UNIVERSIDADE KIMPA VITA
INSTITUTO POLITÉCNICO
CURSO DE CONTABILIDADE E GESTÃO
MANUAL DE AUDITORIA I
3º ANO DE CONTABILIDADE E GESTÃO
Docente: Elisabeth Muanauta
Uíge, 2025\ 2026
Cadeira: Auditoria I
Semestre: Iº \ 2025 – 2026
Docente: Elisabeth Eduardo da Costa Januário Muanauta
E-mail: [email protected]
EM QUE CONSISTE ESTA UNIDADE CURRICULAR
1. OBJECTIVOS
GERAL
Dotar aos estudantes o controlo dos documentos contabilísticos fornecidos por uma
empresa.
ESPECÍFICOS
A disciplina tem como especificidade de:
• Aplicar os métodos de auditoria na fase de planeamento.
• Dominar os conceitos da auditoria,
• Identificar as normas, regras, princípios e tipos da auditoria.
• Detectar erros, fraudes e omissões aceites relacionados com a gestão
EDUCATIVO:
• Proporcionar aos estudantes conhecimento sobre os princípios, normas, regras da
auditoria facilitando o controlo dos documentos contabilísticos da empresa.
INSTRUTIVOS
• Identificar as normas, regras, princípios e tipos da auditoria;
• Aplicar os métodos de auditoria na fase de planeamento
HABILIDADES
Ao final do estudo desta cadeira, os alunos devem ser capaz de:
• Dominar os conceitos da auditoria;
• Detectar erros, fraudes e omissões aceites relacionados com a gestão.
VALORES
• Impelir a responsabilidade e ética profissional, pontualidade na entrega das tarefas
que lhe são incumbidas, hábito de pesquisa científica e auto preparação de uma
actuação humanística adequada.
2. METODOLOGIA
• Método expositivo;
• Método participativo;
• Estudos de casos
3. AVALIAÇÃO
Provas parcelares (2);
Avaliação contínua: (assiduidade, prova surpresa, trabalho em grupo e individual,
exercícios práticos)
Trabalhos (individuais e em grupos)
Exames normais;
4. CONTEÚDO PROGRAMÁTICO
1- Capítulo I - noções gerais de auditoria
2- Capítulo II - controlo interno
3- Capítulo III - auditoria interna
4- Capítulo IV - auditoria externa
5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BÁSICAS
COSTA, Carlos Baptista (2010), Auditoria Financeira – Teoria e Prática, 9.ª edição, Rei
dos Livros.
COSTA, Carlos Baptista e Alves, Gabriel Correia (2008), Casos Práticos de Auditoria
Financeira, 5.ª Edição, Rei do Livros.
TABORDA, D. M. G. (2006), Auditoria – Revisão Legal das Contas e Outras Funções do
Revisor Oficial de Contas, Sílabo
ARAÚJO, Inaldo da Paixão Santos; BARRETTO, Pedro Humberto Teixeira; ARRUDA,
Daniel Gomes. Auditoria contábil. São Paulo: Saraiva, 2007.
CARLIN, Everson Luiz Breda; HOOG, Wilson Alberto Zappa. Manual de auditoria
contábil das sociedades empresárias. São Paulo: Juruá, 2007.
Sumário
Introdução.........................................................................................................................................1
CAPITULO I - NOÇÕES GERAIS DE AUDITORIA....................................................................2
1.1 A importância e necessidade da informação financeira ser credível..........................................2
1.1.1 Dever de Prestar Contas..............................................................................................................4
1.1.2 Faltas de apresentação das contas e a deliberação sobre elas......................................................4
1.2 Técnica Contabilística...................................................................................................................5
1.3 Conceitos de auditoria...................................................................................................................6
1.4 Evolução Histórica da Auditoria...................................................................................................7
1.5 Objecto e Objectivo da auditoria...................................................................................................8
1.5.1 Os Documentos Contabilísticos...................................................................................................9
1.6 Auditor.........................................................................................................................................11
1.6.1 O perfil do auditor....................................................................................................................11
1.6.2 Responsabilidade do auditor e dos gestores..............................................................................12
1.7 Situação da auditoria Financeira em Angola...............................................................................13
1.8 Auditoria Financeira no Sector Público........................................................................................15
1.8 Organismos emissores de normas de auditoria............................................................................15
1.9 A obtenção da qualificação Profissional.....................................................................................16
1.9.1 Funções dos auditores - revisores oficiais de contas / para o nosso caso peritos contabilistas. 16
1.9.2 Requisitos para Inscrição como Auditor (Perito Contabilista)..................................................17
1.9.3 Formas de Exercício a profissão de Auditoria..........................................................................17
1.10 Normas de Auditoria Geralmente Aceites.................................................................................18
1.11 Tipos de Auditoria......................................................................................................................20
1.12 O processo de Auditoria............................................................................................................23
CAPÍTULO II – CONTROLO INTERNO....................................................................................26
2.1 Sistema de controlo interno.........................................................................................................26
2.2 Definições e conceitos.................................................................................................................27
2.2 Objectivos do Controlo Interno....................................................................................................29
2.3 Tipos de Controlo Interno.............................................................................................................30
2.4 Princípios de um Sistema de Controlo Interno Adequado...........................................................31
2.5 Níveis De Controlo De Interno....................................................................................................32
2.6 Componentes do Controlo Interno...............................................................................................33
2.7 Limitações do Sistema de Controlo Interno.................................................................................34
2.8 Avaliação do sistema de controlo interno....................................................................................36
2.9 Relação entre a auditoria interna e o controlo interno.................................................................37
CAPÍTULO III – AUDITORIA INTERNA...................................................................................38
3.1 Auditoria interna...........................................................................................................................38
3.2 Objectivos gerais do auditor........................................................................................................39
1.11 Documentação em Auditoria (ISA 230).....................................................................................40
3.3 Erros e Irregularidades (ISA 240)................................................................................................41
3.4 Determinação do risco de auditoria.............................................................................................42
CAPÍTULO IV – AUDITORIA EXTERNA.................................................................................43
4.1 Auditoria externa..........................................................................................................................43
4.2 A Independência do Auditor........................................................................................................44
4.3 Incompatibilidades absolutas........................................................................................................44
4.4 A diferença entre a auditoria interna e externa.............................................................................45
4.5 Relação entre auditoria interna e externa....................................................................................46
Referências bibliográficas..............................................................................................................47
Introdução
O papel mais importante da auditoria para uma organização é, sem sombra de dúvidas, o
seu carácter investigativo e crítico.
Toda companhia que pretende actuar de forma sustentável e competitiva no mercado
precisa ter atenção com os seus processos internos. É fundamental acompanhar a execução
das tarefas de perto e certificar-se de que o planeamento estratégico seja seguido
adequadamente.
A auditoria é um processo sistemático em que todas as actividades desenvolvidas por
uma empresa são analisadas cuidadosamente. O objectivo é verificar se as tarefas estão sendo
realizadas conforme o procedimento pretendido.
O papel dos auditores é avaliar se os métodos utilizados pela organização são eficazes
para corrigir erros e evitar fraudes.
Todas as “não conformidades” identificadas são reportadas rapidamente aos gestores.
Dessa forma, é possível desenvolver planos de acção para minimizar as falhas.
Hoje, com a situação em que se vive é extremamente necessária a presença de um
auditor dentro da empresa. Para confiar aos interessados (acionistas, investidores, bancos,
etc.).
O papel da auditoria interna é determinado pela administração e os seus objectivos
diferem dos objetivos do auditor externo. Os objectivos da função de auditoria interna variam
consoante as exigências da administração ao passo que a principal preocupação do auditor
externo está em averiguar se as demonstrações financeiras estão isentas de distorções
materialmente relevantes.
CAPITULO I - NOÇÕES GERAIS DE AUDITORIA
1.1 Conceitos de auditoria
A palavra Auditoria tem a sua origem no verbo latino “audire”, que significa “ouvir”.
Permitiu a criação da palavra “auditore” como sendo aquele que “ouve”, ou seja, o ouvinte. E
porquê? Porque nos primórdios da Auditoria, os auditores tiravam as suas conclusões
fundamentalmente com base nas informações verbais que lhes eram transmitidas.
Segundo Edward Stamp e Maurice Moonitz, uma auditoria é um exame independente,
objectivo e competente de um conjunto de demonstrações financeiras de uma entidade,
juntamente com toda a prova de suporte necessária, sendo conduzida com a intenção de
exprimir uma opinião informada e fidedigna, através de um relatório escrito, sobre se as DF
apresentam apropriadamente a posição financeira e o progresso da entidade, de acordo com
normas de Contabilidade geralmente aceites.
Para Willian Attie (1998, p.25), auditoria é uma especialização contabilística voltado a
testar a eficiência e eficácia do controlo patrimonial com o objetivo de expressar uma opinião
sobre determinado dado.
De acordo com Gil (1879, p.59), auditoria é um exame cuidadoso e independente das
actividades desenvolvidas em determinada empresa ou sector, cujo objectivo é averiguar se
elas estão de acordo com as disposições planeadas e/ou estabelecidas previamente, se foram
implementadas com eficácia e se estão adequadas com os objectivos traçados pela empresa.
Auditoria é uma técnica contabilística voltada a testar a eficiência e eficácia do controlo
patrimonial implantado com o objectivo de expressar uma opinião sobre determinado objecto.
Outro sim, visa mensurar a exatidão dos registros e das demonstrações contabilísticas.
De modo geral, a auditoria assegura a fidedignidade da situação patrimonial de uma
determinada empresa, servindo como uma verdadeira ferramenta para a tomada de decisão do
gestor.
1.2 Evolução histórica
Auditoria tal como a conhecemos, teve o seu início na Grã-Bretanha, corria o ano de 1547,
quando foi publicado em língua inglesa (depois de ter sido escrito sucessivamente em italiano,
holandês e francês) um livro de autor desconhecido que versava escrituração comercial
dirigida entre outros, aos auditores. Ainda na Grã-Bretanha, nos finais do século XVII,
reconhecia-se o contabilista profissional como pessoa habilitada para tratar de caos de
insolvências, falências, liquidações.
Com a expansão das multinacionais sobretudo americanas pela América Latina, a Auditoria
foi a reboque, porque os auditores só podiam emitir as suas opiniões sobre as DF consolidadas
desde que auditassem “in loco” as DF das empresas subsidiárias.
A evolução da auditoria tal como conhecemos hoje ficou a dever-se, também em grande parte,
à revolução industrial que ocorreu no Reino Unido, no século XVIII, por volta de 1780. Na
opinião de Santi (1988), “a Revolução Industrial foi a responsável pelos registos que deram
origem à auditoria. Este facto veio gerar a necessidade de avaliação destas empresas, com a
finalidade de averiguar a rentabilidade dos investimentos. A evolução da auditoria passou
pelas seguintes fases:
1. A auditoria apareceu muito em virtude do sistema capitalista, ou seja, o aumento e acúmulo
de capitais aumentou a necessidade de auditoria;
2. As empresas pertenciam a grupos familiares, com a evolução do sistema capitalista, houve
a necessidade desses grupos passarem o controlo da administração para outras pessoas. Isso
gerou a necessidade de existir uma auditoria eficiente;
3. A expansão do mercado, da concorrência, do desenvolvimento tecnológico. Isso tudo,
gerou a necessidade da existência de dados cada vez mais confiáveis;
4. A aprimorar controlos internos das empresas, foi importante para empresas atingirem seus
objetivos;
5. A necessidade de captação de recursos juntos á terceiros, foi o passo importante para a
origem da auditoria. Porque quem recorre aos empréstimos, o banco procura saber a situação
financeira e contabilística da empresa;
6. Informações contabilísticas confiáveis, havia necessidade de confirmação dos registos
contabilísticos.
1.3 Objecto e objectivo da auditoria
1
Em termos gerais, uma auditoria destina-se a verificar, de uma forma sistemática, a
conformidade e o cumprimento dos procedimentos adoptados e seguidos nas diversas áreas
organizacionais de uma entidade com os respectivos regulamentos, critérios, leis, regras e
políticas, quer internos quer externos, que se encontrarem estabelecidos e aprovados.
O objecto de estudo da auditoria – é a matéria ou assunto sobre o qual recai a atenção ou
que é alvo de uma investigação, ou seja, é o assunto sobre o qual versa uma pesquisa ou
ciência.
O objecto da auditoria é o conjunto de todos os elementos de controlo do patrimônio
administrado, os quais compreendem registros contabilísticos, papéis, documentos, fichas,
arquivos, e anotações que comprovem a legitimidade dos actos da administração, bem como
sua sinceridade na defesa dos interesses patrimoniais.
O objectivo da auditoria tem como o objectivo dar credibilidade sobre a pesquisa em
questão.
O objectivo principal da auditoria pode ser descrito, em linhas gerais, como sendo o
processo pelo qual o auditor se certifica da veracidade das demonstrações financeiras
preparadas pela companhia auditada (ATTIE, 1998, 35).
No que refere a auditoria financeira, é geralmente referida também como auditoria
contabilística, auditoria externa ou auditoria independente, podemos afirmar que esta tem
como objecto de estudo as asserções subjacentes as demonstrações financeiras e como
objectivo a expressão de uma opinião, por parte de um profissional competente e
independente, sobre as demonstrações financeiras se apresentam imagem verdadeira e
apropriada.
Segundo a ISA 200 (International Standard on Auditing), estabelece ainda que ao
realizar uma auditoria de demonstrações financeiras deparamo-nos com dois objectivos
globais do auditor que são:
1
Costa, Baptista Carlos. Auditoria Financeira: Teoria e Prática. 2017, 11ª edição
a) Obter uma segurança razoável sobre as demonstrações financeiras como um todo estão
isentas de distorções materiais, seja devido fraude ou a erro, permitindo-lhe expressar
uma opinião se as demonstrações financeiras estão preparadas, em todos os aspectos
materiais, de acordo com uma estrutura conceptual de relato financeiro aplicável; e
b) Relatar sobre as demonstrações financeiras, e comunicar conforme exigido pelas ISA,
de acordo com as suas constatações.
1.4 O Papel e perfil de um auditor
1.4.1 O auditor
O auditor, segundo Rodrigues (2011) era visto, antigamente, como aquele que apenas
apontava os erros, visto com uma imagem autoritária perante os auditados. Porém,
actualmente, não é visto apenas como um fiscalizador, mas um auxiliador, que possui um
importante papel dentro da empresa, possuindo um perfil qualificado para exercer suas
funções e que sabe interagir com os demais empregados, mantendo um vínculo profissional e
independente, sendo um importante suporte para a gestão da empresa.
O termo auditor de origem latina (aquele que ouve, o ouvinte), que na realidade provém da
palavra inglesa to audit (examinar, ajustar, corrigir, certificar), esse termo não é exclusivo do
ramo contabilístico, usa-se a mesma nomenclatura em outras actividades diferentes, porém
exercidas com objectivos similares. (WILLIAM, 1998). O Auditor é aquele que dá opiniões
sobre as demonstrações financeiras (balanço patrimonial, demonstrações do resultado, entre
outras) e que também contribui para a continuidade operacional de uma empresa. São
trabalhadores que têm conhecimentos nas áreas de tesouraria, compras, vendas, custos, fiscal,
legal e da contabilidade, que opinam sobre a situação da empresa mediante parecer por eles
emitidos.
1.4.2 Papel do auditor
Para Crepaldi (2007, p. 6) “O papel primeiro do Auditor não é detectar fraudes, mas se no
decurso de seu trabalho ele as descobre, comunica, através de seu relatório, os efeitos
correspondentes”. Assim ao identificar erros e fraudes no decorrer do seu trabalho, o auditor
deve comunicar a administração imediatamente para que sejam tomadas as devidas
providências.
1.4.3 Perfil do auditor
Para Hoog e Carlin (2008, p.72), “O auditor para ter credibilidade, quando do cumprimento
do exercício profissional, deve obrigatoriamente seguir alguns princípios inerentes a sua
profissão”: Integridade, Acção, Posicionamento, Objectividade, Independência,
Confidencialidade, Competência profissional, Zelo, Orientação e assistência, Comportamento
ético.
a) Integridade
A integridade é o alicerce da actuação do auditor. Refere-se à honestidade e à retidão no
cumprimento dos seus deveres profissionais. Segundo a IFAC (2022), o auditor deve ser
franco e sincero nas suas relações profissionais e comerciais, agindo com transparência;
b) Ação
O auditor deve demonstrar proatividade, assumindo a responsabilidade pelas suas
actividades e decisões. A ação está ligada à capacidade de tomar decisões com base na
análise de evidências, promovendo a melhoria contínua dos processos auditados
(Crepaldi, 2021);
c) Posicionamento
Refere-se à postura profissional do auditor diante das situações, mantendo uma conduta
firme, imparcial e coerente. O auditor deve se posicionar com base em normas e
princípios éticos, mesmo diante de pressões externas (Boynton & Johnson, 2006);
d) Objectividade
A objectividade exige que o auditor não se deixe influenciar por interesses pessoais ou
externos, mantendo um julgamento imparcial e livre de preconceitos. A IFAC (2022)
destaca que o auditor deve ser imparcial na sua avaliação dos fatos;
e) Independência
A independência é fundamental para garantir a credibilidade do trabalho do auditor. Esta
pode ser de duas naturezas: independência de facto (mental) e independência de aparência
(perceptível por terceiros). Para que o relatório de auditoria tenha valor, o auditor deve
agir sem vínculos que comprometam sua imparcialidade (Attie, 2020);
f) Confidencialidade
O auditor deve respeitar o sigilo das informações obtidas durante a auditoria, evitando o
seu uso indevido. A confidencialidade é um dever ético e legal. Conforme a IFAC (2022),
o auditor só pode divulgar informações com consentimento explícito ou por obrigação
legal;
g) Competência profissional
A competência refere-se ao conhecimento técnico, experiência e capacitação contínua do
auditor. É dever do auditor manter-se actualizado e apto a realizar auditorias de forma
eficaz (Crepaldi, 2021). A qualidade da auditoria depende directamente da competência
profissional do auditor.
h) Zelo
O auditor deve executar seu trabalho com cuidado, atenção e rigor técnico. A Norma
Internacional de Auditoria (ISA) 200 destaca que o auditor deve aplicar diligência
profissional em todas as fases da auditoria, assegurando a obtenção de evidências
apropriadas e suficientes;
i) Orientação e assistência
O auditor deve estar disposto a orientar e colaborar com os auditados, promovendo uma
relação construtiva. Embora seu papel seja fiscalizador, ele também pode contribuir com
sugestões para a melhoria dos controlos internos (Oliveira, 2019);
j) Comportamento ético
O auditor deve adotar uma conduta ética, agindo com respeito às normas e valores da
profissão. Isso inclui evitar conflitos de interesse, respeitar as normas técnicas e
comportar-se de maneira profissional em todas as situações (IFAC, 2022).
