Universidade Católica de Moçambique
Instituto de Ensino a Distância
Tema:
Oralidade no ensino da Língua Portuguesa em contexto multilíngue
Pita Carlos Languitone
Código: 708244349
Curso: Licenciatura em Ensino de Língua
Portuguesa
Disciplina: metodologia de investigação
científica
Ano de frequência: 2º
Turma: H
Nampula, Maio de 2025
Universidade Católica de Moçambique
Instituto de Ensino a Distância
Tema:
Oralidade no ensino da Língua Portuguesa em contexto multilíngue
Pita Carlos Languitone
Código: 708244349
Este trabalho é de carácter avaliativo da
cadeira: Metodologia de Investigação
Científica II, leccionada pela, Tutor:
Zelino Taiada Suandique
Nampula, Maio 2025
Folha de feedback
Classificação
Categorias Indicadores Padrões Pontuação Nota Subtotal
máxima do
tutor
Capa 0.5
Índice 0.5
Aspectos Introdução 0.5
Estrutura organizacionai Discussão 0.5
s Conclusão 0.5
Bibliografia 0.5
Introdução Contextualização
(Indicação clara do 1.0
problema)
Descrição dos 1.0
objectivos
Metodologia
adequada ao 2.0
objecto do trabalho
Articulação e
domínio do
discurso académico
(Expressão
cuidada, coerência/ 2.0
Conteúdo coesão textual)
Revisão
Análise e bibliográfica
discussão nacional e 2.0
internacionais
relevantes na área
de estudo
Exploração dos 2.0
dados
Conclusão Contributos 2.0
teóricos práticos
Paginação, tipo e
Aspectos gerais tamanho de letra,
Formatação paragrafa, 1.0
espaçamento entre
linhas
Normas APA Rigor e coerência
Referencias 6ª edição em das citações/
Bibliográficas citações e referências 4.0
bibliografia bibliográficas
Folha para recomendações de melhoria: A ser preenchida pelo tutor
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Introdução
O presente trabalho ira abordar sobre as dificuldades enfrentadas pelos alunos da 12.ª
classe da Escola Secundária de Namige na elaboração de textos argumentativos. A
capacidade de produzir textos argumentativos revela-se uma competência crucial no
percurso escolar dos estudantes do ensino secundário. Esta não apenas demonstra o
domínio da língua e das regras gramaticais, como também reflecte o pensamento crítico,
a capacidade de raciocínio lógico e de expressão fundamentada de opiniões (Antunes,
2003). Numa sociedade cada vez mais exigente, a competência argumentativa não se
limita ao âmbito escolar, mas estende-se à vida cidadã e profissional, onde a defesa
coerente de ideias é elemento-chave para a participação activa e consciente (Travaglia,
2002).
Objectivo Geral:
Analisar as dificuldades enfrentadas pelos alunos da 12.ª classe da Escola
Secundária de Namige na elaboração de textos argumentativos.
Objectivos Específicos
Identificar as principais dificuldades técnicas, cognitivas e contextuais que as
alunas enfrentam na produção de textos argumentativos.
Compreender as causas dessas dificuldades a partir das entrevistas realizadas
com os alunos.
Propor estratégias didácticas e pedagógicas para superar as dificuldades
identificadas, promovendo o desenvolvimento da competência argumentativa.
Metodologia
Foram realizadas entrevistas com cinco alunos da 12.ª classe da Escola Secundária de
Namige para identificar as dificuldades, a análise das dificuldades foi feita com base nas
respostas dos alunos, classificando-as em técnicas, cognitivas e contextuais, o estudo
também revisa literatura relevante para fundamentar as propostas pedagógicas.
Dificuldades na Elaboração de Textos Argumentativos: O Caso de Alunos da 12.ª
Classe da Escola Secundária de Namige, Distrito de Mogincual.
O Texto Argumentativo: Definição e Importância.
O texto argumentativo pode ser definido como uma construção discursiva que visa
apresentar, defender ou refutar ideias, com base em argumentos lógicos e
fundamentados. A sua função primordial é persuadir o leitor, levando-o a adoptar
determinada posição face a um tema controverso (Koch, 2009). Este tipo de texto exige
do autor não apenas a formulação de opiniões, mas também a capacidade de relacionar
factos, contextualizar ideias e sustentar a sua perspectiva com dados e exemplos
pertinentes (Antunes, 2003).
No contexto educativo, especialmente na disciplina de Língua Portuguesa, o texto
argumentativo é central para o desenvolvimento das competências discursivas e
cognitivas dos alunos. Permite não só o exercício da escrita formal, mas também a
formação de um pensamento crítico, reflexivo e estruturado (Travaglia, 2002). Segundo
Antunes (2003), o ensino da argumentação não deve limitar-se à transmissão de regras,
mas sim promover a construção de um sujeito activo na comunicação.
Além disso, o texto argumentativo contribui para que o aluno desenvolva competências
transversais, como a capacidade de análise, de síntese, de resolução de problemas e de
participação cidadã (Marcuschi, 2008).
2. Estrutura e Características do Texto Argumentativo
A estrutura do texto argumentativo segue uma sequência lógica composta por três partes
principais: introdução, desenvolvimento e conclusão (Koch, 2009).
Introdução Na introdução, o autor deve apresentar o tema que será abordado,
contextualizando-o de forma breve e clara. Esta secção culmina com a formulação de
uma tese, que representa o ponto de vista a ser defendido ao longo do texto. A
introdução deve captar a atenção do leitor e prepará-lo para os argumentos subsequentes
(Antunes, 2003).
