UNIVERSIDADE POSITIVO
LARISSA ZOELLNER OLSZEWSKI
YASMIN PEREIRA NARCISO
REABILITAÇÃO FISIOTERAPÊUTICA EM ATLETAS QUE PRATICAM
VOLEIBOL
CURITIBA
2024
UNIVERSIDADE POSITIVO
LARISSA ZOELLNER OLSZEWSKI
YASMIN PEREIRA NARCISO
REABILITAÇÃO FISIOTERAPÊUTICA EM ATLETAS QUE PRATICAM
VOLEIBOL
Trabalho apresentado ao curso de
Fisioterapia para obtenção parcial de
nota do sexto período noturno da
Universidade Positivo.
Orientador: Christina Cepeda.
CURITIBA
2024
2
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 4
1 VOLEIBOL ...................................................................................................... 5
1.1 HISTÓRIA DO VOLEI ................................................................................ 5
1.2 GESTO ESPORTIVO ................................................................................ 5
2 PRINCIPAIS LESÕES .................................................................................... 7
2.1 LESÃO DE MANGUITO ROTADOR ....................................................... 10
2.2 ENTORSE DE TORNOZELO.................................................................. 11
3 AVALIAÇÃO FISIOTERAPÊUTICA ............................................................ 11
3.1 ANMNESE ............................................................................................... 12
3.2 INSPEÇÃO .............................................................................................. 12
3.3 PALPAÇÃO.............................................................................................. 13
3.4 MOBILIDADE ........................................................................................... 14
3.5 GONIOMETRIA ....................................................................................... 14
3.6 FORÇA MUSCULAR ............................................................................... 15
3.7 TESTES ESPECÍFICOS ......................................................................... 16
3.7.1 TESTES ESPECÍFICOS PARA MANGUITO ROTADOR ..................... 17
3.7.2 TESTES ESPECÍFICOS PARA ENTORSE DE TORNOZELO ............ 18
3.8 TESTES FUNCIONAIS ........................................................................... 18
3.9 MARCHA.................................................................................................. 19
4 TRATAMENTO FISIOTERAPÊUTICO ........................................................ 20
4.1 PLANO DE TRATAMENTO PARA LESÃO DO MANGUITO ROTADOR
20
4.2 PLANO DE TRATAMENTO PARA LESÃO DE ENTORSE DE
TORNOZELO ...................................................................................................... 21
4.3 PROGRAMA DE PREVENÇÃO.............................................................. 23
CONCLUSÃO...................................................................................................... 25
REFERÊNCIAS ................................................................................................... 26
3
INTRODUÇÃO
O voleibol é um esporte coletivo que exige alto desempenho físico,
habilidade técnica e precisão em gestos específicos, como saque, ataque,
bloqueio e defesa. Esses movimentos envolvem uma sequência complexa de
ações biomecânicas e ativação muscular, tornando o corpo do atleta suscetível
a uma série de lesões. Entre as estruturas mais afetadas estão os ombros,
joelhos, tornozelos e coluna, principalmente devido ao impacto repetitivo, à
sobrecarga e aos movimentos bruscos. Em especial, lesões no manguito
rotador, entorses de tornozelo e problemas nos joelhos são comuns e podem
afetar diretamente o desempenho dos jogadores, levando a períodos de
afastamento e comprometimento na evolução da carreira.
Neste contexto, a fisioterapia se destaca como uma ferramenta
essencial, tanto no tratamento de lesões quanto na prevenção de recorrências,
oferecendo suporte especializado que contribui para a rápida recuperação e
retorno seguro do atleta ao esporte. Este trabalho tem como objetivo investigar
as principais lesões que acometem os atletas de voleibol e as intervenções
fisioterapêuticas mais recomendadas, além de discutir a importância de
programas preventivos específicos que ajudem a fortalecer o sistema
musculoesquelético e a melhorar a propriocepção e a biomecânica. Através
dessa análise, busca-se demonstrar como a fisioterapia, aliada ao treinamento
preventivo, pode reduzir o índice de lesões e aumentar a longevidade esportiva
dos jogadores.
4
1 VOLEIBOL
O voleibol é um esporte coletivo que confronta duas equipes de seis
jogadores em uma quadra de 18x09 m. A quadra é dividida em duas partes
iguais por uma linha central, sobre a qual se encontra a rede, suspensa a uma
altura determinada (2,24m para equipes femininas e 2,43m para equipes
masculinas).
O objetivo do jogo é fazer com que a bola caia na quadra adversária,
passando por cima da rede através de toques com as mãos. A bola é posta em
jogo através do saque, efetuado pelo jogador de defesa direita, posicionado na
zona de saque. Cada equipe pode dar três toques (além do bloqueio) para
impedir que a bola toque o chão de sua própria quadra e jogá-la de volta à
quadra adversária por cima da rede e no espaço compreendido entre as
antenas, sendo que os jogadores não podem dar dois toques consecutivos na
bola, ao menos se estiverem no bloqueio. Cada vez que a posse de bola for
para a outra equipe, seus respectivos jogadores deverão mudar de posição
(rodízio), trocando as posições no sentido horário da quadra. (RUSSO 2019)20
1.1 HISTÓRIA DO VOLEI
O voleibol foi criado em 1895 por William George Morgan nos EUA
como uma alternativa menos intensa ao basquete. Chamado inicialmente de
"mintonette", tornou-se "volleyball" e se espalhou pelo mundo pela ACM e
pelas Forças Armadas dos EUA, chegando ao Brasil em 1915-1916. No Brasil,
o esporte ganhou força com a criação da Confederação Brasileira de Voleibol
em 1954 e se popularizou ainda mais nas décadas de 1980 e 1990, com apoio
da mídia e de patrocinadores. Hoje, é um dos esportes mais populares no país,
atraindo grande audiência e adaptações nas regras para as transmissões.
