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Trabalho Fatima

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Escola Secundária de Muatala

Trabalho da disciplina de

10ªclasse

Turma:

Tema: Asédio sexual

Discente: Docente:

Nampula

Julho, 2025
Trabalho da disciplina de

Tema Asédio sexual

Trabalho de carácter investigativo e avaliativo


a ser apresentado ao docente da disciplina de
10ª classe, curso diurno, discplina leccionada
pelo

docente:

___________________________

Julho de 2025

2
Índice:

3
Introdução:

O assédio sexual não é uma ficção, é uma realidade A grande maioria não chega ,a denunciar
por temer represálias, e as poucas que têm a coragem de denunciar não encontram
acolhimento de quem é de direito. Esta situação ocorre, não obstante o Código Penal
criminalizar e prever punição contra o assédio sexual e, ao nível das instituições de ensino,
existirem regulamentos que visam prevenir e combater este mal. O assédio pode ser
entendido como sextorsão, quando há extorsão por quem detém a autoridade, ao invés de ser
cobrada em valores monetários, é cobrada por troca de favores sexuais com os utentes dos
serviços públicos. A impunidade que caracteriza os crimes de corrupção em Moçambique,
também reina nos crimes de assédio. A Associação Internacional de Mulheres Juízas, em seu
relatório de 2012, Naming, Ending and Shaming Sextortion, usou o termo “sextorsão” para
descrever esses abusos de autoridade em que, em vez do dinheiro, o sexo é a moeda de
suborno.
Objectivo:

O objective do trabalho e de é de trazer a público a situação vivenciada pelas vítimas de


assédio sexual. Estas devem superar vários obstáculos para constituir uma denúncia e obrigar
à responsabilização dos implicados, o que acaba, muitas vezes, desencorajando-as. Isto inclui
mapear o número de casos denunciados, os canais de denúncias estabelecidos nas instituições
de ensino superior, o tipo de encaminhamento e o desfecho que os casos têm tido, assim
como as consequências da prática do assédio no desempenho académico das estudantes.

O trabalho está extruturado do seguinte modo:


 Introdução;
 Desenvolvimento;
 Conclusão;
 E, Bibliográfia.

4
1. Assédio sexual
O assédio sexual é crime. O artigo 205 do Código Penal tipifica o assédio sexual como crime
contra a liberdade sexual nos seguintes termos: “quem, abusando da autoridade que lhe
conferem as suas funções ou prevalecendo-se da sua condição de superior hierárquico ou
ascendência inerente ao exercício de emprego, cargo ou função, constranger alguém com
intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, é punido com a pena de prisão até 2
anos e multa correspondente”
De acordo com a psicóloga “Brígida Nhantumbo” as práticas de assédio sexual no espaço
académico são responsáveis por uma série de consequências às vítimas e que afectam o seu
desempenho académico. Uma estudante vítima de assédio sexual desenvolve sentimentos de
culpa, injustiça, medo, vezes tende a ser agressiva pois está num meio em que poucos
acreditam que o assédio existe. A vítima apresenta também dificuldades de se relacionar com
outros estudantes, principalmente do sexo oposto - explicou. A psicóloga explicou que o
estágio mais grave do assédio é quando todos estes sentimentos forçam a vítima a abandonar
a escola ou mesmo a cometer suicídio., Enfatizou que há urgência em se olhar para este
fenómeno com seriedade.
A Controladoria-Geral da União (CGU) também define assédio sexual como:
“Qualquer conduta indesejada de caráter sexual — verbal, física, gestual ou por escrito —
que restrinja a liberdade sexual da vítima, cause constrangimento e viole sua dignidade. A
reiteração não é necessária: um único ato pode ser suficiente.”
Exemplos comuns
Condutas que podem configurar assédio sexual incluem:

 Insinuações explícitas ou veladas a teor sexual;


 Piadas ou comentários ofensivos sobre a sexualidade;
 Toques físicos não consensuais ou convites indesejados;
 Propostas sexuais vinculadas a benefícios no emprego ou medo de retaliação

Contexto sociocultural e laboral

 O assédio sexual está diretamente ligado ao machismo estrutural e ao abuso de poder,


onde a desigualdade hierárquica é explorada para obter favores sexuais

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 No Brasil, apesar da lei restrita ao ambiente de hierarquia, o debate social e o
entendimento jurídico acerca de assédio abordam também situações em que colegas
de trabalho sem relação direta de subordinação exercem influência ou intimidação
sexuais.

Raízes históricas

Apesar de práticas semelhantes existirem desde tempos antigos (como na Grécia ou Roma
clássica), o conceito jurídico de assédio sexual é moderno Até o século XX, condutas de
cunho sexual eram na maioria das vezes tratadas como questões privadas, sem
reconhecimento legal ou social como discriminação.

