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Contos Eróticos

Erótico os contos são quantos não são histórias contadas. Há quantos contos contarei contarás é
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Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Unidos num trisal

Unidos num trisal


- Ai! Que merda! Rodrigo e Pedro, seus babacas! O. Que. Foi. Que.
Fizeram. Comigo? Seus putos! – gritei ao acordar deitado sobre dois
colchões juntados para cabermos os três, dando socos em ambos,
quando constatei que estava com as duas tetas inchadas,
doloridíssimas e circundadas por hematomas violáceos enormes que
levariam ao menos uma semana para desaparecer.
- Ai, ai, caralho, Bruno! Ficou maluco? Isso dói, sabia? – protestou o
Pedro, despertando assustado sob a saraivada de socos, pois dor eu
duvidava que estivesse sentindo, uma vez que minha mão e meus
golpes não eram tão fortes a ponto de aqueles músculos todos sentirem
alguma coisa.
- Porra! Ai ai, Bruno! Isso lá é jeito de acordar alguém, caralho? –
contestou o Rodrigo, mais zangado pelo susto que levou do que pelos
meus golpes que também pouco podiam contra aquele corpão com
mais cem quilos de músculos.
- Eu devia matar vocês, seus merdas! – berrei colérico, também me
dando conta de que estava completamente nu, meio que aprisionado
entre aqueles dois trogloditas.
- O que deu em você? Parece um doido! – sentenciou o Rodrigo,
esfregando os olhos sonolentos.
- Eu vou te mostrar quem é o doido aqui, estrupício! – exclamei
enfezado, desferindo mais um soco que ele reteve antes de atingi-lo.
- Para! Para, ou vou dar um jeito em você agora mesmo! Ingrato, do
cacete! – gritou ele, a voz rouca, grave e furiosa era para me intimidar.
Não funcionou, e ele me sacudiu e lançou meu tronco com força contra
os colchões, enfiando o dedo na minha cara.
- Me solta, seu puto! Me solta, Rodrigo, estou mandando, porra! –
devolvi irado.
- Vamos te dar um corretivo se você não parar com esse chilique! –
ameaçou o Pedro, em conluio com o amigo. – Depois de toda a
trabalheira que você nos deu, devia estar dando graças a Deus por
termos te trazido para cá! – emendou. Só então percebi que estava na
república deles, e não na minha casa.

1/
Subitamente não estava mais entendendo nada. Confuso e
desorientado, eu procurei me localizar, procurei puxar pela memória,
pela festa para a qual tinha ido na noite anterior, pelas últimas horas
que se embaralhavam na minha mente com a perfeição que um
jogador de pôquer lida com o baralho. No que foi que me meti, para
estar pelado no meio daqueles dois tarados assumidos? Não me
lembrava de nada, só de ter chegado a festa e me juntado a eles na
rodinha de amigos que tínhamos em comum, o resto era um imenso
vazio. Um vazio tão grande que minha cabeça latejava como se a
bateria de uma escola de samba estivesse dentro dela. O corpo parecia
ter sido atropelado por um trem. Espera, o que é isso nas minhas
coxas? Mais hematomas, com formato de dentadas, como se alguém
tivesse cravado os dentes na minha carne.
- Que merda toda é essa, vocês podem me explicar o que fizeram
comigo? – questionei
- Nós, vírgula! Nenhum dos dois tocou um dedo em você. A não ser,
para te resgatar daquele banco afastado do jardim onde você dormia
seminu feito uma bela adormecida, e te trazer para casa. Ou você
preferia que te deixássemos lá? – questionou o Pedro, se fazendo de
ofendido.
- Você devia nos agradecer, seu ingrato! Solta a franga e depois põe a
culpa nos outros. Bem que dizem que os certinhos são os piores! –
afirmou o Rodrigo.
- Não venham inverter os papeis! Eu bem conheço vocês dois para
saber que de santos vocês não tem absolutamente nada, pelo
contrário! – revidei. Embora começasse a desconfiar que talvez
estivessem dizendo a verdade, pois a cara de preocupação para comigo
era mais evidente do que a cara de safadeza que eu bem conhecia
neles.
- Eu vou te soltar, mas se você tentar me acertar de novo, vou sentar
um muro na tua cara, estamos entendidos? – ameaçou o Rodrigo.
- Tá bem, mas me solta! Olha o que você acaba de fazer nos meus
braços! Estão com as marcas dessas patas de urso. – protestei, diante
da vermelhidão sobre a minha pele.
- Você me obrigou a isso! Machucou? – devolveu ele, sensibilizado com
mais aquelas marcas no meu corpo.
- O que vocês fizeram comigo? Espera! Estou me lembrando. Vocês
estavam tentando me dar um pileque, a caipirinha de maracujá com

2/
vodka, o negroni, aquela outra porra com gim e sabe-se lá que mistura
que parecia que eu estava engolindo fogo. Claro, foram vocês dois
mesmo, seus canalhas! Depois querem que eu acredite na inocência de
vocês. – sentenciei, à medida que flashes desconexos me vinham à
mente.
- Tudo bem, até aí assumimos a nossa culpa! Você precisa se ver,
estava solto, rindo, falando besteiras sem parar, nem parecia o pela-
saco do Bruno sempre ponderado e ajuizado. – afirmou o Rodrigo.
- Soltou a franga com tudo a que tinha direito! – exclamou o Pedro, e
ambos, rindo, tiraram uma com a minha cara.
- Vai que eu acredito! Eu jamais daria um vexame enchendo a cara.
Foram vocês! – protestei.
- Vexame é pouco! Você não parava de pedir para a gente tirar a sua
virgindade. Como era mesmo, Rodrigo? Deixa eu dar uma chupadinha
no teu cacetão, Pedro, deixa. Me descabaça, Rodrigo, eu acho a tua
pirocona a coisa mais linda, sabia? Vocês dois são uns bostas, quando a
gente está a fim de dar o cuzinho vocês fogem da raia. Meus tesões, eu
amo vocês sabiam? Vou mamar esses caralhos como vocês nunca
foram mamados, vamos para o escurinho, vamos, e eu mostro para
vocês. Era isso que você ficava repetindo, enquanto se atirava ora para
cima de um ora para cima do outro. – revelou o Pedro.
- Isso sem mencionar a mão boba querendo tirar a pica da gente de
dentro da calça. – acrescentou o Rodrigo.
- Imagina se eu ia fazer uma coisa dessas! Não sou louco e não tenho o
menor interesse nas picas de vocês. Façam bom proveito com as
putinhas que ficam enchendo a bola de vocês, querendo que se sintam
os garanhões do pedaço. – sentenciei ofendido.
- Tá! Se eu estou mentindo, o que é isso aqui? Como você explica essas
imagens? – questionou, o Pedro, pegando o celular e me mostrando
umas cenas deploráveis nas quais eu aparecia dando o maior
escândalo.
- Isso foi o que a gente gravou, teve muito mais, um showzaço! Você
está muito engraçado nessas imagens! – afirmou o Rodrigo. – Nós
tentamos segurar a sua onda, mas você estava decidido a perder a
virgindade a qualquer custo. A Daniela e a Tamires podem comprovar,
elas se prontificaram a tirar seu cabaço e vocês foram sei lá para onde.
Quando fomos embora da festa, começamos a perguntar por você, as
duas disseram que deram uma paradinha na mesa de uns carinhas que

3/
não eram da universidade, e que lá você continuou a dar um show. A
galera se divertiu e você foi bebericando nos copos dos caras na maior
cara de pau. Elas não se interessaram pelas cantadas deles e você
ficou na mesa deles ajudando a passar cantadas nas garotas, sem
nenhum critério, só zoando. Depois, disseram que não te viram mais.
Foi quando te encontramos deitado num banco longe do palco onde
tinha rolando o show, sem camisa, com a calça atulhada na altura dos
joelhos, esse bundão todo de fora cheio de mordidas e você
completamente grogue. Te trouxemos para cá porque não tínhamos a
chave da tua casa, nem queríamos acordar a sua senhoria àquela hora
da madrugada.
- Isso não pode ter acontecido! É um pesadelo! Só pode ser um
pesadelo! E meu celular, minha carteira? – aos poucos, lances nos quais
eu estava completamente alucinado, começaram a surgir aos montes,
conformando episódios que bem se encaixavam na versão que estavam
me contando.
- O celular você deixou na nossa mesa, está ali. A carteira estava vazia
perto de você no banco. O que tinha nela? – questionou o Pedro.
- Doidão para dar esse cuzinho como você estava, os caras devem ter
resolvido atender seu pedido e, por tabela, aproveitaram para te deixar
liso. – conjecturou o Rodrigo.
- Só tinha algumas cédulas, não levei mais nada na carteira, nem
cartões de banco nem outra porra qualquer. – mencionei.
- E essas quatro camisinhas! – exclamou o Rodrigo com um risinho
sarcástico na cara. – Você estava mesmo planejando ser descabaçado
em grande estilo! – emendou debochando.
- Cretino! – revidei zangado. Havia cinco camisinhas na minha carteira,
mas disso eles não precisavam saber, já me bastava o constrangimento
pelo qual estava passando.
- Isso você devia dizer para os caras que te desvirginaram! Não para
mim! – retrucou ele.
- Ninguém me desvirginou, seu idiota! Que conversa mais sem
cabimento! – revidei.
- Bem, se você diz, quem sou eu para duvidar? Teu cuzinho é que deve
saber, não é? – questionou, ainda zombando mancomunado com o
Pedro naquela troca furtiva de olhares.
De repente, sem certeza de mais nada, atentei para o meu cuzinho.
Será que tinham mesmo enfiado um cacete nele? Ele me parecia

4/
normal, não estava sentindo nada de diferente. Será que a gente sente
alguma coisa depois de ter sido descabaçado? Merda, do caralho! Eu já
não sabia de mais nada.
- Só para te alertar! Se foderam o teu cu, é bom você dar uma
conferida. Vai que o cara tinha alguma doença sexualmente
transmissível, que deixou porra contaminada lá dentro, é melhor
procurar um médico, sei lá, alguém que possa dizer alguma coisa. –
argumentou o Pedro.
- Vocês querem calar essas bocas! Eu não dei o cu, eu não fui
desvirginado, vocês não têm nada a ver com isso, bosta! – descarreguei
furioso. Se eles estivessem certos, eu podia estar numa enrascada das
grandes.
- É só um conselho, porque a gente gosta de você! Somos seus amigos,
você bem sabe! Se quiser vamos com você para um pronto-socorro, um
consultório de um médico, sei lá, qualquer lugar que você decida ir. A
gente te dá apoio. Melhor do que ter surpresas depois. – ponderou o
Rodrigo.
- Vocês meus amigos! Faz de conta que eu acredito! Foram vocês que
me meteram nessa enrascada! – afirmei. – Agora que estou fodido,
vocês viraram meus amigos. E, me faça um enorme favor, Pedro!
Coloca a chapeleta dessa pica outra vez dentro da cueca que ninguém
é obrigado a ver esse troço despudorado logo pela manhã! – emendei
desolado.
- Eu acordo assim de manhã, que é que eu posso fazer? É só não ficar
me secando! Você pode estar zangado, mas não pode nos culpar por
termos te dado um pilequinho inocente, o resto você fez por conta
própria! Vamos, se arruma e a gente te leva para examinarem esse
rabão. Essa delícia dessas nádegas estão cheias de mordidas, o cara
devia ter pirado quando viu que podia se esbaldar nelas. Se por fora
está assim, o que dizer pelo lado de dentro? – insinuou o Pedro.
- Cala essa boca suja, Pedro! Que merda! – protestei. Com todas
aquelas marcas pelo corpo e, com as suspeitas dos dois martelando na
minha cabeça dolorida e confusa, comecei a considerar a hipótese de
me submeter a um exame médico, só para ter certeza de que a
barbárie que fizeram comigo não tivesse maiores consequências.
- Está esperando o quê? A gente te leva, e você tira essas caraminholas
da cabeça. – o Rodrigo falava sério pela primeira vez, aumentando
minha preocupação.

5/
- E vocês acham que o médico vai descobrir o quê? – questionei
- Tudo ora! Examinando ele vai saber se usaram ou não esse cuzinho. –
retrucou o Pedro.
- Como? Vai ser um puta vexame. O que vou dizer, que não sei se
abusaram de mim? Vou virar a piada do dia.
- Sei lá, o médico veterinário não é você? Vocês não enfiam aquele tubo
com câmera nos bichos para ver o que acontece lá dentro? Então, o
médico deve fazer a mesma coisa com você. – respondeu o Rodrigo.
- Aquele ‘tubo’ que você diz é um vídeo-endoscópio e eu não vou deixar
ninguém enfiar nada no meu rabo, que fique bem claro! – retruquei,
mesmo sabendo que provavelmente é o que fariam.
Tudo conspirava contra mim. Já não bastasse o arrependimento de
estar ali, pela insistência daqueles dois malucos, no momento de ser
atendido, me aparece um tremendo de um homem tesudo, de rosto viril
e anguloso coberto por uma barba cerrada e bem escanhoada, onde
brilhavam dois olhos castanhos tão sedutores que chegavam a
hipnotizar. Isso sem mencionar aqueles ombros largos que faziam-no
parecer uma fortaleza. Podia haver embaraço maior do que ter o cu
examinado por um cara bonito como esse?
- Então diga lá, Bruno, o que te trouxe aqui? – a voz grave dele, com
forte sotaque ehol, pois era argentino, me fez ruborizar para piorar
ainda mais a minha situação vexatória.
- É horrível falar sobre isso! Eu não sei se ...., isto é, existe a
possibilidade de terem, como vou explicar isso? – gaguejava eu, sob
aquele olhar encantador que já estava me examinando da cabeça aos
pés, e não com interesse médico, mas com a determinação de macho.
- É o seguinte, doutor! Nosso amigo aqui não sabe se algum tarado
estacionou o caminhão na garagenzinha dele, entende onde quero
chegar? Deram um boa noite cinderela nele e fizeram a festa, como
pode comprovar dando uma olhada no estrago que fizeram nas tetinhas
dele. – despejou gracejando o Pedro, o que formou um risinho
enigmático nos lábios carnudos e vermelhos do médico.
- Será que eu posso ter um pouco de privacidade? Vão esperar lá fora,
não preciso de intérpretes. – protestei.
- Vamos ficar exatamente onde estamos! Queremos ter a certeza de
que você vai se deixar examinar sem fazer frescuras! – exclamou o
Pedro, omitindo que a verdadeira razão para permanecerem ali era
exatamente aquele tesão de macho que me olhava como se eu fosse

6/
uma cadela no cio. Diante das palavras obstinadas do Pedro, o médico
não impôs obstáculos àquela consulta coletiva. Algo lhe dizia que seria
mais prudente não contrariar aqueles dois cães de guarda.
- Dispa-se e deite-se ali, Bruno! Vou te examinar e, se for preciso,
vamos fazer uma anuscopia. Fique tranquilo, vou ser gentil e cuidadoso,
não se preocupe! – não é isso que todo homem fala quando vai
desvirginar uma garota, pensei comigo mesmo? Agora é que estou
fodido de verdade.
De bruços sobre a maca de consulta, com um ridículo avental aberto
nas costas que deixava minha bunda completamente exposta, me senti
ainda mais submisso. Após calçar um par de luvas, o Dr. Nicolás, era
esse o nome do tesudo, apartou as bandas marcadas por hematomas
da minha bunda para ter uma visão do meu cuzinho profundamente
encravado no rego estreito. Não tive coragem de olhar para trás, pois
tinha certeza de que os olhos do Pedro e Rodrigo estavam focados na
minha rosquinha anal, feito os olhos aguçados de um gavião. Cercado
por aqueles machos naquela posição vexatória, eu me sentia
completamente vulnerável.
O polegar e o indicador do Dr. Nicolás, distenderam ligeiramente a
fendinha rosada circundada por pregas também róseas como se fossem
os raios de um sol partindo de um diminuto orifício.
- Aparentemente, está tudo normal, Bruno! Não vejo sinais externos de
que tenha sido penetrado, o que geralmente produz microfissuras
sangrantes entre as pregas anais. Em todo caso, vou examinar a
mucosa interna para verificar se não há sinais de lacerações ou
abrasão. – À medida que ele falava, dentro da calça do Rodrigo, que
estava posicionado ao meu lado, formou-se uma ereção incontrolável. O
puto estava sentindo tesão comigo sendo vasculhado daquela maneira.
O médico pediu que eu me virasse e ficasse de lado, com um anuscópio
nas mãos, enfiou-o em mim, depois de lubrifica-lo com um gel. Eu soltei
um lamurio que se formou na altura das minhas cordas vocais, sem
abrir a boca, prensando os lábios com força, ao mesmo tempo em que
apertava a mão que o Rodrigo me ofereceu como apoio.
- É um pouco desconfortável, mas procure relaxar, Bruno! Vou enfiar
aos poucos, se estiver doendo me avise, mas preciso que relaxe bem,
você está muito tenso! – era ou não era como se eu estivesse tendo
meu primeiro coito? E o pior, um coito que àquelas alturas, era coletivo,
uma vez que, agora virado de frente para o Pedro, eu vislumbrava o

7/
caralhão dele crescendo indecentemente dentro da calça. Não seria de
se etar se, debaixo daquele jaleco e entre as pernas do Dr. Nicolás,
também não houvesse uma ereção em pleno desencadeamento.
O diagnóstico final, ao término daquela sessão indecorosa, foi o de que
eu não tinha sofrido nenhum estupro. Se virgem, como eu havia
afirmado, meu cuzinho continuava tão ileso como quando vim ao
mundo. Ao que me pareceu, não fui somente eu quem respirou aliviado.
As caras do Rodrigo e do Pedro estavam impagáveis, estavam em
jubilo, cheias de esperança de um dia tirarem o cabaço daquelas
preguinhas que eles agora conheciam a fundo, tornando-as mais
apetitosas e desejáveis do que provocava suas imaginações.
- Fique atento a qualquer mudança que sentir ou perceber no ânus,
especialmente algum caroço ou pólipos, pois mesmo não tendo sido
penetrado por um pênis, pode ter havido uma manipulação com algum
objeto ou o próprio dedo de quem fez essas marcas nos teus peitinhos,
contaminado pelo HPV ou outro agente patológico. Uma nova consulta
dentro de umas seis semanas seria altamente recomendável. – concluiu
o Dr. Nicolás. Nem que a vaca tussa, pensei com meus botões ao sentir
aquela mão vigorosa apertando a minha de forma gananciosa.
- Viu? Não foi nenhum bicho de sete cabeças! – exclamou o Rodrigo
enquanto dirigia para casa.
- Não foi porque não era você deitado ali feito um peru em mesa de
Natal, com todos ao redor esperando por um pedaço! – devolvi ríspido,
não querendo mais estender aquele assunto
- Cara! Na hora que ele lubrificou aquele troço parecendo uma pica e
começou a enfiar no teu cuzinho, vou confessar que meu cacete deu
uma endurecida daquelas. – confessou o Pedro, fazendo graça com o
meu calvário.
- Nem me fale! O meu chegou a sair da cueca tamanha a endurecida. –
revelou o Rodrigo
- Vocês não têm outro assunto, porra que saco! – protestei
- Se eu soubesse que seu cuzinho era tão pequeno, te juro Bruno, eu
teria cedido ontem durante a festa e te enrabado com tudo. Puta
rabinho gostoso do caralho! – afirmou o Rodrigo
- Pode crer, Rodrigo! Tremenda vacilada nossa, hein? E olha que ele não
parava de pedir para a gente tirar o cabaço dessas preguinhas! –
complementou o Pedro.
- Eu juro que nunca mais olho na cara de vocês dois! Nada disso teria

8/
acontecido se vocês não fossem os cafajestes que são. Para mim deu! –
afirmei irado.
Ao me deixarem diante do portão da casa da Dona Hermelinda, minha
senhoria, que alugava três das suítes do casarão onde morava para
estudantes para ajudar no orçamento doméstico, depois que se
divorciou do marido, desci do carro batendo a porta com violência e
decidido a nunca mais me relacionar com aqueles dois salafrários. Eles
seguiram até a casa vizinha, onde ficava a república de estudantes
onde moravam.
Apesar de cursarmos faculdades diferentes, eu medicina veterinária, o
Pedro, engenharia agrícola e o Rodrigo, agronomia, foi através de
amigos comuns que nos tornamos colegas. As festinhas promovidas
pelo Centro Acadêmico e outras que as repúblicas espalhadas pela
cidade organizavam foi o palco onde estreitamos esse relacionamento.
O Rodrigo e o Pedro haviam se entrosado mais cedo, por conta da
necessidade de encontrarem garotas com as quais pudessem dar vazão
às necessidades fisiológicas que os altos níveis de testosterona em
suas veias provocavam. Eu os conheci já nessa situação, embora já
houvesse descoberto, depois de alguns relacionamentos breves, que
garotas não eram exatamente a minha praia. Como qualquer jovem
confuso e sem experiência, eu precisei testar para ver do que eu
gostava. Não foram as xerecas a fazer a minha cabeça, mas os volumes
misteriosos que os rapazes carregavam entre as pernas, embora eu
nunca tenha experimentado nenhum. O jeitão descolado e bem-
humorado do Rodrigo e do Pedro foram o primeiro chamariz que me
levou a construir uma amizade com eles, os corpões másculos e os
cacetões que formavam uma verdadeira mala sob seus jeans foi o
complemento decisivo. Quando conheci o Rodrigo, ele inclusive estava
com um carinha bem bonitinho, do tipo mignon, rostinho angelical de
menino e um corpinho frágil repleto de curvas sob as roupas sempre
justas que costumava trajar. Confesso que cheguei a sentir ciúmes do
carinha, por ter a atenção e quem sabe lá mais o que do machão
manifesto do Rodrigo. Eu estava longe de fazer o tipo dele, pensei. Eu
sou do tamanho do Pedro e do Rodrigo, caras altos, com corpo definido,
porém sem a mesma profusão de músculos e pelos dos dois. Jamais
teria uma chance com nenhum deles, dada a preferência evidente que
tinham por carinhas não afeminados, mas de aparência delicada. Me
enganei na avaliação, quando passei a perceber que minha bunda e

9/
meu jeito um pouco tímido, exercia verdadeiro fascínio sobre os dois,
motivando-os a ficarem me provocando com piadinhas sussurradas ao
pé do ouvido, sacanagens proferidas nos momentos mais inoportunos
e, secadas que me faziam sentir nu diante daqueles olhares cobiçosos.
Após o incidente constrangedor, me afastei um pouco do Rodrigo e do
Pedro. Já estava claro que não tinham se aproveitado de mim enquanto
estava bêbado ou sob o efeito de alguma droga contida nos copos
daqueles carinhas que a Tamires e a Daniela juravam que eu tinha
assediado pedindo para me descabaçarem. Porém, também não os
absolvi totalmente da culpa de me terem dado o pontapé inicial com
aquele pileque que descambou para aquela baixaria toda. A bem da
verdade, também estava muito envergonhado por eles terem assistido
aquele maldito exame médico. Eu até já o tinha superado quando o
Pedro veio me lembrar durante um intervalo entre as aulas, que estava
na hora de voltar para a consulta de retorno.
- Vou com você! – afirmou, com uma convicção que chegava a dar
raiva.
- De jeito nenhum! Não vou passar mais uma vez por aquela
humilhação toda. – respondi.
- Sozinho com aquele médico tarado, mexendo no seu cuzinho, é que
você não fica! – continuou insolente.
- Antes um tarado do que dois ou três! – revidei.
Só consegui estar sozinho na consulta porque menti sobre a data
agendada, ou teria o Rodrigo e o Pedro como coadjuvantes do vitupério.
E foi a decisão mais acertada que pude tomar, o Dr. Nicolás me recebeu
com um sorriso sacana e, durante o exame, levou o triplo do tempo
examinando meu cu do que da primeira vez. Se os dois tivessem
presenciado essa libertinagem, certamente armariam um barraco, uma
vez que nenhum dos dois foi com a cara dele. Eu, mesmo sóbrio, não
hesitaria em sentir aquele macho pulsando inteirinho dentro de mim.
Durante as semanas das provas finais, há poucos dias da formatura, o
Pedro surgiu com uma novidade. O avô, que tinha falecido naquele ano,
havia deixado para ele em testamento, um bocado de terras no Mato
Grosso, que um dia foram uma fazenda produtiva, mas que estavam
abandonadas há séculos. Como emprego para recém-formados não
estavam dando sopa por aí, ele pensou em mim e no Rodrigo para
montar alguma coisa por aquelas bandas.
- Todos estamos de certa forma ligados ao agronegócio, podemos

10/
empreender ao invés de ficar batalhando por um trampo que vai pagar
uma miséria. – concluiu, após expor suas ideias.
- Pô, legal! Eu já andei mandando uns currículos e, nem para vendedor
de adubo e defensivos obtive resposta, fora que os salários são, como
você falou, uma merda. – disse o Rodrigo, entrando na dele.
- Eu estou fora! Ir morar nos cafundós onde Judas perdeu as frieiras não
é para mim. Sou um cara de cidade, de movimento, de shoppings, de
saídas noturnas. Ar fresco, isolamento, mato e céu estrelado são a
representação do próprio inferno para mim. Tô fora! – respondi.
- Você pretende trabalhar com o quê? Cuidar de cachorrinho de
madame? Tem grana para montar uma clínica veterinária? Existem
milhares por aí, a concorrência não está fácil! – alertou o Pedro.
- No mato vou fazer o quê? Pisar na bosta dos estábulos e vacinar
gado? – Não, muito obrigado! Vou me virar por aqui mesmo. – revidei,
nem aventando a hipótese de viver numa fazenda ou numa cidadezinha
esquecida pelo mundo.
- Bom! A resposta não precisa ser para já. Voltamos a esse assunto
após a formatura. Vamos combinar de ir conhecer o lugar, pois eu
mesmo só estive lá umas duas ou três vezes, isso quando era um
garotinho. – disse o Pedro.
- Não contem comigo! Minha resposta é definitiva! – asseverei.
Eu gostaria de ser tão determinado quanto eram as minhas palavras.
Algumas semanas após a formatura e os festejos de fim-de-ano, eu
amargava um tédio sem precedentes diante do computador, intentando
encontrar uma clínica onde aceitassem um estagiário sem prática e
pagassem um salário que cobrisse ao menos o combustível que
gastaria para ir até lá. As respostas pareciam ter sido combinadas – não
estamos precisando de estagiários – reduzimos o quadro de
funcionários, talvez numa próxima – podemos conseguir um encaixe
por meio período para banho e tosa, o salário é basicamente composto
pelas gorjetas, pois o fixo é pequeno – era o que eu ouvia quando
entrava em contato com as clínicas. Então, a contragosto, lá estava eu
rumando com aqueles dois iludidos pretenciosos para os confins do
Mato Grosso, nas cercanias de um município chamado Santo Antônio do
Leste, ainda decidido a não fazer parte do time.
- Não tem nada nessa porra! – exclamou o Rodrigo, caindo pela
primeira vez na real, ao ver o lugar desolado onde fomos parar.
- Você deve ter se enganado! Isso aqui é pura terra selvagem! Se teve

11/
uma fazenda aqui algum dia, isso foi na época do império. – exclamei,
diante daquele imenso nada que se descortinava à nossa frente.
- Eu avisei que estava tudo abandonado! – exclamou o Pedro, se
eximindo de qualquer culpa.
- Abandonado é pouco! – afirmou o Rodrigo.
- Vocês são uns frouxos! Acham que ia cair tudo dos céus nas mãos de
vocês? É preciso ser empreendedor para conseguir as coisas. – eu
invejava aquele otimismo, mas não punha fé na capacidade do Pedro
encarar aquilo.
- Para fazer o mínimo aqui você vai precisar de alguns milhões, de onde
pretende tirar essa grana? Que eu saiba, nós três somos mais duros do
que a pica de um noivo em lua-de-mel. – garantiu o Rodrigo.
- Podemos juntar o pouco que temos e depois fazer um financiamento
agrícola, as taxas são baixas e, como já temos as terras, elas serão a
nossa garantia. – na cabeça do Pedro as soluções simplistas pareciam
brotar feito o capim no qual pisávamos.
- Pouco que temos? Eu não tenho porra nenhuma, a não ser o carro que
meu pai me deu. – esclareci. A situação dos três era exatamente a
mesma.
- Vender meu carro? Deve dar uns cinquenta paus! Os três somados,
cento e cinquenta paus, isso não dá para nada! – concluiu o Rodrigo.
- Valeu a viagem, foi ótimo ter conhecido onde seu avô teve uma
fazenda, mas está na hora de cair na real e voltar para a civilização.
Bora pôr o pé na estrada! – exclamei.
- Acho que desta vez o Bruno tem razão! Valeu a intenção Pedro! –
concordou o Rodrigo.
- Então é assim! Vão me deixar na mão? Bando de viadinhos frouxos! –
exaltou-se o Pedro.
- Cara! Olhe a sua volta, já viu o tamanho da encrenca? Põe um pouco
de juízo nessa cabeça oca! – sugeri.
- Oco é teu cu! – revidou zangado, por eu estar cortando o barato dele.
Voltamos alguns quilômetros até um amontoado de casas de Santo
Antônio do Leste, onde havia uma pensão mais do que duvidosa para
abrigar os poucos incautos que se aventuravam por aquelas bandas. O
Pedro estava arrasado e eu fiquei com dó dele, ainda mais porque
aquela carinha de cachorro perdido surgiu depois do meu último
comentário. Sob duas lâmpadas fluorescentes, que roncavam e
piscavam, engolimos o que era para ser a janta preparada pelo casal

12/
dono da pensão, uma gororoba suspeitíssima. Chuveiro quente nem
sonhar, para tirar do corpo suado pelo calor insuportável a nhaca da
longa viagem de dois dias. Também seria desnecessário, a água que
vinha das caixas instaladas sob o telhado já descia quente. Ficamos até
tarde sentados sobre as pranchas que uniam as colunas de madeira da
varanda, conversando e aproveitando aquela merreca de brisa que
vinha acariciar de leve as longas samambaias penduradas no teto.
- Ainda zangado comigo? – perguntei, notando que o Pedro era o mais
calado de nós três, o que não fazia parte de sua personalidade.
- Acho que você tem razão, eu sonho demais, por isso acabo me
fodendo. – respondeu ele tristonho.
- Fui muito insensível! Sei que estava cheio de projetos, não devia ter
dito aquilo. – afirmei arrependido.
- Voltamos amanhã para casa, lamento ter trazido vocês para cá! –
disse mortificado.
- Também não é para tanto! Uma vez que encaramos toda essa viagem,
por que não damos umas voltas por aí amanhã, para ver se
encontramos uma solução. É uma região com fazendas e talvez
consigamos aqui o tal emprego que está difícil em São Paulo. –
argumentei, só para melhorar o astral do Pedro, pois não tinha a menor
intenção de ficar por ali. Funcionou. Ele logo voltou a expor seus planos
mirabolantes, mais confiante e esperançoso.
Em meio à conversa sobre nosso futuro. O Rodrigo voltou a mencionar
um assunto que eu tinha tentado enterrar, o tal retorno com o Dr.
Nicolás. Não sei que raios de memória ele tinha para se lembrar de uma
coisa dessas, tanto tempo depois, e naquele lugar sem nenhuma
conexão com aquele episódio do que eu já considerava um passado
distante.
- Estou me lembrando agora que você ficou de retornar com aquele
médico tarado e que cancelou a consulta por conta dos teus
compromissos com a faculdade. Ao menos foi o que você argumentou
quando te proibimos de voltar lá sozinho. Quando voltarmos para São
Paulo você reagenda, assim a gente te acompanha. – era algo tão fora
do assunto em andamento que até o Pedro se etou.
- É mesmo, eu até tinha me esquecido. Mas você está bem, não está?
Não apareceu nenhuma complicação, não é? – acabou questionando
- Que conversa é essa agora? Coisa mais sem sentido! – retruquei
exasperado.

13/
- Preocupação com o seu bem-estar, só isso! – exclamou o Rodrigo.
- Pois eu já resolvi tudo, faz séculos! – devolvi, mentindo
- Como assim? Você foi sem nos avisar? Com aquele fode-cu assumido?
Eu não acredito que você nos deu um chapéu! – questionou
incomodado.
- Desde quando eu preciso de babás para ir a uma consulta médica?
Pode me explicar?
- Desde que ficou espichando os olhos para cima daquele galalau, como
se nunca tivesse visto um macho antes! – sentindo-se traído, ele
começou a ficar agressivo.
- Verdade, Bruno. Você não escondeu daquele sujeito que seu cu estava
disponível caso ele quisesse e, o cara bem soube se aproveitar quando
fez aquele exame minucioso demais no teu cuzinho. – concordou o
Pedro. Fiquei puto com as insinuações deles.
- Por que haveria de esconder? Ele é um tremendo de um macho,
estava a fim de mim como eu dele. Deixei rolar, por isso não queria
ninguém empatando o meio de campo. Estamos saindo de vez em
quando desde então. – menti, pois sabia que reagiriam mal e ficariam
tão putos comigo quanto eu estava com eles.
- Viado! Você só pode estar de brincadeira! Você está saindo com
aquele velho? O cara deve ter, no mínimo, duas décadas mais que
você! Caralho, Bruno! Tu é uma bichinha muito da safada! Eu jamais
pensei que fosse uma piranha! – irritou-se o Rodrigo.
- Ele não é velho, tem 35 anos, é homem feito, e não um moleque feito
vocês, é um baita de um tesão de macho com aquela covinha no queixo
angulado, braços e peito peludos, e aquele olhar que deixa a gente de
pernas bambas. Só de pensar me arrepio todo! – provoquei, inventando
tudo aquilo.
- Caraca, Bruno! Seu viadinho infiel! Pega aqui e sente se eu sou um
moleque, pega! – retrucou ofendido o Pedro, pegando na pica.
- Viado traíra, da porra! Se é de macho com cabelo no peito que tu
gosta, então pode se esbaldar aqui! – revidou o Rodrigo, também
ofendido. – Faço teu cu sentir o moleque aqui, tá a fim? – emendou,
chacoalhando a benga dentro do short.
- Vocês são os maiores babacas que eu já conheci! Vão precisar
amadurecer muito para chegarem aos pés do Nicolás! – eu estava me
divertindo com o ciúmes doentio que aqueles mostravam sentir por
mim.

14/
Por alguma razão eu gostaria que fosse verdade. Eu gostava muito de
ambos, sem distinção ou maior preferência por um deles. Fazia tempo
que nutria uma vaga esperança de me ver envolvido com um deles,
afetiva e sexualmente. Contudo, segurava minha onda, por temer que
me rejeitassem. Tendo conhecido alguns gays, que me falaram de seus
medos, eu sabia que eram pessoas inseguras em se tratando de
relacionamentos sérios, especialmente com machos héteros, como era
o caso do Rodrigo e do Pedro. O fato de ficarem brincando conosco,
provocando com frases de duplo sentido, elogiando nosso corpo,
declarando um pretenso tesão que nunca se sabia se era verdadeiro ou
só da boca para fora, me deixava pisando em ovos. E, para não me
machucar, eu fazia de conta que não tinha interesse neles. Em meu
íntimo a coisa era bem diferente, além do tesão que sentia por eles,
também os amava, platonicamente até então, mas amava-os muito.
A noite toda rolando de um lado para o outro sobre aqueles colchões
que mais pareciam uma cama de faquir, não me deixaram conciliar o
sono e, pelo visto, o dos dois também não. O Rodrigo chegou a levantar
de tão incomodado que estava, andou pelo quarto sem roupa e ficava
acariciando a rola enquanto perambulava irritado.
- Deita aí a aquieta o facho! Quem é que consegue dormir com você
fazendo essa zorra! – protestei, atribuindo minha falta de sono àquele
corpão nu rodopiando em torno da minha cama.
- Estou sem sono, cacete! O que estou precisando agora é de uma boa
foda! Você bem que podia quebrar esse galho. Afinal, já me pediu isso
com bastante insistência uns meses atrás. – disse ele, se sentando na
beira da minha cama.
- Vaza, Rodrigo! Vaza com esse pinto indecente de perto de mim! –
reclamei.
- Aposto mil Reais que sua boca está falando o contrário do teu
cuzinho! Quebra essa, vai? – insistiu, passando nos meus lábios os
dedos lambuzados de pré-gozo que estavam acariciando a chapeleta,
me obrigando a sentir o sabor e o aroma almiscarado de seu falo.
- Pedro! Dá um jeito nesse cara! – pedi, percebendo que o Pedro
também lutava contra sono e estava prestando atenção na investida do
amigo.
- Se você for quebrar a dele vai ter que quebrar a minha também, vou
logo avisando! Um mergulho no teu cuzinho a essa hora seria tudo de
bom! – retrucou empolgado.

15/
- Imbecis! Fui muito trouxa de aceitar essa viagem! – respondi,
tentando manter a dignidade, mesmo meu cu passando por uma
vontade impublicável de conhecer aquelas vergas.
Um giro descompromissado pela cidade na manhã seguinte, foi menos
infrutífero do que imaginávamos. Perguntando aqui e acolá, pelo
comércio do agronegócio da cidade, descobrimos que havia uma
demanda por profissionais agrônomos e veterinários na região. Logo,
talvez o Rodrigo e eu conseguíssemos, de imediato, oferecer nossos
serviços pelas fazendas da região. Conversamos demoradamente sobre
o assunto naquela noite, e decidimos que tentaríamos. Ficaríamos por
mais algumas semanas e percorreríamos as fazendas tentando fazer
contatos. Não havia certeza alguma, mas voltando para São Paulo, as
chances eram as mesmas. Na segunda semana, o Rodrigo teve a
devolutiva de um fazendeiro. Não era propriamente um emprego, mas
uma consultoria temporária para a implantação de uma cultura de
algodão em alguns hectares de sua propriedade que já cultivava soja.
As respostas que tinha conseguido nas casas agrícolas não lhe deram a
segurança da qual precisava para iniciar o novo plantio, e ele
perguntou se o Rodrigo não estaria disposto a lhe oferecer uma ajuda
nesse sentido.
Sincero, o Rodrigo expôs sua falta de experiência, mas deu detalhes de
como tinha feito um estágio com um professor da faculdade num
cultivo experimental de um cultivar de algodão. O fazendeiro topou, até
porque contratar um agrônomo de fora lhe custaria muito mais.
Portanto, um de nós já tinha de onde tirar sua primeira grana.
- Por que não instala uma clínica veterinária na cidade? Os criadores de
gado bovino e caprino, em particular, se veem às voltas com a carência
de um profissional que os atenda. A vacinação costuma ser feita por um
peão treinado, mas o restante fica sem respaldo e, quando preciso, eles
precisam chamar um veterinário em Paranatinga a 90 quilômetros de
distância. – sugeriu um vendedor de uma das casas agrícolas da cidade
com o qual conversei.
Obviamente me faltava grana para tanto, mas não custava fazer a
mesma coisa que o Rodrigo, ir de fazenda em fazenda e oferecer meus
préstimos. Não era meu ideal de vida, mas dadas as circunstâncias,
podia ser um começo. Assim, fui o segundo a começar a ver algum
dinheiro entrando na minha conta com os serviços que comecei a
prestar.

16/
Foi num domingo de sol escaldante. Havíamos acordado junto com o
galo, em plena madrugada. A falta de ter o que fazer naquele fim de
mundo nos obrigava a ir dormir cedo, embora nossos papos algumas
vezes entrassem noite a dentro. Logo cedo recebi uma mensagem pelo
Whatsapp do cara da loja de insumos e fertilizantes com o qual havia
conversado quando o Rodrigo foi oferecer seus serviços. Até me recordo
do bate-boca que tive com o Rodrigo ao sairmos de lá, me acusando de
estar dando mole para o sujeito feito um viadinho de programa. Sei lá o
que deu no cara para ele ficar se engraçando para o meu lado, mal
prestando atenção na conversa do Rodrigo. Logo saquei que era do tipo
garanhãozinho de subúrbio, daqueles bem safados, loucos para se dar
bem dentro de qualquer buraquinho entre as pernas de alguém. A
aliança que reluzia em seu dedo anelar da mão esquerda não o impediu
de ficar secando minha bunda feito um cachorro diante de uma cadela
no cio. Ele me lançava olhares cobiçosos achando que eu estava caindo
no charminho brega que estava jogando para cima de mim, quando na
verdade, eu me mantinha risonho e simpático com o único objetivo do
Rodrigo cair nas graças dele e conseguir sua indicação para algum
trabalho. Até porque, o bichinho era feio de doer, mal chegando a
altura dos meus ombros e com uma barriga rechonchuda que
positivamente não fazia o meu tipo. De qualquer forma, foi bom ele não
ter me esquecido, pois me relatou que um fazendeiro da região estava
tendo problemas com uma vaca que estava tentando parir desde a
noite anterior e não estava conseguindo expulsar o bezerro, e me
perguntou se eu poderia ajudar o fazendeiro. Ele mesmo se prontificou
a me levar até a fazenda caso eu aceitasse.
- Claro! Será um prazer ajudar. Não sei se posso fazer muita coisa, pois
eu disponho de pouco material comigo para fazer procedimentos mais
complicados, mas posso ver o que é possível fazer. – afirmei, me
prontificando a espera-lo na porta de casa.
- Sozinho é que você não vai! É o tal sujeitinho para quem o Bruno ficou
se desmanchando em sorrisos, enquanto o cara tentava ver se
conseguia um encontro para foder o cu dele. – mencionou o Rodrigo ao
Pedro, quando revelei de quem se tratava.
- Deixa de ser tonto, Rodrigo! Já falei que fui simpático com o cara por
sua causa. – protestei zangado.
- Pelo sim pelo não, eu vou com vocês! Assim tenho certeza que você
não vai liberar a toba para a pica do anãozinho tarado. – afirmou o

17/
Rodrigo, me deixando ainda mais furioso.
- Panaca! Quem você pensa que eu sou, uma dessas putinhas que você
vivia comendo na época da faculdade? – questionei, com ele na minha
cola feito um cão de guarda.
Com a ajuda do capataz da fazenda e um peão, conseguimos tirar o
bezerro. Porém, durante a extração, o útero da vaca prolapsou e foi
preciso recoloca-lo cuidadosamente na posição para evitar
complicações e a morte do animal. Foram mais de cinco horas de
labuta, até eu ter confiança suficiente para deixar a vaca em
segurança. Avisei dos problemas que podiam advir, deixei prescritos
medicamentos e fiz uma série de recomendações ao fazendeiro,
inclusive que me acionasse caso surgissem problemas. Ao final, além
dos cumprimentos e agradecimentos pela ajuda, ele me perguntou se
eu não poderia dar um trato geral em todo o rebanho, pois fazia tempo
que não era examinado mais pormenorizadamente. Feito um rastilho de
pólvora, o episódio se espalhou pelas fazendas da região. Fiquei
conhecido como o molecão veterinário e, depois de alguns meses e,
tendo atendido outros fazendeiros, rodava de boca em boca de
fazendeiros, capatazes e peões a alcunha de ‘o molecão da bunda de
tanajura’, apelido que me rendia os mais descarados e impudicos
olhares quando ia fazer um atendimento.
- Vocês ao menos se arrumaram. Eu continuo a ver navios. – queixou-se
o Pedro, justamente o mais afoito e impaciente dos três.
- Logo, logo aparece um trampo para você também. Tenha calma! –
consolei-o.
- Enquanto não aparece alguma coisa, você podia ir vendo o que é
possível fazer nas terras do seu avô. – sugeriu o Rodrigo
- O mesmo que os outros fazendeiros fazem, cultivo de soja, milho e
algodão, ou a criação de gado. Acho que talvez dê para conciliar as
duas coisas, sei lá. O agrônomo aqui é você, o que me diz? – devolveu o
Pedro.
- De início, acho melhor focar numa única coisa, ou criação de gado ou
cultivo de commodities. Somos totalmente leigos no assunto, portanto,
é bom não nos perdermos em devaneios. – respondeu o Rodrigo.
O Pedro saiu atrás de financiamento, obteve informações de como se
candidatar e quais requisitos precisavam ser preenchidos. A garantia
das terras facilitou a contratação. Como o Pedro queria que fossemos
sócios na empreitada, transferiu parte das terras para o nome de cada

18/
um de nós, o que possibilitava conseguir financiamentos mais
vantajosos e seguros, caso alguma coisa não corresse como o
planejado.
- Você não pode simplesmente doar parte das terras para nós dois, nem
somos seus parentes! – afirmei categórico, quando me recusei a aceitar
sua proposta.
- Somos amigos, não vejo problema algum. Sozinho não vou conseguir
fazer nada. É por isso que eu os trouxe comigo. – respondeu ele.
- Você pode vender as terras se não quiser trabalhar nelas, é o legado
do seu avô! – insisti
- Posso estar querendo me casar com você, seriamos sócios da mesma
maneira, e eu ainda teria o direito de comer seu cuzinho todas as
noites! – revidou com um risinho debochado na cara safada.
- Pronto! Já descambou para a ignorância! Quem é que vai te levar a
sério, Pedro? Conta para mim! Você só fala besteira, quando o assunto
é sério. – devolvi inconformado.
- As duas já estão discutindo outra vez? Não admira se isso acabar em
casamento! Do jeito que vocês brigam até parecem um casal mesmo. –
intrometeu-se o Rodrigo.
- Cala a boca, Rodrigo! – exclamamos o Pedro e eu em uníssono,
fazendo o Rodrigo cair na gargalhada.
- Até para dar um esporro as duas fazem dueto! – ironizou.
Conseguimos alugar uma casinha modesta a alguns quarteirões do
centro. Isso nos permitia chegar às fazendas por aquelas estradas de
terra batida e, ao mesmo tempo, estar próximos de um mínimo de
civilização. Com uma boa ajeitada, ela ficou habitável e confortável,
suficiente para nossas novas vidas.
Quanto a questão das terras do avô do Pedro, a coisa continuava um
pouco embaçada. A papelada no cartório e o financiamento patinavam
numa lesmeira sem tamanho. Como o plantio de uma nova safra de
soja estava se iniciando, o Pedro resolveu arrendar algumas centenas
de hectares para o fazendeiro vizinho, que queria expandir o seu
plantio e já não dispunha de espaço. Foi uma decisão mais do acertada,
uma vez que isso rendeu uma boa grana ao final da colheita,
permitindo que fossem adquiridas algumas máquinas e, na safrinha de
milho que se seguiu, o Pedro pudesse bancar o plantio de alguns
hectares próprios, enquanto arrendava novamente os que tinham sido
ocupados pela soja. A felicidade do Pedro ao ver que as coisas também

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estavam tomando um rumo para ele, era o que me deixava mais feliz.
Com as coisas se engrenando, comecei a perceber que não só estava
envolvido até o pescoço naquela empreitada da qual a princípio eu não
queria participar, como me dei conta de que meu futuro talvez
estivesse mesmo naquele lugar, junto com aqueles dois que dia-a-dia,
convivendo os mesmos dilemas e preocupações, se tornaram as
pessoas mais importantes da minha vida. Não dava para negar que eu
os amava. Eu os amava como homens, mais do que amigos. Meu tesão
pelos dois crescia a cada obstáculo superado, a cada nova dificuldade
que enfrentávamos encarando com otimismo e determinação até vê-la
solucionada.
Eu cheguei tarde naquela noite, o Rodrigo e o Pedro já haviam jantado,
desistindo de esperar por mim, e começavam a se preocupar com o
meu atraso. Tinha sido uma tarde trabalhosa numa fazenda
acompanhando a desinfecção de carrapatos do rebanho leiteiro. Ao sair
do banho eu ainda sentia o cheiro de curral impregnado no corpo, algo
que eu meses atrás não admitiria nem em pensamento.
- Olha no que vocês me reduziram! Não há banho que tire esse fedor de
curral da minha pele! Eu só podia estar maluco quando concordei em
vir com vocês para esse fim de mundo. – lamentei-me, com o corpo
exaurido pelo dia estafante, e a esperança de voltar a viver numa
cidade grande cada dia mais distante.
- Para mim você está tão ou mais gostoso do que sempre! Essa pele
branquinha nem de longe cheira a estábulo, isso é imaginação sua. Só
de sentir a maciez e o perfume dela fico de pau duro. – retrucou o
Pedro, me abraçando e fungando no meu cangote, onde
audaciosamente ia colocando alguns beijos devassos.
- Segura sua onda! Estou quebrado demais para ainda ter que aguentar
você esfregando esse bagulho indecente na minha bunda. – protestei,
mas ele não me largou, e nem eu queria que o fizesse. De uns tempos
para cá, eu já havia incorporado a ideia de me entregar aos dois, de
sentir seus cacetões pulsando dentro do meu cu, de sussurrar que eram
meus machos enquanto estavam me comendo.
- Que tal deixar esse bagulho regenerar suas forças? Você não conhece
os milagres que ele é capaz de fazer numa bundinha tesuda como a
sua. – ronronou libidinoso e cheio de tesão, ao mesmo tempo em que
enfiava a mão debaixo da toalha amarrada a minha cintura e me
bolinava selvagemente as nádegas.

