UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MOÇAMBIQUE
FACULDADE DE DIREITO
ATIJA DE LAURA JOSÉ MONAMELA
EFIGÉNIA BAPTISTA PORTUGAL
JACKLINE DE SOUZA
NEUSIA TANDY ARLINDO NHAMAHANGO
ZAINABO ROSA JOÃO DE BRITO
A EXTINÇÃO DOS DIREITOS REAIS
NAMPULA
2023
UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MOÇAMBIQUE
FACULDADE DE DIREITO
ATIJA DE LAURA JOSÉ MONAMELA
EFIGÉNIA BAPTISTA PORTUGAL
JACKLINE DE SOUZA
NEUSIA TANDY ARLINDO NHAMAHANGO
ZAINABO ROSA JOÃO DE BRITO
A EXTINÇÃO DOS DIREITOS REAIS
Trabalho em grupo de carácter avaliativo, da cadeira de
Direitos Reais e Propriedade Intelectual, 4º grupo, turma
única, 3º Ano de licenciatura em Direito, Diurno.
Leccionado pelo Dr. Langa
NAMPULA
2023
LISTA DE ABREVIATURAS
art.º Artigo;
cc. Código Civil;
CRM. Constituição da República de Moçambique;
idem. Mesma obra;
nº. Número;
ob. Cit. Obra citada;
p. Página;
pp. Páginas.
ÍNDICE
INTRODUÇÃO..........................................................................................................................1
1. PRELIMINARES................................................................................................................2
1.1. Extinção...........................................................................................................................2
1.2. Direitos Reais...................................................................................................................2
2. A EXTINÇÃO DOS DIREITOS REAIS............................................................................2
2.1. Generalidades...................................................................................................................2
2.2. Expropriação....................................................................................................................3
2.3. Perda da coisa..................................................................................................................3
2.4. Impossibilidade de exercício do direito...........................................................................4
2.5. Abandono.........................................................................................................................4
2.6. Renúncia..........................................................................................................................5
2.7. Prescrição.........................................................................................................................6
2.8. Caducidade.......................................................................................................................6
2.9. Não uso............................................................................................................................7
2.10. Confusão.......................................................................................................................7
2.11. Perda da posse..............................................................................................................8
2.12. Usucapio libertatis........................................................................................................8
2.13. Constituição de um direito real incompatível..............................................................9
2.14. Extinção do direito real maior com base no qual o direito se constituiu...................10
CONCLUSÃO..........................................................................................................................11
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS......................................................................................12
INTRODUÇÃO
O presente trabalho visa fazer menção da extinção dos Direitos Reais, e é o
complexo de normas que regulam as relações jurídicas referentes às coisas susceptíveis de
apropriação pelo homem, sejam elas móveis ou imóveis. De modo geral, compreende os bens
materiais, ou seja, a propriedade e seus desmembramentos.
Ora, devemos ter em conta que, assim como eles se constituem também são
passiveis de extinção. No entanto o que devemos ter em conta é que nos Direitos Reais
podemos encontra o usufruto, uso e habitação entre outros, e que cada um deste apresenta a
sua própria forma de extinção, pese embora verificarmos situações semelhantes em alguns
casos. Portanto, é sobre isto que aqui devemos abordar.
1. OBJECTIVOS
1.1. Gerais
Fazer menção das vicissitudes do tema em alusão.
1.2. Específicos
Explicar cada forma de extinção;
Explicar quando há extinção e perda da coisa e quando o direito se extingue por
constituição de um novo; e
Correlacionar com a nossa legislação;
2. MÉTODO
O método usado para elaboração do presente trabalho foi o método
bibliográfico, com auxílio da legislação que é o Código Civil principalmente. Isto porque,
com as obras a doutrina faremos a colecta de dados para dar os conceitos básicos e
correlacionar com a base legal.
1
1. PRELIMINARES
1.1. Extinção
Extinção é o acto ou efeito de extinguir, abolição, que significa dissipar,
desaparecer, morrer, apagar-se.1
1.2. Direitos Reais
A palavra reais deriva de res, rei, que significa coisa. Os Direitos Reais são
considerados um ramo do Direito Civil. 2 Portanto, o direito das coisas é o complexo de
normas que regulam as relações jurídicas referentes às coisas susceptíveis de apropriação pelo
homem, sejam elas móveis ou imóveis. De modo geral, compreende os bens materiais, ou
seja, a propriedade e seus desmembramentos.
