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Instituto de Educação à Distância

Análise da Aplicabilidade das Actividades Experimentais com Recursos Locais no Ensino


de Ciências Naturais: Estudo do caso da Escola Secundária Heróis Moçambicanos de
Moatize no período 2024 a 2025

Aidelina Cumbuio Sardinha

Ano de Frequência: 3° Ano

Tete, Setembro de 2025


UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MOÇAMBIQUE

Instituto de Educação à Distância

Análise da Aplicabilidade das Actividades Experimentais com Recursos Locais no Ensino


de Ciências Naturais: Estudo do caso da Escola Secundária Heróis Moçambicanos de
Moatize no período 2024 a 2025

Nome do Estudante: Aidelina Cumbuio Sardinha

Código do Estudante: 708238405

Turma: W

Curso: Licenciatura em Ensino de Biologia

Disciplina: Experiências Laboratoriais II

Trabalho de campo a ser submetido para a avaliação


no Instituto de Educação à Distância da Universidade
Católica de Moçambique, na disciplina de
Experiências Laboratoriais II.

Tete, Setembro de 2025


2
ÍNDICE
CAPÍTULO I: INTRODUÇÃO....................................................................................................... 5

1.1. Contextualização ...................................................................................................................... 5

1.2. Problematização........................................................................................................................ 5

1.3. Delimitação do Tema................................................................................................................ 6

1.4. Justificativa ............................................................................................................................... 6

1.5. Relevância do Tema ................................................................................................................. 6

1.6. Hipóteses .................................................................................................................................. 7

1.6.1. Hipótese Primária: ................................................................................................................. 7

1.6.2. Hipóteses Secundárias: .......................................................................................................... 7

1.7. Objectivos do Estudo ................................................................................................................ 7

1.7.1. Objectivo Geral...................................................................................................................... 7

1.7.2. Objectivos Específicos .......................................................................................................... 7

CAPÍTULO II: FUNDAMENTAÇÃO CIENTÍFICA .................................................................... 8

2.1. Conceitos básicos ..................................................................................................................... 8

2.2. Ensino de Ciências e a Experimentação ................................................................................... 9

2.3. Recursos Locais como Alternativa Didáctica ......................................................................... 10

2.4. Práticas Pedagógicas Activas e Contextualizadas .................................................................. 10

2.5. Aplicabilidade Didáctica e Inovação ...................................................................................... 11

2.6. Observações de Aspectos Práticos e Pedagógicos em Sala de Aula ...................................... 11

2.7. Análise Crítica: Desafios e Oportunidades do Uso de Recursos Locais nas Práticas
Experimentais de Biologia............................................................................................................. 13

2.7.1. Desafios ............................................................................................................................... 13

2.7.2. Oportunidades ...................................................................................................................... 14

CAPÍTULO III: METODOLOGIA ............................................................................................... 16

3
3.1. Tipo de Pesquisa quanto à Natureza ....................................................................................... 16

3.2. Tipo de Pesquisa quanto à Abordagem .................................................................................. 16

3.3. Tipo de Pesquisa quanto aos Objectivos ................................................................................ 16

3.4. Instrumentos de Recolha de Dados ........................................................................................ 16

3.5. Amostra .................................................................................................................................. 17

3.6. Considerações Éticas .............................................................................................................. 17

CAPÍTULO IV: CONCLUSÕES E SUGESTÕES ....................................................................... 18

4.1. Conclusões .............................................................................................................................. 18

4.2. Sugestões para Professores ..................................................................................................... 18

4.3. Sugestões para Gestores Escolares ......................................................................................... 19

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................................................... 20

4
CAPÍTULO I: INTRODUÇÃO

1.1. Contextualização
O ensino de Ciências Naturais, em contextos africanos e particularmente em Moçambique, enfrenta
diversos desafios relacionados à escassez de recursos materiais, metodológicos e estruturais. A
experimentação científica é amplamente reconhecida como uma das abordagens mais eficazes para
facilitar a compreensão de conceitos científicos, promover o pensamento crítico e desenvolver
habilidades práticas nos alunos. No entanto, a dependência de materiais importados ou sofisticados
tem limitado a frequência e a eficácia das aulas práticas.

