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O estudo analisa a viabilidade econômica de sistemas agrivoltaicos na agricultura familiar, focando em quatro famílias de uma associação no Amazonas. Embora o investimento inicial seja maior, os resultados mostram que o payback é de aproximadamente 7 anos e 10 meses, com benefícios diretos para as famílias e potencial para influenciar outras iniciativas no Brasil. O projeto pode reduzir custos com eletricidade e irrigação, apoiando a produção orgânica na região.

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O estudo analisa a viabilidade econômica de sistemas agrivoltaicos na agricultura familiar, focando em quatro famílias de uma associação no Amazonas. Embora o investimento inicial seja maior, os resultados mostram que o payback é de aproximadamente 7 anos e 10 meses, com benefícios diretos para as famílias e potencial para influenciar outras iniciativas no Brasil. O projeto pode reduzir custos com eletricidade e irrigação, apoiando a produção orgânica na região.

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X Congresso Brasileiro de Energia Solar – Natal, 27 a 31 de maio de 2024

SISTEMAS AGRIVOLTAICOS NA AGRICULTURA FAMILIAR: ESTUDO


DE CASO E ANÁLISE DE VIABILIDADE ECONÔMICA

Laís Cassanta Vidotto – [email protected]


Laboratório Fotovoltaica UFSC, Universidade Federal da Santa Catarina
Kathlen Schneider
Science Policy Research Unit (SPRU), Business School, Universidade de Sussex
Mateus Pena Temer Martins Ribeiro
Lucas do Nascimento
Ricardo Rüther
Laboratório Fotovoltaica UFSC, Universidade Federal da Santa Catarina
Ramom Weinz Morato
Associação Maniva de Certificação Participativa - Opac Maniva

Resumo. Os sistemas agrivoltaicos combinam o uso da terra para agricultura e geração de energia fotovoltaica, e têm
ganhado destaque internacional. No Brasil a tecnologia pode representar uma alternativa para combater os altos índices
de insegurança alimentar e pobreza energética, porém, seu potencial no país ainda é pouco explorado. O presente estudo
de caso se concentra em quatro famílias de uma associação de produtores orgânicos do Amazonas. Duas topologias de
sistemas agrivoltaicos foram propostas. Foram coletados dados como consumo energético, planos futuros da associação,
práticas agrícolas, condições climáticas e dados de irradiação para estimar as potências necessárias para os sistemas
fotovoltaicos. A análise econômica levou em consideração potenciais riscos de perda de produtividade agrícola devido
à sombra das estruturas agrivoltaicas. Os resultados da análise econômica revelam que, embora o CAPEX inicial possa
ser maior do que instalações convencionais, ele não inviabiliza os sistemas. Foram avaliados três cenários de
contribuição dos agricultores no investimento inicial: 100, 80 e 60%. Mesmo no caso em que os agricultores entram com
100% do investimento, o payback descontado é de 7 anos e 10 meses. Neste mesmo cenário, o VPL e a TIR resultantes
foram de R$ 98.232,76 e 24,41%, respectivamente. Além disso, foi observada a sinergia entre sistemas agrivoltaicos
e modelos de negócios de energia compartilhada, a qual pode aproveitar a figura jurídica de associação já existente
para a distribuição de créditos de energia. O projeto individual proposto pode beneficiar diretamente quatro famílias
ribeirinhas e impactar 84 famílias consumidoras, ao mesmo tempo em que apoia a produção orgânica na região
amazônica. Além disso, o estudo pode influenciar aplicações agrivoltaicas em contextos de agricultura familiar.
Observa-se também a necessidade de mais pesquisas acerca deste tópico em contexto nacional.

