfica” e
de “documentação direta que constitui no levantamento de dados no próprio local onde
os fenômenos ocorrem. [...] os dados podem ser obtidos através da pesquisa de campo
ou da pesquisa de laboratório” (Marconi; Lakatos, 2009, p.188).
De acordo com Gil (2002), a pesquisa que se desenvolverá pode ser classificada:
como de abordagem qualitativa; de natureza básica (que busca, principalmente,
responder perguntas para ampliar o conhecimento, motivada pela curiosidade,
transmissão e debate do conhecimento para toda a comunidade) e uma pequena
intervenção aplicada; do tipo exploratória quanto aos objetivos (pois busca a
compreensão de um tema ou problema, geralmente com pouca informação disponível, é
utilizada para construir familiaridade com o assunto, identificar possíveis problemas e
formular hipóteses para futuras investigações).
Os instrumentos de coleta de dados para o desenvolvimento do projeto de pesquisa
serão entrevistas semiestruturadas com a Coordenadora do CRAS (APÊNDICE A) e
com familiares de crianças atendidas nos programas existentes (APÊNDICE B). Além
disso, o processo de mapeamento coletivo que será realizado como forma de
intervenção em oficinas também visa coletar dados de forma menos direcionada, a partir
dos relatos espontâneos das crianças.
Para a realização do escopo, planeja-se as seis etapas seguintes que conformam os
procedimentos metodológicos a serem adotados ao longo do desenvolvimento do
projeto:
1ª etapa: Ajustes do recorte da pesquisa (tema, espaço educativo, problemática e
objetivos específicos); levantamento bibliográfico e revisão (coleta de dados indiretos,
com fontes em artigos, dissertações, teses, livros) e levantamento documental e análise
(leis, regulamentos, reportagens e sites) com abordagem geográfica do escopo;
2ª etapa: Incursão no campo empírico: Visita ao CRAS, localizado na Av. Dr. Luís
Sousa Guimarães, no Centro do município de Cantanhede, para apresentar a proposta da
pesquisa.
3ª etapa: Coleta de dados diretos no campo empírico a partir dos seguintes
instrumentos: observação estruturada para coleta de dados quanto a socialização
promovida pelo CRAS; entrevista semiestruturada com a Coordenadora do CRAS
(APÊNDICE A) e com os familiares (APÊNDICE B) e conversas informais com as
crianças.
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4ª etapa: Intervenção com oficinas de produção de mapeamentos coletivos para
identificar e registrar as experiências espaciais das crianças atendidas pelo CRAS.
5ª etapa: Sistematização dos dados e informações das etapas anteriores, elaboração
do relatório final;
6ª etapa: Produção do painel e participação no evento de culminância, com
apresentação oral dos resultados obtidos.
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2.1 O Lugar como Experiência Afetiva
A compreensão do lugar enquanto experiência afetiva encontra fundamentos sólidos
na perspectiva fenomenológica de Yi-Fu Tuan (1983), que distingue espaço como
abertura e liberdade, e lugar como segurança e pertencimento. Tuan (1983) propõe uma
compreensão sensível da relação entre os seres humanos e os espaços que ocupam. Para
o autor, o espaço se transforma em lugar quando é vivenciado, nomeado e carregado de
significados. O lugar é construído por meio da experiência emocional, da rotina e da
memória. Nesse sentido, o lugar não é apenas uma localização geográfica, mas um
espaço onde os afetos e experiências cotidianas são elaborados.
Segundo Tuan (1983, p.161) "lugar é pausa; cada pausa em movimento torna-se um
lugar", destacando a importância da permanência e da experiência na constituição do
lugar. A família, como núcleo primário de relações afetivas, desempenha papel central
na construção dos laços entre a criança e o território. Quando essas experiências se dão
em contextos de vulnerabilidade, como os atendidos pelo CRAS, a mediação
institucional torna-se fundamental para que o espaço seja percebido como protetor e
acolhedor.
Essa dimensão afetiva do lugar adquire especial importância quando se observa a
relação das crianças com os espaços que habitam. Conforme apontam Lopes, Costa e
Amorim (2016), o envolvimento das crianças com seu entorno se dá por meio de uma
lógica própria, na qual os espaços são ressignificados pela vivência cotidiana. A
produção de mapas vivenciais, nesse contexto, emerge como ferramenta metodológica e
expressão simbólica da apropriação do espaço pelas crianças, revelando seus
sentimentos, medos, desejos e relações afetivas com o território.
