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Relatório AJUS

O relatório documenta as atividades práticas realizadas por estudantes do curso de Licenciatura em Ciências de Informação Geográfica durante a viagem de Julho de 2025 no Centro de Desenvolvimento Agrário de Sábiè. O objetivo principal foi representar cartograficamente a área de estudo, desenvolvendo competências em levantamento topográfico e criação de bases de dados espaciais. O documento é estruturado em seis capítulos, abordando desde a introdução até as conclusões e recomendações.

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Relatório AJUS

O relatório documenta as atividades práticas realizadas por estudantes do curso de Licenciatura em Ciências de Informação Geográfica durante a viagem de Julho de 2025 no Centro de Desenvolvimento Agrário de Sábiè. O objetivo principal foi representar cartograficamente a área de estudo, desenvolvendo competências em levantamento topográfico e criação de bases de dados espaciais. O documento é estruturado em seis capítulos, abordando desde a introdução até as conclusões e recomendações.

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DEPARTAMENTO DE MATEMÁTICA E INFORMÁTICA

CURSO DE LICENCIATURA EM CIENCIAS DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA

Relatório de Actividades de Julho (AJUS) 2025

Local:
Centro de Desenvolvimento Agrário de Sábiè (CEDAS)

Estudantes:
Afonso Feliciano Manjate Kelven Arlindo Mauaie

Cheila Luís Domingos Cruzado Leocalde Sérgio Jone

Dércio Sitoe Milton Ilda Francisco Mafumo

Ginélcio Erson Higino Filimone Rosália Francisco Miambo

Ginita Da Madalena Arácua Pondo Rosalina Azarias João Demba

Hélder Arnaldo Pololo Shanaya Da Glória Malendza

Kambaja Foste Kenga Walter Ernesto Pene

Ziara António Rubane

Docentes:
Professor Ernesto Muheca

Mestre Inês Alfredo

Mestre Israel Matavele

Moamba, Julho de 2025


Conteúdo
1 Introdução 4
1.1 Contextualização . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4

1.2 Objectivos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5

1.2.1 Objectivo Geral . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5

1.2.2 Objectivos Especícos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5

1.3 Estrutura do Relatório . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6

2 Localização Geográca da Área de Estudo 7


2.1 Localização Absoluta . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7

2.2 Localização Relativa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7

3 Revisão Bibliográca 8
3.1 Reconhecimento Topográco . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8

3.1.1 Etapas do Reconhecimento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8

3.2 Levantamento Topográco de Pormenor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9

3.2.1 Denição e Objetivos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9

3.3 Posicionamento por Satélite . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9

3.3.1 GNSS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9

3.3.2 Fontes de Erros . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11

3.3.3 Precisão e Acurácia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12

3.4 Equipamentos Topográcos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16

3.4.1 Estação Total e Acessórios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16

3.4.2 Trena . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17

3.4.3 Preparação da Estação Total para o Levantamento . . . . . . . . . . . . . . . 18

3.4.4 Irradiação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19

3.4.5 Receptor GNSS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19

3.4.6 Base de Dados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19

4 Material e Metodologia 20
4.1 Material . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20

4.1.1 Material de Campo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20

4.1.2 Material de Gabinete . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23

4.2 Metodologia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23

4.2.1 Fluxograma Metodológico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24

1
4.2.2 Reconhecimento da Área e Identicação dos Elementos de Objectos Geográcos

a Levantar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25

4.2.3 Vectorização no software QGIS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26

4.3 Modelação da Base de Dados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30

4.4 Criação e População da Base de Dados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32

4.5 Dump de base de Dados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33

4.6 Restore da base de Dados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33

5 Resultados 35
5.1 Planta Topográca . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35

5.2 Webmap . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35

6 Conclusão e Recomendações 37
6.1 Recomendações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37

7 Bibliograa 38

8 Anexos 40

2
Lista de Tabelas
1 Principais fontes e efeitos dos erros envolvidos no GNSS. Fonte: Adaptado de Luz

(2019). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12

2 Interpretação do valor do DOP . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15

3 Especicações do Receptor GNSS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21

4 Especicações da Estação Total . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22

5 Especicações do Receptor GNSS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23

3
1 Introdução
1.1 Contextualização
O presente relatório resulta da actividade prática levada a cabo pelos Estudantes Finalitas do Curso

de Licenciatura em Ciências de Informação Geográca do ano 2025, no âmbito da viagem Actividades

de Julho (Ajus) do mesmo ano.

A actividade é um programa prático que envolve um conjunto diversicado de tarefas técnicas que

buscam proporcionar aos estudantes maior contacto directo com problemas reais ligados ao geoposi-

cionamento, abrangendo desde o reconhecimento do terreno e manuseo de equipamentos topográcos

até elaboração de produtos cartográcos estáticos e dinâmicos, visando uma formação de técnicos

com visão adaptada às necessidades locais. A actividade também serve de inspiração para pesquisa

universitária.

Durante a actividade, procurou-se desenvolver competências no manuseo de instrumentos de me-

dição, na colecta e processamento de dados espaciais, na concepção de bases de dados grográcas e

na criação de mapas Web. Esta experiência permitiu aos estudantes aprofundar a compreensão so-

bre os procedimentos técnicos e metodológicos inerentes à Topograa, Cartograa e Bases de Dados

Espaciais, bem como reforçar a capacidade de trabalho em equipa e a responsabilidade na execução

de tarefas com rigor.

Sendo a Topograa o ramo da Matemática Aplicada que tem por nalidade determinar o con-

torno, dimensão, posição relativa de uma porção limitada da superfície terrestre, bem como o estudo

dos instrumentos e métodos usados para obter a representação gráca da mesma porção (Espartel

-1987 e Doubek -1989, citados por Veiga, Zanetti, e Faggion, 2012), o trabalho de campo efectuado

teve como objectivo primordial a descrição exacta e detalhada de uma porção geográca e os seus

constituintes.