2. A EXTINÇÃO DOS DIREITOS REAIS
2.1. Generalidades
Genericamente em relação à extinção dos direitos reais, ela pode ocorrer em
virtude das seguintes situações:3
• Expropriação por utilidade pública;
• Perda da coisa;
• Impossibilidade de exercício do direito;
• Abandono;
• Renúncia;
• Prescrição;
• Caducidade;
• Não uso;
• Confusão;
• Perda da posse;
• Usucapio libertatis;
• Constituição de um direito real incompatível;
• Extinção do direito real maior com base no qual o direito se constituiu.4
1
UNIVERSAL, Dicionário Integral: Língua Portuguesa, 9ª Edição, Texto Editores, Lisboa 2008, p. 684
2
ASCENSÃO, José de Oliveira, Direito Civil Reais, 5ª Edição, Coimbra Editora, Coimbra 2000, p. 18
3
LEITÃO, Luís Manuel Teles de Menezes, Direitos Reais, 5ª Edição, Edições Almeida, Coimbra 2015, p. 235
4
LEITÃO, Luís Manuel Teles de Menezes, Direitos Reais, 5ª Edição, Edições Almeida, Coimbra 2015, p. 235
2
Examinemos sucessivamente estas situações:
2.2. Expropriação
Uma das formas de extinção dos direitos reais é a expropriação por utilidade
pública, a que já fizemos referência. A expropriação por utilidade pública consiste numa
causa geral de extinção geral dos direitos reais como podemos ver no art.º 1536, n 1 f)cc. O
facto constitutivo da relação jurídica de expropriação é a declaração de utilidade pública, mas
não é esta que determina a perda da propriedade. 5 A aquisição da propriedade pela entidade
expropriante ocorre apenas no despacho judicial de adjudicação da posse e propriedade
emitido posteriormente.6
A nossa CRM no art.º 82 explica que a expropriação só pode ter lugar por
causa de necessidade, utilidade ou interesse públicos, definidos nos termos da lei e dá lugar a
justa indemnização.7
Sendo uma causa de extinção dos direitos reais, a expropriação não implica, no
entanto, que as coisas expropriadas fiquem nullius, uma vez que se verifica uma aquisição
originária dessa propriedade por parte da entidade expropriante. O proprietário expropriado
pode em certos casos adquirir um direito de reversão da sua propriedade, mas tal constitui um
novo facto aquisitivo, e não uma anulação da expropriação.
2.3. Perda da coisa
Por força da inerência do direito real à coisa que é seu objecto, naturalmente
que a perda da coisa extingue igualmente o direito real. Esta constitui uma causa genérica de
extinção dos direitos reais, fazendo-lhe o Código referência expressa a propósito do usufruto
(art.º 1476, nº 1, d) cc e da superfície (art.º 1536, nº 1,c) cc). 8 A perda da coisa tem que ser
total, uma vez que se for parcial, não se verifica a extinção do direito real, mas apenas uma
modificação do seu objecto (art.º 1478, nº 1 cc). Portanto a perda da coisa tanto pode ocorrer
em virtude do seu desaparecimento como em virtude da sua destruição. 9 Já ocorrendo uma
5
JUSTO A. Santos, Direitos Reais, 4ª Edição, Coimbra Editora, Coimbra 2012, p. 287
6
LEITÃO, Luís Manuel Teles de Menezes, Direitos Reais, ob. cit, p. 235
7
REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE, Lei n.º 1/2018 de 12 de Junho, Constituição da República, in Boletim da
República, I série n.º 115
8
DUARTE, Rui Pinto, Curso de Direitos Reais, 3ª Edição, Principia Editora, Portugal 2013, p. 200
9
JUSTO A. Santos, Direitos Reais, ob. cit, p. 287
3
mera deterioração da coisa, o direito mantém-se ainda que a coisa diminua de valor ou perca
aptidão para o fim a que se destina.10
2.4. Impossibilidade de exercício do direito
Uma outra causa genérica de extinção dos direitos reais é a impossibilidade de
exercício do direito. Efectivamente, destinando-se o direito a ser exercido pelo seu titular a
impossibilidade de exercício deve conduzir à extinção do direito. Esta solução encontra-se
expressamente consagrada em relação à superfície no art.º 1536, nº 1, e), mas deve
considerar-se de aplicação generalizada a todos os direitos reais. Apenas em relação às
servidões, determina o art.º 1571 cc,11 que a impossibilidade de exercer a servidão não
importa a sua extinção, enquanto não decorrer o prazo de 20 anos para a sua extinção por não
uso.12
A impossibilidade de exercício tem, no entanto, que ser definitiva para
produzir a extinção do direito, já que se for temporária ocorre apenas uma suspensão desse
direito. A impossibilidade não se confunde com a desnecessidade que constitui uma causa de
extinção privativa das servidões constituídas por usucapião (art.º 1569, nº 2 cc) e das
servidões legais (art.º 1569, nº 3 cc).