Nesse contexto, o uso de recursos locais emerge como uma alternativa viável, sustentável e
contextualizada para a realização de actividades experimentais no ensino das Ciências Naturais.
Esses recursos, disponíveis na comunidade ou no ambiente escolar, possibilitam uma abordagem
pedagógica mais próxima da realidade dos estudantes, ao mesmo tempo que promovem a
valorização do conhecimento local e o desenvolvimento de competências práticas.

Este estudo propõe-se a analisar a aplicabilidade das atividades experimentais com recursos locais
no ensino de Ciências Naturais na Escola Secundária Heróis Moçambicanos de Moatize, no período
de 2024 a 2025, avaliando os impactos pedagógicos, as potencialidades e os desafios observados
nas práticas desenvolvidas nesse contexto.

1.2. Problematização
Apesar das vantagens associadas à experimentação no ensino das ciências, observa-se que muitos
professores enfrentam dificuldades em implementar práticas experimentais eficazes,
principalmente devido à falta de recursos laboratoriais adequados. Como alternativa, os recursos
locais têm sido apontados como uma solução viável para superar essas limitações, mas sua
aplicabilidade prática ainda carece de estudos aprofundados em contextos específicos.

 Em que medida as actividades experimentais com recursos locais são aplicáveis e eficazes
no processo de ensino-aprendizagem das Ciências Naturais na Escola Secundária Heróis
Moçambicanos de Moatize?

5
1.3. Delimitação do Tema
Este estudo será desenvolvido espacialmente na Escola Secundária Heróis Moçambicanos,
localizada no distrito de Moatize, província de Tete, Moçambique.

Temporalmente, a pesquisa abrangerá o período de 2024 a 2025, com foco nas práticas de ensino
e aprendizagem das Ciências Naturais realizadas nesse intervalo.

Segundo Severino (2007), a delimitação clara do espaço e do tempo é essencial para garantir a
objetividade e a viabilidade do trabalho científico.

1.4. Justificativa
Este trabalho justifica-se pela necessidade de encontrar soluções contextualizadas e sustentáveis
para os desafios do ensino de Ciências Naturais em Moçambique. A escassez de laboratórios e
materiais didácticos é uma realidade em muitas escolas, e o uso de recursos locais pode representar
uma alternativa eficaz para promover a aprendizagem ativa, crítica e prática.

Além disso, a pesquisa pode contribuir para a formação de professores, oferecendo subsídios para
uma prática pedagógica inovadora e sensível às realidades locais, ao mesmo tempo que valoriza os
saberes comunitários e promove o uso racional dos recursos do ambiente.

1.5. Relevância do Tema


 Social: O estudo promove o uso de recursos acessíveis e sustentáveis, estimulando o
desenvolvimento local e a valorização dos saberes da comunidade.
 Acadêmica: Contribui para o debate sobre metodologias alternativas no ensino de ciências
e amplia o conhecimento sobre o uso de práticas experimentais em contextos com poucos
recursos.
 Pessoal: Reflete o interesse do pesquisador em melhorar a qualidade do ensino-
aprendizagem das Ciências Naturais e contribuir com soluções práticas para o contexto
educativo local.

6
1.6. Hipóteses

1.6.1. Hipótese Primária:


 As atividades experimentais com recursos locais são aplicáveis e eficazes no processo de
ensino-aprendizagem das Ciências Naturais na Escola Secundária Heróis Moçambicanos.

1.6.2. Hipóteses Secundárias:


 O uso de recursos locais aumenta a motivação e o envolvimento dos alunos nas aulas.
 A falta de formação específica dos professores limita a eficácia das práticas experimentais
com recursos locais.
 As práticas experimentais com materiais locais podem substituir, com eficiência, parte dos
recursos laboratoriais convencionais.

1.7. Objectivos do Estudo

1.7.1. Objectivo Geral


 Analisar a aplicabilidade das actividades experimentais com recursos locais no ensino de
Ciências Naturais na Escola Secundária Heróis Moçambicanos de Moatize, no período de
2024 a 2025, identificando suas potencialidades, desafios e impactos no processo de ensino-
aprendizagem.