A actividade que culminou com a produção do actual relatório, decorreu entre os dias 15 à 25 de

Julho de 2025, somando aproximadamente 320h de trabalho prático de campo e processamento de

dados, realizada no Centro de Desenvolvimento Agrário de Sábiè (CEDAS) pertencente a Universi-

dade Eduardo Mondlane (UEM).

Este relatório busca documentar de forma sistematizada as atividades realizadas, destacando as

técnicas e procedimentos adoptados na colecta e processamento de dados.

4
1.2 Objectivos
1.2.1 Objectivo Geral
Representar cartogracamente, bem como geospacialmente o Centro de Desenvolvimento Agrário de

Sábiè (CEDAS) pertencente à Universidade Eduardo Mondlane, incluindo as suas feições.

1.2.2 Objectivos Especícos


ˆ Estabelecer redes de apoio ao levantamento de detalhe, por meio de transmissão de coordenadas

com base à Estação Total e receptor GPS;

ˆ Efectuar o levantamento topográco das feições existentes na área de estudo;

ˆ Realizar a análise assim como manipular os dados levantados, assegurando que os resultados

transmitam com delidade a realidade observada;

ˆ Elaborar uma Planta Topográca da área mapeada;

ˆ Desenvolver uma Base de Dados Espacial bem como divulgar o resultado num mapa interativo

( Web map).

5
1.3 Estrutura do Relatório
Este trabalho está subdividido em seis capítulos dos quais (1) introdução, (2) área de estudo, (3)

revisão bibliográca, (4) material e métodos (5) apresentação e discussão dos resultados, (6) conclusão

e recomendações.

ˆ Capítulo 1  Neste capítulo consta a introdução, os objectivos (geral e especícos), o resumo,

que servem de base para o desenvolvimento deste trabalho;

ˆ Capítulo 2  Neste capítulo faz-se a descrição da área de estudo incluindo a localização geográ-

ca e as suas características físico-geográcas;

ˆ Capítulo 3  Neste capítulo consta a fundamentação teórica relacionada ao estudo;

ˆ Capitulo 4  Descreve-se o material e métodos utilizados neste trabalho, a sequência de activi-

dades e o processamento dos mesmos;

ˆ Capítulo 5  Apresenta-se os resultados alcançados e a discussão dos mesmo;

ˆ Capitulo 6  Conclusão e recomendações para a elaboração de trabalhos futuros.

6
2 Localização Geográca da Área de Estudo
2.1 Localização Absoluta
° °
Geogracamente, o CEDAS situa-se entre as latitudes aproximadas de 25 19'21S e 25 19'03S, e as

° °
longitudes de 32 15'45E a 32 16'6E, com referência ao sistema geodésico WGS84.

2.2 Localização Relativa


O Centro de Desenvolvimento Agrário de Sábie (CEDAS) está localizado no distrito de Moamba,

província de Maputo, no Sul de Moçambique. Encontra-se a Nordeste do Posto Administrativo e do

Centro de Saúde de Sábié, a cerca de 800m de distância. É limitado a Norte pela estrada de terra

batida R402, que se estende nas direções Nordeste e Noroeste; a Sul, pelo rio Incomati; a Oeste,

por um campo de futebol local; e a Este, por uma extensa área arborizada. O acesso ao centro é

facilitado por vias terciárias que se conectam a rede rodoviária principal.

Figura 1: mapa de Localização

7
3 Revisão Bibliográca
3.1 Reconhecimento Topográco
A primeira etapa de um projecto, seja de grande, médio ou pequeno porte é o reconhecimento

do terreno. Para adquirir esse reconhecimento é necessária a visita técnica ao local e também o

levantamento topográco para a representação da situação da área. ( Yabiku, 2019) O reconhecimento

topográco é uma etapa essencial em qualquer levantamento topográco, sendo responsável pela

observação geral e análise inicial da área a ser mapeada. Essa fase visa a coleta de informações

relevantes sobre as características físicas, acessibilidade, extensão, cobertura do terreno, obstáculos,

pontos de interesse e quaisquer outros elementos que possam inuenciar a execução dos trabalhos

em campo.

3.1.1 Etapas do Reconhecimento


Análise Documental
Inicialmente, deve-se realizar a coleta e análise de documentos existentes sobre a área, incluindo

mapas topográcos, fotograas aéreas, imagens de satélite, levantamentos anteriores e documentação

legal do imóvel (Comastri & Tuler, 2007).

Reconhecimento de Campo
Esta fase envolve a visita à área para:

ˆ Identicar marcos geodésicos e topográcos existentes

ˆ Avaliar as condições de acesso e visibilidade

ˆ Dterminar pontos estratégicos para implantação da rede de apoio

ˆ Identicar obstáculos naturais e articiais

ˆ Vericar a vegetação e relevo da região

Planeamento da Rede de Apoio


Com base nas informações coletadas, procede-se ao planeamento da rede de pontos de apoio, considerando-

se critérios de precisão, economia e funcionalidade (McCormac et al., 2012).

8
Instrumentos Utilizados no Reconhecimento
Durante o reconhecimento, diversos instrumentos podem ser empregados:

ˆ Receptores GNSS para posicionamento preliminar

ˆ Binóculos para observação de detalhes distantes

ˆ Máquinas fotográcas para documentação

ˆ Trenas para medições preliminares

ˆ Bússolas para orientação básica

3.2 Levantamento Topográco de Pormenor


O levantamento topográco de pormenor, também conhecido como levantamento de detalhe, cons-

titui a fase mais especíca e minuciosa de um levantamento topográco, destinando-se à obtenção

de informações detalhadas sobre todos os elementos físicos presentes na área de estudo (Silva &

Segantine, 2015).

