3 Ano
3 Ano
REFERÊNCIA
2025
COMPETÊNCIA ESPECÍFICA:
Competência 1: Analisar processos políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais nos âmbitos
local, regional, nacional e mundial em diferentes tempos, a partir da pluralidade de procedimentos
epistemológicos, científicos e tecnológicos, de modo a compreender e posicionar-se criticamente em
relação a eles, considerando diferentes pontos de vista e tomando decisões baseadas em argumentos e
fontes de natureza científica.
Competência 2: Analisar a formação de territórios e fronteiras em diferentes tempos e espaços,
mediante a compreensão das relações de poder que determinam as territorialidades e o papel
geopolítico dos Estados-nações.
Competência 3: Analisar e avaliar criticamente as relações de diferentes grupos, povos e sociedades
com a natureza (produção, distribuição e consumo) e seus impactos econômicos e socioambientais,
com vistas à proposição de alternativas que respeitem e promovam a consciência, a ética
socioambiental e o consumo responsável em âmbito local, regional, nacional e global.
OBJETO(S) DE
HABILIDADE(S):
CONHECIMENTO:
PLANEJAMENTO
TEMA DE ESTUDO: A Primeira República Brasileira: desdobramentos internos e externos.
A) APRESENTAÇÃO:
Prezado(a) professor(a)!
Começamos mais um ano letivo. Esperamos que o presente planejamento para o 1º bimestre lhe auxilie
no desenvolvimento do seu trabalho na sala de aula, utilizando as competências e habilidades propostas
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no CRMG e no Plano de Curso elaborado para o ano de 2025.
Você tem autonomia para reorganizar os conteúdos/atividades no seu planejamento conforme a
realidade e especificidade da sua turma tendo como objetivo a aprendizagem dos seus estudantes.
Este planejamento de História será dividido em 4 momentos. Nele desenvolvemos as habilidades
(EM13CHS103), (EM13CHS306) e (EM13CHS202), trazendo o tema: A Primeira República
Brasileira e seus desdobramentos internos e externos.
O tema será desdobrado nos seguintes objetos de conhecimento/conteúdos: A Proclamação e a
Primeira República no Brasil; A Primeira Guerra Mundial; A Revolução Mexicana e a Revolução Russa.
Ressalto que o trabalho com os conteúdos propostos poderá ser feito com a parceria dos professores
dos quatro componentes curriculares da área de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, em conjunto ou
individualmente, de forma que os estudantes alcancem as aprendizagens esperadas e desejadas para
consolidá-las de forma prazerosa e que tenham sentido lógico com a sua vivência na atualidade. O
trabalho poderá ser feito também interdisciplinarmente com as outras áreas do conhecimento numa
busca de maiores informações e perspectivas de conhecer o novo.
Ao trabalhar a habilidade (EM13CHS103), espera-se que os estudantes consigam selecionar evidências
e compor argumentos relativos a processos políticos, com base na sistematização de dados e
informações como descrever as principais características do regime republicano implantado no Brasil em
1889, analisando as permanências e rupturas do período.
O desenvolvimento da habilidade (EM13CHS306), permite que os estudantes contextualizem,
comparem e avaliem os impactos de diferentes modelos socioeconômicos no uso dos recursos naturais
e na promoção da sustentabilidade econômica e socioambiental do mundo e do Brasil em diferentes
tempos e espaços. Sendo assim, é preciso que eles compreendam a importância do setor cafeeiro para
a economia do Brasil durante a Primeira República e que eles identifiquem os mecanismos de
sustentação das oligarquias rurais no comando do país e seus impactos econômicos, sociais e
ambientais. É importante que se caracterize o processo de modernização das grandes cidades no
período e também os movimentos messiânicos, sociais e políticos ocorridos no período, refletindo sobre
o sentido do indivíduo na sociedade, a importância da coletividade e a solidariedade como prática da
vida humana.
Para desenvolver e consolidar os conteúdos relacionados à Primeira Guerra Mundial, a Revolução
Mexicana e Russa, trabalharemos com as habilidades (EM13CHS103) e a (EM13CHS202). Para a
consolidação destas habilidades os estudantes deverão ser capazes de compreender o contexto político
europeu que levou à eclosão da Primeira Guerra Mundial, contextualizando a relação entre o
desenvolvimento tecnológico e a guerra, as mudanças que ela promoveu no cenário europeu, além de
serem capazes de refletir sobre o significado dessa guerra e as suas consequências para a Europa e
para o mundo.
Os estudantes deverão reconhecer que o campesinato foi a base social da Revolução Mexicana e quais
foram as principais lideranças das Revoluções Mexicana e Russa e quais propostas eram defendidas por
cada uma delas. Deverão também descrever as razões que levaram à queda do czarismo na Rússia,
caracterizando as revoluções de Fevereiro e de Outubro. É importante que eles façam a comparação
entre a Revolução Mexicana e a Revolução Russa, estabelecendo suas semelhanças e diferenças.
Para a consolidação das habilidades propostas neste planejamento e os objetivos de aprendizagens
sejam alcançados, os estudantes deverão ser capazes de selecionar, comparar, contextualizar, elaborar
hipóteses e analisar de forma crítica e criativa os conteúdos/objetos de conhecimento e atividades
desenvolvidas ao longo deste planejamento de forma que as aprendizagens com essas habilidades
sejam aprendidas e consolidadas.
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Os objetos de conhecimento, ”Primeira Guerra Mundial”, “Revolução Mexicana” e “Revolução Russa”,
serão abordados no 2º, 3º e 4º momentos deste planejamento.
Destaco também que, este planejamento pode ser desmembrado em quantas aulas forem necessárias,
de acordo com as especificidades, expectativas e objetivos de aprendizagem das turmas atendidas,
conforme o seu planejamento de ensino ou outras conveniências pedagógicas.
B) DESENVOLVIMENTO:
Após a acolhida dos estudantes, apresente o tema geral, os objetos de conhecimento a serem
trabalhados neste planejamento e os seus objetivos de aprendizagens. Em seguida faça um momento de
sensibilização para diagnosticar sobre o conhecimento prévio do tema proposto.
Sugiro que faça uma tempestade de ideias com a frase:
Espera-se que os estudantes respondam alguns dos fatos sugeridos abaixo e você deverá
complementar para enriquecer o momento.
Retome as causas que levaram ao fim da Monarquia no Brasil, citando os fatores e fragilidades da crise
do Império, como a Questão Militar, Questão Republicana, Questão Religiosa e Questão Escravocrata.
Fale sobre a propaganda republicana citando a fundação do Partido Republicano e o Manifesto
Republicano e suas influências para o fim da Monarquia, o golpe militar de 1889 e a instauração da
República.
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Final do século XIX
O governo de D. Pedro II passava por uma grande crise, com muitos desgastes nas relações entre o
Estado e suas bases de apoio:
▪ Oposição ao governo imperial por conta do trabalho escravo;
▪ Conflitos entre o Imperador e a Igreja Católica;
▪ Alguns militares não concordavam com o governo de D. Pedro II;
▪ Em 1888, a abolição da escravatura desagradou aos grandes fazendeiros e proprietários de
escravos.
FAUSTO, Boris. História Concisa do Brasil, 2 ed – São Paulo, 2009
A oposição dos vários setores da sociedade à Monarquia, tornou possível fazer o golpe militar que
instaurou a República no Brasil.
República da Espada
▪ Os militares tiveram bastante influência nos primeiros anos de República.
▪ Marechal Deodoro da Fonseca e Marechal Floriano Peixoto representaram o governo militar na
primeira fase da República.
República das Oligarquias
▪ A política do país era dirigida por oligarquias agrárias e por representantes civis na
presidência.
República: é um regime de governo onde o Chefe de Estado e o Chefe de Governo são escolhidos
através de eleições diretas ou indiretas.
A República surgiu na Grécia Antiga como uma forma de governo para administrar a polis grega.
Oligarquia: Governo em que o poder é exercido por um grupo restrito de pessoas, geralmente do
mesmo partido, família, classe etc.