2.2 Desenvolvimento Corresponde à parte mais extenso e complexo do texto. É nela
que os argumentos são apresentados e desenvolvidos em parágrafos bem estruturados,
cada um contendo uma ideia principal sustentada por exemplos, factos, dados ou
citações (Marcuschi, 2008). A coerência interna dos parágrafos, bem como a coesão
entre eles, é fundamental para garantir a fluidez e a lógica do raciocínio (Koch, 2009).
2.3 Conclusão Nesta última parte, retoma-se a tese inicial e reforçam-se os argumentos
desenvolvidos, oferecendo uma síntese das ideias apresentadas. Pode incluir uma
reflexão final ou uma proposta de solução para o problema discutido (Travaglia, 2002).
Segundo Travaglia (2002), um texto argumentativo eficaz apresenta ainda as seguintes
características: clareza, objectividade, coerência textual, uso apropriado de conectores
lógicos e adequação à norma-padrão da língua.
3. Tipos de Texto Argumentativo e a sua Aplicação Pedagógica
A argumentação pode manifestar-se em diversos géneros discursivos. A diversidade de
tipos de texto argumentativo permite a sua exploração em contextos diferenciados, com
finalidades específicas (Marcuschi, 2008):
Artigo de opinião: geralmente publicado na imprensa, expressa o ponto de vista do
autor sobre temas polémicos ou actuais.
Carta argumentativa: dirigida a uma entidade pública ou privada, visa defender uma
opinião ou apresentar uma reivindicação.
Editorial: expressa a posição oficial de um meio de comunicação sobre um
determinado assunto.
Ensaio: texto de carácter mais académico, analisa temas de forma crítica, profunda e
fundamentada.
Redacção dissertativa-argumentativa: modelo exigido em exames escolares,
caracteriza-se por impessoalidade, objectividade e estrutura tripartida.
Como salienta Marcuschi (2008), o contacto com diferentes géneros argumentativos
permite ao aluno compreender melhor as práticas sociais de linguagem e ampliar o seu
repertório discursivo.
4. Dificuldades Enfrentadas pelos Alunos da 12.ª Classe da Escola Secundária de
Namige
Através das entrevistas realizadas com cinco alunos da 12.ª classe da Escola Secundária
de Namige, identificaram-se diversas dificuldades no processo de produção de textos
argumentativos. Estas dificuldades foram classificadas em três categorias: técnicas,
cognitivas e contextuais (Koch, 2009).
4.1 Dificuldades técnicas
Dificuldade em estruturar o texto de forma coerente;
Uso inadequado de vocabulário e repetitividade lexical;
Fraca utilização de conectores lógicos;
Presença de erros gramaticais e ortográficos;
Problemas na articulação entre as ideias.
4.2 Dificuldades cognitivas
Dificuldade em formular uma tese clara (Travaglia, 2002);
Fragilidade na selecção de argumentos relevantes (Antunes, 2003);
Incapacidade de analisar criticamente informações (Marcuschi, 2008);
Pouco desenvolvimento do pensamento crítico (Koch, 2009).
4.3 Dificuldades contextuais
Ausência de hábito de leitura;
Pouca exposição a textos argumentativos reais;
Metodologias pedagógicas centradas na memorização;
Pouco incentivo à expressão de opiniões no ambiente familiar e escolar
Sobrecarga de alunos por turma, dificultando a correcção e acompanhamento
individual (Antunes, 2003).
5. Estratégias Propostas para Superar as Dificuldades
Face às dificuldades identificadas, torna-se imperioso adoptar medidas pedagógicas
integradas e sistemáticas que promovam a melhoria da competência argumentativa dos
alunos (Marcuschi, 2008). Entre as propostas, destacam-se:
Promoção de oficinas de escrita centradas em temas actuais e controversos;
Leitura orientada de textos argumentativos, com análise da estrutura e dos
recursos linguísticos;
Realização de debates em sala de aula, incentivando a oralidade argumentativa;
Reforço das práticas de reescrita e auto-avaliação;
Correcção formativa das produções escritas, com devolutivas qualitativas;
Estímulo à leitura extra-escolar, com apoio da biblioteca escolar.
Estas estratégias requerem o envolvimento activo dos docentes, da gestão escolar e das
famílias, para que a produção textual deixe de ser uma tarefa mecânica e passe a ser
compreendida como ferramenta de expressão, participação e transformação (Travaglia,
2002).
Conclusão
O desenvolvimento da competência argumentativa é essencial para a formação de
estudantes críticos, conscientes e preparados para os desafios da sociedade
contemporânea (Antunes, 2003). O estudo realizado na Escola Secundária de Namige
revelou dificuldades significativas, mas também apontou caminhos concretos para a sua
superação (Marcuschi, 2008). A produção textual deve ser integrada como prática
constante e significativa, com base numa pedagogia dialógica, inclusiva e reflexiva
(Koch, 2009).
Referências bibliográfica
Antunes, I. (2003). Muito além da gramática: Por um ensino de línguas sem
pedantismo. São Paulo: Parábola Editorial.
Koch, I. G. V. (2009). A coerência textual. São Paulo: Contexto.
Marcuschi, L. A. (2008). Géneros textuais: Teoria, métodos e prática. São Paulo:
Parábola Editorial.
Travaglia, L. C. (2002). Gramática e interação: Uma proposta para o ensino de
gramática no 1.º e 2.º graus. São Paulo: Cortez.