HISTÓRIA E MEMÓRIA EM UMA REFLEXÃO:
REGISTROS DO TEMPO
Francisco Matheus de Sousa
RESUMO
Apresenta-se uma reflexão detalhada do processo de construção da história refletido
através de um dos seus meios de construção que é a memória. Com essa
pespequitiva, trazer uma análise no tempo dos processos históricos abordados tais
como: Proto-memória, memória, metamemória, memória individual e memória
coletiva. Todas essas como base concreta para que possamos ter base nessa
reflexão. Para, além disso, usaremos também o papel da memória como produto
seletiva do passado, a diferença entre história e memória, as relações entre história,
memoria e esquecimento. Desse modo, somados esses caminhos, conseguiremos
ter uma analise profunda para que possamos compreender sobre esses aspectos e
o que vem a ser a memória no papel de construção da história.
Palavras-chave: 1; história 2; memória 3; passado.
1 INTRODUÇÃO
O presente trabalho tem como objeto apresentar uma reflexão plausível sobre
o papel da memória na construção em si. Pois partindo desse ponto, da história que
nos conhecemos não é só um conjunto de fatos dos passado mais como os mesmo
podem esta como acontecimentos e como eles são lembrados durante o tempo. Por
esse sentido, a reflexão paira na própria memória como uma forma de preservar
esses acontecimentos e assim permitindo que possamos ter narrativas, lembranças
sobre os acontecimentos. Por esse ponto que podemos adentrar profundamente
essa reflexão, pois a memória não é fixa e neutra, sendo ela seletiva e podendo
sofrer influencia por diversos mecanismos até mesmos por contextos sociais e
também nossas interpretações.
É por onde podemos seguir nessa análise, buscar refletir essas relações que
pode esclarecer a história. E é com esses caminhos que seguirei para tentar
compreender a história construída através da memória e buscar também os seus
desdobramentos no presente. Tendo essa compreensão e entendendo que a
memória ela ocupa uma centralidade e assim funcionando como um dos, principais
meios de registros entre os elencados para essa reflexão. Pois tendo essa
compreensão de que a mesma, pode ser vista ou percebida como transmissão de
entendimento e também de experiências no tempo. Mais bem sabido e já lembrado
que ela, a memória não é algo pronto e acabado e sim dinâmico.
Por tanto, esta reflexão vai propor buscar essa reflexão sobre o papel da
memória na construção da história. Ressalto, buscando bases como proto-memória,
memória, metamemória, memória individual e memoria coletiva. E sem menos,
buscar também a diferença entre a distinção entre história e memória e suas
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possíveis relações. Assim, buscar construir uma base sólida para compreender a
história e memória nos processos históricos e como se relaciona com as
sociedades.
2 LIMITES DA DA MEMÓRIA EM CONSTRUÇÃO DA HISTÓRIA
Quando partimos para uma análise sobre essa parte de construção da
memória para a história temos pontos que devem ser levados com bastante
atenção, pois essa memória ela se destaca em suas derivações em seus níveis que
possibilita a mesma ser compreendida para potencializar a construção do que
entendemos como história. E para, além disso, deve – se entender como essas
memorias se formam assim como descreve Maria Paula Nascimento Araújo e
Myrian Sepúlveda dos Santos na revista Critica de Ciências Sociais sobre Historia,
memória e esquecimento: Implicações políticas: destacando o pensamento do
sociólogo Maurice Halbwac onde ele rejeita as ideias de correntes de sua época,
elas afirma que :
“A memória seria resultado da impressão de eventos reais na mente
humana” (ARAÚJO; SEPÚLVEDA,2007, P. 95)
Para Maurice Halbwac esses processos de memória que os humanos criam
ao logo de sua vida ela não pertence exclusivamente a sua particularidade mais a
memória ela pertence as interações e essas interações elas são conjuntas, coletivas
e sociais. A memória só é possível com interações que são mantidas entre
indivíduos sociais. Por isso, essa gama de mémorias são reiteradas em situações
em sociedade e dessa forma cria-se a ideia de memória coletiva que surge dessas
interações e formando processos históricos. E a memoria individual seria segundo
as autoras:
“A memória individual revela apenas a complexidade das interações sociais
vivenciadas por cada um” (ARAÚJO; SEPÚLVEDA,2007, P. 96)
Tendo esse entendimento, podemos partir para refletir ambas as memórias no
processo construtivo da história. Posto essa Analice percebe se que tanto a
memoria coletiva como a memória individual não se segregam as duas, ambas
pertence a construção de responder o passado. Revendo os entendimentos que
essas memorias tem papel crucial das relações humanas, as lembranças humanas
também individuais fazem parte desse processo. Reacende e confirma ainda que
mesmo essas lembranças hora pensadas individuais elas são sim conjunturas das
participações coletiva da sociedade. Assim sendo, o que afirma as autoras:
“Ao contrário da história, as memórias coletivas estão ligadas a movimentos
contínuos e lembranças transmitidas entre gerações. Não obstante, elas
também têm limites e compreensão do passado, pois o indivíduo não tem
consciência de que transforma o passado segundo sua própria percepção.