É importante ressaltar que a Constituição de 1891 instituiu o federalismo, dando autonomia política e
econômica aos estados. Dessa forma, eles poderiam, por exemplo, arrecadar impostos de exportação e
contrair empréstimos para atender aos seus interesses próprios. Esse fator, reforçou um desequilíbrio
político no Brasil nas esferas estaduais, já que o poder se concentrou nas mãos dos grandes
proprietários rurais, que eram minoria e também na esfera federal, já que as diretrizes políticas
nacionais eram determinadas pelos interesses dos grandes estados brasileiros, que naquele momento
era Minas Gerais e São Paulo.
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Esse desequilíbrio determinou as principais características políticas do Brasil, no período de 1891 a
1930, dentre as quais podemos citar:
● Domínio político nacional dos estados de São Paulo e Minas Gerais (“Política do Café com
leite”) que perdurou até 1930.
● Domínio político das oligarquias agrárias, na esfera estadual.
● Domínio político dos coronéis na esfera municipal.
● Ausência de justiça eleitoral, o que facilitava as fraudes nas eleições.
● A população rural, os grupos urbanos, assim como os estados periféricos do Norte, Nordeste
e Centro Oeste, não tinham representatividade política.
Texto adaptado: Silva, 2023.
Explique para os estudantes que a questão social pela qual o Brasil passava naquela época favoreceu o
estabelecimento da política Oligárquica. Cite a questão do interior nordestino como a superexploração
da mão de obra, a miséria e a fome que eram a realidade do sertanejo. Havia absoluta obediência ao
chefe local, materializado na política pela figura do coronel.
Com a capacidade de exercer grande comando sobre os trabalhadores de suas terras, os coronéis
formavam regimes e tributos em suas regiões, estabelecendo impostos cobrados sobre a
população. Era também a partir de tal meio de controle que se formavam os traços pelos quais se
desenhava toda a realidade da política nacional. Os coronéis, em acordo com os governadores,
determinavam em quem seus comandados iriam votar. Como naquela época o voto não era
secreto, os trabalhadores tinham medo de desobedecer às ordens dos coronéis com receio de
sofrerem punições físicas ou perderem suas fontes de sobrevivência, era o chamado Voto de
Cabresto. Desta forma, se dava a exclusão política e o controle dos espaços de representação da
sociedade, período marcado por práticas autoritárias e violentas.
Fonte: Silva, 2023.
Peça aos estudantes que façam uma pesquisa sobre os aspectos econômicos, sociais e políticos da
Primeira República no Brasil.
Depois de concluída a pesquisa faça uma roda de conversa em sala de aula sobre os temas
pesquisados. Coordene a discussão de forma que os estudantes façam uma comparação com os
aspectos na Primeira República e com os momentos atuais.
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Faça perguntas como:
Depois de encerrado o diálogo na roda de conversa, projete ou dê cópias para a turma da síntese
sugerida abaixo. Faça uma leitura compartilhada e se necessário explique as dúvidas que surgirem ao
longo da leitura. Se você achar pertinente, peça aos estudantes que pesquisem sobre os movimentos
sociais ocorridos na Primeira República para um maior aprofundamento e consolidação dos conteúdos.
Aspectos econômicos
Aspectos sociais
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Aspectos políticos
Movimentos Rurais
▪ Canudos.
▪ Contestado.
Movimentos Tenentistas
▪ 1922: 18 do Forte de Copacabana.
▪ 1924: Revolta Paulista.
▪ Coluna Prestes.
Movimentos Urbanos
▪ Revolta da Vacina.
▪ Revolta da Chibata.
▪ Movimento sindical: Anarcosindicalismo.
▪ Greve Geral de 1917.
▪ Fundação do Partido Comunista em 1922.
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O fim da Primeira República - 1930
Para finalizar e consolidar o tema deste 1º momento, construa junto com a turma um mapa mental.
Deixo como exemplo o mapa abaixo.
Imagem 3: Mapa Mental
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2º MOMENTO: A PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL (1914-1918)
Texto impresso.
Recursos e providências Imagens.
Computador, projetor e internet.
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3º MOMENTO: A REVOLUÇÃO MEXICANA – 1910
Professor (a), explique para os estudantes os objetivos deste 3º momento, que consiste na
compreensão do contexto histórico, político, cultural e social da Revolução Mexicana de 1910. É
importante que eles compreendam o caráter indígena e rural envolvidos na revolução, tendo como
líderes Emiliano Zapata e Pancho Villa. Ressalte para a turma as diferentes estratégias empreendidas no
movimento e o lema da revolução: Terra e Liberdade.
Peça aos estudantes que leiam individualmente o texto:
A Revolução Mexicana de 1910.
Disponível em: [Link]
[Link].
Entregue cópias para os estudantes do texto e peça que façam a leitura.
Durante a leitura, é importante que os estudantes anotem no caderno as informações relevantes e os
conceitos básicos encontrados no texto.
Depois da leitura e anotações, divida a turma em grupos, e oriente-os a fazer uma segunda leitura do
texto, compartilhando entre eles as anotações feitas e os conceitos levantados por cada um, para que
elejam coletivamente as informações mais importantes, assim como os conceitos estruturantes para se
compreender a Revolução Mexicana. Em seguida, solicite aos estudantes que montem um quadro com
os tópicos abaixo e que pesquisem as informações e conteúdos sugeridos:
Depois da pesquisa e do quadro preenchido, faça uma roda de conversa e proponha uma discussão
com a turma sobre o tema da Revolução Mexicana, levantando possíveis curiosidades ou dúvidas dos
estudantes. Aproveite o momento para proporcionar um espaço coletivo de ensino e de
aprendizagem e consolidar o conteúdo.
Para encerrar este 3º momento, proponha uma atividade para casa. Os estudantes deverão fazer a
produção de um texto, do gênero Carta, intitulada “carta de um revolucionário”. Oriente a turma que
o autor deverá se colocar no papel de um combatente que escreve uma carta em que relata
pensamentos, projetos e o cotidiano de luta.
Na aula seguinte, peça que cada estudante leia a sua carta para os colegas. Faça as ponderações que
achar pertinentes.
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4º MOMENTO: A REVOLUÇÃO RUSSA - 1917
ETAPA 1
Comece retomando com a turma o contexto da eclosão da Primeira Guerra Mundial. Peça aos
estudantes que apresentem as características daquele período. Se necessário, consulte em livros ou na
internet. Em seguida, inicie a discussão deste momento, estabelecendo o contexto político e social da
Rússia czarista.
Pergunte aos estudantes qual foi o papel da Rússia na Primeira Guerra Mundial. Lembre-os das razões
pelas quais a Rússia saiu da guerra antes de seu término.
Espera-se que os estudantes respondam que a saída da Rússia da Guerra se deu por causa do início da
Revolução. Se necessário retome o conteúdo com a turma.
Faça uma pequena introdução falando para os estudantes sobre a teoria político econômica criada por
Karl Marx, no século XIX, o comunismo. Essa teoria prometia uma melhor divisão das riquezas entre as
pessoas e que nesse novo modelo de sociedade, todos deveriam ser tratados como iguais. Ressalte que,
se o comunismo embalava o sonho de intelectuais e de pessoas desfavorecidas, ele era considerado
meramente utópico pelos seus críticos e pelos grandes capitalistas, que temiam perder os seus
privilégios.
Os sonhos dos comunistas de todo o mundo pareciam estar próximos de se tornar realidade na Rússia
do início do século XX, onde os russos deixaram o comodismo de lado e tomaram as ruas do país para
questionar a forma de governo autoritária (Czarismo) marcada pelo atraso tecnológico e pela presença
de resquícios do feudalismo.
Entregue cópias para os estudantes do texto adaptado “Revolução Russa” e peça que façam a leitura em
casa e marquem os tópicos que acharem mais importantes do texto.
