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Inquerito Policial

Processual Penal

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MATÉRIA: Direito Processual Penal

ASSUNTO:Inquérito Policial

1. INTRODUÇÃO.

Caveira, vamos estudar agora o Inquérito Policial, dentro do Direito Processual Penal.
Tema muito importante e que com certeza virá questões na sua prova. Vamos lá?

2. INQUÉRITO POLICIAL

Veremos, agora, vários pontos sobre o inquérito policial (IP), que está localizado no
Código Penal, no Título II, dos art. 4 ao art.23.

1. CONCEITO

Professor, qual o conceito de inquérito policial?

“O inquérito policial é
um procedimento
administrativo
informativo,
destinado a apurar a
existência de infração
penal e sua autoria, a
fim de que o titular da
ação penal disponha
de elementos
suficientes para
promovê-la”.

Existe outro conceito?


Existem vários conceitos, mas basicamente todos dizem a mesma coisa, trago aqui mais
um: “Inquérito policial é, pois, o conjunto de diligênciasrealizadas pela polícia judiciária
para a apuração de uma infração penal e sua autoria, a fim de que o titular da ação
penal possa ingressar em juízo”.
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Art. 4º A polícia judiciária será exercida pelas autoridades policiais no território de suas
respectivas circunscrições e terá por fim a apuração das infrações penais e da sua autoria

Parágrafo único. A competência definida neste artigo não excluirá a de autoridades


administrativas, a quem por lei seja cometida a mesma função.

2.2 NATUREZA

Qual a natureza do
inquérito policial?
Trata-se de uma instrução
provisória, preparatória e
informativa, em que se
colhem elementos por vezes
difíceis de obter na instrução
judiciária, como auto de
flagrante, exames periciais,
entre outros.

Observações full:
- O IP tem natureza de
PROCEDIMENTO
ADMINISTRATIVO, e não de
processo judicial.
- Peça meramente informativa, podendo ser dispensável ao oferecimento da denúncia
ou queixa.
- Veja que o inquérito policial não é obrigatório.

2.3 Finalidade

Qual a finalidade do IP?


- É fornecer ao detentor do direito de ação os elementos necessários para a
propositura de ação penal
- Obter informações a respeito da autoria e da materialidade do delito.
- Veja que basicamente, a função o IP é, de forma grossa, conseguir informações sobre
o crime.

2.4 Destinatários do IP.

Dentro dos destinatários temos o destinatário imediato e mediato.

Professor, quais são os destinatários imediatos e mediatos?


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➢ Destinatário IMEDIATO: Titular da ação penal (Ministério Público ou ofendido).


➢ Destinatário MEDIATO: Juiz, pois as provas servir-lhe-ão para formar seu
convencimento.

2.5 Características do IP.

ADMINISTRATIVO
➢ O IP é administrativo -
O Inquérito Policial, por
ser instaurado e
conduzido por
uma autoridade
policial, possui nítido
caráter administrativo.

➢ O Inquérito Policial não


é fase do processo!
Cuidado! O IP é pré-
processual! Daí porque
eventual irregularidade
ocorrida durante a
investigação não gera nulidade do processo.

INQUISITIVO
➢ O IP é inquisitivo (inquisitorialidade) - A inquisitorialidade do Inquérito decorre
de sua natureza pré-processual.
➢ No Inquérito não há acusação, logo, não há nem autor, nem acusado.

➢ O Juiz existe, mas ele não conduz o IP, quem conduz o IP é a autoridade policial
(Delegado).

➢ No Inquérito Policial, por ser inquisitivo, não há direito ao contraditório nem à


ampla defesa.

➢ Como dissemos, no IP não há acusação alguma. Há apenas um procedimento


administrativo destinado a reunir informações para subsidiar um ato
(oferecimento de denúncia ou queixa).

➢ Não há, portanto, acusado, mas investigado ou indiciado (conforme o


andamento do IP).

OFICIOSIDADE
➢ Se o crime for de ação penal pública INCONDICIONADA a AUTORIDADE
POLICIAL DEVE INSTAURAR O IP.
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➢ Se o MP já dispuser dos elementos necessários ao ajuizamento da ação penal, o


IP não precisa ser iniciado.

OFICIALIDADE
➢ O IP é conduzido por um órgão oficial do Estado.

PROCEDIMENTO ESCRITO
➢ Todos os atos produzidos no bojo do IP deverão ser escritos, e reduzidos a termo
aqueles que forem orais (como depoimento de testemunhas, interrogatório do
indiciado, etc.).

➢ Essa regra encerra outra característica do IP, citada por alguns autores, que é a
da FORMALIDADE.

INDISPONIBILIDADE
➢ Uma vez instaurado o IP, não pode a autoridade policial arquivá-lo.

DISPENSABILIDADE
➢ O Inquérito Policial é dispensável, ou seja, não é obrigatório.
➢ Caso o titular da ação penal já possua todos os elementos necessários ao
oferecimento da ação penal, o Inquérito será dispensável.

DISCRICIONARIEDADE NA SUA CONDUÇÃO

➢ A autoridade policial pode conduzir a investigação da maneira que entender


mais frutífera, sem necessidade de seguir um padrão pré-estabelecido .

➢ Essa discricionariedade não se confunde com arbitrariedade.

SIGILOSO
➢ o IP é sempre sigiloso em relação às pessoas do povo em geral.

➢ Todavia, o IP não é, em regra, sigiloso em relação aos envolvidos (ofendido,


indiciado e seus advogados).

➢ O Advogado tem acesso aos AUTOS DO IP.


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2.6 TITULARIDADE

De quem é a
titularidade do IP?
A titularidade do IP é da
autoridade policial (o
delegado de polícia). Ele
nada mais é que o
titular do inquérito
policial! Ele realiza uma
investigação
coordenada a fim de
encontrar indícios de
autoria e materialidade
do crime em questão –
daí o termo “indiciar”.

2.7 VALOR PROBATÓRIO

O Juiz pode levar em conta os elementos de prova colhidos na fase


de investigação para fundamentar sua decisão?
Sim, o Juiz pode usar as provas obtidas no Inquérito para fundamentar sua decisão. O
que o Juiz NÃO PODE é fundamentar sua decisão SOMENTE com elementos obtidos
durante o IP.

IMPORTANTE:
➢ O que é vedado é a CONDENAÇÃO do réu com lastro, EXCLUSIVAMENTE, em
elementos informativos encontrados no inquérito policial.
➢ A ABSOLVIÇÃO, mesmo que exclusivamente em elementos do IP, é permitida.

