Universidade Católica de Moçambique
Instituto de Ensino a Distância
Tema:
Oralidade no ensino da Língua Portuguesa em contexto multilíngue
Pita Carlos Languitone
Código: 708244349
Curso: Licenciatura em Ensino de Língua
Portuguesa
Disciplina: metodologia de investigação
científica
Ano de frequência: 2º
Turma: H
Nampula, Maio de 2025
Universidade Católica de Moçambique
Instituto de Ensino a Distância
Tema:
Oralidade no ensino da Língua Portuguesa em contexto multilíngue
Pita Carlos Languitone
Código: 708244349
Este trabalho é de carácter avaliativo da
cadeira: Metodologia de Investigação
Científica II, leccionada pela, Tutor:
Anselmo Alberto Manuel Age Selege
Nampula, Maio 2025
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Introdução Contextualização
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problema)
Descrição dos 1.0
objectivos
Metodologia
adequada ao 2.0
objecto do trabalho
Articulação e
domínio do
discurso académico
(Expressão
cuidada, coerência/ 2.0
Conteúdo coesão textual)
Revisão
Análise e bibliográfica
discussão nacional e 2.0
internacionais
relevantes na área
de estudo
Exploração dos 2.0
dados
Conclusão Contributos 2.0
teóricos práticos
Paginação, tipo e
Aspectos gerais tamanho de letra,
Formatação paragrafa, 1.0
espaçamento entre
linhas
Normas APA Rigor e coerência
Referencias 6ª edição em das citações/
Bibliográficas citações e referências 4.0
bibliografia bibliográficas
Folha para recomendações de melhoria: A ser preenchida pelo tutor
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Índice
1. TÍTULO.....................................................................................................................2
1. TEMA.................................................................................................................2
2. DELIMITAÇÃO DO TEMA..............................................................................2
3. Problema de pesquisa..........................................................................................3
5. HIPÓTESE.............................................................................................................3
6. OBJETIVOS..........................................................................................................4
7. JUSTIFICATIVA...................................................................................................4
8. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA.........................................................................6
8.1 A oralidade como prática escolar.............................................................................6
8.2 Géneros orais e ensino.............................................................................................6
8.3 Oralidade em contextos multilíngues......................................................................7
9. Conclusão...................................................................................................................8
10. Referências Bibliográficas.......................................................................................9
1. TÍTULO
A importância da oralidade nas práticas de ensino da Língua Portuguesa: Estudo
de caso na Escola Básica de Mogincual.
1. TEMA
Oralidade no ensino da Língua Portuguesa em contexto multilíngue
2. DELIMITAÇÃO DO TEMA
Este projecto de investigação centra-se na análise do ensino da oralidade nas aulas de
Língua Portuguesa direccionadas aos alunos do 2.º ciclo do Ensino Básico na Escola
Básica de Mogincual, situada numa região de Moçambique caracterizada pelo
multilinguismo, onde a língua materna predominante é o Emakhuwa. A escolha deste
contexto específico visa compreender as particularidades e desafios enfrentados no
processo de ensino-aprendizagem da oralidade em Português, língua oficial e de
instrução escolar, que, para a maioria dos alunos, é uma segunda língua.
A delimitação temporal deste estudo está relacionada com o ano lectivo corrente,
durante o qual serão observadas as práticas pedagógicas e recolhidos dados que
permitam analisar de forma aprofundada como a oralidade é trabalhada em sala de aula.
Quanto ao espaço, limita-se à Escola Básica de Mogincual, instituição que espelha as
dinâmicas linguísticas e socioculturais presentes nas comunidades multilíngues de
Moçambique.
No âmbito da língua, o foco recai sobre as práticas orais em Português, considerando a
interação entre essa língua e o Emakhuwa, língua materna da maioria dos alunos, mas
também reconhecendo a presença de outras línguas locais no contexto escolar. Esta
delimitação permite observar como o bilinguismo e a diversidade linguística
influenciam a aprendizagem do Português oral, e de que forma os professores adaptam
as suas estratégias pedagógicas para responder a essa realidade.
