A atmosfera de Saturno
Assim como em Júpiter, a atmosfera de Saturno é principalmente composta de hidrogênio (75%) e hélio (25%).
Sua composição química também mostra a presença de vestígios de água, metano, amônia e "rochas". Esta
composição é similar àquela existente na nebulosa solar primordial a partir da qual o Sistema Solar foi formado.
As bandas coloridas de Saturno
A tonalidade amarela brumosa de Saturno é marcada por largas bandas atmosféricas similares a, mas mais fracas
do que, aquelas encontradas em Júpiter.
As faixas coloridas que aparecem de modo tão proeminente em Júpiter, são muito mais fracas em Saturno.
Estas bandas também são muito mais largas próximo do equador.
Os detalhes existentes no topo das nuvens são invisíveis da Terra de modo que somente a partir do encontro com as
Voyagers é que foi possível estudar detalhes sobre a circulação atmosférica de Saturno.
As manchas ovais de Saturno
Saturno também exibe ovais de grande duração e outros aspectos que são comumente observados na atmosfera do
planeta Júpiter.
Em 1990 o Hubble Space Telescope observou uma enorme nuvem branca próxima do equador de Saturno. No
entanto, quando as sondas espaciais Voyager se aproximaram deste planeta a nuvem não estava mais lá.
Em 1994 uma outra pequena tempestade foi observada em Saturno.
Os ventos em Saturno
O vento sopra em altas velocidades em Saturno e, na maioria, no sentido para o leste.
Os ventos mais fortes são encontrados próximos do equador, onde alcançam velocidades de 500 metros por
segundo, mas a velocidade cai uniformemente à medida que nos deslocamos para latitudes mais altas.
Em latitudes maiores do que 35 graus, os ventos se alternam para o leste e para o oeste à medida que a latitude
aumenta.
As imagens abaixo mostram dois aspectos da atmosfera de Saturno, onde podemos ver rodamoinhos formados por
fortíssimos ventos.
Algumas imagens características de Saturno
A imagem acima foi obtida pela sonda espacial Voyager 2 da NASA no dia 21 de julho de 1981 a uma distância de
33,9 milhões de quilômetros de Saturno, bem antes de realizar a sua máxima aproximação que só ocorreu no dia 25
de agosto de 1981.
Nesta imagem podemos observar dois padrões de nuvens brilhantes, presumivelmente provocadas por movimentos
convectivos dos gases atmosféricos, em latitudes médias do hemisfério norte.
Uma gigantesca tempestade
Os pesquisadores Reta Beebe, da New Mexico State University, D. Gilmore e L. Bergeron, ambos do Space
Telescope Science Institute, utilizando o Hubble Space Telescope da NASA-ESA, obtiveram, no dia 1 de
dezembro de 1994, esta rara imagem de uma violenta tempestade que estava ocorrendo na atmosfera de Saturno
desde setembro de 1994. Neste momento o planeta Saturno estava a 1.454 milhões de quilômetros da Terra. Os
cientistas verificaram que o movimento e o tamanho da tempestade haviam se modificado muito pouco desde a sua
descoberta.
A tempestade é a mancha branca, em forma de seta, que está próxima ao equador na imagem do planeta.
A extensão leste-oeste desta tempestade é igual ao diâmetro da Terra, que é de 12.756 quilômetros.
O Hubble Space Telescope já havia observado uma tempestade similar, embora bem maior, em setembro de 1990.
Esta foi uma das três grandes tempestades que foram observadas nos últimos dois séculos. Embora estes eventos
estejam separados por cerca de 57 anos, o que corresponde aproximadamente a dois anos de Saturno, não há ainda
qualquer explicação de por que razão elas ocorrem aparentemente seguindo um ciclo, pois elas acontecem quando
é verão no hemisfério norte de Saturno.
As nuvens brancas da tempestade são cristais de gelo de amônia que se formaram quando um fluxo para cima de
gases mais aquecidos abre seu caminho através do topo frios das nuvens de Saturno. Este tipo de tempestade é
maior do que as nuvens brancas associadas com tempestades pequenas que têm sido observadas mais
freqüentemente com a aparência de nuvens brilhantes.
