UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
ESCOLA SUPERIOR DE AGRICULTURA “LUIZ DE QUEIROZ”
GRUPO DE ESTUDOS E PRÁTICAS EM OLERICULTURA
TRABALHO FINAL: CULTURA DA CEBOLA
Integrantes:
Amanda Parisotto Rezende (Ápis)
Eluisa Ribeiro Elias (Fiski)
Paula Scolar da Silva (Paulinha)
Gabriel Contin de Melo (S/ Front-ra)
Piracicaba – SP
Março de 2022
Introdução
A cebola (Allium cepa) é uma planta bienal, herbácea, cuja parte comercial é
o bulbo. É uma cultura vinda da Ásia Central, sendo atualmente uma das oleráceas
de maior importância no mercado mundial. Segundo a EMBRAPA, ela ocupa o
terceiro lugar no ranking de importância econômica no Brasil, com uma área colhida
de 67 mil hectares e produção de 1,16 milhão de toneladas (MAROUELLI et. al,
2005), sendo Santa Catarina, São Paulo e Rio Grande do Sul os principais estados
produtores.
Além de possuir um grande destaque no mercado brasileiro, possui também
destaque no setor socio-econômico, sendo a principal cultura produzida por mais de
60 mil famílias (MAROUELLI et. al, 2005).
O período de plantio se dá, principalmente, de março a novembro, quando as
temperaturas são mais amenas e não há períodos longos de chuva, o que facilita no
controle de pragas e doenças da cultura, fazendo com que os bulbos sejam
comercializados com melhor qualidade (EMBRAPA, c2022).
O cultivo se dá por semeadura direta ou por meio de soqueiras, sendo a
semeadura direta dependente de um sistema de irrigação, utilizada principalmente
por médios e grandes produtores. Já no método de soqueiras, o que se semeia são
os bulbos, porém acaba sendo um cultivo “antieconômico” por necessitar de dois
ciclos completos para se obter a produção comercial (MADEIRA, [s.d.]).
No seguinte trabalho, iremos visar o cultivo da cebola como um todo, do
plantio à colheita e pós colheita, dando destaque aos tratos culturais e manejos
necessários à cultura.
Cenário da Produção Mundial e Nacional
A cebola é uma hortaliça muito importante socioeconomicamente no país e
no mundo. Segundo informações estatísticas compiladas pela EMBRAPA, o mundo
produz 55.153.027 toneladas por ano e conta com uma área cultivada total de
3.049.741 hectares. Os maiores produtores são, respectivamente, a China
(18.035.000 toneladas/ano), Índia (5.500.000 toneladas/ano) e Estados Unidos
(3.669.450 toneladas/ano). O Brasil ocupa o sétimo lugar no ranking de
produtividade, com 1.120.680 toneladas por ano, porém fica em nono lugar em
relação à área produzida, contando com 57.036 hectares cultivados, enquanto a
China está no pódio com 850.600 hectares.
Dentro do Brasil, o destaque em produção ocorre nos estados de Santa
Catarina (436.597 toneladas), São Paulo (186.120 toneladas) e Rio Grande do Sul
(158.086 toneladas). Assim, é possível perceber o destaque da região Sul com
relação à cebola, as estimativas segundo o HF Brasil são de melhora nessa região
para 2021/2022 em comparação à última temporada. Em contrapartida, as outras
regiões tendem a reduzir seus investimentos. Isso porque em 2021 os resultados
foram abaixo dos esperados, além do aumento dos custos que estão por vir no ano
de 2022. Dessa maneira, haverá diminuição na área cultivada e retorno da
rentabilidade.
No país, ocorrem períodos de escassez da cebola, que geralmente ocorre
nos meses de março, abril, maio, outubro e novembro, enquanto nos outros meses a
produção é excessiva, o que causa grande instabilidade nos preços (Tosta et al.).
Além disso, é necessário a importação de cebola para suprir os períodos de
escassez. Segundo a revista Campo e Negócios, o país importou 211,52 mil
toneladas de cebola de diversos países como Argentina, Holanda, Espanha e Chile,
o que causou um gasto de US$ 52,47 milhões o que convertido em reais são R$
250,051 milhões.
Mercado Consumidor
Provavelmente, a maioria dos pratos salgados que você come ou prepara se
inicia com a seguinte frase “Corte uma cebola em cubos”. Visto o uso contínuo da
hortaliça, o consumo por mês está entre 85.000 toneladas (FAO). Apesar de alto, a
demanda não está em sintonia com a oferta no país, uma vez que essa está
saturada pelas importações da Alemanha juntamente com a produção nacional
(Geraldo Milanez de Resende).
Segundo Nivaldo Duarte Costa, o consumo começou a cair no final dos anos
80 até meados dos anos 2000, isso por conta da diminuição das refeições realizadas
em casa, apesar do aumento no consumo de processados. Nesse contexto, houve a
redução do consumo domiciliar de bulbos de 6,5 kg/hab/ano em 1987 para 3,5
kg/hab/ano em 2003 (IBGE, 2004). Em contrapartida, especialistas que redigem o
“De Olho no Campo” afirmam que o consumo tende a aumentar a partir de produtos
industrializados como no caso da pasta de alho e sal, purês e catchup e cebolas
desidratadas. Uma curiosidade é que a cebola está assumindo papel de alimento
nos pratos e não apenas como um tempero.
Quanto à preferência dos consumidores, segundo estudos do doutor em
agronomia Marcelo de Souza Silva é possível citar as cebolas com bulbos de
tamanho considerado mediano, que vão de 50mm até 90mm, de formato globular,
casca de coloração avermelhada com o interior branco e sabor pungente
característico (ou seja, a cebola branca tradicional).
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