20/
Com aquela pica formando uma saliência gigantesca dentro do short, o
peitoral peludo nu, aquela barba feita na manhã do dia anterior lixando
a pele do meu pescoço e aqueles lábios vermelhos e úmidos pedindo
por um beijo de rendição, eu senti meu cuzinho se revolvendo em
espasmos de puro tesão.
- Ai Pedro! Isso está indo longe demais! – balbuciei, desejando que suas
mãos se apossassem de todo o meu corpo.
- Está mais do que na hora de você se entregar para mim. Eu te gosto,
Bruno! Te gosto como nunca gostei de alguém antes! – continuou
sussurrando excitado junto à minha orelha, que ele lambia e
mordiscava me fazendo estremecer da cabeça aos pés.
- Ninguém me avisa que está rolando uma sessãozinha pornô por aqui!
– exclamou o Rodrigo quando nos viu naquele agarramento lascivo.
- Acredita que ele estava reclamando que tinha a pele fedendo a
estábulo! Essa pele lisinha rescindindo a virgindade, tem tudo, menos
cheiro de estábulo. – sentenciou o Pedro para o amigo e comparsa
naquele sentimento libidinoso que ambos declaradamente sentiam por
mim.
- Está mais do que na hora de mostrarmos ao nosso machinho de pinto
pequeno e bunda tesuda o quanto ele mexe com a nossa libido e o
nosso desejo de nos apossarmos desse cuzinho. – murmurou o Rodrigo,
juntando-se a nós e também enfiando sua mão cobiçosa numa das
minhas nádegas. Meu pau começou a endurecer, e eu sentia o tesão
fluindo quente e assanhado naqueles dois corpões que me enlaçavam.
- Não tenho pinto pequeno! Ninguém com dezoito centímetros de pau
pode ser considerado como tendo pinto pequeno. É bem normal! Vocês
dois é que tem pintos de jegue. Verdadeiras aberrações, seus tarados! –
retruquei, sentindo nas minhas coxas nuas, após terem me tirado a
toalha da cintura, as duas vergas sólidas crescendo com aquele roçar
depravado. Ambos riram, orgulhosos por eu ter ressaltado o tamanho
de suas rolas.
- Podem doer e te machucar um pouco no começo, mas garanto que
você vai gostar de senti-las entaladas na tua rosquinha. – asseverou o
Rodrigo.
- Pena que perdemos a chance de deflorar essa rosquinha naquele dia
em que você ficou se vendendo durante o pileque, e aquele crápula do
médico acabou tendo esse gostinho. – sentenciou o Pedro. Até então,
eles continuavam pensando que eu o Nicolás transamos, como eu

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falsamente os fiz acreditar para provocar ciúmes neles e para fazê-los
parar de me aporrinhar com essa questão.
- Ele nunca nem chegou perto, se vocês quiserem saber! – revelei
- Como assim? Você disse que estava saindo com ele e que vocês
estavam tendo um caso. – retrucou surpreso o Pedro.
- Pois é, eu disse! Vocês não paravam de encher o meu saco!
- Então isso quer dizer que você é ...., caralho! Você é virgem, Bruno?
Virgenzinho como veio ao mundo? – o Rodrigo sorria feito um bobalhão,
tão lindo e entusiasmado que eu não resisti e tomei seu rosto nas mãos
e o beijei. Um beijo de entrega, um beijo que expressava todo o meu
afeto por ele.
- É verdade isso, Bruno? Você nunca deu o ...! Ninguém entrou aí ainda?
– gaguejava empolgado o Pedro.
- Ninguém! – exclamei, lançando um olhar cheio de tesão na direção
daqueles olhos encantadores.
Beijando sequencialmente um após o outro, o tesão começando a
fervilhar em nossos corpos, os cacetões sem espaço dentro dos shorts,
a minha bunda sendo apalpada e amassada com volúpia desenfreada
como se fosse um espaço público, iam nos levando a um caminho sem
volta. Toda a força do que eu sentia pelos dois era expressa em carícias,
afagos, beijos úmidos e tórridos que eu compartilhava com ambos, sem
uma preferência por um ou por outro. Ambos eram meus, ambos eram
amados com a mesma intensidade, a ambos eu queria chamar de ‘meu
macho’. De onde vinha essa luxúria, esse sacrilégio, essa devassidão
carnal eu não saberia explicar. Talvez ela fosse sendo construída aos
poucos, nos meandros daquele coleguismo dos tempos de faculdade
que foi se transformando numa amizade sem precedentes e agora, se
escrachava como um amor inusitado, diferente, exótico. Porém, sincero
e verdadeiro, cobrando a chance de ser vivido em sua plenitude.
Eu segurava uma rola em cada mão, agachado na altura daquelas
virilhas pentelhudas e másculas, colocando a do Rodrigo na boca,
lambendo-a, sentindo o aroma viril que exalava, palpando o latejar
impulsivo que a enrijecia e a fazia verter o sumo translúcido da
excitação. O Rodrigo grunhia em êxtase, impaciente, desejoso de
aquela boca aveludada o presentear com o prazer da sucção carinhosa
que o levava a prender minha cabeça entre as mãos e socar sua jeba
na minha garganta. Quando ele me soltou permitindo que eu retomasse
a respiração, eu me voltei para o Pedro, cujo cacete chegava a vibrar

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como as cordas de um violão de tão duro. Seu olhar suplicava pela
minha boca, desejando o mesmo carinho que eu acabara de fazer no
Rodrigo. Comecei a passar a língua molhada lenta e vagarosamente
sobre os pelos abaixo do umbigo dele. Um sonoro e erótico urro
emergiu rouco de sua garganta. Propositalmente, mantinha meus lábios
a curta distância da pica, só permitindo que minha bochecha resvalasse
nela de vez em quando. Exatamente nesses breves instantes, o Pedro
grunhia mais alto e mais concupiscente, expressando todo o tesão que
aquilo lhe provocava. Ergui meu olhar na direção dele, sabendo que o
estava torturando com aquela proximidade devassa, que me permitia
sentir o cheiro almiscarado de sua rola. Ainda o encarando, dirigi
minhas lambidas até a glande estufada e úmida, ele soltou um lascivo –
CACETA, BRUNO! QUER ACABAR COMIGO? – Os dois sacões peludos
balançavam bem diante dos meus olhos, me deixando maluco de tanto
tesão. As pontas dos meus dedos os massageavam também em turnos,
sentindo os bagos pesados e carregados deslizando dentro deles.
- Chupa as minhas bolas, meu tesudinho, chupa! – ronronou o Pedro,
quando eu abocanhava seu saco peludo e o acariciava com a língua
afogueada. – Caralho, Bruno! Que tesão da porra!
Ambos tinham um sacão digno de touros, o do Pedro ligeiramente mais
volumoso e pendendo mais longo, o do Rodrigo bem globoso, pesado,
com testículos maiores e mais consistentes. Enquanto os chupava, eu
só conseguia pensar na porra que eram capazes de produzir, no sabor
que essa porra havia de ter, no desejo de senti-las umedecendo minhas
entranhas após o coito, no valor inestimável que elas tinham para mim,
por terem sido ejaculadas pelos dois homens que eu mais amava nesse
mundo. Uma dádiva do amor que eu sabia eles sentirem por mim.
Eles perderam aquele freio moral que até então os mantinha
comportados dentro dos limites de uma amizade, e passaram a
vasculhar meu rego apertado sem o menor pudor, acariciando
lascivamente os glúteos musculosos e rijos, apartando-os para que
suas mãos alcançassem meu cuzinho.
- Sente só esse tesão de cuzinho, Rodrigo! Puta merda que rabão
gostoso! Dá para sentir o olhinho úmido piscando. Caralho, que tesão
da porra! – alardeava o Pedro, movendo seu dedo depravado sobre
minha rosquinha anal. Eu gemia feito uma vadia de tão excitado com
aquele olhar cobiçoso fixo em mim.
- Caralho, Pedro! Fomos uns otários de não ter pego o Bruno antes,

23/
naquele dia em que ele estava louco para dar o rabo. – devolveu o
Rodrigo, antes de partir com sua mão devassa para cima das minhas
pregas anais. – E esse cuzinho piscando alucinadamente, o que é
Bruno? Tudo isso é vontade de dar o cu, é? É vontade de sentir as
nossas rolas, é? – me perguntava o sacripantas, sabendo as respostas,
mas querendo que eu as verbalizasse para tornar tudo mais promíscuo.
- Não estou aguentando mais! Vocês são dois carrascos, sabiam? Me
comam, me fodam, mas não me torturem mais! – supliquei, sentindo
contrações e espasmos involuntários por todo o corpo.
- Qual dos dois você quer que te descabace, sua virgenzinha safada? –
questionou o Pedro.
- Não sei! Sou louco por vocês dois! Amo os dois! Quero os dois! – gemi
em meio aos sussurros.
- Quem diria que o certinho tímido um dia pronunciaria essas palavras,
hein, Pedro!
- E sem estar de pileque! – emendou o Pedro. – E aí, como vai ser? Na
melhor de três no par ou ímpar, que tal? O vencedor manda o cacete
para dentro desse cuzinho primeiro! – eu não conseguia acreditar
naquilo, dois machos tirando no par ou ímpar a chance de me enrabar e
eu completamente de acordo com aquela insanidade. Nem eu mesmo
me reconhecia.
O Rodrigo ganhou. Ao se ver vencedor, me lançou um sorriso que
jamais vou esquecer. Além do tesão que carregava, o sorriso era doce e
amoroso, tão intenso que sem o perceber, ele balbuciou meu nome.
Como eu estava parcialmente deitado sobre a cama, um de cada lado
ajoelhado próximo à minha cabeça; pois quando a coisa entre nós
começou a pegar fogo com as minhas mamadas generosas nas rolas
eles haviam me trazido para o quarto já prevendo que a suruba ia rolar
solta, eu abri minhas pernas assim que o Rodrigo partiu para cima de
mim. Segurando minhas pernas no ar, ele enfiou o indicador no meu
cuzinho. Eu gemi e me contorci. O dedo entrava e saia, devasso,
safado, abusivo me fazendo pedir mais e mais através dos gemidos que
mais se pareciam com os longos miados de uma gata propalando o cio.
Quando ele começou a me lamber a rosquinha eu cheguei a soltar um
gritinho. Era tanto tesão no cu que eu mal podia acreditar que naquele
lugar alguém pudesse sentir tanto prazer. Enquanto isso, o Pedro
pincelava a pica babona na minha cara, me fazendo inalar seu cheiro
de macho. Depois de um tempo me lambendo as pregas, o Rodrigo

24/
colocou minhas pernas sobre seus ombros, se posicionou com a pica
em riste na mão na portinha do meu cu e, fixou seu olhar no meu, como
que pedindo minha autorização e minha cumplicidade para o que
estava prestes a perpetrar.
- Ai Rodrigo! – ronronei, abrindo um sorriso permissivo.
Ele já contava que não seria na primeira tentativa que conseguiria
enfiar aquela cabeçorra naquela fendinha estreita, mesmo sua pica
vertendo todo aquele pré-gozo para lubrifica-la. A iminência de ser
arrombado me fez soltar outro gritinho apreensivo e temeroso. A
segunda tentativa foi mais enérgica, chegou a distender bastante a
rosquinha, mas escapou quando eu involuntariamente travei o cu. O
Rodrigo e o Pedro se entreolharam, o que me fez sentir um calafrio
percorrendo a espinha. Qual o significado dessa troca conivente de
olhares? Eu me voltei para o Pedro e o encarei, tentando encontrar uma
resposta. Porém, imediatamente me voltei para o Rodrigo e gritei, pois
ele se aproveitou da minha distração e meteu o caralhão no meu
cuzinho com um impulso brusco. Por uns instantes mal consegui
respirar. Meu cuzinho doía tanto que, não fosse o Rodrigo estar me
encarando com aqueles olhos expressivos cheios de desejo e tesão, eu
quase cheguei a pedir para ele tirar aquela pica do meu cu.
- Ai, ai, espera! Não me machuca, Rodrigo, por favor! – implorei,
espalmando minhas mãos sobre suas coxas peludas e as empurrando
para longe do meu rabo exposto.
- Não vou te machucar, Bruno! Não precisa ter medo, vou ser bem
gentil e cuidadoso, prometo! – a voz dele tão mansa e arfando para
controlar o tesão me fez ceder, relaxar a travada de esfíncteres e
deixar que o novo impulso dele fizesse o caralhão deslizar mais
profundamente em mim.
- Cazzo, Bruno! Puta rabinho apertado do caralho! – grunhiu ele,
sorrindo e sentindo o prazer se espalhando por todo seu corpo. –
Prometi não te machucar, mas estou vendo que vai ser impossível
cumprir minha palavra. – emendou, enfiando mais outro tanto daquela
jeba imensa em mim.
- Como assim? Por quê? Você prometeu! – devolvi apavorado,
imaginando que aquela dor que dilacerava minhas entranhas podia
chegar a um extremo no qual eu não a suportaria.
- Sssshhh! Não precisa ficar assim, calma. É que eu não imaginei que
você fosse tão estreito. – sentenciou ele, o que só serviu para deixar o

25/
Pedro quase louco de tanto tesão. – Caralho, cara! O Bruno é apertado
para cacete, meu! – acrescentou, voltando-se para o amigo ao notar o
efeito de suas palavras na devassidão com a qual este socava a pica na
minha garganta.
Eu gemi em agonia por uns quinze minutos antes de perceber que
aquela dor pungente estava sendo substituída pelo mais intenso prazer
que eu já havia sentido. Aquele homem gostoso, viril, cujo cheiro de sua
pele era suficiente para me levar aos mais sublimes sonhos e
pensamentos, se movia e pulsava entalado no meu cu. Se eu já gostava
dele antes, agora me sentia apaixonado por ele e por tudo o que ele
representava na minha vida. O vaivém da caceta esfolando minhas
pregas tinha me anestesiado, eu só conseguia sentir a plenitude
daquele macho latejando em mim, se apossando do que eu tinha de
mais íntimo. Eu me entregava a ele de corpo e alma sem o menor
receio de ser feliz. O sumo aquoso do Pedro só aumentava e, ao se
misturar com a minha saliva, enchia minha boca temperando meu afeto
por ele. Não havia uma só parte do meu corpo que não estivesse
tomada pelo prazer. Cada um dos meus sentidos estava aguçado e, o
menor toque na minha pele provocava uma descarga de adrenalina
incontrolável. Tudo era tão intenso que ao pressentir as minhas
energias se concentrando na virilha, sabia que o gozo estava a
caminho, e que eu precisava liberá-lo ou acabaria sucumbindo. Levei
minhas mãos até o pau que sacolejava a cada estocada vigorosa que o
Rodrigo me dava e, ao tocá-lo, comecei a ejacular. Aquela sensação
libertadora quase me fez chorar, eu nunca senti tamanha felicidade
concentrada num único momento.
- Isso goza, Bruninho, goza para os teus machos, goza! Você é um
tesudo moleque! Vai ser nossa femeazinha de hoje em diante! – rosnou
o Pedro que, ao me ver gozar e o Rodrigo a me foder naquela
devassidão, ejaculou sua porra na minha boca.
Parte do primeiro jato atingiu meu rosto, antes do Pedro redirecionar a
pica e ejacular os outros diretamente na minha boca. Eu os engolia na
sofreguidão em que eram ejaculados, não desperdiçando nenhuma
gota daquele creme morno e pegajoso. O Pedro grunhia e urrava com o
olhar fixo na desenvoltura da minha boca mamando seu esperma.
- Porra Bruno! Você está tomando minha porra! Desse jeito você me
mata antes de eu comer teu cuzinho, caralho! – gemeu ele em êxtase.
O Rodrigo, com aquilo tudo, havia acelerado tanto o ritmo do vaivém

26/
que eu pensei que fosse arrancar meu cu para fora. As estocadas
machucavam e doíam, socavam minha próstata contra o púbis e me
faziam ganir tresloucado.
- Vou te encher de porra, viadinho! – rosnou ele, soltando o ar entre os
dentes, enquanto gotas de seu suor pingavam sobre mim.
Minutos depois, ele cumpriu sua promessa, gozando no meu cuzinho e
encharcando-o com seu néctar másculo e viscoso. Eu ergui meus
braços na direção dele e ele se inclinou sobre mim. Envolvi-o
carinhosamente, balbuciei seu nome em seu ouvido e comecei a cobri-
lo de beijos. Ele me apertava contra o peito e me retribuía os beijos
consumando a posse. Ele me compartilharia com o Pedro, mas aquele
coito fez de mim parte dele, sentia-se meu dono, nada nem ninguém
mudaria isso. Estava imutavelmente escrito em nossos destinos.
- Eu te amo! – murmurei, afagando sua nuca na altura da implantação
dos cabelos enquanto o caralhão dele amolecia sem pressa envolto na
minha mucosa anal morna e úmida.
Eu não saberia dizer se os dois me amavam com a mesma intensidade
que eu os amava. Talvez aquele primeiro sexo entre nós, para eles, não
significasse mais do que uma simples transa para se divertirem com o
meu rabo cobiçado. No entanto, para mim era aquele grito, aquele
sentimento profundo que eu guardava há anos no peito, e que não
conseguia mais segurar. Eles precisavam saber que eu os amava,
mesmo que não estivessem dispostos a retribuir esse sentimento,
mesmo que me vissem apenas como um viado querendo macho.
Eu podia estar enganado. A atitude que o Pedro tomou em seguida me
levou a pensar assim. Ao tirar a pica do meu cuzinho, o Rodrigo
assumiu que tinha me machucado sem querer. Apesar de eu ter me
virado de bruços, ele manteve minhas pernas apartadas deixando a
rosquinha dilacerada exposta. À medida que ela se fechava, um pouco
de sua porra aflorou entre as pregas que sangravam.
- Me mete! – pedi, direcionando meu olhar terno para o Pedro, pois
sabia que ele queria me foder, mas hesitava diante do estrago deixado
no meu cu pelo Rodrigo.
- Não me pede uma coisa dessas com esse olhar, Bruno! Vou te
machucar ainda mais e você não merece isso. – devolveu ele, não
conseguindo esconder a excitação que meu cuzinho lanhado lhe
provocava.
- Mesmo que me machuque, quero te sentir dentro de mim. Não me

27/
negue esse pedido, Pedro! – retruquei.
- Ah, Bruno, seu tesudinho! Eu só queria saber o que foi que deu em
você hoje para se entregar todo para nós. – questionou ele.
- Quero que saibam que eu os amo, os amo muito! Aos dois! – respondi.
O Pedro havia chegado ao limite de seu autocontrole.
Eu só me virei um pouco para ver ele vindo com aquele caralhão
novamente duro e balançando sensualmente junto com o sacão para
cima da minha bunda, que eu mantinha empinada e franqueava à sua
sanha. Meu grito, por mais que tentei me conter, ecoou sonoro pelo
quarto quando a pica trespassou meus esfíncteres, dilacerando-os mais
uma vez.
- Pega leve, Pedro, pelo amor de Deus, pega leve! – gani desesperado,
ao sentir minha carne se rasgando.
- Teimosinho do caralho! Eu não te avisei que ia te machucar? Você
tinha razão, Rodrigo, a fendinha dele é tão estreita que não tem como
meter nela sem arregaçar esse cuzinho.
- Isso porque eu acabei de a lacear! Imagina quando enfiei meu pau no
cuzinho virgem! Por mais que se queira, não tem como não arrebentar
umas pregas. – sentenciou o Rodrigo.
- Vocês precisam ser tão explícitos! Estou me sentindo uma aberração.
– declarei entre gemidos.
- Você só é deliciosamente apertadinho, Bruno! Jamais uma aberração!
– afirmou o Pedro, que continuava enfiando sua verga colossal
zelosamente para as profundezas do meu rabo.
Entalado no meu cu até o talo, o sacão batendo no meu rego a cada
estocada, como se estivesse marcando a cadência do coito, o Pedro me
devorava agarrando-se ao meu tronco, chupando e mordiscando meu
cangote, apertando os biquinhos enrijecidos das minhas tetas entre os
dedos até me ouvir ganir. Eu parecia levitar na onda de prazer que
tomava meu corpo, sentindo aquele macho se perdendo no tesão que
eu instigava nele. Essa é a minha natureza, concluí imerso na mais pura
felicidade. Me entregar a um macho já não era só mais uma fantasia,
um devaneio que habitava meus sonhos. Aquela mescla de dor e prazer
que estava sentindo havia trazido esse sonho para a realidade. Mais
uma vez o reboliço que fazia meu corpo todo tremer, meus hormônios
se espalharem pelas veias, estava me conduzindo ao gozo. Somava-se
a isso o roçar do meu pinto contra o lençol até ele recomeçar a ejacular.
- Ai, Pedro! – gemi, expressando meu prazer.

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- Está gozando outra vez, tesudinho, está? É por que teu macho está te
deixando maluco, não é? – grunhiu ele na minha orelha.
- Amo você, Pedro! – respondi sincero. Ele me apertou com mais força,
me estocou com mais determinação, e gozou no meu cu, profusa e
deliberadamente.
- Cazzo, como é bom esporrar nesse cuzinho! – rosnou ele, dando a
saber ao comparsa daquele vilipendio, que me fazia chupar sua rola,
que eu o havia levado mais uma vez ao clímax.
Continuei mamando e sugando o cacete do Rodrigo, acariciava
delicadamente seus testículos, até sentir que o sacão começava a se
enrugar, que sua pelve se retesava, que sua virilha era tomada de
contrações e, que ele começava a encher minha boca com seu sêmen
saboroso. Nós três nos entreolhávamos em êxtase, sem ainda
compreender plenamente o que tinha acontecido, o que nos levou
àquela libertinagem compartilhada. Os sorrisos estampados em nossos
semblantes eram a única certeza de que havíamos tido um momento
mágico e único, que estávamos ligados um ao outro como jamais
estivemos antes, e que essa união precisava ser mantida e alimentada,
pois nossa felicidade individual dependia disso.
No campo profissional as coisas também foram se ajeitando. O Rodrigo
estava tão envolvido em seu trabalho dando assistência às fazendas da
região e prestando consultoria para a cooperativa local que muitas
vezes chegava em casa nos finais de tarde ou início de noite tão
cansado que tinha até preguiça para se alimentar. Eu costumava ir até
ele nessas ocasiões, assim que ele saia do banho, e o pegava para uma
sessão de massagem. Enquanto minhas mãos deslizavam e apalpavam
os músculos tensos de seus ombros e costas, não raro ele acabava
caindo no sono, não sem antes bocejar um – te adoro, você é meu
tesão e meu amor – quando apagava de vez sem sentir o beijo
carinhoso que eu colocava em seus ombros. O fato de o Pedro ter
demorado a encontrar um trabalho, enquanto nós estávamos cheios de
atividades, deixou-o ranzinza por alguns meses. Sem paciência e
inconformado de ainda não estar ocupado com alguma coisa produtiva,
ele se magoava ou se zangava por qualquer bobagem. Quando
finalmente surgiu um trabalho, a implantação de um grande projeto de
irrigação na maior fazenda da região, ele se transformou
completamente. Já acordava assobiando, fazia graça de tudo, virou um
piadista que nos fazia rir muitas vezes não das piadas, mas da maneira

29/
e dos trejeitos que fazia ao conta-las. A papelada para regularizar as
terras entre nós três também fora concluída e o primeiro empréstimo
para a implantação dos primeiros hectares próprios de soja foi liberado
pelo banco. À medida que os brotos verdejantes emergiam do solo, ele
se enchia de esperanças enquanto sua mente fervilhava com novos
projetos. O Pedro também era o que mais demandava minha atenção.
Nos momentos de folga, em casa, minhas mãos precisavam sempre
estar em contato com o corpo dele. Era um afago manhoso que ele
vinha exigir ao deitar a cabeça no meu colo, era o caminhar dos meus
dedos indicador e médio sobre os pelos que forravam seu peitoral
musculoso, era a mão que ele colocava sobre a minha e a levava para
dentro da sua virilha, onde a abandonava para que eu continuasse
sozinho a acariciar seus testículos e seu membro que logo crescia entre
meus dedos lambuzando-os com o sumo de sua excitação, tudo para
que ele sentisse que meu amor por ele era tão intenso quanto do dele
por mim. Minha fama pela região também cresceu, a ponto de eu
precisar me instalar numa das casas da cidade e montar uma clínica
onde pudesse atender a clientela que precisava de cuidados para seus
pequenos animais. Os de grande porte eu continuava a atender nas
próprias fazendas, levando comigo um arsenal montado numa picape e
um auxiliar que precisei contratar para dar conta da demanda.
Os primeiros cinco anos foram os mais difíceis, tanto no campo
profissional, até que tudo se consolidasse, quanto no amoroso, até
aquele arranjo entre nós três poder ser chamado de um trisal em
harmonia. Fora os episódios isolados de ciúmes que os dois sentiam em
relação a qualquer outro macho que se aproximasse de mim, o que não
era tão raro quanto eu imaginava para aquele lugar perdido no nada,
eles resolveram me disputar com a intenção de descobrir a qual dos
dois eu amava mais. Com os estranhos atrevidos e enrustidos eu lidava
sem grandes dificuldades, mesmo havendo alguns caras casados
botando as manguinhas, e outras coisas bem mais impudicas, de fora
só para conseguir minha atenção. De tão afastada de qualquer
diversão, a cidadezinha não dispunha nem de um bordel. As putas que
havia estavam disfarçadas no seio daquelas famílias que pareciam
estar acima de qualquer suspeita. Com a minha chegada, abriu-se uma
nova perspectiva, um gay discreto com cara e jeito de homem que, no
entanto, tinha um corpo e um rosto sedutores, capazes de virar as
cabeças daqueles machos carentes de diversão e sexo arrojado, uma

30/
vez que em seus lares rolava o monótono papai-mamãe com finalidade
reprodutora. O conservadorismo tanto religioso quanto moral daquela
gente dava poucas oportunidades para aqueles homens
experimentarem todas as nuances do sexo, e minha bunda carnuda
aliada aquele sorriso franco e sempre generoso, poluía as mentes deles
de pensamentos libidinosos. Uma fonte inesgotável de ciúmes
infundados para o Rodrigo e para o Pedro, que vivam me aporrinhando
por eu ter dado um sorriso gentil demais para fulano, palavras meigas
demais para cicrano, olhado demais para beltrano e por aí vai. Mesmo
entre os dois, rolava um ciúme inconfesso. Uma hora era porque eu
tinha dado dois beijos num e só um no outro, depois era porque eu
tinha ficado mais tempo com o pau de um entalado no meu cuzinho do
que do outro, em seguida era porque eu dava mais atenção ao que um
dizia em detrimento do outro, tudo tão meticulosamente observado só
para descobrir se eu demonstrava uma preferência entre eles, o que
nunca conseguiram concluir, pois eu cuidava e cultivava o amor de
ambos com a mesma intensidade. Para chamar a minha atenção, o
Pedro teve uma fase difícil de lidar. Tudo o que eu fazia era motivo para
ele me jogar na cara que eu amava mais o Rodrigo do que a ele.
Acabávamos discutindo por bobagens e ele ficava semanas de cara
amarrada, até eu precisar me valer de muita sutileza, paciência e
sedução às custas de coitos muitas vezes abrutalhados para que tudo
voltasse ao normal. Quando o céu estava para brigadeiro com um, não
demorava para o outro começar a dar problema. O Rodrigo era
extremamente possessivo, não escondia nem disfarçava esse seu
defeito de personalidade. Se o Pedro tinha me enrabado, ele precisava
e exigia o seu direito de fazer o mesmo logo na sequência. Eu sentia
que meu cu era um território a ser disputado, se um tinha esporrado
nele demarcando-o, o outro se via no direito de fazer o mesmo.
Resultado, havia dias em que eu seguia para o trabalho cambaleando,
sem conseguir me sentar, mal conseguindo dar uns passos de tão
arregaçado e machucado que aqueles dois caralhões deixavam meu
cuzinho.
O tempo é realmente o aliado para as questões difíceis da vida. Os anos
passavam e aquelas terras abandonadas pelo avô do Pedro tinham
novamente a cara de uma fazenda produtiva. Até uma bela casa
havíamos construído numa colina de onde se avistava a planície até
perder de vista e, onde o sol se punha, por volta das 20:00 horas no

31/
verão, na forma de uma bola amarelo-alaranjada que mergulhava no
horizonte, enquanto bandos de araras, papagaios, garças e tuiuiús
cruzavam os céus rumo aos abrigos onde passavam a noite. A minha
relação com o Pedro e o Rodrigo individualmente tinha a forma de um
casamento, éramos um casal. Quando eu me referia a eles como meu
marido, eles se enchiam de felicidade, enfunavam aqueles peitorais
feito pavões exibindo sua condição de macho dominante. Entre eles o
relacionamento já tinha outra conformação, era um amor mais do que
fraternal, era um amor forte, sem envolvimento sexual, era um amor
tão intenso e verdadeiro que chegava a aceitar que o outro me
possuísse da maneira mais carnal e devassa, sem que isso abalasse a
relação deles. Ambos haviam chegado à conclusão que o amor que eu
sentia por eles não tinha diferença, era verdadeiro e tinha a mesma
intensidade e desvelo. Ambos se sentiam não só meus machos, como
meus maridos. Só alguém de fora não contava com aquela
condescendência, com aquele privilégio de me abordar, de me seduzir
e me foder conforme ditavam as necessidades daqueles seus corpões
insaciáveis. Nunca foi alguma coisa que tivéssemos planejado
conscientemente, foi acontecendo com o tempo, com aquela superação
de problemas sempre enfrentados juntos, com aquele amor que
permeava tudo e que se consolidou sem que percebêssemos. Só nos
demos conta dele e da proporção que tinha, quando já nos amávamos
perdidamente. Era um arranjo fora dos padrões, era. Era uma união
incompreendida pela sociedade, era. Era o que nos trazia felicidade e
nos realizava enquanto pessoas, era. E, isso foi o que nos levou a vive-
lo sem contestações, sem reservas. O mundo à nossa volta tinha pouca
ou nenhuma importância naquilo que sentíamos. Prestamos contas
apenas às nossas famílias que, curiosas com o fato de nós três
vivermos sob o mesmo teto e compartilharmos tanta coisa em comum
sem nunca surgir uma mulher naquele relacionamento, se mostravam
inconformadas. As reações foram as mais variadas, de uma objeção de
alguns, à total perplexidade dos outros, até que começaram a aceitar
que o inevitável já estava mais do que sacramentado e nos fazia felizes
daquele jeito.
Durante esses primeiros anos, houve apenas um episódio que colocou
nosso relacionamento como um trisal em xeque. Precisamos contratar
um capataz para ajudar na lida com os peões e com as primeiras
centenas de cabeças de gado que perambulavam pelos pastos, pois já

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não estávamos mais dando conta de tudo sozinhos. A indicação foi
dada ao Pedro por um associado da cooperativa, tratava-se de um cara
na faixa dos trinta anos, com a esposa grávida e uma filhinha de dois
anos, que contava com uma boa experiência adquirida desde a infância
vivendo em fazendas de criação de gado. Acabei sendo eu a ter mais
contato com ele no dia-a-dia da lida com o gado, pois além das
vacinações, vermifugações e do manejo das vacas parturientes, era o
que tinha ficado incumbido de cuidar dessa parte do negócio. Para ser
sincero, eu estranhei desde o princípio a maneira como ele me olhava.
Sempre achei que aquela amizade que ele tinha com o sujeito da casa
agropecuária, que me indicou para o meu primeiro atendimento ao
chegarmos à região, tinha algo a ver com aquele olhar de cobiça que
ele me lançava sem o menor pudor. Não tínhamos revelado a ninguém
por aquelas paragens que o Pedro, o Rodrigo e eu tínhamos um
envolvimento amoroso e sexual, não era da conta de ninguém o que
rolava entre as quatro paredes da nossa casa, mas era óbvio que
algumas pessoas já tinham sacado que havia algo por trás daquela
sociedade e amizade suspeitíssimas. O capataz se chamava Abílio, era,
sem dúvida, um macho para ninguém botar defeito. Um pouco bronco,
um pouco desleixado com a aparência, mas um tesão de macho
musculoso, enérgico, intrépido feito um garanhão, onde sobrava
testosterona. Eu não tive como não reparar nisso tudo, mas não me
senti atraído por seus predicados, não só porque tinha dois machos tão
ou mais interessantes fazendo amor comigo, como por respeito à sua
mulher e à sua filhinha, uma família consolidada que não merecia um
deslize por parte dele. À medida que a barriga da mulher crescia, ele ia
se mostrando mais e mais interessado nas curvas da minha bunda, no
meu tronco liso e bem contornado, que muitas vezes eu precisava
deixar nu devido ao calor insuportável que fazia, na maneira carinhosa
como eu tratava aqueles garrotes apesar de seu tamanho e força.
Houve ocasiões em que fazíamos a marcação dos garrotes, instalando
brincos de rastreamento nas orelhas, nas quais a minha simples
presença ao lado dele e dos peões o deixava de pau duro. Com um
sorriso insinuante, ele fazia questão que eu visse sua ereção, o que me
deixava incomodado e sem saber exatamente como agir, uma vez que
fingir não estar vendo aquela coisa monstruosa em seu jeans seria de
uma hipocrisia falsa e, mencioná-la, de um interesse que eu realmente
não tinha. O Rodrigo e o Pedro tinham estado o dia todo fora. O Abílio e

33/
eu tínhamos vermifugado um lote de bezerros e eu estava exausto,
precisando me refrescar daquela tarde quente. Havia um lugar
descampado entre a mata que percorria a várzea do rio que cortava a
propriedade. O sol batia o dia todo na areia grossa e amarelada que
formava uma praia numa das margens do rio, exatamente onde ele
fazia uma curva após o fim das corredeiras e voltava a ter suas águas
descendo mansas. Era o lugar ideal para alguns mergulhos em suas
águas frescas e, o Rodrigo, o Pedro e eu costumávamos seguir para lá
nos finais de tarde para relaxar da lida, mergulhando nus na água
translúcida, esperando o céu escurecer e se pontilhar de estrelas, antes
de voltarmos para casa. Naquela tarde fui para lá sozinho, sem
imaginar a imprudência que estava cometendo. Depois de uns dez
minutos imerso no rio, um barulho além do abafado das corredeiras,
um crepitar de galhos secos sob as copas das árvores, chamou minha
atenção. Era o Abílio se desvencilhado das roupas e caminhando com
aquela benga gigantesca na minha direção. Confesso que a visão
daquele macho musculoso vindo ao meu encontro com seu falo grosso
balançando entre as coxas peludas me deixou com o cuzinho
apreensivo. Não era aquela apreensão gostosa que eu sentia quando o
Pedro ou o Rodrigo vinham me abraçar com suas picas já à meia-bomba
com a intenção de me penetrarem, era uma apreensão real,
assustadora, de quem se sente vulnerável à ignomínia de um tarado.
Ele sorriu, fingiu que estava ali tal como eu, apenas para se refrescar e
veio dando umas braçadas até ficar frente a frente comigo. A
transparência da água era tanta que se podia ver a areia e os peixes
que seguiam o fluxo da correnteza, mas eu vi também a pica do Abílio
completamente dura, o desenho das veias percorrendo sua extensão, a
cabeçorra totalmente exposta, os pentelhos da virilha flutuando e se
movendo conforme a água passava entre suas pernas, o sacão
indecorosamente grande boiando abaixo da pica. Fiquei petrificado por
alguns segundos, até me decidir a abandonar o rio, mas ao sair afoito
demais e sem prestar atenção onde pisava, escorreguei numa pedra
submersa e perdi o equilíbrio, sendo obrigado a me lançar na água e
nadar rumo à margem. Antes de alcançá-la e, sob o pretexto de me
ajudar, o que se afigurava completamente desnecessário, pois eu
nadava muito bem, o Abílio estava com os braços ao redor da minha
cintura, tão próximo que, ao ficar em pé dentro da água, senti a ereção
dele, quente e pulsando, no meio do meu rego e, sua respiração

34/
acelerada roçando a pele da minha nuca. Um frenesi percorreu meu
corpo, pois bastava um impulso para ele enfiar o caralhão no meu
cuzinho. Ele o sentia na ponta da chapeleta, enrugado pela rosquinha
de pregas que circundavam sua entrada. Eu ainda respirava sem
concatenação depois do escorregão, e aquela jeba grossa na portinha
do meu cu não melhorava a situação temerosa em que me encontrava.
- Me solta Abílio! – até eu me etei com a resolução da minha voz,
embora isso não tenha sido o suficiente para abalar sua convicção.
- Sou fissurado nessa sua bunda tesuda de égua! – exclamou ele, me
apertando com mais força em seus braços.
- Vou avisar pela última vez, me solta Abílio!
- O que vai fazer se eu não obedecer? É assim que você também dá
ordens para os teus machos? Aposto que a eles você obedece direitinho
ao que te mandam fazer. – retrucou ele, disposto a levar aquilo adiante.
- Pense na sua mulher! Acha certo o que está fazendo com ela?
- Faz mais de três meses que não encosto nela, devido as
recomendações do médico por conta da gravidez. Você faz ideia do
quanto eu preciso de você? – devolveu ele, se esfregando no meu corpo
e me chupando lascivamente a pele da nuca.
- Não quero nada com você! Está me faltando com o respeito! Sou seu
patrão e não seu parceiro de sacanagens. – retruquei.
- Mas sabe fazer uma sacanagem com um macho, e é só isso que eu
quero.
Comecei a lutar com ele dentro da água, ele se irritou e, junto com a
ordem de exigir que eu parasse de agredi-lo, me deu um bofetão no
rosto para me intimidar.
- Não reage não, viadinho! Vou foder esse cuzinho quer você queira
quer não! – ameaçou. Eu reagi, dei um soco na cara dele e corri até a
margem, peguei apressado minhas roupas e comecei a correr para fora
da mata que acompanhava o rio para a pastagem aberta. Ele veio atrás
de mim, mais irritado e furioso. Vesti o jeans e comecei a correr. Ele se
perdeu um pouco ao vestir a calça sobre o corpo molhado o que me
deu uma boa vantagem de distância em relação a ele. A edificação
mais próxima era o curral, onde contei encontrar alguém, pois a ordena
da tarde devia estar sendo feita naquele horário. Cheguei ao curral
esbaforido, tremendo e feliz por ver o rosto do Sr. José derramando o
balde de leite dentro do tonel de refrigeração.
- Tudo bem, Sr. Bruno? Parece que viu um fantasma, está branco e

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suando! – disse ele ao me ver naquele estado.
- Tudo bem, Sr. José, tudo bem! Como vão as coisas por aqui? Falta
ordenhar muitas vacas? – eu não estava interessado em absolutamente
nada, mas tinha que manter a pose e não deixa-lo desconfiar de nada.
Fiquei abrigado no curral até ter a certeza de que o Abílio havia
desistido de vir atrás de mim. Seria embaraçoso demais explicar aquele
cacetão duro vindo na minha perseguição e, a última coisa que ele
queria era que esse atrevimento chegasse aos ouvidos da esposa, pois
a certeza de que seu destino, fora da fazenda, havia sido selado com
aquele abuso, ele já tinha.
Vivi horas de aflição até o Pedro e o Rodrigo regressarem. Estava
inquieto, com medo, inseguro como jamais havia me sentido antes.
Assim que o Rodrigo entrou em casa eu corri para os braços dele,
apertei-o com força e cobri sua boca, seu rosto e seu pescoço de beijos.
O abraço acolhedor dele e o calor que seu corpo emanava me
pareceram o mais seguro dos bunkers.
- Hummm, que recepção calorosa é essa? Tudo isso é saudade, ou tem
um buraquinho aqui dentro precisando de companhia? – questionou ele,
aproveitando para dar umas apertadas nas minhas nádegas.
- Alegria de ter meu marido em casa outra vez! Não está contente com
meus beijos? – devolvi, procurando controlar a tremedeira que
avassalava meu corpo.
- Claro que estou! Só estou estranhando tanta efusividade depois de
uma ausência de algumas horas. Do jeito que está me cobrindo de
carícias até parece que fiquei anos longe de você. – respondeu.
- Amo você, Rodrigo! Isso me basta para te desejar em meus braços. –
retruquei. Ele sabia que havia algo por trás daquilo, mas não quis levar
o assunto adiante. Até porque, cansado como estava, meus beijos e
meus afagos atuavam como um bálsamo.
- Também te amo, meu amor! Fico feliz quando posso sentir esse corpo
e essa pele perfumada junto ao meu. – afirmou, me beijando mais
libidinosamente, ao enfiar a língua na minha boca e a mão para dentro
da minha calça a fim de atiçar meu cuzinho com seu dedo libertino.
Mais do que nunca eu precisava do meu homem. Desabotoei a camisa
e deslizei meus dedos sobre os pelos do peito dele, encarando-o com
um olhar que pedia sexo. Enquanto a ereção crescia dentro do jeans
dele, ele a esfregava na minha coxa. Eu escorreguei os dedos até a
cintura dele, abri a calça e o zíper da braguilha, enfiei minha mão toda

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sobre seu membro e o senti latejando de tesão. Agachei-me aos seus
pés e o tirei de dentro da cueca, envolvendo-o imediatamente com
meus lábios. O Rodrigo expirou sonoramente ao sentir seu falo sendo
envolvido pela maciez úmida da minha boca, grunhiu um – AI QUE
TESÃO, BRUNO – e deu um impulso para o cacete entrar mais fundo.
- Estou todo suado, minha pica está cheirando a suor e mijo, você não
podia ter esperado um pouquinho até eu tomar uma ducha? Que tesão
todo é esse?
- Adoro seu cheiro! É o cheiro do meu homem, do meu marido, não me
importo de tê-lo impregnado na minha pele. – respondi.
- Ah, Bruno! Você está me deixando maluco com essa tara toda!
- Estou? Então é sinal de que estou fazendo tudo certinho!
Ele quase gozou na minha boca quando ergui meu olhar na direção do
dele. Fez um esforço enorme para se controlar, e me puxou para si
voltando a amassar meus glúteos enquanto lambia e chupava um dos
meus mamilos. Eu afagava os cabelos dele e me deixava desnudar por
completo. Assim que me livrei da calça e da cueca emboladas nos meus
pés, me virei e de costas para ele e empinei a bunda contra a virilha
dele. A rola se insinuou entre as bandas da minha bunda e ele a fez
deslizar dentro do rego estreito. Eu gemia de excitação e ele agarrou a
pica e a forçou para dentro do meu cu. Após meu ganido, ele levou a
mão que havia guiado a pica para dentro da minha rosquinha para o
meu rosto e me virou em direção a sua boca. Meus gemidos eram
sufocados por aquele beijo demorado enquanto ele metia toda a verga
no meu cuzinho. Eu estava completamente sem folego quando senti o
sacão dele batendo no reguinho apartado. Ele pulsava energicamente
dentro de mim, afastando com sua volúpia todo o receio e a
insegurança que eu senti naquela tarde dentro do rio. Bastaram
algumas estocadas, profundas e vigorosas, para que o Rodrigo
ejaculasse seu sêmen cremoso e cheiroso no meu cuzinho. Nada me
era mais valoroso do que ardor entre as pregas anais e aquela umidade
formigante que encharcava meu cu. Quando o levei até o banheiro e
nos enfiamos sob a ducha, onde comecei a ensaboar e lavar seu
cacetão pesado, ele ainda tentava entender a urgência daquela
recepção tão inesperada e carinhosa.
- Você é meu homem, só por isso! – respondi. No momento, era dessa
certeza que eu precisava, a de que eu tinha um macho. Bem como,
ainda precisava encontrar tanto coragem como uma maneira de contar

37/
a ele e ao Pedro o que tinha acontecido naquela tarde.
O Pedro chegou em casa pouco depois, foi direto para o chuveiro e eu
atrás dele. Enfiei-me no box quando ele tirava a espuma dos cabelos e
o abracei.
- Que surpresa é essa? – perguntou, quando levei minha mão à sua
virilha e comecei a bolinar o caralhão grosso e os testículos.
- Senti sua falta o dia todo! – respondi. Eu continuava fervendo de tanto
tesão por meus homens, os homens que eu sabia serem meus e eu
deles, os homens que me faziam sentir seguro e protegido.
- Hummm, bom saber! Porque eu também pensei em você diversas
vezes hoje, exatamente como está agora, peladinho, molhado e ao meu
dispor. – devolveu, me beijando e vasculhando com a mão impudica o
cuzinho pregueado ainda úmido da virilidade do Rodrigo.
- Fiz amor com o Rodrigo há pouco! – afirmei, para explicar aquela
umidade que seu dedo percebia rodopiando entre meus esfíncteres.
- E ainda está com esse fogo todo? Quer dizer que terei que ser eu a
apagar o incêndio? – aquele sorriso safado em seu rosto hirsuto era a
coisa mais linda que eu já vi, era a certeza que eu não estava sozinho,
era a prova de que eu era amado.
- Você quer? – perguntei, mesmo sabendo a resposta.
- Eu sempre quero, Bruno! Eu sempre quero colocar minha pica nesse
cuzinho apertado e quente, sempre! É onde meu caralho mais gosta de
estar, entalado entre essas nádegas carnudas e aconchegado nesse
anelzinho apertado. – respondeu.
Antes de estarmos completamente secos, ele me carregou até o quarto,
onde terminei de enxugar seus cabelos e me largar em seus braços. Ele
rolou para cima de mim, deitado ligeiramente de lado com uma das
pernas elevadas o que expunha meu cu, e onde ele logo se encaixou.
Algumas esfregadelas da jeba em riste ao longo do rego foram
suficientes para eu começar a gemer, tomado pelo tesão. O Pedro
separou meus glúteos com ambas as mãos, se deparou com a fendinha
ligeiramente inchada e intumescida deixada naquele estado pela gana
lasciva do Rodrigo e, enquanto mordia minhas nádegas, enfiava um
dedo nela num vaivém pervertido. Eu gemia de tanta excitação e, num
sussurro quase inaudível, pedi que me fodesse. No segundo seguinte, o
Pedro estava dentro do meu cu, empurrando o caralhão para as
profundezas das minhas entranhas, me fazendo ganir e gemer com a
sanha devassa com a qual se apossava de mim. Eu me esporrei todo,

38/
enquanto ele me estocava com seu vaivém potente e doloroso,
extraindo daquela pungência o prazer de servir ao homem que eu amo.
Eu nunca mais queria sentir o medo que senti naquela tarde, o medo de
ter meu cuzinho devassado e arregaçado por um macho que não
significava nada para mim. Foi preciso eu estar frente a frente com essa
possibilidade e esse pavor para saber que, o que tinha com o Pedro e o
Rodrigo, foi o que me deu forças para me safar do Abílio.
- Te amo tanto, Pedro! – exclamei, quando ele tirou o pica do meu
cuzinho, ainda gotejando um restante da imensa quantidade de porra
pegajosa que acabara que esporrar.
- Também te amo muito, Bruno! Por que está tão sensível hoje? O que
te deixou assim? – ele também desconfiou de algo oculto por trás de
toda aquele entrega e sensibilidade expressa nas minhas carícias.
Durante o jantar eu percebi como os dois se entreolhavam, desejosos
de me questionar quanto àquela demonstração inusitada e efusiva de
afeto com que foram acolhidos ao chegar em casa, mas suspeitando de
que seria algo que tornaria o restante do jantar indigesto, esperaram o
final da refeição.
- Agora desembucha! – disse o Rodrigo, me intimando.
- Desembuchar o quê? – de repente, comecei a temer as consequências
do que tinha para revelar, pois tanto o Pedro quanto o Rodrigo, não
eram homens que deixariam barato a insolência do Abílio.
- Quero que me jurem que não vão fazer nenhuma besteira! Que não
vão se exceder! – pedi.
- Não vou prometer nada, enquanto você não nos disser o que está
acontecendo. – afirmou o Pedro, me confirmando que aquilo tinha tudo
para não acabar bem.
- Quando eu contar já será tarde! Quero que me prometam antes! –
insisti
- Pelo jeito não é nada bom, ou você não estaria tão apavorado para
nos contar o que é. – sentenciou o Rodrigo.
- Eu juro que não foi culpa minha, eu não fiz nada que pudesse
contribuir para o que aconteceu. – asseverei, pois até para mim ia
sobrar quando a raiva dos dois explodisse.
- Chega de embromação, Bruno! A coisa é grave e você está tentando
nos enrolar e ganhar tempo. Anda, fala! – forçou o Pedro.
Com todo o cuidado, medindo as palavras, observando as expressões
nos rostos dos dois ganhando contornos de fúria eu relatei o que

39/
aconteceu no rio naquela tarde. Os punhos dos dois se fecharam e as
veias de suas mãos saltaram, nenhum dos dois me interrompeu,
apenas me encaravam querendo apressar o desfecho do relato. Meu
pavor só fazia crescer. Eu temia que fizessem uma besteira com o
Abílio, não por ele, mas pela esposa grávida e ela filhinha.
- É por isso que eu quero que apenas um de vocês, você na verdade,
Pedro, vá falar com ele amanhã e o despeça. Me prometam que vão
fazer o que estou pedindo, por favor. Já fiz os cálculos de tudo o que ele
tem direito a receber e, acrescentei um pouco a mais para que não
fiquem ao desamparo com o nascimento da criança, pois acredito que
ele vai demorar mais tempo para conseguir um novo emprego em outro
lugar do que a chegada do parto. – argumentei.
- E você acha que vamos deixar esse filho da puta sair daqui como se
sua safadeza fosse um simples ato falho no desempenho de suas
funções? Quero entender essa sua defesa e essa sua preocupação para
com esse sujeito miserável, Bruno! Dá para me explicar? – questionou
enfurecido o Pedro.
- Não é com ele que estou preocupado, é com a mulher e a filha. –
respondi com firmeza.
- Você não acha que isso devia ter sido uma preocupação dele e não
sua? – perguntou o Rodrigo.
- Eu vou botar esse filho da puta para correr agora mesmo! E já vou
avisando, não sem antes quebrar a cara dele. – garantiu o Pedro. Foi o
que temi.
- Não, por favor, não Pedro! Se acalme e deixe isso para amanhã. O que
vai ser daquela mulher e daquela criança a essa hora da noite? Por
favor, Pedro, me ouça. – implorei.
- Sem um corretivo ele não escapa, Bruno! Não adianta implorar! Estou
começando a ficar puto com você, por estar tendo todo esse cuidado
com esse filho da puta! – afirmou o Rodrigo. Eu sabia que não ia
conseguir segurar a raiva daqueles dois.
Já me arrependia de ter contado a verdade, devia ter inventado outra
desculpa qualquer para explicar a demissão do Abílio, sem atiçar o ódio
do Pedro e do Rodrigo.
- Você tem certeza de que falou toda a verdade, Bruno? Toda a verdade,
entendeu? Eu quero saber de cada detalhe do que ele fez com você,
sem a omissão do mais ínfimo pormenor. – questionou o Pedro,
apertando sua mão potente no meu braço.