3.2.1 Denição e Objetivos


O levantamento de pormenor dene o nível de precisão e detalhamento necessário, sendo caracterizado

pela necessidade de representar com elevada precisão todos os elementos naturais e articiais do

terreno, incluindo construções, infraestruturas, vegetação, cursos de água, limites de propriedade

e qualquer outro detalhe relevante para o projeto em desenvolvimento. Os principais objetivos do

levantamento de pormenor incluem:

ˆ Denição precisa de limites e confrontações

ˆ Localização exata de construções e infraestruturas existentes

ˆ Caracterização detalhada do relevo e drenagem natural

ˆ Identicação de servidões e restrições físicas

ˆ Fornecimento de base cartográca para projetos de engenharia

3.3 Posicionamento por Satélite


3.3.1 GNSS
Os Sistemas de Navegação Global por Satélite permitem determinar o posicionamento geográco

de um objecto na superfície da Terra, através de satélites articiais especialmente concebidos para

9
o efeito. Sendo composto por vários sistemas independentes desenvolvidos por grandes potências

económicas mundiais.

Os Sistemas de navegação global por satélite partilham do mesmo princípio geral de fucionamento,

em que o processo de obtenção da posição se assemelha a trilateração, que tem por base a medição

de distância. (Maurício, 2015).

O Global Positioning System (GPS) é um sistema de navegação por satélite, desenvolvido pelo DoD

dos EUA, que utiliza uma constelação de satélites posicionada em órbitas do tipo MEO, projetado

com o objetivo de fornecer serviços áveis de posicionamento, navegação e medição do tempo para

utilizadores militares e civis numa base contínua global, por intermédio da transmissão de sinais na

banda L, para um recetor (Federal Aviation Administration citado por Mauricio, 2015).

O GLONASS (cuja nomenclatura original é GLObal'naya NAvigationnaya Sputnikowaya Sistema),

declarado operacional em 1995, é o sistema global desenvolvido pela antiga URSS (União das Re-

públicas Socialistas Soviéticas) e atualmente mantido pela Rússia. De forma similar ao sistema

norte-americano, foi criado para ns militares e posteriormente expandido para uso civil, conforme

diversas declarações do governo russo (Monico citado por Junior, 2019).

O Galileo é um sistema de navegação por satélite, desenvolvido pela União Europeia e a cargo da

European Space Agency (ESA), que utiliza uma constelação de satélites posicionada em órbitas do

tipo MEO, projetado com o objetivo de fornecer serviços áveis de posicionamento, navegação e

medição do tempo para utilizadores militares e civis, numa base contínua global, por intermédio da

transmissão de sinais na banda L, para um recetor (European Space Agency citado por Mauricio,

2015).

O BeiDou Navigation Satellite System (BDS ou BeiDou) é um sistema de navegação por satélite,

desenvolvido pelo Governo Chinês, que utiliza uma constelação de satélites posicionada em órbitas do

tipo GEO, MEO e IGSO, para fornecer serviços áveis de posicionamento, navegação e medição do

tempo para utilizadores militares e civis numa base contínua global, por intermédio da transmissão

de sinais na banda L, para um recetor (Liu citado por Mauricio, 2015).

Princípio de funcionamento do GNSS


O funcionamento básico dos sistemas GNSS assenta numa constelação de satélites em órbita terrestre

média (MEO) que transmitem continuamente sinais de rádio. Cada satélite emite sinais que contêm

O funcionamento básico dos sistemas GNSS assenta numa constelação de satélites em órbita terrestre

média (MEO) que transmitem continuamente sinais de rádio. Cada satélite emite sinais que contêm

informações sobre a sua posição orbital (efemérides), o estado do relógio atómico a bordo e um código

de pseudodistância.

Para determinar a posição, o recetor GNSS necessita, no mínimo, de quatro satélites simultaneamente

10
visíveis por uma antena (Seeber citado por Mauricio, 2015).

O sinal transmitido por cada satélite permite determinar o intervalo de tempo de propagação, a partir

do qual se calcula, o tempo horário e a posição geográca com um elevado grau de rigor, quando

comparado com outros métodos de posicionamento, entre a dezena de metros e alguns centímetros,

dependendo da sosticação dos recetores e dos métodos de processamento de dados (Subirana et al

citado por Mauricio,2015).

3.3.2 Fontes de Erros


Segundo Gomes (2019) variados erros podem ser denidos nas observáveis GNSS, os quais podem

ser mitigados, eliminados, sendo estes erros ocasionados devido à factores estão relacionados aos

segmentos do GNSS. O mesmo autor acrescenta que os erros de posicionamento podem ter três

tipos: grosseiros, que tem relação com factores de fácil determinação, sistemático e os aleatórios, os

quais estão instalados no sistema e não podem ser impossibilitados. Para a obtenção de resultados

precisos, deve-se determinar todas as fontes de e o melhor modo para atenuá-las.

11
Tabela 1: Principais fontes e efeitos dos erros envolvidos no GNSS.

Fonte: Adaptado de Luz (2019).