A Geografia da Infância, articulada com a Sociologia da Infância e a Teoria
Histórico-Cultural, reconhece o protagonismo infantil na produção dos lugares. Em
oposição às abordagens adultocêntricas, esse campo defende que a infância é uma
categoria social estruturante (Qvortrup, 2009) e que as crianças devem ser
compreendidas como sujeitos de direitos, com agência e capacidade de produzir
sentidos sobre o mundo (Corsaro, 2011).
Nessa perspectiva, o lugar vivido pelas crianças se torna um território de
experiências, que envolve tanto a materialidade do espaço quanto os vínculos
simbólicos que nele se instauram. A vivência, como propõe Vigotski (2009), é o
elemento mediador entre o sujeito e o mundo, sendo, ao mesmo tempo, individual e
social, concreta e afetiva. É nesse entrelaçamento que o lugar se revela enquanto
categoria essencial para compreender as geografias da infância: um espaço que é
produzido com o corpo, com a memória e com o afeto.
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Na perspectiva da Geografia da Infância, o lugar não é um mero cenário para a vida
infantil, mas uma construção simbólica e afetiva, na qual se estabelecem vínculos, se
produzem memórias e se expressam formas de pertencimento. Pensar o espaço urbano
com base na experiência das crianças é reconhecer que elas têm direitos à cidade — e
não apenas à cidade física, mas à cidade como espaço de vida, de relação, de
participação e de criação.
Segundo Lefebvre (1991), o “direito à cidade” corresponde ao direito de produzir e
transformar o espaço urbano, de modo coletivo, criativo e dialógico. Já para Harvey
(2008), trata-se de um direito político, que implica a liberdade de fazer e refazer a
cidade de acordo com os interesses coletivos. Quando aplicado à infância, esse direito
revela a necessidade de incluir as crianças nos processos de tomada de decisão,
planejamento urbano e produção de políticas públicas.
Entretanto, como observa Aitken (2014), a cidade ainda se estrutura
majoritariamente segundo padrões de controle, normatização e segregação, limitando as
infâncias a zonas de proteção e confinamento. Espaços públicos como praças, calçadas e
parques muitas vezes se tornam hostis ou inacessíveis às crianças, reforçando a exclusão
e a invisibilidade desse grupo social. A produção do espaço urbano, portanto, precisa ser
desnaturalizada: é necessário reconhecer que ele é produto de disputas, interesses e
relações de poder que afetam diretamente a experiência infantil.
Para tensionar esse cenário, a Geografia da Infância propõe metodologias como os
mapas vivenciais, as caminhadas interpretativas e as narrativas espaciais, que valorizam
o olhar e a escuta das crianças em sua relação com os lugares. Tais práticas contribuem
para tornar visível a experiência urbana infantil, possibilitando que crianças expressem
não apenas suas críticas, mas também seus desejos e utopias — elementos fundamentais
para a construção de cidades mais justas e sensíveis à diversidade das infâncias (Lopes;
Costa; Amorim, 2016).
Reconhecer o direito das crianças à cidade significa garantir não apenas
infraestrutura ou segurança, mas sobretudo participação significativa e cidadania
espacial. Implica compreender que a cidade deve ser um espaço de encontro, criação e
liberdade, onde as crianças tenham o direito de brincar, circular, narrar e pertencer.
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relacionam com ele. De acordo com a Teoria Histórico-Cultural, a vivência (ou
perezhivanie) é a unidade entre o indivíduo e o ambiente, ou seja, o modo como o meio
é vivido subjetivamente pelo sujeito (Vygotsky, 2009). As experiências compartilhadas
em família geram territorialidades afetivas, que contribuem para a construção de um
imaginário espacial coletivo, influenciando tanto o pertencimento quanto a mobilidade
social e simbólica das crianças.
Além disso, em contextos de vulnerabilidade social — como nos territórios de
atuação do CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) — a importância do
vínculo com o lugar e com a rede familiar se intensifica. Em situações em que há
precariedade material, instabilidade habitacional ou ruptura de laços sociais, o território
pode se tornar também um campo de disputa por dignidade e reconhecimento. Nesse
cenário, os vínculos afetivos se tornam uma forma de resistência e preservação da
identidade, funcionando como âncoras subjetivas em meio à insegurança estrutural
(Fogaça, 2018; Guimarães, 2014).