2.8 FORMAS DE INSTAURAÇÃO

O inquérito policial pode ser instaurado de quais formas?


➢ Ação Penal Pública Incondicionada
➢ Ação Penal Pública Condicionada
➢ Ação Penal Privada

Ação Penal Pública Incondicionada


➢ De Ofício (Pela Autoridade Policial)
➢ Requerimento da vítima (Ou quem tiver qualidade para representar)
➢ Requisição do MP ou Juiz
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➢ Auto de prisão em flagrante

Ação Penal Pública


Condicionada e Ação
Penal Privada
➢ Não pode de ofício pela
autoridade policial
➢ Representação da vítima
➢ Requisição do Juiz ou
MP, acompanhada do
requerimento do
ofendido autorizando
➢ Aqui também, aceita-
se, o Auto de prisão
em flagrante, desde
que instruído com
representação da
vítima.

Veja o que diz a lei, nessa parte:

Art. 5º Nos crimes de ação pública o inquérito policial será iniciado:

I.- de ofício;

II. - mediante requisição da autoridade judiciária ou do Ministério Público, ou a


requerimento do ofendido ou de quem tiver qualidade para representá-lo.

§ 1º O requerimento a que se refere o no II conterá sempre que possível:

a) a narração do fato, com todas as circunstâncias;

b) a individualização do indiciado ou seus sinais característicos e as razões de convicção


ou de presunção de ser ele o autor da infração, ou os motivos de impossibilidade de o
fazer;

c) a nomeação das testemunhas, com indicação de sua profissão e residência.


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Temos disposições importantíssimas nos seguintes parágrafos:


§ 2º Do despacho que indeferir o requerimento de abertura de inquérito caberá recurso
para o CHEFE DE POLÍCIA.

§ 3º Qualquer pessoa do povo que tiver conhecimento da existência de infração penal


em que caiba ação pública poderá, verbalmente ou por escrito, comunicá-la à
autoridade policial, e esta, verificada a procedência das informações, mandará instaurar
inquérito.

§ 4º O inquérito, nos crimes em que a ação pública depender de representação, não


poderá sem ela ser iniciado.

§ 5º Nos crimes de ação privada, a autoridade policial somente poderá proceder a


inquérito a requerimento de quem tenha qualidade para intentá-la.

IMPORTANTE: veja que o recurso é para o CHEFE DE POLÍCIA, as questões vão colocar
vários outros agentes aqui para tentar te confundir.

Os delegados de
polícia podem recusar-
se a cumprir requisição
de autoridade
judiciária ou de
membro do MP para
instauração de
inquérito policial?

EM REGRA: A autoridade
policial NÃO PODERÁ SE
RECUSAR a atender à
requisição (do MP e JUIZ) de
instauração de IP, PORÉM
PODERÁ SE RECUSAR na
hipótese de ORDEM MANIFESTAMENTE ILEGAL.

Atenção: A AUSÊNCIA DE DADO OU ELEMENTO para se dar abertura de IP NÃO É


MOTIVO PARA A NEGATIVA DE INSTAURAÇÃO DESSE IP por parte do Delegado diante
de uma requisição do Juiz ou MP.

2.9 NOTITIA CRIMINIS E DELATIO CRIMINIS


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Qual a diferença entre notitia criminis IMEDIATA, MEDIATA e


COERCITIVA?

a) NOTITIA CRIMINIS de cognição


IMEDIATA→ Ocorre quando a
autoridade policial toma
conhecimento do fato em razão de
suas ATIVIDADES ROTINEIRAS.
b) NOTITIA CRIMINIS de cognição
MEDIATA→ conhecimento do fato
criminoso por iniciativa de
TERCEIROS, por meio de
REQUERIMENTO ou REQUISIÇÕES
das autoridades

c) NOTITIA CRIMINIS de cognição


COERCITIVA→ Conhecimento em
razão da PRISÃO EM FLAGRANTE.

Qual a diferença entre delatio criminis SIMPLES, POSTULATÓRIA e


INQUALIFICADA?

a) DELATIO CRIMINIS SIMPLES→ Comunicação feita à autoridade policial por qualquer


do povo (Verbalmente ou por escrito)
b) DELATIO CRIMINIS POSTULATÓRIA→ É a comunicação feita pelo ofendido nos
crimes de ação penal pública condicionada ou ação penal privada
c) DELATIO CRIMINIS INQUALIFICADA→ É a denúncia anônima

Diante de uma notitia criminis, surge a figura da VPI (verificação de


procedência da informação):

Trata-se de um instrumento investigatório simplificado para verificar a verossimilhança


danotitia crimins e a viabilidade da investigação, e servir de impeditivo de instauração
de inquéritos policiais infundados.
IMPORTANTE LEMBRAR: Em caso de delatio criminsinqualificada(denúncia anônima), a
VPI é um DEVER.
STF:“Considerando a vedação ao anonimato, NÃO é possível a
instauração de IP com base unicamenteem denúncia anônima,
dada a ausência de elementos idôneos sobre a existência de
infração penal.”

2.10 INDICIAMENTO
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Qual o conceito de indiciamento?

Consiste em atribuir a alguém a autoria de determinada infração penal. NÃO É ATO


ESSENCIAL NEM INDISPENSÁVEL.

Qual é o momento
do indiciamento?

Vejamos um trecho
importante:
➢ O indiciamento
é um ato exclusivo da
investigação. Portanto,
somente é possível
indiciar alguém se a
investigação ainda
estiver em andamento.
➢ Se o processo
criminal já está em
andamento, não é
mais cabível o
indiciamento. (STJ, 6ª
Turma, HC 182.455/SP 05/05/2011).

➢ NÃO pode ser feito após oferecimento da denúncia.

Quais são as espécies?

- Material: ato do Delegado de polícia, com a exposição fatídica e jurídica que justifica a
imputação do crime ao investigado.

- Formal: é constituído por peças essenciais para formar a convicção da autoridade para
oindiciamento material. Peças como: boletim de vida pregressa, auto de qualificação e
interrogatório.

- Coercitivo: é aquele decorrente do APF, uma vez que os pressupostos do indiciamento


são quase os mesmos da lavratura do auto de prisão em flagrante. Além do mais, em
um APF, já temos a prova da materialidade do crime, indícios de autoria e circunstâncias
fáticas.