Fontes dos erros Efeitos


Erro da órbita

Erro do relógio

Satélite Atraso entre as duas portadoras no hardware do satélite

Centro de fase da antena do satélite

Fase wind-up

Refração troposférica

Refração ionosférica
Propagação do sinal
Perdas de ciclos

Multicaminho ou sinais reetidos Rotação da Terra

Erro do relógio

Erro entre os canais

Receptor/Antena Centro de fase da antena do receptor

Atraso entre as duas portadoras no hardware do receptor

Fase wind-up

Erros nas coordenadas

Multicaminho ou sinais reetidos

Marés terrestres
Estação
Movimento do polo

Carga oceânica

Pressão da atmosfera

3.3.3 Precisão e Acurácia


A precisão e acurácia no posicionamento por satélite são aspectos fundamentais dos sistemas GNSS

(Global Navigation Satellite Systems), que englobam não apenas o GPS americano, mas também

outros sistemas como GLONASS (russo), Galileo (europeu) e BeiDou/COMPASS (chinês) (Seeber,

2003). A distinção entre precisão e acurácia é crucial: a precisão refere-se à repetibilidade das

medições, enquanto a acurácia indica quão próximo o valor medido está do valor verdadeiro (Monico,

2008).

12
Efeitos Atmosféricos
A ionosfera e troposfera causam atrasos signicativos na propagação dos sinais GNSS. O intervalo

divulgado de variação da precisão do VTEC é de 2 a 8 TECU (Total Electron Content Units),

afetando diretamente a qualidade do posicionamento (Hofmann-Wellenhof et al., 2008).

Figura 2: A Ionosfera e Troposfera

Figura 3: Regiões do Mundo com alta actividade ionosferica

Geometria dos Satélites


A disposição geométrica dos satélites visíveis, quanticada pelo DOP (Dilution of Precision), afeta

signicativamente a precisão. Valores baixos de DOP indicam melhor geometria e, consequentemente,

maior precisão (Segantine, 2005).

13
(a) Mau DOP (b) Bom DOP

Figura 4: Fonte:[Link]

14
Tabela 2: Interpretação do valor do DOP

DOP Avaliação Descrição


<1 Ideal O mais alto nível de conança possível para ser usado em aplicações

que exigem a mais alta precisão possível em todos os momentos.

12 Excelente Nesse nível de conança, as medições posicionais são consideradas

precisas o suciente para atender a todas as aplicações, exceto as

mais sensíveis.

25 Bom Representa um nível que marca o mínimo apropriado para tomar

decisões precisas. Medições posicionais podem ser usadas para fazer

sugestões conáveis de navegação em rota para o usuário

510 Moderado As medições posicionais podem ser usadas para cálculos, mas a

qualidade da correção ainda pode ser melhorada. Recomenda-se

uma visão mais aberta do céu.

1020 Justo Representa um nível de conança baixo. As medições posicionais

devem ser descartadas ou usadas apenas para indicar uma estima-

tiva muito aproximada da localização atual.

>20 Pobre Nesse nível, as medições são imprecisas em até 300 metros com um

dispositivo de precisão de 6 metros (50 DOP Ö 6 metros) e devem

ser descartadas.

Múltiplos Percursos (Multipath)


O fenômeno ocorre quando os sinais GNSS são reetidos por superfícies antes de chegarem ao receptor,

causando erros de posicionamento. Este efeito é particularmente problemático em ambientes urbanos

com edifícios altos (Leick et al., 2015).

15
Figura 5: Esquema representativo de como ocorre o multicaminhamento

Fonte: Aburquerque, 2003

3.4 Equipamentos Topográcos


Esta secção aborda os principais equipamentos e métodos utilizados na execução de levantamentos

topográcos, desde os instrumentos tradicionais até as tecnologias mais avançadas.

3.4.1 Estação Total e Acessórios


A estação total constitui o equipamento fundamental da topograa moderna, integrando num único

instrumento um teodolito eletrônico, um medidor eletrônico de distância (EDM) e um sistema de

processamento e armazenamento de dados (Ghilani & Wolf, 2012).

Componentes principais:
ˆ Teodolito Eletrônico: Para medição de ângulos horizontais e verticais com precisão angular

± ±
típica de 5"a 1"

ˆ Medidor Eletrônico de Distância (EDM): Utiliza tecnologia laser ou infravermelha para

medição de distâncias até 5000m

ˆ Sistema de Processamento: Microprocessador interno para cálculos de coordenadas, áreas

e volumes

ˆ Display: Tela LCD para visualização de dados e controlo das funções

ˆ Memória Interna : Capacidade de armazenamento de milhares de pontos

Acessórios Essenciais:
Tripé: O tripé é um acessório fundamental para a sustentação do equipamento topográco. Os

tripés utilizados possuem características especícas:

16
ˆ Material: Alumínio ou bra de carbono para leveza e resistência

ˆ Pernas extensíveis com trava rápida e trava borboleta, rosca 5/8"

ˆ Ideal para garantir estabilidade em qualquer terreno

ˆ Altura ajustável entre 1,0 e 1,8 metros

Prismas Topográcos: Para que haja o retorno do sinal é necessário a instalação dos chamados

prismas topográcos, que são alvos dotados de espelhos e com centro bem denido.

Tipos de prismas:

ˆ Prisma Circular: Diâmetro efetivo de 64 mm, proporciona ampla área de reexão garantindo

resultados precisos

ˆ Mini Prisma: Para medições de curta distância e trabalhos em espaços reduzidos

ˆ °
Prisma de 360 : Permite visadas de qualquer direção

ˆ Bastão Telescópico: Bastão telescópico, leve, resistente com rosca 5/8"e ponteira. Caracterís-

ticas:

ˆ Graduação em centímetros ideal para medições

ˆ Comprimentos típicos: 2,60m ou 4,60m quando estendido

ˆ Sistema de travamentoo por rosca para xação do prisma

ˆ Ponteira metálica para xação no terreno

3.4.2 Trena
As trenas constituem instrumentos básicos para medição direta de distâncias em topograa, sendo

classicadas conforme o material e tecnologia empregada (Brinker & Minnick, 1995).