É fundamental, portanto, que as políticas públicas considerem os territórios não
apenas como unidades administrativas, mas como campos simbólicos e afetivos nos
quais se desenrolam as relações sociais e familiares. O fortalecimento dos laços entre
família e lugar, como o bairro e a rua, especialmente na infância, constitui uma
dimensão essencial da cidadania territorial e do direito ao enraizamento, à memória e ao
pertencimento.
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impactam não apenas a saúde física, mas também o bem-estar emocional e a formação
subjetiva dos sujeitos infantis. Nesse sentido, o território torna-se uma lente privilegiada
para diagnosticar as condições sociais da infância e suas possibilidades de cuidado e
proteção.
A atuação intersetorial do CRAS, por exemplo, evidencia a importância de
considerar o território como base das ações de promoção da saúde e da qualidade de
vida. Ao reconhecer os espaços vividos pelas famílias, suas trajetórias e vínculos
afetivos com o lugar, é possível promover políticas públicas mais sensíveis à realidade
local, respeitando as singularidades de cada comunidade e fortalecendo a participação
social.
Dessa forma, pensar saúde e qualidade de vida a partir do território é adotar uma
abordagem integrada, crítica e humanizada, que valoriza o contexto socioespacial como
dimensão essencial da cidadania e do direito à vida digna.
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educação, habitação, cultura) fazem do CRAS um elo essencial entre o Estado e os
sujeitos em situação de maior fragilidade social.
Assim, fortalecer a atuação do CRAS é investir na infância como prioridade
absoluta, como determina a Constituição Federal de 1988. Seu papel vai além do
assistencialismo pontual: ele é fundamental para a promoção de justiça social, equidade
territorial e garantia do direito ao desenvolvimento humano das crianças brasileiras.
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Acredita-se que por falta de conhecimento e informações ou até mesmo ignorância,
muitas famílias acabam não se atentando que as crianças sendo inseridas nos programas
sociais contribuirá para que elas possam se desenvolver melhor. Essas famílias, por
estarem em situação de vulnerabilidade e inseridas em programas sociais, muitas vezes
não conseguem perceber que as atividades desenvolvidas no CRAS, como oficinas e
ações educativas, podem contribuir significativamente para o desenvolvimento da
criança não apenas no aspecto escolar, mas também dentro da família e da comunidade
em geral.
Crianças e adolescentes inseridos no Cadastro Único, cujas famílias são
acompanhadas pelo CRAS, são incluídos em grupos do serviço de convivência. Nesses
grupos, realizam encontros duas vezes por semana às quartas e sextas-feiras —, onde
desenvolvem uma variedade de atividades. Dentre elas, estão oficinas de pintura em
tela, jogos teatrais, jogos de raciocínio lógico e brincadeiras esportivas e lúdicas, todas
pensadas para promover a socialização, a comunicação e o desenvolvimento cognitivo e
emocional das crianças.
Essas atividades são planejadas para não sobrecarregar as crianças, considerando que
muitas já enfrentam rotinas escolares exigentes. Por isso, os colaboradores da unidade
optam por dinâmicas mais leves e atrativas, que reforçam vínculos sociais e familiares
de maneira prazerosa. A ideia é proporcionar um espaço complementar ao ambiente
escolar, favorecendo o crescimento integral da criança em um ambiente seguro,
acolhedor e criativo.
Esses programas e oficinas têm o objetivo de fortalecer o vínculo familiar e
comunitário, promovendo o desenvolvimento integral das crianças. No entanto, a
resistência de algumas famílias em permitir que seus filhos participem das atividades é
um desafio constante. Apesar de oferecerem grupos atrativos, com atividades planejadas
e apropriadas, a adesão nem sempre acontece de forma espontânea.
O CRAS enfrenta muitas dificuldades para envolver os responsáveis. Muitas vezes, é
necessário realizar diversas buscas ativas e conversas individuais para convencê-los
sobre os benefícios da participação. Mesmo com todo o esforço da equipe, convencer
essas famílias não é uma tarefa fácil, principalmente quando não há apoio da própria
rede escolar. Por isso, reforçam sempre a importância de um trabalho articulado entre
CRAS, escola e família, para que, juntos, possam garantir oportunidades reais de
crescimento e autonomia para as crianças atendidas pelo serviço.
