Ponto 7
Ponto 7
A engenharia de tecidos e a medicina regenerativa representam campos multidisciplinares que visam restaurar,
manter ou melhorar a função de tecidos e órgãos danificados. Nesse contexto, os scaffolds desempenham um papel
central, funcionando como estruturas tridimensionais que fornecem suporte mecânico, arquitetônico e bioquímico
para o crescimento, diferenciação e organização celular, mimetizando a matriz extracelular (MEC) nativa. A escolha do
material de substrato para a fabricação desses scaffolds é crítica, influenciando diretamente as propriedades físico-
químicas, mecânicas, biológicas e a taxa de degradação da estrutura.
Para serem eficazes em aplicações de engenharia de tecidos, os materiais de substrato para scaffolds devem
atender a uma série de requisitos rigorosos:
• Biocompatibilidade: O material não deve provocar uma resposta inflamatória ou tóxica adversa no organismo.
Isso implica que o material e seus produtos de degradação devem ser seguros e não imunogênicos.
• Biodegradabilidade: Para a maioria das aplicações, o scaffold ideal deve ser biodegradável, degradando-se a
uma taxa compatível com a regeneração do tecido. À medida que o novo tecido se forma, o scaffold deve se
reabsorver gradualmente, evitando a necessidade de remoção cirúrgica e permitindo que o tecido nativo
assuma a função mecânica. Os produtos da degradação devem ser atóxicos e facilmente excretados pelo corpo.
• Bioatividade: Em muitos casos, é desejável que o material de substrato possua bioatividade intrínseca ou seja
funcionalizado para promover a adesão celular, a diferenciação e a formação de MEC, através da incorporação
de fatores de crescimento, peptídeos bioativos ou outras moléculas.
1. Polímeros
Polímeros são os materiais mais comumente empregados na engenharia de tecidos devido à sua versatilidade,
facilidade de processamento e capacidade de serem modificados quimicamente para otimizar suas propriedades.
a) Polímeros Naturais
• Colágeno: É a proteína mais abundante em mamíferos e o principal componente da MEC da maioria dos
tecidos. Apresenta excelente biocompatibilidade e bioatividade, promovendo a adesão, proliferação e
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diferenciação celular. É amplamente utilizado em scaffolds para pele, osso, cartilagem e vasos sanguíneos. No
entanto, pode ter propriedades mecânicas limitadas e potencial para resposta imunológica se não for
adequadamente purificado.
• Fibrina: Uma proteína envolvida na coagulação sanguínea. Possui alta biocompatibilidade, biodegradabilidade
e capacidade de suportar a adesão e proliferação celular. É frequentemente utilizada em scaffolds para
engenharia de vasos sanguíneos e nervos.
• Alginato: Um polissacarídeo extraído de algas marinhas. Forma géis em presença de íons divalentes, é
biocompatível e relativamente barato. Utilizado em scaffolds para encapsulamento celular e engenharia de
tecidos moles.
• Seda: Proteína fibrosa produzida por insetos como o bicho-da-seda. Possui excelentes propriedades
mecânicas, alta biocompatibilidade e degradação controlada. É empregada em scaffolds para ligamentos,
tendões e pele.
b) Polímeros Sintéticos
Esses polímeros são fabricados quimicamente, permitindo um controle preciso sobre suas propriedades físico-
químicas, mecânicas e taxas de degradação. Sua reprodutibilidade e a ausência de componentes imunogênicos são
vantagens significativas.
o Ácido Polilático (PLA) / Poli(L-ácido láctico) (PLLA): Biocompatível e biodegradável, com boas
propriedades mecânicas. A degradação do PLLA é mais lenta, tornando-o adequado para aplicações
que exigem suporte mecânico a longo prazo.
o Ácido Poliglicólico (PGA): Mais hidrofílico e degrada mais rapidamente que o PLA. É frequentemente
usado como componente em copolímeros.
• Poliuretanos (PUs): Possuem propriedades mecânicas versáteis, que podem ser ajustadas para mimetizar a
elasticidade de diversos tecidos. Alguns são biodegradáveis e biocompatíveis, sendo explorados para tecidos
moles, como vasos sanguíneos.
• Poli(álcool vinílico) (PVA): Hidrofílico, biocompatível e não biodegradável ou de degradação muito lenta. É
utilizado em géis e hidrogéis para engenharia de tecidos que não requerem degradação, como cartilagem
artificial.
2. Cerâmicas
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Cerâmicas e vidros bioativos são caracterizados por sua rigidez, resistência à compressão e, em alguns casos, sua
capacidade de formar ligação química com o tecido ósseo. São particularmente relevantes para a engenharia de tecidos
duros.
• Hidroxiapatita (HA): Principal componente mineral do osso e do dente. Possui excelente osteocondutividade
(capacidade de atuar como substrato para o crescimento ósseo) e osteoindutividade (capacidade de induzir a
formação óssea), além de biocompatibilidade. Utilizada em scaffolds para reparo e regeneração óssea.
• Fosfato de Cálcio (β-TCP, fosfato bicálcico): Outra cerâmica de cálcio-fosfato com boa biocompatibilidade e
biodegradabilidade. É mais solúvel que a HA, permitindo uma reabsorção mais rápida e sendo frequentemente
usada em combinação com HA ou em formulações de cimento ósseo.
• Biovidros: Materiais vítreos que formam uma camada de apatita na superfície quando em contato com fluidos
biológicos, promovendo a adesão celular e a formação de osso. Possuem osteocondutividade e bioatividade
elevadas. O Bioglass® 45S5 é um exemplo notável.
3. Compósitos
A combinação de diferentes classes de materiais permite explorar as vantagens de cada um, superando as
limitações dos materiais individuais e adaptando as propriedades do scaffold para aplicações específicas. Os
compósitos podem ser polímero-cerâmica, polímero-polímero ou mesmo polímero-metal em alguns casos
especializados.
• Polímero-Cerâmica: Scaffolds compósitos de polímero (ex: PLGA, PCL) e cerâmica (ex: HA, β-TCP) combinam a
flexibilidade e a controlabilidade da degradação dos polímeros com a osteocondutividade e as propriedades
mecânicas superiores das cerâmicas. São amplamente utilizados em engenharia de tecidos ósseos e
cartilaginosos, onde a fase cerâmica mimetiza o componente mineral do tecido e o polímero fornece o suporte
orgânico.
Considerações Finais
Referências
• Ratner, B. D., Hoffman, A. S., Schoen, F. J., & Lemons, J. E. (2012). Biomaterials Science: An Introduction to
Materials in Medicine. Academic Press.
• Temenoff, J. S., & Mikos, A. G. (2008). Biomaterials: The Intersection of Biology and Materials Science. Pearson
Prentice Hall.
• Lanza, R., Langer, R., & Vacanti, J. P. (2014). Principles of Tissue Engineering. Academic Press.
• Ghasemi-Mobarakeh, L., et al. (2019). Biomaterials for Tissue Engineering: A Review. Woodhead Publishing.
(Este último pode ser mais um capítulo de livro ou uma revisão extensa que compila informações de livros
fundamentais).
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b. Esterilização de Scaffolds
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A esterilização de scaffolds é uma etapa crucial e não trivial na fabricação de biomateriais para engenharia de
tecidos e medicina regenerativa. O objetivo principal é eliminar todos os microrganismos viáveis (bactérias, fungos,
vírus, esporos) do material, garantindo a segurança do paciente e prevenindo infecções pós-operatórias. No entanto,
a escolha do método de esterilização é complexa, pois deve ser eficaz na erradicação microbiana sem comprometer as
propriedades físico-químicas, mecânicas e, mais importante, a biocompatibilidade e bioatividade do scaffold. Muitos
materiais poliméricos e biológicos são sensíveis ao calor, à radiação e a agentes químicos, o que exige uma cuidadosa
seleção e validação do protocolo.
Os scaffolds, especialmente aqueles com estruturas porosas e complexas, apresentam desafios únicos para a
esterilização:
• Integridade do Material: Muitos polímeros, proteínas e fatores de crescimento incorporados são sensíveis ao
calor, pH extremo, radiação ionizante e produtos químicos agressivos. A esterilização inadequada pode levar à
degradação do material, alteração das propriedades mecânicas, perda de bioatividade ou formação de
subprodutos tóxicos.
• Resíduos Tóxicos: Alguns métodos de esterilização podem deixar resíduos tóxicos no material, que precisam
ser completamente removidos antes da implantação para evitar reações adversas no organismo.
• Manutenção da Esterilidade: Após a esterilização, o scaffold deve ser embalado de forma a manter sua
esterilidade até o momento do uso.
Os métodos de esterilização podem ser broadly categorizados em físicos e químicos. A escolha ideal depende
da natureza do material do scaffold, sua sensibilidade e a aplicação final.
1. Métodos Físicos
• Autoclavação (Vapor Saturado Sob Pressão): É um dos métodos mais eficazes e amplamente utilizados para
materiais termoestáveis. O calor úmido coagula as proteínas microbianas, levando à sua inativação.
o Aplicação: Limitada a scaffolds feitos de cerâmicas, metais ou polímeros sintéticos muito estáveis ao
calor.
• Calor Seco: Utiliza ar quente para esterilizar, geralmente por oxidação de componentes celulares.
o Desvantagens: Requer temperaturas mais altas e tempos de exposição mais longos do que a
autoclavação, o que o torna ainda menos adequado para materiais termossensíveis.
o Aplicação: Raramente usado para scaffolds devido à alta sensibilidade dos materiais.