ETAPA 2
Comece essa etapa pedindo aos estudantes que apresentem os pontos de destaque da leitura que
fizeram em casa. Partindo das argumentações deles, apresente as razões da queda do regime czarista e
a formação do governo provisório baseado em ideais democrático-liberais. Destaca-se o fato de que a
manutenção da Rússia na guerra enfraqueceu o novo governo. Comente com a turma que a resposta
bolchevique, presente em grande parte nas Teses de Abril, de Lênin, denunciava principalmente a
manutenção da Rússia na guerra e a desigualdade fundiária, e propunha a entrega do poder aos
sovietes. Essas demandas aproximaram o povo dos bolcheviques.
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Pergunte aos estudantes qual foi o resultado desse processo. De acordo com as considerações deles,
confirme que ocorreu um aumento do poder político dos bolcheviques, enquanto o governo provisório se
enfraquecia, apoiado pelos mencheviques. Essa circunstância possibilitou a chamada Revolução de
Outubro de 1917, liderada pelos bolcheviques com apoio de grupos sovietes.
Apresente as medidas políticas adotadas pelo novo governo, como o confisco de terras da nobreza e da
Igreja, a estatização de vários bancos e instituições industriais e o fim dos títulos e privilégios da
nobreza.
Em seguida, explique que a revolução bolchevique se consolidou, de fato, com a vitória na Guerra Civil
Russa, entre 1918 e 1921. Fale da importância da vitória do chamado Exército Vermelho para a
instalação do governo socialista na Rússia, nesses primeiros tempos sob liderança de Lênin.
Para concluir essa etapa, apresente a conjuntura política da Rússia após a revolução e a formação da
União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) em 1922.
Explique o que foi a Nova Política Econômica (NEP) e a estratégia leninista de reorganizar a economia
do país, enquanto o Partido Comunista atuava como única liderança política.
Peça aos estudantes que façam uma rápida pesquisa na internet, utilizando computadores da escola ou
aparelhos celulares com acesso à rede, sobre a noção de “centralismo democrático” e a ideia de
“unipartidarismo político”.
Se possível, dependendo do tempo, cite exemplos de países que, no contexto contemporâneo, são
governados por partido único, como a China, Coreia, Cuba e República Popular Democrática do Laos
Para finalizar, projete ou forneça aos estudantes um mapa da Rússia pré-revolucionária e outro da União
Soviética para que eles os comparem e possam verificar as mudanças territoriais provocadas pela
revolução.
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Monte com os estudantes as etapas do processo revolucionário na lousa, como no exemplo.
ETAPA 3
Para finalizar o 4º momento, apresente rapidamente o cenário político na União Soviética imediatamente
após a morte de Lênin, especialmente tratando da disputa entre o projeto internacionalista trotskista e o
projeto localista stalinista, com vitória política deste.
Destaque para os estudantes o fato de que, apesar da vitória do projeto localista, grande parte da
mobilização internacional de trabalhadores e dos comunistas passou a ter como objetivo instaurar uma
revolução seguindo o modelo russo e implantar um sistema de governo com base no soviético. Esse
ideário também afetou governos contrários à ideologia socialista a radicalizar suas políticas para “evitar”
que ocorresse em seus países o que tinha se passado na Rússia.
Em seguida, organize os estudantes em três grupos. Cada grupo deverá produzir um relatório em
tópicos, de acordo com o modelo apresentado na lousa nas aulas anteriores, sobre um dos temas a
seguir, associados ao governo de Stálin:
Oriente os estudantes na realização do trabalho. Fale que eles poderão utilizar o material didático
disponível na escola e realizar pesquisas na internet. Se achar necessário, apresente a eles os
referenciais para a realização de pesquisa na internet.
Cada grupo terá 5 minutos para ler os tópicos de seu relatório. Anote na lousa cada um deles e, ao final,
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debata com os estudantes questões relativas à ideia de “culto de personalidade” e à utilização pelo
governo stalinista da propaganda como instrumento de dominação política, uma vez que Stálin tentou
reconstruir a história da Revolução Russa para atender a seus interesses políticos e conseguiu controlar
a narrativa oficial sobre os acontecimentos pesquisados pelos estudantes e apresentados em seus
relatórios.
Peça para a turma que, no debate/socialização, discutam a utilização da história como ferramenta de
interesse político e a necessidade de conhecer diversas versões sobre os fatos para não ser manipulado.
Ao produzir os relatórios sobre o período stalinista e debater aspectos como relações de poder,
mudanças e manutenções de estruturas políticas e sociais, questionando e argumentando sobre
documentos, interpretações e contextos históricos específicos, a atividade final contribui para que os
alunos desenvolvam as Competências Específicas de História no 1 e no 3.
Dicas de filmes:
“Sobreviventes: filhos da Guerra de Canudos”
Direção: Paulo Fontenelle.
País: Brasil.
Ano: 2004.
Duração: 78 minutos.
O documentário reconstrói, por meio de depoimentos dos filhos de alguns sobreviventes da
Guerra, a história do Arraial de Canudos. Entre os muitos relatos recolhidos, há uma
interessante entrevista com Antônio de Isabel, único homem vivo que conheceu Antônio
Conselheiro. Além da narrativa envolvente, o documentário conta ainda com uma excelente
pesquisa histórica.
Sugestão de 23 filmes sobre a Primeira República.
Disponível em:[Link]
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ANEXO
TEXTO: PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL: ANTECEDENTES ( ícone clicável)
▪ Belle Époque: período marcado, na Europa e EUA, pelo otimismo, pela intensificação da vida
urbana, por inovações nas artes e nas ciências, no transporte e nas comunicações.
▪ Imperialismo: busca por mercados e matérias primas; discurso sobre superioridade
branca/ocidental; disputas por territórios.
Mapa Domínios europeus no continente africano entre os séculos XIX e XX
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1ª Guerra Mundial: o conflito
▪ A Política de Alianças transformou um conflito local em uma Guerra Continental (Julho e
Agosto/1914);
▪ Império Austro-Húngaro declara guerra à Sérvia;
▪ Rússia declara guerra ao Império Austro-Húngaro;
▪ A Alemanha declara guerra à Rússia e à França;
▪ Para atacar a França, a Alemanha invade a Bélgica;
▪ A Inglaterra declara guerra à Alemanha.
▪ 1ª Fase da Guerra: chamada de Guerra de Movimento – Invasão da França e batalhas na
frente oriental;
▪ Patriotismo e otimismo: a crença em um conflito rápido.
De cima para baixo, da esquerda para a direita: trincheiras na Frente Ocidental, avião bi-planador
Albatros [Link], Tanque britânico Mark I cruza uma trincheira, metralhadora comandada por um
soldado usando máscara contra gases e o fundamento do navio de guerra HMS Irresistible após bater
em mina.
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O conflito em 1917 e 1918
▪ 1917 – Entrada dos EUA na Guerra – rompimento do equilíbrio;
▪ 1917 – Revolução Russa;
▪ 1918 - Rússia sai da Guerra;
▪ 1918 – Rendição Alemã.
"Depois das negociações, o Tratado de Versalhes previa os benefícios e punições a cada um dos
lados envolvidos na guerra. A Polônia foi colocada como um Estado independente e livre do anterior
domínio russo. A França conseguiu reaver a região da Alsácia-Lorena. As colônias alemãs na África
foram divididas entre ingleses, belgas e franceses. As colônias alemãs no Pacífico foram entregues ao
domínio do Japão e da Inglaterra."
(Veja mais sobre "Os tratados do pós-Primeira Guerra" em: [Link]
[Link]).
Os reflexos da Guerra
A Primeira Guerra Mundial provocou alterações significativas no panorama político-social mundial, e
seus reflexos extrapolaram os prejuízos e mortes causados pelas batalhas.
Os países europeus perderam o domínio sobre a economia mundial, dando espaço para os Estados
Unidos, surgindo, portanto, uma nova potência.
A influência cultural europeia sobre o resto do mundo também foi reduzida e os valores do
eurocentrismo passaram a ser questionados. Razão, progresso e valorização da ciência foram
colocados em dúvida depois de terem colaborado para uma Guerra tão destrutiva.