Palavras-chave: Sistemas agrivoltaicos, Viabilidade econômica, Agricultura familiar

1. INTRODUÇÃO

Um sistema agrivoltaico pode ser definido como uma tecnologia que visa utilizar simultaneamente a terra para fins
agrícolas e geração de energia fotovoltaica (Goetzberger e Zastrow, 1982; Hermann e Schönberger, 2022). A utilização
destes sistemas tem emergido como uma alternativa importante para atender às necessidades de energia e, ao mesmo
tempo, otimizar o uso da terra (Hermann e Schönberger, 2022). Em países europeus, na Ásia e Estados Unidos, os sistemas
agrivoltaicos têm se espalhado rapidamente (Hermann e Schönberger, 2022). Estes sistemas existem em várias escalas,
desde pequenas instalações para a agricultura familiar até instalações de grande escala superiores a 700 MW na China,
por exemplo. Os sistemas agrivoltaicos tem mostrado o potencial de oferecer uma série de benefícios aos agricultores de
todo o mundo. Estes benefícios incluem a redução de necessidade de irrigação e de erosão eólica, proteção contra geadas
e granizo e o aumento da eficiência da geração de energia, por resfriamento convectivo dos módulos fotovoltaicos e
aumento de eficiência dos módulos fotovoltaicos bifaciais, quando utilizados (Macknick et al., 2022).
O Brasil é um país que conta com recursos excepcionais de irradiação e com um crescimento intenso da tecnologia
fotovoltaica na última década (ABSOLAR, 2023; INPE, 2017). Neste contexto, os sistemas agrivoltaicos possuem um
grande potencial de gerar impactos positivos, uma vez que o país também enfrenta desafios de insegurança alimentar e
de pobreza energética, afetando particularmente as suas populações rurais e marginalizadas (Bezerra et al., 2022; IBGE,
2019; Penssan, 2022). Assim, este estudo de caso tem como objetivo avaliar a viabilidade da aplicação da tecnologia em
um contexto de agricultura familiar brasileira. Para atingir este objetivo, foi definido como objeto de estudo o caso
específico da Associação dos Produtores de Orgânicos de Iranduba (APOI), situada no estado do Amazonas.
Fundada em 2017, a APOI se dedica a fomentar a agricultura familiar de pequena escala e é composta por 12 famílias
associadas, das quais quatro são produtoras de orgânicos. Estas quatro famílias vendem seus produtos através de cestas
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de orgânicos, como o modelo de negócio “Comunidade que Sustenta a Agricultura”1 (CSA), e participam de feiras de
orgânicos e editais de compras públicas de alimentos. Ao total, 84 famílias de consumidores são beneficiadas com as
cestas de orgânicos. Além do consumo regular de energia doméstica dos associados da APOI, a associação planeja
construir uma cozinha industrial, com o apoio do Fundo Amazônia2. A cozinha industrial aumentará os gastos energéticos
da associação. Neste contexto, o sistema agrivoltaico proposto visa contribuir para a redução de custos com eletricidade
e irrigação para algumas das famílias associadas à APOI. Além disso o estudo pode servir de inspiração para outros
projetos agrivoltaicos no contexto da agricultura familiar brasileira.

2. METODOLOGIA

Para alcançar o objetivo de avaliar a viabilidade técnica e econômica de um projeto agrivoltaico que atenda às
necessidades específicas de agricultores familiares, foi desenvolvido o projeto dos sistemas e realizada uma avaliação de
viabilidade econômica. Neste contexto, o projeto dos sistemas foi proposto considerando as realidades econômicas desses
agricultores, bem como sua disponibilidade de materiais e recursos. Para definir o projeto dos sistemas agrivoltaicos,
foram seguidos alguns passos:
1. Foram coletadas informações sobre os planos futuros da associação, o número de associados e o funcionamento
do modelo de negócio da associação;
2. A localização das fazendas, atividades agrícolas e a infraestrutura existente foram mapeadas e analisadas;
3. Os dados de irradiação foram obtidos do Atlas Solarimétrico (INPE, 2017);
4. O tamanho necessário dos sistemas fotovoltaicos foi estimado;
5. Foram definidos os componentes do sistema fotovoltaico e principais aspectos do projeto;
6. Simulações no PVSyst® foram realizadas para estimar produção de energia;
7. Simulações no Google Sketchup® foram realizadas para avaliação de impactos de sombreamento nos cultivos
agrícolas.