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• Radiação Gama (γ): Utiliza raios gama (geralmente de uma fonte de Cobalto-60) para danificar o DNA
microbiano, inativando os microrganismos. Possui alta capacidade de penetração.
o Vantagens: Altamente eficaz, boa penetração, permite a esterilização do produto final embalado.
o Desvantagens: Pode causar degradação de polímeros (quebra de cadeia, reticulação), alteração das
propriedades mecânicas, formação de radicais livres e produtos de degradação tóxicos. Polímeros
como PLGA e colágeno são particularmente sensíveis.
• Feixe de Elétrons (E-beam): Utiliza elétrons acelerados para esterilizar. A energia é depositada de forma mais
superficial do que a radiação gama.
o Desvantagens: Menor poder de penetração, o que pode ser um problema para scaffolds espessos ou
com geometrias complexas. Ainda pode causar alguma degradação em polímeros.
o Desvantagens: Baixa penetração (apenas superfície), ineficaz para esterilizar o interior de scaffolds
porosos ou embalados.
o Aplicação: Útil para esterilização de superfícies de bancada ou materiais em placas de cultura, mas
não para esterilização terminal de scaffolds complexos.
2. Métodos Químicos
• Vantagens: Eficaz em baixas temperaturas, boa penetração, adequado para materiais termossensíveis.
• Desvantagens: O óxido de etileno é tóxico, inflamável e explosivo. Requer um período de aeração prolongado
para remover completamente os resíduos do gás e seus subprodutos (etilenocloridrina e etilenoglicol), que
também são tóxicos.
• Aplicação: Um dos métodos mais comuns para esterilização de dispositivos médicos sensíveis ao calor,
incluindo muitos scaffolds. A validação rigorosa da aeração é fundamental.
b) Plasma de Gás (Peróxido de Hidrogênio):** Utiliza peróxido de hidrogênio vaporizado e ativado por
radiofrequência ou micro-ondas para gerar plasma, que contém radicais livres que inativam microrganismos.
• Vantagens: Baixa temperatura, rápido, não deixa resíduos tóxicos (os subprodutos são água e oxigênio), seguro
para o operador.
• Desvantagens: Menor poder de penetração em comparação com o ETO, pode ser ineficaz para materiais com
lúmens longos e estreitos ou para cargas muito densas.
• Aplicação: Crescentemente utilizado para scaffolds e dispositivos médicos sensíveis ao calor e à umidade.
c) Esterilização por Filtração (para soluções):** Não é um método para esterilizar o scaffold sólido em si, mas sim
soluções ou componentes líquidos que serão incorporados ou utilizados com o scaffold (ex: soluções de proteínas,
fatores de crescimento, meios de cultura).
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• Desvantagens: Apenas para líquidos, não remove vírus ou algumas toxinas.
• Processamento Asséptico: Envolve a fabricação do scaffold em um ambiente estéril (sala limpa) usando
materiais e equipamentos pré-esterilizados. Embora não seja um método de esterilização terminal, é crucial
para minimizar a carga microbiana inicial.
• Etanol (70%): Pode ser usado para desinfecção, mas não é um método de esterilização terminal confiável para
todos os microrganismos (especialmente esporos). Pode causar desnaturação de proteínas e alteração de
polímeros.
• Ácido Peracético: Agente oxidante poderoso, mas pode ser corrosivo e deixar resíduos.
Validação da Esterilização
• Testes de Endotoxinas: Medição de lipopolissacarídeos (LPS) de bactérias Gram-negativas, que podem causar
resposta inflamatória.
• Avaliação das Propriedades do Material: Análise das propriedades físico-químicas e mecânicas do scaffold
antes e depois da esterilização para garantir que não houve degradação significativa.
Conclusão
A esterilização de scaffolds é uma etapa crítica na engenharia de tecidos, que exige um balanço cuidadoso
entre a eficácia microbiana e a preservação das propriedades do biomaterial. A escolha do método depende
intrinsecamente da composição e sensibilidade do scaffold. Com o avanço dos biomateriais, a pesquisa contínua se
concentra no desenvolvimento de novos métodos de esterilização de baixa temperatura e que minimizem o impacto
nas propriedades biológicas e funcionais dos scaffolds, garantindo a segurança e a eficácia das terapias regenerativas.
Referências
• Ratner, B. D., Hoffman, A. S., Schoen, F. J., & Lemons, J. E. (2012). Biomaterials Science: An Introduction to
Materials in Medicine. Academic Press. (Capítulos específicos sobre esterilização e biocompatibilidade).
• Temenoff, J. S., & Mikos, A. G. (2008). Biomaterials: The Intersection of Biology and Materials Science. Pearson
Prentice Hall. (Seções que abordam a importância da esterilização e métodos).
• Lanza, R., Langer, R., & Vacanti, J. P. (2014). Principles of Tissue Engineering. Academic Press. (Discussões
detalhadas sobre a preparação e segurança de scaffolds).
• Park, J. B., & Lakes, R. S. (2007). Biomaterials: An Introduction. Springer. (Aborda os princípios gerais de
esterilização de biomateriais).
• Billings, P. C., & Russell, S. J. (2019). Biomaterials for Tissue Engineering: A Review. Woodhead Publishing.
(Embora seja uma revisão, frequentemente compila informações de livros fundamentais sobre o tema,
incluindo aspectos de esterilização).
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A engenharia de tecidos e a medicina regenerativa buscam restaurar ou substituir tecidos e órgãos danificados.
Embora o foco principal frequentemente recaia sobre a seleção de materiais de substrato (scaffolds) e células, a
modulação do microambiente tecidual por meio de estímulos físicos, como campos elétricos, tem emergido como uma
estratégia poderosa para otimizar a regeneração. A regeneração estimulada eletricamente baseia-se na premissa de
que muitos processos biológicos fundamentais, incluindo migração celular, proliferação, diferenciação e secreção de
matriz extracelular (MEC), são intrinsecamente influenciados por sinais elétricos. Essa abordagem é particularmente
relevante para tecidos que possuem propriedades eletricamente ativas ou onde os campos elétricos desempenham
um papel crítico na sua fisiologia e desenvolvimento, como tecido nervoso, ósseo, muscular e cardíaco.
A base para a estimulação elétrica na regeneração tecidual reside em vários fenômenos biológicos:
• Potenciais Elétricos Endógenos: Muitos tecidos vivos exibem potenciais elétricos inerentes, conhecidos como
bioeletricidade. Por exemplo, células neuronais e musculares geram e propagam potenciais de ação. Células
não excitáveis, como fibroblastos e osteoblastos, também exibem potenciais de membrana e podem ser
influenciadas por campos elétricos externos.
• Correntes de Lesão: Após uma lesão, correntes elétricas são geradas no local do dano, que atuam como sinais
endógenos para iniciar e guiar o processo de cicatrização. A polaridade e magnitude dessas correntes orientam
a migração celular e a deposição de MEC.
• Efeito Piezoelétrico: Em tecidos como o osso, a aplicação de estresse mecânico gera potenciais elétricos
(piezoeletricidade), que são importantes para a remodelação óssea e a adaptação à carga.
• Mecanismos de Transdução Eletroquímica: As células possuem uma gama de mecanismos para detectar e
responder a sinais elétricos. Isso inclui a ativação de canais iônicos sensíveis à voltagem, a reorganização do
citoesqueleto, a polarização celular e a modulação da expressão gênica e proteica.
A aplicação controlada de estímulos elétricos pode direcionar a resposta celular em diversos contextos de
regeneração tecidual.
O sistema nervoso é intrinsecamente eletricamente ativo, e a lesão nervosa é um desafio significativo na medicina.
A eletroestimulação tem sido amplamente investigada para:
• Orientação do Crescimento Neuronal: Campos elétricos podem guiar o alongamento de neuritos (axônios e
dendritos) e a migração de células de Schwann, promovendo o direcionamento do crescimento do nervo
regenerado através de condutos nervosos.
• Melhora da Mielinização: Tem sido demonstrado que a estimulação elétrica influencia a mielinização dos
axônios, um processo crucial para a condução nervosa eficaz.
2. Regeneração Óssea
O osso é um tecido eletricamente sensível devido à sua natureza piezoelétrica. A eletroestimulação pode:
Músculo esquelético e cardíaco são tecidos excitáveis, onde a contração é mediada por sinais elétricos.
• Músculo Cardíaco: É fundamental que os constructs de tecido cardíaco desenvolvam uma função contrátil
síncrona. A eletroestimulação em scaffolds condutores pode induzir a maturação de cardiomiócitos, a
formação de junções comunicantes e a melhoria da função contrátil.
• Cicatrização de Feridas: Campos elétricos endógenos desempenham um papel na migração de células da pele
durante a cicatrização. A eletroestimulação pode acelerar o fechamento de feridas e a formação de novo
tecido.
A incorporação de propriedades condutoras ou eletricamente ativas nos materiais de scaffold é essencial para a
estimulação elétrica localizada e controlada.
• Polímeros Condutores: Polímeros intrinsecamente condutores, como a polianilina (PANI), polipirrol (PPy) e
poli(3,4-etilenodioxitiofeno) (PEDOT), podem ser incorporados em scaffolds. Eles fornecem um ambiente
eletricamente ativo que pode mimetizar os sinais bioelétricos nativos e facilitar a condução de correntes
elétricas.
• Nanomateriais de Carbono: Nanotubos de carbono (CNTs), grafeno e seus derivados (óxido de grafeno, óxido
de grafeno reduzido) exibem excelente condutividade elétrica e biocompatibilidade. Eles podem ser
adicionados a scaffolds poliméricos para melhorar suas propriedades elétricas e mecânicas, além de promover
a adesão e diferenciação celular.
• Nanopartículas Metálicas: Nanopartículas de ouro ou prata podem ser usadas para conferir condutividade,
embora sua biocompatibilidade e estabilidade a longo prazo precisem ser cuidadosamente avaliadas.