(MEZZAROBA;2011)14
1.2 GESTO ESPORTIVO
De acordo com Gonçalves et al. (2024), o voleibol envolve uma série
de gestos esportivos complexos, executados com atenção aos princípios
biomecânicos para maximizar a performance e reduzir o risco de lesões. Os
5
principais fundamentos incluem o saque, passe, levantamento, ataque,
bloqueio e defesa, e cada um utiliza grupos musculares específicos que, em
conjunto, suportam as ações dos atletas na quadra.11
1. Saque: A ação de iniciar o jogo, lançando a bola sobre a rede em
direção à quadra adversária. Pode ser feito de forma estática, com salto (saque
viagem) ou flutuante.
No saque em suspensão, a execução inicia-se com uma corrida de
aproximação que gera aceleração horizontal, convertida em impulso vertical
durante o salto. Durante o movimento, ocorre a ativação dos músculos dos
membros inferiores, como o quadríceps femoral (para a extensão dos joelhos),
gastrocnêmio e sóleo (para a flexão plantar do tornozelo), além dos glúteos
(para a extensão do quadril). No momento do golpe, os músculos do ombro e
do braço, como o deltóide e o tríceps braquial, são acionados para executar a
extensão e rotação do braço que impulsiona a bola.11
2. Recepção ou Passe: É o movimento de receber a bola do saque
adversário, geralmente com o antebraço, direcionando-a para o levantador.
Nesse gesto, os músculos do antebraço, como o braquiorradial, e o
tríceps braquial são ativados para manter os braços estendidos. O trapézio e o
deltoide também contribuem para estabilizar os ombros. Durante a execução, o
core (incluindo músculos como o reto abdominal e oblíquos) é ativado para
estabilizar o tronco e amortecer o impacto da bola.11
3. Levantamento: O levantador realiza um toque preciso para os
atacantes, facilitando um ataque. Pode ser feito com toque (dois toques) ou
com manchete.
No manchete o levantador utiliza os músculos dos braços e ombros
para conduzir a bola. O deltóide (para elevação dos braços), o tríceps braquial
(para extensão dos cotovelos) e os músculos extensores do punho trabalham
para direcionar a bola. Os músculos estabilizadores do core, como o transverso
do abdômen e os oblíquos, são fundamentais para manter o equilíbrio do corpo
e a precisão do movimento.11
6
4. Ataque: Movimento onde o jogador salta e golpeia a bola com
força em direção à quadra adversária, visando o ponto.
Durante o salto, os músculos do quadríceps, glúteos, gastrocnêmio e
sóleo são acionados para proporcionar uma forte impulsão. O movimento de
arremesso envolve o deltóide (para a elevação do braço), o peitoral maior (para
a adução do ombro) e o tríceps braquial (para a extensão do cotovelo). A
coordenação entre os músculos dos membros inferiores e superiores é crucial
para maximizar a altura do salto e a potência do golpe.11
5. Bloqueio: Os jogadores próximos à rede saltam e erguem as
mãos para impedir ou dificultar o ataque adversário, tentando bloquear a bola.
Durante a impulsão, o quadríceps, glúteo máximo e gastrocnêmio
são ativados para estender os joelhos e tornozelos. No momento do bloqueio,
os músculos do ombro e do braço, como o deltóide e tríceps braquial, ajudam a
manter os braços estendidos e firmes acima da cabeça. Os músculos do core,
como o reto abdominal, são importantes para manter a estabilidade e controle
do corpo no ar.11
6. Defesa: Movimento para salvar a bola após o ataque adversário,
muitas vezes com uma manchete baixa ou com um toque rápido.