1.5 A importância e necessidade da informação financeira ser credível2
Em termos gerais podemos afirmar que toda e qualquer tipo de informação deve ser
credível para que as pessoas a quem se destinam possam retirar conclusões idóneas.
Se considera este princípio como objectivo a atingir para a generalidade da informação
ele será, contudo, da maior importância para informação financeira produzidas pelas
empresas, uma vez que a mesma irá ser interpretada por uma vasta gama de destinatários.
Assim, é da responsabilidade das pessoas envolvidas na preparação das demonstrações
financeiras, tornarem as mesmas credíveis.
Entre os quais destacam-se; as que a preparam, as que a auditam, as que a analisam e as
que a utilizam.
Para os que as utilizam, ou seja, utilizadores da informação financeira, devem ser
privilegiadas uma vez que esperam que as demonstrações financeiras, como parte da
informação financeira em termos gerais, sejam preparadas com o fim de proporcionar
informação que seja útil para a tomada de decisões económicas.
Os utilizadores da informação financeira destacam-se os seguintes:
2
Costa, Baptista Carlos. Auditoria Financeira: Teoria e Prática. 2017, 11ª edição.
Investidores - (actuas e potencias), são eles que arriscam o seu capital. Têm de ter
certeza de que as demostrações financeiras das empresas onde pretendem investir são
credíveis. Está em causa para os investidores, a taxa de rendimento dos seus investimentos.
Exemplo: trabalhadores, financiadores, fornecedores e outros credores comerciais, clientes,
governo e seus departamentos e o público em geral.
Os accionistas estão também interessados em informação que lhes possibilitam
determinar a capacidade da empresa pagar dividendos.
Trabalhadores e os seus grupos representativos (sindicatos e associações profissionais,
comissões de trabalhadores) - estão interessados não só na informação acerca da estabilidade
e rendibilidade das entidades patronais, como também na informação que lhes permita avaliar
a capacidade da empresa em continuar suas actividades, o aumento de remunerações e
benefícios de reforma.
Financiadores – os financiadores estão interessados em informação que lhes permita
determinar se os seus empréstimos e correspondentes juros serão pagos nas respectivas datas
de vencimentos.
Fornecedores e outros credores comerciais – estão interessados em informação que lhes
permitam determinar se as quantias que lhes são devidas serão pagas nas respectivas datas de
vencimento por outra, estão interessados na continuidade da empresa, isto porque querem
salvaguardar os seus créditos.
Clientes – os clientes têm interesse em informação acerca da continuidade da empresa
especialmente quando têm com mesma, envolvimentos a longo prazo ou quando estão
dependentes dela.
Público – as empresas afectam ao público de várias formas. Assim, por exemplo, as
empresas podem dar contribuições significativas à economia local de muitas formas incluindo
o número de pessoas que empregam e em patrocinar o comércio com fornecedores locais. As
demonstrações financeiras podem ajudar ao público proporcionar informação acerca das
tendências e dos desenvolvimentos recentes na prosperidade das empresas e na extensão das
suas actividades.
Quadro 1.1 - Utilizadores da informação financeira
Utilizador Necessidade do relatório
Órgão de gestão Análise da performance, tomada de decisão, relata
dos resultados
Investidores Avaliação da performance, tomada de decisões de
investimento
Instituições financeiras Decisões de conceder ou não empréstimos,
prémios de risco, condições dos empréstimos
Autoridade tributária Apuramento do resultado fiscal
Investidores potenciais Tomada de decisões de investimento
Reguladores Cumprimento dos regulamentos, imposição de
sanções
Trabalhadores Aumentos salariais, prémios
Tribunais Avaliação da situação financeira da empresa em
caso de litígio
Obrigacionistas Venda ou aquisição de mais obrigações
Fornecedores Avaliação do risco de crédito
Fonte: Padoveze, C. L. (2014). Contabilidade gerencial: um enfoque em sistema de informação contabilística.
São Paulo: Atlas.
A necessidade de auditoria é frequentemente associada à necessidade de accountability
(prestação de contas), que resulta da separação entre os proprietários da empresa e os
gestores. Com a revolução industrial as empresas cresceram em dimensão e em complexidade
e as suas necessidades de capital aumentaram; os mercados de capitais desenvolveram-se,
permitindo a entrada de novos investidores que assegurem as necessidades de crescimento das
empresas. Este acontecimento levou a uma diluição do capital das empresas e o proprietário
deixou de ser o gestor, passando a haver uma separação entre estas duas figuras. Como vimos
cada uma das partes procura maximizar os seus interesses, surgindo a auditor como uma
entidade credibilizadora.
1.6 Situação da auditoria financeira em Angola
O primeiro diploma legal depois da independência foi a Lei nº 5/91 de 20/04. No seu
art.30º definiu o escopo de trabalho da auditoria externa. Um ano depois, essa tarefa começou
a ser expandida, surgindo empresas como a Deloitte & Touche e Ernest Young.
O número 3 do decreto nº 38/00 de 06 de Outubro, refere” o fiscal único é um dos
membros do Conselho Fiscal e o seu suplente terão de ser designados entre os peritos
contabilistas inscritos na Entidade Representativa dos Contabilistas e dos Peritos Contabilistas
e não poderão ser sócios da sociedade” e o artigo 452º da Lei das Sociedades Comerciais, diz
“ o contabilista ou perito contabilista, que seja membro do órgão de fiscalização, deve
examinar o relatório e as contas apresentadas pelo Conselho de Administração.
É difícil falar-se de auditoria em Angola, sem mencionar Portugal. De facto, como
resultado da construção de estradas, pontes, caminhos-de-ferro e indústrias, Portugal sentiu a
necessidade, no período colonial, de fiscalizar as atividades das empresas instaladas em
Angola.
Entretanto, a profissão de auditor foi regulamentada pela primeira vez em 1972 e, tal
como em Inglaterra em resultado da revolução industrial, teve o seu surgimento como é
conhecida hoje. Em Angola, o surgimento da mesma embora de forma rudimentar, deveu-se
ao colonialismo português.
Com as transformações sociais operadas no decurso do século XX, em virtude dos
quais o Estado passou a assumir novas funções inclusive, produtivas no sentido de satisfazer
as necessidades coletivas, provocou um elevado aumento das despesas públicas e
consequentemente o endividamento público sem, contudo, implicar um aumento da qualidade
dos serviços públicos prestados aos cidadãos.
É assim, que Angola se abriu ao investimento estrangeiro, permitindo que empresas
oriundas do mundo todo passassem a operar em vários segmentos de negócio, com maior
incidência no do petróleo. Desta forma, como consequência do regime económico
anteriormente adotado e da crise que assolava o país, o Estado viu-se obrigado a recorrer ao
financiamento do Banco Mundial (BM) e Fundo Monetário Internacional (FMI). Este último
passou a exigir que as contas dos institutos e das empresas públicas fossem auditadas pelos
seus especialistas, como garantia de que os fundos alocados ao Estado estavam a ser usados
corretamente. É neste âmbito, que as empresas como Sonangol e Banco Nacional de Angola,
a partir do ano de 1991, começam a ser objeto de auditoria de firmas internacionais como é o
caso da Price, Waterhouse, & Coopers e da Ernest & Young.
Passados alguns anos, isto é, em 2001, o Estado Angolano no âmbito do projeto sobre
normas de contabilidade e auditoria, desenvolvidas com o objetivo de aperfeiçoar tais
atividades no país, introduziu um regime de obrigatoriedade da sua aplicação, criando duas
resoluções:
Resolução nº 6/01 de 6 de março para empresas públicas e mistas, as quais começaram
a apresentar as suas contas a partir de 2002, auditadas por um perito contabilista
inscrito na OCPCA que representa os contabilistas e peritos contabilistas em Angola; e
Resolução nº 7/01 de 6 de março, criada com o objetivo de promover a qualidade e a
fiabilidade da informação financeira das empresas, através do estabelecimento de um
adequado sistema de preparação de contas, bem como, a criação de um regime que
exige auditoria obrigatória, zelando sempre pela competência técnica e independência,
as quais são conferidas por uma organização profissional (OCPCA).
Assim, com o propósito de salvaguardar o interesse público sobre a prevenção e
combate à fraude e evasão fiscal, o Estado passou a ter um diploma legal que fiscalizasse a
tributação das atividades dos grandes contribuintes em relação ao Imposto Industrial, através
da realização de auditorias às contas dos exercícios económicos de 2000 e 2001, com base nas
declarações fiscais apresentadas pelos mesmos (Resolução nº 7/01, art.º 1º).
Com a criação da bolsa de valores em 2005, como resultado do crescimento económico
e perspetivas de melhorias do setor financeiro, várias empresas foram-se instalando no
mercado angolano, aproveitando as oportunidades de negócio que o país possui. No entanto,
como consequência das situações mencionadas anteriormente, dentro das grandes empresas
ou firmas de auditoria que prestam serviços nesta área, destacam-se as Big Four:
KPMG Angola, auditores e consultores, S.A;
Price Waterhouse;
Ernest & Young; e
Delloite Touch Tohmatsu.
Finalmente, já é uma realidade falar-se de auditoria financeira em Angola, tudo fruto da
crise económica e financeira, que assolou o país, desde o segundo semestre de 2014. Desde
então, o Estado viu-se obrigado a recorrer às auditorias das DF´s das organizações públicas e
privadas, no sentido de salvaguardar o interesse público.
Tendo em conta os factos expostos, o Estado nomeou o Tribunal de Contas (TC) como
órgão máximo de controlo das finanças públicas, tendo como tarefas decretar a realização de
auditorias às instituições públicas. A OCPCA é responsável pela realização de auditorias às
DF´s das empresas privadas. Ao longo do trabalho tratar-se-á do papel de cada uma dessas
instituições.
1.7 Auditoria financeira no sector público
Em Angola, a responsabilidade da auditoria externa ou financeira, no setor público, está
a cargo do TC, visto como um dos muitos mecanismos de controlo que estão ao dispor do
mesmo, mediante os termos da alínea d) do artigo 6º em conjugação com o artigo 78º, ambos
da lei nº 13/10, de 9 de julho, instrumento jurídico que substitui a Lei nº 5/96 de 12 de Abril.
Com o efeito, determinam estas normas que, compete ao TC a fiscalização da atividade
financeira do Estado e demais entidades previstas no art.º. 2º da presente lei e, nomeadamente
“realizar por iniciativa própria, inquéritos e auditorias de natureza contabilística, financeira e
patrimonial sujeitas à sua jurisdição”.
O TC, no âmbito da ordem jurídica angolana, exerce controlo financeiro em todo o
território nacional e no estrangeiro, nomeadamente: nos órgãos de soberania do Estado e seus
serviços; nos órgãos da administração central; nos governos provinciais; nas administrações
municipais e demais órgãos ou serviços da administração local do Estado, incluindo os fundos
autónomos; nas empresas públicas e nas sociedades de capitais maioritariamente públicos; nas
associações públicas e privadas, desde que tenham subsídios do Estado para o seu cabal
funcionamento (artigo 2º e suas alíneas, Lei nº 13/10, de 9 de julho).
1.8 Funções dos auditores - revisores oficiais de contas / para o nosso caso
peritos contabilistas
Segundo o artigo 73º do estatuto da OCPCA
1ª Compete exclusivamente à categoria de profissional de auditor (perito contabilísticas) o
exercício em todo o território nacional as seguintes funções.
a) Realizar auditoria imposta por Lei;
b) Realizar auditoria de forma facultativa
c) Exercer as demais funções que por Lei lhe sejam atribuídas.
2ª Os auditores (peritos contabilistas) podem também, exercer a função de consultoria, em
matérias relacionadas com as habilitações que possuam e de docência das matérias, que
constituem objecto de exame da ordem para a obtenção da qualificação de peritos
contabilísticos. Auditores Externos inscritos na Comissão do Mercado de Capitais (CMC):
1.8.1 A obtenção da qualificação profissional
As condições para o exercício da profissão de auditor em Angola foram estabelecidas
pela primeira vez, através do Decreto Presidencial n.º 232/10 de 11 de Outubro do ano de
2010. Este mesmo Decreto diz que uma pessoa singular só pode ser reconhecida como auditor
após terem os requisitos referidos no art.º n.º 77 da referida Lei.
a) Curso superior de economia, licenciatura ou bacharelato em finanças, contabilidade e
gestão, curso superior de organização e gestão de empresa e curso de contabilidade
dos antigos instituto comerciais;
b) Cursos médio de contabilidade, pelos institutos médios de economias, cursos
ministrados pelo instituto de formação profissional do Ministério das Finanças nos
níveis II e o nível III (contabilidade geral e analítica) e outros cursos oficiais
considerados equiparados, e ministrados por institutos internacionais reconhecidos no
ramo da contabilidade;
c) Os cursos referidos nas alíneas a) e b) ministrados por estabelecimentos privados de
ensino médio e superior desde que homologados pelos Ministérios de tutela.
1.8.2 Requisito para inscrição como Auditor (Perito Contabilista)
Apenas podem ser inscritos como auditor (peritos contabilistas) as pessoas que reunirem
os seguintes requisitos:
a) Ter nacionalidade Angolana, ou possuir estatuto de estrangeiro residente desde
que, neste caso, haja tratamento reciproca no seu país de origem;
b) Ter idoneidade moral para o exercício da profissão;
c) Não ter sido condenado pela prática de crimes doloso, designadamente de
natureza fiscal, económica ou financeira, salvo se concedida reabilitação nem ter
sido declarado interdito ou inabilitado;
d) Possuir as habilitações acadêmicas, exigidas neste estatuto;
e) Estar no pleno gozo dos seus Direitos civis e políticos;
f) Ter idade mínima de 25 anos.
1.8.2 Formas de exercício a profissão de auditoria
Os Auditores (peritos contabilista) desempenham as suas funções em regime de total
independência funcional e hierárquica, relativamente as entidades a que prestam serviços.
A Profissão de Auditor (externa ou independente) pode ser exercida de duas formas: A nível
individual e/ou em firmas de auditoria. No primeiro caso, um auditor pode, contudo, trabalhar
efectivamente sozinho ou ter colaboradores, sejam eles de natureza técnica ou simplesmente a
nível de secretariado.
Nos países onde a profissão está mais desenvolvida como nos Estados Unidos da América,
Canada, Reino Unido Irlanda..., é raramente encontrarem se auditores a trabalharem
individualmente e sem qualquer tipo de apoio. Raramente encontram-se aqueles que
trabalham de forma não associada têm vários colaboradores a tempo completos ou integral.
Mas a forma, mas comum de exercício da profissão é, efectivamente, através das chamadas
firmas de auditoria. O exercício da profissão de auditoria em Angola, é exercida por
profissionais independentes, isto é, indivíduos que não pertencem a uma firma de auditoria e
também pelas firmas de auditoria. E é regulamentada pelo Decreto presidência n.º 232/10 de
11 de Outubro do ano de 2010. A necessidade da ética Profissional.
1.9 A lei das Sociedades Comercial (Lei n.º 1/04 de 13 de fevereiro)
O número 1 do artigo 315 da lei das Sociedades Comerciais (Formas de administração e
fiscalização) diz, A administração das sociedades anónima é exercida por um conselho de
Administração e a fiscalização por um conselho fiscal, constituído por um número ímpar de
membros, eleitos pelos accionistas em Assembleia Geral.
O número 1 e 2 do artigo 432 (Conselho Fiscal), A fiscalização da sociedade da
sociedade competem a um conselho fiscal, composto por três ou cinco membros efectivos e
dois suplentes, conforme se estabelece no contrato de sociedade.
O número 4 do artigo 433, refere-se o fiscal único, o seu suplente, um dos membros do
conselho fiscal e o respectivo suplente têm de ser, obrigatoriamente, peritos contabilistas ou
contabilistas, os quais não podem ser accionistas da sociedade.
1.10 Dever de prestar contas
Desde já a responsabilidade pela preparação e apresentação das demonstrações
financeiras das empresas cabe aos respectivos órgão de gestão (conselho de administração,
gerência ou equivalente) os quais devem assiná-las, e o respectivo contabilista certificado.
Todas as empresas independentemente da sua dimensão ou qualquer outro critério de
classificação que lhes sejam atribuídas, têm o dever de prestação de contas. O dever de
prestação de contas, é regulada por duas legislações
A Lei das Sociedades Comerciais ou seja Lei n.º 1/04 de 13 de Fevereiro de 2004.
Que no seu art.º 70.º no seu n.º 1 diz o seguinte:
1.º Os gerentes ou Administradores de uma sociedade devem elaborar e submeter aos
órgãos competentes da sociedade o relatório de gestão, as contas do exercício e os demais
documentos de prestação de contas previstos na lei, relativamente a cada ano civil;
3.º O relatório de gestão e as contas do exercício devem ser assinados por todos os
membros da gerência ou das administrações da sociedade;
4.º Os gerentes ou administradores que se recusarem a assinar o relatório de gestão e as
contas de exercício, devem mesmo que já tenham cessado as suas funções, justificar nesses
documentos a sua recusa e explicá-la perante o órgão competente para a aprovação;
5.º O relatório de gestão e as contas do exercício são elaborados e assinados pelos
gerentes, administradores da sociedade que exerceram funções ao tempo de apresentação, mas
os antigos membros daqueles órgãos devem prestar todas informações que para esse efeito
sejam solicitadas, relativamente ao período em que exerceram as suas funções;
6.º Salvo disposição legal em contrário, o relatório de gestão, as contas do exercício e os
demais documentos de prestação de contas devem ser apresentados e apreciados nos três
primeiros meses de cada ano civil.
1.10.1 Faltas de apresentação das contas e a deliberação sobre elas
Art.º 73.º da Lei das Sociedades Comerciais Angolana no n.º 1 diz o seguinte:
Se o relatório de gestão, as contas do exercício e os demais documentos de prestação de
contas não forem apresentadas nos dois meses seguintes ao termo do prazo fixado no n.º 5 do
artigo 70.º, qualquer sócio pode requerer ao tribunal que se proceda o inquérito.
Lei n.º 26/20 de 20 de Julho do ano de 2020, Código de imposto industrial.
Regime Geral
Na Secção II Obrigações declarativa art.º 51.º (apresentação da declaração Modelo I)
1.º Os contribuintes do regime geral do Imposto industrial submetem, electronicamente,
nos termos regulamentares, ou prestação anualmente, até ao último dia útil do mês de Maio,
na repartição fiscal competente, uma Declaração Modelo 1 em duplicado.
2.º A declaração modelo 1 do Imposto Industrial deve ser entregue, obrigatoriamente,
sob pena da não recepção pela repartição fiscal, acompanhada de Demonstração de Resultado
por Natureza, Demonstração de Fluxo de caixa, Balanço, Balancetes do Razão e Balancete
Geral Analítico, antes das regularizações, e depois das regularizações e de apuramento dos
resultados do exercício, e respectivos anexo, devidamente assinados pelo contabilista
responsável pela elaboração.