70
No campo social, uma mudança importante também ocorreu. A Guerra matou aproximadamente 10
milhões de pessoas, a maioria homens entre 19 e 40 anos de idade. Esse fato fez com que se tornasse
necessária ainda durante o conflito, a substituição da mão de obra masculina nas frentes de trabalho.
As mulheres entraram de vez no mundo das fábricas, e, com o fim da Guerra, essa situação não se
alterou. O papel feminino deixou de ser o de dona de casa e, com isso, novas necessidades
surgiram. O movimento feminista também ganhou força na busca por direitos. Nos Estados Unidos, na
Inglaterra e em outros países, surgiram as sufragistas, que lutavam, pelo direito ao voto da mulher.
(Texto adaptado do Sistema de Ensino Bernoulli-Livro 2-Volume 1- História-9º ano-pág.22)
71
TEXTO: REVOLUÇÃO MEXICANA DE 1910 ( ícone clicável)
72
QUADRO: A REVOLUÇÃO MEXICANA ( ícone clicável)
A REVOLUÇÃO MEXICANA
73
TEXTO: REVOLUÇÃO RUSSA ( ícone clicável)
Revolução Russa
No século XIX, a Rússia juntamente com a Inglaterra, França, Alemanha e a Áustria, era uma das
maiores potências europeias. Porém, enquanto os outros países cresciam, faziam reformas e se
industrializavam, a Rússia não se modernizava.
A Rússia era considerada um país atrasado em relação aos demais. Sua economia baseava-se na
agricultura. Os servos trabalhavam, mas os senhores feudais não tinham o menor interesse de
modernizar as plantações.
O país era governado pelo Czar (Imperador), que tinha poder absoluto, ou seja, todos estavam
submetidos a ele, inclusive a Igreja Católica Ortodoxa.
Entre os anos de 1854 e 1856, a Rússia entrou em guerra com a Inglaterra, França e Turquia (Guerra
da Criméia), mas foi derrotada justamente por causa do atraso em que se encontrava o país.
Então, o czar Alexandre II tomou algumas providências:
- Aboliu a servidão, vendeu terras aos camponeses e mandou ocupar novas áreas agrícolas.
Tudo isso trouxe benefícios para o país que cresceu e se tornou exportador de grãos, além de ter
favorecido o aumento da população. Esse aumento trouxe algumas consequências graves, como por
exemplo, a dificuldade de encontrar emprego e a baixa produtividade agrícola gerando fome e
revolta.
A saída encontrada pelo governo foi estimular um programa de industrialização. O programa permitiu
que muitos estrangeiros fossem para a Rússia e várias fábricas foram implantadas entre os anos de
1880/1900 e com isso a Rússia apresentou as maiores taxas de crescimento industrial.
Enquanto o país se modernizava o absolutismo continuava intacto e isso causava descontentamento
entre a população que se unia cada vez mais.
Em 1904 a Rússia se envolveu em uma guerra contra o Japão. Este conflito desorganizou a economia
piorando a situação dos operários e camponeses. A humilhação da derrota acirrou os ânimos contra o
czar. No ano seguinte, os habitantes saíram em uma passeata a fim de entregar um abaixo-assinado
ao Imperador pedindo melhorias nas condições de vida e a instalação de um parlamento. O czar
respondeu com um massacre promovido por suas tropas, aumentando ainda mais a revolta do povo.
Apesar de tudo, ele fez algumas concessões e dentre elas estava a instalação do parlamento
(Duma).
Entre os anos de 1907 e 1914, a Rússia voltou a ter uma aparente tranquilidade, pois houve uma alta
no crescimento industrial e os camponeses ganharam terras.
Grande parte da oposição era socialista e se baseava nas ideias de Karl Marx. Eles acreditavam que
todos os problemas do país só acabariam se o capitalismo fosse abolido e o comunismo fosse
implantado.
Os comunistas se dividiam em dois grupos: Bolcheviques e Mencheviques.
- Bolcheviques: queriam derrubar o czarismo pela força e eram liderados por Lênin.
- Mencheviques: propunham a implantação do socialismo através de reformas moderadas.
Com o advento da Primeira Grande Guerra (1914) o povo russo se sentiu na obrigação de lutar,
porém o combate trouxe algumas consequências como: desorganização da economia; fome, pobreza
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e racionamento; saques, passeatas e protestos contra o czar e enfim, a renúncia do czar em 1917
diante da pressão popular.
A deposição do Imperador não trouxe tranquilidade aos russos, pelo contrário, o conflito passou a se
dar entre os elementos da oposição.
Com a derrubada do czar, o governo provisório (cujos membros se identificavam com os interesses
da burguesia russa) assumiu o poder. Esse governo adotou algumas medidas, como: anistia para
presos políticos; liberdade de imprensa e a redução da jornada de trabalho para 8h.
Estas medidas agradaram à burguesia, mas os camponeses (queriam terras) e operários (queriam
melhores salários) não gostaram.
Os bolcheviques, aos poucos, se tornaram os porta-vozes de todas essas reivindicações.
Os sovietes eram organizações políticas que nasceram no seio das camadas populares e
representavam os interesses dos trabalhadores. Assim, havia os sovietes de operários, de
camponeses e de soldados. Expressavam uma forma de poder popular em oposição ao governo
provisório e se tornaram decisivos nos rumos políticos do país.
Alguns grupos viam nos bolcheviques a solução pra diversos problemas.
Lênin apoiado pelos sovietes e por uma milícia popular conquista a capital obrigando o governo
provisório a renunciar e assumindo o governo em 1917. Eles acreditavam que só o comunismo
poderia trazer felicidade para os russos. No poder, eles tentaram realizar e criar uma sociedade onde
todos fossem iguais e livres.
Para realizar esse sonho, foram tomadas várias medidas:
- As terras da Igreja, nobreza e burguesia foram desapropriadas e distribuídas aos camponeses;
- Quase tudo se tornou propriedade do estado (fábricas, lojas, diversões, bancos, entre outros).
A ideia dessas medidas era criar igualdade entre os homens, pois, segundo o Marxismo, sem
propriedade não haveria exploradores e explorados.
Várias foram as dificuldades que surgiram durante o governo e o novo regime se tornava mais
autoritário, distanciando cada vez mais o sonho de criar uma sociedade onde todos fossem livres e
iguais.
Em 1921, foi permitido ao povo a abertura de pequenos negócios, pois a sociedade precisava ser
estimulada. Os camponeses voltaram a produzir para vender no mercado e as grandes empresas
estatais passaram a considerar as necessidades de consumo do povo.
Esta série de medidas ficou conhecida como Nova Política Econômica (NEP) e teve resultados
satisfatórios no campo econômico, porém no campo social não foi tão bom assim.
No campo, surgiram camponeses ricos que pagavam um salário para outros camponeses. Para os
comunistas essa atitude representava a volta da exploração capitalista.
Nas cidades, os grandes empresários lucravam com essa nova economia e isso fortaleceu o
aumento das desigualdades sociais.
Em termos políticos, o poder ficou nas mãos do Partido Comunista. Outros partidos (inclusive os
demais partidos comunistas) e os sindicatos foram proibidos de funcionar.
Após a morte de Lênin, Trotsky (chefe do exército) e Stálin foram os dois líderes que disputaram o
poder. Stálin saiu vencedor.
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Decidido a industrializar o país, ele só podia contar com dinheiro que vinha da agricultura, já que não
podia fazer empréstimos internacionais por causa da pobreza em que o país se encontrava.
Para aumentar a produtividade, foram criadas as fazendas coletivas e muitos camponeses foram
obrigados a entregar o gado e as terras ao estado para trabalharem (contra a vontade) nestas
fazendas.
Nas fábricas, os operários foram proibidos, sob ameaça de morte, de fazer greve ou mudar de
emprego. Apesar disso, as metas de Stálin foram alcançadas e a União Soviética passou por um
processo de modernização e industrialização. Porém, o totalitarismo implantado por Stalin na URSS
mantinha um rígido controle sobre a imprensa e a cultura em geral.
