Discente: Olfânia Sandro Amadeus Macura Número: 29
Turma: A1
Classe: 12ª
Tema: História de Moçambique: Estado de Gaza
Mabote, aos 11 de Junho de 2025
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Escola Secundária de Mabote
Trabalho de Investigação de História
com finalidade Avaliativa.
Docente: António
Mabote, aos 11 de Junho de 2025
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Índice
Introdução..........................................................................................................................4
Mfecane e o Estado de Gaza.............................................................................................5
Origem...............................................................................................................................5
Factores que originaram a Formação do Mfecane............................................................5
A Formação do império de Gaza.......................................................................................6
Base económica.................................................................................................................6
Estrutura Social do Estado de Gaza...................................................................................7
Ideologia............................................................................................................................7
Poder Militar de Gaza........................................................................................................8
A Resistência na Região de Lourenço Marques................................................................9
A Batalha de Magude......................................................................................................10
A Batalha de Coolela.......................................................................................................10
Decadência......................................................................................................................11
Conclusão........................................................................................................................12
Referência Bibliográfica..................................................................................................13
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Introdução
Neste presente trabalho falarei sobre o Estado de Gaza que foi resultado do MFECANE.
Onde darei – vos a conhecer a origem e a formação, base económica, estrutura social,
aparato ideológico e a decadência deste estado, onde também falarei sobre as lutas de
resistência no sul de Moçambique.
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Mfecane e o Estado de Gaza
O Estado de Gaza foi um império africano fundado no século XIX por povos nguni que
migraram do sul da África. Era uma estrutura político-militar organizada que unificou
diversos grupos sob um poder centralizado, liderado por reis nguni, com destaque para
Soshangane e, mais tarde, Ngungunhane.
O MFECANE foi o processo de lutas e transformações políticas, seguidas de grandes
migrações de população Nguni para o Norte, ocorridas na zululándia (actual ÁFRICA
DO SUL) a partir da segunda metade do século XVIII até princípios do século XIX.
A formação deste Estado está ligada ao fenómeno de lutas e de transformações políticas
ocorridas na Zululândia (em território da actual África do Sul) desde a segunda metade
do século XVIII a princípios do século XIX conhecidas por “Mfecane” que levara à
centralização política nesta região seguidas por grandes migrações de populações Nguni
para o Norte.
Origem
O Estado de Gaza tem origem na migração dos povos Nguni, especialmente liderados
por Soshangane, que fugiam das guerras do Mfecane — um período de conflitos e
deslocamentos provocados pela expansão do império Zulu de Shaka na região da actual
África do Sul.
Soshangane e seu grupo avançaram para o norte e estabeleceram domínio sobre
populações locais como os Chopes, Tsongas e Tongas, impondo sua cultura, língua
(changana) e sistema político.
Factores que originaram a Formação do Mfecane
As razões que explicam este fenómeno MFECANE foram as seguintes:
As lutas pelo controlo das rotas comerciais com a baía de LOURENÇO
MARQUES, que por sua vez trouxeram conflitos entre linhagens;
A crise ecológica ocorrida na região nos finais do século XVIII e princípios
século XIV, onde estas crise provocou a falta de terras e pastagens, o que de
certa forma contribuiu para as lutas pelo seu controlo.
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A Formação do império de Gaza
No seu auge o império de Gaza integrava a baía de Maputo e o rio Zambeze, actuais
províncias de Maputo, Inhambane, Gaza, Manica e Sofala.
Um dos núcleos em fuga que vai seguir em direcção a Moçambique que será liderado
por Sochangana e fixa-se primeiro em Lourenço Marques entre 1822-1827. Depois,
rumou mais para o norte. Sochangana tinha-se afirmado, entre 1821-1823, como líder
de um grupo, junto com mais três ou quatro que conseguiram fundar novos estados,
depois da derrota do Estado Nduandwe de Zuide. Foi este grupo que formou o Estado
de Gaza e em 1850 já dominava a região entre o Zambeze e o rio Incomáti. O rei
Sochangana governou cerca de 38 anos.