O custo inicial de investimento (CAPEX) dos sistemas agrivoltaicos é normalmente mais alto do que sistemas
convencionais (Hermann e Schönberger, 2022), o que pode representar um desafio da implementação da tecnologia
agrivoltaica. No contexto da agricultura familiar brasileira, este desafio também é presente, e a avaliação de viabilidade
econômica destes sistemas se torna de grande relevância. Para desenvolver a análise econômica foram seguidos alguns
passos metodológicos:
1. Definição de um período de projeto de 25 anos para calcular os indicadores econômicos;
2. Levantamento das contas atuais de energia elétrica de quatro famílias produtoras envolvidas no projeto;
3. Estimativa do consumo elétrico futuro da cozinha industrial;
4. Cálculo da capacidade de potência e produção de energia dos sistemas agrivoltaicos piloto propostos visando
atender o consumo de energia das quatro famílias + cozinha industrial;
5. Cálculo do CAPEX e OPEX dos sistemas propostos;
6. Comparação de cenários potenciais de perda de produtividade agrícola com a economia de eletricidade
associadas ao sistema agrivoltaico;
7. Cálculo de indicadores econômicos: VPL (Valor Presente Líquido), TIR (Taxa Interna de Retorno) e período
de retorno (Payback) descontado de três cenários diferentes de cenários:
• 100% do investimento por parte dos agricultores;
• 80% do investimento por parte dos agricultores;
• 60% do investimento por parte dos agricultores.

2.1 Definição das condições de contorno do estudo

Inicialmente foi feita uma investigação sobre o funcionamento da associação para definir o escopo do projeto.
Atualmente são 12 famílias de produtores rurais associados à APOI, das quais quatro produzem orgânicos. Estas quatro
famílias utilizam diferentes modelos de negócio para destinar sua produção: cestas de orgânicos, por meio do modelo
CSA (Iniciativa CSA Manaus), e outra iniciativa chamada "Cesta Verde"; participação em feiras e participação em editais
de compras públicas. O modelo das iniciativas CSA e Cesta Verde consiste em parcerias entre agricultores e consumidores
em que as responsabilidades, riscos e recompensas da agricultura são compartilhadas, e os consumidores se comprometem
com a aquisição de cestas de orgânicos por um prazo determinado. Ao total estas iniciativas beneficiam 84 famílias
consumidoras. Para a realização deste estudo o contexto das quatro famílias de agricultores orgânicos foi considerado
como delimitação do estudo. Estas quatro famílias utilizarão uma cozinha industrial colaborativa, que será viabilizada
pelo Fundo Amazônia. Além disso, considerou-se que toda a energia gerada pelos sistemas agrivoltaicos seria injetada na
rede de distribuição, e que os créditos seriam depois compensados nas faturas das famílias envolvidas.

1
https://agroecologiaemrede.org.br/experiencia/csa-manaus/
2
https://www.fundoamazonia.gov.br/pt/home/
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2.2 Escolha dos designs dos sistemas agrivoltaicos propostos

Foram propostos dois sistemas: um agrivoltaico elevado e uma casa de vegetação agrivoltaica. As casas de vegetação
possuem estruturas semelhantes a estufas, mas são abertas nas laterais e têm o objetivo de proteger as lavouras das fortes
chuvas, típicas da região amazônica. Estas estruturas são comuns na região e estão presentes no contexto das famílias da
associação. A casa de vegetação agrivoltaica proposta conta com módulos convencionais intercalados com estruturas
transparentes (de vidro ou plástico) que permitem a passagem de luz e maior homogeneidade de irradiação nas culturas.
Como mencionado, foi simulada a sombra que afeta as lavouras, a fim de evitar sombreamento intenso na produção
agrícola e encontrar o melhor desenho do sistema.
Para as simulações e projeto, foram utilizados módulos bifaciais da empresa JA Solar de 440W (JAM72-D20-440-
MB), os quais apareceram nas classificações PVEL 3 e PV-Tech4 e são amplamente utilizados no país em escala comercial.
Para o posicionamento dos sistemas, levou-se em consideração a posição geográfica dos terrenos dos agricultores e das
estruturas já existentes, uma vez que o principal objetivo é minimizar qualquer impacto que o sistema agrivoltaico
proposto possa causar na produção agrícola. Buscou-se criar um sistema que pudesse ser replicado e, também, utilizar
materiais que já são utilizados pelas famílias, como madeira para a estrutura física e filme plástico na casa de vegetação
para as áreas sem módulos.
Adicionalmente, um sistema de captação de água da chuva foi projetado para funcionar em associação a um sistema
de irrigação na casa de vegetação. Esta aplicação funcionaria melhor com estruturas de vidro intercaladas com os módulos,
no lugar das estruturas de filme plástico que são convencionalmente utilizadas na região do estudo de caso.

