17/05/2016 Novo Milênio: Rota de Ouro e Prata Navios: o 'Espresso'
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ROTA DE OURO E PRATA
Navios: o Espresso
18711893 depois Colombo, Napoli
O navio de passageiros da Lavarello começou a navegar em fevereiro de
1871 e naufragou em dezembro de 1893
No histórico do navio Sud America, publicado nesta coluna, foi narrada a
origem da armadora Lavarello, baseada em Gênova e que fora uma das
empresas de navegação peninsular pioneiras no tráfego da Rota de Ouro e Prata.
Construído por ordem da Lavarello, em Newcastle (Inglaterra), o quarteto de
vapores Espresso, Sud America, Nord America e Europa, também conhecidos
como os da série Espresso, eram navios de similar desenho, sem convés de
superestrutura, quatro mastros e com acomodações para três dezenas de
passageiros em primeira classe, alojados na popa (ré), e de cerca de 1.000 na
classe emigrante, alojados nos porões.
Modernos Dos quatro, o Espresso era ligeiramente menor em tonelagem e em
comprimento. Possuía casco de ferro, um só hélice e um maquinário de
propulsão a vapor, do tipo compound, potência de 1.635 cavalosvapor.
Nos mastros, quando fora dos portos, eram içadas as velas áuricas, que
auxiliavam a propulsão mecânica no avanço do vapor.
Em sua única chaminé de cor preta foi pintada, pela primeira vez, a famosa
estrela vermelha de cinco pontas, símbolo da Lavarello e, anos mais tarde, da
sua sucessora, a La Veloce.
Primeira viagem Lançado ao mar em 1870, realizou a sua viagem inaugural
entre Gênova e Buenos Aires saindo do porto lígure em 23 de fevereiro do ano
seguinte, sob o comando do capitão Giovanni Sanguinetti.
A partir de 1872, entraram na linha da América Meridional os outros três vapores
da série, o que permitiu a uniformização dos horários da armadora, numa
freqüência quinzenal que se iniciou em 1873.
Os vapores saíam de Gênova no primeiro e quinto dia de cada mês e realizavam
as seguintes saídas nas escalas: na ida, Cadiz (Espanha, 5 a 9 de cada mês),
Montevidéu (Uruguai, 25 e 29) e Buenos Aires (Argentina, 26 e 30); na volta,
saíam de Buenos Aires (5 e 9), Montevidéu (6 e 10), Rio de Janeiro (12 e 15) e
Gibraltar (Sul da Espanha, 27 e 29).
A Lavarello conheceu momentos de glória
Regularidade Nas viagens de ida, os vapores realizavam demorada escala em
São Vicente (Cabo Verde), para reabastecimento de carvão, enquanto na volta o
combustível fóssil era embarcado em Buenos Aires.
Claro está que imperativos operacionais e a disponibilidade técnica dos quatro
navios podiam alterar estes horários e datas, mas de modo geral foi preservada
a regularidade do serviço.
O quarteto de vapores da Lavarello apareceu no cenário marítimo no momento e
circunstâncias certas, quando na Itália de então o verbo mais conjugado era o
partir.
Quanto mais indivíduos partiam ou emigravam da península, mais aumentada a
possibilidade de retorno dos mesmos à pátriamãe, e assim estabeleceuse
naqueles idos aquela "avenida de emigraçãoimigração", que denominaremos a
"Via do Atlântico", verdadeiro boulevard oceânico entre as terras européias e a
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América do Sul.
Como vetor de transporte marítimo, tendo linha regular servida por quatro novos
transatlânticos, a Lavarello conheceu um momento de glória no início dos anos
70 daqueles tempos. Seus navios partiam repletos e a oferta não satisfazia a
demanda, o tráfego era bem lucrativo.
Além do mais, só havia uma outra armadora concorrente na área do
Mediterrâneo para a América do Sul, a francesa Société Génerale des Transports
Maritimes, a qual, baseada em Marselha, oferecia passagens a preços um pouco
superiores aos da Lavarello, na rota MarselhaGênovaNápolesBarcelonaBrasil
e Prata.
Visto, porém, que a massa de emigrantes desejosos de partir era de tal volume,
é talvez mais correto falar em "divisão de mercado" do que verdadeira
concorrência. Outras armadoras mediterrâneas eram de pequeno porte.