40/
- Eu contei tudo, não tem mais nada além disso! – asseverei.
- Você tem certeza de que ele não te penetrou? – continuou o Rodrigo,
exigente e inquiridor.
- Claro que não! Eu já não disse que consegui me desvencilhar dele? –
reforcei.
- É bom que isso seja verdade! – ameaçou o Pedro.
- Viu como vocês são! Agora até de mim estão duvidando! – exclamei
magoado, percebendo o rumo que aquilo estava tomando.
- Ninguém aqui está duvidando de você! Nós te amamos e confiamos
em você, mas não somos ingênuos a ponto de achar que diante do que
aconteceu o cara não tenha enfiado o cacete no teu cu. – sentenciou o
Rodrigo.
- Ele. Não. Meteu. Em. Mim! Eu juro! – retruquei exasperado.
- Menos mal, pelo menos vivo o sujeito vai sair daqui! – exclamou o
Pedro.
Foi um custo e uma luta convencê-los a adiar a abordagem para o dia
seguinte. Só não consegui impedir que me deixassem de fora ao fazê-lo
e, muito menos, que apenas um fosse ter com o Abílio para acertar as
contas. Vim a saber, no dia seguinte, depois da família dele ter sido
expulsa da fazenda, que ele estava com a cara toda arrebentada e, que
tinha dito aos outros funcionários que havia se desentendido com um
sujeito de uma fazenda vizinha, com o qual ele realmente tinha tido
algumas rusgas malparadas desde há um bom tempo e que, por isso,
estava se mudando da região.
Não gostei nada da cara mal-humorada daqueles dois após a minha
revelação. Era certo que estavam tramando alguma coisa para se livrar
do Abílio. Meu maior temor era que fossem resolver a questão como era
costume naquela região, onde desafetos resolviam seus problemas na
base da violência e da bala. Nós éramos pessoas criadas na cidade
onde as diferenças não eram resolvidas daquela maneira, e eu temia
que os dois se envolvessem nalguma encrenca com a justiça por conta
daquele episódio infeliz. Fui ter com eles quando estavam cochichando
entre si longe dos meus ouvidos.
- Quero que parem de tramar uma vingança contra o Abílio! Basta
demiti-lo! Estou sendo bem claro?
- Quem te disse que estamos tramando alguma coisa? Estamos
justamente combinando como fazer a demissão dele, só isso! Não é
isso que você quer? – retrucou o Rodrigo.

41/
- Eu precisava não conhecer tão bem essas caras para saber que estão
mentindo! Por favor, não façam nenhuma besteira. Eu amo vocês e não
consigo nem imaginar a possibilidade de ficar sem um de vocês ou sem
os dois. Eu só contei o que aconteceu esta tarde porque nosso
relacionamento sempre foi baseado na verdade e na transparência.
Vocês tinham que saber por mim o que aconteceu. Também contei
porque foi a primeira vez que me vi apavorado com a possibilidade de
outro homem, que não vocês, invadir minha intimidade e me possuir.
Meus maridos são vocês, são o meu esteio, são os que me fazem sentir
seguro e amparado. – argumentei.
- Fica calmo, meu amor, não vamos fazer nenhuma besteira! Você fez
bem em nos contar, é o que esperamos um do outro, sinceridade e
transparência. Amamos você e pode ter certeza que está seguro
conosco. – devolveu o Pedro, para me acalmar.
- Estou confiando em vocês, não me decepcionem, por favor!
- Não vamos! – asseverou o Rodrigo.
- Então chega de segredinhos entre os dois! É pedir demais que
venham se deitar, está tarde, e todos temos muito o que fazer amanhã.
Essa noite preciso dos meus maridos na cama comigo, como nunca
precisei antes. – instiguei, acariciando o rosto de ambos ao mesmo
tempo.
Me despi com sensualidade diante deles ao chegarmos ao quarto,
sabendo que isso seria o suficiente para desanuviar aquelas cabeças
dos problemas e enchê-las de pensamentos libidinosos. Meu cu ainda
ardia e os espermas deles formigando na minha mucosa anal estavam
bem presentes, resultado dos coitos que tive quando voltaram do
trabalho. Não sei se me sentia tão afogueado por conta da investida
depravada do Abílio, o primeiro homem que partiu para cima de mim
com selvageria e devassidão, ou se procurava nos meus machos a
segurança que me faltou nas águas do rio. Eu também precisava
esquecer e superar aquele episódio e, nada melhor do que fazer amor
com o Pedro e o Rodrigo para tudo voltar ao normal.
- De uma coisa parece que serviu a tentativa de estrupo, esse fogo todo
no teu rabo só pode ser consequência dela. – afirmou o Pedro, que veio
me tomar em seus braços assim que fiquei nu.
- Como você pode ser tão cruel, afirmando um absurdo desses? Meus
homens são vocês, meu tesão é por vocês e mais ninguém, enfiem isso
nessas cabeças turronas! – retorqui.

42/
- Não fica bravo, amorzão! É que você está uma delícia hoje! –
exclamou ele.
- Acho que a possibilidade de outro cara tocar em você nos deixou com
receio de te perder! Saber que esse corpão desperta o tesão de outros
machos, não é propriamente a coisa mais agradável de se constatar. –
afirmou o Rodrigo. – Você é nosso, só nosso! – emendou, ao se juntar a
nós, e eles me prensarem entre seus corpos nus como um sanduiche.
- É só de vocês que eu quero ser! Não preciso e não quero outro macho
na minha vida. Tenho os dois melhores, mais tesudos e mais amados,
para que outros? – devolvi, rebolando entre os dois, o que fez suas
ereções roçarem minhas coxas e nádegas.
Sentei na beirada da cama e, segurando uma pica em cada mão,
comecei a lamber e chupar um pouco em cada uma. Enquanto eu
estava com uma rola na boca, sorvendo o pré-gozo almiscarado que
saía dela, o outro pincelava a dele no meu rosto me lambuzando todo.
O mesmo acontecia quando eu estava massageando com a língua o
testículo de um aprisionado entre os meus lábios, ouvindo-o arfar de
tesão e atiçando o outro a se deixar abocanhar o sacão. Fui arrastado
para o centro da cama, tive minhas pernas abertas e colocadas cada
uma sobre o ombro de um, isso abriu meu rego e ele logo foi bolinado
pelas mãos sedentas deles. Eu continuava pondo ora a pica de um ora
a pica do outro na boca e dando um trato carinhoso nelas. Enquanto
isso, meu cuzinho era submetido a enfiadas de dedo intercaladas, o que
me fazia gemer e me mostrar receptivo à lascívia deles. No revezar das
dedadas, eu contraía meus esfíncteres e aprisionava impudicamente o
dedo que me vasculhava, deixando os dois tão doidos que seus
cacetões rijos mal se moviam nas minhas mãos. O Rodrigo foi o
primeiro a meter o caralhão no meu cuzinho dilacerado nos coitos
anteriores. Eu gani, foi quase um grito, quando a chapeleta gigantesca
e estufada distendeu minhas preguinhas rasgando-as mais um tanto.
Ele esperou eu me acostumar ao volume que pulsava entre a contração
da minha musculatura anal, me encarando com doçura e se inclinando
para procurar o carinho da minha boca, num beijo demorado, ao longo
do qual fez deslizar todo o cacete para dentro do meu rabo. Da pica do
Pedro, a centímetros do meu rosto, fluiu um longo fio translúcido e
pegajoso de pré-gozo, que eu tratei de sorver antes que gotejasse. O
Pedro soltou o ar entre os dentes cerrados quando sentiu meus lábios
encapando sua cabeçorra e chupando o néctar de sua excitação. Nós

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não precisávamos combinar nada, fazer acertos, explicitar os atos
seguintes, pois tudo acontecia naturalmente, tão harmoniosa e
sensualmente que dispensava palavras. Era preciso só deixar o tesão
guiar nossas atitudes, e tudo funcionava como a engrenagem perfeita
de um relógio. Quando o vaivém do cacetão do Rodrigo fazia meu corpo
todo tremer, estocando meu cuzinho com toda sua volúpia, o Pedro
enfiava a pica na minha garganta e fodia minha boca com toda a sua
luxúria. Eles sabiam me usar, sabiam como se satisfazer e tirar o
máximo de amor e carinho daquelas trepadas dignas de cenas de um
filme pornô. Os sons que escapavam dos meus lábios, gemidos, urros,
chupões alimentavam o tesão deles, ao mesmo tempo em que
aliviavam um pouco o meu flagelo e também me excitavam. Comecei a
gozar assim que percebi que o Rodrigo começava a se retesar todo,
quando percebi que seu corpo se preparava para ejacular. Esporrei meu
ventre diante dos olhares sensuais dos dois, expressando todo o prazer
que estavam me proporcionando. Só de ver como os dois se
entreolhavam naquela cumplicidade devassa, meu tesão ia às alturas.
Durante as derradeiras estocadas, mais brutas, doloridas e profundas, o
Rodrigo gozou, despejando no meu cuzinho esfolado outro tanto de sua
gala cremosa, em meio a um urro rouco que brotava do fundo de seu
peito.
- Ai, Rodrigo! – gani, saboreando cada um daqueles jatos tépidos que
ele esporrava em mim. Toda vez que um deles ejaculava seu sêmen em
mim, eu agradecia aquele êxtase sublime com o qual eles me
presenteavam. Esse êxtase era a prova incondicional do amor que
existia entre cada um de nós.
Mal o cacetão do Rodrigo havia escorregado para fora do meu cuzinho,
e o Pedro já se enrodilhava em mim procurando freneticamente através
de uma esfregação excitada meter sua jeba na fendinha recém
desocupada. Uma das minhas tetinhas estava em sua boca, ele a
chupava, lambia e mordia tracionando-a pelo biquinho, aumentando
meu tesão e minha vontade de me entregar à sua libertinagem. Toda
vez que eu os deixava com o tesão à flor da pele, sabia que meu ânus
pagaria o preço da minha luxúria. Contudo, apesar disso, eu me sentia
recompensado tanto sexualmente quanto afetivamente, pois os dois
não poupavam esforços nesse sentido. O que nos uniu, nos aglutinou,
foi o amor que cresceu forte enquanto procurávamos dar rumo as
nossas vidas profissionais. Ele se amplificava e amadurecia em

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paralelo, quase imperceptível, não fosse aquele desejo dentro de cada
um de cuidar e cultivar esse sentimento em relação aos outros. Mesmo
sendo três, éramos um. Esse um estranho, incomum, que respondia por
toda nossa felicidade.
Com as nádegas lambuzadas de pré-gozo, devido àquele roçar da pica
do Pedro no meu rego, uma empinada sutil que dei encaixando minha
bunda na virilha dele fez com que ela entrasse dolorosamente no meu
cu. Eu já devia estar bem arregaçado para meu cu estar tão sensível,
mas sublimei a dor para dar prazer ao meu macho. Ele sabia, pelos
meus ganidos, que eu me entregava a ele por pura paixão.
- Amo você Pedro! – sussurrei, confirmando sua certeza.
- Nada me deixava mais feliz do que ouvir você confessando seu amor
quando estou dentro de você. Amo você, Bruno, meu amor! – devolveu
ele, apaixonado, carinhoso e pulsando viril nas minhas preguinhas
distendidas.
No crescer do vaivém rítmico de suas estocadas cada vez mais
profundas e pungentes e, nos gemidos lascivos que escapavam dos
meus lábios, o coito foi se consumando, fundindo nossos corpos num
prazer indescritível cheio de cumplicidade. Ele me encarava com um
olhar doce, satisfeito, quando senti o primeiro jato de esperma
escorrendo e aderindo viscoso à minha mucosa anal. Tomei seu rosto
entre as mãos e o beijei apaixonadamente.
Nu, feliz, com o cuzinho arreganhado e encharcado de porra, eu
adormeci entre os dois, protegido e seguro.

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O cuzinho errante

O cuzinho errante
*O enredo deste conto foi inspirado no roteiro do filme Baby elaborado
por Marcelo Caetano em parceria com Gabriel Domingues.
O vídeo de péssima qualidade e pouco mais de um minuto chegou ao
celular do meu pai como revanche por eu ter me negado a saciar a tara
de um colega PM dele. Numa montagem rudimentar, eu aparecia
mamando a caceta grossa e enorme do sujeito fazendo uma careta de
quem estava se deliciando com aquela coisa da qual jamais havia me
aproximado, e nem desconfiava ser tão gigantesca. Na montagem fake
meu rosto com o pauzão na boca estava tão distorcido que mal se
podia dizer que era eu, embora o restante do corpo estivesse coberto
com peças de roupa que inegavelmente eram minhas.
A postagem foi feita por um sargento PM, Deolindo, lotado no mesmo
batalhão onde meu pai, tenente PM, trabalhava. Nunca fui com a cara
do Deolindo, homem falso, ardiloso, que se fazia de amigo do meu pai
para obter vantagens nas escalas do batalhão. Puxa-saco notório, ele
vivia em nossa casa, ora surgindo com um fardo de latas de cerveja,
ora propondo um churrasco na churrasqueira do nosso quintal que ele

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fazia questão de comandar, ora trazendo pequenos presentes para
minha mãe e para mim fora de qualquer data comemorativa.
A maneira como ele olhava para mim me incomodava, eu me sentia nu
e vulnerável diante da expressão de seu rosto. Assim como sentia
arrepios quando ele me tocava longe das vistas de qualquer familiar.
Foi durante um desses churrascos ao qual mais colegas do batalhão
haviam corrido e que já se estendia ao finalzinho de uma tarde de
domingo, que o Deolindo veio ter comigo em meu quarto, onde eu
terminava uma tarefa escolar a ser entregue no dia seguinte. Ele se
aproximou da cadeira na qual eu estava sentado, fechou as duas mãos
pesadas nos meus ombros e os amassou, ao mesmo tempo em que
elogiava meu corpo que definiu como taludo e gostoso. Fiquei sem
ação, esbocei um sorriso amarelo e respeitoso em sinal de
agradecimento pelo elogio. Aos poucos, ele se inclinou, roçou minha
orelha com a boca e sussurrou a proposta indecente no meu ouvido –
Essa carinha angelical e esses lábios carnudos são tudo que preciso na
minha rola para ser o homem mais feliz desse mundo – verbalizou, sem
meias palavras. Eu fiz menção de me levantar, mas ele me forçou a
sentar novamente e a ouvir outro disparate – Você não tem jeito de ser
muito macho, e aposto que vai gostar de mamar meu caralho e tomar o
leitinho que vou jorrar na sua boca – eu estremeci da cabeça aos pés,
gaguejei uma resposta negativa e ameacei contar tudo ao meu pai.
- Se você abrir a sua boca e disser uma única palavra do que aconteceu
aqui, eu juro moleque, vou te foder até seu cu sangrar e vou contar uns
segredinhos do seu pai que vão acabar com a carreira dele. Você
escolhe, fala o que aconteceu aqui, ou se cala e dá uma boa mamada
na minha pica. – ameaçou. Jurei me calar, mas me recusei, com as
lágrimas descendo pela face, a chupar a jeba cabeçuda que ele havia
tirado pela braguilha. Uma semana depois, meu pai recebia o vídeo do
que jamais aconteceu.
De nada adiantaram minhas negativas de que aquilo nunca tinha
acontecido, as súplicas de joelhos implorando para que meu pai me
ouvisse, os clamores pelo perdão de algo que nunca fiz. Assim, aos
quinze anos, meu pai me expulsou de casa apenas com as roupas do
corpo depois de quase me aleijar durante uma surra na qual me mijei
todo. Acabaram sobrando bofetões e socos até para a minha mãe que
correu para me acudir quando percebeu que ele estava a ponto de me
matar, assim como para um primo que nos visitava no dia e também

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tentou me livrar da fúria dele.
Meu pai sempre foi muito violento, segundo ele, tinha apanhado muito
do meu avô que era um bronco do interior sem instrução que fora
criado numa família numerosa com o cabo da enxada na mão desde
pequeno. Acabou replicando o mesmo comportamento tanto em casa
quanto no trabalho, onde se achava respaldado pela farda e pela
estrela em seus ombros. Quando o Deolindo mencionou sobre os
segredinhos do meu pai, eu sabia exatamente ao que ele se referia.
Quando prendia algum meliante, meu pai tinha por regra descer o
cacete no sujeito até lhe quebrar alguns ossos, ou mesmo o sujeito
jamais chegar a uma delegacia depois de ser jogado dentro da viatura.
Meu pai e uns colegas, entre eles o Deolindo, não cansavam de repetir
que lugar de bandido não era na cadeia, mas no cemitério. Houve até
um episódio que afastou meu pai das ruas por umas semanas no
trabalho, depois que testemunhas viram dois assaltantes que haviam
roubado um supermercado na periferia, serem espancados até não
mais conseguirem se segurar sobre as próprias pernas, e serem
jogados na viatura para serem levados à delegacia. Nenhum deles
jamais chegou lá, seus corpos foram encontrados dois dias depois num
matagal não muito distante do supermercado, cada um com um tiro na
cabeça disparado a queima roupa. As duas testemunhas mudaram a
primeira versão que deram e, pouco tempo depois, mudaram-se para
endereços desconhecidos. Com as costas quentes dentro do batalhão e,
diante da falta de evidências, o caso foi encerrado e meu pai retomou o
serviço de rua. Outros casos de espancamento também faziam parte de
boatos sobre o modus operandi das patrulhas que meu pai, enquanto
tenente, comandava e, alguns que se atreveram a filmar a ação
policial, tiveram a mesma punição dos meliantes, surras que deixaram
marcas pelo corpo e ossos quebrados.
Com o mijo escorrido pelas pernas caminhei até a casa da única
parente que tínhamos na cidade, uma prima da minha mãe que estava
de mudança para o interior onde o marido dela havia conseguido um
trabalho. Enquanto a mudança não acontecia, tive abrigo durante três
meses, antes de me ver novamente com uma mão na frente e outra
atrás sem um teto sobre a cabeça.
É aí que você descobre a solidariedade de alguns e crueldade de
outros. Fui procurar ajuda entre alguns colegas da escola pública onde
estudava, todos de famílias remediadas que mal tinham como se

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sustentar, quanto mais contar com uma boca extra dentro de casa. Em
todo caso, funcionou por um tempo, sempre pulando de casa em casa e
conhecendo todo tipo de gente.
Com a ajuda da minha mãe, e sem que meu pai soubesse, consegui me
transferir para outra escola pública que ficava mais próxima de onde eu
estava abrigado, pois não queria interromper os estudos, por mais
fracos que fossem. As gangues proliferam feito pragas nas periferias e
as escolas públicas são um vasto território vulnerável e desprotegido a
ser explorado. Todos ali carregam a alcunha de estudantes, mesmo que
parte deles não passe de delinquentes. Nesse ambiente hostil,
experenciei o bullying predatório pela primeira vez. Eu era ingênuo,
sem uma retaguarda para me proteger, tinha uma carinha angelical,
um corpo bonito e desejável, um prato cheio para qualquer malandro
que quisesse se dar bem às minhas custas. A maneira que encontrei
para escapar um pouco do assédio, foi fingindo me aliar a uma das
gangues que dominava o pedaço. Eu procurava ficar mais na
retaguarda, não atuar diretamente nos delitos, apenas fazendo
presença para que pensassem que eu era atuante.
Certo dia, enfastiados com a falta do que fazer, um dos líderes sugeriu
fazer um arrastão num supermercado de um bairro vizinho. A
possibilidade de saírem de lá carregados de mercadorias roubadas
encheu os olhos da galera que topou o plano na hora. Eu tremi nas
bases, não sabia que justificativa dar para não estar presente na ação,
nem como agir quando chegasse a hora do delito. Não havia
escapatória, era encarar ou sofrer as consequências depois. Numa
turba de uns quinze garotos invadimos o supermercado. Os dois
seguranças até tentaram conter a trupe, mas corriam entre os clientes
mais perdidos e desorientados que ratos fugindo de gatos. Procurei me
manter afastado dos mais radicais que derrubavam tudo das
prateleiras, ameaçavam clientes em pânico e destruíam tudo que
encontravam pela frente enquanto abarrotavam as mochilas de
produtos roubados. De repente, um infeliz de um gerente, um sujeitinho
magricela e miúdo, tentou barrar três caras da gangue, sem se dar
conta de que estava decretando seu fim. Bateram tanto nele que ele
nem teve tempo de descobrir de onde vinham os golpes, até que um
chute fatal o deixou desacordado no corredor das bebidas, de onde foi
posteriormente removido sem vida. Pelo menos meia dúzia de viaturas
da polícia nos aguardava na saída do estacionamento do

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supermercado. A molecada se dispersou, cada um correu para um lado
driblando os policias que desciam os cacetetes no lombo do primeiro
que alcançavam. Como vi um bocado deles sendo apanhados e
berrando de dor quando os cacetes os atingiam, tentei disfarçar e me
misturar com alguns clientes que se agruparam num canto tentando
não ser envolvidos no arrastão. De nada adiantou, as câmeras de
vigilância do supermercado espalhadas por tudo que é canto,
registraram o momento em que entrei acompanhado da gangue. Na
delegacia, diante de um delegado quase careca e mal ajambrado,
neguei ter participado do roubo, mostrei meus bolsos vazios e a
mochila com meu material escolar. Ele não acreditou numa única
palavra do que eu disse, com dois investigadores ao seu lado na sala de
interrogatório, cobriu minha cara de bofetadas que estalavam nas
bochechas e deixaram meus ouvidos zunindo. Nenhum dos meus pais
foi encontrado no endereço que dei, nem meu pai foi localizado no
batalhão da PM que citei, nem mesmo o paradeiro dele puderam obter.
Duas semanas depois e, após uma breve audiência com um juiz, eu
dava entrada no Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente
para cumprir uma pena de reclusão de dois anos e sete meses pela
participação no arrastão do supermercado. Para minha sorte, se é que
se pode dizer que tive alguma sorte, as câmeras registraram quem
foram os três responsáveis pela morte do gerente, assim como a
distância em que eu me encontrava enquanto o ato bárbaro era
executado, comprovando que não tive participação alguma no
assassinato.
Durante meses fiquei conjecturando por onde minha família podia
estar, por que nenhum parente veio me visitar ou obter notícias
minhas, o porquê de meu pai não estar mais na PM e tantas outras
dúvidas que preenchiam as noites insones.
Os meses passavam numa lentidão aterradora. Eu me sentia só e
abandonado. Chorava escondido para que não pensassem que eu era
um fracote. Meu físico já bem desenvolvido para a idade continuava
seduzindo, deixando aqueles garotões cheios de hormônios ardendo de
tesão. Sem ter onde extravasar todo o furor acumulado, metiam-se em
brigas ou se concentravam no sexo quase sem opções, a não ser a
punheta e as bundinhas dos mais fracos. Apesar de taludo, eu não tinha
como competir com alguns mais velhos, mais malandros e mais
musculosos. Quatro deles não escondiam o tesão irreprimível que

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sentiam pelo meu corpo esguio e pela bunda roliça e arrebitada e, um
belo dia, um feriado santo qualquer, ao qual haviam faltado alguns
agentes de segurança, dois desses parrudos decidiram foder meu rabo
debaixo dos chuveiros. Lutei o quanto pude, gritei por socorro, desferi
pontapés e socos à esmo procurando salvaguardar minha virgindade e
minha honra. O banheiro virou um campo de batalha, juntou gente
querendo assistir o estupro iminente, os mais tarados agarraram seus
caralhos e se masturbavam. Quando o pauzão de um dos parrudões já
estava deslizando no meu reguinho estreito os agentes de segurança
chegaram para acabar com a briga. A frustração de não poderem
presenciar um estupro se transformou numa rebelião sem controle.
Quando a polícia sufocou a rebelião, algumas dezenas de internos
estavam feridos, entre eles eu, com um corte pouco acima da tetinha
direita onde o parrudão que não conseguiu consumar o coito me enfiou
a ponta de um estilete. Depois do episódio, mais um sentimento brotou
em mim, o medo, o pavor daquilo ou coisa pior se repetir e acabar
tendo um desfecho fatal, tal qual três outros anteriores envolvendo
outros internos que presenciei.
Completei dezoito anos no feriado do dia do trabalho, dentro do
cubículo cujas paredes e teto, bem como tamanho e cor de algumas
manchas eu conhecia de cor. Uma assistente social que fora designada
para acompanhar meu caso veio me visitar dois dias depois, e anunciar
que eu seria libertado ainda naquela semana ou, no máximo, na
seguinte.
- Só tem um detalhe, Lucas, até agora não conseguimos localizar seus
pais, e será preciso que um adulto assine a papelada quando for solto. –
disse ela. – Tem certeza que não se lembra de mais nenhum detalhe
que possa nos levar a encontrar seus familiares, um endereço antigo,
algum conhecido deles, quem sabe o daquela prima da sua mãe? –
indagou, repetindo perguntas que já havia me feito mais de uma dúzia
de vezes.
- Não, não sei exatamente para qual cidade do interior essa prima da
minha mãe se mudou com o marido e os filhos. O que não consigo
entender é porque não encontraram minha família no nosso endereço.
Vocês têm certeza que procuraram no lugar certo?
- É claro que sim, Lucas! Fomos diversas vezes ao local e tudo que
soubemos é que seus pais se mudaram, mas ninguém soube dizer para
onde. – respondeu ela

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- Quem sabe foram para a mesma cidade da prima da minha mãe, elas
eram próximas, se gostavam como se fossem irmãs. E o meu pai, ele é
tenente da PM, alguém deve saber do paradeiro dele.
- Só soubemos que ele deu baixa da corporação, parece que ninguém
quer falar sobre o caso, daí não conseguirmos nada de relevante. –
mencionou ela.
- Então vou continuar preso? – adiei a pergunta pelo medo da resposta.
- Não, Lucas, não vai! Você completou dezoito anos e não pode mais
ficar aqui. Já entramos em contato com o Conselho Tutelar, mas como
você agora é de maior, eles não podem fazer muita coisa. – esclareceu
- E o que vai ser de mim? – não consegui evitar das lágrimas aflorarem
e embaçarem a minha visão.
- Vamos dar um jeito, Lucas! Prometo que vou pensar numa solução até
na quarta-feira, Ok?
- Por que quarta-feira? O que vai acontecer nesse dia?
- Você será solto, e eu venho com mais um colega buscar você. Não é
uma ótima notícia? – perguntou, tentando me animar.
- Para onde vão me levar, para debaixo de uma ponte ou viaduto? –
indaguei soluçando
Garoava fino na quarta-feira, o céu estava cinzento como a minha alma
quando atravessei os portões atrás dos quais passei meus últimos 31
meses, ou 134 semanas, ou 940 dias segundo os registros que fui
fazendo numa pequena caderneta de anotações. O carro do serviço
social me levou até nosso antigo endereço, quase nada havia mudado
por lá, exceto minha família. Bati na porta dos vizinhos mais próximos
que me reconheceram e foram pouco receptivos, uma vez que, após a
minha detenção, circularam boatos que eu havia perfurado o peito do
gerente do supermercado com pelo menos cinco tiros, outros que eu
tinha destroçado a cabeça dele com um porrete até parte do cérebro do
coitado sair da caixa craniana e, outros ainda, de que eu havia enfiado
uma faca na barriga do sujeito e o estripado a sangue frio. Alguma
informação relevante sobre meus pais ninguém tinha, nem mesmo a
dona Lucinda que vivia lá em casa pedindo um pouco de açúcar, uma
caixa de leite, um tanto para enterrar o valor de um botijão de gás que
sempre estavam à mingua na casa dela.
- Sei não, Lucas! Só vi o caminhão de mudança, eu estava com visitas,
não deu para me despedir da sua mãe. – afirmou, no que era
escrachadamente uma mentira, pois a fofoqueira sabia até o dia do

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mês em que a mulherada da vizinhança perdia sangue pela boceta.
Somente a velha Evangelina, uma senhora portuguesa viúva que
morava quase no final da rua e que me viu crescer, mostrou alguma
compaixão; assinou a papelada que o serviço social precisava para se
livrar de mim e me ofereceu abrigo por aquela noite, prometendo
conversar com uns parentes para ver se podiam fazer algo por mim.
Fiquei duas semanas na casa dela, consertando pequenas coisas pela
casa, uma vez que havia aprendido algumas noções sobre eletricidade,
encanamentos, marcenaria nos meses em que fiquei no Centro de
Acolhimento Socioeducacional. Um parente distante do marido dela se
ofereceu a me dar guarida enquanto me ajudava a conseguir um
trabalho. Fernão era alguns anos mais velho do que eu, vivia amaciado
com uma mulher na qual havia feito dois filhos, sem nunca oficializar o
casamento. Não precisei mais que uns poucos meses para descobrir o
motivo do não casamento, ele já era casado no Ceará. Fernão era um
mulherengo de mão cheia, péssimo empregado, mas o que lhe faltava
em capacidade para o trabalho sobrava de safadeza. Ao menos duas
vezes por semana ele passava num puteiro a caminho de casa, numa
região de meretrício no centro da cidade compreendido entre as ruas
Bento Freitas, Marquês de Itu e Rego Freitas; fodia uma boceta barata e
tomava umas cervejas com uns caras que moravam nos quartos do
mesmo edifício antigo onde estava instalado o puteiro. Ele me levava
com ele, fez propaganda do meu belo físico para as putas mais jovens e
me deixava extremamente constrangido. Nenhuma das minhas
desculpas para não acompanhá-lo eram aceitas, e eu me via coagido a
enfrentar aquela situação sem ter o que fazer.
Enquanto ele metia a estrovenga numa das quengas que já o
conheciam, eu ficava sentado na escadaria esperando-o terminar a
orgia para voltarmos para casa. Enquanto esperava, passavam por mim
travestis, rapazes vindos de cidades pequenas das mais diversas partes
do país cujos empregos mal davam para pagar o aluguel daquela
espelunca, e um ou outro morador dos pequenos apartamentos dos
andares mais altos, já que não havia elevador no prédio. Foi assim que
conheci o Getúlio, motoqueiro entregador de encomendas durante o dia
e travesti Juliana à noite numa boate da região. Com o tempo, ele foi
me apresentando outros amigos dele, quase todos gays e um machinho
invocado, Paulão que agia como se fosse o protetor deles todos.
- Está vendo o potencial do garoto, Paulão? Esse é filé, não é para o seu

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bico! Quisera eu ter esse corpitcho e essa bunda, tava feita na vida! –
exclamou o Getúlio/Juliana quando me apresentou a ele.
- Qual sua idade moleque? – perguntou interessado, me examinando da
cabeça aos pés como se eu fosse uma mercadoria à venda.
- Dezoito! Mas não estou para essas paradas, não! – fui logo avisando.
- Faz o que aqui, então?
- Já disse, Paulão, não é para o seu bico! Deixa o garotão em paz! Ele
vem acompanhando um cliente que a Dora está dando um trato no
momento. O nome dele é Lucas e boto meu cu na reta se ele ainda não
for virgem! – disse o Getúlo/Juliana
- Tu bota o cu na reta por qualquer mixaria, seu veado do caralho! –
retrucou o Paulão.
- Tem certeza que não quer fazer uma grana, moleque? Posso te levar
nuns lugares cinco estrelas, vão gostar de você por lá! – propôs
- E tu lá conhece algum lugar cinco estrelas, Paulão? Cai na real, tu não
passa de um explorador de velhas e gays sexagenários! Essa piroca
que nem está com essa bola toda, não pega mais do que isso!
- Senta aqui então veado da porra, depois que essa piroca estourar as
últimas pregas que você deve ter, me diz se não estou com essa bola
toda! – revidou zangado o Paulão, pegando no pacotão que tinha entre
as pernas.
Quando o Fernão saiu do quarto da puta eu respirei aliviado por me ver
livre daquele constrangimento, embora simpatizasse com aquele
pessoal esquisito, muito diverso de tudo que eu já tinha visto.
Fernão não era tão esperto e safo como imaginava. Numa noite ao
voltarmos do trabalho e da habitual passagem pelo puteiro, a mulher o
esperava na companhia de dois irmãos. Ela descobrira por meio de uma
amiga cuja reputação também não era lá essas coisas e que conhecia
uma das putas onde o Fernão ia se esbaldar depois do expediente, que
estava fazendo papel de corna. Foi uma briga feia. A mulher
descarregou sua ira na forma de gritos que a vizinhança toda ouviu, de
posse de uma faca para destrinchar ameaçou cortar o que o Fernão
tinha de mais importante, o pau infiel. Atracaram-se. Ele batia, ela
apanhava; ela batia, ele apanhava. Os irmãos dela assistiram o duelo
por um tempo, depois partiram para cima do marido adultero e só o
soltaram, jogando-o no meio da rua, quando o infeliz estava com o
corpo todo moído de tantos socos que levou. Eu, que nada tinha a ver
com a traição, mas que fui equiparado como cúmplice das safadezas

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dele, fui sumariamente despejado da casa e convidado a nunca mais
dar as caras por lá. Em suma, estava sem teto novamente.
A dona Evangelina havia deixado um recado que me foi transmitido
juntamente com o despejo – que a procura-se, pois tinha novidades
quanto ao paradeiro dos meus pais. – depois de ajudar o Fernão a
procurar abrigo na casa de um colega, pois mal conseguia andar de
tanto que apanhou dos cunhados, fui ter com ela.
- Sua mãe me ligou e eu contei que você tinha saído da Casa de
Acolhimento Socioeducativo havia uns meses e que a procurou. Aqui
está o número do celular dela. Ela pediu que ligasse assim que possível.
– avisou-me ela
- Obrigado, dona Evangelina, nem sei como lhe agradecer, a senhora é
uma santa! – exclamei eufórico, tascando-lhe um beijo nas bochechas,
o que a deixou toda envaidecida.
- Sabes que és um gajo muito querido, não sabes? – devolveu risonha
naquele sotaque português que nunca a abandonou apesar de ter
vivido mais tempo no Brasil do que em sua terra natal. – E vais ficar cá
comigo, pois já estou a sabere que o Fernão foi expulso de casa –
emendou.
Também foi ela quem me conseguiu um emprego de balconista num
armarinho do bairro, cujo dono era conterrâneo dela e conhecido de
longa data do finado marido dela, o que me permitiu colaborar com as
despesas da casa enquanto tocava a vida adiante. Era um serviço leve
e fácil, minha presença logo fez aumentar a frequência de clientes
mulheres, que faziam questão de serem atendidas por mim, ao invés do
dono carrancudo que facilmente se irritava diante da indecisão dos
clientes. O português se mostrou satisfeito com meu desempenho e
também um tanto quanto ousado quando as curvas da minha bunda
começaram a acordar o pinto murcho que há tempos não era
acometido de comichões tão frequentes. A bem do salário no final do
mês, eu fingia não perceber sua indiscrição e muito menos as
encoxadas que levava ao ser prensado contra o balcão.
Nessa nova vida conheci o irmão de um colega da escola, Juvenal, um
malaco de uns vinte anos que sobrevivia aplicando pequenos golpes
em desavisados e ingênuos, oferecendo seu corpo musculoso e
atraente para solteironas e mulheres mais velhas e carentes em troca
de uma grana ou presentes. Alguns gays mais velhos que abordava nas
saídas de saunas também faziam parte de seus préstimos sexuais. Ou,

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quando esses clientes rareavam, ele revendia produtos que surrupiava
de algumas lojas do bairro. O fato é, que ele sempre tinha uns trocados
no bolso, exibia umas correntes de prata cafonas no pescoço e
celulares de última geração.
Um dia o Juvenal me levou ao Cine República, um dos locais onde fazia
ponto. A princípio, quando me fez o convite mencionando a palavra
cinema, pensei que fossemos assistir a um filme, mas pouco depois
descobri não se tratar de um cinema convencional, mas de um local de
pegação. Uma sensação estranha se apossou de mim quando
adentramos ao local imerso numa escuridão que mal dava para
distinguir uns palmos diante do nariz, antes dos olhos se acostumarem
com a escuridão intensa. No térreo, passamos por uma sala de exibição
quase convencional, onde rolava uma suruba generalizada entre
homens e mulheres na tela. Sem nos determos, o Juvenal me explicou
que era onde passavam os filmes pornôs heterossexuais. Subimos ao
segundo andar, que era o território onde ele parecia conhecer todo
mundo, pois passava pelos caras encostados às paredes
cumprimentando-os como velhos amigos. Era o andar dos filmes gays,
de dark rooms dentro de uma das quais nos encontrávamos e um bar
para o qual ele me apontou e instruiu a ir caso ele fosse abordado por
algum cliente e fosse fazer um programa. Que universo é esse, fiquei a
me perguntar em minha ignorância ingênua; jamais havia sequer
imaginado que um mundo como esse existia.
O corpão do Juvenal fazia sucesso, homens na faixa dos 50 e 60 anos
logo o cercaram, alisaram o cacete dele e lhe dirigiam sorrisos lascivos
e convidativos. Após uma troca rápida de algumas frases, ele se dirigiu
a um canto com um sujeito na faixa dos 50. Antes de eu me dirigir ao
bar, conforme ele havia me instruído, pude ver o sujeito tirando o
cacetão do Juvenal para fora e caindo de boca na tora grossa. Não sei o
que me levou a sentir um misto de nojo e excitação que desceu pela
minha coluna e fez meu cuzinho piscar.
Depois de quase duas horas sentado no bar observando o movimento
frenético de clientes e, já bem passado da meia-noite, cheguei à
conclusão que o Juvenal não ia voltar. Ele tinha me precavido de que o
programa rápido de não mais de meia hora que acontecia no dark room
podia se estender para algo mais demorado em outro lugar se o cliente
pagasse bem. Até aí tudo bem. O problema era que eu não tinha grana
no bolso nem para a passagem do metrô, uma vez que ele, ao me fazer

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o convite, havia se proposto a pagar por tudo, além de haver esquecido
minha carteira em casa.
O movimento foi diminuindo à medida que a madrugada avançava, às
04:40 só restavam meia dúzia de pessoas sonolentas sentadas no
balcão do bar ou recostadas nas paredes. Fazia tempo que o cara
quarentão parrudo estava me encarando, depois de haver atendido
dois clientes na entrada do dark room de onde pude vê-lo em ação, um
que apenas lhe fez um boquete, e outro que depois da mamada na rola,
foi prensado contra a parede feito uma lagartixa e levou a estrovenga
no rabo enquanto gemia. Ele metia forte, lançava seu corpão
musculoso contra o cliente a cada estocada bruta, sem que sua
expressão facial demonstrasse qualquer sentimento. Eu não estava só
extasiado, sentia um tesão crescendo dentro de mim, o pau
endurecendo, o cuzinho convulsionando, e um desejo irrefreável de
estar na posição daquele cliente. O cliente lhe passou a grana depois
de subir as calças que haviam escorregado até seus pés, e ele tirou a
camisinha cheia de porra do pauzão, fez um nó e a jogou num canto do
chão, guardou a pica na calça e veio em direção ao bar onde se
recostou numa parede à espera do próximo cliente. Eu nunca me senti
tão atraído por alguém. Ele tinha uma aparência rude daquele tipo de
macho hétero de poucas palavras, daqueles que não levam desaforo
para casa e resolvem as questões na base da porrada. Seus
movimentos eram lentos e pareciam ser bem estudados antes de
serem executados e isso estava me deixando alucinado. Cheguei a
pensar em ir trocar umas palavras com ele, mas o que eu ia dizer para
um homem daqueles. Ele queria clientes, não um molecão sem um
tostão no bolso querendo puxar conversa mole. No entanto, depois de
um tempo também me lançando olhares esporádicos, foi ele quem se
aproximou.
- Esperando alguém?
- Sim, estava, mas acho que ele conseguiu um programa e esqueceu de
me avisar. – respondi
- O por que não foi para casa, não é mais hora de um molecão estar nas
ruas. – questionou. Envergonhado, demorei a responder.
- Vem sempre aqui? – perguntei, para ver se ele esquecia da pergunta.
- Às vezes! Você é amigo do Juvenal?
- Você o conhece? Sim, posso dizer que sou. – devolvi
- Aqui todos se conhecem, a maioria pelo menos! Notei que seu corpo

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atraiu muitos olhares, não quis fazer nenhum programa? – arre que
esse sujeito estava me deixando cada vez mais encabulado, eram as
perguntas, era aquele corpão parrudo, aquele rosto barbudo de macho,
aquele volume enorme dentro do jeans.
- Não vim fazer programa, só vim acompanhar o Juvenal, ele queria me
mostrar o lugar. – respondi. Foi quando percebeu que eu era um peixe
fora d’água naquele ambiente.
- Gostou? – por uma fração de segundos pensei que estava se referindo
a ele, e quase caí na esparrela de responder que sim, que o achava
muito atraente e sedutor.
- Quase! Quer dizer, acho que sim, isto é, é um lugar muito diferente. –
gaguejei feito um tolo, ao notar um sorrisinho se formando em seus
lábios.
- O Juvenal saiu faz tempo com um cliente, e você ainda não me
respondeu porque não foi para casa. – insistiu.
- Não sei bem como chegar em casa, ainda sou novato nessa parte da
cidade e estou sem grana. Vou esperar amanhecer para ligar para o
Juvenal e perguntar como posso voltar para casa. – respondi sincero e
corando, pois ele parecia estar me devorando com aquele olhar
penetrante.
- Para onde precisa ir?
- Belenzinho! É o nome do bairro. – respondi, como se ele não
conhecesse a cidade melhor do que eu.
- De onde você é?
- Nasci aqui, mas quase nunca saí do bairro onde morava com meus
pais, não conheço a cidade direito. – esclareci, omitindo é lógico o fato
de que quando comecei a ter idade para me deslocar sozinho, fui
trancafiado num centro de detenção juvenil.
Ele me ouvia enternecido, dava para notar no brilho do olhar dele.
Estava sacando que eu era um molecão inexperiente, virgem,
desamparado e cujo corpo e rosto angelical estavam lhe dando um
tesão da porra, uma vontade voraz de saborear meus lábios, sentir a
maciez da minha boca, envolver meu corpo em seus braços.
- Está amanhecendo! – exclamou ao consultar relógio. Está com fome?
- Um pouco! Acho que vou ligar para o Juvenal. – respondi
- Vem comigo, vamos tomar um café, tem uma padaria aqui perto num
edifício chamado Copam, conhece? – convidou. – Você ainda não me
disse seu nome!