2.5. Abandono
O abandono (derelictio) pressupõe a cessação da relação material com a coisa
(corpus) em virtude de um acto intencional do seu titular dirigido à extinção da sua
propriedade (animus derelinquendi). Apesar de ser voluntário, o abandono não constitui um
negócio jurídico por ausência de liberdade de estipulação, não assentando numa declaração
negocial, mas antes num comportamento material, a que deve ser atribuída a natureza de acto
jurídico simples (art.º 295 cc).
O abandono não se encontra genericamente previsto como causa de extinção
dos direitos reais, mas apenas como causa de extinção da posse (art.º 1267, nº 1. a) cc),
fazendo-lhe, no entanto, referência o art.º 1318 cc, a propósito da ocupação, art.º 1397 cc, a
propósito do direito sobre águas originariamente públicas. Parece, consequentemente, que o
10
LEITÃO, Luís Manuel Teles de Menezes, Direitos Reais, 5ª Edição, Edições Almeida, Coimbra 2015, p. 236
11
REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE, Decreto-Lei n° 47 344, de 25 de Novembro de 1966, que aprova o novo
Código Civil, in Portaria n° 22 869, de 4 de Setembro de 1967
12
LEITÃO, Luís Manuel Teles de Menezes, Direitos Reais, ob. cit, p. 236
4
abandono. Apenas poderá ocorrer em relação a esse tipo de coisas, vigorando para os outros
casos o instituto da renúncia.13
2.6. Renúncia
Uma outra causa de extinção dos direitos reais é a renúncia do seu titular Em
relação à renúncia tem-se distinguido entre a renúncia abdicativa, em que a acção do direito se
realiza sem qualquer contrapartida para o titular, 14 e a renúncia liberatória, em que a extinção
do direito tem como contrapartida a exoneração do titular em relação a certas obrigações,
sendo consequentemente dependente dessa mesma exoneração.15
A renúncia abdicativa aparece prevista especificamente em relação a certos
direitos reais de gozo menores, como o usufruto (art.º 1476, nº 1 cc), o uso e habitação (art.º
1485 cc) e as servidões prediais (art.º 1569, nº 1, d cc), bem como a todos os direitos reais de
garantia, como a hipoteca (art.º 730, d cc), a consignação de rendimentos (art.º 664 cc), o
penhor (art.º 677 cc), o privilégio (art.º 752 cc) como direito de retenção (art.º 761 cc).
Inversamente não há quaisquer referências à renúncia a propósito da propriedade, da
propriedade do tal e do direito de superfície, o que tem feito surgido a controvérsia sobre a
admissibilidade ou não da extinção desses direitos através da renúncia.
A renúncia abdicativa aparece como resultado de um negócio jurídico dirigido
directamente à extinção do direito, o qual, no entanto, não é qualificado como doação, ainda
que possa beneficiar outrem (art.º 940, nº 2 cc). A renúncia não depende de aceitação do
destinatário (cfr. quanto ao usufruto e às servidões, art.º 1467, nº 2. e 1569, nº 5 cc) 16. Já a
renúncia liberatória aparece prevista a propósito da compropriedade (art.º 1411 cc), usufruto
(art.º 1472, nº 3 cc), uso e habitação (art.º 1485 cc), e servidão (art.º 1567, nº 2 e 4 cc).17
A renúncia liberatória tem normalmente carácter unilateral, salvo no caso da
compropriedade, em que exige o consentimento dos demais interessados (art.º 1411, nº 1 cc),
devendo obedecer nesse caso à forma prescrita para a doação (art.º 1411, nº 3, e 947 cc).