- Direito: indiciado presente.

- Indireto: indiciado ausente.

- Complexo: trata-se dos casos em que o investigado possui de foro por prerrogativa
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de função.

Quais são os pressupostos?


O indiciamento não pode ser feito de maneira arbitrária ou leviana. É necessário o
“fumus comissi delicti”: prova da existência do crime mais indícios de autoria e
participação. (STF, 2ª Turma, HC 85.541).

Quem tem atribuição


para o indiciamento?
I.- O indiciamento é um ato
privativo do Delegado.
II.- O indiciamento não pode
ser requisitado pelo juiz e
nem pelo Ministério
Público.

O que é o
desindiciamento?
É a desconstituição de
anterior indiciamento e
poderá ser realizado pelo
próprio Delegado de Polícia
ou pelo juiz, na hipótese de
constrangimento ilegal.

Quem pode ser indiciado?


I.– Em regra, qualquer pessoa pode ser indiciada.
II.– Não podem ser indiciados (há previsão legal):
a) Promotores (Lei n. 8.625/93).
b) Juízes (LC n. 35/79).
III – Demais autoridades com foro por prerrogativa de função: depende de autorização
do Ministro Relator.

2.11 GARANTIAS

ADVOGADO
- Pode consultar os AUTOS do processo JÁ CONCLUIDOS e PASSADOS A TERMO
- Provas já DOCUMENTADAS.
- Não pode consultar diligências que ainda estejam em curso.

Súmula Vinculante, Nº 14 -->É direito do defensor, no interesse do representado, ter


acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em procedimento
investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito
ao exercício do direito de defesa.
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2.12 CONCLUSÃO

Qual a duração do
IP, quando o
investigado estiver
PRESO?
- 10 DIAS
- Pode ser
prorrogado uma única
vez por mais 15 dias.
- Contado a partir do
DIA EM QUE SE
EXECUTAR A ORDEM DE
PRISÃO

Qual a duração do
IP, quando o
investigado estiver
SOLTO?
- 30 DIAS
- Pode ser
prorrogado (Prazo
impróprio)

Art. 10. O inquérito deverá terminar no prazo de 10 dias, se o indiciado tiver sido preso
em flagrante, ou estiver preso preventivamente, contado o prazo, nesta hipótese, a
partir do dia em que se executar a ordem de prisão, ou no prazo de 30 dias, quando
estiver solto, mediante fiança ou sem ela.

EXCESSÕES

Estes prazos (10 dias e 30 dias) são a regra prevista no CPP. Entretanto, existem
exceções previstas em outras leis. Vejamos:
➢ Crimes de competência da Justiça Federal – 15 dias para indiciado preso e 30
dias para indiciado solto.
➢ Crimes da Lei de Drogas – 30 dias para indiciado preso e 90 dias para indiciado
solto.

➢ Crimes contra a economia popular – 10 dias tanto para indiciado preso quanto
para indiciado solto.
➢ Crimes Militares – 20 dias para indiciado preso e 40 dias para indiciado solto,
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prorrogáveis por mais 20 dias pela autoridade judiciária.

Mas professor, é habitual ver casos em que a conclusão com réu solto
extrapola estes prazos, por qual razão isso ocorre?

Existe uma explicação jurisprudencial para isso Caveira, o STJ firmou entendimento no
sentido que, estando o indiciado solto, embora exista um limite previsto no CPP, a
violação a este limite não teria qualquer repercussão, pois não traria prejuízos ao
indiciado, sendo considerado prazo impróprio.

2.13 ARQUIVAMENTO

2.13.1 CONCEITO

O arquivamento do
inquérito policial é uma
decisão judicial, muito
embora ainda não haja
um processo judicial em
curso. Ele depende de
pedido de promoção de
arquivamento feito pelo
MP, que será apreciado
pelo juiz (Renato
Brasileiro) - regulamento
anterior ao Pacote
Anticrime.

2.13.2 NATUREZA JURÍDICA

Quando o juiz homologa a promoção de arquivamento se incorpora a natureza de


decisão judicial do arquivamento do inquérito policial.
Contudo, o professor André Luiz Nicolitt, diz ser um ato administrativo, porquanto
embora seja uma decisão do juízo, ele não está na função tipicamente jurisdicional e sim
administrativa (Nicolitt, André, 5ª ed. Pág 205). Utilizam, ainda, a Súmula 524 do STF que
faz referência a “despacho”.

SÚMULA 524/STF - arquivado o inquérito policial por despacho


do juiz, a
requerimento do promotor de justiça não pode a ação penal ser
iniciada sem novas
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provas.

Na redação antiga, o
juiz decidia pelo
arquivamento, a
pedido do MP.
Agora, o Ministério
Público (MP) tem
autonomia para
decidir! Assim, o
“novo
procedimento” é:

1) MP ORDENA O
ARQUIVAMENTO e
comunica à vítima, ao
investigado e à
autoridade policial

2) Autos encaminhados para instância de revisão ministerial, para fins de homologação

3) Vítima ou representante não concordo com arquivamento? Deve então submeter a


matéria, em 30 dias da comunicação, à revisão do órgão ministerial competente.

Nos crimes em que NÃO COUBER AÇÃO PÚBLICA, os autos do inquérito serão remetidos
ao juízo competente, ONDE AGUARDARÃO A INICIATIVA DO OFENDIDO OU DE SEU
REPRESENTANTE LEGAL, ou serão entregues ao requerente, se o pedir, mediante
traslado.

O arquivamento do IP:

Regra:faz coisa julgada formal, isso quer dizer que, ele pode ser desarquivado e
rediscutir o assunto, desde que surjam novas provas (requisito obrigatório).
Exceção: faz coisa julgada materialde forma que não poderá ser desarquivado, nem que
surjam novas provas, e não poderá ser ofertada denúncia pelo mesmo fato, seja na
mesma ou em outra relação processual.

Hipóteses que fazem coisa julgada FORMAL (pode desarquivar o IP):


- Ausência de pressuposto ou condições da ação
- Falta de justa causa

Hipóteses que fazem coisa julgada MATERIAL (NÃO pode desarquivar


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o IP):
- Atipicidade da conduta (princípio da insignificância gera coisa julgada material);
- Causa excludente de culpabilidade (salvo inimputabilidade);
- Causa excludente de punibilidade;
- causa excludente de ilicitude > (STF : coisa julgada formal) (STJ > coisa julgada
material.)

