Práticas Contábeis III
Aspectos processuais da DRE
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Nesta webaula, estudaremos as variações patrimoniais na conciliação contábil, DRE (segundo o CPC 26-R1), DRE
(segundo a Lei das S/As, Receita Operacional Bruta pela lei tributária, e, por fim, deliberação do estatuto social.
Variações patrimoniais na conciliação contábil
As alterações patrimoniais podem ocorrer, basicamente, pelos motivos de:
Variação dos valores patrimoniais por ocasião de critérios contábeis e societários.
Reconhecimento e registro de provisões.
Reconhecimento e registro de depreciação, exaustão e amortização.
Reconhecimento e registro de encargos transcorridos no período.
Reconhecimento e registro de baixas por motivo de ativos se tornarem não realizáveis e passivos se tornarem
não exigíveis, além de perdas e roubos.
Ciclo de conciliação e ajuste de variações patrimoniais
Fonte: elaborada pelo autor.
DRE, segundo o CPC 26 (R1)
A DRE estará concluída, passando a indicar o lucro líquido disponível para as destinações.
Conforme o CPC 26 (R1) (BRASIL, 2011), ela deverá demonstrar, além dos demais itens previstos em outros CPCs,
de acordo com a legislação societária:
O custo dos produtos, das mercadorias e dos serviços vendidos.
O lucro bruto.
As despesas com vendas, gerais, administrativas e outras despesas e receitas operacionais.
O resultado antes das receitas e despesas financeiras.
O resultado antes dos tributos sobre o lucro.
O resultado líquido do período.
Esquema de evidenciação da DRE
Fonte: elaborada pelo autor.
DRE, segundo a Lei das S/As
A Lei das S/As (Lei nº 6.404/1976), em seu art. 187, traz os elementos que devem estar apresentados na DRE:
A receita bruta das vendas e serviços.
As deduções das vendas, os abatimentos e os impostos.
A receita líquida das vendas e serviços.
O custo das mercadorias e serviços vendidos.
O lucro bruto.
As despesas com as vendas.
As despesas financeiras, deduzidas das receitas financeiras.
As despesas gerais e administrativas.
Outras despesas operacionais.
O lucro ou prejuízo operacional.
As outras receitas e despesas.
O resultado do exercício antes do Imposto sobre a Renda.
A provisão para o imposto.
As participações de debêntures, empregados, administradores e partes beneficiárias, mesmo na forma de
instrumentos financeiros, e de instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados, que não se
caracterizem como despesa.
O lucro ou prejuízo líquido do exercício.
O seu montante por ação do capital social.
Lucro por ação
Fonte: elaborada pelo autor.
Observa-se que o CPC 26 (R1) e a Lei nº 6.404/76 são complementares em alguns aspectos. Enquanto na Lei das
S/As há apenas a indicação do IR sobre o lucro na DRE, o CPC amplia o conceito para tributos incidentes sobre o
lucro, contemplando tanto o imposto de renda (IRPJ) como a contribuição social (CSLL).
O CPC 26 (R1) traz, ainda, a indicação da palavra “operacionais” e inclui as outras receitas operacionais, enquanto a
Lei nº 6.404/76 se resume a outras despesas.
A informação relativa ao lucro por ação é importante, pois os investidores da companhia, aqueles que
possuem ações, precisam avaliar a capacidade das empresas de remunerar os seus acionistas. Este é um dos
indicadores avaliados nas análises das demonstrações financeiras por aqueles que pretendem formar uma
carteira de investimentos.
Receita Operacional Bruta pela lei tributária
Para conferir a Receita Operacional Bruta, no caso, é necessário o conhecimento sobre o que é considerado como
tal na respectiva legislação societária e tributária.
Para fins de ilustração, observe o que diz a Instrução Normativa RFB nº 1700/2017. Segundo o art. 26, é
considerado Receita Bruta:
O produto da venda de bens nas operações de conta própria.
O preço da prestação de serviços em geral.
O resultado auferido nas operações de conta alheia.
As receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III.
Receita Operacional Bruta
Fonte: elaborada pelo autor.
Deliberações do estatuto social
Segundo o art. 132, da Lei nº 6.404/76, cabe ao estatuto social “[...] deliberar sobre a destinação do lucro líquido do
exercício e a distribuição de dividendos; [...]” (BRASIL, 1976, [s.p.]).
A lei determina, ainda, que deverá ser submetida à assembleia geral dos acionistas a proposta de distribuição do
lucro líquido, junto às demonstrações financeiras elaboradas.
Vale destacar que, em caso de aprovação com alterações pela assembleia, o conselho de administração terá
o prazo de 30 (trinta) dias para republicarem as demonstrações ajustadas. Caso não seja aprovada a
destinação do lucro líquido, esta condição deverá estar descrita expressamente na ata da assembleia que a
votou e recusou.
Como a contabilidade deve executar e conferir as destinações dos resultados?
Sendo a legislação societária o instrumento que regulamenta juridicamente esta destinação, devendo ser
concretizada de acordo com as normas previstas nos estatutos sociais das companhias, cabe à contabilidade
respeitá-las, portanto torna-se fundamental que o profissional contábil conheça a fundo os estatutos e as
respectivas legislações que lhe garantem legitimidade.
Deve ser observado, no tocante à destinação do resultado, conforme determina a Lei das S/As:
Art. 193
Constituição de reserva legal, antes de qualquer outra destinação (5% sobre o lucro líquido), respeitados os
limites descritos no mesmo artigo.
Art. 194
Constituição de reservas estatutárias, desde que o estatuto defina: i) a sua finalidade; ii) os critérios
relacionados à parcela destinada à reserva; iii) o limite máximo da reserva, quando a sua constituição deverá
ser cessada.
Art. 195
Reservas para contingências para compensação de perdas prováveis e estimáveis que poderão ocorrer nos
exercícios futuros.
Art. 196
Reservas de incentivos fiscais para investimentos, que poderão ser deduzidas da base de cálculo dos
dividendos obrigatórios.
Art. 197
Reservas de lucros a realizar, correspondente ao montante dos dividendos obrigatórios que ultrapassar os
lucros realizados no período.
Art. 200
Reservas de capital, conforme fatores limitantes apresentados no próprio artigo.
Seção III
Trata dos dividendos.
Destinação do lucro líquido
Fonte: elaborada pelo autor.
Para finalizar esta webaula e para um maior aprofundamento no que se refere às variações patrimoniais que
podem afetar o resultado e que demandam processo de conciliação contábil, leia o Capítulo 1, entre as
páginas 20 e 29, do livro A contabilidade a valor justo – IFRS 13, de Barreto e Almeida.
BARRETO, E.; ALMEIDA, D. Contabilidade a valor justo: IFRS 13. São Paulo: Saint Paul Editora, 2012.
No que se refere à apuração de resultado e levantamento da Demonstração do Resultado do Exercício (DRE),
leia as páginas 71 a 84, do livro Contabilidade Básica, de José Carlos Marion e Ana Carolina Marion Santos.
MARION, J. C.; SANTOS, A. C. M. Contabilidade básica. 12. ed. São Paulo: Atlas, 2018.