Também no caso das servidões, a renúncia liberatória pode ser recusada pelo proprietário do
prédio dominante, sem que isso o libere de custear as obras (art.º 1567, n 4 cc).
13
LEITÃO, Luís Manuel Teles de Menezes, Direitos Reais, 5ª Edição, Edições Almeida, Coimbra 2015, p. 237
14
PINTO, Rui, Direitos Reais de Moçambique: Teoria Geral dos Direitos Reais, Edições Almedina, Coimbra
2006, p. 460
15
LEITÃO, Luís Manuel Teles de Menezes, Direitos Reais, ob. cit, pp. 237-238
16
REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE, Decreto-Lei n° 47 344, de 25 de Novembro de 1966, que aprova o novo
Código Civil, in Portaria n° 22 869, de 4 de Setembro de 1967
17
ASCENSÃO, José de Oliveira, Direito Civil Reais, 5ª Edição, Coimbra Editora, Coimbra 2000, p. 406
5
2.7. Prescrição
A prescrição pode igualmente constituir uma causa de extinção dos direitos
reais.18 A mesma não se aplica, no entanto, em relação aos direitos reais de gozo, face ao que
se dispõe no art.º 298, n ° 3 cc, que estão sujeitos a uma causa de extinção própria, o não uso,
que se rege pelo regime da caducidade. Há, porém, uma excepção em relação à superfície,
uma vez que a sua extinção nos casos previstos nos art.º 1536, nº 1, a) e b) cc, 19 é regulada
pelo regime da prescrição (art.º 1536, nº 3 cc).20
A prescrição determina, porém, a extinção de alguns direitos reais de garantia
como a hipoteca (art.º 730, b cc), os privilégios creditórios (art.º 752 cc), e o direito de
retenção (art.º 761 cc). Já, no entanto, em relação à consignação de rendimentos e ao penhor,
a lei exclui expressamente que os mesmos se possam extinguir por prescrição (art.º 664° e
677 cc). Já em relação aos direitos reais de aquisição não se encontra nenhuma norma a
excluir a sua sujeição à prescrição, pelo que a mesma lhes deve ser considerada aplicável
(art.º 298, n° 1 cc).21
2.8. Caducidade
A caducidade corresponde à extinção do direito em virtude da superveniência
de um facto jurídico stricto sensu, como o decurso do tempo ou a morte. A caducidade
operará no caso dos direitos reais temporários, ocorrendo a sua extinção em consequência
desses factos.22
Existem efectivamente direitos reais com natureza temporária, ainda que
vitalícia, como o usufruto (art.º 1476, n° 1 a) cc) e o uso e habitação (art.º 1485 cc). 23 Outros
direitos reais, como a superfície ou as servidões prediais tanto podem ser perpétuos como
temporários (art.º 1536, nº 1, c) e 1569, nº 1, e) cc). Já em relação à propriedade, ela constitui
em princípio um direito perpétuo, só sendo a propriedade temporária admitida nos casos
expressamente previstos na lei (art.º 1307, nº 2 cc), como é exemplo a substituição
18
LEITÃO, Luís Manuel Teles de Menezes, Direitos Reais, 5ª Edição, Edições Almeida, Coimbra 2015, p. 239
19
REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE, Decreto-Lei n° 47 344, de 25 de Novembro de 1966, que aprova o novo
Código Civil, in Portaria n° 22 869, de 4 de Setembro de 1967
20
PINTO, Rui, Direitos Reais de Moçambique: Teoria Geral dos Direitos Reais, Edições Almedina, Coimbra
2006, p. 464
21
LEITÃO, Luís Manuel Teles de Menezes, Direitos Reais, ob. cit, p. 239
22
ASCENSÃO, José de Oliveira, Direito Civil Reais, 5ª Edição, Coimbra Editora, Coimbra 2000, p. 408
23
DUARTE, Rui Pinto, Curso de Direitos Reais, 3ª Edição, Principia Editora, Portugal 2013, p. 200
6
fideicomissário no testamento e na doação (art.º 2286 e 962 cc). Todos os direitos reais com
natureza temporária extinguir-se-ão por caducidade.24
2.9. Não uso
Outra causa de extinção dos direitos reais de gozo é o não uso. Efectivamente,