• Materiais Piezoelétricos: Materiais como o polivinilideno fluoreto (PVDF) e algumas cerâmicas (ex: titanato de
bário) podem gerar potenciais elétricos em resposta à deformação mecânica, fornecendo um estímulo elétrico
intrínseco que responde à carga fisiológica.
Considerações e Desafios
• Desenho de Scaffolds Eletroativos: A fabricação de scaffolds com condutividade elétrica uniforme, porosidade
controlada e propriedades mecânicas adequadas ainda é um desafio. A distribuição homogênea de materiais
condutores dentro de uma estrutura porosa complexa é fundamental.
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• Mecanismos Celulares e Moleculares: Embora os efeitos da eletroestimulação sejam evidentes, os
mecanismos celulares e moleculares precisos pelos quais as células detectam e respondem a esses estímulos
ainda não são totalmente compreendidos.
Conclusão
Referências
• Ratner, B. D., Hoffman, A. S., Schoen, F. J., & Lemons, J. E. (2012). Biomaterials Science: An Introduction to
Materials in Medicine. Academic Press. (Capítulos que abordam bioeletricidade, interação biomaterial-tecido,
e aplicações em nervos/ossos).
• Temenoff, J. S., & Mikos, A. G. (2008). Biomaterials: The Intersection of Biology and Materials Science. Pearson
Prentice Hall. (Seções sobre a interface biomaterial-célula e estratégias para guiar o crescimento tecidual).
• Lanza, R., Langer, R., & Vacanti, J. P. (2014). Principles of Tissue Engineering. Academic Press. (Discussões sobre
fatores físicos no microambiente, engenharia de nervos, ossos e músculos, e a importância da vascularização).
• Park, J. B., & Lakes, R. S. (2007). Biomaterials: An Introduction. Springer. (Conteúdo sobre propriedades
elétricas de biomateriais e seu impacto biológico).
• Murphy, W. L., Mooney, D. J., & Kohn, J. (2008). Tissue Engineering. Garland Science. (Provavelmente um livro
que aborde de forma mais direta a influência do microambiente e estímulos físicos, dependendo da edição,
pode ter seções específicas ou relevantes sobre bioeletricidade).
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• Adesão Celular: As células precisam aderir ao scaffold para proliferar, migrar e produzir matriz extracelular
(MEC). A adesão é mediada por proteínas de adesão celular, como integrinas, que interagem com
componentes da MEC e da superfície do biomaterial. A topografia, química da superfície e rigidez do material
do scaffold influenciam diretamente a adesão.
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• Proliferação Celular: Após a adesão, as células devem se multiplicar para colonizar o scaffold e preencher o
volume do tecido. A taxa de proliferação é influenciada por fatores de crescimento, nutrientes, contato célula-
célula e propriedades mecânicas do substrato.
• Diferenciação Celular: Para formar um tecido funcional, as células precisam se diferenciar em tipos celulares
específicos (por exemplo, osteoblastos para osso, condrócitos para cartilagem). O processo de diferenciação é
guiado por sinais bioquímicos (fatores de crescimento, hormônios), biofísicos (rigidez do substrato, forças
mecânicas) e a interação com a MEC.
• Migração Celular: A capacidade das células de se moverem através do scaffold é crucial para a colonização
uniforme da estrutura e para a vascularização. A porosidade, interconectividade dos poros e gradientes
químicos ou mecânicos podem guiar a migração.
• Produção de Matriz Extracelular (MEC): As células no scaffold devem secretar e organizar sua própria MEC,
que é o componente não celular que fornece suporte estrutural e bioquímico ao tecido. A MEC nativa é
complexa, e a engenharia de tecidos busca mimetizar essa complexidade.
• Comunicação Celular: As células se comunicam entre si e com o ambiente através de junções comunicantes,
contato célula-célula e fatores solúveis. Essa comunicação é vital para a coordenação do desenvolvimento e
regeneração tecidual.
A viabilidade celular refere-se à saúde e funcionalidade das células em um determinado ambiente. Em engenharia
de tecidos, é imperativo garantir que as células permaneçam viáveis durante todas as etapas, desde a obtenção até a
cultura no scaffold e, finalmente, a implantação.
• Importância da Viabilidade: Células não viáveis ou danificadas não contribuem para a formação de tecido e
podem até induzir uma resposta inflamatória adversa no hospedeiro. A viabilidade é um indicador direto da
compatibilidade do biomaterial e das condições de cultura.
o Danos Mecânicos: O manuseio inadequado das células ou forças de cisalhamento elevadas podem
causar danos físicos.
o Ensaios de Exclusão de Corante (Trypan Blue): Células com membranas celulares comprometidas (não
viáveis) absorvem corantes como o azul de Trypan.
o Ensaios Metabólicos (MTT, XTT, AlamarBlue): Medem a atividade metabólica das células, que é um
indicativo de sua viabilidade e proliferação. Células metabolicamente ativas convertem os reagentes
em produtos coloridos detectáveis.
o Contagem Celular: Métodos diretos ou indiretos para quantificar o número de células viáveis.
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o Análise por Citometria de Fluxo: Permite a análise multiparamétrica de populações celulares,
incluindo viabilidade, proliferação e marcadores de superfície.
As células-tronco são a pedra angular da medicina regenerativa devido às suas propriedades únicas de
autorrenovação e diferenciação em diversos tipos celulares. A exploração de células-tronco no contexto da engenharia
de tecidos oferece um potencial terapêutico imenso.
o Autorrenovação: Capacidade de realizar divisões celulares que geram mais células-tronco idênticas a
si mesmas.
▪ Pluripotentes: Podem gerar todos os tipos celulares do corpo, mas não um organismo
completo (células-tronco embrionárias - ESCs; células-tronco pluripotentes induzidas - iPSCs).
▪ Multipotentes: Podem gerar múltiplos tipos celulares dentro de uma linhagem específica (ex:
células-tronco mesenquimais - MSCs; células-tronco hematopoiéticas - HSCs).
▪ Oligopotentes: Podem gerar poucos tipos celulares (ex: células-tronco linfoides ou mieloides).
▪ Unipotentes: Podem gerar apenas um tipo celular, mas têm capacidade de autorrenovação
(ex: células-tronco da pele).
o Células-Tronco Embrionárias (ESCs): Possuem potencial pluripotente ilimitado, mas sua utilização é
limitada por questões éticas e imunológicas (formação de teratomas).
o Isolamento e Expansão: Obter número suficiente de células-tronco com alta viabilidade e manter seu
potencial de diferenciação durante a expansão in vitro.
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o Nicho das Células-Tronco: Mimetizar o complexo microambiente (nicho) que regula o comportamento
das células-tronco in vivo. O scaffold deve fornecer os sinais físicos e químicos corretos.
Conclusão
Os aspectos celulares, a viabilidade e o uso estratégico de células-tronco são interdependentes e cruciais para
o avanço da engenharia de tecidos e da medicina regenerativa. O design de scaffolds biomiméticos que forneçam os
sinais adequados para a adesão, proliferação, diferenciação e organização das células é fundamental. A escolha e o
manuseio das células, juntamente com a garantia de sua viabilidade e o aproveitamento do potencial de
autorrenovação e diferenciação das células-tronco, são as chaves para a criação de tecidos e órgãos funcionais que
possam efetivamente restaurar a saúde e a qualidade de vida dos pacientes.
Referências
• Ratner, B. D., Hoffman, A. S., Schoen, F. J., & Lemons, J. E. (2012). Biomaterials Science: An Introduction to
Materials in Medicine. Academic Press. (Capítulos que abordam interações célula-material,
biocompatibilidade e aspectos de biologia celular para engenharia de tecidos).
• Temenoff, J. S., & Mikos, A. G. (2008). Biomaterials: The Intersection of Biology and Materials Science. Pearson
Prentice Hall. (Seções dedicadas à biologia celular, células-tronco e métodos de avaliação da viabilidade
celular).
• Lanza, R., Langer, R., & Vacanti, J. P. (2014). Principles of Tissue Engineering. Academic Press. (Livro seminal
que cobre extensivamente a biologia celular, tipos de células para engenharia de tecidos, células-tronco e
técnicas de cultura celular).
• Freshney, R. I. (2016). Culture of Animal Cells: A Manual of Basic Technique and Specialized Applications.
Wiley-Blackwell. (Embora não seja estritamente de biomateriais, é uma referência fundamental para técnicas
de cultura celular, viabilidade e manutenção de células).
• Lanza, R., Atala, A., & Mikos, A. G. (Eds.). (2019). Foundations of Regenerative Medicine. Academic Press. (Esta
pode ser uma fonte mais atualizada que abrange as últimas tendências em células-tronco e suas aplicações
em regeneração).
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e. Regeneração da Bexiga
A bexiga urinária é um órgão oco e muscular com a função primordial de armazenar e eliminar a urina. Sua
notável distensibilidade e capacidade de contração são características essenciais para o bom funcionamento do trato
urinário inferior. Danos à bexiga, resultantes de anomalias congênitas (como a extrofia de bexiga), traumas, câncer,
doenças neurológicas (bexiga neurogênica) ou infecções crônicas, podem levar a uma diminuição da capacidade, baixa
complacência ou disfunção, impactando severamente a qualidade de vida do paciente. As opções de tratamento
convencionais, como a ampliação da bexiga com segmentos de intestino (cistoplastia de aumento), frequentemente
resultam em complicações significativas, incluindo infecções urinárias recorrentes, formação de cálculos, desequilíbrio
eletrolítico, reabsorção de urina e, em alguns casos, potencial maligno.