O que é o
ARQUIVAMENTO
INDIRETO?
O membro do MP
deixava de oferecer a
denúncia por entender
que o Juízo (que estava
atuando durante a fase
investigatória) era
incompetente para
processar e julgar a ação
penal. Todavia, o Juízo
entendia que era
competente, então
recebia o pedido de
declínio de competência
como uma espécie de
pedido indireto de
arquivamento.

Art. 15. Se o indiciado for menor, ser-lhe-á nomeado curador pela autoridade policial.

Art. 16. O Ministério Público não poderá requerer a devolução do inquérito à autoridade
policial, senão para novas diligências, imprescindíveis ao oferecimento da denúncia.

Art. 17. A autoridade policial não poderá mandar arquivar autos de inquérito.

Art. 18. Depois de ordenado o arquivamento do inquérito pela autoridade judiciária,


por falta de base para a denúncia, a autoridade policial poderá proceder a novas
pesquisas, se de outras provas tiver notícia.

Art. 19. Nos crimes em que não couber ação pública, os autos do inquérito serão
remetidos ao juízo competente, onde aguardarão a iniciativa do ofendido ou de seu
representante legal, ou serão entregues ao requerente, se o pedir, mediante traslado.

Art. 20. A autoridade assegurará no inquérito o sigilo necessário à elucidação do fato


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ou exigido pelo interesse da sociedade.

Parágrafo único. Nos atestados de antecedentes que lhe forem solicitados, a autoridade
policial não poderá mencionar quaisquer anotações referentes a instauração de
inquérito contra os requerentes.

2.14 TRANCAMENTO DO IP

O que é o
trancamento do IP?
É a cessação da
investigação, mediante
HC, quando há abuso na
condução ou instauração
do IP.

O trancamento do
IP trata-se de medida excepcional, que somente é admitida em 3
hipóteses:
1 - Manifesta atipicidade, formal ou material, da conduta delituosa;
2 - Quando presente alguma causa extintiva da punibilidade;
3 - Quando houver instauração de IP em crimes de ação penal privada ou pública
condicionada à representação sem prévio requerimento do ofendido ou de seu
representante legal.

2.15 ATRIBUIÇÕES DA AUTORIDADE POLICIAL

As atribuições da autoridade policial são muito cobradas em prova,


a última, também, é muito importante, está caindo muito. Vejamos:

Art. 6º Logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, a autoridade policial
deverá:

I - dirigir-se ao local, providenciando para que não se alterem o estado e conservação


das coisas, até a chegada dos peritos criminais;
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II.- apreender os objetos que tiverem relação com o fato, após liberados pelos peritos
criminais

III. - colher todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato e suas
circunstâncias;

IV.- ouvir o ofendido;

V.- ouvir o indiciado, com observância, no que for aplicável, do disposto no Capítulo III
do Título Vll, deste Livro, devendo o respectivo termo ser assinado por duas
testemunhas que Ihe tenham ouvido a leitura;

VI.- proceder a reconhecimento de pessoas e coisas e a acareações;

VII.- determinar, se for caso, que se proceda a exame de corpo de delito e a quaisquer
outras perícias;

VIII. - ordenar a identificação do indiciado pelo processo datiloscópico, se possível, e


fazer juntar aos autos sua folha de antecedentes;

IX.- averiguar a vida pregressa do indiciado, sob o ponto de vista individual, familiar e
social, sua condição econômica, sua atitude e estado de ânimo antes e depois do crime
e durante ele, e quaisquer outros elementos que contribuírem para a apreciação do seu
temperamento e caráter.
X.- colher informações sobre a existência de filhos, respectivas idades e se possuem
alguma deficiência e o nome e o contato de eventual responsável pelos cuidados dos
filhos, indicado pela pessoa presa. (Incluído pela Lei nº 13.257, de 2016)

Outras disposições importantíssimas:

Art. 7º Para verificar a possibilidade de haver a infração sido praticada de determinado


modo, a autoridade policial poderá proceder à reprodução simulada dos fatos, desde
que esta não contrarie a moralidade ou a ordem pública.

Art. 8º Havendo prisão em flagrante, será observado o disposto no Capítulo II do Título


IX deste Livro.

Art. 9º Todas as peças do inquérito policial serão, num só processado, reduzidas a


escrito ou datilografadas e, neste caso, rubricadas pela autoridade.

Art. 11. Os instrumentos do crime, bem como os objetos que interessarem à prova,
acompanharão os autos do inquérito.

Art. 12. O inquérito policial acompanhará a denúncia ou queixa, sempre que servir de
base a uma ou outra.
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Art. 13. Incumbirá ainda à autoridade policial:

I. - fornecer às autoridades judiciárias as informações necessárias à instrução e


julgamento dos processos;

II.- realizar as diligências requisitadas pelo juiz ou pelo Ministério Público;

III.- cumprir os mandados de prisão expedidos pelas autoridades judiciárias;

IV.- representar acerca da prisão preventiva.

2.16 ARTIGO ESQUEMATIZADO

Os artigos 13-A e 13-B tem sido muito cobrados, trouxe aqui eles de forma
esquematizada:

ART. 13-A
Art. 13-A. o membro do Ministério Público ou o Delegado De Polícia poderão
REQUISITAR , de quaisquer órgãos do poder público ou de empresas da iniciativa
privada, DADOSe INFORMAÇÕESCADASTRAISda vítima ou de suspeitos, nos crimes:

a) Sequestro ou cárcere privado

b) Redução à condição análoga à de escravo

c) Tráfico de pessoas

d) Extorsão mediante restrição da liberdade (“sequestro relâmpago)

e) Extorsão mediante sequestro

f) Facilitação de envio de criança ou adolescente ao exterior (art. 239 do ECA)

Parágrafo único. A REQUISIÇÃO, que será atendida no prazo de 24 horas, conterá:

I.- o nome da autoridade requisitante;

II.- onúmero do IP; e

III.- a identificação da unidade de polícia judiciária responsável pela investigação.

Art. 13-B. Se necessário à PREVENÇÃO e à REPRESSÃO dos crimes relacionados ao


TRÁFICO DE PESSOAS, o membro do MINISTÉRIO PÚBLICO ou o DELEGADO DE
POLÍCIA poderão requisitar, mediante autorização judicial, às empresas prestadoras de
serviço de telecomunicações e/ou telemática que disponibilizem IMEDIATAMENTE os
meios técnicos adequados – como sinais, informações e outros – que permitam a
localização da vítima ou dos suspeitos do delito em curso.
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§ 1º Para os efeitos deste artigo, SINAL significa posicionamento da estação de


cobertura, setorização e intensidade de radiofrequência.

