Inquerito Policial
Inquerito Policial
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ASSUNTO:Inquérito Policial
1. INTRODUÇÃO.
Caveira, vamos estudar agora o Inquérito Policial, dentro do Direito Processual Penal.
Tema muito importante e que com certeza virá questões na sua prova. Vamos lá?
2. INQUÉRITO POLICIAL
Veremos, agora, vários pontos sobre o inquérito policial (IP), que está localizado no
Código Penal, no Título II, dos art. 4 ao art.23.
1. CONCEITO
“O inquérito policial é
um procedimento
administrativo
informativo,
destinado a apurar a
existência de infração
penal e sua autoria, a
fim de que o titular da
ação penal disponha
de elementos
suficientes para
promovê-la”.
Art. 4º A polícia judiciária será exercida pelas autoridades policiais no território de suas
respectivas circunscrições e terá por fim a apuração das infrações penais e da sua autoria
2.2 NATUREZA
Qual a natureza do
inquérito policial?
Trata-se de uma instrução
provisória, preparatória e
informativa, em que se
colhem elementos por vezes
difíceis de obter na instrução
judiciária, como auto de
flagrante, exames periciais,
entre outros.
Observações full:
- O IP tem natureza de
PROCEDIMENTO
ADMINISTRATIVO, e não de
processo judicial.
- Peça meramente informativa, podendo ser dispensável ao oferecimento da denúncia
ou queixa.
- Veja que o inquérito policial não é obrigatório.
2.3 Finalidade
ADMINISTRATIVO
➢ O IP é administrativo -
O Inquérito Policial, por
ser instaurado e
conduzido por
uma autoridade
policial, possui nítido
caráter administrativo.
INQUISITIVO
➢ O IP é inquisitivo (inquisitorialidade) - A inquisitorialidade do Inquérito decorre
de sua natureza pré-processual.
➢ No Inquérito não há acusação, logo, não há nem autor, nem acusado.
➢ O Juiz existe, mas ele não conduz o IP, quem conduz o IP é a autoridade policial
(Delegado).
OFICIOSIDADE
➢ Se o crime for de ação penal pública INCONDICIONADA a AUTORIDADE
POLICIAL DEVE INSTAURAR O IP.
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OFICIALIDADE
➢ O IP é conduzido por um órgão oficial do Estado.
PROCEDIMENTO ESCRITO
➢ Todos os atos produzidos no bojo do IP deverão ser escritos, e reduzidos a termo
aqueles que forem orais (como depoimento de testemunhas, interrogatório do
indiciado, etc.).
➢ Essa regra encerra outra característica do IP, citada por alguns autores, que é a
da FORMALIDADE.
INDISPONIBILIDADE
➢ Uma vez instaurado o IP, não pode a autoridade policial arquivá-lo.
DISPENSABILIDADE
➢ O Inquérito Policial é dispensável, ou seja, não é obrigatório.
➢ Caso o titular da ação penal já possua todos os elementos necessários ao
oferecimento da ação penal, o Inquérito será dispensável.
SIGILOSO
➢ o IP é sempre sigiloso em relação às pessoas do povo em geral.
2.6 TITULARIDADE
De quem é a
titularidade do IP?
A titularidade do IP é da
autoridade policial (o
delegado de polícia). Ele
nada mais é que o
titular do inquérito
policial! Ele realiza uma
investigação
coordenada a fim de
encontrar indícios de
autoria e materialidade
do crime em questão –
daí o termo “indiciar”.
IMPORTANTE:
➢ O que é vedado é a CONDENAÇÃO do réu com lastro, EXCLUSIVAMENTE, em
elementos informativos encontrados no inquérito policial.
➢ A ABSOLVIÇÃO, mesmo que exclusivamente em elementos do IP, é permitida.
I.- de ofício;
IMPORTANTE: veja que o recurso é para o CHEFE DE POLÍCIA, as questões vão colocar
vários outros agentes aqui para tentar te confundir.
Os delegados de
polícia podem recusar-
se a cumprir requisição
de autoridade
judiciária ou de
membro do MP para
instauração de
inquérito policial?
EM REGRA: A autoridade
policial NÃO PODERÁ SE
RECUSAR a atender à
requisição (do MP e JUIZ) de
instauração de IP, PORÉM
PODERÁ SE RECUSAR na
hipótese de ORDEM MANIFESTAMENTE ILEGAL.
2.10 INDICIAMENTO
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Qual é o momento
do indiciamento?