A partir das informações coletadas com o coordenador geral, nos reunimos com a
coordenadora do programa criança feliz para planejar as visitas ao campo empírico que
foi mediada pela visitadora Juliana. As visitas domiciliares foram realizadas no bairro
Cajuí em 07/07/25 às 15 horas, onde foram aplicadas entrevistas semiestruturadas aos
responsáveis das crianças atendidas no CRAS, e na oportunidade foram realizadas
atividades lúdicas com as crianças na faixa etária de 0 a 3 anos de idade em condições
de vulnerabilidade social, na figura 1, pode-se observar o registro de duas crianças às
quais realizamos a atividade lúdica:
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Figura 1:
3.1.2 Perspectivas das famílias sobre a infância, o cotidiano e o apoio
socioassistencial
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os serviços básicos das unidades de saúde e escolas, na figura 2 abaixo, podemos
observar algumas dessas questões:
Figura 2:
A partir da realização das entrevistas no campo empírico com os responsáveis das
crianças e mediante as informações coletadas, pudemos concluir que as entrevistas
evidenciam a relevância da articulação entre família e CRAS, para o desenvolvimento
integral da criança. Todavia, apontam também a carência de espaços públicos seguros e
apropriados como um dos principais entraves à promoção do lazer e do bem-estar
infantil na comunidade, no município pode-se observar que às praças do entorno, ou
sem revitalização para o uso das crianças, observa-se na figura 3 como se encontra uma
das praças que fica próxima da comunidade do Cajuí. Esses dados reforçam a
necessidade de políticas públicas que contemplem a criação, revitalização e manutenção
de áreas de convivência e lazer voltadas à infância.
Figura 3:
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Visto que as crianças do projeto criança feliz são bem pequenas e não possuem ainda
uma noção de espacialidade, optamos por realizar a oficina de mapeamento com as
crianças do centro de convivência do CRAS, por serem de uma faixa etária entre 7 a 12
anos de idade e que, portanto, já possuem uma noção da organização geral do espaço
onde elas estão inseridas.
O projeto pintar é desenvolvido no centro de convivência do CRAS, as crianças que
participam moram em áreas diversificadas do município e possuem um contexto de
vulnerabilidade social, sendo uma delas inclusive mãe, elas são acompanhadas pela
psicóloga Viviam Bonfim e uma mediadora, a principal atividade que elas desenvolvem
é pinturas em tela, uma atividade que exige foco, paciência e concentração.
Retornamos ao CRAS para agendar com a coordenadora a possível data da oficina de
mapeamento que ficou para o dia 06/08/25, às 15 00 h
Após o agendamento da data da oficina de mapeamento, organizamos todos os
materiais necessários para a execução da intervenção do projeto de pesquisa como:
apresentação com slides, música para reflexão, papel chamex, lápis de cor, giz de cera,
papel pardo, mapa do município, fita adesiva, emojis, massinha de modelar, cola
bombons entre outros materiais, tudo isso para que a intervenção do projeto de pesquisa
fosse realizada com o mínimo de erros possíveis.
No dia 06/08/25, as 14:30 nos dirigimos ao CRAS, antecipadamente, para organizar
a apresentação e aguardar a presença das crianças que foram chegando aos poucos. As
15 00hs , iniciamos a oficina de mapeamento com a presença de 10 crianças, nos
apresentamos, apresentamos também a Universidade, a orientadora da disciplina, os
objetivos da pesquisa, e os motivos pelos quais as crianças foram escolhidas para
participarem do projeto Após uma breve apresentação, através de slides, sobre vínculos
afetivos entre família e lugar e sobre mapeamento afetivo, solicitamos as crianças que
elas representassem visualmente os lugares que lhes trazem sensações de topofilia como
a própria casa, a rua, o bairro onde elas moram, a casa dos avós, o campinho de futebol,
a pracinha, a igreja, a escola entre outros lugares e que depois dessas representações
prontas, elas poderiam identificar esses lugares com cores, emojis, ou massinha de
modelar. A legenda escolhida por elas foi emojis, elas se envolveram na oficina de
mapeamento com muita criatividade representando os lugares que lhes trazem sensação
de topofilia e até mesmo medo e insegurança. Após as representações prontas elas
identificaram esses lugares em seus mapas com emojis que expressam emoções como
alegria, medo e estresse. O emoji mais utilizado foi aquele que denota amor e segurança
o que se pode concluir que apesar dos lugares que trazem medo, insegurança e estresse,
as crianças estão felizes com o lugar em que elas habitam. A oficina de mapeamento,
durou cerca de 1 hora e 30 minutos.