Nesse contexto, a engenharia de tecidos da bexiga surge como uma alternativa promissora, buscando
desenvolver substitutos biológicos que mimetizem a estrutura e função da bexiga nativa, minimizando as morbidades
associadas às técnicas cirúrgicas tradicionais.
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Anatomia e Fisiologia da Bexiga Urinária
• Camadas da Parede da Bexiga: A parede da bexiga é composta por três camadas principais:
o Urotélio (Epitélio de Transição): A camada mais interna, responsável pela barreira de permeabilidade
à urina e por sinalizar o estado de enchimento da bexiga. É altamente elástica e impermeável.
o Lâmina Própria: Uma camada de tecido conjuntivo frouxo abaixo do urotélio, rica em vasos
sanguíneos, nervos e células de sustentação.
o Camada Muscular (Músculo Detrusor): A camada mais espessa e fundamental para a função contrátil
da bexiga. Consiste em células de músculo liso dispostas em um padrão complexo de feixes
interligados, permitindo a contração coordenada para o esvaziamento da urina.
o Adventícia/Serosa: A camada mais externa, de tecido conjuntivo frouxo, que conecta a bexiga a
estruturas adjacentes (adventícia) ou uma camada serosa em partes peritoneais.
• Propriedades Funcionais: A bexiga deve possuir alta complacência (capacidade de armazenar urina a baixas
pressões) e contratilidade (capacidade de gerar força para expelir a urina). Essas funções dependem da
integridade do urotélio, da organização da MEC e da funcionalidade do músculo detrusor.
A regeneração da bexiga baseia-se na tríade fundamental da engenharia de tecidos: células, scaffolds e fatores
de sinalização.
A escolha do material de scaffold é crítica para mimetizar as propriedades mecânicas e biológicas da bexiga nativa.
Os scaffolds para bexiga devem ser:
• Mecanicamente Adequados: Devem possuir elasticidade e resistência à tração que suportem as pressões
internas da bexiga e permitam a contração.
• Porosos e Permeáveis: Para permitir a adesão, migração e proliferação celular, bem como a difusão de
nutrientes.
a) Materiais Naturais:
• Matriz Extracelular Acelular (ECM-derived scaffolds): São scaffolds derivados de tecidos animais (suínos,
bovinos) que foram submetidos a um processo de descelularização para remover componentes celulares e
imunogênicos, deixando intacta a estrutura da MEC.
o Desvantagens: Variações lote a lote, potencial imunogênico residual, e propriedades mecânicas que
podem não ser totalmente ajustáveis.
• Colágeno: Proteína abundante na MEC. Scaffolds à base de colágeno oferecem excelente biocompatibilidade
e bioatividade. Podem ser combinados com outros materiais para otimizar propriedades.
• Fibrina: Derivada do plasma sanguíneo, forma um coágulo que pode ser usado como scaffold ou carreador
celular. Promove a adesão e proliferação celular.
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• Ácido Hialurônico: Glicosaminoglicano com alta capacidade de retenção de água, importante para tecidos
moles e pode ser funcionalizado.
b) Materiais Sintéticos:
• Poli(α-hidroxiésteres) (PLA, PGA, PLGA): Polímeros biodegradáveis com taxas de degradação controláveis.
Amplamente utilizados devido à sua versatilidade para criar scaffolds com propriedades mecânicas ajustáveis.
No entanto, são hidrofóbicos e podem precisar de modificação de superfície para melhorar a adesão celular.
• Poli(épsilon-caprolactona) (PCL): Polímero biodegradável com degradação lenta e boa flexibilidade, adequado
para aplicações que exigem suporte a longo prazo.
• Poliuretanos (PUs): Apresentam propriedades elastoméricas que podem mimetizar a elasticidade da bexiga,
sendo investigados para aplicações de engenharia de tecido muscular.
c) Compósitos:
• A combinação de materiais naturais e sintéticos é uma estratégia comum para aliar as vantagens de ambos
(ex: PLGA/colágeno, PLGA/HA).
• Células Musculares Lisas (SMCs): Essenciais para a função contrátil do músculo detrusor. Podem ser isoladas
da própria bexiga do paciente (autólogas) ou de doadores compatíveis (alogênicas).
• Células Uroteliais: Formam a camada de revestimento interna da bexiga, crucial para a função de barreira.
Também podem ser autólogas.
• Células-Tronco Pluripotentes Induzidas (iPSCs): Oferecem um potencial ilimitado de diferenciação para gerar
urotélio e SMCs, sem as questões éticas das células-tronco embrionárias.
A regeneração bem-sucedida requer mais do que apenas células e scaffolds; o microambiente deve fornecer sinais
bioquímicos e biofísicos adequados:
• Fatores de Crescimento: Como o fator de crescimento de fibroblastos (FGF), fator de crescimento derivado de
plaquetas (PDGF) e fator de crescimento transformador beta (TGF-β), que promovem a proliferação,
diferenciação e angiogênese.
• Sinais Mecânicos: A distensão e contração cíclica que a bexiga experimenta in vivo são cruciais para a
maturação das SMCs e a organização do tecido. Bioreatores que mimetizam esses estímulos mecânicos são
essenciais para a cultura in vitro de constructs de bexiga.
• Vascularização: A formação de novos vasos sanguíneos dentro do constructo de tecido é um dos maiores
desafios. Sem vascularização adequada, as células no centro do constructo podem sofrer necrose devido à
falta de nutrientes e oxigênio. Estratégias incluem a incorporação de fatores angiogênicos (VEGF), células
endoteliais ou o design de scaffolds que promovam a angiogênese.
• Inervação: A funcionalidade da bexiga depende de sua inervação complexa. A regeneração de nervos no tecido
projetado é um desafio significativo e uma área ativa de pesquisa.
Apesar dos avanços significativos, a engenharia de tecidos da bexiga ainda enfrenta vários desafios:
14
• Escala e Complexidade: A criação de um órgão funcional com a capacidade, complacência e contratilidade da
bexiga adulta é complexa.
• Maturação Funcional: Os tecidos bioengenheirados muitas vezes não atingem a mesma maturação funcional
dos tecidos nativos in vivo, especialmente em termos de propriedades mecânicas e resposta fisiológica.
• Contaminação e Infecção: Embora a esterilização seja fundamental, o risco de infecção em um órgão do trato
urinário é sempre uma preocupação.
• Regulamentação: A tradução de produtos de engenharia de tecidos da bancada para a clínica exige validação
rigorosa e aprovação regulatória.
Apesar dos desafios, a engenharia de tecidos da bexiga continua a ser uma área de pesquisa promissora, com
potencial para oferecer soluções mais eficazes e menos invasivas para pacientes com disfunção da bexiga. A pesquisa
futura provavelmente se concentrará em scaffolds mais biomiméticos, novas abordagens para vascularização e
inervação, e a utilização de tecnologias avançadas como a bioimpressão 3D para criar arquiteturas de tecido mais
complexas e funcionais.
Referências
• Ratner, B. D., Hoffman, A. S., Schoen, F. J., & Lemons, J. E. (2012). Biomaterials Science: An Introduction to
Materials in Medicine. Academic Press. (Aborda os princípios gerais de biomateriais, interações célula-
material e aplicações em vários tecidos, incluindo, por analogia, conceitos aplicáveis à bexiga).
• Temenoff, J. S., & Mikos, A. G. (2008). Biomaterials: The Intersection of Biology and Materials Science. Pearson
Prentice Hall. (Discute amplamente os materiais utilizados em engenharia de tecidos e a interação com células,
conceitos que se aplicam à regeneração da bexiga).
• Lanza, R., Langer, R., & Vacanti, J. P. (2014). Principles of Tissue Engineering. Academic Press. (Este é o livro-
texto fundamental para engenharia de tecidos, com capítulos dedicados à engenharia de órgãos ocos e tecidos
urológicos, abordando especificamente a bexiga, suas camadas, as células envolvidas e as estratégias de
bioengenharia).
• Atala, A., & Lanza, R. (2004). Methods of Tissue Engineering. Academic Press. (Embora mais antigo, oferece
insights sobre metodologias específicas para engenharia de tecidos, que são relevantes para a bexiga).
• Park, J. B., & Lakes, R. S. (2007). Biomaterials: An Introduction. Springer. (Discute as propriedades e aplicações
de diferentes classes de biomateriais, o que é essencial para a seleção de scaffolds para bexiga).
***********************************************************************************************************************************
f. Regeneração da Cartilagem
A cartilagem articular, um tipo especializado de cartilagem hialina, é um tecido avascular, aneural e alinfático
que reveste as superfícies das articulações sinoviais. Sua principal função é fornecer uma superfície de baixo atrito para
o movimento articular, distribuir cargas e absorver choques. Composta predominantemente por condrócitos (a única
população celular madura) e uma matriz extracelular (MEC) rica em água, colágeno tipo II e proteoglicanos
(principalmente agrecan), a cartilagem possui uma capacidade intrínseca de cicatrização e regeneração extremamente
limitada. Lesões na cartilagem, causadas por traumas agudos, doenças degenerativas como a osteoartrite, ou
condições inflamatórias, progridem para defeitos que afetam profundamente a mobilidade e a qualidade de vida.
15
prazo. Nesse cenário, a engenharia de tecidos da cartilagem emerge como uma abordagem promissora, buscando
desenvolver substitutos biológicos que promovam a formação de cartilagem hialina durável e funcional.
Para uma regeneração eficaz, é crucial entender a estrutura e a composição da cartilagem articular:
• Composição Celular: Os condrócitos são as únicas células da cartilagem hialina. Residem em lacunas dentro
da MEC e são responsáveis pela síntese e manutenção de todos os componentes da matriz. A baixa densidade
celular e o metabolismo lento contribuem para a limitada capacidade de reparo.