o art.º 298, nº 3 cc25, estabelece que os direitos de propriedade, usufruto, uso e habitação,
enfiteuse, superfície e servidão não prescrevem, mas podem extinguir-se pelo não uso nos
casos especialmente previstos na lei, sendo aplicáveis, na falta de disposição em contrário, as
regras da caducidade.26
A lei prevê a extinção pelo não uso em relação ao usufruto (art.º 1476, nº 1, c)
cc), ao uso e habitação (art.º 1485 cc) e às servidões prediais (art.º 1569, nº 1, b) cc). Já em
relação à propriedade, o não uso apenas está previsto relativamente à extinção do direito sobre
águas originariamente públicas (art.º 1397 cc). Consequentemente, o não uso não é causa de
extinção da propriedade sobre outros bens, nem da propriedade horizontal ou do direito de
superfície.
O não uso constitui assim uma causa de extinção de certos direitos reais
baseados na inércia do titular do direito real de gozo em relação ao exercício das faculdades
integrantes desse direito. O não uso distingue-se da prescrição dos créditos, pois a inércia do
titular não consiste no não exercício dos seus poderes em relação a terceiros. 27 Por esse
motivo, o não uso também nada tem a ver com una eventual usucapião por terceiro, uma vez
que esta pressupõe a violação do direito em consequência do seu exercício por terceiro,
enquanto o não uso se basta com a mera omissão das faculdades integrantes do direito.28
2.10. Confusão
Outra causa de extinção dos direitos reais é a confusão, a qual não se confunde
com a expressão equivalente que usamos em relação à extinção das obrigações (art.º 868 cc).
Efectivamente, no âmbito dos direitos reais, verifica-se a confusão sempre que na mesma
pessoa se reúnem as qualidades de titular de um direito real maior e de um direito real menor,
24
LEITÃO, Luís Manuel Teles de Menezes, Direitos Reais, 5ª Edição, Edições Almeida, Coimbra 2015, p. 239
25
REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE, Decreto-Lei n° 47 344, de 25 de Novembro de 1966, que aprova o novo
Código Civil, in Portaria n° 22 869, de 4 de Setembro de 1967
26
Idem.
27
PINTO, Rui, Direitos Reais de Moçambique: Teoria Geral dos Direitos Reais, Edições Almedina, Coimbra
2006, p. 454
28
LEITÃO, Luís Manuel Teles de Menezes, Direitos Reais, ob. cit, p. 240
7
o que determina a extinção do direito real menor por já não se justificar a compressão do
direito real maior nessa situação a lei prevê a confusão como causa de extinção do usufruto
(art.º 1476, nº 1, b) cc),29 do uso e habitação (art.º 1485 cc), da superfície (art.º 1536, nº 1, d)
cc) e das servidões prediais (art.º 1569⁰, nº 1, a) cc).30
2.11. Perda da posse
A perda da posse da coisa não constitui normalmente causa de extinção do
direito real incidente sobre ela, enquanto não decorrer o prazo necessário para a usucapilo per
parte do novo possuidor. No entanto, a lei fixa o momento da aquisição por usucapião no
início da posse (art.º 1317 c) cc), ocorrendo assim uma retroacção dos efeitos da aquisição ao
momento da perda da posse pelo titular. Em certos casos, no entanto, a posse da coisa
desempenha uma função de publicidade, essencial à manutenção de certos direitos reais de
garantia, como o penhor ou o direito de retenção, pelo que nestes casos a restituição da coisa
implica igualmente a perda do direito (art.º 677 e 761 cc).
2.12. Usucapio libertatis
Uma outra forma de extinção do direito real encontra-se na usucapio libertatis,
caso em que o titular do direito real maior, por via da oposição pelo tempo necessário à
usucapião, ao exercício de um direito real menor, consegue obter a liberação do seu direito
real maior daquele direito menor que o onerava.