§ 2º Na hipótese de que trata ocaput, o sinal:

I - não permitirá acesso ao conteúdo da comunicação de qualquer natureza, que


dependerá de autorização judicial, conforme disposto em lei;

II- deverá ser fornecido pela prestadora de telefonia móvel celular por período não
superiora 30 dias, renovável por uma única vez, por igual período;

III - para períodos superiores àquele de que trata o inciso II, será necessária a
apresentação de ordem judicial.
§ 3º Na hipótese prevista neste artigo, o inquérito policial deverá ser instaurado no
prazo máximo de 72 horas, contado do registro da respectiva ocorrência policial.

§ 4º Não havendo manifestação judicialno prazo de 12 horas, a autoridade


competente requisitará às empresas prestadoras de serviço de telecomunicações e/ou
telemática que disponibilizem IMEDIATAMENTE os meios técnicos adequados – como
sinais, informações e outros – que permitam a localização da vítima ou dos suspeitos do
delito em curso, com imediata comunicação ao juiz.

2.17 RESUMO DE PERGUNTAS

Duração e prorrogação do IP:

a) Preso →10 dias + 15 (Prazo próprio)


b) Solto →30 dias + quantas vezes forem necessárias. (Prazo impróprio)

A não conclusão do inquérito policial no prazo legal acarreta nulidade?

Não! Mas, vai acarretar o relaxamento da prisão no caso de o investigado se encontrar


preso.

Como funciona o arquivamento do IP?

1) MPORDENA O ARQUIVAMENTO e comunica à vítima, ao investigado e à autoridade


policial
2) Autos encaminhados para instância de revisão ministerial, para fins de
homologação
3) Vítima ou representante não concordou com arquivamento? Deve então submeter
a matéria, em 30 dias da comunicação, à revisão do órgão ministerial competente.

O que é Coisa julgada formal?


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É quando pode desarquivar o IP.

O que é Coisa julgada material?

Quando não pode desarquivar, mesmo que surjam novas provas.

Quando faz coisa julgada material?


- Atipicidade
- Exclusão de punibilidade
Obs: Para o STF as excludentes de ilicitude fazem coisa julgada formal (divergindo do
STJ)

Bizu: para o STF as excludentes de ilicitude FODEM (podem desarquivar)

O que é o trancamento do IP?

Cessação da investigação, mediante HC, quando há abuso na condução ou instauração


do IP.

O trancamento do IP trata-se de medida excepcional, que somente é admitida em 3


hipóteses:

a) manifesta ATIPICIDADE, formal ou material, da conduta delituosa;


b) quando presente alguma causa EXTINTIVA DA PUNIBILIDADE;
c) quando houver instauração de IP em crimes de ação PENAL PRIVADA ou PÚBLICA
CONDICIONADA à representação sem prévio requerimento do ofendido ou de seu
representante legal.

Qual a diferença entre notitia criminis IMEDIATA, MEDIATA e COERCITIVA?

a) NOTITIA CRIMINIS de cognição IMEDIATA→ Ocorre quando a autoridade policial


toma conhecimento do fato em razão de suas ATIVIDADES ROTINEIRAS.

b) NOTITIA CRIMINIS de cognição MEDIATA→ conhecimento do fato criminoso por


iniciativa de TERCEIROS, por meio de REQUERIMENTO ou REQUISIÇÕES das autoridades

c) NOTITIA CRIMINIS de cognição COERCITIVA→ Conhecimento em razão da PRISÃO


EM FLAGRANTE.

Qual a diferença entre delatio criminis SIMPLES, POSTULATÓRIA e INQUALIFICADA?

a) DELATIO CRIMINIS SIMPLES → Comunicação feita à autoridade policial por qualquer


do povo (Verbalmente ou por escrito)
b) DELATIO CRIMINIS POSTULATÓRIA → É a comunicação feita pelo ofendido nos
crimes de ação penal pública condicionada ou ação penal privada
c) DELATIO CRIMINIS INQUALIFICADA → É a denúncia anônima
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3. Jurisprudências

Súmula 524-STF: Arquivado o inquérito policial, por despacho do juiz, a requerimento do


Promotor de Justiça, não pode a ação penal ser iniciada, sem novas provas. - Conferir o Art.
18 do CPP.

Súmula 14-STF: É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo


aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório
realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício
do direito de defesa.

É legal o compartilhamento com a CGU de informações coletadas em inquérito em que


se apura suposta prática de crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e
corrupção ativa e passiva

Origem: STJ - Informativo: 764

O compartilhamento de informações coletadas em inquérito com a Controladoria- Geral


da União encontra respaldo no art. 3º, VIII, da Lei nº 12.850/2013 (Lei de Organização
Criminosa).
Além disso, essa medida tem fundamento em Tratados promulgados pelo Brasil e
introduzidos no ordenamento pátrio com status de lei ordinária, como é o caso da
Convenção de Palermo, da Convenção de Mérida e da Convenção de Caracas.
Os supostos delitos praticados pelos agentes públicos investigados envolvem, em tese,
vultosos valores transacionados por meio de operações bancárias e aquisição e venda
de bens móveis e imóveis, condutas praticadas com o possível escopo de ocultar a
origem pública dos recursos, fato que, por si só, revela a imprescindibilidade do
compartilhamento de informações com a CGU, órgão com expertise em apurar
eventuais infrações que tenham lesado o erário.
STJ. Corte Especial. AgRg na Pet 15270/DF, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em
15/2/2023 (Info 764).

Há excesso de prazo para conclusão de IP, quando, a despeito do investigado se


encontrar solto, a investigação perdura por longo período sem que haja complexidade
que justifique

Origem: STJ - Informativo: 747

O prazo para a conclusão do inquérito policial, em caso de investigado solto é impróprio.