O atleta utiliza a musculatura dos membros inferiores, incluindo o
quadríceps e glúteos, para manter uma posição semiflexionada. Durante o
movimento de interceptação, o trapézio e os músculos do braço, como o bíceps
braquial, auxiliam nos ajustes rápidos dos braços. A musculatura do core
também é altamente exigida para manter a postura e permitir movimentos
ágeis em várias direções.11
2 PRINCIPAIS LESÕES
Coluna: No voleibol, as lesões na coluna vertebral são resultado de
sobrecargas repetitivas e erros na técnica, que levam a desequilíbrios
musculares e a problemas posturais ao longo do tempo. Os segmentos mais
afetados incluem a coluna torácica e a lombar, com subluxações nas vértebras
(como T4, T8 e T12) e hérnias de disco na região lombar, que são associadas
7
aos movimentos de salto e impacto frequentes. As lesões podem se agravar
em função da intensidade dos treinos e da pressão por desempenho. Estudos
apontam que os atletas profissionais têm uma maior incidência de lesões na
coluna em comparação aos amadores, em parte devido ao excesso de
treinamento e à execução inadequada dos movimentos sob condições de alta
demanda física. Nos jogadores, as posições de bloqueio e ataques frequentes
aumentam a carga sobre as vértebras, principalmente L4, L5 e S1, que são as
áreas mais sujeitas a degenerações discais e disfunções funcionais devido ao
alto impacto. (FEITOSA;2023)7
Ombro: O ombro é uma articulação complexa que exige mobilidade
e estabilidade, tornando-se suscetível a lesões, especialmente entre indivíduos
que realizam movimentos repetitivos, como atletas. Entre as lesões mais
comuns no ombro, destacam-se aquelas relacionadas ao manguito rotador –
um grupo de músculos e tendões responsáveis pela estabilização da
articulação. As principais lesões de sobrecarga incluem bursite e tendinite,
inflamações causadas por esforço excessivo. Em casos mais graves, pode
ocorrer a ruptura do manguito rotador, resultando em dor intensa e limitação de
movimento. Além disso, são frequentes os casos de entorse e luxação na
clavícula, geralmente causados por traumas diretos na articulação
acromioclavicular (PRADO, 2020).7
Mãos: Os dedos são frequentemente lesionados em situações de
jogo em que há contato direto e brusco com a bola, como durante o bloqueio, a
recepção e a defesa. Nesses momentos, o impacto da bola nos dedos pode
gerar uma força excessiva, levando a movimentos involuntários de flexão ou
hiperextensão.
As lesões mais comuns nos dedos incluem:
− Entorses (39%): Resultam do alongamento excessivo dos ligamentos ao
redor das articulações dos dedos.
− Fraturas (25%): Ocorrem quando a força da bola é intensa o suficiente
para causar uma ruptura no osso.
− Contusões (16%): Lesões mais leves, causadas pelo impacto direto, que
gera inchaço e hematomas nos tecidos moles.
8
− Luxações (12%): Acontecem quando há um deslocamento das
articulações dos dedos, geralmente ao tentar bloquear ou durante uma
recepção inadequada.
Fatores de Risco: Histórico de lesões anteriores é um dos principais
fatores de risco. Além disso, o posicionamento inadequado dos dedos e das
mãos durante o passe ou o bloqueio pode aumentar a vulnerabilidade para
essas lesões. (MOURA;2014)15
Joelho: Causas e Mecanismo: No voleibol, os saltos e aterrissagens
bruscas são movimentos que colocam grande pressão sobre a articulação do
joelho, especialmente durante recepções de ataques ou bloqueios. Esses
movimentos podem resultar em rotações e deslocamentos repentinos que
levam à lesão do ligamento cruzado anterior (LCA) ou dos meniscos.
Tipos de Lesões:
− Lesão do Ligamento Cruzado Anterior (LCA): Esta lesão ocorre
geralmente quando o joelho sofre uma rotação brusca, frequentemente
após um salto. A lesão do LCA é comum entre atletas, podendo implicar
um longo período de reabilitação.
− Lesão de Menisco: Os meniscos são estruturas de amortecimento do
joelho e são particularmente vulneráveis durante movimentos de rotação
e flexão, como na fase defensiva do jogo, quando o jogador está
agachado e realiza giros rápidos.
Fatores de Risco: Diversos fatores aumentam o risco de lesões no
joelho, incluindo:
− Condicionamento muscular: Um preparo muscular inadequado
compromete a estabilidade do joelho.
− Alinhamento anatômico: Desvios no alinhamento dos membros inferiores
podem sobrecarregar o joelho.
− Histórico de lesões anteriores e sexo feminino (devido a diferenças
anatômicas e biomecânicas) são também fatores predisponentes para
lesões no joelho. (MOURA;2014)15
9
Tornozelo: O tornozelo é essencial para a estabilização do corpo e,
devido ao seu papel no suporte de peso, é vulnerável a traumas e lesões
ligamentares. As entorses são as lesões mais frequentes nesta articulação e
resultam da torção ou estiramento excessivo dos ligamentos, muitas vezes
ocorrendo em atividades que envolvem mudanças bruscas de direção. Além
disso, traumas podem causar lesões na cartilagem articular, o que leva a uma
degeneração precoce da articulação e a possíveis complicações futuras
(SANTOS, 2022).21
A maior parte das lesões citadas é provocada por treinamentos mal
executados, geram a parada temporária das atividades e, em alguns casos, a
aposentadoria precoce do atleta.
2.1 LESÃO DE MANGUITO ROTADOR
O manguito rotador é um grupo de músculos e tendões que
estabiliza a articulação do ombro, proporcionando suporte e mobilidade ao
braço. Esse conjunto é composto pelos músculos supraespinhoso,
infraespinhoso, redondo menor e subescapular, que têm como principal função
manter a cabeça do úmero alinhada com a cavidade glenoidal, prevenindo
deslocamentos indesejados e estabilizando a articulação durante os
movimentos do ombro (Chambriard, Antonio e Bentes, 2017).
Esses músculos agem como estabilizadores dinâmicos, trabalhando
de forma integrada para controlar a posição do úmero na glenoide, em especial
durante movimentos de elevação e rotação. Essa função estabilizadora é
essencial para manter a eficiência biomecânica da articulação do ombro, uma
das mais móveis e suscetíveis a lesões do corpo humano (Andrade et al.,
2004).