Tipos de Trenas:
Trenas de Aço: Mais leve e resistente à corrosão, é ideal para medições de grandes extensões em

terrenos e áreas externas. Pode atingir até 100 metros, sendo muito utilizada por agrimensores e

prossionais de topograa. Características:

ˆ Precisão: ±
3mm em 30m sob condições normais

ˆ Resistência à tração: Suporta forças de tensão sem deformação permanente

17
ˆ Graduação: Divisões em milímetros e centímetros

Trenas de Fibra de Vidro:

ˆ Material não condutor de eletricidade

ˆ Resistente à umidade e variações térmicas

ˆ Precisão inferior às trenas de aço

ˆ Comprimentos típicos: 20m, 30m, 50m

Eletrônicas: Existem trenas eletrônicas que utilizam laser para medir distâncias com extrema

precisão, facilitando ainda mais o trabalho dos prossionais. Trenas a laser são indicadas para

medições à distância, possibilitando agilidade, precisão nas medidas e praticidade de cálculo.

Características:

ˆ Alcance: 0,2m a 250m conforme o modelo

ˆ Precisão: ±
1 a 3mm

ˆ Funções adicionais: Cálculo de áreas, volumes, função Pitágoras

ˆ Funcionalidades como conversão de unidades, memória de leituras anteriores e cálculo de área

3.4.3 Preparação da Estação Total para o Levantamento


O estacionamento (preparação) refere-se ao processo de instalação e nivelamento da estação total

sobre um ponto topográco, enquanto a orientação consiste na determinação da direção de referência

para as medições angulares (Anderson & Mikhail, 1998).

Procedimento de Estacionamento:

Montagem do Equipamento:
Instalação do tripé com as pernas bem xas no terreno Montagem da estação total sobre o tripé

Fixação através do parafuso de centragem

1. Centragem: Utilização do prumo ótico para posicionar o centro do instrumento sobre o ponto

topográco Ajuste através dos parafusos niveladores Precisão de centragem: ± 2mm para tra-

balhos de precisão

2. Nivelamento: Utilização dos níveis de bolha (circular e tubular) Ajuste através dos parafusos

calantes Vericação da estabilidade do nivelamento

18
3. Medição da Altura do Instrumento: Medição vertical desde o ponto topográco até o eixo

horizontal do instrumento Registo preciso desta altura para cálculos posteriores

Procedimento de Orientação:

1. Por Azimute Conhecido: Visada a um ponto de coordenadas conhecidas Introdução do azimute

conhecido no instrumento Vericação através de visada a segundo ponto conhecido

2. Magnética: Utilização de bússola integrada (menos precisa) Aplicável apenas em levantamentos

de baixa precisão Necessária correção da declinação magnética local

3.4.4 Irradiação
Consiste em, a partir de uma linha de referência conhecida, medir um ângulo e uma distância. É

semelhante a um sistema de coordenadas polares. A distância pode ser obtida utilizando uma trena,

distanciômetro eletrônico ou estação total ou obtida por métodos taqueométricos. Este método é

muito empregado no levantamento de detalhes em campo. (Veiga et al., 2012).

3.4.5 Receptor GNSS


3.4.6 Base de Dados
Segundo Coelho (2011), uma base de dados é um local onde pode ser guardada informação. A in-

formação pode ser consultada, alterada, apagada na totalidade ou parcialmente, a partir de uma

aplicação conhecida como Sistema de Gestão de Base de Dados (SGBD), também chamada simples-

mente de Base de Dados (BD). Ao contrário dos documentos de diversos tipos, em que a informação é

colocada conforme o utilizador entender, numa base de dados a informação encontra-se estruturada,

facilitando assim a utilidade e longevidade da informação, que de outra forma faria sentido para um

utilizador num dado momento, e assim poderá ser útil para muitos utilizadores num período mais

longo de tempo. Uma base de dados pode ter diversos modelos que denem como a informação é

organizada internamente. Os mais comuns são o modelo hierárquico, em que cada registo possui um

e um só pai, tal como os cheiros e pastas no computador, não podendo um registo possuir mais que

um pai, o modelo em rede, que é idêntico ao modelo hierárquico mas cada registo pode possuir mais

que um pai, e o modelo relacional, o mais comum e abordado neste texto.

19
4 Material e Metodologia
4.1 Material
Nesta secção são apresentados os materiais, equipamentos e ferramentas utilizadas durante a rea-

lização das actividades práticas. A identicação precisa destes elementos é essencial para garantir

a reprodutibilidade do trabalho, bem como para evidenciar os recursos necessários à execução das

tarefas desenvolvidas.

4.1.1 Material de Campo


Para dar início às actividades práticas de coleta de dados no interior da área de estudo, fez-se primeiro

a seleção e vericação dos instrumentos a serem usados. Para tal foram selecionados os seguintes

instrumentos: três receptores GNSS da marca Garmin, com a referência GPSMAP 66S.

Figura 6: Receptor GNSS GARMIN

A sua cha técnica esta exposta na tabela abaixo.

20
Tabela 3: Especicações do Receptor GNSS

Especicação Detalhes
Dimensões físicas 2,5"x 6,4"x 1,4"(6,2 x 16,3 x 3,5 cm)

Tamanho do ecrã 1,5"(largura) x 2,5"(altura) (3,8 x 6,3 cm); 3"na diagonal (7,6 cm)

Resolução do ecrã 240 x 400 píxeis

Tipo de ecrã TFT a cores, transectivo

Peso 230 g (8,1 oz) com pilhas

Bateria 2 pilhas AA (não incluídas); recomendado NiMH ou Lítio

Classicação de estanqueidade IPX7 (resistente à água)

Precisão 3,00 m

Uma total da marca Trimble com a referência M1 DR 5" junto de dois prismas reetores e dois

bastões.