Texto adaptado: Gomes. 2023. Info Escola. Disponível em: [Link]
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COMPETÊNCIA ESPECÍFICA:
Competência 1: Analisar processos políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais nos âmbitos
local, regional, nacional e mundial em diferentes tempos, a partir da pluralidade de procedimentos
epistemológicos, científicos e tecnológicos, de modo a compreender e posicionar-se criticamente em
relação a eles, considerando diferentes pontos de vista e tomando decisões baseadas em argumentos
e fontes de natureza científica.
Competência 6: Participar do debate público de forma crítica, respeitando diferentes posições e
fazendo escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade,
autonomia, consciência crítica e responsabilidade.
OBJETO(S) DE
HABILIDADE(S):
CONHECIMENTO:
PLANEJAMENTO
TEMA DE ESTUDO: A Crise de 1929 e a ascensão dos Regimes Totalitários.
A) APRESENTAÇÃO:
Professor (a), este planejamento tem o objetivo de auxiliar o estudante a compreender e analisar o
impacto da crise econômica de 1929 sobre a economia e o agravamento dos problemas sociais, como o
aumento da pobreza entre os norte-americanos. O estudante conhecerá os motivos para o surgimento
da crise, as soluções encontradas pelo governo estadunidense para recuperar a economia do país e a
importância desse evento para o fortalecimento dos regimes totalitários na Itália e na Alemanha. Ao final
eles deverão compreender as causas e consequências da crise econômica de 1929, além de relacionar
as dinâmicas e crises do capitalismo com as duas grandes guerras mundiais.
A consolidação da habilidade (EM13CHS103) prevê que o estudante seja capaz de selecionar
evidências para elaborar hipóteses e compor argumentos relativos a processos políticos, econômicos,
sociais, ambientais, culturais e epistemológicos, com base na sistematização de dados e informações de
diversas naturezas. No que se refere especificamente ao contexto da crise de 1929, eles precisam ser
capazes de relacionar o contexto econômico e político do início do século XX com a eclosão da crise,
além de caracterizar o cenário sociopolítico que deu origem aos Estados totalitários na Itália e na
Alemanha no início do século XX.
Eles deverão compreender criticamente a transformação do capitalismo a partir das transformações da
sociedade urbano-industrial selecionando evidências para elaborar hipóteses e argumentos relativos aos
problemas sociais como desigualdade de renda e outras questões sociais da contemporaneidade. É
necessário também que eles saibam diferenciar opinião e senso comum para reconhecer o que é e o
77
que não é uma fake News.
A proposta do trabalho com a habilidade (EM13CHS602) é que o estudante identifique e caracterize o
paternalismo, o autoritarismo e o populismo na política, na sociedade e na cultura brasileira em períodos
ditatoriais e democráticos.
O objetivo é que os estudantes possam compreender os efeitos (consequências) políticos, econômicos e
sociais sofridos pelo Brasil a partir do desencadeamento da crise econômica de 1929, especialmente no
que concerne aos problemas enfrentados pelo setor cafeeiro, principal base da economia brasileira até
aquele momento. Neste sentido, você professor (a), deve se colocar como um intermediário do processo
de aprendizagem, mediando a construção do conhecimento histórico em sala de aula, fornecendo os
subsídios necessários, para que os estudantes consigam refletir criticamente com base nas fontes
históricas e seu conhecimento prévio sobre o assunto (consciência histórica), de modo que consigam
compreender de que modo a economia brasileira foi afetada nas esferas política e social, especialmente
porque a base econômica da sociedade era movida pelo processo produtivo e comercial do café.
Ressalto que as habilidades aqui trabalhadas deverão ser desenvolvidas ao longo de todo o ano, pois
nestes planejamentos elas não serão contempladas em sua totalidade.
Este planejamento será dividido em dois momentos.
Bom trabalho!
B) DESENVOLVIMENTO:
ETAPA 1
Inicie esta etapa pedindo aos estudantes que procurem no dicionário ou na internet o significado da
palavra “intolerância”.
Em seguida, faça uma discussão com a turma sobre o conceito de intolerância, relacionando-o aos
chamados Estados totalitários.
Organize os estudantes em grupos de até quatro integrantes e solicite a eles que pesquisem notícias e
relatos sobre casos de preconceito e violência dirigidos a grupos historicamente marginalizados, como os
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negros, indígenas, mulheres, pessoas LGBTQIAP+ e imigrantes.
Cada grupo deve debater as notícias e relatos encontrados, pensando em ações importantes para
diminuir ou impedir essas ações violentas e/ou preconceituosas. É provável que a maioria dos
estudantes traga casos ocorridos no Brasil para a discussão. Se for o caso, apresente reportagens que
exemplifiquem a xenofobia e a islamofobia na Europa e no Ocidente como um todo. Ressalte que na
última década, três crises migratórias foram sobressalentes: a dos haitianos a partir de 2010; a dos
sírios a partir de 2015; a dos venezuelanos a partir de 2018.
Após o debate, os grupos devem apresentar suas conclusões para os demais colegas, ouvindo e
discutindo o que os outros grupos produziram. Faça a mediação do debate, servindo como ponto de
apoio para as discussões.
Paralelamente, procure resgatar os conhecimentos prévios dos estudantes, especialmente sobre o
contexto da virada do século XIX para o XX e o panorama político e econômico do Ocidente: a Primeira
Guerra Mundial, a Revolução Russa e os problemas políticos, econômicos e sociais nesse período.
É importante que os estudantes estejam cientes do intenso impacto causado pela Primeira Guerra
Mundial, que deixou a maior parte da economia europeia fragilizada, mas alçou os Estados Unidos como
grande potência industrial.
Feche a discussão mostrando que esse contexto criou um cenário no qual grupos políticos que
defendiam um nacionalismo radical e a eliminação de grupos rivais ganharam força, especialmente nos
países derrotados na Primeira Guerra Mundial ou fragilizados após o conflito, iniciando-se uma onda de
intolerância e perseguição nos anos seguintes.
Depois da sua explanação, pergunte para a turma:
• Como evitar acontecimentos como esses no contexto atual, onde presenciamos duas guerras que
afetam milhares de pessoas na Europa e no Oriente Médio?
• Podemos lutar contra a intolerância e o desrespeito às diferenças? Cite exemplos de ações que
podemos tomar para combater a intolerância e o desrespeito entre as pessoas, nações e cidades.
• De que forma, nós cidadãos podemos atuar neste momento de tensões e guerras para
ajudarmos o próximo, mesmo estando distante?
Como tarefa de casa, solicite a leitura dos textos abaixo que serão utilizados nas atividades propostas
para os estudantes.
79
ETAPA 2
Comece essa etapa fazendo uma contextualização dos anos 1920. Ressalte para a turma a questão do
crescimento econômico acelerado nos Estados Unidos e a impressão generalizada de prosperidade
financeira para o povo americano. (o período ficou conhecido como “loucos anos 20”).
Explique que o resultado da rápida industrialização foi um boom de superprodução e a consequente
desvalorização dos manufaturados, causando uma crise deflacionária. Esse fator, associado à
especulação no mercado de ações, que supervalorizava papéis de indústrias que não tinham lucro ou
estavam à beira da falência, causou a quebra da Bolsa de Valores de Nova York, em outubro de 1929.
Para a consolidação do tema, peça para a turma que cite os tópicos que mais chamaram a atenção deles
na leitura dos textos que fizeram em casa.
Se achar necessário, anote na lousa os tópicos citados e vá fazendo a contextualização dos mesmos.
Segue alguns exemplos:
− otimismo econômico após a Primeira Guerra Mundial nos Estados Unidos (“loucos anos 20”);
− superprodução industrial;
− desvalorização generalizada de produtos;
− crise deflacionária;
− quebra da Bolsa de Valores de Nova York.
− salários estagnados;
− desemprego;
− New Deal, entre outros.
Explique que a depressão generalizada não afetou somente os Estados Unidos, mas também a América
Latina e grande parte da Europa Ocidental, que tinham o país da América do Norte como principal
credor e parceiro comercial. Com isso, a década de 1930 se iniciou com uma recessão econômica
generalizada.