1.7.2. Objectivos Específicos


 Identificar os tipos de recursos locais utilizados pelos professores nas aulas experimentais
de Ciências Naturais.
 Avaliar a frequência e a forma de utilização de atividades experimentais com recursos
locais nas práticas pedagógicas.
 Analisar o nível de envolvimento, motivação e desempenho dos alunos durante as
atividades experimentais com recursos locais.
 Examinar as percepções dos professores sobre as potencialidades e limitações do uso de
recursos locais em actividades experimentais.
 Propor sugestões pedagógicas para aprimorar o uso de recursos locais nas aulas de Ciências
Naturais.

7
CAPÍTULO II: FUNDAMENTAÇÃO CIENTÍFICA

2.1. Conceitos básicos


a) Ensino Experimental

O ensino experimental é uma abordagem pedagógica que privilegia o "fazer" científico por meio
da manipulação de objectos, observações, formulação de hipóteses e análise de resultados. Tem
como finalidade desenvolver o raciocínio científico, promover a aprendizagem ativa e estimular a
curiosidade dos alunos.

Segundo Hodson (1993), o ensino experimental deve ir além da simples verificação de teorias,
promovendo uma compreensão crítica da ciência e do processo de construção do conhecimento
científico.

Carvalho (2006) destaca que a experimentação permite a construção activa do conhecimento pelos
alunos, favorecendo o desenvolvimento do pensamento científico e habilidades práticas.

Para Santos e Mortimer (2002), a prática experimental no ensino de ciências ajuda os alunos a fazer
conexões entre a teoria e a prática, tornando a aprendizagem mais significativa.

b) Recursos Locais

Recursos locais referem-se a materiais, objectos e elementos disponíveis no ambiente imediato dos
alunos, como a comunidade, o entorno da escola e o meio natural, que podem ser utilizados como
instrumentos pedagógicos.

Segundo Oliveira (2009), os recursos locais são fundamentais para contextualizar o ensino e tornar
os conteúdos escolares mais próximos da realidade dos estudantes.

Para Ferreira e Azevedo (2011), o uso de materiais do meio local nas aulas de ciências estimula a
valorização do ambiente e dos saberes tradicionais.

Nzewi (2008), ao tratar da ciência em contextos africanos, destaca a importância de utilizar


materiais acessíveis e locais para promover uma educação científica mais inclusiva e adaptada à
realidade dos estudantes.

c) Práticas Pedagógicas

8
As práticas pedagógicas referem-se ao conjunto de acções e estratégias utilizadas pelos professores
para promover o ensino e a aprendizagem. Incluem métodos, técnicas, recursos, interacções e
formas de avaliação.

Tardif (2002) define práticas pedagógicas como um conjunto de saberes e experiências que
orientam o fazer docente em sala de aula, mediando a relação entre o conteúdo e o aluno.

Para Libâneo (1994), as práticas pedagógicas devem ser orientadas por intencionalidade educativa,
coerência metodológica e adequação ao contexto de ensino.

Perrenoud (2000) reforça que práticas pedagógicas reflexivas e inovadoras são essenciais para lidar
com a complexidade do ensino em realidades diversas.

d) Aplicabilidade Didáctica

Aplicabilidade didática diz respeito à viabilidade prática de uso de determinados recursos,


estratégias ou metodologias no processo de ensino, considerando factores como efetividade,
acessibilidade, adequação ao conteúdo e realidade do aluno.

Demo (1996) argumenta que a aplicabilidade didáctica envolve não apenas a utilização de recursos,
mas também a sua capacidade de promover aprendizagem significativa.

Gauthier et al. (1998) destacam que a eficácia de uma estratégia didáctica depende da sua
aplicabilidade em contextos reais de sala de aula, considerando as condições materiais, sociais e
cognitivas dos alunos.

Moreira (2011) defende que uma prática didáctica só é aplicável se promover envolvimento activo
dos alunos, articulação com a teoria e desenvolvimento de competências.

2.2. Ensino de Ciências e a Experimentação


O ensino de ciências por meio da experimentação tem sido amplamente defendido como essencial
para o desenvolvimento de habilidades cognitivas e procedimentais nos alunos.

Hodson (1993) argumenta que a experimentação permite que os alunos não apenas observem
fenômenos, mas também compreendam o processo de construção do conhecimento científico.

9
Carvalho (2006) destaca que a prática experimental deve ser parte integrante da metodologia de
ensino de ciências, pois contribui para o raciocínio lógico, a curiosidade e a autonomia dos
estudantes.