A memória, individual ou coletiva, é vulnerável a usOS E MANIPULAÇÕES
(NORA, 1984; DAVIS E STARN, 1989). Assim sendo, tanto a história como
a memória têm limites no acesso ao passado” (ARAÚJO;
SEPÚLVEDA,2007, P. 98)
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Por tanto, fica relevante saber dessa construção, pegando a proto-memória
como um fruto do próprio habito humano que esses vão ser apresentados durante
os processos de socialização que estamos inserido sendo o que antecede na
memória em si, que essa agora em segundo, já se configura como as nossas
recordações nossos reconhecimentos aonde vai se interligar com a metamemória
essa mais sofisticada que podemos tomar como exemplo as representações de
poder, datas comemorativas e paralelo a isso podemos diferenciar História que seria
algo cientifico, a história, um fluxo temporal ai vem a memória como espontânea e
afetiva.
3 HISTORIOGRAFIA NA SUA CONSTRUÇÃO NAS DISPUTAS PELA
MEMÓRIA.
Ao abordar a questão da historiografia na contemponedade em suas
disputas de memórias a historiografia contemporânea, especialmente da história do
tempo presente e da história oral, que buscam valorizar a subjetividade, os
sentimentos e as experiências individuais na construção da narrativa histórica.
Tende se discutir como essas abordagens revelam relações de dominação e
exclusão na construção das memórias, destacando a diferença entre a memória
oficial e as chamadas “memórias subterrâneas” — aquelas silenciadas, reprimidas
ou marginalizadas.
“A nova historiografia busca dar voz àqueles que não estão presentes nos
registros documentais, permitindo a reconstrução da história de grupos em
pequena escala. Seu foco está nos relatos pessoais, que, apesar de
parciais, trazem profundidade e elementos subjetivos, muitas vezes
ausentes em outras análises históricas. (Thompson, 1992). (ARAÚJO;
SEPÚLVEDA,2007, P. 104)”
Juntando essa análise podemos perceber que as questões mais centradas
nesses processos estão firmadas em compreender os acontecimentos e também dar
a visibilidade que muitas das vezes ausentes, ou seja, construir uma visão mais
diversa e plural do passado mostrado e analisando fundamentalmente os momentos
que constrói a história muita das vezes as vozes que foram silenciadas na
construção histórica, pois na própria historiografia essas memórias elas vão
desempenhar um papel fundamental ao desafiar versões únicas e dominantes dos
fatos, por exemplo, quando a história oficial pode apresentar um período como
sendo de crescimento e estabilidade, as memórias subterrâneas podem revelar
opressão, resistência e desigualdade vividas por outros. É por tanto que a
historiografia seja peça não questionamento dessa reflexão para a História.
3 A HISTÓRIA COMO CONSTRUTORA DE MEMÓRIAS E IDENTIDADES
Seguindo em nossa reflexão, é sabido que os processos históricos vão se colocando
nessa construção organizada por vários meios ate construir uma metamemória mais
sofisticados como já sabemos, e assim vai seguindo e formando a história tanto para
as relações sociais como também no aspecto enquanto indivíduo. Assim, a função
social do passado e sua relação com os processos sociais, destaca que a história é
um campo de estudo que constantemente reconstrói e questiona o passado. A
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principal ideia é que o passado não é algo fixo assim também como já colocado,
mas sim um elemento dinâmico que interage com o presente e é reinterpretado
conforme as necessidades da sociedade atual. Ela enfatiza que a história não
apenas registra os fatos, mas os organiza e classifica de acordo com as demandas
do presente. Isso significa que a forma como interpretamos e utilizamos o passado
tem um impacto direto na construção da identidade social e na formação das novas
gerações. Como podemos ver a seguir:
“A História é essa que nos é contada e que nos conecta com o passado
distante. Quais são as memórias possíveis que permitem tais conexões.
Essa função da história é possível porque a história “é a ciência do passado,
desde que se saiba que este passado se torna objeto da história, por uma
reconstituição incessantemente posta em causa” (Le Goff, 1982, p. 27). A
função social do passado somente é possível por causa da interação entre o
passado e o presente. Lucien Febvre, (apud Le Goff 1982, p. 27), afirma
que “a história recolhe sistematicamente, classificando e agrupando os fatos
passados em função das suas necessidades atuais”. É em função da vida
que ela interroga a morte... Organiza o passado em função do presente”.