Art.º 61.º (Obrigações Declarativas) Regime Simplificado
1. Os contribuintes sujeitos ao regime simplificado de tributação apresentam,
anualmente, até ao último dia útil do mês de Abril, o Modelo de Declaração simplifica
ou livro de registo de compra, venda e serviços prestados, nos termos regulamentares;
2. A obrigação prevista no número anterior deve ser cumprida na Repartição Fiscal do
domicílio dos contribuintes, podendo a declaração ser submetidas através de meios
electrónico, nos termos regulamentares.
1.11 Técnica contabilística
Técnicas contabilísticas: conjunto de procedimentos que objetivam registrar, controlar,
evidenciar e examinar os itens patrimoniais de uma entidade. Segundo Nkossi (2022, p. 30).
A contabilidade para atingir a sua finalidade, utiliza as seguintes técnicas:
a. Escrituração: é o registo de todos os factos que ocorrem no património; esses
factos são registados nos livros próprios (Diários, Razão, Caixas, etc…);
b. As demostrações: são quadros técnicos e analíticos com aspectos qualitativos e
quantitativos. Também conhecidos como demostrações financeiras, são
relatórios expositivos dos factos ocorridos num determinado período, com dados
extraídos dos registos contabilísticos da empresa. Exemplos: Balanço
patrimonial, Demostração do resultado do exercício, Fluxo de caixa;
c. Analise das demostrações financeiras: é o exame e a interpretação financeira dos
dados contidos nas demostrações financeiras com o fim de avaliar a situação
patrimonial e financeira da empresa;
d. Auditoria: é o exame e a verificação da exatidão ou não dos procedimentos
contabilísticos.
Consiste na verificação da exatidão dos dados contidos dos registos contabilísticos, em
confronto com os respectivos documentos que o originaram.
Ao final do procedimento de auditoria o responsável pela sua execução emite relatório
onde discorre sobre os documentos que suportam os registos contabilísticos e sobre a
conformidade desses mesmos registos com os princípios fundamentais de contabilidade e com
a legislação societária
1.12.1 Contabilidade
A contabilidade é a ciência que designa a totalidade dos registos numéricos realizados com o
fim de determinar e ordenar, de uma forma completa, todos os movimentos, em valor e em
quantidades, efectuados no âmbito de actividade de uma empresa ou entidade similar. A
auditoria é o conjunto de procedimentos que certificam e garantem o bom uso de
contabilidade e a transparência na informação transmitida.
Políticas contabilísticas
São os princípios, bases, convenções, regras e práticas adoptadas por uma entidade na
preparação e apresentação das Demonstrações Financeiras. As políticas contabilísticas
definidas no Plano Geral de Contabilidade têm como objectivo garantir que as demonstrações
financeiras foram preparadas em obediência a bases que melhor se adequam às necessidades
dos utentes (Cf, Plano Geral de Contabilidade, aprovado pelo Decreto nº 82 / 2001, de 16
Novembro).
Princípios contabilísticos
A Contabilidade após o lançamento de todas operações correntes e extraordinárias
ocorridas elabora as Demonstrações Financeiras que se destinam, normalmente, aos
Investidores, aos Financiadores, aos Trabalhadores, aos Fornecedores e Outros Credores, à
Administração Tributária e ao Público em geral. As Demonstrações Financeiras têm, como
objectivos proporcionar informação acerca da posição financeira, do desempenho e das
alterações ocorridas numa determinada empresa.
As conclusões, possíveis de retirar, sobre as Demonstrações Financeiras elaboradas
pelas empresas são competência do auditor ou departamento de auditoria com vista a concluir
se expressam de forma clara, coerente e legal todos os aspectos materialmente relevantes de
acordo com os Princípios Contabilísticos Geralmente Aceites (PCGA).
Enumeração de alguns princípios:
a. Da continuidade: Considera – se que a empresa opera continuadamente, com duração
ilimitada. Desta forma, entende – se que a empresa não tem intenção nem necessidade
de entrar em liquidação ou reduzir significativamente o volume das suas operações.
b. De consistência: Considera – se que a empresa não altera as suas políticas
contabilísticas de um exercício para o outro.
c. Da especialização ou do acréscimo: Os proveitos e os custos são reconhecidos quando
obtidos ou incorridos, independentemente do seu recebimento ou pagamento, devendo
incluir – se nas demonstrações financeiras dos períodos a que respeitam.
d. Do custo histórico: Os registos contabilísticos devem basear – se em custos de
aquisição ou de produção.
e. Da prudência: Significa que é possível integrar nas contas um grau de precaução ao
fazer as estimativas exigidas em condições de certeza, sem, contudo, permitir a criação
de reservas ocultes ou provisões excessivas, ou ainda deliberada quantificação de
activos e proveitos por defeito, ou passivos e custos por excesso.
f. Da substância sobre a forme: As operações devem ser contabilizadas atendendo à sua
substância e realidade financeira e não apenas à forma legal.
g. Da materialidade: As demonstrações financeiras devem evidenciar todos os elementos
que sejam relevantes e que possam afectar as avaliações ou as decisões dos seus
utentes.
1.5.3.2. Demonstrações Financeiras
As Demonstrações Financeiras são uma representação financeira esquematizada da
posição financeira e das transacções de uma entidade. São, por essa razão, úteis, como forma
de proporcionar informação acerca da posição financeira, desempenho e alterações na posição
financeira de uma entidade a um vasto leque de utentes na tomada de decisões económicas.
As demonstrações preparadas com este propósito vão de encontro às necessidades
comuns da maioria dos utentes, mas não proporcionam toda informação de que estes possam
necessitar para tomarem as suas decisões uma vez que:
Retratam efeitos financeiros de acontecimentos passados;
Não proporcionam necessariamente informação não financeira.
BALANÇO
O Balanço é uma demonstração contabilista destinada a evidenciar quantitativamente e
qualitativamente, numa determinada data, aposição patrimonial e financeira de uma entidade.
O Balanço é constituído pelas seguintes classes:
Activo – Recursos (bens e direitos) controlados por uma entidade como resultado de
acontecimentos passados e dos quais se espera que fluam para entidade de benefícios
económicos futuros. Estes recursos podem dividir – se em duas categorias principais:
Activos não correntes, que se espera que permaneçam na posse da entidade por um período
superior a um ano.
Activos correntes, que se espera que permaneçam na posse da entidade por um período até um
ano.
Passivo – Obrigações presentes da entidade provenientes de acontecimentos passados, do
pagamento, dos quais se espera que resultem ex fluxos de recursos da empresa incorporando
benefícios económicos. Estas obrigações podem dividir – se em duas categorias principais:
Passivos não correntes, que se espera que venham a ser pagos pela entidade num período
superior a um ano.
Passivos correntes, que se espera que venham a ser liquidados pela entidade num período até
um ano.
Capital próprio – Interesse residual no Activo depois de deduzir o Passivo.
Estrutura
A estrura do Balanço deve obedecer a um dos modelos constantes no Plano Geral de
Contabilidade, aprovado pelo Decreto nº. 82/2001, de 16 de Novembro e actualizado pelo
Decreto Presidencial nº. 180/19, de 24 de Maio, que regula a implementação do IVA, p.23.
DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS
A Demonstração de resultados é uma demonstração contabilística destinada a
evidenciar a composição do resultado formado num determinado período de operações de
uma entidade.
A Demonstração de resultados é constituída pelas seguintes classes:
Proveitos – Aumentos dos benefícios económicos, durante o período, na forma de influxos ou
melhorias de activos ou diminuições de passivos que resultem em aumento dos capitais
próprios, que não sejam os relacionados com as contribuições dos participantes no Capital
Próprio.
Custos – Diminuição nos benefícios económicos, durante o período, na forma de ex fluxos ou
perdas de valor de activos ou no aumento de passivos que resultem em diminuição dos
capitais próprios, que não sejam os relacionados com as distribuições aos participantes na
Capital Próprio.
Estrutura
A estrura da Demonstração de resultados deve obedecer a um dos modelos constantes
no Plano Geral de Contabilidade, aprovado pelo Decreto nº. 82/2001, de 16 de Novembro e
actualizado pelo Decreto Presidencial nº. 180/19, de 24 de Maio, que regula a implementação
do IVA, p.24.
Demonstração de Fluxos de Caixa
A Demonstração de Fluxo de caixa é uma demonstração contabilística destinada a
evidenciar como foi gerado e utilizado o dinheiro no período em análise.
Por forma a envidenciar como foi gerado e utilizado o dinheiro no período em análise
a Demonstração de fluxos de caixa mostra, por actividades: As fontes de caixa e equivalentes
de caixa a que a empresa teve acesso durante determinado período de tempo, e o destino que
foi dado a tais fontes.
Assim, a Demonstração de Fluxos de caixa tem as seguintes componentes:
Fluxos resultantes das Fluxos resultantes das principais actividades geradoras de
actividades operacionais proveitos da entidade e de outras actividades que não
sejam de investimento ou de financiamento.
Fluxos resultantes das Fluxos resultantes da aquisição e alienação de activos a
actividades de longo prazo e de outros investimentos não incluídos em
investimentos equivalentes de caixa.
Fluxos resultantes das Fluxos resultantes das actividades que têm como
actividades de consequência alterações na dimensão e composição do
financiamento. capital próprio e nos empréstimos pedidos pela entidade.
Estrutura
A estrutura da Demonstração de fluxos de caixa deve obedecer a um dos modelos
constantes no Plano Geral de Contabilidade, aprovado pelo Decreto nº. 82/2001, de 16 de
Novembro e actualizado pelo Decreto Presidencial nº. 180/19, de 24 de Maio, que regula a
implementação do IVA, p.27-29.
É extremamente importante manter o compromisso e a disciplina na organização no
envio desses documentos periodicamente à contabilidade. A sua ausência ou irregularidade
pode tanto prejudicar a gestão financeira, fiscal e contabilística do negócio, como sujeitar a
empresa a multas e sanções por falta de cumprimento de obrigações ligadas a eles.
Esse tipo de documento não pode conter rasuras. Portanto, para arquivamento, é
preciso que tenham total integridade. Assim, se houver algum dano ou rasura, a atitude mais
segura é reconstituí-los ou substituí-los.
E cada um precisa ser arquivado em ordem cronológica, conforme o respetivo
lançamento nos livros contabilísticos, com fechamento por mês, trimestre ou ano. A escolha
dessa periodicidade vai depender do volume de documentos da empresa.
De modo geral, informação financeira relevantes são: (fluxo financeiro,
disponibilidades, contas a pagar, contas a receber, aplicações financeiras, compra e vendas no
dia ou no período e os gastos gerais de funcionamento), que podem ser elaborados
diariamente ou em curtos períodos de tempo (semana, quinzena, mês, etc.), de acordo com as
necessidades administrativas.
Os registros contabilísticos são feitos com base na data de emissão desses documentos,
e cada um deles serve como elemento de comprovação. Por isso, é tão importante mantê-los
arquivados e protegidos.
Após os registos, são feitos relatórios financeiros aplicável, que é tudo aquilo que a
empresa deve fazer, para colocar a informação financeira a disposição do público e do
auditor. Como o balanço, demonstração dos resultados, fluxo de caixa etc.
Há diversos documentos que servem de base para os lançamentos contabilísticos. Estão entre
os principais:
a. Facturas e documentos equivalentes
Emissão de facturas ou documentos equivalentes - é de carácter obrigatório a emissão de
factura ou documente equivalente em todas as transmissões de bens ou serviços, adiantamento
ou pagamentos antecipados, localizados em território nacional até ao 5.ºdia útil seguinte à
data da operação, excepto a transmissão de bens através de aparelhos de distribuição
automática, ou de recurso aos sistemas electrónicos. Nem todo documento é considerado
factura ou documento equivalente como por exemplo, Factura proforma, nota de preço,
Borderaux bancário etc.
Processamento - as facturas devem rigorosamente ser processados através de softwares
certificados pela Administração Geral Tributária ou por blocos de facturas emitidos por
gráficas licenciadas pela mesma instituição fiscalizadora.
Conservação - as facturas ou documentos equivalentes devem ser conservados nos formatos e
digitais durante um período de 5 anos.
b. Extratos bancários, contendo movimentações financeiras das contas da empresa
Considerados documentos contabilísticos, já que registram as despesas e as receitas
financeiras do negócio, incluindo ganhos de aplicações e pagamento de taxas e tarifas
bancárias;
c. Comprovantes de pagamentos de gastos (custos e despesas)
Há vários pagamentos de rotina no funcionamento de uma empresa. Diferentes comprovantes,
como contas de água, energia, telefone e afins etc;
d. Cópias de cheques emitidos;
e. Comprovantes de créditos e débitos bancários etc;
f. Notas de liquidação dos impostos - é o documento que informa o valor de um tributo a
pagar e o Recibo de Pagamento é o que comprova o pagamento efectivo deste tributo;
g. Facturas de compras - Certifica o bem ou serviço a ser entregue ou prestado por um
fornecedor a um cliente em troca de um determinado montante. Para ser válida, deve
conter vários elementos: nome e endereço do cliente e do fornecedor, data de compra,
nº único da factura, etc;
h. Facturas de custos operacionais – certificam os gastos formados pelas despesas diários
necessários para manter o funcionamento de uma empresa. Trata-se do valor mínimo
que o negócio precisa faturar para executar todas as atividades de rotina do negócio.
1.13 Fraudes e erros
A Auditoria é uma actividade que deve agregar valor a organização e proporcionar
segurança aos seus investidores ou accionistas. Desse modo qualquer indício ou confirmação
de irregularidades detectadas, o auditor deve comunicar a administração da entidade para que
os devidos procedimentos sejam tomados.
1.13.1 Definição de fraude e erro
Para Hoog e Carlin (2008, p. 91) “Fraude é acto intencional de omissão ou manipulação
de transacções, adulteração de documentos, registos e demonstrações financeiras”. Um erro
voluntário pode ser qualificado de fraude nos casos seguintes:
a) O culpado visa a prejudicar a empresa ou um terceiro de modo a provocar uma revisão
da lei ou regulamentos;
b) A fraude procura uma vantagem, mesmo indirecto ao culpado.
Exemplo de fraude:
“Um contabilista numa empresa púplica encarregado nas operações bancárias:
Emissão de cheques;
Transferências e
Conciliações bancárias.
Ao decorrer do tempo, o contabilista cometeu os erros voluntários na operação de
transferência, anotando os números das contas bancárias errados.
Na impossibilidade do banqueiro conciliar os números de cheques assinados e os das contas
bancárias, os cheques foram endossados em nome do contabilista.
A fraude foi descoberta mais tarde, após a saída do contabilista naquela empresa”.
Pergunta-se: Freente a esta situação, qual é a sua opiniã, o que esteve mal nesta empresa 3?
Motivo de fraude e Formas de fraude
Quem pode cometer a fraude?
a) Qualquer pessoa interveniente nas operações da empresa pode cometer fraude:
Pessoal a todos níveis hierárquicos;
O Dono da empresa, ele próprio;
Os terceiros, os clientes, os fornecedores, associados….
b) Alguns motivos e forma de fraude:
Falsificação do balanço ou das tabelas estatísticas para aproveitar duma
promoção; se manter no seu posto de trabalho ou beneficiar duma gratificação;
3
Junto desta situação, um excelente sistema do controlo interno seria necessário para evitar este tipo de fraude.
Concluímos sobre a ineficiência e a insuficiência dos procedimentos desta empresa; pelo que, o trabalho
confiado a este contabilista, deveria ser realizado pelo outro contabilista em lugar da mesma pessoa encarregada
na elaboração do processo, caso: verificação de cheques e transferência bancária e a conciliação bancária.
Evasões fiscais tanto na parte dos associados como dos credores;
Roubo de dinheiro, bens patrimoniais da empresa, mercadorias, desperdícios,
resido e refugos;
Usar de meios ilícitos em forma de comissão (corrupção) para obter algo nos
pagamentos ou vantagens concedidos aos clientes, fornecedores;
Cumplicidade com os fornecedores para sobre facturar os fornecimentos em
detrimento da empresa;
Facturar as prestações fictivas;
1.13.2 Erros e Irregularidades (ISA 240)4
Entende-se por erro a falta profissional cometida por distracção, negligência ou
ignorância de determinados princípios, normas ou regras contabilísticas ou administrativas,
que se traduza em incorrecção aritmética ou de registo das operações e que afecte a
regularidade ou perfeição técnica da contabilidade. Assim, costumam distinguir-se os
seguintes tipos de erros:
b. Erros de omissão - resultam de operações incompletamente registadas ou nem sequer
contabilisticamente relevadas. Exemplo: uma empresa pagou 20.000 AOA a um
fornecedor por transferência bancária no dia 5 de julho, mas o pagamento não foi
registado no diário nem no razão;
c. Erros de duplicação - derivam do registo em duplicado da mesma operação. Exemplo:
m cliente efetuou um pagamento de 15.000 AOA por um serviço, e o contabilista
registou esse recebimento duas vezes no diário de caixa;
d. Erros de compensação - cometem-se para compensar outros erros praticados.
Exemplo: o contabilista, ao lançar uma despesa de eletricidade de 10.000 AOA como
1.000 AOA, também lançou uma receita de vendas de 10.000 AOA como 1.000 AOA;
e. Erros de imputação - resultam do registo de uma operação numa conta ou rubrica que
não é apropriada. Exemplo: A empresa comprou material de escritório no valor de
5.000 AOA, mas o contabilista lançou o valor na conta de equipamento de escritório
(imobilizado), em vez de na conta de despesas com material de escritório;
f. Erros de princípio - são os que derivam da não observância das regras administrativas
e contabilísticas. Exemplo: uma empresa recebeu adiantamento de 50.000 AOA de um
4
ISA – International Standards on Auditing
cliente para um serviço que será prestado apenas no próximo mês, mas o valor foi
reconhecido como receita do mês atual.
Entende-se por irregularidade ou fraude a violação, intencional ou não, de uma lei ou
de uma norma ou princípio contabilístico ou administrativo aplicável, o que faz com que
grande parte dos erros possa também ser qualificadas como irregularidades ou, sendo
materialmente relevantes, transformar-se, se não regular e atempadamente corrigidos, em
irregularidades.
As irregularidades podem qualificar-se como fraudes, quando estejam reunidos os
requisitos jurídicos aplicáveis. Está-se geralmente perante uma fraude quando existe
manipulação da lei, falsificação, alteração ou omissão voluntária de registos e/ou documentos
de apoio com a intenção de obter uma representação incorrecta da informação financeira ou
uma apropriação ilícita de activos ou desvio de fundos para fins diferentes daqueles para que
foram atribuídos.