Santos e Mortimer (2002) reforçam a importância de actividades investigativas no ensino de


ciências, capazes de promover o diálogo entre o conhecimento científico e o conhecimento
cotidiano.

2.3. Recursos Locais como Alternativa Didáctica


O uso de recursos locais no ensino é uma prática que respeita o contexto sociocultural dos alunos
e valoriza os materiais disponíveis na comunidade e no ambiente natural.

Segundo Nzewi (2008), em países africanos, o uso de materiais locais não é apenas uma solução
emergencial, mas uma abordagem pedagógica que pode aumentar a relevância do conteúdo
científico para os alunos.

Oliveira (2009) destaca que os recursos do meio local tornam o ensino mais contextualizado e
motivador, além de contribuir para o desenvolvimento da consciência ambiental.

Ferreira e Azevedo (2011) defendem que a utilização de materiais locais desenvolve nos alunos o
senso de valorização do que é acessível e promove uma aprendizagem mais significativa.

2.4. Práticas Pedagógicas Activas e Contextualizadas


As práticas pedagógicas que valorizam o protagonismo do aluno e a contextualização do conteúdo
são centrais no ensino moderno de ciências.

Para Tardif (2002), práticas pedagógicas eficazes são aquelas que consideram os saberes docentes,
a realidade escolar e as necessidades dos alunos.

Libâneo (1994) defende que o ensino deve ser orientado por objectivos claros, estratégias
diversificadas e conteúdos significativos, especialmente em áreas como as ciências naturais.

Perrenoud (2000) propõe que a prática pedagógica reflexiva e contextualizada promove a


aprendizagem duradoura e o desenvolvimento de competências científicas.

10
2.5. Aplicabilidade Didáctica e Inovação
Avaliar a aplicabilidade didáctica é entender se uma estratégia pode realmente ser utilizada com
eficiência em sala de aula.

Demo (1996) defende que a inovação didáctica deve estar alinhada com a realidade da escola e que
a eficácia de uma metodologia depende da sua funcionalidade em contextos reais.

Gauthier et al. (1998) afirmam que uma prática é aplicável quando contribui para os objectivos de
aprendizagem, é compreensível pelos professores e acessível aos alunos.

Moreira (2011) ressalta que a aplicabilidade didáctica deve ser pensada a partir da realidade dos
estudantes, dos conteúdos trabalhados e dos meios disponíveis.

2.6. Observações de Aspectos Práticos e Pedagógicos em Sala de Aula


Durante a observação das aulas de Ciências Naturais que incluíram actividades experimentais com
uso de recursos locais na Escola Secundária Heróis Moçambicanos de Moatize (2024-2025), foram
identificados diversos aspectos relevantes no processo de ensino-aprendizagem. Estes aspectos
podem ser agrupados nas seguintes categorias:

a) Envolvimento dos Alunos

Os alunos demonstraram maior participação e interesse activo quando os materiais utilizados eram
familiares e acessíveis, como folhas, pedras, água, cascas de frutas, solo e utensílios domésticos.
O manuseio directo dos materiais aumentou o senso de protagonismo e a interação entre os colegas.

Para Freire (1996), a aprendizagem torna-se mais significativa quando parte da realidade do
educando e permite sua participação activa.

Hodson (1993) reforça que o envolvimento dos alunos em experimentos contextualizados estimula
a construção do conhecimento por meio da acção.

b) Motivação e Curiosidade Científica

Houve um claro aumento da motivação dos alunos durante as aulas práticas. Muitos relataram que
as experiências os ajudaram a "entender melhor" conteúdos abstratos da teoria. Além disso,
observou-se que os alunos faziam perguntas mais frequentes e demonstravam curiosidade em
entender o "porquê" dos fenômenos observados.
11
Carvalho (2006) destaca que a experimentação desperta o interesse pela ciência, pois transforma o
aluno em agente do seu próprio aprendizado.

Santos e Mortimer (2002) afirmam que atividades práticas têm potencial para tornar o conteúdo
mais atrativo e acessível.

c) Resultados Observáveis no Processo de Aprendizagem

Após as práticas, observou-se uma melhor fixação dos conteúdos e maior facilidade na realização
de avaliações relacionadas aos temas experimentados. Os alunos demonstraram maior capacidade
de explicar conceitos com suas próprias palavras e aplicar o que aprenderam em situações novas.