As tempestades são geradas pelo movimento para cima de ar mais quente, similar às massas arredondadas de
nuvens do tipo cúmulus que freqüentemente aparecem antes de uma tempestade com trovões na Terra.
As imagens obtidas pelo Hubble Space Telescope são suficientemente detalhadas para revelar que os ventos
predominantes em Saturno moldam uma "cunha" escura que corroe o lado oeste (esquerda) da nuvem central
brilhante. Os ventos na direção leste, mais fortes, do planeta estão na latitude da cunha. Foram registrados ventos
com velocidades de 1.609 quilômetros por hora a partir da análise de imagens obtidas em 1980-1981 pela sonda
espacial Voyager.
Ao norte desta pequena "seta", os ventos diminuem de modo que podemos concluir que o centro da tempestade
está se movendo para leste em relação do fluxo local. As nuvens que se expandem para o norte da tempestade são
varridas para oeste pelos ventos das latitudes mais altas. Os fortes ventos próximos à latitude da cunha escura
sopram a parte norte da tempestade, criando um distúrbio secundário que gera as fracas nuvens brancas vistas a
leste (direita) do centro da tempestade.
As auroras de Saturno
O estudo das auroras de Saturno começaram há algumas décadas. A sonda espacial norte-americana Pioneer 11
observou um aumento de brilho no ultravioleta longinqüo nos polos de Saturno em 1979. Em 1980 uma série de
observações espectroscópicas realizadas pelo satélite norte-americano International Ultraviolet Explorer (IUE)
detectaram, esporadicamente, emissões provenientes das zonas de aurora de Saturno. As passagens próximas a
Saturno realizadas pelas sondas espaciais Voyager 1 e Voyager 2, no início da década de 80 do século passado,
encontraram emissões aurorais confinadas a um anel circumpolar.
As auroras são produzidas à medida que partículas carregadas, aprisionadas pela magnetosfera, se precipitam desta
região colidindo com os gases existentes na atmosféra, que no caso de Saturno são o hidrogênio atômico e o
molecular. Como resultado deste bombardeamento, os gases de Saturno brilham em comprimentos de onda do
ultravioleta longinqüo, entre 110 e 160 nanometers. Este comprimentos de onda são absorvidos pela atmosfera da
Terra e, por esta razão somente podemos observar as auroras de Saturno por meio de telescópios orbitais.
A imagem mostrada abaixo é o primeiro registro obtido de um fenômeno de aurora brilhante nos polos norte e sul
de Saturno. Esta imagem foi capturada no ultravioleta longinqüo pela Wide Field and Planetary Camera 2 que está
a bordo do Hubble Space Telescope da NASA-ESA.
A câmera fotografica do Hubble Space Telescope resolveu uma banda circular, luminosa, centrada no polo norte,
onde uma enorme cortina de aurora se elevava até 2.000 quilômeters acima do topo das nuvens. Esta cortina
mudou rapidamente, em brilho e extensão, ao longo do período de duas horas da observação feita pelo HST,
embora as emissões de brilho tenham permanecido em uma posição fixa em relação ao ângulo do Sol, próxima ao
"nascer do dia" na banda auroral norte. Esta imagem foi obtida no dia 9 de outubro de 1994, quando Saturno estava
a uma distância de 1,3 bilhões de quilômetros da Terra.
O campo magnético de Saturno está quase que perfeitamente alinhado com o eixo de rotação do planeta, dando ao
"anel" auroral uma simetria centrada no polo do planeta. A aurora do sul é fracamente visível nesta imagem a
despeito do fato de que o polo norte de Saturno está agora inclinado ligeiramente na direção da Terra.
A imagem de baixo mostra, para comparação, o planeta Saturno visto pelo Hubble Space Telescope em 1 de
dezembro de 1994. Esta imagem foi obtida na região visível do espectro eletromagnético e, ao contrário da imagem
no ultravioleta, os familiares cinturões e zonas atmosféricas de Saturno são claramente visíveis. A cobertura de
nuvens mais baixa não é visível nos comprimentos de onda da ultravioleta porque a luz do sol é refletida pelas
nuvens mais altas que estão na atmosfera.