Vejamos um trecho
importante:
➢ O indiciamento
é um ato exclusivo da
investigação. Portanto,
somente é possível
indiciar alguém se a
investigação ainda
estiver em andamento.
➢ Se o processo
criminal já está em
andamento, não é
mais cabível o
indiciamento. (STJ, 6ª
Turma, HC 182.455/SP 05/05/2011).
- Material: ato do Delegado de polícia, com a exposição fatídica e jurídica que justifica a
imputação do crime ao investigado.
- Formal: é constituído por peças essenciais para formar a convicção da autoridade para
oindiciamento material. Peças como: boletim de vida pregressa, auto de qualificação e
interrogatório.
- Complexo: trata-se dos casos em que o investigado possui de foro por prerrogativa
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de função.
O que é o
desindiciamento?
É a desconstituição de
anterior indiciamento e
poderá ser realizado pelo
próprio Delegado de Polícia
ou pelo juiz, na hipótese de
constrangimento ilegal.
2.11 GARANTIAS
ADVOGADO
- Pode consultar os AUTOS do processo JÁ CONCLUIDOS e PASSADOS A TERMO
- Provas já DOCUMENTADAS.
- Não pode consultar diligências que ainda estejam em curso.
2.12 CONCLUSÃO
Qual a duração do
IP, quando o
investigado estiver
PRESO?
- 10 DIAS
- Pode ser
prorrogado uma única
vez por mais 15 dias.
- Contado a partir do
DIA EM QUE SE
EXECUTAR A ORDEM DE
PRISÃO
Qual a duração do
IP, quando o
investigado estiver
SOLTO?
- 30 DIAS
- Pode ser
prorrogado (Prazo
impróprio)
Art. 10. O inquérito deverá terminar no prazo de 10 dias, se o indiciado tiver sido preso
em flagrante, ou estiver preso preventivamente, contado o prazo, nesta hipótese, a
partir do dia em que se executar a ordem de prisão, ou no prazo de 30 dias, quando
estiver solto, mediante fiança ou sem ela.
EXCESSÕES
Estes prazos (10 dias e 30 dias) são a regra prevista no CPP. Entretanto, existem
exceções previstas em outras leis. Vejamos:
➢ Crimes de competência da Justiça Federal – 15 dias para indiciado preso e 30
dias para indiciado solto.
➢ Crimes da Lei de Drogas – 30 dias para indiciado preso e 90 dias para indiciado
solto.
➢ Crimes contra a economia popular – 10 dias tanto para indiciado preso quanto
para indiciado solto.
➢ Crimes Militares – 20 dias para indiciado preso e 40 dias para indiciado solto,
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Mas professor, é habitual ver casos em que a conclusão com réu solto
extrapola estes prazos, por qual razão isso ocorre?
Existe uma explicação jurisprudencial para isso Caveira, o STJ firmou entendimento no
sentido que, estando o indiciado solto, embora exista um limite previsto no CPP, a
violação a este limite não teria qualquer repercussão, pois não traria prejuízos ao
indiciado, sendo considerado prazo impróprio.
2.13 ARQUIVAMENTO
2.13.1 CONCEITO
O arquivamento do
inquérito policial é uma
decisão judicial, muito
embora ainda não haja
um processo judicial em
curso. Ele depende de
pedido de promoção de
arquivamento feito pelo
MP, que será apreciado
pelo juiz (Renato
Brasileiro) - regulamento
anterior ao Pacote
Anticrime.
provas.
Na redação antiga, o
juiz decidia pelo
arquivamento, a
pedido do MP.
Agora, o Ministério
Público (MP) tem
autonomia para
decidir! Assim, o
“novo
procedimento” é:
1) MP ORDENA O
ARQUIVAMENTO e
comunica à vítima, ao
investigado e à
autoridade policial
Nos crimes em que NÃO COUBER AÇÃO PÚBLICA, os autos do inquérito serão remetidos
ao juízo competente, ONDE AGUARDARÃO A INICIATIVA DO OFENDIDO OU DE SEU
REPRESENTANTE LEGAL, ou serão entregues ao requerente, se o pedir, mediante
traslado.
O arquivamento do IP:
Regra:faz coisa julgada formal, isso quer dizer que, ele pode ser desarquivado e
rediscutir o assunto, desde que surjam novas provas (requisito obrigatório).
