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O documento explora a natureza do conhecimento, definindo-o como uma relação entre sujeito e objeto, e discute diferentes tipos de conhecimento, como prático, proposicional e por contato. Apresenta a definição tradicional de conhecimento, que envolve crença, verdade e justificação, e critica essa definição através dos contraexemplos de Gettier e do ceticismo radical, que questiona a possibilidade de conhecimento. Por fim, aborda o fundacionalismo como uma resposta ao ceticismo, destacando a importância da razão e da experiência na aquisição do conhecimento.
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O documento explora a natureza do conhecimento, definindo-o como uma relação entre sujeito e objeto, e discute diferentes tipos de conhecimento, como prático, proposicional e por contato. Apresenta a definição tradicional de conhecimento, que envolve crença, verdade e justificação, e critica essa definição através dos contraexemplos de Gettier e do ceticismo radical, que questiona a possibilidade de conhecimento. Por fim, aborda o fundacionalismo como uma resposta ao ceticismo, destacando a importância da razão e da experiência na aquisição do conhecimento.
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1.

CONHECIMENTO, JUSTIFICAÇÃO E DESAFIO CÉTICO


O conhecimento é uma relação que se verifica entre um sujeito (que conhece) e um objeto
(que é conhecido). No ato de conhecer, um sujeito apreende um objeto. Mas pode acontecer que o
sujeito e o objeto coincidam.

TIPOS DECONHECIMENTO

CONHECIMENTO CONHECIMENTO CONHECIMENTO


PRÁTICO PROPOSICIONAL POR CONTACTO

atividades ou ações proposições verdadeiras realidades concretas

É o conhecimento de
atividades ou ações, relativo É o conhecimento direto de
É o conhecimento de
à capacidade ou alguma realidade: pessoas,
proposições ou
competência para fazer algo animais coisa, lugares,
pensamentos verdadeiros.
ou realizar uma tarefa. estados mentais.

DEFINIÇÃO TRADICIONAL DE CONHECIMENTO

CONHECIMENTO PROPOSICIONAL

CRENÇA VERDADE JUSTIFICAÇÃO

Opinião ou convicção do
sujeito relativamente ao
objeto. Neste caso o objeto é
uma proposição. Neste
sentido, a crença é a adesão Para haver conhecimento
a uma determinada ideia ou A verdade é uma condição torna-se então também
proposição, tornando-a necessária para o necessário dispor de provas,
como verdadeira (embora conhecimento, uma crença razões ou evidências para
possa ser falsa). Como tal, a falsa não corresponde a justificar a nossa crença. Por
crença é uma condição qualquer conhecimento, conseguinte a justificação é
necessária para o mesmo que o sujeito tenha igualmente uma condição
conhecimento não sendo uma convicção forte a esse necessária para o
condição suficiente para respeito. conhecimento.
haver conhecimento. É
necessário não só que uma
pessoa acredite em algo,
como também que isso seja
verdadeiro.

É possível ter crenças verdadeiras ou falsas, justificadas ou injustificadas.


S sabe que P se e só se

S acredita que P P é verdadeira S tem uma justificação

CRENÇA VERDADE JUSTIFICAÇÃO

Condições necessárias e conjuntamente suficientes para haver conhecimento.

Ou seja, se alguém tiver uma crença acerca de algo, se essa crença for verdadeira e se
dispuser de boas razões para acreditar nisso, então dispõe das condições necessárias e
conjuntamente suficientes para ter conhecimento.

CONTRAEXEMPLO DE GETTIER

• Gettier afirma que é possível alguém não possuir conhecimento, ainda que sejam realizadas as
3 condições tradicionalmente consideradas necessárias e conjuntamente suficientes para tal.
• Nos contra exemplos de Gettier, e outros, a justificação para sustentar determinada crença não
se encontra ligada de maneira adequada à verdade de tal crença, pelo que a crença é
verdadeira apenas em resultado da sorte, do acaso ou da mera coincidência.
• Se podemos ter crenças verdadeiras justificadas acidentalmente então essas crenças não
equivalem a conhecimento. Sendo assim, a definição tradicional não apresenta condições
suficientes para o conhecimento.

O DESAFIO CÉTICO

PIRRO DE ÉLIS
(fundador do ceticismo radical / pirrónico)

O ceticismo radical é uma corrente filosófica que nega a possibilidade do conhecimento. Ou


seja, mesmo que algumas das nossas crenças sejam verdadeiras, não temos justificações
suficientes para mostrar essa verdade. Não sabemos aquilo que pensamos saber.

ARGUMENTO PRINCIPAL DOS CÉTICOS RADICAIS

Se há conhecimento, então a crenças justificadas.


Não há crenças justificadas.
Logo, não há conhecimento.

O argumento é válido, será sólido?

O ceticismo radical pode, de certa maneira, ser considerado contraditório ou autorrefutante.