Condições como a Síndrome do Manguito Rotador (SMR) ocorrem
quando o grupo de músculos e tendões sofre lesões ou degeneração, muitas
vezes causadas pelo uso excessivo, sobrecarga ou pelo envelhecimento. Essa
síndrome é caracterizada por dor e limitação de movimentos, especialmente
em atividades que exigem elevação do braço. Fatores intrínsecos, como a
idade e a vascularização insuficiente dos tendões, bem como fatores
10
extrínsecos, como o impacto entre o úmero e o acrômio, contribuem para o
desenvolvimento dessas lesões (Neer, 1990 apud Chambriard, Antonio e
Bentes, 2017).
A degeneração e a lesão do manguito rotador são comuns em
pessoas que realizam atividades repetitivas, que exigem abdução e flexão do
ombro, o que aumenta a pressão sobre essa estrutura e contribui para o
desgaste dos tendões.19
2.2 ENTORSE DE TORNOZELO
As entorses no tornozelo são as lesões mais frequentes entre
jogadores de voleibol e geralmente ocorrem durante saltos e aterrissagens,
especialmente quando o jogador cai sobre o pé de outro atleta ao voltar de um
bloqueio ou ataque. Esse movimento provoca uma instabilidade na articulação
do tornozelo, frequentemente em posição de inversão (para dentro), o que leva
à lesão dos ligamentos.
A entorse pode variar em gravidade:
− Entorse leve: Causa dor e inchaço moderado; o atleta pode retomar a
atividade rapidamente.
− Entorse moderada a grave: Pode resultar em ruptura parcial ou total dos
ligamentos, causando dor intensa e inchaço significativo, o que requer
afastamento das atividades esportivas.
Fatores de Risco: Um dos principais fatores de risco para entorses
no tornozelo é o histórico de lesões anteriores, o que aumenta em até quatro
vezes a probabilidade de recorrência. Outras causas incluem o tipo de calçado,
características do piso e instabilidade ligamentar. (MOURA;2014)15
3 AVALIAÇÃO FISIOTERAPÊUTICA
A avaliação fisioterapêutica é fundamental para atletas de voleibol,
pois permite identificar possíveis desequilíbrios musculares, fraquezas e
limitações articulares que podem predispor a lesões. Este processo ajuda a
compreender o estado físico e funcional do atleta, orientando um plano de
prevenção personalizado. A análise dos padrões de movimento, da flexibilidade
e da força é essencial, já que no voleibol há movimentos intensos de salto,
11
rotação e impacto que sobrecarregam articulações e músculos, especialmente
dos membros inferiores, ombros e coluna. Através dessa avaliação, o
fisioterapeuta pode desenvolver estratégias para melhorar a performance e
reduzir o risco de lesões, promovendo a longevidade na carreira esportiva do
atleta.
3.1 ANMNESE
Uma das partes iniciais da avaliação fisioterapêutica, a anamnese
consiste em um processo pelo qual o examinador obtém informações
sobre o atleta ou esportista, com detalhamento de seu histórico esportivo,
incluindo-se dados sobre modalidade, tempo de prática e carga horária
de exposição semanal aos treinos. Além disso, são tomadas também
informações relacionadas à história de lesões e/ou condições patológicas
pregressas. Caso seja possível, o avaliador pode considerar dados de registros
clínicos (prescrições medicamentosas, laudos detalhados de exames médicos,
entre outros aspectos) (O’SULLIVAN; SCHMITZ; FULK, 2019)17
Perguntas relevantes:
1. Há quanto tempo você pratica vôlei?
2. Com que frequência você treina por semana?
3. Qual é a duração média de suas sessões de treino?
4. Você já sofreu alguma lesão enquanto praticava vôlei? Qual?
5. Está sentindo alguma dor ou desconforto atualmente? Onde?
3.2 INSPEÇÃO
Na inspeção, além de observar a postura e o alinhamento, é
importante considerar:
Avaliação de Lesões Anteriores: Observar se o atleta já sofreu
algumas lesões e como elas podem afetar a postura e o padrão de movimento.
Análise de Movimento Funcional: Observar o atleta em ação (por
exemplo, durante aquecimento ou treino) para identificar qualquer padrão de
movimento inadequado.
− Salto: Avaliar a técnica do salto e a aterrissagem.
12
− Serviço: Observar a mecânica do movimento do braço e a postura do
tronco.
− Mudanças de Direção: Notar a mecânica dos joelhos e tornozelos.
Sinais Visuais de Compensação: Procurar por sinais visíveis de
compensação, como:
− Movimentação assimétrica dos braços.
− Alterações na linha dos joelhos durante saltos e corridas.
− Tensão excessiva em grupos musculares, como trapézio ou lombares.
(EDUARDO;2023)6
3.3 PALPAÇÃO
O exame palpatório, que contribui para a identificação de
desequilíbrios, de alinhamento e de referencial anatômico. Nesta etapa, o
examinador volta-se a localizar a região acometida e disfuncional,
considerando-se a estrutura lesionada a partir da reprodução de sintomas para
confirmação de achados diagnósticos (DUTTON, 2020; BRUKNER; KHAN,
2011).