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- É Lucas! Não sei, acho melhor voltar para casa. – respondi. A verdade
era que estava com medo de ficar perto dele, de não conseguir resistir
ao seu olhar se fosse me chamar para algum lugar e meter o pauzão
dele no meu cuzinho. Só de pensar nisso, meu corpo tremia.
- O que foi Lucas, por que ficou tão sério de repente? Está com medo de
mim? Meu chamo Pedro! – como ele sabia que eu estava morrendo de
medo dele? Agora tudo ficou ainda mais nebuloso. – Não vai me
responder?
- Não, não é! Quer dizer, sim é; mas não, não estou; já ouvi falar só não
sei onde fica! – nenhum pensamento coerente passava pela minha
mente, eu só conseguia prestar atenção naquele par de olhos que não
se desviavam de mim.
- Vem cá, moleque! Não sou nenhum bicho papão! Só te acho lindo
demais para ficar solto por aí sem rumo e com fome. Tem muito gavião
procurando um passarinho lindo feito você para comer. – sentenciou
rindo e me abraçando junto ao corpo quente dele.
Devorando um lanche na companhia dele, meia hora depois eu estava
tão relaxado que a conversa rolava franca e solta, embora aquela
sensação de ser uma presa ainda estivesse a me atormentar. Por ser
um sábado, eu não precisava ir para o trabalho, uma vez que a esposa
do português me substituía nesses dias no meio expediente que o
armarinho funcionava.
Da padaria ele me levou a casa dele, uma quitinete na cobertura de um
prédio baixo quase ao lado do Minhocão numa rua de Santa Cecília. Já
não era somente meu corpo que tremia, as pernas o seguiam por
inércia, o coração queria sair pela boca, e quando entramos no
pequeno apartamento e ele fechou a porta atrás de si eu voltei a sentir
aquela mesma sensação que senti quando me levaram para o Centro
de Detenção só que com uma diferença, agora era como se fosse uma
jaula junto com um leão faminto.
- Você está tremendo, Lucas! Está tudo bem? – questionou, tocando sua
mão enorme e pesada no meu rosto lisinho.
- Está! Eu acho! Tudo bem, estou bem, sim! O que vai fazer comigo?
- Nada Lucas! Não vou fazer nada com você, se acalme! – respondeu
me abraçando e me comprimindo contra aquele tórax sólido. – Alguém
já fez alguma coisa com você? Te machucaram?
- Não! Ninguém fez nada comigo! Eu não deixei! – escapou sem querer,
me referindo ao episódio da tentativa de estupro dentro da Casa de

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Acolhimento.
- O que tentaram fazer com você? O que você não deixou que fizesse? –
ai, como ele fazia perguntas. Para que tantas perguntas se eu estava
quase me cagando de tanto medo ao sentir como ele era forte, como
seu cheiro era inebriante, como aquele calor que vinha dele fazia meu
cu piscar sem parar.
- Nada! Não fizeram nada!
- Olha para mim, Lucas! – disse, erguendo meu queixo de modo a que
eu o encarasse. – Seja lá o que fizeram com você, eu juro que não vou
fazer o mesmo! Você está seguro comigo, pode confiar! Nunca faria
nada para te machucar, acredite! – eu acreditei, porque aquele olhar
não podia estar mentindo, porque aqueles braços que me envolviam
eram a coisa mais segura que já senti na vida.
- Eu sei, Pedro! Eu confio! Só estou sentindo umas coisas que nunca
senti antes. – afirmei
- O que está sentindo? Você ainda está tremendo! É porque está nos
meus braços? – ai, essas perguntas que não acabavam nunca.
- É!
- Fala para mim, Lucas, o que está sentindo?
- Tesão! – minha voz saiu tão baixa que ele mal conseguiu ouvir, não
fosse a excitação que percorria seu corpo.
- Ah, moleque! Está com tesão, é? Muito tesão? Tesão por mim? –
questionava me apertando cada vez mais forte contra o peito.
- É!
- Também estou com muito tesão! Dá uma olhada para isso aqui, e veja
como estou com tesão. – disse, apontando para a ereção cavalar
aprisionada no jeans. Mas não vou fazer nada que você não queira,
entende?
- Ahã! – respondi, voltando a procurar nem sei o que naqueles olhos. – É
que não sei o que eu quero, só sei que quero! Eu nunca fiz nada, não
sei como se faz, mas queria fazer com você! – confessei num arroubo
de coragem.
- Sabe o que está me pedindo, moleque? Está me deixando maluco com
esse rostinho me encarando. Eu também quero você, como nunca quis
algo ou alguém antes. – devolveu ele.
- Me ensina? – a sugestão foi demais para ele. Sua boca se acoplou à
minha num furor desmedido, a língua me penetrou e vasculhou cada
recanto da minha boca, a saliva morna dele escorria se misturando à

60/
minha e eu só queria que aquele instante se perpetrasse para todo o
sempre.
- Ah moleque, assim você me mata! – exclamou quando começou a
arrancar as roupas do meu corpo e a admirar embevecido a nudez que
tinha a seu dispor.
Foram longos minutos tateando pelo meu corpo, explorando cada
detalhe, deslizando aquela mão grande sobre a pele que se incendiava
ao toque cobiçoso dele, enquanto os beijos libidinosos se sucediam
cada vez mais ávidos. Meus mamilos estavam duros e sensíveis, meu
pinto nunca esteve tão rijo, meu cuzinho se contorcia em espasmos.
- O que foi isso? – perguntou, quando os dois dedos com os quais
esteve amassando os bicos dos meus mamilos escorregaram sobre a
cicatriz do peitinho direito.
- Me enfiaram um estilete! Tenho mais outra aqui! – afirmei virando um
pouco de lado para que lhe mostrar a cicatriz na região lombar.
- Quem fez isso com você? – indagou perplexo
- A das costas foi meu pai quando me jogou em cima de uma mesa
cheia de garrafas de cerveja quando estava me dando uma surra.
Algumas quebraram e um pedaço de vidro entrou em mim. – revelei,
enquanto ele afagava suavemente a cicatriz. – A do estilete foi na Casa
de Acolhimento Socioeducativa onde fiquei preso por dois anos e meio.
– ele me encarou indignado.
- O que você fez? Você matou alguém, moleque? – por uns instantes
pensei que ia me expulsar e nunca mais olhar na minha cara, o olhar de
rejeição dele doeu fundo.
- Não! Juro que não, Pedro! – exclamei de pronto, com os olhos
marejados, achando que o tinha perdido antes mesmo de nos
conhecermos mais a fundo.
Ele então me puxou para junto dele, beijou minha testa e me apertou
contra o tronco vigoroso. Toquei suavemente seu rosto, cofiei a barba
por fazer e beijei-o na boca com toda devoção que tinha no coração.
Nunca antes alguém havia me acolhido com tanto afeto e tive vontade
chorar, mas não era hora de mostrar minhas fraquezas. Acariciei os
pelos do peito dele, grossos, mas sedosos, e fui percorrendo a trilha
peluda que levava à virilha passando pelo abdômen musculoso. A
respiração dele parou, seus olhos não se desviavam da minha mão e,
lenta e delicadamente, eu a introduzi na bermuda dele até encontrar o
que havia me deixado tão excitado quando aquele cliente na dark room

61/
fez um boquete na mangueira colossal e grossa que saiu da braguilha.
O Pedro começou a arfar, o pauzão dando ligeiros pinotes estava
envolto pela minha mão macia que, vagarosamente o tirou da bermuda
para que eu pudesse admirar todo seu esplendor.
- Gosta? – murmurou ele, quando me viu indeciso sobre o que fazer
com aquilo
- Muito! É lindo! É tão másculo! – devolvi maravilhado.
- É todo seu, para fazer o que tiver vontade! – retrucou com o tesão a
lhe corroer as entranhas.
Eu me inclinei sobre a virilha peluda, segurei o pauzão com uma das
mãos e contornei a cabeçorra úmida com os lábios. Imediatamente
senti um líquido viscoso entrar na minha boca, salgado, saboroso,
perfumado como toda aquela região entre suas pernas musculosas,
aroma e sabor de macho.
- Caralho Lucas, mama logo essa porra, está me deixando maluco! –
grunhiu suspirando alto.
- Não sei como fazer! – exclamei sincero. Ele só faltou explodir de tanto
tesão.
- Lambe, chupa como se fosse um picolé, mas faça qualquer coisa com
essa boquinha de veludo para acabar com essa comichão na minha
pica! – devolveu, agarrando-me pelos cabelos e afundando meu rosto
nos pentelhos dele.
Era a tremedeira que não me deixava chupar direito, pois os lábios não
me obedeciam. Só aos poucos o sabor do melzinho que escorria do
pauzão dele foi me dando confiança, e uma vontade irresistível de
chupar e engolir aquele sumo delicioso. O Pedro ronronava à medida
que minhas lambidas e chupadas percorriam toda extensão da verga
carnuda. Eu ainda caí na bobeira de perguntar se estava fazendo tudo
certinho, o que o fez socar o caralhão no fundo da minha garganta e
explodir.
- Cacete, moleque! Certinho? Você está me levando à loucura, Lucas!
Mama tesudinho, mama que tem muito leite de macho para você
engolir. – ronronou extasiado.
Eu nunca tinha visto duas bolas tão grandes quanto as que estavam no
sacão pesado dele, e curioso, palpei-as com as pontas dos dedos,
depois as envolvi na mão e coloquei uma delas na boca, peluda como
estava, cheirando forte a almíscar e a massageei com a língua quando
ela encheu minha boca.

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- Engole a pica, engole moleque! – ordenou apressado, voltando a
enfiar a cabeçorra na minha boca e, segundos depois, jorrando os jatos
de uma porra cremosa e saborosa diretamente na minha garganta,
onde eu os engolia deliciado com sua textura e sabor, enquanto o Pedro
rugia feito um leão. – Tesão do caralho! Se já na primeira mamada você
faz um estrago desses na gente, imagina quando dominar a técnica. –
disse, enquanto eu engolia o último jato e lambia os beiços para
recolher o que havia escorrido.
- Você é tão gostoso, Pedro! – exclamei ao terminar e me lançar no
torso maciço dele.
De tão seguro que me sentia, enrodilhado no corpo do Pedro, com ele
passando a mão suavemente na minha nádega e sua respiração
cadenciada ressoando no ouvido encostado no peito dele, acabei
cochilando. Sentia como se estivesse num ninho onde nada de ruim
podia me acontecer. Passaram-se horas sem eu perceber. Quando
despertei estava escuro, a janela pela qual antes se infiltrava o sol
agora não passava de uma moldura para o entardecer. Ele estava
desperto, ainda roçava de leve a minha bunda e me mantinha em seus
braços. Vagarosamente fui levando a mão até seu sexo gigantesco, que
estava flácido caído sobre sua coxa musculosa e peluda com a glande
arroxeada exposta. Afaguei-o de leve, afundando as pontas dos dedos
nos pentelhos grossos e crespos o que o fez reagir.
- Acordou, bela adormecida? Está dormindo há horas!
- É tão bom estar aqui com você!
- Eu podia passar a vida toda com você em meus braços e acariciando
meu pau. Mas, se continuar com essa mão safada brincando com a
minha rola, já sabe o que vai acontecer. – sussurrou, ao sentir que a
verga também despertava excitada.
- Entra em mim, Pedro! – exclamei, ao primeiro espasmo que contraiu
meu ânus.
- Você deveria ser proibido de falar certas coisas, moleque, para não
matar a gente de tanto tesão. – devolveu ele, num suspiro rouco.
- Quero que faça comigo o que fez ontem à noite com aquele cliente no
dark room.
- Ia estourar todo seu cuzinho! Você é virgem, e aquele cara é mais
largo que a boca de um túnel. Não posso fazer isso com você! –
retrucou
- Você sabe como fazer, só entra em mim! Eu quero te sentir dentro do

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meu corpo! – tornei a pedir, encarando-o com doçura, quando o pauzão
dele já estava tão rijo e vertendo pré-sêmen que não conseguia movê-
lo.
- Ah, moleque, o quer de mim? Me matar de tesão? Me levar à loucura?
Faz ideia do que está fazendo comigo ao me pedir isso? – perguntava
em êxtase.
- Só quero que entre em mim para eu poder te aninhar, para te fazer
carinho. – respondi, antes de me deitar de bruços e dar uma leve
empinada na bunda.
Ele veio para cima de mim com tudo, arfando ruidoso, com o corpo
tenso pela adrenalina que corria em suas veias e pela testosterona que
ingurgitava seus colhões enormes e dava rigidez ao caralhão. Com
ambas as mãos ele abriu minhas nádegas, expondo o reguinho liso e
profundo no qual vislumbrou o buraquinho rosado circundado por
preguinhas rugosas. No primeiro beijo molhado sobre a parte interna de
uma das bandas eu não contive o tesão e gemi, tamanho o prazer que
se apossou de mim. Eles foram se repetindo, adentrando cada vez mais
fundo no rego até que um deles cobriu minha rosquinha anal, fiquei
todo arrepiado. Pensei que ia desfalecer e em meio ao gritinho que
escapou da boca, pronunciei seu nome.
- Ai Pedro!
A barba pinicava a pele alva e sensível do rego e a língua dele
explorava minha fendinha numa sofreguidão descontrolada, me
fazendo gemer manhoso. Ele montou em mim, seu corpão parrudo e
pesado me prendia debaixo dele. Ele cuspiu no meu buraquinho e
enfiou o polegar para sondar a elasticidade.
- Delícia de cuzinho apertado! Por ser a primeira vez, vai doer um
pouco, e não tenho gel para amenizar, pois não contava ter seu cuzinho
a minha disposição! Está preparado?
- Ai Pedro, entra em mim, Pedro! – implorei, pois só queria aquele
macho inteiro dentro do meu corpo.
Antes de encaixar a cabeça babada do caralhão no meu orifício ele
cuspiu novamente sobre ele e deu uma forçada, o que me fez prender a
respiração. Senti as preguinhas estirando e, abruptamente, a cabeçorra
insuflada escorregou para dentro do meu cuzinho, estourando tudo que
encontrava pelo caminho. Gritei e me agarrei aos lençóis sentindo uma
dor forte me rasgando os esfíncteres. O Pedro me abraçou, bolinou
meus mamilos, deu um chupão forte na nuca e foi gradativamente

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metendo o restante do cacetão no meu cuzinho, me alargando como se
estivesse a cavar uma trincheira no meu rabo.
- Tá doendo, Pedro! – gani, sentindo a carne se rasgar.
- Já vai passar, moleque! Aguenta firme que já vai passar! Eu te avisei
que ia doer, não avisei?
- Foi, mas não pensei que fosse tanto!
- Quer que eu tire?
- Não! Não tira, Pedro! Eu vou ser forte, prometo! Só não tira, está
doendo, mas nunca senti tanto prazer. – afirmei
- Isso tesudinho do caralho, entrega esse cuzinho virgem para mim,
entrega! – arfava ele, bombando meu buraquinho com força.
Eu gania sentindo o poder do cacetão dele socando meu cu e, apesar
de doer bastante era gostoso por demais sentir aquele vaivém rítmico
tirando meu cabaço. O esfrega-esfrega do meu pinto duro contra o
colchão me fez gozar espalhando uma onda de prazer pelo meu corpo
trêmulo. Soltei outro gritinho quando o primeiro jato eclodiu, o que
permitiu ao Pedro saber que eu estava gozando com o cacetão dele me
arrombando.
- Está gostando, não é moleque safado? Agora você é oficialmente gay,
o gayzinho mais lindo e gostoso que já fodi! – grunhia o Pedro,
acelerando as estocadas, o que me dava a sensação de estar
empalado.
O arfar dele também acelerou, ele me agarrava com mais força, quase
me amassando, do fundo da garganta vinham grunhidos roucos, o
corpão se retesava e eu sentia o pauzão atolado no meu cu inchando.
Ele se estremeceu todo, urrou e começou a gozar. Uma sequência de
pulsadas fortes foi inundando meu cuzinho com o esperma leitoso e
morno dele, parecia um sonho, o auge da felicidade.
- Quero ser seu, Pedro! – exclamei, sentindo os jatos sendo despejados
no cu
- Você já é meu, moleque! Sou seu macho agora e vou te inseminar
com meu leite toda vez que tiver vontade. – afirmou ele, deixando o
peso do corpo cair em cima de mim, enquanto o caralhão dava as
últimas pulsadas antes de entrar em repouso.
Quando sacou o caralhão grosso do meu cuzinho, constatou o estrago.
O imenso rombo deixado ia se fechando aos poucos e exibia a minha
mucosa anal vermelha e esfolada, coberta de porra. De um bocado de
preguinhas dilaceradas brotavam gotas de sangue que escorriam num

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filete pelo reguinho como um riacho corre em seu leito. Meu cu ardia
como se estivesse queimando, mas não me tirava o prazer que estava
sentindo.
O Pedro foi molhar uma toalha na pia do banheiro e veio limpar meu
reguinho, admirando cheio de tesão e ternura o cuzinho aflorando
sangue que tanto prazer lhe proporcionou. Aquilo agora era dele, seu
território, sobre o qual exerceria todo poder de macho dominante.
Mudei-me para a casa dele sem pensar duas vezes. Aquele macho era
tudo do que eu precisava. A dona Evangelina foi novamente
compreensiva, parecia saber que eu era um nômade à procura da
felicidade. Mesmo assim, me deu um conselho – que não fosse tão
ávido ao pote, que não entregasse meu coração ao primeiro homem
que me dissesse palavras bonitas, que fosse cauteloso com as pessoas,
pois muitas delas podiam se aproveitar da minha ingenuidade – e,
deixou mais uma vez a porta de sua casa aberta para mim.
- Sabes que podes voltar quando quiseres e precisares, não sabes, meu
menino? – sentenciou emocionada, como se a cada partida eu lhe
roubasse um pouco da felicidade.
- Amo a senhora, dona Evangelina! Amo muito! – devolvi, abraçando-a
- Agora vá, estás a me fazer chorar, e o gajo já está a se mostrar
impaciente com a sua demora! – exclamou, apontando para o Pedro
que me aguardava no portão. – Cuida-te, meu menino!
O Pedro não estava brincando quando afirmou que era meu macho e
que eu lhe pertencia depois de se apossar do meu cu. Pouco mais de
uma semana após me descabaçar, disse que queria que eu conhecesse
um cara.
- Comentei sobre você e ele ficou interessado, quer te conhecer. É um
cliente diferenciado, não vai até as boates, quando me chama vou à
casa ou ao escritório dele, é advogado e paga muito melhor que os do
cine, boates ou saunas. É um gay versátil, como só faço o ativo ele quer
transar com um passivinho. Marquei no escritório dele no final da tarde
e fiquei de te levar, já avisei que vai custar o dobro e ele topou na hora
quando mostrei sua foto. – confesso que fiquei um pouco decepcionado,
nem tanto por ele transar profissionalmente com outros caras, mas por
não querer a minha exclusividade.
- Tudo bem, faço o que você mandar! – respondi, sabendo que de
alguma forma eu teria que pagar minha estadia na casa dele. Nada na
vida sai de graça, isso eu já aprendi.

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Chegamos ao escritório alguns minutos depois do horário combinado;
segundo o Pedro, era bom deixar os clientes esperando ansiosos para
levar um cacete no rabo, deixava-os com mais tesão e mais
obedientes. E foi o que constatei assim que o sujeito abriu a porta
agitado. Ele devia ter mais ou menos a mesma idade do Pedro,
quarenta e pouco, o corpo não era lá essas coisas e a cara muito
menos, era um homem feio com duas entradas profundas na testa e
uma barba grisalha densa. O sorriso com o qual nos recebeu era frio e
imparcial, só o olhar que lançou para o meio das pernas do Pedro
indicava seu desejo.
Fomos para uma sala nos fundos do escritório, ele mandou que
tirássemos a roupa e afrouxou a gravata, abriu os botões da camisa
fazendo surgir um peito bastante peludo. Seu olhar cobiçoso se dividiu
entre o caralhão do Pedro e a minha bunda polpuda. Nunca antes senti
tanta vergonha por estar nu diante de alguém e cobria meu sexo
pequeno com as duas mãos.
- Dá uma volta, moleque! Quero ver seu rabo! – ordenou, o que fiz
começando a tremer, depois de procurar a aprovação do Pedro com um
olhar recatado.
- Falei que era coisa boa! Grande, carnudo e bem rijo, pode testar! –
disse o Pedro.
- Bem melhor do que nas fotos! Como conseguiu essa gracinha?
- Tenho minhas fontes! – respondeu o Pedro
- Qual sua idade, moleque? - perguntou o sujeito
- Dezoito!
- Tem certeza que esse moleque tem dezoitos anos, Pedro? Não vai me
meter numa fria! O garoto tem carinha de bem menos que isso! –
questionou o sujeito, manipulando o cacete que já estava duro sob a
calça.
- Posso mostrar a identidade, se quiser. – ponderei.
- Confio em você Pedro! O molecão é gostoso para caralho!
- Pode confiar, como ele mesmo disse, tem a identidade para provar.
- Fode o moleque, Pedro! Fode o cu desse veadinho da porra, quero
ouvir ele gritando na sua vara. – sentenciou, sentado numa cadeira
giratória de onde queria apreciar o coito entre dois corpos de tamanhos
tão diferentes.
Demorou um pouco mais que o normal para o caralhão do Pedro
endurecer, talvez porque precisasse de mais concentração quando

67/
trepava por dinheiro; então fui até ele e o beijei na boca, na borda da
mandíbula, entre os mamilos, ao mesmo tempo em que acariciava suas
bolas e desencapava a cabeçorra. Ele endureceu na hora, me agarrou
pela nuca, meteu a língua na minha boca e entrou com a mão no meu
rego, metendo um dedo no meu cuzinho, o que me fez soltar um
gemido excitado que deixou o cliente fervendo de tesão. Debrucei-me
sobre o espaldar do sofá no meio da sala e ofereci minha bunda ao
Pedro.
- Fode, porra! Fode esse veado filho da puta! Quero ouvir ele gritar! –
exclamou exigente o sujeito.
Eu não queria gritar, mas a estocada potente que o Pedro deu no meu
cuzinho alargando-o além da elasticidade, fez meu grito preencher o ar
de luxúria e devassidão. Ele me segurava pela cintura e socava forte
feito um garanhão, quis pedir para ele ir mais devagar, mas não era um
sexo baunilha que o sujeito que estava pagando queria, ele queria ver
meu cu arregaçado pelo caralhão grosso do Pedro. Não foi igual das
outras vezes que ele me pegou, era algo mais impessoal e sem
emoção.
- Fode a bichinha! Arregaça esse cu, rasga todas as pregas do veado! –
dizia o cliente, após tirar o pau para fora e se masturbar nos assistindo.
Tive receio do caralhão do Pedro me rachar ao meio e gemia
desesperado, contando aflito os minutos para ele gozar logo, enquanto
as lágrimas enchiam meus olhos.
- Chora não, sua putinha safada! Bicha gosta de rola no cu, você devia
agradecer por ter uma desse tamanho enfiada no rabo. – quanto mais o
cliente falava, mais humilhado eu me sentia, e mais forte e fundo o
Pedro me estocava, socando minha próstata contra o púbis e
desencadeando uma dor lancinante por toda pelve.
O sujeito tirou a roupa, confirmando o corpo disforme e sonso, e
agarrou meus cabelos enfiando a pica na minha boca. Era um pau
modesto, cabeça fina e que ia engrossando pouco antes de chegar ao
saco, coube quase tudo na minha boca e me esforcei para chupar
aquilo. No entanto, ele mal me deixava mamar a caceta, ficava
estocando ela na minha garganta num frenesi impulsivo, sem tirar os
olhos do desempenho másculo do Pedro me possuindo como uma
cadelinha de rua.
- Vou gozar! – avisou o Pedro, metendo forte e fazendo o sacão dele
bater sonoramente nas bandas da minha bunda.

68/
- No cu dele não! Goza na minha boca, quero tua porra, macho! – pediu
o sujeito, ajoelhando-se diante do Pedro enquanto ele jorrava na boca e
no rosto do cliente. Ele não engoliu nada, deixou tudo escorrer no meio
da barba, o que achei um desperdício, pois aquele sumo tinha um sabor
divino.
Suado, e tendo esporrado muito, o Pedro foi se sentar. O sujeito limpou
a barba com uma toalha e veio para cima de mim, que ainda estava
debruçado com as pernas abertas tremendo tanto que não me atrevi a
sair da posição em que fui arrombado.
- Agora é a minha vez, moleque veado! Abre esse cu para levar rola,
puto! – ordenou bruto.
Puxando minha cabeça para trás pelos cabelos, ele meteu a jeba no
meu cuzinho que nem havia se fechado por inteiro depois que o Pedro
sacou o pauzão dele. Fiquei grato pela penetração não doer, mesmo
quando o cara estava com o pau entalado até o talo no meu cu. Afoito,
ele mexia o pau no meu cuzinho, enfiava e puxava de volta, o que o fez
escapar algumas vezes escorregando pela abertura frouxa. Ele
amassou meus peitinhos, rugia no meu cangote e bombava devagar
para a pica não sair de novo. A excitação da posse vigorosa do Pedro
ainda repercutia pelo meu corpo, mas comecei a gostar daquele
vaivém, especialmente por que não doía muito. Afastei mais pernas e
arrebitei a bunda, o que o ajudou a meter mais fundo na maciez úmida
que o encapava.
- Tesão da porra! O macho aqui vai estourar seu cu, tesudo do caralho!
– exclamava ele, o que soava mais como um blefe dado que aquela
pica não chegava a empolgar.
Olhei para o Pedro com os olhos marejados, ele estava sério, pernas
bem abertas, o pauzão descansando nos observando com o
pensamento distante. Estou fazendo isso por você, Pedro, não me odeie
por isso, por favor, não me odeie, dizia eu a mim mesmo com aquele
cara montado em mim.
O sujeito devia estar esperando mais de mim, ganidos de dor e prazer,
gritos por estar lhe servindo, alguma reação mais forte que o fizesse se
sentir mais macho, mais dono do poder, e isso eu não conseguia
esboçar, apenas me deixava foder não vendo a hora de me
desvencilhar dele.
- Pode ir embora, quero ficar a sós com o moleque! – disse, ao perceber
que demorava a chegar ao clímax.

69/
- Não foi o combinado! – retrucou de imediato o Pedro.
- O combinado foi eu colocar uma boa grana na sua mão, ela está ali
naquele envelope na mesinha. – revidou o cliente. – Vista-se e nos
deixe! Não quero plateia enquanto fodo esse veadinho!
O Pedro hesitou, me encarou e fiz sinal acenando que estava tudo bem.
Eu sabia que ele precisava da grana. Tão logo fiquei a sós com o sujeito,
ele quis tirar a camisinha e meter sem ela.
- Com essa porra parece que estou chupando bala sem desembrulhar,
não estou conseguindo gozar! – afirmou.
- Sem camisinha não rola! – exclamei de pronto, me pondo em pé.
- Você vai fazer o que o macho aqui mandar, moleque! Debruça e abre
as pernas para eu terminar de arreganhar seu cu, veado! – ordenou
com rispidez.
Como me recusei, ele meteu um bofetão na minha cara, me jogou de
bruços sobre o sofá e quis me enrabar à força; me debati levando socos
até ele apertar meu pescoço e me sufocar. Percebendo que não ia
conseguir me controlar e que o pau já estava mole demais para
consumar a penetração, ele começou a urinar em cima da minha bunda
e coxas.
- Taí, veado do caralho! Se não vai porra no rabo, vou mijar nessa
bunda pública para você saber que não passa de um escroto, filho da
puta nascido para servir quem te paga! Depósito de porra de macho! –
disse, espumando de raiva por não ter chegado ao orgasmo.
De repente, a humilhação virou ódio, um ódio como nunca havia
sentido, eu queria esganar aquele miserável filho da puta e juntei todas
as forças, acertei um chute na barriga dele que o tirou de cima de mim
e o lançou longe. Acertei mais uns dois com ele se contorcendo no chão
e peguei rapidamente minhas roupas e sai correndo dali, sentindo falta
de ar e chorando; enquanto o sujeito me xingava e prometia foder com
a minha vida.
Na saída do prédio, passei correndo pelo Pedro e continuei correndo
pela calçada para me afastar daquele lugar.
- O que aconteceu, Lucas? Fala comigo, moleque! Por que está assim?
- Eu te odeio! Você me vendeu para aquele filho da puta! Ele me
humilhou, me bateu, quis me foder à força! Eu te odeio, Pedro! –
berrava e chorava, não deixando ele me tocar.
- Me fala o que aconteceu! Volta aqui, moleque! Volta aqui, estou
mandando, cacete! – vociferava ele, vindo ao meu encalço.

70/
- Você não é meu dono, não manda em mim! Eu odeio você, Pedro!
Odeio você! – exclamei, quando ele me agarrou e não me soltou mais,
abraçando forte meu corpo e me mandando ficar calmo, comigo
chorando a não mais poder.
- Vamos para casa, você vai me contar tudo o que aconteceu! – disse ao
entrarmos no táxi.
- Não quero mais olhar na sua cara! Você me vendeu como se eu fosse
uma mercadoria! – choraminguei em seu ombro, sem que ele tirasse
aqueles brações musculosos do meu tronco.
- Sei que está zangado, pode ficar zangado, meu moleque!
Em casa, mais calmo, mas ainda muito zangado com ele, fui me deitar
sem jantar. Ele entrou tarde na cama, se aconchegou em mim sem
cueca e voltou a me abraçar até eu adormecer. Nunca mais ele me
deixou sozinho com um cliente, e cobrava bem mais caro se o cliente
quisesse me foder o cuzinho.
Nunca perguntei ao Pedro de onde vinha a grana que o sustentava.
Sabia de sua atividade pelas boates e saunas, de uns lances sinistros
com dois sujeitos que ele costumava visitar num apartamento de classe
média na Vila Mariana, e pelos quais eu criei uma aversão já da
primeira vez que os vi, e de uns rolos que ele fazia com uns caras que
também faziam ponto nas boates onde atendia os clientes. De qualquer
forma, devia ser o suficiente para ele manter a quitinete, e pagar a
pensão de um filho dois anos mais novo do que eu, que vivia com sua
ex, uma cabelereira que havia se amaciado com uma amiga de infância
lésbica.
Ambas moravam numa casa térrea simples, mas bem arrumada num
bairro popular e tocavam um salão de beleza próximo ao centro da
cidade. Numa das visitas regulares que fazia ao filho, ele me levou
consigo e me apresentou. Devido à semelhança de idade, logo meu
entrosei com o Guilherme, seu filho. Ele também estava se descobrindo
gay, o que foi mais um elo a fazer com que nos tornássemos amigos.
Ele estudava num colégio particular, tinha um quarto bem montado
com tudo o que um garoto dessa idade gosta e precisa, e era onde
passávamos horas quando das nossas visitas semanais à ex do Pedro.
No instante em que o Pedro me apresentou, ela soube o que eu
significava na vida dele e, nem ele fez segredo da nossa relação,
abraçava-me, beijava-me lascivamente e não escondia o tesão que
acometia sua pica quando me sentava no colo dele na presença dela e

71/
do filho. Era de praxe passarmos o domingo na casa dela. O Pedro
comprava alguma coisa para levar, fazíamos um almoço ou churrasco
dividindo as tarefas e ficávamos até o anoitecer. Enquanto ele e a ex
resolviam questões práticas, geralmente sobre o filho, o Guilherme e eu
ficávamos no quarto dele assistindo TV, jogando videogame e falando
sobre os desafios da nossa sexualidade. Esses papos me levaram a me
conhecer melhor e eu gostava de conversar com ele, o que deixava o
Pedro curioso e, ao mesmo tempo, contente por nos darmos tão bem.
- Você não toma jeito mesmo, Pedro! Fodendo esse molecão que tem
quase a mesma idade do seu filho! Tenho que admitir que o garotão é
lindo e tem um corpo espetacular, e que foi isso que virou a sua
cabeça. Só me pergunto o que foi que esse molecão viu num cara feito
você, além da pica, é claro, que nisso você foi muito bem contemplado,
sem profissão, sem grana e, que podia ser o pai dele. – ouvi-a dizer
certo dia quando ela, a parceira e o Pedro conversavam no quintal e eu
tinha ido ao banheiro mijar e, cuja janela dava para o quintal.
- Não sei te responder o que foi que ele viu em mim. Porém, posso te
garantir que deve ser algo muito bom, pois ele me faz feliz como nunca
me senti antes. E posso assegurar que não é só da minha rola que ele
gosta, eu sinto a paixão dele por mim quase palpável. – devolveu o
Pedro, sabendo exatamente o que eu sentia por ele.
- Só não se esqueça que você tem obrigações com o seu filho, e não
com o dos outros! O colégio dele aumentou, o plano de saúde também,
adolescentes custam caro Pedro e eu não vou bancar tudo sozinha.
- Você nunca bancou nada sozinha, eu sempre banquei tudo o que o
Guilherme precisou. – defendeu-se o Pedro, ciente de estar sendo
explorado. Além do que, sua condição financeira é bem melhor e mais
estável que a minha, mas nunca deixei faltar nada para ele, por isso
não estou entendendo onde quer chegar com esse papo.
- É só um aviso! Sei que é um bom pai, e é por isso que sempre o
recebo bem em minha casa. – disse ela.
Naquele dia me dei conta de ser um peso na vida do Pedro, apesar de
me incumbir de todas as tarefas domésticas, de o acompanhar em
alguns programas com clientes que o requisitavam em suas casas e, de
nunca pedir a parte destinada a mim do pagamento que ele cobrava
dos clientes. Quando pedi que me deixasse fazer programas sem a
companhia dele para poder me bancar sozinho, ele ficou furioso;
brigamos e levei dois dias fazendo chamego nele antes de ele me

72/
enrabar novamente. Esse lado possessivo e autoritário dele às vezes
me assustava, me fazia lembrar da violência do meu pai, embora o
Pedro jamais tivesse erguido a mão para mim. Era seu jeito de macho
abrutalhado que não aceitava argumentos que pusessem sua
dominância em dúvida. Eu havia descoberto uma maneira infalível de
contornar esses embates, e ele cedia fácil, até certo ponto, quando lhe
entregava a bunda carnuda e receptiva, pedindo que me presenteasse
com seu leite viril. De carrancudo, passava a sorrir discretamente para
não dar o braço a torcer, e vinha mansinho se apossar do meu cuzinho
até o deixar encharcado de sêmen.
Há três meses eu carregava no bolso o papelzinho onde anotei o
número do celular da minha mãe, que a dona Evangelina tinha me
dado. Hesitava ligar receando que meu pai ficasse sabendo do meu
paradeiro depois de ter sido preso. Se ter um filho gay já o tinha feito
explodir num surto de raiva, o que não faria se soubesse que passei
dois anos e meio num centro de detenção juvenil cumprindo pena,
mesmo não tendo feito nada de errado, apenas ter me envolvido com
as pessoas erradas? Ele ia me trucidar antes mesmo de eu abrir minha
boca para tentar explicar o que aconteceu, à semelhança do que fez
quando o Deolindo postou o vídeo fake no qual eu aparecia
supostamente chupando a pica do companheiro de farda.
- Liga para a sua mãe, que se foda seu pai! Sei que está com saudades
dela, você é um garoto, é natural que sinta falta da sua mãe. –
encorajou-me o Pedro. – Vamos descobrir onde ela está morando e eu
vou te acompanhar. Não precisa se encontrar com seu pai. – disse, me
entregando seu celular para que fizesse a ligação.
Mais chorei do que falei ao ouvir a voz da minha mãe. Há três anos não
a ouvia soando doce carinhosa. Eu disse que estava bem, perguntei
para onde haviam se mudado e pedi para vê-la.
- Sinto sua falta, filho! – exclamou chorosa, o que me levou aos prantos
e a sentir um vazio imenso no peito. – Como você está? Soubemos que
saiu da Casa de Acolhida Socioeducativa. Seu pai ficou furioso quando
soube da sua prisão, jurou que o mataria se ousasse nos procurar. Ele
anda insuportável depois que foi obrigado a deixar a PM. Foi quando
nos mudamos para Itu, onde ele nasceu e passou a infância.
- E você como está, mãe? Ele continua te tratando mal? Eu queria tanto
poder te ajudar para que pudesse se livrar dele. Também quero te
visitar, um amigo disse que me levaria até você.

73/
- Vou ficar muito contente, mas avise antes de vir. Não vai ser nada
bom se seu pai souber ou se vocês se encontrarem. – avisou ela
- Está bem, vou ver quando será possível ir e te aviso.
- Beijo, meu filho! Se cuida!- desligou tão rápido que nem tive chance
de responder.
- Você também, mãe, se cuida! Amo você!
Ao devolver o celular para o Pedro ele me puxou para junto dele, me
abraçou e beijou minha testa.
- Vai ficar tudo bem, garoto! Você não está sozinho, eu estou aqui! –
asseverou, quando me abriguei em seu corpão sólido.
Quatro dias depois, num sábado, viajamos até Itu. A ex-esposa do
Pedro, também comovida com a minha situação, se ofereceu a nos
acompanhar. A casa onde meus pais estavam morando ficava num lote
junto com outras duas num bairro operário da cidade. A esposa do
Pedro foi sondar se minha mãe estava em casa e se estava sozinha,
pois a última pessoa que eu queria encontrar nesse mundo era meu
pai. Enquanto isso, o Pedro e eu ficamos no carro, uma centena de
metros distante da casa. Minhas mãos estavam suadas, o coração
acelerado e o choro querendo sair a qualquer momento. O Pedro tomou
meu rosto entre as mãos e me beijou a boca, não num beijo libidinoso,
mas num beijo carregado de afeto.
Estava com a minha mãe a Lucinda, uma vizinha da nossa antiga casa,
a mesma a quem fui perguntar se sabia do paradeiro dos meus pais
quando fui solto da Casa de Acolhimento, e que negou ter notícias
deles, mentiu a desgraçada. Uma garotinha de mais ou menos três
anos se escondeu atrás da saia da minha mãe quando ela veio nos
receber na pequena varanda fronteiriça à casa. Ela me examinava com
os olhos grandes de um verde claro iguaizinhos aos meus e, quando me
inclinei na direção dela sorriu tímida.
- É sua irmã, Lucas! – disse minha mãe, me deixando em choque, antes
nos abraçarmos e chorarmos um no ombro do outro.
- Você teve uma filha com ele? – perguntei incrédulo, pois jamais
imaginei que ela quisesse ter mais filhos com aquele traste.
- Descobri que estava grávida pouco depois que você foi preso, foi por
isso que nunca te visitei. Logo depois que a Kátia nasceu nos mudamos
para cá e ficou mais difícil entrar em contato com você. – revelou.
- Achei que você também estava cansada de aturar o pai, e você tem
uma filha com ele, juro mãe, não dá para entender.

74/
- Aconteceu, o que eu podia fazer? – questionou resignada e submissa.
- E por onde ele anda agora que saiu da PM, ele não é muito novo para
se aposentar, o que faz para sustentar vocês?
- Você sabe que ele tem as costas quentes dentro da PM. Depois que
dois ladrõezinhos assaltaram uma lojinha e foram capturados por uma
equipe que seu pai comandava, espancados à vista de muitas
testemunhas até quase a morte e levados supostamente à delegacia
onde, como das outras vezes, nunca chegaram, houve um inquérito
para apurar o desaparecimento dos corpos. Deu uma trabalheira para
os superiores do seu pai abafarem o caso, porque até no noticiário o
sumiço dos rapazes foi parar. Aí resolveram aposentar seu pai para
evitar que a coisa acabasse respingando neles. Conseguiram tudo
numa agilidade impressionante e com a nossa vinda para cá, o caso
caiu no esquecimento. Porém, você conhece o seu pai, não demorou
para começar a aprontar por aqui também. Ele se juntou a GCMs e PMs
daqui e montou o que ele chama de empresa de segurança, mas que
na verdade não passa de uma milícia que oferece segurança a
comerciantes para que seus estabelecimentos não sejam alvo de
bandidos. Além disso, ele ainda continua a prestar serviços esporádicos
para os antigos superiores dele; assim que precisam de algum serviço
sujo para o qual não pode haver rastros, testemunhas ou provas
incriminatórias, eles ligam para ele e soltam um bom dinheiro. – revelou
numa passividade estarrecedora.
Ela não me convidou a entrar na casa, o que compreendi pelo receio do
meu pai aparecer de repente e nos flagrar num reencontro com o qual
ele não concordava. Não cheguei a ficar uma hora com ela, a maior
parte do tempo apenas nos entreolhamos chorando, uma vez que
ambos sabiam que a relação mãe/filho não só havia se perdido no
tempo, como nunca mais seria a mesma de quando eu era criança.
Percebi que aquela família não sentia minha falta, que estavam tocando
suas vidas muito bem sem mim, e que eu não fazia mais parte dela.
Voltei a sentir aquela sensação de abandono e sabia que nada podia ser
feito para amenizá-la.
- Adeus, mãe! Foi bom te ver! Cuida bem de você, e dessa garotinha,
não permita que ele arruíne a vida dela também, como fez com a
minha.
- Adeus, Lucas! Espero que tenha uma vida feliz! – desejou ela.
Voltei chorando para o carro onde o Pedro e a ex me aguardavam para

75/
voltar para São Paulo, cada um de um lado, me abraçaram e puderam
constatar que eu era um órfão de pais vivos. Em nenhum momento
minha mãe me perguntou como eu estava subsistindo, o que fazia da
vida, e foi até bom. O que eu poderia responder, que tinha me
descoberto gay, que vivia sob o mesmo teto e compartilhava a mesma
cama com um homem de 41 anos que podia ser meu pai, que caía na
noite em companhia dele dando o cu para ter o que comer no dia
seguinte? Não, eu não tinha mais nada a dizer àquela mulher que me
pôs no mundo. Ela que guardasse apenas as boas lembranças de
quando eu era um garotinho puro.
Naquela noite não saímos para fazer programa, ficamos enrodilhados
na cama e o Pedro me pegou devassamente umas quatro vezes, como
se eu estivesse no cio. Mal findava um coito já nos preparávamos para
o próximo, copulando feito dois animais movidos apenas pelo instinto e
pelos hormônios.
Comemorei meu aniversário de dezenove anos na casa da esposa do
Pedro que se ofereceu para fazer a festa, nada além de uns poucos
amigos deles, um colega de escola do Guilherme com pinta de
machinho e que, certamente, já tinha descabaçado o moleque e
andava enrabando o cu dele, e a dona Evangelina, minha única
convidada.
O Pedro e eu estávamos em frente a uma boate na rua Rego Freitas
esperando clientes quando o Juvenal apareceu com uma turminha,
basicamente gays de todas as idades. Fazia tempo que não nos víamos
e ele continuava com aquela pinta de safo, sorrindo a torto e direito,
ostentando um relógio caro no pulso, mais algumas correntes de ouro
no pescoço, roupas de grife e esnobando charme no corpo bem
estruturado sem perder o vício de ficar pegando a todo momento na
rola, um salamão grosso junto à perna esquerda cujo contorno ninguém
conseguia ignorar.
- Lucas! Cara, você está cada dia melhor, um tesão de moleque! –
exclamou, ao mesmo tempo que me apresentava aos colegas que eu
ainda não conhecia. – Por onde tem andado? Sabia que eu devia te
castigar? – perguntou, jogando o braço sobre meu ombro e quase
colando o rosto dele no meu.
- Castigar por que, o que foi que eu fiz?
- Por me fazer perder noites de sono pensando nessa bunda! Já bati
tanta punheta imaginando meu pau entrando no seu cuzinho que

76/
rendeu para mais de um litro de porra! Quando vai realizar meu sonho,
seu putinho tesudo? – perguntou, quando o Pedro já havia se
aproximado e escutado o disparate.
- Nunca! – respondeu belicoso o Pedro. – Sou o macho dele, e o Lucas
só realiza as fantasias do macho dele, não é paixão? – retrucou o Pedro,
me arrancando do braço do Juvenal e beijando acintoso minha boca
diante de todos.
Ambos se conheciam de vista, nunca chegaram a conversar, mas o
clima de rivalidade ficava pairando no ar quando se encontravam no
mesmo ambiente.
O Pedro me soltou ao identificar um cliente bom pagante próximo à
entrada da boate e foi na direção dele ver se descolava o programa
daquela noite.
- Você precisa se livrar desse mala, Lucas! Esse cara não é do seu nível!
Com esse corpo, essa carinha de anjo você consegue clientes bem
melhores dos que ele pode te arranjar. Quanto você fatura num
programa que ele te arranja, uns R$ 400,00, talvez R$ 500,00 se o
cliente estiver com o bolso cheio? Cara, você precisa vir comigo para as
paradas nos Jardins, lá é outro nível, tem tudo a ver com você. Lá eles
querem garotões bonitos de corpo e rosto, caras com quem podem
frequentar lugares chiques, apresentar a amigos sem fazer feio.
Conheço uns caras que soltariam fácil, fácil uns R$ 1.500,00 a R$
2.000,00 na sua mão num único programa. Se for para acompanhar em
viagens ou passar final de semana nas casas de veraneio deles, a
quantia dobra e até triplica. Teu lugar é lá, Lucas, vai por mim! Esquece
esse velho pé-rapado que não dá futuro! – sentenciou, tentando me
aliciar.
É claro que fiquei tentado, quem não ficaria? O Pedro e eu nunca
fizemos R$ 1.500,00 em dupla, quanto mais sozinhos. Para faturar essa
grana eu teria que dar o cu para uns quatro ou cinco caras, pelo menos,
numa única noite. O Juvenal sentiu como fiquei interessado e sugeriu
que saíssemos dali e fossemos para a região dos Jardins, nas boates
gays frequentadas por uma clientela abonada. Eram duas da
madrugada quando o Pedro regressou sem ter fechado o programa com
o cara que ele já tinha fodido algumas vezes e, ao que tudo indicava,
iriamos para casa sem ter faturado nada.
- Eu topo! – disse ao Juvenal, que abriu um sorriso de orelha a orelha e
começou a me arrastar para onde o carro dele estava estacionado. –

77/
Qual a sua participação nesse negócio? – perguntei, pois sabia que
nada saía de graça.
- Assim você me ofende! Não levo nada, cara! É tudo seu! É coisa de
parça para parça! – respondeu. – Mas, não vou ficar chateado se um dia
você resolver me recompensar realizando minhas fantasias com essa
bundinha tesuda! – emendou, dando um tapa estalado nas minhas
nádegas, o que deixou o Pedro furioso.
- Vou dar um rolê com o Juvenal, a gente se encontra em casa, OK? –
avisei ao Pedro.
- Vai para onde? Não quero que ande na companhia desse sujeito! –
exclamou irritado
- Ele vai me apresentar uma galera nas boates dos Jardins! Até mais
tarde! – respondi
- Você não vai, não! Sem mim você não vai a lugar algum! – retrucou o
Pedro, me puxando forte pelo braço.
- Cara, solta o moleque! Ele tem idade para escolher as companhias e o
que quer fazer, não precisa de um cão de guarda tomando conta dele. –
revidou o Juvenal, disposto a levar a melhor naquele lance.
- Eu disse que você não vai a porra de lugar algum, Lucas! Me obedeça
se não quiser levar uns cascudos aqui mesmo! – ameaçou o Pedro
- Eu vou! Você não manda em mim! Posso muito bem decidir o que eu
quero sem a sua ajuda! – retruquei irado, antes do Pedro começar a me
arrastar para longe dali. – Me solta, Pedro! Não sou sua propriedade,
larga Pedro! – impunha eu, no que já começava a virar um tumulto. No
deixa-pra-lá e, contido por uns caras que conheciam o Pedro, eu segui
com o Juvenal.
Não era bem uma boate; na verdade, tinha cara de barzinho ou
lanchonete o endereço na Alameda Franca onde viemos parar. A
calçada estava ocupada por grupinhos alegres e, a informação do
Juvenal estava certa, muitos caras bonitos que não disfarçavam que
estavam ali na caça. A maioria era de homens maduros, alguns mais
jovens e outros passados dos 40. Me mediram da cabeça aos pés, carne
nova no pedaço, dava quase para ler nas expressões que me lançavam.
O Juvenal foi direto para uma rodinha onde identificou uns conhecidos e
foi logo me apresentando. Me comeram com os olhos a ponto de eu
sentir o rubor subindo pela face. O que podia ser mais cativante do que
um molecão de rosto bonito, sorriso acanhado, corpão taludo e uma
bunda de virar a cabeça de qualquer marmanjo? A maneira como foram