O cético radical afirma que não temos crenças verdadeiras justificadas, mas ao afirmar isso já
exprime a crença verdadeira justificada que não há crença verdadeira justificada.
CETICISMO MODERADO - considera que o conhecimento é possível, mas que há limites
nele e/ou que o saber é apenas provável - probabilismo.

ARGUMENTOS CONTRA A POSSIBILIDADE DO CONHECIMENTO

• Erros e ilusões dos sentidos - um mesmo objeto pode ser interpretado de maneiras diferentes
por diferentes pessoas, ou, até pela mesma pessoa em momentos diferentes. Isto gera perceções
incompatíveis e não sabemos qual delas é correta. Além disso, os objetos, podem gerar ilusões,
ou seja, os sentidos são frequentemente enganadores iludem-nos, não existindo a possibilidade
de decidir qual é a verdadeira realidade. Logo nenhuma crença relativa aos objetos dos sentidos
se encontra justificada.
• Discordância e divergência de opiniões - existem muitas opiniões diferentes e opostas sobre os
mesmos assuntos. Como não conseguimos decidir com certeza qual delas é a correta, somos
levados a suspender o juízo (não é possível afirmar veracidade ou falsidade). Se há tanta
divergência e nenhuma posição consegue ser claramente justificada, então nenhuma das crenças
pode ser considerada conhecimento.
• Regressão infinita da justificação - as crenças são justificadas a partir de outras crenças. E se
existe esta regressão infinita da justificação, ou seja, A é justificada por B, B pela C, C pela D e
assim infinitamente, no final nenhuma das crenças vai estar justificada. Logo não há
conhecimento.

A RESPOSTA DO FUNDACIONALISMO

O fundacionalismo é uma perspetiva segundo a qual o conhecimento deve ser concebido


com uma estrutura que se ergue a partir de fundamento certos, seguros e indubitáveis.

BÁSICAS São autoevidentes e justificam-se a si mesmas.


Fundacionalismo - há crenças básicas (são o fundamento do conhecimento)
CRENÇAS
Ceticismo radical - não há crenças básicas (regressão infinita da justificação)
conhecimento)
NÃO-BÁSICAS Não são autoevidentes e justificam-se por outras.

FONTES DE CONHECIMENTO

FONTES DE CONHECIMENTO
(FONTES DE JUSTIFICAÇÃO DAS NOSSAS CRENÇAS)

RAZÃO (ou pensamento) EXPERIÊNCIA (ou sentidos)

Ao considerarmos a multiplicidade de proposições que formulamos, podemos contatar que


nem todas são conhecidas do mesmo modo.

Proposições a priori Proposições a posteriori

Proposição que pode ser conhecida Proposição que só pode ser


sem recorrer à experiência. conhecida recorrendo à experiência.
MODOS DE CONHECIMENTO

Conhecimento a priori Conhecimento a posteriori

Conhecimento que pode ser obtido Conhecimento que não pode ser obtido
independentemente da experiência sensível. independentemente da experiência sensível.
A justificação das crenças tem por base A justificação das crenças tem por base a
unicamente a razão. experiência sensível.

O RACIONALISMO E O EMPIRISMO

Há duas doutrinas filosóficas que valorizam diferentemente cada um dos modos de


conhecimento , dando mais importância à razão e ao conhecimento a priori - o racionalismo ou à
experiência e ao conhecimento a posteriori - o empirismo.

RACIONALISMO EMPIRISMO

Destaca a importância da razão e Destaca a importância da experiência e


considera que temos algum conhecimento considera que não temos conhecimento
do mundo sem recurso à experiência - do mundo sem recurso a ela - não há
conhecimento a priori acerca do mundo. conhecimento a priori acerca do mundo.

A razão é a origem principal do conhecimento. A experiência é a origem


principal do conhecimento.

Só através da razão é que se pode


encontrar um conhecimento seguro, Negam a existência de conhecimentos e
apoiado em princípios evidentes e princípios inatos. Logo, todo o nosso
totalmente independente da experiência conhecimento acerca do mundo é
sensível (a priori). Trata-se de um adquirido através da experiência.
conhecimento de verdades necessárias.

Algumas verdades podem ser


O conhecimento a priori tem um papel conhecimento a priori. Mas elas são
essencial, proporcionando-nos verdades desinteressantes e nada nos dizem
substanciais, ou seja, verdades que dizem acerca do mundo.
algo acerca do mundo. Este conhecimento
é obtido por intuição e pelo raciocínio.
Qualquer conhecimento substancial,
ou acerca do mundo, tem de ser
Uma perspetiva defendida no âmbito do adquirido através da experiência.
racionalismo é o inatismo, perspetiva
segundo a qual algum do nosso
conhecimento é inato, ou seja, possuímo-
lo à nascença (não o adquirimos através
da experiência).

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