Em atletas de voleibol deve concentrar-se em pontos como o ombro,
o joelho e o tornozelo, devido à alta incidência de lesões nessas regiões. Este
exame ajuda a confirmar queixas relatadas na anamnese e orienta o
fisioterapeuta sobre as áreas que exigem maior atenção durante a reabilitação
ou no planejamento de exercícios preventivos.17
Ombro:
− Músculos: Manguito rotador (subescapular, supraspinhal, infraespinhal,
redondo menor)
Deltoide (porções anterior, média e posterior)
− Tendões: Tendão do bíceps (região anterior do ombro)
− Articulação: Glenoumeral (palpar espaço subacromial)
Joelho:
− Músculos:Quadríceps (parte anterior da coxa)
Isquiotibiais (parte posterior da coxa)
13
− Tendões: Tendão do quadríceps (abaixo da patela)
Tendão patelar (abaixo da patela)
− Articulação:Femorotibial (palpar ligamentos colaterais e patela)
Tornozelo:
− Músculos:Gastrocnêmio (parte posterior da perna)
Sóleo (abaixo do gastrocnêmio)
− Tendões: Tendão de Aquiles (parte posterior do tornozelo)
− Articulação: Tibiofibular (articulação entre tíbia e fíbula)
Tibiotalar (região do tornozelo)
3.4 MOBILIDADE
A mobilidade deve ser avaliada em termos de amplitude de
movimento (ADM), e a qualidade do movimento.
Teste de Flexibilidade Muscular: Usar testes específicos para
músculos que podem estar encurtados ou tensos
− Testes de flexibilidade do tríceps sural (panturrilha).
− Testes de flexibilidade do iliopsoas (quadril).
Mobilidade Funcional: Avaliar como o atleta executa movimentos
funcionais:
− Agachamentos.
− Posições de ataque e recepção.
Análise da Mobilidade Dinâmica: Avaliar a mobilidade em
movimento, como em atividades que envolvem saltos e pivôs, para observar
como a mobilidade se traduz em desempenho. (EDUARDO;2023)6
3.5 GONIOMETRIA
Ombro:
− Flexão: 180º (movimento do braço para frente).
− Extensão: 60º (movimento do braço para trás).
− Abdução: 180º (movimento do braço para o lado).
14
− Rotação Interna: 70-90º.
− Rotação Externa: 90º.
Quadril:
− Flexão: 120º.
− Extensão: 20-30º.
− Abdução: 45º.
− Addução: 30º.
− Rotação Interna: 45º.
− Rotação Externa: 45º.
Joelho:
− Flexão: 135º.
− Extensão: 0º (o que significa que a perna está completamente estendida).
Tornozelo:
− Dorsiflexão: 20º.
− Plantiflexão: 50º. (MARQUES;1997)13
3.6 FORÇA MUSCULAR
A avaliação objetiva da força muscular é essencial nos contextos
clínico e científico para estabelecer limites funcionais e parâmetros que
orientem as respostas ao tratamento e ao treinamento. Essa avaliação fornece
uma condição padrão para a definição de cargas de treinamento e representa
uma medida crucial para o diagnóstico e a reabilitação de disfunções
musculoesqueléticas (LOSS et al., 1998; SAENZ et al., 2010).
Para realizar essa avaliação, utilizam-se testes específicos, como a
dinamometria e a aplicação de força contra resistência manual, que
possibilitam a mensuração da força de grupos musculares envolvidos em
movimentos típicos do voleibol, como saltos e arremessos. Além disso, a
análise da força muscular é fundamental para o desenvolvimento de programas
de treinamento personalizados e para a correção de desequilíbrios musculares,
frequentemente observados em atletas de alto rendimento.17
15
3.7 TESTES ESPECÍFICOS
Teste de Mobilidade do Ombro:
Objetivo: Avaliar a amplitude de movimento do ombro, que é crucial
para o desempenho em saques e ataques.
Execução: Utilizar um goniômetro para medir a flexão, abdução e
rotação interna/externa do ombro. O atleta deve executar movimentos
específicos de saque e ataque enquanto as amplitudes são
medidas.(JOÃO;2011)10
Teste de Força do Core:
Objetivo: Avaliar a força do core, essencial para a estabilidade
durante os movimentos.
Execução: Testes como a prancha frontal ou lateral, ou o teste de
sit-up (abdominais), podem ser utilizados para medir a força do core.
(PANHAN;2019)16
Teste de Mobilidade do Quadril:
Objetivo: Avaliar a flexibilidade e a amplitude de movimento do
quadril.
Execução: Medir a flexão, extensão, abdução e rotação do quadril
utilizando um goniômetro e testes funcionais, como o teste de Thomas (para
flexores do quadril). (PICADO;)18
Teste de Confiabilidade do Joelho:
Objetivo: Avaliar a estabilidade e a função do joelho em movimentos
funcionais.
Execução: Testes de Lachman e de pivot shift podem ser utilizados
para avaliar a estabilidade ligamentar do joelho, especialmente após lesões
anteriores.(CAIXETA; 2022)2
Teste de Aceleração e Desaceleração:
Objetivo: Avaliar a capacidade de acelerar e desacelerar, que é
crucial em um jogo de vôlei.