A Fraude relativa à apropriação indevida de activos é também chamada de desfalque.
a. O desfalque é temporário quando o activo é suprimido pelo empregado e a
contabilidade não é alterada. Desta forma, quando do confronto dos activos com os
controlos e a contabilidade o desvio é descoberto;
b. O desfalque permanente ocorre quando activo é suprimido e baixado nos registros e na
contabilidade (geralmente é contabilizado em despesas). Desta forma, em um
confronto dos ativos os controles e com a contabilidade o desfalque não é descoberto.
1.14 Responsabilidade pela detecção de fraudes e erros
A gestão é a responsável pela prevenção e detecção de fraudes e erros através da
implementação e da manutenção permanente de um adequado sistema de controlo interno. A
existência de um sistema de controlo interno eficaz reduz a possibilidade da existência de
fraude ou de erro, mas não a elimina totalmente.
Assim, o auditor tenta assegurar-se se as fraudes ou erros, que possam ser
materialmente relevantes para a informação financeira, não ocorram, e para as fraudes que
ocorrerem, qual o seu efeito na informação financeira assegurando-se relativamente aos erros,
que estes foram corrigidos. O teste à informação financeira de uma empresa envolve apenas
algumas áreas e dentro dessas áreas apenas serão examinadas algumas transacções. Assim, o
exame do auditor está sempre sujeito ao risco inerentede que algumas distorções na
informação, materialmente relevantes, resultantes de fraudes ou de erros não venham a ser
afectadas.
O risco de não detectar distorções materialmente relevantes resultantes de fraudes é
maior do que o risco de não detectar distorções materialmente relevantes resultantes de erro,
porque como já referimos a fraude está sempre associada a actos concebidos para a ocultar. O
auditor está autorizado a aceitar esclarecimentos de terceiros como dignos de crédito e os
registos e documentos como verdadeiros.
Embora a existência de um eficaz controlo interno reduza a possibilidade da existência
de uma distorção na informação financeira resultante de fraude ou de erro, existirá sempre algum
risco de os controles internos deixem de operar tal como foram concebidos. Para, além disso, é
necessário ter em conta que qualquer Sistema de Controlo Interno pode ser ineficaz contra as
fraudes que envolvam uma combinação entre empregados ou fraudes cometidas pela
Administração.
1.14.1 Risco de fraudes e erros
O auditor deve inquirir a Administração sobre qualquer fraude ou erro significativo
que tenha ocorrido no período a auditar e modificar os seus procedimentos de auditoria se tal
for necessário. Para além de um fraco Sistema de Controlo Interno são várias as condições ou
acontecimentos que aumentam o risco de fraude ou de erro:
Dúvidas acerca da integridade ou competência da Administração;
Pressões fora do habitual dentro da entidade;
Transacções não usuais;
Problemas na obtenção de provas de auditoria, suficientes e apropriadas.
1.14.2 Procedimentos quando há indício de que possam existir fraudes ou erros
Se tudo apontar para a possível existência de fraudes ou de erros, o auditor deve desde
logo tomar em consideração o efeito potencial dessa fraude ou erro na informação financeira e
os procedimentos adicionaisque julgue serem apropriados. A extensão destes procedimentos
depende do julgamento do auditor quanto a:
Tipo de fraude que pudessem ocorrer;
Relativo risco de ocorrência;
Probabilidade de que certo tipo de fraude ou erro pudesse ter um efeito materialmente
relevante na informação financeira.
A execução de procedimentos adicionais faz quase sempre com que o auditor confirme
ou afaste a suspeita de fraude ou de erro. Se confirmar a existência, o auditor deve certificar-
se de que o seu efeito está devidamente reflectido na informação financeira ou que o erro está
corrigido. No entanto, o auditor pode não conseguir obter prova suficiente de auditoriaseja
para confirmar seja para afastar a suspeita de fraude ou de erro. Quando tal acontecer, o
auditor deve ter em consideração o possível impacto na informação financeira e o efeito no
seu relatório. O auditor necessitará também de considerar a legislação e os regulamentos
relevantes e pode também fazer uma consulta jurídica antes de elaborar o relatório ou de se
escusar do compromisso assumido. Salvo se as circunstâncias indicarem de uma forma muito
clara o contrário, o auditor não deve presumir que um caso de fraude ou de erro é uma
circunstância isolada. Quando afraude ou erro envolver um membro da gestão, o auditor deve
reconsiderar a fiabilidade de qualquer esclarecimento que lhe tenha sido dado por essa pessoa.
1.14.3 Necessidade e limitações de uma auditoria
A compreensibilidade, a relevância, a fiabilidade e a comparabilidade são as quatro
principais características da informação financeira que a tornam útil para os seus utilizadores.
Estes confiam aos auditores independentes um mandato social para que verifiquem se estas
características da informação financeira são alcançadas. A necessidade da auditoria às
demonstrações financeiras é atribuída às seguintes condições:
Conflito de interesses: o órgão de gestão pode ter interesse em adulterar a seu favor as
demonstrações financeiras, por exemplo, no caso de as suas remunerações estarem
ligadas à rentabilidade da empresa. Pode assim existir um conflito de interesse entre os
investidores que procuram saber a real situação da empresa e o órgão de gestão que
procura deixar uma boa imagem aos investidores;
Complexidade das transacções: A crescente complexidade das demonstrações
financeiras leva os utilizadores da informação financeira a dependerem do órgão de
gestão e dos auditores para lidarem com essa complexidade. À medida que a
complexidade cresce aumenta o risco de distorções, intencionais ou não, e a
compreensão das demonstrações financeiras, pelos seus utilizadores, diminui. Assim,
confiam nas capacidades e na opinião independente do auditor para avaliar a qualidade
das demonstrações financeiras;
Relevância para o processo de tomada de decisões: Demonstrações financeiras
auditadas são muitas vezes a única fonte de informação ao dispor dos utilizadores da
informação financeira para tomada de decisões em relação a investimentos.
Afastamento dos utilizadores da informação financeira: São poucos os utilizadores da
informação financeira que têm acesso directo aos documentos contabilísticos que
servem de base à preparação das demonstrações financeiras, que têm conhecimentos
para inquirir o órgão de gestão, que visitam com alguma frequência as instalações da
organização ou que têm conhecimentos para analisar as demonstrações financeiras.
Para ultrapassar estes constrangimentos confiam aos auditores a missão de expressar
uma opinião sobre as demonstrações financeiras. Uma auditoria financeira está sujeita
a uma série de limitações:
Custo razoável: trata-se de um constrangimento económico. O auditor não dispõe de
recursos ilimitados para realizar uma auditoria, assim, a auditoria é efectuada com
base em amostragem dos dados que suportam as demonstrações financeiras.
Período temporal: o relatório é emitido, em regra, até 3 meses após a data das
demonstrações financeiras. Esta limitação temporal pode afectar a quantidade de prova
que é necessário recolher para testar as operações que ocorreram após a data das
demonstrações financeiras e que possam influenciá-las.
Estimativas contabilísticas: as estimativas são uma parte inerente ao processo
contabilístico e ninguém, nem mesmo os auditores, consegue prever o resultado dessas
estimativas. As estimativas abrangem os critérios de incobrabilidade de créditos, a
valorização de inventários, os testes de imparidade, a definição de vida útil dos activos
fixos tangíveis, etc.
Critérios contabilísticos alternativos: as normas de contabilidade, permitem a adopção
de diferentes critérios, e entendimentos, contabilísticos; assim, os utilizadores da
informação financeira devem ter conhecimento dos critérios adoptados e do modo com
estes influenciam as demonstrações financeiras.
Determinação da materialidade: a determinação da materialidade, quer em termos
quantitativos quer em termos qualitativos, requer um elevado grau de julgamento por
parte do auditor.
Relatório de auditoria: a padronização do relatório de auditoria pode não reflectir
toda a complexidade que envolve o processo de auditoria e a formação da opinião
do autor.
Risco de auditoria: o risco que o auditor corre de emitir uma opinião inapropriada
sobre as demonstrações financeiras.
1.12.3 Responsabilidade do auditor e dos gestores
Os desafios que se apresentam ao sector financeiro e empresarial são os mesmos de
sempre, com o risco acrescido de as circunstâncias actuais ditarem uma preocupação mais
premente por parte da gestão das empresas em apresentarem resultados favoráveis. Este facto
obriga a uma responsabilidade acrescida por parte do auditor de questionar a informação
disponibilizada, fazendo o uso da sua seriedade e da capacidade técnica (Rodrigues, 2013).
É reconhecido que a auditoria financeira desempenha um papel muito importante na
nossa sociedade, contribuindo para a credibilidade das DF´s e para a sustentabilidade dos
mercados financeiros, correspondendo a sua missão ao cumprimento de uma função social.
Segundo Almeida (2017) e Costa (2017), muitos utilizadores da informação financeira
acreditam que os auditores são os últimos responsáveis pela mesma e que têm a
responsabilidade de detectar todos os erros, fraudes e actos ilegais cometidos pela empresa,
desconhecendo as limitações da auditoria (materialidade, amostragem, risco de auditoria,
etc.).
Perante este facto, cabe ao auditor expressar uma opinião sobre se as DF´s foram
elaboradas em todos os aspetos relevantes de acordo com a estrutura do relatório financeiro
aplicável. Este parecer estabelece se as DF´s são razoáveis ou dão um ponto de vista
verdadeiro de acordo com o quadro de referência. De realçar que, a opinião do auditor não
garante a eficácia da administração ao nível operacional, mas, omitir um parecer necessário
sobre os aspetos constantes no sistema de controlo e deve ser feita seguindo as normas
internacionais relevantes de auditoria.
De acordo com a norma de auditoria ISA 240, a responsabilidade primária pela
prevenção e deteção da fraude cabe aos encarregados da governação da entidade e à gerência,
isto é, aos gestores e administradores. Ao auditor cabe a responsabilidade em obter a garantia
razoável de fiabilidade de que as DF´s, tomadas como um todo, estão isentas de distorções
materiais causadas por fraude ou erros.
Para tal, a responsabilidade do auditor e do órgão de gestão estão definidas na ISA 200.
O normativo refere que são responsabilidades do auditor:
Obter uma garantia razoável de fiabilidade sobre as DF´s como um todo, garantir que
estão isentas de distorções materiais, devido a fraude ou a erro, habilitando assim o
auditor a expressar uma opinião sobre se as DF´s foram preparadas, em todos aspetos
materiais de acordo com um referencial de relato financeiro aplicável.
Relatar sobre as DF´s, e comunicar conforme exigido pela ISA, em função das
conclusões a que chegar.
Quanto ao órgão de gestão, a ISA refere que este é responsável:
Pela preparação das DF´s de acordo com o referencial de relato financeiro aplicável, o
que exige: quaisquer leis ou regulamentos relevantes à preparação das mesmas;
Pelo controlo interno, quando apropriado. Os encarregados da governação podem
determinar ser necessários a existência de mecanismos de controlo interno para
facilitar a preparação de DF´s isentas de distorção material devido a fraude ou erros;
Facilitar o acesso sem restrições a toda a informação que seja relevante para
preparação das DF´s, tais como registos, documentação e outros materiais; e,
Por garantir o acesso, sem restrições, aos funcionários da entidade, as quais o auditor
determine que é necessário obter prova de auditoria.
1.13 Principais organismos nacional e internacional de auditoria
Órgãos que regulam, de forma direta e indireta, a actividade da auditoria independente,
através de leis, pronunciamentos, instruções e resoluções, podendo ser instituições estatais ou
associações de classe. Os organismos a nível internacional, responsáveis pela elaboração e
emissão de normas de auditoria são:
1. IFAC (International Federation of Accountants): Criada em 1977, a IFAC representa a
profissão contábil global, emitindo normas e promovendo boas práticas de contabilidade e
auditoria em todo o mundo. Com o objectivo de desenvolver e emitir em nome do seu
Conselho normas (standards) sobre práticas de Auditoria geralmente aceites e sobre a forma e
conteúdo dos relatórios de Auditoria. As normas do IFAC aplicam-se sempre que se realiza
uma Auditoria independente.
2. O IIA (Institute of Internal Auditors) é o principal órgão global para profissionais de
auditoria interna. Fundado em 1941, o IIA promove a excelência na auditoria interna,
estabelecendo padrões e orientações reconhecidas internacionalmente. Sua missão inclui
melhorar a governança corporativa, o gerenciamento de riscos e o controlo interno nas
organizações. Além de desenvolver as Normas Internacionais para a Prática Profissional de
Auditoria Interna (IPPF), o IIA oferece certificações como o Certified Internal Auditor (CIA),
treinamentos, e suporte para profissionais da área.
3. O IIA Angola entidade representativa da comunidade nacional de auditores internos e
dos profissionais de controlo interna, fundada em 2010.
4. A Ordem dos Contabilistas e Peritos Contabilistas de Angola (OCPCA) organismo
que regula a profissão de Contabilista e Auditores em Angola, que foi instituída em 1 de
Fevereiro do ano 2001, data que se realizou uma reunião que daí conduziu a sua criação e a
concretização com a publicação do Decreto presidencial nº 232/10 de 11 de outubro do ano
de 2010, mais tarde alterado pelo Decreto Presidencial nº 318/14, de 28 de Novembro do
ano 2014. Como consequência, a primeira assembleia geral da OCPCA teve lugar em 12 de
Dezembro de 2014, data em que foram nomeados os primeiros corpos sociais.
1.14 Normas de Auditoria Geralmente Aceites5
As normas de auditoria estabelecem os requisitos mínimos que devem ser observadas
pelo auditor e pela instituição que fará a auditoria na realização do processo auditoria
englobando todas as suas fases: planeamento, execução, relatório e acompanhamento.
(Araújo, 2008).
NORMAS DE AUDITORIA
Técnicas Profissionais
Normas relativas à Normas relativas à PESSOA do
ATIVIDADE de auditoria auditor.
Representam o conjunto de Representam o conjunto de
normas que orientam o normas que orientam o trabalho
trabalho de campo do auditor.
Fonte: ARAÚJO, 2008
Normas da pessoa do auditor
No que diz respeito às normas relativas à pessoa do auditor, são normas que servem para
regular e orientar o trabalho dos auditores, servindo como guias em sua atuação.
Normas do trabalho de auditoria
São normas que servem para regular e orientar o trabalho de auditoria, servindo como
roteiro para a realização das atividades.
O auditor quando executando o seu trabalho, terá livre acesso às dependências da
organização auditada, bem como documentos, valores, livros e outros que são considerados
indispensáveis para que este possa cumprir as suas atribuições”. (ARAÚJO, 2008).
As normas ISA (International Standards on Auditing) são emitidas pela International
Auditing and Assurance Standards Board (IAASB), um órgão independente ligado à
International Federation of Account.
Normas Desenvolvimento
Normas Gerais 1. O exame deve ser realizado por uma pessoa ou pessoas que tenha (m)
adequado treino e competência como auditor (es);
5
Costa, Baptista Carlos. Auditoria Financeira: Teoria e Prática. 2017, 11ª edição
2. Deve ser mantida pelo auditor ou auditores uma independência
mental em todos os assuntos relativos ao exame;
3. Deve existir consciência profissional na realização do exame e na
preparação do relatório.
Normas Desenvolvimento
4. O trabalho deve ser adequadamente planeado e, no caso
de haver assistentes, estes devem ser apropriadamente
supervisionados;
5. Tem de haver um estudo e avaliação apropriados do
controlo interno existente não só com base na confiança
que o mesmo merece como também para a
Normas relativas ao trabalho de campo
determinação da profundidade dos procedimentos de
Auditoria;
6. Devem ser obtidas provas suficientes através de
inspecções, observações, indagações e confirmações, a
fim de obter uma base razoável para a formação de uma
opinião relativa às DF sob exame.
1.14.1 Normas de Auditoria geralmente aceites (ISA)
100-199 Matérias Introdutórias
100 Prefácio às normas internacionais de auditoria e de serviços relacionados
110 Glossário de termos
120 Estrutura conceptual das normas internacionais de Auditoria
200-299 Responsabilidades
200 Objectivo e princípios gerais que regem uma Auditoria de DF
210 Cláusulas de compromissos de Auditoria
220 Controlo de qualidade de um trabalho de Auditoria
230 Documentação
240 Fraudes e erros
250 Consideração de leis e regulamentos numa Auditoria de DF
300-399 Planeamento
300 Planeamento
310 Conhecimento do negócio
320 Materialidade em Auditoria
400-499 Controlo Interno
400 Avaliação de risco e controlo interno
401 Auditoria num ambiente de sistemas de informação computorizados
402 Considerações de Auditoria relativas a entidades que utilizam organizações
de prestação de serviços
500-599 Evidência em Auditoria
500 Evidência em Auditoria
501 Evidência em Auditoria - Considerações adicionais para itens específicos
510 Compromissos iniciais - Saldos de abertura
520 Procedimentos analíticos
530 Amostragem em Auditoria e outros procedimentos de testes selectivos
540 Auditoria de estimativas contabilísticas
550 Partes relacionadas
560 Acontecimentos subsequentes
570 Continuidade
580 Declaração de responsabilidade dos órgãos de gestão
600-699 A utilização do trabalho de outros
600 A utilização do trabalho de outro auditor
610 Consideração do trabalho da Auditoria Interna
620 A utilização do trabalho de um perito
700-799 Conclusões da Auditoria e relatórios
700 O relatório do auditor sobre as DF
710 Comparativos
720 Outras informações em documentos que contêm DF auditadas
800-899 Áreas especializadas
800 O relatório do auditor sobre compromissos de Auditoria com fins especiais
810 O exame da informação financeira prospectiva
900-999 Serviços relacionados
910 Compromissos de revisão de DF
Compromissos de verificação do cumprimento de procedimentos relativos à informação
financeira
930 Compromissos de compilação financeira
1000-1000 Recomendações sobre práticas de Auditoria Internacional
1.15 Tipos de Auditoria
A auditoria pode ser classificada baseando-se em vários critérios:
a) Tipo de auditoria quanto a posição do sujeito que a efectua.
Considerando a posição da pessoa que realiza a auditoria, destacamos:
A auditoria interna;
Auditoria externa, auditoria financeira ou ainda auditoria contabilística.
b) Tipo de auditoria quanto ao objectivo prosseguido pelo trabalho.
Esse tipo refere-se ao termo de referência do trabalho a realizar. Nesta consideração,
existem varias auditorias que podem ser realizadas, a saber:
Auditoria operacional;
A auditoria financeira;
A auditoria tributária.
c) Tipo de auditoria quanto a natureza da entidade auditada
Para o tipo de auditoria quanto a natureza da pessoa auditada, destacamos 2 tipos de
auditoria:
A auditoria privada
É aquela que é executada sobre uma actividade ou uma demonstração financeira
pertencendo a uma organização privada.