Assim, em regra, o prazo pode ser prorrogado a depender da complexidade das
investigações.
No entanto, é possível que se realize, por meio de habeas corpus, o controle acerca da
razoabilidade da duração da investigação, sendo cabível, até mesmo, o trancamento do
inquérito policial, caso demonstrada a excessiva demora para a sua conclusão.
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No caso concreto, o STJ reconheceu que havia excesso de prazo para conclusão de
inquérito policial que tramitava há mais de 9 anos.
A despeito do investigado estar solto e de não ter contra si nenhuma medida restritiva,
entendeu-se que a investigação já perdurava por longo período e que não havia
nenhuma complexidade que justificasse essa demora.
STJ. 6ª Turma. HC 653299-SC, Rel. Min. Laurita Vaz, Rel. Acd. Min. Sebastião Reis Júnior,
julgado em 16/08/2022 (Info 747).

É constitucional a norma de Regimento Interno de Tribunal de Justiça que condiciona


a instauração de inquérito à autorização do desembargador-relator nos feitos de
competência originária daquele órgão

Origem: STF - Informativo: 1054

Caso concreto: dispositivo do Regimento Interno do TJ/AP condiciona a instauração de


inquérito à autorização do Desembargador Relator nos feitos de competência originária
daquele órgão, utilizando-se como similaridade o inciso XV do art. 21 do Regimento
Interno do STF.
Esse dispositivo é constitucional.
Tratando-se de autoridades com prerrogativa de foro do STF, “a atividade de supervisão
judicial deve ser constitucionalmente desempenhada durante toda a tramitação das
investigações desde a abertura dos procedimentos investigatórios até o eventual
oferecimento, ou não, de denúncia pelo dominus litis” (Inquérito 2411-QO, Rel. Min.
Gilmar Mendes, julgado em 10/10/2007).
A mesma interpretação tem sido aplicada pelo STF aos casos de investigações
envolvendo autoridades com prerrogativa de foro nos Tribunais de segundo grau,
afirmando-se a necessidade de supervisão das investigações pelo órgão judicial
competente.
Em interpretação sistemática da Constituição, a mesma razão jurídica apontada para
justificar a necessidade de supervisão judicial dos atos investigatórios de autoridades
com prerrogativa de foro no STF aplica-se às autoridades com prerrogativa de foro em
outros Tribunais.
Não há que se falar em usurpação das funções institucionais conferidas
constitucionalmente ao Ministério Público, pois o órgão mantém a titularidade da ação
penal e as prerrogativas investigatórias, devendo apenas submeter suas atividades ao
controle judicial.
A norma questionada não apresenta vício de iniciativa, não inovando em matéria
processual penal ou procedimental, e limitando-se a regular a norma constitucional que
prevê o foro por prerrogativa de função.
STF. Plenário. ADI 7083/AP, Rel. Min. Cármen Lúcia, redator do acórdão Min. Dias Toffoli,
julgado em 13/5/2022 (Info 1054).
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Não há ilicitude das provas por violação ao sigilo de dados bancários, em razão do
compartilhamento de dados de movimentações financeiras da própria instituição
bancária ao Ministério Público

Origem: STJ - Informativo: 731

Não houve violação ilícita do sigilo de dados bancários. Isso porque não eram
informações bancárias sigilosas relativas à pessoa do investigado, mas sim
movimentações financeiras da própria instituição.
Além disso, após o recebimento da notícia-crime, o Ministério Público requereu ao juízo
de primeiro grau a quebra do sigilo bancário e o compartilhamento pelo Banco de todos
os documentos relativos à apuração, o que foi deferido, havendo, portanto, autorização
judicial.
Desse modo, as alegadas informações sigilosas não são os dados bancários do
investigado, e sim as informações e registros relacionados à sua atividade laboral como
funcionário do Banco.
STJ. 6ª Turma. RHC 147307-PE, Rel. Min. Olindo Menezes (Desembargador convocado
do TRF 1ª Região), julgado em 29/03/2022 (Info 731).

O acordo de não persecução penal (ANPP) aplica-se a fatos ocorridos antes da Lei nº
13.964/2019, desde que não recebida a denúncia

Origem: STJ - Informativo: 683

A Lei nº 13.964/2019 (“Pacote Anticrime”) inseriu o art. 28-A ao CPP, criando, no


ordenamento jurídico pátrio, o instituto do acordo de não persecução penal (ANPP).
A Lei nº 13.964/2019, no ponto em que institui o ANPP, é considerada lei penal de
natureza híbrida, admitindo conformação entre a retroatividade penal benéfica e o
tempus regit actum.
O ANPP se esgota na etapa pré-processual, sobretudo porque a consequência da sua
recusa, sua não homologação ou seu descumprimento é inaugurar a fase de
oferecimento e de recebimento da denúncia.
O recebimento da denúncia encerra a etapa pré-processual, devendo ser considerados
válidos os atos praticados em conformidade com a lei então vigente.
Dessa forma, a retroatividade penal benéfica incide para permitir que o ANPP seja
viabilizado a fatos anteriores à Lei nº 13.964/2019, desde que não recebida a denúncia.
Assim, mostra-se impossível realizar o ANPP quando já recebida a denúncia em data
anterior à entrada em vigor da Lei nº 13.964/2019.
STJ. 5ª Turma. HC 607003-SC, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em
24/11/2020 (Info 683).
STF. 1ª Turma. HC 191464 AgR, Rel. Roberto Barroso, julgado em 11/11/2020.
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No mesmo sentido, mais recente:


O Acordo de Não Persecução Penal (ANPP), inserido pela Lei nº 13.924/2019, aplica-se
retroativamente desde que não tenha havido o recebimento da denúncia.
STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 2.006.523-CE, Rel. Min. Jesuíno Rissato (Desembargador
convocado do TJDFT), julgado em 23/8/2022 (Info 761).

*Divergência
2ª Turma do STF:
É possível a aplicação retroativa do art. 28-A do CPP mesmo que já tenha sido
proferida sentença condenatória.
STF. 2ª Turma. HC 220.249-SP, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 16/12/2022.
STF. 2ª Turma. HC 206.660-SC, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em
07/03/2023.

Vale frisar que a matéria está afetada ao Plenário do STF no HC 185.913.

Ação controlada do art. 8º, § 1º da Lei nº 12.850/2013 exige apenas comunicação


prévia (e não autorização judicial)

Origem: STJ - Informativo: 677

Ação controlada do art. 8º, § 1º da Lei nº 12.850/2013 exige apenas comunicação


prévia (e não autorização judicial)
A ação controlada prevista no § 1º do art. 8º da Lei nº 12.850/2013 independe de
autorização, bastando sua comunicação prévia à autoridade judicial.
STJ. 6ª Turma. HC 512290-RJ, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 18/08/2020
(Info 677).