A usucapio libertatis encontra-se apenas prevista como forma de extinção das
servidões prediais (art.º 1547 cc)31, mas a doutrina tem considerado uma forma geral de
extinção dos direitos reais menores, com o argumento de que não há razão para que o
proprietário, quando exerce o seu direito em contrariedade com esse direito real menor,
adquira a liberação desse ónus, quando essa liberação ocorreria igualmente, caso fosse a
propriedade plena adquirida por um terceiro por via da usucapião.32
Ao contrário do que refere o art.º 1574 cc 33, a usucapio libertatis não constitui
uma forma de aquisição da liberdade da coisa por usucapião, uma vez que a liberdade não é
29
DUARTE, Rui Pinto, Curso de Direitos Reais, 3ª Edição, Principia Editora, Portugal 2013, p. 200
30
LEITÃO, Luís Manuel Teles de Menezes, Direitos Reais, 5ª Edição, Edições Almeida, Coimbra 2015, p. 24
31
REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE, Decreto-Lei n° 47 344, de 25 de Novembro de 1966, que aprova o novo
Código Civil, in Portaria n° 22 869, de 4 de Setembro de 1967
32
PINTO, Rui, Direitos Reais de Moçambique: Teoria Geral dos Direitos Reais, Edições Almedina, Coimbra
2006, p. 458
33
REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE, Decreto-Lei n° 47 344, de 25 de Novembro de 1966, que aprova o novo
Código Civil, in Portaria n° 22 869, de 4 de Setembro de 1967
8
um bem que se adquira, mas antes uma forma de extinção dos direitos reais menores, moldada
sobre o regime da usucapião.34
Assim, para que a ucapio libertatis possa ocorrer, são necessários os seguintes pressupostos:
• Oposição ao exercício do direito real menor por parte do titular do direito real
maior;
• Decurso do prazo legal para a usucapião;
• Invocação pelo beneficiário.
Em relação à oposição ao exercício do direito real menor, exige-se que ocorra
um desapossamento do direito real menor por parte do titular do direito real maior, passando
este a impedir a posse daquele direito. Não basta o simples criar de dificuldades ao exercício
do direito, tendo a oposição que se traduzir num impedimento efectivo.35
A usucapio libertatis apenas ocorre após o decurso do prazo necessário à
usucapião (art.º 1294 e 1298 cc), sendo esses prazos sujeitos às mesmas regras de suspensão e
interrupção que vigoram para a prescrição (art.º 1292 e 318 e 323 cc). O prazo para a
usucapião só começa a contar desde a oposição (art.º 1574, nº 2 cc). Finalmente, a usucapio
libertatis necessita de ser invocada, Judicial ou extrajudicialmente, nos termos estabelecidos
para a usucapião (art.º 1292 e 303 cc). Preenchidos todos estes requisitos, a usucapio libertatis
produz a extinção do direito real menor, devendo considerar-se que esta ocorre no momento
do início da oposição, nos termos dos art.º 1288 e 1317° c) cc.36
2.13. Constituição de um direito real incompatível
Um outro caso em que se verifica a extinção dos direitos reais é o que ocorre
na hipótese de ser constituído um direito real com ele incompatível. Assim sucede nas
hipóteses da usucapião e da aquisição tabular. Em relação à usucapião, quando esta se
verifica, nos termos do art.º 1287 cc, 37 como aquisição originária, faz extinguir todos os
direitos que incidiam sobre a coisa, retroagindo os seus efeitos ao início da posse. A mesma
situação ocorre em caso de aquisição tabular, resultante do efeito atributivo do registo.
Efectivamente, o adquirente com base no registo nos termos do art.º 291 cc, ao prevalecer
34
LEITÃO, Luís Manuel Teles de Menezes, Direitos Reais, 5ª Edição, Edições Almeida, Coimbra 2015, p. 241
35
PINTO, Rui, Direitos Reais de Moçambique: Teoria Geral dos Direitos Reais, Edições Almedina, Coimbra
2006, p. 459
36
Idem, p. 459
37
REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE, Decreto-Lei n° 47 344, de 25 de Novembro de 1966, que aprova o novo
Código Civil, in Portaria n° 22 869, de 4 de Setembro de 1967
9
sobre o titular do direito com base na realidade substantiva, faz extinguir o direito que anterior
mente existia sobre a coisa.