O Estado de Gaza, foi provavelmente fundado em 1821 na zona de Tembe, ao sul da
actual cidade de Maputo.
Entre 1835 e 1838, a capital do sochangana estava situada na margem esquerda do rio
Incomáti e mais tarde passou para a margem direita do Limpopo, na zona de
Chiduachine, no limite entre os distritos de Chokwe e Chibuto.
Entre 1835 e 1838 a capital passou para a zona de Mossurize, que foi conquistada a um
outro estado Nguni chefiado por Ngaba Mbane. Depois de 1838, o centro de Gaza
passou de novo para o Vale do Limpopo, na zona de chaimire moderno, onde
sochangana ficou até ao poder do seu sucessor Maueue (1858-1861).
Base económica
Agricultura (cultivo de mapira, mexoeira, naxemin, e milho grosso);
Pagamento de tributos tendo em conta o género;
Pagamento feito pelos estrangeiros como forma de facilitar as transições comerciais;
Criação de gado e o comércio (exportação de marfim e escravos, importação de
tecidos).
Obtenção de licenças de caça, etc.
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A população deste estado tinha em conta as actividades tais como: olaria, cestaria, atalha
em madeira e a metalurgia de ferro. A economia deste estado era adaptada aos recursos
existente em cada zona.
Estrutura Social do Estado de Gaza
No Estado de Gaza, existia uma nitada divisão em classes sociais. estava a alta aristocracia
(rei e seus familiares ) depois a media aristocracia ( outros Nguni que não fossem da
linhagem real), e embaixo estavam as populações dominadas que, independentemente
do seu grupo etnolinguístico, eram designados por Tonga. Também existiam cativos que
trabalhavam nas comunidades domésticos nguni.
REI;
MABULUNDLELA;
NDAU;
TONGAS;
TINHLOKO;
MEMBROS DA CHEFIATURAS SUBJUGADOS;
Ideologia
No estado de Gaza praticava-se cerimónias mágico-religiosas. Existiam cultos agrários
(Nkwaya): os destinados a dar força aos homens que partiam da guerra ( Mbengululu) e os
de invocação da chuva, etc.
O Nkwaya funcionava como uma válvula de escape das tensões sociais e era o garanto da
unidade e da prosperidade de Estado de Gaza.
A nível ideológico temos:
UBUNKOSI;
NKWIAYA/NQWAYA (nkway)
Medicinas de guerra (medicina de guerra e o nome atribuído á cerimónia
presidida pelo rei, com rituais nas aldeias dos antepassados dos Nguni reinantes:
nodwengu, chidwa chine, chayimite). Também se designa esta cerimónia de
“mbengululu”/ “mbenguyuyu”.
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Poder Militar de Gaza
A organização militar dos Angunes era, evidentemente herdada da que fora elaborada
por Tchaka. Baseava-se no regimento. Vinte e cinco a trinta regimentos teriam sido
criados por Sochangana/Manicusse, Muzila e Gungunhana. Os regimentos dividiam-se
em batalhões (Tongas) da mesma idade, sendo o recrutamento aparentemente regional.
Os efectivos máximos de um regimento deviam ser de 1300 a 1600 homens. É duvidoso
que fossem atingidos com frequência. Os mais idosos viviam com as suas famílias em
povoações, em redor das capitais do rei e das províncias. Os governadores, isto é, os
membros do clã real, eram em princípio, mas não de modo exclusivo, chefes (Indunas)
dos regimentos.
O último general de Gungunhana seria um não Angune. Politicamente o papel deste
exército consistia em:
Conquistar os vizinhos (em particular os regulados do sul, Tsongas e,
principalmente, Chopes, que eram o “inimigo hereditário” mas também um osso
duro de roer);
Alimentar o Estado, o monarca e os Angunes por meio de devastações, captura
de escravos e cobrança do tributo no interior do império.