2.3 Custos de energia elétrica das famílias e da cozinha industrial

Dados das faturas de eletricidade das quatro famílias de agricultores consideradas neste estudo de caso foram
coletados para calcular o consumo médio total da eletricidade por residência. As médias calculadas a partir destes dados
estão disponíveis na Tab. 1.

Tabela 1 - Consumo médio de energia elétrica das quatro famílias


Agregado Consumo médio Consumo total
familiar mensal de energia anual (kWh/ano)
(kWh/mês)
Casa 1
475,2 5.702,5
Casa 2
486,3 5.835,0
Casa 3
296,8 3.561,5
Casa 4
270,1 3.241,0
Total 1.528,4 18.340,0

Também foi estimado o consumo de energia elétrica da cozinha industrial, considerando alguns equipamentos
associados às atividades e produtos agrícolas produzidos pelas famílias. Esta estimativa está disponível na Tab. 2.

Tabela 2 - Consumo médio estimado de energia elétrica da cozinha industrial


Potência Horas diárias de Consumo médio
Equipamentos Qtd
(W) uso (kWh/mês)
Despolpadeira 1 245 3 14,7
Freezers 2 - - 144,2
Seladora a vácuo 1 700 3 42,0
Liquidificador industrial 1 1000 2 40,0
Forno elétrico 1 5000 6 por semana 120,0
Total 360,90

3
https://scorecard.pvel.com/top-performers/
4
https://www.pv-tech.org/top-50-most-bankable-module-suppliers-in-the-pv-industry-today/
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No total, o consumo médio mensal estimado de energia elétrica é de 1.889,2 kWh/mês, o que resulta em um
consumo total anual de 22,7 MWh/ano.
O tamanho do sistema foi calculado para fornecer a energia elétrica necessária para as quatro residências e a
cozinha industrial, levando em consideração o atual sistema de compensação de créditos de energia, regulado pela Lei
14.3005. Consumidores do Grupo B estão sujeitos a pagar o custo de disponibilidade quando esse valor é maior que o
faturamento referente à energia consumida da rede. O valor do custo de disponibilidade se refere ao valor em moeda
corrente referente a 30 kWh (se monofásica), 50 kWh (se bifásica) e 100 kWh (se trifásica).
As unidades consumidoras envolvidas neste estudo de caso estão todas em conexões monofásicas, e a cozinha
industrial será conectada a uma das unidades consumidoras. Desta forma, para os cálculos de dimensionamento dos
sistemas propostos considerou-se que 120 kWh de energia elétrica (30 kWh x quatro unidades consumidoras) seriam
equivalentes ao custo de disponibilidade, uma “taxa mínima” cobrada mensalmente. Utilizando este valor nos cálculos
evita-se o superdimensionamento do sistema. O consumo e as taxas de disponibilidade estão dispostos na Tab. 3.

Tabela 3 – Consumo e as taxas de disponibilidade

Descrição Valor Unidade

Consumo médio de energia elétrica (por mês) 1889,2 KWh

Taxa de disponibilidade para as quatro unidades consumidoras (por mês) 120 KWh

É importante ressaltar que este estudo de viabilidade econômica foi desenvolvido para verificar a viabilidade do
projeto em uma perspectiva ampla, e a distribuição de créditos de energia elétrica entre as famílias não foi considerada
individualmente. Para que o projeto seja implementado, diferentes cenários de investimento proporcional de cada família
e o valor de energia elétrica compensada em cada unidade consumidora teriam que ser analisados em maior detalhamento.