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Estudos anteriores exploraram as relações entre infância e lugar. Para os estudos
geográficos isso é muito válido, pois o espaço e indissociável da vida, todo espaço
geográfico e uma expressão construída na vida e de onde a vida se origina, relação da
qual as crianças não estão fora, Lopes é Fernandes (2018).
Nos últimos anos, tem havido uma quantidade crescente de pesquisa sobre a
geografia das infâncias que vem enfatizando a importância de se considerar o ponto de
vista infantil na análise dos espaços urbanos, sobretudo em contextos de exclusão ou
vulnerabilidade. Crianças que vivem em áreas periféricas, por exemplo muitas
enfrentam restrições severas ao brincar, a mobilidade e a apropriação dos espaços
públicos, o que impacta diretamente sua vivência e construção do mundo.
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Diversos pesquisadores tentaram avaliar o impacto dos espaços geográficos no
desenvolvimento das infâncias, considerando não apenas os espaços físico, mas também
as dimensões simbólicas, culturais e sociais dos lugares que as crianças habitam.
Dados de vários estudos sugerem a importância de se considerar as espacialidades
das crianças, ou seja, como elas vivenciam e interagem com o espaço, incluindo lugares
e territórios.
Em estudo recente, Lopes; Costa; Amorim (2016), conclui que negar o espaço como
dimensão fundante da infância e das crianças é negar uma das facetas da sociedade,
olhar o espaço para além da dimensão de superfície, palco de apoio para as ações
humanas, mas reconhecer sua importância na produção, sistematização e criação da vida
e como lócus da vida. As crianças estão e são!
Esta visão é apoiada por Tuan (1983), o lugar é construído por meio da experiência
emocional, da rotina e de memória. Nesse sentido o lugar não é apenas uma localização
geográfica, mas um espaço onde os afetos e experiencias cotidianas são elaboradas.
Em relação ao conceito de espaços e lugar Lopes e Fernandes (2018) argumenta, o
espaço é entendido como indissociável da vida, ou seja, não é apenas cenários ou
suporte físico, mas produto das relações sociais e, ao mesmo tempo produtos delas. Para
Tuan (1983), lugar é onde o sujeito estabelece relações emocionais, culturais e de
pertencimento.
O levantamento bibliográfico sobre a temática apontou que somente por meio de um
olhar sensível ao espaço vivido poderemos garantir que todas as crianças cresçam com
dignidade, pertencimento e direitos assegurados.
Por sua vez, a partir do campo empírico, percebeu-se que no bairro do Cajuí, não
existem espaços de brincar, as crianças brincam em seus domicílios, quintais e ruas,
sendo assim autoras e criadoras a partir do lugar em que vivem e dos elementos
existentes. Seus responsáveis expressam as dificuldades em lava-las às praças do centro
da cidade, principalmente pela distância o que revela as restrições que as mesmas
sofrem ao brincar livre. O campo empírico mostra também o desejo de que sejam
construídos espaços de lazer próprios para as crianças como uma praça por exemplo.
Na fala de I.3 anos, ela revela o desejo de se ter uma praça com balanço e escorrega,
sua mãe M. verbaliza o quanto a rua é perigosa, que tem medo da violência e que cedo
da noite fecha as portas, a mesma acrescenta o desejo de que o CRAS ajudasse as
pessoas carentes na construção de moradias para as famílias que não têm condições de
construir e que é muito feliz com todo o apoio que sua família recebe.
A imagem registrada abaixo:
Figura 6:
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Fonte: Foto tirada no celular da Aluna Flory Cunha de Souza
Sobre como as crianças vivenciam e se envolvem com o lugar em que elas habitam,
corrobora com o fato de que além dos espaços de brincar, existem muitas dificuldades
que se manifestam no cotidiano e nas vivências dos pequenos.
Com base nas entrevistas (APÊNDICE B) realizadas com 3 famílias, coletou-se
informações que indicam que as famílias têm baixa expectativa relacionadas ao futuro
de seus filhos, que não almejam muito além daquilo que o CRAS oferta, que se sentem
inseguros no bairro e ainda manifestam o desejo de que sejam construídos lugares
apropriados para o brincar de seus filhos.
