O trabalho é uma extensão do projeto de doutorado defendido em outubro do ano
passado do LaRBio, onde foram coletados dados em uma região ribeirinha em Rondônia,
onde foi realizada a coleta da água de poço e de rios, onde foi observado a presença de
coliformes fecais e totais na água. A gente também observou nessa região que as
crianças bebiam a água do rio quando se deslocavam para ir a escola, só que a gente
sabe que nas regiões norte e nordeste do brasil, a morte por diarreia infantil causada por
agua contaminada, chega a ser 7 vezes maior que nas outras regiões no brasil. Em 2022,
cerca de 190 mil pessoas ficaram internadas em decorrência de doenças relacionadas à
água contaminada, além disso existem 115 milhões sem tratamento de esgoto, 35 milhões
sem abastecimento de água tratada, 100 milhões sem coleta de esgoto e 4 milhões sem
banheiro. Essa situação é particularmente mais acentuada nas regiões Norte e Nordeste,
e existe uma média de 7 crianças morrendo por dia por causa da diarreia.
Com isso, comparamos o método SODIS que é uma técnica conhecida desde a década
de 70, que é utilizada em mais de 70 países e aprovada pela UNICEF e pela OMS, que
utiliza luz solar para desinfecção da água, porém tem limitações em dias nublados. E
observando essas limitações foi feita a implementação do fotocatalisador Azul de
Metileno (AM) que pode acelerar esse processo ao gerar oxigênio radical sob luz
vermelha, eliminando microrganismos presentes na água. O Ministério da Saúde
estabelece que a água potável deve estar isenta de Escherichia coli e coliformes totais a
cada 100 ml para garantir a segurança do consumo humano.
O método AM-SODIS utilizado para descontaminação de água, sendo de baixo custo e
fácil aplicação, como parte da iniciativa, oficinas foram realizadas para ensinar a técnica
(AM/SODIS), utilizando garrafas PET e Azul de Metileno, como a utilização de materiais de
baixo custo e acessíveis, viabiliza mais na questão econômica e ambiental, tornando-a
uma solução sustentável a longo prazo. No último ano, o projeto já foi apresentado no
“Festival da Ciência” - na Nave do Conhecimento do Engenhão em dezembro do ano
passado e no Espaço Ciência Viva no “Sábado da Ciência: Que Clima é esse?”, onde
ensinamos a técnica (AM/SODIS), utilizando uma cartilha de divulgação do método
passo-a-passo, onde os participantes aprenderão a utilizar garrafas PET e Azul de
Metileno, para aplicar a técnica.
Os resultados mostram que a forma leuco do AM, na concentração de 100 ng/ml, não é
tóxica. O método é especialmente útil em regiões com baixa intensidade solar, permitindo
descontaminar a água em 1 hora de Sol pleno.