2.4 CAPEX dos sistemas propostos

A casa de vegetação agrivoltaica proposta neste estudo de caso foi projetada visando não adicionar grande
complexidade às casas de vegetação convencionais já existentes. Assim, a estrutura proposta é de madeira, semelhante às
existentes, e a estrutura metálica fotovoltaica e os módulos fotovoltaicos considerados no projeto são os convencionais.
Os dados de custo para o sistema fotovoltaico padrão no Brasil foram obtidos do estudo da empresa Greener6.
A fim de estimar o CAPEX do sistema elevado proposto, dados do Relatório NREL "Capital costs for dual-use
photovoltais installations”7 foram utilizados (Horowitz et al., 2020). De acordo com o estudo, o CAPEX de um sistema
agrivoltaico elevado com estruturas reforçadas é cerca de 53% maior do que o de um sistema fotovoltaico convencional
em solo. Este dado e os dados da empresa Greener foram utilizados para estimar o custo de investimento inicial para
construção do sistema agrivoltaico elevado proposto.

2.5 OPEX dos sistemas propostos

Os custos operacionais considerados no projeto são os relacionados à manutenção dos sistemas fotovoltaicos. O
custo de manutenção do sistema fotovoltaico foi considerado 1% a.a. do valor total de investimento inicial do sistema no
primeiro ano, mesmo valor adotado em outras pesquisas sobre a viabilidade econômica de sistemas fotovoltaicos no Brasil
(Schneider et al., 2018).
Além disso, como os inversores costumam ter uma vida útil menor quando comparados aos módulos
fotovoltaicos, a substituição dos dois inversores dos sistemas propostos foi considerada no ano 10 e no ano 20 da análise
econômica. O custo para a substituição do inversor foi obtido considerando dados da NREL de proporção de custos do
inversor dentro do custo de um projeto agrivoltaico (Horowitz et al., 2020), e o CAPEX de cada sistema. Além disso, na
análise considerou-se uma taxa de inflação de 3,16% a.a.8 para estimar custos futuros de manutenção.

5
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2022/lei/l14300.htm
6
https://www.greener.com.br/estudo/estudo-estrategico-geracao-distribuida-2022-mercado-fotovoltaico-2-semestre/
7
https://www.nrel.gov/docs/fy21osti/77811.pdf
8
https://www.cnnbrasil.com.br/economia/depois-de-8-meses-brasil-tem-inflacao-negativa-de-008-em-junho-diz-
ibge/#:~:text=No%20ano%2C%20o%20IPCA%20acumula,Conselho%20Monet%C3%A1rio%20Nacional%20(CMN)
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3. RESULTADOS

3.1 Sistemas agrivoltaicos propostos

O sistema de casa de vegetação agrivoltaica proposto é de aproximadamente cinco por onze metros com quinze
módulos como visto na Fig. 1. Já, o sistema agrivoltaico elevado ocupa uma área de aproximadamente onze por dez
metros com vinte módulos divididos em quatro fileiras de cinco módulos, como mostrado na Fig. 2.

Figura 1 - Casa de vegetação agrivoltaica

Figura 2 - Sistema agrivoltaico elevado

A potência da casa de vegetação e do sistema elevado, assim como o CAPEX resultante para cada um dos sistemas
propostos e o CAPEX total para o projeto estão disponíveis na Tab. 4.