Outra fonte de renda para a Lavarello surgiu como decorrência da principal, que
era a imigração. Quem partia, geralmente deixava para trás algum ser querido,
uma família, um amigo e, cedo ou tarde, iniciavase a troca de correspondência,
a troca de cartas, o envio de pacotes postais que circulavam nos dois sentidos na
"Via do Atlântico".
Em 1873, com o quarteto da série Espresso em plena atividade, o Estado
italiano, procurando canalizar as receitas desse tráfego postal e diminuir os
custos, decidiu eleger a Lavarello Line como armadora postal.
Dessa forma, e em conseqüência, os vapores dessa empresa receberam a
denominação oficial de Piroscafo Postale e a armadora, contra a obrigação de
manter a regularidade do serviço marítimo para a América do Sul, passou a
receber generosos subsídios do governo, através da Agenzia Postale Italiana.
Nome alterado Em 1874, o Espresso recebeu o nome de Colombo. A mudança
de nome tinha por objetivo homenagear o cidadão italiano mais ilustre, aquele
que primeiro, entre os pioneiros, realizara a ligação entre a Europa, a América
do Norte e a América do Sul.
Assim, Colombo (o primeiro da série), o Europa (o segundo), o Nord America e o
Sud America ficaram alinhados com o feito descobridor de 1492.
A partir de 1881, a Lavarello passou a ter dificuldades financeiras. A
concorrência havia aumentado consideravelmente e oferecia navios de
construção mais recente.
A este fator, a Lavarello não soube ou não pode reagir a tempo e assim, pouco a
pouco, foi perdendo seu lucrativo mercado.
Falência A perda de um dos vapores do quarteto, o Nord America, em janeiro
de 1883, constituise o golpe de misericórdia na existência da armadora, que
alguns meses depois decretava a sua falência de liquidação judiciária.
Foi o cavalieri Mateo Bruzzo, exdirigente da própria Lavarello, a comprar a
massa falida com o apoio de dois sócios afluentes e influentes, os marqueses
DurazzoPallavicino.
Surgiu dessa forma, alguns meses mais tarde, a La Veloce Linea di Navigazione
Italiana a Vapore, na qual foram incorporados os três navios restantes do
quarteto e um novo e esplêndido vapor, o Nord America II.
O transporte de correspondência surgiu como outra renda
Napoli O navio Colombo (exEspresso) de nossa história teve então nova
mudança de nome, passando a ser denominado Napoli, continuando porém a
servir na Rota de Ouro e Prata até o seu fim inesperado.
O Napoli esteve, quando sob as cores da La Veloce, sob o comando dos capitães
Nicola Gianferri, Giuseppe Luigi Balestrini e Bartolomeu Gaggino.
Em fevereiro de 1887, quando se encontrava a cerca de 250 milhas (463
quilômetros) ao Norte do Rio da Prata e ao longo da costa de Santa Catarina, o
Napoli salvou a tripulação do veleiro inglês Fawning, que afundava por causas
técnicas desconhecidas.
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Seria um prenúncio, pois mais tarde a mesma coisa aconteceria com o próprio
Napoli.
O fim Tendo a bordo 765 imigrantes, o navio havia saído do porto do Rio de
Janeiro, com destino a Santos, em dezembro de 1893.
No início da noite do dia 4 daquele mês, por causa da forte neblina sobre o mar,
o Napoli perdeu o rumo e foi parar nas cercanias da Ponta da Joatinga,
naufragando entre rochas e felizmente sem perda e vidas.
Asnos a bordo
Eis a tradução do documento: "Certifico que o sr. Luiz Balestrino,
comandante do vapor italiano Napoli, declarou na chancelaria deste
Consulado Geral que a bordo de seu vapor tinha embarcado com destino ao
Rio de Janeiro dois asnos, que pertencem ao passageiro emigrante Nelli
Giovanni, e que aqueles animais são destinados ao serviço de pequena
lavoura do dito imigrante e como tal considerado fazendo parte da
bagagem do mesmo emigrante.
Em fé do que passei o presente certificado, que assinei e selei com as
Imperiais Armas deste Consulado Geral.
Gênova, 18 de fevereiro de 1887. João Antônio Rodrigues Martins,
comendador da Rosa, cônsul geral do Brasil na Itália".
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Imagem: reprodução, publicada com a matéria
Espresso:
Outros nomes: Colombo, Napoli
Bandeira: italiana
Armador: Lavarello Line
País construtor: Inglaterra
Estaleiro construtor: Newcastle
Ano da viagem inaugural: 1871
Artigo publicado no jornal A Tribuna de Santos em 23/6/1996
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