Figura 7: Estação Total Trimble M1 DR 5"

21
Tabela 4: Especicações da Estação Total

Categoria Especicação
Precisão Angular 2"e 5"

Modos de Medição Com e sem prisma

Alcance com Prisma Até 3000 m com prisma único

Alcance sem Prisma Até 400 m (KGC 90

Precisão (com prisma) ± (2 + 2 ppm Ö D) mm

Precisão (sem prisma) ± (3 + 3 ppm Ö D) mm

Tempo de Medição Modo preciso: 1,8 sModo normal: 0,8 s (com prisma) / 1,0 s (sem prisma)

Leitura Mínima 1 mm (modo preciso), 10 mm (modo normal)

Sistema Angular Fotoeléctrico por codicador diferencialIncremento mínimo: 1"/5"/10"

Telescópio 30 Ö de ampliação (opcional 18x/36x), imagem ereta, objetiva de 45 mm

Campo de Visão °
1 20'

Distância Mínima Foco 1,5 m

Apontador Laser ICoaxial, luz vermelha

Sensor de Inclinação Eixo simples, ±3', precisão de conguração: 1"

Comunicações Porta RS-232C + Bluetooth integrado

Memória Interna 10.000 registos

Sistema Operativo Teclado simples (face única ou dupla), visor gráco LCD retroiluminado

Neste estudo, como acessórios, foi usado um tripé de madeira para manter a Estação total nive-

lada durante as observações, dois bastões e dois prismas reectores para auxiliar na transmissão de

coordenadas, o prumo óptico para verticalizar a Estacão total no ponto desejado, uma ta métrica

de lona com comprimento de 100m com uma margem de erro de até 25cm para a medição da altura

do instrumento.

Figura 8: Acessórios utilizados

22
4.1.2 Material de Gabinete
Programas computacionais usados
O tratamento de dados espaciais requer a utilização de programas especícos que permitam a re-

alização de operações sobre os dados espacialmente referenciados. A tabela ilustra os programas

computacionais que auxiliaram a realização do presente relatório.

Tabela 5: Especicações do Receptor GNSS

Software Função
QGIS 3.36 Elaboração de Mapas, manipulação, vectorização e integração dos

dados espaciais para base de dados

PgAdmin 4 (Post- Criação da base de dados espacial

GreSQL/PostGIS)

DrawIO Elaboração do uxograma metodológico e do modelo conceptual e

lógico da Base de Dados

Visual Studio Code Desenvolvimento da Web map

Latex Usado para elaboração do relatório

4.2 Metodologia
Esta secção descreve os procedimentos metodológicos adoptados ao longo das diferentes etapas do

trabalho. São aqui detalhadas as abordagens técnicas, os critérios de selecção e as fases seguidas,

com vista a garantir a abilidade dos resultados obtidos e a coerência entre os objectivos denidos e

as actividades executadas.

23
4.2.1 Fluxograma Metodológico

Figura 9: Fluxograma

24
4.2.2 Reconhecimento da Área e Identicação dos Elementos de Objectos Geográcos
a Levantar
O reconhecimento consistiu na avaliação do terreno para garantir uma compreensão clara dos factores

e condições que podiam inuênciar nos resultados, onde a princípio estudou-se o CEDAS por meio

de imagem de satélite para melhor identicação das feições.

Procedeu-se, de seguida, o reconhecimento por caminhamento do perímetro da área de estudo com

vista a delimitar a mesma. Para tal foi destacada uma brigada e com recurso a um recetor GPS,

efectuou-se a recolha de pontos ao longo do referido perímetro.

O reconhecimento teve início no portão principal do CEDAS, seguindo pela via SábièMagude, numa

extensão de aproximadamente 317m, até à empresa produtora de bananas denominada Bananalân-

dia.

Posteriormente, percorreu-se uma distância de aproximadamente 235m ao longo da vedação do CE-

DAS, em direção ao rio Incomati, nas suas proximidades. Seguindo o mesmo princípio posiciona-

mento sistemático, continuou-se a acompanhar a vedação virada para o rio Incomáti, numa extensão

de aproximadamente 394m.

Por m, a colecta de pontos foi concluída numa extensão restante de aproximadamente 294m, com-

pletando assim o reconhecimento e a delimitação do perímetro da área de estudo (CEDAS).

Com o perímetro delimitado, avançou-se para a fase de identicação dos elementos e objectos geográ-

cos a serem levantados para representação espacial, tendo sido identicados os seguintes elementos:

ˆ Empresas Privadas;

ˆ Edifícios;

ˆ Postes;

ˆ Árvores;

ˆ Campos de Ensaio;

ˆ Tanques de Água;

ˆ Estação Meteorológica;

ˆ Vias de Acesso;

ˆ Vedação;

ˆ Caixas de Visita;

ˆ Áreas verdes.

25
4.2.3 Vectorização no software QGIS
A visualização inicial da camada de pontos importados foi sobreposta à imagem de referência (Ba-

seMap Google Satélite) para vericacão do alinhamento inicial com os dados colhidos em campo.

Figura 10: Visualização dos pontos importados da Estação Total Trimble M1

A vectorizacao no software Quantum GIS (QGIS) obedeceu os seguintes processos:

ˆ Activação da ferramenta Node Tool (Editar Nós) no painel de digitalização (Digitizing Toolbar).

ˆ Habilitação do Snapping (Settings > Snapping Options) Para selecionar com precisão os vec-

tores

ˆ Deslocamento manual de cada ponto para corresponder ao eixo da via de acesso visível na

imagem de referência, corrigindo deslocamentos devido à precisão limitada do receptor GNSS

±
( 3 metros).