O exército Angune era inadequado: o ataque em massa através de uma muralha de
escudos de couro, lanças e azagaias, realizava maravilhas em campo raso e perante um
adversário do mesmo nível técnico, mas era inoperante contra metralhadoras e
fortificações engenhosas. A preparação mágica era, evidentemente, capital: os amuletos,
as poções imunizantes, as formidáveis saudações e cantos de guerra (bavete) e os bailes
terrificantes, tão apreciados pelos autores portugueses ulteriores, eram úteis para
garantir uma exaltada coesão dessas tropas. A introdução das armas de fogo foi lenta e
superficial. Parece ter-se efectuado contra vontade: “desprezavam as armas de fogo
porque acharem cobardia matar de longe e sem lutar”. Em Gaza, os estrategos tinham
um atraso de duas guerras e, quando finalmente compreenderam a utilidade das
espingardas, as fontes de abastecimento tinham já sido parcialmente estancadas pelos
portugueses.
Outra grave debilidade: a angunização dos regimentos era um facto, mas continuava
a ser: insuficiente para fazer esquecer que carne para canhão não se batia para
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defender as suas povoações mas sim os privilegiados dos seus próprios vencedores e,
designadamente da classe real. A degenerescência pelo álcool, pelas drogas, pelo
excesso de sexo e pela subalimentação.
A Resistência na Região de Lourenço Marques
Em volta da cidade de Lourenço Marques havia um grande número de chefes tribais que
mantinham relações amigais com os portugueses, (Maota, Machaquene, Matola,
Maputo) e que se consideravam vassalos da coroa portuguesa, pagando o mussoco
(imposto de palhota), permitindo a livre circulação de tropas nos seus territórios,
ajudando o exército português, fornecendo homens, etc.
Havia outros chefes de tribo que se não submetiam aos portugueses e que obedeciam ao
Ngungunhana de quem se consideravam vassalos. Eram, por exemplo, os povos de
Manhiça, Magaia, Zixaxa, Moamba, etc. Foi contra estes povos que os portugueses
enviaram primeiro as suas tropas.
O pretexto que os portugueses arranjaram para o ataque foi um conflito que
surgiu na tribo Magaia entre o chefe Maazul e um outro pretendente Maveja. Maazul
era vassalo fiel do Ngungunhana e não aceitava a soberania portuguesa. Os portugueses
conseguiram convencer Maveja a reconhecer a soberania portuguesa em troca do seu
auxílio para lutar contra Maazul.
Sabendo desses planos para o expulsarem, Maazul alia-se a Matibejana
(Nwamatibyane), chefe da tribo Zixaxa (Zihlahla) e ambos resolvem atacar Lourenço
Marques.
Assim no mês de Outubro de 1894, as mangas de Matibejana, Maazul e do chefe
Angundjuane de Moamba marcharam sobre a cidade de Lourenço Marques que se
encontrava fortificada de três linhas sucessivas em volta da cidade. Conseguiram passar
as três linhas fortificadas e os portugueses viram-se obrigados a refugiar-se na fortaleza.
Em Janeiro os portugueses receberam reforços de tropas e resolveram atacar
Marracuene. Nos primeiros dias de Fevereiro um exército português comandado por
Caldas Xavier avança para Marracuene. O chefe de Moamba já se tinha aliado aos
portugueses e só Matibejana e Maazul combatiam. Um violento combate teve lugar que
terminou sem vitória decisiva de nenhuma das partes.
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A Batalha de Magude
Maazul e Matibejana tinham se refugiado sob a protecção de Ngungunhana no
Incomate, perto de Magude.
Os portugueses enviaram ao Ngungunhana um ultimato em que exigiam a entrega
desses dois chefes. Ngungunhana recusou fazê-lo. Este foi o pretexto oficial para o
ataque que os portugueses prepararam cuidadosamente.
O plano de ataque dos portugueses contra Ngungunhana e de penetração no interior
utilizava largamente as vias fluviais dos rios Incomate, Limpopo e Inharrime.
As tropas portuguesas deviam avançar em três colunas: uma ao longo do
Incomate, outra pelo rio Limpopo e uma terceira descendo de Inhambane pelo rio
Inharrime.