16
Execução: Criar uma pista de teste com marcadores em distâncias
específicas e avaliar a capacidade do atleta em atingir velocidade máxima e em
parar rapidamente. (CHIERIGHINI;2017)4
3.7.1 TESTES ESPECÍFICOS PARA MANGUITO ROTADOR
Teste de Jobe: Esse teste é específico para avaliar o músculo
supraespinhal, que é um dos músculos mais frequentemente lesionados do
manguito rotador.
Ele é realizado da seguinte forma:
1. Posição do paciente: o paciente deve estar sentado ou em pé,
com o braço em abdução de aproximadamente 90 graus e rotação interna
(polegar apontando para baixo).
2. Posição do fisioterapeuta: o terapeuta aplica resistência sobre o
antebraço do paciente, pedindo para que ele mantenha o braço nessa posição.
O resultado positivo: dor ou fraqueza ao tentar manter a posição
contra a resistência pode indicar uma lesão ou tendinite no músculo
supraespinhal.
Teste de Neer: Identifica possíveis lesões de impacto no ombro,
especificamente no tendão do supraespinhal e na cabeça longa do bíceps, que
são partes do manguito rotador.
Como realizar o Teste de Neer:
1. Posição do paciente: O paciente fica em pé ou sentado, com o
braço ao lado do corpo e o cotovelo estendido.
2. Posição do fisioterapeuta: O fisioterapeuta posiciona uma mão na
escápula do paciente para estabilizá-la, evitando movimento excessivo da
escápula durante o teste. Com a outra mão, o terapeuta segura o punho do
paciente.
3. Execução do teste: O fisioterapeuta realiza uma elevação passiva
do braço do paciente (flexão do ombro), levando-o à amplitude máxima,
mantendo o braço em rotação interna (com o polegar apontado para baixo).
O Resultado é positivo se o paciente relatar dor durante a elevação
passiva do ombro. Isso sugere a presença de impacto subacromial,
17
possivelmente causado por inflamação ou lesão nos tendões do manguito
rotador.12
3.7.2 TESTES ESPECÍFICOS PARA ENTORSE DE TORNOZELO
Teste da Gaveta Anterior: Esse teste ajuda a avaliar a integridade
do ligamento talofibular anterior (LTFA), um dos ligamentos mais
frequentemente lesionados em entorses de tornozelo.
Como é realizado:
1. Com o paciente em posição sentada, o fisioterapeuta estabiliza a
tíbia e a fíbula distalmente, acima do tornozelo.
2. Com a outra mão, o fisioterapeuta segura o calcâneo e aplica uma
força de translação anterior, puxando o pé para frente.
O teste é considerado positivo se houver um deslocamento
excessivo da tíbia em relação ao tálus, indicando uma possível lesão no
ligamento talofibular anterior.
Teste de Estresse em Inversão (Tilt Test): Avalia principalmente o
ligamento calcaneofibular (LCF).
1. Posição do paciente: O paciente deve estar sentado ou deitado
com a perna relaxada e o pé ligeiramente pendente da maca.
2. Posição do fisioterapeuta: O fisioterapeuta segura o calcâneo do
paciente com uma das mãos, enquanto a outra mão estabiliza a perna, fixando
a região distal da tíbia e fíbula.
3. Execução: O fisioterapeuta aplica uma força de inversão
(movimento para dentro) no pé, criando um estresse no ligamento
calcaneofibular.
O teste é considerado positivo se houver dor, aumento de
mobilidade ou uma sensação de frouxidão comparado ao lado contralateral, o
que sugere uma lesão no LCF. 9-20
3.8 TESTES FUNCIONAIS
Teste de Salto Vertical:
Objetivo: Avaliar a força explosiva e a capacidade de salto.
18
Execução: O atleta deve realizar um salto vertical máximo a partir de
uma posição estática, utilizando uma fita métrica ou um dispositivo de salto
para medir a altura alcançada.
Teste de Agachamento:
Objetivo: Avaliar a força muscular e a mobilidade do quadril e joelho.
Execução: O atleta deve realizar agachamentos, com a profundidade
e a forma observadas. Um agachamento adequado deve permitir que os
joelhos não ultrapassem a linha dos pés.
Teste de Equilíbrio Unipodal:
Objetivo: Avaliar a estabilidade do tornozelo e a propriocepção.
Execução: O atleta deve equilibrar-se em uma perna por um
determinado tempo (por exemplo, 30 segundos) sem perder o equilíbrio ou
usar suporte.
Teste de Aterrissagem:
Objetivo: Avaliar a técnica de aterrissagem após um salto.
Execução: O atleta deve saltar de uma plataforma e aterrissar em
uma posição controlada, com observação da mecânica do joelho e do controle
do tronco.
Teste de Marcha e Corrida:
Objetivo: Avaliar a mecânica de corrida e a capacidade de mudança
de direção.
Execução: Observar o atleta enquanto caminha e corre, focando em
qualquer sinal de compensação ou dor. (SILVA;2011)22
3.9 MARCHA
Embora a marcha não seja uma atividade central no voleibol, sua
análise pode fornecer informações importantes sobre a biomecânica do atleta e
possíveis assimetrias que possam impactar sua performance ou predispor a
lesões. Essa análise permite avaliar o desempenho atlético, identificando
19
padrões que influenciam a agilidade e a velocidade, essenciais em esportes
como o voleibol.