ˆ Ampliação (zoom) em áreas críticas (curvas, interseções) para garantir que os pontos ajustados

representem com precisão a localização das vias na imagem.

Digitalização das vias


A Digitalização de Vias de Acesso no QGIS obedeceu os seguinte passos:

ˆ Ativação da ferramenta Add Line Feature (Adicionar Feição de Linha) no painel de digitaliza-

ção.

26
ˆ Traçado de linhas ao longo do eixo central das vias de acesso, utilizando a imagem de referência

como guia visual. Cada linha foi criada clicando nos pontos ajustados ou em novos pontos

diretamente sobre a imagem, especialmente em curvas ou trechos longos.

ˆ Uso do Snapping para conectar linhas em interseções ou extremidades, garantindo continuidade

e evitando lacunas.

Figura 11: Vectorizacao das vias de acesso no QGIS

Digitalização dos edifícios


A Digitalização de Edifícios no QGIS seguiu os seguintes passos:

ˆ Ativação da ferramenta Add Polygon Feature (Adicionar Feição de Polígono) no painel de

digitalização.

ˆ Delimitação dos contornos dos edifícios, clicando sobre os vértices visíveis na imagem de refe-

rência. Os polígonos foram desenhados cuidadosamente para representar com precisão a forma

e a área de cada edifício.

ˆ Utilização do Snapping para alinhar os vértices dos polígonos, evitando sobreposições ou espaços

entre edifícios adjacentes e garantindo a topologia correta.

27
Figura 12: Vectorizacao dos edicios no QGIS

Importação dos dados dos receptores GNSS


A importação dos dados obtidos a partir dos receptores GNSS foi realizada da seguinte forma:

ˆ Conversão dos cheiros de campo (normalmente em formato CSV, GPX ou shapele) para um

formato compatível com o QGIS, caso necessário.

ˆ Utilização da ferramenta Adicionar Camada de Texto Delimitado (no caso de CSV) ou Adici-

onar Camada Vetorial para importar os dados de cada receptor GNSS, assegurando a correcta

denição do sistema de referência (geralmente WGS 84).

ˆ Vericação visual dos pontos importados, assegurando que todos os dados foram correctamente

posicionados e que não existem erros de coordenadas ou projeção.

União das camadas dos vários receptores (Merge)


Após a importação individual dos dados de cada receptor GNSS, procedeu-se à união das diferentes

camadas através dos seguintes passos:

ˆ Acesso ao menu Processamento  Caixa de Ferramentas, seleccionando a ferramenta Merge

Vector Layers.

ˆ Selecção de todas as camadas importadas a partir dos receptores GNSS, garantindo que pos-

suem a mesma estrutura de atributos e sistema de referência.

28
ˆ Execução do processo de união, originando uma única camada consolidada contendo todos os

pontos dos diferentes receptores.

ˆ Vericação da camada nal para garantir que todos os dados foram correctamente fundidos e

que não houve duplicação ou perda de informação.

Figura 13: Visualizacao de dados importados dos receptores GNSS

Geração das curvas de nível


A geração das curvas de nível foi realizada com base na camada de pontos contendo informação

altimétrica (camada elev ), proveniente dos receptores GNSS. Seguiram-se os seguintes passos:

ˆ Utilização do plugin Contour, disponível no QGIS, para a criação das curvas de nível. Este

plugin gera uma camada de linhas com base num atributo numérico de uma camada vectorial

de pontos  neste caso, o atributo de altitude.

ˆ Denição de uma equidistância de 20 metros entre curvas, permitindo uma representação ade-

quada da variação altimétrica do terreno.

ˆ Aplicação da ferramenta Line Smoothing (Suavização de Linhas), com o objectivo de suavizar

as curvas geradas, reduzindo a rigidez dos segmentos e proporcionando uma representação mais

natural da morfologia do terreno.

ˆ Vericação visual do resultado nal, assegurando a coerência das curvas com a topograa geral

da área e a ausência de erros de interpolação.

29
Figura 14: Curvas de Nivel pelo software QGIS

4.3 Modelação da Base de Dados


Após o reconhecimento da área em estudo, foram identicadas 11 classes de elementos presentes

no terreno, como árvores, caixas de visita, campo de ensaio, edifícios, empresas privadas, estação

meteorológica, placas, postes, ponto de telecomunicação (pt), tanques de água e vias de acesso.

Como cada edifício e empresa privada está associado a um proprietário, houve a necessidade de

criar-se uma nova entidade denominada proprietário.

Durante a análise de relações entre classes, constatou-se que campo de ensaio e estação meteorológicas

tem uma relação, um vez que, em cada campo de ensaio encontramos uma estação meteorológica.

Além disso todas as classes estão inseridas em um limite que é a nossa área de estudo, o que nos

levou a criação de uma entidade limites que está relacionada a todas as classes.

Com base nessas observações, a Base de Dados foi estruturada a partir das seguintes entidades com

seus respectivos atributos:

ˆ limites (id, nome, geom) ;

ˆ proprietário (id, nome) ;

ˆ edifício (id, nome, numero, uso, estado, proprietario_id, limite_id, geom) ;

ˆ vias_acesso (id, tipo, limite_id) ;

ˆ empresa_privada (id, nome, proprietario_id, limite_id, geom) ;

ˆ campo_ensaio (id, limite_id, geom) ;

30
ˆ caixa_visita (id, foto, estado, limite_id, geom)
;

ˆ estacao_meteorologica (id, campo_ensaio_id, geom) ;

ˆ tanque_agua (id, capacidade, tipo, limite_id, geom) ;

ˆ placa (id, foto, limite_id, geom);

ˆ poste (id, tipo, limite_id, geom);

ˆ pt (id, foto, limite_id, geom)


;

ˆ arvores (id, especie, limite_id, geom) .