Exceção: faz coisa julgada materialde forma que não poderá ser desarquivado, nem que
surjam novas provas, e não poderá ser ofertada denúncia pelo mesmo fato, seja na
mesma ou em outra relação processual.
o IP):
- Atipicidade da conduta (princípio da insignificância gera coisa julgada material);
- Causa excludente de culpabilidade (salvo inimputabilidade);
- Causa excludente de punibilidade;
- causa excludente de ilicitude > (STF : coisa julgada formal) (STJ > coisa julgada
material.)
O que é o
ARQUIVAMENTO
INDIRETO?
O membro do MP
deixava de oferecer a
denúncia por entender
que o Juízo (que estava
atuando durante a fase
investigatória) era
incompetente para
processar e julgar a ação
penal. Todavia, o Juízo
entendia que era
competente, então
recebia o pedido de
declínio de competência
como uma espécie de
pedido indireto de
arquivamento.
Art. 15. Se o indiciado for menor, ser-lhe-á nomeado curador pela autoridade policial.
Art. 16. O Ministério Público não poderá requerer a devolução do inquérito à autoridade
policial, senão para novas diligências, imprescindíveis ao oferecimento da denúncia.
Art. 17. A autoridade policial não poderá mandar arquivar autos de inquérito.
Art. 19. Nos crimes em que não couber ação pública, os autos do inquérito serão
remetidos ao juízo competente, onde aguardarão a iniciativa do ofendido ou de seu
representante legal, ou serão entregues ao requerente, se o pedir, mediante traslado.
Parágrafo único. Nos atestados de antecedentes que lhe forem solicitados, a autoridade
policial não poderá mencionar quaisquer anotações referentes a instauração de
inquérito contra os requerentes.
2.14 TRANCAMENTO DO IP
O que é o
trancamento do IP?
É a cessação da
investigação, mediante
HC, quando há abuso na
condução ou instauração
do IP.
O trancamento do
IP trata-se de medida excepcional, que somente é admitida em 3
hipóteses:
1 - Manifesta atipicidade, formal ou material, da conduta delituosa;
2 - Quando presente alguma causa extintiva da punibilidade;
3 - Quando houver instauração de IP em crimes de ação penal privada ou pública
condicionada à representação sem prévio requerimento do ofendido ou de seu
representante legal.
Art. 6º Logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, a autoridade policial
deverá:
II.- apreender os objetos que tiverem relação com o fato, após liberados pelos peritos
criminais
III. - colher todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato e suas
circunstâncias;
V.- ouvir o indiciado, com observância, no que for aplicável, do disposto no Capítulo III
do Título Vll, deste Livro, devendo o respectivo termo ser assinado por duas
testemunhas que Ihe tenham ouvido a leitura;
VII.- determinar, se for caso, que se proceda a exame de corpo de delito e a quaisquer
outras perícias;
IX.- averiguar a vida pregressa do indiciado, sob o ponto de vista individual, familiar e
social, sua condição econômica, sua atitude e estado de ânimo antes e depois do crime
e durante ele, e quaisquer outros elementos que contribuírem para a apreciação do seu
temperamento e caráter.
X.- colher informações sobre a existência de filhos, respectivas idades e se possuem
alguma deficiência e o nome e o contato de eventual responsável pelos cuidados dos
filhos, indicado pela pessoa presa. (Incluído pela Lei nº 13.257, de 2016)
Art. 11. Os instrumentos do crime, bem como os objetos que interessarem à prova,
acompanharão os autos do inquérito.
Art. 12. O inquérito policial acompanhará a denúncia ou queixa, sempre que servir de
base a uma ou outra.
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Os artigos 13-A e 13-B tem sido muito cobrados, trouxe aqui eles de forma
esquematizada:
ART. 13-A
Art. 13-A. o membro do Ministério Público ou o Delegado De Polícia poderão
REQUISITAR , de quaisquer órgãos do poder público ou de empresas da iniciativa
privada, DADOSe INFORMAÇÕESCADASTRAISda vítima ou de suspeitos, nos crimes:
c) Tráfico de pessoas
II- deverá ser fornecido pela prestadora de telefonia móvel celular por período não
superiora 30 dias, renovável por uma única vez, por igual período;
III - para períodos superiores àquele de que trata o inciso II, será necessária a
apresentação de ordem judicial.
§ 3º Na hipótese prevista neste artigo, o inquérito policial deverá ser instaurado no
prazo máximo de 72 horas, contado do registro da respectiva ocorrência policial.
3. Jurisprudências
No caso concreto, o STJ reconheceu que havia excesso de prazo para conclusão de
inquérito policial que tramitava há mais de 9 anos.