A investigação dirige-se especificamente ao 2.º ciclo do Ensino Básico, etapa que
representa um momento crucial na consolidação das competências linguísticas, pois é
nesta fase que os alunos são frequentemente desafiados a usar a língua Portuguesa de
forma mais complexa e estruturada, tanto oralmente como na escrita. Este recorte
possibilita ainda o estudo do desenvolvimento das competências comunicativas em
alunos com diferentes níveis de proficiência em Português, evidenciando as estratégias
de ensino que se revelam mais eficazes para promover a fluência, a organização do
pensamento e a participação activa nas actividades escolares.
Ao delimitar o tema nestes termos, este estudo pretende contribuir para uma
compreensão aprofundada da oralidade enquanto prática pedagógica num contexto
multilíngue, destacando a importância de metodologias que valorizem a diversidade
linguística e cultural dos alunos. A partir da análise de caso na Escola Básica de
Mogincual, espera-se produzir conhecimentos que possam informar políticas educativas
e práticas docentes mais inclusivas, promovendo a equidade no ensino da Língua
Portuguesa.
3. Problema de pesquisa
Como é que as práticas pedagógicas de oralidade no ensino da Língua Portuguesa
influenciam o desenvolvimento das competências comunicativas dos alunos na Escola
Básica de Mogincual?
Este problema de investigação centra-se na relação entre as metodologias de ensino
focadas na oralidade e o impacto destas no desempenho comunicativo dos alunos, numa
escola que lida com diversidade linguística. Pretende-se entender até que ponto as
práticas pedagógicas favorecem a fluência oral, a organização do pensamento e a
capacidade de interação social em Português, com implicações para a inclusão educativa
e social dos estudantes (Marcuschi, 2001; Dolz & Schneuwly, 2004).
5. HIPÓTESE
As práticas pedagógicas que priorizam a oralidade em sala de aula contribuem
significativamente para o desenvolvimento da fluência, organização do pensamento e
inserção linguística dos alunos em contextos formais, especialmente em comunidades
multilíngues como Mogincual.
Esta hipótese fundamenta-se na premissa de que a oralidade é um eixo central na
aprendizagem da língua, capaz de promover o domínio comunicativo necessário para a
participação ativa na escola e na sociedade. Considera que estratégias específicas para o
ensino da oralidade podem transformar o ensino do Português, tornando-o mais
acessível e eficaz para alunos com línguas maternas diversas, promovendo a inclusão e
o respeito à diversidade linguística (Marcuschi, 2001; Bortoni-Ricardo, 2004).
6. OBJETIVOS
6.1 Objectivo Geral
Investigar a relevância da oralidade nas práticas pedagógicas da disciplina de Língua
Portuguesa na Escola Básica de Mogincual e as suas contribuições para o
desenvolvimento das competências comunicativas dos alunos.
6.2 Objectivos Específicos
Analisar as estratégias metodológicas utilizadas pelos professores para
desenvolver a oralidade, verificando a adequação e eficácia dessas práticas num
contexto multilíngue (Dolz & Schneuwly, 2004).
Avaliar o desempenho oral dos alunos em diferentes atividades escolares,
observando níveis de fluência, coerência e adequação comunicativa (Marcuschi,
2001).
Relacionar o uso da oralidade com a aprendizagem e a participação dos alunos,
percebendo como o domínio da língua falada impacta no engajamento escolar
(Chimbutane, 2011).
Propor atividades pedagógicas contextualizadas, que fortaleçam a oralidade e
respeitem a diversidade linguística local, contribuindo para práticas mais
inclusivas e eficazes (Bortoni-Ricardo, 2004).
7. JUSTIFICATIVA
A oralidade representa uma das competências linguísticas essenciais para o pleno
desenvolvimento comunicativo dos alunos, sobretudo em contextos multilíngues onde a
língua oficial, neste caso o Português, é aprendida como segunda língua. No âmbito da
Escola Básica de Mogincual, esta realidade é particularmente evidente, visto que a
maioria dos alunos tem como língua materna o Emakhuwa, o que implica que o ensino
da oralidade em Português assume um papel crucial não só para a sua inserção
académica, mas também para a sua inclusão social e cultural. A comunicação oral eficaz
é, portanto, uma ferramenta fundamental para que estes alunos possam participar
ativamente das dinâmicas escolares, expressar-se com clareza, argumentar, e
desenvolver competências que lhes permitirão enfrentar desafios académicos e sociais
futuros (Chimbutane, 2011).