Na reabilitação, a análise da marcha desempenha um papel
importante ao permitir que fisioterapeutas monitorem o progresso de atletas em
recuperação e ajustem programas de tratamento conforme necessário. Os
métodos de avaliação incluem observação visual, tecnologia de captura de
movimento e plataformas de pressão, que oferecem dados sobre a dinâmica do
movimento.17
4 TRATAMENTO FISIOTERAPÊUTICO
Focamos nas principais lesões que os atletas de voleibol cometem
que seria:
− Lesão de manguito rotador
− Entorse de tornozelo
4.1 PLANO DE TRATAMENTO PARA LESÃO DO MANGUITO ROTADOR
Tempo de imobilização: em média de 4 a 8 semanas com tipoia.
Fase I: 1 a 4 semanas
• Objetivos:
− Redução de processo inflamatório e quadro álgico
− Prevenção dos efeitos adversos da imobilização
− Acelerar o processo cicatricial o Melhorar vascularização
• Intervenções:
− Eletrotermofototerapia (ultrassom, laser, eletroestimulação)
− Exercícios pendulares de Codman
− Exercícios de mobilização escapular ativa (elevação, depressão, abdução
e adução)
− Exercícios ativos para cotovelo, mão e punho
− Exercícios isométricos escapulares (flexão, extensão, rot ext e rot int)
Sempre levar em considerar os músculos lesados, pois no
acometimento de alguns, certos movimentos não podem ser realizados
20
− Mobilização passiva escapular
− Mobilização do ombro (flexão, rot ext e rot int em DD)
− Liberação de trapézio, elevador da escapula, deltóide, músculos cervicais
e peitoral maior
− Aplicação de bandagem/Taping (Contensivo e linfático – observar qual
será o melhor)
Fase II: 4 a 6 semanas
• Intervenções:
− Manter os exercícios anteriores e ir melhorando gradualmente
− Movimento ativo livre 0-90º de flexão e abdução
− Extensão de cotovelo em DD
− Escadinha de dedos o Ganho de ADM passiva
Fase III: 6 a 10 semanas
• Intervenções:
− Manter os anteriores
− Estabilidade
− Movimentos articulares com faixa elástica e halter (peso leve)
− Alongamento passivo e ativo > 90º
− Exercícios leves em cadeia cinética fechada
Fase IV: 12/14 semanas até a alta fisioterapêutica
• Intervenções:
− Manter as anteriores
− Ganhar ADM completa, força máxima e estabilidade
− Trabalhar em diagonais com e sem resistência
− Treinamento pliométrico e funcional
(Christina Cruz Cepeda; 2024)8
4.2 PLANO DE TRATAMENTO PARA LESÃO DE ENTORSE DE TORNOZELO
Fase Aguda (Primeiros 3-5 dias)
Objetivo: Reduzir dor, inflamação e edema.
21
− Repouso: Evitar apoio completo no pé lesionado para permitir
recuperação inicial dos tecidos.
− Gelo/ Crioterapia : Aplicar gelo por 20 minutos a cada 2-3 horas.
− Compressão: Uso de bandagens compressivas para ajudar na redução
do edema.
− Elevação: Manter o tornozelo elevado para facilitar o retorno venoso e
reduzir o inchaço.
− Mobilização passiva: Realizar movimentos suaves e passivos para evitar
rigidez e aderências articulares.
Fase Subaguda (Aproximadamente 1-2 semanas)
Objetivo: Recuperar mobilidade e iniciar fortalecimento.
− Mobilização ativa assistida: Iniciar movimentos de dorsiflexão,
plantarflexão, inversão e eversão com assistência.
− Fortalecimento leve: Exercícios isométricos para músculos ao redor do
tornozelo, sem causar dor.
− Estabilidade e Propriocepção: Exercícios em superfícies estáveis (como
balanços) para melhorar a coordenação e o equilíbrio.
− Alongamento suave: Especialmente para os músculos da panturrilha,
para evitar encurtamentos.
Fase de Fortalecimento e Propriocepção (3-6 semanas)
Objetivo: Fortalecer músculos e recuperar a função plena.
− Fortalecimento resistido: Introduzir resistência progressiva com elásticos
ou pesos leves, visando os músculos peroneais, tibial anterior e
gastrocnêmio.
− Treinamento proprioceptivo avançado: Exercícios em superfícies
instáveis, como o uso de um BOSU ou disco de equilíbrio, para aprimorar
o controle motor e evitar novas lesões.
− Movimento funcional: Atividades que imitam movimentos específicos do
esporte (ex: saltos e mudanças de direção para atletas de esportes como
vôlei ou basquete).
22
Fase de Retorno Gradual ao Esporte (A partir de 6 semanas)
Objetivo: Reintroduzir o paciente de volta às atividades físicas com
segurança.
− Exercícios pliométricos: Movimentos de salto e aterrissagem com foco na
técnica e no controle.
− Treinamento de agilidade: Mudanças rápidas de direção e exercícios que
desafiem a estabilidade e a coordenação.
− Simulação de atividades esportivas: Movimentos específicos ao esporte
praticado, respeitando a intensidade e monitorando dor.