Em seguida, ressalte o fato de que após esses acontecimentos houve uma importante mudança de
paradigma na interpretação econômica do capitalismo, e a intervenção estatal passou a ser considerada
uma resposta válida para cenários de crise. Nesse sentido, explique aos estudantes o advento do
chamado keynesianismo e da aplicação das ideias do economista britânico John Maynard Keynes na
política do New Deal durante o governo de Franklin Roosevelt, nos Estados Unidos.
Ressalte também o fato de que a participação do Estado na economia possibilitou a correção necessária
para a recuperação econômica após a crise de 1929.
ETAPA 3
Comece essa etapa pedindo aos estudantes que pesquisem em dicionário ou na internet o significado de
“totalitarismo e de autoritarismo”. Anote na lousa os seus significados.
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Em seguida, peça a turma para caracterizar um Estado totalitário.
Explique que o Estado totalitário “condiciona e coisifica” o indivíduo, destituindo-o de autonomia e
direitos, e subordinando-o aos ditames do governo. Em seguida, discuta com os estudantes o contexto
geral do pós-guerra, marcado pelo sacrifício de muitas vidas e pela destruição da economia europeia,
que favoreceu a formação de movimentos políticos de caráter autoritário e antidemocrático.
Exemplifique, então, o cenário do desenvolvimento do fascismo italiano. Explique para os estudantes
que o ingresso tardio da Itália na Entente impediu a compensação territorial desejada pelo país.
Comente, ainda, a crescente crise econômica que assolou a península no contexto do pós-guerra (vale
lembrar aos estudantes a natureza tardia da unificação do Estado italiano e como isso afetou o
desenvolvimento econômico do país).
Relacione esse cenário com a organização do Partido Nacional Fascista e sua eventual consolidação na
Marcha sobre Roma, assim como a deposição do rei Vítor Emanuel III e a ascensão de Benito Mussolini
ao poder, conhecido pelo epíteto de Il Duce.
Descreva a natureza conservadora e nacionalista da gestão de Mussolini, que se associava à burguesia
tradicional italiana e à Igreja para tentar assegurar o poder do partido. É importante também ressaltar o
corporativismo do Estado fascista italiano, que favorecia membros do partido em questões executivas
e/ou sindicais.
ETAPA 4
Nesta etapa falaremos sobre a emergência do nazismo na Alemanha.
Faça uma tempestade de ideias para que a turma possa expor seus conhecimentos prévios acerca do
tema. Encoraje a utilização de exemplos de manifestações contemporâneas do nacional-socialismo,
como as dos grupos xenófobos de extrema direita no Leste Europeu e as manifestações de
Charlottesville, no estado da Virgínia, nos Estados Unidos, ocorridas em 2017.
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Diferenças entre fascismo e nazismo
O que é nazismo?
Regime nazista surgiu na Alemanha com a ascensão de Adolf Hitler e o Partido Nacional Socialista dos
Trabalhadores Alemães ao poder, de 1933 a 1945. Sua corrente de pensamento baseava-se no
totalitarismo e antissemitismo, o que daria início a Segunda Guerra Mundial e geraria o maior
extermínio étnico da história, o Holocausto.
Diferente do fascismo, as principais raízes do nazismo era sua corrente de pensamento que acreditava
no racismo científico: crença que defendia a existência de raças de seres humanos superiores a
outras, levando em consideração fatores étnicos, raciais e socioculturais.
Durante o regime nazista, Hitler e seus seguidores pregavam que a “raça ariana” e alemã, era
superior as outras, e portanto, todas as outras nações deveriam se curvar. Crendo nisso, o regime
alemão procurava se expandir por outros territórios da Europa e combater o que eles acreditavam ser
o seu maior inimigo: os judeus.
Mesmo com o termo “Socialista” utilizado no nome do partido nazista, o conceito empregado por
Hitler se diferenciava do de Karl Marx, que era judeu. O “socialismo” de Hitler tratava-se da exaltação
do nacionalismo e do Estado alemão.
A luta de classes defendida pelo socialismo de Marx, era uma corrente de pensamento contrária ao
que os nazistas acreditavam. Os nazistas defendiam força e controle do Estado, acima de tudo e
todos, mas ainda assim defendendo unidades privadas.
Fonte: Gonçalves, 2021. Fundação 1º de Maio. Disponível em: [Link]
fascismo-e-nazismo/.
Em seguida, fale da nomeação de Hitler ao cargo de chanceler, após a vitória dos nazistas na eleição
para o Reichstag em 1932. Explique a ideologia hitlerista sobre superioridade racial ariana e a
lebensraum, a necessidade de um “espaço vital” para o desenvolvimento do Reich alemão.
Caracterize o Estado nazista como o exemplo mais típico do totalitarismo, conforme discutido
anteriormente, com intensa perseguição política, controle da polícia e da burocracia e funcionamento de
um aparato de propaganda preparado para ser o sustentáculo ideológico do regime.
Por fim, num exercício de história comparada, trate com a turma as questões relativas ao autoritarismo
na Península Ibérica: o salazarismo português e o franquismo espanhol.
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Salazarismo português Franquismo espanhol
Para aprofundar sobre o tema, acesse o endereço Para aprofundar sobre o tema, acesse o endereço disponível em:
disponível em: [Link]
quismo%20foi%20um%20regime%20totalit%C3%A1rio%20de%20car
[Link]
%C3%A1ter%20nazifascista%20fundado%20pelo,anos%20de%20193
[Link].
4%20e%201935.
Por fim, retome com a turma os mecanismos gerais utilizados pelos Estados totalitários e a importância
de conhecer seu funcionamento para identificá-los e impedir seu desenvolvimento.
Proponha, então, aos estudantes a realização de atividades de aprofundamento desse conteúdo, com
análise de imagens (como cartazes de propaganda que ressaltavam a figura do líder) e de textos, que
podem ser fontes primárias (como um trecho do livro Minha luta, de Hitler) ou de especialistas sobre o
assunto. De acordo com o tempo disponível, essa atividade pode ser realizada em sala de aula, com
correção coletiva, ou em casa, com posterior correção individual.
Peça, ainda, aos estudantes que produzam individualmente uma dissertação utilizando os referenciais
propostos nas “atividades recorrentes” do “Plano de Desenvolvimento” sobre a relação entre as crises
econômicas e políticas e o aumento da intolerância e da xenofobia em uma sociedade.
Espera-se que, além de basear suas opiniões e comentários em dados de fonte confiável, eles concluam
que não se justificam ações violentas como resposta a qualquer tipo de crise, propondo ações que levem
ao entendimento comum e à tolerância.
Professor (a)!
Neste 2º momento, trataremos da Crise de 1929 e seus efeitos políticos, econômicos e sociais no Brasil.
A sugestão é que você estimule os estudantes a serem protagonistas durante o desenvolvimento do
conteúdo e das atividades, levando-os à reflexão crítica e autônoma, de forma que estejam sempre no
centro do processo de aprendizagem, exercendo assim o seu protagonismo e sua atitude pesquisadora e
historiadora.
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O objetivo central da(s) aula(s) é que os estudantes possam compreender os efeitos (consequências)
políticos, econômicos e sociais sofridos pelo Brasil a partir do desencadeamento da crise econômica de
1929, especialmente no que concerne aos problemas enfrentados pelo setor cafeeiro, principal base da
economia brasileira até aquele momento. E, para tanto, será utilizada a imprensa como fonte de análise
privilegiada da representação destes efeitos.
ETAPA 1
Dê uma cópia do texto “Crise de 1929: impactos no Brasil”, para os estudantes. Peça que façam
individualmente a leitura e marquem os pontos que acharem mais importantes. Em seguida, faça uma
discussão sobre o tema do texto. Incentive a participação de toda a turma.
ETAPA 2
Apresente ou projete imagens de charges sobre os impactos da Crise de 1929 no Brasil para a turma.