Como salienta Marcuschi (2001, p. 45):
A oralidade, longe de ser uma simples preparação para a escrita, possui uma lógica
própria que deve ser reconhecida e valorizada no contexto escolar. Ensinar a falar bem
não se resume a pronunciar correctamente ou a usar um vocabulário amplo, mas
envolve ensinar a organizar o pensamento, a estruturar argumentos coerentes e a adaptar
a linguagem às diferentes situações comunicativas, respeitando sempre o contexto e os
interlocutores. Esta dimensão da oralidade torna-se fundamental numa escola que
pretende formar cidadãos críticos e participativos, capazes de intervir e expressar-se
com clareza em diversos espaços sociais.
Esta visão desafia o paradigma tradicional que privilegia a escrita, muitas vezes
relegando a oralidade a um papel secundário. Dolz e Schneuwly (2004) destacam
também a importância de trabalhar os géneros orais na escola com a mesma seriedade e
rigor metodológico aplicados aos géneros escritos, enfatizando a necessidade de
sequências didáticas que conduzam os alunos desde a compreensão até à produção
autónoma dos textos orais.
Além do mais, o contexto sociolinguístico da Escola Básica de Mogincual,
caracterizado pela presença de múltiplas línguas maternas, impõe desafios singulares ao
ensino da oralidade em Português. Segundo Bortoni-Ricardo (2004), a variação
linguística deve ser vista como um ponto de partida e não como um obstáculo ou desvio
da norma culta. Reconhecer e valorizar as línguas maternas dos alunos no processo de
ensino da oralidade em Português é uma estratégia que promove a inclusão pedagógica
e cultural, fortalecendo a identidade dos alunos e facilitando a aprendizagem da segunda
língua. Esta abordagem é especialmente relevante em contextos multilíngues, onde o
respeito pela diversidade linguística pode ser um fator decisivo para o sucesso escolar
(Simbine, 2008).
Além do âmbito estritamente académico, a oralidade tem um papel social significativo,
pois é pela fala que os alunos estabelecem relações interpessoais, partilham
conhecimentos e inserem-se na comunidade. Portanto, fortalecer as práticas
pedagógicas de oralidade não só contribui para o desempenho escolar, mas também para
a cidadania activa e o empoderamento dos alunos enquanto sujeitos sociais (MINEDH,
2015). A escola, enquanto espaço de aprendizagem formal, deve reconhecer esta
dimensão e promover práticas que valorizem a oralidade como uma competência
fundamental para a vida.
Por fim, esta investigação é justificada pela necessidade premente de entender como os
professores da Escola Básica de Mogincual estão a trabalhar a oralidade em sala de
aula, quais os desafios que enfrentam e que estratégias utilizam para superar as barreiras
decorrentes do contexto multilíngue. A partir deste diagnóstico, será possível propor
práticas pedagógicas contextualizadas e eficazes que possam contribuir para a melhoria
do ensino da Língua Portuguesa, promovendo a inclusão, a equidade e o
desenvolvimento integral dos alunos.
8. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
8.1 A oralidade como prática escolar
A oralidade é reconhecida como um domínio essencial da linguagem, com estruturas e
funções comunicativas próprias, que deve ser valorizada e sistematicamente ensinada na
escola (Marcuschi, 2001). Ensinar a falar bem implica ensinar a organizar o
pensamento, desenvolver a argumentação e adaptar a linguagem a diferentes situações
comunicativas. Segundo Marcuschi (2001), a oralidade tem uma lógica própria que não
pode ser reduzida à escrita, e o ensino deve incluir a prática de diferentes gêneros orais,
desenvolvendo competências discursivas e pragmáticas.