• Matriz Extracelular (MEC): É o principal componente da cartilagem e confere suas propriedades mecânicas. É
composta por:
o Colágeno: Principalmente colágeno tipo II (cerca de 50-70% do peso seco da MEC), que forma uma
rede fibrilar que confere resistência à tração e rigidez. Colágenos minoritários (IX, X, XI) também estão
presentes.
• Zonas da Cartilagem: A MEC e a orientação dos condrócitos variam em profundidade, criando zonas com
propriedades distintas:
o Zona Calcificada: Camada mais profunda, onde a MEC é mineralizada, servindo como transição para o
osso subcondral.
A engenharia de tecidos da cartilagem emprega uma combinação de células, scaffolds (material de substrato)
e fatores de sinalização para promover a formação de tecido cartilaginoso funcional.
Os scaffolds fornecem o suporte estrutural para o crescimento e diferenciação dos condrócitos, mimetizando o
ambiente tridimensional da MEC. Os requisitos ideais para scaffolds de cartilagem incluem:
• Biocompatibilidade e Biodegradabilidade: O material não deve ser tóxico e deve degradar-se a uma taxa que
corresponda à formação do novo tecido.
• Propriedades Mecânicas: Deve suportar as cargas articulares e, idealmente, ser ajustável para mimetizar a
rigidez da cartilagem nativa.
• Porosidade e Microestrutura: Uma rede porosa interconectada é essencial para a difusão de nutrientes e
oxigênio para os condrócitos, bem como para a proliferação e deposição de MEC. O tamanho e a distribuição
dos poros influenciam a diferenciação celular.
• Bioatividade: A superfície do scaffold deve promover a adesão celular e, idealmente, apresentar sítios para
ligação de fatores de crescimento ou moléculas bioativas.
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As principais categorias de materiais incluem:
a) Materiais Naturais:
• Ácido Hialurônico (HA): Um componente chave da MEC da cartilagem, conhecido por sua alta capacidade de
retenção de água e interações com condrócitos. Hidrogéis de HA são populares para encapsulamento de
células.
• Alginato: Polissacarídeo de algas marinhas que forma géis em presença de íons divalentes. Usado para
encapsulamento celular, mas suas propriedades mecânicas são limitadas.
• Fibrina: Proteína envolvida na coagulação sanguínea, pode ser usada como gel ou esponja para carregar
células.
• Seda: Proteína natural com excelentes propriedades mecânicas e biocompatibilidade, oferecendo scaffolds
duráveis para cartilagem.
b) Materiais Sintéticos:
• Poli(épsilon-caprolactona) (PCL): Polímero flexível com degradação lenta, ideal para fornecer suporte a longo
prazo.
• Poli(álcool vinílico) (PVA): Polímero hidrofílico que forma hidrogéis com boas propriedades mecânicas e baixa
citotoxicidade, utilizado em cartilagem sintética ou como componente de scaffolds.
c) Compósitos:
• Polímero-Cerâmica: A combinação de polímeros (ex: PLGA, PCL) com cerâmicas bioativas (ex: hidroxiapatita,
β-fosfato tricálcico) permite criar scaffolds para defeitos osteocondrais, mimetizando a transição entre
cartilagem e osso subcondral. A fase cerâmica promove a osseointegração, enquanto o polímero suporta a
regeneração da cartilagem.
A escolha e a qualidade das células são cruciais para a formação de cartilagem hialina:
• Condrócitos Autólogos: Células retiradas do próprio paciente e expandidas in vitro. Embora sejam as células
nativas da cartilagem, a desdiferenciação durante a expansão (perda de fenótipo condrogênico) e a morbidade
do local doador são desvantagens.
o Implantação de Condrócitos Autólogos (ACI): É uma técnica estabelecida, mas as células são injetadas
ou fixadas sob um periósseo, sem um scaffold 3D, o que pode levar a resultados inconsistentes.
o Implantação de Condrócitos Autólogos Induzida por Matriz (MACI): Os condrócitos expandidos são
semeados em uma matriz 3D antes da implantação, melhorando a retenção celular e a formação de
cartilagem.
• Células-Tronco Mesenquimais (MSCs): São a fonte celular mais promissora. Podem ser isoladas de medula
óssea, tecido adiposo, sinóvia, cordão umbilical, etc. Possuem alta capacidade proliferativa e plasticidade para
se diferenciar em condrócitos sob estímulos adequados (fatores de crescimento como TGF-β e IGF-1, condições
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de baixa oxigênio, cultura 3D). As MSCs também exibem propriedades imunomoduladoras e secretam fatores
tróficos.
• Fatores de Crescimento: Fatores como o Fator de Crescimento Transformador Beta (TGF-β), Fator de
Crescimento Semelhante à Insulina (IGF-1) e Proteínas Morfogenéticas Ósseas (BMPs) são essenciais para a
indução e manutenção da condrogênese.
• Sinais Mecânicos: A compressão cíclica e o cisalhamento são estímulos fisiológicos que promovem a
maturação dos condrócitos e a organização da MEC na cartilagem. Bioreatores que aplicam esses estímulos in
vitro são cruciais para o desenvolvimento de constructs de cartilagem funcional.
• Bioimpressão 3D: Permite a deposição precisa de células e biomateriais camada por camada para criar
estruturas complexas que mimetizam a arquitetura zonal da cartilagem nativa, inclusive com diferentes
composições para as zonas superficial e profunda/óssea.
Apesar dos avanços, a engenharia de tecidos da cartilagem ainda enfrenta desafios significativos:
• Formação de Cartilagem Hialina Durável: O maior desafio é a formação de um tecido que seja estável e não
sofra hipertrofia (mineralização indesejada) ou diferenciação em fibrocartilagem a longo prazo.
• Integração com o Tecido Hospedeiro: A integração sem falhas do tecido regenerado com a cartilagem nativa
circundante e o osso subcondral é crucial para a função articular.
• Regulamentação e Produção em Escala: A tradução de pesquisas de bancada para produtos clínicos exige
rigorosos testes de segurança, eficácia e escalabilidade da produção.
• Defeitos Osteocondrais: O reparo de defeitos que envolvem tanto a cartilagem quanto o osso subcondral é
ainda mais complexo, exigindo estratégias de scaffold com múltiplas camadas.
A engenharia de tecidos da cartilagem continua sendo uma área de pesquisa intensiva e promissora. Os avanços
futuros provavelmente se concentrarão em scaffolds mais biomiméticos, novas fontes de células-tronco com maior
potencial condrogênico estável, e a otimização do microambiente biofísico para guiar a regeneração da cartilagem
hialina funcional.
Referências
• Ratner, B. D., Hoffman, A. S., Schoen, F. J., & Lemons, J. E. (2012). Biomaterials Science: An Introduction to
Materials in Medicine. Academic Press. (Capítulos que abordam biomateriais para engenharia de tecidos, com
seções específicas sobre o sistema musculoesquelético e as propriedades dos biomateriais relevantes para a
cartilagem).
• Temenoff, J. S., & Mikos, A. G. (2008). Biomaterials: The Intersection of Biology and Materials Science. Pearson
Prentice Hall. (Discute detalhadamente os materiais naturais e sintéticos, as interações célula-material e os
princípios de engenharia de tecidos aplicados à cartilagem).
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• Lanza, R., Langer, R., & Vacanti, J. P. (2014). Principles of Tissue Engineering. Academic Press. (Este é o livro-
texto definitivo para engenharia de tecidos, com capítulos extensos dedicados à biologia da cartilagem,
defeitos de cartilagem, e as diversas abordagens de engenharia de tecidos para sua regeneração, incluindo
células, scaffolds e fatores de crescimento).
• Mizuno, S., & Glowacki, J. (2005). Bone and Cartilage Engineering. Humana Press. (Um livro mais focado nos
tecidos musculoesqueléticos, com seções aprofundadas sobre a biologia e engenharia de tecidos da
cartilagem).
• Park, J. B., & Lakes, R. S. (2007). Biomaterials: An Introduction. Springer. (Discute as propriedades mecânicas
e a biologia dos materiais em relação à sua aplicação em tecidos como a cartilagem).
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g. Regeneração da Pele
A pele, o maior órgão do corpo humano, é uma barreira vital que protege o organismo contra agressões físicas,
químicas e biológicas. Suas funções incluem regulação térmica, percepção sensorial, defesa imunológica e prevenção
da perda de água. Lesões cutâneas extensas e profundas, como queimaduras graves, úlceras crônicas, trauma ou
ressecção de tumores, comprometem severamente essas funções, resultando em morbidade significativa e, em muitos
casos, mortalidade. A cicatrização natural, embora eficiente para pequenas feridas, geralmente leva à formação de
tecido fibroso (cicatrizes) que carece da complexidade estrutural e funcional da pele nativa, resultando em problemas
estéticos, contraturas e perda de função.
Diante das limitações das terapias convencionais, como enxertos de pele autólogos (que são limitados pela
disponibilidade do sítio doador e pela formação de cicatrizes adicionais) e alógenos (que enfrentam rejeição
imunológica), a engenharia de tecidos da pele emergiu como uma área promissora. Seu objetivo é desenvolver
substitutos cutâneos biológicos que possam replicar a arquitetura complexa da pele nativa, restaurando suas funções
protetoras, sensoriais e estéticas.
Para uma regeneração bem-sucedida, é fundamental compreender a estrutura multi-camadas e complexa da pele:
• Epiderme: A camada mais externa, composta principalmente por queratinócitos em diferentes estágios de
diferenciação. Atua como uma barreira física e imunológica. Contém também melanócitos (produção de
pigmento), células de Langerhans (imunidade) e células de Merkel (sensação). A epiderme se renova
continuamente.