Peça que analisem as mesmas. Durante a análise dos estudantes, faça as interferências que se fizerem
necessárias para melhor consolidação do conteúdo estudado. Procure abordar os aspectos políticos,
econômicos e sociais.
ETAPA 3
Nesta etapa vamos trabalhar uma notícia de jornal retratando a Crise de 1929, para aprofundar e
consolidar o conteúdo.
Separe a turma em grupos de quatro alunos, de forma que possam se ajudar mutuamente.
Oriente-os a fazer a leitura da notícia e em seguida a discutirem sobre o tema buscando o diálogo, o
compartilhamento de conhecimento e, claro, respeitando as ideias e opiniões dos colegas, mesmo que
elas sejam divergentes.
Entregue cópias ao grupo ou projete em data show, trechos da notícia “Crise de 1929 atingiu
economia e mudou a ordem política no Brasil”, disponível no endereço eletrônico
[Link]
[Link]?loggedpaywall#_.
Quando os grupos terminarem a análise e discussão da notícia, projete ou escreva na lousa a pergunta
abaixo e peça que respondam no caderno. Ressalte para a turma que eles podem e devem responder
utilizando o conhecimento adquirido anteriormente na análise das charges. Se achar necessário,
determine um tempo para essa atividade.
84
Quais as consequências que o Brasil sofreu após a Crise de 1929?
ETAPA 4
Professor (a), se for conveniente pedagogicamente e você achar pertinente, faça um trabalho
interdisciplinar com a área de Linguagens, no que tange às regras da escrita de manchetes/reportagens
sobre a Crise de 1929 e seus impactos no Brasil. Numa parceria com os professores de Língua
portuguesa peçam que façam a correção e que os orientem sobre as normas específicas desse tipo
textual. Depois de corrigidas, a sugestão é que as notícias possam ser fixadas em um mural no pátio da
escola para que todas as turmas tenham acesso à exposição e possam compartilhar da criação dos
grupos.
85
ANEXO
TEXTO: AMERICAN WAY OF LIFE ( ícone clicável)
● O American Way of Life surgiu no período entre guerras (1918-1939), com base no vertiginoso
aumento da produção industrial estadunidense, no grande sentimento de euforia pelo término da
Primeira Guerra mundial (1914-1918) e na promoção do incentivo ao consumismo no país.
● Com base nas ideias de trabalho, liberdade, consumo, privacidade e nas promessas de progresso
e felicidade, o modelo estabeleceu os valores e ideais do cidadão norte-americano, tentando
homogeneizar a população e criando um sentimento de pertencimento.
● É importante lembrar que a população afro-americana não usufruiu do American Way of Life, na
medida em que ainda lutava pelos direitos civis.
● Apesar do estilo de vida ter surgido no período entre guerras, ele foi retomado durante a Guerra
Fria e amplamente divulgado pelo rádio, TV e cinema, a fim de exportar o ideal capitalista,
fazendo dos EUA uma vitrine de sucesso.
● Entre as suas características, encontram-se o liberalismo, o nacionalismo, o capitalismo, a busca
pela felicidade e o consumismo midiático.
● Teve forte influência no Brasil durante o governo populista de Getúlio Vargas, que estabeleceu
acordos comerciais para a importação de produtos estadunidenses, entre eles, eletrodomésticos e
carros.
● Gerou o endividamento de grande parcela da população estadunidense, o que, associado à euforia
e à especulação da Bolsa de Valores, desencadeou a Crise de 1929, culminando na Grande
Depressão.
● O cenário de industrialização e a ampliação do acesso aos meios de comunicação, tais como TV,
rádio e cinema, possibilitaram a difusão do American Way of Life para o mundo.
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TEXTO: CRISE DE 1929 ( ícone clicável)
Crise de 1929
▪ "A Crise de 1929, também conhecida como Grande Depressão, foi uma forte recessão econômica
que atingiu o capitalismo internacional no final da década de 1920. Marcou a decadência do
liberalismo econômico, naquele momento, e teve como causas a superprodução e especulação
financeira.
▪ Antes da crise de 1929 estourar, os Estados Unidos já ocupavam o posto de maior economia do
mundo. Antes mesmo da Primeira Guerra Mundial, a economia americana já possuía índices que
comprovavam essa supremacia, e os eventos da guerra só acentuaram a posição de potência
econômica internacional dos Estados Unidos.
▪ Em virtude do rápido crescimento da economia americana após a guerra, a década de 1920 foi um
período de grande euforia econômica, o qual ficou conhecido como Roaring Twenties (traduzido
para o português como Loucos Anos Vinte). Esse momento da história americana ficou marcado
principalmente pelo avanço do consumo de mercadorias, consolidando o American way of life, o
estilo de vida americano.
▪ O avanço da economia americana tornou o país responsável pela produção de 42% de todas as
mercadorias feitas no mundo. A nação também era a maior credora do mundo e emprestava
vultuosas somas de dinheiro para as nações europeias em processo de reconstrução (após a
Primeira Guerra). No quesito importação, os Estados Unidos eram responsáveis por comprar 40%
das matérias-primas vendidas pelas quinze nações mais comerciais do mundo.
▪ Essa euforia econômica refletia-se na população a partir de um consumismo acelerado, levando as
pessoas a comprarem carros e artigos eletrodomésticos de maneira desenfreada. Esse consumismo
ancorava-se, em parte, na expansão do crédito que acontecia no país sem nenhum tipo de
regulação ou intervenção estatal. A expansão do crédito também cumpria importante papel no
financiamento de diferentes atividades econômicas.
▪ Com esse quadro, os Estados Unidos viviam um momento de pleno emprego e rápido crescimento
industrial. Entre 1923 e 1929, os Estados Unidos possuíam uma taxa média de desemprego de 4%,
a produção de automóveis no país aumentou 33%, o número de indústrias instaladas no país
aumentou por volta de 10% e o faturamento do comércio quintuplicou.
▪ Por causa do boom econômico e da onda de euforia, as pessoas passaram a investir de maneira
intensa no mercado financeiro, disparando a especulação monetária. Durante a década de 1920, os
investimentos nas ações das empresas na bolsa de valores de Nova Iorque tiveram saltos
consideráveis.
▪ O sentido de especulação financeira aqui está relacionado com pessoas que compravam ações na
bolsa, esperando que elas se valorizassem, para logo em seguida revendê-las. Esse processo fazia
com que os valores das ações aumentassem — pois havia muitos compradores — e criava uma
falsa sensação de prosperidade. A continuidade desse falso cenário de prosperidade financeira e a
superprodução resultaram na quebra da economia americana."
▪ Toda essa prosperidade estava amparada em bases extremamente frágeis. O crédito desregulado e
o crescimento da especulação financeira criaram uma bolha de falsa prosperidade que estava à
beira do precipício. A sociedade tornou-se incapaz de perceber o que estava prestes a acontecer.
Esse processo foi explicado pelo historiador Hobsbawm da seguinte maneira: o que acontecia, como
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muitas vezes acontece nos booms de mercados livres, era que, com os salários ficando para trás, os
lucros cresceram desproporcionalmente, e os prósperos obtiveram uma fatia maior do bolo
nacional. Mas como a demanda da massa não podia acompanhar a produtividade em rápido
crescimento do sistema industrial nos grandes dias de Henry Ford, o resultado foi superprodução e
especulação. Isso, por sua vez, provocou o colapso.
▪ A questão salarial que foi mencionada no trecho acima é muito importante para entendermos uma
das facetas da crise: a superprodução. Na década de 1920, a indústria dos Estados Unidos
expandiu-se e a produtividade do trabalhador aumentou. Esse aumento na produção, no entanto,
não foi acompanhado de aumentos salariais, pois os salários permaneceram estagnados. Assim, o
mercado não teve condições de absorver a quantidade de mercadorias que eram produzidas (nem o
mercado americano nem outros países conseguiam absorver essas mercadorias). Isso abalou a
esperança de rápida prosperidade de muitos que tinham ações de empresas americanas.