31
Figura 15: Modelo Entidade Relacionamento

4.4 Criação e População da Base de Dados


Com as entidades e seus respectivos atributos já denidos, procedeu-se com a criação da Base de

Dados no software PgAdmin. Por padrão, a extensão Postegresql já vem instalada na Base de Dados,

32
no entanto, como a nossa Base de Dados é espacial, foi necessário instalar a extensão PostGIS, que

permiti adicionar geometrias espaciais como pontos, linhas e polígonos. Após instalar a extensão,

foram criadas as tabelas referentes as classes denidas. Em seguida efectuou-se a conexão da Base de

Dados com o QGIS, o que permitiu importar as classes com geometria do tipo ponto para a Base de

Dados. Para classes com geometria do tipo linhas e polígonos, foi necessário realizar a digitalização

com base nos pontos adquiridos no trabalho de campo, de modo a gerar as tais geometrias.

Figura 16: conexão da Base de Dados com o QGIS

4.5 Dump de base de Dados


Dump é um processo de exportação dos dados e estrutura de uma base de dados para um arquivo,

geralmente no formato SQL e serve como uma cópia de segurança da base de dados, permitindo a

recuperação em caso de perda de dados, corrupção ou necessidade de migração para outro sistema.

Script:
pg_dump -U postgres -d mygisdb -F p -f "C:\Users\YourName\Documents\mygisdb_backup.sql"

4.6 Restore da base de Dados


O restore é o processo de importar um arquivo de dump para uma base de dados, recriando a

estrutura e os dados originais. Permite a recuperação da base de dados a partir de um backup, seja

para restaurar uma base de dados corrompida ou para migrar para um novo ambiente.

Script:
psql -U postgres -d mygisdb -f "C:\Users\YourName\Documents\mygisdb_backup.sql"

Esses processos (Dump e Restore) foram realizados com o objectivo de migrar a base de dados

para outro computador e, consequentemente, optimizar o trabalho colaborativo. Esta estratégia visou

33
assegurar uma maior eciência operacional ao permitir a distribuição estruturada de tarefas entre os

membros da equipa, promovendo concomitantemente maior agilidade na execução das actividades.

34
5 Resultados
5.1 Planta Topográca
a planta topográca resultante dos trabalhos de levantamento e processamento dos dados geoespa-

ciais. A representação foi desenvolvida no software QGIS, com base nas coordenadas recolhidas em

campo e devidamente ajustadas. A planta inclui os principais elementos da área em estudo, tais

como limites, edicações, vias de acesso e outras feições relevantes. Todo o processo respeitou os

princípios de representação cartográca e teve como objectivo garantir uma leitura clara e precisa

da conguração espacial do terreno.

Figura 17: WebMap do Centro de Desenvolvimento Agrário de Sábiè.

5.2 Webmap
Para o desenvolvimento da WebMap, recorreu-se as linguagens HTML, CSS e JavaScript (biblioteca

Lea[Link]) para a criação da interface gráca. Ela tem como principal objectivo a visualização das

classes observadas na área de estudo, previamente organizadas e armazenadas numa Base de Dados

Espacial.

35
Figura 18: WebMap do Centro de Desenvolvimento Agrário de Sábiè.

A WebMap foi concebida para proporcionar uma experência de navegação intuitiva, incorporando

diversas funcionalidades que melhoram a interação com o utilizador, como:

ˆ Função de Zoom , que permite a proximar ou afastar a área de interesse;

ˆ Popups informativos , que exibem informações descritivas sobre a classe;

ˆ Controlo de camadas , para activar ou desactivar cada classe;

ˆ Alternância de mapas base , permite escolher diferentes mapas base, como a do OpenStre-

etMap ou da Esri (Satélite).

36
6 Conclusão e Recomendações
A realização do trabalho de campo permitiu alcançar os objectivos propostos, com destaque para a

representação cartográca e geoespacial dos elementos geográcos do CEDAS. A actividade incluiu

várias etapas, em que a experiência tida revelou-se bastante enriquecedora do ponto de vista técnico

e académico, bem como sob perspectiva multicultural, pois proporcionou o contacto directo com

equipamentos de medição, práticas de trabalho colaborativo em ambiente real e troca de percepções

e saberes diversos. Além disso, permitiu consolidar os conhecimentos adquiridos ao longo do curso

e aplicar metodologias de levantamento de forma integrada. No entanto, enfrentaram-se também

alguns desaos relevantes, como:

ˆ Ausência de estacas previamente preparadas para implantação dos pontos, o que obrigou a

equipa a improvisar soluções no terreno;

ˆ Pequenas diculdades de sincronização/comunicação entre as brigadas em campo, resultando

no mapeamento de feições já mapeadas;

ˆ A interrupção temporária do levantamento devido à descarga da Estação Total, uma vez que

não se transportava o carregador do mesmo no momento, o que atrasou parte das actividades

previstas;

ˆ Limitações pontuais na precisão dos equipamentos, isto é,

6.1 Recomendações
Com base nas diculdades enfrentadas, recomenda-se que para os futuros trabalhos de campo:

ˆ Prepare-se os materiais auxiliares como estacas, martelos e/ou marcadores ainda no planea-

mento inicial das actividades;

ˆ Seja reforçada a comunicação entre as brigadas de trabalho, incluindo um checklist logístico do

planeamento das actividades ou programar pausas estratégicas para a reavaliação do progresso

e redistribuição de tarefas;

ˆ Seja feita uma vericação completa dos instrumentos e acessórios antes da saída, incluindo o

estado dos mesmos;

ˆ Seja promovido o uso de tecnologias de levantamento de alta precisão, para aumentar a eciência

e a cobertura.

37
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39
8 Anexos

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