• Derme: A camada subjacente à epiderme, rica em matriz extracelular (MEC), predominantemente colágeno
(tipo I, III) e elastina, que confere resistência à tração e elasticidade à pele. Contém fibroblastos (produtores
de MEC), vasos sanguíneos (nutrição e termorregulação), nervos (sensação), folículos pilosos, glândulas
sebáceas e sudoríparas.
• Hipoderme (Tecido Subcutâneo): A camada mais profunda, composta principalmente por tecido adiposo e
tecido conjuntivo frouxo, que atua como isolante térmico, reserva de energia e absorvedor de choque.
A engenharia de tecidos da pele utiliza uma combinação de células, scaffolds (biomateriais) e fatores de
sinalização para construir substitutos cutâneos funcionais.
O scaffold serve como um arcabouço tridimensional que fornece suporte mecânico e um ambiente propício para
a adesão, proliferação e diferenciação celular, bem como para a formação de uma nova MEC e vascularização. Os
requisitos para scaffolds de pele incluem:
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• Biocompatibilidade e Biodegradabilidade: O material não deve ser tóxico e deve degradar-se a uma taxa
compatível com a regeneração tecidual, sendo reabsorvido sem deixar resíduos prejudiciais.
• Propriedades Mecânicas: Deve possuir resistência à tração e elasticidade adequadas para suportar o estresse
mecânico do local da ferida e permitir a movimentação.
• Porosidade e Microestrutura: Uma rede porosa interconectada é essencial para a infiltração celular, difusão
de nutrientes, gases e metabólitos, e para a vascularização.
• Capacidade de Retenção de Umidade: Para manter um ambiente úmido propício à cicatrização e prevenir a
desidratação.
• Propriedades Antimicrobianas: Em muitos casos, é desejável que o scaffold ajude a prevenir infecções.
a) Materiais Naturais:
• Colágeno: É o biomaterial mais amplamente utilizado para engenharia de pele devido à sua abundância na
MEC dérmica, excelente biocompatibilidade e capacidade de promover adesão e proliferação celular. Pode ser
processado em géis, esponjas ou membranas. Frequentemente combinado com outros materiais para otimizar
propriedades.
• Fibrina: Proteína derivada do plasma sanguíneo, que forma géis e serve como um excelente carreador de
células e fatores de crescimento. Promove a hemostasia e a proliferação celular.
• Ácido Hialurônico: Um glicosaminoglicano com alta capacidade de retenção de água e envolvido na migração
celular e na cicatrização de feridas. Usado em hidrogéis.
• Seda: Fibroína de seda, conhecida por suas excelentes propriedades mecânicas, biocompatibilidade e
degradação controlável.
b) Materiais Sintéticos:
• Poli(α-hidroxiésteres) (PLA, PGA, PLGA): Polímeros biodegradáveis e biocompatíveis que oferecem controle
preciso sobre a taxa de degradação e as propriedades mecânicas. Podem ser fabricados em diversas
arquiteturas (fibras, espumas). No entanto, são hidrofóbicos e podem necessitar de modificação de superfície.
• Poli(épsilon-caprolactona) (PCL): Polímero flexível com degradação lenta, útil para fornecer suporte a longo
prazo em tecidos que regeneram mais lentamente.
• Poliuretanos (PUs): Alguns poliuretanos são biocompatíveis e podem ser projetados para ter propriedades
elastoméricas que mimetizam a elasticidade da pele.
• AloDerm®, Integra® Dermal Regeneration Template®: São exemplos de produtos comerciais baseados em
matrizes dérmicas acelulares (de origem humana ou bovina) que fornecem uma estrutura de MEC para a
regeneração da derme. Eles são frequentemente combinados com um enxerto de epiderme autólogo após a
vascularização.
As células são os componentes ativos que re-populam o scaffold e formam o novo tecido.
20
• Queratinócitos: São as células da epiderme. Podem ser cultivados in vitro para criar lâminas epidérmicas ou
semeados em scaffolds. A co-cultura com fibroblastos é frequentemente necessária para sua diferenciação e
estratificação adequadas.
• Fibroblastos: As células primárias da derme, responsáveis pela síntese de colágeno, elastina e outros
componentes da MEC. São cruciais para a formação da derme e para o suporte ao crescimento dos
queratinócitos.
• Células-Tronco Mesenquimais (MSCs): São uma fonte promissora devido à sua capacidade multipotente
(diferenciam-se em fibroblastos, adipócitos, células endoteliais) e suas propriedades imunomoduladoras e
secretoras de fatores tróficos (que promovem a angiogênese e a cicatrização). Podem ser obtidas do tecido
adiposo, medula óssea, etc.
• Células-Tronco Pluripotentes Induzidas (iPSCs): Oferecem o potencial de gerar tanto queratinócitos quanto
fibroblastos, mas ainda estão em estágios iniciais de pesquisa para aplicações clínicas em pele.
A incorporação de fatores de sinalização e a manipulação do microambiente são cruciais para guiar a regeneração:
• Fatores de Crescimento: Como o Fator de Crescimento Epidérmico (EGF), Fator de Crescimento de Fibroblastos
(FGF), Fator de Crescimento de Queratinócitos (KGF) e Fator de Crescimento do Endotélio Vascular (VEGF), que
promovem a proliferação, diferenciação, angiogênese e epitelização.
• Sinais Biofísicos: A rigidez do scaffold, a topografia da superfície e a tensão mecânica podem influenciar o
comportamento celular e a organização da MEC.
• Vascularização: É um dos maiores desafios. A formação rápida de novos vasos sanguíneos no enxerto é
essencial para fornecer nutrientes e oxigênio às células e para a integração do tecido. Estratégias incluem a
incorporação de VEGF, células endoteliais ou a pré-vascularização do scaffold.
• Inervação: A restauração da sensação na pele regenerada é um objetivo importante e desafiador, que exige a
integração de nervos no constructo.
• Substitutos Dérmicos: Compostos por um scaffold que mimetiza a derme, com ou sem células. Ex: AlloDerm®,
Integra®.
Apesar dos avanços significativos, a engenharia de tecidos da pele ainda enfrenta desafios:
• Complexidade da Pele Nativas: Replicar a arquitetura zonal da derme, a densidade de apêndices (folículos
pilosos, glândulas) e a rede neurovascular é extremamente desafiador.
• Regulamentação e Custo: A aprovação regulatória é rigorosa e os custos de produção ainda são elevados.
As perspectivas futuras incluem o uso de bioimpressão 3D para criar construtos de pele com arquitetura precisa e
múltiplos tipos celulares, a incorporação de microrredes vasculares pré-fabricadas e o desenvolvimento de scaffolds
que respondem a estímulos externos para liberar fatores de crescimento de forma controlada. A engenharia de tecidos
da pele continua a ser uma área de pesquisa vital, com o potencial de transformar o tratamento de pacientes com
grandes perdas de pele.
Referências
• Ratner, B. D., Hoffman, A. S., Schoen, F. J., & Lemons, J. E. (2012). Biomaterials Science: An Introduction to
Materials in Medicine. Academic Press. (Capítulos sobre engenharia de tecidos, biocompatibilidade e
materiais aplicados a sistemas biológicos).
• Temenoff, J. S., & Mikos, A. G. (2008). Biomaterials: The Intersection of Biology and Materials Science. Pearson
Prentice Hall. (Discute os fundamentos de biomateriais, células e scaffolds em engenharia de tecidos, com
seções relevantes para a pele).
• Lanza, R., Langer, R., & Vacanti, J. P. (2014). Principles of Tissue Engineering. Academic Press. (Este é o livro-
texto mais abrangente sobre engenharia de tecidos, com um capítulo extenso e detalhado sobre engenharia
de tecidos da pele, cobrindo anatomia, materiais, células, fatores de crescimento e produtos comerciais).
• Orgill, D. P., & Blanco, E. J. (2009). Biomaterials in Wound Healing. CRC Press. (Focado especificamente em
materiais para cicatrização de feridas, o que é altamente relevante para a regeneração da pele).
• Park, J. B., & Lakes, R. S. (2007). Biomaterials: An Introduction. Springer. (Apresenta os conceitos básicos e as
classes de biomateriais, com exemplos de aplicações na pele e outros tecidos).
***********************************************************************************************************************************
h. Regeneração Óssea
O tecido ósseo é um tecido conjuntivo mineralizado dinâmico, que desempenha funções cruciais de suporte
mecânico, proteção de órgãos vitais, reservatório de minerais (principalmente cálcio e fosfato) e local de
hematopoiese. Apesar de sua notável capacidade de autorregeneração em resposta a fraturas (denominada reparo
ósseo), defeitos ósseos extensos ou críticos — como aqueles resultantes de trauma severo, ressecção de tumores,
infecções, doenças genéticas ou falha de implantes — podem exceder essa capacidade intrínseca, resultando em
pseudoartrose ou não-união. As abordagens clínicas tradicionais, como o enxerto ósseo autógeno (do próprio
paciente) ou alógeno (de doador), enfrentam limitações significativas, incluindo morbidade do local doador,
disponibilidade limitada, risco de infecção e rejeição imunológica.