Portanto, a partir dos estudos apresentados embasados na bibliografia científica e nos
dados diretos levantados em campo, há evidências de que o espaço urbano não é
pensado com base nas experiencias das crianças, as cidades ainda se estruturam
limitando as infâncias as zonas de proteção e confinamento e que o desenvolvimento de
políticas públicas são importantes ao considerar os territórios não apenas como unidades
administrativas, mas como campo simbólicos e afetivos nos quais se desenrolam as
relações sociais e familiares.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao considerar o lugar como experiência afetiva e a criança como sujeito geográfico,
este artigo defende a importância de uma abordagem territorializada da assistência
social, que valorize os laços entre família, infância e território. A atuação do CRAS,
nesse contexto, é essencial para a promoção da cidadania infantil, da qualidade de vida e
da equidade social. Somente por meio de um olhar sensível ao espaço vivido poderemos
garantir que todas as crianças cresçam com dignidade, pertencimento e direitos
assegurados.
O fortalecimento de vínculos afetivos entre família e lugar é um processo que
envolve tanto a subjetividade dos sujeitos quanto as condições materiais e simbólicas do
espaço urbano. A perspectiva de Tuan enfatiza o lugar como experiência vivida e
significativa, enquanto Lopes e Fernandes propõem uma abordagem crítica da infância
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no espaço urbano, centrada na agência das crianças e na disputa por visibilidade e
pertencimento.
Dessa forma, a atuação do CRAS pode ser compreendida como um mediador na
transformação do espaço em lugar, promovendo a construção de sentidos pertencimento
e identidades coletivas e individuais entre as crianças.
CRONOGRAMA DE EXECUÇÃO
As seis etapas descritas na seção Metodologia serão realizadas de acordo com o
cronograma seguinte:
SEMANAS
30 de 21 de 28 de 11 a 18 a
ETA 7 a 13
9 a 15 23 a junho 14 a julho julho 17 de 24
PAS 16 a 22 4 a 10 de
de 29 de 20 de agost de
de junho de agosto
junho junho a 6 de julho a 27 de a 3 de o agos
julho
julho agosto agosto to
1ª X X X X X X X X X
2ª X
3ª X X X X X X
4ª X X X X
5ª X X X
6ª X
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
GUIMARÃES, Raul Borges. Geografia e saúde sem fronteiras. São Paulo: Hucitec,
2014.
HARVEY, David. O direito à cidade. Revista Lua Nova, n. 79, p. 23-49, 2008.
18
LEFEBVRE, Henri. O direito à cidade. São Paulo: Centauro, 1991.
LOPES, Jader Janer Moreira; COSTA, Bruno Muniz Figueiredo; AMORIM, Cassiano
Caon. Mapas vivenciais: possibilidades para a cartografia escolar com as crianças dos
anos iniciais. Revista Brasileira de Educação em Geografia, v. 6, n. 11, p. 237-256,
2016.
LOPES, Jader Janer Moreira; FERNANDES, Maria Lidia Bueno. A criança e a cidade:
contribuições da Geografia da Infância. Revista Educação, Porto Alegre, v. 41, n. 2, p.
202-211, maio-ago. 2018. Disponível em: [Link]
2582.2018.2.30546
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APÊNDICE A - ENTREVISTA SEMIESTRUTURADA APLICADA
COORDENADORA GERAL DO CRAS CANTANHEDE
Estimado(a) senhor(a),
Nome:_________________________________________________________________
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5) Quanto a essa unidade CRAS: qual ano de fundação? quantos funcionários
trabalham no CRAS? quantas crianças são atendidas semanalmente? Essas
crianças são de quais bairros?
10) Quais são os impactos positivos desse CRAS na comunidade e seu entorno mais
imediato, principalmente quanto ao atendimento de crianças?
11) Como é realizado a inferência do impacto dos serviços oferecidos pelo CRAS
nas vidas das famílias atendidas?
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APÊNDICE B- ENTREVISTA SEMIESTRUTURADA APLICADA AOS
RESPONSÁVEIS DE CRIANÇAS ATENDIDAS PELO CRAS CANTANHEDE
Estimado(a) senhor(a),
Nome:_________________________________________________________________
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8) Quais serviços públicos você gostaria de ter mais acesso para promover uma
infância plena para seu (sua) filho(a)?
9) Quais suas principais preocupações em relação ao futuro de seu (sua) filho (a)?
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