Além disso, Fairclough (1992, citado em Bortoni-Ricardo, 2004) argumenta que a
linguagem é uma prática social e ideológica, pelo que o ensino da oralidade deve
também considerar as relações de poder e as desigualdades sociolinguísticas,
promovendo a inclusão através da valorização das variedades linguísticas dos alunos.
8.2 Géneros orais e ensino
Dolz e Schneuwly (2004) destacam a importância do ensino da oralidade a partir de
gêneros orais organizados em sequências didáticas. Esta abordagem permite um
percurso estruturado, no qual o aluno desenvolve progressivamente a compreensão, a
análise e a produção oral, favorecendo a autonomia comunicativa. A abordagem por
gêneros orais possibilita a familiarização com os contextos, as funções e as estruturas
específicas da linguagem falada, o que é fundamental para o domínio da oralidade na
escola.
Além disso, Wertsch (1998) argumenta que a oralidade é mediada socialmente, e a
escola deve criar ambientes e oportunidades para que os alunos experimentem e se
apropriem de diferentes práticas discursivas, facilitando o desenvolvimento das
competências linguísticas e cognitivas.
8.3 Oralidade em contextos multilíngues
Em contextos multilíngues, como o de Mogincual, a oralidade em Português deve ser
trabalhada tendo em consideração as línguas maternas dos alunos, que influenciam a
aquisição e o uso do Português como língua segunda (Chimbutane, 2011). O
reconhecimento da diversidade linguística na escola é fundamental para o
desenvolvimento de práticas pedagógicas inclusivas e eficazes.
Bortoni-Ricardo (2004) enfatiza que a variação linguística deve ser vista como ponto de
partida para o ensino e não como um desvio ou erro, defendendo uma pedagogia que
valorize as práticas linguísticas dos alunos e promova o domínio da norma culta de
forma crítica e contextualizada. Neste sentido, a oralidade torna-se uma ferramenta de
inclusão pedagógica e cultural, promovendo o respeito à diversidade e à identidade
linguística dos alunos (Simbine, 2008).
9. Conclusão
Espera-se que a pesquisa revele a importância das práticas pedagógicas focadas na
oralidade para o desenvolvimento das competências comunicativas dos alunos na Escola
Básica de Mogincual, demonstrando como estas práticas podem contribuir para a
melhoria do desempenho académico e para a inclusão social, numa realidade
multilíngue. Além disso, pretende-se identificar estratégias eficazes e propor atividades
pedagógicas que valorizem a diversidade linguística e cultural, promovendo uma
aprendizagem mais significativa e participativa. Os resultados poderão também servir
como subsídio para a formação contínua dos professores, incentivando a adoção de
metodologias inovadoras e inclusivas no ensino da Língua Portuguesa.
10. Referências Bibliográficas
Bardin, L. (2011). Análise de conteúdo (L. A. Reto & A. Pinheiro, Trad.). Lisboa,
Portugal: Edições 70. (Original publicado em 1977)
Bortoni-Ricardo, S. M. (2004). O professor e a variação linguística: Ensinando a
norma culta do português falado no Brasil. São Paulo, SP: Parábola.
Chimbutane, F. (2011). Rethinking bilingual education in postcolonial contexts:
Lessons from Mozambique. Bristol, UK: Multilingual Matters.
Dolz, J., & Schneuwly, B. (2004). Gêneros orais e escritos na escola. Campinas, SP:
Mercado de Letras.
Gil, A. C. (2008). Como elaborar projetos de pesquisa (4ª ed.). São Paulo, SP: Atlas.
Marcuschi, L. A. (2001). Da fala para a escrita: Atividades de retextualização. São
Paulo, SP: Cortez.
MINEDH – Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano. (2015). Base
Nacional do Currículo do Ensino Geral. Maputo, Moçambique: MINEDH.
Simbine, A. (2008). Línguas moçambicanas e ensino do português: Um desafio para a
escola multilíngue. Revista de Educação e Comunicação, 10(1), 45–57.
Tripp, D. (2005). Classroom research: A methodology for teacher researchers. London,
UK: RoutledgeFalmer.