78/
me abordando respondia por si só. Uma hora depois, parecia que
aquela galera me conhecia há tempos.
- Cara, estou varado de fome, e você? – perguntou o Juvenal. Só não
respondi que estava com o estômago colado nas costas para não
parecer um desvalido.
Entramos, pegamos uma mesa e fizemos os pedidos. Duas mesas
adiante, três homens não paravam de me encarar. Um deles, barba e
cabelos grisalhos e um corpão parrudo que disfarçava bem a idade,
estava quase babando e, por duas vezes em que olhei na direção dele,
o vi ajeitando a rola.
- Já sacou, não foi? Os três naquela mesa! Estão te secando como se
fosse um cordeirinho e eles os lobos maus. – ironizou o Juvenal.
- Se eu estivesse à procura de um avô, até que não me importaria. –
retruquei.
- Esquece essa porra de idade, Lucas! Nenhum daqueles playboyzinhos
lá de fora, com as camisetas forradas de músculos, têm um décimo da
grana desses coroas. Vai por mim, é com esses que você vai se dar
bem, basta constatar como estão babando por você. – argumentou ele.
- Vendo por esse lado, tenho que concordar com você!
- É serviço fácil! Se você cair nas graças de algum deles, vão te bancar
em tudo. Esses caras gostam de se valer do poder do dinheiro, querem
pagar tudo, querem provar que são bem sucedidos, que são uns
fodidões! A maioria já não dá mais conta de duas ou, no máximo, três
fodas por semana tocadas na base da azulzinha. Você não vai precisar
andar por aí um ou dois dias com o cu todo esfolado, pois a pica deles
já está na encolha. Por outro lado, o que a pica não faz eles querem
fazer com a grana, os carrões, e é aí que você se dá bem! – falava
animado. – Como é que você acha que esse relógio, esses badulaques
vieram cair nas minhas mãos? Fodendo os cus desse tipo de cara. E
tem outro tanto deles que são ativos, que querem uma bundinha
novinha e rija como a sua, um cuzinho apertado encapando as rolas
deles. – eu ouvia aquilo me sentindo uma puta.
Um quarto para as quatro da madrugada estávamos saindo do lugar. A
calçada continuava lotada e, enquanto o Juvenal se despedia da turma,
um daqueles caras que ficou me secando da mesa próxima se
aproximou. Simpático, quis se fazer de jovial, fez um elogio, afirmou
que o deixei excitado, quis me conhecer. Eu estava cansado, não via a
hora de chegar em casa, tomar uma ducha e cair nos braços do Pedro,

79/
apesar de ainda estar muito puto com ele pelo escândalo que fez na
porta da boate. No entanto, me lembrei que tínhamos contas a pagar e
que aquela noitada não tinha rendido nada. Aceitei o convite para uma
esticada na casa do sujeito e estava me despedindo do Juvenal, que
aprovou a minha decisão com um sorriso malicioso. Não sei de onde o
Pedro surgiu, só dei por mim quando senti a mãozona potente dele
esmagando meu braço e me sacudindo todo sob a ordem de irmos para
casa.
- Me larga, seu maluco! Eu já disse que não vou a lugar algum com
você! Me deixa, Pedro!
- Você vai por bem ou por mal, a escolha é sua, moleque! – ameaçou
ele
- Você não é meu dono para ficar me dando ordens! Larga Pedro, está
me machucando! – revidei, lutando para me safar dele.
- Solta o garoto! – interveio o cara que havia me chamado para sair,
empurrando o Pedro para o lado.
Foi o que bastou para os dois se pegarem aos socos. Começou uma
gritaria em volta e, em minutos, dois leões-de-chácara imobilizavam o
Pedro e o cobriam de porradas.
- Não bate nele! Não precisa bater nele, chega! Para! Para de bater
nele! – berrava eu, desesperado quando vi sangue no rosto do Pedro.
- Vem, vamos sair daqui! – disse o sujeito que queria me levar para
casa. – Vai dar ruim e não demora a polícia baixa por aqui, vem vamos
embora! – ele me conduziu até o carro e a luta na calçada continuava.
No trajeto até a casa dele, me disse que se chamava Ricardo, que era
empresário, que fora casado com mulher e tinha duas filhas mais
velhas do que eu morando no exterior. Foi simpático, parecia bem
descontraído, quis saber meu nome, ao que respondi me chamar
Cleber, o nome de guerra que adotei para fazer programas, uma vez
que o Pedro havia me orientado a nunca revelar meu nome verdadeiro,
já que o contato com os clientes se restringia a algumas poucas horas e
não valia à pena fornecer muitos detalhes pessoais. A todo momento
ele dava um jeito de passar a mão na minha coxa querendo fazer
parecer casual, no entanto, a ereção entre suas pernas desmentia a
atitude.
Ele sacou de pronto que eu nunca havia pisado numa casa tão luxuosa,
mas não fez nenhuma observação.
- Sua casa é muito linda! – exclamei assombrado

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- Obrigado! Quero que se sinta muito à vontade! Quer beber alguma
coisa? Está com fome? – neguei porque o sanduiche que comi na
companhia do Juvenal tinha me saciado, e fiquei me perguntando o que
levava certos clientes a perguntarem se eu estava com fome, como se
eu fosse algum mendigo que não via comida há dias. Mas, deixei para
lá e fui na direção de onde ele estava sentado com as pernas abertas e
o pau duro sob a calça.
Sentei-me no colo dele, nos beijamos, ele tirou a minha camiseta,
bolinou com os biquinhos dos meus mamilos até eles ficarem rijos,
lambeu-os, chupou-os enquanto eu desabotoava a camisa dele e
acariciava os dois redemoinhos de pelos escuros do peitoral dele. Para
um cinquentão de 52 anos ele era bem sarado. Ajoelhei-me entre as
pernas dele, abri a braguilha e tirei o caralho para fora. Não era um pau
muito grande, mas era grosso, retão e veiúdo no formato de um
torpedo. Caí de boca nele e, enquanto o mamava, o Ricardo grunhia, se
contorcia, afundava minha cabeça em sua virilha socando o cacete na
minha garganta. Por duas vezes ele o sacou ligeiro da minha boca ao
pressentir que ia gozar. Massageando as bolonas dele com a língua,
essas sim bem avantajadas, senti como estavam abarrotadas e
continuei a estimulá-lo. Ele se levantou, me ergueu pela bunda e
caminhou comigo até o quarto onde me largou sobre a cama e
arrancou minha calça junto com a cueca. Virei de bruços para mostrar
minha bunda, rebolando com sensualidade para continuar mantendo o
tesão dele. Ele terminou de se despir, jogou-se em cima de mim e
começou a esfregar a rola dura entre as bandas da bunda, ao mesmo
tempo em que sussurrava sacanagens no meu ouvido. O cara parecia
um garanhão tarado, meu reguinho estava molhado com o melzinho
que a pica dele soltava. Feito uma cadela no cio, eu lhe oferecia a
bunda, empinando-a contra a virilha peluda dele, o que o fez arfar e se
esfregar todo no meu corpo.
- A camisinha! – exclamei, ao notar que o tesão o levava ao delírio
- O que? – grunhiu, tão excitado que não via a hora de me penetrar
- A camisinha, você não colocou camisinha! Não rola sem ela! – avisei.
Afobado e desengonçado ele encapou a rola, montou novamente em
mim e pincelou o caralho no meu rego até sentir minha fendinha na
ponta da glande. Meteu de uma só vez, e o cacete deslizou para dentro
do meu cu fazendo ploft. Soltei um ganido. A despeito da pica não ser
grande, e de eu ser muito apertado, nem mesmo tendo levado um

81/
bocado de caralhões grandes no rabo, o que parece só ter fortalecido e
desenvolvido a musculatura do meu anelzinho, senti dor quando o
buraquinho se distendeu. O ganido o ensandeceu e, juntamente com a
travada potente que dei na verga dele, o cara desembestou a me foder
bombando freneticamente meu cuzinho no qual mergulhava até o talo
a cada estocada forte. O Ricardo puxou meu rosto na direção dele, me
beijou capturando meus lábios com os dentes enquanto grunhia e
arfava dando vazão ao tesão.
- Caralho de moleque apertado da porra! Vou estourar suas preguinhas,
seu putinho safado! Sente o macho te arrombando, sente moleque! –
ronronava ele perdido em êxtase.
Naquele dia percebi o quanto um gay passivo como eu tinha de
semelhança com as mulheres. O cara que estivesse nos fodendo nunca
sabia se estávamos sentindo prazer com o desempenho dele, podíamos
não estar sentindo nada de excitante, podíamos fingir um orgasmo e o
cara jamais saberia se era verdadeiro ou não. Nós gays passivos até
podíamos ficar de pau duro o que sinalizaria excitação, mas isso não
significava que estávamos realmente sentindo prazer. Era exatamente
assim que eu me senti naquele momento. Meu pensamento estava
distante, focado no Pedro, por mais puto que eu estava com ele
naquele instante, vê-lo sendo agredido por aqueles seguranças me doía
fundo na alma. Eu queria estar com ele, queria saber se estava ferido,
queria dizer que era meu herói por me defender. Porém, sentindo o
cuzinho sendo estocado pelo caralho do Ricardo como se fosse um
bate-estacas, me subia o sangue ao lembrar como o Pedro me tratou,
exigente, autoritário e se julgado dono de mim e da minha vida. Travei
o cu algumas vezes, mastigando a rola entalada nele e o urro do
Ricardo se espalhou pelo quarto assinalando que estava gozando,
enquanto seu corpo estremecia deitado sobre mim.
Passei a noite com o Ricardo, não porque gostei dele, mas para castigar
o Pedro, pois tinha certeza que ele devia estar puto comigo por tê-lo
desobedecido. Tomamos café e eu me preparava para ir embora, só
esperava pelo pagamento. No entanto, o Ricardo quis que eu ficasse,
que passasse uns dias com ele.
- Não trouxe roupas comigo, teria que ir buscar em casa. – avisei.
- Isso não é problema! Vou te levar ao shopping, lá você compra o que
quiser! – afirmou. – Até porque essas roupas não fazem jus ao seu
corpo. – caras com dinheiro sempre encontram um jeito de te lembrar

82/
que você é inferior a eles, mesmo quando te fazem um elogio.
Voltamos para casa com sacolas cheias de roupas, tênis e até sapato de
couro, além de um celular que custou os olhos da cara, segundo o
Ricardo era para eu não fazer feio nos lugares onde pretendia me levar.
Ele gastou uma grana boa no shopping e eu o paguei assim que nos
acomodamos no sofá largo da sala de TV da casa dele; sim, o cara tinha
uma sala toda equipada com o que havia de mais tecnológico só para
assistir filmes, enfiando sorrateira e delicadamente a mão na virilha
dele para brincar com a pica que endureceu ligeira com algumas
latejadas. Assim que ela começou a babar me pus a chupar, lamber e
mordiscar toda sua extensão, palpando os colhões ingurgitados
enquanto ele suspirava e se contorcia. Levei uma baita esporrada na
cara e, à medida que ele recolhia a porra cremosa com o polegar e a
enfiava na minha boca, eu sugava o dedo dele e engolia sua virilidade
sob o olhar libidinoso dele.
Cada refeição era um deleite para os olhos. A empregada dispunha uma
parafernália de pratos, copos e talheres na mesa que mais parecia
coisa de filme e, quando vinha a comida, eu a devorava com os olhos e
com a boca de tão linda e saborosa. Cada refeição era acompanhada
por um vinho diferente, e logo descobri que isso tinha uma razão de
ser.
- Para que esse tantão de copos e talheres quando um garfo e uma faca
bastam? – perguntei da primeira vez que almoçamos em casa.
- Cada um tem sua função! Preste bastante atenção, vou te mostrar
como se faz! – exclamou, antes de me ensinar desde como segurar os
talheres e copos, até como levá-los à boca na ordem certa com
elegância. Quase perdi a fome de tão complicada que a coisa era. Mas,
fiz tudo conforme ele mandava, afinal era ele quem estava pagando.
Passeávamos bastante, íamos a lugares chiques, ele me apresentava
com orgulho para as pessoas que, no fundo, já sabiam tratar-se de mais
uma de suas conquistas sexuais, bastando olhar para meu rosto e meu
corpo para terem certeza. Passamos um feriadão na casa de praia dele,
com direito a passeio de lancha e tudo mais, onde minha sunga
parcialmente engolida pelas nádegas não deixava o pau dele amolecer.
A todo instante ele o roçava na minha bunda, que eu empinava para
deixá-lo ainda mais excitado. Com a lancha ancorada a certa distância
da praia, o sol e algumas gaivotas sobrevoando a embarcação eram as
únicas testemunhas dos coitos lascivos com os quais o Ricardo me

83/
usava.
Eu já estava há cinco semanas morando com ele quando fomos jantar
num restaurante em companhia de dois amigos dele. Os dois não foram
nem um pouco discretos durante a conversa que rolou. Sabendo que eu
era gay e fazia programas, falavam sem papas na língua ora para me
elogiar, ora para mostrar o quanto estavam interessados em meter as
estrovengas no meu rabo. O Ricardo não parecia se importar, para ele
eu não passava de um veado puto sem sentimentos. Na saída, para
pegar o carro que ficou aos cuidados de uma empresa de Valet, quem
veio pegar o ticket das mãos dele foi um cara que conheci na Casa de
Acolhimento Socioeducativo. Não me lembrava mais do nome dele, mas
ele parecia ter a memória bem mais fresca que a minha.
- Lucas! Cara, quase nem te reconheci nessas roupas! Tá bem de vida,
hein cara! Há quanto tempo! Nunca mais voltou para visitar os amigos!
– sentenciou em alto e bom som, de modo que todos ao redor podiam
ouvir. – Fui solto no final daquele ano em que te libertaram, andei um
tempo na casa do meu irmão, até encontrar esse trampo. É uma merda,
mas dá para ajudar a pagar as contas, comprar uma erva de vez em
quando e pegar umas putinhas quando baixa o tesão! – sem se
preocupar com o que estava dizendo, ele se pendurava no meu ombro
e soltava o verbo. O Ricardo me encarava de longe e, pelo olhar dele,
soube que aquilo ia dar merda. – Vou te passar meu celular, anota aí!
Me liga para a gente marcar umas paradas, você sempre fez sucesso
com as minas, vai ser mais fácil chegar numa se estiver na sua
companhia! - eu mal respondia às perguntas dele, preocupado, só
ficava olhando para o Ricardo que assistia a tudo sem esboçar qualquer
reação.
Entramos no carro e ele começou a dirigir, liguei o som, mas ele
imediatamente o desligou. Não proferiu uma palavra sequer até
chegarmos à casa dele.
- Você parece tenso! – afirmei, quando ele se serviu de uma dose de
uísque. – Vem cá, vou te deixar bem relaxado, do jeito que você gosta!
– emendei, pegando o pau dele dentro da calça e dando umas
amassadas para provocar uma ereção, que não acontecia.
- Quando ia me contar que esteve preso? E como devo te chamar de
agora em diante, Cleber ou Lucas? – perguntou, após dar o primeiro
gole na bebida.
- O verdadeiro é Lucas! Eu estava esperando o momento certo. Não foi

84/
nada de mais, juro, na verdade foi meio que um engano. – respondi
aturdido.
- Mentira! Você nunca pensou em me contar! O que estava planejando,
moleque? Esperar a hora certa para me roubar? Trazer seus comparsas
bandidos para dentro da minha casa e fazer um rapa? Quanto foi que já
me roubou, o que já tirou daqui de casa enquanto esteve sozinho? –
perguntava ele irritado e começando a ficar histérico.
- Não sou ladrão! Nunca roubei nada dessa casa, de você ou de quem
quer que seja! Eu não planejo nada, não faço parte de gangues! –
afirmei determinado.
- Então fez o quê, foi passar umas férias no centro de detenção? Se não
é ladrão, é o que então, assassino? Fala moleque! Fala qual foi a porra
que você fez para ser preso? – ele estava surtando, não me ouvia.
- Eu posso explicar, vou te contar tudo! Juro que não fiz nada de ruim,
acredita em mim, por favor!
- Sai da minha casa agora! Suma da minha frente, seu delinquente
veado! – ordenou possesso. Ainda quis argumentar, mas ele me
ameaçou. – Se não sair daqui nesse instante eu chamo a polícia! – foi o
fim, ele não queria mais nada comigo.
Juntei rapidamente minhas coisas e quis me despedir dele; afinal, até
essa descoberta, estávamos nos dando bem, tinham sido cinco
semanas como eu nunca tinha vivido antes.
- Tchau, então! Obrigado por tudo! – agradeci, embora não estivesse
devendo absolutamente nada para aquele sujeito arrogante.
- Fora! Some da minha frente! O celular fica! – exclamou autoritário.
- Não, não fica! – respondi ultrajado e com raiva. – Se formos fazer as
contas é você quem está me devendo. Não dou o cu por menos de R$
1.500,00 e pelo tanto que você meteu em mim, ainda está me
devendo. – afirmei.
- Esse rabo não vale nem um décimo disso, seu veado do caralho! Se
não me devolver esse celular agora mesmo eu arrebento a sua cara. –
disse ao vir para cima de mim com os punhos fechados.
Fui ligeiro e o soco só pegou meu ombro me desequilibrando. Com o
sangue a ferver, revidei e meu soco o atingiu no queixo ao mesmo
tempo em que o empurrão que dei nele o fez cair sobre o sofá.
- Seu merda do caralho! Fora daqui, veado escroto! – berrou atrás de
mim quando saí pela porta.
Caminhei à esmo a madrugada toda. De tempos em tempos tinha uma

85/
crise de choro. Estava clareando quando me vi diante do edifício do
Pedro. Sentei uns minutos no degrau da entrada, o dia começava
preguiçoso, janelas iam se abrindo no prédio em frente e rostos
sonolentos surgiam ainda descabelados. Um morador saiu, e eu
aproveitei para entrar, embora estivesse segurando a chave na mão. O
ar no apartamento estava quente e estagnado.
- O que faz aqui? Vai embora! Não me obrigue a chutá-lo para fora a
pontapés! – como era bom ouvir a voz grossa e mandona daquele
macho.
- Bom dia! Pelo que vejo isso vai ser meio que impossível. O que
aconteceu com essa perna? – perguntei, ao vê-lo recostado na cama
com a perna esquerda coberta até o joelho por uma bota ortopédica.
- Dá o fora, moleque! Não quero ver essa sua cara, some, e me deixe
em paz! – ordenou. As palavras contradiziam aquele olhar que eu
conhecia muito melhor do que ele imaginava.
- Por que está no escuro? E para que essas janelas fechadas, o ar aqui
dentro está pestilento! – afirmei, abrindo as janelas para renovar o ar.
- Deixa essa porra fechada! Eu quero assim! E volte por onde veio, não
quero saber de você! Vai lá dar o cu para os grã-finos, sua putinha
vadia! – ele tinha que mostrar que estava zangado, que estava puto
comigo por sentir toda aquela saudade que o vinha consumindo desde
o dia em bateram nele na calçada do barzinho.
- Qual é a dessa bota? – perguntei, ignorando as ofensas.
- Quebraram a minha perna naquela briga. Precisaram colocar uns
pinos para realinhar os ossos. – esclareceu.
- É nisso que dá se meter a valentão! – revidei, tirando a roupa e me
enfiando na cama com ele. – Você está fedendo! – afirmei, acariciando
o peitoral vigoroso dele.
- Putinho do caralho! Acha que é fácil tomar banho com essa merda
presa na perna? – retrucou, ao mesmo tempo em que sua respiração
começava a acelerar com a minha proximidade.
- Adoro seu cheiro! – exclamei, antes de cobrir sua boca com um beijo
lascivo, e ele me agarrar me apertando com força contra si.
- Putinho safado! E eu adoro o cheiro dessa pele quente, desse corpo
que me enche de tesão. Por que fez aquilo comigo, seu veadinho
desobediente? Está precisando de uma boa surra para aprender a
obedecer o seu macho.
- Estou aqui, pronto para levar uma surra, uma surra desse pauzão

86/
bruto e mandão! – retorqui, tirando o caralhão duro da bermuda e
caindo de boca na cabeçorra melada.
Dei umas poucas chupadas para sorver o pré-gozo almiscarado e me
sentei no colo dele, tomando seu rosto entre as mãos e o cobrindo de
beijos enquanto deixava meu peso cair sobre o caralhão que foi
deslizando lentamente para dentro do meu cu, me alargando e me
obrigando a gemer quando a carne se distendia para o aconchegar. O
Pedro circundou as mãos na minha cintura e me guiava enquanto eu o
cavalgava fazendo o cacetão sumir nas profundezas do meu cuzinho,
gingando o corpo e mastigando com os meus esfíncteres o falo que me
arregaçava.
Pouco depois, ele me lançava de costas sobre a cama, se encaixava
entre as minhas pernas abertas e voltava a enfiar o pauzão no meu
orificiozinho, arfando de tesão e me fazendo gemer imerso em dor e
prazer. O safado ficou me encarando enquanto me arregaçava as
preguinhas, o que me levou ao orgasmo e a ejacular sobre o ventre.
Voltei a mastigar a verga indômita, e o urro prazeroso dele eclodiu em
meio ao gozo farto que encheu meu cuzinho com o sêmen viril dele.
Cravei os dedos em suas costas quando se deixou cair sobre mim, e
procurei sua boca para os beijos agradecidos que lhe dei pelo
desempenho másculo e por ser meu macho.
Tomamos um banho juntos, uma vez que reclamava por não estar
conseguindo se banhar direito com aquela bota na perna. O tarado
tinha esporrado a não mais poder, mas continuava com aquele pauzão
priápico enquanto suas mãos devassas deslizavam pelo meu corpo.
Ficou me observando quando ensaboei e lavei, todo zeloso e carinhoso,
seu sexo cavalar.
- Que cara safada é essa? – perguntei quando seus colhões pesados
estavam na minha mão.
- Gosto como cuida do meu caralho! Por mim, essas mãos macias
nunca sairiam daí! – afirmou, entrando com a mãozona no meu rego e
enfiando vorazmente um dedo no meu cuzinho lanhado e cheio de
porra.
No final de semana fomos à casa da ex-esposa dele para um churrasco.
Desde a cirurgia na perna o Pedro não saía de casa e, como era muito
inquieto, aquela saída o deixou animado. Esses convites nunca eram
sem um propósito e, com esse não foi diferente. Ela voltou a se queixar
que o Guilherme estava saindo caro, que tudo recaía sobre as costas

87/
dela, que precisava de uma pensão maior e por aí vai. No quarto do
garoto, onde também estava o colega de escola, quando estávamos
jogando videogame, notei que a televisão havia sido trocada por uma
maior e mais sofisticada, bem como o celular dele que usou por menos
que um ano. Eu tinha certeza de que, se fosse abrir o armário dele,
encontraria tudo renovado. Passei a mal conseguir olhar para a cara
dela, estava explorando o Pedro sem dó nem piedade.
- Faz dois meses que estou bancando tudo. Você precisa dar um jeito,
Pedro, assim não dá para continuar!
- Tudo não, porque depositei uma parte na sua conta. Sei que foi menos
que o habitual, mas estou apertado desde que quebrei a perna. Não dá
para trabalhar com essa perna toda estropiada, assim que eu me
recuperar acerto tudo com você.
- E até lá como eu fico? Como fica o seu filho? À mingua? – exagerou.
- O que quer que eu faça? Tenho que estar inteiro para voltar a ativa! –
ele voltou arrasado para casa, se sentindo um fracassado por não estar
cumprindo com suas obrigações de provedor.
Aninhei-o no colo e prometi ajudar, asseverei que o Guilherme não
podia ter um pai melhor do que ele, e que tudo ficaria bem antes de ele
adormecer. Durante todas as noites da semana seguinte me dirigi aos
locais badalados que o Juvenal tinha me indicado para fazer programas.
Dei sorte, por ser novato no pedaço e ainda não ter sido enrabado pela
maioria, foi fácil arranjar clientes. As noites do início da semana
renderam apenas um cliente, mas da quinta-feira em diante cheguei a
dar o cu para três machos numa única noite, o que deu uma boa grana.
- Consegue pagar tudo que precisa com esse dinheiro? – perguntei ao
Pedro, quando lhe entreguei o que havia faturado levando picas no
cuzinho.
- Onde conseguiu isso? Você não andou roubando ninguém, não é
moleque? Fala de onde veio essa grana! – exigiu.
- Também vai me chamar de ladrão? Não sou ladrão, porra! Nunca
roubei um centavo de alguém, por que fica me aporrinhando com isso?
– devolvi magoado e sentindo que ia chorar por ele não reconhecer o
quanto deixei usarem meu corpo para conseguir aquele dinheiro para
ele.
- Vem cá, meu moleque! Não vai começar a chorar, vai sua manteiga
derretida? – no fundo ele sabia de onde veio a grana e por tudo que
passei para consegui-la, por isso me apertou e me abrigou em seu

88/
tronco.
A preocupação com acertar as contas o levou a me pedir que
procurasse aqueles dois sujeitos do apartamento da Vila Mariana que
eu detestava, para negociar uma dívida que tinha com eles. Disse que
se eu fosse o porta-voz eles seriam mais indulgentes, uma vez que um
deles estava louco para foder meu cuzinho. Possibilidade essa que eu
jamais aventei e nem ia concordar, pois sentia asco daquele sujeito.
Eles marcaram o encontro para a entrega da metade do que o Pedro
lhes devia numa rua escura nas proximidades do Parque do Ibirapuera.
O Pedro ficou camuflado na esquina dando cobertura quando me dirigi
ao carro onde estavam. O que estava a fim de me foder me levou para
o banco de trás e voltou a me propor sexo em troca de aliviar a dívida
do Pedro. Eu não era tão ingênuo a ponto de acreditar no que ele dizia,
nesse ramo dívida é divida e só tem duas maneiras de quitá-las, com
dinheiro ou com a vida.
- Estou com a metade da grana aqui comigo, o Pedro disse que no
começo da semana que vem acerta o restante. – comuniquei,
transmitindo o recado
- Se você liberar o cuzinho e for bem generoso comigo, posso cancelar
a dívida do teu macho.
- Não! Vamos fazer como o Pedro quer, ok!
- Tu é um veadinho muito obediente, faz tudo que teu macho manda!
Eu gosto de bichinhas submissas. Podia estar bem melhor comigo do
que com o fracassado do Pedro. Ele é muito velho para você, nem deve
estar mais dando no coro direito. Pense bem, sou bem mais novo, tenho
um pau grande e grosso para realizar todas as tuas fantasias. –
sentenciou querendo me seduzir.
- Aqui está o dinheiro! Eu tenho que ir. – interrompi-o, colocando o
dinheiro sobre a perna dele.
- Espere, onde vai com tanta pressa? Fica um pouco, estamos há dias
sem uma boa foda, você podia quebrar nosso galho. São dois, já
imaginou duas picas de responsa entrando no teu rabinho? Não ia ser
maravilhoso? – abri rapidamente o trinco da porta e quis sair correndo,
quando ele me segurou pelo braço e me puxou de volta.
- Me larga, cara! Não quero fazer nada com vocês! – exclamei
apavorado, achando que ia ser violentado ali mesmo.
- Calma! Só quero te entregar isso aqui. – disse, me passando um
pacotinho com droga.

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- Não quero! Não uso essas coisas!
- É um presente para o seu macho! Fala para o Pedro que é em
agradecimento aos bons negócios que temos feito.
Ainda não sei explicar de onde veio o estalo que me fez jogar o
pacotinho debaixo do banco do motorista sem que ele percebesse
antes de descer do carro. Mal havia dado meia dúzia de passos quando
duas motos da ROCAM começaram a me perseguir e me obrigaram a
ficar de joelhos com as mãos sobre a cabeça em plena rua. Haviam
armado uma cilada, os filhos da puta.
- O que tem nessa mochila?
- Nada senhor! Quer dizer, só umas coisas minhas. – um dos PMs
arrancou a mochila da minha mão e começou a revista, certo de
encontrar a droga.
- Está levando droga, moleque?
- Não senhor!
- Fica em pé e abre as pernas! – ordenou o outro, que passou a me
bolinar ostensivamente à procura do pacotinho.
- Não tenho nada, juro! Aqueles dois traficantes do carro do qual saí
queriam me forçar a vender o bagulho para eles, mas eu me recusei,
não mexo com essas coisas. – afirmei obstinado.
- Recebemos uma denúncia anônima dizendo que um garoto com as
tuas características ia estar com um bocado de drogas na mochila. Tem
certeza que são traficantes? – por pouco não caio na besteira de
questionar se eles não estavam mancomunados com os caras, mas me
calei a tempo.
- Se for de alguma ajuda, posso indicar o endereço onde eles moram,
não é longe daqui. – eu devia estar fora do meu juízo perfeito para
entregar dois traficantes à policia sem nenhuma garantia de que estava
lidando com pessoas íntegras. Que foi o ódio que eu sentia por aquele
sujeito asqueroso que me levou a isso, não restava dúvida.
Fiquei imaginando o desespero pelo qual o Pedro estava passando
vendo tudo aquilo acontecer sem que pudesse me ajudar. Em minutos
surgiu uma viatura de apoio e, foi nela que me levaram até o endereço
na Vila Mariana. Em frente ao prédio, outras cinco viaturas bloqueavam
parcialmente a rua e meio batalhão de PMs subiu até o andar, voltando
com os dois algemados enquanto eu me escondia atrás de um PM
mulatão parrudo para que não me vissem. Naquele dia meu rosto de
moleque me deu uma bela ajuda, ao me perguntarem a idade, menti

90/
dizendo que tinha dezessete, o que me livrou de ter que acompanhá-los
até a delegacia. Ao chegar na quitinete horas depois, corri para os
braços do Pedro e cai num choro desolado.
- Ah moleque! Você é totalmente pirado! Como pode fazer uma loucura
dessas? – perguntava ele, me apertando forte em seus braços quando
lhe contei o que fiz.
- Eu precisava te proteger! – exclamei, encarando-o com doçura.
Há tempos eu vinha notando como o Pedro ficava extenuando ao subir
alguns lances de escada, depois de transarmos, ou quando voltava da
academia perto de casa onde mantinha seu corpão desejável para os
clientes. Também o questionei quanto a uns comprimidos que andava
ingerindo sem controle.
- Para que servem esses comprimidos azuis? Você está tomando
estimulantes sexuais? – perguntei.
- Deixa de ser enxerido, moleque!
- Você não precisa disso, é o macho mais tarado e viril que eu conheço.
Isso pode te fazer mal. Você consultou um médico?
- Arre moleque! Para de me atazanar! Acha que é fácil manter a rola
dura a noite toda quando teu único estímulo é uma bunda de homem
murcha e peluda? Se eu não tomar isso aqui não consigo encarar. –
revelou.
- Então pare de fazer programas, vamos arrumar outro jeito de ganhar
dinheiro. Não quero que fique doente, eu preciso de você! Onde
consegue esses comprimidos?
- Na Internet, os de farmácia custam uma fortuna, não dá bancar.
- Como assim? Quanto custam?
- Os de farmácia na base cinquenta pila cada comprimido, esses aqui
saem por menos da metade. Faz a conta, se em média preciso de três
ou quatro desses por noite.
- Deve ser tudo falso! Pode te fazer mal, já pensou nisso?
- Prefiro não pensar besteira!
- É o que também usa antes de transar comigo, quando me pega três
ou quatro vezes seguidas? – perguntei, achando que já não o excitava o
bastante durante as relações sexuais.
- Nunca precisei usar nada para estar com você! Você é a minha
tadalafila natural, o cheiro doce da sua pele, essas nádegas polpudas,
esse cuzinho estreito e quente, funcionam mil vezes melhor do que
qualquer comprimido azul. – respondeu, vindo se esfregar em mim,

91/
chupar minha nuca e apertar o caralhão duro no meio do meu rego.
- É isso que eu sou para você, seu sem-vergonha tarado, um mero
comprimido para levantar esse pauzão? – questionei, deixando-o
apossar-se do meu corpo quando o puxei sobre mim na cama, antes de
abrir as pernas e franquear meu buraquinho para aquela jeba colossal.
- Você é meu moleque! Você é meu tudo, seu putinho e está cansado
de saber! – ronronou, enquanto se empurrava para dentro de mim
abrindo meu cu à semelhança de uma flor desabrochando. Meus
gemidinhos incendiavam seu furor e eu me sentia a pessoa mais feliz
desse mundo.
Havíamos sido requisitados para um programa bem pago com dois
caras que nos aguardavam em seu apartamento. Era infalível, quando
de uma dupla, tratar-se de caras versáteis, um querendo dar uma de
ativo quando o que curtia mesmo era uma rola no cu ao foder o
parceiro passivo, quando o troca-troca só entre eles já dava sinais de
desgaste. Como era um dia de semana e o Pedro e eu voltamos mais
cedo para casa, pois tinha rolado apenas com um cliente para cada um,
nos nossos costumeiros locais de pegação, fechamos o programa com
os caras. O mais macho até que era interessante, tinha o jeitão de
instrutor de academia, corpo sarado e uns bíceps bombados, embora
numa observação mais minuciosa desse para perceber sua inclinação
homossexual. Foi logo amassando a minha bunda quando me
cumprimentou. O outro era mais afetado tanto na voz quanto na
gesticulação excessiva, de uma magreza esquálida e um bigode fino
não tinha nada de atraente, mas notei como seus olhos brilharam
quando viu o Pedro. Não precisava ser nenhum gênio para sacar o que
passou por sua mente – isso sim é um macho de verdade – quando se
derreteu num sorriso meloso para o Pedro. Só cá entre nós, em
situações parecidas, eu morria de ciúmes do Pedro, embora jamais o
admitisse. O Pedro o cumprimentou daquele seu jeitão taciturno,
poucas palavras, nenhum sorriso e, vamos logo ao que interessa, pois
estou aqui a trabalho e não para firulas.
Rolou o de praxe, todos nus, pega aqui, pega acolá, o passivão se
apoderou do cacetão do Pedro depois de seus olhos girarem nas órbitas
estimuladas pela visão daquele colosso, e o mamou numa sofreguidão
alucinada, como se fosse a primeira pica que enfiava na boca. O Pedro
mantinha a expressão impassível e inabalada, entregava seu órgão
como se estivesse entregando uma mercadoria, de quando em quando,

92/
socava a jeba na garganta do puto como se estivesse com raiva do
sujeito. O “ativo” arrancou minhas roupas e me pegou num beijo
voluptuoso metendo a língua até onde ela alcançava, enquanto enfiava
a mão no reguinho à procura do meu buraquinho. Gemi em falsete
quando senti o dedo fino se imiscuir nas preguinhas, ele foi ao delírio, a
rola endureceu e ele colocou uma das minhas mãos sobre o falo para
que eu o acariciasse. Ele me carregou até uma poltrona próxima,
sentou-se e ordenou que eu o chupasse. Era uma pica bonita, reta, com
a cabeça bem destacada, um intrincado emaranhado de veias saltadas
contornando todo o corpo da rola, que dava a impressão de ser maior
do que realmente era devido a virilha toda depilada, e um saco redondo
e macio ao toque. Chupei-o por uns quinze minutos, o sujeito grunhia,
ronronava e deslizava os dedos entre os meus cabelos, emaranhando-
os. O parceiro olhava na direção dele sem tirar a boca do pauzão do
Pedro, como se estivesse comparando o tamanho e a potencialidade
entre cada um. Subitamente, o Pedro o reclinou sobre uma das laterais
do sofá com uma pegada bruta e socou fundo no cu do cara;
agarrando-se onde podia, ele gritou feito um animal agonizante,
implorando para ele sacar o caralhão, mas o Pedro continuou fodendo
com força. Quando o soltou, depois de algumas boas bombadas e sem
ter gozado, o cara cambaleou pela sala tão grogue como se tivesse
tomado um porre.
O parceiro me fez sentar no colo, abria minhas nádegas com ambas as
mãos e sua boca trabalhava um dos meus peitinhos, lambendo o
biquinho enrijecido e sugando como se estivesse mamando leite.
Gingando a cintura para frente e para trás, eu o cavalguei, parecia que
eu estava sentado sobre uma estaca que se movia nas minhas
entranhas úmidas e quentes. Ele suspirava, soltava sons graves que
vinham da garganta e não parava de murmurar.
- Caralho de cuzinho apertado da porra! Vou te arregaçar, moleque!
Sente a minha tora, putinho! Sente a tora do macho te rasgando! – as
frases tinham mais efeito moral do que prático, uma vez que eu sentia
sim, a jeba pulsando no cu, mas nada tão empolgante que me
conduzisse ao orgasmo sem que eu precisasse me concentrar muito e
ficar imaginando que era o Pedro que estava me fodendo.
Como ele próprio estava demorando a alcançar o clímax, e espichando
um olhar cobiçoso para o caralhão do Pedro, ele sugeriu formarmos um
trenzinho. O passivão se aproximou de mim com as pernas ainda

93/
abertas e titubeantes, me agarrou por trás e me debruçou sobre o
encosto do sofá e começou a socar a pica no meu cu. Eu gemi alto para
ver se conseguia excitá-lo e fazer aquele pau ficar mais rijo, mas nada
acontecia. Não se muda a essência de uma pessoa predestinada à
passividade e submissão por mera vontade. O pinto entalado no meu
cuzinho era de um passivo que, por mais que se esforçasse, jamais
satisfaria como o de um hétero ou bissexual ativo. O parceiro “ativo”
grudou no rabo dele e começou a socar com força, o que o fez se
agarrar mais ao meu tronco.
- Enfia no meu cu, macho! Me arromba! – pediu o suposto ativo ao
Pedro, no que foi prontamente atendido, ao sentir o cacetão estourando
suas pregas, e ele soltar um ganido agudo estridente. O trenzinho
estava formado, eu na ponta o Pedro no final.
A putaria rolou solta entre gemidos falsos, ganidos de dor e corpos
engatados numa orgia desenfreada que já durava uns dez minutos
quando o Pedro puxou o pauzão encapado para fora do cu do “ativo” e
caiu pesadamente sobre nós três, soltando um estertor rouco.
- Cacete, manda ver, quero gozar com você me fodendo. – disse o
“ativo’ frustrado por ainda não ter gozado, enquanto o parceiro, já sem
fôlego, leitava meu cuzinho. – o Pedro nada respondeu e, quando me
virei para trás, percebi que ele não estava bem, que lhe faltava o ar, ou
algo parecido, pois levou as mãos ao peito e parecia estar prestes a
desmaiar.
- Pedro! Pedro! O que está acontecendo, você está legal? – perguntei
aflito quando vi a expressão contorcida de seu rosto. Ele continuou
calado, parecia não conseguir articular uma resposta.
- O cara está tendo um troço! – exclamou assustado o “ativo” que,
repentinamente, se viu com o cu aberto e insaciado.
- Tira essa coisa do meu cu! – berrei para o passivo. – Tira, cara! Sai do
meu rabo! – ordenei agitado. – Pedro! Olha para mim, Pedro! Você está
sentindo alguma coisa, fala comigo! – eu estava tão desesperado não
sabendo o que fazer que o tomei nos braços quando ele começou a
despencar aparentemente sem sentidos. Pesado como era, cai no sofá
segurando a cabeça dele, enquanto dava tapinhas de leve em seu rosto
inexpressivo.
- Vocês precisam sair daqui agora! Esse cara não pode morrer aqui
dentro! – exclamou o “ativo”, jogando nossas roupas espalhadas pelo
chão sobre nós. Quando escutei a palavra “morrer” entrei em pânico.

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- Ele precisa de ajuda, rápido! Peçam socorro, chamem uma
ambulância, ligeiro! – gritei, vendo o Pedro sem reação alguma.
- Puta merda! Aqui não! Vocês precisam ir embora! Caralho, era só o
que faltava. – berrava o “ativo”. – Veste logo essa roupa e ajuda esses
caras a saírem daqui! – gritou para o parceiro que contemplava a cena
petrificado. – Anda, porra! Quer que o sujeito morra aqui dentro da
nossa casa?
- Não dá para levar ele assim para lugar nenhum, chamem a merda de
uma ambulância! Puta que os pariu, peçam ajuda rápido! – gritei,
desferindo um soco no “ativo” que àquelas alturas mais parecia uma
barata tonta.
- Que ambulância? Onde? Cadê o celular? Para onde é? – questionava o
idiota sem saber o que fazer.
- O SAMU caralho! Liguem para o SAMU, suas putas! Precisa ser
urgente, ele não acorda! – gritava eu em total desespero.
Como não queriam que o socorro entrasse no apartamento deles
temendo alguma confusão posterior com polícia ou judicial, eles me
ajudaram, juntamente com o porteiro, a levar o Pedro até a entrada do
edifício quando a equipe do SAMU chegou e rapidamente assumiu o
controle da situação. Ao me virar, tinham desaparecido.
Enquanto os paramédicos atendiam o Pedro na ambulância, espetando-
o com agulhas, instalando tubos, dando choques com o desfibrilador
que fazia seu corpão dar um salto, eu chorava feito uma criança
desamparada, implorando que o salvassem. O médico que o socorria e
que, por sinal, era um tremendo de um macho grande e tesudo, me
mandava ficar calmo, mas eu mal ouvia suas palavras, só olhava para o
Pedro ali inerte e sentia meu peito se rasgando por dentro.
Assim que chegamos ao hospital, ele foi encaminhado diretamente para
a sala de emergência onde reverteram a parada cardio-respiratória,
enquanto eu caminhava perdido diante da porta pela qual não me
deixaram passar. De minuto a minuto eu perguntava ao primeiro
funcionário do hospital que passava por mim sobre o estado do Pedro,
até finalmente um médico vir conversar comigo e avisar que o haviam
estabilizado, mas que talvez fosse preciso uma cirurgia, pois o coração
mostrava sinais de obstrução em importantes vasos que irrigavam o
miocárdio. Só entendi uma parte da explicação, a de que o haviam
estabilizado e, perguntei agoniado.
- Quer dizer que ele está bem, que deu tudo certo! – o médico devia ter

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pensado que eu era um completo imbecil.
- Não, ele não está bem! Como eu disse, ele precisa permanecer
internado e provavelmente vai precisar de uma cirurgia. Você é filho
dele, parente? Quantos anos tem? É melhor você chamar um adulto
que tenha parentesco direto com ele.
- Eu tenho dezenove, ele é meu ... – subitamente eu não sabia o que o
Pedro era meu, nunca havia pensado sobre isso e, quando concluí que
oficialmente eu e o Pedro não éramos nada um para o outro, descambei
a chorar.
- Esse garoto precisa de ajuda! Levem-no para a sala de recuperação,
deixem-no ao lado do paciente e apliquem um sedativo nele, assim não
dá para conversar com ele e obter as informações de que precisamos. –
disse o médico, a uma enfermeira.
- É ruim que alguém vai me aplicar qualquer sedativo, hein! Eu preciso
cuidar dele, e tenho que estar bem vigilante! – exclamei determinado.
Resultado, me deixaram ali no corredor e esqueceram de mim, não
fosse um rapaz da recepção me trazer uma papelada para ser
preenchida, além de me fazer zilhões de perguntas.
Transferiram o Pedro para a UTI, as visitas tinham um horário restrito, o
que não me impediu de ficar de plantão 24 horas diante da porta.
Médicos e enfermeiros revezaram os turnos durante três dias e lá
continuava eu, ou o que restava de mim. No segundo dia um
plantonista se apiedou de mim quando assumiu o turno da noite.
- É completamente fora do regulamento, mas vou permitir que fique ao
lado dele por algumas horas. – disse o médico. – Não demora e é você
que teremos que atender, está com uma cara péssima, apesar de ela
ser um bocado bonita.
- Obrigado! Vou me comportar, prometo! Nem vão perceber que estou
aqui. – devolvi agradecido.
- Vai garoto, vai lá ficar ao lado dele!
Sentei-me numa cadeira que providenciaram e tomei a mão do Pedro
entre as minhas, chorei até as lágrimas secarem olhando para o rosto
dele.
- Ele é seu pai? – perguntou um enfermeiro enquanto lhe aplicava as
medicações prescritas. O plantonista também estava ao lado do leito
conferindo os sinais vitais antes de se recolher.
- Mais, muito mais do que isso! – respondi. Os dois trocaram olhares e,
na testa de cada um dava para ver um ponto de interrogação. Ninguém

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seria capaz de compreender o nosso relacionamento que, nem mesmo
o Pedro e eu soubemos nominar.
No terceiro dia fui informado que a equipe da cirurgia cardíaca iria
avaliar o Pedro na manhã seguinte com vistas a uma cirurgia, o que
realmente aconteceu já nas primeiras horas. O cirurgião responsável
me avisou que a cirurgia seria realizada no dia seguinte, o que me
encheu de esperanças, tanto que comuniquei o fato à ex-esposa dele
acreditando que isso a faria vir vê-lo, pois até então ela sempre tinha
um compromisso inadiável e assuntos urgentes a resolver.
Já havia se passado mais de uma hora do horário de visitas regulares a
UTI sem que fosse dada nenhuma explicação aos familiares dos outros
pacientes que aguardavam comigo no corredor. A chefe das
enfermeiras do turno diurno veio ter comigo e me fez entrar, deixando
os demais parentes esperando do lado de fora. Ela tinha um rosto
bondoso, certo dia chegou a pedir que me entregassem um lanche
quando notou que eu não arredava o pé da porta da UTI. Um médico
que eu também já conhecia de vista se juntou a nós.
Assim que entrei na UTI espichei o olhar para o leito em que o Pedro
estava, no entanto, a cama estava vazia. Um pressentimento doloroso
se apossou de mim e, logo em seguida, o médico deu a notícia.
- Fizemos todo o possível, mas ele acaba de falecer!
Tudo ao redor girou, parecia não haver ar suficiente para respirar, foi
como se tivessem arrancado uma parte do meu corpo. O choro não
veio, ficou trancado no peito, machucando. Demorou dias para ele sair,
convulsivo, destroçador.
A ex-mulher veio me procurar cerca de um mês depois, comunicando
que esteve com o advogado e que descobrira que o Pedro havia
deixado a quitinete e uma conta bancária para mim, e nada para o
filho. Dei de ombros, afirmei que podiam ficar com tudo, que o que o
Pedro tinha de mais valioso ele havia me presenteado em vida, carinho,
acolhimento, amor e .... eu ia dizer sexo, mas isso era algo tão meu e
dele que não interessava a ninguém.
- Fiquei muito puta quando descobri o que ele fez deixando tudo para
você ao invés do próprio filho. Mas depois, refletindo melhor,
compreendi porque ele fez isso. Eu já o havia sugado a vida inteira
desde que descobri o que ele fazia quando não estava em casa.
Arranquei dele o que pude, até mais do que ele era capaz de dar e
nunca retribuí nem um mínimo disso, nem amor, nem consideração,

97/
nem respeito pela integridade de que era dotado quando me juntei a
uma mulher, fazendo exatamente o mesmo que ele fez comigo ao sair
a procura de homens. Ao passo que você deu a ele tudo o que nunca
teve, atenção, afeto, amor e seu corpo. Não foi difícil compreender de
onde surgiu essa felicidade repentina na qual viveu esses últimos anos.
Portanto, é justo que fique com o apartamento e o que está na conta
bancária, sei que era o último desejo dele, e vou respeitar essa vontade
ao menos uma vez na vida.
Quando ela se foi chorei por horas me questionando se tinha mesmo
sido tudo o que o Pedro merecia da vida, e me arrependi de não ter sido
mais amoroso e das vezes em que briguei com ele dizendo que não era
meu dono quando por trás disso estava tão somente o ciúme que
sentia de mim.
Hoje me sinto um espectro errante que vagueia pelas madrugadas à
procura de minha alma que se perdeu em alguma esquina da vida.