Nesse contexto, a engenharia de tecidos ósseos surge como um campo multidisciplinar promissor, que visa
desenvolver substitutos biológicos que promovam a regeneração de osso nativo, funcional e vascularizado, superando
as desvantagens dos métodos convencionais. O sucesso dessa abordagem depende da orquestração de células,
scaffolds (biomateriais) e fatores de sinalização em um ambiente que mimetize o processo de osteogênese fisiológica.
o Fase Orgânica (cerca de 30% do peso seco): Predominantemente colágeno tipo I (aproximadamente
90%), que fornece resistência à tração e flexibilidade, além de proteínas não colagenosas.
o Fase Inorgânica (cerca de 60% do peso seco): Principalmente hidroxiapatita (HA), um mineral de
fosfato de cálcio cristalino [Ca10PO4)6(OH)2], que confere rigidez e resistência à compressão.
22
o Água (cerca de 10% do peso seco).
o Osteoblastos: Células formadoras de osso, responsáveis pela síntese e mineralização da matriz óssea.
• Remodelação Óssea: É um processo contínuo de reabsorção e formação de osso novo, regulado por fatores
hormonais, mecânicos e bioquímicos. Esse ciclo é crucial para a manutenção da homeostase óssea e a
adaptação às cargas.
• Vascularização: O osso é altamente vascularizado, com uma rede capilar extensa que fornece nutrientes e
remove resíduos, essencial para a viabilidade celular e a deposição de matriz.
A engenharia de tecidos ósseos envolve a combinação estratégica de componentes para criar um constructo
biofuncional.
O scaffold ósseo deve fornecer um arcabouço tridimensional que mimetize a arquitetura e as propriedades da
matriz óssea nativa, guiando a regeneração. Os requisitos ideais incluem:
• Biocompatibilidade e Biodegradabilidade: O material não deve ser tóxico e deve ser reabsorvido a uma taxa
que corresponda à taxa de formação de novo osso, evitando a formação de lacunas. Os produtos de
degradação devem ser atóxicos e metabolizáveis.
• Propriedades Mecânicas: A resistência à compressão, resistência à tração e a rigidez do scaffold devem ser
adequadas para o local do defeito, proporcionando suporte mecânico durante a fase inicial de cura e
permitindo a transmissão de cargas para estimular a remodelação óssea (Lei de Wolff).
• Porosidade e Microestrutura: Uma rede de poros interconectados é vital para a infiltração celular,
vascularização e difusão de nutrientes e metabólitos. O tamanho dos poros (geralmente > 100 µm) e a
interconectividade são cruciais para a osteogênese e angiogênese.
• Fosfatos de Cálcio (FCs): Além da HA, incluem β-fosfato tricálcico (β-TCP), fosfato dicálcico (DCP) e fosfato
octacálcico (OCP). O β-TCP é mais solúvel e reabsorvível que a HA, sendo frequentemente usado sozinho ou
em combinação com HA.
23
• Biovidros: Materiais vítreos que formam uma camada de HA na superfície quando em contato com fluidos
biológicos, promovendo a adesão celular e a formação de osso. Exemplos notáveis incluem o Bioglass® 45S5.
Possuem alta osteocondutividade e bioatividade.
o Desvantagens: Fragilidade e baixa resistência à tração, o que limita seu uso em defeitos que exigem
suporte de carga significativo.
b) Polímeros:
• Polímeros Naturais:
o Ácido Hialurônico: Glicosaminoglicano que pode ser funcionalizado e usado como componente de
hidrogéis.
o Poli(α-hidroxiésteres) (PLA, PGA, PLGA): São os polímeros sintéticos mais utilizados. Permitem um
controle preciso sobre suas propriedades mecânicas e taxas de degradação, que podem ser ajustadas
pela proporção de monômeros e peso molecular. Podem ser fabricados em diversas arquiteturas
porosas (fibras, espumas, estruturas impressas em 3D).
o Poli(épsilon-caprolactona) (PCL): Polímero com degradação mais lenta e maior flexibilidade, útil em
locais que requerem suporte mecânico prolongado.
o Desvantagens: Podem ser hidrofóbicos (afetar adesão celular) e seus produtos de degradação podem
causar uma queda localizada do pH.
c) Compósitos:
• Polímero-Cerâmica: A combinação de polímeros (ex: PLGA, colágeno) com cerâmicas (ex: HA, β-TCP, biovidros)
é a estratégia mais promissora para mimetizar o osso. Esses compósitos aproveitam a flexibilidade e
processabilidade dos polímeros e a osteocondutividade e rigidez das cerâmicas. Permitem um ajuste fino das
propriedades mecânicas e da taxa de degradação.
A semeadura de células nos scaffolds pode acelerar e melhorar a qualidade da regeneração óssea.
• Células-Tronco Mesenquimais (MSCs): São a fonte celular mais estudada e promissora para engenharia óssea.
Podem ser isoladas de medula óssea (BM-MSCs), tecido adiposo (ADSCs), periósteo, dente, etc. Possuem alta
24
capacidade proliferativa e multipotencialidade para se diferenciar em osteoblastos sob estímulos adequados
(fatores de crescimento osteoindutivos, condições de cultura específicas, tensão mecânica). As MSCs também
secretam fatores tróficos que promovem angiogênese e imunomodulação.
• Células Osteoprogenitoras: Células precursoras mais diferenciadas, com menor capacidade proliferativa, mas
mais comprometidas com a linhagem osteogênica.
• Células da Medula Óssea (BMMNCs): Células mononucleares da medula óssea que incluem MSCs e células
hematopoiéticas, usadas como fonte autóloga imediata.
o Proteínas Morfogenéticas Ósseas (BMPs): Especialmente BMP-2 e BMP-7, são potentes indutores da
diferenciação osteoblástica e formação óssea. Podem ser incorporadas em scaffolds para liberação
controlada.
o Fator de Crescimento Semelhante à Insulina (IGF-1), Fator de Crescimento Transformador Beta (TGF-
β), Fator de Crescimento de Fibroblastos (FGF), Fator de Crescimento Derivado de Plaquetas (PDGF):
Também desempenham papéis na proliferação, diferenciação e angiogênese.
• Bioimpressão 3D: Permite a fabricação precisa de scaffolds com arquitetura porosa personalizada e a
deposição espacialmente controlada de células e fatores de crescimento, mimetizando a complexidade do osso
nativo.
A engenharia de tecidos ósseos tem feito progressos notáveis, mas ainda enfrenta desafios:
• Regeneração de Defeitos de Grande Porte: O principal desafio é a regeneração de grandes volumes ósseos,
onde a vascularização se torna um fator limitante crítico.
• Controle da Remodelação: Garantir que o osso regenerado se integre adequadamente e passe por
remodelação fisiológica a longo prazo.
• Inervação: Embora menos enfatizada que a vascularização, a inervação é importante para a sensibilidade e o
metabolismo ósseo.
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• Regulamentação e Custo: A tradução de produtos complexos para a clínica exige validação rigorosa e custos
de produção controlados.
As perspectivas futuras incluem o desenvolvimento de scaffolds "inteligentes" que respondam a estímulos (pH,
temperatura, mecânicos) para liberar fatores de crescimento, a bioimpressão 3D de construtos vasculares e celulares
complexos, e a utilização de novas fontes de células-tronco ou terapias genéticas para aumentar a capacidade
regenerativa. A engenharia de tecidos ósseos continua a ser uma área de pesquisa e desenvolvimento intensiva, com
o potencial de revolucionar o tratamento de doenças e lesões ósseas.
Referências
• Ratner, B. D., Hoffman, A. S., Schoen, F. J., & Lemons, J. E. (2012). Biomaterials Science: An Introduction to
Materials in Medicine. Academic Press. (Capítulos que abordam biomateriais para sistemas
musculoesqueléticos, osteointegração, e os princípios gerais de engenharia de tecidos).
• Temenoff, J. S., & Mikos, A. G. (2008). Biomaterials: The Intersection of Biology and Materials Science. Pearson
Prentice Hall. (Discute amplamente os materiais utilizados em engenharia óssea, células, fatores de
crescimento e os princípios de design de scaffolds).
• Lanza, R., Langer, R., & Vacanti, J. P. (2014). Principles of Tissue Engineering. Academic Press. (Este é o livro-
texto fundamental para engenharia de tecidos, com um capítulo extenso e detalhado sobre engenharia de
tecidos ósseos, cobrindo biologia óssea, reparo de defeitos, tipos de células, materiais de scaffold e fatores de
crescimento, além de vascularização).
• Park, J. B., & Lakes, R. S. (2007). Biomaterials: An Introduction. Springer. (Apresenta os conceitos básicos e as
classes de biomateriais, com exemplos de aplicações na regeneração óssea e outras áreas).
• Mizuno, S., & Glowacki, J. (2005). Bone and Cartilage Engineering. Humana Press. (Um livro mais focado
especificamente nos tecidos musculoesqueléticos, com seções aprofundadas sobre a biologia e engenharia de
tecidos ósseos).
***********************************************************************************************************************************
Doenças cardiovasculares (DCVs) são a principal causa de morbidade e mortalidade globalmente. Elas
englobam uma série de condições que afetam o coração e os vasos sanguíneos, como infarto agudo do miocárdio
(IAM), insuficiência cardíaca, doença arterial coronariana, doenças valvulares e aneurismas. A capacidade de
regeneração intrínseca do tecido miocárdico e dos vasos sanguíneos em mamíferos adultos é limitada, o que leva à
formação de tecido cicatricial fibrótico após lesão, comprometendo severamente a função cardiovascular e resultando
em progressão para insuficiência cardíaca crônica. As terapias convencionais, como transplantes de órgãos e cirurgias
de revascularização ou substituição valvular com próteses artificiais ou biológicas, apresentam limitações significativas,
incluindo escassez de órgãos doadores, necessidade de imunossupressão vitalícia, risco de rejeição, trombogenicidade,
calcificação e ausência de crescimento e remodelação.