A auditoria pública
É aquela que é executada sobre uma área, departamento ou organismo da função
pública.
d) Tipo de auditoria quanto a amplitude do trabalho
Seguindo a extensão da auditoria, são destacados dois tipos de auditoria:
A auditoria geral
É a auditoria que afecta todos os departamentos e funções da empresa, ou a situação
completa da empresa. Exemplo: a certificação de contas de uma empresa.
A auditoria parcial
Quando a auditoria é feita ou relata apenas um departamento, secção, ou área da
organização auditada, como é o caso que se limita exclusivamente à área de imobilizações
corpóreas de uma empresa.
6
Para Almeida (2014, Ps. 17 e 18) a auditoria interna é uma função de avaliação,
tradicionalmente efectuada por profissionais que são funcionários da organização,
estabelecida dentro do mesmo intuito de examinar e avaliar as suas actividades. Como parte
de uma organização, o objecto de uma auditoria interna é assistir os seus membros no
6
Almeida José Machado Bruno de. Auditoria Financeira: Teoria.2014.
desempenho efectivo das suas funções, sendo lhes fornecido análise, avaliações
recomendações, conselhos e informações relacionadas com as actividades analisadas.
Para Almeida (2014, p. 18)7 a auditoria operacional é o tipo de auditoria que envolve
uma revisão sistemática de parte ou de todo o processo operacional de uma empresa,
avaliando se os seus recursos estão a ser utilizados tendo em atenção a eficiência, e eficácia e
a economicidade.
O seu objectivo é o de avaliar a performance da empresa, identificar áreas em que
possam ser efectuadas melhorias e fazer recomendações. Numa auditoria operacional, os
auditores não estão limitados à contabilidade, mas avaliam igualmente a estrutura
organizacional, os métodos de produção, o sistema de produção de informação e marketing.
Este tipo de auditoria, quando exercida de forma regular e institucionalizada, contribui para
que a gestão cumpra cabalmente o seu principal desafio.
Para Almeida (2014, p. 18)8 a auditoria de gestão é o tipo de auditoria que cobre largo
espetro de procedimento, métodos de avaliação, políticas e enfoques, tendo como objectivo
analisar, avaliar e rever a performance da empresa em relação a um conjunto de pressupostos
ou de regras para guiar. Podemos assim verificar que a auditoria de gestão não é mais do que
uma extensão da auditoria operacional.
Com efeito o conceito de auditoria operacional é de tal modo amplo que se pode
confundir com o conceito de auditoria de gestão. De facto alguns autores fazem una distinção
entre as duas auditoria, dirigindo-se a primeira para aspectos de controlo orçamental, enquanto
a segunda está mais orientada para avaliar a gestão de topo.
Segundo Costa (2017, ps. 121 e 122) 9 destaca que a auditoria de conformidade é o tipo
de auditoria que se a verificar, de forma sistemática, se a empresa segue os procedimentos,
regras e regulamentos, critérios e políticas, quer interno quer externo, que se encontram
estabelecidos e aprovados superiormente. Nesta definição inclui-se necessariamente, verificar
não só se a empresa está a cumprir com as disposições constantes de todos os contratos que se
celebrou como também com a diversa legislação (Societárias, laboral, contabilística, fiscal,
ambiental, social, etc) que afecta a sua actividade económica.
7
Almeida José Machado Bruno de. Auditoria Financeira: Teoria.2014.
8
Almeida José Machado Bruno de. Auditoria Financeira: Teoria.2014.
9
Costa, Baptista Carlos da. Auditoria Financeira: Teoria e Prática. 2017, 11ª edição.
Segundo Costa (2017, ps. 121 e 122)10 diz que a auditoria dos sistemas de informação –
é o resultado de se verificar a cada vez maior utilização dos computadores no processamento
das diversas operações das empresas levou ao desenvolvimento da auditoria aos sistemas de
informação praticada por técnico da própria empresa (independentes, ou não, em relação aos
auditores internos) ou por técnicos externos (consultores pertencendo ou não aos quadros
técnicos das firmas de auditoria).
A auditoria ao sistema de informação tem fundamentalmente como objectivo verificar
se existem controlos apropriados, certificar que os mesmos estão implementados e proceder à
avaliação da sua eficácia de forma a poder tirar-se conclusões sobre a performance de todo o
sistema informático.
11
Segundo Costa (2017, p. 129) auditoria forense – em termos gerais, a palavra forense
tem a ver com tudo o que é relativo ao foro Jurídico e aos tribunais. A auditoria forense surgiu
nos últimos anos como forma de responder a aspectos legais relacionados com matérias
contabilísticas.
A auditoria forense pretende detectar possíveis fraudes, confirmando não apenas o que
esta contabilizado, apresentado e divulgado nas demonstrações financeiras, mas tentando,
sobretudo, detectar o que não esta evidenciado nestes documentos e que devia estar.
Segundo Almeida (2014, p. 18)12 os auditores forenses são auditores que, em virtude das
suas atitudes, atributos, competências, conhecimento e experiências, são peritos na detenção
de fraudes. A auditoria forense é o processo de detenção, prevenção e correcção de
actividades fraudulentas perpetradas pelo órgão de gestão, por trabalhadores ou por terceiros.
Ao contrário da auditoria financeira que trabalha com base em amostragens, a auditoria
forense analisa todas as transações onde há suspeitas de fraudes.
A auditoria forense pode ser utilizada: na detenção de fraudes, investigação criminal,
disputa entre accionistas e empresas, disputas matrimoniais, etc.
10
Costa, Baptista Carlos da. Auditoria Financeira: Teoria e Prática. 2017, 11ª edição.
11
Costa, Baptista Carlos da. Auditoria Financeira: Teoria e Prática. 2017, 11ª edição.
12
Almeida José Machado Bruno de. Auditoria Financeira: Teoria.2014.
1.16 O processo de auditoria13
Partindo da definição, de acordo com Silva (2012), o Processo de Auditoria é lógico,
sistemático e delineado para reunir e avaliar a prova de auditoria”. O auditor deverá estipular
os objetivos de auditoria apropriados e seguir os mesmos para os atingir.
Hoje, tendo em conta os inúmeros pressupostos que devem ser seguidos para se ter um
Processo de Auditoria adequado e responder às expetativas dos utilizadores, Costa (2017)
apresenta uma nova visão. Para este autor, para se realizar uma auditoria financeira há que
seguir diversos “passos” a que alguns autores chamam as fases de auditoria e outros processos
de auditoria.
Ainda de acordo com este autor, em cada uma das fases há que executar um conjunto
ordenado, sequencial e sistemático de procedimentos podendo os mesmos variar em função da
natureza do trabalho (auditoria, revisão limitada, etc.) e, consequentemente, do tipo de
segurança ou garantia de fiabilidade proporcionado pelo auditor. Assim sendo, enumerou
cinco fases essenciais:
A primeira fase do trabalho tem a ver com a aceitação (ou continuação) do cliente,
para que as suas demonstrações financeiras sejam auditadas;
De seguida, o auditor inicia a segunda fase, que consiste em planear a respetiva
auditoria;
Durante a terceira fase o auditor terá de obter provas de auditoria que entenda serem
indispensáveis;
A quarta fase consiste na obtenção das conclusões resultantes do trabalho efetuado; e,
Finalmente, a quinta fase tem a ver com a emissão de relatórios, sendo mais
importante a certificação legal de contas/ relatório de auditoria, na qual o auditor
expressa a sua opinião sobre a forma como as demonstrações financeiras apresentam,
numa determinada data e relativamente a um período, a posição financeira, o
resultado das operações, as alterações no capital próprio e os fluxos de caixa da
entidade auditada.
Para Almeida (2017), a quinta fase é considerada a mais importante, por ser o
momento onde é expressa uma opinião independente sobre as demonstrações financeiras,
atestando que as mesmas apresentam uma imagem verdadeira e apropriada. Na mesma
senda, diz que esta opinião, expressa no relatório do auditor, fornece aos utilizadores da
13
Costa, Baptista Carlos da. Auditoria Financeira: Teoria e Prática. 2017, 11ª edição.
informação financeira uma certeza razoável de que as demonstrações foram elaboradas
em conformidade com o normativo contabilístico aplicável.
De uma forma sintética e esquemática, vão ser apresentados os principais
procedimentos a realizar pelo auditor em cada uma das fases.
Fonte: Elaboração própria baseada em Costa e Almeida (2017).
Um Processo de Auditoria é bastante eficaz para encontrar erros ou fraudes e
desperdícios, auxiliando na melhoria contínua da produtividade da organização (Crepaldi &
Crepaldi, 2016). É claro que muitas vezes o seu foco está centrado em encontrar
vulnerabilidades e riscos para o negócio, não necessariamente com o objetivo de procurar
culpados, mas sim de encontrar soluções para os problemas identificados.
CAPÍTULO II – CONTROLO INTERNO
2.1 Sistema de controlo interno
Segundo a ISA 315 diz que o controlo interno é o processo concebido, implementado e
mantido pelos responsáveis pela governação, gestão e outro pessoal para proporcionar
segurança razoável que permite atingir os objectivos da entidade relativamente à credibilidade
do relato financeiro, eficácia e eficiência das operações e o cumprimento das leis e
regulamentos aplicáveis.
Segundo Costa (2010, p. 223)14 nenhuma empresa ou entidade, por mais pequena que
seja, pode exercer a sua actividade operacional sem ter implementado um sistema de controlo
interno, ainda que rudimentar.
Tal sistema irá sendo tanto mais sofisticado quanto mais a empresa for crescendo e as
suas actividades de tornarem mais complexa, de tal forma que de simples controlo dos meios
financeiros (considerados os activos mais vulneráveis) se passar é progressivamente não só
para operações de compra e de venda como para todas as operações em geral. O conceito de
controlo interno é de facto, tão vasto que abarca todas operações da empresa ou entidade.
Assim uma das definições mais vulgarizada e simples, refere que o controlo interno
compreende o plano de organização e todos os métodos e medidas adoptados numa entidade
para:
a) Salvaguardar os seus activos;
b) Verificar a exatidão e a fidedignidade dos seus dados contabilísticos;
c) Promover a eficácia operacional; e
d) Encorajar o cumprimento das políticas prescritas pelos gestores.
14
COSTA, Baptista Carlos da. Auditoria financeira: Teoria e Prática. 2010, 9.º edição.
2.2 Definições e conceitos
15
Definições e Conceitos Para Chiavenato (2004, p. 343) Sistema é um conjunto de
partes independentes que funcionam como uma totalidade para algum propósito. Sistema é
um grupo de unidades combinadas que formam um todo organizado cujas características são
diferentes das características das unidades.
Segundo Morais e Martins (2003, p.17)16 Controlo é qualquer acção empreendida pela
gestão, pelo conselho e outras entidades para aperfeiçoar a gestão de risco e melhorar a
possibilidade do alcance dos objectivos e metas da organização. A gestão planeia, organiza e
dirige o desempenho de acções suficientes para assegurar com razoabilidade que os objectivos
e metas serão alcançados.
Segundo Fernandes (2010, p. 4)17 o sistema de controlo interno (SCI) 18 é um plano que
compreende a existência de políticas e todos os procedimentos, ou seja, controlos internos,
adoptados pela gestão de uma entidade, que contribuam para a obtenção dos objectivos da
gestão de assegurar a conduta ordenada e eficiente do seu negócio.
Controlo Interno a referida ISA19 315, refere que o controlo interno é o processo
concebido, implementado e mantido pelos responsáveis pela governação, gestão e outro
pessoal para proporcionar segurança razoável que permite atingir os objectivos da entidade
relativamente à credibilidade do relato financeiro, eficácia e eficiência das operações e
cumprimento das leis e regulamentos aplicáveis (COSTA, 2010, p. 206)20
Para Fernandes (2010, p.3)21 o Controlo Interno (CI) constitui uma forma de
organização que pressupõe a existência de um plano e sistemas coordenados, de forma a
garantir o cumprimento das finalidades a que a instituição se propõe, aperfeiçoando a gestão
15
9CHIAVENATO, Idalberto. Teoria Geral da Administração: uma visão abrangente da moderna administração
das organizações. 2004, 5.º edição.
16
MORAIS; MARTINS. Auditoria Interna, Funções e Processos. 2013, edição 2.ª actualizada, p. 17.
17
FERNANDES, Cidalina Leonel. Sistema de Controlo Interno nos Municípios Portugueses: O Caso da Câmara
Municipal de Ansião. 2010. 70f - Mestrado em Gestão – Faculdade de Economia, Universidade de Coimbra
18
SCI – Sistema de Controlo Interno
19
ISA – International Standards on Auditing
20
COSTA, Baptista Carlos da. Auditoria financeira: Teoria e Prática. 2010, 9.º edição.
21
FERNANDES, Cidalina Leonel. Sistema de Controlo Interno nos Municípios Portugueses: O Caso da Câmera
Municipal de Ansião. 2010. 70f - Mestrado em Gestão – Faculdade de Economia, Universidade de Coimbra
do risco e maximizando o desempenho da entidade . Neste sentido, o Sistema de Controlo
Interno tem como objetivos fundamentais:
a) A legalidade e regularidade na aplicação do sistema contabilístico, no ambiente
informático e na elaboração, registo, execução e modificação dos respectivos
documentos de suporte;
b) Qualidade, fiabilidade e confiança das informações administrativas, financeiras e
contabilísticas;
c) A economicidade, eficácia e eficiência dos recursos;
d) A conformidade com as políticas, planos e procedimentos, leis e regulamentos;
e) A realização e optimização das operações, assegurando que os resultados
correspondam aos objetivos definidos;
f) A salvaguarda dos activos;
g) A eficácia da gestão, o cumprimento das deliberações e decisões e a transparência e
concorrência no âmbito dos mercados públicos.
2.2 Objectivos do controlo interno
Segundo Costa (2010, p. 93, 94, 95 e 225)22 os objectivos do controlo interno visam
assegurar;
a) A confiança e a integridade da informação financeira e operacional - quando se
implementa um sistema de informação para a gestão os mesmos devem ter como o
principal objectivo fornecer dados para a tomada de decisões, controlo e conformidade
com exigências externas.
b) Eficiência das operações de forma a atingir os objectivos estabelecidos - cada vez que
são limitados os recursos postos a disposição do órgão de gestão de qualquer empresa.
Por esta razão, cada órgão de gestão deve ser responsável pela definição de padrões
operacionais que permitem medir a economicidade e a utilização eficaz e eficiente dos
recursos.
c) Salvaguarda dos activos - os auditores internos devem rever os meios utilizados para
salvaguardar os activos dos vários tipos de prejuízos que podem ocorrer tais como os
resultam de roubo, fogo, inundações, utilização indevidas ou ilegais, deficiente
arrumação e conservação. Assim sendo, e quando seja considerado necessário, os
auditores internos devem efectuar, de entre outros procedimentos de auditoria,
inspeção física dos activos.
22
COSTA, Baptista Carlos da. Auditoria financeira: Teoria e Prática. 2010, 9.º edição.
d) Cumprimento das leis, regulamentos e contratos - a implementação de sistema
adequados que assegurem o cumprimento das políticas, planos, procedimentos e
legislações aplicável que possam ter um impacto significativo nas operações e
relatórios é da responsabilidade do órgão de gestão. Aos auditores internos cabe a
responsabilidade de avaliarem a adequação e eficiência de tais sistemas e de
verificarem se as actividades auditadas estão ou não a cumprir com os requisitos
apropriados.
23
Assim para (COSO) o Controlo Interno é um processo conduzido por todos os
intervenientes de uma organização com a finalidade de fornecer uma certeza razoável
sobre o cumprimento dos seus objectivos:
Eficiência e eficácia das operações;
Fiabilidade das demonstrações financeiras;
Cumprimento das leis e regulamentos.
2.3 Tipos de controlo interno
Segundo Costa (2010, p. 224)24 o Controlo Interno, comporta dois tipos de controlo
fundamentais: o controlo interno administrativo e o controlo interno contabilístico ou
financeiro.
1. O controlo interna administrativo este tipo de controlo não se limita ao plano da
organização os procedimentos e os registos que se relacionam com os processos de
decisões e que conduzem a autorização das transações pelo órgão de gestão. Tal
autorização é uma função de tal órgão directamente associada com a capacidade de
alcançar os objectivos da organização sendo o ponto de partida para um controlo
interno contabilístico sobre as transações.
2. O controlo interno contabilístico ou financeiro compreende o plano de organização, os
registos e os procedimentos normais relacionados com a salvaguarda dos activos e com
a confiança que inspiram os registos contabilísticos de modo a que, consequentemente,
proporcionem uma razoável certeza de que.
a. As transações são executadas de acordo com uma autorização geral ou
especifica do órgão de gestão;
23
Coso – é uma organização privada dedicada a melhorar a qualidade de reato financeiro através da ética nos
negócios, de controlos internos e eficazes de governação das empresas.
24
COSTA, Baptista Carlos da. Auditoria financeira: Teoria e Prática. 2010, 9.º edição.
b. As transações são registadas de modo a permitir a preparação das
demonstrações financeiras em conformidade com princípios de contabilidades
geralmente aceites ou com qualquer outro critério aplicável a tais
demonstrações; manter o controlo sobre os activos;
c. O acesso aos activos é apenas permitido de acordo com autorização do órgão
de gestão;
d. Os registos contabilísticos dos activos são periodicamente comparados com
esses mesmo activos sendo tomadas acções apropriadas sempre que se
encontrem qualquer diferença.
Para o Almeida (2013, p. 258)25 os controlos contabilísticos são classificados do
seguinte modo: Controlos preventivos, que se destinam a evitar distorções ocorram nas
demonstrações financeiras; controlos detectivos, cuja finalidade é detetar distorções que não
tenham sido.
2.3.1- Sistema de controlo interno
O Sistema de Controlo Interno, pode ser definido como um conjunto de normas,
técnicas e instrumentos, adoptados numa entidade, e que têm o objectivo de assegurar que as
actividades ocorram de acordo com o planeado, procurando a eficiência, eficácia e
efectividade das operações.
A International Federation of Acountants (IFAC, 2001) Define SCI como o plano de
organização e todos os métodos e procedimentos adoptados pela administração de uma
entidade para auxiliar a atingir o objectivo de gestão, e assegurar, tanto quanto for praticável,
a metódica e eficiente conduta dos seus negócios, incluindo a aderência às políticas da
administração, a salvaguarda dos activos, a prevenção e detenção de fraudes e erros, a
precisão e plenitude dos registos contabilístico e a atempada.
2.3.2 - Comitê das Organizações Patrocinadoras
O “Comitê das Organizações Patrocinadoras – COSO” é uma entidade sem fins
lucrativos, patrocinada por cinco grandes associações profissionais: American Accounting
Association (AAA); Instituto Americano de Contadores Públicos Certificados (AICPA);
Financial Executives International (FEI); The Institute of Internal Auditors (IIA), e da
25
ALMEIDA, Bruno José Machado de. Auditoria financeira: Uma análise integrada baseada no risco, Escola
editora 2013.