98/
O rabinho mais cobiçado da empresa

O rabinho mais cobiçado da empresa


- Vaca, filha da puta do caralho! Cadela sapatona! – vinha esbravejando
o Kyoshi ao voltar a estação de trabalho ao lado da minha.
- Ei calma, vai acabar tendo um troço! – exclamei
- E vou mesmo, mas antes fodo essa lésbica de merda! – retrucou,
referindo-se à nossa chefe, a diretora do departamento. – Acredita que
a filha da puta me mandou refazer essas planilhas e o relatório
alegando que estão cheios de erros? Ela nem olhou direito para essa
porra e foi logo me esculachando!
- Ela apontou onde estavam os erros? – perguntei
- Não acabei de dizer que ela nem leu essa porra? Só disse que estava
cheio de erros sem mencionar um sequer. Vaca! E o pior é que me
mandou refazer tudo e deixar em cima da mesa dela ainda hoje! Faltam
45 minutos para eu poder sair desse inferno, como vou refazer toda
essa merda? Terei que varar a madrugada tentando descobrir onde
estão esses tais erros. – continuou esbravejando.
- Me deixe dar uma olhada, vamos resolver isso juntos! – comuniquei.
- Não quero te prender no escritório, você deve ter coisa bem melhor
para fazer do que revisar essa merda toda. – devolveu ele.
O Kyoshi e eu fomos admitidos na empresa no mesmo dia e, desde
então foi se desenvolvendo uma amizade que só crescia a cada dia de
convívio. Ele era super competente e minucioso no que fazia e eu podia
jurar que não havia erros nas planilhas e no relatório que ele
apresentou à nossa chefe. Ela, Isabela, implicava com todos os homens

99/
do departamento e até de outros setores da empresa. Tinha-os como
concorrentes ao acesso à mulherada. Bastava o cara ter um pinto entre
as pernas para ela o desprezar e espezinhar quando podia. Todos na
empresa tinham certeza de que ela era sapatona e que babava atrás
das garotas mais novinhas e descompromissadas e até das casadas
mais delicadas e sensíveis. Ela as tratava como bibelôs, se empertigava
toda ao abordá-las e vivia tecendo elogios ora quanto à maneira como
estavam vestidas, ora quanto ao corte de cabelo novo, ora a outro
aspecto momentâneo qualquer que despertasse sua atenção. Já com os
homens, só faltava os mandar para o inferno, pois para outros lugares
menos pudicos, eu a flagrei mandando um bocado deles pelas costas.
Rosalia Isabela Cacciatore era o nome da generala opressora, uma
quarentona até razoavelmente desejável de corpo, o que lhe rendia
alguns olhares de homens desavisados, mas que tinha um rosto
virilizado. O nariz grande e levemente adunco, uma boca larga com
lábios grossos que estavam quase sempre com o batom vermelho
borrado; quando sorria, o que só era comum para as mulheres, surgiam
os dentes também grandes e largos, os olhos escuros eram
inexpressivos, só se iluminavam quando saravam uma mulher sensual
e bonita, as sobrancelhas mais pareciam duas taturanas e a pele grossa
do rosto estava forrada por uma lanugem sutil. Não havia nada de
atraente nela, era uma mulher feia, e aqui digo mulher porque nasceu
com os cromossomos XX, embora seus trajes quase provassem o
contrário. Éramos dois gays no departamento, o Fábio que mais parecia
uma borboleta saltitante e eu que, de tão discreto e enrustido, nem era
percebido como tal, exceto por ela, cujo faro para o fora do padrão era
mais aguçado que o dos cachorros. Talvez fosse por isso que ela nos
tratava diferente dos demais homens do departamento, e até com
certa gentileza, pois não representávamos nenhum perigo ou
concorrência para os objetos de desejo dela. Eu era respeitoso tanto em
relação a sexualidade dela quanto a maneira de interação no trabalho,
mas confesso que não sentia a menor simpatia por ela. Foi por isso que
ela acabou elegendo o Fábio com seus modos extravagantes e seu jeito
de se vestir espalhafatoso como uma espécie de consultor de moda. A
coisa não devia funcionar muito bem, uma vez que o Fábio a orientava
a escolher determinadas roupas mais chamativas e coloridas enquanto
ela continuava adquirindo peças que poderiam até ser usadas pelos
homens. Estava sempre metida num terninho, ora calça e paletó

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combinando, ora com tecidos e cores diferentes, abaixo do qual usava
blusas fechadas até o pescoço que mais se pareciam camisas
masculinas de tão sóbrias. Nem mesmo os scarpins reluzentes sobre os
quais se equilibrava amenizavam a aparência masculinizada. Queria ver
ela ficar de mau humor e sair dando coices para todo lado, era só
flagrar um carinha dando em cima de uma de suas pupilas. A mulher
virava o bicho e o carinha levava um esbregue que o deixava
desorientado por uma semana. E foi certamente isso que a fez
descarregar a raiva sobre o pobre do Kyoshi que andava suspirando
pela Tamiko, uma sansei miudinha e delicada como uma boneca que
lhe retribuía o assédio com sorrisos contidos e um olhar de derreter
corações, sem nem desconfiar das intenções escusas da chefe.
- Agora me fala, onde estão esses erros, caralho? – questionou o Kyoshi
depois de revisarmos toda a papelada.
- Você sabe que não tem nenhum erro, foi só a maneira que ela
encontrou para te punir por estar flertando com a Tamiko. Está na cara
que ela arrasta um trem pela japonesinha. O negócio dela é derrubar a
concorrência! – afirmei
- Cadela sapatona! O que ela está precisando é de uma pica na boceta,
se é que ela tem uma e sabe para que serve! – retrucou ele, furioso, me
fazendo rir.
- Tome cuidado com as palavras, meu amigo! Vai que o grelo dela é
maior que sua piroquinha nissei! – devolvi caçoando.
- Até você deu para me esculachar, seu veadinho enrustido? Vou te
mostrar o que é uma piroquinha nissei quando enfiar minha rola no seu
cuzinho! Quando ficar com as preguinhas arregaçadas você me diz se é
uma piroquinha! – devolveu zangado e ultrajado.
- Ui, ui, isso é uma promessa ou puro blefe? – retorqui rindo
- Vai me ajudar com essa merda ou vai continuar tirando sarro com a
minha cara? – indagou.
- Só estou tentando te distrair, fazer você rir e esquecer o que essa
megera te disse! Bobalhão! – devolvi. – Vamos mudar a ordem desses
dados nessa planilha e nessa, mude esse parágrafo do relatório para
depois desse outro aqui, pronto! Todos os dados agora estão certos e a
chefona não tem mais do que reclamar! – emendei, enquanto ele me
encarava e começava a rir.
- Sabe que eu te amo, não sabe? Se eu não fosse tão chegado em
garotas eu até dava um belo trato nessa sua bundona tesuda! Valeu,

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cara! Você é demais! Vamos fazer essas alterações e sair daqui. O
jantar de hoje é por minha conta! – disse ele ao espalmarmos as mãos
um contra o outro.
Passava das dez da noite quando o Kyoshi colocou a pasta com as
planilhas e o relatório sobre a mesa da generala. Como de costume, ela
ainda estava na empresa, como se não tivesse casa ou vida social além
do trabalho.
- Ainda por aqui, Leo? – perguntou ela quando me viu acompanhado do
Kyoshi, para quem ela nem se dignou a olhar.
- Estava adiantando algumas coisas para amanhã! – respondi
- Não é a primeira vez que te vejo por aqui bem depois do término do
expediente. – retrucou ela
- Faço isso para escapar do trânsito, ao invés de ficar perdendo tempo
preso dentro do carro, vou adiantando o serviço. – esclareci.
- Gosto muito do seu trabalho, Leo! Vejo um grande futuro para você
dentro da empresa. – elogiou.
- Obrigado! Procuro dar o melhor de mim!
- Isso fica bem perceptível! – exclamou ela, fazendo com que o Kyoshi
se voltasse para mim.
Não fizemos outra coisa durante o jantar que não meter o pau na
generala castradora, os ouvidos dela deviam estar pegando fogo
enquanto ríamos a não mais poder.
- Você sacou que a vaca sapatona estava dando em cima de você, não
sacou? O que foi aquilo – é bem perceptível que você dá o melhor de si?
Cara, a sáfica, grelo duro está cobiçando sua bunda na maior cara de
pau, filha da puta! – descarregou revoltado o Kyoshi por ter sido
sumariamente ignorado por ela, até quando passou
descompromissadamente os olhos sobre as planilhas e o relatório
afirmando que agora estava a contento.
- Eu quase caio na risada quando ela afirmou que o relatório ficou a
contento, sem se dar conta de que era exatamente o mesmo que você
já havia apresentado. Eu não te disse que ela está implicando com você
por conta da Tamiko, como ela faz com todos os caras que estão
cercando as garotas que ela está cobiçando? Basta o cara ter um
cacete no meio das pernas para ela querer castrá-lo. Isso é pura
insegurança, ela precisa provar que é tão capaz quanto qualquer
macho. Sabe que no fundo tenho pena dela!
- Só você mesmo para ter pena daquela cadela, tenha santa paciência,

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Leo!
- Você já pensou por tudo o que ela precisou passar para chegar aonde
chegou? É a única diretora mulher da empresa e, a diretoria inteira
questiona pelas costas a capacidade dela. E, sejamos sinceros, ela é
competente naquilo que faz, não dá para negar. Talvez seja por isso que
ela abomine os homens, porque sempre foi rejeitada por eles. –
argumentei
- E qual homem não vai rejeitar um estrupício daqueles, fala sério!
Aposto que se fizerem um mapeamento genético dela, vai ter uma
porrada de cromossomos Y e um cagagésimo de cromossomos X. –
devolveu irritado.
- Bem, você não me convidou para esse jantar para ficar falando da
chefa! Me conta a quantas anda o seu caso com a Tamiko. – questionei
para mudar de assunto.
- Essa é outra parada mal parada, desculpe o trocadilho!
- Como assim?
- Cara, que garota difícil! Ela não me deixa chegar junto, é mais
escorregadia que sabonete.
- Se toca japonês tarado, eu até posso imaginar como é esse seu tal de
“chegar junto”! A coitada vai fugir mesmo! - argumentei
- Chega de falar de mim, vamos falar de você! Acho que a nossa
amizade já me permite te fazer uma pergunta mais íntima. – começou
ele, medindo as palavras enquanto me encarava.
- Lá vem bomba! – exclamei
- Não, sério, Leonardo! – continuou ele
- E das grandes, para me chamar de Leonardo é porque vai ser
explosiva!
- Dá para calar essa boca ao menos um segundo? Leo, você é um puta
de um cara lindo, educado, gentil, prestativo, por que não mostra esse
seu outro lado de gay que pode fazer a felicidade de um bocado de
caras? Você se esconde atrás de um personagem, faz de conta que não
ouve quando um cara elogia sua beleza e charme, por que tanto medo?
O mundo está mudando, ser gay não é mais o mesmo tabu de séculos
atrás. Se continuar tão enrustido nunca vai encontrar um cara que te
mereça, que possa te dar todo amor que você merece! – eu o ouvia em
silêncio, pois me questionava diversas vezes com as mesmas questões.
- O mundo pode até estar mudando, mas continua perigoso e agressivo
para os gays. Não estou disposto a levar uma surra de um maluco

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qualquer com quem cruzar pela rua só porque não sou tão macho
quanto ele. Além do mais, os caras que realmente valem a pena, os
machos de verdade, não aqueles que às vezes fazem o papel de macho
numa relação, não procuram nada além de sexo com um gay. O
bissexual ativo, macho de verdade, só quer enfiar o pauzão dele num
cuzinho gay algumas vezes e nada mais. Ele não quer compromisso, ele
não quer ser visto ao lado de um gay, ele jamais vai admitir que gosta
do rabo de outro cara. Para a sociedade ele quer ser visto como
heterossexual, não como um cara que sente um tesão incontrolável
pelo cuzinho de um gay, mesmo que realize esse desejo entre quatro
paredes. – argumentei
- Tá, pode até ser, mas você não é bobo e já deve ter percebido que
tem pelo menos meia dúzia de caras no departamento, e mais um
dobro disso por toda empresa, que estão a fim de você. Talvez nem
todos sejam como você descreveu, pode haver um que queria estar
com você por outros motivos que não apenas sexo. Como um cara
desses vai chegar em você se você repele todos eles como se fosse a
porra de um repelente de mosquitos?
- Porque tenho medo de sair machucado! Não pense que ser gay é fácil,
já zoaram muito comigo, já me disseram coisas abomináveis, já me
fizeram chorar muito, e eu não quero isso para a minha vida. Do jeito
que estou agora está bom, mesmo que sinta falta do carinho e do corpo
de outro homem. – afirmei.
- Se esses caras te ouvissem falar, cairiam aos seus pés implorando
pelo seu amor! E guarda isso, não existe amor que em algum momento
não doa! – disse, cobrindo minha mão com a dele.
- E o que continua fazendo sentado aí ao invés de cair aos meus pés? –
perguntei para desanuviar o clima.
- Sabe o que é, eu só tenho uma piroquinha nissei e essa sua bundinha
tesuda precisa levar uma pica de negão! – sentenciou debochando.
- Cruzes, Kyoshi! Tô fora! – retruquei. Ele riu ainda mais. – Valeu por se
importar comigo! – acrescentei
- Cara, você é simplesmente demais! Me sinto privilegiado com a sua
amizade, mesmo quando você fala da minha piroquinha. Um dia ainda
te mostro o quanto está enganado! – retrucou
- Me poupe!
Eu tinha para mim que esse japonês safado devia ter um pauzão de
deixar qualquer um com inveja, pois sempre que começavam a zoar

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com ele por conta dos pintinhos pequenos dos orientais, ele ficava na
moita bem ao estilo reservado dos japoneses se escondendo por trás
de gestos e palavras cerimoniosas.
Nem mesmo para ele eu revelei que havia sim um cara no
departamento que me tirava o sono. Lucas era o macho mais sedutor e
másculo da empresa. As garotas e mesmo algumas casadas
suspiravam por ele, pelo jeitão de garanhão insaciável, pelo volumão
em suas calças que as podia fecundar e garantir uma prole cheia de
atributos. Só havia um problema, ele estava noivo e, quem já tinha
visto a felizarda, afirmava tratar-se de uma beldade única. Embora isso
nunca tivesse sido um empecilho para ele espichar os olhos atrás de
uma garota ao passar por ela. Com tanta testosterona circulando
naquele corpão viril não era de se estranhar que eu me sentisse
extremamente atraído por ele, a ponto de já ter tido alguns sonhos
eróticos que me fizeram acordar no meio da noite com a cueca toda
melada. Ele, por seu lado, parecia nem saber que eu existia. Como
nossas estações de trabalho ficavam em extremos opostos do
departamento nossos encontros aconteciam esporadicamente durante
alguma reunião convocada pela generala, ou no elevador durante a
chegada e saída na empresa, ou ainda na saleta do café. Não passava
de um coleguismo formal e respeitoso. Como a maioria dos colegas ele
nem devia desconfiar da minha sexualidade, para todos eu era aquele
sujeito reservado, gentil, prestativo, educado e com um gosto refinado
para se vestir e interagir. Nem mesmo quando a galera resolvia se
juntar aos finais de expediente para jogar boliche numas canchas que
havia próximo à empresa, ou para happy hours que se estendiam noite
adentro nos barzinhos badalados da redondeza, e das quais na maioria
das vezes eu não participava, o levaram desconfiar que os olhares que
eu lhe dirigia eram carregados de tesão reprimido. Rolavam sim, pela
empresa inteira, algumas fofocas e principalmente observações em
relação ao tamanho e formato voluptuoso da minha bunda; mas como a
política da empresa seguia a onda do politicamente correto, da
diversidade, da justiça social e racial visando muito mais a lucratividade
do que propriamente aquilo que se apregoava, esses comentários
ficavam restritos a grupinhos fechados e feitos à meia-boca para evitar
problemas.
Dessa vez resolvi acompanhar a galera após o expediente ao proporem
uma disputa de duplas no boliche. Havia alguns dentre eles muito feras

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e para deixar a disputa mais equilibrada resolveram sortear as duplas
no Jankenpô, caí com o Lucas. Seria o destino me dando uma forcinha?
Ele não parecia tão feliz com o resultado quanto eu, certamente
subestimando minha habilidade.
À medida que as duplas foram perdendo e saindo, numa disputa cada
vez mais acirrada, ele e eu continuávamos firmes no páreo. Os caras
que já haviam saído e bebericavam espalhados pelos sofás atrás das
nossas canchas, comentavam à meia-boca cada um dos meus
lançamentos, uma vez que ao lançar a bola minha bunda se destacava
na calça justa. Os mais devassos precisaram até ajeitar as rolas para
disfarçar a comichão que os atormentava. Ao passo que o Lucas vinha
comemorar efusivamente comigo toda vez que os garrafões eram
derrubados fazendo um strike e, mais ainda, quando ele chegava a me
levantar do chão quando completávamos um turkey.
- Cara, você é muito bom nisso! – exclamou quando restavam apenas
três duplas e nós éramos a com mais pontos. Acho que foi a primeira
vez em que ele reparou em mim, embora o Kyoshi e o Claudio, outro
colega do departamento, afirmassem que o tinham visto espichar o
olhar para a minha bunda com o mesmo interesse que sacava a
mulherada.
Acabamos sendo os vencedores daquela noite, o que nos rendeu duas
despesas totalmente pagas para as próximas duas baladas, onde a
galera também costumava se juntar a cada mês, bancadas pelos
perdedores.
Chovia torrencialmente há horas quando deixamos as canchas de
boliche. O Lucas tinha deixado o carro dele na revisão no dia anterior e
dependia de uma carona, que me pediu meio sem-graça por não
sermos tão próximos assim.
- Claro, sem problema! – exclamei
- Sei que sua casa fica no caminho da minha, pode me deixar lá, depois
eu peço um Uber ou pego um táxi, valeu! – retrucou ele.
- Te deixo em casa, não esquenta! Nesse temporal não vai ser fácil
encontrar um táxi ou Uber disponível.
- Beleza! Obrigado!
Havíamos passado alguns quarteirões do meu prédio quando nos
deparamos com as avenidas e ruas que davam acesso à casa dele
totalmente bloqueadas pela enchente. Tentamos, sem sucesso, seguir
rotas alternativas indicadas pelo GPS, mas a situação era tão

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calamitosa quanto.
- Vamos voltar para a minha casa, você pernoita lá e amanhã damos
um jeito de você ir para a sua casa para trocar de roupa e seguir para a
empresa. – sugeri
- Pô cara, valeu! Não queria te dar todo esse trabalho!
- Não é trabalho algum! É meu caminho mesmo! – devolvi, voltando a
sentir aquela mesma sensação de que o destino estava me dando um
empurrãozinho.
Alojei-o no quarto de hóspedes, depois de ajeitar a cama e garantir que
tivesse um mínimo de conforto.
- Muito legal o seu apartamento! Você tem muito bom gosto! Faz tempo
que mora aqui? – perguntou ele
- Uns três anos, mas tudo só ficou pronto alguns meses atrás.
- O meu não está tão arrumadinho assim, acho que sou meio relaxado.
Eu estava prestes a começar uma reforma, mas quando terminei com a
minha noiva, desisti. Para mim, do jeito que está, está ótimo. – havia
um tom amargurado em sua voz ao mencionar o fim do
relacionamento, mas eu não falei nada para não parecer invasivo.
- Bem, é isso aí! Na última porta do armário perto da parede tem
coberta e travesseiros extras se precisar. Deixei toalhas no banheiro
caso queira tomar um banho. Se precisar de mais alguma coisa, estou
no quarto ao lado.
- Valeu! Nem sei como agradecer!
- Boa noite, Lucas!
- Boa noite, Leo! Durma bem! – devolveu ele. Eu sabia que não seria
assim, com ele ali no quarto ao lado eu ia ter outros daqueles sonhos
eróticos com aquele machão cuja simples presença me perturbava até
a raiz dos cabelos.
Tomei uma ducha, vesti apenas uma cueca samba-canção de seda com
as quais costumava dormir e fui me deitar, mais inquieto que o
habitual. Menos de um quarto de hora depois, o Lucas apareceu na
porta do quarto. Até levei um susto quando me deparei com seu vulto.
Acendi a luz da cabeceira e quase me engasgo com a própria saliva, ele
estava completamente pelado, o corpão atlético e musculoso
encostado no batente da porta, o baita caralhão livre e solto atraía meu
olhar como se fosse um imã.
- Desculpe te incomodar mais do que já estou, mas você teria um copo
de leite? Tenho o hábito de tomar um copo de leite morno antes de

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deitar, me ajuda a conciliar o sono. – disse
- Claro! Senta por aí, vou até cozinha pegar para você! Quer adoçado
ou ao natural?
- Ao natural! Valeu, desculpe a chateação!
Quando voltei ao quarto ele estava sentado na minha cama, recostado
na cabeceira com as pernas ligeiramente afastadas o que
proporcionava uma visão ampla da enormidade e sensualidade de seu
sexo, ficava até difícil deglutir a saliva que se juntou na minha boca;
isso sem mencionar que meu cu deu para piscar mais que semáforo
emperrado.
Ele tomou o leite sem pressa, a cada gole seu pomo-de-adão se movia
tão sensualmente que me embaralhava os pensamentos, a isso se
juntava o torso maciço com pelos entre os mamilos que depois seguiam
numa trilha até se juntarem aos pubianos, tão adensados que
camuflavam uma parte do pauzão e as bolas do saco. Os braços e as
coxas eram extremamente musculosos expressando força, virilidade e
potência. O rosto anguloso com aquela barba por fazer era um
verdadeiro tormento, pois ensejava que fosse tocado e afagado por
mãos carinhosas, as minhas estavam coçando.
Despedimo-nos mais uma vez. A certeza de que passaria a noite em
claro agora se confirmou. Como eu ia dormir sabendo que aquele
macho tão desejado estava a poucos passos, nu, esparramado na cama
onde eu também queria estar?
Esses pensamentos me atormentavam, cenas de sexo tórrido e
explícito entre mim e ele se formavam na minha mente, eu me
agarrava aos travesseiros e virava de um lado para o outro na cama
com o pau priápico distendido dentro da cueca. Preciso bater uma
punheta, disse a mim mesmo, correndo para o banheiro e começando a
me masturbar.
- Leo! Você já está dormindo? – era a voz dele, e fez meu pinto murchar
dentro da palma da mão.
- Oi! – respondi afobado, voltando a enfiar a pica na cueca. – Precisa de
alguma coisa? – perguntei ao voltar ao quarto e o encontrar novamente
encostado no batente da porta.
- Cara, me desculpe, estou meio agitado, não sei se tomei uns tragos a
mais ou se é o tesão reprimido. Desde que terminei o noivado não
tenho transado e isso me deixa inquieto. Estou tenso, nem o leite
morno está ajudando. – afirmou. Minha vontade foi de dizer para ele

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socar aquela caceta enorme no meu cuzinho e se saciar até não mais
poder, mas eu era covarde demais para isso e, ele certamente não
estaria interessado num cu de homem.
- Deita aqui com a cabeça voltada para a peseira da cama deixando os
ombros livres, vou te fazer uma massagem, talvez te ajude a relaxar.
- Faria isso por mim? – perguntou com um sorriso tímido. Eu faria
tesudão, eu faria muito mais se você curtisse o cuzinho de um gay,
pensei com meus botões.
Amassar aqueles ombros largos e fortes, sentir o calor de sua pele,
olhar para seu rosto se desanuviando aos poucos com meus toques e
massagens sobre aquele tanto de músculos, estava fazendo bem a
ambos. Ele suspirava de quando em quando com os olhos fechados e
se entregava ao deslizar das minhas mãos sobre seus ombros e nuca.
Aos poucos, notei que o caralhão dele começava a se mover, encorpar
ainda mais. A ereção seguia seu rumo começando a soerguer aquela
tora de carne como se fosse uma grua, meu olhar não se desviava por
nada daquele caralhão e minhas mãos amassavam com mais força
aqueles músculos rijos e tensos.
- Cacete, Leo! Me desculpe pelo vexame! Não consegui segurar! – disse
ele, apressando-se a sentar na cama para disfarçar a ereção
consumada. – Como eu disse, estou a perigo! Isso é uma porra, estou
super envergonhado!
- Não tem problema, é compreensível! Volte a deitar e relaxa! – devolvi,
fazendo-o recostar-se dessa vez sobre os travesseiros, antes de
espalmar as mãos sobre o peitoral vigoroso dele e afagar aquele tanto
de pelos sedosos.
Por um tempo fiquei movendo as pontas dos dedos no mesmo sentido
em que os pelos estavam inclinados formando um redemoinho entre os
mamilos. Ele continuava com os olhos fechados como se estivesse
imerso num devaneio prazeroso.
-Leo! – ronronou longamente como um grande felino quando meu
primeiro beijo com os lábios úmidos tocou o peitoral.
Depositei o segundo, o terceiro, suaves e prolongados, enquanto os
dedos caminhavam sobre a trilha de pelos rumo ao ventre trincado
dele, sempre seguidos de outro beijo. Fiz os dedos pararem às margens
da virilha, também colocando ali mais um beijo que abalou todo seu
corpo. Meu rosto estava a centímetros da cacetão grosso e cabeçudo
que latejava no mesmo ritmo acelerado de seu coração. Eu estava

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encantado por seu formato perfeito e majestoso, pelas veias que
dilatadas que pulsavam sob a pele e pela glande exuberante
totalmente desencapada do prepúcio. De tão embevecido não percebi
que se passaram alguns segundos sem que eu movesse os dedos ou
pousasse outro beijo. Ele abriu os olhos para ver o que estava
acontecendo, porque não era agraciado por aqueles toques sutis que
haviam elevado seu tesão às alturas. Ao invés de adentrar no denso
matagal de pentelhos, eu contornei a virilha, as pontas dos dedos
caminharam para o lado sobre uma das coxas musculosas e peludas,
seguidos dos mesmos beijos úmidos que tocavam a parte interna das
coxas tão próximos do sacão dele que ele podia sentir o ar da minha
respiração resvalando nos colhões. Depois mudaram de lado, fazendo o
mesmo na outra coxa, só toques tão sutis quanto o cair de uma pluma,
tesão puro, tesão tão alucinado que o pauzão já começava a doer de
tão duro e distendido. Ao abrir novamente os olhos por um breve
momento e me encarando como se estivessem me perguntando – por
que parou, por que me priva desses lábios quentes e molhados, por que
não coloca minha rola na sua boca e a devora? – eu peguei
delicadamente o caralhão pesado e comecei a escorregar a ponta da
língua pela parte debaixo dele, descendo quase até o sacão e voltando
até onde a cabeçorra se destacava em espessura do corpo da pica. O
Lucas voltou a fechar os olhos e deitou a cabeça no travesseiro,
soltando um grunhido baixinho. Eu estava onde ele queria. Eu lambia a
verga por todos os lados quando ela subitamente começou a soltar o
pré-sêmen que eu ia lambendo e me deliciando com seu sabor,
impedindo que ele escorresse para dentro dos pentelhos pubianos. O
visgo translúcido era tanto que precisei fechar os lábios ao redor da
chapeleta e sorvê-lo diretamente na origem, o que fez o Lucas começar
a se estremecer todo rugindo mais alto a cada uma das minhas
sugadas. Aos poucos, ele foi abrindo e puxando as pernas para trás,
meu rosto estava dentro da virilha dele e suas mãos me agarraram
pelos cabelos ao mesmo tempo em que ele erguia a pelve e metia o
caralhão mais fundo na minha boca.
- Leo! Leo, cacete, Leo! – era tudo que escapava por entre seus dentes
cerrados., enquanto minha língua e minha boca não paravam de
trabalhar sua pica.
O primeiro jorro de porra entrou com tudo e desceu praticamente direto
pela garganta, engoli-o às pressas. A cada nova golfada minha boca se

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enchia do esperma leitoso e amendoado que eu tratava de engolir tão
rápido quanto possível para não me afogar nelas. O Lucas tinha voltado
a erguer a cabeça, não tirava o olhar prazeroso de mim observando
embevecido como eu ia mamando e devorando seu leite de macho,
lambendo o que escorria pela jeba até não restar sequer uma única
gota de sua virilidade.
- Conseguiu relaxar agora? – perguntei, encarando o brilho excitado de
seu olhar.
- Isso foi demais, Leo! Demais, cara! Nem sei há quanto tempo não me
sinto tão bem! – respondeu ele. – Vem cá, deita no meu peito! –
emendou com outro ronronar.
Eu estava nas nuvens, só podia estar sonhando, precisava me beliscar
para saber se aquilo não era outro daqueles sonhos eróticos; mas o
bater do coração dele, sua mão afagando meus cabelos, a quentura
prazerosa daquele corpão não eram apenas um sonho, estava
acontecendo. Ele colocou a mão sobre a minha, a qual estava
deslizando ao redor do umbigo dele, e a empurrou para dentro da
virilha até ela tocar seu membro excitado. A fiz escorregar até o sacão,
palpei suavemente cada uma das bolas sentindo sua consistência e o
quanto ainda estavam abarrotadas.
Foi por isso que ele não demorou a rolar para o lado, abraçado a mim,
de modo a eu ficar debaixo dele. Um chupão seguido de uma
mordiscada na pele do pescoço me causou um arrepio que desceu feito
um raio pela minha coluna até parar no cuzinho. Depois do primeiro
vieram outros mais impulsivos, mais obstinados que desciam pelas
minhas costas, entremeados de beijos e lambidas. Meu corpo estava
quente como se tomado por uma febre, agitado, às portas de
convulsionar quando ele apartou as nádegas polpudas e foi
mordiscando as laterais lisinhas até chegar ao reguinho onde a barba
dele espetava a pele imaculadamente alva.
- Lucas, ai Lucas! – gemi quando a língua dele rodopiou sobre as
minhas preguinhas excitadas. Só para me provocar, ele repetiu o gesto
não parando mais de mordiscar e lamber meu cuzinho, os entremeando
com dedadas insaciáveis enquanto eu me sentia prestes a desfalecer
de tanto tesão.
Ele puxou minha cabeça para trás pelos cabelos, cobriu minha boca
com a dele num beijo voraz e lascivo. Com a outra mão, apontou a
cabeçorra do caralhão sobre a portinha plissada do meu cuzinho e a

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empurrou para dentro numa estocada potente.
- Ai Lucas! Ai! – gani ao sentir a carne delicada e sensível do meu ânus
se rasgando toda. Ele me beijou com mais intensidade e desejo,
esperando eu me entregar à sua volúpia desenfreada.
Fazia tempo, muito tempo, que não enfiavam uma pica no meu cu, e eu
estava tão apertado quanto no dia em que um dos meus primos, na
adolescência, me desvirginou. Foi durante a faculdade que senti pela
última vez um cacete entrando e abrindo meu cuzinho, e isso estava
tão no passado que eu já nem me lembrava mais de como a dor e o
prazer se uniam para tornar aquele ato algo tão especial.
Percebendo como eu era apertado, o Lucas se empurrava lenta e
cuidadosamente para dentro de mim, controlando, sabe-se lá a que
custo, a tara infindável que estava sentindo. Ele se agarrou ao meu
torso, fungava na minha nuca, amassava os biquinhos dos meus
mamilos entre seus dedos grossos e arfava estimulado pelo tesão,
socando o cacetão o mais profundamente que podia naquele casulo
macio que o encapava. Estar novamente grudado em um macho me
levou rapidamente ao orgasmo. Enquanto levava o caralhão no cu,
gemendo e me contorcendo todo debaixo dele, comecei a esporrar
numa felicidade que parecia não ter fim. A carência do Lucas também o
levou ao clímax pouco depois, fazendo-o gozar outro tanto de sêmen
cremoso para desopilar os colhões abarrotados. Os urros dele
escapavam roucos a cada jorro que ia enchendo meu ânus com seu
preciso líquido viril.
Lembro-me de ele ter adormecido pouco antes do que eu, deitado em
cima de mim na mesma posição em que me fodeu, enquanto esperava
o cacetão amolecer. Antes de ser tomado pelo sono, ainda balbuciei –
hoje não foi um sonho – e mergulhei na bruma escura coberto pela
quentura do corpão do Lucas.
Na manhã seguinte acordei na mesma posição, agarrado a um
travesseiro, com a bunda toda exposta virada para cima, mas sem o
peso daquele macho que me devolveu a esperança de dias menos
solitários. Dei uma travada nos esfíncteres só para ter certeza de não
haver sonhado, o ardor no ânus e aquela umidade que o preenchia todo
confirmaram não se tratar de mais um sonho.
- Lucas! ... Lucas! – chamei quando não o vi na cama. – Lucas! ... Você
está por aí? – repeti, ao procurá-lo pela casa. Ele havia partido.
Só encontrei o bilhete dele na mesa de cabeceira, do lado no qual ele

112/
havia dormido, quando estava prestes a sair para o trabalho – Obrigado
pela noite maravilhosa! Obrigado por tudo! Mil vezes obrigado, Leo! –
diziam as letras inclinadas da caligrafia dele. Sorri feito um bobalhão.
Meu peito estava tão agitado que respirar havia se tornado fácil, como
se a cada inspirada e tomada de ar a felicidade viesse junto. Ele deve
ter saído cedo para poder passar na casa dele, trocar de roupa e seguir
para o trabalho, pensei com meus botões; e saí rumo à empresa
tamborilando o volante ao som da balada romântica que estava saindo
pelos autofalantes do carro. Cheguei antes dele à empresa, mas não
antes do Kyoshi que apenas me encarou e começou a rir.
- Você está com uma cara de quem teve um encontro com um
passarinho, o papacú-de-cabeça-vermelha! – exclamou gozando.
- Pirou, seu japonês tarado? – devolvi abespinhado
- Nunca te vi com essa cara!
- Que cara, seu degenerado? Só tenho essa! – só me faltava esse nissei
da piroquinha pequena começar a fuçar onde não devia.
- Estou sabendo! Mas, no horário do almoço, você vai me dar todos os
detalhes de como ficou com essa cara, nem pense em se esquivar! –
retrucou com uma certeza dominando seus pensamentos.
O Lucas chegou atrasado ao setor e ficou em sua estação sem vir me
procurar. Trocamos alguns olhares furtivos, porém em nenhum deles ele
me devolveu o sorriso que lhe dirigi, na verdade, estava bastante sério
para quem teve uma noite de sexo ardente. Eu estava ao lado da
máquina de xerox imprimindo uns relatórios quando ele se aproximou,
não sem antes se certificar que não havia ninguém por perto.
- Oi!
- Oi! Tudo bem? Por que não me acordou, eu podia ter feito um café e
depois te levar para trocar de roupa na sua casa. – afirmei.
- Tudo, tudo bem! Valeu por ontem! – sussurrou de volta, olhando para
ver se alguém se aproximava. – Então! Aquela coisa de ontem não
significou nada, não é? Foi totalmente sem importância, não foi? –
perguntou cauteloso temendo ser ouvido, no que mais parecia uma
afirmação do que uma pergunta. No mesmo instante senti como se
tivessem me jogado dentro de uma banheira de água gelada.
- Claro, foi! Foi! – devolvi de pronto, tomado pelo espanto. – Foi sem
importância, é lógico! – balbuciei com as poucas palavras que me
vieram à mente, e que me pareceram ser exatamente as que ele queria
ouvir.

113/
- Legal, então! Era isso que eu precisava saber, só para esclarecer! Não
significou nada! Ainda bem, não é mesmo? Não significou nada! –
resmungava ele procurando se convencer do que dizia, e mais
constrangido do que uma criança pega fazendo uma travessura.
Peguei a papelada que a fotocopiadora havia expulsado e fui a passos
largos para a minha mesa. O mundo estava desabando sobre a minha
cabeça. O som dolorido martelava minha cabeça – não significou nada,
não teve importância – eu só queria chorar, chorar até não mais sentir
o ardor e o esperma dele formigando no meu cuzinho arreganhado.
- O que aconteceu, você está branco feito uma vela? – perguntou o
Kyoshi
- Nada! Não aconteceu nada! Me esquece!
- Caralho, que bicho te mordeu? Chegou aqui cantando feito um
passarinho e agora parece que viu um fantasma! Foi ela? Foi a vaca
sapatona, ela te disse alguma coisa?
- Para Kyoshi, por favor, para! Já disse que não aconteceu porra
nenhuma! – exclamei exasperado, antes de seguir em direção ao
banheiro e me trancar numa das cabines, soluçando até ficar sem
fôlego, e repetindo para mim mesmo – Leo, você é um imbecil! Um puta
de um imbecil que achou que aquele cara ia sentir qualquer coisa por
você, seu idiota iludido!
O Lucas e eu nunca fomos de conversar muito durante o expediente,
até porque nossas estações de trabalho ficavam algo distantes. No
entanto, sempre mantivemos uma convivência cordial tanto na
empresa quanto nas saídas com a galera. A partir daquele dia se
instalou um clima estranho, evitávamos ficar próximos, os
cumprimentos passaram a se restringir a um simples – Oi! –
constrangido, durante as reuniões procurávamos nos sentar o mais
afastados possível e essa súbita mudança de atitude começou a ser
notada por todos.
- Tá rolando algum problema entre você e o Lucas? – perguntou-me o
Claudio que também era muito amigo do Lucas.
- Não, não está rolando nada! Por que haveria de rolar alguma coisa
entre nós? – devolvi
- Sei lá! Dá para notar que tem uma parada estranha entre os dois.
- É o seguinte, não tem parada estranha nenhuma e seria legal se
ninguém metesse o nariz onde não é chamado. – retruquei. Bastava
alguém fazer qualquer referência ao Lucas para eu soltar os cachorros

114/
e, segundo os boatos que andavam circulando pelo departamento, o
Lucas fazia o mesmo em referência a mim.
- Aquela carona que você deu para o Lucas naquela noite depois do
boliche deu merda, não deu? – perguntou-me o Kyoshi, poucos dias
depois, voltando ao assunto que me deixava irritado.
- Esse papo outra vez? Cara, dá para me deixar em paz?
- Não, não dá caralho! A gente é amigo, não sou tonto, vocês dois estão
agindo estranho desde aquele dia, estão se evitando como se fossem
portadores de alguma doença contagiosa. Onde um está o outro foge
ou nem aparece. Se isso não é estranho, é o quê?
- Talvez seja porque descobrimos que não temos afinidades, é isso! –
retruquei
- Tá me zoando? Fala sério, Leo! Acha que sou tão burro que não sei que
você sempre esteve a fim do cara? Ou que ninguém reparou como ele
olhava para você? Não tem afinidades! Essa não cola! – já não dava
mais para esconder dele o quanto eu estava decepcionado com o
Lucas, mas não era hora de ficar me queixando e, muito menos, de
alguém ficar sabendo da noite tórrida de sexo e luxúria que tivemos.
Não fui à primeira balada na qual os perdedores do boliche tiveram que
pagar as despesas, inventando uma desculpa qualquer só para não ter
que ficar no mesmo grupinho do Lucas. Cerca de um mês depois, no
segundo encontro com a mesma finalidade, não consegui escapar, ia
dar muito na vista que ele e eu estávamos nos evitando.
Por sorte, pouco depois de chegarmos à casa noturna, encontrei com
um ex-colega da faculdade e sua esposa acompanhados de um casal
para o qual os dois estavam tentando fazer o papel de cupido, mas que
ambos sacaram que não ia rolar. Isso me permitiu escapar um pouco da
galera e me juntar a eles de quando em quando, dividindo a atenção
entre as duas mesas. Henry, o cara que estava acompanhando meu ex-
colega era um tremendo tesão de macho e que não estava se
mostrando nem um pouco interessado na garota que estavam
querendo lhe empurrar, embora ela fosse muito bonita. Na primeira
troca de olhares entre mim e ele, ao sermos apresentados, não pude
deixar de sentir um frenesi daqueles que nos indicam a possibilidade de
construir uma história com aquela pessoa. Tive a impressão que com
ele se deu o mesmo, quando demorou a soltar a minha mão que
prendera sensualmente na dele.
Eu havia voltado a me juntar com a galera da empresa quando, algum

115/
tempo depois, o Henry veio me chamar para dançar, uma vez que a
pista da casa noturna estava bombando com pares sem distinção de
gênero. Louco para não ter que ficar me esforçando para disfarçar meu
estranhamento com Lucas, e sendo um cara que curtia muito dançar e,
para o que eu, sem nenhuma modéstia, tinha uma habilidade quase
inata, topei seguir com ele para a pista. O Henry foi fuzilado pelo olhar
mordaz do Lucas.
Ficamos um bom tempo na pista, que o Henry aproveitou para me
passar umas cantadas. Por alguma razão eu me senti lisonjeado com
elas, apesar de algumas terem sido picantes e mais diretas do que
recomendadas para quem havia acabado de se conhecer. Acho que
desde a decepção com o Lucas eu precisava da aprovação de um cara
como o Henry, que me fizesse sentir atraente, desejado, capaz de
satisfazer os anseios de um homem másculo como ele. Caso contrário,
eu talvez nem tivesse dado bola para o Henry. Ao final da seleção de
músicas que o DJ tocou e, ao iniciar uma de músicas lentas que fizeram
os pares se abraçarem, eu disse ao Henry que precisava voltar para
junto da galera, mas antes de seguir em direção à mesa, ele envolveu
libidinosamente a minha cintura com as duas mãos, e isso não passou
despercebido nem pelo meu ex-colega de faculdade, nem pela galera
do departamento.
- Veaaado! Bicha, minha amiga, o que foi aquilo? O bofe só faltou te
enrabar em plena pista, amiga! – exclamou escandalosamente o Fábio
com sua voz estridente, assim que me juntei à galera. Encarei-o
indignado com a ousadia, mas ele continuou. – Tem alguém por aqui se
corroendo por dentro desde que o bofe te levou para a pista. Quisera eu
ser tão sortuda, amiga! Desejada por dois tesões de macho como
esses. – emendou.
- Cara, é o seguinte! Não sou seu amigo, muito menos amiga! Jamais
dei o direito de alguém me chamar de veado e bicha como você acabou
de fazer. Se gosta que te definam com esses adjetivos, problema seu,
mas nunca mais volte a usá-los comigo! A minha sexualidade só é da
conta daqueles para quem eu quiser e revelar, não para ser anunciada
da maneira baixa e vil como você acabou de fazer. Se você saiu do
armário e se sente bem com isso, tudo bem; mas não queira expor a
sexualidade dos outros se eles não quiserem ou estiverem prontos para
isso. Cada um tem seu tempo. Ao fazer qualquer julgamento infundado
a meu respeito pense antes de falar, pois como eu já disse, não sou seu

116/
amigo, somos colegas de trabalho, e nunca te dei essa liberdade! –
despejei furioso no mesmo tom exaltado com o qual ele me expôs
diante da galera.
O clima fechou ao redor da mesa, ninguém se atreveu a abrir a boca,
apenas se entreolharam estranhando a maneira raivosa e fora dos
meus padrões com a qual revidei as afirmações jocosas do Fábio. Ele
mesmo ficou pasmo, sem ação.
- Me desculpe, Leo, foi uma brincadeira, saiu sem pensar! Valeu? –
gaguejou ele, quando todos os olhares se voltaram em sua direção.
- Brincadeira o caralho! Foda-se! – revidei novamente, deixando a
balada.
- Espera Leo, não vá embora assim! Você está muito nervoso, se
acalme! – disse o Kyoshi que veio ao meu encalço.
- Me deixe, Kyoshi, ou vai sobrar para você também! De uma hora para
outra todo mundo resolveu se meter na minha vida, merda! – ele me
deixou ir, sabia que naquele estado eu não ia frear meus sentimentos
muito menos as palavras.
Ao chegar em casa ainda estava puto; puto com a vida; puto com
aquele veado abichanado que, sabe-se lá por que, me expôs diante de
todos; puto por não ter me deixado levar pelas cantadas do Henry que,
se aceitas, agora me teriam levado a estar nos braços dele transando
até o tesão arrefecer; puto por eu sempre querer ser o cara perfeito
que ajuda todo mundo, que é compreensivo com todos, que se doa
para todos; puto, mas muito puto mesmo, com o Lucas que aceitou e se
refestelou com as minhas carícias para depois vir me dizer que a transa
cheia de carinho que tivemos não significou nada, que não teve
importância. Pergunta se não é para ficar puto?
Fiquei o final de semana todo remoendo essas paradas, tentando
descobrir porque eu andava tão exaltado por qualquer coisinha,
procurando uma maneira de me desculpar com a galera pelo meu
comportamento intempestivo, e até com o Fábio que foi infeliz tanto na
escolha no momento quanto das palavras ao fazer aquela brincadeira
estúpida. O Kyoshi, o Claudio, a Tamiko e mais um pessoal ficou me
ligando o final de semana todo, mas não atendi nenhuma das ligações
e nem respondi as mensagens. Eu precisava de um tempo, eu
precisava de férias, concluí, uma vez que já tinha algumas acumuladas.
É isso, amanhã chego na generala e peço minhas férias para poder me
afastar de toda essa confusão.