A engenharia de tecidos e a medicina regenerativa cardiovascular surgem como campos revolucionários que
buscam desenvolver abordagens inovadoras para restaurar, substituir ou aprimorar a função do coração e dos vasos
sanguíneos. O objetivo é criar tecidos cardiovasculares biofuncionais que possam se integrar ao hospedeiro, remodelar
e crescer, mimetizando a complexidade e a funcionalidade dos tecidos nativos.
• Ambiente Dinâmico: O coração e os vasos sanguíneos estão constantemente sob estresse mecânico cíclico
(pulsação, fluxo sanguíneo, pressão), exigindo que os materiais de engenharia de tecidos possuam
propriedades mecânicas adequadas e durabilidade sob essas condições.
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• Vascularização Intrínseca: O tecido cardíaco e vascular é altamente vascularizado. A formação rápida e
eficiente de uma rede capilar funcional é crucial para a sobrevivência e integração do constructo de tecido
bioengenheirado.
• Estimulação Elétrica (Coração): O músculo cardíaco depende de um sistema elétrico complexo para contração
coordenada. A integração elétrica dos cardiomiócitos no tecido regenerado é fundamental.
• Coagulação e Trombogenicidade (Vasos): Para enxertos vasculares, a superfície interna deve ser não
trombogênica para prevenir a formação de coágulos.
1. Regeneração do Miocárdio
O infarto agudo do miocárdio resulta em perda irreversível de cardiomiócitos e substituição por tecido
cicatricial. As estratégias de engenharia de tecidos visam repopular a área infartada com cardiomiócitos funcionais e
reduzir a remodelação adversa.
a) Fontes Celulares:
• Cardiomiócitos Fetais ou Neonatais: Capacidade proliferativa significativa, mas limitados por questões de
disponibilidade e imunogenicidade.
• Células-Tronco Adultas:
o Células-Tronco Mesenquimais (MSCs): Podem ser isoladas de medula óssea, tecido adiposo, cordão
umbilical, etc. Embora sua capacidade de diferenciação direta em cardiomiócitos in vivo seja limitada,
elas exercem efeitos parácrinos benéficos, secretando fatores que promovem angiogênese, reduzem
a fibrose e modulam a inflamação.
• Células-Tronco Pluripotentes Induzidas (iPSCs): Representam uma fonte promissora. Podem ser diferenciadas
in vitro em cardiomiócitos e, teoricamente, fornecem uma fonte ilimitada de células autólogas, superando
problemas de rejeição e disponibilidade. Os desafios incluem a pureza da diferenciação e o risco de arritmias
ou formação de teratomas.
b) Materiais de Scaffold:
Os scaffolds para engenharia miocárdica devem mimetizar a MEC cardíaca, fornecendo suporte estrutural,
condutividade elétrica e biocompatibilidade.
• Polímeros Naturais:
o Colágeno e Fibrina: Componentes importantes da MEC cardíaca. Podem ser usados como géis
injetáveis ou matrizes porosas para fornecer suporte e guiar a regeneração.
o PLGA, PCL, Poliuretanos (PUs): Podem ser projetados para ter propriedades mecânicas e taxas de
degradação ajustáveis. Os PUs são particularmente interessantes devido à sua elasticidade, que
mimetiza a do miocárdio.
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• Materiais Condutores: A incorporação de polímeros condutores (ex: PPy, PEDOT) ou nanomateriais de carbono
(nanotubos de carbono, grafeno) em scaffolds melhora a propagação de sinais elétricos entre os
cardiomiócitos, fundamental para a função contrátil sincronizada.
A substituição de vasos sanguíneos danificados (ex: doença arterial periférica, doença coronariana) é uma
necessidade clínica comum. A engenharia de tecidos busca criar enxertos vasculares biofuncionais que sejam não
trombogênicos, duráveis, capazes de remodelar e com potencial de crescimento.
a) Fontes Celulares:
• Células Endoteliais (ECs): Revestem a superfície interna do vaso (íntima), proporcionando uma superfície não
trombogênica e regulando o tônus vascular.
• Células Musculares Lisas Vasculares (VSMCs): Compõem a camada média (média), responsável pela
resistência e contratilidade do vaso.
• Células-Tronco Mesenquimais (MSCs) e iPSCs: Podem ser diferenciadas em ECs e VSMCs para semeadura em
scaffolds.
b) Materiais de Scaffold:
Os scaffolds para vasos devem mimetizar a estrutura trilaminar do vaso sanguíneo (íntima, média, adventícia) e
suas propriedades mecânicas (complacência, resistência).
• Polímeros Naturais:
o Colágeno e Elastina: Componentes chaves da MEC vascular. Scaffolds à base de colágeno podem ser
usados, às vezes com elastina para melhorar a elasticidade.
o PCL, PGA, PLA, PLGA e PUs: Podem ser usados para criar tubos porosos por eletrofiação ou impressão
3D. A eletrofiação é particularmente eficaz para criar fibras alinhadas que mimetizam a orientação da
MEC na parede do vaso.
• Matrizes Acelulares: Vasos descelularizados (alogênicos ou xenogênicos) mantêm a arquitetura nativa da MEC,
servindo como scaffolds bioativos que podem ser repopulados com células do paciente.
Doenças valvulares levam à estenose ou insuficiência, exigindo substituição. Válvulas protéticas artificiais
sofrem de trombogenicidade (necessidade de anticoagulação) e não crescem, enquanto as biopróteses calcificam e
degradam com o tempo. A engenharia de tecidos visa criar válvulas "vivas" que se remodelam e crescem.
a) Fontes Celulares:
• Células Intersticiais Valvulares (VICs): As principais células responsáveis pela manutenção da matriz valvular.
b) Materiais de Scaffold:
Os scaffolds devem suportar as tensões hemodinâmicas complexas, serem biocompatíveis e promover a remodelação.
• Matrizes Acelulares: Válvulas cardíacas descelularizadas (xenogênicas ou alogênicas) são uma estratégia
promissora, pois mantêm a arquitetura anatômica complexa da válvula nativa e podem ser recelularizadas.
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• Polímeros Biodegradáveis (PCL, PUs, PLGA): Usados para criar scaffolds com a forma valvular, que podem ser
semeados com células. A flexibilidade e durabilidade são cruciais.
• Fatores de Crescimento: VEGF (angiogênese), bFGF (proliferação celular), TGF-β (fibrose, mas também
diferenciação de VSMCs), IGF-1 (crescimento celular).
• Sinais Mecânicos: Bioreatores que aplicam estímulos de fluxo de cisalhamento (para vasos e válvulas) e
alongamento cíclico (para miocárdio) são cruciais para a maturação e função do tecido in vitro.
• Vascularização: É o principal gargalo em todos os construtos cardíacos de grande volume. Estratégias incluem
a pré-vascularização, co-cultura com células endoteliais, incorporação de fatores angiogênicos e design de
scaffolds que promovam a angiogênese.
• Estimulação Elétrica: Para o miocárdio, a estimulação elétrica em bioreatores pode promover a maturação
eletrofisiológica dos cardiomiócitos e a formação de junções comunicantes.
• Bioimpressão 3D: Permite a fabricação precisa de estruturas complexas com múltiplos tipos celulares e
componentes, facilitando a criação de tecidos com a arquitetura do coração e vasos, incluindo a vascularização.
Apesar dos avanços notáveis, a engenharia de tecidos cardiovascular ainda enfrenta desafios significativos:
• Coagulação/Trombogenicidade: Para superfícies em contato com o sangue, o risco de trombose deve ser
minimizado a longo prazo.
• Crescimento e Remodelação em Crianças: Substitutos que possam crescer com pacientes pediátricos são uma
necessidade crítica não atendida.
• Aprovação Regulatória e Custo: Traduzir esses produtos complexos da pesquisa para a clínica é um processo
longo e caro.
A engenharia de tecidos cardiovascular é uma área de pesquisa e desenvolvimento intensiva e de alto impacto. As
inovações futuras provavelmente envolverão o uso mais difundido de iPSCs para terapias autólogas, o
desenvolvimento de scaffolds "inteligentes" que liberam fatores de forma controlada, a bioimpressão 3D de construtos
de órgãos complexos e a melhor compreensão da biofísica do microambiente para guiar a regeneração funcional. O
potencial para transformar o tratamento de DCVs é enorme.
Referências
• Ratner, B. D., Hoffman, A. S., Schoen, F. J., & Lemons, J. E. (2012). Biomaterials Science: An Introduction to
Materials in Medicine. Academic Press. (Capítulos que abordam biomateriais cardiovasculares,
biocompatibilidade e princípios gerais de engenharia de tecidos).
• Temenoff, J. S., & Mikos, A. G. (2008). Biomaterials: The Intersection of Biology and Materials Science. Pearson
Prentice Hall. (Discute os materiais, células e scaffolds em engenharia de tecidos, com seções relevantes para
aplicações cardiovasculares).
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• Lanza, R., Langer, R., & Vacanti, J. P. (2014). Principles of Tissue Engineering. Academic Press. (Este é o livro-
texto fundamental para engenharia de tecidos, com capítulos abrangentes sobre engenharia de tecidos
cardíacos, vasculares e valvulares, cobrindo a biologia dos tecidos, materiais, células, fatores de crescimento e
desafios).
• Park, J. B., & Lakes, R. S. (2007). Biomaterials: An Introduction. Springer. (Apresenta os conceitos básicos e as
classes de biomateriais, com exemplos de suas aplicações em tecidos cardiovasculares).
• Nerem, R. M., & Seliktar, D. (2011). Tissue Engineering: From Biology to Clinical Application. Pearson Prentice
Hall. (Um livro que aprofunda a aplicação da engenharia de tecidos em sistemas específicos, incluindo o
cardiovascular).
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