Vygotsky (1987) destaca que o aprendizado se fortalece quando há interação social e manipulação
de objetos do mundo real, aproximando a teoria da prática.

d) Limitações das Práticas com Recursos Locais

Apesar das vantagens, foram identificadas algumas limitações:

 Ausência de formação específica para os professores sobre como adaptar recursos locais às
práticas experimentais;
 Falta de padronização nos procedimentos, o que pode comprometer a repetibilidade dos
experimentos;
 Alguns alunos ainda consideram as aulas práticas como "momentos de brincar", o que exige
maior controle e orientação pedagógica.

Segundo Nogueira (2009), o uso de materiais alternativos exige capacitação docente para garantir
sua eficácia didática.

Ferreira e Azevedo (2011) alertam que, sem planejamento adequado, as práticas com materiais
locais podem se tornar pouco produtivas ou mal interpretadas pelos alunos.

e) Potencialidades das Práticas com Recursos Locais

Mesmo com as limitações, destacam-se várias potencialidades:

 Integração entre conhecimento científico e realidade local;

12
 Desenvolvimento de habilidades práticas, como observação, comparação, formulação de
hipóteses e conclusões;
 Estímulo ao pensamento crítico e investigativo;
 Redução da dependência de materiais importados ou de difícil acesso.

Nzewi (2008) defende que os recursos locais promovem uma ciência mais acessível e relevante
para os alunos africanos.

Demo (1996) ressalta que práticas pedagógicas inovadoras devem ser construídas com base na
realidade concreta da escola.

2.7. Análise Crítica: Desafios e Oportunidades do Uso de Recursos Locais nas Práticas
Experimentais de Biologia
O uso de recursos locais em atividades experimentais no ensino de Biologia apresenta-se como
uma solução inovadora, contextualizada e economicamente viável para escolas que enfrentam
limitações materiais. No entanto, sua aplicação não está isenta de desafios. A seguir, analisam-se
criticamente os principais desafios e oportunidades dessa abordagem no contexto da Escola
Secundária Heróis Moçambicanos de Moatize.

2.7.1. Desafios
Formação Insuficiente dos Professores

Muitos docentes não receberam formação adequada para adaptar conteúdos científicos ao uso de
recursos do meio local.

Segundo Carvalho (2006), a formação docente precisa incluir estratégias de ensino experimental
com materiais alternativos, contextualizados e acessíveis.

Ausência de Orientações Curriculares Claras

As planificações curriculares nacionais nem sempre incluem diretrizes específicas para práticas
com recursos locais, deixando os professores inseguros quanto à sua validade pedagógica.

Libâneo (1994) aponta que a falta de orientação metodológica pode limitar a criatividade e
inovação dos docentes, especialmente em contextos de recursos escassos.

Falta de Tempo e Sobrecarga Docente


13
O planejamento e a execução de atividades experimentais demandam tempo adicional para
preparação dos materiais e organização da aula, o que pode desmotivar os professores.

Tardif (2002) observa que a rotina burocrática e as exigências administrativas da profissão docente
dificultam a implementação de práticas pedagógicas mais elaboradas.

Percepção Negativa de Alguns Alunos e Gestores

Em alguns casos, o uso de materiais simples ou improvisados pode ser interpretado como uma
prática “menos científica” ou “menos séria”.

Demo (1996) alerta para o preconceito pedagógico em relação à simplicidade, que muitas vezes
desconsidera o valor da inovação com recursos acessíveis.

2.7.2. Oportunidades
Contextualização do Ensino

O uso de materiais do meio local aproxima os conteúdos científicos da realidade vivida pelos
alunos, facilitando a aprendizagem e promovendo sentido ao conhecimento.

Nzewi (2008) destaca que a ciência ensinada com base em elementos locais torna-se mais próxima,
compreensível e significativa para os estudantes africanos.

Inclusão e Equidade Educacional

Escolas com poucos recursos financeiros podem garantir o ensino experimental sem depender de
equipamentos caros, promovendo uma educação mais equitativa.

Oliveira (2009) defende que o uso de recursos locais democratiza o acesso à experimentação
científica.