Nomeação e conscientização (anos 1970)

 Foi na década de 1970, em grupos de mulheres na universidade de Cornell, que o


termo "sexual harassment" começou a ser utilizado para descrever comportamentos de
assédio no trabalho
 A jornalista e ativista feminista Lin Farley testificou em 1975 perante a Comissão de
Direitos Humanos de Nova York, e ajudou a popularizar o termo na mídia americana
 Ao mesmo tempo, o livro de Catharine MacKinnon, Sexual Harassment of Working
Women (1979), apresentou uma fundamentação jurídica poderosa, contribuindo
decisivamente para o reconhecimento do problema como discriminação baseada no
gênero

Reconhecimento legal nos EUA

 O Título VII do Civil Rights Act de 1964 foi o primeiro instrumento legal a proibir a
discriminação com base no sexo, ainda que originalmente sem menção explícita ao
assédio sexual
 Barnes v. Train (1974) pode ser visto como o primeiro caso judicial envolvendo
abuso sexual no ambiente de trabalho (mesmo sem o uso do termo), processo
revertido em Barnes v. Costle (1977) reconhecendo que a recusa de favores sexuais
podia configurar discriminação de gênero

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 Bundy v. Jackson (1981) marcou o primeiro caso em que um tribunal federal
reconheceu que o assédio no trabalho poderia ser discriminação com base no sexo,
mesmo sem prejuízo financeiro explícito
 Em 1980, a EEOC (Equal Employment Opportunity Commission) emitiu
diretrizes oficiais definindo "sexual harassment" como avanços sexuais indesejados e
condutas verbais ou físicas de natureza sexual que afetem o emprego ou criem um
ambiente hostil
 A decisão histórica de Meritor Savings Bank v. Vinson (1986) estabeleceu que o
assédio sexual gerava ambiente hostil e violava o Título VII, mesmo sem perdas
econômicas
 Em 1993, o caso Harris v. Forklift Systems, Inc. reforçou que bastava a percepção
de um ambiente abusivo para configurar assédio — não era necessário comprovar
danos psicológicos severo

Expansão e influências globais

 A partir dos anos 1990 e 2000, outros casos como Faragher v. Boca Raton e
Burlington v. Ellerth (1998) expandiram a responsabilidade dos empregadores sobre
os atos de assédio entre seus funcionários
 Nos EUA, o movimento #MeToo (2017 em diante) catapultou o problema para o
debate global, levando à criação de políticas mais rígidas nas empresas e maior
visibilidade social para denúncias vindas de diversos setores.

Características fundamentais de assédio sexual

1. Conduta sexual indesejada

 Conduta de natureza sexual que não foi solicitada ou não é bem-vinda pela pessoa
que a recebe — seja verbal, não verbal ou física (por exemplo: piadas sexualizadas,
insinuações, toques)

2. Abuso de poder ou hierarquia

 Geralmente ocorre em relações onde alguém possui poder ou influência, como chefe e
subordinado (contexto quid pro quo)

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 Mesmo sem hierarquia formal, pode envolver superioridade social ou contextual (por
exemplo, clientes, professores, colegas em posição de autoridade) 3. Criação de
ambiente hostil

 Não precisa haver contato físico; o ambiente se torna ofensivo, degradante ou


ameaçador, prejudicando a dignidade ou performance da pessoa 4. Persistência ou
intensidade

 Pode ocorrer como um ato singular (por exemplo, agressão ou proposta explícita) ou
comportamentos repetidos — piadas contínuas, olhares invasivos ou mensagens
indevidas .

5. Impacto subjetivo da vítima

 O ponto de vista da pessoa afetada é decisivo: se ela percebe o comportamento como


ofensivo ou desconfortável, isso pode configurar assédio, independentemente da
intenção do assediador.

Fatores que facilitam ou intensificam o assédio

 Cultura organizacional permissiva: falta de políticas claras, tolerância ao


comportamento impróprio, ausência de treinamentos ou canais seguros de denúncia
 Desequilíbrio de gênero: ambientes dominados por um gênero ou setores com
maioria masculina tendem a registrar mais casos .
 Interseccionalidade vulnerável: pessoas mais jovens, LGBTQIA+, negras,
imigrantes ou com deficiências são frequentemente alvos mais vulneráveis.
 Retaliação: vítimas frequentemente evitam relatar por medo de represálias, perda de
oportunidades, exclusão ou retaliação direta

Impactos mentais e emocionais diretos

 O assédio sexual é reconhecido como um evento estressor grave, comparável a


outras formas de violência interpessoal, como estupro ou abuso, especialmente
quando envolve dependência econômica ou relação de poder no trabalho .

