Castanha do Pará: O Gigante da Amazônia e Seu Valor Vital
(Página 1 de 5)
A castanha-do-pará (Bertholletia excelsa) é uma das frutas mais impressionantes da Floresta
Amazônica. Conhecida também como castanha-do-brasil, ela vem de uma das árvores mais
altas e longevas da floresta tropical — o castanheiro, que pode atingir até 60 metros de altura
e viver por mais de 500 anos. Cada fruto é uma esfera dura, pesando até 2 kg, semelhante a
um coco, com casca grossa e resistente, contendo entre 12 e 24 sementes dispostas como
gomos de laranja. É um alimento rico, simbólico e profundamente ligado ao equilíbrio
ecológico da Amazônia.
Diferentemente de outras oleaginosas cultivadas em larga escala, a castanha-do-pará é quase
exclusivamente coletada da natureza, não cultivada. Isso porque o castanheiro depende de
polinizadores específicos (como abelhas grandes) e de dispersores naturais (como a rolinha-
carijó, Crysothraupis sp., e roedores) para se reproduzir. Por isso, sua colheita sustentável está
diretamente ligada à preservação da floresta em pé.
O Brasil é o maior produtor mundial, seguido pela Bolívia e Peru. Os estados do Pará,
Amazonas e Acre são os principais fornecedores, onde milhares de famílias vivem da extração
da castanha durante a temporada de chuvas, entre dezembro e março.
Características Botânicas e Processo de Coleta
(Página 2 de 5)
A Árvore: Um Monumento Vivo
Altura: 40 a 60 metros.
Tronco: reto, largo, sem galhos na parte inferior (para evitar cipós).
Idade: pode viver mais de 5 séculos.
Floração: ocorre no período seco; os frutos amadurecem na estação chuvosa.
O Fruto: Uma Fortaleza Natural
Formato esférico, casca dura como madeira.
Peso: entre 1 e 2 kg.
Internamente, as sementes são envoltas por uma película marrom escura e agrupadas em
compartimentos.
Coleta e Beneficiamento
1. Queda natural: os frutos caem sozinhos quando maduros — perigo real, pois podem ferir
pessoas ou animais.
2. Recolha manual: extrativistas percorrem a floresta para coletar os frutos.
3. Quebra da casca: feita com machados ou martelos fortes — extremamente trabalhosa.
4. Extração das sementes: cada castanha é retirada com cuidado.
5. Secagem ao sol: para reduzir umidade e prevenir mofo.
6. Torra leve ou consumo natural: muitas vezes comercializadas já descascadas e embaladas.
Esse processo artesanal sustenta comunidades inteiras e promove a economia florestal,
evitando o desmatamento para agricultura ou pecuária.
Valor Nutricional: Um Poderoso da Natureza
(Página 3 de 5)
A castanha-do-pará é uma das oleaginosas mais nutritivas do planeta. Rica em gorduras boas,
minerais raros e antioxidantes, ela é considerada um superalimento funcional:
Principais nutrientes (por 100g):
Calorias: cerca de 650 kcal (alta densidade energética)
Gorduras saudáveis: cerca de 67g, sendo predominantemente mono e poliinsaturadas
(ômega-6 e ômega-9)
Proteínas: 14g — excelente fonte vegetal
Selenio: maior fonte natural conhecida — apenas 1 unidade (5g) fornece mais de 100% da
necessidade diária!
Magnésio, fósforo, cobre, zinco e manganês: essenciais para ossos, nervos e
metabolismo.
Vitaminas: E (antioxidante), B1 (tiamina) e pequenas quantidades de B6.
Benefícios comprovados:
Fortalece o sistema imunológico graças ao selênio, mineral com ação antioxidante
poderosa.
Protege o coração: gorduras boas ajudam a reduzir o colesterol ruim (LDL).
Melhora a saúde da tireoide: o selênio é essencial para a produção de hormônios
tireoidianos.
Combate o envelhecimento celular: por conter antioxidantes naturais.
Auxilia no controle do estresse e da ansiedade: o magnésio regula o sistema nervoso.
Ajuda no emagrecimento com saúde: saciedade prolongada, mas deve ser consumida
com moderação.
⚠️ Atenção: Devido ao alto teor de selênio, o consumo excessivo (mais de 4 a 5 unidades por
dia) pode causar selenose, com sintomas como queda de cabelo, náusea e problemas
neurológicos. Moderar é essencial.
Importância Ecológica e Sustentabilidade
(Página 4 de 5)
A castanha-do-pará é um exemplo perfeito de uso sustentável da biodiversidade. Diferente de
cultivos que exigem desmatamento, sua extração só é possível com a floresta em pé. Por isso,
é uma aliada direta da conservação ambiental.
Relações ecológicas únicas:
Polinização: realizada por abelhas grandes (Eulaema, Xylocopa), que precisam de ninhos
em troncos ocos — mostra a interdependência da fauna e flora.
Dispersão das sementes: feita principalmente pelo roedor pacu (Agouti spp.), que enterra
algumas castanhas para comer depois — muitas germinam, criando novas árvores.
Ausência de cultivo em larga escala: o castanheiro não se adapta bem a plantações;
cresce melhor na floresta nativa.
Essa cadeia ecológica complexa torna o castanheiro um indicador de saúde florestal. Quando
há castanheiros saudáveis, há biodiversidade.
Além disso, a extração sustentável da castanha:
Gera renda para mais de 400 mil pessoas na Amazônia.
Incentiva comunidades a protegerem suas terras contra invasores.
É certificada por selos como o orgânico e o Fair Trade (Comércio Justo).
Projetos de manejo florestal comunitário transformam a castanha em símbolo de esperança
para o futuro da Amazônia.
Conclusão: Um Tesouro que Alimenta Corpos e Protege a Floresta
(Página 5 de 5)
A castanha-do-pará é muito mais do que um petisco crocante e saboroso. Ela é um símbolo
vivo da riqueza da Amazônia, um elo entre cultura, nutrição e ecologia. Cada castanha que
chega à nossa mesa carrega consigo a história de uma floresta centenária, de povos
tradicionais, de abelhas operárias e roedores esquecidos.
Ao consumir castanha-do-pará com consciência, você não só alimenta seu corpo com um dos
alimentos mais completos da natureza, mas também apoia a preservação da maior floresta
tropical do mundo. É uma forma prática de dizer “sim” à vida, ao clima estável e à justiça
social.
Por isso, ao morder uma castanha-do-pará:
Respeite seu valor.
Agradeça à floresta.
Lembre-se de quem a colheu.
E pense:
talvez o verdadeiro tesouro da Amazônia não esteja no ouro ou na madeira,
mas sim dentro de uma cápsula dura, guardando uma semente redonda,
cheia de energia, sabor…
e esperança.
🌿🌰
Coma com moderação.
Preserve com amor.