Desenvolvimento da Consciência Ambiental e Sustentável

As práticas com elementos do meio ambiente promovem uma educação ecológica, despertando nos
alunos o cuidado com os recursos naturais.

Ferreira e Azevedo (2011) apontam que a integração entre ciência e meio ambiente é essencial para
a formação de cidadãos conscientes.

14
Estímulo à Criatividade Docente e Discente

A necessidade de adaptar materiais e elaborar experiências com o que está disponível estimula a
inovação pedagógica e a criatividade.

Perrenoud (2000) reforça que práticas reflexivas e inovadoras são mais eficazes no
desenvolvimento de competências.

Síntese Crítica

Embora o uso de recursos locais nas aulas práticas de Biologia enfrente limitações estruturais e
culturais, trata-se de uma estratégia promissora para o ensino de ciências em contextos como o
moçambicano. Seu sucesso depende, contudo, de políticas de formação docente contínua,
flexibilidade curricular e apoio institucional para garantir que essas práticas sejam reconhecidas
como válidas e eficazes.

15
CAPÍTULO III: METODOLOGIA

3.1. Tipo de Pesquisa quanto à Natureza


Esta pesquisa é de natureza aplicada, pois visa encontrar soluções práticas para uma problemática
educacional concreta: a utilização de recursos locais nas actividades experimentais de Ciências
Naturais.

Segundo Gil (2008), a pesquisa aplicada objectiva gerar conhecimentos para aplicação prática e
dirigidos à solução de problemas específicos.

3.2. Tipo de Pesquisa quanto à Abordagem


A abordagem será qualitativa, com apoio de alguns dados quantitativos simples (caracterizando-se
também como pesquisa qualitativa-quantitativa, ou mista).

Para Minayo (2001), a abordagem qualitativa se preocupa com o significado, o contexto e a


subjetividade dos fenômenos sociais, sendo ideal para estudos educacionais.

Creswell (2014) argumenta que abordagens mistas permitem uma compreensão mais ampla do
fenômeno estudado ao combinar dados descritivos e numéricos.

3.3. Tipo de Pesquisa quanto aos Objectivos


Trata-se de uma pesquisa exploratória e descritiva:

 Exploratória, porque visa investigar um tema pouco estudado no contexto específico da


escola em Moatize.
 Descritiva, porque busca caracterizar práticas, percepções e resultados observáveis.

De acordo com Vergara (2000), a pesquisa exploratória permite maior familiaridade com o
problema, e a descritiva objetiva descrever características de determinado fenômeno ou população.

3.4. Instrumentos de Recolha de Dados


Serão utilizados os seguintes instrumentos:

 Observação directa em sala de aula, com uso de fichas de observação estruturadas;


 Entrevistas semiestruturadas com professores de Ciências Naturais;
 Questionários aplicados a alunos, com perguntas fechadas e abertas;

16
 Análise documental (planificações, cadernos de actividades, registos escolares).

Segundo Ludke e André (1986), o uso de múltiplos instrumentos permite triangulação de dados e
maior validade aos resultados.

Triviños (1987) recomenda o uso de entrevistas semiestruturadas para captar percepções e


experiências em profundidade.

3.5. Amostra
A amostra será intencional e não probabilística, composta por:

 3 a 5 professores de Ciências Naturais atuando nos níveis de ensino relevantes (ensino


básico e secundário);
 Aproximadamente 30 a 50 alunos do ensino secundário (10ª ou 11ª classe);
 Coordenador pedagógico ou diretor pedagógico da escola.

Conforme Bogdan e Biklen (1994), a amostragem intencional é apropriada em estudos qualitativos,


pois permite escolher participantes que possam fornecer informações mais relevantes sobre o
fenômeno investigado.

3.6. Considerações Éticas


A pesquisa respeitará os princípios éticos estabelecidos para estudos com seres humanos:

 Solicitação de consentimento informado de todos os participantes;


 Garantia de anonimato e confidencialidade das informações;
 Direito de os participantes abandonarem a pesquisa a qualquer momento;
 Respeito à integridade, dignidade e à liberdade dos envolvidos.

Conforme as orientações do Código de Ética do Conselho Nacional de Saúde (Resolução


510/2016) e de Triviños (1987), é fundamental garantir a ética em todas as etapas da pesquisa
científica.