Associação Nacional dos Contabilistas (atualmente, Institute of Management Accountants
[IMA]).
Inicialmente criada como Comissão, em 1985, ganha reconhecimento mundial com a
publicação do trabalho sobre estudo e aplicação de controlos interno, intitulado Internal
Control – Integrated Framework (Controlos Internos – Um Modelo Integrado), em 1992. A
partir daí é reconhecido como Comitê.
Matriz tridimensional - o cubo COSO I.
Objetivo
O objetivo principal do COSO é ser líder de pensamento relacionado com os seguintes
temas: controle interno, dissuasão (desestímulo) da fraude e gerenciamento de riscos
corporativos.
Recomendado pela Sarbanes-Oxley (SOX – Lei norte-americana que trata sobre
governança corporativa com objetivo de resgatar a confiança perdida por investidores), o
modelo do COSO se destaca por ter sido incorporado “em políticas, normas e regulamentos
adotados por milhares de organizações para controlar melhor suas atividades visando o
cumprimento dos objetivos estabelecidos” (COSO).
Metodologia
O método COSO defende que seu sistema pode ser aplicado em qualquer tipo de
entidade, desde que tenham objetivos e metas claras para que se apliquem os controlos
internos devidos, definindo seus requisitos, componentes e princípios relevantes, de forma
que todos os níveis da administração estejam envolvidos em sua implementação,
desenvolvimento, condução e avaliação. Para o COSO a integração dos controles se baseia no
uso de uma estrutura tridimensional (conhecido como cubo do C.O.S.O.), cujas dimensões
compreendem:
1. O Ambiente de controlo
O ambiente de controlo constitui a base sobre a qual os demais componentes são construídos.
Refere-se ao conjunto de valores, atitudes e estruturas que moldam a consciência de controlo
da organização. É neste ambiente que se definem os princípios éticos, a postura da liderança e
o modelo de governação.
a. Comunicação e imposição de integridade e de valores éticos
A integridade é essencial para o funcionamento saudável de qualquer organização. Empresas
que cultivam valores éticos claros estabelecem relações de confiança com stakeholders e
criam barreiras contra fraudes. Por exemplo, a implementação de códigos de ética e
programas de compliance assegura que todos compreendam os padrões de conduta esperados.
Attie (2011) reforça que a ética organizacional deve ser praticada no dia a dia e não apenas
formalizada em documentos, sob pena de os controlos perderem credibilidade.
b. Compromisso com a competência
O capital humano é a maior força de um sistema de controlo interno. Funcionários
qualificados, devidamente treinados e motivados desempenham suas funções de forma
eficiente, reduzindo erros e inconsistências. Programas de formação contínua e avaliações de
desempenho são estratégias essenciais. Conforme Crepaldi (2018), a competência dos
colaboradores garante que as políticas internas sejam corretamente implementadas.
C. Participação dos encarregados da governação
O conselho de administração e os órgãos de supervisão devem zelar pela integridade do
processo de gestão. A existência de comités de auditoria ou comités de risco reforça a
transparência e contribui para decisões mais equilibradas. O COSO (2013) enfatiza que a
governação eficaz exige independência, objetividade e vigilância contínua.
c. Filosofia e estilo de actuação da gerência
A postura dos gestores influencia diretamente a cultura organizacional. Uma gestão aberta ao
diálogo e orientada para a ética cria um ambiente de confiança, enquanto estilos autoritários
podem levar ao medo e à ocultação de erros. Almeida (2012) defende que “a filosofia da
administração é refletida nas atitudes e comportamentos dos empregados, determinando a
eficácia dos controlos internos”.
d. Estrutura organizacional
A clareza na hierarquia organizacional evita sobreposição de funções e facilita a
responsabilização. Estruturas mal definidas podem gerar lacunas de controlo. Um exemplo
prático é a necessidade de um organograma atualizado que reflita a real distribuição de
funções.
e. Atribuição de autoridade e de responsabilidade
Cada colaborador deve conhecer seus limites de autoridade e responsabilidades. Isso impede
que decisões críticas sejam tomadas sem supervisão adequada. Um sistema eficaz adota
manuais de procedimentos que descrevem funções e competências.
f. Políticas e práticas de recursos humanos
A forma como a organização recruta, treina e avalia seus colaboradores tem impacto direto na
integridade do sistema. Políticas justas de promoção e reconhecimento reduzem conflitos
internos e reforçam a motivação. Para Chiavenato (2014), a gestão de pessoas deve ser
estratégica, alinhando os objetivos individuais aos objetivos da organização.
2. Processo da entidade para avaliação do risco
A avaliação de risco é a capacidade da organização de identificar, analisar e responder aos
eventos internos e externos que podem comprometer o alcance dos seus objetivos. O risco
pode ter origem em fatores como mudanças legislativas, crises econômicas, novas tecnologias
ou falhas humanas.
Exemplos de riscos relevantes incluem:
Alterações no ambiente operacional: mudanças políticas e regulatórias podem exigir
adaptação imediata dos controlos.
Novo pessoal: contratação de colaboradores sem experiência pode gerar falhas na
execução de processos.
Sistemas de informação novos ou reformulados: a migração de dados ou adoção de
softwares de gestão sem testes adequados aumenta riscos de inconsistência.
Crescimento rápido: empresas em expansão acelerada frequentemente sofrem com
falta de alinhamento nos controlos internos.
Nova tecnologia: exige adaptação dos processos e formação de colaboradores.
Novos modelos de negócio, produtos ou atividades: demandam novos mecanismos de
controlo e monitorização.
Reestruturações empresariais: fusões, aquisições ou cisões podem provocar
desorganização temporária.
Expansão internacional: expõe a empresa a riscos cambiais, culturais e legais.
Novas normas contabilísticas: obrigam atualização constante dos relatórios
financeiros.
Almeida (2012) sublinha que a avaliação de risco deve ser um processo dinâmico e
contínuo, acompanhando as transformações do ambiente interno e externo.
2. Actividades de controlo
As actividades de controlo são os mecanismos que asseguram a execução adequada das
diretrizes da administração. Elas podem ser preventivas (evitam erros antes que ocorram),
detetivas (identificam falhas já ocorridas) ou corretivas (procuram corrigir erros
identificados).
a. Revisões de desempenho
Consistem na análise periódica dos resultados obtidos em comparação com metas
estabelecidas. Essa revisão permite identificar desvios e implementar ações corretivas.
b. Processamento da informação
Refere-se ao controlo sobre a integridade e confiabilidade dos sistemas de informação. Inclui
autorizações, validações e reconciliações automáticas ou manuais.
c. Controlos físicos
Abrangem medidas como vigilância patrimonial, restrição de acesso físico, inventários
periódicos e reconciliação de registos contábeis.
d. Segregação de funções
É a divisão das responsabilidades de autorizar, executar e registar uma operação. Por
exemplo, quem aprova pagamentos não deve ser o mesmo que os executa. Attie (2011)
enfatiza que a segregação de funções é uma das técnicas mais eficazes de prevenção de
fraudes.
4. Informação e comunicação
Nenhum sistema de controlo é eficaz se a informação não for devidamente processada,
comunicada e compreendida. A comunicação deve ser clara, tempestiva e alcançável a todos
os níveis hierárquicos.
Informação: deve ser relevante, confiável e suficiente para apoiar a tomada de decisão.
Comunicação interna: envolve relatórios periódicos, reuniões, manuais e canais de
denúncia.
Comunicação externa: relaciona-se com investidores, auditores, clientes, fornecedores
e órgãos reguladores. O COSO (2013) afirma que a qualidade da informação e a
eficácia da comunicação são determinantes para que o sistema de controlo interno
funcione de forma integrada.
5. Monitorização
A monitorização é o acompanhamento contínuo e/ou periódico da eficácia dos controlos
internos. Pode ser realizada através de auditorias internas, revisões de gestão, relatórios de
conformidade e análises independentes.
Monitorização contínua: feita no dia a dia, integrada às atividades normais da
empresa.
Monitorização periódica: realizada por meio de avaliações específicas, como
auditorias internas ou externas. Crepaldi (2018) observa que a monitorização garante
que falhas sejam detectadas e corrigidas em tempo hábil, assegurando a melhoria
contínua do sistema.
2.4 Princípios de um sistema de controlo interno adequado
Um sistema de controlo interno alicerça-se num conjunto de princípios básicos que lhe dão
consistência e que são:
a. A segregação de funções (Separação ou divisão de funções) - o princípio baseia-se na
separação de funções incompatíveis entre si. Sendo a finalidade de evitar que sejam
atribuídas à mesma pessoa duas ou mais funções que gerem conflitos de interesses,
com o objetivo de impedir ou pelo menos dificultar a prática de erros, irregularidades
ou a sua simulação. Por exemplo, fazendo a contabilidade e ao mesmo tempo sendo
tesoureiro. Devem ser pessoas diferentes. Deve haver essa segregação de funções,
porque se eu sou o tesoureiro e sou o contador e faço as duas coisas, eu posso gerar
um desfalque conhecido como desfalque permanente na empresa;
b. Custo x benefícios do controlo - o custo do controlo interno, não deve exceder aos
benefícios por ele gerado. Dessa forma, devem ser estabelecidos controlos mais
sofisticados para transações de valores relevantes e controlos mais simples para
transições de menor materialidades. Não faz sentido a empresa implementar um
controlo, onde o custo dessa implementação vai ser maior que os benefícios gerados
por esse controlo;
c. Definição de autoridade e responsabilidade - o princípio centra-se na definição clara e
rigorosa da estrutura de autoridade e de responsabilidade em qualquer operação. Esta
definição deve assim constar de um plano organizativo, contendo uma distribuição
funcional de autoridade e da responsabilidade tendente a fixar e a delimitar as funções
de todo o pessoal de preferência por escrito, mediante o estabelecimento de manuais
internos de organização;
d. Definição rotinas internas - a empresa deve definir seus procedimentos, processos e
rotinas internas, preferencialmente no manual da organização. Essa normalização visa
estabelecer, de maneira formal, as regras internas necessárias ao bom funcionamento
da empresa. A empresa tem rotinas pré-estabelecidas para facilitar o controlo das
atividades. Exemplo:
Procedimento interno dos diversos sectores da empresa;
Formulários preenchidos para o controlo das atividades internas e externas;
e. Limitação do acesso aos activos - a empresa deve limitar o acesso dos funcionários a
seus ativos e estabelecer controlos físicos sobre esses. Ressalta-se que essa limitação
não se restringe apenas a ativos tangíveis, mas também aos intangíveis, como exemplo
informações e dados confidenciais da organização;
Utilização de cofres para guarda de numerários;
Revista de funcionários ao deixar o local de trabalho;
Ativos intangíveis, o controlo pode ser feito por meio de senhas.
f. Competências do pessoal - este princípio refere que o pessoal afeto às atividades, deve
dispor das habilitações necessárias e experiência profissional adequada ao exercício
das funções que lhe foram conferidas.
g. Registo dos fatos - o princípio encontra-se ligado aos registos contabilísticos, e visa
essencialmente assegurar uma conveniente verificação da ligação entre os diferentes
serviços, visa também acelerar o processo de registo das operações, e por último
fornecer a informação com rapidez, precisão e clareza aos responsáveis, no exercício
da sua atividade gestora. Com este princípio encontram-se associados dois requisitos
fundamentais, são eles:
Cumprimento das regras contabilísticas;
Os comprovativos ou documentos equivalentes justificativos, os quais devem
estar numerados sequencialmente e, se existir documentos anulados, estes devem
ser arquivados, não sendo destruídos.
h. Confrontação entre ativos e registo - a empresa deve estabelecer procedimentos de
forma que seus ativos, sob responsabilidade de alguns funcionários, sejam
periodicamente confrontados com os registos da contabilidade. Tal rotina é necessária
para minimizar a possibilidade de um empregado a apoderar-se individualmente de um
ativo que está sob sua custódia sem que seja descoberto por muito tempo. Ressalta-se,
obviamente, que tal procedimento deve ser realizado por funcionários que não tem
acesso aos ativos. Exemplos:
Comparar os registos contabilísticos com as contagens físicas dos bens do ativo;
Realizar periodicamente balanço á tesouraria;
Elaborar inventários periódicos das existências.
i. Auditoria interna - é controlo do controlo. Não adianta a empresa implementar um
excelente sistema de controlo interno sem que alguém verifique periodicamente, se os
funcionários estão cumprindo as determinações impostas pelo sistema.
Essa verificação é realizada pela auditoria interna, permite a adaptação nas normas
existentes ou criação de novas.
2.5 Níveis de controlo de interno
Segundo o professor Doutor Francisco Banha (2013, p. 8)26 o sistema de controlo
interno estrutura-se em três grande níveis de controlo, a saber:
1. Operacional - consiste na verificação, acompanhamento e informação, centrado
sobre decisões dos órgãos de gestão das unidades de execução das ações, e é
constituído pelos órgãos e serviços de controlo inseridos no âmbito da respetiva
valência;
2. Setorial - consiste na verificação, acompanhamento e informação
perspetivados preferentemente sobre a avaliação do controlo operacional e sobre a
adequação da inserção de cada unidade operativa na respetiva Divisão/Área;
3. Estratégico - consiste na verificação, acompanhamento e informação
perspetivados preferentemente sobre a avaliação do controlo operacional e controlo
setorial, bem como sobre a realização das metas traçadas nos instrumentos
provisionais, Para atingir os objetivos mencionados nos três níveis de controlo interno
deve garantir a existência de um conjunto de procedimentos que permitam,
designadamente:
a) A adequada segregação ou separação de funções entre a autorização, a
execução, o registo, a guarda de valores e o controlo;
b) A reconstituição por ordem cronológica das operações realizadas;
26
BANHA, Francisco (professor Doutor). Sistema de Controlo Interno dos Serviços De Gestão Académica,
Universidade De Aveiro.
c) A justificação de toda a informação obtida através de documentos de suporte,
por forma a que seja possível chegar através deles aos documentos de síntese final e
destes aos documentos de origem;
d) Um adequado e eficaz sistema de controlo que habilite o respetivo órgão
responsável, através de informação fiável e tempestiva sobre a atividade da instituição,
a verificar a realização dos objetivos e orientações estabelecidas.
2.6 Componentes do controlo interno
Segundo Costa (2010, p. 225 a 232)27 disse que existem cinco componentes controlo
interno que são:
1. O ambiente de Controlo;
2. O processo de determinação/avaliação do risco da entidade;
3. O sistema de informação incluindo os processos de negócio relacionados,
relevante para o relato financeiro e comunicação;
4. As actividades de controlo; e
5. A monitorização dos controlos.
O ambiente de controlo - neste componente inclui as funções de governação e de gestão
e as suas atitudes, a consciência e as acções dos responsáveis pelas referidas funções em
relação ao controlo interno na entidade e a sua importância para a mesma. O ambiente de
controlo estabelece o tom de uma organização, influenciando a consciência de um controlo
dos seus membros. É o fundamento de um controlo interno eficaz, proporcionando disciplina
e estrutura.
O processo de determinação/avaliação do risco da entidade - este componente tem a ver
com o processo de identificar e responder aos riscos do negócio e os respectivos resultados.
Para a finalidade de relato financeiro, o processo de determinação do risco pela entidade
inclui a forma como a gestão identifica os riscos relevantes para a preparação de
demonstrações financeiras que apresentam uma imagem verdadeira e apropriada de acordo
com a estrutura conceptual de um relato financeiro aplicável a entidade, estimar o seu
significado, avaliar a probabilidade da sua concorrência e decidir sobre as acções a tomar.
O sistema de informação - incluindo os processos de negócio relacionados, relevante
para o relato financeiro e comunicação – a ISA 315 começa por salientar que um sistema de
27
Costa, Baptista Carlos da. Auditoria Financeira: Teoria e Prática. 2017, 11ª edição.
informação compõe-se de infraestruturas (componentes físicos e de hardware), software,
pessoas, procedimentos e dados. Qualquer sistema de informação (manual ou não) que seja
relevante para os objectivos do relato financeiro, consiste em procedimentos e registos
estabelecidos não só para iniciar, registar, processar e relatar as transações acontecimentos e
as condições da entidade como também para manter responsabilidade sobre os activos,
passivos e capital próprio relacionado.
As actividades de controlo - no que se refere a este componente do controlo interno a
ISA 315 define-as como sendo as políticas e os procedimentos que ajudam a assegurar que as
directivas da gestão são cumpridas, como por exemplo, que são tomadas as acções necessárias
para enfocar riscos que ameaçam que sejam atingidos os objectivos da entidade. As
actividades de controlo, seja em sistemas manuais sejam em sistemas de tecnologias de
informação, que podem ser relevantes para uma auditoria que podem ser classificadas como
políticas e procedimentos, como sejam: autorização; revisão da execução; processamento da
informação; controlos físicos e segregação de funções.
A monitorização dos controlos - no que refere ao quinto e último componente do
controlo interno a ISA 315 salienta que a monitorização dos controlos é uma importante
responsabilidade da gestão a qual inclui verificar se os controlos estão a operar como se
previa e se os mesmos são modificados apropriadamente face as alterações das condições.
2.7 Limitações do sistema de controlo interno
Um SCI, mesmo que seja concebido e desenvolvido de forma adequada, apenas pode
transmitir uma segurança razoável (e não absoluta) à gestão sobre a realização dos objetivos
da entidade.
Segundo Crepaldi, (2011), por mais completo que seja um sistema de controlo interno, nunca
fica garantida a integridade e exatidão dos registos contabilísticos. Dessa forma, as principais
limitações do controlo interno são:
a. A falta de segregação de funções dificulta, mas não pode evitar por si só o conluio ou
a cumplicidade. (Em pequenos organismos nem sempre é possível uma clara
segregação de funções);
b. Eventos externos;
c. Custo x Benefícios;
d. A competência e a integridade, do pessoal que executa as funções podem deteriorar-
se, mesmo tendo-se verificado todos os cuidados na sua seleção e formação;
(negligência dos funcionários);
e. Os poderes de autorização, de operações por parte daqueles a quem foram confiados,
podem ser utilizados de forma arbitrária ou abusiva;
f. A própria direção, do Agrupamento pode, em algumas situações, ultrapassar ou
contornar as técnicas de controlo por si implementadas, ou ainda não se sentir
motivado para a implementação de um SCI;
g. O conluio - é ajuste ou combinação maliciosa ajustada entres duas ou mais pessoas,
com objetivo de enganarem uma terceira pessoa, ou se furtarem ao cumprimento da
lei.
h. Instrução inadequada dos funcionários com relação às normas internas; (CREPALDI,
2011, p.393).