É constitucional a norma de Regimento Interno de Tribunal de Justiça que condiciona


a instauração de inquérito à autorização do desembargador-relator nos feitos de
competência originária daquele órgão

Origem: STF - Informativo: 1054

Caso concreto: dispositivo do Regimento Interno do TJ/AP condiciona a instauração de


inquérito à autorização do Desembargador Relator nos feitos de competência originária
daquele órgão, utilizando-se como similaridade o inciso XV do art. 21 do Regimento
Interno do STF.
Esse dispositivo é constitucional.
Tratando-se de autoridades com prerrogativa de foro do STF, “a atividade de
supervisão judicial deve ser constitucionalmente desempenhada durante toda a
Licenciado para - João Victor Gonçalves Dias - 07012522194 - Protegido por [Link]

tramitação das investigações desde a abertura dos procedimentos investigatórios até o


eventual oferecimento, ou não, de denúncia pelo dominus litis” (Inquérito 2411-QO, Rel.
Min. Gilmar Mendes, julgado em 10/10/2007).
A mesma interpretação tem sido aplicada pelo STF aos casos de investigações
envolvendo autoridades com prerrogativa de foro nos Tribunais de segundo grau,
afirmando-se a necessidade de supervisão das investigações pelo órgão judicial
competente.
Em interpretação sistemática da Constituição, a mesma razão jurídica apontada para
justificar a necessidade de supervisão judicial dos atos investigatórios de autoridades
com prerrogativa de foro no STF aplica-se às autoridades com prerrogativa de foro em
outros Tribunais.
Não há que se falar em usurpação das funções institucionais conferidas
constitucionalmente ao Ministério Público, pois o órgão mantém a titularidade da ação
penal e as prerrogativas investigatórias, devendo apenas submeter suas atividades ao
controle judicial.
A norma questionada não apresenta vício de iniciativa, não inovando em matéria
processual penal ou procedimental, e limitando-se a regular a norma constitucional que
prevê o foro por prerrogativa de função.
STF. Plenário. ADI 7083/AP, Rel. Min. Cármen Lúcia, redator do acórdão Min. Dias Toffoli,
julgado em 13/5/2022 (Info 1054).

O acordo de não persecução penal (ANPP) aplica-se a fatos ocorridos antes da Lei nº
13.964/2019, desde que não recebida a denúncia

Origem: STJ - Informativo: 683

A Lei nº 13.964/2019 (“Pacote Anticrime”) inseriu o art. 28-A ao CPP, criando, no


ordenamento jurídico pátrio, o instituto do acordo de não persecução penal (ANPP).
A Lei nº 13.964/2019, no ponto em que institui o ANPP, é considerada lei penal de
natureza híbrida, admitindo conformação entre a retroatividade penal benéfica e o
tempus regit actum.
O ANPP se esgota na etapa pré-processual, sobretudo porque a consequência da sua
recusa, sua não homologação ou seu descumprimento é inaugurar a fase de
oferecimento e de recebimento da denúncia.
O recebimento da denúncia encerra a etapa pré-processual, devendo ser considerados
válidos os atos praticados em conformidade com a lei então vigente.
Dessa forma, a retroatividade penal benéfica incide para permitir que o ANPP seja
viabilizado a fatos anteriores à Lei nº 13.964/2019, desde que não recebida a denúncia.
Assim, mostra-se impossível realizar o ANPP quando já recebida a denúncia em data
anterior à entrada em vigor da Lei nº 13.964/2019.
STJ. 5ª Turma. HC 607003-SC, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em
24/11/2020 (Info 683).
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STF. 1ª Turma. HC 191464 AgR, Rel. Roberto Barroso, julgado em 11/11/2020.

É constitucional o Inquérito instaurado para investigar “fake news” e ameaças contra


o STF

Origem: STF - Informativo: 982

É constitucional a Portaria GP 69/2019, por meio da qual o Presidente do STF


determinou a instauração do Inquérito 4781, com o intuito de apurar a existência de
notícias fraudulentas (fake news), denunciações caluniosas, ameaças e atos que podem
configurar crimes contra a honra e atingir a honorabilidade e a segurança do STF, de
seus membros e familiares.
Também é constitucional o art. 43 do Regimento Interno do STF, que foi recepcionado
pela CF/88 como lei ordinária.
O STF, contudo, afirmou que o referido inquérito, para ser constitucional, deve cumprir
as seguintes condicionantes:
a) o procedimento deve ser acompanhado pelo Ministério Público;
b) deve ser integralmente observado o Enunciado 14 da Súmula Vinculante.
c) o objeto do inquérito deve se limitar a investigar manifestações que acarretem risco
efetivo à independência do Poder Judiciário (art. 2º da CF/88). Isso pode ocorrer por
meio de ameaças aos membros do STF e a seus familiares ou por atos que atentem
contra os Poderes instituídos, contra o Estado de Direito e contra a democracia; e, por
fim,
d) a investigação deve respeitar a proteção da liberdade de expressão e de imprensa,
excluindo do escopo do inquérito matérias jornalísticas e postagens, compartilhamentos
ou outras manifestações (inclusive pessoais) na internet, feitas anonimamente ou não,
desde que não integrem esquemas de financiamento e divulgação em massa nas redes
sociais.
O art. 43 do RISTF prevê o seguinte: “Art. 43. Ocorrendo infração à lei penal na sede ou
dependência do Tribunal, o Presidente instaurará inquérito, se envolver autoridade ou
pessoa sujeita à sua jurisdição, ou delegará esta atribuição a outro Ministro.”
Muito embora o dispositivo exija que os fatos apurados ocorram na “sede ou
dependência” do próprio STF, o caráter difuso dos crimes cometidos por meio da
internet permite estender (ampliar) o conceito de “sede”, uma vez que o STF exerce
jurisdição em todo o território nacional. Logo, os crimes objeto do inquérito, contra a
honra e, portanto, formais, cometidos em ambiente virtual, podem ser considerados
como cometidos na sede ou dependência do STF.
STF. Plenário. ADPF 572 MC/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 17 e 18/6/2020 (Info
982).