17
CAPÍTULO IV: CONCLUSÕES E SUGESTÕES

4.1. Conclusões
O presente estudo permitiu analisar de forma crítica a aplicabilidade das atividades experimentais
com recursos locais no ensino de Ciências Naturais na Escola Secundária Heróis Moçambicanos
de Moatize, durante o período de 2024 a 2025. A investigação revelou que:

 O uso de recursos locais é viável, relevante e eficaz para promover o ensino experimental
em contextos escolares com limitações materiais;
 As atividades experimentais realizadas com materiais acessíveis e familiares aumentam o
envolvimento, a motivação e a compreensão conceitual dos alunos;
 Apesar das potencialidades, a prática enfrenta desafios como a falta de formação específica
dos professores, ausência de normativas curriculares claras e resistência cultural ou
institucional quanto ao uso de materiais não convencionais;
 Há necessidade de valorizar e incentivar o uso de estratégias pedagógicas inovadoras que
promovam o ensino contextualizado, sustentável e cientificamente significativo.

Portanto, as hipóteses da pesquisa foram em grande parte confirmadas: as práticas experimentais


com recursos locais são aplicáveis e contribuem positivamente para o processo de ensino-
aprendizagem, embora seu impacto dependa de condições como formação docente e apoio
institucional.

4.2. Sugestões para Professores


 Investir em formação continuada sobre metodologias de ensino experimental com recursos
alternativos e locais;
 Mapear os recursos do entorno escolar (meio ambiente, comunidade, utensílios do
quotidiano) que podem ser usados como material didático;
 Planejar atividades experimentais com intencionalidade pedagógica, articulando os
materiais locais aos objetivos de aprendizagem previstos no currículo;
 Trabalhar a percepção dos alunos sobre o valor científico dos recursos simples, destacando
a importância do processo investigativo, e não apenas dos equipamentos utilizados;
 Documentar as experiências realizadas para criar um banco de boas práticas que possa ser
compartilhado entre docentes da mesma escola ou região.
18
4.3. Sugestões para Gestores Escolares
 Incentivar e apoiar os professores na realização de aulas práticas, oferecendo tempo, espaço
e materiais básicos complementares;
 Promover formações internas ou parcerias com universidades para capacitação dos
docentes no uso de metodologias ativas e contextualizadas;
 Valorizar iniciativas pedagógicas inovadoras por meio de reconhecimento público,
divulgação e estímulo à pesquisa na própria escola;
 Adaptar o Projeto Educativo da Escola (PEE) para incluir diretrizes sobre o uso de recursos
locais como parte das estratégias de ensino-aprendizagem;
 Estabelecer redes de colaboração entre escolas da região para troca de experiências e
construção coletiva de soluções para o ensino de ciências em contextos com poucos
recursos.

19
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Carvalho, A. M. P. (2006). Ensino de ciências por investigação: Condições para implementação
em sala de aula. São Paulo: Cengage Learning.

Creswell, J. W. (2014). Research design: Qualitative, quantitative, and mixed methods approaches
(4th ed.). Thousand Oaks, CA: SAGE.

Demo, P. (1996). Educar pela pesquisa. Campinas: Autores Associados.

Ferreira, C. A., & Azevedo, F. S. (2011). A experimentação e o uso de materiais alternativos no


ensino de ciências. Revista Brasileira de Ensino de Ciência e Tecnologia, 4(2), 23–39.

Freire, P. (1996). Pedagogia da autonomia: Saberes necessários à prática educativa. São Paulo:
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Gauthier, C., Desbiens, J. F., Pérez, S., & Bissonnette, S. (1998). Por uma teoria da pedagogia:
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Hodson, D. (1993). Reconsidering the role of lab work in science education. Studies in Science
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Libâneo, J. C. (1994). Didáctica. São Paulo: Cortez.

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Paulo: EPU.

Minayo, M. C. S. (2001). Pesquisa social: Teoria, método e criatividade (19ª ed.). Petrópolis:
Vozes.

Moreira, M. A. (2011). Teorias de aprendizagem. São Paulo: EPU.

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20
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Belo Horizonte: Autêntica.

Perrenoud, P. (2000). Dez novas competências para ensinar. Porto Alegre: Artmed.

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