Fonte: MELLO, 2011, p.59
Para o Costa (2010, ps. 232 e 234) 28 o estabelecimento e a manutenção de um sistema
de controlo interno é uma das mais importantes responsabilidades do órgão de gestão de
qualquer empresa. No entanto é óbvio poder afirmar-se facto de existir um Sistema de
Controlo Interno, não significa que esteja operacional. E mesmo que esteja operacional
podem não ser atingidos os objectivos atrás enunciados.
Por outras palavras podemos dizer que o facto de existir e ser actuante um bom sistema
de controlo interno não significa que a empresa esteja completamente imune a situações tão
diversas como as de ocorrência de erros irregularidades, fraudes.
A falta de interesse por parte do órgão de gestão na instituição pela manutenção de um
bom Sistema de Controlo - muitas mais vezes do que se possa pensar, acontece ser o próprio
órgão de gestão a não se sentir motivado a implementar integralmente um bom sistema de
controlo uma vez que pretende que não seja atingido um dos objectivos do mesmo: a
confiança e a integridade da informação;
28
COSTA, Baptista Carlos da. Auditoria financeira: Teoria e Prática. 2010, 9.º edição.
A dimensão e complexidade da empresa (organização) - a implementação de um bom
sistema de controlo interno é mais difícil numa empresa com pouco pessoal do que numa
outra onde o número de trabalhadores seja significativamente maior.
Na realidade a segregação de função será muito mais difícil de atingir no primeiro caso
do que no segundo caso. Não obstante, existem alguns procedimentos básicos que podem ser
seguidos mesmo no caso de empresas com um número muito reduzido de trabalhadores.
Relação de custo/ benefícios - a implementação de qualquer sistema de controlo interno
implica necessariamente que a empresa incorra em custos, os quais se avolumarão a medida
que se pretender refinar o sistema.
Há então a ter em atenção se o custo para a implementação do sistema não será superior
ao benefício que se espera obter dele. Ou seja, será preferível correr risco da não existência de
determinadas medidas de controlo interno se verificar que não se justificam as vantagens
delas resultantes.
A existência de erros humanos, conluios e fraudes - se as pessoas que trabalham numa
empresa (sobretudo aqueles que exercem funções de maior responsabilidade) não forem
razoavelmente competentes e moralmente integras, o sistema de controlo interno, por mais
sofisticado que seja, será forçosamente falível.
A competência das pessoas pode ser efectuada não só pela negligência, falta de cuidado
e distração postas na execução das suas tarefas como também pela não compreensão das
instituições e pela prática de erros de apreciação e de julgamento.
A falta de integridade moral poder conduzir ao coluio (seja interno – com outros
colegas da empresa – seja externo – com fornecedores) e consequentemente à prática de actos
fraudulentos os quais são geralmente, tanto mais difíceis de detectar quanto mais os
intervenientes se encontrarem em posições hierárquicas superiores.
As transações pouco usuais - um Sistema de Controlo Interno é geralmente
implementado para prever transações correntes. Assim sendo, acontece muitas vezes que as
transações pouco usuais escapam a qualquer tipo de controlo.
A utilização de meios informáticos - com a utilização de meios informáticos, com a
eventual possibilidade de acesso directo a ficheiros, constitui importante factor a ter em
consideração a quando da implementação de um sistema de controlo interno.
2.8 Avaliação do sistema de controlo interno
Segundo Morais e Martins (2003, P. 22 e 23) a avaliação do controlo interno 29 é a base
essencial para a preparação do procedimento de Auditoria. É com base nesta avaliação que se
define os procedimentos de actuação, o alcance e a profundidade dos testes.
O Auditor deve conhecer, rever e avaliar o sistema de controlo interno a fim de
determinar o grau de confiança dos registos contabilísticos e a respectiva documentação de
suporte, com o objectivo de determinar:
Natureza ou selecção dos procedimentos de Auditoria a aplicar;
O período em que se deverão aplicar;
O alcance ou extensão dos procedimentos.
Contudo, o controlo interno é avaliado pelos auditores internos e auditores externos.
Pelos auditores externos – com objectivo de verificar a conformidade das operações, uma vez
que visa atender às necessidades de terceiros no que diz respeito à credibilidade das
informações financeiras.
Pelos auditores internos - com objectivo de expressar opinião acerca da eficácia e, ou
eficiência da gestão da entidade, uma vez que visa ajudar a direcção nas suas funções de
gestão.
Para Crepaldi (2009, p. 380)30 o monitoramento (revisão) é avaliação dos controles
internos ao longo do tempo. Ele é melhor indicador para saber se os controlos internos estão
sendo efetivados ou não. Como demonstrado no gráfico a seguir:
Avaliação do Sistema de Controlo Interno e Volume de Testes
Fonte: CREPALDI, 2009, p. 380.
Na figura, a nota zero significa que não existe controlo e a nota oito (máxima) significa
que controle interno é excelente.
29
MORAIS; MARTINS. Auditoria Interna, Funções e Processos. 2013, edção 2.ª actualizada.
30
CREPALDI, Sílvio Aparecido. Auditoria Contábil: Teoria e Prática. 5ªed. São Paulo: Atlas, 2009.
“A eficiência do sistema de controlo interno como um todo deve permitir detetar não
somente irregularidades de atos intencionais, como também erros de atos não intencionais”.
Principal raciocínio da auditoria - se o Controlo Interno for bom, a probabilidade de
se haver erros ou fraudes é menor. Sendo assim, o auditor aplicará menos testes substantivos.
E vice-versa.
CI: BOM Menos testes
RUIM Mais testes
2.9 Relação entre a auditoria interna e o controlo interno
A Auditoria é considerada o controlo dos controlos porque além de estar acima do
controlo interno, cabe ao auditor a compreensão do sistema de controlo interno. Para Morais e
Martins (2013), a Auditoria assume uma função de supervisão do controlo interno, ao passo
que o controlo interno tem carácter preventivo.
Nota-se que os objectivos do controlo interno se assemelham aos da Auditoria Interna,
isto quer dizer que a atividade de auditoria interna incide, sobretudo, ao controlo interno da
entidade, atenuando os riscos e assegurar que os objetivos da organização sejam alcançados.
Assim, antes de elaborar o plano ou programa de auditoria, é necessário observar como
se encontram os controlos da entidade.
Segundo Rodrigues (2013), a existência de um auditor eficiente e atuante, em qualquer
organização, é considerado como um ponto forte para efeitos de controlo interno.
O auditor deve efetuar o levantamento do sistema contabilístico e do controlo interno,
avaliar o seu grau de confiança e com base na avaliação efetuada, estabelecer a extensão dos
procedimentos de auditoria e o momento da sua aplicação.
Conforme Almeida (1996), citado por Rodrigues (2013), não adianta a organização
implementar um ótimo SCI sem que alguém verifique se os funcionários estão a cumprir o
que foi determinado no sistema, ou se o sistema deveria ser adaptado às novas circunstâncias,
uma vez que os objetivos gerais da auditoria consistem em verificar se as normas internas
estão a ser devidamente aplicadas e avaliar a necessidade de novas normas ou de revisão das
normas internas existentes.
Pode-se assim afirmar, que o controlo interno fornece os meios necessários à execução
dos trabalhos de auditoria.
CAPÍTULO III – AUDITORIA INTERNA
3.1 Auditoria interna
Com a expansão dos negócios as empresas tiveram a necessidade de uma pessoa que
além de revisar os controlos internos e os procedimentos operacionais, também auxiliasse na
administração e na execução das atividades. Surgiu então o auditor interno, para realizar uma
Auditoria mais periódica, com maior grau de profundidade e visando também outras áreas não
relacionadas com a contabilidade, para verificar se as normas internas vêm sendo seguidas.
Também surge para suprir a ausência do auditor independente, efetuando um trabalho mais
periódico e preventivo a fim de atender a administração.
A criação, em 1941, nos Estados Unidos da América, do Institute of Internal Auditors
(IIA) foi determinante para o desenvolvimento da atividade dos auditores internos a nível
mundial, já que aqueles organismos agrupam membros espalhados por doto mundo.
Apesar de ser subordinado à Administração, o auditor interno deve ter certa autonomia.
Naturalmente, essa autonomia será menor do que a do auditor independente. Contudo, aquele
auditor deve produzir um trabalho livre de interferências internas.
Organigrama que mostra a localização da auditoria interna dentro da
organização.
Fonte: Marcelo Almeida (1996, p. 25)
Em 1999, o IIA (Instituto Interno de Auditoria), define a auditoria interna como “uma
função de avaliação independente, estabelecida numa organização para examinar e avaliar as
suas atividades, como um serviço à própria organização.
Auditoria interna é o conjunto de procedimentos, técnicas que tem por objetivo,
examinar a integridade, adequação e eficácia dos controles internos e das informações físicas,
contabilísticas, financeiras e operacionais.
O objetivo da auditoria interna é auxiliar os membros da organização no cumprimento
eficaz das suas responsabilidades.
Conforme afirma Almeida (1996, p.26), os objetivos da Auditoria Interna são os
seguintes:
Verificar se as normas internas estão sendo seguidas;
Verificar a necessidade de aprimorar as normas internas vigentes;
Verificar a necessidade de novas normas internas;
Efetuar Auditoria das diversas áreas das demonstrações contabilística e
em áreas operacionais.
A finalidade da auditoria interna é agregar valor ao resultado da organização,
apresentando subsídios para o aperfeiçoamento dos processos, da organização e dos controlos
internos, por meio da recomendação de soluções para não – conformidades apontadas nos
relatórios.
Segundo Almeida (1986, p.5), o auditor interno é um empregado da empresa, e dentro
de uma organização ele não deve estar subordinado aqueles cujos trabalhos examina. Além
disso, o auditor interno não deve desenvolver atividades que ele possa vir um dia examinar
(como por exemplo, elaborar lançamentos contabilísticos), para que não interfira na sua
independência.
Já para Teixeira (2006), o auditor interno atua como sendo um “sócio estratégico da
gestão”, na medida em que, este desempenha “o papel de assessor e consultor na identificação
dos riscos e deve propor estratégias que permitam à organização melhorar o seu desempenho
dentro do setor económico”.
3.2 Objectivos gerais do auditor
Obter uma segurança razoável sobre se as Demonstrações Financeiras no seu todo estão
isentas de distorções materiais, seja devido a fraude ou erro, permitindo deste modo expressar
uma opinião sobre se as mesmas estão preparadas, em todos os aspectos materiais, de acordo
com uma estrutura conceptual de relato financeiro aplicável.
Relatar sobre as Demonstrações Financeiras e comunicar conforme exigido pelas ISA,
de acordo com as suas constatações.
ATENÇÃO: a opinião do auditor não assegura viabilidade futura da entidade, nem a
eficiência ou eficácia com que a gestão conduziu os respectivos negócios.
5.4 Posição do auditor interno na organização
A declaração anteriormente mencionada, que define as funções e responsabilidades do auditor
interno, do Instituto de Auditores Interno dos Estados Unidos, estabelece:
Auditoria Interna é uma função de assessoria em vez de função em linha. Portanto, o auditor
interno não exerce autoridade directa sobre os funcionários cujo trabalho ele revisa.O auditor
interno deve ter liberdade de revisar e avaliar políticas, planos procedimentos e registos;
porém essa revisão ou avaliação de forma alguma isenta as outras pessoas na organização das
responsabilidades às elas atribuídas.
a. Independência
A Independência é essencial para a eficácia do trabalho da auditoria interna. Essa
independência abrange dois aspectos principais:
O status do auditor interno dentro da organização e o apoio administrativo que lhe é
proporcionado são as principais determinantes da amplitude e valor dos serviços que a
administração obterá da auditoria interna. O auditor interno deve, portanto, prestar
contas a um administrador de nível suficientemente alto dentro da organização para,
dessa forma, garantir sua ampla actuação, assim como decisões adequadas e acção
eficaz com relação aos problemas por ele revelados ou às suas recomendações.
Devido a que completa objectividade é essencial à função de auditoria, os auditores
internos não devem desenvolver ou instalar procedimentos, preparar registos ou
engajar-se em qualquer outra actividade a qual normalmente seria objecto de sua
revisão e avaliação.
b. Educação e treinamento
A selecção de elementos capazes para integrar o corpo de auditores internos é essencial, pois,
como já vimos, a prática de auditoria interna, segundo os padrões modernos, exige uma
equipe de profissionais de nível superior.
A auditoria interna não é estática. As actividades em geral, objectos de exame do auditor, se
desenvolvem e modificam, exigindo que as técnicas de auditoria acompanhem essa
transformação. O auditor interno enfraquece o seu potencial de “prestação de serviços à
administração”, na medida em que as técnicas não acompanham o desenvolvimento da
entidade da qual faz parte.
Relações humanas
O auditor, pela própria natureza de suas actividades e por formação tem normalmente nível
pessoal francamente superior. Devido a esse fato o auditor é o primeiro responsável em
manter um clima de cordialidade com seus colegas de organização. É responsabilidade do
auditor retirar os obstáculos ou barreiras defensivas normalmente formadas pelos auditados.
Para conquistar respeito e confiança é essencial que o auditor mantenha relações cordiais com
as pessoas cujo trabalho ele examinará. Atitudes negativas, além de dificultar o seu trabalho,
em nada auxiliam ao auditor em projectar uma imagem de segurança em relação a seu
conhecimento e capacidade para avaliar o desempenho de outras pessoas.
1.11 Documentação em auditoria (ISA 230)31
O conjunto de elementos escritos elaborados e/ou obtidos por um auditor no decurso de
uma auditoria constitui precisamente o que se designa por documentos ou papéis de trabalho,
os quais compreendem o registo das verificações efectuadas, das informações recolhidas e das
conclusões formuladas no seu relatório e parecer.
Os documentos de trabalho são constituídos pelos programas de trabalho, notas, análise
e outro material considerado relevante, quer preparados pelo próprio auditor, quer por ele
obtidos junto das entidades auditadas ou outras, devendo ser completos e pormenorizados, de
conteúdo adequado e em número suficiente para fundamentarem as conclusões a que
conduzem. Os documentos de trabalho, utilizado pelo auditor no processo de auditoria são:
Programa de auditoria - em geral, as firmas de auditoria preparam programas-padrões, a
serem preenchidos pelos auditores, para todas as áreas das demonstrações financeiras e
também para outros assuntos relacionados com o exame auditoria (planeamento, riscos de em
auditoria, avaliação do controle interno etc.).
Papéis elaborados pelo auditor - Representam os papéis de trabalho que o auditor
prepara à medida que vai analisando as diversas contas do razão geral da contabilidade
(registrar os serviços executados).
Cartas de confirmação de terceiros - contas correntes bancárias, aplicações financeiras,
contas a receber; estoques, investimentos e imobilizado em poder de terceiros, seguros,
fornecedores a pagar, empréstimos a pagar e advogados;
Cópias de documentos importantes - estatuto social, contratos, manuais de
procedimentos internos, atas de reuniões de acionistas, conselho de administração, diretoria e
conselho fiscal e carta de representação da administração.
31
ISA – International Standards on Auditing
3.4 Determinação do risco de auditoria
De acordo com a citada ISA 320 32, o risco de auditoria significa “ o risco de o auditor
expressar uma opinião de auditoria inapropriada quando as demonstrações financeiras estão
materialmente distorcidas”. É a possibilidade do auditor emitir uma opinião tecnicamente
inadequada sobre as demonstrações contabilísticas. Ao realizar uma auditoria o auditor
depara-se com cinco tipos de risco:
a. Risco inerente - vinculado ao negócio e às atividades da empresa. Ex: inexistência ou
inadequação de controlo interno; concentração de dívidas com um único cliente;
flutuação de estoque; desvalorização cambial. O risco inerente está ligado à empresa;
b. Risco de controlo - neste caso, a empresa tem o controle interno, só que ele falhou
(evento humano). O controlo interno pode até ser rigoroso e adequado, mas é sempre
passível de ser burlado. Exemplo: A empresa institui um controlo interno em relação a
determinada transação, mas esse controlo falha;
c. Risco de detecção - inerente ao trabalho do auditor. Ex: no planeamento está
estabelecida uma extensão, só que não é feito conforme está previsto no planeamento;
d. Risco do compromisso: o risco que o auditor corre ao estar associado a um
determinado cliente (exemplo, perda de reputação, incapacidade de o cliente pagar os
honorários ou potencial de litigação). Uma vez que a auditoria é efectuada numa base
de amostragem, e em certa maneira, na integridade do órgão de gestão, podemos dizer
que, pelo menos em termos teóricos, há clientes que o auditor não deveria aceitar;
e. Risco do negócio: o risco que afecta as operações e os resultados das organizações (ex.
conjuntura económica favorável ou desfavorável, mudança tecnológicas, concorrentes,
localização geográfica, complexidade das transacções, etc.). Todas as organizações
têm subjacente um risco de negócio, o órgão de gestão pode majorar ou mitigar esse
risco;
f. Risco das demonstrações financeiras: o risco relacionado com as transacções e a
apresentação das demonstrações financeiras (ex. subjectividade na contabilização de
imparidade dos activos, estimativas de vida útil, contabilização de provisões, bem
como a eficácia do controlo interno na prevenção e detecção de erros e de fraudes,
etc.);
g. Risco de amostragem: o risco que o auditor corre ao explorar as conclusões, com base
numa amostra, para a população. Como a auditoria é efectuada com base em amostra o
auditor não consegue assegurar a 100% que as demonstrações financeiras não
32
ISA – International Standards on Auditing
apresentam distorções materialmente relevantes. Assim, existe sempre o risco de
distorções materialmente relevantes não serem detectadas pelo auditor.
Para salientar que, não é possível ao auditor eliminar completamente o risco de
auditoria, no entanto é possível reduzi-lo efectuando mais trabalho, o que por sua vez aumenta
os honorários podendo gerar uma maior tensão entre o auditor e o seu cliente.
Atenção: O Risco de deteção é responsabilidade do auditor. Nos outros dois tipos de
risco, se o auditor conseguir comprovar que não houve falha dele, fica isento.
CAPÍTULO IV – AUDITORIA EXTERNA
4.1 Auditoria externa
Auditoria Externa surgiu com a necessidade que os investidores tinham de ter
informações sobre a veracidade das demonstrações contabilísticas que a empresa dispõe. Com
isso, os investidores passaram a exigir que as demonstrações da empresa fossem examinadas
por um profissional independente que não tivessem nenhum vínculo de trabalho ou parentesco
com a empresa, garantindo qualquer tipo de interferência não pessoal no seu parecer.
É importante frisar que a existência de Auditoria Externa não elimina a necessidade da
Auditoria Interna e tampouco a recíproca é verdadeira, já que suas funções e objetivos são
diferentes. Entretanto, um trabalho conjugado entre as Auditorias pode ser por ambas
utilizadas para se evitar a duplicidade do trabalho.