Tabela 4 - Capex dos sistemas propostos


Potência Unidad CAPEX
R$/kWp
(kWp) e (R$)
Sistema de casa de R$ CAPEX
6,60 kWp R$ 4.155,00
vegetação 27.423,00 Total
Sistema agrivoltaico R$
8,8 kWp R$ 5.969,67 R$ 79.956,12
elevado 52.533,12

A análise de sombreamento foi realizada para os dias 22 de setembro e 22 de dezembro, datas próximas às estações
das temperaturas mais altas e mais baixas na localidade, respectivamente, que também são as datas do equinócio e
solstício. Os resultados da análise mostram que durante a estação mais quente, em setembro, a sombra cobre com maior
intensidade os cultivos sob os módulos, enquanto que durante dezembro, a sombra permanece majoritariamente na área
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entre as culturas, quando as temperaturas são mais baixas e irradiação menos intensa. Recomenda-se que todas as culturas
recebam um mínimo de 6h de luz solar direta ao longo do dia, e idealmente em torno de 8h. De forma geral, o
sombreamento resultante da implementação dos sistemas não compromete as horas mínimas de sol necessárias para os
cultivos. Uma sugestão para o plantio associado aos sistemas agrivoltaicos é que hortaliças folhosas e tomates, que são
mais propensos à desidratação, possam ser plantados em áreas com sombra por volta do meio-dia.

3.3 Geração de energia dos sistemas agrivoltaicos propostos

Considerando os sistemas agrivoltaicos propostos, a potência total estimada do projeto é 15,4 kWp. Foi calculada
a produção energética estimada dos sistemas agrivoltaicos, resultando numa produção média de eletricidade de 1.770
kWh/mês, ou 21,2 MWh/ano. O consumo médio de energia elétrica de cada um dos domicílios e da cozinha industrial,
bem como a produção estimada de energia elétrica estão representados visualmente no Gráfico da Fig. 3 e foram estimados
em cerca de 22,7 MWh/ano como anteriormente mostrado.

Consumo de energia x Geração de energia (por mês)


3000 2817 3000

2500 2341,9 2357 2381 2500

Geração de energia (kWh)


1786 1882
Consumo mensal (kWh)

2060
2000 2000
1507 1314 1567
1371
1500 1288 1500

1000 1000

500 500

0 0
jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez

Cozinha industrial Casa 1 Casa 2 Casa 3 Casa 4 Geração de energia

Figura 3 - Gráfico de consumo e geração de energia elétrica por mês

3.2 Cenários potenciais de perda de produtividade agrícola e economia de energia elétrica associada à
geração agrivoltaica

Em muitos casos, especialmente em culturas resistentes à sombra, a presença de uma estrutura agrivoltaica pode
beneficiar as culturas e aumentar a produtividade agrícola. Um estudo de 2016 relatou que fazendas agrivoltaicas que
plantam culturas resistentes à sombra poderiam se beneficiar de um valor econômico 30% maior do que as fazendas
convencionais, de acordo com simulações (Dinesh e Pearce, 2016). Embora a produção agrícola possa aumentar, uma
possível redução de produtividade também pode ocorrer. Regulamentos na França, Japão e Alemanha estabeleceram os
níveis máximos admissíveis de redução de rendimento de cultivos agrícolas em sistemas agrivoltaicos em 10%, 20% e
34%, respectivamente (Bellini, 2022).
Neste estudo, foram considerados quatro cenários de perda de produtividade, a fim de comparar uma estimativa
de perda de renda devido à possível perda de produtividade com a economia de energia associada aos sistemas
agrivoltaicos propostos, buscando uma análise econômica conservadora. Nesta análise, não foram considerados o
CAPEX, apenas os valores operacionais: perda de produtividade, economia de energia e OPEX do sistema fotovoltaico.
Para estimar a perda de produtividade em R$, considerou-se que a instalação agrivoltaica elevada e as casas de
vegetação cobririam aproximadamente 5% da área produtiva dos agricultores. Esta estimativa foi feita com base em
imagens aéreas dos terrenos. Ainda, para encontrar a redução equivalente de renda associada à perda de produtividade,
considerou-se o número e o preço das cestas de orgânicos. As famílias consideradas no estudo de caso abastecem 84
famílias com cestas mensais de orgânicos, que estão disponíveis em dois tamanhos – pequeno e grande. Considerando
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que metade delas seria do tamanho pequeno (R$ 140) e metade do grande (R$ 200), a renda mensal total da venda das
cestas seria de R$ 13.940,00 por mês. Os resultados desta análise estão na Tab. 5.