Para ser decretada a medida de busca e apreensão, é necessário que haja indícios
mais robustos que uma simples notícia anônima
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Origem: STF - Informativo: 976

Denúncias anônimas não podem embasar, por si sós, medidas invasivas como
interceptações telefônicas, buscas e apreensões, e devem ser complementadas por
diligências investigativas posteriores.
Se há notícia anônima de comércio de drogas ilícitas numa determinada casa, a polícia
deve, antes de representar pela expedição de mandado de busca e apreensão, proceder
a diligências veladas no intuito de reunir e documentar outras evidências que
confirmem, indiciariamente, a notícia.
Se confirmadas, com base nesses novos elementos de informação o juiz deferirá o
pedido.
Se não confirmadas, não será possível violar o domicílio, sendo a expedição domandado
desautorizada pela ausência de justa causa.
O mandado de busca e apreensão expedido exclusivamente com apoio em denúncia
anônima é abusivo.
STF. 2ª Turma. HC 180709/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 5/5/2020 (Info976).

É possível a deflagração de investigação criminal com base em matéria jornalística

Origem: STJ - Informativo: 652

É possível a deflagração de investigação criminal com base em matéria jornalística.


STJ. 6ª Turma. RHC 98056-CE, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, julgado em
04/06/2019 (Info 652).

O STF pode, de ofício, arquivar inquérito quando, mesmo esgotados os prazos para a
conclusão das diligências, não foram reunidos indícios mínimos de autoria ou
materialidade

Origem: STF - Informativo: 912

O STF pode, de ofício, arquivar inquérito quando verificar que, mesmo após terem sido
feitas diligências de investigação e terem sido descumpridos os prazos para a instrução
do inquérito, não foram reunidos indícios mínimos de autoria ou materialidade (art. 231,
§ 4º, “e”, do RISTF).
A pendência de investigação, por prazo irrazoável, sem amparo em suspeita
contundente, ofende o direito à razoável duração do processo (art. 5º, LXXVIII, da CF/88)
e a dignidade da pessoa humana (art. 1º, III, da CF/88).
Caso concreto: tramitava, no STF, um inquérito para apurar suposto delito praticado por
Deputado Federal. O Ministro Relator já havia autorizado a realização de diversas
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diligências investigatórias, além de ter aceitado a prorrogação do prazo de conclusão


das investigações. Apesar disso, não foram reunidos indícios mínimos de autoria e
materialidade. Com o fim do foro por prerrogativa de função para este Deputado, a PGR
requereu a remessa dos autos à 1ª instância. O STF, contudo, negou o pedido e arquivou
o inquérito, de ofício, alegando que já foram tentadas diversas diligências investigatórias
e, mesmo assim, sem êxito. Logo, a declinação de competência para a 1ª instância a fim
de que lá sejam continuadas as investigações seria uma medida fadada ao insucesso e
representaria apenas protelar o inevitável.
STF. 2ª Turma. Inq 4420/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 21/8/2018 (Info912).

No mesmo sentido: STF. Decisão monocrática. INQ 4.442, Rel. Min. Roberto Barroso, Dje
12/06/2018.

Não é permitido o ingresso na residência do indivíduo pelo simples fato de haver


denúncias anônimas e ele ter fugido da polícia

Origem: STJ - Informativo: 623

A existência de denúncias anônimas somada à fuga do acusado, por si sós, não


configuram fundadas razões a autorizar o ingresso policial no domicílio do acusado sem
o seu consentimento ou determinação judicial.
STJ. 6ª Turma. RHC 83501-SP, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 06/03/2018 (Info 623).

Mera intuição de que está havendo tráfico de drogas na casa não autoriza o ingresso
sem mandado judicial ou consentimento do morador

Origem: STJ - Informativo: 606

O ingresso regular da polícia no domicílio, sem autorização judicial, em caso de flagrante


delito, para que seja válido, necessita que haja fundadas razões (justa causa) que
sinalizem a ocorrência de crime no interior da residência.
A mera intuição acerca de eventual traficância praticada pelo agente, embora pudesse
autorizar abordagem policial em via pública para averiguação, não configura, por si só,
justa causa a autorizar o ingresso em seu domicílio, sem o seu consentimento e sem
determinação judicial.
STJ. 6ª Turma. REsp 1574681-RS, Rel. Min. Rogério Schietti Cruz, julgado em 20/4/2017
(Info 606).
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Possibilidade de reabertura de inquérito policial arquivado por excludente de


ilicitude

Origem: STF - Informativo: 858

É possível a reabertura da investigação e o oferecimento de denúncia se o inquérito


policial havia sido arquivado com base em excludente de ilicitude?
• STJ: NÃO. Para o STJ, o arquivamento do inquérito policial com base na existência de
causa excludente da ilicitude faz coisa julgada material e impede a rediscussão do caso
penal. O mencionado art. 18 do CPP e a Súmula 524 do STF realmente permitem o
desarquivamento do inquérito caso surjam provas novas. No entanto, essa possibilidade
só existe na hipótese em que o arquivamento ocorreu por falta de provas, ou seja, por
falta de suporte probatório mínimo (inexistência de indícios de autoria e certeza de
materialidade). STJ. 6ª Turma. REsp 791.471/RJ , Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em
25/11/2014 (Info 554).
• STF: SIM. Para o STF, o arquivamento de inquérito policial em razão do
reconhecimento de excludente de ilicitude não faz coisa julgada material. Logo, surgindo
novas provas seria possível reabrir o inquérito policial, com base no art. 18 do CPP e na
Súmula 524 do STF. STF. 1ª Turma. HC 95211, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em
10/03/2009. STF. 2ª Turma. HC 125101/SP , rel. orig. Min. Teori Zavascki, red. p/ o
acórdão Min. Dias Toffoli, julgado em 25/8/2015 (Info 796).

O arquivamento de inquérito policial por excludente de ilicitude realizado com base


em provas fraudadas não faz coisa julgada material.
STF. Plenário. HC 87395/PR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 23/3/2017
(Info 858).

O MP, no exercício do controle externo da atividade policial, pode ter acesso às OMPs

O Ministério Público, no exercício do controle externo da atividade policial, pode ter


acesso a ordens de missão policial (OMP).
Ressalva: no que se refere às OMPs lançadas em face de atuação como polícia
investigativa, decorrente de cooperação internacional exclusiva da Polícia Federal, e
sobre a qual haja acordo de sigilo, o acesso do Ministério Público não será vedado, mas
realizado a posteriori.
STJ. 1ª Turma. REsp 1439193-RJ, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 14/6/2016 (Info
587).

4. CONCLUSÃO

Finalizado!!! Lembre-se de ler a lei seca, pois a maioria das questões estão nelas.
#Caveira.

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