Segundo Crepaldi (2000), a auditoria externa é executada por profissional independente,
sem ligação com o quadro da empresa. Sua intervenção é ajustada em contrato de serviços”
(p.49). Para que aconteça uma auditoria sem vínculos e fraudes, o auditor deve ser contratado
através de uma empresa terceirizada, onde suas funções são determinadas através de um
contrato pré-estabelecido.
Mais especificamente, Crepaldi (2000), define a auditoria externa constitui o conjunto
de procedimentos técnicos que tem por objetivo a emissão do parecer sobre a adequação com
que estes representam a posição patrimonial e financeira, o resultado das operações, as
mutações do Patrimônio Líquido e as origens e aplicações de recursos da entidade auditada
consoante as normas brasileiras de contabilidade (p. 48).
Desta forma, destaca-se a necessidade do auditor externo, ser um profissional sem
qualquer tipo de vínculo de trabalho com a empresa, como já citado anteriormente, uma vez
que sua função é realizar um trabalho sem qualquer análise pessoal, mas sim restritamente
profissional da situação atual em que a organização se encontra.
A realização de uma auditoria externa objetiva, validar os dados financeiros,
patrimoniais e contabilístico em um determinado período, assegurando maior segurança a
acionistas e proteção aos ativos da entidade, aumentando o grau de confiança nas
demonstrações contabilísticas por parte dos usuários.
4.2. A Independência do Auditor33
O auditor financeiro, tem como o objectivo expressar uma opinião independente da
entidade e dos seus gestores, no entanto, o conceito de independência é difícil de definir. A
maioria dos códigos profissionais identifica dois tipos de independência, ainda que
relacionados: independência profissional e profissão independente.
A independência profissional é essencialmente um estado de espirito constituído por
três componentes:
a. Independência no planeamento da auditoria - este tipo de independência materializa-se
numa liberdade total para desenvolver, sem restrições, o desenho dos programas de
auditoria, bem como do trabalho a desenvolver, dentro dos níveis de materialidade
adequados e do risco de auditoria assumido. Não há, portanto, limitações de qualquer
espécie;
b. Independência de investigação - consiste no acesso a todas as fontes de informação
disponíveis e legais existentes nas empresas. Em suma, liberdade de não aceitar
qualquer limitação ao escopo da auditoria;
c. Independência na emissão de opinião - materializa-se numa ampla liberdade de não
sujeição a nenhum compromisso de lealdade a constituição para modificar o seu
relatório devido ao impacto que pode causar na entidade auditada. Abster-se da
utilização de linguagem dúbia ou ambígua e não acatar qualquer tentativa de dirigir ou
condicionar o seu julgamento profissional. Contudo do relatório e a sua opinião como
auditor constituem aspectos diretamente relacionados com a independência do auditor.
4.3 Incompatibilidades absolutas34
Em termos legais, a matéria relativa às incompatibilidades e dos auditores (Perito
Contabilista) está contemplada no artigo 79º do estatuto da OCPCA.
É proibido aos auditores (Perito contabilista) efectuarem exames ou emitir um parecer
sobre as contas das sociedades ou outras entidades relativas às quais:
33
Decreto Presidencial n.º 232/10 de 11 de Outubro de 2010
34
Decreto Presidencial n.º 232/10 de 11 de Outubro de 2010
a) Tenham, eles próprios ou seu cônjuge ou parentes na linha recta ou colateral, uma
participação superior a 1% no respectivo capital social;
b) Exerçam ou tenham exercido, eles próprios ou o seu cônjuge ou parentes na linha
recta, funções de contabilista ou função como membros do órgão de administração,
direcção ou gerência, nos últimos três (3) anos.
c) Exerçam, ou o seu Cônjuge, ou parentes na linha recta, funções remuneradas com
carácter de permanência.
d) Sejam, ou o seu cônjuge, ou parentes na linha recta, directores de uma empresa-mãe
que tenha 10% ou mais dessa entidade, ou que seja detida em 10% ou mais, pela em
questão.
A seguir apresentar-se á um organograma com os passos de Auditoria para um melhor
entendimento do procedimento. (fonte: Marcelo Almeida, 1996. P. 37).
Auditor
Planeamento
Avaliação do Controlo Efetua a Revisão Analítica
Interno
Executar os procedimentos de
auditoria
Colher as evidências
Emite parecer
4.3 Normas profissionais do auditor independente (ISA 200)35
a. Competência técnico-profissional
35
ISA – International Standards on Auditing
O contador, na função de auditor independente, deve manter seu nível de competência
profissional pelo conhecimento atualizado dos Princípios Fundamentais de Contabilidade e
das Normas Angolanas de Contabilidade, das técnicas contabilísticas, especialmente na área
de auditoria, da legislação inerente à profissão, dos conceitos e técnicas administrativas e da
legislação específica aplicável à entidade auditada.
b. Responsabilidades do auditor na execução dos trabalhos
O auditor deve aplicar o máximo de cuidado e zelo na realização dos trabalhos e
na exposição de suas conclusões;
Ao opinar sobre as demonstrações contabilísticas o auditor deve ser imparcial;
O exame das demonstrações contabilísticas não tem por objetivo precípuo a
descoberta de fraudes. Todavia, o auditor independente deve considerar a
possibilidade de sua ocorrência.
c. Honorários
O auditor deve estabelecer e documentar seus honorários mediante avaliação dos
serviços, considerando os seguintes fatores:
A relevância, o volume, a complexidade do serviço, e o custo do serviço a
executar;
O número de horas estimadas para a realização dos serviços;
A peculiaridade de tratar-se de cliente eventual, habitual ou permanente;
A qualificação técnica dos profissionais que irão participar da execução dos
serviços;
O lugar em que os serviços serão prestados, fixando, se for o caso, como serão
cobrados os custos de viagens e estadia.
d. Sigilo
O sigilo profissional do auditorente como regra, o auditor não pode divulgar as informações
obtidas durante o seu trabalho na Entidade, a não ser que;
Tenha autorização expressa da Entidade auditada, por escrito;
Haja obrigação legais que o obriguem a fazê-lo. Tribunal de contas ou a AGT.
Entidade reguladora.
O sigilo profissional deve ser observado nas seguintes circunstâncias:
Na relação entre o auditor e a entidade auditada;
Na relação entre os auditores;
Na relação entre os auditores e os organismos reguladores e fiscalizadores;
Na relação entre o auditor e demais terceiros.
e. Responsabilidade pela utilização do trabalho do auditor interno
A responsabilidade do auditor não será modificada, mesmo quando o contador, na função de
auditor interno, contribuir para a realização dos trabalhos.
f. Educação continuada
g. O auditor independente, no exercício de sua atividade, deverá comprovar a
participação em programa de educação continuada, na forma a ser regulamentada pela
Ordem Nacional dos Contabilistas.
h. Exame de competência profissional
O auditor independente, para poder exercer sua atividade, deverá submeter-se a exame de
competência profissional, na forma a ser regulamentada pela Ordem Nacional de
Contabilidade.
i. Em relação às fraudes e erros
Ao detetar erros relevantes e quaisquer fraudes no decorrer dos seus trabalhos, o auditor terá
obrigação de comunicá-los á administração da Entidade e seguir medidas corretivas,
informando sobre os possíveis efeitos no seu parecer, caso elas não sejam adotadas.
Logo se conclui que a Auditoria Externa não é realizada para detetar fraudes, erros ou para
interferir na administração da empresa, ou ainda, reorganizado processo produtivo ou demitir
pessoas ineficientes. Naturalmente, no decorrer do processo de Auditoria, o auditor pode
encontrar fraudes ou erros, mas o seu objetivo não é este. Seu objetivo é emitir um parecer.
d.3.1 A utilização de outros profissionais na auditoria (ISA 200)
A auditoria, por sua natureza técnica e multidisciplinar, muitas vezes requer a colaboração de
outros profissionais especializados além do auditor principal. A utilização desses
profissionais ocorre principalmente quando a auditoria envolve áreas complexas que exigem
conhecimentos específicos fora do domínio da contabilidade e auditoria tradicional, como
matemático, estatístico e financeiro, tecnologia da informação, engenharia, direito, entre
outros.
4.3.1.1 Utilização do trabalho de auditores internos
Quando o auditor independente é contratado para efeitos de auditoria, caso verificar a
existência de um trabalho já realizado pelo auditor interno, em determinado ponto das
demostrações contabilísticas, pode se dar o caso, que o auditor independente queira utilizar o
trabalho do auditor interno.
A norma prevê que além do auditor independente poder utilizar o trabalho já realizado pelo
auditor interno, ele pode utilizar também o próprio auditor interno, ao longo da sua auditoria
independente.
Mas para tal, tem muitas avaliações que o auditor independente vai poder efetuar para poder
utilizar ou não esse profissional.
Assistência direita – é a utilização de auditores internos para executar procedimentos de
auditoria, sob a direção, supervisão e revisão do auditor independente.
Os objectivos da função da auditoria interna são determinadas pela Administração. Embora os
objetivos da função da auditoria sejam diferentes, os meios (testes, procedimentos e técnicas),
utilizados pela auditoria interna e pelo auditor independente para o alcançar seus respectivos
objetivos podem ser semelhantes.
Sendo assim, o auditor independente, pode utilizar tanto o trabalho como o próprio auditor
interno nas suas constatações. Para tal o auditor independente deve fazer uma avaliação
preliminar antes de utilizar o trabalho do auditor interno que são:
Determinar se o trabalho da auditoria interna, pode ser utilizado em quais áreas e
em que extensão;
Determinar se o trabalho é adequado para fins de auditoria;
Se o auditor interno tem qualificações adequada para executar uma auditoria;
Quando auditor independente decide utilizar o trabalho do auditor interno, deve executar
procedimentos de auditoria suficientes sobre o conjunto do trabalho da auditoria interna que
ele planeia utilizar para determinar a sua adequação para fins da sua auditoria, incluindo
avaliação se:
O trabalho da auditoria interna foi planeada e executado, supervisionado e
documentado de modo apropriado;
Foi obtida evidência suficientes e a apropriada que possibilite a auditoria interna
chegar a conclusões razoáveis;
Se existe imparcialidade do auditor interno em relação a Entidade Auditada;
As conclusões alcançadas pelo auditor interno, são apropriadas, suficientes com
os resultados dos testes aplicados.
O auditor independente, assume integral responsabilidade pela opinião de auditoria expressa e
essa responsabilidade do auditor independente não é reduzida pela utilização do trabalho feito
pelos auditores interno.
4.3.1.2 Utilizações do auditor interno pelo auditor independente
Antes de utilizar os auditores internos para prestar assistência direita para fins de auditoria, o
auditor independente deve:
Obter concordância formal do representante autorizado da Entidade de que os
auditores internos estão autorizados e seguiram as instruções do auditor
independente, e que a Administração da Entidade não vai interferir no trabalho
que o auditor interno executar para o auditor independente.
Obter concordância formal dos auditores internos de que eles vão manter
confidencialidade sobre os assuntos específicos.
Se a utilização de auditores internos para prestar assistência direta não for proibido por lei ou
regulamento, o auditor independente pode utilizar o auditor interno.
O auditor independente não deve utilizar auditoria interna para prestar assistência direta se:
Existir ameaças significativas a objetividade do auditor interno (Avaliar a
imparcialidade que ele deve ter no seu trabalho);
O auditor interno não tem competência suficiente para executar o trabalho proposto.
Se não atender esses requisitos, não adianta utilizar a assistência do auditor interno.
4.3.1.3 Utilizações do trabalho dos especialistas
Especialista do auditor - é a pessoa ou organização com especialização em área que não
contabilidade ou auditoria, contratado pelo auditor, cujo trabalho nessa área é utilizado pelo
auditor para ajudá-lo a obter evidência de auditoria suficiente e apropriada. O especialista
auditor pode ser interno (um sócio ou uma pessoa que faz parte da equipa).
O auditor deve obter entendimento suficiente na área de especialização do especialista, para
permitir ao auditor determinar a natureza, os objetivos do trabalho desse especialista.
Exemplo: Suponhamos que um auditor foi contratado para auditar a Sonangol, ele não é
obrigado a entender profundamente de petróleos.
Vamos supor que ele pretende calcular uma reserva de petróleo, não será ele que conseguirá
fazer esse cálculo, tem de contratar um especialista.
O auditor é o único responsável por expressar opinião de auditoria e essa responsabilidade
não é reduzida pela utilização do trabalho de especialista contratado pelo auditor.
4.3.1.4 Utilização do trabalho de outros auditores independentes
Pode ser útil ao auditor independente quando ele envolve outros auditores na auditoria das
demonstrações contabilísticas.
Exemplo: Quando o auditor independente é contratado para realizar auditoria em uma
empresa que tem várias filias, em todas as províncias de Angola e a equipa de auditoria só
está em Luanda.
O auditor pode deslocar-se em todas as províncias para aplicar os testes, como também
contratar auditores independentes nas províncias onde as filias encontram-se.
O auditor principal é que tem a responsabilidade de planear a auditoria, os auditores
contratados só farão procedimentos que o mesmo determinar.
O envolvimento de outros auditores não altera a responsabilidade do auditor em obter
evidência de auditoria apropriada e suficientes para conseguir uma base rasurável para
suportar a sua opinião.
Resumindo mesmo que utilize o trabalho do auditor interno, de especialistas (interno e
externo) de outros auditores independente, a responsabilidade é do auditor independente pela
opinião a cerca das demonstrações contabilísticas.
4.4 Obrigatoriedade da auditoria externa
As entidades que estão obrigatoriamente sujeitas a auditoria externa são:
Bancos Comerciais;
Bancos de Investimento;
Fundos de Investimento em Condomínio;
Sociedades Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários;
Todas as Demais entidades financeiras sujeitam a fiscalização do Banco Central
de Angola;
Bolsas de Valores;
Companhias Abertas e as que emitirem títulos negociáveis no Mercado de
Capitais, incluídas suas demonstrações contábeis consolidadas;
Sociedades Seguradoras;
Empresas beneficiárias de Incentivos Fiscais;
Empresas de Leasing ou Arrendamento Mercantil.
Empresas que operem com recursos do Sistema Financeiro da Habitação;
Entidades Previdência Privada (Abertas e Fechadas);
Operadoras de consórcio;
Operadoras de Planos de Assistência à Saúde. (FRANCO e MARRA, 2001,
p.53-54).
4.4 A diferença entre a auditoria interna e externa
Segundo Crepaldi (2021), a auditoria interna tem como foco os processos e controles internos
da organização, enquanto a auditoria externa está voltada à validação das demonstrações
financeiras e é realizada por profissionais independentes.
A diferença da Auditoria Interna e Externa é distinguida pelo grau de dependência,
através do vínculo criado entre a empresa e o auditor.
A auditoria externa não exclui a necessidade da auditoria interna, vale ressaltar, que
algumas diferenças são que a auditoria interna é realizada por um funcionário da empresa, e
na auditoria externa tem que ter a contratação de um profissional independente.
Assim, apresenta-se a seguir um quadro comparativo da Auditoria Interna e Externa:
Critério Auditoria Interna Auditoria Externa
Definição Avaliação independente realizada Avaliação independente
dentro da própria organização. realizada por auditores externos
à entidade.
Objectivo principal Melhorar controlos internos, Emitir parecer sobre as
eficiência e gestão de riscos. demonstrações financeiras.
Vínculo com a Faz parte da estrutura da É independente da organização
entidade organização. auditada.
Periodicidade Contínua ou periódica, conforme Geralmente anual, conforme
necessidade da gestão. exigências legais.
Usuários principais Administração e gestores Sócios, acionistas, entidades
internos. reguladoras e terceiros.
Normas aplicáveis Normas Internacionais de Normas Internacionais de
Auditoria Interna (IIA) ou normas Auditoria (ISA) ou normas
internas. nacionais.
Relatórios emitidos Relatórios internos com Relatório de auditoria com
recomendações. parecer/opinião independente.
Âmbito do trabalho Abrange todas as áreas da Foca principalmente nas
organização, inclusive demonstrações financeiras.
operacionais.
Nomeação Nomeada pela administração da Nomeada pela assembleia geral,
entidade. conselho ou órgãos reguladores.
Responsabilidade Auxiliar na gestão e controlo de Assegurar a transparência das
riscos internos. informações financeiras.
Fonte: COSTA, Renata Sol (2015) – Conselho Regional de Contabilidade do Rio de Janeiro.
4.5 Relação entre auditoria interna e externa
A principal semelhança entre a auditoria interna e externa está relacionada aos métodos
de trabalho que, via de regra, são bastantes parecidos.
Embora operando em diferentes graus de profundidade e extensão a auditoria interna e
a auditoria externa têm interesses comuns, daí a conexão existente no trabalho de ambas.
Nota-se no campo contabilístico, os exames são efectuados, geralmente, pelos mesmos
métodos. Elas têm finalidades semelhantes (fiscaliza e deteta erros, ajuda as empresas a
solucionar problemas, fraudes, etc.,).
De forma global, o trabalho executado pela auditoria interna é idêntico aquele
executado pela Auditoria externa. Ambas realizam seus trabalhos utilizando-se das mesmas
técnicas de auditoria, ambas têm sua atenção voltada para o controlo interno como ponto de
partida de seu exame e formulam sugestões de melhorias para as deficiências encontradas,
ambas modificam a extensão de seu trabalho de acordo com as suas observações e a eficiência
dos sistemas contabilísticos e controlos internos existentes.
Por conseguinte, embora sejam atividades diferentes, tanto o auditor interno como o
auditor externo podem retirar dividendos de uma colaboração profissional.
Quando o auditor não pode expressar uma opinião global, deve declarar as respectivas
razões no relatório de auditoria. Em todos os casos em que o nome do auditor esteja associado
com demostrações financeiras, o auditor deve no relatório de auditoria, indicar claramente o
tipo do seu trabalho, se algum, e o grau de responsabilidade por ele assumida.
2.2.4. Relações entre auditoria interna e externa
Os procedimentos técnicos são semelhantes tanto para a autoridade interna quanto para
a auditoria independente.
De forma ecuménica, o trabalho executado pela Auditoria Interna é idêntico aquele
executado pela Auditoria externa. Ambas realizam seus trabalhos utilizando-se das mesmas
técnicas de auditoria; ambas têm sua atenção voltada para o controle interno como ponto de
partida de seu exame e formulam sugestões de melhorias para as deficiências encontradas,
ambas modificam a extensão de seu trabalho de acordo com as suas observações e a eficiência
dos sistemas contabilístico e de controlos internos existentes.
A auditoria interna é contínua ao contrário da auditoria externa é periódica. Ela é
completa, pois observa o todo organizacional, é independente pela autonomia de actuação
uma vez que tem livre acesso a todas as áreas e departamentos da organização e o controlo
interno é um dos objectos de estudo.
Apesar das diferenças, tanto a auditoria interna quanto a externa, ambas cada uma ao
seu modo produzem informações a cerca dos elementos contabilísticos, elas visam dar
credibilidade desses dados.
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