117/
- Não! Férias agora nem pensar, Leo! Estamos no meio de três projetos
enormes que estão dando um puta trabalho para a equipe e você está
pensando em férias! Definitivamente não! Volte para sua mesa e dê o
melhor de si! Quando a pressão desses projetos acabar você sai em
férias. – afirmou ela.
- Só quero te lembrar que o RH já me enviou um aviso dizendo que
estou com duas férias vencidas e que preciso marcar a data para
desfrutá-las. – lembrei-a.
- Com o RH eu me entendo! Nada de férias para você por enquanto! –
determinou querendo me ver fora de suas vistas. Por pouco não volto
para a minha estação xingando a sapatona com os mesmos adjetivos
que o Kyoshi costumava usar.
Também fui pedir desculpas ao Fábio pela minha reação violenta. Ele
ainda estava constrangido e visivelmente arrependido de ter feito
aquela brincadeira fora de propósito, e também voltou a se desculpar
comigo. Éramos gays, os únicos do departamento, mas não tínhamos
nada em comum, nunca rolou empatia entre nós. Para ser sincero,
nunca simpatizei com ele. Sei que cada um tem o direito de viver sua
vida como deseja, mas nunca gostei daqueles gays que fazem questão
de esfregar sua sexualidade na cara das pessoas, querendo que elas
engulam seu modo de agir, sob a alegação de serem discriminados pela
sociedade. É bem verdade que vivemos numa sociedade
preconceituosa, no entanto, eu me pergunto, o quanto essas minorias
não fazem para contribuir com esse preconceito. Posso estar
redondamente enganado, mas acredito que quando nos ajustamos à
sociedade e ao mundo como ele é, não nadando contra a correnteza,
vivendo nossas vidas não em duplicidade nem enrustidos, mas de
maneira natural sem deixar de fazer aquilo que nos dá prazer, muitos
desses preconceitos cairiam por terra. Escandalizar a sociedade com
trejeitos, comportamentos excêntricos, palavreados esdrúxulos não
contribuem para uma aceitação. Devemos sim, enfrentar e punir
aqueles que se arvoram de juízes da moral, que fazem justiça com as
próprias mãos, que saem agredindo todos aqueles que fogem do
padrão moralista que a sociedade impõe. O direito a individualidade é
sagrado, e isso precisa ser respeitado por todos, nem que seja por força
da justiça. Foi meio assim que desabafei com o Fábio, que me ouviu
calado, talvez me achando mais maluco do que julgava. Isso pouco me
importava, as desculpas foram pedidas, se seriam aceitas o problema

118/
era dele.
A Isabela estava para ser promovida e transferida para uma filial do
grupo e, assim que o boato começou a circular, a euforia tomou conta
do departamento. Tenho para mim que ninguém gostava dela e não
viam a hora de se livrar das arbitrariedades e do temperamento
litigioso com o qual tratava especialmente os homens. Não que as
mulheres e garotas do departamento também não a quisessem ver
pelas costas, pois o assédio que sofriam muitas das vezes extrapolava
o bom senso. Algumas, e entre elas a coitada da Tamiko e da Cristina,
tremiam à aproximação dela, pois o bullying e as ameaças que sofriam
para se entregarem à tara dela era tão explícita e difícil de provar que
se sentiam encurraladas como presas prestes a serem devoradas. A
partir do momento em que não aceitaram os favores e investidas dela,
nunca mais tiveram uma bonificação no salário nem uma promoção.
Esse também era mais um dos motivos pelos quais o Kyoshi tinha tanto
ódio da sapatona, saber o que ela fazia com a garota pela qual estava
apaixonado sem poder tomar uma providência o deixava mortificado.
Ele já havia expressado diversas vezes que, se fosse um homem ele
podia ir lá tomar satisfações e até arrebentar a cara dele, mas sendo
ela supostamente uma mulher, ficava de mãos atadas.
Antes da generala sapatona deixar o cargo, tinha sido incumbida de
escolher entre os gerentes o novo diretor do departamento. Ela só abriu
a questão uma semana antes de deixar o cargo, e propôs que todo o
departamento votasse num nome para ser o novo diretor e que ela
endossaria essa escolha coletiva. Nunca se viu tanta agitação no setor
nos dias que se seguiram, não se falava noutra coisa que não a
sucessão. Eduardo Lopes, Leonardo Hechtinger, Luciana Farias e Lucas
Accardi passaram a ser os nomes mais mencionados, o que me deixou
surpreso por estar nessa lista, uma vez que não fazia ideia do quanto a
turma me estimava. Que isso não era outro resquício de inferioridade
que todo gay experimenta alguma vez na vida, não restava dúvida. Eu
nunca me achava bom o suficiente, nunca era perfeito o bastante
porque lá no fundo, eu sentia que tinha um defeito, era homossexual e
isso não combinava com o padrão universalmente aceito. Sim, nós gays
talvez sejamos tão problemáticos porque estamos em constante luta
com nós mesmos, com o que nos enfiaram na cabeça, com o que
esperam de nós, sem levar em consideração que ninguém é perfeito,
que ninguém é melhor do que nós, que ninguém é mais privilegiado por

119/
ter nascido heterossexual.
- Sabe da última? – questionou-me o Kyoshi. – Parece que o Lucas está
falando para o pessoal votar em você, que ele não quer o cargo e vai
dar o voto dele para você. – esclareceu
- E qual a razão disso? Ele está há mais tempo na empresa, é super
competente, seria o melhor diretor que poderíamos desejar. O meu voto
é para ele! – devolvi
- Isso vai ser interessante! – exclamou ele, com aquela sua cara de
japonês safado.
- O que vai ser interessante? Do que está falando?
- Um votando no outro, um tecendo elogios ao outro, um torcendo pelo
outro! Eu sempre desconfiei que aí tinha coisa! Você nega de pé junto,
mas sei que arrasta um trem pelo Lucas. Por mais que tente disfarçar e
negar, você gosta do cara, e gosta muito, para caralho! – afirmou
- Japa, você precisava ser estudado por psicólogos, antropólogos e
sociólogos porque você é o japonês mais fofoqueiro e abelhudo que
existe! De onde você tira tanta besteira? O Lucas e eu, onde já viu! –
exclamei, ele começou a rir e foi cutucar o Claudio.
- Você ouviu, Claudio? E ele ainda tem a coragem de negar que estão
apaixonados um pelo outro! Depois o louco sou eu! – exclamou o Kyoshi
- Isso ainda vai parar na cama, escreve o que eu estou dizendo! –
afirmou o sacripanta do Claudio, entrando na jogada para me
aporrinhar.
- Se é que já não parou! – exclamou o Kyoshi, me encarando com um
risinho sarcástico e mais do que suspeito.
- Vocês definitivamente não prestam e deram para zoar comigo, não
foi? Cacete, nem aqui se tem um minuto de sossego! – os dois
continuaram a trocar olhares como se soubessem que o Lucas e eu
transamos.
Não demorei a descobrir de onde eles tiraram essa suspeita. O Lucas
fazia parte de um time de futebol de salão que haviam formado na
empresa, a turma se juntava numa quadra a cada quinze dias para
disputas entre os departamentos e, após uma dessas partidas, quando
estavam tomando umas cervejas, um cara do departamento financeiro
teria feito um comentário sobre um bando de machos da empresa que
estava louco para meter as picas no meu rabinho carnudo, citando
inclusive alguns nomes de notórios cafajestes que adquiriram a fama
depois de treparem com algumas mulheres da empresa e não fazerem

120/
segredo disso, e dentre eles o dele próprio.
- Não sou de reparar em bunda de homem, mas a do Leo eu foderia até
deixar aquele rabão arregaçado! – teria dito, e recebido o aval de mais
alguns dos presentes.
- Sem dúvida, que bunda é aquela, meu irmão? Perfeitinha, pedindo
para ser enrabada! – teria exclamado outro.
- Fora que o Leo é um cara do bem, se numa transa ele for tão gentil e
carinhoso como é no trato com todos, cara, eu dispensava essas
piranhas egoístas e interesseiras e trocava por ele! – teria acrescentado
mais outro.
- Que porra de papo idiota é esse? Viraram bichas, foi? Desde quando
gostam de falar de bunda de homem? – teria questionado exaltado o
Lucas.
- Não precisa ser bicha para sentir um tesão da porra pela bunda do
Leo! Aquilo é rabo para mais de horas de orgia! Qualquer macho em sã
consciência não dispensaria um rabinho daqueles! Fico só imaginando
como não deve ser o cuzinho que está escondido no meio daquela
carne toda! Só de imaginar fico de pau duro! – a observação desse
último teria sido a gota d’água para o Lucas perder as estribeiras e sair
na porrada com o sujeito.
Depois do incidente e, à meia-boca, o boato de que o Lucas morria de
ciúmes de mim se espalhou pela empresa como rastilho de pólvora.
Ninguém se atrevia a mencionar nada abertamente, mas entre os
círculos mais íntimos aquilo já era fato consumado, e foi exatamente
disso que o Kyoshi e o Claudio ficaram sabendo.
A Isabela determinou que a votação para eleger o novo diretor do
departamento aconteceria durante um daqueles chatos retiros
promovidos pela empresa para, segundo ela – alinhar as ações
gerenciais ao business core da empresa – e, como das outras vezes,
seria conduzido por um daqueles “coaches” que tinham mais fama do
que conteúdo, mas que conseguiam com suas performances teatrais
convencer até um asno pangaré a se achar um cavalo puro-sangue. A
votação seria fechada e em turnos, com cada um dos gerentes
explicitando seu voto diretamente a ela e aos demais diretores
presentes no evento, até que o nome mais citado seria anunciado e
empossado no cargo.
O evento foi realizado num hotel-fazenda não muito distante. Os
gerentes foram distribuídos em duplas nas suítes reservadas e o

121/
treinamento realizado no salão de convenções, os horários das
refeições também seriam destinados à confraternização. Fui alocado
numa suíte com um gerente do departamento de TI, Rogério, pouco
mais velho do que eu, casado, atraente e com aquela aura de macho
safado, o que lhe rendia suspiros afervorados da mulherada. Meu
contato com ele se limitava a encontros casuais pelos corredores da
empresa, uma vez que nossos departamentos ficavam em andares
distintos, e sempre me pareceram profissionais e respeitosos. Contudo,
já na primeira noite, toda aquela postura parcimoniosa caiu por terra
quando ele se despiu no quarto, tomou uma ducha e regressou peladão
como se estivesse fazendo propaganda daquele bagulho generoso que
sacolejava entre suas pernas. Não dava para dizer que não havia certo
charme e muita virilidade naquele troço, mas exibi-lo tão
acintosamente me pareceu uma provocação, um ultraje. Cheguei a
conjecturar em o advertir sobre a atitude devassa, mas isso só poderia
lhe dar a confirmação das fofocas que corriam pela empresa, de que eu
era gay, por mais que fosse difícil notar. Além do que, sejamos sinceros,
qual gay não se delicia com um equipamento sexy como aquele. Ao
perceber que eu não era indiferente ao seu sexo exposto, liberou seu
lado cafajeste e toda vez que eu estava me trocando, ele manipulava o
bagulho que chegava a ficar duro com a contemplação das minhas
coxonas e nádegas, mesmo elas estando parcialmente cobertas pela
cueca.
- Você é solteiro, não é, Leo? – perguntou certa feita, enquanto
acariciava o pauzão após o banho refestelado na cama.
- Sou, por quê?
- Já te disseram que é um partidão? Esse corpão gostoso da porra faz a
gente pensar em possibilidades que jamais imaginamos. – respondeu
- Onde quer chegar com essa conversa? É meio estranho esse papo,
não acha?
- Não quero chegar a lugar algum, mas para ser bastante sincero, estou
sentindo um tesão da porra nesse momento e faria de um tudo para
sentir esse rabão engolindo meu cacete. – não houve sequer rodeios,
ele tascou o desejo libidinoso na minha cara na maior cara de pau.
- Isso é meio desrespeitoso, não acha? Tanto para comigo quanto para
sua mulher que não deve nem sonhar que tem um marido safado como
você.
- É dos safados que elas gostam mais! Você podia ter o mesmo gosto,

122/
afinal estamos sozinhos nesse quarto e o que rola entre essas quatro
paredes fica entre essas paredes. – o salafrário devia estar com tanto
tesão que não media as palavras.
- Pois é, é nesse aspecto que eu me diferencio da sua mulher, não curto
safados! – exclamei. Ele esboçou um risinho petulante, para disfarçar o
desapontamento por não conseguir o que queria.
- É uma pena! Como você pode ver, poderia rolar uma festinha muito
boa! – retrucou, tirando a mão de cima do cacete e o exibindo
totalmente ereto. Precisei inspirar fundo e forte para que minha força
de vontade não ruísse diante daquela visão.
A Isabela e os demais diretores me encaram surpresos quando proferi
meu voto para o novo diretor, numa saleta onde só estava a diretoria.
- Lucas Accardi!
- Tem certeza, Leo?
- Absoluta! – respondi
- Os últimos dois nomes que restaram foram o seu e o do Lucas, e estão
empatados com o mesmo número de votos. Por que não vota em si
mesmo, seria o novo diretor? – questionou a Isabela.
- Porque o acho mais qualificado e por ele estar há mais tempo na
empresa e sempre ter se destacado pela competência e também contar
com a estima da equipe. – respondi
- Sua qualificação em nada fica a desejar em relação a dele; quanto a
estima da equipe, a quantidade de votos que você recebeu fala por si. –
observou um dos diretores, com o qual eu tinha um excelente
relacionamento.
- Gostaríamos que você refletisse por mais um dia, o evento termina
amanhã e você terá tempo de analisar melhor a questão e mudar seu
voto. – disse a Isabela, o que me fez perceber que sua escolha pessoal
recaía sobre mim.
- Agradeço a atenção, mas acredito que não vou mudar de opinião. –
devolvi, certo de que não o faria.
É estranho como não existem segredos que perdurem dentro de uma
grande corporação. Essa votação que deveria ser secreta até o anúncio
do novo diretor, já tinha caído na boca do povo. Quem trouxe a
novidade para o grupinho onde eu estava reunido durante o coffee
break foi um gerente do departamento comercial.
- Estão dizendo por aí que você não votou em si mesmo, que o Lucas e
você estão empatados, e que se o tivesse feito seria nomeado como

123/
novo diretor, isso procede?
- Não sei de onde você tirou isso, mas eu já dei o meu voto! – menti,
pois o Lucas também estava no grupinho e ficou pasmo com a notícia.
Só pela maneira como ele passou a me encarar, percebi que teríamos
um problema.
Foi no horário do almoço que ele me puxou pelo braço até um canto do
restaurante próximo a entrada para a cozinha, onde apenas
funcionários do hotel-fazenda deveriam circular.
- Que história é essa, Leo? Por que votou em mim e não em si mesmo?
- Por que acho o certo a se fazer!
- Não, não é! Está me fazendo sentir um idiota ingrato e egoísta! Eu
votei em mim mesmo! – afirmou
- Qual o problema? Não havia nenhuma restrição quanto a votar em si
mesmo.
- Mas não quando isso prejudica a sua ascensão! Eu vou lá mudar o
meu voto! – afirmou determinado
- Não seja tolo, Lucas! Se mudar o seu voto voltamos a ficar
empatados, o que isso resolve? Pense na equipe que está confiando em
você! – argumentei
- Cacete, Leo! Não quero ser o responsável por você não ser o novo
diretor. Não posso fazer isso com você, caralho! Vai lá e vota em si
mesmo, agora! – ele esmagou meu braço com tanta força que tive que
protestar. – Desculpe! Estou tão irritado com essa situação que já nem
sei mais o que estou fazendo. Desculpe, machucou?
- Não vejo razão para você estar tão irritado! É apenas um cargo, e eu
nem sei se, de fato, estou interessado nele. Não se aflija, está tudo bem
para mim!
- E se a diretoria resolver te promover transferindo-o para uma filial, ou
te realocar noutro departamento, uma vez que é notório o quanto
admiram seu trabalho e querem te recompensar por isso? – ponderou
- Então me mudo! Viu como não está prejudicando minha ascensão se
aceitar o cargo!
- Caralho, Leo! Que se foda o cargo! Eu não posso ficar é sem você! –
exclamou tão exaltado que o Claudio veio ao nosso encontro depois de
observar o que estava rolando. Aproveitei para escapar, e fui direto
confirmar meu voto junto a diretoria.
Eu tinha ido dormir tarde na véspera, ao voltar da festa de aniversário
de uma prima, e metade da manhã do sábado já havia transcorrido

124/
quando estava me espreguiçando na cama e decidindo o que fazer
naquele dia ensolarado. Era o primeiro final de semana depois o
treinamento gerencial e do anúncio do Lucas como novo diretor do
departamento. O interfone estava tocando pela quarta vez, eu tinha
ignorado as anteriores e, agarrando o travesseiro, decidido a não o
atender, mas a insistência me levou a cambalear sonolento até ele.
- Seu Leonardo, bom dia, tem um Sr. Lucas aqui na portaria querendo
falar com o senhor, ele disse que é seu colega de empresa, posso
liberar a entrada? – disse o porteiro.
- Diga que eu não estou atendendo o interfone, que você acha que eu
saí!
- Perdão, Seu Leonardo, mas ele está me ouvindo conversar com o
senhor.
- Está bem então, deixe ele subir! – o que mais me restava fazer, a não
ser correr e vestir algo mais adequado do que a cueca de seda que
estava usando.
Atrapalhado e agitado com aquela visita inesperada, não encontrava
nada à mão para vestir e a campainha já havia tocado três vezes
quando resolvi atender assim mesmo. O Lucas já tinha me visto nu, que
pudores sem sentido eu estava tendo?
- Oi!
- Oi! O que faz aqui a essa hora? – perguntei, querendo demonstrar
certa indignação por ele aparecer sem avisar, mas quando o vi naquela
bermuda, camisa aberta no peito com todos aqueles pelos sensuais que
uma vez já foram afagados pela minha mão e aquele rosto precisando
de um barbeador, perdi o rumo do que ia dizer.
- Posso entrar? – eu nem havia reparado que continuávamos na porta
- Sim, é claro, entre!
- Precisamos conversar! – disse ele, voz firme, olhar penetrante,
obstinação inquestionável.
- Sobre? Se for aquela história da votação, já está tudo resolvido! –
sentenciei, sentindo que estava ficando nervoso, que minhas mãos
estavam frias, que a presença dele, particularmente eu estando com
tão pouca roupa cobrindo o corpo, estava me deixando fora dos eixos.
- Sobre nós! – respondeu rápido, sem desviar o olhar na minha
seminudez. – Você está um tesão da porra, Leo! – afirmou, me deixando
ainda mais constrangido.
- O que há para falar sobre nós? – indaguei, dando uns passos atrás

125/
para me afastar daquele corpão sobre o qual eu queria pular e daquele
rosto cuja boca parecia estar clamando pela minha.
- Desde aquela noite que pernoitei aqui não tenho um minuto de
sossego! Já não tinha antes, mas depois da maneira como você me
acolheu, meu tesão está me matando! Como você pode dizer que
aquilo tudo não significou nada, que não teve importância?
- Epa, epa, espere um pouco! Não fui eu quem disse isso! Foi você
quem veio falar comigo na empresa no dia seguinte e disse que aquilo
não foi importante, que não significou nada para você! – devolvi
- Eu ... eu ... é porque eu achei que não tinha sido importante para
você! Nunca fomos muito próximos na empresa, você sempre está
cercado por caras que não fazem parte da minha rodinha de colegas e
como a maioria dos caras na empresa, nem desconfiava que você
pudesse ser gay. Foi só naquela noite, quando, minha nossa santinha,
você fez aquela massagem e tocou esses lábios no meu cacete que eu
percebi que não estava apenas atraído sexualmente por você, mas que
estava gostando de verdade de você! – confessou, me deixando
boquiaberto.
- E eu achei que você tinha se arrependido do que aconteceu, e que
não queria que ninguém soubesse que esteve com um gay. Pensei que
estava preservando sua fama de garanhão ao me dizer que não foi
importante para você e quando passou a me evitar. Que mais eu podia
pensar? – indaguei.
- Estou pouco lixando para o que pensam de mim! Foda-se a opinião
dos outros! Meu noivado terminou por sua causa!
- Que maluquice é essa? O que foi que eu fiz para ser responsabilizado
pelo término do seu noivado? – questionei
- Não saía da minha cabeça, foi isso que você fez! Nem quando eu
estava transando com a Juliana você ficava fora dos meus
pensamentos, e foi justamente durante uma transa, quando eu estava
gozando dentro dela, que seu nome escapou da minha boca e a deixou
furiosa. Ela se desvencilhou de mim quando eu ainda estava
esporrando e me perguntou quem era essa cadela da Leo. Sem
escapatória, eu disse que não era “essa”, mas “esse” e falei de você, o
que a deixou tão furiosa que jogou a primeira coisa que encontrou pela
frente me acertando em cheio na cara. Ela te conhece, lembrou o
quanto você é bonito e sensual e não suportou saber que eu pensava
em você quando estava trepando com ela. Foi por isso que apareci no

126/
trabalho por dois dias com aquele curativo adesivo dizendo que tinha
me machucado durante o barbear.
- Você é maluco, Lucas! Nem sei o que dizer, cara! Vá pedir desculpas
para ela, talvez te perdoe se for sincero no pedido.
- Sou maluco, sim! Sou maluco por você, e não tenho a menor intensão
de voltar com ela ou com quem quer que seja, eu quero você, Leo! –
asseverou. – Não me diga que não sente nada por mim. Ninguém é tão
carinhoso como você foi naquela noite, cobrindo meu pau com esses
lábios, se entregando com tanta generosidade e desapego quando
entrei em você. Eu nunca tinha sentido as fibras dos meus músculos
vibrarem tanto quando me despejei dentro de você e você me devolveu
aqueles beijos, aquelas carícias. Não diz que não gostou de mim! –
suplicou, começando a se aproximar de mim feito um predador pronto a
dar o bote.
- Você sabe que não posso afirmar uma coisa dessas! Nunca senti tanta
dor quanto quando me disse que o que tivemos naquela noite foi sem
importância.
- Então por que não me questionou, não veio me pedir explicações?
- Para promover um escândalo na empresa? Todos andam desconfiados
de que sou homossexual, seria o que estavam esperando para ter
certeza. E você já andou municiando a galera quando deu umas
porradas naquele sujeito depois da partida de futebol de salão.
- Ele estava falando da sua bunda, da bunda onde eu tive meu melhor
gozo, da bunda que foi moldada para ser só minha, cacete! O que você
queria que eu fizesse, que deixasse aquele bando de machos cafajestes
que perseguem seu rabinho levar vantagem?
- Que fosse mais discreto, já estaria de bom tamanho!
- Depois de tudo que precisei fazer para ter você em meus braços, para
finalmente conseguir entrar em você?
- O que quer dizer com isso, o que você precisou fazer para colocar seu
pauzão em mim?
- Você acha que tenho o hábito de tomar leite antes de me deitar, eu
mal tomo leite no café da manhã! Você acha que eu estava insone
naquela noite por estar estressado? Eu estava insone porque não podia
deixar passar aquela chance de finalmente ter você em minhas mãos,
ainda mais quando estava usando apenas uma cueca como agora, com
todo esse bundão tesudo me atiçando. Quando você sugeriu aquela
massagem eu me agarrei àquela oportunidade e jurei que não a

127/
perderia, e aí veio você, meigo, beijando e acariciando meu peitoral,
brincando entre os meus pelos, pegando na minha rola com uma
sutileza e carinho sem par; antes de começar a me mamar até eu não
aguentar mais e encher sua boca com meu leite, eu estava realizado
Leo! O que mais eu podia desejar que não unir meu corpo ao seu
colocando minha pica no seu cuzinho receptivo? – indagou, quando já
estava tão perto que eu podia sentir o calor de seu corpo.
- Quer dizer que me enganou, que me usou, não é? – perguntei com o
tesão tão aflorado que meu ânus se contorcia.
- É, você acha que eu te usei? Você ainda não viu nada! – retrucou
libidinoso
- E o que mais falta eu ver? Esse pauzão suculento e duro não vendo a
hora de sair dessa bermuda, ou essa boca passeando libertina pelo
meu corpo? – perguntei, sensualizando a voz.
- Falta você ver o que vou fazer com você agora, falta você ver o
quanto eu te desejo e o como quero que seja todo meu! – respondeu,
me puxando contra o peito e colando vorazmente a boca na minha,
enquanto as mãos arriavam minha cueca e se apossavam sôfregas da
minhas nádegas.
Quando me soergueu por elas já sabendo onde ficava o quarto, me
carregou pendurado ao seu pescoço até a beira da cama. Antes de me
soltar sobre ela, enfiou um dedo no meu cuzinho que instintivamente se
travou ao redor dele e extraiu meu primeiro gemidinho consensual. O
sorriso esperançoso que iluminava seu rosto me dizia o que desejava.
Abri a braguilha, baixei bermuda e cueca até elas caírem aos seus pés,
e fechei a mão ao redor do caralhão grosso, levando-o direto à boca.
Um suspiro alto saiu dos lábios dele quando suguei delicadamente a
cabeçorra estufada.
- Leo, cacete! Como senti falta disso! – gemeu, lançando a cabeça para
trás e fechando os olhos para que nada o desviasse daquela sensação
prazerosa
O cheiro másculo dele estava impregnado em toda virilha e ao mesmo
tempo em que me deixava inebriar por ele, fui chupando e lambendo o
pauzão pesado, me afundando cada vez mais nos pentelhos densos até
chegar ao sacão. Primeiro o segurei, depois acariciei as bolas com
toques sutis das pontas dos dedos. Notei quando a musculatura pélvica
dele se retesou excitada. Como naquela noite, beijei a parte interna de
suas coxonas musculosas, tocando os lábios molhados sobre a pele

128/
peluda. O Lucas grunhia, afastando mais as pernas para que eu
chegasse com a boca mais rápido às suas bolas. Abocanhei uma
sugando e massageando-a com delicadeza, pois ela guardava a
essência daquele macho por quem eu estava apaixonado. Enquanto
lambia e chupava a outra, o cacetão roçava meu rosto liberando um
pré-gozo que ia melando minhas bochechas. Voltei a envolver a glande
melada com os lábios e comecei a sugar o melzinho perfumado que
escorria dela. Com uma das mãos espalmadas sobre o ventre dele, fixei
meu olhar no dele, servil e submisso naquele instante para que ele
soubesse que o tinha elegido não apenas diretor do departamento, mas
meu macho, para quem eu queria me entregar em igualdade de
posição, sem subserviência, sem me subestimar enquanto passivo, mas
como um parceiro do mesmo nível, deixando claro que só em
momentos como aquele eu o deixaria exercer sua dominância máscula.
- O que eu faço com você, Leo? Me diz, quando esse seu olhar me deixa
perdido, me faz sentir uma paixão sem fim! – balbuciou ele, instantes
antes de ejacular seu leite cremoso e farto na minha boca gulosa.
- Só me penetra, Lucas! Me penetra e seja meu macho! – retruquei,
quando terminei de engolir toda a porra que ele ejaculou e lamber o
caralhão até não restar uma única gota dela.
Ele não perdeu um segundo sequer. Com o tesão à mil, puxou-me pelas
pernas até minhas ancas ficarem na beira da cama e o cuzinho rosado
surgir piscando no reguinho apartado. A penetração foi lenta, mas
firme. O cacetão insaciado nem chegou a amolecer e foi sendo
empurrado para o fundo do meu cu com impulsos vigorosos que me
faziam gemer, enquanto a dor do arregaço das pregas dominava todas
as sensações que vinham daquela parte do meu corpo. Com o pauzão
atolado até o saco no meu cuzinho, o Lucas se inclinou sobre mim,
beijou avidamente minha boca deixando a saliva escorrer e se misturar
com a minha. Sua língua lambia minha úvula. Eu o envolvi em meus
braços, o aconcheguei no ânus apertando a musculatura ao redor do
falo latejante e gemi o nome dele envolto em prazer e luxúria. Eu me
sentia completo com aquele macho pulsando nas minhas entranhas e
me agarrava a ele, cravando e arranhando suas costas com as pontas
dos dedos.
- Ai Lucas! Meu homem! Minha paixão! Meu amor! – era tudo que saía
dos meus lábios entre sussurros e gemidos de prazer.
- Estou aqui, paixão! Estarei sempre aqui para você, amor! Mostra o

129/
quanto me quer, Leo! Mostra o quanto me deseja e me ama, Leo! –
grunhia ele, acelerando as estocadas que reverberavam por toda minha
pelve.
Sentindo sua carne rija, envolta na minha, me estocando fundo, um
frenesi percorreu meu corpo e o orgasmo veio com tudo, só me dando
chance de gemer – Lucas – antes do meu pinto começar a ejacular feito
um chafariz.
- Isso, meu querido! Isso mesmo, goza e mostra para o teu macho o
quanto você me ama! – exclamou ele, segundos antes de liberar um
urro e esporrar todo meu cuzinho como se seu caralhão fosse uma
mangueira. – Cacete, Leo! Achei que não ia dar conta de gozar tão em
seguida, mas você me faz descobrir coisas com as quais nunca sonhei.
Você é tão especial para mim, Leo! – ronronou ele, afagando meu rosto
entre os beijos que trocávamos.
Não definimos um futuro, só tínhamos uma certeza, seguiríamos juntos
até onde todo aquele amor nos levasse, e foi com isso em mente que
toda uma vida compartilhada começou.

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Fui pego na blitz e perdi o
cabaço
Fui pego na blitz e perdi o cabaço
Tudo o que consegui praguejar quando me deparei subitamente com
um bocado de viaturas e ao menos duas dezenas de policiais, após
contornar uma curva da avenida movimentada foi um sonoro – Fodeu! –
que superou até o som alto do carro tocando Beautiful Things na voz
rouca do Benson Boone. Assim que o policial deu um passo à frente e
sinalizou para eu parar, sabia que estava fodido. Meu primeiro instinto
foi pisar fundo no acelerador do Porsche 911 Carrera GTS o que me
faria desaparecer das vistas deles em questão de segundos. No
entanto, na última hora, um sopro de juízo me fez encostar no lugar
indicado pelo policial. Quando me abordou junto a janela, não distingui
o que ele dizia, pois com o nervosismo havia me esquecido de baixar o
som.
- Boa tarde! Documentos, por favor! – a cara dele não era das mais
amistosas.
- O que?
- Os Documentos! Quero os documentos! – repetiu impaciente.
- Não consigo te ouvir! – foi a gota d’água que faltou para ele perder as
estribeiras.
- Desce do carro! – berrou, fazendo com que os colegas voltassem o
olhar em nossa direção. Eu só saquei que ele estava puto, mas ainda
não havia entendido o que ele queria. Em todo caso, baixei o volume do
som e continuei olhando para ele.
- Mandei descer do carro, não me ouviu? – bufou, feito um daqueles
touros de rodeio dispostos a lançar o peão pelos ares.
- Sim, “seu” polícia, agora eu ouvi! – e desci do carro com os joelhos
tremendo.
- Documentos! – a paciência dele já tinha ido para as cucuias.
- Pois é, “seu” polícia, eu acho que não tenho. – gaguejei, porque ele
me encarava feito um leão bravio e o que havia se postado em frente
ao carro parecia endossar a braveza do parceiro, segurando um trabuco
enorme, ou espingarda calibre 12, fuzil, escopeta, sei lá o nome

131/
daquele troço que também o deixava com uma aparência beligerante,
embora muito sexy, como constatei quando meus olhos se fixaram no
volumão que tinha entre as pernas. Aquilo chegou a me desconcentrar
e a lhe dirigir um sorriso acanhado não correspondido.
- Acha, ou não tem?
- Então, não tenho, “seu’ polícia! – já era certo que estava fodido,
restava apenas esperar pelas consequências.
- Carteira de habilitação! – insistiu ele
- Ainda não tenho, mas o exame prático já está agendado para a
semana que vem. – respondi
- Qual sua idade, moleque? – essa resposta era fácil.
- Dezoito e cinco meses!
- Qual seu nome?
- Lipe! Quer dizer, Felipe, mas meus amigos me chamam de Lipe! Está
aqui, posso provar! – exclamei, tirando o documento de identidade da
carteira e o entregando nas mãos dele, que o examinou como se ainda
estivesse suspeitando de algo. – Viu, estou falando a verdade! –
acrescentei, para que não restassem dúvidas.
- Você roubou esse carro, moleque? – ora, que pergunta sem
cabimento.
- Claro que não, “seu” polícia! Que suposição mais besta!
- O carro é seu? – caraca, esse cara é um pentelho.
- Não!
- De quem é, desembucha de uma vez que estou perdendo a paciência
com você moleque!
- É do Edu!
- Que Edu? Quem é esse Edu?
- Meu amigo!
- Você está sabendo que está ferrado, não sabe, moleque?
- É, “seu” polícia eu acho que estou, mas será que a gente não pode
resolver isso de forma amigável? – ao ouvir minha pergunta só faltou
soltar fogo pelas ventas.
- Quer repetir o que disse! Está me propondo suborno? – só então me
dei conta da cagada que estava fazendo.
- Não, “seu” polícia! Eu nem pensei nisso, juro! – eu mentia mal para
caralho.
- Coloque as mãos em cima do carro e afaste as pernas! – resolvi
obedecer, a coisa estava ficando cada vez mais preta, era bom não

132/
vacilar.
- Ai, “seu” polícia, isso dói! – exclamei, quando ele chutou minha perna
para o lado para que minhas pernas ficassem mais afastadas.
- Está levando drogas, alguma arma nos bolsos? – outra pergunta
descabida que merecia uma resposta à altura.
- Lógico que não, “seu” polícia! Cada ideia besta! – respondi
- Está me chamando de besta? Quer ser preso por desacato? E se me
chamar mais uma vez de “seu” polícia eu meto uma porrada na sua
cara, moleque!
- Claro que não, “seu” polícia, isto é, quero dizer, eu não sei seu nome,
como vou te chamar? Eu não disse que você era besta, mas que a
pergunta era besta, entendeu? – a cada frase que eu soltava, devido à
pressão que estava sentindo, mais eu me enredava na confusão.
Ele tateou com aquelas mãozonas pelo meu tronco, entre as coxas e
terminou com uma amassada forte nas minhas nádegas. Embora aquilo
não me parecesse uma vistoria de praxe, não me opus, porque o sujeito
era outro tesão de macho que, bravo como estava, ficava ainda mais
sedutor.
- Vou averiguar os dados do veículo, fique onde está até eu concluir a
pesquisa! O que eu já posso adiantar é que o carro será recolhido para
o pátio do departamento de trânsito, e que você quase certamente vai
ser levado a uma delegacia. – anunciou, o que me deixou apavorado, a
ponto de sair correndo atrás dele e segurá-lo pelo braço.
- Por favor, “seu” ..., por favor “seu” guarda, não me leve preso, meu
pai vai me matar! – implorei.
- Não mandei ficar onde estava? Eu mesmo estou com vontade de fazer
isso e, se não tirar a mão do meu braço é o que farei. – nossa, como um
cara pode ser tão bravo? Que falta de empatia!
- Ah, tá, desculpe! Já soltei!
Assim que ele se posicionou atrás do carro e começou a pesquisar a
placa num tablet, o que segurava o trabuco se aproximou de mim. Não
era a espingarda que intimidava, mas aquele rosto másculo, se
esforçando para parecer carrancudo, embora o par expressivo de seus
olhos esverdeados estivessem me dizendo o contrário.
- Deu merda? – perguntou num tom grave e tão sexy quanto ele todo.
- É, acho que deu! – respondi. Ele riu. Sem-vergonha desaforado, devia
estar na minha pele para saber como me sinto.
- É o seguinte, moleque! O veículo não está no nome de nenhum

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Eduardo, mas de uma empresa. Tem um histórico de quase trinta
multas não pagas, a maioria por excesso de velocidade. Não consta
nenhum IPVA pago nos últimos três anos. Se quer saber, o veículo vai
ser apreendido. – disse o policial que havia me abordado, após concluir
sua pesquisa.
- Posso ligar para o Edu? Ele vai saber explicar tudo direitinho “seu”
pol ... “seu” guarda. – pedi com a maior gentileza.
- Faça o que quiser, mas o veículo será apreendido com ou sem as
explicações do tal Edu. – nossa, que falta de compreensão. Era bom não
mencionar isso em voz alta, ele já estava zangado o bastante.
Liguei para o celular do Edu e, como de costume, a porra tocava sem
parar e ele não atendia, devia estar com a pica enfiada numa boceta e,
nessas ocasiões, o mundo podia desabar que ele não estava nem aí. Na
terceira tentativa ele atendeu, estava com a respiração acelerada, nada
me convenceria do contrário, ele estava transando.
- Edu, seu estrupício! Por que demorou um século para atender essa
porra? Fui parado numa blitz, querem apreender o carro e me prender,
preciso que venha me ajudar o mais rápido possível! – despejei num só
fôlego.
- O que foi que você aprontou? – perguntou o desgraçado
- Você não me ouviu, Edu? Eu não aprontei nada, fui pego numa blitz!
Como eu ia adivinhar que teria uma blitz no caminho. Me acuda, cara! –
os dois policiais ouviam minha conversa com interesse, e pareciam
estar se divertindo com meu sufoco.
- Agora não vai dar, não posso sair daqui! Deixe que levem o carro,
depois os advogados do meu pai darão um jeito de resgatá-lo! – disse
ele numa frieza desconcertante
- E eu, como fico? Você sabe que ainda não tenho habilitação! Vão me
prender, estou ferrado, meu pai vai me matar! – despejei agoniado. – E
o que você está fazendo de tão importante que não pode vir me dar
uma força, não quero ir para a delegacia sozinho? Está fodendo com
aquela garota do curso de psicologia, não está? É por isso que não pode
vir me ajudar! Mui amigo você, sabia? – quando desviei o olhar para os
dois policiais eles estavam rindo, rindo às minhas custas.
- Dá um jeito de se safar! Oferece uma boa grana, esses caras têm um
salário de miséria! Fala que vai buscar a carteira de habilitação em casa
e some sem deixar vestígio! Ah, Lipe, sei lá, se vira! Dá o cu se for
preciso, mas me deixe terminar o que está rolando aqui, valeu? – na

134/
próxima vez que o fosse encontrar, eu ia mostrar para aquele
desgraçado com quantos paus se faz uma canoa. O cara vivia me
pedindo favores, ia sentir na pele o que é ficar sem eles.
- Chega de namorar pelo celular! Tire seus pertences do veículo e nos
acompanhe até a viatura. – determinou o que começou todo aquele
imbróglio.
- Não faz isso comigo, “seu” polícia, quero dizer, “seu” guarda! Está
vendo como me deixou nervoso, nem sei mais o que estou dizendo! Só
não me leve preso! Eu sou inocente! Expliquei tudo direitinho para
vocês, por que me prender? – implorei
- Só não nos convenceu de que não roubou esse veículo, e não tem
habilitação para estar ao volante de qualquer veículo automotor, o que
mais você quer para não ser preso? – indagou, trocando olhares com
aquele comparsa tão tesudo quanto ele.
- Você é um sujeito muito malvado, sabia, “seu” pol .... “seu” guarda!
Levar um inocente para a cadeia quando tudo que é bandido está solto
por aí! Só falta me algemar como se eu fosse um bandido perigoso! É
muita injustiça! – resmunguei contrafeito quando me fizeram entrar no
banco de trás da viatura.
- E você um moleque muito do pilantra que sabe que está
completamente errado e sem razão, e ainda quer discutir comigo! –
revidou ele, mas já não estava mais com aquela voz furiosa.
- Convence o seu parceiro aí, “seu” outro pol ... digo “seu’ outro guarda
para ele não me prender! Vocês não são nem um pouco piedosos! –
eles mal conseguiam segurar o riso, e eu já pensava na porrada de
castigos que meu pai ia me infligir. Estava fodido, muito fodido! Mas
também não ia chorar, não na frente desses dois parrudões insensíveis,
jamais!
- Pensasse antes de fazer besteira! Na próxima aja dentro da lei! –
retrucou o outro. Se a carinha dele não fosse tão fofa e viril eu até iria
contra-argumentar, mas reconheci que estava em desvantagem e me
sujeitei a obedecê-los.
Segue avenida, cruza transversais, dobra à esquerda, segue adiante,
dobra à direita no semáforo, a sequência já durava quase meia hora e a
tal delegacia não surgia. Pegaram os celulares nos bolsos, inclusive o
que estava ao volante e falavam tão baixinho que não dava para
entender o que diziam.
- Dirigir falando ao celular é infração gravíssima com multa e sete

135/
pontos na carteira de habilitação, sabia? – questionei. – Depois querem
me prender como seu eu fosse o único a cometer um deslize. –
acrescentei.
- Roubar um carro não é deslize, é um crime! – disse o que estava no
banco do carona.
- Eu já disse que não roubei o Porsche, que ele é do Edu, ou do pai dele
talvez! – retruquei exaltado.
- Agora só resta provar que não roubou! – exclamou o que dirigia.
- Cara, como vocês são chatos! – revidei.
- Olha o desacato, moleque! Quer aumentar a sua pena? – indagou
- Onde fica essa droga dessa delegacia que não chega nunca? Já
passamos por umas três, no mínimo! – indaguei.
- Fica na sua que, logo, logo, a gente chega! – disse o que mantinha o
trabuco entre as pernas abertas.
De repente, a viatura desacelerou, fez uma manobra para acessar a
garagem de um edifício que em nada se parecia com uma delegacia e
foi afundando até o segundo subsolo, onde me fizeram descer.
- Para onde estão me levando? Isso não é uma delegacia! Vocês estão
me sequestrando! – entrei em pânico e me pus a correr em direção à
rampa pela descemos.
Não fui longe, o policial que tinha me abordado me segurou pelo
cangote e prensou contra um pilar da garagem.
- Calma, moleque! Ninguém vai te machucar! Vamos te dar uma chance
de não ir parar numa delegacia, mas você precisa colaborar,
entendido? – eu tremia, não estava entendendo nada, mas disse que
sim.
O elevador nos deixou diante de duas portas no quinto andar, quem a
abriu era outro policial. Estava fardado e impaciente – me fizeram
perder a hora, vou chegar atrasado ao batalhão e o comandante vai me
dar um esporro – sentenciou correndo em direção ao elevador enquanto
a porta não se fechava. – Tratem de não fazer muita zorra, a
empregada só vem depois de amanhã – acrescentou.
Eu estava tão apavorado que nem raciocinava mais direito, quando vi o
janelão da sacada aberto pensei em correr até lá e saltar para onde
quer que aquela sacada fosse dar. O que tinha colocado o trabuco num
canto próximo a estante pareceu adivinhar meu pensamento e veio
direto ao meu encontro.
- Nem pense em fazer mais besteira, moleque! Já dissemos que não

136/
vamos te machucar, pare de ter ideias malucas!
- Estou com medo! – foi a primeira vez que tive coragem de expressar o
que estava sentindo.
- Não precisa ter medo! Você não queria uma chance de não ser preso e
ficar detido numa delegacia, pois é isso que estamos lhe oferecendo. –
disse o que havia me feito parar o carro.
- Como? – perguntei, ainda mais amedrontado, pois começava a se
afigurar algo talvez mais perigoso do que algumas horas numa cela da
delegacia.
- Você é cabaço, moleque? – pergunta esquisita, mas vamos lá,
responde Lipe que vai ser melhor para você.
- Sou! – a voz nem saiu direito de tão encabulado
- Cabaço de tudo? Nunca chupou uma bocetinha, uma rola? Nunca
sentiu um cacete entrando no cu?
- Nunca! Juro! Por quê?
- Porque chegou o dia de você perder o cabaço! – exclamou o que veio
dirigindo quando, ao mesmo tempo do parceiro, desceu a calça e soltou
um caralhão que muito bem podia estar embaixo de ventre de um
garanhão puro-sangue. A do parceiro não ficava atrás, em nada,
absolutamente nada.
Meus olhos se arregalaram diante daqueles pauzões lindos, másculos é
bem verdade, mas igualmente assustadores. Eles perceberam que,
apesar de intimidado, eu também estava maravilhado com o que via.
- Gostou!
- São lindos! Muito lindos!
- Vem cá, Lipe! – foi a primeira vez que um deles não me chamou de
moleque, e não sei porque eu gostei de ouvir meu nome sendo
pronunciado por uma voz tão máscula. – Sou o Jorge, meu parceiro é o
Roberto, podemos te fazer sentir muito prazer, um prazer que você
ainda não conhece, mas que temos certeza vai gostar muito! – sem
desviar os olhos daquelas cacetas enormes, eu acreditei piamente nele
e, embora já soubesse a resposta, arrisquei perguntar.
- E o que eu preciso fazer? – ambos se entreolharam, abriram um
sorriso e chegaram tão perto de mim que seus corpos resvalavam no
meu.
- Só seguir nossas orientações, vamos fazer tudo para que essa seja a
melhor experiência da sua vida!
- Está bem! Não vão me machucar, não é? Acho que esses pauzões não

137/
vão caber em mim, se é que estão pensando em enfiá-los em mim!
Prometem? – eu tremia da cabeça aos pés, mas estava tão tentado e
pegar naquelas jebas que todo esforço valia a pena.
- Com bastante jeitinho e muito cuidado vão caber sim, é só você fazer
tudo que mandarmos, combinado?
- Combinado! – devolvi. De agora em diante não tinha como voltar, o
trato estava feito.
A cada peça de roupa que tiravam do meu corpo eu ia ficando mais
paralisado, como se estivesse congelando aos poucos. No entanto, era
prazeroso ver como os olhares deles ganhavam um brilho libidinoso.
Quando me pediram para tirar suas fardas, minhas mãos tremiam entre
a insegurança e a satisfação de contemplar os corpões parrudos e
musculosos que iam se desvendando numa sensualidade crescente. O
Roberto era mais jovem, talvez ainda não tivesse chegado à casa dos
trinta, era ligeiramente mais musculoso, o peitoral largo tinha mais
pelos entre os mamilos, que desciam por uma trilha até sua virilha,
passando por um abdômen trincado. Os primeiros sinais de excitação
se refletiam no caralhão grosso que começava a se encorpar diante da
minha nudez envergonhada. As coxas e pernas grossas e peludas se
assemelhavam a troncos de árvores, eram sólidas e, quando ele as
afastava conferiam-lhe uma posição ereta e altiva. O que dizer do rosto,
daqueles olhos esverdeados que pareciam estar me perfurando quando
me encaravam, da boca sensual que se estirava um pouco para o lado
direito quando ele sorria, como estava fazendo agora que minha pele
arrepiada estava sendo tocada suavemente por seus dedos, do queixo
anguloso que lhe conferia uma virilidade inconteste? Era um conjunto
tão harmônico que a um só tempo tinha a expressão de um garoto
levado e a obstinação de um macho autoconfiante. Ao terminar de o
despir, foi o primeiro lugar onde o toquei com uma sutileza
amedrontada, a barba pinicava na palma da minha mão apesar de bem
escanhoada. Um discreto tremor o atravessou quando minha mão
macia o tocou, e ele o disfarçou voltando-se para o Jorge.
- Esse moleque me dá um tesão do caralho! – no que o Jorge assentiu
com um aceno de cabeça.
O Jorge era uns quatro dedos mais alto, devia ter trinta e poucos anos,
tinha os ombros pouco mais largos e, com o restante do tronco,
formavam um maciço trapézio invertido que aqui e ali tinha seu
contorno salientado pelos músculos proeminentes. Os pelos escuros e

138/
sedosos se concentravam na região dos mamilos formando dois
redemoinhos distintos ao redor deles. Os braços eram tão grossos na
região dos bíceps que nem juntando minhas duas mãos conseguia
envolvê-los. Cada movimento que fazia com os braços, aquela região se
estufava mostrando o tamanho daquela musculatura poderosa. Dois
vincos profundos convergiam do abdômen musculoso para dentro da
virilha, definindo com exatidão onde se iniciavam as coxonas bem mais
musculosas que os braços. Entre elas pendia seu sexo cavalar, tanto o
cacetão grosso e bem cabeçudo quanto o sacão dentro do qual uma
das bolonas enormes pendia ligeiramente mais baixo que a outra. O
rosto hirsuto lhe conferia um ar mais maduro que o do Roberto, o que
de fato ele era sendo quatro anos mais velho. Ele tinha uma habilidade
extraordinária em configurar as expressões do rosto, do sorridente ao
carrancudo numa miríade de configurações intermediárias. Foi
justamente o extremo da última que tanto me intimidou e apavorou
quando ele me abordou e foi enumerando o tanto de infrações que eu
havia cometido. Agora, ela estava chegando quase ao extremo oposto,
o sorriso ainda não estava completamente definido, mas um quê de
enlevo aumentava à medida em que minha mão acariciava seu
peitoral, que ele enfunava como um pavão faz durante os cortejos de
acasalamento.
- Você é tão forte e másculo, Jorge! Como conseguiu todos esses
músculos? – perguntei, enquanto minha mão de dedos longos e finos o
acariciava.
- Muito exercício físico faz parte da nossa formação como policiais, e
talvez os esportes que pratico nas horas de folga também colaborem. –
respondeu ele, envaidecido pela minha observação. – Gosta de machos
malhados? – perguntou. Demorei a responder, fiquei com o rosto
corado, nunca antes tinha me sentido menos macho do que diante
deles, e desviei o olhar para o chão.
- Acho que sim! Sim, gosto! – balbuciei envergonhado
- Agora vai poder satisfazer todas as suas fantasias conosco! – retrucou
ele, levantando meu rosto intimidado pelo queixo. – Já te disseram que
você é um garoto sexy da porra, e que ruborizado assim provoca um
tesão do caralho? – indagou.
- Uhum, uhum! – neguei, encabulado por seu olhar penetrante.
De tão alarmado que estava não notei como a minha pele estava
arrepiada, como se eu estivesse enregelado a despeito dos calores