Tabela 5 - Cenários de perda de produtividade agrícola e economia de energia


Economia de energia (R$) no ano 1
Perda de produtividade Perda de produtividade
considerando os custos de manutenção dos
estimada (%) por ano (R$)
sistemas fotovoltaicos

5% R$418,20 R$15.127,95

10% R$836,40 R$15.127,95

15% R$1.254,60 R$15.127,95

20% R$1.672,80 R$15.127,95

3.4 Indicadores econômicos: VPL, TIR e período de Payback descontado

Nesta análise econômica foram calculados o Valor Presente Líquido (VPL), a Taxa Interna de Retorno (TIR) e
o período de retorno do investimento (Payback) descontado para investigar se os sistemas agrivoltaicos propostos no
estudo de caso são viáveis.
A utilização da Taxa Mínima de Atratividade (TMA) nos cálculos foi de 13,25%, que corresponde à Taxa SELIC
em agosto de 20239 e representa a taxa mínima de retorno que um investimento deve gerar para ser considerado atrativo
ou viável. Nesta análise, considerou-se uma taxa de aumento de 9,2% para a tarifa de energia elétrica, conforme dados do
estudo desenvolvido por Montenegro et al. (2020).
O VPL, a TIR e o Payback descontado foram calculados para três cenários diferentes de subsídios: 100% de
investimento dos agricultores, ou seja, sem subsídios; 80% dos agricultores e 60% dos agricultores. Os resultados dos
indicadores econômicos estão disponíveis na Tab. 6.

Tabela 6 - VPL, TIR e Payback descontado para os 3 cenários avaliados


Investimento dos Payback
VPL TIR
agricultores descontado

100% R$ 98.232,76 24,41% 7 anos e 10 meses

80% R$ 114.223,99 29,01% 5 anos e 10 meses

60% R$ 130.215,21 36,59% 4 anos e 1 mês

Todos os cenários analisados neste estudo apresentam resultados econômicos atrativos, com VPLs positivos, TIRs
superiores à TMA e períodos de Payback descontados menores do que o período de 25 anos do projeto.

4. CONCLUSÕES

O projeto agrivoltaico proposto neste estudo de caso apoiaria diretamente quatro famílias ribeirinhas e impactaria
84 famílias consumidoras da Amazônia, além de incentivar a produção orgânica na região amazônica. Além disso, o
projeto apoiaria financeiramente a operação da cozinha industrial, o que valorizará e agregará valor à produção destas
famílias.
Neste estudo, o foco principal foi avaliar a viabilidade da implementação de sistemas agrivoltaicos de pequena escala
adaptados às necessidades específicas dos pequenos agricultores. Embora seja evidente que o custo inicial desses sistemas
pode ser superior ao das instalações fotovoltaicas convencionais, o projeto dos sistemas foi proposto de forma a se adaptar
à realidade desses agricultores, bem como com sua disponibilidade de recursos. Nesse contexto, estruturas de madeira
foram inseridas no projeto nos sistemas e são sugeridas para a sua implementação, representando uma solução econômica
e acessível localmente.
No total, as duas topologias propostas no estudo resultam em 15,4 kWp e possuem potencial de gerar 21,2 MWh de
energia elétrica anualmente. Uma das principais conclusões deste estudo é que embora o CAPEX para sistemas
agrivoltaicos seja superior ao dos sistemas fotovoltaicos convencionais, o custo permanece dentro de uma faixa razoável,
sem impactar de forma considerável os indicadores de viabilidade econômica para casos de sistemas de pequeno porte e
simplificados. Isso sugere que esta possível barreira financeira da adoção da tecnologia pode não ser tão significante para
os pequenos agricultores como se poderia imaginar, especialmente quando considerados os benefícios de longo prazo.