A despeito do investigado estar solto e de não ter contra si nenhuma medida restritiva,
entendeu-se que a investigação já perdurava por longo período e que não havia
nenhuma complexidade que justificasse essa demora.
STJ. 6ª Turma. HC 653299-SC, Rel. Min. Laurita Vaz, Rel. Acd. Min. Sebastião Reis Júnior,
julgado em 16/08/2022 (Info 747).
Não há ilicitude das provas por violação ao sigilo de dados bancários, em razão do
compartilhamento de dados de movimentações financeiras da própria instituição
bancária ao Ministério Público
Não houve violação ilícita do sigilo de dados bancários. Isso porque não eram
informações bancárias sigilosas relativas à pessoa do investigado, mas sim
movimentações financeiras da própria instituição.
Além disso, após o recebimento da notícia-crime, o Ministério Público requereu ao juízo
de primeiro grau a quebra do sigilo bancário e o compartilhamento pelo Banco de todos
os documentos relativos à apuração, o que foi deferido, havendo, portanto, autorização
judicial.
Desse modo, as alegadas informações sigilosas não são os dados bancários do
investigado, e sim as informações e registros relacionados à sua atividade laboral como
funcionário do Banco.
STJ. 6ª Turma. RHC 147307-PE, Rel. Min. Olindo Menezes (Desembargador convocado
do TRF 1ª Região), julgado em 29/03/2022 (Info 731).
O acordo de não persecução penal (ANPP) aplica-se a fatos ocorridos antes da Lei nº
13.964/2019, desde que não recebida a denúncia
*Divergência
2ª Turma do STF:
É possível a aplicação retroativa do art. 28-A do CPP mesmo que já tenha sido
proferida sentença condenatória.
STF. 2ª Turma. HC 220.249-SP, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 16/12/2022.
STF. 2ª Turma. HC 206.660-SC, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em
07/03/2023.
O acordo de não persecução penal (ANPP) aplica-se a fatos ocorridos antes da Lei nº
13.964/2019, desde que não recebida a denúncia
Para ser decretada a medida de busca e apreensão, é necessário que haja indícios
mais robustos que uma simples notícia anônima
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Denúncias anônimas não podem embasar, por si sós, medidas invasivas como
interceptações telefônicas, buscas e apreensões, e devem ser complementadas por
diligências investigativas posteriores.
Se há notícia anônima de comércio de drogas ilícitas numa determinada casa, a polícia
deve, antes de representar pela expedição de mandado de busca e apreensão, proceder
a diligências veladas no intuito de reunir e documentar outras evidências que
confirmem, indiciariamente, a notícia.
Se confirmadas, com base nesses novos elementos de informação o juiz deferirá o
pedido.
Se não confirmadas, não será possível violar o domicílio, sendo a expedição domandado
desautorizada pela ausência de justa causa.
O mandado de busca e apreensão expedido exclusivamente com apoio em denúncia
anônima é abusivo.
STF. 2ª Turma. HC 180709/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 5/5/2020 (Info976).
O STF pode, de ofício, arquivar inquérito quando, mesmo esgotados os prazos para a
conclusão das diligências, não foram reunidos indícios mínimos de autoria ou
materialidade
O STF pode, de ofício, arquivar inquérito quando verificar que, mesmo após terem sido
feitas diligências de investigação e terem sido descumpridos os prazos para a instrução
do inquérito, não foram reunidos indícios mínimos de autoria ou materialidade (art. 231,
§ 4º, “e”, do RISTF).
A pendência de investigação, por prazo irrazoável, sem amparo em suspeita
contundente, ofende o direito à razoável duração do processo (art. 5º, LXXVIII, da CF/88)
e a dignidade da pessoa humana (art. 1º, III, da CF/88).
Caso concreto: tramitava, no STF, um inquérito para apurar suposto delito praticado por
Deputado Federal. O Ministro Relator já havia autorizado a realização de diversas
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No mesmo sentido: STF. Decisão monocrática. INQ 4.442, Rel. Min. Roberto Barroso, Dje
12/06/2018.
Mera intuição de que está havendo tráfico de drogas na casa não autoriza o ingresso
sem mandado judicial ou consentimento do morador
O MP, no exercício do controle externo da atividade policial, pode ter acesso às OMPs
4. CONCLUSÃO
Finalizado!!! Lembre-se de ler a lei seca, pois a maioria das questões estão nelas.
#Caveira.