139/
internos que me apoquentavam e, que os bicos dos meus mamilos, já
normalmente saltados, haviam enrijecido e estavam impudicamente
empinados. O Roberto pegou minha mão, a beijou e a fez deslizar para
dentro da virilha pentelhuda até meus dedos tocarem sua glande
exposta, conduzindo-a em seguida até os meus lábios, o que me fez
sentir o cheiro almiscarado e o sabor penetrante de seu sexo. Meu
coração disparou dentro do peito, o assédio me assustava e me
excitava, meu cuzinho se revolvia em espasmos como se me dissesse –
estou pronto para abdicar da castidade – me incitando a permitir que
aqueles machos me usassem como melhor lhes aprouvesse.
Quase simultaneamente, ambos partiram para cima dos meus mamilos
com as bocas famélicas. O Roberto lambeu o bico do mamilo direito,
contornando-o com a ponta da língua deliciosamente úmida antes de
cravar os dentes nele e o tracionar até eu soltar um gemidinho. O Jorge
abocanhou com tudo o mamilo esquerdo, o sugou com força até que se
parecesse com a tetinha de uma menina moça, ficou admirando por
alguns segundos o resultado de sua investida, passando os dedos
grossos pelo contorno antes de prensar e rolar o biquinho excitado
entre o polegar e o indicador. Eu ia desfalecer, eram sensações táteis
demais de uma só vez, mas eu queria permanecer bem consciente para
usufruir plenamente de cada uma delas. A solução foi inspirar fundo e
gemer, gemer lascivamente para me manter alerta, o que excitou os
dois a tal ponto que os cacetões já se projetavam rijos perpendiculares
às suas coxas.
Quando o visgo translúcido do pré-sêmen do Jorge começou a escorrer
do orifício uretral formando um fio espesso pendurado na cabeçorra, ele
me fez ajoelhar no meio deles.
- Chupa minha rola, moleque! – será que esse cara nunca ia perder essa
mania de ficar me dando ordens? Se bem que, dessa vez eu até gostei.
A chapeleta enorme e arroxeada lembrava uma ameixa madura e o
perfume daquele líquido vazando eram a coisa mais tentadora que já
vi, por que não os saborear? Sem hesitar, caí de boca naquela jeba.
Tomei-a na mão e a envolvi com os lábios, sugando o visco, lambendo a
glande por todos os lados e depois, seguindo com chupadinhas suaves
ao longo de todo cacetão até chegar ao saco, onde o cheiro
almiscarado dele se intensificava.
- Com cuidado, moleque! Cuidado com os dentes, isso aí é muito
sensível e precioso, vai de mansinho! – grunhiu ele, pois já não

140/
controlava mais o tesão que o acometia. – Isso putinho, isso mesmo, é
assim que se faz! Aprendeu rápido, moleque! Mama, minha pica, mama
que tem muito leitinho te esperando! – exclamava trotando excitado,
enquanto as palavras lhe escapavam num arfar ruidoso.
O Roberto ficou se punhetando próximo ao meu rosto, enquanto me
observava dando um trato generoso na verga do parceiro. Quando
gotas do pré-gozo dele começaram a respingar no meu rosto, o Jorge
tirou a pica da minha boca para o Roberto enfiar a dele. O sabor e
aroma eram completamente distintos, mas impossível dizer qual deles
era mais gostoso. Dei o mesmo trato no caralhão do Roberto de onde o
visgo escorria mais farto e me fazia salivar de tão delicioso.
- Porra de moleque tesudo, é mais fácil ele acabar conosco do que nós
com ele! Essa boquinha aveludada está me matando, cacete! –
ronronava o Roberto perdido em êxtase.
- Aqui, garoto, engole as duas picas, vai! – exclamou o Jorge, metendo
também a dele na minha boca onde já não cabia mais nada.
Parados com as pernas abertas comigo ajoelhado entre ambos, eu
segurava um caralhão em cada mão e ia revezando as mamadas e
chupadas, ora no do Jorge, ora no do Roberto, que me seguravam pelos
cabelos e socavam suas jebas na minha garganta me levando a
engasgar e ficar sem ar, até eu socar suas coxas para não sufocar. O
Jorge anunciou o gozo iminente antes, por meio de um grunhido
expelido entre os dentes cerrados. Puxou minha cabeça pelos cabelos,
virou meu rosto até eu ficar de cara com o cacetão que ele masturbava
rente à minha boca e, num urro ejaculou um tanto de esperma leitoso
dentro dela. Fui engolindo jato após jato daquele creme denso e
pegajoso de sabor amendoado e cheiro alcalino, cada gole era mais
saboroso que o anterior e sorri na direção dele à medida que os jatos
desciam pela minha garganta.
- Caralho de moleque putinho! Está gostando da minha porra, não é
veadinho? Então engole, engole toda porra do macho, engole! –
exclamava em jubilo.
- Você é muito saboroso, Jorge! – balbuciei tímido, quando terminei de
limpar com lambidinhas suaves toda extensão daquele cacete
suculento.
- Tem mais vindo por aí! Pega na verga do Roberto, ele está a ponto de
gozar! – disse, enquanto o Roberto puxava minha cabeça para dentro
de sua virilha e enfiava a rola na minha goela; bramia rouco e

141/
despejava sua virilidade na minha boca. Saboreei cada jorro,
deglutindo-o prazerosamente e admirando a satisfação estampada no
rosto devasso dele.
- Isso putinho, engole meu leitinho, vai te fazer bem! – bramiu excitado,
observando como eu me deliciava com seu sêmen delicioso.
Depois de haver tomado todo aquele esperma dos dois eu me senti
mais confiante, conforme eles disseram estava sendo mesmo a melhor
experiência da minha vida. O Jorge e o Roberto não me pareciam mais
tão intimidadores, vê-los atingir um grau tão alto de prazer com minhas
ações inexperientes a ponto de atingirem o orgasmo me levou a confiar
neles e no que iam fazer comigo. Também eles estavam mais relaxados
após o gozo, brincalhões, cheios de atitude, me falando um monte de
sacanagens ao elogiarem meu corpo e a ingenuidade que ele ainda
guardava. Não tiravam as mãos dele, ora apenas me acariciando, ora
bolinando meus mamilos saltados pelos quais sentiam um tesão
descontrolado, ora roçando suavemente a minha pele acompanhando
as curvas do meu corpo. Sentir-me um objeto de desejo sexual era
maravilhoso.
Eu também explorava os corpões deles, afagava-os por regiões que
jamais imaginei explorar em outro homem, e fui descobrindo as que
lhes eram mais sensíveis ao toque, que mais os excitavam. No Roberto
era a nuca junto a implantação dos cabelos, afagos sutis nessa região o
deixavam alerta, arrebatado, respirando mais profundamente. No Jorge
era o espaço entre os mamilos, além deles próprios, um sutil roçar das
pontas dos dedos entre os pelos refletia diretamente na irrigação
sanguínea de seu sexo, o entumecendo e fazendo-o dar uns pinotes; e
os lóbulos das orelhas onde o toquei por engano ao apoiar sua cabeça
enquanto ele sugava uma das minhas tetinhas como se estivesse
mamando.
- Essas suas mãos que não param são de matar qualquer cristão,
moleque! Veja o que está fazendo comigo! – exclamou, me exibindo a
ereção em curso.
- Não é para eu fazer isso, então? – perguntei ingênuo.
- Nem se atreva! Coloque e as ponha a me acariciar onde quiser! Que
você fosse um putinho tão carinhoso nenhum de nós imaginou! –
respondeu.
- Gosto de acariciar vocês! São tão fortões e másculos! – devolvi, sendo
mais uma vez prensado entre os corpos vigorosos e quentes deles,

142/
enquanto cada um bolinava devassamente uma das nádegas.
Em dado momento, ambos deslizaram as mãos para dentro do meu
rego, exploram-no, devassaram-no sem nenhum pudor, me obrigando a
contorcer o corpo de tão excitado que fiquei. Os dois se encararam,
parecia um código pré-estabelecido, e simultaneamente começaram a
enfiar um dedo no meu cuzinho. Meu gritinho sobressaltado escapou
antes que eu me conscientizasse da libertinagem que faziam comigo.
Os safados tarados estavam aferindo a elasticidade das minhas pregas
anais e de todo introito.
- Moleque, você vai dar trabalho! – exclamou o Roberto, cujo dedo
rodopiava contornando a rosca anal que o Jorge fistava com o dedo
grosso dele, lubrificando meu ânus com o gel que ia derramando na
mão.
Era tesão demais, um novo frenesi se apossou de mim, e me recostei
no torso maciço e peludo do Roberto sentindo seus pelos roçando a
pele lisa das minhas costas, apoiando minha cabeça sobre seu ombro
enquanto suspirava e gemia baixinho como uma cadelinha no cio sendo
examinada pelo macho a cobriria em seguida. Ele enfiou as mãos pouco
abaixo da minha virilha, me ergueu tirando o chão dos meus pés. O
Jorge se aproximou pela frente me comprimindo contra o Roberto. Foi
nos ombros dele que me apoiei quando o Roberto puxou minhas pernas
para trás fazendo com que se enroscassem nas dele. O caralhão dele
escorregou para dentro do rego, deslizou vagarosamente ao longo dele
até a cabeçorra chegar na minha rosquinha anal piscante. Houve
alguns segundos de total paralisia e silêncio antes dele empurrar o
cacetão para dentro do meu cuzinho. Desesperado e berrando finquei
os dedos feito garras nos ombros do Jorge.
- Ai meu cuzinho! Ai, ai, Roberto, meu cu! É muito grande, não vai
caber! Eu disse que não ia caber! Ai, Roberto, não! Está doendo muito!
Dói demais, não vou aguentar! – gritava eu em total desespero
enquanto meu cu se rasgava na tentativa de ele enfiar a cabeçorra
para dentro.
- Calma, moleque! Calma! Eu já parei, sossega! Respira fundo, putinho!
Vamos, respira! Preste atenção no que estou falando! Se continuar tão
agitado e não se acalmar vai doer mesmo! – orientava ele, mas nada do
que ele dizia eu conseguia assimilar com aquela dor no cu e o pavor
dominando minha mente.
- Presta atenção, Lipe! Ninguém vai te machucar, prometo! Você

143/
precisa ficar calmo, parar de se contorcer tanto e relaxar o cuzinho para
que o Roberto consiga entrar dentro dele, está me entendendo? –
perguntou o Jorge que me amparava tentando inspirar confiança.
- Eu senti uma dor muito forte! Parecia que estava me cortando! O
pauzão dele é muito grande, os dois têm os pauzões muito grandes,
não vão caber no meu cuzinho! Eu disse que não iam caber! – retruquei
choroso. - Tira um pouco Roberto, por favor tira, só para eu conseguir
respirar! Fala para ele tirar, Jorge, por favor pede para ele tirar! –
implorei.
- Olha só, Lipe! Você precisa ser corajoso, confiar na gente. Você está
respirando, é só controlar a inspiração bem fundo até o ar encher os
pulmões, depois ir soltando devagarinho. O mais importante é você se
acalmar, não vamos te machucar. – dizia o Jorge, segurando meu rosto
entre as mãos, enquanto eu me agarrava cada vez mais forte a ele.
- Mas continua doendo muito! Talvez se tirar só um pouquinho eu
aguente, faz isso por mim Roberto, faz, por favor!
- Na primeira vez é assim mesmo, você não está acostumado e quando
as preguinhas esticam é normal doer. Depois a dor vai passando, mas é
importante que você se solte e relaxe bastante o cuzinho para o cacete
poder entrar. – orientou o Roberto, que tremia de tanta excitação com
aquela penetração difícil e o cuidado para não me estraçalhar deixando
um trauma insuperável em mim.
- Você já enfiou tudo? Estou sentindo um volumão no meu cuzinho! –
indaguei. Os dois precisaram se esforçar para conter o riso.
- Escuta bem, Lipe! Só meti a cabeça da minha rola no teu cu até agora.
Vou meter tudo, mas para isso você precisa se abrir, abrir o cuzinho e
me deixar entrar. Se estiver doendo muito, você fala que eu paro, Ok?
Prometo que quando meu pau estiver todo dentro de você vai
experimentar uma sensação maravilhosa como nunca sentiu. –
devolveu ele. Eu não estava convencido, mas como o caralhão
continuava entalado nos meus esfíncteres, e ele demonstrava uma
obstinação ferrenha, eu não tinha muita escolha a não ser deixá-lo
entrar no meu cuzinho virgem.
O Jorge me encarava com tesão à mil, o que me levou a acreditar que
nunca antes participou de um desvirginamento tão dramático quando o
meu. Seu olhar era incrivelmente doce e compreensivo, e eu tinha para
mim que cada lágrima que estava empoçando meus olhos repercutia
nos sentimentos dele.

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- Posso te beijar, Jorge, enquanto o Roberto mete o pauzão dele no meu
cuzinho! – pedi, como forma de conseguir algum amparo.
- Vem cá, moleque! Pode e deve me beijar, se segura em mim que tudo
vai dar certo! Daqui a pouco você vai estar explodindo de tanto prazer,
prometo! – retrucou ele, beijando vorazmente minha boca que soltava
ganidos a cada impulso potente que o Roberto dava no meu ânus.
- Não teria que ser eu a merecer todos esses beijos, seu putinho? Afinal
de contas é o meu cacete que está te dando prazer. – reivindicou o
Roberto, quando o caralhão estava enfiado até o talo no meu cu.
- Quero te beijar também! Ainda dói, mas não tanto quanto antes. Só
fica muito forte quando você fica tirando e enfiando o pauzão, mas dá
para aguentar! E é bem gostoso! – asseverei, antes dele juntar sua
boca à minha.
De fato, como eles haviam dito, era a sensação mais maravilhosa que
já experienciei, o que, no entanto, não superava a dor quando ele
socava o caralhão com força no meu cuzinho me fazendo ganir. Eu
continuava feito o recheio de um sanduiche entre os corpões deles,
levando sem trégua a pica do Roberto no cu numa sequência de
estocadas vigorosas devido ao tesão desenfreado dele.
- Ai, ai, ai, acho que vou gozar! Estou sentindo que vou gozar! Tenho
que gozar, ai! – gani, antes da porra jorrar do meu pinto lambuzando as
coxas do Jorge.
- Isso moleque! Caralho como você é gostoso, putinho! – grunhiu o
Roberto, apertando meu tronco com força e acelerando as estocadas
que me penetravam fundo socando minha próstata. Voltei a gritar, a
dor era tão intensa que o prazer que já tomava conta do meu corpo se
desvaneceu. – Toma, moleque, toma no cu! Toma minha rola, putinho! –
grunhia e urrava ele a um só tempo, se despejando no meu rabinho
apertado e macio, até o cuzinho começar a vazar de tanto esperma que
ele ejaculou. Meu corpo e o dele estremeciam na mesma cadência,
saciados e envoltos no mais sublime dos prazeres.
Quando me soltaram, eu mal conseguia ficar em pé, mantinha as
pernas abertas porque parecia haver um túnel escavado no meio delas,
e por onde gotejava o sêmen leitoso do Roberto misturado a algumas
gotas de sangue das minhas preguinhas rotas.
- Estou sangrando! – exclamei aflito, pois nunca havia sangrado pelo cu.
- Sossega, moleque! Daqui a pouco vai parar, são apenas algumas
gotinhas! Devia estar feliz, é o seu cabaço vazando pelo rabo! –

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sentenciou o Roberto, ainda arfando pelo esforço do coito recente. –
Vem cá, seu putinho tesudo! Deixe-me conferir esse cuzinho delicioso e
apertado, vamos enxugar esse sangue! – emendou, ao me fazer deitar
de bruços na cama e, com movimentos gentis de lenços umedecidos,
capturar tanto o excesso de sua porra quanto as gotículas de sangue
das minhas preguinhas dilaceradas.
- Não é o cuzinho mais diminuto e tentador que você já viu, Roberto? Eu
tinha certeza quando bati o olho nesse moleque que íamos ser
agraciados com um prazer ímpar! – afirmou o Jorge, que também veio
inspecionar o estado em que o Roberto havia deixado meu ânus.
- Espera só até você entrar nele! Cara, esse moleque é puro tesão! O
jeito como o cu dele encapa uma pica não é brincadeira! Você quase
explode de tanto prazer! – asseverou o Roberto.
Eu estava feliz, feliz como nunca, tinha descoberto um talento que
jamais imaginei possuir, deixar machões como aqueles dois babando
por mim, saciando todos seus desejos em mim, me proporcionando
prazeres e sensações inusitadas.
O Jorge havia chegado ao seu limite de autocontrole, era só tesão, era
só tara, era só desejo carnal. Depois de gozar na minha boca e ver
como seu esperma era devorado com gula e satisfação, ele só tinha um
objetivo, foder o cuzinho que estava profundamente camuflado
naquelas nádegas carnudas. Assistir ao parceiro me desvirginando em
meio a todo o medo e insegurança da minha primeira vez, a maneira
submissa como eu levei o pauzão no cu, meus gritos de dor e os
gemidinhos de prazer levaram-no ao extremo da luxúria. Assim que o
parceiro terminou de limpar meu reguinho com os lenços umedecidos
e, admirar cobiçoso a diminuta fenda anal intumescida e lanhada,
investiu contra mim.
Meu olhar ainda não havia perdido totalmente aquele receio pelo
primeiro sexo e suas consequências, estava lá encarando-o fixamente,
emoldurado pelo rosto quase angelical não fosse a feição sapeca que o
acompanhava, à medida que suas mãos se apoderavam do meu corpo.
Ele o sentiu tremendo quando me trouxe para junto do dele ao me
deitar de costas e montar em mim. Os olhos do Jorge brilhavam de
tesão quando começou a erguer minhas pernas pelos joelhos e se
encaixar no meio delas, deixando o caralhão pesado e duro despencar
diretamente sobre o cuzinho inchado. Entendeu o meu – Ai, Jorge! –
gemido, como a manifestação da receança que estava sentindo, e

146/
tomou meu rosto entre as mãos como se estivesse a segurar um objeto
valioso.
- Sabe que não precisa ter medo, que não vou te machucar, apenas
afrouxe o cuzinho e se entregue para mim! Sua fendinha já está bem
lubrificada com a porra do Roberto e vou colocar mais um pouco de gel
para que o meu cacete entre sem te machucar muito. – disse, num tom
de voz sereno que me soou tão sexy que acreditei em cada palavra.
- Está bem! – assenti com um sorriso tímido. – Posso me segurar em
você?
- Se me prometer que vai ser tão carinhoso como foi com o Roberto,
pode fazer o que quiser! – afirmou, antes de eu aceitar a proposta com
um aceno de cabeça.
Eu não era um garotão franzino, mas me senti assim quando o corpão
daquele macho investiu sobre mim, me fazendo perceber a enormidade
e solidez de sua estrutura. A urgência dele se manifestava pelo arfar
ruidoso, pela contração da musculatura, pela maneira afoita com que
guiou o cacetão sobre a portinha plissada do meu cu, forçando-o no
introito úmido. Não haviam se passado nem cinco minutos desde que o
Roberto tirou o pauzão dele do meu ânus, mas ele já estava novamente
tão ocluído como se nunca houvesse sido penetrado. Ao sentir a
resistência, impulsionou a cabeçorra com mais força, impelindo-o a se
distender.
- Pode me dar um beijo? – indaguei, com a voz tão trêmula quanto todo
o restante do meu corpo.
Ele sorriu e juntou a boca na minha, prendendo meu lábio inferior entre
os dentes e, de um só golpe socou o cacetão cu adentro. Enfiou pouco
mais que a chapeleta, mas ao ouvir meu grito, estancou esperando os
esfíncteres se amoldarem ao calibre de seu mastro antes de continuar a
empurrá-lo até o fundo.
- Lembre-se, precisa abrir o cu, senão vai doer! – advertiu.
- Eu abri, mas está doendo mesmo assim!
- Já vai passar, a penetração sempre dói um pouco, até você se
acostumar com o calibre do meu pau.
- Posso te beijar outra vez? – ele mal me esperou terminar a pergunta e
já estava com a boca sobre a minha enfiando a língua na minha
garganta com a mesma sofreguidão que ia empurrando o caralhão para
dentro da maciez quente das minhas entranhas.
Agarrei-me firmemente a ele, cingindo os braços ao redor de seu torso

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largo e as pernas ao redor da cintura, relaxei a musculatura anal o
quanto pude e deixei que o vaivém frenético do cacetão me fodesse,
gemendo e ganindo contidamente, o que só exacerbava o tesão dele.
- Puta moleque gostoso do caralho! Acabou de levar vara no cu e está
tão apertadinho como uma virgem! – exclamou arfando, enquanto
socava a pica até o talo no meu rabo.
- Falei para você! O putinho tem um rabo mais estreito que olho de
agulha. – afirmou o Roberto, que chegou junto e, assim que o Jorge
parou de me beijar e foi chupar e mordiscar um dos meus peitinhos,
puxou meu rosto para o lado e enfiou a rola dele na minha boca.
- Chupa tesudinho! Chupa que o seu negócio é levar pica no cu e
mamar um cacete! – exclamou o Roberto, enquanto eu voltava a sugar
sua chapeleta suculenta.
O Jorge me socava impetuosamente tão fundo que eu tinha a sensação
de que ia me rachar ao meio, ou de que ia me empalar a ponto do
cacetão aflorar na minha boca enquanto eu gemia lascivamente
deixando os dois arregaçarem meus orifícios. O prazer era imenso, não
isento de dor, mas tão compensador que me sentia num paraíso de
devassidão e luxúria do qual não queria sair nunca mais. Ora eu
balbuciava o nome de um, ora do outro, o que os instigava e excitava
numa aura de prazer desmesurado que raramente usufruíram.
Eu já estava quase gozando outra vez quando me fizeram mudar de
posição. O Jorge queria me comer de quatro e, nem bem estava
estabilizado na nova posição, senti o caralhão dele entrando em mim
com impulsos potentes até o sacão dele bater contra o meu rego e
sonoramente ditar o ritmo da foda. À minha frente estava o Roberto
com o cacetão na mão, manipulando-o de forma sensual antes de o
meter na minha boca. Meus gemidos ecoavam pelo quarto que ia
caindo na penumbra com o final de tarde. O ar estava adensado pelo
aroma de sexo, corpos extenuados e suados, lascívia e devassidão.
Com o pinto livre e solto sacolejando entre as minhas pernas a cada
estocada forte do Jorge, o clímax foi se apoderando de mim e, com um
ganido, voltei a gozar espirrando porra para todos os lados.
- Aí, putinho, está gostando tanto de levar pica que gozou novamente! –
exclamou o Jorge, excitado pelo meu orgasmo.
Não demorou e ele grunhiu rouco e guturalmente, ao mesmo tempo em
que se despejava no meu casulo anal, de onde voltou a vazar o sêmen
denso e leitoso que o caralhão não parava de ejacular. Ele havia se

148/
agarrado ao meu tronco, rolava o bico de um dos mamilos entre o
polegar e o indicador enquanto esporrava liberando o tesão e a
virilidade no meu cuzinho. Enquanto o Jorge ainda leitava meu ânus, o
Roberto me puxou pelos cabelos, colocou a caceta entre meus lábios e
urrou, esporrando mais um tanto de porra na minha boca.
Descabaçado, com o corpo todo tomado por espasmos e marcado pela
sanha voraz deles, o cuzinho arregaçado e encharcado de porra, eu mal
conseguia me mexer. A sensação de realização deveria parecer
estranha, mas era apenas inusitadamente prazerosa. Tão logo pude dar
uns passos, fui na direção deles e os abracei sendo encurralado pelos
corpos suados, que me abrigaram com desvelo e carinho.
- E aí, moleque, como foi? – perguntou o Jorge, em cujo canto da boca
eu pousava um beijo suave e carinhoso.
- Maravilhoso! – respondi, sorrindo timidamente para ambos.
- Seu putinho sapeca, olha o que fez conosco! Nos deixou malucos e há
tempos não tínhamos um sexo tão bom. – devolveu ele.
- Sendo bem sincero, não me lembro de ter tido um sexo tão fantástico
quanto esse! – asseverou o Roberto, enquanto palpava minha nádega.
A última coisa que fizemos foi tomar uma ducha, os três juntos, apesar
da exiguidade do box. Ensaboar e massagear aqueles corpões
molhados e caralhões priápicos foi mais um deleite tão prazeroso
quanto os coitos. Sentir as mãozonas deles deslizando no fundo do meu
reguinho para lavar a porra que vazou do meu cuzinho, enquanto me
sussurravam sacanagens foi outro momento de puro êxtase que coroou
aquela tarde inusitada.
Quando me deixaram na porta de casa havia anoitecido, o Jorge pediu
meu celular e colocou seu número e o do Roberto na agenda.
- Você foi muito carinhoso, moleque! Nos deixou tão saciados que
esperamos nos encontrar mais vezes para repetir tardes como essa.
Nos ligue quando quiser e puder, se também gostou. – disse ao me
devolver o celular
- Eu gostei, gostei muito! Vocês estavam certos, foi a experiência mais
maravilhosa que já tive. – devolvi
- Valeu, moleque! Se cuida! E nada de pegar num volante enquanto não
tiver a carteira de habilitação, combinado? – disse o Roberto, antes de
se inclinar mais uma vez na minha direção e colar seus lábios aos
meus.
- Combinado! Vou ser bem ajuizado, prometo! – exclamei, e fui dar um

149/
beijo tão carinhoso quanto o que troquei com o Roberto, na boca
saborosa e sedutora do Jorge. – Só tem mais uma coisa, alguma chance
de pararem de me chamar toda hora de moleque? – questionei
- Sem chance, moleque! Enquanto essa carinha de anjo sapeca e esse
corpão escultural estiverem atiçando nosso tesão e provocando nossos
brios de macho, sem chance! – devolveu o Jorge, naquele seu jeitão
dominador.
Poucos dias depois, liguei no celular do Jorge; automaticamente um
sorriso se abriu nos meus lábios quando ouvi a voz grave dele, aquela
voz que urrou forte enquanto ele estava encharcando meu cuzinho com
seu sêmen leitoso.
- Jorge? “Seu” polícia! – exclamei quando ele atendeu.
- Fala moleque safado! Estou com a pica babando! – respondeu alegre
- Quando vocês vão fazer outra blitz? – ele deve ter feito sinal para o
Roberto que se aproximou para me cumprimentar e ouvir a conversa.
Ele me passou a data e não disfarçava o tesão que era perceptível até
na voz. – Onde? – perguntei.
- Essa vai ser só para você! Anota o endereço aí! – disse antes de me
passar a localização, enquanto ria animado junto ao Roberto e me
propunha um horário.
- Anotado! Dessa vez a minha única infração vai ser não usar uma
cueca! – afirmei, sabendo que ambos teriam que levar as mãos às picas
para controlar as ereções.
- Moleque, você é um puta de um safadinho gostoso! Vamos encher
esse cuzinho tesudo e apertado de porra, você não perde por esperar.
- Vou adorar! Beijão pra você e pro Roberto!
- Beijo nessa bundinha carnuda, moleque! – exclamou, antes de
desligar.
Numa consulta pelo endereço num aplicativo de navegação, constatei
se tratar de um sobrado geminado num bairro popular não muito
distante. Devia ser o endereço de um deles, e me pareceu ser um covil
para onde levavam presas ingênuas e inexperientes como eu. Meu
cuzinho deu uma piscada.

150/
Redescobrindo a paixão nos trópicos

Redescobrindo a paixão nos trópicos


Não estava sendo um dos melhores anos da minha vida e, eu tinha a
impressão de que jamais voltaria a ter algum tão feliz e repleto de
paixão como os últimos oito que foram, sem dúvida, os mais
esplendorosos que já vivi. A dor que a partida dele me deixou parecia
não ter fim. Ele se foi sem que ao menos pudéssemos nos despedir.
Quando saiu de casa naquela manhã para ir para o trabalho, tão
parecida com tantas outras, eu não podia imaginar que aquele beijo
carinhoso e aquela sua costumeira amassada lasciva nas minhas
nádegas seriam tudo o que me restaria dele.
A notícia chegou poucas horas depois, através de uma ligação quando
eu estava no trabalho debruçado sobre a prancheta desenvolvendo um
projeto residencial para um cliente. Uma voz desconhecida no celular
dele me informou sobre o acidente ocorrido no trajeto para a empresa
dele.
- Senhor Blake!
- Sim, sou eu! Quem fala? Esse é o celular do meu parceiro, por que
está me ligando dele?
- Exato! Sou o policial Gordon. Acabamos de identificar seu número no
celular do Sr. Jeff Hudon e lamento informar que ele sofreu um acidente
no cruzamento da Purchase com a Summer Street. – eu quase caí da
cadeira ao ouvir essas palavras ditas de forma profissional e fria. –
Senhor Blake! Senhor Blake, o senhor está me ouvindo?
- Sim! Como está o Jeff? Para qual hospital o levaram? – perguntei
angustiado.
- Senhor Blake, não foi preciso levar o Senhor Jeff a nenhum hospital,
ele faleceu antes dos paramédicos chegarem ao local. O corpo foi

151/
levado para o necrotério da cidade. – não vi mais nada diante dos meus
olhos, eles simplesmente se apagaram como se minha própria vida
houvesse se extinguido.
Havia uma porção de rostos conhecidos e aflitos ao meu redor quando
acordei deitado no chão ao lado da minha prancheta, sem que eu
soubesse o que fazia ali.
- Blake! Blake! O que aconteceu? Você está pálido, cara! Chamem uma
ambulância, rápido! – disse meu colega dando tapinhas no meu rosto
para me reanimar.
- O Jeff! O Jeff sofreu um acidente, disse o policial! O Jeff .... – não tive
coragem de continuar, pois aquela dor no meu peito ia encrudescer
ainda mais.
- Onde? Como? Que policial? Tente-se levantar Blake, acha que
consegue? Eu te ajudo, apoie-se no meu ombro. – continuou meu
colega.
- Eu preciso vê-lo! Tenho que ir ao necrotério! Onde estão as minhas
coisas, as chaves do meu carro? Eu preciso ir! – balbuciava eu, confuso
e atordoado.
- Você não pode ir a lugar algum nesse estado, Blake! Acalme-se!
Conte-nos o que aconteceu, você precisa ficar calmo!
- O Jeff está morto, foi o que ele disse! O Jeff .... eu preciso ficar com
ele! Ele está precisando de mim! – as palavras vinham numa enxurrada
sem nexo.
- Minha nossa! O Jeff, morto? – indagou meu colega. – Eu vou com você,
não pode ficar sozinho nessa hora.
Ainda não sei explicar, mesmo decorridos todos esses meses, como foi
que consegui olhar para o rosto inerte do Jeff e para seu corpo sem vida
dentro daquela gaveta metálica quando o legista me levou para
confirmar a identidade dele. Algo dentro de mim parecia estar me
anestesiando, me privando de qualquer emoção como para preservar
minha própria existência. Só me lembro da expressão serena do Jeff,
como a vi tantas vezes ao meu lado na cama quando ele estava
dormindo, e de como precisei me agarrar ao braço do meu colega para
não sucumbir.
No dia do funeral eu ainda não compreendia direito porque ele me foi
tirado tão abruptamente e meu único pensamento era me deitar sobre
o caixão deixando que me sepultassem junto dele, pois não havia mais
nenhuma razão para eu continuar vivo. O que de mais precioso eu tinha

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nessa vida estava dentro daquele esquife.
- Blake, não temos mais como adiar as questões práticas das quais
venho falando há meses com você. Eu preciso das tuas assinaturas
num montão de papelada para que os negócios do Jeff continuem
funcionando. Você precisa superar a perda dele! Todos nós dependemos
disso, Blake! Consegue me entender? Sei o quanto vocês se amavam,
mas essas questões práticas não podem mais esperar. – disse o Tyler,
um amigo muito querido do Jeff e meu que era seu braço direito dentro
das empresas e dos negócios que o Jeff administrava, atuando como
um conselheiro financeiro. Ele e o Jeff cursaram juntos o curso de
administração em Harvard e se tornaram amigos inseparáveis e
confidentes.
- Eu não consigo, Tyler! Faça você o que for preciso! Você sempre
cuidou dos assuntos dele, está mais preparado do que eu para tocar as
coisas. – devolvi
- A coisa não funciona assim, Blake! O Jeff deixou tudo para você! Você
é um homem rico, Blake, e precisa assumir os negócios de agora em
diante; não só por você, mas por todos os funcionários que dependem
deles. Está me entendendo, Blake? Você precisa, não é uma questão de
querer ou não querer! – afirmou ele
- Eu não quero nada do Jeff, eu só o quero de volta! – exclamei, com as
lágrimas rolando copiosas pelo rosto.
- Você sabe que isso é impossível, Blake! Por mais que me doa ter
perdido meu melhor amigo, eu não posso deixar que tudo o que ele
conquistou se perca, está me entendendo. Você e eu temos
responsabilidades! Temos que honrar a confiança e o legado que ele
nos deixou! – argumentava o Tyler, sensato como sempre.
- Deixe que os pais dele assumam os negócios! Eu não preciso do
dinheiro dele, tenho minha vida profissional muito bem consolidada e
uma excelente posição financeira, esse dinheiro não vai me fazer falta!
– retruquei.
- A questão não é essa, Blake! Você bem sabe que os pais do Jeff são
pessoas ricas e que ele nunca quis que eles participassem dos negócios
dele. O relacionamento deles nunca foi bom, por isso ele expressou
inúmeras vezes que não os queria por perto. Ele só pensava em você e
por isso deixou tudo nas suas mãos sabendo que cuidaria de tudo caso
um dia ele faltasse, como de fato e, infelizmente, aconteceu.
- Eu nem sei exatamente quais eram os negócios do Jeff! Nunca

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falávamos sobre isso! Nosso relacionamento era regido pela paixão,
pelo amor, não pelos negócios. Nunca fui um administrador como ele,
nem sei como se faz isso, Tyler. Vou pôr tudo a perder. – ponderei.
- Não vai, não! Eu estarei sempre ao seu lado como fiz com o Jeff! Tudo
vai dar certo, confie em mim e faça o que tem que ser feito, pelo amor
de Deus, Blake!
Foram meses difíceis, eu caía no choro cada vez que precisava assinar
algum documento, cada vez que uma nova demanda exigia minha
presença ou posicionamento e, não fosse o apoio incondicional do Tyler
jamais teria sobrevivido aquilo tudo.
- Está na hora de você voltar à vida, Blake! O Jeff ia querer isso, você
bem sabe. Ele só queria a sua felicidade e é isso que você precisa
procurar. Tire umas férias, faça uma viagem como vocês costumavam
fazer. Ele sempre voltava dessas viagens cheio de energia, entusiasmo
e com novas ideias que, segundo ele, era você quem inspirava. Faça o
mesmo, se inspire nele! – aconselhou o Tyler.
- Como me inspirar nele se ele já não está mais ao meu lado? Uma
viagem sem ele seria uma tortura, nada além disso! – afirmei
- Não é bem assim! Você é jovem demais para ter esse tipo de
pensamento. Vá viver sua vida! Aposto que no primeiro dia de uma
viagem dessas não faltarão cantadas de caras te desejando. O Jeff não
era ciumento à toa, ele sempre soube como os caras te cobiçavam e, a
maior satisfação dele era constatar que você nunca se interessava por
elas, que o único homem que te satisfazia era ele, tanto que não
parava de se vangloriar do quanto você o amava e o quanto era
carinhoso com ele. – eu o ouvia, mas suas palavras continuavam a não
fazer sentido. – Além do mais, você precisa cuidar de um assunto
pessoalmente, eu já adiei essa questão por tempo demais, você precisa
dar uma resposta aos acionistas que têm participação num complexo
de resorts que o Jeff tem na República Dominicana. Eles esperam um
posicionamento seu para algumas mudanças que precisam ser
implementadas por lá e já não tenho mais argumentos para controlar o
questionamento dos acionistas. – avisou ele
- República Dominicana? Você só pode estar brincando comigo, Tyler!
Você quer me despachar para a República Dominicana, fala sério! Eu
nem sei onde isso fica exatamente, o que vou fazer por lá? – perguntei
perplexo.
- Vai cuidar do que seu marido te deixou! Ele tinha um apreço especial

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por aquele complexo de resorts, sempre quis te levar para lá numa
espécie de lua-de-mel da qual não parava de falar. Mas ele vivia tão
ocupado que ele mesmo só visitou o lugar quando ainda estava em
construção e, se não me engano, isso foi há cinco ou seis anos.
- Sim, eu me lembro! Ele quis me levar junto, mas foi quando meu pai
teve aquele infarto e eu não pude acompanhá-lo.
- Exatamente! Agora chegou a hora! Vá lá e resolva o que tiver que ser
resolvido!
- Você não vem comigo? Não sei fazer nada sem você? Não pode me
abandonar numa hora dessas!
- Não seja dramático, não estou te abandonando, e não posso sair
daqui por enquanto, há muita coisa para ser resolvida e, como você
bem sabe, a gravidez da Lauren está nos deixando apreensivos. Não
posso deixá-la sozinha nesse momento! – retrucou ele
- Eu sei, me desculpe por ser tão egoísta! Como ela está? Para quando
é o bebê?
- Em teoria para o próximo mês, mas durante a última consulta com o
ginecologista soubemos que pode acontecer antes, pois a pressão dela
não se estabiliza e isso tem sido um motivo de preocupação tanto dele
quanto nossa. – esclareceu ele
- Entendo! Vai dar tudo certo, fique ao lado dela! Estou torcendo por
vocês!
- Sabemos disso, e esse foi o motivo pelo qual te escolhemos como
padrinho do bebê. Agora trate de se preparar para essa viagem, eu
estarei aqui para te dar apoio no que for preciso. Encare essa missão
como umas férias merecidas e não apenas como negócios. –
argumentou ele.
Eu me recordava vagamente de alguns comentários do Jeff sobre o
complexo de resorts que a empresa dele ergueu na República
Dominicana com financiamento de alguns acionistas minoritários.
Também me lembro de como falava das belezas naturais do lugar, das
praias, do pôr do sol único e fascinante, das noites de luar que
iluminavam as areias brancas e quentes onde ele prometeu entrar no
meu cuzinho até eu pedir arrego e deixar seu esperma formigando
dentro dele enquanto me mantinha junto ao seu corpo. Promessas que
nunca pode cumprir, promessas com as quais eu agora só podia sonhar
e que aumentariam a dor da ausência dele.
O jatinho que o Tyler havia fretado pousou no aeroporto de Santo

155/
Domingo quatro horas depois de decolar. O diretor-geral do complexo
de resorts, Sam Marcheschi, me aguardava sorridente no saguão de
desembarque privado da aviação executiva. Eu o conhecia de nome,
dos relatos elogiosos que o Jeff fazia dele exaltando suas habilidades
como administrador e grande responsável pelo sucesso turístico dos
resorts. Eles haviam trabalhado juntos numa das empresas do Jeff antes
de ele o promover e lhe oferecer o cargo na República Dominicana.
Sam era um sujeito baixinho e atarracado na faixa dos sessenta anos,
uma barba grisalha contornando seu rosto rechonchudo e uma careca
no topo da cabeça lhe davam um ar mais velho que se contrapunha à
energia jovial de suas atitudes.
- Você se parece muito com a descrição que o Jeff fazia de você! –
exclamou, ao apertar minha mão. – Quero manifestar meus
sentimentos por sua perda! Nós também a sentimos apesar da
distância e do pouco contato que tínhamos com o Jeff. Um homem
extraordinário, de visão, e muito generoso. – afirmou, parando
abruptamente quando notou que minha expressão mudara e que eu
fazia um esforço enorme para não chorar diante dele. Eu apenas acenei
com a cabeça concordando quando ele me puxou pelo braço e seguiu
rumo ao estacionamento.
Ele me acomodou numa das suítes mais privativas do resort, no mesmo
edifício onde também se localizava seu escritório. O cenário que se
descortinava diante da varanda com vista para uma praia exclusiva era
de perder o fôlego. Eu estivera poucas vezes em países de clima
tropical e toda aquela luminosidade, o mar em tons esverdeados e de
um azul translúcido era uma imagem que só tinha visto em fotografias.
O Sam havia me apresentado uma parte do edifício central do resort,
algumas comodidades próximas e, ao me deixar na suíte, sugeriu que
eu me refizesse da viagem e agendou uma reunião para as dezesseis
horas daquela tarde para me apresentar ao staff de gerentes.
- Mando lhe avisar, se esse horário estiver adequado para você. É um
prazer tê-lo conosco, Blake! – exclamou ao se despedir.
- Obrigado Sam! Estarei à sua disposição nesse horário!
Quando ele se foi, fiquei olhando para aquelas paredes de um luxo
despojado bem ao estilo do gosto do Jeff e da nossa casa onde ele dizia
estar tudo de que gostava, seus jogos de videogame, seus quadros
adquiridos durante as viagens e, principalmente, a pessoa que ele mais
amava, eu. Uma pontada varou meu peito, me pus a chorar e nunca

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desejei algo com tanto fervor quanto ele comigo ali naquele quarto
contemplando aquela paisagem deitado no meu colo enquanto eu
afagava sua cabeleira, algo que ele sempre gostou e que o fazia
mergulhar numa paz serena. Eu nunca mais ia sentir a maciez daquela
cabeleira, olhar para aquele rosto viril onde dois olhos castanhos claros
me encaravam cheios de paixão, sentir seu coração pulsando sob a
minha mão quando estivesse acariciando seu tórax largo e másculo.
Não fiz outra coisa durante quase duas horas do que chorar
copiosamente deitado sozinho na cama larga e fofa, onde ele
certamente estaria me comendo feito um touro sedento com o pauzão
atolado até o talo no meu cuzinho apertado se estivesse ali comigo.
Fui até a área social do resort para fazer uma refeição leve, já que
estava sem fome, e depois, fiz uma caminhada ao longo da praia
defronte do complexo de piscinas. Havia poucas pessoas na praia
apesar do dia ensolarado, da brisa constante do mar e da temperatura
amena, o que só indicava a exclusividade do ambiente que era
destinado a poucos privilegiados que podiam bancar todo aquele luxo e
comodidades. De quando em quando uma onda que se desfazia na
areia cobria meus pés com a água transparente e morna. Aos poucos,
fui adentrando e deixando a água chegar na altura dos joelhos, a
tentação de mergulhar de vez aumentava a cada marola que me
atingia. Eu usava um short curto com fendas laterais, não era o ideal
para um banho de mar, mas quem se importava com um detalhe tão
insignificante diante daquela imensidão toda? Caminhando em direção
ao horizonte, acabei entrando numa vala mais profunda e, de um
momento para o outro, o nível das ondas estava no meu peito me
fazendo perder momentaneamente o equilíbrio. Enquanto procurava
ficar novamente em pé, alguma coisa resvalou no meu pé provocando
um ardor como se tivesse pisado em brasas. A dor me fez perder
novamente o equilíbrio e precisei inspirar fundo e deixar a onda
seguinte me encobrir completamente. Eu ainda estava agitando os
braços quando cheguei à superfície para respirar e, repentinamente,
senti que alguém me puxava para cima com força. Ao invés de
conseguir firmar os pés no chão, estava sendo levado nos braços em
direção à praia.
- O que pensa que está fazendo? Me coloque no chão! – protestei,
quando me deparei com a cara de um sujeito enorme que me
carregava junto ao tronco maciço como se eu fosse um boneco.

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- Você estava se afogando! Fique calmo! – disse a voz grave que saiu da
boca dele.
- Eu não estava me afogando! Sei nadar muito bem! Me coloque no
chão agora mesmo! Apenas perdi o equilíbrio quando alguma coisa
fisgou meu pé. – sentenciei
- Eu vi como se debatia desesperado! Deve ter pisado numa água-viva,
sente-se aqui, deixe-me examinar seu pé! Foi isso mesmo, está cheio
delas por aqui! – disse ele, ao me soltar na areia.
- Isso arde um bocado! – exclamei, sentindo como se minha pele
estivesse pegando fogo.
- Afaste um pouco as pernas, vou urinar no seu pé! – retrucou ele,
tirando um imenso cacetão cabeçudo de dentro da bermuda e o
apontando na minha direção.
- Ficou doido, seu pervertido? Vire essa coisa monstruosa para longe de
mim! – protestei indignado.
- O problema é seu, se quiser continuar sentindo dor e queimação! –
retrucou ele, voltando a guardar o pauzão taurino na bermuda.
- Você deve ser um doente, um depravado, onde já se viu urinar sobre
uma ferida? Isso só pode ser coisa de um pervertido querendo exibir
esse pauzão enorme! – exclamei ofendido, enquanto me afastava do
sujeito a passos largos.
- Não tenho culpa se tem a mente suja! Mal agradecido, sem educação!
– berrou ele atrás de mim. – Sabia que esse gênio do cão não combina
nem um pouco com essa bunda tesuda e sexy? – acrescentou, o que
me fez rosnar de raiva.
O médico do resort lavou o local atingido com vinagre e me orientou a
aplicar umas compressas de água fria pelas próximas horas e fez um
comentário ligeiramente sarcástico sobre o mito de urinar sobre as
queimaduras por águas-vivas.
- Eu sabia que aquele maluco não podia estar certo! Sujeitinho
devasso! – murmurei com meus botões.
- O que disse?
- Nada! Nada, não! Só estou me lembrando de uma coisa. – devolvi ao
médico.
Voltei ao quarto e fiquei aplicando as tais compressas até a hora da
minha reunião com o Sam e os gerentes. Ele me apresentou a todos
explicando seus cargos e funções, e eu tentei parecer o mais
profissional possível. Esses encontros de negócios ainda me deixavam

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desconfortável e tenso, não sei como o Jeff lidava tão bem com isso.
- Estão todos aqui, então vamos começar a reunião. Este é o Sr. Blake, é
o dono das empresas do Sr. Jeff agora que ele faleceu. Eu gostaria que
cada um de vocês tomasse algumas horas nos próximos dias para
mostrar a área que atuam e como a estão gerenciando. – dizia o Sam,
enquanto parecia estar procurando por algo ou alguém. – Por que será
que já não me espanto mais com as repetidas ausências do Jake nessas
reuniões? – emendando a pergunta em voz baixa, embora eu pudesse
constatar o quanto estava aborrecido com esse tal de Jake.
Eu estava terminando o café da manhã quando me deparei novamente
com o sujeitinho pervertido da praia. Devia ser um hóspede pelos trajes
sumários, bermuda e uma camiseta regata por onde músculos e mais
músculos pareciam prestes a sair. Não fosse a expressão petulante
naquele rosto com a barba por fazer até que ele era interessante.
- Ora, ora quem temos por aqui, o hóspede mauricinho que chegou à
ilha num jatinho particular e que esqueceu os bons modos e a
educação de onde veio! – exclamou ele quando veio ao meu encontro. –
Como está o pé? Vejo que ainda está enfaixado! Estaria curado se
tivesse me deixado mijar nessa preciosidade! – acrescentou irônico.
- Pois ainda bem que tenho o juízo e a decência que faltam em você!
Para seu governo, é um mito que a urina sirva para essas queimaduras.
Seu objetivo era tão somente exibir aquela coisa assustadoramente
enorme só para se vangloriar, seu degenerado! – retruquei
- Gostou tanto assim dela para afirmar que é assustadoramente enorme
tendo-a visto por uns breves segundos? – questionou, como risinho
zombeteiro.
- Ah, vejo que já se conheceram! – exclamou o Sam que veio correndo
ao nosso encontro. – Blake, quero lhe apresentar meu sobrinho Jake,
nosso gerente administrativo e meu braço direito, é ele quem cuida de
toda administração do complexo com seu staff. Jake, esse é o Blake, ex-
parceiro e o novo dono do resort e de outras empresas do Jeff. É ele
quem vai comandar tudo de agora em diante e está aqui para conhecer
nosso trabalho. – concluiu o Sam, deixando a mim e ao Jake inibidos
com a informação.
- Sim, tio, nos encontramos casualmente na praia ontem quando ele
pisou numa água-viva! – disse o Jake. Agora bem menos arrogante por
saber que eu era o dono de tudo aquilo e, portanto, seu empregador.
- Aplicou urina na queimadura? É o método mais eficaz de curar essas

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feridas! – exclamou de pronto o Sam.
- Eu não disse? – indagou o Jake, me encarando como se estivesse
coberto d