Assim, pode-se definir a função social da história” (ALMEIDA, 2015, p.
115).
Desse modo é que a função social do passado somente é possível por causa da
interação entre o passado e o presente e assim, pode-se definir a função social da
história. E também a importância da memória coletiva na construção da consciência
histórica. A herança cultural e social transmitida por gerações anteriores molda a
identidade dos indivíduos e influencia como cada um entende o mundo. Esse
processo de transmissão de conhecimento e memórias é essencial para a
continuidade e o desenvolvimento da sociedade. Por isso a história não é apenas
um registro do passado, mas um instrumento ativo na construção do presente e do
futuro, pois permite que as gerações futuras se conectem com suas raízes e
aprendam com as experiências anteriores.
“ Este processo de transmissibilidade de conhecimento acumulado e de
memórias sociais foi fundamental para o desenvolvimento do homem e
ainda continua sendo uma das suas formas mais marcantes. De acordo com
Pais (1999, p. 1): Sem consciência histórica sobre o nosso passado (e
antepassados), não perceberíamos quem somos. Essa dimensão indenitária
- quem somos? - emerge no terreno de memórias históricas partilhadas. Por
isso, o sentimento de identidade - é entendida no sentido de imagem de si,
para si e para os outros - aparece associado à consciência histórica, forma
de nos sentirmos em outros que nos são próximos, outros que antecipam a
nossa existência e que, por sua vez, anteciparão a de outros. Ao assegurar
um sentimento de continuidade no tempo e na memória (e na memória do
tempo), a consciência histórica contribui, deste modo, para a afirmação de
identidade – individual e coletiva” (ALMEIDA, 2015, p. 116).
Assim sendo, a história, ao construir essas memórias e identidades elas vão,
desempenha um papel fundamental na formação das sociedades e na transmissão
do conhecimento entre gerações. Então a função social do passado não se limita a
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um simples registro de fatos, mas sim a um processo de interpretação e
ressignificação, essencial para a construção da consciência histórica. A perda dessa
conexão com o passado compromete a continuidade cultural e enfraquece a
identidade coletiva, resultando em uma sociedade cada vez mais fragmentada.
Portanto o que fica é valorizar e compreender o passado são essenciais para que
possamos construir um algo mais, enraizado em experiências e aprendizados que
moldaram a trajetória humana ao longo do tempo.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Por tanto, a construção da história, através da memória, revela-se como um
processo dinâmico e essencial para a compreensão do passado e também suas
influências no presente. A memória, ao contrário da história, ela não é apenas uma
reprodução linear de eventos, mas uma construção seletiva, onde muitas das
vezes moldada por interações sociais, culturais e políticas. Ao refletirmos sobre os
diferentes tipos de memória — como a proto-memória, metamemória, memória
individual e memória coletiva — percebemos que todos esses aspectos são
fundamentais para a forma como as sociedades constroem e reconstroem suas
narrativas ao longo do tempo. Essa diferença que existe entre história e memória é
crucial, pois enquanto a história busca uma objetividade científica, a memória é
espontânea e afetiva, onde vai conectando indivíduos a um passado que muitas
vezes é reinterpretado conforme o contexto e as necessidades do presente, Tanto a
memória coletiva quanto a memória individual desempenham papéis essenciais na
construção de um entendimento mais amplo e plural do passado sendo que ambas,
embora distintas, se inter-relacionam na forma como as sociedades transmitem e
ressignificam suas experiências.
Outro ponto importante a historiografia contemporânea, ao dar voz às chamadas
“memórias subterrâneas”, desafiou as versões dominantes e oficiais da história,
permitindo que essas novas narrativas surgissem a partir das experiências de
grupos marginalizados e excluídos. Esse movimento é fundamental para
compreensão mais democrática e plural da história, pois amplia a visão sobre os
processos históricos, evidenciando as desigualdades, resistências e lutas que
marcaram o percurso de muitas sociedades. Por fim, ao refletirmos sobre a função
social da memória na construção de identidades, concluímos que a história e a
memória não são apenas ferramentas de registro do passado, mas instrumentos
poderosos na construção da identidade social e cultural. A memória, ao ser
compartilhada e transmitida de geração em geração, permite que as sociedades se
reconheçam em sua diversidade e complexidade, e, ao mesmo tempo, fortalece o
entendimento do presente e a construção de um futuro mais consciente de suas
raízes. A preservação da memória e a valorização de todas as vozes históricas são,
portanto, fundamentais para a continuidade cultural e o fortalecimento da identidade
coletiva, permitindo que o passado seja uma base sólida para as transformações do
futuro.