− Ajustes biomecânicos: Avaliação e correção de padrões de movimento
que possam ter predisposto à lesão. (RUSSO;2003)20
4.3 PROGRAMA DE PREVENÇÃO
O voleibol é uma modalidade esportiva que exige alta intensidade e
repetição de movimentos específicos, como saltos e aterrissagens, o que gera
impacto significativo sobre diversas partes do corpo dos atletas, principalmente
nas articulações e musculatura. A fisioterapia preventiva, nesse contexto, é
fundamental para reduzir o risco de lesões, especialmente em áreas
vulneráveis como tornozelos, ombros, joelhos e coluna vertebral, promovendo
assim a longevidade esportiva dos praticantes (SOUSA; FERREIRA, 2021;
ALBARELLO et al., 2014).
Uma das lesões mais comuns no voleibol é a entorse de tornozelo,
que ocorre frequentemente durante as aterrissagens após saltos de bloqueio e
ataque. Sousa e Ferreira (2021) enfatizam que o fortalecimento específico da
musculatura do tornozelo, aliado a exercícios de propriocepção, é eficaz na
prevenção dessa lesão, pois aumenta a estabilidade articular e a capacidade
de controle postural do atleta. Este aspecto também é corroborado por
Albarello et al. (2014), que mencionam a importância da propriocepção e do
fortalecimento como medidas preventivas.
Lesões no joelho também representam um risco relevante para
jogadores de voleibol, especialmente em razão de movimentos repetitivos de
salto e mudança de direção, que sobrecarregam a articulação. Sousa e
Ferreira (2021) apontam que o fortalecimento dos músculos ao redor do joelho,
23
incluindo quadríceps e isquiotibiais, associado a exercícios de propriocepção,
contribui para a estabilidade da articulação e reduz a incidência de lesões,
como lesões de ligamento cruzado anterior (LCA). Albarello et al. (2014)
destacam ainda a importância do trabalho de controle neuromuscular para
prevenir lesões nos joelhos, fortalecendo a articulação e proporcionando maior
segurança ao atleta.
As lesões no ombro também são recorrentes entre jogadores de
voleibol, devido aos movimentos repetitivos de saque e cortada, que
sobrecarregam a musculatura rotadora da articulação. Sousa e Ferreira (2021)
indicam que o fortalecimento do manguito rotador e a realização de exercícios
de flexibilidade são essenciais para reduzir a incidência de lesões no ombro,
promovendo estabilidade articular e diminuindo o risco de contusões e
desgastes. Albarello et al. (2014) complementam que a estabilização da cintura
escapular e o trabalho específico de fortalecimento dos músculos rotadores são
estratégias fundamentais no contexto preventivo.
Outro ponto de atenção é a região lombar, que é frequentemente
afetada devido ao impacto e à demanda de estabilização durante o jogo. Para
prevenir dores e lesões lombares, é essencial o fortalecimento dos músculos
do tronco, incluindo os abdominais e os paravertebrais. Sousa e Ferreira (2021)
apontam que o trabalho de estabilização central promove melhor alinhamento
postural e reduz a sobrecarga na coluna vertebral. Albarello et al. (2014)
ressaltam que o fortalecimento e a estabilização lombar são medidas que
auxiliam na manutenção de uma postura adequada, o que é essencial para
evitar lesões crônicas.
A intervenção fisioterapêutica preventiva no voleibol, portanto, foca
em um treinamento integrado que combina fortalecimento muscular,
propriocepção e flexibilidade. Essas estratégias não apenas reduzem o risco de
lesões, mas também proporcionam maior segurança aos atletas durante a
prática esportiva, permitindo que eles mantenham um alto desempenho ao
longo da carreira.1-5
24
CONCLUSÃO
A reabilitação fisioterapêutica tem um papel fundamental no suporte
à saúde física dos atletas de voleibol, contribuindo para uma prática esportiva
segura e sustentável. As lesões analisadas neste trabalho, como as do
manguito rotador, entorses de tornozelo e lesões ligamentares de joelho, são
algumas das mais prevalentes devido à exigência física e aos movimentos
repetitivos que o esporte demanda. A fisioterapia, ao atuar com abordagens
específicas, como fortalecimento, mobilidade articular, estabilização e
propriocepção, permite que os atletas não apenas se recuperem mais
rapidamente, mas também previnam novas ocorrências.
Além disso, o desenvolvimento de programas preventivos
personalizados para as necessidades do voleibol, que englobam exercícios de
fortalecimento para o core, ombros, joelhos e tornozelos, tem se mostrado
eficaz na redução de lesões. Esses programas ajudam a otimizar a
performance dos jogadores, oferecendo maior estabilidade articular, melhor
controle muscular e uma biomecânica mais eficiente para a prática dos gestos
esportivos. A importância de um acompanhamento contínuo pela fisioterapia
também se estende ao monitoramento dos padrões de movimento dos atletas,
visando corrigir desvios que poderiam sobrecarregar articulações e músculos.
Conclui-se, portanto, que a fisioterapia preventiva e terapêutica
desempenha um papel estratégico na carreira de atletas de voleibol,
promovendo não apenas a recuperação de lesões, mas também um suporte
essencial para a manutenção da saúde física e o aprimoramento do
desempenho esportivo. A integração de protocolos fisioterapêuticos no dia a
dia dos atletas contribui para que eles possam enfrentar os desafios do esporte
com maior segurança, resiliência e capacidade de evolução técnica,
assegurando uma prática prolongada e bem-sucedida no voleibol.
25
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