9
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Na análise econômica, com o intuito de buscar uma avaliação mais conservadora, foram considerados cenários de
redução de produtividade e, mesmo no cenário em que se considerou uma redução de 20% na produção agrícola pela
menor incidência de radiação solar sobre a área cultivada, os impactos seriam consideravelmente inferiores aos ganhos
auferidos pela economia de energia associada à implantação do projeto. Os indicadores econômicos, como o período de
Payback descontado de 7 anos e 10 meses para o cenário de investimento 100% dos agricultores, resultaram em números
não tão distantes os dos sistemas fotovoltaicos convencionais (3 a 5 anos em média (Greener, 2023), reforçando que os
sistemas agrivoltaicos podem ser uma opção economicamente viável para os pequenos agricultores que buscam integrar
a geração de energia renovável com as atividades agrícolas.
Uma oportunidade identificada no estudo está relacionada à sinergia entre os sistemas agrivoltaicos e modelos de
negócio de energia compartilhada, uma vez que é possível aproveitar as estruturas de associação já existentes para o
compartilhamento de créditos de energia. No Brasil, esse modelo refere-se à prática de múltiplos consumidores gerarem
coletivamente energia renovável, muitas vezes por meio de sistemas de energia solar, como no caso proposto. Em um
caso de expansão da geração de energia solar na associação, o excedente de energia pode ser distribuído para custos
elétricos de outras das 12 famílias associadas à APOI.
Um tópico relevante para futuras investigações é a quantificação do impacto dos sistemas agrivoltaicos na
produtividade agrícola. Estudos futuros devem procurar determinar se esses sistemas contribuem positivamente para a
produtividade das culturas ou se há alguma redução (ou até ganho em locais com elevados índices de irradiação anual)
de produtividade relacionada em associação com culturas específicas. Isso forneceria informações importantes sobre as
implicações dos sistemas agrivoltaicos no ecossistema de agricultura familiar e na sustentabilidade da tecnologia
associada às práticas agrícolas.

Agradecimentos

Os autores agradecem o apoio de Kristina Kramer, Stéphanie Gomes e Gustavo Jimenez Enriquez. Este trabalho foi
apoiado pelo projeto Parceria Energética Brasil-Alemanha liderado pelo Ministério Federal de Economia e Ação
Climática (BMWK), pelo Ministério Federal de Minas e Energia (MME) e pelo Ministério das Relações Exteriores
(Itamaraty). A Parceria Energética Brasil-Alemanha é uma plataforma de apoio ao diálogo intergovernamental de alto
nível sobre questões energéticas e é implementada no Brasil pela GIZ (Deutsche Gesellschaft für Internationale
Zusammenarbeit).

REFERÊNCIAS

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AGRIVOLTAICS IN FAMILY FARMING: CASE STUDY AND ECONOMIC VIABILITY ANALYSIS

Abstract. Agrivoltaic systems provide a dual use of land for agriculture and photovoltaic energy generation, and have
gained international prominence, but their potential in Brazil is still little explored. Agrivoltaic systems can represent an
alternative to fight the high rates of food insecurity and energy poverty in the country. The current study focuses on four
families from an association of organic producers in the Amazonas state. Two topologies of agrivoltaic systems were
proposed within the scope of this study: an elevated system and a greenhouse. Data such as energy consumption, future
plans of the association, agricultural practices, climatic conditions and irradiation data were collected to estimate the
sizes of photovoltaic systems. The economic analysis considered risks of loss of agricultural productivity due to the
shadow of agrivoltaic structures. The results reveal that, although the initial CAPEX may be higher than conventional
installations, it remains within a reasonable range and the systems remain economically viable. Three scenarios of
farmers' contribution to the initial investment were evaluated: 100, 80 and 60%. Even in the case where farmers
contribute with 100% of the investment, the discounted payback is 7 years and 10 months. In this same scenario, the
resulting NPV and IRR were R$ 98,232.76 and 24.41%, respectively. Furthermore, synergy was observed between
agrivoltaic systems and shared energy business models, which can take advantage of the existing association structure
to enable the distribution of energy credits. The proposed individual project can directly benefit four riverside families
and impact 82 consumer families, while supporting organic production in the Amazon region. Furthermore, the study
can influence agrivoltaic applications in small scale farming contexts, and the need for more research on this topic was
identified on a national context.

Keywords: Agrivoltaic systems, Economic analysis, Small-scale agriculture

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