A coluna de Incomate foi a primeira a dar batalha. Era comandada por Freire de
Andrade. Foi em 8 de Setembro de 1895 que a coluna portuguesa se encontrou com as
tropas de Matibejane e de Maazul na planície de Magule. As tropas de Matibejane e
Maazul cercaram o quadrado mas não conseguiram penetrar nele, Depois de duas horas
de combate tiveram que recuar abandonando muitos mortos. Foi uma grande derrota
para Matibejane e Maazul. Depois de Magule os portugueses incendiaram todas as
povoações circunvizinhas, espalhando o terror e intimidando todos os chefes da região,
muitos dos quais vieram realmente prestar vassalagem aos portugueses.
A Batalha de Coolela
Foi a 15 de Setembro que essa coluna se pôs em marcha. Ngungunhana mandou
emissários aos portugueses tentando com várias propostas afrouxar o andamento da
coluna. Os portugueses exigiam a entrega do Matibejane e Maazul, um pagamento anual
de 10.000 libras em ouro, autorizar a cobrança de impostos e outras facilidades
comerciais e militares. Claro que Ngungunhana não podia aceitar tais condições que
significavam a perda completa dos seus direitos e a submissão do seu povo. Por isso
reuniu todas as suas mangas num exército sob o comando de Maguiguana.
No dia 7 de Novembro de 1895 os dois exércitos encontraram-se no vale de
Coolela. A batalha que se travou foi de curta duração mas trágica em consequências
para Ngungunhana que dela saiu derrotado. Os portugueses continuaram a espalhar o
terror, incendiando aldeias e devastando as culturas. No dia 11 os portugueses
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incendiaram Manjacaze (Mandlakaze), o lugar sagrado. Muitos chefes das tribos entre o
Save, Chengane e o Limpopo vieram prestar vassalagem aos portugueses e aceitar as
imposições destes.
Ngungunhana ficou muito desmoralizado com a derrota de Coolela e retirou-se para
Chaimite. Ngungunhana estava disposto a aceitar a submissão aos portugueses em
Chaimite onde nos fins de Dezembro foi aprisionado e deportado por Mouzinho de
Albuquerque para Cabo Verde. Maguiguane continuou a lutar contra os portugueses.
Decadência
O Estado de Gaza constituía uma ameaça ao plano colonial
Concebido pelos portugueses. O rei Gungunhana várias vezes desafiou o ocupante. 0s
portugueses tentaram estabelecerem negociações com rei de Gaza com vários
objectivos:
Impedir que o rei ganhasse forças no campo militar, prometendo que não
atacariam o seu território;
Evitar a sua aliança com a Companhia de Moçambique;
Evitar o estabelecimento de relações com Bristh South African Companhe de
Cecil Rhodes;
O Plano português de António Enes, comissário régio em Moçambique em
1895, consistia em:
Fazer surgir pela força o prestígios português nos pequenos regulados; etc.
As tropas de Gaza sofreram duas importantes derrotas, a de Marracuene e
depois a de Coolela, mas continuaram a resistir sob o comando de Maguiguane
Cossa.
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Conclusão
No presente trabalho concluímos que, o Estado de Gaza foi formado por Sochangana
(também conhecido por Manicusse, 1821-1858) como resultado do Mfecane (um grande
conflito entre os Zulus por consequência do assassinato do Tckaca em 1828, que
colimou com invasão de grandes áreas da África Austral por exércitos Nguni).
Também concluímos que no Estado de Gaza não praticava-se o comércio dos escravos,
mas praticava-se o comércio do marfim, pastorícia, artesanato, agricultura e o comércio
a longa distância.
E quanto a ideologia no Estado de Gaza praticava-se cerimónias mágico-religiosas
(Nkwaya e Umbegululu). Este Estado entrou em decadência devido a prisão do
Ngungunhane o último rei de Gaza, entre outros factores.
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Referência Bibliográfica
Carlos, Serra,I sociedades sedentárias e o impacto dos mercadores, 200/300-
1885, Maputo livraria Universitária/ 2000 P. 86;99
Crimildo J. Mutemba, História de Moçambique- das cominidades primitivas até
os dias de hoje, 2008-2020
PERREIRA, J. L. Barboza, História 12ª- pré-Universitario, logman
Moçambique, 2010.
Nhapulo, T.J, História 12ª, Plural editores Moçambique,10-2021.
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