▪ Milhares de pessoas resolveram vender as suas ações no dia 24 de outubro de 1929, no que ficou
conhecido como Quinta-feira Negra. Nesse dia, mais de 12 milhões de ações foram colocadas à
venda, o que deixou o mercado em pânico. Essa situação se estendeu por dias e na segunda, dia
28, mais 33 milhões de ações foram colocadas à venda. Imediatamente o valor das ações
despencou, e bilhões de dólares desapareceram. A economia americana quebrou.
Fonte: Adaptado. Silva, 2023. Brasil Escola. Disponível em: em: [Link]
88
TEXTO: O QUE FOI O NEW DEAL ( ícone clicável)
▪ Após longos períodos de prosperidade, a economia norte-americana foi impactada pela quebra da
Bolsa de Valores de Nova Iorque, em 1929. A crise faliu empresas e desempregou milhões de
pessoas, causando vários problemas sociais. Os republicanos perderam as eleições presidenciais de
1932, e o democrata Franklin Delano Roosevelt foi eleito para a Casa Branca, propondo um
programa econômico que recuperaria as finanças dos Estados Unidos e retomaria o seu pleno
desenvolvimento.
▪ O New Deal, como foi intitulado o programa do governo Roosevelt, aplicou as ideias econômicas de
John Keynes de maior intervenção estatal na economia. Até 1929, o liberalismo econômico fez com
que os órgãos governamentais não fiscalizassem as transações econômicas e as movimentações
financeiras feitas pela Bolsa de Valores de Nova Iorque, a principal do mundo capitalista.
▪ A proposta de Roosevelt para recuperar a economia norte-americana era: aumentar a presença do
Estado na economia ao fiscalizar as movimentações financeiras, controlar a produção para que as
mercadorias estocadas pudessem ser comercializadas, e executar obras públicas para acelerar a
criação de empregos.
▪ A quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque, em 1929, afundou a economia norte-americana em
uma grave crise, gerando desemprego e pobreza. Outros países também foram afetados pela
quebra da bolsa, e suas economias também colapsaram. Enquanto o mundo capitalista estava em
crise, a União Soviética não sentiu diretamente os efeitos e pôde se posicionar como uma
alternativa ao modelo econômico predominante no Ocidente.
Texto adaptado: Higa, 2023. Mundo Educação. Disponível em:[Link]
[Link].
89
TEXTO: CRISE DE 1929: IMPACTOS NO BRASIL ( ícone clicável)
Nessa época, o Brasil tinha o café como principal e maior produto de agroexportação. Os
Estados Unidos da América era o maior comprador do nosso grão. Com a Grande Depressão, os EUA e
diversos importadores diminuíram o consumo do café brasileiro – o que diminuiu drasticamente o
preço do produto. Então, o governo brasileiro optou por fazer a compra e queima dos
excedentes das colheitas, com isso, o estoque era diminuído e o grão valorizado.
Internacionalmente, os países que estavam atrelados ao sistema de crédito norte-americano também
foram atingidos e sofreram uma grande recessão. No caso do Brasil, a redução da exportação de café
foi um dos principais efeitos, a qual resultou na limitação da entrada de dividendos e reduziu a
capacidade de importações do país.
Os cafeicultores tiveram prejuízos gigantescos. No auge dessa crise, o país enfrentou transformações
políticas profundas com o acontecimento da Revolução de 1930. O novo governo teve Getúlio Vargas
como presidente provisório.
Para superar esse cenário negativo, o governo brasileiro, com Getúlio Vargas na presidência (1930-
1945) – além de realizar a famosa compra e queima do café excedente para ajudar os produtores,
adotou medidas protecionistas com o intuito de incentivar a indústria nacional e alinhar a produção
agrária a esses interesses.
Além da compra e queima de café, Vargas criou em 1931 o Conselho Nacional do Café (CNC) para
proteger o principal produto do país.
Assim, foi necessário diversificar a indústria nacional para abastecer o mercado interno, causando
assim uma inflexão no modelo importador até então vigente para uma nova matriz nacional de
produção e consumo, além de aumentar a entrada de capital nas indústrias do país. Tais ações
fizeram a indústria brasileira crescer 11,2% entre 1933-1939 dissipando, assim, os efeitos da crise no
país.
Textos compilados e modificados.
Silva, 2023. Brasil Escola. Disponíveis em: [Link]
Elias, 31 out. 2022. Estratégia Vestibulares. Disponível em:
[Link]
Info Enem, 23 abr. 2021. Disponível em: [Link]
90
CHARGES (
ícone clicável)
Crise de superprodução
Política do Café com Leite
91
Queima de café.
Revolução de 1930
Fonte: (Valor café, 2019) Fonte: (História livre -ilustrador Mollica- [s/d])
TEXTO: CRISE DE 1929 ATINGIU ECONOMIA E MUDOU A ORDEM POLÍTICA NO BRASIL
( ícone clicável)
A Crise de 1929 atingiu em cheio a economia do Brasil, muito dependente das exportações de um
único produto, o café. Mas, mais do que gerar dificuldades econômicas, o crash que completa 80
anos em 2009 provocou uma mudança no foco de poder no país, acabando com um pacto político
interno que já durava mais de trinta anos.
Entre os anos de 1894 e 1930, o presidente da República foi eleito pelos paulistas barões do café
num mandato, e no outro pelos pecuaristas mineiros. Era a chamada política do café com leite,
viabilizada pela hegemonia da oligarquia cafeeira paulista na época e que garantiu a formação de
uma economia agrícola praticamente monoexportadora no país.
Em 1929, a quebra nos mercados acionários do mundo provocou uma forte queda nos preços
internacionais das commodities. "O Brasil era fortemente dependente das exportações de café, e
tinha uma enorme dívida externa, que precisava ser financiada com essas vendas", afirma o professor
de História Econômica da FEA-USP, Renato Colistete.
Além da queda nos preços, a crise provocou uma diminuição na renda e no consumo no mundo todo,
prejudicando ainda mais as vendas de café. As exportações do produto, que chegaram a US$ 445
milhões em 1929, caíram para US$ 180 milhões em 1930. A cotação da saca no mercado
internacional, caiu quase 90% em um ano.
Fogueira
Na tentativa de conter a queda, o governo federal comprou grande parte dos estoques dos
produtores, e queimou 80 milhões de sacas do produto. "A ideia era queimar para diminuir a oferta e
aumentar o preço internacional, porque o Brasil era o maior país exportador", segundo Marcos
Fernandes, coordenador do Centro de Estudos dos Processos de Decisão da FGV-SP.
"A crise arruinou a oligarquia cafeeira, que já sofria pressões e contestações dos diferentes grupos
urbanos e das oligarquias dissidentes de outros Estados, que almejavam o controle político do Brasil",
explica Wagner Pinheiro Pereira, doutor em História pela USP e autor do livro "24 de Outubro de
1929: A Quebra da Bolsa de Nova York e a Grande Depressão".
Poder
O que aconteceu, então, foi que o foco do poder no país foi deslocado para o gaúcho Getúlio Vargas,
que se tornou presidente da República após a Revolução de 1930. "Do ponto de vista político, a crise
foi importante porque desviou o foco do poder para Getúlio Vargas e para um projeto de
industrialização", diz Fernandes.
O novo presidente, porém, sabia que, mesmo com o fim da oligarquia paulista, o café não podia ser
deixado de lado. Assumiu, então, uma nova política de defesa da cafeicultura, na tentativa de
equilibrar os preços e evitar a superprodução.
"Não podemos esquecer que Getúlio era o pai dos pobres e a mãe dos ricos", diz Fernandes. "Ele
tratou de não romper tão radicalmente com a oligarquia agrícola, e o café continuou sendo
importante no Brasil. Isso começa a mudar mesmo a partir de Juscelino Kubitschek e, principalmente,
a partir do Golpe de 1964."
A Grande Depressão, porém, dificultou os esforços do governo para ajudar o café e "somente no final
da década de 1930 o café começou a recuperar os bons preços nos mercados internacionais",
segundo Pereira.
Texto. Disponível em: Fonte: Vallone, 24 out. 2009. Folha de São Paulo. Disponível em:
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