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 Estudos longitudinais indicam que o assédio precoce na carreira está associado a
níveis elevados de sintomas depressivos mesmo após 10 anos, por meio de um
processo conhecido como *proliferação do estresse

Sintomas psicológicos e comportamentais

 Há associação clara entre assédio e depressão, ansiedade, perda de autoestima,


culpa e autoacusações
 Sintomas de PTSD (transtorno de estresse pós-traumático) podem surgir,
especialmente em casos com frequência e intensidade elevadas do assédio
 O assédio também está correlacionado com problemas de sono, fadiga persistente e
dores físicas atribuíveis ao estresse crônico

Falta de provas materiais justifica arquivamento de cerca de 80% dos processos


A dificuldade em apresentar “provas materiais” por parte das denunciantes foi usada pelas
instituições para justificar o arquivamento de 12 processos de assédio sexual, que
representam 80% do total de 15 denúncias arquivadas. Ainda no decorrer da pesquisa, foi
possível apurar que, em alguns casos, denúncias de assédio sexual envolvendo estudantes
chegam a dar entrada no Ministério Público e nos tribunais. No entanto, mesmo ao nível
destas entidades, algumas denúncias acabam por ser arquivadas. Na província de Tete, o
Ministério Público arquivou um processo de assédio sexual referente a Uni-Púnguè. A
denúncia foi arquivada em sede da Procuradoria Provincial de Tete, ainda na fase
preparatória, alegadamente por insuficiência de provas.
Causas por detrás dos processos arquivados:

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Os mecanismos institucionais existentes não especificam que elementos devem ser usados
como provas de ocorrência de assédio sexual. O Regulamento de Combate à Corrupção e
Assédio Sexual, aplicado no ensino técnico-profissional9, assim como o Regulamento de
Prevenção e Combate ao Assédio Sexual na UEM10, apenas fazem menção de que “as
denúncias devem conter o máximo de informação possível para permitir a responsabilização
dos infractores, desde a identificação do denunciante e do infractor, a descrição dos factos,
até a indicação de testemunhas”. Para a d irectora executiva do Observatório da Mulher,
Quitéria Guirengane, a alegacão de que os processos são arquivados por insuficiência de
provas materiais é ineficaz e desencoraja futuras denúncias. Pelo facto de o assédio sexual
caracterizarse por uma agressão íntima e discreta, em que as pessoas que o praticam
procuram evitar indícios. A busca por elementos probabilísticos, que sirvam de provas de
ocorrência do assédio, deve ter em conta as especificidades deste tipo de crime.
Quitéria Guirengane ressalta, também, que, embora as instituições considerem, para provar o
assédio sexual, matérias como mensagens, gravações de imagens e áudios ou de chamadas,
algumas vezes estes elementos dificultam a responsabilização dos implicados e tornam as
vítimas infractoras. “ A questão é, até que ponto a nossa legislação não cria um campo fértil
para que as vítimas se tornem infractoras? Por exemplo, está estabelecido nos artigos 252 e
257, ambos do Código Penal, sobre devassa da vida privada e gravações ilícitas,
respectivamente, que não se pode fazer uma gravação e utilizar o teor da mesma sem a
autorização da pessoa que é gravada. Então, eu como vítima, tenho de perguntar ao meu
agressor se posso lhe gravar?”
Apenas 30% dos infractores de assédio sexual foram sancionados

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No mesmo período, 2019 a 2022, houve registo de, apenas, nove (9) infractores sancionados,
representado 30% de resolução dos casos. Os casos ocorreram na UEM (5), na FEP-UP (3) e
na Uni-Púnguè de Tete (1).
Figura 3: Características das sanções aplicadas aos infractores

Conclusão:

O presente trabalho sobre assédio sexual teve como foco os processos de encaminhamento
das denúncias e o desfecho dos casos. Com base na análise das 30 denúncias de assédio
sexual nas instituições do ensino, foi possível concluir que, em Moçambique, ocorrem muitos
casos de assédio sexual, mas poucos são reportados. Nos casos em que são reportados,
poucos são responsabilizados. A falta de provas materiais e a má instrução processual são as
causas mais comuns usadas, pelas instituições responsáveis por punir práticas de assédio
sexual, para evitar a responsabilização dos implicados, facto que acresce o sentimento de
impunidade face aos infractores e desencoraja futuras denúncias. A preferência por sanções
mais leves, nomeadamente, afastamento, suspensão, transferência e repreensão pública,
mesmo na existência de situações agravantes, tais como a acumulação de infracções,
premeditação e gravidade da infracção, revelouse como mais um mecanismo de protecção
pelas instituições aos docentes implicados.

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Bibliográfia:

Internet, Google, Sites

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