2.14. Extinção do direito real maior com base no qual o direito se constituiu
A última hipótese de extinção dos direitos reais reside na extinção do direito
real maior com base no qual aquele direito se constituiu. Esta solução é uma consequência da
regra de que ninguém pode atribuir a outrem mais direitos do que aqueles que tem (nemo
pluris iuris in alium transferre potest quam ipse habet).
Em consequência, o titular de um direito não pode onerar o seu direito com
encargos que extravasem da sua duração (cfr. para o usufruto, art.º 1460, nº 1 cc), e se o fizer
esses direitos extinguem-se com a extinção do direito sobre o qual se constituíram. A regra da
extinção do direito real menor em consequência da extinção do direito real maior encontra-se
estabelecida para as relações entre a hipoteca e o usufruto no art.º 699, nº 2 cc, bem como para
a superfície no art.º 1539, nº 1 cc.38
Há que salientar que esta solução não é aplicável a casos inesperados de
extinção do direito que afectem a sua duração normal, em ordem a evitar que as legitimas
expectativas do titular do direito real menor venham a ser lesadas. Assim, se o usufruto se
extinguir por renúncia ou por confusão, a hipoteca subsiste, como se essa extinção não se
tivesse verificado (art.º 699, nº 3 cc). Fenómeno semelhante ocorre em caso de extinção do
direito de superfície perpétuo, ou do temporário antes do decurso do seu prazo (art.º 1541
cc).39
38
LEITÃO, Luís Manuel Teles de Menezes, Direitos Reais, 5ª Edição, Edições Almeida, Coimbra 2015, p. 242
39
Idem, p. 242
10
CONCLUSÃO
Ora, com tudo concluímos claramente que, assim como os direitos reais são
constituídos eles também são passiveis de extinção, no entanto, os direitos reais podem se extinguir
por: desaparecimento objectivo da coisa ou destruição da mesma, ou por outra o direito real de
alguém, ou melhor dizendo, um celular de um sujeito A, desaparecendo ou se destruindo, no sentido
de não se poder fazer uso do mesmo.
O outro facto extintivo é o não uso deste direito num tempo determinado que o nosso
próprio código civil já estabelece, assim como a usupapio libertatis, onde o anterior proprietário perde
o direito, assim como a impossibilidade definitiva de exercício.
A outra causa de extinção dos direitos reais é a renuncia e abandono, renuncia esta que
pode ser expressa ou taxita, quanto ao abandono, apesar de ser voluntário, o abandono não constitui
um negócio jurídico por ausência de liberdade de estipulação, não assentando numa declaração
negocial, mas antes num comportamento material, a que deve ser atribuída a natureza de acto jurídico
simples.
Verificamos também a prescrição e caducidade, onde na prescrição o legislador faz
menção claramente da prescrição, enquanto na caducidade o legislador nada diz. E esses devem ser
entendidos como causas de extinção de direitos reais temporários.
Portanto, aqui nos verificamos acima as acusas de extensão dos direitos reais e
claramente pudemos verificar aqui as vicissitudes em torno do mesmo tema, e claro, os direitos reais
não só são constituídos, mas também são extintos nos termos acima mencionados.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Legislação
REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE, Lei n.º 1/2018 de 12 de Junho, Constituição da
República, in Boletim da República, I série n.º 115
REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE, Decreto-Lei n° 47 344, de 25 de Novembro de
1966, que aprova o novo Código Civil, in Portaria n° 22 869, de 4 de
Setembro de 1967
Doutrina
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Coimbra 2000.
DUARTE, Rui Pinto, Curso de Direitos Reais, 3ª Edição, Principia Editora, Portugal
2013.
JUSTO A. Santos, Direitos Reais, 4ª Edição, Coimbra Editora, Coimbra 2012.
LEITÃO, Luís Manuel Teles de Menezes, Direitos Reais, 5ª Edição, Edições
Almeida, Coimbra 2015.
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Edições Almedina, Coimbra 2006.
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Lisboa 2008.
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